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Principais Conceitos

Análise do Discurso: quando concebida como estudo do discurso, a disciplina aparece


como responsável pelo estudo da linguagem como atividade ancorada em um contexto e
que produz unidades transfrásticas, como “utilização da linguagem com fins sociais,
expressivos e referenciais” (Schiffrin, 1994: 339). A meta do analista do discurso,
segundo o linguista britânico Halliday, é explicitar e interpretar ao mesmo tempo a
relação entre as regularidades da linguagem e as significações e finalidades expressas
por meio do discurso.

Condições de Produção: estudo do que condiciona o discurso. Para Pêcheux (1969) “a


um estado determinado das condições de produção (discursivas)” correspondem
“invariantes semântico-retóricas, estáveis” no conjunto dos discursos suscetíveis de
serem produzidos. Pêcheux afirma que as relações entre os lugares não constituem
comportamentos individuais, mas dependem da estrutura das formações sociais e
decorrem das relações de classes, tais como descritas pelo materialismo histórico.

Dialogismo: refere-se às relações que todo enunciado mantém com os enunciados


produzidos anteriormente, bem como os enunciados futuros que poderão os
destinatários produzirem. Segundo Bakhtin (Todorov, 1981: 98) a orientação dialógica
é, bem entendido, um fenômeno característico de todo discurso. Em todos os caminhos
que levam ao seu objeto, o discurso encontra o discurso de outrem e estabelece com ele
interação viva e intensa.

Discurso: “utilização, entre os homens, de signos sonoros articulados, para comunicar


seus desejos e opiniões sobre as coisas” (Gardiner, 1932/ 1989). Considerado, ainda,
como uso restrito do sistema linguístico; pode tratar-se de um posicionamento em um
campo discursivo (discurso comunista, surrealista), de um tipo de discurso (jornalístico,
televisivo, do professor em sala...), das produções verbais específicas de uma categoria
de locutores (o discurso das enfermeiras, das mães) ou ainda de uma função da
linguagem (o “discurso polêmico”, o “discurso prescritivo”...)

Ethos: imagem de si que o locutor constrói em seu discurso para exercer uma influência
sobre seu alocutário. Esta imagem discursiva é ancorada em estereótipos, um arsenal de
representações coletivas que determinam, parcialmente, a representação de si e sua
eficácia e uma determinada cultura. O ethos discursivo mantém relação estreita com a
imagem prévia que o auditório pode ter do orador ou, pelo menos, com a ideia que este
faz do modo como seus alocutários o percebem.

Formação Discursiva: introduzida por Foucault e reformulada por Pêcheux,


concebe-se a FD como “formação social”, caracterizável por uma certa relação entre as
classes sociais e que implica a existência de “posições políticas e ideológicas, que não
são feitas de indivíduos, mas que se organizam em formações que mantêm entre si
relações de antagonismo, de aliança ou de dominação”. Essas formações ideológicas
incluem “uma ou várias formações discursivas interligadas que determinam o que pode
e deve ser dito a partir de uma posição dada em uma conjuntura dada”. (Haroche, Henry
e Pêcheux, 1971)
Uma formação discursiva não é um espaço estrutural fechado, já que ela é
constitutivamente ‘invadida’ por elementos provenientes de outros lugares (outras FD’s)
que nela se repetem, fornecendo-lhe suas evidências discursivas fundamentais.

Ideologia: representa uma relação imaginária dos indivíduos com sua existência, que se
concretiza materialmente em aparelhos e práticas. A Ideologia está ligada ao
inconsciente pelo viés da interpelação dos indivíduos em Sujeitos: “como todas as
evidências, incluídas as que fazem com que uma palavra ‘designe uma coisa’, ou ‘tenha
uma significação, essa evidência de que você e eu somos sujeitos- e que isso não é um
problema- é um efeito ideológico, o efeito ideológico elementar”. (Althusser, 1970)

Interdiscurso: todo discurso é atravessado pela interdiscursividade, tem a propriedade


de estar em relação multiforme com os outros discursos, de entrar no interdiscurso. Esse
último está para o discurso como o intertexto está para o texto. Considera-se também
como interdiscurso o conjunto das unidades discursivas (que pertencem a discursos
anteriores do mesmo gênero, de discursos contemporâneos de outros gêneros etc.) com
os quais um discurso particular entra em relação implícita ou explícita.

Intertexto: pode ser considerado como os “ecos livres de um (ou de vários) texto (s) em
outro texto”, independente do gênero. O intertexto seria um jogo de retomadas de textos
configurados e ligeiramente transformados, como na paródia.
Polifonia: termo emprestado da música, que alude ao fato de que os textos veiculam, na
maior parte dos casos, muitos pontos de vista diferentes: o autor pode falar várias vozes
ao longo de seu texto.

Sujeito do Discurso: noção necessária para precisar o estatuto, o lugar e a posição do


sujeito falante (ou do locutor) com relação a sua atividade linguageira. Ela leva a
considerar as relações que o sujeito mantém com os dados da situação de comunicação
na qual ele se encontra, os procedimentos de discursivização, assim como os saberes,
opiniões e crenças que possui e que supõe serem compartilhados pelo seu interlocutor.
Sua competência não é mais simplesmente linguística, ela é ao mesmo tempo
comunicacional, discursiva e linguística. Pode ser considerado polifônico, uma vez que
é portador de várias vozes enunciativas; dividido, pois carrega consigo vários tipos de
saberes, dos quais uns são conscientes, outros são não-conscientes, outros ainda,
inconscientes.

Referência Bibliográfica

CHARAUDEAU, Patrick. MAINGUENEAU, Dominique. Dicionário de Análise do


Discurso. Trad. Fabiana Komesu. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2008.

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