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ESCATOLOGIA

“Se o cristianismo não for uma escatologia radical, ele não terá relação com
Cristo”

(Karl Barth).

“O homem, filho do tempo, reparte com o mesmo a sua ciência, ou a sua


ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos, e do futuro nada”

(Pe. Antônio Vieira).

A concepção original da igreja era o quiliasmo. Essa concepção atualmente se


denomina Pré-Milenismo. Quiliasmo vem da palavra grega (xi/lia) chilia, “mil”,
de onde se originaram os termos “milênio” e “milenismo”. Hoje em dia, o termo
quiliasmo é geralmente usado em sentido restrito para referir-se à crença de
que Cristo voltará antes do Milênio. O quiliasmo afirmava que o Messias um dia
voltará e reinará politicamente na qualidade de Soberano do Reino Teocrático
de Deus na Terra, durante o último período da história desta Terra atual.

Pelo fato de que essa também era a concepção na qual o antigo Israel cria,
líderes anti-semitas da Igreja Gentílica a rejeitaram sob o pretexto de ser
“opinião judaica”. Eles a substituíram por um novo conceito denominado
Amilenismo. O ponto de vista amilenista assevera que não haverá um futuro
Reino Teocrático de Deus na Terra governado pelo Messias. Pelo contrário, o
Amilenismo afirma que o futuro Reino de Deus predito na Bíblia vem a ser a
Igreja – um reino que, em vez de ser político, é inteiramente espiritual,
estabelecido por Jesus na ocasião de Sua Primeira Vinda.

A Igreja Católica Romana, que adotou a Teologia da Substituição e o


Amilenismo durante toda a Idade média, reivindicou ser o Reino de Deus na
Terra predito na Bíblia e, por conseguinte, acreditava que tinha o direito de
impor suas crenças e diretrizes políticas sobre todos os povos. Baseada nisso,
ela se tornou uma poderosa máquina religiosa e política que, por muitos
séculos, dominou todos os aspectos da vida na Europa Ocidental, a ponto de
tanto entronizar quanto destronar reis e imperadores, além de perseguir
multidões incontáveis de judeus.

O Pós-Milenismo - Esta interpretação escatológica facilmente se confunde


com o amilenismo. Afirmam seus adeptos que o Reino de Cristo é espiritual,
não geográfico, de modo que onde há indivíduos que recebem Cristo e
reconhecem Sua soberania sobre suas vidas, ai está o Reino de Deus. Há
também a esperança da conversão de todas as nações do mundo, não na
totalidade, mas a grande maioria da população de todos os povos da Terra.
Assim, será inaugurado um longo período de paz entre os homens no
mundo, que se identifica com o Reino milenar. Os pós-milenistas não
interpretam os mil anos literalmente (Ap 20). Afirmam que haverá um curto
lampejo de maldade antes da vinda do Senhor, seguido da ressurreição de
todos, o julgamento e a consignação dos homens ao estado permanente do
céu e do inferno.
As raízes do pós-milenismo são reconhecíveis nas idéias de Ticônio e
Agostinho. Jonathan Edwards, primeiro presidente da Universidade de
Princeton no século XVIII, e os Hodges e B.B. Warfield, os famosos teólogos
do seminário de Princeton, representavam este ponto de vista. Hoje, o Pós-
Milenismo tem poucos adeptos em conseqüência dos acontecimentos
históricos, nada animadores, mais do que pelas demonstrações de provas
bíblicas.

O estudioso de escatologia tem como questão mais importante o método de


interpretação das profecias na Bíblia. A adoção de diferentes métodos de
interpretação produziu as várias posições escatológicas.

Por exemplo, a diferença básica entre amilenistas e pré-milenistas não é se as


Escrituras ensinam um reino terreno, como ensina o pré- milenistas, mas como
os versículos que ensinam esse reino terreno devem ser interpretados.
Portanto, antes de qualquer debate sobre as passagens proféticas e sobre as
doutrinas escatológicas, é preciso estabelecer o método básico de
interpretação.

I. O Método Alegórico

Um antigo método de interpretação que reavivou nestes últimos tempos é o


método alegórico.

“Qualquer declaração de supostos fatos que aceita interpretação literal e, no


entanto, requer ou simplesmente admite interpretação moral ou figurada, é
chamada alegoria. E para a narrativa ou para a história o que as figuras de
linguagem são para as palavras simples, adicionando ao sentido literal dos
termos empregados um sentido moral ou espiritual. Às vezes a alegoria é pura,
ou seja, sem referência direta à sua aplicação, como na história do filho
pródigo. Às vezes é mista, como no salmo 80, em que simplesmente se insinua
(v. 17) que os judeus são o povo que a videira tem por objetivo representar.”
(Joseph ANGUS & Samuel G. GREEN)

“Alegorização é o método de interpretar um texto literário considerando o


sentido literal veículo para um sentido secundário, mais espiritual e mais
profundo”.(RAMM)

Nesse método, o significado histórico é negado ou desprezado, e a tônica recai


inteiramente num sentido secundário, de modo que as palavras ou os
acontecimentos primeiros têm pouco ou nenhum significado.
Os perigos do método alegórico

1) O primeiro grande perigo do método alegórico é que ele não interpreta as


Escrituras. “ Existe uma liberdade ilimitada para a fantasia, basta que se aceite
o princípio, e a única base da exposição encontra-se na mente do expositor.”
( ANGUS & GREEN)

2) A citação anterior deixa prever, também, um segundo grande perigo no


método alegórico: a autoridade básica da interpretação deixa de ser a Bíblia e
passa a ser a mente do intérprete. A interpretação pode então ser distorcida
pelas posições doutrinárias do intérprete, pela autoridade da igreja à qual ele
pertence, por seu ambiente social e por sua formação ou por uma enormidade
de fatores.

3) Um terceiro grande perigo do método alegórico é que não há meios de


provar as conclusões do intérprete.

”… afirmar que o principal significado da Bíblia é um sentido secundário e que


o principal método de interpretação é a “espiritualização” é abrir a porta a
imaginação e especulação praticamente desenfreadas. Por essa razão,
insistimos em que o controle na interpretação se encontra no método literal”.
(RAMM)

Assim, os grandes perigos inerentes a esse sistema são a a)eliminação da


autoridade das Escrituras, b) a falta de bases pelas quais averiguar as
interpretações, c) a redução das Escrituras ao que parece razoável ao
intérprete e, por conseguinte, d)a impossibilidade de uma interpretação
verdadeira das Escrituras.

II. O Método Literal

Em oposição direta ao método alegórico de interpretação encontra-se o método


literal.

“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido


básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano, empregada de
modo escrito, oral ou conceitual.” (RAMM).

“Chama-se método histórico-gramatical para ressaltar o conceito de que o


sentido deve ser apurado mediante considerações históricas e gramaticais.”
(Thomas Hartwell HORNE)

O sentido “literal” de uma palavra é o seu significado básico, costumeiro, social.


O sentido espiritual ou oculto de uma palavra ou expressão é o que deriva do
significado literal e dele depende para sua existência.
“Interpretar literalmente significa nada mais, nada menos que interpretar sob o
aspecto do significado normal, costumeiro. Quando o manuscrito altera seu
significado, o intérprete imediatamente altera seu método de interpretação.”
(RAMM)

Evidências a favor do método literal

Em defesa da abordagem literal, podemos sustentar que:

a) O sentido literal das frases é a abordagem normal em todas as línguas [...]

b) Todos os sentidos secundários de documentos, parábolas, tipos, alegorias e


símbolos dependem, para sua própria existência, do sentido literal prévio dos
termos [...]

c) A maior parte da Bíblia tem sentido satisfatório se interpretada literalmente.

d) A abordagem literalista não elimina cegamente as figuras de linguagem, os


símbolos, as alegorias e os tipos; no entanto, se a natureza das frases assim
exigir, ela se presta prontamente ao segundo sentido.

e) Esse método é o único freio sadio e seguro para a imaginação do homem.

f) Esse método é o único que se coaduna com a natureza da inspiração. A


inspiração completa das Escrituras ensina que o Espírito Santo guiou homens
à verdade e os afastou do erro. Nesse processo, o Espírito de Deus usou a
linguagem, e as unidades de linguagem (como sentido, não como som) são
palavras e pensamentos. O pensamento é o fio que une as palavras. Portanto,
nossa própria exegese precisa começar com um estudo de palavras e de
gramática, os dois elementos fundamentais de toda linguagem significativa.
(RAMM)

O Senhor Jesus, os profetas e apóstolos utilizaram esta forma de


interpretação das escrituras divinas. Exemplos bíblicos:

1) Jonas passou três dias dentro do peixe Jonas. Jn 1.17 - Mt 12.40


2) Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho. Zc 9.9 - Mt 21.2-9
3) A pedra de Sião, quem nela crer não será confundido. Isaías 28.16 - Mt
21.42; Ef 2.20
4) A seca dos tempos de Elias. 1 Reis 17.1- Tg 5.17-18
5) O dilúvio sobre a terra nos tempos de Noé. Gn 7.1-23 - 2 Pe 2.5; Hb 11.7
6) A passagem de Israel pelo mar vermelho Êxodo Êx 14.21-27 - Dt 1.4; Sl
136.13-15
7) Israel no cativeiro Babilônico de 70 anos Jr 25.11-12 - Dn 9.2
Amilenismo: Este ponto de vista pode ser declarado de modo breve: não
haverá um reino terrestre de Cristo de mil anos de duração.
O amilenismo não crê em duas ressurreições físicas (Ap 20.4-6). A primeira
ressurreição, dizem os amilenistas, é espiritual, a segunda é física. Vários
autores advogam este sistema, entre os quais Floyd, E . Hamilton e Ray
Summers.
A outra doutrina importante do amilenismo é a sua interpretação dos mil anos
em Ap 20.2. Neste texto, fala-se de Satanás sendo preso por mil anos, e em Ap
20.4, daqueles que foram decapitados por causa de seu testemunho de Jesus,
reinando com Ele por mil anos.
Para os amilenistas, estes mil anos não são uma expressão literal, para eles
estes mil anos constituem o período da Ressurreição do Senhor até a Parusia.
Acham que Cristo está reinando, de modo espiritual, nos corações dos salvos.
Acham que a Igreja é a Novo Israel de Deus.

Pós-Milenismo - Esta interpretação escatológica facilmente se confunde com


o amilenismo. Afirmam seus adeptos que o Reino de Cristo é espiritual, não
geográfico, de modo que onde há indivíduos que recebem Cristo e reconhecem
Sua soberania sobre suas vidas, ai está o Reino de Deus. Há também a
esperança da conversão de todas as nações do mundo, não na totalidade, mas
a grande maioria da população de todos os povos da Terra.
Assim, será inaugurado um longo período de paz entre os homens no mundo,
que se identifica com o Reino milenar. Os pós-milenistas não interpretam os mil
anos literalmente (Ap 20). Afirmam que haverá um curto lampejo de maldade
antes da vinda do Senhor, seguido da ressurreição de todos, o julgamento e a
consignação dos homens ao estado permanente do céu e do inferno.
As raízes do pós-milenismo são reconhecíveis nas idéias de Ticônio e
Agostinho. Jonathan Edwards, primeiro presidente da Universidade de
Princeton no século XVIII, e os Hodges e B.B. Warfield, os famosos teólogos
do seminário de Princeton, representavam este ponto de vista. Hoje, o Pós-
Milenismo tem poucos adeptos em conseqüência dos acontecimentos
históricos, nada animadores, mais do que pelas demonstrações de provas
bíblicas.

A expectativa de um longo período de paz na terra, chamado o milênio. À


medida que cada vez mais pessoas se submetem ao plano do Senhor e
começam a praticar os ensinos e modo de vida que Ele estabeleceu, a paz
será o resultado natural. Um crescimento paulatino do reino. O Reino é a
contínua propagação do evangelho introduzindo mais e mais o reino.
No fim do milênio haverá um período de apostasia e uma explosão de
iniqüidade que ocorrerá em conexão com a vinda do Anticristo.

O milênio terminará com a volta pessoal e física de Cristo.


O PRÉ-MILENISMO

O Pré-Milenismo subdivide-se em três correntes:


1. Histórico;
2. Dispensacional;
3. Dispensacional Progressista.

O Pré-Milenismo Histórico (Não Dispensacional)

O Pré-Milenismo Histórico sustenta que o retorno de Cristo será precedido de


certos sinais, depois seguidos de um período de paz e justiça no qual Cristo irá
reinar em pessoa como Rei. Os Premilenistas históricos entendem a volta de
Cristo e o arrebatamento como um só e o mesmo evento. Eles vêem unidade.
Portanto, eles são distintos dos premilenistas dispensacionais, que os
consideram como dois eventos separados pela Grande Tribulação de sete
anos. O pré-milenismo foi a interpretação escatológica predominante nos três
primeiros séculos da igreja cristã. Os antigos pais Papias, Irineu, Justino Mártir,
Tertuliano e outros sustentaram essa concepção.
Pré-Milenismo Dispensacional

A passagem básica do Pré-Milenismo é Ap 20.4-6. Os Pré-Milenistas observam


que aqui estão as provas de um período de mil anos e duas ressurreições, uma
no início e outra no fim. O Pré-Milenismo insiste numa interpretação literal e
coerente dessa passagem. Uma vez que o mesmo verbo – ezesan (e)/zhsan =
viveram) é empregado em referência a ambas as ressurreições, logo devem
ser do mesmo tipo. Ambas as ressurreições são físicas, porém não são iguais.
A primeira é chamada de A Primeira Ressurreição, e é destinada somente aos
salvos. Estes receberão corpos glorificados, espirituais; A Segunda apesar de
ser física não será gloriosa, pois os que dela participarem provarão o dano da
Segunda Morte.
Os Pré-Milenistas crêem que Jesus voltará antes dos mil anos (Ap 20.2-6) e
que reinará sobre o mundo, o qual sobreviverá à destruição e ao julgamento e
que os homens serão visitados por Deus sobre a terra na Grande Tribulação.

O mestre cristão Ireneu era claramente milenarista com respeito ao retorno de


Cristo. A descrição que ele faz do retorno do Cristo e dos eventos que o
cercam é a mais detalhada dos pais da Igreja. Resumiu o fim do mundo
conhecido do seguinte modo: ...Ora, depois que o Anticristo tiver destruído
todas as coisas neste mundo, reinado três anos e seis meses e tiver
assentado no templo em Jerusalém, o Senhor virá do alto do céu, sobre as
nuvens, na glória do Pai, e o lançará no lago de fogo com todos os seus
seguidores; para os justos trará os tempos do reino, isto é, o repouso do sétimo
dia santificado; e dará a Abraão a herança prometida, aquele reino, diz o
Senhor, ao qual
“muitos virão do oriente e do ocidente para se assentar à mesa com Abraão,
Isaque e Jacó” [Mt 8.11].

Pré-Milenismo Dispensacional Progressistas

Diversos teólogos dispensacionalistas de hoje, como Robert Saucy, Charles


Ryrie, Craig e Darrell Bock, chamam-se “dispensacionalistas progressistas”
e têm conquistado muitos seguidores. Eles não vêem a Igreja como um
parêntese no plano de Deus. Do ponto de vista do dispensacionalismo
progressista, Deus não tem dois propósitos separados para Israel e para a
Igreja, mas sim um único propósito – o estabelecimento do Reino de Deus –
no qual tanto Israel como a Igreja terão parte. O dispensacionalismo
progressista não vê nenhuma distinção entre Israel e a Igreja no estado eterno
futuro, pois todos serão parte de um só povo de Deus (A Oliveira). Além disso,
eles defendem que a Igreja reinará com Cristo em corpo glorificado na terra
durante o milênio.
No entanto, há ainda uma diferença entre os dispensacionalistas progressistas
e o restante do evangelicalismo em um aspecto: eles afirmam que as
promessas do Antigo Testamento referentes a Israel ainda serão cumpridas no
milênio pelo povo judeu, que crerá em Cristo e viverá na terra de Israel como
“nação-modelo” para que todas as nações o vejam e dele aprendam. Portanto,
eles não diriam que a Igreja é o “novo Israel” nem que todas as profecias serão
cumpridas no Israel étnico.
O termo “progressivo”, para este novo entendimento do dispensacionalismo,
vem de um dos distintivos desta nova corrente: A relação progressiva entre as
dispensações.
Uma dispensação avança no plano divino sobre a anterior.
A dispensação anterior antecipa e logo presencia o Messias. Depois de Sua
ascensão, Cristo inaugura a presente dispensação. A futura dispensação é a
dispensação do seu regresso e da consumação do seu Reino. As
dispensações Presente e Futura são vistas no Novo Testamento como o
cumprimento do Pacto Davídico.

O dispensacionalismo progressivo passa por três dispensações bíblicas:


1ª) Passada. Da Eternidade passada até ao primeiro advento;
2ª) Presente. Do primeiro ao segundo advento;
3ª) Futura. Do segundo advento até à Eternidade futura.

Estas três dispensações sustentadas pelo dispensacionalismo progressivo


estão
centralizadas em Cristo. Isto é, elas são cristocêntricas.

O Dr. Aldery Nelson da Rocha também vê três dispensações:


1ª) A Dispensação do Mistério. Da eternidade passada até a Encarnação do
Logos (Ef 3.9);
2ª) A Dispensação da Graça. Da Encarnação até a Segunda Vinda (Ef 3.2);
3ª) A Dispensação da Plenitude. Da Segunda Vinda até eternidade futura (Ef
1.10).
Até Agostinho dividia a história em três períodos: 9
1º) Antes da lei;
2º) Sob a lei;
3º) Depois da lei.

Charles Hodge cria que existiam quatro dispensações: 10


1ª) Adão até Abraão;
2ª) Abraão até Moisés;
3ª) Moisés até Cristo;
4ª) Cristo até o fim.
O ESQUEMA DISPENSACIONAL DE SCOFIELD:

1. Dispensação da Inocência - Da Criação à Queda.


2. Dispensação da Consciência - Da Queda ao Dilúvio.
3. Dispensação do Governo Humano - Do Dilúvio à chamada de Abraão.
4. Dispensação da Promessa ou Patriarcal - Da chamada de Abraão à saída do
Egito.
5. Dispensação da Lei ou Israelita - Do Monte Sinai ao Monte Calvário.
6. Dispensação da Graça ou da Igreja - Do Calvário ao Arrebatamento.
7. Dispensação do Milênio ou Governo Divino - Da Parusia ao Grande Trono
Branco.

DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO

O dispensacionalismo progressivo defende que a “era da Igreja” é o


cumprimento total de certas promessas do Velho Testamento, se refere ao
novo pacto profetizado em Jeremias 31.31-34, o qual se aplica também à
salvação dos gentios. No modelo dispensacionalista progressivo, a Igreja não é
uma interrupção dentro do tratamento do Senhor com a nação israelense e sim
uma parte integral desse plano, propiciando que os gentios que crêem possam
participar das bênçãos concernentes ao novo pacto.
É ponto comum entre os dispensacionalistas progressivos afirmar que o novo
pacto foi inaugurado pelo próprio Jesus, através de seu sangue (Lucas 22.20,
Hebreus 8.6, Hebreus 9.15). Ou seja, através de Seu sacrifício redentor,
completo e suficiente na cruz, o Senhor propiciou a validação do novo pacto
para todos aqueles que crêem, sejam gentios ou judeus, decretando o início
literal da aplicabilidade da Nova Aliança descrita em Jeremias 31.31-34. O
escritor aos hebreus deixa isso relatado de uma forma claríssima, relacionando
o cumprimento do Novo Pacto a todos aqueles que são salvos através do
sacrifício de Jesus:
“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são
santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver
dito: Esta é a aliança que farei com eles. Depois daqueles dias, diz o Senhor:
Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus
entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados
e de suas iniquidades”. (Hebreus 10.14-17, compare com Jeremias 31.31-34)

A DOUTRINA DO MILÊNIO

Estudando as profecias sobre a Grande Tribulação, poderia parecer que esta


terra vai ser destruída; todavia, o propósito de Deus para este período não é
destruição, e sim julgamento. Os flagelos, os terremotos, a saraivada e o fogo
terão destruídos as obras do homens. A Terra se encontra em ruínas. Após a
batalha do Armagedom, só para sepultar os mortos serão precisos sete meses
(Ez 39.12). Depois, então, terá início a obra de REGENERAÇÃO ou
RECONSTRUÇÃO (Mt 19.28), sob a supervisão pessoal de Cristo
– O nosso GO’EL, o Parente Remidor.
O Milênio será uma época gloriosa da retirada da maldição da Terra. Será o
tempo de RESGATE total da Terra; será um tempo de aperfeiçoamento dos
santos daqueles dias; será um tempo de cumprimento das promessas de Deus.
O período de RECONSTRUÇÃO será de mil anos. O Reino é Eterno. Não se
limita a mil anos apenas; este é apenas o tempo em que Satanás fica
acorrentado: “E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma
grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o
Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou
e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os
mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um
pouco de tempo.” (Ap 20.1-3).
Não existe nenhum registro ou sugestão de que a Terra deverá ser destruída
após o Milênio. O propósito de Deus é redimir a Terra e não destruí-la. O
reinado de Cristo por mil anos não terminará com um fracasso tal que seus
domínios tenham que ser destruídos por fogo. Pelo contrário, a Bíblia diz que
Ele (Jesus) entregará o seu Reino ao Pai como obra perfeita (1 Co 15.24-28).

Apêndice:

Pontos de vista sobre as “profecias” de Daniel

A) Ponto de Vista de que os fatos narrados em Daniel 9 aconteceram em


dias anteriores ao escrito (liberal):

Ora, o ponto de vista daqueles que não crêem na profecia de Daniel, e não aceitam
que o livro foi escrito antes dos acontecimentos preditos, mas, apenas relata algo que
o escritor testemunhou, dizem eles, não é senão um relato do que foi feito por um
homem chamado Antíoco Epífanes, sendo o ungido um dos sacerdotes de Israel que
foi morto por ele.

No ano 333 a.E.C., Alexandre Magno conquistou a Judéia e assim começou o governo
grego na Judéia e em toda Eretz Israel. Alexandre Magno outorgou aos judeus o
direito de viver segundo seus costumes, gozando de autonomia religiosa e nacional.

Depois de sua morte, o reino foi dividido entre os Ptolomaicos, que reinavam no Egito,
e os Seleucidas, que governavam na Síria. Estes reinos lutavam entre si pelo governo
da Judéia. Em 198 a.e.c., Antíoco III, Rei da Síria, conquistou Eretz Israel e
novamente outorgou autonomia nacional e religiosa aos judeus.

A situação mudou em 175 A.E.C., quando subiu ao governo da Síria Antíoco IV,
Antíoco Epifanes. Antíoco Epifanes se via como representante da cultura grega
(helenista) e queria promover esta cultura em todos os domínios do reino. Nesta
época, havia na Judéia duas posições fortes: os "Helenistas" e os "Chassidim". Os que
apoiavam a cultura grega, falavam grego e adotavam os costumes gregos, eram
conhecidos como Helenistas. A maioria dos Helenistas vinham das classes média e
alta.

A maioria do povo permaneceu fiel à religião e à tradição judaicas, e não adotou a


cultura grega. Do povo, se levantou um grupo de pessoas que se chamou a si mesmo
de Chassidim. Eles viam como sua principal missão a preservação dos valores
nacionais e religiosos. Eles se opuseram à imposição da cultura helenista, dado que
isto aniquilaria a cultura judaica.

Antíoco Epifanes queria transformar Jerusalém numa cidade grega. Impôs editos
contra a religião judaica; proibiu a observância do Shabat; a mitzvá da circuncisão e o
estudo da Torá. Construiu um altar no Templo, e obrigou os judeus a fazerem
oferendas aos deuses gregos. Também em toda Jerusalém foram construídos altares
aos deuses gregos.

B) Ponto de vista de que Daniel 9 é profecia, e que ainda resta uma semana para
cumprir (dispensacionalista):

As 70 semanas (isto é, os 490 anos) que completam o programa de Deus para com
Israel são divididas em três períodos distintos. Há sete semanas (49 anos), depois há
62 semanas (434 anos), e depois há a semana final (7 anos).

1. Durante as primeiras 7 semanas (49 anos) Jerusalém foi reconstruída em tempos


trabalhosas
2. As 62 semanas seguintes (434 anos) estendem-se desde a reconstrução de
Jerusalém até o messias ser aclamado rei em Jerusalém ( Data em que Jesus é
aclamado como Rei em Jerusalém. Lucas 19:28-42).

3. A semana que falta para se cumprir: a 70.a semana (a última)


É um período conhecido como a Grande Tribulação.
Final da 70. semana : Mt 25:13 Volta de Jesus

[Nosso calendário é conhecido como Gregoriano.


Com a ajuda do astrônomo Sosígenes, Júlio Cesar introduziu um ano médio
de 365,25 dias: um ciclo de 3 anos de 365 dias e um de 366 (bissexto).
Mas tinha uma diferença de 3 dias de 400 em 400 anos, para resolver o
problema, o Papa Gregório XIII seguindo um conselho de sábios, propôs
em 1582 suprir 3 anos bissextos de 400 em 400 anos.
Logo o ano tem:
365,2421 dias (0,2421 (± 6horas) corrigido pelo ano bissexto menos 3 dias de 400 em 400 anos)

Calendário bíblico
Calendário bíblico ou profético
mês=30 dias ano=360 dias
O ano bíblico ou profético tem uma duração de 360 dias, pois
em Gênesis 7:11 e 8:4 temos "cinco meses" (tempo do dilúvio),
e em Gênesis 7:24 e 8:3 a sua quantidade em dias = 150 dias,
logo cada mês tem 30 dias.
Portanto o ano bíblico ou profético tem 12 X 30 = 360 dias.
Em Apocalipse 12:6 e 13:5 a expressão 1260 dias equivale
exatamente 42 meses (42 x 30 =1260) ou seja 3 1/2 anos.

As 70 semanas de Daniel são semanas de anos e não de dias.


Total de anos : 70 x 7 = 490 anos (no calendário bíblico ou profético) com um total de 176.400 dias
Calculando o número de anos de nosso calendário: número de dias/365,2421 176.400/365,2421 = 483 anos

Semanas que já se cumpriram: 69 (ano bíblico ou profético)


Quantidade de anos das 69 semanas: 69 x 7 = 483 anos (bíblico)
Quantidade de dias das 69 semanas: 483 x 360 = 173880
Calculando o número de anos de nosso calendário 173880 dias/365,2421 = 476 anos

Início das 69 semanas: Ne 2:1


No mês de nisã, no ano vigésimos do rei Artaxerxes ~março de 445 a.C.

Calculando o final das 69 semanas: (aproximadamente)


março de 445 a.C. + 476 anos ~ março/abril de 32 d.C.

Data em que Jesus entra em Jerusalém e é aclamado com Rei Lucas 19:28-42

A semana que falta para se cumprir: a 70.a semana (a última)


Quantidade de anos da 70.a semana: 7 x 1 = 7 anos (bíblico ou profético)
Quantidade de dias da 70.a semana: 7 x 360 = 2520 dias (divididos em dois períodos de 1260 dias ou 42 meses) veja
em:Ap 11:2-3

É um período conhecido como a Grande Tribulação


Pela bíblia sabemos a duração, mas não a data da volta de Jesus.

Final da 70. semana : Mt 25:13 Volta de Jesus]