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Escola de Teatro, Dança e Música

Trabalho Final de Graduação I

Acadêmico
Heverton Cunha Vieira

Orientador
Prof. Michelle Souza Benedet, Msc.

Curso de Arquitetura e Urbanismo


UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina

Tubarão, Junho de 2015


UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina

Heverton Cunha Vieira

Escola de Teatro, Dança e Música

Orientador: Prof. Michelle Souza Benedet, Msc.


FOLHA DE ASSINATURAS

Este Trabalho de Final de Graduação do curso de Arquitetura


e Urbanismo elaborado por Heverton Cunha Vieira foi
apresentado e aprovado pela banca observadora.

___________________________________
Profª. Arq. Michelle Souza Benedet, Msc.
Orientador

___________________________________
Orientador 1

___________________________________
Orientador 2
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus por me conceder capacidades


que necessito em cada etapa da vida.
Agradeço a minha família pelos incentivos e pela compreensão
que sempre tiveram comigo.
A minha orientadora, professora Michelle Benedet pela amizade
construída ao longo do curso, pelos ensinamentos e auxílio na
concepção da proposta deste trabalho.
Ao professor Cézar Augusto Prates, que me presenteou com o
tema para este trabalho fazendo com que pudesse relacionar
profundamente com minhas considerações a respeito de um
desenvolvimento social mais humano.
Aos todos os professores que me orientaram durante o curso e
me fizeram evoluir de diversas formas.
Aos vários colegas de curso e de projetos com quem aprendi,
convivi e me proporcionaram ótimos momentos.
Concluo agradecendo minha família pelo apoio e principalmente
pela compreensão que tiveram comigo no período de
desenvolvimento deste trabalho.
Dedico este trabalho primeiramente
a minha família, em especial aos meu pais
que sempre se dedicaram para que eu e
minhas irmãs pudéssemos continuar a
estudar.
Aos amantes do mundo das artes e
principalmente àqueles que com muito
esforço e poucos recursos fazem com que
a arte chegue aos menos favorecidos da
sociedade e que me fazem esperançar um
amanhã melhor que hoje.
SUMÁRIO 5.4.1 Aspectos físicos do terreno..................................................44
5.4.2 Aspectos ambientais e paisagísticos.............................45
1 INTRODUÇÃO.......................................................................06 5.5 CONSIDERAÇÕES...................................................................46
1.1 PROBLEMA A SER TRATADO............................................... 07
6 CONCEITO E PARTIDO ARQUITETÔNICO............................48
1.2 METODOLOGIA..................................................................... 07
6.2 DIRETRIZES PROJETUAIS......................................................49
1.3 OBJETIVOS..............................................................................08
6.3 PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ
1.3.1 Objetivo Geral....................................................................08 DIMENSIONAMENTO...............................................................50
1.3.2 Objetivos específicos........................................................08 6.3 ZONEAMENTO FUNCIONAL....................................................52
6.4 ACESSO E CIRCULAÇÕES......................................................53
2 REFERENCIAIS TEÓRICOS...................................................10
6.5 DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA.....................................57
2.1 EDUCAÇÃO ESCOLAR NO BRASIL........................................ 10
6.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................62
2.2 DAS ARTES...............................................................................14
2.3 QUALIFICANDO ESPAÇOS PÚBLICOS..................................15 REFERÊNCIAS...............................................................................64

3 REFERENCIAIS PROJETUAIS................................................18 ANEXOS.........................................................................................66


3.1 CENTRO CULTURAL UNIVATES..............................................18
3.2 UNIVERSIDADE DE NANYANG - SINGAPURA.....................22

4 ESTUDO DE CASO..................................................................28

5 ANÁLISE DA ÁREA.................................................................36
5.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E DE EVOLUÇÃO URBANA....36
5.2 ENTORNO...........................................................................38
5.2.1 Hierarquia viária....................................................................38
5.2.2 Infraestrutura........................................................................39
5.2.3 Uso do solo...........................................................................40
5.2.4 Densidade.............................................................................41
5.3 LEGISLAÇÃO............................................................................43
5.4 TERRENO.................................................................................44
1. INTRODUÇÃO
1. INTRODUÇÃO para trás os objetivos antes traçados. Este problema se agrava
Ao nascer somos conduzidos por um sistema, e uma vez dentro principalmente pela falta de outras oportunidades em um sistema
dele tudo converge apenas para seu centro, os outros sistemas serão estabelecido.
exóticos por não fazerem parte de nosso cotidiano. Este sistema é a Para compreender esta situação é preciso um olhar externo, e
cultura propriamente dita. A promoção das expressões artísticas este é o objetivo deste trabalho, interpretar neste sentido a realidade
estará sempre interligada com a compreensão destes outros regional do sul de Santa Catarina, especificamente da região da
sistemas ou culturas, contribuindo no desenvolvimento intelectual de AMUREL- Associação dos Municípios da Região de Laguna e propor
quem está envolvido e transformando a sociedade mais humana e uma estratégia para tornar esta situação mais digna, atendendo os
culta ao enriquecer e desenvolver a troca de valores entre os modos anseios mais subjetivos da humanidade com a arte.
de viver. Assim, a arte vem fazendo parte do desenvolvimento Neste sentido se buscou identificar as ações de desenvolvimento
humano, lhe atribuindo sentido. “Tecelão quase compulsivo de si relacionados as artes existentes na região, onde foi possível
próprio, borda sem cessar teias de significados para dar sentido ao identificar um programa do governo estadual chamado EMI- Ensino
mundo” (GEERTZ,1989:p15). Arte e cultura possuem uma estreita Médio Inovador, que segundo a Gerência de Educação de Braço do
relação e desde a pré-história ela foi utilizada como meio de Norte, proporciona aos alunos a experiência de vincular o
expressão pelo homem. Do ponto de vista da antropologia cultural as conhecimento teórico ao prático, combinando formação geral com
sociedades podem ser interpretadas quando estas diversas formas atividades práticas e espaços de ensino diversificados, com aulas de
de expressões do homem são melhor apreciadas, e entre elas está a empreendedorismo, projetos sociais, culturais e saídas a campo para
arte. estudos, porém não chega a todas as escolas tão pouco tem
A sociedade atual tem adquirido valores referentes ao consumo compromisso de ensino continuado.
acentuado de bens, esta característica tem como consequência uma Diante da negligência ou pouca eficácia do governo em atender a
demanda por mão de obra, que é claro tem benefícios inegáveis para necessidade de difundir o acesso dos jovens em idade escolar aos
própria sociedade, porém enquanto isso ocorre, boa parte da variados meios de expressões artísticas de modo satisfatório no que
população não se dá conta que seu futuro está sendo traçado e diz respeito a qualidade de ensino ou formação e em quantidade
determinado por essa mesma demanda, abrindo mão de buscar algo condizente com a demanda, que a proposta se apoia. Trata-se de
pelo que realmente as completam por uma segurança às vezes uma Escola de Teatro, Dança e Música aliada ao ensino médio que se
financeira ou uma situação momentânea mais cômoda, deixando propõe em princípio à popularização do acesso de jovens de menores

INTRODUÇÃO 06
classes econômicas e em idade escolar a um ensino de qualidade e financeiros opta por aulas particulares, onde a maioria expressiva dos
com visão formadora, caracterizado por um curso técnico com professores se quer possuem formação técnica na área, contribuindo
registro no MEC (Ministério da Educação) nas expressões de artes para uma baixa qualidade dos aprendizes. O único local identificado
que a escola abordará. na região capaz de formar alunos com reconhecimento do MEC em
A proposta não se opõe de maneira alguma às ações de formação a nível técnico é o conservatório de Laguna, porém no
promoção e desenvolvimento de pessoas ligadas a outros setores primeiro semestre deste ano as suas atividades foram suspensas, e
como indústria e serviços, mas tem a intenção de juntas equilibrarem uma nova equipe de profissionais ligados a área busca incentivos
e oferecerem à sociedade uma maior oportunidade de sobretudo financeiros para reativar seu funcionamento.
desenvolvimento consciente e digno às famílias, partindo da De maneira geral é importante destacar que na região existe a
disseminação de arte e cultura como veículo transformador em todas falta de profissionalização dos professores no ensino das artes
as camadas sociais. cênicas, dança e música e carência de espaços apropriados
ambientalmente planejados para ensino e apreciação destas
1.1 PROBLEMA A SER TRATADO
atividades artísticas.
A realidade encontrada na região da AMUREL quanto ao acesso
de jovens em idade escolar (principalmente os de famílias de baixa 1.2 METODOLOGIA
renda) às aulas relacionadas às artes, na qual a proposta de trabalho
Visando uma melhor realização do trabalho, este foi dividido em
aborda, são escassas. As artes cênicas estão mais ligadas às
etapas, revisão teórica do tema, pesquisa por referenciais projetuais e
Companhias Teatrais públicas ou sem fins lucrativos, que deveriam
conceituais, levantamento físico e histórico da área e do entorno onde
ser mais expressivas e nem sempre possuem uma metodologia de
a proposta está inserida, redação da proposta e lançamento do
ensino que proponham um aprofundamento da arte com formação.
partido.
Poucas são as opções públicas de acesso à arte da dança nos
mais variados segmentos, existe, contudo, alguns centros de dança A primeira etapa consiste na revisão teórica sobre os temas

particulares que atendem um maior número de adolescentes. escolares, das artes que a proposta aborda e de espaço público,

A realidade nas aulas de instrumentos musicais e canto é a de através de pesquisa de material bibliográfico (livros, apostilas,

que apenas uma pequena parcela de alunos é acolhida pelo poder internet, jornais e artigos), entrevistas. A segunda etapa será uma

público, a maior parte atendida e que obtém maiores recursos análise de referenciais projetuais, que incide em compreender as

INTRODUÇÃO 07
diferentes relações entre acessos, circulações, volume, definição de 1.3.2 Objetivos específicos
espaços, sistemas construtivos, zoneamento funcional, níveis de
conforto, inserção no espaço urbano, conceito e partido arquitetônico. a). Fomentar o ensino de qualidade e o surgimento de talentos da
Uma terceira análise tratará do diagnóstico da área onde a proposta região;
está inserida, determinando seus aspectos históricos, funcionais e de b) disponibilizar espaços confortáveis e adequados para
evolução urbana. Além dos condicionantes arquitetônicos e apresentações artísticas diversas;
urbanísticos pré-existentes e definição dos problemas e c) oferecer equipamento público de qualidade, amplo e que
potencialidades do local. Posteriormente, a quarta e última etapa integre os espaços exterior e interior;
abordará a após análise dos dados obtidos a determinação de d) proporcionar a comunidade espaços de lazer com a criação de
diretrizes e lançamento da proposta de partido arquitetônico para uma praça;
Escola de Teatro, dança e música para região da AMUREL, através de e) definir diretrizes urbanas que visem maior conforto,
croquis e plantas esquemáticas. acessibilidade e segurança para os moradores e visitantes do Bairro
Humaitá de Cima.
1.3 OBJETIVOS

O trabalho tem como propósito alcançar objetivos gerais e


específicos de modo a orientar e delimitar as decisões para confecção
do anteprojeto final. São eles:

1.3.1 Objetivos gerais

Elaborar anteprojeto arquitetônico de uma Escola de Teatro,


Dança e Música aliada ao ensino médio que possa atender com maior
qualidade de ensino alunos da região da AMUREL, e além disso
oferecer um empreendimento de grande valor para o bairro onde
estará estabelecido, servindo como opção turística e cultural,
oferecendo eventos múltiplos para diversas faixas etárias.

INTRODUÇÃO 08
2. REFERENCIAIS
TEÓRICOS
Neste capítulo serão estudadas as questões pertinentes a Até os anos 1920, a educação brasileira comportou-se como um
educação escolar no Brasil, os tipos artísticos que a proposta está instrumento de mobilidade social. Os estratos que detinham o poder
baseada e por fim os critérios para se qualificar o espaço público. econômico e político utilizavam-na como distintivo de classe. As
Quanto à educação escolar no Brasil, será feita uma introdução camadas médias procuravam-na como a principal via de ascensão
ao modo como ela é tratada, quais suas características além de tratar social. A oferta de escola média, por exemplo, era incipiente,
das novas tendências quanto à pedagogia escolar. restringindo-se, praticamente, a algumas iniciativas do setor privado.
A seguir serão caracterizadas as artes que serão lecionadas na ROMANELLI (1983).

escola da proposta, relacionando as características regionais A Constituição de 1934 foi a primeira a estabelecer a necessidade

(AMUREL). de elaboração de um Plano Nacional de Educação que coordenasse


e supervisionasse as atividades de ensino em todos os níveis. Foram
Por último, faz-se uma abordagem aos modos de se qualificar os
regulamentadas as formas de financiamento do ensino oficial em
espaços públicos, considerando o papel não só doutrinador da
cotas fixas para a Federação, os Estados e os Municípios, fixando-se
escola, mas de sua importância para o meio onde se insere.
ainda as competências dos respectivos níveis administrativos.
2.1 Educação escolar no Brasil Implantou-se a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário, e o
ensino religioso tornou-se optativo. Parte dessa legislação foi
Somente no final do Império e começo da República delineia-se
absorvida pela Constituição de 1937, na qual estiveram presentes
uma política educacional estatal, fruto do fortalecimento do Estado.
dois novos parâmetros: o ensino profissionalizante e a obrigação das
Até então, a política educacional era feita quase que exclusivamente
indústrias e dos sindicatos de criarem escolas de aprendizagem, na
no âmbito da sociedade civil, pela Igreja Católica. Durante a Colônia
sua área de especialidade, para os filhos de seus funcionários ou
(1500-1822), a educação assegurava o domínio dos portugueses
sindicalizados.
sobre os índios e os negros escravos. No final deste período e durante
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o sistema
o Império (1822-1889), delineia-se uma estrutura de classes e a
educacional brasileiro passou por um processo de modificação,
educação, além de reproduzir a ideologia, passa a reproduzir também
culminando com a aprovação da atual Lei de Diretrizes e Bases da
a estrutura de classes. A partir da Primeira República (1889-1930), ela Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96), que alterou a organização do
passa a ser paulatinamente valorizada como instrumento de sistema escolar (Relatório da OEA – Organização dos Estados Ibero-
reprodução das relações de produção. FREITAG (1986. p. 27-43). americanos sobre educação no Brasil-2014).

REFERENCIAIS TEÓRICOS 10
Figura 2.1a - Estrutura do sistema educacional após a Lei n.º 9.394/96 pequena parcela de ações de políticas públicas, quase sempre com o
intuito legítimo de apenas reduzir as desigualdades sociais. Mesmo
estas pequenas ações colhem resultados excepcionais
desenvolvendo vários talentos artísticos, levantando o
questionamento de como seria se houvesse uma introdução maior de
crianças e adolescentes ao ambiente das artes em um âmbito

Fonte: OEA – Organização dos Estados Ibero-americanos/ Ministério da Educação


nacional e de acordo com a demanda.

Nota-se que a maior parte do esforço exercido pelas instituições Esta parece ser uma realidade clara do domínio de grandes
de bases da educação era para tornar maior o nível de alfabetização conglomerados de poder político e econômico que não se interessam

da população, e posteriormente para formar mão de obra mais em criar cidadãos instruídos, conscientes de suas liberdades e de seu

qualificada para as indústrias. papel na sociedade.


E enquanto outros temas relevantes para humanidade, como a
A LDB (Lei de Diretrizes Básicas da educação) n.º 9.394/96, ao tecnologia, informação, meios de transporte evoluíram e evoluem
definir a obrigatoriedade do “ensino de arte” em lugar de “educação
artística” revela o resultado dos debates das últimas décadas cada vez mais em um ritmo acelerado, as escolas e sobretudo o modo
quanto à especificidade de cada área: música, teatro, artes visuais de ensino ficaram praticamente parados no tempo seguindo os
e dança. Na sequência, a LDB n.º 11.769/2008 modifica a anterior e
torna obrigatório o ensino de música, delimitando ainda mais o mesmos conceitos.
campo artístico[...] (SUBTIL, 2012, p.127) Temos, portanto uma escola do século XIX, com professores do
século XX e alunos do século XXI, além disso é preciso levar as
Ao invés do ensino da arte ser ampliado nas escolas pelo Brasil, descobertas científicas para dentro das escolas. É mais do que ter
tablets e smartphones nas salas de aula. Isso é uma pequena parte
em relação aos seus modelos de expressão, o que se vê é o contrário. da revolução científica, ela vai muito além de ensinar a ler e
Desta maneira ações claras e de abrangência nacional para o ensino escrever, agora as escolas também devem preparar o aluno para
ser colaborativo, inovador, criativo e ter flexibilidade. (SENNA,
democrático das artes, que por muitos anos e ainda hoje é tratada por 2015).
muitos como algo fútil foram desconsiderando ou pouco excitadas o
O que apresenta a insuficiência e a falta de inovação no ensino
desenvolvimento dessas expressões legítimas da cultura humana. O
de crianças e adolescentes observada no Brasil. Que desconsidera
que se observa são ações isoladas e muitas vezes acanhadas de
ou não se conecta por exemplo aos avanços da neurociência e da
promoção e formação nos campos artísticos por parte de
psicopedagogia que se encontram em pleno desenvolvimento e
organizações não governamentais, fundações privadas e uma

REFERENCIAIS TEÓRICOS 11
acumulam incríveis descobertas no que diz respeito as capacidades penhar papéis sociais, baseadas nas aptidões individuais. Dessa
cognitivas humanas. forma, o indivíduo deve adaptar-se aos valores e normas da
Figura 2.1b - Comparação entre classes de aula do fim século XIX e do século XXI.
sociedade de classe, desenvolvendo sua cultura individual. Com isso
as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, já que, a
escola não leva em consideração as desigualdades sociais.
As tendências pedagógicas Progressistas analisam de forma
critica as realidades sociais, cuja educação possibilita a compreensão
Fonte: GOOGLE/imagens – Editado pelo autor. da realidade histórico-social, explicando o papel do sujeito como um
Tradicionalmente as tendências pedagógicas brasileiras são ser que constrói sua realidade. Ela assume um caráter pedagógico e
divididas em Liberais e Progressistas. A pedagogia liberal acredita político ao mesmo tempo.
que a escola tem a função de preparar os indivíduos para desen- E terá maior ênfase no projeto deste trabalho.
Figura 2.1c - Quadro de comparação entre as tendências pedagógicas brasileiras
São quatro tendências pedagógicas Liberais: São três tendências pedagógicas Progressistas :
A) Tradicional: tem como objetivo a transmissão dos padrões, normas e A) Libertadora: o papel da educação é conscientizar para transformar a
modelos dominantes. Os conteúdos escolares são separados da realidade realidade e os conteúdos são extraídos da prática social e cotidiana dos alunos.
social e da capacidade cognitiva dos alunos, sendo impostos como verdade Os conteúdos pré-selecionados são vistos como uma invasão cultural. A
absoluta em que apenas o professor tem razão. metodologia é caracterizada pela problematização da experiência social em
B) Renovada: a educação escolar assume o propósito de levar o aluno a grupos de discussão. A relação do professor com o aluno é tida como horizontal
aprender e construir conhecimento, considerando as fases do seu em que ambos passam a fazer parte do ato de educar.
desenvolvimento. Os conteúdos escolares passam a adequar-se aos B) Libertária: a escola propicia práticas democráticas, pois acredita que a
interesses, ritmos e fases de raciocínio do aluno. O professor passa a respeitar e consciência política resulta em conquistas sociais. Os conteúdos dão ênfase nas
a atender as necessidades individuais dos alunos. lutas sociais, cuja metodologia está relacionada com a vivência grupal. O
C) Renovada não-diretiva: há uma maior preocupação com o professor torna-se um orientador do grupo sem impor suas ideias e convicções.
desenvolvimento da personalidade do aluno, com o autoconhecimento e com a C) Crítico-social dos conteúdos: a escola tem a tarefa de garantir a
realização pessoal. Os conteúdos escolares passam a ter significação pessoal, apropriação crítica do conhecimento cientifico e universal, tornando-se uma arma
indo de encontro aos interesses e motivação do aluno. A relação professor-aluno de luta importante. A classe trabalhadora deve apropriar-se do saber. O educando
passa a ser marcada pela afetividade. participa com suas experiências e o professor com sua visão da realidade.
D) Tecnicista: enfatiza a profissionalização e modela o indivíduo para
integrá-lo ao modelo social vigente, tecnicista. Os conteúdos que ganham
destaque são os objetivos e neutros. O professor administra os procedimentos
didáticos, enquanto o aluno recebe as informações.
Fonte: LIBÂNEO (1990) – Adaptado pelo autor.

REFERENCIAIS TEÓRICOS 12
Enquadrando-se nas tendências progressistas Libertadoras mento enquanto instrumento político de libertação. Ela permitirá o
está Paulo Freire, que foi um educador, pedagogista e filósofo desenvolvimento dos potenciais de cada aluno-cidadão no meio
brasileiro, que se diferenciou do "vanguardismo" dos intelectuais de social em que vive. Consequentemente cooperando para redução
esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas nas desigualdades sociais.
simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente As reflexões sobre estes métodos de ensino são atribuições de
democrático. Reconhecido como o Patrono da Educação Brasileira, toda sociedade civil, não apenas da classe política ou dos envolvidos
para ele o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de diretamente no ensino como os professores e pedagogos. Cabe a
uma prática dialética com a realidade, em contraposição educação cada profissional, seja de qual for a área de atuação analisar
bancária, tecnicista e alienante, libertando-se de chavões alienantes, criticamente esta situação, e agir de maneira integrada com
seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Questionava, portanto o instituições organizadas da sociedade a fim de fomentar o
modo de ensinar que até hoje é empregado onde o conhecimento é desenvolvimento de mais pesquisas e principalmente ações de
apenas transmitido ao aluno esperando que ele o retenha, inovação nas áreas educacionais.
depositando dentro do educando os conteúdos não a partir de uma E este é o propósito deste trabalho de conclusão de curso, ao se
ação reflexiva ou de construção de conhecimento, apenas de propor especular sobre o assunto, criando a projeção de uma escola
conhecimentos sobrepostos e sobretudo desconexos com o meio alternativa que concilie o ensino médio dos adolescentes com o
onde as crianças e adolescentes vivem. ensino de três segmentos da arte: a música, o teatro, e a dança
As tendências progressistas, sobretudo a Libertadora defendida preenchendo uma lacuna regional, com uma arquitetura voltada a um
por Freire e a Libertária apesar de possuírem pontos utópicos e com propósito educacional inovador, integrador e democrático ao
reflexos Marxistas, parecem sim estar em maior acordo com as possibilitar o acesso e a formação profissional de jovens, mesmo
demandas de ensino escolar da atualidade, pois se abrem para as daqueles que estão à margem da sociedade. Que também traga a
novas áreas de conhecimento que a sociedade tem reconhecido a comunidade para dentro da escola, desde as crianças aos mais
poucos anos, com exemplo as revoluções tecnológicas e as novas idosos através das apresentações dos alunos ou profissionais,
necessidades de conhecimento da sociedade. otimizando o espaço público e lhes dando ingresso ao mundo de
O conhecimento sempre foi a maneira mais democrática de possibilidades das artes, ajudando a disseminar a relação
estabelecer a sociedade. Como ressalta o educador Pedro Demo indispensável da inovação escolar com a sociedade e seus valores.
(1999), a formação de uma cultura democrática nasce do conheci-

REFERENCIAIS TEÓRICOS 13
2.2 Das artes foram dando mais intensidade aos sons, descobrindo que podiam
fazer outros ritmos, conjugando os passos com as mãos, através das
O objetivo tratado nesta proposta quanto a instrução das artes
palmas.
se estabelece com o ensino profissionalizante das seguintes
Quando a prática da dança social começou a ser levada a sério,
disciplinas artísticas: artes cênicas (teatro), dança e música.
teve início a organização da dança de salão, que se dividiu entre social
Arte Cênica que é uma forma de arte apresentada em um palco
e de competição.
ou lugar destinado a espectadores. O palco é compreendido como
qualquer local onde acontece uma representação, sendo assim, […] surge o profissionalismo […] até então, a dança era uma
expressão livre; a partir deste momento, toma-se consciência
estas podem e devem acontecer tanto em praças, ruas ou espaços das possibilidades de expressão estética do corpo humano e
da utilidade das regras para explorá-los. Além disso, o
livres. profissionalismo caminha, sem dúvida, no sentido de uma
Dividido em cinco gêneros: Trágico, Dramático, Cômico, elevação do nível técnico. (BOUCIER, 1987)

Musical e Dança.
Das diversas modalidades desta disciplina artística, a proposta
O gênero Trágico imita a vida por meio de ações completas. O
da escola está baseada no ensino de:
Drama descreve os conflitos humanos. A comédia apresenta o lado
Dança de Salão, que é toda a dança social que se dança a dois.
irônico e contraditório. O Musical é desenvolvido através de músicas, Quanto a riqueza de ritmos, as danças de salão podem ser
não importa se a história é cômica, dramática ou trágica. E a dança classificadas como latinas ou clássicas. PACIEVITCH (2012)
utiliza-se da música e das expressões corporais, por exemplo as Dentre estas classificações, para a escola se propõe o ensino
propiciadas pela “mímica”. LOPES (2008) do:
A Dança pode ser compreendida como a arte de mexer o corpo, a) Tango que surgiu nos bordeis da Argentinada;
através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma b) Valsa Vienense que surgiu na Áustria;
harmonia própria. Já como objeto do campo das Artes, ela precisa c) Vanerão, a Vanerinha, o Xote, o Fandango Gaúcho e
necessariamente incluir a emoção, que se apresenta por meio das Chamamé. Variantes de danças Gaúchas típicas da região Sul do
expressões corporais para quem dança, e por meio da surpresa Brasil, sobretudo do estado do Rio Grande do Sul, o qual se tem na
perante os movimentos dos bailarinos, por parte de quem assiste. região da AMUREL enorme influência. Compostas por ritmos
RONDINELLI (2014) influenciados pelas culturas Alemãs, hispânicas, Habanera, do
A história da dança retrata que seu surgimento se deu ainda na Oriente Médio e até mesmo da mescla de culturas guarani e

REFERENCIAIS TEÓRICOS 14
d) Balés Clássico e Contemporâneo ou Moderno. Balé Clássico cantar era socialmente indispensável, e que para Darwin a fala
é uma dança derivada da Corte, portanto resultado de uma humana havia derivado da música.
manifestação aristocrática. Ela apresenta elementos bastante caros à É impossível pensar no mundo atual sem a música. Falando de
noção de civilização: rigidez corporal e disciplina, além de ser forma clara, música é a sucessão de sons e silêncio organizada ao
executada a partir de músicas de concerto. Ainda que a “supremacia longo do tempo. Tendo várias funções. Uma delas a artística é
do balé” sobre as outras danças tenha vigorado por muito tempo em considerada por muitos sua principal função, porém existem outras,
nossa sociedade. No Ballet Contemporâneo ou Moderno o artista como a militar, educacional ou terapêutica (musicoterapia) e religiosa.

pode expressar seus sentimentos de um modo mais atual. Explora o Se define em três elementos: melodia, harmonia e ritmo. A

dinamismo e emprego do espaço e do ritmo corporal em movimentos combinação diversificada dos elementos melodia, ritmo e harmonia
dão origem ao que chamamos de estilos musicais. DANTAS (2014).
(FILHO, 2014);
A proposta da escola está baseada no ensino das seguintes
e) Dança de rua, que começou no Brasil sendo introduzida na
modalidades:
cidade de Santos, pelo coreógrafo: Marcelo Cirino, que idealizou um
a) Cordas, sendo o Violão, Violino, Violoncelo, Guitarra elétrica,
novo estilo, com um trabalho de pesquisa desde 1982 e foi
e Contrabaixo elétrico;
incorporado elementos da cultura brasileira criando assim a dança de
b) Teclado, Piano e Acordeom ou Gaita de Fole (este último com
rua Brasileira. Podemos caracterizar este estilo como um trabalho de
interesse regional para o Sul do estado);
coordenação motora com ritmo e musicalidade e luta, onde se dá mais
c) Sopro: Clarinete, Flauta Transversal, Flauta doce, Trompete,
atenção aos movimentos fortes e enérgicos executados pelos braços, Saxofone;
pernas, movimentos acrobáticos coreografados, saltos e saltos d) Percussão e Bateria;
mortais. São usadas músicas que tenham batidas fortes e marcantes, e) Canto e Regência.
algumas músicas eletrônicas (PACIEVITCH, 2012);
2.3 Qualificando espaços públicos
A Música, que tem acompanhado o homem desde a pré-história,
O livro New City Life publicado em 2006, dos autores urbanistas
tornou-se um elemento característico do ser humano.
dinamarqueses Jan Gehl, Lars Gemzøe e Sia Karnaes, debate entre
Estevão (2002) ressalta que na antiguidade, filósofos gregos
outros assuntos, aborda a evolução ocorrida na concepção da
consideravam a música como uma dádiva divina para o homem.
qualidade dos espaços públicos, uma vez que para muitos estes
Lembrando ainda que durante a Renascença tocar um instrumento ou
espaços possuíam um papel secundário e hoje esses espaços são

REFERENCIAIS TEÓRICOS 15
cruciais para o desenvolvimento das cidades e sua integração com os Do terceiro ao oitavo são destacadas as boas características
habitantes. Para isto os autores condensaram seus princípios em 12 que os espaços devem dispor para promover maior conforto, seja
pontos que permitem diagnosticar se um lugar se classifica ou não climático ou acústico, de acessibilidade a todos, além da necessidade
como um bom espaço público. Adiante é apresentado uma descrição de ambientes para contemplação visual, aliados a possibilidade de
desses critérios e após uma análise acerca deles e de sua relação interação e comunicação entre os cidadãos. Devem ser utilizadas
com a proposta deste trabalho. São eles: estratégias como áreas verdes, proteção contra intempéries e
1º) Proteção contra o Tráfego; espaços democráticos e acessíveis.
2º) Segurança nos espaços públicos; O nono critério aponta para as novas tendências mundiais,

3º) Proteção contra experiências sensoriais desagradáveis; como a do bem-estar. Diretamente ligados aos exercícios físicos, os
espaços públicos podem contribuir e muito por esta mudança de
4º) Espaços para caminhar;
hábito da população, criando espaços adequados para prática
5º) Espaços de permanência;
esportiva. No caso da proposta deste trabalho, o desenvolvimento de
6º) Ter onde se sentar;
atividades como a dança aberta à comunidade segue este preceito. O
7º) Possibilidade de observar;
respeito a escala humana é considerado no décimo critério e lembra
8º) Oportunidade de conversar;
que deve se projetar sempre do pondo de vista e para as pessoas.
9º) Locais para se exercitar;
Deste modo, é possível tornar a relação do objeto construído e do
10º) Escala Humana;
espaço público mais intensa e prazerosa para os usuários.
11º) Possibilidade de aproveitar o clima;
O décimo primeiro e o décimo segundo critérios voltam a
12º) Boa experiência sensorial.
preocupação para o conforto, diretamente ligado às experiências
Gehl, Gemzøe e Karnaes (2006)
sensoriais, através de estratégias adequadas quanto as
O primeiro e segundo critérios fazem referência aos transtornos características climáticas, de relação com a natureza e mobiliários
causados pela preocupação com a segurança, dos pedestres com urbanos de qualidade, bem projetados e dispostos.
receio de serem atingidos por um veículo durante o caminhar pela Tomar conhecimento de todos estes critérios favorecem a
cidade e de acessar espaços públicos durante a noite. Para os criação de novas estratégias para composição do espaço público e do
autores deve-se procurar estratégias que evitem estes problemas, edifício desta proposta de trabalho. Comprovando a eficácia destes
como uma sinalização adequada, boa iluminação dos espaços, além pontos abordados o estudo de caso que aborda o capítulo 4 é um
da promoção de atividades noturnas. ótimo exemplo do emprego salutar de algumas destas estratégias.

REFERENCIAIS TEÓRICOS 16
3. REFERENCIAIS
PROJETUAIS
3.1 Centro Cultural UNIVATES Unindo-se nos pavimentos superiores, o prédio se divide no

Localizado em Lajeado – RS – Brasil, o prédio é projetado pelo térreo entre o teatro, a praça e a recepção da biblioteca. Dois
escritório Tartan Arquitetura e Urbanismo dos arquitetos Camila elevadores e escadas são responsáveis pela circulação vertical entre
Mirapalhete e Rodrigo Bergonsi concluído em 2014. Abriga um teatro os cinco pavimentos em que a biblioteca e espaços relacionados
com capacidade para 1.150 pessoas e uma biblioteca com estão distribuídos, duas escadas rolantes comunicam o nível superior
capacidade para cerca de 300 mil livros. Surgiu inicialmente da da praça com o nível de recepção da biblioteca. No foyer do teatro
necessidade de maior infraestrutura por parte da universidade e duas escadas metálicas aparentes, uma de cada lado (norte e sul)
findou em um projeto que atende a demandas culturais que a região além de uma escada enclausurada (central) e um elevador permitem
não conseguia suprir. Possui uma volumetria que o distingue na o acesso ao mezanino e à platéia superior do teatro e aos níveis
paisagem além de lhe atribuir caráter.
subsequentes da biblioteca também.
1)Acessos e circulação

Os acessos ao edifício se dão principalmente pela praça onde 2) Volume e definição dos espaços

estão inseridos. A implantação permite que haja a circulação de


A volumetria do conjunto edificado é singular: formas sólidas e
pedestres do lado norte para o lado sul da praça, porém propõe
angulares aliadas a um revestimento metálico que possui linhas
induzir este transeunte a visitar o edifício.
Figura 3.1a: Implantação do edifício UNIVATES. estruturadoras ditam ritmo às fachadas que, em alguns pontos se
descobre deste elemento e apresenta o vidro como uma segunda
“pele”. Além disso, a sobreposição de um dos volumes, o da biblioteca
sob uma “caixa” de vidro translúcido causa a sensação de flutuação e
leveza ao edifício. O volume onde está disposto o teatro é
representado por um sólido sem aberturas, já a biblioteca disposta em
três andares e que é um pouco mais alta concebe outro bloco que
apresenta algumas partes envidraçadas, porém predominando o
revestimento metálico, eles se conectam a um volume comum que
possui aspecto neutro e branco que abriga o foyer do teatro.

Fonte: ArchDaily Brasil,2015 editado pelo autor.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 18
Figura 3.1b: Volumetria do Centro Cultural UNIVATES - Lajeado 4) Zoneamento funcional

Em geral o que se observa é uma otimização dos espaços


visando diretamente às funções as quais o edifício se propõe
Fonte: ArchDaily Brasil,2015. (biblioteca e teatro). No térreo, nota-se maior equilíbrio entre as
3) Estruturas e técnicas construtivas funções. Áreas sociais destinadas tanto à circulação quanto à
permanência e convivência ocorrem imediatamente aos acessos,
Com exceção do revestimento metálico bastante utilizado neste
assim como os serviços que também possuem acessibilidade ao
edifício, o sistema construtivo é bastante experimentado no Brasil.
exterior do prédio. Já as áreas funcionais propriamente são divididas
Baseia-se em estruturas metálicas e de concreto armado in –loco e
entre o teatro (plateia) e áreas de recepção (identificação) e de
pré-fabricados, além de laje nervurada que possibilita a existência de
informações. Nos demais pavimentos os espaços sociais se
amplos vãos livres que caracterizam a edificação. A mescla entre
resumem basicamente às circulações tanto vertical quanto horizontal,
vedações de alvenaria de tijolos revestida com pintura na cor branca,
áreas de apoio e administrativas respondem pelos serviços e a maior
a utilização de revestimentos metálicos (fachada ventilada) e o
parte funcional está estabelecida pela biblioteca e suas salas de
emprego de fachadas envidraçadas no sistema estrutural Glazing
estudos.
compõem as fachadas, determinando unidade e ritmo ao
Figura 3.1d: Zoneamento do Centro Cultural UNIVATES - Lajeado
empreendimento. Destaca-se também o uso de pilotis no nível da
praça, artifício que promove a livre circulação de pessoas sob o
prédio, abrigando-as.
Figura 3.1c: Corte do Centro Cultural UNIVATES - Lajeado

Fonte: ArchDaily Brasil,2015, editado pelo autor.

Fonte: ArchDaily Brasil,2015, editado pelo autor.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 19
5) Conforto ambiental A partir da captação das águas pluviais na cobertura, com
capacidade de 60 mil litros, é feito o reuso da água nas atividades
Localizado em uma latitude de 29º sul, seu clima sofre cotidianas do centro. Outros fatores que geram economia no
constantes entradas de massas de ar de origem polar (fria) e funcionamento são a instalação de torneiras e mictórios com
esporadicamente ocorre a entrada de frentes quentes, elevando a fechamento programado e o projeto luminotécnico automatizado com
temperatura, que em média anual apresenta máximas que oscilam luzes e sensores de presença nos acervos, além do sistema de
em média, entre 23° a 26° e as mínimas entre 12° a 14°. Diante desta iluminação em LED na praça externa.
realidade o prédio possui conceitos bioclimáticos que viabilizam a
otimização no funcionamento da edificação através de terraços, 6) Relações
jardins horizontais e verticais, fachadas ventiladas, e a constante
O edifício está localizado em uma área de média a baixa
presença da água nos espaços públicos que reduzem a incidência
densidade populacional, que intercala entre espaços arborizados e
solar direta e a produção de calor, reduzindo a utilização de sistemas
lotes ocupados.
artificiais para controle de temperatura. As fachadas ventiladas Figura 3.1f: Entorno do Centro Cultural UNIVATES - Lajeado
possibilitam ainda a presença de luz natural indireta e controlada para
conservação do acervo da biblioteca.
Figura 3.1e: Conforto ambiental do Centro Cultural UNIVATES - Lajeado

Fonte: ArchDaily Brasil,2015 editado pelo autor.

Fonte: GOOGLE Earth®, editado pelo autor.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 20
Figura 3.1g: Centro Cultural UNIVATES - Lajeado Figura 3.1h: Qualificação interna - Centro Cultural UNIVATES - Lajeado

Fonte: ArchDaily Brasil,2015.

Figura 3.1i: Conceito, praça que permeia o edifício Figura 3.1j: relação com entorno

Fonte: ArchDaily Brasil,2015.

O empreendimento concentra os principais prédios da instituição


e se propõe a receber e valorizar a comunidade onde está
estabelecida, criando eixos de transição de pedestres no espaço
urbano por meio da praça, promovendo uma maior permeabilidade
Fonte: ArchDaily Brasil,2015. Fonte: ArchDaily Brasil,2015.
dos espaços públicos, sem se furtar de determinar os espaços
privativos ou com controle de acesso.
Figura 3.1k: Volumetria - Centro Cultural UNIVATES - Lajeado

9) Relevância para a proposta

As alternativas de sistema construtivo, principalmente as


fachadas ventiladas, à disposição funcional, a qualificação dos
ambientes internos, o conceito e a volumetria deste empreendimento
são para a proposta que aborda este trabalho de significativa
importância. Fonte: ArchDaily Brasil,2015.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 21
3.2 Universidade de Nanyang - escola de arte, design e mídia Figura 3.2b: Acessos, NTU.

Localizada em Nanyang, em uma das maiores universidades


públicas de Singapura, que possui um campus de 200 hectares.
Elaborado pela CPG consultorias e inaugurado em 2006. A escola é
uma das unidades da Universidade Tecnológica de Nanyang, que
conta ainda com outras, sendo um edifício para cada. Com cinco
andares se estabelece na parte mais central e arborizada do campus.

1) Acessos e circulação

O principal acesso a sudeste se dá pela praça localizada no


centro do edifício, os pedestres são encaminhados através de um
ambiente acolhedor que é tanto de transição quanto de permanência,
Fonte: cpgcorp.com.sg, 2015.
até o hall de entrada.
Observa-se a existência de um outro acesso na face norte, este
Figura 3.2a: Acesso principal, NTU.
restrito para colaboradores da instituição e saída de emergência. As
circulações são bem definidas e dispostas na parte central de todo
edifício, permitindo que as atividades funcionais e de serviços
possam contar com iluminação e ventilação natural.

2) Volume e definição dos espaços

Fonte: ArchDaily Brasil,2015. É composto por dois volumes côncavos para o pátio interior, sua
concepção é genuína, uma cobertura verde inclinada que inicia no
Outros dois acessos se dão pelo noroeste, também
nível de acesso e inclusive pode ser acessada, segue até o nível mais
encaminhados para o hall de entrada.
alto no quinto pavimento.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 22
Figura 3.2c: Volumetria, NTU. Figura 3.2d: Sistema construtivo, NTU.

Fonte: cpgcorp.com.sg, 2015.


4) Zoneamento funcional
Figura 3.2e: Composição da cobertura, NTU.
Fonte: cpgcorp.com.sg.,2015.
Idealizado para atender as
Esta característica da cobertura soma-se ao sistema de vedação atividades de uma escola de

em vidro duplo insuflado, que permite a comunicação visual entre o arte, design e mídia a

edifício e seu exterior e existe na maior parte das fachadas. Em uma edificação se propõe a
Fonte: cpgcorp.com.sg, 2015, editado pelo autor.
vista superior, se subdivide em quatro elementos contínuos, cada um atender e estimular apropria-
ções dos espaços de maneira muito subjetiva como a própria arte.
com uma escadaria na cobertura que promove o acesso de pessoas e
Figura 3.2f: Zoneamento funcional, NTU.
uma maior apropriação dos espaços.

3) Estruturas e técnicas construtivas

Um sistema misto de estruturas metálicas e concreto armado


concebem o edifício e suportam o sobrepeso da laje vegetal, que
conta ainda com paredes autoportantes de concreto e pilares
recuados da empena que possibilitam as fachadas com vidro
estruturado duplo e insuflado. O sistema construtivo adotado expõe a
estrutura demonstrando o seu papel inclusive estético e não apenas o
de dar suporte a edificação. Há portanto um sentido maior na sua
concepção. Fonte: cpgcorp.com.sg, 2015, editado pelo autor.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 23
É possível observar que as atividades sociais estão mais Artifícios sustentáveis variados se somam, como uso de :
centralizadas, estimulando um encontro e ou um convívio das a) fachadas envidraçadas, com vidro duplo insuflado que
pessoas, seja ao acessar ou retirar-se do edifício. As áreas funcionais promovem maior isolamento térmico no interior, são orientadas para
concentram-se nas extremidades do prédio, onde a oferta de luz o norte e para o sul levando em conta sua latitude buscando maior
natural e aproveitamento da paisagem externa é maior. As áreas de luminosidade natural com baixa incidência direta dos raios solares;
serviços da instituição encontram-se distribuídas, conforme suas b) paredes espessas de concreto que permitem maior

relações com as áreas funcionais. refletividade dos raios solares e aliado à alta inércia térmica;
c) cobertura vegetal (grama) que absorve os raios solares sem
5) Conforto ambiental retransmiti-los para o interior ao se manterem irrigados com a própria
água coletada e armazenada, fazendo uso da evaporação para
Este é um dos pilares que consiste o empreendimento, foi
transporte de calor;
analisado profundamente levando em consideração todos os fatores
d) massa de vegetação do entorno e o uso constante de água
ambientais do local onde está estabelecido. O país é quente e úmido,
nos espaços internos como a praça central acarretam um
encontra-se 1º ao norte da linha do equador, resultando em um clima
resfriamento maior do ar e minimizam os efeitos produzidos pelas
tropical de floresta juntamente com a influência da exposição
ilhas de calor urbano, além de favorecer a manutenção mecânica ou
marítima. Sua umidade é na gama de 70% - 80%, e o índice
artificial da temperatura e umidade no interior do edifício,
pluviométrico é maior no inverno e apesar de se manter quase
promovendo ganhos ambientais e energéticos muito positivos a
constante, é intenso.
Figura 3.2g: Zoneamento funcional, NTU. longo prazo. Todos estes elementos constituem também as
dimensões estéticas e a relação do edifício com o entorno.

6) Relações

O uso e ocupação do solo na área é similar, a escola é uma dentre


outras que compõem o campus universitário com mais de 200
hectares. São escolas, e edifícios de moradia para acadêmicos,
colaboradores e de apoio que compõem o entorno. Inseridos em um
Fonte: Agência Nacional de Meio Ambiente - Singapura. , 2015. espaço bastante arborizado, os prédios são facilmente diferenciados

REFERENCIAIS PROJETUAIS 24
quanto a função (ensino, alojamentos e administração), Na escola, seu desenho único acaba lhe conferindo status de
principalmente pelo caráter arquitetônico que os edifícios ícone para instituição. O resultado formal é marcante e revela as
institucionais possuem, assim como o prédio analisado. aspirações sobretudo ambientais e de relação com o entorno que se
Figura 3.2h: Campus Universidade de Nanyang
Legenda: desejava desde a prancheta. As junções de elementos contínuos que
Universidade Nanyang
N
Limite do Campus
nascem no nível do solo e evoluem até o topo do edifício estabelecem
as interpretações rítmicas das fachadas. Estas translúcidas permitem
conectividade e promovem a interação com o visual exterior,
explorado ao máximo a conexão com a exuberante paisagem

0m
circundante, além de contribuir para a iluminação natural. Há assim
250m 500m

Fonte: GOOGLE Earth® 2015, editado pelo autor.


um grande senso de continuidade seja no interior, ou a partir da
entrada para o saguão principal que se abre para vários espaços
internos e nas coberturas gramadas.
Possuem afastamentos consideráveis e as grandes massas de
Figura 3.2j: Campus Universidade de Nanyang
vegetação fazem as conexões dos elementos urbanos.
Figura 3.2i: Planta de cobertura da Escola, NTU.

Fonte: Cópia da tela – designshare.com, 2015.


Paredes de vidro internas reforçam esta ligação de fluxo visual,
possibilitando uma visão além das salas, originando assim uma
interação de intercâmbio criativo entre as atividades, extremamente
relacionadas ao desenvolvimento criativo a que a escola se propõe.
Sua disposição funcional vai graduando a hierarquia espacial, do
público para o semi-público até as áreas privativas de serviços.
Liberando os espaços públicos e induzindo sua apropriação como,
por exemplo na praça central e nas coberturas que possuem escadas

Fonte: Elaborado pelo autor com base em imagem removida do site designshare.com,2015.
de acesso e iluminação noturna.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 25
Figura 3.2k: Apropriação dos espaços Figura 3.2m: Vista superior, NTU.
“Trenó no gelo para baixo do prédio ADM em NTU”

Fonte: Cópia da tela – vídeo publicado no site youtube.com/NTU - 2015.


Fonte: Cópia da tela – designshare.com, 2015.

7) Ordem de ideias
8) Partido
Assim como no empreendimento analisado anteriormente, a
Inicialmente a área onde foi construída a escola era para ser
escola apesar de não apresentar simetria, apresenta equilíbrio nas
uma reserva vegetal do campus que funcionaria como um “pulmão
formas sólidas côncavas para o interior que se correspondem e
verde”. Portanto, com o objetivo de manter a intenção inicial do plano
atribuem a identidade do edifício.
Figura 3.2l: Concepção formal, NTU.
diretor, os projetistas desenvolveram um espaço dentro das
limitações do vale que permitiu que a paisagem e a relação ambiental
sustentável desempenhassem uma das principais diretrizes do
projeto, refletindo diretamente na modelagem do edifício.

9) Relevância para a proposta

O sistema estrutural, o modo adequado como a edificação se


relaciona com o clima local, a cobertura que permite maior
apropriação somado aos efeitos para conforto térmico e acústico
Fonte: Cópia da tela – designshare.com - 2015.
juntamente com o caráter da concepção formal oferecem a proposta
Existe um preceito construtivo que unifica as quatro partes em
que aborda este trabalho ótimas referências. Permitindo que os
que se subdivide, como se somassem os volumes.
pensamentos se abram para mais possibilidades.

REFERENCIAIS PROJETUAIS 26
4. ESTUDO DE CASO
A fim de melhor compreender as diversas relações espaciais A lei de criação do Centro Cultural São Paulo, promulgada em 6
que ocorrem em um edifício público, seja pelo uso direto e funcional de maio de 1982 estabelecia que suas funções incluíam: "planejar,
proposto originalmente seja pela apropriação e inter-relação pessoal promover, incentivar e documentar as criações culturais e artísticas;
que usuários e colaboradores obtém, o estudo de caso a seguir reunir e organizar uma infraestrutura de informações sobre o
buscou colher evidências de como otimizar, manter vivo e em conhecimento humano; desenvolver pesquisas sobre a cultura e a
constante transformação o espaço edificado para uso público. Para arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades;
tanto, elegeu-se o CCSP – Centro Cultural São Paulo como objeto de incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de
estudo, analisando os parâmetros estruturais objetivos e subjetivos, desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a
que deverão ser reinterpretados à realidade regional local e assim estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura; e oferecer
contribuir para elaboração do partido arquitetônico da Escola condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura,
Estadual de Teatro, Dança e Música que origina este trabalho de como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e
conclusão de curso. tecnológico".
O CCSP foi projetado na segunda metade da década de 1970 e Segundo o secretário de cultura da cidade a época Mário
é fruto de ações e aspirações políticas que foram traduzidas pelos Chamie, era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e
arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Benedito de Castro Telles e erudita, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou
resultaram em um edifício que segundo texto de Adilson Melendez comunidades as mais diversas, para refletir "toda essa igualdade
(Revista Projeto Design na Edição 379) “nunca permitiu que a cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”.
ebulição se transformasse em vapor. ” Atualmente abriga as bibliotecas Sérgio Milliet, Alfredo Volpi,
Figura 4.a: Vista panorâmica do CCSP Louis Braille (Para deficientes visuais), Gibiteca Henfil, sala de leitura
infanto-juvenil, audiovisual e Laboratório de línguas, além de Arquivo
Multimeios (que abriga em seu acervo cerca de 900 mil documentos
referentes a gêneros de manifestações da arte brasileira
contemporânea, entre eles a arquitetura), coleção de arte da cidade,
discoteca Oneyda Alvarenga, espaços para exposições itinerárias,
laboratório de conservação e restauro, Núcleo Memória do CCSP,
Fonte: Acervo CCSP, por Carlos Rennó-centrocultural.sp.gov.br - 2015. oficinas de artes visuais e exposições de cinema, cursos e oficinas de

4. ESTUDO DE CASO 28
dança, debates e palestras, restaurante, loja comercial, laje jardim, teca, discoteca e administração. Por fim um último acesso para
horta comunitária, duas salas de teatro e um espaço dinâmico para pedestres na parte mais elevada da via Vergueiro à 810m conduz
diversas apresentações que conta com um palco central e plateia em para uma galeria de exposições fixas do centro cultural e outras
dois níveis do edifício (arena). itinerárias selecionadas pela equipe de curadoria da instituição. O
nível 796m, o mais baixo possui um acesso pela Avenida 23 de maio,
1) Acessos e circulação
exclusivo para serviços, veículos autorizados e colaboradores e outro
Devido à dimensão longitudinal (aproximadamente 290m de através de uma rampa, que se dá pelo viaduto da Beneficência
comprimento) e a diversidade funcional que o edifício tem, são Portuguesa ao norte com as mesmas características. Estes se dão
dispostos 7 acessos, sendo dois exclusivos para serviços. Os para um estacionamento, e posteriormente almoxarife, oficinas de
acessos para pedestres, predominam ao longo da via Vergueiro que madeira e metal além de áreas de apoio aos serviços.
Figura 4.1a: Acessos ao CCSP
possui transito menos intenso em relação a outra via paralela à Av. 23 N

Vdt. da Beneficência
de Maio. O que mais se destaca encontra-se na ponta norte e também

so
Segue para Acesso

Via Portuguesa
araí
Aeroporto de p/ veículos e
pode ser acessado tanto pelo viaduto da Beneficência Portuguesa, Congonhas aos serviços

do P
Acesso
como pela Rua Vergueiro, recebe ciclistas e pedestres principalmente Av. 23 de Maio p/ veículos e
aos serviços

Rua
os que que utilizam o metrô oriundos da estação Vergueiro localizada
Estação de
ainda no terreno do Centro Cultural e os encaminha para circulação METRÔ
vertical que permite acesso a área administrativa, para e área de Rua Ve (Vergueiro)
rgueiro
Acesso
informações e para o foyer dos teatros no nível 806m (elevação em Principal
(Praça)
relação ao nível do mar, utilizada para identificação dos pavimentos). Acesso a Acesso Acessos
Exposições ao Jardim ao Foyer
Outros três acessos para pedestres se dão diretamente pela rua
Vergueiro, ambos encaminham também ao nível 806m, dois deles
Fonte: GOOGLE Earth®, editado pelo autor - 2015.
para uma galeria de circulação e ao foyer dos teatros. Em seguida o
outro se dá em um jardim com árvores de grande e médio porte cujas 2) Volume e definição dos espaços
copas podem ser vistas da parte exterior e a uma praça próxima do
O edifício remete à disposição de um navio, possui comprimento
restaurante e dos acessos a circulação vertical composta por rampas
aproximado de 290m e largura variável limitada pelas vias laterais
que direcionam ao nível 810m de exposições e ao nível 801 da biblio-
chegando a 55m. Dividido em 4 pavimentos que seguindo a analogia

4. ESTUDO DE CASO 29
seriam equivalentes aos conveses do navio, sendo que o primeiro brepeso de um jardim que dá origem ao nível 810m. A frieza dos
nível à 796m é subterrâneo possuindo devido a um corte solo o materiais contrasta curiosamente com o calor proveniente das
acesso de veículos pela Av. 23 de Maio a este nível. O nível 801m atividades programadas e aquelas de apropriação dos usuários, que
também é parcialmente encravado no solo, esta circunstância varia são intensas e mantém vivo o prédio.
conforme a curva de nível das vias paralelas. Os níveis 806m
4) Zoneamento funcional
(parcialmente encravado no solo) e 810m é que podem ser
observados do exterior, mas a concepção formal da fachada do prédio Por se tratar de um edifício público gerido pela prefeitura o
no nível 806m é intercalada com jardineiras contínuas que somadas a edifício está sujeito a modificações funcionais principalmente na troca
cor do concreto natural o embutem na paisagem urbana de maneira dos gestores que normalmente acontece de quatro em quatro anos, o
sutil, surpreendendo os pedestres com as marcações dos acessos. que nem sempre é feito levando em conta condicionantes técnicos, as
Apenas a cobertura do nível 810m é que é mais percebida na vezes são apenas empíricos. De maneira geral os espaços são bem
paisagem, esta conta com uma marquise que acentua a curva correspondidos. Percebe-se um predomínio de áreas de serviço e
horizontal das vias paralelas. Esta proteção tem uma linguagem apoio no primeiro nível da edificação, onde estão localizados os
diferenciada, que acompanha as linhas internas do forro (acústico) do acessos para veículos. Neste nível o forro de concreto armado pré-
interior do prédio que nunca foi concluído, que daria continuidade moldado serve como piso técnico da edificação. No segundo nível
entre o interior e exterior do edifício, oferecendo a sensação de já (801m) as áreas funcionais do centro de cultura aparecem
estar dentro mesmo fora do Centro Cultural, tornando-o convidativo e predominando, seguido pelas áreas administrativas, este nível
democrático, se tornando parte da própria rua. encontra-se parcialmente encravado no solo de maneira que a
influência sonora do ambiente exterior é muito bem contida e de
3) Estruturas e técnicas construtivas
acordo com as funções estabelecidas. Já o terceiro nível (806m) é o
Inaugurado em 1982, conta com um sistema construtivo que apresenta maior equilíbrio entre áreas sociais e funcionais, é este
relativamente novo para época, baseado em estruturas mistas de aço nível também onde são mais observadas as apropriações dos
e concreto armado protendido. Uma parede de arrimo inclinada que espaços sociais e de circulação por parte dos usuários. Neste nível
novamente se assemelha ao casco de um navio é disposta em todos está estabelecido os principais acessos aos visitantes, justificando a
os níveis encravados no solo. O concreto aparente das estruturas é demanda por maiores áreas de convivência, circulação e integração
mesclado com cabos de tensão que dão suporte para as rampas que entre as pessoas. O último nível (810m) reserva aos visitantes as
comunicam os níveis. A laje de cobertura do nível 806m suporta o so- experiências através das áreas expositivas, com obras fixas e itine-

4. ESTUDO DE CASO 30
rárias, e do convívio com a natureza no ambiente urbano através da 5) Conforto ambiental
horta comunitária cultivada em anexo ao jardim das esculturas que se
A disposição longitudinal a norte-sul possibilita uma insolação
encontra no terraço e possibilita um ambiente de permanência
confortável e com visão ampla do centro urbano onde está inserido.
direta e indireta aos ambientes internos mesmo os mais inferiores
Figura 4.4a: Zoneamento funcional CCSP através de claraboias, que são visíveis tanto na parte central como
Simbologia Av. 23 de Maio
N na periferia do edifício e em dois níveis, na cobertura do nível 810m
01 Estacionamento
02 Almoxarifado
03 Oficinas de metal
01 01 e do 806m, levando luz natural difusa até o nível 796m, isto facilita a
e madeira 05 04
04 Ensaio 06
02 03
02 leitura nas áreas determinadas e a integração entre espaços
05 Camarim 06 05
06 Apoio Rua Ve
rgueiro externos e internos. O prédio foi projetado para receber ventilação
07 Cabines de audio NÍVEL 976m
08 Discoteca N e refrigeração do ar através de um sistema que usaria água
09 Acervo Biblioteca
11
10 Espaço multiuso
piso elevado
07
13 14 16 17 refrigerada no subsolo, porém este modo nunca foi implantado,
08 09 12 18
11 Biblioteca Braile 10
12 Teatro Arena -Plat.640L 15
19 utilizando atualmente um sistema convencional de ar condicionado
Adoniran Barbosa 09
13 Sala
Paulo Emílio-Plat.105L NÍVEL 801m
que é segundo os próprios colaboradores e usuários ineficaz ou
14 Sala N
Lima Barreto-Plat.105L
15 Sala 23
insuficiente.
25
Jardel Filho-Plat.336L
16 ADM - Comunicação 20 22 12
As claraboias permitem em alguns pontos que raios solares
21 24 26
17 ADM - Pessoal
18 ADM - Jurídico/Dir. 27 adentrem o prédio diretamente, sendo responsáveis por um
19 ADM - Curadoria

20 Jardim dos
NÍVEL 806m
N
aquecimento nestas áreas que apresentam uma ventilação
estudantes
21 Área expositiva
32 34 35 cruzada limitada e pouco eficiente, considerando este um ponto
22 Praça de alimentação 30
29
23 restaurante
24 Praça 35
negativo e que se deve principalmente pela incompatibilidade dos
28 33
25 Informações 31
26 Foyer dos teatros sistemas de ventilação mecânica que opera e o que fora
27 Ação educativa NÍVEL 810m

28 Terraço jardim
ESCALA GRÁFICA EM METROS
25 100m
originalmente proposto.
29 Sala exposição
Tarcila do Amaral 50 0
30 Sala exposição 6) Relações
31 Sala de debates Legenda
32 Sala exposição Serviços
Lat.23 de Maio
33 Sala exposição Funcional Inserido em um ambiente urbano bem desenvolvido e
Lat. Vergueiro Social
34 Jardim das
esculturas Circulação consolidado, próximo a Av. Paulista e paralelo a Av. 23 de Maio,
34 Jardim das vertical
esculturas Jardim interno importantes vias da cidade de São Paulo. São poucas as áreas
Fonte: Dep. Arq. CCSP, editado pelo autor. - 2015.

4. ESTUDO DE CASO 31
livres e públicas no entorno, enfatizando ainda mais a importância mo uma das qualidades do edifício mesmo quando no período da
do Centro e das praças que se dão na continuidade do terreno. O ditadura militar, denotando sua importância social histórica.
gabarito das edificações que rodeiam o centro chega a 26 Segundo a Arquiteta Ana Maria Campanha que conduziu a visita
pavimentos, e predominam na paisagem os grandes edifícios. orientada, este fato também deve ter contribuído para fomentar
O prédio do Centro Cultural tem uma relação de altura x ainda mais estas expressões e a democraticidade dos espaços.
comprimento de 1/27, e se estabelece entre as vias Vergueiro e Av. A disposição de algumas fachadas, sobretudo a da Rua
23 de Maio. Vergueiro mesclam uma contínua empena inclinada que recebe
Observa-se ainda o que parece a razão de ser do Centro jardineiras, com alguns vãos de acessos e partes envidraçadas no
Cultural São Paulo, a apropriação natural e aleatória dos último nível, o de exposições. Do interior se tem a percepção de
ambientes de acesso ao público, sendo expressados das mais segurança e conforto ambiental intensa que o abrigo promove, há
diversas formas. As áreas de circulação de pessoas são um rompimento com o ambiente “hostil” da rua, mas ao mesmo
incrivelmente apropriadas pelos usuários, permitindo tempo os acessos e a praça integrada ao jardim central
especulações e interpretações sobre como e porque acontecem. reconectam ao ambiente urbano, ainda resguardando estas
Estes ambientes não oferecem nada muito além de espaços sensações. Uma marquise que acentua o raio horizontal da via
livres, porém de conexão tanto entre as disposições funcionais executada com estrutura metálica se projeta sobre o passeio e
quanto de pessoas e certos mobiliários espalhados e projetados promove uma sensação de que mesmo do lado de fora os
junto com a edificação. Esta animação dos ambientes se dá de transeuntes estão dentro do prédio, esta continuidade de
maneira espontânea, possivelmente por se tratar de espaços linguagem entre os espaços (que poderia ser ainda mais
seguros do ponto de vista urbano, que acolhem dando um abrigo acentuada caso os forros internos tivessem sido executados
para que pessoas possam expressar-se principalmente com a conforme o projeto, pois seriam a continuidade da linguagem da
dança, interpretações artísticas ou musicais. É possível perceber marquise) é responsável também por cativar e induzir uma visita
ainda que se trata de pessoas com um nível de consciência mesmo àqueles que estão apenas transitando pela via. É como se
sobretudo corporal mais apurado, que acabam por ser parte da ocorresse um despertar para obra nestes espaços em que ela se
concepção do edifício, o mantendo mais útil ou otimizado. Pode abre, fazendo com que as pessoas se deem conta de algo a ser
ocorrer também pelo fato de nunca ter sido repreendida esta explorado, o ambiente edificado público.
característica, ao contrário ser sempre estimulada e divulgada co-

4. ESTUDO DE CASO 32
7) Ordem de ideias espaços. O caráter inovador é também expresso nas alternativas
estruturais adotadas.
Como mencionado anteriormente o edifício remete em muito
Desta forma se obteve o sucesso absoluto do plano que até
as instalações de um navio, porém aquela rigorosa simetria
hoje permite adaptações às novas possibilidades e características
imposta as embarcações para uma boa hidrodinâmica não são tão
das expressões culturais e continua sendo apropriado pelas novas
rígidas na edificação. Ocorre sim um equilíbrio nos volumes e no gerações.
desenho da planta. As fachadas sul e norte se assemelham, mas
as das vias paralelas são únicas. No interior circulações 9) Relevância para a proposta
longitudinais se dão mais pela periferia do prédio e caracterizam Poder vivenciar durante um dia inteiro a movimentação, a
dois eixos, que são pontualmente interrompidos no campo de utilização, em fim a apropriação dos espaços do Centro Cultural São
visão, por se tratar de eixos em arco concordando com as paredes Paulo foi uma experiência única, que irá permanecer por muito tempo
externas e pelas próprias esculturas e diversidade nas em meus pensamentos. Tendo em vista as inúmeras impressões,
características dos espaços. Este fato é de extrema relevância percepções e especulações já feitas e as que ainda faço sobre o
considerando o comprimento da edificação, pois estes bloqueios Centro Cultural. Estas experiências certamente estarão refletidas na
visuais impedem a compreensão das distâncias percorridas, proposta que aborda este trabalho, principalmente no que diz respeito
somado também a singularidade dos ambientes. as relações entre os espaços e suas apropriações. Além das táticas
dinâmicas que contribuem para agitação dos espaços, como
8) Partido diversidade nos programas culturais. Estratégias de conforto, lazer e

De um programa de necessidades cheio de aspirações, o promoção de ambientes adequados para se dialogar, contemplar o

edifício foi projetado com o objetivo de facilitar ao máximo o ambiente urbano, ou apenas praticar o ócio.
A visita tornou necessária algumas análises quanto ao
encontro dos usuários com aquilo que seria oferecido no centro
reconhecimento dos usuários, de suas características sociais e
cultural mesmo em época de ditadura militar. A arquitetura do
políticas que os levaram a tal comportamento no Centro de Cultura, a
prédio não obedeceu a padrões pré-estabelecidos na época, deu fim de aplicar aqui na região da AMUREL a mesma análise
prerrogativa as dimensões amplas e as múltiplas entradas e interpretando os nossos hábitos e costumes, para obter uma melhor
caminhos que se cruzam e mantêm uma intensa animação dos identificação com o projeto da proposta.

4. ESTUDO DE CASO 33
10) Quadro de imagens da visita feita ao CCSP em 14/05/2015
Acessos Circulações verticais Sistema estrutural Conforto ambiental Relações e apropriação espacial

Norte para pedestres N806 Escada de acesso ao Jardim

Dutos de ventilação

Oeste para veículos N796 Rampas de comunicação entre níveis

Leste para pedestres N806 Elevador comunicação entre níveis Clarabóias


Entorno Urbano

Leste para pedestres N810 Elevador de serviços e funcionários

4. ESTUDO DE CASO 34
5. ANÁLISE DA ÁREA
5. ANÁLISE DA ÁREA delimitou e institucionalizou a criação dos bairros, Tubarão conta
oficialmente com 23 bairros, sendo que oito deles situam-se à
Situado ao sul do estado de Santa Catarina – BR, o município de
margem esquerda do rio Tubarão e 15, à margem direita. O escolhido
Tubarão é o polo de uma das micro regiões estaduais, a AMUREL-
para receber a proposta que este trabalho aborda é o Bairro Humaitá
Associação dos Municípios da Região de Laguna que é composta por
de Cima, localizado na margem esquerda, entre os bairro Humaitá,
18 municípios e tem população estimada de 353.989 habitantes
Vila Esperança, São Martinho, São Bernardo e São João.
conforme IBGE em 2014. Figura 5: LOCALIZAÇÃO
Tem como base econômica o comércio (principalmente têxtil e de N

vestuários) e a prestação de serviços diversos. A altitude média na


SANTA CATARINA

sede do município é de 9 metros acima do nível do mar, tem como BRASIL


Fpólis.

característica climática um clima subtropical, com temperatura média TUBARÃO

máxima de 23,6°C e média mínima de 15,5°C. Com área territorial


urbana de 64Km² e rural de 236 Km², totalizando 300 Km². América Latina 130 Km ao sul de Fpólis.
População estimada em 2014 conforme IBGE é de 102.087
habitantes e IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, a->
N
un
RIO FORTUNA
SÃO MARTINHO
Terreno g

<-
La

Gr
GRÃO BRAÇO
que é um número que varia entre 0 e 1, sendo que quanto mais PARÁ DO

av
IMBITUBA
NORTE ARMAZÉM
IMARUÍ

.
ORLEANS
próximo de 1, maior o desenvolvimento humano) de 0,796 em 2010 SÃO
LUDGERO
GRAVATAL
PESCARIA
BRAVA <-Pedras G.
TUBARÃO CAP.
BAIXO

considerado alto pelo Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil.


PEDRAS
GRANDES
LAGUNA
TREZE DE MAIO

Os principais eixos que marcam o desenvolvimento urbano do SANGÃO


JAGUARUNA
Centro

município são o Rio Tubarão que teve papel fundamental para seu
Legenda:

na
desenvolvimento primário servindo como hidrovia e ponto de RODOVIA BR-101

aru
RODOVIA SC-370

agu
RODOVIA SC-390
escambo, por geograficamente complementar o caminho entre Lages FERROVIA FTC

<-J
RIO TUBARÃO
a Laguna (Planalto serrano e Litoral), a Ferrovia Teresa Cristina que LIMITE DO BAIRRO
HUMAITÁ DE CIMA Fonte: Elaborado pelo Autor
também cumpriu um papel determinante no início do seu 5.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E DE EVOLUÇÃO URBANA
desenvolvimento e a Rodovia Federal BR-101 que liga de Norte a Sul
Colonizações Italianas e Açorianas foram as principais
o País.
De acordo com a Lei Municipal nº 1706/92, de 10/12/92, que influenciadoras do estilo arquitetônico da cidade, e ainda hoje seus

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 36


vestígios fazem parte do cotidiano da população. elevadas, menos alagadiças;
A cronologia a seguir explana aspectos relevantes: 1967 - Foram construídas novas redes de energia elétrica para o
1774 a 1777 – Ocorre a doação de duas sesmarias situadas no atendimento das localidades de Humaitá de Cima, Vila Esperança,
atual perímetro urbano de Tubarão ao Capitão João da Costa Moreira São Bernardo e São Martinho;
e ao seu sogro o sargento-mor Jacinto Jaques Nicós, marcando o 1971 – Conclusão das Rodovias BR-101 e nessa mesma década
início efetivo do povoamento, aliado a rota portuária que do caminho da SC-438 atual SC-390, esta que foi um marco importante fazendo
que ligava Lages a Laguna, originando o “Poço Grande do Rio com que as áreas da margem esquerda ficassem bastante
Tubarão” e o “Poço Fundo do Rio Tubarão”; valorizadas e prosperassem rapidamente em termos comerciais,
1836 - Criação da Paróquia Nossa Senhora da Piedade de industriais e residenciais, transformando-se rapidamente de área
Tubarão, por conseguinte o distrito de Poço Grande foi elevado à rural em área urbana;
categoria de Freguesia com a denominação de Freguesia Nossa 1974 – Grande enchente que culminou em uma estagnação
Senhora da Piedade do Tubarão”; econômica do município nos anos seguintes;
1870 - A freguesia foi emancipada do município de Laguna, 1982 - Com a doação de um terreno pelo senhor Santos

criando o município “Do Tubarão”; Guglielme, através de termo de comodato, firmado entre o
1880 a 1884 – Implantação da estrada de ferro Dona Thereza empresário e a Prefeitura Municipal de Tubarão foi construída a
Christina; primeira escola do bairro Humaitá de Cima, denominada Grupo
1887 - Enchente registrada; Escolar João Paulo I;
1939 - Construída a primeira ponte ligando as margens esquerda 1986 - O Prefeito Municipal Miguel Ximenes de Melo Filho
e direita de Tubarão, localizada no centro da cidade, a obra ganha o através do Decreto nº 962/82 transforma o Grupo Escolar João Paulo I
nome de 'Nereu Ramos', em homenagem ao interventor do Estado, em Escola Básica;
sendo um marco para o então desenvolvimento da margem 1889 - O Prefeito da época Estener Soratto sancionou a lei
esquerda; Municipal que instituiu a Universidade, transformando a FESSC em
1945 – Instalação da Companhia Siderúrgica Nacional; UNISUL;
1964 – Fundação do Instituto Municipal de Ensino Superior 1994 - Inaugurado o CAIC – Leoclide Zandavalle que recebeu
(IMES); este nome escolhido e aprovado pelos vereadores que
1965 – O bairro Humaitá de Cima era pouco povoado, contava homenagearam o cidadão e o propulsor da Industria Tubaronense e a
com pouquíssimas residências, que ocupavam as áreas mais Escola Básica João Paulo I passou a funcionar dentro de suas

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 37


dependências, posteriormente em 1997 o PRONAICA (Programa com sua hierarquia viária, apenas algumas vias locais não possuem
Nacional de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente) foi instinto e pavimentação. Figura 5.2.1: Hierarquia Viária
Legenda:

<- G
Bairro São Bernardo
o CAIC – Leoclide Zandavalle passou a ser mantido pela Prefeitura VIA ARTERIAL

r
avat
VIA COLETORA

al
VAI LOCAL
Municipal de Tubarão; VIA DE TRANSITO RÁPIDO
2004 – Inauguração do Posto de saúde do Bairro Humaitá de TERRENO DA PROPOSTA

SC
-3
LIMITE DO BAIRRO

70
Cima, nas antigas dependências do Grupo Escolar João Paulo I. HUMAITÁ DE CIMA
As ultimas décadas tem portanto induzido o desenvolvimento
maior do bairro Humaitá de Cima, bem como de bairros de seu Bairro
Vila Esperança N

Av.
Pa
tríc
entorno, como o Bairro São martinho e o Bairro São João, se observa

io
Lim
a
inclusive o surgimento de pequenas centralidades, com maior
diversidade de serviços, comércio e densidade habitacional, também ia
C orre
ndi
a
justificando a escolha para implantação da proposta deste trabalho. Orl
oão ulse

Rua
a J
Ru usto H urt

São
5.2 ENTORNO ug co iar
a A ten Agu

João
Ru el Bit e
01
BR-1
u aim INA
L 1
Mig u aJ G BR-10
A proposta será desenvolvida no município de Tubarão, que no e l R MAR
aM
a VIA
por sua localização e importância regional oferecerá maior e Bairro Ru
São João ME Bairro Humaitá
melhor acessibilidade aos usuários através das rodovias.
As possibilidades de acesso ao terreno pelos visitantes e ESCALA GRÁFICA EM METROS
250 500
usuários de outros municípios ou de Tubarão, podem ser feitas Bairro Morrotes
500 0
utilizando a leste, a BR-101 e ao norte a SC - 370 e posteriormente a Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor.

Avenida Patrício Lima e por último a Rua Manoel Miguel Bitencourt, o Porém assim como no restante do município não possui uma
acesso pelo sul também é dado pela BR-101 e posteriormente pela fiscalização efetiva do poder público a fim de garantir a execução e
Rua São João e depois a Rua Manoel Miguel B. que é uma das vias padronização dentro dos parâmetros estabelecidos pelo plano diretor
confrontantes com o terreno da proposta. e código de obras municipal com relação aos passeios, o que
compromete a segurança e o bem-estar dos pedestres, além de
5.2.1 Hierarquia viária
carecer de ciclovias e ciclofaixas que estimulem meios de locomoção
Possui maior parte das vias pavimentadas e a maioria em acordo
mais saudáveis e com menor impacto para o ambiente.

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 38


5.2.2 Infraestrutura O transporte coletivo, possui linhas específicas para o bairro e
outras que o cruzam atendendo regularmente a demanda de
Apresenta em determinados horários conflitos extremos entre
usuários.
pedestres, ciclistas e veículos. Que são muito comuns nas Possui abastecimento regular de água tratada pela
proximidades do CAIC, nas esquinas das Rua São João com Ruas Companhia Tubarão Saneamento, bem como de energia elétrica
Manoel Miguel Bitencourt e desta última com a Av. Patrício Lima e ao pelas companhias CERGAL – Companhia de eletrificação Anita
longo da Rua Jaime Aguiar de Souza, com inúmeros acidentes Garibaldi e CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina. A coleta
registrados, inclusive com vítimas fatais.
Figura 5.2.2a: Infra de Transportes
de esgoto doméstico que possui prévio tratamento com fossa e filtro
N
Bairro São Bernardo Legenda: exigidos pela prefeitura em cada ligação (porém não há garantia de
LINHA: 205 TG- Terminal cetro
Humaitá de Cima que todas as unidades de moradia possuam este tratamento
SC

LINHA: 207 TG - Terminal cetro


-37

B. São Martinho
0

LINHA: São Martinho Via Unisul precedente) é feita juntamente com a de águas pluviais sem que haja
-A
v. P

PONTO DE ÔNIBUS
atrí

um tratamento final adequado, o que consequentemente pode


cio

PONTO DE CONFLITO
Lim
a

TERRENO DA PROPOSTA contaminar os mananciais e as atividades que dependem deste


Bairro DO BAIRRO
LIMITE
Vila Esperança
HUMAITÁ DE CIMA recurso hídrico como o cultivo de arroz e pecuária existentes no
entorno do bairro. Serviços como coleta de lixo, internet, telefonia
também possuem atendimento regular.
A análise também identificou a irregularidade no alinhamento
ia
orre
iC predial de alguns terrenos que restringem em determinados pontos
and
rl
o ã o O se quase a totalidade do passeio, que ainda conta com postes de
aJ ul
Ru usto H t
Rua

ug our energia elétrica instalados bloqueando ainda mais a passagem de


a A nc
Ru l Bitte
São

e iar 1
igu BR-10 pedestres. A própria característica de via coletora de algumas vias
João

o e lM e Agu
an aim deve ser revista, já que a possui diversas travessas com a via
aM aJ
Ru Ru
Bairro Humaitá paralela Augusto Hulse (que possui característica de via local) afim
Bairro ESCALA GRÁFICA EM METROS de propor diretrizes no anteprojeto desta proposta que aprimorem e
São João ME 250m 500m
Bairro Morrotes 500m 0
possibilitem uma democratização nos modais de locomoção
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor. (inserindo ciclovias ou ciclo faixas) promovendo a maior segurança
dos pedestres e demais.

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 39


Conta com uma das academias ao ar livre implantadas pelo 5.2.3 Uso do solo
governo municipal em bairros da cidade, próximo ao centro social.
Mas não ocorre nenhuma integração com outro equipamento As características observadas indicam a predominância no
já que a área carece de áreas de convivência, permanência e de bairro do uso residencial de baixa densidade. Complementado pela
oferta de serviços e produtos destinados diretamente aos moradores,
recreação pública (praças, espaços para prática de desportos). Das
como papelaria, lojas de materiais de construção, padarias, e
áreas livres existentes no perímetro mais edificado todas são
pequenas indústrias, sendo a maior uma de processamento de arroz,
particulares e não existem diretrizes públicas para seu
a COPAGRO. Figura 5.2.3a: Fotos do comércio e indústria
aproveitamento ao uso comum direcionado a recreação, bem como a
área de maior disponibilidade que atualmente é utilizada para
pecuária, onde é nítida a especulação imobiliária.
Figura 5.2.2b: Mapa de áreas livres N Legenda:
Bairro São Bernardo Fonte; Arquivo do autor - 2015
ÁREAS PERMEÁVEIS,
C/ VEGETAÇÃO RASTEIRA Existem ainda supermercados, lancherias que estimulam a
SC

ÁRVORES DE GRANDE
-37

E MÉDIO PORTE
0-

01 ÁREAS LOTEADAS circulação e movimento noturno de pessoas e a característica


Av.

02 ASSOCIAÇÃO TRACTEBEL
Pa

03 PECUÁRIA
tríc

03
institucional composta pela escola de ensino básico, unidade de
io L

03 VAZIO
ima

03 EDIFICAÇÕES
saúde municipal, igrejas de diversas denominações, prevalecendo
TERRENO DA PROPOSTA
LIMITE DO BAIRRO a igreja católica e o centro social onde são promovidas festas,
HUMAITÁ DE CIMA

uls
e
Bairro
encontros e outras necessidades de reunião comunitária.
03 st oH
ugu Vila Esperança Vale ressaltar a inexistência de espaços ao ar livre que a
A
a ua
rrei R população poderia dispor, a própria utilização das dependências
di Co
an
Orl 02
03 J oão rt
do CAIC como quadras de esporte, e campo de futebol que
R ua cou
tten
Rua

ue l Bi 01 poderiam ser desfrutados nos finais de semana inexiste, sendo


São

el Mig 01
1
01 BR-10
João

ano 01 desistimulada inclusive pela própria inserção da unidade de


M
Rua Bairro Humaitá
ensino, que fica no interior de uma quadra cercada por residências,
01
possuindo apenas dois acessos pelas vias Manoel Miguel
Bairro
São João ME ESCALA GRÁFICA EM METROS
250m 500m
Bitencourt e Rua Jaime Aguiar de Souza como visto na ilustração a
Bairro Morrotes
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor.
500m 0 seguir do uso do solo.

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 40


Figura 5.2.3b: Mapa de Uso do Solo
N Legenda: O gabarito que também prevalece é de apenas um

Ru
aL
USO INSTITUCIONAL
pavimento, mas nos últimos dez anos nota-se um maior

uis
CAIC- EEB

Pe
IGREJA CATÓLICA

dro
CENTRO SOCIAL desenvolvimento principalmente nos terrenos confrontantes a via

de
CENTRO DE SAÚDE

Oli
v ei
PRESÍDIO FEM.
Manoel Miguel Bitencourt de edificações de maiores pavimentos,

ra
IGP - IML
ASSOCIAÇÕES (PRIVADO) chegando até cinco.
Ru
aJ

USO COMERCIAL E
org

OU SERVIÇOS
e

ia USO MISTO
Lac

orre USO RESIDENCIAL 5.2.4 Densidade


er

C
ndi
da

a USO INDUSTRIAL
o Orl TERRENO DA PROPOSTA
a Joã LIMITE DO RECORTE DA
A maior área destinada a serviços e instituições públicas é
Ru ls e ÁREA IMEDIATA AO
o Hu urt TERRENO DA PROPOSTA
ug ust nco justaposta ao terreno da proposta, que tem o intuito de também
tte
Ru
aA ue l Bi
Mig intensificar esta característica a fim de fomentar o
el
ano
aM ESCALA GRÁFICA EM METROS desenvolvimento e consequentemente criar uma centralidade
Ru i ar 62,5 125
Agu
me 125 0 250m maior nesta região central do bairro. Figura 5.2.4a: Público X Privado
a Jai Legenda:
Ru
N

Figura 5.2.3c: Gabarito das edificações Bairro São Bernardo

SC
-37
N USO PRIVADO

0-
Legenda:

Av.
USO PÚBLICO

Pa
1 PAVIMENTO Bairro

tríc
Vila Esperança
Ru

TERRENO DA PROPOSTA

io L
2 PAVIMENTOS
aL

ima
uis

3 PAVIMENTOS LIMITE DO BAIRRO


Pe

HUMAITÁ DE CIMA
5 PAVIMENTOS
dro

TERRENO DA PROPOSTA
de

LIMITE DO RECORTE DA
Oli
vei

ÁREA IMEDIATA AO
ra

Rua
TERRENO DA PROPOSTA 1
BR-10

São
J
oão
ia ESCALA GRÁFICA EM METROS
orre
Bairro Humaitá
250 500m
iC
and
Bairro
rl IC 500 0 São João ME
oã oO CA Bairro Morrotes
aJ
Ru e Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor.
H uls
sto urt A avaliação do mapa de cheios e vazios revela que alguns
A ugu nco
ua tte
R
ue l Bi terrenos ainda não foram ocupados na região do entorno imediato
ig
el M do terreno da proposta, permitindo que outros empreendimentos
ano
aM iar
Ru Agu
ESCALA GRÁFICA EM METROS
62,5 125 possam ser executados sem grandes complicações ou
ai me
aJ 125 0 250m
desapropriações.
Ru
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor.

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 41


Figura 5.2.4b: Cheios X Vazios turas e vedação de madeira, moradias que guardam características
Legenda: do início do povoamento do bairro, com plantas similares e que se
N
CHEIO

SC
Bairro São Bernardo VAZIO assemelham com as dos imigrantes e descendentes de italianos que

-37
0
TERRENO DA PROPOSTA

-A
ajudaram a colonizar a região. Estas moradias inclusive tem maior

v. P
LIMITE DO BAIRRO

atrí
HUMAITÁ DE CIMA facilidade de remoção sem necessidade de demolição, liberando

cio
Bairro

Lim
Vila Esperança

a
boa parte dos terrenos para que novas edificações inclusive edifícios
multifamiliares possam ser inseridos, visando um leve aumento na
densidade habitacional o que justificaria novos investimentos em
infraestrutura e oferta de serviços, de modo planejado com o poder
público.
Figura 5.2.4c: Fotos das tipologias do entorno

IC
CA
Rua
São

1
BR-10
João

Bairro
Bairro Humaitá

Bairro ESCALA GRÁFICA EM METROS


São João ME 250 500
Bairro Morrotes 500 0
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor.
A tipologia construtiva das residências, que predominam no
bairro vai desde o sistema construtivo mais convencional atualmente
na região composto por estruturas de concreto armado em loco e
vedação em tijolo cerâmico e cobertura de telha cerâmica
principalmente nas moradias mais recentes, até outro que é muito
comum de se encontrar com sistema construtivo composto por estru- Fonte: Arquivo do Autor

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 42


5.3 LEGISLAÇÃO As disposições do terreno que se encontra dividido
respectivamente entre a ZONA COMERCIAL 2 com 4.165m² ou 45%
De acordo com o plano diretor e leis de zoneamento em vigor, o
da área total e ZONA RESIDENCIAL 2 com 4.994m² ou 55% da área
bairro se divide em quatro zonas de uso do solo, a Zona Comercial 2,
total são:
Zona Residencial 2, Zona Industrial 1 e Zona Industrial 2. Figura 5.3c: Quadro de Uso do Solo por Zona
Figura 5.3a: Zoneamento do Bairro Humaitá de Cima

Legenda: Bairro São Bernardo


N

ZONA COMERCIAL 2

SC
-37
0-
VIA ZONA RESIDENCIAL 2

Av.
Pa
ZONA INDUSTRIAL 2

tríc
io L
ima
Bairro
ZONA INDUSTRIAL 1 Vila Esperança

TERRENO DA PROPOSTA
LIMITE DO BAIRRO nco
urt
HUMAITÁ DE CIMA uel B
itte

el Mig
ano
aM
Ru
ESCALA GRÁFICA EM METROS
250 500m
Rua

BR-10
1 Fonte: Reprodução do Anexo 2 da Lei de Zoneamento do Município de 2013
São
Joã

500 0 Bairro Humaitá


o

Bairro
Quanto aos parâmetros urbanísticos trata de:
São João ME
Bairro Morrotes Figura 5.3d: QUADRO PARÂMETROS URBANÍSTICOS POR ZONA
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor. - 2015
Figura 5.3b: Zoneamento do Tereno da Proposta
N

Legenda:
USO DO SOLO - ZONA COMERCIAL 2
ESCALA GRÁFICA EM METROS USO DO SOLO - ZONA RESIDENCIAL 2
25 50m LIMITE DO TERRENO PROPOSTO
50 0 LIMITE DO RECORTE DAS QUADRAS
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor - 2015
Fonte: Reprodução do Anexo 2 da Lei de Zoneamento do Município de 2013

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 43


5.4 TERRENO
Figura 5.4.1b: Vista Norte

Trata-se de uma quadra localizada na parte mais central do


Bairro Humaitá de Cima que por sua vez está em uma porção mais ao
noroeste do centro do município, contando com fácil acesso pelas
rodovias BR-101 e SC-370 (Antiga SC – 438).
Possui 9.159m² de área.

5.4.1 Aspectos físicos do terreno

O terreno tem extrema a sudeste com a rua Manoel Miguel


Bitencourt, ao sudoeste com a rua Jorge Lacerda, a noroeste com a
rua Augusto Hulse e a nordeste com a rua Luiz Pedro de Oliveira. O Fonte: Arquivo pessoal do autor

mesmo tem suave variação de nível, conforme pontos cotados no Figura 5.4.1c: Vista Oeste

arquivo cadastral do município, com cotas que variam entre 7,5m e


8,5m de altitude em relação ao nível do mar, tendo declives mais
perceptíveis nas bordas sudoeste, sudeste e noroeste em relação ao
passeio que não é pavimentado.
Figura 5.4.1a: Aspéctos físicos do terreno
V. Noroeste
N
Simbologia:
V. Oeste
ÁRVORE DE GRANDE
6,3 RUA AUGUSTO HULSE
6,4
V. Norte PORTE
TERRENO PROPOSTO
LIMITE DO RECORTE
RUA LUIZ PEDRO DE OLIVEIRA

6,9
DAS QUADRAS
VISTAS
RUA JORGE LACERDA

Elevação:
6,5m
7,0m
7,5m
8,0m
8,5m
RUA MANOEL MIGUEL BITENCOURT

ESCALA GRÁFICA EM METROS V. Leste


V. Sul
25 50m
50 0 Fonte: Arquivo pessoal do autor
Fonte: Cadastral PMT adaptado pelo autor - 2015

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 44


Figura 5.4.1d: Noroeste 5.4.2 Aspectos ambientais do terreno

Por se tratar de uma quadra, o terreno proposto terá implicações


apenas com a vegetação arbórea existente apontada na figura
anterior que se propõe à permanência no anteprojeto. Auxiliando nas
estratégias de conforto térmico e visual, além de explorar o caráter
Fonte: Arquivo pessoal do autor
Figura 5.4.1e: Vista Sul mais ligado a natureza e a própria relação com a função da edificação
proposta. As esquinas cumprem um papel importante para a proposta
que visa seu aproveitamento a fim de tornar a edificação e as demais
atividades a serem desenvolvidas de forma convidativa e intuitiva,
induzindo a apropriação dos espaços da maneira mais democrática
possível.
A análise da predominância dos ventos e características de
temperatura e umidade levam em consideração as informações
obtidas nas ilustrações a seguir.
Figura 5.4.2a: Análise Climática - para Florianópolis MANCHA DE TEMPERATURAS ENTRE
22 DE DEZEMBRO E 21 DE JUNHO
Fonte: Arquivo pessoal do autor VENTOS PREDOMINANTES
NO VERÃO
Figura 5.4.1f: Vista Leste

SOLSTÍCIO DE INVERNO

EQUINÓCIO

MANCHA DE TEMPERATURAS ENTRE


22 DE JUNHO E 21DE DEZEMBRO
SOLSTÍCIO DE VERÃO
VENTOS PREDOMINANTES
NO INVERNO

Legenda: Legenda:
TERRENO TBS <=10ºC
VENTOS PREDOMINANTES
NO INVERNO 10ºC < TBS < 14ºC
14ºC < TBS < 20ºC
20ºC < TBS < 25ºC
TBS > 25ºC
Fonte: Arquivo pessoal do autor Fonte: Software SOLAR® 2015 - adapt. pelo autor.

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 45


Conforme a figura anterior se observa que a maior massa de Figura 5.4.2c: Precipitação pluviométrica
30 200
calor se localiza na porção noroeste do quadrante onde os efeitos dos

Precipitação (mm)
Temperatura (ºC)
25 160
raios solares são acumulados durante o dia, as temperatura podem
atingir pontos críticos entre as 10h e 16h que possuem inclinações 20 120

solares maiores. 15 80
Figura 5.4.2b: Análise dos ventos - para Florianópolis
10 40
Velocidade predominante Frequencia de
por direção ocorrência - Ventos

Fonte:INMET/ CFS/ Interpolação

O gráfico anterior demonstra uma quantidade significativa de


chuva nas estações mais quentes do ano, o que condiciona
estratégias a serem tomadas para retardar o impacto de tal
precipitação em curto espaço de tempo.
Estes fatores ambientais servirão como diretrizes, norteando
estratégias para o partido e para o ante projeto a ser desenvolvido.

Fonte: Software SOLAR® 2015 - adaptado pelo autor.


5.5 CONSIDERAÇÕES
Ventos predominantes dos quadrantes sul e sudoeste devem
O terreno apresenta-se praticamente plano, os desníveis
ser mais evitados por ocorrerem no inverno já os ventos do quadrante
maiores acontecem em sua borda e a vegetação arbórea existente
norte e nordeste predominantes no verão podem ser explorados
serão condicionantes importantes para a proposta de anteprojeto,
visando ama ventilação cruzada controlada, já que estes ventos
que também merece atenção para elaboração de diretrizes quanto a
também ocorrem no inverno. hierarquia viária e de transporte e circulação de pessoas e veículos, a
Uma planilha (anexo B) com dados climáticos obtidos com a
fim de minimizar os conflitos identificados, e as novas demandas.
Epagri Ciram - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina
VANTAGENS X DESVANTAGENS
referentes a estação meteorológica de Urussanga-SC demonstram -Característica Institucional e de serviços -Carência de espaços de lazer e integração
existente (centralidade); ao ar livre;
que a umidade relativa do ar possui média de 84,44%, sendo que no -Favorecimento de novos -Falta de coleta e tratamento de esgoto;
empreendimentos no entorno; -Carência de Mobiliário urbano
outono e inverno a umidade é relativamente menor. -Terreno com fácil acessibilidade -Passeios comprometidos ou em
A precipitação pluviométrica é outro fator que merece atenção. (Rodovias). desrespeito a legislação;

ANÁLISE DO ENTORNO URBANO DO TERRENO DA PROPOSTA 46


6. PARTIDO
6 CONCEITO E PARTIDO ARQUITETÔNICO do. O encantamento acontece não mais paralelo a vida cotidiana, mas
é parte e se faz nela.
Tornar edificável algo que tem a pretensão de ser “Casa” de
saber, ensinar, aprender e principalmente propagar, fazendo analogia “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida...” Oscar
ao fogo que envolve e aquece mas que tem como combustível a arte, Wilde (1854-1900).
seja ela como for, não pode ser um objetivo apenas físico e espacial,
Correspondendo na arquitetura as salas de música permanecem
mas extremamente subjetivo.
quase que ocultas, impossibilitando um contato maior. As salas de
Da música se extrai o ritmo, harmonia, compasso, contraponto... teatro e dança criam o primeiro contato visual, podem ser espreitadas
Da arte cênica o drama, comédia, espetáculo... Da dança linguagem e criam um contraponto a vida diária. O espaço para espetáculos
corporal, movimento, encantamento.... Corresponder estas (Sala maior) responde pelo contato mais afinado, as possibilidades de
especificidades de modo a atrair e envolver a comunidade e aliar as compreensão sobre o que realmente é, ou pode ser arte são
disciplinas funcionais da instituição em um edifício que conceituam o despertadas. Após este momento a interação se torna muito
partido deste trabalho. conveniente, acontecendo nos anfiteatros ou em quaisquer espaços
eleitos como adequados pelos usuários onde a apropriação
Deste modo, reconhecendo nossos hábitos regionais (AMUREL)
acontece. O “vírus” da arte é disseminado lenta e gradualmente,
quanto ao envolvimento com ambientes artísticos, se parte de um
como se criasse um círculo vicioso.
pressuposto que a arte precisa ser revelada lentamente. Como quem
abre uma persiana da janela para espiar algo discretamente, e que Não o bastante, a área de educação acadêmica em ensino
depois de um certo tempo sente-se convidado de algum modo a médio, aliada aos alojamentos para estudantes carentes demonstra a
contemplar tudo mais de perto. Eis que a possibilidade de união entre desenvolvimento intelectual e artístico, maior igualdade
compreensão começa a se desenvolver, as interpretações individuais de oportunidades e de desenvolvimento de talentos.
são aguçadas e apenas espreitar já não é o suficiente, é preciso
apreciar mais de perto, com maior conforto e mais possibilidades de
interação para os sentidos corporais. Por fim, após esta interação é a
hora da integração, fazer parte deste mundo de sensações passa a
ser algo possível, o ser e o estar se bastam, o ter já não faz mais senti-

PARTIDO 48
6.1 DIRETRIZES PROJETUAIS O fluxograma a seguir demonstra as relações entre as
atividades desenvolvidas na escola.
Após a análise da área foram definidas as potencialidades e as
Figura 6.2.a: Fluxograma geral
deficiências que a região da AMUREL e do entorno do terreno Legenda:
ENSINO MÉDIO C.V. - Circulações verticais
apresentam. Diante disto, foi identificada a viabilidade para Circulação restrita
Circulação social
implantação de uma escola de teatro dança e música com caráter
A.D.M.
técnico aprovado pelo Ministério da Educação – BRASIL aliada ao C.V. C.V. TEATRO
ensino médio para os jovens. Mostrou também a carência de ESTACIONAMENTO

ambientes adequados para apresentações artísticas, além de uma


baixa relação entre sociedade e as atividades de arte em geral ALMOXARIFADO
ESPAÇO
desenvolvidas na região. MULTIUSO
C.V.
Para tanto, a escola se apóia não só no ensino e formação ALOJAMENTOS
RESTAURANTE
PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO
desses jovens, mas em alavancar uma relação mais profunda entre a
sociedade e o ambiente artístico. DANÇA
C.V.

Outra deficiência identificada no entorno do terreno é quanto as


áreas de recreação esportiva, estar e contemplação em contato com MÚSICA
SALA DE ESPETÁCULOS
a natureza, para isto a proposta apresenta espaços adequados para
estas práticas salutares, que se agregaram ao programa. Fonte: Elaborado pelo autor - 2015
Figura 6.2.b: Zoneamento esquemático das intenções
O zoneamento esquemático representa algumas das diretrizes
N
citadas anteriormente:
Passeios
Área de livre acesso a comunidade (centro multiuso) Acessos
Salas de Teatro voltadas para o passeio Canteiros elevados criam uma divisão
entre a via de transito de veículos e os
Salas de Dança voltadas para o passeio Acessos pelo passeios, gerando maior sensação de
Restaurante / Café voltados para o passeio nível da praça segurança e conforto aos pedestres
a cobertura
e para o centro multiuso jardim que oferece
Centro de informações e bilheteria ambiente de
estar aliado a
Biblioteca / discoteca pública natureza
Circulações verticais acessísveis
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 49
Figura 6.2.c: Primeiros estudos 6.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ
DIMENSIONAMENTO
A seguir, o programa de necessidades e o pré dimensionamento
são discriminado pelas áreas que compõem a escola :

SETOR Qde. Área UN. (m²) Área TO. (m²)


ADM
Direção geral Sala Direção geral c/ sanitário 1 12 12,00
Tesouraria 1 12 12,00
Direção Direção Ensino Médio 1 12 11,50
Direção Música 1 12 11,50
Direção Teatro 1 12 11,50
Direção Dança 1 12 11,50
Secretaria com sala de espera 1 88 88,00
Departamento de eventos 1 18 18,00
Departamento pessoal 1 12 12,00
Sala de reunião 1 20 20,00
Copa 1 16 16,00
Sanitários San. Masculino c/ ves ário 1 35 35,00
Sanitários San. Feminino c/ ves ário 1 35 35,00
Total 294

Suprimentos
Suprimentos Almoxarifado 1 97 97,00
Oficina de marcenaria e metal 1 60 60,00
Depósito 1 50 50,00
Total 207

Alojamento
Dormitórios para 4 - alunos (sep.
Alunos 12 18 216,00
por sexo)
Dormitórios para 2 - Prof. c/
Professores 4 22 88,00
banheiro
Social Estar 1 140 140,00
Banheiros Masculino 1 32 32,00
Feminino 1 32 32,00
Lavanderia 1 20 20,00
Sala de Orientação / Zelador
Orientação 1 13 13,00
(Fem. e Masc.)
Cozinha 1 13 13,00
Depósito 1 31 31,00
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 Total 585,00

PARTIDO 50
SETOR Qde. Área UN. (m²) Área TO. (m²) Música
Estacionamento Salas de aula Cordas (8 alunos e professor) 2 61 122,00
Estacionamento para veículos - Sopros (8 alunos e professor) 2 61 122,00
Apoio 1 1716 1.716,00
78 vagas Percussão (8 alunos e professor) 2 61 122,00
Depósito garagem 1 45 45,00
Total 1761 Piano (1 aluno e professor) 2 13 26,00

Ensino Médio Teclado (1 aluno e professor) 2 13 26,00


Salas Salas de aula p/ 20 alunos 9 50 450,00 Gaita (1 aluno e professor) 2 13 26,00
Lab. Química 1 50 50,00 Canto e regência (10 alunos e
2 115 230,00
Sala depósito de mat. espor vos 1 15 15,00 professor)
Estúdio de gravação 1 122 122,00
Sanitários San. Masculino 1 30 30,00 Luteria 1 65 65,00
San. Feminino 1 30 30,00 Prá ca individual 8 9 72,00
Complemantar Sala de professores c/ copa 1 40 40,00 Prá ca equipe de grupo 3 35 105,00
Apoio Cozinha 1 125 125,00 Sanitários San. Masculino 1 22 22,00
Refeitório 1 320 320,00 San. Feminino 1 22 22,00
Total 1.060,00 Complemantar Sala de professores com copa 1 70 70,00
Acervo Total 1.152,00
Acervo Biblioteca (livros, Revistas, e Ar gos) 1 710 710,00
Salas de estudos individual 10 5 50,00 Teatro
Salas de estudos grupo 10 15 150,00 Salas Salas de Ensaio 3 104 312,00
Discoteca 1 50 50,00 Sala de Teoria 2 35 70,00
Cabines de audio 10 3 30,00 Camarim Camarim Masculino c/ sanitáro 1 28 28,00
Cabines com computadores 10 3 30,00
Total 1.020,00 Camarim Feminino c/ sanitáro 1 28 28,00

Social
Complemantar Sala de professores com copa 1 80 80,00
Área social Espaço mul uso 1 1956 1.956,00
Sanitários San. Masculino 1 35 35,00 Depósito cenográfico 1 75 75,00
San. Feminino 1 35 35,00 Total 593,00
Sala de Informações 1 16 16,00
Eventos Bilheteria 1 31 31,00 Dança
Sala de espetáculos flexível p/ Salas Salas de Ensaio 3 104 312,00
Eventos 1 592 592,00
439 espectadores Sala de Teoria 1 35 35,00
Eventos Camarim individual 4 10 40,00
Ves ários Ves ário Masculino c/ sanitáro 1 36 36,00
Eventos Camarim cole vo 2 20 40,00
Sala de ensaio 1 128 128,00
Ves ário Feminino c/ sanitáro 1 35 35,00
Deposito cenográfico 1 31 31,00
San. Masculino - sala de
1 23 23,00 Complemantar Sala de professores c/ copa 1 70 70,00
espetáculos
San. Feminino - sala de Depósito coreográfico 1 65 65,00
1 29 29,00
espetáculos Total 553,00
Alimentação Café bar 1 23 23,00
Restaurante / praça de 1 252 252,00 ÁREA TOTAL 10.456,00
Total 3231

PARTIDO 51
6.3 ZONEAMENTO FUNCIONAL Paralelo as vias coletoras (considera-se também a via Augusto
Hulse coletora para a proposta) estão dispostas as salas de teatro e
Orientado principalmente pelo conceito da proposta, a
dança, constituindo uma primeira interação com as pessoas que
disposição funcional do edifício acontece da seguinte forma:
Figura 6.3.a: Zoneamento funcional por níveis transitam por essas vias. Também neste contexto, a praça de
alimentação locada a sudeste e próximo de um dos acessos também
Legenda:
ÁREAS FUNCIONAIS ocupa parcialmente este espaço de transito de pessoas, se propondo
ÁREAS SOCIAIS a criar uma animação e maior permanência das pessoas no local,
ÁREAS DE SERVIÇOS
fortalecendo os vínculos criados com o restante do edifício.
ÁREAS DE CIRCULAÇÃO
As salas de música por questões acústicas ocupa um espaço
discreto, acessível apenas por circulações verticais ou pelo
estacionamento.
A biblioteca e a discoteca pública situam-se no nível do grande
espaço multiuso, a fim de servir também como âncora a edificação,
VI
AL
intensificando a permanência e a circulação de pessoas.
UI
ZP
ED
RO
DE
O nível seguinte abriga os setores administrativos da instituição,
OL
IV
EI
RA um pátio coberto com espaços para jogos para os estudantes. Além
LS
E da grande sala de espetáculos e suas salas de apoio, e o primeiro
HU RT
O
ST U
GU EN
CO nível dos alojamentos estudantis e de professores.
AU VI
AJ BIT
VIA OR UE
L
GE
LA EL
MI
G O último nível abriga as salas de ensino médio, o refeitório e a
CE AN
O N
RD
A VIAM cozinha. Neste nível também estão dispostos o restante dos
Nível 1 - Composto pelas salas de teatro e dança acessíveis pelas vias Manoel Miguel B. e alojamentos estudantis e de professores, além de salas de apoio e
Augusto Hulse. Salas de música Estacionamento e o restaurante completam o nível. estar.
Nível 2 - Composto principalmente pelo espaço multiuso e pela biblioteca, além do mezanino
Do nível do setor administrativo, utilizando a circulação vertical
da praça de alimentação do restaurante.
Nível 3 - Compreende os setores administrativos, a sala de espetáculos e o primeiro andar social é possível acessar as rampas que possibilitam o acesso
do alojamento de estudantes e professores. democrático as coberturas das salas de dança e teatro que são
Nível 4 - Abriga as salas de ensino médio, salas de apoio a sala de espetáculos e
cobertas com jardim, criando um espaço verde e natural, que também
o segundo andar do alojamento de estudantes e professores.
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 pode ser acessado pelo nível do espaço multiuso e da praça sul.

PARTIDO 52
6.4 ACESSO E CIRCULAÇÕES

Os acessos se distribuem pelas faces do edifício, de acordo com suas características. Pela face nordeste através via local Luís Pedro de
Oliveira, próximos de paradas de ônibus de transporte de estudantes e visitantes, pedestres são conduzidos atravessando a praça e depois
caminhando entre pilotis que suportam uma grande laje dos alojamentos e da grande sala de espetáculos podem chegar ao grande espaço
multiuso, que serve de Foyer, espaço de apresentação e integração com a arte.
Outros dois acessos também para pedestres estão dispostos nas fachadas sudeste e noroeste, ambos advêm das vias coletoras paralelas
ao edifício, estando próximos de paradas de ônibus do transporte coletivo circular, encaminham as pessoas ao grande espaço multiuso. Este que
dá acesso a biblioteca, sanitários e a praça de alimentação, além de quatro circulações verticais, sendo:
O Principal – integra o espaço multiuso aos níveis do estacionamento, das salas de teatro, da administração e do ensino médio;
O das Salas de espetáculo – integra o espaço multiuso a grande sala de espetáculos e as salas de música e dança;
O do alojamento - Restrito integra o espaço multiuso aos dormitórios estudantil e de professores.
O de servidores e serviços – Restrito integra o espaço multiuso ao nível do almoxarifado, das oficinas, do estacionamento, do administrativo
e da cozinha (Ensino Médio).
Por fim, a sudoeste, perpendicular à via local Jorge Lacerda estão dispostos os acessos ao estacionamento e ao almoxarifado.
N
Figura 6.4.a: Nível -0,50m
SIMBOLOGIA 21. COZINHA 01 01 02 03 04 04 04 05
22. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO 06 06
1. SALA TEORIA - TEATRO
2. CAMARIM F. C/ SANITÁRIO
23. SANITÁRIO M. 0,00 -0,50 e -0,50

24. SANITÁRIO F.
3. CAMARIM M. C/ SANITÁRIO
25. SALA DE DANÇA
4. SALA DE DANÇA 08 Salas de música receberão
26. SALA DE TEORIA DANÇA 11 iluminação zenital através
5. ESTÚDIO DE GRAVAÇÃO -0,50 07 07
6. SALA DE CORDAS
27. VESTIÁRIO M. C/ -0,50 09 de claraboias e ventilação
forçada através de dutos
7. SALA DE PERCUÇÃO
SANITÁRIO 10 10 e que captam o ar (através
8. SANITÁRIO F.
28. VESTIÁRIO F. C/ 10 10
SANITÁRIO 29 serpentinas imersas no
9. SANITÁRIO M. 10
12 11 espelho d'água) vindo da
10. SALA DE ESTUDO INDIVIDUAL
29. ESTACIONAMENTO 10 10 10 rua a nordeste.
11. SALA DE SOPRO
PROJEÇÃO DA
13
B B’
12. SALA DE PROFESSORES 13 58
CLARABÓIA 58

MÚSICA
14
13. SALA DE PIANO 16 16
Acesso Social 14

57
A’
14. SALA DE TECLADO
15. SALA DE GAITA (SANFONA) Acesso ao 20 18 17 15 17 17

Rampa
I=8,3%
estacionamento 19 15
16. SALA DE CANTO / REGÊNCIA / 23 24
ORQUESTRA
Rampa
I=8,3% e
Acesso almoxarifado 21 27
17. SALA DE ESTUDO EM GRUPO 22 25 25 25 26 ESCALA GRÁFICA EM METROS
18. LUTERIA +0,50
+0,95 28 2,5 5
e Saídas de emergência / Ventilação
0 15
57
+0,90 A

PARTIDO 53
O nível da implantação é um dos principais do edifício, é o que irá promover a integração referida no conceito deste trabalho. Caracterizado
principalmente pelo espaço multiuso, pretende receber e dar condições para que as pessoas se apropriem dos espaços. Idealizado para receber
exposições, oficinas de arte em geral, áreas de estar com mobiliários projetados exclusivamente para o lugar possibilitarão a modulação de
diferentes espaços. Figura 6.4.b: Nível +3,50m
N
SIMBOLOGIA

1. ACESSO PRINCIPAL
2. PRAÇA / ANFITEATRO 0,00
3. QUADRA POLIESPORTIVA Rua Augusto Hulse
4. ACESSO AO ALOJAMENTO
5. ACESSO A SALA DE ESPETÁCULOS
6. ACESSO SALAS DE MÚSICA/ DANÇA +1,90
0,10
Rua Jorge Lacerda
7. DEPÓSITO
28 +0,90 23
8. BILHETERIA 29
+3,50 +3,50
9. INFORMAÇÕES
10. ESPAÇO MULTIUSO 13 14

Rua Luiz Pedro de Oliveira


11. BIBLIOTECA / DISCOTECA 15 15 01
15
12. SANITÁRIOS
13. SALA DE PROFESSORES / TEATRO 02
14. DEPÓSITO CENOGRÁFICO
27 27
15. OBSERVATÓRIO - PROFESSORES
Rampa
16. MEZANINO PRAÇA DE I=5%
05
+3,50
ALIMENTAÇÃO 11
17. DEPÓSITO COREOGRÁFICO +3,50 09 04
10
18. SALA DE PROFESSORES / DANÇA 07
19. ACADEMIA AO AR LIVRE
01
26 B
08
20. ACESSO AO JARDIM DA 12 58 B’A’
11
58
COBERTURA 01
+3,50
21. PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO/ ESTAR - 12 Rampa +2,10
I=5%
EXTERNO

57
A’
22. ACESSO VIA MANOEL MIGUEL 25
23. BICICLETÁRIO
+1,20
24. ACESSO AS SALAS DE DANÇA +3,50 01
15 15 15 +3,50
25. ACESSO ALMOXARIFADO (CARGA E 20 03
16
DESCARGA) 17 18
26. ACESSO AO ESTACIONAMENTO 19
27. EMBARQUE DESEMBARQUE 22 +0,90 24
28. ACESSO AS SALAS DE TEATRO 21 Rampa
29. ACESSO VIA AUGUSTO HULSE +0,60 23 01 I=5%

PARADA DE ÔNIBUS CIRCULAR +1,70

Rua Manoel Miguel Bittencourt


PARADA DE ÔNIBUS ESTUDANTES
57
A

/ VISITANTES
ESCALA GRÁFICA EM METROS
ACESSO SOCIAL 2,5 5 30
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 0 15

PARTIDO 54
O pátio coberto que abriga os jogos de mesa possibilitam a prática da disciplina de educação física em dias
chuvosos e serve de espaço para as interações entre os estudantes durante os intervalos, contando ainda com um
ambiente de estar ao ar livre. O pátio tem aberturas de vidro para as orientações nordeste, noroeste e sudoeste e
conta com boa ventilação cruzada e a possibilidade de barrar os ventos do quadrante sul no inverno.
SIMBOLOGIA O setor administrativo conta com aberturas a nordeste, sudoeste (que contam com brises) havendo boa
1. PÁTIO COBERTO / ESPAÇO P/ JOGOS ventilação cruzada e iluminação natural para os ambientes.
DE MESA / EDUCAÇÃO FÍSICA
2. DIREÇÃO GERAL (COM SANITÁRIO
Neste nível também é possível acessar as coberturas jardins das salas de dança e teatro, através de
EXC.) passarelas que ligam estes locais a circulação vertical principal.
3. SALA DE REUNIÕES
4. SALA DE PROFESSORES - ENSINO Figura 6.4.c: Nível +7,50m N
MÉDIO
5. SALA DE ESPERA / ESTAR /
RECEPÇÃO
+8,50
6. SECRETARIA
7. DEPARTAMENTO PESSOAL
8. TESOURARIA 23
32
9. ESTAR A.D.M. 33
10. ESTAR A.D.M. EXTERNO Rampa 24
01 I=4% 34
11. ESTAR ENSINO MÉDIO - EXTERNO 11 31
12. DEPARTAMENTO DE EVENTOS +7,50 34
13. DIREÇÃO DE MÚSICA
14. DIREÇÃO DE TEATRO 22 34
15. DIREÇÃO DE DANÇA 02 03 04 34
+7,50
16. DIREÇÃO DE ENSINO MÉDIO 05 B B’
10 09 08 07 58
34 11
58
17. SANITÁRIO F.
18. VESTIÁRIO F. 12 +7,50 25 30
06 34
19. SANITÁRIO M. 13 14 17 18 26 29

57
A’
20. VESTIÁRIO M. 33
15 16 19 21 27
21. COPA 20 28
22. SALA DE ESPETÁCULOS
+7,5 0
23. CAMARINS INDIVIDUAIS
24. CAMARINS COLETIVOS
25. CAFÉ / BAR
26. SANITÁRIO M.
ESCALA GRÁFICA EM METROS
27. SANITÁRIO F. 2,5 5

57
28. LAVANDERIA
A
29. COZINHA 0 15
30. ORIENTAÇÃO / ZELADOR
31. DEPÓSITO
32. SANITÁRIO F.

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 55
Figura 6.4.d: Níveis +11,00 e +10,50m

Os dormitórios de estudantes visam receber aqueles adolescentes em risco social ou que não teriam seu N
SIMBOLOGIA
direito de estudar assegurado pela família. O de professores visa receber principalmente aqueles profissionais
1. SALA DE AULA ENSINO MÉDIO
2. SANITÁRIO F. que a região não dispõe e que lecionam na escola em alguns dias da semana. Ambos foram orientados com as
3. SANITÁRIO M.
4. COZINHA aberturas voltadas para nordeste, promovendo uma iluminação e ventilação mais confortáveis. Além desta
5. LABORATÓRIO DE QUÍMICA
vantagem, todos os dormitórios têm a possibilidade de contemplar toda praça de acesso à escola, favorecendo
6. REFEITÓRIO
7. CABINE DE SOM E LUZ os estudantes e professores e também quem permanece ou transita pela praça, que pode contar com mais olhos
8. ESTAR ESTUDANTES
9. SALA DE ENSAIOS
voltados para o ambiente, contribuindo para segurança do local.
10. DEPÓSITO CENOGRAFIA /
COREOGRAFIA
11. SANITÁRIO M. 01 01 01 01 +10,50
11 12
12. ALOJAMENTO PROFESSORES
13. ALOJAMENTO ESTUDANTES 09
01 13
01 +11,00
10
13
06
01 13

A
13 A’
58 58
05
02 13
01 +10,50
03 13

57
B’
08
04 01 12
07

57
B
As salas de aula são dispostas nas faces nordeste, noroeste e sudoeste. As salas com aberturas orientadas para o nordeste recebem proteção
contra raios solares, e as aberturas horizontais se movem em um eixo vertical também podendo bloquear os raios solares matutinos. As salas a
noroeste recebem uma fachada ventilada, com brise metálico que reduz a incidência direta dos raios solares. Por fim as salas com aberturas
orientadas para o sudoeste, possuem estas aberturas com vidro duplo insulado e brises verticais móveis, favorecendo o conforto ambiental nas
diferentes estações do ano. Todas as salas de aula possuem sheds de ventilação e iluminação na cobertura que possibilitam a ventilação cruzada.
O refeitório, locado no centro das salas de aula também possui sheds de ventilação e iluminação com controle móvel das aberturas promovendo
maior conforto ambiental.
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 56
6.5 DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA

Vegetação arbórea existente é intensificada com a Cobertura jardim nas salas de dança e teatro criam
implantação de novas espécies. ambientes confortáveis que favorecem a apropriação,
Cria-se um canteiro entre a via de trânsito de veículos e o além de permitirem integração visual com o ambiente
Figura 6.5.a: Corte AA’
passeio, promovendo maior sensação de segurança para urbano e com o interior do espaço multiuso.
que transita pelos passeios. Corte - vitral que protege o espaço
multiuso recebera tema artístico
detalhado no anteprojeto

Estrutura superior
para Contrarregra. Mobiliário modular - uma das
opções representada

Observatório de
professores Duto de
sucção +3,50 Espaço Multiuso
Via coletora Brises
Manoel Miguel Bittencourt
Ventilação cruzada Forro técnico

+0,90
+0,50 +0,50
-0,50 Estacionamento

Passeio Sala estudos em Duto de ventilação


Dutos
Ciclofaixa Sala de Dança grupo-Música ESCALA GRÁFICA EM METROS
Degrau / platéia técnicos 2,5 5
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015
0
A possibilidade do primeiro contato com a arte descrita Salas de música
no conceito da proposta acontece com a interação visual de Clarabóias fornecem iluminação indireta e a ventilação forçada
quem transita pelo passeio. O pedestre é surpreendido com (ar captado na face nordeste) mantém pressão positiva no interior
aberturas nos brises que possibilitam a apreciação dos dos ambientes, o ar externo entra nos ambientes mais próximo ao
piso e o ar aquecido é captado por dutos de sucção localizados
ensaios, e até mesmo o acesso às salas podendo interagir
próximo ao forro acústico mantendo constante a circulação de ar.
com as atividades.

PARTIDO 57
Figura 6.5.b: Corte BB’

Brises móveis protegem contra


Duto de irradiação solar indesejada
Alojamentos
sucção
Ventilação cruzada

+10,50
Ante-sala de
Mobiliário modular - uma das Sala de espetáculos espetáculos
opções representada +7,50 +7,50

Praça de
Acesso acesso
Espaço Multiuso +3,50 Alojamentos nordeste

Estacionamento S. Música
-0,50

Brita
Grade de malha xadrez permite trânsito de Duto de
pessoas e cadeirantes e a iluminação e ventilação Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 Duto de ventilação
sucção 5 ESCALA GRÁFICA EM METROS 10
do estacionamento e de salas de música.
0
Clarabóias permitem a iluminação e a ventilação
No sistema de ventilação forçada o ar captado na face
cruzada no ambiente de acesso a sala de espetáculos,
conferindo mais conforto ambiental para quem permanece nordeste é encaminhado por serpentinas submersas na água que

no Bar/ Café. reduzem sua temperatura, e são direcionados ao interior das salas
O mesmo acontece com a sala de estar do alojamento, de música pela parte inferior. O sistema se completa com os dutos
que também conta com uma clarabóia, facilitando a de sucção na parte superior, que encaminham o ar mais aquecido
ventilação cruzada através da janela na face nordeste. para o exterior da edificação. O sistema não pretende substituir
integralmente a utilização de um sistema de ar-condicionado
convencional, apenas reduzir sua utilização em determinadas
estações do ano ou períodos do dia.

PARTIDO 58
Para atender a diversidade de espetáculos que poderão Figura 6.5.d: modos de alternar o ambiente

acontecer e visando receber os espectadores com o maior conforto a


proposta é criar uma sala onde a plateia se divida em três módulos,
um deles, o maior pode alternar sua altura através de elevadores
elétricos e um palco modular pode ser sobreposto liberando espaço
para que outros dois módulos de plateia (suportadas por rodízios)
possam ser manobrados a fim de adaptar a sala para espetáculos Esquema de montagem tipo arena, uso integral dos assentos.
com necessidades e demandas distintas. Além disso, os refletores
acústicos superiores são suspensos por cabos fixos em uma
estrutura corrediça que permite a alternância de suas posições. Os
refletores das paredes são divididos em partes, a fixados na parede
por um eixo vertical (como portas com superfícies de um lado
refletoras e do outro absorvedoras acústicas) possibilitando o seu
rebatimento. Complementando as estratégias, cortinas absorvedoras Esquema de montagem com metade da capacidade e palco no centro
acústicas suspensas por cabos são dispostas diferentemente para
cada modo de adaptação da sala, assim como painéis refletores
acústicos móveis para o fundo do palco.
Figura 6.5.c: Sala de espetáculos

Esquema de montagem com metade da capacidade e palco no fundo

Platéia móvel
verticalmente
Esquema de montagem com capacidade integral e palco no fundo
Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 59
O espaço multiuso locado no centro do edifício será equivalente além de outros espetáculos com companhias externas que podem
ao coração da instituição. Este espaço foi projetado seguindo os ser tidos. Simultaneamente o espaço é ocupado por outras pessoas
princípios do conceito da proposta, responsável pela integração que que apenas permanecem e observam a animação do espaço, para
procede da interação que acontece nas salas de teatro e dança. isto mobiliários projetados exclusivamente para a escola facilitam a
O espaço é coberto com uma estrutura que filtra os raios solares, apropriação dos espaços de maneira mais confortável.
mas permite que alguns atravessem a estrutura que é vedada com Esta flexibilidade na montagem de distintos espaços visa
policarbonato 70% translúcido em uma parte e em outra é coberto manter o edifício em extrema animação, todos os dias da semana. O
pela laje da sala de espetáculos e dos alojamentos. uso do espaço edificado público é otimizado já que ao atender
O piso de concreto alisado e com aspecto frio contrasta com os diversos programas pode ter mais horas de uso, tornando positiva a
módulos de 1(m) por 2 (m) por 0,5 (m) que possuem a superfície relação de custo e benefício.
Figura 6.5.e: Modelos de disposição Espaço Multiuso
superior composta por assoalho de madeira e possibilita que uma
acessos

N
diversidade de ambientes seja criada. Complementando esta s. de teatro

flexibilidade funcional, paredes também modulares compostas por biblio.

acessos
bilheteria
cvs
estrutura metálica vedadas com painéis de madeira são facilmente
dispostas entre os módulos de base, formando salas que servem para restau. s. de dança Oficinas montadas no centro do espaço
acessadas por rampas
oficinas de fotografia, artes plásticas, arte digital ou qualquer outra
acessos
atividade relacionada ao ambiente artístico. Exposições também s. de teatro

N
podem acontecer neste espaço que é compreendido desde a rampa biblio.

acessos
bilheteria
de acesso na face nordeste até a biblioteca e entre as salas de dança cvs

e teatro, sendo acessado por estes lados por circulações verticais restau. s. de dança
Palco montado no centro do espaço
acessíveis a todas as pessoas. e arquibancadas acessadas por rampas

acessos
A proposta é receber não só alunos de escolas de toda região
s. de teatro

N
criando nestas crianças um vínculo com a arte desde muito cedo, mas
biblio.

acessos
bilheteria
também idosos vinculados aos diversos clubes de bairro, cvs

possibilitando disfrutar da programação da instituição todos os dias da


restau. s. de dança Palco vira pista de dança de dança centro
semana. As diversas modalidades de ensino da instituição se do espaço e arquibancadas são acessadas por
rampas
encarregariam de manter uma grade de apresentações programadas, Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 60
A volumetria da edificação é reflexo principalmente das estratégias de bioclimáticas. Mas não só isso, as linhas sinuosas foram pensadas
para criar ritmo e caracterizar a arquitetura com a função do edifício.
Nas fachadas sudoeste e noroeste surgem volumes ascendentes, compostos por uma cobertura de jardim acessível a todos, seja pelo nível
da praça, seja utilizando a circulação vertical e posteriormente as rampas de acesso.
Nas fachadas das salas de teatro e dança os brises são interrompidos como que por uma flexão criando aberturas que possibilitam a
interação visual das salas de teatro e dança, que constituem parte do conceito deste projeto.
Na fachada sudoeste, brises verticais orientados no eixo norte-sul bloqueiam os raios solares deste quadrante. Cria-se um contraponto
visual, do ângulo oeste o que se observa são dois painéis de brises em que a proposta de anteprojeto irá detalhar com estampa de arte gráfica. Do
ângulo sul é possível observar as aberturas destes níveis, que são vedadas com vidro duplo insulado, possibilitando uma interação visual tanto de
dentro para fora como da rua para o interior do edifício.
A fachada nordeste, voltada para a praça é apresentada pela disposição dos dormitórios do alojamento que se destacam de um outro
volume mais ao fundo, este que fica afastado lateralmente das salas de dança e teatro apenas 0,5m, transmitindo equilíbrio.
Figura 6.5.d: Perspectiva superior da volumetria Figura 6.5.E: Perspectiva nordeste

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 61
Figura 6.5.h: Perspectiva superior noroeste
Figura 6.5.f: Perspectiva noroeste

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 Fonte: Elaborado pelo autor - 2015
Figura 6.5.g: Perspectiva sul Figura 6.5.i: Perspectiva superior norte

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015 Figura 6.5.d: Perspectiva leste Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

Fonte: Elaborado pelo autor - 2015

PARTIDO 62
6.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de desenvolvimento deste trabalho permitiu uma
compreensão mais ampla a respeito da relação entre o ensino de arte
e a educação escolar no Brasil. Somado a análise da área que
identificou potencialidades como boa infraestrutura de serviços
públicos, proximidade com vias arteriais e rodovias intermunicipais,
características institucionais fortes e a possibilidade de maior
densificação populacional da área da proposta e deficiências como
falta de áreas de estar e recreação públicas, de locais adequados
para prática, apresentação e ensino público de modalidades artísticas
vieram a justificar a concepção da proposta de uma escola de ensino
médio, ensino técnico de teatro dança e música regional (AMUREL).
As referências projetuais contribuíram com estratégias e modos
de desenvolver e qualificar a arquitetura relacionadas ao conforto
ambiental, relacionamento com o ambiente urbano e valorização dos
espaços públicos.
O estudo de caso possibilitou presenciar por um dia as diversas
relações e apropriações que podem ocorrer em espaços
democráticos, acessíveis e bem articulados.
A proposta de partido é reflexo de todas estas propriedades,
focada na interação e integração da comunidade com o mundo
artístico, criando espaços acessíveis que instigam a curiosidade das
pessoas propondo a criação de vínculos com o espaço projetado. Ela
reflete também as intenções sociais através do ensino democrático.
As intenções apresentadas no partido serão mais aprofundadas
e detalhadas na proposta de anteprojeto para disciplina TFG II.

PARTIDO 63
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determinar-um-bom-espaco-publico>

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http://fauufpa.org/2011/06/07/nanyang-technological-university-
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“Ice sledding down the ADM building in NTU” – vídeo


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“Instrução normativa 09 - CBM-SC” Disponível


emhttp://www.cbm.sc.gov.br/dat/images/arquivo_pdf/IN/IN_29_06_2
014/IN_09.pdf>- Acessado em 20 de Maio de 2015

REFERÊNCIAIS 65
ANEXO A - modelo de questionário feito com professores de
diversas modalidades de ensino artístico e instituições de ensino
estaduais da região da AMUREL.

ANEXOS 66
ANEXO B - planilha de dados climáticos dos ultimos cinco anos -
estação Urussanga - SC

ANEXOS 00
67

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