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24/04/2020 AVA UNINOVE

Teorias de currículo: contextos e


teóricos fundamentais dos períodos
tradicional, crítico e pós-crítico
APRESENTAR E DISCUTIR AS TEORIAS CURRICULARES TRADICIONAL, CRÍTICA E PÓS-CRÍTICA, SEUS
PRINCIPAIS CONCEITOS E OS AUTORES QUE AS FUNDAMENTAM.

AUTOR(A): PROF. MARIA DO SOCORRO TAURINO

Tomaz Tadeu da Silva no clássico livro “ Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo”

(2007), ao buscar explicar o que é uma teoria do currículo nos coloca uma questão crucial ao afirmar que

antes de buscarmos entender o que é uma teoria, devemos entender o objeto que precede esta teoria, e este
objeto é o currículo. O currículo pode ser entendido como campo de estudos e conhecimentos que objetiva

problematizar como se processa a educação na sociedade. As teorias são tentativas de compreendermos as


ideologias impostas pela a sociedade e como estas são produzidas ou reproduzidas na formação escolar.  

Para Tomaz Tadeu da Silva (2007, p.17):

(...) uma teoria define-se pelos conceitos que utiliza para conceber a realidade. Os

conceitos de uma teoria dirigem nossa atenção para certas coisas que sem elas não

veríamos. Os conceitos de uma teoria organizam e estruturam nossa forma de ver a


realidade.
(SILVA, 2007, P.17)

O termo currículo surge para designar um determinado campo de estudo dentro da educação escolar, esta
designação foi se tornando cada vez mais necessária a partir do momento em que a educação escolar de

massa foi institucionalizando-se como uma maneira de formatar a identidade nacional de um país. Os
estudos sobre currículo nascem nos Estados Unidos da América “como um campo profissional e
especializado” (SILVA, 2007, P. 22).

AS TEORIAS DO CURRíCULO SE DIVIDEM EM


TRADICIONAL, CRíTICA E PóS-CRíTICA.

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TEORIAS TRADICIONAIS TEORIAS CRÍTICAS TEORIAS PÓS-CRÍTICAS

ENSINO IDEOLOGIA IDENTIDADE, ALTERIDADE,

APRENDIZAGEM REPRODUÇÃO CULTURAL E DIFERENÇA SUBJETIVIDADE


AVALIAÇÃO SOCIAL SIGNIFICAÇÃO E DISCURSO
METODOLOGIA PODER SABER-PODER
DIDÁTICA CLASSE SOCIAL REPRESENTAÇÃO

ORGANIZAÇÃO CAPITALISMO CULTURA


PLANEJAMENTO RELAÇÕES SOCIAIS DE GÊNERO, RAÇA, ETNIA,
EFICIÊNCIA PRODUÇÃO SEXUALIDADE

OBJETIVOS CONSCIENTIZAÇÃO MULTICULTURALISMO


EMANCIPAÇÃO E LIBERTAÇÃO
CURRÍCULO OCULTO
RESISTÊNCIA

Fonte: (Silva, 2007. p. 17)

 Teoria Tradicional
Em 1918 foi escrito por Bobbit o livro considerado um marco no estabelecimento do campo de currículo nos
Estados Unidos da América, que se chamava “O Currículo”. Escrito em um momento que diferentes forças

econômicas, culturais e políticas buscavam pensar formas de estruturar a educação de massa. Não se tinha
ainda um projeto definido para a educação popular, pois, a educação escolar até o final do século XIX era
privilégio de uma pequena parcela da sociedade, mas, com todas novas demandas, grandes levas de
imigração para os Estados Unidos, a industrialização e a necessidade de preparar mão de obra para um país
em franca ascensão econômica, a escola foi tornando-se o local de passagem obrigatório da grande massa
que iria trabalhar na indústria. Foi-se então colocando questões como:
- Qual é o objetivo da educação escolar?

- Formar que tipo de trabalhador? Voltado para atividades especializadas nas fábricas ou uma formação
mais acadêmica?
- A educação escolar deverá ser diferenciada por classe social?

As respostas de Bobbit eram claramente conservadoras, embora sua intervenção buscasse


transformar radicalmente o sistema educacional. Bobbit propunha que a escola
funcionasse da mesma forma que qualquer outra empresa comercial ou industrial. Tal
como uma indústria, Bobbit queria que o sistema educacional fosse capaz de especificar
precisamente que resultados pretendiam obter, que pudesse estabelecer métodos para
obtê-los de forma precisa e formas de mensuração que permitisse saber com precisão se

eles foram realmente alcançados. 

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(SILVA, 2007, P.23)

Para Bobbit, o modelo educacional deveria atender ao sistema econômico, devendo estabelecer objetivos
baseados nas habilidades necessárias para que as pessoas pudessem exercer com eficiência o trabalho nas
fábricas na vida adulta. A palavra eficiência era chave em toda sua teoria, associando o sistema educacional
a qualquer outra empresa capitalista. “Bobbit queria transferir para a escola o modelo de organização
proposta por Frederick Taylor. Na proposta de Bobbit, a educação deveria funcionar de acordo com
princípios da administração científica propostas por Taylor” (SILVA, 2007, p. 23).
 

Legenda: TEóRICOS TRADICIONAIS

Ralph Tyler em 1949 escreveu um livro que influenciou e consolidou as teorias de currículo por quase todo

o século XX, para o autor, o currículo era uma questão técnica, o desenvolvimento do currículo deveria
responder as seguintes questões (Silva, 2007)
- Que objetivos educacionais devem a escola procurar atingir?
- Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses

propósitos?

- Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?


- Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados? (SILVA, 2007)

"As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional, sendo elas:
currículo, ensino e instrução e avaliação" (SILVA, 2007, p. 27). Suas teorias permaneceram por décadas como

modelos e currículo, e tiveram influências em vários países, incluindo o Brasil, a partir da década de 70 as
teorias tradicionais começam a ser questionada e inicia um novo movimento teórico, a teoria crítica.

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Teoria Crítica
As teorias críticas do currículo questionam o papel da escola enquanto espaço de preparar o sujeito para o

trabalho e para a perpetuação dos valores capitalistas. Ao contrario dos teóricos tradicionais que não
estavam preocupados em questionar os valores capitalistas e como a escola funcionava como espaço para

formatar o indivíduo para viver estes valores, os teóricos críticos começaram a problematizar a utilização
da escola na implementação das ideologias dominantes.

Os principais autores destas teorias foram: Paulo Freire, Louis Althusser, Pierre Bourdieu e Jean-Claude

Passeron, Baudelot e Establet, Basil Berstein, Michael Young, Samuel Bowles e Herbert Gintis, Willian Pinar
e Madeleine Grumet e Michael Apple. (Silva, 2007)

Estes teóricos afirmam que nenhum conhecimento é neutro, e que tudo o que a escola elege como
conhecimento esta fundamentando em relações de poder. A organização do conhecimento em disciplinas

escolares reproduz o saber validado por determinados grupos sociais, gerando a desigualdade social,
gerando evasão escolar. A escola é vista como um espaço de reprodução social e implementação da

ideologia dominante.

Teorias pós-críticas
A partir da década de 70 do século XX começam a emergir as teorias curriculares pós-críticas, sob forte

influência dos ideais multiculturais, que buscavam compreender as relações sociais para além da escola, e
como a escola ao selecionar os conhecimentos válidos reforçava e reforça a cultura dominante.

As teorias pós-críticas trazem um olhar que oportunizam voz a grupos sociais historicamente
subordinados, como as mulheres, os negros, os(as) homossexuais, que começaram a questionar os padrões

de comportamentos criados pela sociedade e como estes padrões são mantidos e valorizados pelo currículo
escolar. Realizando estudos que iriam apontar que a valorização de determinados padrões comportamentais

e culturais, impostos por grupos que se colocam como dominantes geram a violência e o preconceito.

Algumas das grandes discussões provocadas pelas teorias pós-críticas foram:


- relações de gênero e a pedagogia feminista;

- Relações étnico-raciais;
- Teoria Queer;

- Cultura e multiculturalismo;
As teorias críticas e pós-criticas fazem severos questionamentos às teorias tradicionais, afirmando que o

currículo escolar é uma questão de identidade, saber e poder. E que qualquer escolha realizada pela

instituição escolar é uma relação de poder.

TEXTO DE APROFUNDAMENTO!!!
O artigo “TEORIA DO CURRÍCULO: O QUE É E POR QUE É IMPORTANTE” de MICHAEL YOUNG nos
proporciona um necessário aprofundamento sobre as teorias tradicionais, críticas e pós-críticas.

Entre no endereço: http://www.scielo.br/pdf/cp/v44n151/10.pdf

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(http://www.scielo.br/pdf/cp/v44n151/10.pdf ) e leia com atenção este texto.

ATIVIDADE

Em 1918 foi escrito por Bobbit o livro considerado um marco no

estabelecimento do campo de currículo nos Estados Unidos da América,

como se chamava este livro?

A. O Currículo

B. Currículo e cultura

C. Currículo e poder 

ATIVIDADE

A partir da década de 70 do século XX começam a emergir as teorias

curriculares pós-críticas, sob forte influência de quais ideais?

A.  Ideais tecnicistas
B. Ideais multiculturais

C. Ideais europeus

ATIVIDADE

As teorias críticas e pós-criticas fazem severos questionamentos às

teorias tradicionais, afirmando que:

A. O currículo escolar deve se preocupar com as hogemônicas.

B. As teorias críticas e pós-criticas questionam a liberdade proposta pela


teoria tradicional.

C. O currículo escolar é uma questão de identidade, saber e poder.

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