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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA FEDERAL DA

COMARCA DE RIO BRANCO, ACRE.

Protocolo nº
Requerente: Tilde Seguros Ltda
Requerido: União/Fazenda Nacinal

TILDE SEGUROS LTDA , já qualificada nos autos da Ação Aulatória com


pedido de antecipação de tutela, conforme processo em epígrafe, que move
em face da FAZENDA NACIONAL, também já qualificada nos autos, vem, por
via de sua procuradora que esta subscreve, não se conformando com a
sentença proferida às fls. XX, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO,
com base nos arts. 1.009 a 1.014, CPC/15, requerendo, na oportunidade, que a
parte recorrida seja intimada para, querendo, ofereça as contrarrazões no
prazo de 15 (quinze) dias e, em ato contínuo, sejam os autos, com as razões
anexas, remetidos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 1° Região para
seu devido processamento e julgamento.

Pede o deferimento.
Rio Branco/ Acre , dia 04 de dezembro de 2021

Advogada
OAB/AC
RAZÕES RECURSAIS

Apelante: TILDE SEGUROS LTDA


Apelada: UNIÃO/ FAZENDA NACINAL
Origem: processo nº XXXXXX, 4ª Vara Federal (Comarca de Rio Branco)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÃMARA.
Eméritos Desembargadores,

I – DOS FATOS
Trata-se de ação de anulatória com antecipação de tutela em que o
autor, ora apelante, requer a anulação do auto de infração, uma vez que foi
autuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois, no entendimento
desta, a empresa não teria recolhido a COFINS do ano de 2014 com a alíquota
majorada (4%) prevista no Art. 18 da Lei nº 10.684/03 e Art. 3º, § 6º e 8º, da Lei
nº 9.718, de 27 de novembro de 1998.
Porém o Art. 3º, § 6º, da Lei nº 9.718/98, indica que tais pessoas
jurídicas que devem recolher a COFINS com alíquota majorada são aquelas
previstas no Art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212/91.
Contudo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil entendeu ser exigível a
alíquota majorada de tal empresa, pois seria qualificada como “sociedades
corretoras” ou ainda como “agentes autônomos de seguros privados e de
crédito”. E ainda no auto de infração, além do lançamento de ofício
suplementar, foi aplicada multa tributária à sociedade apelante.
  A apelante entende que a alíquota de COFINS a ser-lhe aplicada é de
3%, e não aquela majorada para 4%, exatamente como fizeram nos
recolhimentos originais e antecedentes, pois não estaria inserida em nenhuma
das qualificações feitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais,
entende a empresa que, passados tantos anos, a Receita Federal já não
poderia autuá-la, uma vez que está sendo autuada no ano de 2020 por
COFINS estabelecidos pelo plano anual de 2014, e passados 6 (seis) anos a
autuação já se torna decadente, e além disso, a autuação está dificultando sua
atuação profissional, pois necessita obter com urgência Certidões de
Regularidade Fiscal por exigência do órgão regulador a que está submetida.
E mesmo apresentando todos os documentos pertinentes, tais como
comprovante de pagamento da COFINS e documentos que comprovam sua
atividade e natureza de empresa corretora de seguros, bem como indicando a
existência dos recursos repetitivos sobre o tema, o pedido de anulação com
antecipação de tutela foi revogado e a sentença julgada improcedente mesmo
sendo apresentadas todas as provas cabíveis e necessárias para a concessão
procedente da decisão do juízo a quo.
No entanto, como será demonstrado a seguir, a sentença não merece
prosperar, devendo ser reformada.

II. DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE:

O presente recurso é tempestivo pois foi interposto no prazo de 15 dias


contado a partir da intimação nos termos do art. 1003, §5º , bem como
também, segue em anexo a guia das custas recursais, conforme estabelece o
art. 1.007 ambos do CPC.

III – RAZÕES DA REFORMA (OU DA CASSAÇÃO)


A r. sentença proferida pelo juiz a quo na Ação de proposta pela apelante em
face do apelado, na qual teve o seu pedido julgado improcedente, deve ser
modificada in totum, uma vez que a importância reivindicada na inicial traduz-
se em uma obrigação que foi devidamente consolidada pela apelante,
conforme comprovantes em anexo, em que consta o pagamento da COFINS
ora devidos no ano de 2014, com alíquota pertinente a sociedade.
Não obstante, a r. sentença deve ser reformulada pois, ao que corrobora os
institutos estabelecidos em lei, houve decadência tributária, visto que, a
COFINS trata-se de um tributo sujeito a lançamento por homologação, e o
prazo para o Fisco realizar o lançamento suplementar de ofício é de 5 anos
contados da ocorrência do fato gerador, na forma do Art. 150, § 4º, do CTN nos
termos em que preceitua
“Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a
contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda
Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e
definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo,
fraude ou simulação”

, e também da sumula 555 do STJ na qual restará demonstrada in verbis:

“Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial


quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente
na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao
sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa.”

Sendo assim, resta devidamente demonstrada a decadência tributária


requerida pela apelada em face da apelante, uma vez que depois de passados
06 (seis) anos, seria incabível nos termos da lei, dá-lhe cabimento ao
pagamento da COFINS com alíquota majorada, pois o momento de
pronunciamento da apelada sobre ao que pese aos fatos mencionados
anteriormente, deveria ter ocorrido em 5 (cinco) anos contados a partir da
ocorrência do fato gerador, sendo assim, ficando ainda mais evidente a
decadência do fisco.
Vale destacar que as corretoras de seguros não estão previstas no art. 22, §
1º, Lei nº 8.212/91 ao que preceitua
“ No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de
desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e
investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras,
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento
mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de
capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e
entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições
referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois
vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste
artigo”

logo não são consideradas como sociedades corretoras de valores mobiliários,


nem como agentes autônomos de seguros privados e de crédito. Assim, a
majoração da alíquota da COFINS prevista no Art. 18 da Lei nº 10.684/03 não
se aplica às corretoras de seguro, como entendimento firmado pelo STJ no
julgamento do REsp 1.400.28 ora demonstrado a seguir:
“PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO
REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. COFINS.
SOCIEDADES CORRETORAS DE SEGURO E SOCIEDADES
CORRETORAS, DISTRIBUIDORAS DE TÍTULOS E VALORES
MOBILIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 22, § 1º, DA LEI 8.212/91
APLICADO À COFINS POR FORÇA DO ART. 3º, § 6º DA LEI N. 9.718/98 E
ART. 18 DA LEI 10.684/2003. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA (4%) PREVISTA
NO ART. 18 DA LEI 10.684/2003. 1. Não cabe confundir as "sociedades
corretoras de seguros" com as "sociedades corretoras de valores mobiliários"
(regidas pela Resolução BACEN n. 1.655/89) ou com os "agentes autônomos
de seguros privados" (representantes das seguradoras por contrato de
agência). As "sociedades corretoras de seguros" estão fora do rol de
entidades constantes do art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212/91. 2. Precedentes no
sentido da impossibilidade de enquadramento das empresas corretoras de
seguro como sociedades corretoras: 2.1) Primeira Turma: AgRg no AgRg no
REsp 1132346 / PR, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 17/09/2013; AgRg
no AREsp 307943 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
03/09.2013; AgRg no REsp 1251506 / PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
julgado em 01/09/2011; 2.2) Segunda Turma: REsp 396320 / PR, Rel. Min.
Francisco Peçanha Martins, julgado em 16.12.2004. 3. Precedentes no
sentido da impossibilidade de equiparação das empresas corretoras de
seguro aos agentes de seguros privados: 3.1) Primeira Turma: AgRg no
AREsp 441705 / RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
03/06/2014; AgRg no AREsp 341247 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima,
julgado em 22/10/2013; AgRg no AREsp 355485 / RS, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 22/10/2013; AgRg no REsp 1230570 / PR, Rel. Min.
Sérgio Kukina, julgado em 05/09/2013; AgRg no AREsp 307943 / RS, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 03/09/2013; AgRg no REsp 1251506 /
PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 01/09/2011; REsp 989735 /
PR, Rel. Min. Denise Arruda, julgado em 01/12/2009; 3.2) Segunda Turma:
AgRg no AREsp 334240 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
20/08/2013; AgRg no AREsp 426242 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 04/02/2014; EDcl no AgRg no AREsp 350654 / RS, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 10/12/2013; AgRg no AREsp 414371 / RS, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 05/12/2013; AgRg no AREsp 399638 / SC,
Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 26/11/2013; AgRg no AREsp 370921 /
RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 01/10/2013; REsp 1039784 / RS,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 07/05/2009. 4. Precedentes
superados no sentido da possibilidade de enquadramento das empresas
corretoras de seguro como sociedades corretoras: 4.1) Segunda Turma:
AgRg no AgRg no AREsp 333496 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 10.09.2013; AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp 342463/SC, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 26.11.2013; REsp 699905 / RJ, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 05.11.2009; AgRg no REsp 1015383 /
RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19/05/2009; REsp 1104659 / RS,
Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 05/05/2009; REsp 555315/RJ, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, Rel. p/ acórdão Min. Castro Meira, julgado em
21/06/2007. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime
do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08.

(STJ - REsp: 1400287 RS 2013/0191520-9, Relator: Ministro MAURO


CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 22/04/2015, S1 - PRIMEIRA
SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 03/11/2015)

Bem como, também é instituído pela súmula 584 do STJ, nos termos em que
preceitua

“As sociedades corretoras de seguros, que não se confundem com as


sociedades de valores mobiliários ou com os agentes autônomos de seguro
privado, estão fora do rol de entidades constantes do art. 22, § 1º, da Lei nº
8.212/1991, não se sujeitando à majoração da alíquota da Cofins prevista no
Art. 18 da Lei nº 10.684/2003”.

Portanto, resta plenamente evidenciada a incoerência dos posicionamentos da


apelada ao que estabelece as normas legais citadas neste recurso, sendo
assim não havendo outro entendimento para o caso em questão, deve a
sentença atacada ser REFORMADA nos termos do pedido contido na inicial.

IV – DA ANTECIPAÇÃO DA TUTELA RECURSAL

Nos termos do art. 151, inciso V, do CTN, Art. 1.012, § 3º, do CPC, requer
vossa excelência, que seja concedida a tutela de urgência para suspender a
exigibilidade do crédito tributário constante do auto de infração, pois resta
inteiramente elucidada a afronta do posicionamento da apelada, estando
presente tanto o fumus boni iuris uma vez que houve a violação da Súmula do
STJ e também as tese de recursos repetitivos, quanto o periculum in mora uma
vez que a apelante tem necessidade urgente de obter Certidão de
Regularidade Fiscal, o que é impossível na condição em que se encontra.
V – REQUERIMENTO
Em virtude do exposto,
requer que o presente recurso de apelação seja CONHECIDO e, quando de
seu julgamento, seja totalmente PROVIDO para reformar a sentença recorrida,
no sentido de acolher o pedido inicial;
Que seja admitida a tutela de urgência, expedindo ordem para que a apelada
retire o auto de infração estabelecido contra a apelante;
Que seja este recurso provido por decisão monocrática do próprio Relator, uma
vez que a decisão recorrida é contrária a Súmula do STJ e recursos repetitivos,
nos termos do Art. 932, inciso V, alíneas a e b, do CPC;
Que seja intimada a apelada, para, querendo, apresentar contrarrazões, nos
termos do Art. 1.010, § 1º, c/c. o Art. 183, caput, ambos do CPC; 
E por fim, requer a condenação da apelada ao ressarcimento das custas
processuais e ao pagamento dos honorários de sucumbência.

Termos em que,
Pede deferimento.

Rio Branco 04 de dezembro de 2021

Advogada
OAB/AC

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