Você está na página 1de 9

U[Q R RROUfOlOSIB E O BECUPEBBéiO

no PRIRIII~UIB RISI~RICO EO~~ICBOD


BOI naria I s a b e l Uoronba ~ i n i oOs6rio

1U] B PBOCISSÜO RE OUIYIP-FfIRR SOUIR


08 COUFRORIO UO HlSEBIC6AOlR O0 P O A I O
116461
por Ivo C a r n e l r o de Seusa

us ClcnrurE W E ~ € B E S
O PEACUBSO EHQBESEOlBl [I]

123 vion cutrusei.

-
R~vIIIP He0111 -
OlD6lIlD L l p o l O ' 114S7186

PI1qD 1SOSOO - -
P e u l í l l O P O0 C.S. 1.'107643

Olllnd1~111OIUII: 1,500500

circorlo snkfico uuinoit 6 8 8 ~ 1 ~ 8?OOTO


OISIBI~UI~BO: ntoio os ritro onoco. too
-
BU1 MURUe de IllCeiid. 211 1000 ?BRIO

r:sCntt - -
IIOOCCH SOO0 ~XI~PLORES

ororir r(inrao+ sonrr 199s-


A consteloçõo em-
presoriol do Porto CLEMENTE M E B É R E S Menéres surgiu. no aituro,
como o [homem doido. que
dos finois d o sé-
culo possodo. Cle-
o p e r c u r s o e m p r e s a r i a l [I] do Porto oli foi comprar terras
trocos por bom preço. Esto-
mente Menéres re- vom longe de percepcionor o
mete-nos tonto poro o quadro dos tradi- *voo d e águion do empresário que procurou conferir
cionois reloçôes comerciois luso-brasileiras como poro elasticidade 0 0 5 seus empreendimentos. como de-
siiuoçóes de inovoçào no tecido económico d o Norte, monstrou otrovés d o complexo agricolo-industrial oli
evidenciondo o efeito de estimulo que o mercado bro- construido e do vermonenie reoroanizocào oficial d a
sileiro oindo exercia sobre o apertado molho empre- firmo que girou sob suo responsobilidode.
soriol nortenha. Quem ero? Donde vinho? Como se ojusto o seu per-
Depois d e uma breve possogem pelo emigroção no curso as circunstóncios do época? Que modalidades
Brosil e do estobelecimenio comercial no Porto, virodo empresoriois odoptou? Servindo-nos de um texto outo.
paro o exportação. Clemente Menéres. na penpectivo biografico"' como guio e de documentos complemen-
de omplior os negócios. investe em bens fundiarios em tores"' podemos esboçar olguns ospecios do suo tro-
Trás-os-Montes. Procuro essenciolmente estabelecer iectório empresoriol'"
processos de verticolizoçào. isto é. controlar os toses Sublinhemos que o outobiografia coloco naturais pro-
d e produçào. ~ronsformo~õo
e comerciolização dos blemas oo nível do utilizoçào em hisiório: por um lo-
produtos ogricolos que sào objecto do seu negócio.
/----.
Com investimentos iniciois muito reduzidos, partindo ./ -1
,.
..
pessoalmente quase do zero, Clemente Menéres ofir. ,'
/"
'\
mou-se groduolmente como um empresário muito coto- / \
do, revelando-se como um verdodeiro empreendedor.
Conhecedor dos meandros de olguns mercados inier-
nocionois, que visitovo pessooimente. correu riscos fi-
nanceiros relotivomente elevodos, deu crédito a utopia
e reolizou em terros recônditos de Mirondelo e conce.
llios vizinhos um processo durodouro de rocionolizo-
çào ogricolo. Agregou o exploroção ogricolo. o in-
dústrio e o comércio, num romo em que tal não era
frequente: produz cortiço, ironsforma-a e comerciolizo-
-o, o mesmo fazendo o outros produtos ogricolos. no-
meadamente o ozeite. o vinho e os frutos. Tentou,
deste modo, construir novos combinações economicos,
procurando outras ~ u i i l i d o d e sparo
~ os produtos d a
regi60 Iransmontona, cujo escoamento poro o merco-
d o se esforçou por fociliior. atrovés de um combate
persistente poro o implontaçào do linho férreo.
Aos tronsmontonos de Mirandelo, afeitos o represen-
toçôes d e outo-consumo e de frugalidade. Clemente [LEMEIITE MEWSREI
do. é sempre umo biografia ~ s o n l i o d opelo
~ outor I''; de ropoz. enquonto o intermediário responsável pelo
por ouiro lodo, apresento um nível final de ouiodesco- exportação ostentava riqueza, a vido do pai de Cle-
berio do indivíduo e de atribuição de sentidos que mente não possova do medionia. Representação que
nem sempre coincide com o outo-conceito vivido oo ficorio poro sempre. levando-o o nunca querer obon.
longo do crescimento pessoal e do ofirmoção sociol donor o segmento do distribuiçào, especialmente o de
do indivíduo. ou seio, no transição entre os diversos suo próprio produção.
espoços sociais que o morcarom. Por isso, poro além
da voiidoção desta informação oirovés do seu cruzo-
mento com ouiro derivado de orquivos instiiucionais. o
hisioriodor-biógrafo preciso de iogor entre o nível Em 1859 recebe-se em coso o ineviióvel corto do .tio
micro, evidenciondo o gesto pessoal, o oiiiude, o brosileiro~esiobelecido no Rio de Joneiro, que, pre-
decisõo. desocultondo o suieito, e o nível mocro, to- tendendo regressar o Poriugol, deseiovo onies possor
rendo oqui o ligoção oo contexto, á inserção sociol. o negócio o dois sobrinhos, um dos quois ló estovo
oo enredomenio que o envolve nos várias toses do com ele, sugerindo portonto o ido de ouiro. Possor o
suo iroiectório. coso comercial o portugueses, de preferência ex-coi-
xeiros experimentodos, como formo de prolongor o ne.
gócio e obter uma rendo periódico no suo retirado.
era hóbiio nos negocionies portugueses do Brosil.
Clemente Joaquim do Fonseca Guimorães, nosceu o Diz-nos Clemente que então se eniusiosmou. opesor
19 de Novembro de 1843. no lugor do Cruz em Vi10 do oposiçào poierno inicial, e o 4 de Julho desse
da Feiro, sendo bopiizodo sete dias depois"'. N o Fei- ono. com I 6 de idade, emborcovo na golero ~ O l i n -
ra frequeniou os oulos do mesire régio locol. Ero filho do, que lorgou do borro do Douro. Quorento e um
de pois lavradores e indusiriois, no complemeniorido- dias depois orribova oo Rio de Joneiro e procurovo o
de típico do artesonoio do Norte, pois, além de culti- coso do tio. Estovo ia o tojo em liquidoção, pois o tio
votem os terrenos agrícolas de que erom proprietários, mudara de ideias. por se ter desavindo com o outro
possuíam umo serralhoria que ocupava no ocosião sobrinho. De quolquer formo, o tio levou-o á suo
cerco de 40 operários, na quol Clemente iniciou o chócoro no Catumbi, onde foi apresentodo á fomílio
suo aprendizagem. Recorde-se que o Feira era, nos \mulher e um casal de filhos) e se iniciou no tradicionol
meodos do século o zona de maior concen- prato de feiião preto e carne seco. Voltou depois oo
tração de ferragens, ao redor do Porio, vendendo armazém onde ficou a trobolhor e dormir, oli posson-
paro esta Cidade a maioria do suo produção, grande do cerco de um ano oté à liquidação final do estobe.
porte do quol seguio depois o cominho do exportação lecimento. Mos o tio orronjou-lhe novo ocupoção.
paro o Brasil. A oficina da família, especializado em cosondo-o logo 100s dezoito onos] com o primo Morio
fechaduras, não fugia o esta regra, mos, perspicácia da Glória, cumprindo ossim outro hábito orreigodo
dos comercionies portugueses oli residenies: chomor
os sobrinhos com o obiectivo de Ihes possor o loja de
comercio [o que oqui só nõo oconteceu por circunsiãn-
cios fortuiiosj e cosó.los com os suas filhos, conolizon-
do os filhos próprios do sexo masculino poro ouiros
octividode~"~.
De fei~ioindomável, Clemente teniou o seguir o inde.
pendéncio económica do sogro, que o procurovo
enquodror nos trobolhos ogricolos do chócoro. e
orronjou por si próprio emprego em novo ormozem do
Rio de Joneiro 1 3 0 $ 0 0 0 reis mensais de inicio,
100$000 rs. oo fim do primeiro ano ió como primei-
(AIA D O R O M E U ro-caixeiro, sem esquecermos que estas verbos deve.

iis OrrnrPnjn&O
GRUPO DE PESSOAL (ORTt(ftR0

riam ser em moeda brosileira ou *lroco>, equivalendo dondo-se o ruptura familiar e o mudonço de domicílio.
o cerco de 50% em réis poriugueses ou ~tories.1. Troio- Vê-se obrigado o arronior cosa, opoiodo openos nos
vo-se ogoro do coso comercial de mais um emigrante 100 libros ( 4 5 0 $ 0 0 0 rs.] que, opesor de tudo, o so-
do Porio ali esiabelecido. ligado ò familio Serpa Pin- gro lhe fociliiou, como odiontamenio do heronço que
to, que, como normo habiiuol, dava preterêncio no o mulher virio o receber, exigindo-lhe documento es-
emprego aos poriugueses chegados de lrexo. criio paro esse efeito. Clemente procuro emprego, len-
tondo capitalizar o sober-fozer odquirido como coixei-
ro no Rio de Joneiro. pondo para o eleiio um anúncio
no iornol *como indivíduo sobedor de escripturoçào
Mas em 1863, ou seja. openas quatro anos depois por partidos dobrodos.. Conseguiu um lugar que o
da suo chegoda a o Rio, aceito o desofio do sogro remunerovo em cerco de 2 5 0 $ 0 0 0 rs. onuolmente.
que retornovo o Portugal e ocomponho-o, crente no Pouco depois o poi onunciovo-lhe que orranjoro um
promessa de ojudo linonceiro poro c9 se estabelecer. sócio capitalisto João Jooquim de Poes, do Vila do
Então, opesor de openos estor ligeiramente cobrosi- Feiro mos residente no Porto, que se propunha odion-
lei rodo^, cumpre os rituais dos *brasileiros. de retorno lar três contos poro o constituiçòo do sociedode. o
do Porto oiiocentista: vivendo com o sogro no ruo do quol funcionorio com ainleresses divididos oo meio e
Torrinho, *d'olli io iodos os dios com elle oté ó Proço urno retirodo, p o r mim. poro minhos despesos, d e
Novo, d e chopéu do Chili, feito Brozileiro, mos sem 30$000 réis*. N a reolidode, João Poes odiontou um
viniem, entreter converso com os que de Ia vinham,. conio em dinheiro e umo leito de dois contos, oceite
Umo vez no Porto, o pai, preocupado, irotou d e por outro comercionle, mos que foi sucessivamente re-
opressor-lhe o estabelecimento comercial, orroniondo- formado, pois Clemente eviiou sacá-la para não lhe
.lhe sócio. N o olturo de soliciior os 3 contos de réis criar constrangimentos finonceiros, usondo-o openas
promeiidos anteriormente pelo sogro, este. tolvez por como gorontió. A entrado de capital de Clemente era
se sentir ultrapossodo. negowse o cumprir o promessa, i n ~ i ~ n i t i c o n t etendo
, correspondido apenos a o saldo
d o balanceie [cerca de 1 1 6 $ 0 0 0 réis, correspon- seis meses. o poriir de 2 de Outubro de 1874, o que
denie a alguns móveis), vindo depois a crescer com o se prolongava até 2 de Janeiro de 1878. A verba do
copita~izaçãoproveniente da sua quota nos lucros. trespasse de apenas uma dos quotas dá-nos uma ideia
Note-se que muiias empresas da época funcionavam do volume de negócios realizado e do nível elevado de
deste modo: havia um sócio capiialisio que fornecia o capitalização alcançado pelo firma Poes & Menéres"'.
capital paro giro e um sócio irabalhador. este sem Negócios que procurou desenvolver sobretudo para a
capital ou com uma parcela insignificanie. que depois exportação. .por iodo a porte onde o permiiio o nove-
poderia ir dilatando à medida dos lucros repartidos. E goçõo, que nessa época era bem limito do^. mos prin.
é por esta ailura, provavelmenle mesmo por ocasião da cipalmente paro o Brosil. Foi por isso que em 1872
conslituição da firma. que Clemente possa a integrar no convenceu o sócio o deixá-lo ir a este pois. com seis
seu nome próprio o apelido Menéres. em busca de molas de amostras de produtos portugueses. pora
uma ideniidade próprio: por soar melhor e com mois alargar o campo de vendo a pariir do Rio de Janeiro.
raridade ou pora afastar o ligação que o ~Guimarães~ deixando em ierro o mulher doente e quotro filhos.
inevitovelmente arrasiario com o brasileiro da rua da Durante seis meses afirma ter corrido as costas do Bro-
Torrinha, seu iio e sogro, com quem se molquistara? si1 e das Repúblicas do Proio. lendo emborcado em
Nos almanaques da época vamos. assim, encontrar a 14 vapores, regressando <cheio de ideios novas, de
firmo Poes & Menéres na rua do Ferrario 42, na qual novos negócios. preocupondo-me o moniogem de
aparecem simulioneamenie como negocianles e como uma lábrico de conservas, o que dei principio,. Poste.
fobricontes de rolhas com depósiios de cortiço pora riormente visiiou o Exposiçáo Universal de Viena, com
exportaçáo. Desses tempos heroicos da iniciação. o obiectivo de se oferecer o várias firmas como agen-
guardava boas recordações, face ao ~exiroordinório ie para o Brosil. No passagem por Hamburgo foi pro-
movimento o que dovo causo esse pequeno copilol. curar o agente com quem já se correspondia habituol-
N o [im do primeiro ano, o capiiol primitivo quase que mente, e conseguiu. entre outros. um corregomenio de
dobrou=. azeite paro o Rússia destinado o lubrificação poro
N ã o se chegou o aexaror escrito ou escriiura d'esso máquinas. Mos passa ainda por Berlim. Holando. BéI-
sociedade., mas a 10 de Abril de 1874. foz-se escri- gico e principalmente Londres, onde estabelece con-
iuro de cessão e trespasse do quota de João Poes a tacios vários. em especial os correiores de vinha do
Clemente Menéres, este jó na qualidade de sócio e Porio. com a ajuda da coso local Pinto Leiie & Sobri-
único gerente da sociedade que começo o girar sob o nhos. de quem Clemente era agente no Porto.
nome de C. Menéres e C.! A firmo Paes & Menéres A C. Menéres & C . ? traduzia a natural coniinuidode
era, desie modo dissolvida, mos o trespasse era ova- destes negócios, tendo a sociedade anterior sido ape.
liado em 28 contos de réis. Poro esse efeito foram nas dissolvido dado a retirada natural [por idade
apresentados oito leiros de 3 5 0 0 $ 0 0 0 réis que se- ovançadal do sócio mois velho e copiiolisio. Iniegro.
riam sacadas uma a uma e [sensivelmenie) de seis em vam agora a firmo Joaquim Silvono Filho e Álvaro Cor-
neiro Geraldes, este com origem numa tradicional
fomilia de comercionies do Porio com grande ligação
ao Brosil. De resto os negócios com a ex-colónio, que
constituíam o grande suporte das exportoçóes, esta-
vam sempre sob mira: logo o 24 de Abril de 1874. o
firmo possa procuração ao sócio Álvaro C. Geraldes
como seu represeniante no Rio de Janeiro. o qual poro
Ió se deve ter deslocado. e. na suo folto. a caso Nor-
berto Coelho & C." esiobelecida no Rio'".
A C. Menéres & C.%urgiu durante vários anos nos 01-
monaques como qfóbrico de rolhas pora exportoção,
trabalho braçal e o vapora. no cais da Alfãndega 17,
RIMAS D E (ORII~A ou sela. na parie ortentol do edtfícto do ex-convento
de Monchique. eniõo orremoiodo em hosto público O que se passou em primeiro lugor com o busco do
[os ouiros orremoiantes forom Henry Burnoy e Williom coriiço?
Howke, fendo este insiolodo Ió uma fundiçõol. Depois dos viogens oo estrangeiro, Clemenie Menéres
procura o conhecimenio do interior. N o viqor dos seus
trinta onos e acompanhodo de um amigo conhecedor
de coriiços, porte ( 1 4.05.1874) no diligência do ex-
Nos finais de Abril de 1874. o firmo C . Menéres esta- -mo10 posio do Porto poro Boieiros e dali oié Foz
vo organizodo. Um dos três sócios assegurovo o expe- Cõo. Dirigiram-se oo Vole de Sinodo onde existiom
diente no sede, o outro deslocou-se poro o Brasil, no- muitos sobreiros, mos que eram uiilizodos como lenlio
meadamente poro conirolor e ampliar os exporioções. pelo populoçáo. doi resultando donos irremediáveis
E Clemenie Menéres procurorio potencior os gonhos o paro o oproveiiomenio do cortiço. O componheiro
monionie. ossegurando o obosiecimenio de motério- oponia-lhe eniõo Romeu, lugar onde tinha encontrodo
-primo (cortiça) a preços e quoniidodes mois conve. coriiça virgem hovio dois onos. Poro Ió se dirigem, e,
nienies. Ampliar e diversificar era o eiopo seguinte, oo aproximar-se, Clemente vê que o terra esiovo dizi-
incluindo-se nesta diversificoçõo o preporoçõo de ou- mado: desio vez fora posio de fogo (dado o hóbiio
iras unidodes fobris que permiiissern abrir o leque dos de queimodos paro eliminar a obundõncio de lobos
exporioções, norneodomenie o insioloçào de umo que atacavam com frequêncio os povoodos e. sobre-
moagem e do fóbrico de conservas olimeniicias. tudo, os gados nas posiogens), depois de olguns onos
N o próprio dia do resolução do Tribunal 19 de Março cujo passivo e activo lhe eram airihuidos, ou seia, da-
de 18761. a firmo C. Menéres reorganiza-se. Clemen- va sequêncio ao mesmo romo de comércio e à dino-
te Menéres era ogoro o Único sócio que restovo e vai mizoção do fábrica .Luso-Brosileiro~.A gerência era
ossocior.se a Raúl Cirne, um rapaz emoncipado, me- assumida em pleno pelos dois sócios Santos e Cirne,
nor de 21 anos, .vivendo do seu irobolho~e Aniónio embora suieitos a um coniunio de condições. O capi-
Tomás dos Sontos, já casodo e negocianle. Ficavo tal, agoro aciualizado pelo balanço de finol de 1877,
estatuido que o objectivo do sociedade era exacto- 36 contos de réis, assim distribuído:
atingia já os
menie a continuação do anterior, entrando Clemente Clemente Menéres - 10048$427;
como comondiiório e com o copitol de 16 conios de Constontino Poes - 10048$425;
réis, representodo pelo holonço, Raúl Cirne com 8 Raúl Cirne - 10048$428;
contos e A. T. Santos com openos um conto de réis. A A. Tomás Santos - 5854$720.
nova firma ossumio o passivo e octivo do anlerior. E. Mos o incorporação dos lucros seguintes devio conti-
noto curiosa, Clernenie Menéres comprometio-se a nuar a verificar-se até se otingir o cifra de 50 contos
vender a sociedade a cortiço dos seus sobreiros de de réis, valor que possorio a representor o copitol fuiu-
Mirondelo e Mocedo, com abatimento de 5% dos ro do sociedode Sontos, Cirne & C.". Em coso de
preços correntes naquela região, e as rolhos e cortiças vantagem poderio, porém, elevar-se o 60 contos de
lá tabricadas por sua conto seriom cedidas ò Socie réis só poro o caso principal do edifício do ex-conven-
dade paro revendo, com o comissão de 20%. Finol- to de Monchique, criando-se oindo um fundo oié 20
menie os lucros seriom distribuídos do seguinte formo: contos de réis poro a fábrico de conservas da ruo do
metade poro Clemenie e 1 /4 a favor de codo um dos Restauração. Ou seio, oponiava-se pora a gradual
outros sócios'"'. autonomia dos dois esiobelecimentos, na ceriezo de
A firmo C . Menéres & CQoniinuou o seu movimento. que a duração do sociedade esiava prevista oté
E certo que o fábrica de cortiço praticamenie passou 1883, dota em que tudo poderio ser revisto. E por
depois o depósiio poro o mesmo efeiio, quando Cle- acordo de 30 de Junho desse ano a clóusulo relativo
mente Menéres instalou o fábrico em Mirondelo e en- a cortiço de Clemente Menéres foi mesmo eliminado
viava a produçõo paro o Porio. Mos entretonio já fun- do contrato social, na sociedode o fá-
cionova a fábrico 1usoBrosileiro. de conservas olimen- brica de conservas.
tícias. como segunda unidade da C. Menéres & C.'. E a altura de chamar o otençõo pora o popel pioneiro
Em anúncio de Junho de 1878 anunciava o suo ociivi- que a fábrico .luso-Brasileira. representou no Norte
dade e a crioçao de uma rede de depositários dos dentro do romo das conservas, introduzindo os técni-
suas doias com peixes, carnes, frutos, legumes, doces, cos froncesos de conservaçõo. Precursora no explosão
etc.. pelos preços do coiálogo~.aconselhando que do sector conserveiro. deve o mérito da suo criaçõo e
era [conveniente pora fazer uso das carnes e peixes, organizaçòo a Clemente Menéres, cujo proiogonismo
mergullioí a laia em água um pouco quenie. pelo di- perdeu visibilidade sob o sigla posterior de Sontos,
m i n u i ~espaço de 15 minutos~'"'. Cirne & C.? Clemente Menéres afirmava ser o ~ p r i -
A 1 de Fevereiro de I879 o firmo sofrio nova reorga- meiro que se montava no norte do poís, e tontos foram
nização, coniinuando embora o odopior a noiureza as dificuldades que quose iizerom desonimor-me; se
de sociedode em comandito. Entro um novo sócio elo seguiu por diante, /ai devido ò minha grande insis-
comondiiário. Constoniino Joaquim Poes. filho de Joõo lência~.
Poes, o primeiro sócio que se dispusera o aiudor ini- O Inquérito Indusirial de 188 1 diz-nos que, por esta
cialmente Clemente Menéres: esie já cedera aquele aliura. 10 o fábrico linho uma sucursal em Espinho p ~ -
parte do sua quota e ogora ficava esse aspecto ofi- ro a preparação de sardinha em azeite. A fábrica do
ciolizodo. A firmo possa a adoptor o razão Sontos, rua do Restouração apresentava algumas debilidodes,
Cirne & C." - sucessores de Poes & Menéres. chon- desde logo por estar instalada numa caso de habita-
rondo desio forma o bom nome que nesta praça sem- ção alugado [inicialmente o João Poes, depois a seu
pre liverom aqueles seus ontecessores~.A firma assu- filho e sócio comanditário Constoniino Paesl. Funcicr
mia-se como o continuodoro do C. Menéres & C." novom duos cozinhas e havia uma oficina de Euniloria
esforços pessoais. A verdade é que, nos primeiros tem-
pos. o sonhoda ligação de produção de fruto de M i -
sião da colheita da fruto. Em 1 8 8 0 a produção orça- ronde10 a fábrica de conservas não teve êxito: das 2 0
va o valor d e 70 contos de réis, desiocondo-se as mil cereieiras mandadas plan~arpoucos vingaram. A

/I frutas (20.5). marmelada e geleios (81, azeitona 1151,


peixe (51, tomate (71e era, em grande parte. exporto-
rentabilizoçào dos terras passava, então, pela autono-
mia dos empreendimentos,Assim aconteceu, até porque
! d a para o Brasil e repúblicas do Proto. A venda no os Furos dos empréslimos poro os investi
Pois representava openos cerca de 10%. outro tanto o mentos efectuodos em Mirandela reque JORGE
exportação para Inglaterra. O capital do sociedode riom urgentemente retorno. em forma de FERNANDES
subia 10 aos 70 contos de réis'"'. lucros, sob pena de o sonho se esvoir. ALVES'
O mesmo Inquérito Industrial faz referêncio à fábrica Focutdode de letras - UP
de coriiça do ex-convento de Monchique (iambém on-
(Conlinuo no próximo número1
ligo ormazém da alfãndego], então o única existente
no Porto. revelando que ciodo o irobalho é rnonuol,
cortondo-se os rolhos à modo nocionol e à corolõ.
Ensaiou-se nouiro iempo o fobrico mecânico, mos (1) Clernenie Menéres. 40 Annos de iroz-os-Monies. Porto,
obondonou-se por menos perfeiio e mois coro.. Tinha- 1915.
-se, então. já vendido o motor antes existente. haven- (2) Especialmente o inédito dactilografodo de Jose Pinio de
d o apenas duas prensas paro enfordor as pranchas. Oliveira Meneres. O Rorneu e um Pouco de Hisiório sobre o
seu Possodo, Porto. 1958. olern do recurso o publicações di.
com destino ò exportoçào poro o Alemanha. A produ-
versos. olrnonoques e documenioção notoiiol.
ção atingi0 o volume de 3 0 0 toneladas de prancha. (3) E de iusiiço solientor que este irabalho só foi possivel gra-
ocupondo como pessoal operário 25 homens e 2 mu- tos ã ornobilidode. disponibilidade, inforrnoçòes e cedencia
Iherest13'. A fábrica estava então em declinio. dado de rnaieriois dos senhores Eng José Menéres e Clernenie de
Clemente ter instolodo unidades de tronsformoção em Freiios Meneres. descendentes próximos do biogrofodo. o
Mirandela. quem reconhecidomente ogrodecernos. Aindo uma palovro de
reconhecimento poro o Dr. Silvestre Locerdo pelos informações
O s negócios do Porio estavam agora estatutoriomente
orquivisticos e de rnateriol publicitório que nos prestou.
entregues oos dois gerentes - Santos e Cirne. Mas (4) Cf. Jeon-CloudeSchmitt, *l'autobiogrophie rêvee., Pro.
em 1885. o 9 de Julho, a firma altero e amplia o seu blémes ei Méthodes de 10 Biogrophie, Poris. Sorbonne. 1985
compromisso social: os sócios comanditários [Clemen- (5) Arquivo ~isthiolde Aveiro, Regisio Paroquial, Freguesio de
te e Constantino Poes) abdicam d e um terço d a sua Vila do Feiro. Livro rnisio n? 14. II. 77-77v.P.
quota que é assumida por Porfírio de Macedo. o qual (6) C!. Jorge Fernandes Alves. Os Brasileiros - Emigroçóo e
Retorno no Porio Oiioceniisio. Porto. 1994. p. 189.
possa a integrar os corpos gerentes"41. Finalmente, a
( 7 ) Segundo escriiura de cessão e irespasse de João Poes o
Sanios, Cirne & C . ~ i s s o l v e s eem 3 0 de Abril d e Clernenie Meneres. em 10.04.1874. Cf. Arquivo Disiritol do
1 8 8 7 , por retirada amigável de Clemente Menéres. Porio, Notoriol. P04. 1603. pp. 51v."52v.".
que ali deu quitação geral, por iá ter sido compenso- (8) Cf. Arquivo Disiritol do Porto. Noloiiol. P04, 1603. p.
d o d a sua participação. Todo o octivo d o exiinto 72vQ.73.
sociedade (então representado pela fábrica Luso-Brasi- ( 9 )Arquivo do Governo Civil do Porto. licenços. M1436.
(10) Arquivo Disiritol do Porto. Notoriol. P04, L610. pp. 99-
leira e pelo fábrico de conservos d e sardinha de Silvo-
- 100.
de, em Espinho) passava para o nova firma de ime- ( 1 1) Cf. O Comercio do Porio de 18.06.1878.
diato constituído pelos restantes sócios. que passou a ( 1 2) lnqveriio Indusiriol de 188 1. Visiio os Fóbricos, livro Se-
designar-se de Santos. Cirne & M a c e d ~ " ~ ' . gundo, Lisboa. Imprensa Nocional. 188 1. pp. 187-9.
Com efeito, Clemenie Menéres, emboro assegurando (13) lbidern. p. 21 1
a rectaguarda no Porto através da referida sociedade. (14) Arquivo Disiriiol do Porto. Notoriol. P04. 1657.
(15) Arquivo Disiritol do Porto. Noioriol, P04. 1668. 11.16-17.
entusiosmora-se com os negócios transmontanos. com
Noiese que mais iorde, haverá de novo urna fábiico de com
a qualidade da cortiça dos montes groniticos do Qua- servos olirneniores num ramo do lornilio Menéres. A Vorino.
draçal. Procurando o sua amplioçào e organização, uma sociedode de Ovor. com filiot no Porio. em que poriicipa-
desde 1 8 7 6 que direccionava para lá todos os seus vo Agostinho Menéres. iornbérn ele ex-emigronie no Brosil.

Você também pode gostar