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PÓS-GRADUAÇÃO

Legislação e Diretrizes Educacionais

Professor: Domingos José (86) 98108-7403


1. INTRODUÇÃO
Muitas vezes, o estudante se pergunta: qual a razão do estudo da legislação
educacional?
Ou ainda, que relação existe entre a política educacional, o projeto político
pedagógico da escola e a legislação educacional?
São questionamentos válidos, que esperamos sejam respondidos ao final do
estudo da disciplina que trata da legislação educacional.
Todavia, alguns elementos já podem ser apresentados.
De modo geral, a legislação decorre da política educacional, por sua vez, o projeto
político pedagógico, que nada mais é do que o planejamento da ação educacional
no âmbito da escola, relaciona-se com a legislação e a política educacional.
Em outras palavras, a legislação é um instrumento privilegiado para que se
compreendam os ditames da política educacional.
Como assinala Vieira e Albuquerque (2002, p. 27): “[...] a legislação, todavia, não é
tudo. Como já disse, há muito tempo, o mestre Anísio Teixeira: há no Brasil uma
tendência a se atribuir um valor mágico-simbólico à legislação.” Como assinala
também Gomes (1998, p. 11): ”[...] as leis constituem fonte de esperança, mas não
operam milagres [...] haveria uma espécie de acatamento automático, sem maiores
cuidados de implantação, acompanhamento e avaliação.”
Genericamente, pode-se afirmar que a legislação refere-se ao conjunto de leis que
se destina a regular matéria geral ou específica. Assim é que temos: legislação
esportiva, legislação penal, legislação social e, também, legislação educacional.
Em sentido amplo, o vocábulo legislação engloba vários documentos emanados de
órgãos oficiais. Ele inclui, além das leis que são produzidas nas casas legislativas
(Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores),
também, decretos gerados no Poder Executivo, bem como Resoluções,
Deliberações, Pareceres e Indicações formuladas, e aprovadas em diferentes
órgãos colegiados. Como é o caso do Conselho Nacional de Educação, Conselhos
Estaduais e Municipais de Educação, além de Portarias também produzidas no
âmbito do Poder Executivo (Ministério da Educação, Secretarias e Departamento
de Educação).
Definição de legislação
É o conjunto de leis de um Estado, entendimento pelas leis de acordo com a
finalidade, regras sociais obrigatórias, impostas por uma autoridade pública, de
forma permanente e que são sancionadas pela força.
A elaboração de leis em sentido formal, é uma autoridade privativa do poder
legislativo, nascido da divisão clássica de poderes elaborado por Montesquieu. A
aplicação da legislação é até o poder judiciário para exercer o poder de controle
sobre o outro, e que nenhum pode abusar de seus poderes.
O que é legislação educacional
Conjunto de normas educacionais, legais e infralegais, leis e regulamentos, com
instrução jurídica, relativas ao setor educacional, tanto pedagógica, quanto
administrativa.
A legislação Educacional possui duas naturezas: uma reguladora e uma
regulamentadora.
Ela é reguladora quando se manifesta através de leis, sejam federais, estaduais
ou municipais. As normas constitucionais que tratam da educação são as fontes
primárias da regulação e organização da educação nacional, pois, por elas,
definem-se as competências constitucionais e atribuições administrativas da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Abaixo das normas
constitucionais, temos as leis federais, ordinárias ou complementares, que regulam
o sistema nacional de educação.
A legislação regulamentadora, ao contrário da legislação reguladora não é
descritiva, mas prescritiva, volta-se à própria práxis da educação. Os decretos
presidenciais, as portarias ministeriais e interministeriais, as resoluções e
pareceres dos órgãos do Ministério da Educação, como o Conselho Nacional da
Educação ou o Fundo de Desenvolvimento da Educação como serão executadas
as regras jurídicas ou das disposições legais contidas no processo de regulação da
educação nacional. A regulamentação não cria direito porque limita-se a instituir
normas sobre a execução da lei, tomando as providências indispensáveis para o
funcionamento dos serviços educacionais.
A legislação educacional do Brasil enquanto nação independente tem seu início na
Constituição Imperial de 1824 (a qual continha um artigo sobre educação escolar
primária gratuita) e prossegue até a Constituição Federal de 1988, considerando-
se aí também as Constituições Estaduais, as Leis Orgânicas dos Municípios e toda
a legislação ordinária, com ênfase especial na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, nos diferentes momentos históricos em que elas ocorreram.
O conceito de educação
A Lei 9394/96 começa situando a educação escolar dentro de um quadro no qual
aparece a educação como fenômeno antropológico fundamental que se desenvolve
“na vida familiar, na convivência humana, no trabalho”, nos movimentos sociais,
nas organizações da sociedade civil, nas manifestações culturais (art.1º).
E, por isso, dispõe que a educação escolar deva estar vinculada ao mundo do
trabalho e à prática escolar (§ 2º).
As finalidades da educação escolar
Os últimos cinquenta anos da educação escolar brasileira (pois o projeto da LDB
apareceu em 1948) assim apresentam as finalidades educacionais. Na Lei n.º
4024/61, nós as encontramos assim formuladas:
“Art.1º: A educação nacional, inspirada nos ideais de liberdade
e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:
a) a compreensão dos direitos e dos deveres da pessoa
humana, do cidadão, do estado, da família e dos demais grupos
que compõem a comunidade;
b) o respeito à dignidade e às liberdades fundamentais do
homem;
c) o fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade
internacional;
d) o desenvolvimento integral da personalidade humana e a
sua participação na obra do bem comum;
e) o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos
recursos científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as
possibilidades e vencer as dificuldades do meio;
f) a preservação e expansão do patrimônio cultural;
g) a condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de
convicção filosófica, política ou religiosa, bem como a quaisquer
preconceitos de classe ou raça.
VILLALOBOS, João. Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional. São Paulo: Pioneira,
1961, p. 225.

O que são Diretrizes:


Diretrizes são orientações, guias, rumos. São linhas que definem e regulam um
traçado ou um caminho a seguir. Diretrizes são instruções ou indicações para se
estabelecer um plano, uma ação, um negócio etc.
No sentido figurado, diretrizes são as normas de procedimento. Diretriz é o feminino
de diretor, aquele que dirige ou que orienta.
Diretrizes na educação
São normas obrigatórias para a Educação em nível Básico e superior, que orientam
o planejamento curricular das escolas, dos sistemas de ensino e das faculdades.
Elas são discutidas, concebidas e fixadas pelo Conselho Nacional de Educação
(CNE).
As diretrizes buscam promover a equidade de aprendizagem, garantindo que
conteúdos básicos sejam ensinados para todos os alunos, sem deixar de levar em
consideração os diversos contextos nos quais eles estão inseridos.
O que são e qual é a função das diretrizes curriculares?
As Diretrizes Curriculares Nacionais são um conjunto de definições doutrinárias
sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica que orientam
as escolas na organização, articulação, desenvolvimento e avaliação de suas
propostas pedagógicas.
As DCNs têm origem na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996,
que assinala ser incumbência da União "estabelecer, em colaboração com os
estados, Distrito Federal e os municípios, competências e diretrizes para a
Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os
currículos e os seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar a formação básica
comum".
O processo de definição das diretrizes curriculares conta com a participação das
mais diversas esferas da sociedade. Dentre elas, o Conselho Nacional dos
Secretários Estaduais de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes
Municipais de Educação (Undime), a Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Educação (ANPEd), além de docentes, dirigentes municipais e
estaduais de ensino, pesquisadores e representantes de escolas privadas.
As diretrizes curriculares preservam a autonomia dos professores?
As diretrizes curriculares visam preservar a questão da autonomia da escola e da
proposta pedagógica, incentivando as instituições a montar seu currículo,
recortando, dentro das áreas de conhecimento, os conteúdos que lhe convêm para
a formação daquelas competências explícitas nas DCNs.
Desse modo, as escolas devem trabalhar os conteúdos básicos nos contextos que
lhe parecerem necessários, considerando o perfil dos alunos que atendem, a região
em que estão inseridas e outros aspectos locais relevantes.
Quais são as diferenças entre as diretrizes curriculares e os parâmetros
curriculares?
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são diretrizes separadas por
disciplinas elaboradas pelo governo federal e não obrigatórias por lei. Elas visam
subsidiar e orientar a elaboração ou revisão curricular; a formação inicial e
continuada dos professores; as discussões pedagógicas internas às escolas; a
produção de livros e outros materiais didáticos e a avaliação do sistema de
Educação. Os PCNs foram criados em 1997 e funcionaram como referenciais para
a renovação e reelaboração da proposta curricular da escola até a definição das
diretrizes curriculares.
Já as Diretrizes Curriculares Nacionais são normas obrigatórias para a Educação
Básica que têm como objetivo orientar o planejamento curricular das escolas e dos
sistemas de ensino, norteando seus currículos e conteúdos mínimos. Assim, as
diretrizes asseguram a formação básica, com base na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), definindo competências e diretrizes para a Educação Infantil, o
Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
Quais são as diferenças entre as diretrizes curriculares e as expectativas de
aprendizagem (direitos de aprendizagem)?
As expectativas de aprendizagem definem o que se espera que todos os alunos
aprendam ao concluírem uma série e um nível de ensino. Elas foram previstas pelo
CNE nas diretrizes gerais da Educação Básica.
Diferentemente das diretrizes, que são mais amplas e genéricas, as expectativas
contemplam recomendações explícitas sobre os conhecimentos que precisam ser
abordados em cada disciplina. Contudo, as expectativas de aprendizagem não
configuram uma listagem de conteúdos, competências e habilidades, mas sim um
conjunto de orientações que possam auxiliar o planejamento dos professores, como
materiais adequados, tempo de trabalho e condições necessárias para colocá-lo
em prática. No momento, as expectativas de aprendizagem (direitos de
aprendizagem) estão em discussão no MEC.

2 HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL BRASILEIRA


É histórico e duradouro a luta por uma educação com mais qualidade no Brasil,
entretanto, algumas mudanças começaram a ocorrer, efetivamente, a partir da
República, isto porque durante o Brasil Colônia e o Brasil Império a educação era
privilégio de poucos.
2.1 Brasil Colônia e Brasil Imperial (1500-1889)
A história da educação no Brasil começou em 1549 com a chegada dos primeiros
padres jesuítas, inaugurando uma fase que haveria de deixar marcas profundas na
cultura e civilização do país. Movidos por intenso sentimento religioso de
propagação da fé cristã, durante mais de 200 anos, os jesuítas foram praticamente
os únicos educadores do Brasil.
Embora tivessem fundado inúmeras escolas de ler, contar e escrever, a prioridade
dos jesuítas foi sempre a escola secundária, grau do ensino onde eles organizaram
uma rede de colégios reconhecida por sua qualidade, alguns dos quais chegaram
mesmo a oferecer modalidades de estudos equivalentes ao nível superior.
Em 1759, os jesuítas foram expulsos de Portugal e de suas colônias, abrindo um
enorme vazio que não foi preenchido nas décadas seguintes. Com as Reformas
Pombalinas , passou-se a ser instituído o ensino laico e público, e os conteúdos
baseavam-se nas Cartas Régias. Entretanto, as medidas tomadas pelo Marquês
de Pombal, sobretudo a instituição do Subsídio Literário, imposto criado para
financiar o ensino primário, não surtiu nenhum efeito. Só no começo do século
seguinte, em 1808, com a mudança da sede do Reino de Portugal e a vinda da
família Real para o Brasil Colônia, a educação e a cultura tomaram um novo
impulso, com o surgimento de instituições culturais e científicas, de ensino técnico
e dos primeiros cursos superiores, como os de medicina nos estados do Rio de
Janeiro e da Bahia.
Todavia, a obra educacional de D. João VI, importante em muitos aspectos, voltou-
se para as necessidades imediatas da corte portuguesa no Brasil. As aulas e cursos
criados, em diversos setores, tiveram o objetivo de preencher demandas de
formação profissional. Esta característica haveria de ter uma enorme influência na
evolução da educação superior brasileira. Acrescenta-se, ainda, que a política
educacional de D. João VI, na medida em que procurou, de modo geral, concentrar-
se nas demandas da corte, deu continuidade à marginalização do ensino primário.
Com a independência do país, conquistada em 1822, algumas mudanças no
panorama sócio-político e econômico pareciam esboçar-se, inclusive em termos de
política educacional. De fato, na Constituinte de 1823, pela primeira vez se
associou apoio universal e educação popular - uma como base do outro. Também
foi debatida a criação de universidades no Brasil, com várias propostas
apresentadas. Como resultado desse movimento de ideias, surgiu o compromisso
do Império, na Constituição de 1824, em assegurar "instrução primária e gratuita
a todos os cidadãos", confirmado logo depois pela lei de 15 de outubro de 1827,
que determinou a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas
e vilarejos, envolvendo as três instâncias do Poder Público. Teria sido a "Lei Áurea"
da educação básica, caso tivesse sido implementada. Da mesma forma, a ideia de
fundação de universidades não prosperou, surgindo em seu lugar os cursos
jurídicos em São Paulo e Olinda, em 1827, fortalecendo o sentido profissional e
utilitário da política iniciada por D. João VI. Além disso, alguns anos depois da
promulgação do Ato Adicional de 1834, delegando às províncias a prerrogativa de
legislar sobre a educação primária, comprometeu em definitivo o futuro da
educação básica, pois possibilitou que o governo central se afastasse da
responsabilidade de assegurar educação elementar para todos. Assim, a ausência
de um centro de unidade e ação, indispensável, diante das características de
formação cultural e política do país, acabaria por comprometer a política imperial
de educação.
2.2 Brasil Republicano – Primeira República (1889 / 1930)
A Constituição de 1891, primeira do período republicano, pouco trata da educação
por primar pela autonomia das unidades federativas. Ficava subentendido que a
legislação nessa matéria deveria ser resolvida no âmbito dos estados. Cabia à
Federação apenas o ensino superior da capital (art. 34º), a instrução militar (art.
87º) e a tarefa, não exclusiva, de "animar, no país, o desenvolvimento das letras,
artes e ciências" (art. 35º). Não havia nessa Carta e também na anterior
(Constituição de 1824) nem sequer a menção à palavra "educação".
2.3 Brasil Republicano (1930 às LDBs)
Até a década de 1930, os assuntos ligados à educação eram tratados pelo
Departamento Nacional do Ensino ligado ao Ministério da Justiça. Somente em
1931 foi criado o Ministério da Educação.
Em 1932, um grupo de intelectuais preocupado em elaborar um programa de
política educacional amplo e integrado lança o Manifesto dos Pioneiros da
Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros
conceituados educadores, como Anísio Teixeira.
O Manifesto propunha que o Estado organizasse um plano geral de educação e
definisse a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita.
Nessa época, a igreja era concorrente do Estado na área da educação.
Foi em 1934, com a nova constituição federal, que a educação passa a ser vista
como um direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos poderes
públicos.
A Constituição de 1934 dedica um capítulo inteiro ao tema, trazendo à União a
responsabilidade de "traçar as diretrizes da educação nacional" (art. 5º) e "fixar o
plano nacional de educação, compreensivo do ensino em todos os graus e ramos,
comuns e especializados" para "coordenar e fiscalizar a sua execução em todo o
território do país" (art. 150º). Através da unidade gerada por um plano nacional de
educação e da escolaridade primária obrigatória pretendia-se combater a ausência
de unidade política entre as unidades federativas, sem com isso tirar a autonomia
dos estados na implantação de seus sistemas de ensino. Ideia defendida pelos
educadores liberais, dentre os quais se destacava Anísio Teixeira.
A respeito do ensino religioso, a Carta de 1934 pode ser considerada uma vitória
do grupo de educadores liberais, organizados através da Associação Brasileira de
Educação, por atender suas principais proposições.
Porém, apenas três anos depois a Constituição de 1937, promulgada junto com o
Estado Novo, sustentava princípios opostos às ideias liberais e descentralistas da
Carta anterior. Rejeitava um plano nacional de educação, atribuindo ao poder
central a função de estabelecer as bases da educação nacional. Com o fim do
Estado Novo, a Constituição de 1946 retomou em linhas gerais o capítulo sobre
educação e cultura da Carta de 1934, iniciando-se assim o processo de discussão
do que viria a ser a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
De 1934 a 1945, o então ministro da Educação e Saúde Pública, Gustavo
Capanema Filho, promove uma gestão marcada pela reforma dos ensinos
secundário e universitário. Nessa época, o Brasil já implantava as bases da
educação nacional.
Até o ano de 1953, foi Ministério da Educação e Saúde. Com a autonomia dada à
área da saúde surge o Ministério da Educação e Cultura, com a sigla MEC.
O sistema educacional brasileiro até 1960 era centralizado e o modelo era seguido
por todos os estados e municípios. Com a aprovação da primeira
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1961, os órgãos estaduais e
municipais ganharam mais autonomia, diminuindo a centralização do MEC.
Foram necessários treze anos de debate (1948 a 1961) para a aprovação da
primeira LDB. O ensino religioso facultativo nas escolas públicas foi um dos pontos
de maior disputa para a aprovação da lei. O pano de fundo era a separação entre
o Estado e a Igreja.
O salário educação, criado em 1962, também é um fato marcante na história do
Ministério da Educação. Até hoje, essa contribuição continua sendo fonte de
recursos para a educação básica brasileira.
A reforma universitária, em 1968, foi a grande LDB do ensino superior, assegurando
autonomia didático-científica, disciplinar administrativa e financeira às
universidades. A reforma representou um avanço na educação superior brasileira,
ao instituir um modelo organizacional único para as universidades públicas e
privadas.
A educação no Brasil, em 1971, se vê diante de uma nova LDB. O ensino passa a
ser obrigatório dos sete aos 14 anos. O texto também prevê um currículo comum
para o primeiro e segundo graus e uma parte diversificada em função das
diferenças regionais.
Em 1985, é criado o Ministério da Cultura. Em 1992, uma lei federal transformou o
MEC no Ministério da Educação e do Desporto e somente em 1995, a instituição
passa a ser responsável apenas pela área da educação.
Uma nova reforma na educação brasileira foi implantada em 1996. Trata-se da mais
recente LDB, que trouxe diversas mudanças às leis anteriores, com a inclusão da
educação infantil (creches e pré-escola).
Ainda em 1996, o Ministério da Educação criou o Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef)
para atender o ensino fundamental. Os recursos para o Fundef vinham das receitas
dos impostos e das transferências dos estados, Distrito Federal e municípios
vinculados à educação.
O Fundef vigorou até 2006, quando foi substituído pelo Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação (Fundeb), que vigorará até 2019.
Em 2007 foi lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que prevê
metas e orçamentos para investir na educação básica, na educação profissional e
na educação superior.
3 HISTÓRICO DAS PRINCIPAIS LEIS
3.1 Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – Lei 4.024/61 (1961)
Enquanto a Lei ainda estava em tramitação, dois grupos disputavam qual seria a
filosofia por trás da primeira LDB. De um lado estavam os estatistas, ligados
principalmente aos partidos de esquerda. Partindo do princípio de que o Estado
precede o indivíduo na ordem de valores e que a finalidade da educação é preparar
o indivíduo para o bem da sociedade, defendiam que só o Estado deve educar.
Escolas particulares podem existir, mas como uma concessão do poder público.
O outro grupo, denominado de liberalista e ligado aos partidos de centro e de direita,
sustentava que a pessoa possui direitos naturais e que não cabe ao Estado garanti-
los ou negá-los, mas simplesmente respeitá-los. A educação é um dever da família,
que deve escolher dentre uma variedade de opções de escolas particulares. Ao
Estado caberia a função de traçar as diretrizes do sistema educacional e garantir,
por intermédio de bolsas, o acesso às escolas particulares para as pessoas de
famílias de baixa renda.
Um ponto importante de disputa que refletiu diretamente na tramitação da primeira
LDB foi a questão do ensino religioso. Enquanto a proclamação da República teve
como pano de fundo a separação entre Estado e igreja, a segunda Carta marca
essa reaproximação. No que diz respeito à educação, instaura o ensino religioso
de caráter facultativo, e de acordo com os princípios de cada família, nas escolas
públicas (art. 153º).
Na disputa, que durou dezesseis anos, as idéias dos liberalistas se impuseram
sobre as dos estatistas na maior parte do texto aprovado pelo Congresso.
A primeira LDB foi publicada em 20 de dezembro de 1961 pelo presidente João
Goulart, quase trinta anos após ser prevista pela Constituição de 1934. O primeiro
projeto de lei foi encaminhado pelo poder executivo ao legislativo em 1948, foram
necessários treze anos de debate até o texto final, que vigourou com as seguintes
características:
 Dava mais autonomia aos órgãos estaduais, diminuindo a centralização do
poder no MEC (art. 10);
 Regulamentava a existência dos Conselhos Estaduais de Educação e do
Conselho Federal de Educação (art. 8 e 9);
 Garantia o empenho de 12% do orçamento da União e 20% dos municípios
com a educação (art. 92);
 Dinheiro público não exclusivo às instituições de ensino públicas (art. 93 e
95);
 Obrigatoriedade de matrícula nos quatro anos do ensino primário (art. 30);
 Formação do professor para o ensino primário no ensino normal de grau
ginasial ou colegial (art. 52 e 53);
 Formação do professor para o ensino médio nos cursos de nível superior
(art. 59);
 Ano letivo de 180 dias (art. 72)
 Ensino religioso facultativo (art. 97)
 Permitia o ensino experimental (art. 104)
Como estrutura possuía 120 artigos, organizados da seguinte maneira:
 Título I - Dos Fins da Educação
 Título II - Do Direito à Educação
 Título III - Da Liberdade do Ensino
 Título IV - Da Administração do Ensino
 Título V - Dos Sistemas de Ensino
 Título VI - Da Educação de Grau Primário
 Capítulo I - Da Educação Pré-Primária
 Capítulo II - Do Ensino Primário
 Título VII - Da Educação de Grau Médio
 Capítulo I - Do Ensino Médio
 Capítulo II - Do Ensino Secundário
 Capítulo III - Do Ensino Técnico
 Capítulo IV - Da Formação do Magistério para o Ensino Primário e Médio
 Título VIII - Da Orientação Educativa e da Inspeção
 Título IX - Da Educação de Grau Superior
 Capítulo I - Do Ensino Superior
 Capítulo II - Das Universidades
 Capítulo III - Dos Estabelecimentos Isolados de Ensino Superior
 Título X - Da Educação de Excepcionais
 Título XI - Da Assistência Social Escolar
 Título XII - Dos Recursos para a Educação
 Título XIII - Disposições Gerais e Transitórias
3.2 Lei de Diretrizes e Bases – Lei 5.692/71 (1971)
Foi publicada em 11 de agosto de 1971, durante o regime militar pelo presidente
Emílio Garrastazu Médici, e continha como características educacionais:

diversificada em função das peculiaridades locais (art. 4)

programas de saúde como matérias obrigatórias do currículo, além do ensino


religioso facultativo (art. 7)

rmação preferencial do professor para o ensino de 1º grau, da 1ª à 4ª séries,


em habilitação específica no 2º grau (art. 30 e 77)

nível superior ao nível de graduação (art. 30 e 77)

graduação ou pós-graduação (art. 33)


educação, não
prevendo dotação orçamentária para a União ou os estados (art. 59)

restituição (art. 63)

habilitação (art. 39)


A estrutura ficou com 88 artigos, organizados da seguinte maneira:
- Do Ensino de 1º e 2º Graus
- Do Ensino de 1º Grau
- Do Ensino de 2º Grau
- Do Ensino Supletivo
- Dos Professores e Especialistas
- Do Financiamento
- Das Disposições Gerais
- Das Disposições Transitórias
3.3 Lei de Diretrizes e Bases – Lei 9.394/96 (1996)
Com a promulgação da Constituição de 1988, a LDB anterior (4024/61) foi
considerada obsoleta, mas apenas em 1996 o debate sobre a nova lei foi concluído.
O texto aprovado em 1996 é resultado de um longo embate, que durou cerca de
seis anos, entre duas propostas distintas. A primeira conhecida como
Projeto Jorge Hage foi o resultado de uma série de debates abertos com a
sociedade, organizados pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, sendo
apresentado na Câmara dos Deputados. A segunda proposta foi elaborada pelos
senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa em articulação com o
poder executivo através do MEC.
A principal divergência era em relação ao papel do Estado na educação. Enquanto
a proposta dos setores organizados da sociedade civil apresentava uma grande
preocupação com mecanismos de controle social do sistema de ensino, a proposta
dos senadores previa uma estrutura de poder mais centrada nas mãos do governo.
Apesar de conter alguns elementos levantados pelo primeiro grupo, o texto final da
LDB se aproxima mais das ideias levantadas pelo segundo grupo, que contou com
forte apoio do governo FHC nos últimos anos da tramitação.
A atual LDB (Lei 9394/96) foi sancionada pelo presidente Fernando Henrique
Cardoso e pelo ministro da educação Paulo Renato em 20 de dezembro de 1996.
Baseada no princípio do direito universal à educação para todos, a LDB de 1996
trouxe diversas mudanças em relação às leis anteriores, como a inclusão da
educação infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação básica.
Principais características
Darcy Ribeiro foi o relator da lei 9394/96

administrativa das unidades escolares (art. 3 e 15)

entas horas distribuídas em duzentos dias na


educação básica (art. 24)

parte diversificada em função das peculiaridades locais (art. 26)


ção básica em curso de nível
superior, sendo aceito para a educação infantil e as quatro primeiras séries da
fundamental formação em curso Normal do ensino médio (art. 62)

pós-graduação (art. 64)

de seus respectivos orçamentos na manutenção e desenvolvimento do ensino


público (art. 69)

filantrópicas (art. 77)

Possui 96 artigos, organizados da seguinte maneira:


- Da educação
- Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
- Do Direito à Educação e do Dever de Educar
- Da Organização da Educação Nacional
- Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
o Capítulo I - Da Composição dos Níveis Escolares
o Capítulo II - Da Educação Básica
- Das Disposições Gerais
II - Da Educação Infantil
- Do Ensino Fundamental
- Do Ensino Médio
- Da Educação de Jovens e Adultos
o Capítulo III - Da Educação Profissional
o Capítulo IV - Da Educação Superior
o Capítulo V - Da Educação Especial
ulo VI - Dos Profissionais da Educação
- Dos Recursos Financeiros
- Das Disposições Gerais
- Das Disposições Transitórias

4. DETALHAMENTO DAS LEIS QUE REGEM O SISTEMA EDUCACIONAL


BRASILEIRO
O sistema educacional no Brasil é baseado na:
4.1 A Constituição Federal de 05/10/1988
CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
SEÇÃO I - DA EDUCAÇÃO.
Artigos 205 ao 2014
Art. 205 - A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art. 206 - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o
saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei,
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, aos das redes públicas;
(Redação anterior) - V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na
forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial
profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar
pública, nos termos de lei federal. (Redação da EC Nº. 53 / 19.12.2006).
Art. 207 - As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa
e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Art. 208 - O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia
de:
I - ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta
gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria;
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de
idade; (Redação da EC Nº. 53 / 19.12.2006).
(Redação anterior) - IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero
a seis anos de idade;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística,
segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência
à saúde.
§ 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta
irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental,
fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à
escola.
Art. 211 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em
regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º - A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará
as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional,
função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica
e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
§ 2º - Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação
infantil.
§ 3º - Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino
fundamental e médio.
§ 4º - Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios
definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino
obrigatório.
Art. 212 - A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita
resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na
manutenção e desenvolvimento do ensino.
§ 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios,
não é considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo
que a transferir.
§ 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no caput deste artigo, serão
considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os recursos
aplicados na forma do art. 213.
§ 3º - A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento
das necessidades do ensino obrigatório, nos termos do plano nacional de
educação.
§ 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos
no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de contribuições
sociais e outros recursos orçamentários...].
Art. 214 - A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual,
visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à
integração das ações do Poder Público que conduzam à:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
4.2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Instituída pela Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, promove a descentralização e a autonomia para as escolas e
universidades, além de instituir um processo regular de avaliação do ensino. Ainda
em seu texto, a LDB promove autonomia aos sistemas de ensino e a valorização
do magistério.
A LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 9394/96, também é
conhecida como Lei Darcy Ribeiro.
É a mais importante lei do sistema educacional, pois traz as diretrizes gerais da
educação brasileira, seja ela pública ou privada.
Da Educação
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa,
nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais.
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve,
predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

Comentário: Percebam que a educação ocorre de forma ampla, enquanto a


educação escolar se dá em ambiente específico.
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Comentário: É o conjunto de finalidades que permeiam a educação que, por sua
vez, é dever da família, mas não pode fazer sozinha, tendo então, a contribuição
do Estado, para que juntos, prezem pelos princípios que visarão o pleno
desenvolvimento do educando e sua qualificação para o trabalho.

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:


I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a
arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos
sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extraescolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
XII – consideração com a diversidade étnico-racial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de
2013)

TÍTULO III
Do Direito à Educação e do Dever de Educar
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a
garantia de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos
de idade, organizada da seguinte forma: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de
2013)
a) pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
b) ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
c) ensino médio; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de idade; (Redação
dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou
superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades,
preferencialmente na rede regular de ensino; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de
2013)
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os que
não os concluíram na idade própria; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística,
segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características
e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se
aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola;
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio
de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação
e assistência à saúde; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e
quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do
processo de ensino-aprendizagem.
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais
próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro)
anos de idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008).

Comentário: Atualmente, da educação básica vai dos 04 aos 17 anos, sendo


obrigatória e gratuita nos estabelecimentos públicos oficiais de ensino.
Atenção ao que diz respeito à vaga perto da residência: especialmente para a
educação infantil ou de ensino fundamental. A Lei não inclui a regra para o Ensino
Médio.

Da Organização da Educação Nacional


Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em
regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino.
§ 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando
os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e
supletiva em relação às demais instâncias educacionais.
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei.

INCUBÊNCIAS DA UNIÃO
Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento)
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema
federal de ensino e o dos Territórios;
III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o
atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função
redistributiva e supletiva;
IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino
fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos
mínimos, de modo a assegurar formação básica comum;
IV-A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, diretrizes e procedimentos para identificação,
cadastramento e atendimento, na educação básica e na educação superior, de
alunos com altas habilidades ou superdotação; (Incluído pela Lei nº 13.234, de
2015)
V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino
fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino,
objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino;
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pósgraduação;
VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação
superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este
nível de ensino;
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os
cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema
de ensino. (Vide Lei nº
10.870, de 2004)
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de
Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado
por lei.
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a
todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos
educacionais.
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e
ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior.
INCUBÊNCIAS DOS ESTADOS
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus
sistemas de ensino;
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino
fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das
responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos
financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder
Público;
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as
diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas
ações e as dos seus Municípios;
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os
cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema
de ensino;
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio a
todos que o demandarem, respeitado o disposto no art.
38 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009)
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Incluído pela Lei nº
10.709, de 31.7.2003)
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos
Estados e aos Municípios.
INCUMBÊNCIAS DOS MUNICÍPIOS
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus
sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e
dos Estados;
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas;
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de
ensino;
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o
ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente
quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de
competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela
Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino.
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. (Incluído pela Lei
nº 10.709, de 31.7.2003)
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema
estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica.
INCUBÊNCIAS DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do
seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração
da sociedade com a escola;
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os
responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre
a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013,
de 2009)
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e
ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que
apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual
permitido em lei.(Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001).
INCUBÊNCIA DOS DOCENTES
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a
comunidade.
Comentário: Os artigos 9º, 10, 11, 12 e 13 são de natureza atributiva, ou seja, trata
da atribuição de responsabilidade dos níveis federal, estadual, municipal,
institucional e docente. Portanto, a leitura compreensiva de cada um supõe uma
visão de conjunto dos demais, a fim de se preservar o eixo compreensivo de
distribuição das tarefas das respectivas incumbências.
4.3 OUTRAS LEIS
Lei n.º 9.475, de 22 de julho de 1997. Dá nova redação ao art. 33 da Lei n° 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional.
"Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação
básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas
de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do
Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos
conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e
admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes
denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso."
Lei nº 9.536, de 11 de dezembro de 1997 - Regulamenta o parágrafo único do art.
49 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996
Lei nº 9.131 de 24 de novembro de 1995 - Altera dispositivos da Lei nº 4.024, de
20 de dezembro de 1961, e dá outras providências
Lei nº 9.192 de 21 de dezembro de 1995 - Altera dispositivos da Lei nº 5.540, de
28 de novembro de 1968, que regulamentam o processo de escolha dos dirigentes
universitários.
Educação Fundamental
Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007 - Lei do FUNDEB - Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.
Ensino Médio
Lei nº. 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB).
Educação Profissional
Legislação da Educação Profissional - Página da Divisão de Educação e
Tecnologia do SENAI, apresenta texto sobre Educação Profissional e disponibiliza
o Glossário da Educação Profissional e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Educação Profissional - Regulamentação da Educação Profissional - Apresenta
as portarias e decretos que regulamentam o funcionamento da Educação
Profissional.
Decreto n.º 2.208, de 17 de abril de 1997. Regulamentação da Educação
Profissional:
Portaria n.º 646, de 14 de maio de 1997. Regulamentação do disposto nos artigos
39 a 42 da LDB e no Decreto nº 2.208/97 e outras providências:
Portaria Nº 646, de 14 de maio de 1997 Regulamenta o Plano de Implantação da
reforma da educação profissional.
Resolução Nº 126, de 23 de outubro de 1996 Aprova critérios para a utilização de
recursos para o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, pela Secretaria de
Formação e Desenvolvimento Profissional - SEFOR, com vistas a execução de
ações de qualificação e requalificação profissional, no âmbito do Programa do
Seguro-Desemprego, no período de 1997/1998.
Resolução Nº 96, de 18 de outubro de 1995 Atribui a execução, a coordenação
programática e a supervisão das ações de qualificação profissional a Secretaria de
Formação e Desenvolvimento Profissional - SEFOR.
Educação Especial
Declaração de Salamanca - Estrutura de Ação em Educação Especial, adotada
pela Conferência Mundial em Educação Especial organizada pelo governo da
Espanha, em cooperação com a UNESCO, realizada em Salamanca entre 7 e 10
de junho de 1994.
Educação Superior
Estatutos e Regimentos das IES - Adaptação à LDB
Regulamentação da Educação Superior - Educação Superior Apresenta as
portarias, decretos e editais que regulamentam o funcionamento da Educação
Superior no Brasil. São 32 modalidades de leis, decretos e normas especificas:
1. Credenciamento e recredenciamento de IES
2. Autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos
3. Cursos de graduação - DCNs
4. Cursos seqüenciais
5. Cursos de extensão
6. Cursos de pós-graduação stricto sensu – Mestrado e Doutorado
7. Cursos de especialização em nível de pós-graduação lato sensu
8. Residência médica
9. Educação a distância
10. Educação especial
11. Educação tecnológica
12. Licenciatura, formação de professores e ISEs
13. Estatutos e regimentos de IES
14. Plano de Desenvolvimento Institucional
15. SAPIEnS
16. Cadastro das instituições de educação superior
17. Fundação de Apoio
18. Condições de oferta
19. Colégios de aplicação de IFEs
20. Ensino militar
21. Estágio e internato
22. Freqüência e regime especial
23. Período letivo
24. Processo seletivo
25. Matrícula, transferência e trancamento
26. Cursos livres de teologia
27. Diplomas – registro e revalidação
28. Aproveitamento de estudos
29. Convalidação de estudos
30. Regime acadêmico
31. Mensalidades escolares
32. Prestação de Contas
Legislação sobre Ensino Superior. Banco de dados do Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras (CRUB) sobre legislação da educação superior: Leis,
Decretos, Portarias, Resoluções e Pareceres.
Educação a distância
Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998. Regulamenta o Art. 80 da LDB (Lei
n.º 9.394/96):
Decreto n.º 2.561, de 27de abril de 1998. Altera a redação dos artigos 11 e 12 do
Decreto n.º 2.494:
Portaria n.º 301, de 7 de abril de 1998. Normatiza os procedimentos de
credenciamento de instituições para a oferta de cursos de graduação e educação
profissional tecnológica a distância:
Base Legal - Proformação
A Lei 9131/95 criou o Conselho Nacional de Educação (CNE), composto por
duas câmaras autônomas: a Câmara de Educação Superior e a Câmara de
Educação Básica. Cabe ao CNE auxiliar o MEC na formulação e avaliação da
política nacional de educação.
Já o Plano Nacional de Educação foi instituído pela Lei 10172/01. Ele
estabelece uma série de metas que deverão ser implementadas até 2010.
A Lei 11096/05 criou o Programa Universidade para Todos (ProUni), por
intermédio do qual alunos de baixa renda recebem bolsas para estudar em
instituições privadas. O ProUni foi instituído inicialmente por medida provisória.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) foi
estabelecido pela Lei 10061/04;
E o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) é objeto
da Lei 10260/01. Outra lei importante é a 8958/94, que define a relação entre as
fundações de apoio e as instituições de ensino superior e de pesquisa científica e
tecnológica.
O Decreto 3860/01 classifica as instituições de ensino superior, define suas regras
de credenciamento e de autorização de cursos, entre outras.

5 FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO
Garantir recursos adequados para fornecer educação de qualidade a todos, no
caso brasileiro, é uma preocupação tardia. Embora as Constituições Federais, de
1934, 1946, 1967 e mesmo a atual de 1988, previssem percentuais de impostos a
serem investidos na educação pelos diferentes entes federativos, o fato é que a
destinação específica para a educação básica só irá acontecer em meados da
década de 1990, com a criação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), como consequência da
Emenda Constitucional nº 14/96.
Com o término do prazo de validade do FUNDEF (2006), a Emenda Constitucional
nº 53 abre caminho para a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação
Básica e Valorização do Magistério (FUNDEB). Este Fundo estende para toda a
educação básica a aplicação de menos de 20% dos impostos arrecadados para
cobrir as despesas com a manutenção de instituições escolares, que vão desde
creches até o ensino médio.
Em grande parte, a nova orientação, seguida a partir dos anos 1990, decorre do
que foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988 que, no § 1º do artigo 208,
institui a figura jurídica do direito público subjetivo à educação obrigatória.
Na esteira do dispositivo constitucional, a LDB atual introduz mecanismos que
aperfeiçoam a questão do financiamento da educação. Importante assinalar que os
artigos 70 e 71 disciplinam melhor o que pode e o que não pode ser considerado
como gastos com educação. Já o artigo 69 elenca os procedimentos que deverão
ser adotados para o repasse dos recursos para o setor educacional.
No que diz respeito à valorização do magistério, a Emenda Constitucional nº 53
(BRASIL, 2012) adiciona ao artigo 206 o inciso VIII que institui a obrigatoriedade do
estabelecimento de piso salarial nacional para o magistério, já regulamentado por
lei. Esta lei ficou conhecida como a “lei do piso”, a qual também determina que 1/3
da jornada de trabalho do professor seja dedicada às atividades de natureza
pedagógica a serem realizadas fora da sala de aula.
Governadores de alguns estados arguiram junto ao STF (Supremo Tribunal
Federal) a inconstitucionalidade da lei 11.738. Entretanto, o STF entende ser a lei
constitucional em relação ao piso salarial. Posteriormente, essa lei conheceu nova
arguição de inconstitucionalidade, desta vez, em relação à jornada de trabalho do
magistério.
O financiamento da educação básica: limites e possibilidades
A organização do sistema educacional brasileiro, segundo a Constituição Federal
de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/96), se
caracteriza pela divisão de competências e responsabilidades entre a União, os
estados e municípios, o que se aplica também ao financiamento e à manutenção
dos diferentes níveis, etapas e modalidades da educação e do ensino.
Todavia, essa forma de organização não indica, necessariamente, um sistema
plenamente descentralizado. A efetiva descentralização vem-se constituindo em
um grande desafio, visando à consolidação da dinâmica federativa do Estado
brasileiro e à democratização do poder e dos processos decisórios nas suas
diferentes estruturas organizacionais.
Para o financiamento da educação, como outros serviços, o Estado usa a receita
pública. Ela pode ser compreendida como o conjunto dos recursos econômicos e
financeiros previsto no orçamento de um Estado e arrecadado compulsoriamente
para fazer face às suas despesas. A Lei nº. 4.320/64 divide e classifica a receita
pública em dois grupos: receitas correntes e receitas de capital.
Dentro da receita, o Estado tem a despesa pública, que pode ser classificada ou
definida como todo e qualquer desembolso “efetuado pela Administração Pública,
nos termos da legislação financeira, licitatória e orçamentária, subordinado à
classificação e aos limites dos créditos orçamentários, com vistas a realizar suas
competências constitucionais” (UNICEF, s/d, p. 30).
Existem duas modalidades de despesas públicas: despesas correntes e
despesas de capital.
As despesas correntes são aquelas efetuadas pela administração pública no
sentido de promover a execução e a manutenção da ação governamental. Essas
despesas desdobram-se em despesas de custeio e transferências correntes.

Já as despesas de capital são aquelas “realizadas pela Administração Pública


destinadas a formar um bem de capital ou adicionar valor a um bem já existente,
assim como transferir, por compra ou outro meio de aquisição, a propriedade entre
entidades do setor público ou do setor privado para o primeiro” (UNICEF, s.d., p.
31). Essas despesas são classificadas em: investimentos, inversões financeiras e
transferências de capital. Exemplo: aquisição de terreno, construção ou ampliação
da escola.

GESTÃO DA ESCOLA
Os recursos vinculados constitucionalmente à Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino (MDE) se originam de uma fatia da receita pública e não à sua totalidade.
Eles se originam da chamada receita de impostos.
Os impostos se desdobram em quatro categorias:
• imposto sobre o comércio
• imposto sobre o patrimônio e a renda
• imposto sobre a produção e a circulação
• imposto extraordinário
Os impostos se diferenciam segundo a natureza da arrecadação e da transferência.

O FUNDEF: principais características, fonte de recursos, custo-aluno Em 1996, a


Emenda Constitucional nº. 14/96, que criou o Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério
(FUNDEF), introduziu modificações no texto do art. 60 da Constituição Federal/88.
Assim, o art. 60 da Constituição ficou com a seguinte redação:
Art. 60. Nos dez primeiros anos da promulgação desta Emenda, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios destinarão não menos de sessenta por cento dos
recursos a que se refere o caput do art.
212 da Constituição Federal, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino
fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização de seu atendimento e
a remuneração condigna do magistério. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº. 14, de 1996).
§ 1º A distribuição de responsabilidades e recursos entre os Estados e seus
Municípios a ser concretizada com parte dos recursos definidos neste artigo, na
forma do disposto no art. 211 da Constituição Federal, é assegurada mediante a
criação, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do
Magistério, de natureza contábil. (Incluído pela Emenda Constitucional nº. 14, de
1996).
§ 2º O Fundo referido no parágrafo anterior será constituído por, pelo menos, quinze
por cento dos recursos a que se referem os arts. 155, II; 158, ;IV; e 159, I, alíneas
"a" e "b" e II, da Constituição Federal, e será distribuído entre cada Estado e seus
Municípios, proporcionalmente ao número de alunos nas respectivas redes de
ensino fundamental. (Incluído pela Emenda Constitucional nº. 14, de 1996).
§ 3º A União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o § 1º, sempre
que, em cada Estado e no Distrito Federal, seu valor por aluno não alcançar o
mínimo definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº. 14, de
1996).
A Lei nº. 9.424, de 24 de dezembro de 1996, que instituiu o FUNDEF no âmbito dos
Estados e do Distrito Federal, diz que este é um fundo de natureza contábil, o que
significa que ele não tem órgão gestor ou personalidade jurídica. Essa modalidade
– FUNDO – foi escolhida por promover maior agilidade no que concerne à captação
e distribuição de recursos entre o governo estadual e o municipal, de forma
proporcional ao número de alunos matriculados anualmente nas escolas
cadastradas das respectivas redes de ensino fundamental. A efetivação do fundo
se dá mediante sistema de contas bancárias dos estados, Distrito Federal e
municípios (art. 1º). Essas contas recebem automaticamente os recursos
provenientes dos impostos especificados pela lei e os redistribuem com base no
mínimo de alunos de cada ente federado, no âmbito de cada estado da federação.
O FUNDEF tem seus recursos originados das seguintes fontes:
● 15% do Fundo de Participação dos Municípios – FPM
● 15% do Fundo de Participação dos Estados – FPE
● 15% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS
● 15% do Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional às Exportações –
IPIexp
● 15% do ressarcimento da União pela Desoneração de Exportações (LC nº 87/96)
e
● Complementação da União
Ministério da Educação definiu em R$ 2.875,03 o valor anual mínimo por aluno que
deverá ser investido em 2017. Conforme a lei que instituiu o repassado pelo Fundo
de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o governo federal repassa a
complementação aos estados e respectivos municípios que não alcançam com a
própria arrecadação o valor mínimo nacional por aluno estabelecido a cada ano.
Em 2016, esse valor é de R$ 2.739,80 e os estados que recebem a
complementação são: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará,
Paraíba, Pernambuco e Piauí, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE).

GESTÃO
Gestor ou Administrador?
Para entender a Gestão Escolar, é preciso conceituar os termos gestão e
administração. Ambos têm origem latina (gerere e administrare). O primeiro termo
(gerere) tem o sentido de governar, conduzir, dirigir. O segundo termo
(administrare), tem um significado mais restrito – gerir um bem, defendendo os
interesses daquele que o possui – constituindo-se em uma aplicação do gerir. Para
outros autores, como Wittmann e Franco, no entanto “como uma instância inerente
à prática educativa, que abrange o conjunto de normas/diretrizes e
práticas/atividades que garantem, de um lado, o significado ou o sentido histórico
do que se faz e, de outro lado, a unidade do conjunto na diversidade de sua
concretização.
A administração da educação engloba as políticas, o planejamento, a gestão e a
avaliação da educação.” (1998, p. 27).
Assim, entendida como uma ampla coordenação de esforços para realizar a
implementação de políticas e planos, a Gestão passa a ser uma parte da
administração.
Quando falamos em Gestão Escolar trata-se, numa visão atual, do conjunto de
funções desempenhadas pelos “atores institucionais” da escola (ou seja, toda a
comunidade escolar), com diferentes graus de complexidade e responsabilidade,
coordenadas pela equipe técnico-pedagógica, encabeçada pelo diretor da escola.
Já fica claro, portanto, que desvinculamos da figura do diretor da escola todas as
características de autoridade máxima, unipessoalidade, centralização, linha
hierárquica, ênfase e relevo único – e às vezes onipotência – que lhe eram
atribuídas há alguns anos (em especial na década de 70).
Na década de 80, com a redemocratização da sociedade brasileira, isso começa a
ser questionado e a direção colegiada surge nas escolas – falaremos dela em uma
próxima aula.
O termo “Gestor”, amplamente utilizado na atualidade, amplia as competências
exigidas deste profissional, demandando uma visão ampla, dinâmica e articulada,
conjugando decisão e avaliação constantes. Seja qual for a concepção utilizada,
entendemos que o conhecimento histórico das Teorias da Administração,
aplicando-as à realidade escolar, é fundamental para a formação do gestor.
Teorias da Administração
Os teóricos da área especifica de Administração dividem o campo administrativo
em três grandes grupos:
1 Teorias tradicionais de Gestão
2 Teorias modernas de Gestão;
3 Teorias emergentes de Gestão.
1. Teorias tradicionais de Gestão: A origem deste conjunto teórico coincide com
as enormes transformações trazidas pela Revolução Industrial. O aparecimento
das fábricas fez surgir um primeiro paradigma, que defendia a produção
racionalizada, a supervisão estreita e contínua, a obediência hierarquicamente
estruturada e a divisão de tarefas. Tais teorias tiveram enorme importância histórica
e ganharam destaque até a década de 60.
No início do século XX, dois engenheiros desenvolveram trabalhos revolucionários
em relação à Administração. Um deles era o americano Frederick Winslow Taylor,
criador da Escola de Administração Científica; o outro era o francês Henri Fayol,
criador da Escola Clássica de Administração.
 Administração Científica (Taylorismo): com ênfase nas tarefas, buscava
a racionalização do trabalho no nível operacional, ou seja, o foco era no
empregado. Apesar de apresentar como vantagens a produtividade e a
eficiência, não levava em consideração as necessidades sociais dos
funcionários.
 Teoria Clássica (Fayol): também apresentava ênfase na estrutura. No
entanto, o foco estava no gerente (visão de cima para baixo). Defendia o
planejamento como uma das funções principais do administrador, o qual
teve a profissionalização de seu papel como gerente.
2. Teorias modernas de gestão: Este corpo teórico ganhou tal complexidade, que
não estamos tratando mais de modelos de organização – com a sua consequente
forma de gestão – mas de conhecimentos consistentes e muito abrangentes,
envolvendo aspectos técnicos, humanos e estratégicos das organizações. Muitos
tomam por marco inicial desta fase a publicação da obra A Prática da Administração
de Empresas, de Peter Drucker, em 1954. Ela inaugura um novo aporte teórico: a

Administração por Objetivos.


Administração por objetivos (APO)
A APO tem sete princípios fundamentais:
 Mudanças ambientais – provocam intensa necessidade de mudanças não
só na organização, mas também no comportamento dos gestores.
 Definição e multiplicidade dos objetivos – talvez o mais importante princípio,
determina que os objetivos da organização devem ser ampliados,
claramente identificados e conhecidos por todos os envolvidos no processo.
Devem ter, além do mais, definidas claramente as suas formas de medida e
avaliação.
 Criação de oportunidades – considera a gestão como uma tarefa criativa, e
não apenas adaptada ao que já existe e está definido.
 Desenvolvimento pessoal – enfatiza a ampliação e o aprimoramento dos
recursos humanos da empresa.
 Descentralização administrativa – promove o aperfeiçoamento da
organização, mas deve partir de uma rigorosa avaliação diagnóstica.
 Autocontrole – “um dos maiores benefícios da administração por objetivos
foi o fato de ela ter permitido substituir a administração através da dominação
pela administração através do autocontrole.” (DRUCKER, 1981, p. 123-124).
 Autoridade e liderança – a gerência não é o único grupo de liderança, pois
ela deve ser descentralizada.
Embora bastante rica, a Administração por Objetivos foi muito criticada pela falta
de embasamento experimental e por desconsiderar que existe um conflito
fundamental entre os objetivos do trabalhador e da organização.
3. Teorias emergentes de Gestão:
Trata-se do paradigma mais recente, correspondente às duas últimas décadas, e
que, em alguns casos, ainda se encontra mais no universo das pesquisas sobre
administração do que na prática cotidiana das empresas. Merece destaque a
influência, sobre ele, do enorme desenvolvimento tecnológico, vivenciado pela
humanidade neste período. Costuma-se tomar como marco referencial deste
paradigma a publicação, em 1982, da obra O Ponto de Mutação, de Fritjof Capra,
que preconizava o Holismo ou Totalidade na Ciência.
Reengenharia: A velocidade com que as tecnologias de informação se
desenvolveram, provocou a necessidade de adaptações aceleradas da empresa
ao ambiente.
Segundo Abreu (1994), a Reengenharia é implementada em quatro fases:
Estratégia: elaboração do planejamento estratégico da empresa, considerando as
condições e os recursos existentes.
Ativação: ênfase nos ganhos obtidos com a reengenharia dos processos (em
termos de melhoria da qualidade, incremento da produtividade e redução dos
custos).
Melhoria: é o momento da agregação de valor aos processos e aos serviços
oferecidos, pela empresa, aos clientes.
Redefinição: formação de novas unidades de negócios / serviços, em função da
reengenharia.
Entre as mudanças profundas provocadas pela reengenharia, podemos citar como
exemplos: os papéis dos trabalhadores ganham maior autonomia; o enfoque de
mero treinamento para as tarefas, muda para educação; as estruturas da
organização mudam de hierárquicas para niveladas; os gerentes mudam de
supervisores para capacitadores; os critérios de promoção mudam de desempenho
para habilidade ou competência. (FERREIRA et al, 1997, p. 213).
Tudo acaba, portanto, na construção coletiva de uma “cultura empreendedora”.
É justamente sobre a dificuldade de se chegar a esta cultura, que incidem críticas
à Reengenharia. Outras críticas se voltam para a radicalidade das mudanças
exigidas por ela e para as demissões realizadas.
Administração virtual
Este modelo revolucionário está ligado à verdadeira “revolução da informação”,
ocorrida nos anos 90.
A Administração Virtual é realizada por pessoas reais, que dominam a informação
em tempo real e estabelecem relacionamentos confiáveis. Requer uma preparação
mais aprimorada dos trabalhadores e o entendimento de que o controle não deixa
de existir, apenas muda de configuração (realiza-se on-line).
Ferreira et al (1997, p. 205) dizem, sobre a Administração Virtual: “A virtualidade
deve ser entendida sob pelo menos dois pontos de vista distintos. O cliente percebe
como um atendimento instantâneo aos seus desejos. A empresa parece existir a
qualquer hora, em qualquer lugar, potencialmente pronta para atendê-lo.”
Essa forma de administrar sofre três críticas principais: o aumento do stress das
pessoas, pela rapidez com que as coisas acontecem, a tendência à impessoalidade
das relações e a desvalorização do trabalho humano.
O termo Gestão Escolar foi criado para se diferenciar da expressão Administração
Escolar e trazer para o contexto educacional elementos e conceitos fundamentais
para aumentar a eficiência dos processos institucionais e melhorar o ensino.
Sendo assim, conforme destaca a especialista em educação Heloísa Lück, a
Gestão escolar relaciona-se a uma atuação que foca em promover a organização,
mobilização e articulação das condições essenciais para garantir o avanço do
processo socioeducacional das instituições de ensino e possibilitar que elas
promovam o aprendizado dos estudantes de forma efetiva.
A gestão escolar aborda questões concretas da rotina educacional e busca
garantir que as instituições de ensino tenham as condições necessárias para
cumprir seu papel principal: ensinar com qualidade e formar cidadãos com
as competências e habilidades indispensáveis para sua vida pessoal e
profissional.

1- Gestão Escolar Pedagógica


A gestão pedagógica é o pilar mais importante da gestão de escolas e cursos, sejam eles
cursos profissionalizantes, cursos livres, cursos de idiomas ou de ensino superior.

Afinal está diretamente ligada à atividade fim do setor educacional. Gerir essa área
está relacionada com a organização e planejamento do sistema educacional, o
gerenciamento de recursos humanos e a elaboração e execução de projetos
pedagógicos. Também fica a cargo da gestão pedagógica estabelecer metas que
tenham como foco melhorar as práticas educacionais nas instituições de ensino e
descobrir outras maneiras de ensinar mais e melhor. Para garantir que toda essa
didática funcione, é essencial a atuação dos líderes educacionais.
Os diretores e coordenadores de escolas e cursos são responsáveis por
ações vitais para o desenvolvimento da instituição, tais como:
 Articular as concepções, estratégias métodos e conteúdos no ambiente
educacional
 Definir as metas necessárias para otimização dos processos pedagógicos
 Conseguir fazer com que os profissionais de ensino e a comunidade escolar
assumam esse compromisso como seu o objetivo de melhorar a educação
 Despertar no professor a vontade de ensinar e no aluno a vontade de
aprender.
 Avaliar o trabalho pedagógico exercido por professores e praticados na
instituição
 Estabelecer formas de envolver mais os docentes na educação
 Criar um ambiente estimulante e motivador para a comunidade escolar
É importante também que o diretor escolar esteja em contato aberto com os
educadores para estabelecer o foco da aprendizagem e promover a educação
como um todo, dando atenção ao currículo escolar e metodologia de ensino em
vigor e sugerindo eventuais mudanças.
2- Gestão Escolar Administrativa
A gestão administrativa é requisito para a qualidade da gestão pedagógica e da
educação
O objetivo da gestão escolar administrativa nos colégios e cursos é cuidar dos
recursos físicos, financeiros e materiais da instituição, zelar pelos bens e garantir
que eles sejam bem utilizados em prol do ensino. Para que ela funcione, é
necessário estar atento às rotinas da secretaria, legislação educacional, processos
educacionais, manutenção patrimonial e várias outras tarefas e atribuições
fundamentais para que tudo flua bem e para que os professores tenham tudo o que
precisam para ensinar com qualidade.
Entre as principais atribuições da gestão administrativa nas escolas e cursos
estão:
 Organizar e administrar os recursos físicos, materiais e financeiros da escola
ou curso>
 Organizar a necessidade de compras, consertos e manutenção dos bens
patrimoniais
 Manter o inventário dos bens e patrimônios da instituição atualizados
 Manter o ambiente limpo e organizado
 Garantir a correta utilização dos materiais da instituição de ensino
 Garantir o cumprimento das leis, diretrizes e estatuto do colégio ou curso
 Utilizar as tecnologias da informação para melhorar os processos de gestão
em todos os segmentos da escola.
3- Gestão Escolar Financeira
Se por um lado a gestão escolar administrativa levanta as necessidades de colégios
e cursos, por outro, a gestão financeira organiza os proventos, prioriza os gastos e
distribui de forma ordenada o orçamento da instituição para que todos os setores
tenham as suas necessidades atendidas.
Por isso, ter um setor financeiro capaz de tomar decisões rápidas e certeiras é
fundamental para garantir que as áreas pedagógica e acadêmica funcionem bem e
a escola cresça com segurança.
Especialistas em finanças educacionais apontam que 5 pilares precisam ser
monitorados constantemente para colégios e cursos não irem à falência. São eles:
 Calcular corretamente os gastos
 Resumir as entradas e saídas financeiras da instituição – manter o fluxo de
caixa organizado
 Manter a inadimplência sob controle
 Definir orçamentos por centro de custo
 Prestar contas e dar retorno sobre os gastos
4- Gestão de Recursos Humanos nas escolas e cursos
Nenhuma instituição pode ser melhor do que as pessoas que nela atuam e do que
a competência que põem a serviço da educação. Heloísa Lück
Além da gestão pedagógica, administrativa e financeira, a área de recursos
humanos também deve ser uma preocupação constante no trabalho do gestor
escolar. Afinal, por lidar diretamente com o relacionamento de alunos, funcionários,
educadores e a comunidade de pais e responsáveis, ela representa uma área
bastante sensível da gestão.
Além de manter o bom relacionamento entre todas as partes, a área da gestão
escolar voltada para a administração dos recursos humanos tem como papel
fundamental motivar a equipe de colaboradores e manter os professores engajados
com o projeto de ensino adotado. O gestor deve criar um ambiente no qual todos
se sintam estimulados para contribuir com o rendimento da escola ou curso como
um todo.
Para garantir um bom entrosamento entre sua equipe, os líderes escolares devem:
 Engajar os docentes com o ensino, a proposta da instituição e os resultados
 Saber distribuir as tarefas entre os setores e pessoas
 Investir em ferramentas que facilitem o trabalho da equipe
 Incentivar a formação continuada e investir no aprimoramento dos
colaboradores
 Avaliar os funcionários e orientá-los sobre como corrigir seus erros
 Ressaltar os pontos fortes e parabenizar os colaboradores por seus acertos
 Manter um clima de cooperação, entrosamento e respeito entre os
colaboradores
Ou seja, no exercício de sua liderança, os diretores e coordenadores devem pautar
seu trabalho de desenvolvimento humano na motivação da equipe,
compartilhamento de responsabilidades, capacitação profissional,
desenvolvimento de habilidades e, é claro, em uma comunicação eficiente para que
todos estejam alinhados e trabalhando por um mesmo ideal.
5- Gestão da comunicação
A gestão da comunicação está diretamente relacionada com a gestão escolar de
recursos humanos, mas ela não se basta apenas em garantir que os colaboradores
estejam satisfeitos e motivados. Ela se projeta para além dos muros das instituições
e envolve toda a comunidade escolar.
Uma boa comunicação garante que:
 Os professores estejam alinhados com a proposta da instituição
 Os setores saibam quais são suas prioridades
 Os colaboradores entendam que suas tarefas influenciam na realização do
todo
 Os alunos se mantenham engajados e focados no aprendizado
 Os pais entendam a importância do seu papel no processo de ensino
E também que os pais e responsáveis tenham um retorno adequado sobre o
investimento que estão fazendo e vejam a instituição como sua parceira nessa
difícil jornada que é educar e formar cidadãos de bem, preparados para o mercado
de trabalho, e para a vida.
Entre algumas tarefas competentes à área de comunicação no ambiente
educacional estão:
 Manter os responsáveis informados sobre as atividades da instituição
 Manter os responsáveis informados sobre as atividades e tarefas dos filhos
 Informar aos responsáveis se os alunos estão realizando as tarefas
propostas pelos professores
 Informar aos responsáveis sobre notas, frequência e ocorrências
disciplinares dos alunos
 Manter o aluno informado sobre o calendário de provas e atividades da
instituição
 Manter o aluno informado sobre eventos e comunicados da instituição
Por envolver e integrar todos os setores, realizar uma boa gestão da comunicação
ajuda escolas e cursos a acabarem com problemas conhecidos na rotina escolar e
desenvolver a sua instituição de ensino.
Entre os benefícios de ter um setor de comunicação atuante estão:
 Prevenção da evasão
 Controle da indisciplina
 Redução da inadimplência
 Aumento da produtividade dos professores
 Aumento do engajamento dos alunos
 Aproximação com os responsáveis
 Melhora na relação entre a comunidade escolar
 Aumento da confiança dos pais na instituição de ensino
6- Gestão de tempo e Eficiência dos processos
Por último, mas não menos importante, a gestão do tempo está diretamente
relacionada com a produtividade dos setores e com a eficiência dos processos da
instituição. Os setores da escola funcionam como as engrenagens de um relógio e,
se algo não funciona, ou funciona mal, gera atrasos ou até a parada dos ponteiros.
É comum que, por realizarem diariamente os mesmos processos, os professores e
a área de secretaria acabem se acostumando com o modo de fazê-los e não
percebam que algo está errado ou que poderia ser melhorado. Aproveitar bem o
tempo de trabalho é saber utilizá-lo para realizar as atividades com maior prioridade
na instituição, por isso, cabe ao diretor e ao coordenador escolar saber organizar,
delegar e priorizar as tarefas de sua equipe para que seus dias sejam mais
produtivos.
Como os bons relojoeiros, os gestores precisam manter os olhos e ouvidos bem
atentos e prestar atenção em todas as etapas do processo para conseguir mapear
e identificar quais engrenagens que atrasam ou prejudicam cada setor. Esse é um
trabalho árduo, afinal essas engrenagens podem ser tarefas, processos, modo de
execução e até mesmo pessoas. Mas fazendo as perguntas certas, tudo fica mais
fácil
Vamos fazer um exercício. Pense em cada setor da sua instituição e pergunte-se:
 Quais são os maiores problemas da minha escola ou curso hoje?
 A quais setores esses problemas estão relacionados?
 Quais tarefas demandam mais tempo para serem concluídas?
 Quais tarefas envolvem muitos colaboradores?
 Quais colaboradores estão envolvidos com essas tarefas?
 Quais tarefas trazem mais retorno para a instituição?
 Quais tarefas podem ser automatizadas?
 Como posso tornar esses processos mais eficientes?
Esse é um exercício básico de reflexão que você pode realizar diariamente e com
certeza vai ajudar muito a melhorar a sua gestão escolar Sabemos que fazer tudo
funcionar em compasso depende da boa administração de muitos fatores e que
isso demanda tempo. Mas gerir com excelência é se manter na busca constante
pelo desenvolvimento da equipe e pela melhoria dos processos e quanto mais você
se esforçar, melhor serão os resultados da sua instituição.
Perfil do gestor escolar contemporâneo
O gestor escolar é quem coordena todas as atividades da instituição de ensino.
Veja qual é o perfil ideal para ocupar esse cargo de enorme responsabilidade.
Gestão escolar participativa: vantagens e implementação prática

Nos últimos anos, observa-se o aumento na participação dos cidadãos nos


processos e decisões que afetam suas necessidades e interesses. Na esfera da
Educação, não poderia ser diferente, afinal o processo educativo está intimamente
ligado às demandas sociais da comunidade em que a escola se insere.

Assim como acontece com qualquer organização, o desempenho eficiente da


escola nessa tarefa está condicionado à participação efetiva de todos os
interessados, tanto os gestores quanto os pais, alunos, professores e funcionários.

Entenda melhor como funciona a gestão participativa, sua importância para a


formação de novos cidadãos e como torná-la uma realidade na sua escola.
O que é gestão participativa?

Gestão participativa pode ser definida como uma parceria entre os gestores e a
comunidade escolar em que ambas as partes se mobilizam e participam das
decisões tomadas pela escola.

Isso não significa que os participantes devam receber explicações e tomar ciência
dos atos da direção, mas sim assumir e reconhecer seu poder sobre a dinâmica
escolar, participar efetivamente do processo decisório, com ampla liberdade para
opinar e sugerir diferentes formas de se resolver determinado problema.

Benefícios imediatos da gestão participativa


A gestão participativa séria, comprometida e eficiente é capaz de trazer melhorias
pedagógicas reais para o processo educacional e consequentemente para todos
os envolvidos.

• Para os alunos:

- Cobra mais profissionalismo dos professores e gestores;


- Garante uma grade curricular atualizada e adequada ao contexto socioeconômico
da comunidade;
- Estimula o engajamento dos pais, o que melhora o desempenho escolar
- Motiva e melhora o desempenho do aluno;
- Demonstra na prática a importância da democracia.

• Para os gestores
- Facilita o processo de tomada de decisões importantes;
- Divide a responsabilidade pelos resultados do processo de decisão;
- Alivia a pressão decorrente do cargo, melhorando a qualidade de vida do gestor;
- Diminui o isolamento físico, administrativo e profissional dentro da própria equipe.
• Para a sociedade
- Desenvolve objetivos comuns à escola e à comunidade;
- Atende melhor às demandas da comunidade;
- Proporciona amadurecimento pessoal e aumento do senso de cidadania aos
envolvidos;
- Dá voz a pessoas que costumam ser excluídas dos processos de decisão, como
por exemplo os funcionários.
- Forma cidadãos conscientes da importância da democracia para garantir que suas
necessidades sejam atendidas.

Gestão participativa e democracia


Democracia é traduzida como uma forma de governo com a participação direta do
povo, em que cada indivíduo tem um real poder de participação nas decisões
importantes para a sociedade.

Quando a administração é feita de modo centralizador, engessado e burocrático,


vários aspectos da pluralidade cultural da comunidade em que a escola se insere
são deixados de lado. Não significa que o gestor seja ruim, e sim que ele pode não
ter contato com realidades diferentes da sua, o que dificulta a compreensão das
necessidades dessas pessoas.

Para que todas as demandas da sociedade sejam cumpridas, é fundamental que


todas as suas camadas tenham voz. Isso significa que a qualidade do ensino e a
formação de alunos preparados para descobrir o seu lugar no mundo dependem
da colaboração de todos.

Como bônus, a gestão democrática ensina ao aluno a importância de participar das


decisões que envolvem seus interesses e suas necessidades e os prepara para
defender o interesse comum e fazer valer seus direitos também fora da escola.

Como implementar na prática?


Em primeiro lugar, o gestor que deseja implementar a gestão democrática em sua
escola precisa despir-se da postura de “chefe”. A administração democrática
baseia-se principalmente na capacidade de ouvir e aceitar sugestões e críticas e
rebatê-las com argumentos quando necessário.

Essas atitudes criam um clima amistoso e receptivo, em que a comunidade escolar


se sente à vontade para sentar à mesa com a direção e a coordenação para expor
suas idéias. Aliado a isso, cabe ao gestor ressaltar a importância e os benefícios
da participação, valorizar a capacidade dos envolvidos e desenvolver a prática de
assumir responsabilidades em conjunto.

Algumas ferramentas que podem ser exploradas nesse sentido são os conselhos
com poder de decisão, como APM, conselho de escola e o Grêmio Estudantil, bem
como as reuniões pedagógicas.

Referências
ADRIÃO, Theresa & OLIVEIRA, Romualdo P. de (orgs.). Gestão, financiamento
e direito à educação: análise da LDB e da Constituição Federalre. São Paulo:
Xamã, 2001.
FONTOURA, Amaral. Diretrizes e bases da educação nacional : introdução,
crítica, comentários, interpretação. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora,
1968.
História Educacional Brasileira. Disponível em: <www.mec.gov.br>. Acesso em
outubro. 2017.
MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Verbete
legislação educacional. Dicionário Interativo da Educação Brasileira -
Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em:
<http://www.educabrasil.com.br/legislacao-educacional/>. Acesso em: 05 de out.
2017.
VILALOBOS, João Eduardo Rodrigues. Diretrizes e bases da educação: ensino
e liberdade. São Paulo: EDUSP, 1969.

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