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POÉTICAS CIBERTEXTUAIS, POLÍTICO-PREFIGURATIVAS

Bráulio de Britto Neves


(Doutor em Multimeios - Unicamp, 2011)

Introdução

O propósito do presente projeto de pesquisa é desenvolver uma metodologia para a produção de


interpretações de artefatos retóricos1 audiovisuais e/ou cibertextuais feitas a partir da investigação
da sua uberdade agorapoiésica, ou seja, da sua capacidade de propiciar a instauração de contextos
de pertencimento coletivo dotados de agência política 2. Esta metodologia interpretativa pretende ser
desenvolvida tanto no plano conceitual, gerando um repertório de operadores e procedimentos
analíticos, quanto no plano teórico-prático, desenvolvendo gabaritos de produção de cibertextos
audivisuais e de desenvolvimento de novos artefatos retóricos dirigidos a suprir demandas e
necessidades de organização coletiva. Tais necessidades e demandas deverão ser diagnosticadas e
coletadas pela observação participante de grupos e movimentos ciberativistas em processo de
organização e/ou empenhados em mobilizações coletivas. Nosso objeto de análise serão os usos
concretos, pelos coletivos referidos, de plataformas on-line de entrosamento social (“redes sociais”)
e de compartilhamento de audiovisual, das suas rotinas de produção de enunciações e de suas
atividades de desenvolvimento de novos artefatos retóricos.

Justificativa

Mais especificamente, esta pesquisa dirige-se à interpretar conceitual e praticamente a defasagem


entre as formas “multitudinárias” (Negri e Hardt, 2004) ou “distribuídas” (Galloway e Thacker,
2007; Vehlken, 2013; Arquilla e Ronfeldt, 2001), de produção de representações políticas e as
matrizes sociotécnicas de interpretação coletiva dessas representações. O problema, a nosso
parecer, é de caráter retórico-comunicativo3. Os arranjos representacionais atualmente em uso,
como os do telejornalismo massivo; do documentarismo de “estilos” expositivo, observacional ou
mesmo subjetivo-performativos4; das práticas curatoriais dos festivais e mostras de cinema e
exposições de vídeo-arte; ou mesmo dos documentários telemáticos imersivos de apreciação
1 Vide, infra, discussão sobre “Análise do Discurso Artefactual”.
2 Pretende-se, na consideração de agência política, avaliar (1) a correspondência dessas formas de pertencimento à
categorias pre-existentes, usadas na denominação de universos de discurso do modelo das democracias modernas,
como esferas públicas (ref. Habermas), contrapúblicos e subpúblicos (Negt e Kluge, 1993; Hansen, 1993, 1997;
Warner, 2002). Será examinada também (2) a pertinência da introdução de novas categorias (de
semi-/quasi-/pseudo-publicidade), consistentes com as hibridizações das ações comunicativas realizadas nos
contextos de interação contemporâneos (ref. Papacharissi, 2010)
3 Vide infra, sobre a confluência proposta de conceitos da teorias do agir comunicativo, do reconhecimento e da
retórica especulativa peirceana.
individualizada– i-docs5 – não tem sido capazes de proporcionar experiências de apreciação não-
linear dialógica coletiva congruentes com a dinâmica participativa, a intensidade afetiva e
estruturação auto-poiésica dos eventos-imagem de expressão multitudinária (Routledge, 1997;
Yang, 2000; Juris, 2008). Em termos de reflexividade do discurso público, permanecemos reféns
das redes sociotécnicas centralizadas, ou, na melhor das hipoteses, descentralizadas (Gallaway,
2004). Carecemos de arranjos retóricos narrativo-imagéticos pelo menos paralelos, que forneçam
formas distribuídas capazes de projetar outros padrões de reflexividade pública generalista, que
fossem capazes de reverberar a uberdade disruptiva das poéticas político-prefigurativas (Breines,
1989; Ortellado e Ryoki, 2004; Downing, 2004; Solnit, 2007; Solnit e Solnit, 2009) expressas nas
representações políticas multitudinárias, realizadas nas ruas.6

As redes artefactuais7 das enunciações telemáticas e das plataformas de publicação que as


organizam para a visualização do público usuário desempenham funções de catálise da individuação
de formas de reflexividade coletiva (pública, privada, contrapublica, subpública e outras), com
distintas condições de validez e universos de discurso específicos. Atuando como interfaces para o
acesso e a interconexão entre enunciações videográficas e narrativas descontínuas, apresenta,
conforme a usabilidade projetada pelo seu design, propiciamentos e constrangimentos de uso
peculiares (Bendor, Lyons, Robinson, 2012; Donald, 1999). Por esse motivo, constituem "âncoras
abdutivas" (Bardonne, 2010) para determinadas semioses sociais, promovendo o “engeneiramento”
da conectividade social (van Dijck, 2013) de uma maneira que, no caso dos serviços proprietários,
tem fundamentalmente alimentado discursos coletivos cuja reflexividade é fragmentada foi
inicialmente considerada como uma ameaça à saúde da democracia (Sunstein, 2002; Dean, 2008).

Evidências de um crescente interesse dos públicos usuários em engajar-se em debates telemáticos


com pessoas de posições diferentes, (Garrett, Resnick, 2011; Garrett, et al. 2011), indicam uma

4 Referimo-nos às retóricas documentárias do documentário “classico”, griffthiano e à do documentário direto


tipificado pelos trabalhos de Wiseman, Perrault ou van der Keuken. Note-se que não nos atemos apenas à produção
ou a textualidade audiovisual, mas ao conjunto das redes sociotécnicas desses arranjos, das tomadas às
circunstâncias de exibição, crítica, indexação institucional, ressonância social (Odin, 1984; Carroll, 1996)
(Sobre os diferentes arranjos ético-estilísticos do audiovisual documentário, refiro-me a uma noção introduzida por
Nichols (1991, 1994), mais recentemente, relida chave fenomenológica por Ramos (2008) enquanto “campos
éticos”. Observe-se que seguem o mesmo propósito as três metaforizações da expressão audiovisual, propostas por
Sobchack (1992), e a distinção entre documentário expositivo e exploratório (deFrance, 1998) .
5 Ref. <http://i-docs.org/>, acessado em 5nov2013.
6 Para um aprofundamento na problematização da falta de congruência topológica entre a textualidade dos eventos-
imagem (DeLuca, 1999) e as imagens dos eventos, vide “Nobody represents me”: on some paradoxes of the ant-
representative claims of 2013 brazilian protests e Who owns the swarm's gaze?, (resumos de papers a apresentados,
respectivamente, para participação no ?? encontro da IPSA e no ?? encontro da ICA, em anexo)
7 Infelizmente, não há espaço para desenvolver essa noção, desenvolvida a partir da leitura pragmaticista da teoria
dos atores-rede, na qual, entre outras transformações, substitui-se o conceito de “actante” por “interpretante”,
resultando em ganhos de compreensibilidade em relação aos processos de colapsamento reversível (Latour, 2001),
extensões contínuas e descontínuas dessas redes (Latour, Mauguin, Teil, 1992; Akrich, 1992).
demanda coletiva por interações entre perspectivas heterogêneas e mesmo antagônicas. A
participação em manifestações de rua, como as ocorridas em meados deste ano no Brasil favoreceu
descobrir um ativismo político extra-institucional radical que permanecia invisível para as formas
de reflexividade discursiva generalistas, propiciando também a redescoberta do encontro entre
estranhos que caracteriza o discurso público genuíno (Warner, 2002). Os enquadramentos narrativos
mass-mediáticos, porém, tendem ser a marginalizar, demonizar ou escarnecer as expressões mais
radicais, enquanto as práticas mais convencionais de manifestação de rua tem suas as propostas
atenuadas (Juris, 2008).

Consideramos que o design de interface sobre as imagens e narrativas da realidade social e dos
processos políticos tem caráter decisivo em termos da moldagem da reflexividade do discurso
público (Bardonne, 2010; Neves, 2012). Esta investigação parte da hipótese que estas práticas de
expressão política “distribuída” tem um caráter eminentemente abdutivo, introduzindo inovações na
esfera pública (Mendonça, 2007) que elas poderiam ser exponenciadas pelo desenvolvimento de
formas narrativas audiovisuais não-lineares como a do modelo de cibertexto (Aarseth, 1997),
propícias para a concretização de experiências de raciocínio diagramático coletivo (Hoffmann,
2003). Desta forma, poderiam catalisar semioses coletivas de “busca de entendimento” (Habermas,
1979, 1983, 1997, 2000a, 2000b) promovendo efetivamente um “progresso moral” (Honneth, 2003)
na cultura política e nos arranjos institucionais.

Especificamente, buscamos desenvolver conceitos e realizar experimentos que favoreçam uma


incorporação democrática da expressividade política do “enxameamento” que caracteriza a recente
ressurgência do ativismo urbano.8 O desenvolvimento de arranjos retórico-comunicativos
audiovisuais cibertextuais, congruentes com as poéticas de prefiguração política democrática,
porém, esbarra em alguns obstáculos teórico-conceituais e práticos, que discutiremos a seguir.

É necessário esclarecer que pressupomos a proeminência de a aisthesis coletiva nos processos


político-prefigurativos. As novas formas de ativismo político-mediático são descritíveis como
poéticas político prefigurativas (Neves, 2010a; Juris, 2008). Nelas a gestão de experiencias afetivas
corporalmente enraizadas é decisiva. O uso de artefatos retóricos cujos automatismos se articulam
com processos do inconsciente pulsional tais como os juízos perceptuais (Magalhães, 1998) são
vetores da eclosão de estados de consciência liminares de natureza meta-ética (Tomas, 1996)
homólogos às experiências de suspensão da ordem social do carnaval e das manifestações de rua

8 Evidentemente, a metodologia de interpretação prestar-se-á a outros propósitos de aprendizado coletivo, por


exemplo, na vulgarização de pesquisas científicas, na produção de documentários coletivos, na documentação
histórica, urbanística , etnográfica, de antropologia visual, ou seja, na produção, organização e apreciação,
colaborativas e não-lineares, de vastos acervos de video-imagens
(Juris, 2008; Neves, 2010b). Indagamos como é que a instauração de experiências de imagem-de-
corpo coletivas podem emergir do uso de artefatos retóricos que ocasionam o compartilhamento de
processos de percepção e cognição, assim como produzir indicações para o desenvolvimento de
arranjos retóricos que atendam tais finalidades.

Objetivo Geral

Visamos desenvolver uma metodologia reconstrutiva (reinterpretada segundo uma perspectiva


processual-pragmática) dirigida ao exame de enunciações corporificadas em artefatos retóricos
audivisuais e/ou cibertextuais capaz de explorá-las enquanto atos comunicativos correlatos a
processos de instauração de públicos. Visa-se desenvolver conceitos, construir operadores
analíticos e propor protocolos prático-conceituais para o diagnóstico de potenciais emancipatórios
da expressão audiovisual-cibertextual divergentes dos atuais prognósticos de fragmentação da
esfera pública contemporânea. Na sua dimensão poético-propositiva, esta pesquisa pretende
desenvolver um leque de procedimentos de produção de enunciações audiovisual-cibertextuais com
uberdade em termos da instauração de públicos autônomos e de redes de públicos de estrutura
confederativa, voltados para a comunicação horizontal, favoráveis às "lutas por reconhecimento".

Objetivos Específicos

(1) Desenvolvimentos teórico-conceituais: O primeiro movimento da investigação perfaz um


conjunto de leituras cruzadas entre repertórios teóricos situados dentro do campo do pragmatismo
(Arens, 1994). As divergências, no caso da Teoria do Agir Comunicativo, devem-se a restrição de
sua uma abrangência “pan-semiótica”. Mesmo no caso da Teoria do Reconhecimento, o processo de
desnvolvimento da intersubjetividade é concebido de modo ainda antropocêntrica (partindo do
jovem Hegel e de G. H. Mead). Por outro lado, é preciso infletir a perspectiva dos signos em
direção à elucidação das especificidades das semioses políticas, o que não é facilitado pelo notório
desapreço de Peirce pela política institucional e seu acentuado interesse por despsicologizar e
desantropoformizar sua semiótica e sua cosmologia.

Cabe portanto, realizar, no plano da teoria: (A) A expansão intersemiótica da Teoria do Agir
Comunicativo, abordando os atos comunicativos não mais a partir da “sinédoque perversa” (Deely,
2001) da teoria dos atos de fala e das situações conversacionais, para que abordagem crítico-
reconstrutiva dirigir sua busca por potenciais emancipatórios imanentes às condições de dominação
atuais (Petherbrige, 2011) ao desenvolvimento e uso de artefatos retóricos audiovisuais e
telemáticos. (B) A reinterpretação dos processos de instauração de espaços de visibilidade coletiva
como evoluções agapásticas, de eclosão e extensão de redes artefactuais – reinterpretando as redes
sociotécnicas segundo uma matriz pragmaticista9. Ao abordar, a partir do conceito de redes
artefactuais, a multiestratificação das enunciações público-mediáticas, pretendemos lançar luz
sobre as implicações da heterogeneidade de éticas expressivas nas enunciações mediáticas (vide
Habermas, 1986, nota 47). (C) A exploração das ressonâncias entre as teorias semióticas sobre os
juízos perceptuais (Magalhães, 1998; Santaella, 1998) e a recente inflexão da teoria crítico-
reconstrutiva, admitindo a relevância decisiva dos processos inconscientes corporais vinculados a
"objetos transicionais" (sugerindo, por exemplo, um caráter político-prefigurativo da arte, cf.
Honneth, 2003, p. 172). (D) Será realizado um esforço para “processualizar” o conceito de
vindicação de validez ético-discursiva, reinterpretando a “evolução moral” honnethiana, implícita à
deriva histórica das lutas por reconhecimento, enquanto uma teleologia evolutiva (Hulswit, 2002)
relativa à semiose das condições históricas de institucionalização e transformação da
intersubjetividade. Isto segue, mais uma vez, a já mencionada processualização da teoria crítica,
empreendida por Honneth (Petherbridge, 2011). (E) Simetricamente, busca-se "orientar ao objeto",
a agorapoiese audiovisual cibertextual, a Retórica Especulativa peirceana, elaborando uma
reconstrução crítica do projeto pragmati(ci)sta, desde a “cisma” entre pragmatismo e
pragmaticismo, que resultou na abordagem “linguisticocentrica” da Teoria do Agir Comunicativo (a
ser contrastada a pansemiotica de Sebeok). Felizmente, apesar dos mal-entendidos entre Habermas
e alguns semioticistas peircanos, há alguns esforços de compatibilização, por exemplo da “semiose
dialógica” (Johansen). Da mesma maneira, há convergências notáveis, a serem elucidadas, entre
recentes desenvolvimentos do método reconstrutivo e do pragmatismo processual (deBrock e
Hulswit, 1994; Hulswitt , 2002; deBrock, 2003). (F) A partir do esforço de interpretação cruzada
exposta acima, pretende-se esboçar uma retórica das redes artefactuais, capaz de tratar as máquinas
raciocinantes como campo de disputa política, por sua relevância como recurso de agorapoiese e,
mais especificamente, de inovação de relações de coordenação de ação redefindoras das dimensões
de eticidade das relações intersubjetivas.

A partir dessa base, será possível tomar as práticas da inovação e do uso de artefatos retóricos como
enunciações, dotadas de pretensões de validez e inteligibilidade. A partir daí, especial relevância
política poderá ser atribuída às derivas do uso de artefatos por entusiastas, amadores, bricoleurs e
hackers, justificadas enquanto práticas de “luta por reconhecimento” dos públicos usuários
(Benkler, 2000; Levy, 2001; Himanen, 2001; Wark, 2004; Lewandowska, 2007).

A partir destes desenvolvimentos teórico-conceituais, deveremos derivar os seguintes operadores


conceituais:

9 Vide nota 7.
(a) Interpretantes público-políticos: a "interpretabilidade" dos atos comunciativos será
operacionalizada como interpretante imediato das semioses sociais; as tríades das condições de
validez (sinceridade intencional, veracidade conteudístico-proposicional e correção intersubjetiva),
como a tricotomia de interpretantes dinâmicos específica das semioses da esfera pública; as 3
dimensões do processo discursivo (condições, pretensões e vindicações de validez), compreendidas
como estágios do ciclo inferencial da metodêutica (Santaella, 2004).10

(b) Classes naturais de semioses público-políticas: A partir daí, por um lado, as tríades da ação
comunicativa (ação de busca de entendimento, ação consensual e discurso) passam a ser descritíveis
como classes naturais (Hulswit, 2002) dos processos inferenciais de satisfação de condições de
validez, enquanto a tríade de formas de ação estratégica (ação abertamente estratégica, ação
latentememente estratégica e comunicação sistematicamente distorcida) serão abordadas enquanto
classes naturais de semioses degeneradas, não-abdutivas.11 A partir daí, poderemos cotejar as
definições pragmaticista (Deely, 2001) e crítico reconstrutiva (Habermas, 1988) de Lebenswelt,
redefiniremos os vários modos de reflexivação do public address (Warner, 2002) segundo a maneira
como eles instauram distintas publicalidades12 ou seja, universos de discurso dotados de dimensões
de interpretabilidade e validez peculiares, que projetam dinâmicas reconhecimento intersubjetivo
igualmente específicas.

(c) Análise do discurso artefactual: o desenvolvimento dos operadores acima conduzir-nos-a à


abordagem das enunciações audiovisuais/cibertextuais como redes artefactuais (i)
multiestratificadas, (ii) geradoras de weltanschaungen etico-discursivos (classes de enunciação e
de ) e (ii) expressão dos dilemas éticos de contextos socio-históricos em "lutas por
reconhecimento".

(2) Objetivos teórico-práticos: A partir do desenvolvimento e emprego experimental dos operadores


de uma tal metodologia de análise crítico-reconstrutiva processual-pragmática sobre enunciações
cibertextuais audiovisuais, pretende-se alcançar os seguintes objetivos teórico-práticos:

10 Complementarmente, é possível estender esta abordagem às 3 dimensões do reconhecimento intersubjetivo (a


saber: amor→autoconfiança, direto→autorrespeito e solidariedade→autoestima , cf. Honneth, 2003) como uma
outra tricotomia de interpretantes dinâmicos, que são específicos às semioses da correção relacional nas sociedades
pós-tradicionais (e em transição): com tricotomias da semiose dos sujeitos políticos contemporâneo – retomando o
insight peirceano de que “o homem é um signo”.
11 Não há pejo nesta descrição pois, seguindo a concepção de sistema deliberativo (Habermas, 2003; Mansbridge et
al., 2012), estas semioses estratégicas devem consideradas como complementares necessárias às semioses
comunicativas, na medida em que traduzem processos de consolidação da individuação institucional e/ou artifactual
de semioses sociais.
12 Além dos (sub-, contra-)públicos propostos por Warner, cabe estabelecer outros tipos, de semi-, quasi- e pseudo-
publicos (vide, por exemplo, Papacharissi
(A) A proposição de categorias analíticas que permitam a ultrapassagem do uso das ontologias
bazinianas (Bazin, 1975; Penafria, 2011) na descriação das situações de tomada de imagens-câmera,
capazes de explicitar a conexão entre os arranjos de percepção tecnicamente mediatizada e a trans-
subjetivação do corpo (Sobchack, 1982, 1992, 1995; Ramos, 2008, 2012; Honneth ; Caillois, 1984;
Tomas, 1995, 1996, 2004);

(B) O desenvolvimento de práticas de montagem “pós-tarkovskianas” (Tarkovski, 1998): supondo


uma estreita correlação entre a textualidade linear da "escultura temporal" cinematográfica aos
arranjos enunciativos (centralizados e descentralizados) massivos, "clássicos", cabe desenvolver
princípios para uma "arquitetônica" e para um "urbanismo" temporais, congruentes com arranjos
enunciativos distribuídos e com os fenômenos de emergência de representações multitudinárias;

(C) A organização experimental de arranjos cibertextuais audiovisuais de apreciação pública


coletiva, colaborativa e não-lineares, inseridas na malha urbana, capazes de criar formas de
reflexividade discursiva que contornem (ou ultrapassem) a tendência à fragmentação da experiência
que vem sendo a tônica das comunicações mediadas por computador (Dean, 2008; Sunstein, 2002;
Garrett e Resnick, 2011; Bennett, 2012; Bennett et alii, 2012; van Zoonen, 2012).

(3) Objetivos poético-propositivos: O emprego dos operadores teórico-conceituais na análise de


enunciações cibertextuais audiovisuais visa, além da publicação de artigos em periódicos nacionais
e internacionais às quais essa discussão seja pertinente, a obtenção de resultados práticos em termos
de inovações nas poéticas audiovisuais. São elas: (A) o delineamento de perspectivas práticas para a
apreciação coletiva do audivisual não-linear; (B) a oferta de subsídios para o desenvolvimento de
ferramentas (preferencialmente de código aberto) para a criação de enunciações
ciberdocumentárias; (C) a realização de experimentos com ambientes de produção colaborativa e
apreciação coletiva de cibertextos audiovisuais.

Estado da Arte

Ao longo deste projeto, esperamos ter articulado, no plano teórico-conceitual, os desenvolvimentos


recentes da teoria crítica (da “virada pragmática” à extensão dos processos de reconhecimento
intersubjetivo ao plano do inconsciente pulsional), com inovações da investigação semiótico-
pragmatista (da “revolução silenciosa” do pragmatismo processual às teorias sobre topologias
textuais e sobre a estruturação de arquivos de imagens13) e também com a “antropologia ciborgue”.
Acreditamos ter, no plano temático, utilizando referencial atualizado, das teorias da representação

13 Vide Neves, 2012.


política, contrastando-as com “teorias radicais” da web (Thacker, Gallaway, Vehlken, Wark,
Himanen) e com a teoria militante dos ativistas anti-capitalistas (Juris, Routledge, Negri e Hardt, , )

Metodologia

1 - Revisão bibliográfica sobre: Representação Política, Teorias políticas, sociológicas e


antropológicas sobre “multidão”; Estudos de Cinema (definição pragmática do documentário,
indexação institucional, estilos e éticas do documentário, documentários on-line, imersivos e não
lineares, e sobre documentários de arquivo); Práticas de Midiativismo (Video-ativismo,
Hacktivismo, Ética Hacker, Ciberativismo e Bricolagem); Teorias sobre Arte Contemporânea
(práticas colaborativas, intervenção urbana, site-specificity, arte conceitual, poéticas político-
prefigurativas); Teorias semióticas e fenomenológicas da percepção; Teorias do Design, Design de
Interface, Usabilidade e Programação Orientada ao Objeto; Metodêutica / Retórica Especulativa
(semiótica pragmaticista, peirceana); Teoria do Agir Comunicativo, do Reconhecimento, política e,
topologias textuais (cibertexto); Etnometodologia e Teoria dos Atores-rede/Antropologia Simétrica.

A reinterprtação pragmaticista das teorias crítico-reconstrutivas (objetivos 1A-1B), se efetuará pela


sondagem da consistência de possíveis relações de prescindimento lógico entre as 3 dimensões de
validez ético-discursiva da Teoria do Agir Comunicativo. Da mesma maneira, entre as 3 dimensões
reconhecimento intersubjetivo. Para atender aos objetivos (1C-1D), iremos reconstruir alguns dos
processos comunicativos políticos modernos, vinculados à imagem e a arquivos de imagens,
segundo (a) uma definição extra-linguística do simbólico; (b) compreendendo a deriva ético-
estilística da história do documentário político segundo a partir da tipologia dos modos de fixação
das crenças; (c) avaliando a consistência de uma definição dos conjuntos etico-estilísticos enquanto
classes naturais da retórica público-política moderna; e, finalmente, iremos (d) tentar explicar as
vicissitudes das formas emergentes de publicalidade como modos de constituição de “mentes
multitudinárias” da comunicação sem sujeito (Habermas, 2003; Mendonça, 2006), seguindo a trilha
aberta pela hipótse de uma “agência moral sem agentes morais” (deBrock, 2003, p.159-170)

Paralelamente, iremos proceder um estudo das ferramentas de produção de cibertextos audiovisuais


disponíveis, (a) proprietárias (b) de código aberto, e (c) on-line, destilando o campo de implicações
ético-discursivas de seu uso e das enunciações cuja produção elas propiciam. Com a mesma
finalidade, pretendemos fazer um levantamento das práticas instalativas e de apreciação cibertextual
atualmente em uso.

Dadas as circunstâncias singularmente propícias à mobilização multitudinária do próximo ano,


devemos também nos comprometer a realizar uma etnografia militante (Juris, 2008) dos próximos
eventos-imagem (Carnaval de Blocos semi-clandestinos em BH, movimentos sociais de ocupação,
Ações de mobilização anti-copa, mobilizações pré-eleitorais, entre outros) e das suas representações
on-line (plataformas de publicação de vídeos) e off-line (telejornalismo, documentários).

Será necessária a releitura das querelas entre Habermas (1995) e alguns semioticistas pragmaticistas
(Oehler, 1995; Tejera, 1996; Erhat, 2005), para esclarecer as prováveis limitações mútuas para
apreender a convergência de propósitos da pragmática universal e da retórica especulativa. Como já
dito, há que se ultrapassar as "sinédoques perversas", oriundas da filosofia analítica da linguagem,
na construção do modelo de ação comunicativa, a presunção de uma teoria “pós-metafísica”, as
dicotomais entre reconstrução e método experimental, humanidades e ciências naturais. Um ponto
de partida possível é a consideração do processo inferencial envolvendo atos de fala indiretos e de
sugestões posteriores, do próprio Habermas, e principalmente de Honneth, em direção à ampliação
“pan-simbólica” da Teoria do Agir Comunicativo. Uma outra frente de superação da fragmentação
histórica entre “os pragmatismos” provém da proposta do pragmatismo processual, e do modelo de
“semiose dialógica” (Johansen, 1993) que propiciará também contextualizar o desapreço de Peirce
pela política institucional, desimpedindo o uso de operadores pragmaticistas no exame de
fenômenos políticos. Por outro lado, para superar o preconceitos neo-
nominalistas/desconstrutivistas com a "busca por entendimento" e com a pespectiva de "evolução
moral" na deriva histórica, parece-nos promissor de conceber aquele conceito e esta hipótese,
respectivamente, como expressões de um tipo interpretante último e de uma “teleologia evolutiva”
(Hulswit, 2002) – que pretendemos examinar a partir da reconstrução da deriva ético-estilística do
cinema documentário.

No plano da construção de artefatos de produção e apreciação cibertextual (não linear e


colaborativa), a sua dimensão poética quanto deverá articular dimensões discursivas (1) pré-
reflexivas (juízos perceptuais, processos de constituição de imagens de corpo), (2) imagéticas,
indiciais e simbólico-argumentativas e (3) da deriva socio-histórica, na exploração das
correspondências entre as hipóteses pragmaticista (peirceana e "sebeokiana"), de uma tendência
auto-organizativa do Cosmos e crítico-reconstrutiva (habermasiana e honnethiana), de um
fundamento comunicativo para a racionalização das relações sociais descritível como "evolução
moral" das lutas por reconhecimento intersubjetivo. Esta abordagem tridimensional pressupõe
tratar as enunciações audiovisual-cibertextuais como "redes artefactuais". Nelas, à maneira das
proposições do processual-pragmatismo convergentes com a teoria dos atores-rede/antropologia
simétrica, as distinções ontológicas entre domínios naturais/culturais, locais/globais,
teóricas/práticas ou modernos-civilizados/primitivos-bárbaros-selvagens são consideradas
resultantes – e não pressupostas – à deriva temporal das redes actanciais.

Tal gabarito de produção deverá ser especialmente focado no desenvolvimento de práticas de


representação politica multitudinária, de ênfase abdutiva. Fenômenos caracterizados na literatura
político-filosofica recente como "multidões", "enxames", "cardumes" ou "revoadas", serão
compreendidos como processos catacréticos de agregação coletiva, nos quais a instauração auto-
poiésica de identidades coletivas é um fenômeno irredutível aos dois outros processos de
representação do interesse coletivo que vinham, até recentemente, predominando na política
ocidental moderna.14

A avaliação da consistência de se interpretar os processos de agregação multitudinária de expressão


e de instauração de públicos (e também de suas formas derivadas como sub-/contra-/quasi-/pseudo-
pblicos) segundo a irredutibilidade da inferência hipotética (abdução) será praticamente avaliada
através da construção de cibertextos audiovisuais. Através deles, processos de mobilização social e
política deverão ser propiciados (a) por práticas de produção de conteúdo e de estruturação
(arquitetural e urbanística) dos espaços de dados, através de práticas criação coletiva aberta/libre
(i.e.) e (b) disponibilizados para a apreciação pública coletiva - distinguindo-se dos cibertextos
audiovisuais (alternativamente denominados i-docs, ciberdocumentários, webdocs) cuja apreciação
é individual. Visa-se, com isso, experimentar a alteração das condições de reflexividade pública da
interpretação das enunciações, resolver problemas práticos de desigualdade técnico-econômico-
social do acesso a redes de transmissão de dados de alta velocidade e explorar os desdobramentos
da inserção de arranjos de apreciação audiovisual não-linera no espaço público urbano.

Vinculação à área de concentração do Programa

A presente proposta de pesquisa pretende ser pertinente à a área de concentração “Interações


Midiáticas” e convergir esforços com as investigações da linha de pesquisa “Linguagem e mediação
sociotécnica”, já que se trata de um estudo teórico prático de “estratégias de veiculação e

14 O modelo liberal de democracia política sustenta-se pela integração de (a) arranjos indutivos de representação da
vontade política coletiva, tipicamente republicano-comunitaristas (mandatos não-imperativos, elites e "classes"
políticas, decisões por maioria, índices de "opinião pública" baseados em estatísticas, mídias e públicos de massa,
classes sociais economico-politicamente definidas); e de (b) arranjos dedutivos, de definição do bem coletivo, a
partir de princípios supostametne transcencentais de organização social, tipicamente elitistas-liberais que
pressupõem como necesárias: a definição individual de direitos, responsabilidades e accountabilities políticas;
distinção entre público e privado; propriedade dos sujeitos produtores sobre seu tempo de vida e/ou dos produtos do
seu trabalho; pressuposição da originalidade da subjetividade individual; identificação da política como
concorrência agonística entre perspectivas estanques (representadas por elites políticas concorrentes); poder como
relação hierárquica entre os sujeitos; distinção entre ação comunicativa e ação estratégica; identificação dos
automatismos admininistrativos à “racionalidade instrumental”; entendimento de “estratégia” como ação unilateral,
coercitiva, alienante e ardilosa)
mecanismos de linguagem que atuam na produção das trocas simbólicas e cristalizações de sentido
que circulam socialmente.”15 Compartilhamos a abordagem processual dos fenômenos
comunicativo-mediáticos (“foco na enunciação”), dando um viés à “reflexão sobre os princípios que
fundamentam as formas estéticas midiáticas”, enquanto poéticas político-prefigurativas. Ao
buscarmos reunificar, não só no plano teórico, mas também prático-poético as contribuições de
diversas tendências do pragmatismo, pressupomos efetivos os “condicionamentos cognitivos
envolvidos na utilização de dispositivos digitais” no plano da consubstanciação de publicalidades e
de formas variadas de reflexividade pública, pelo que, evidentemente, concerne diretamente a esta
pesquisa “investigar novas formações cognitivas e ou de subjetivação relacionadas (…) às
ambiências digitais na contemporaneidade.” Propomos exatamente, produzir inovações em termos
de metodologias de “análise da linguagem tanto das produções veiculadas pelos sistemas midiáticos
já estabelecidos quanto das experiências mais radicais de criação, como a videoarte e a web-art”,
justamente para propiciar a emergência de novos circuitos de reflexividade discursiva capazes de
transformar a discrepância entre a topologia distribuída e horizontal das interações mediadas por
computador e os processos deliberativos vigentes centralizados e hierárquicos – em severa crise de
legitimidade em todo o mundo –, em favor de arranjos retóricos, não só comunicativo-mediáticos,
mas também políticos, mais participativos e inovadores.

Cronograma

15 Nesta manifestação de adesão aos propósitos da linha de pesquisa “Linguagem e mediação sociotécnica” e do grupo
de pesquisa “Poéticas Audiovisuais Contemporâneas: Dispositivo e Temporalidade”, tomamos a liberdade de
utilizar trechos do material disponibilizado no site do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da
PUC-Minas.
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