Você está na página 1de 5

INFORME CHC

TEMA

NOVA VIDA ÚTIL, JURIDICAMENTE ESPERADA,


COM A TÉCNICA CONVENCIONAL DE
RECUPERAÇÕES LOCALIZADAS, EM ESTRUTURAS
DE CONCRETO ARMADO, SERÁ ALCANÇADA COM
OS PROCEDIMENTOS PROJETADOS E REALIZADOS,
ATUALMENTE, EM ARACAJU?

1. CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

A técnica, praticamente a única usada nas Recuperações Estruturais de


Estruturas com o compósito Concreto Armado em Aracaju, é da Recuperação
localizada, visualmente, das regiões fissuradas por corrosão das armaduras
nos componentes estruturais.
As pesquisas, em andamento e concluídas, publicadas em farta
literatura de alto impacto da Engenharia de Corrosão pertinente alertam
para os seguintes destaques técnicos:

a. Áreas contaminadas detectadas apenas visualmente não garantem a


inexistência de novas baterias internas, remanescentes no pós-
recuperação, geradoras dos novos elétrons, isto é: novas áreas anódicas,
até adjacentes. O slide a seguir ilustra o risco eletroquímico de novas pilhas
de corrosão instaladas.

1
Fonte: LEDMA/UFBA

Solução ideal recomendada: fazer mapeamento dos potenciais de


corrosão em toda peça e agir.

b. A ligação do novo microconcreto grauteado com a superfície


remanescente da junção (região de aderência), normalmente especificada
para uso de resina polimérica adequada (inclusive cuidado com a
polimerização rápida se transformar em ponte de desaderência) e/ou nata
de cimento em superfície adequadamente preparada como ponte de
aderência, demanda também outras propriedades. O texto resumido de
pesquisa concluída pelo NIST/EUA salienta a qualidade imperiosa da
interface. Segue o texto:

“Qual a ideia técnica? A ideia técnica é desenvolver ferramentas científicas de


medição prontas para o campo para avaliar a integridade e robustez da região
interfacial, entre reparo e substrato, empregando duas novas abordagens para
melhorar o desempenho: cura interna e carbonatação controlada. Mesmo quando
um material para reparar concreto é projetado e selecionado para fornecer
propriedades equivalentes (módulo, resistência, coeficiente de expansão térmica,
coeficiente de difusão de cloreto, etc.) àquelas do substrato existente, o
sucesso/falha do reparo será frequentemente controlada pela natureza e
integridade da ligação interfacial e pela estabilidade volumétrica do material do
reparo durante seu endurecimento e envelhecimento inicial. A transferência de
umidade, íons e tensão através da interface afetará o desempenho e a vida útil do
reparo. Contudo, além da recomendação superficial da prática atual de que um
substrato de concreto existente seja saturado-superficial-seco (SSD) antes do
reparo, pouca atenção é dada para garantir/maximizar a adesão do material de

2
reparo ao substrato de concreto existente. A falha dessa ligação é um dos
principais motivos para falhas do reparo.”

Temos usado o Ultrassom para avaliar a qualidade executiva dessa


interface. Em recuperações levadas a efeito em obras locais, através do
ultrassom detectou-se a necessidade de refazejamentos em número
significativo de regiões dadas como recuperadas.

O IFS possuir uma Monografia interessante sobre Procedimentos de


Fiscalização em Recuperações de Estruturas de Concreto Armado.

c. Risco da Decapagem Química nas armaduras corroídas. Deve-se ter o


cuidado, na hipótese do uso da decapagem química e não mecânica das
armaduras corroídas, com o uso de produtos à base de fosfatos, como
alguns fabricantes colocam nos seus catálogos técnicos. Poderá provocar
o risco da fragilização por hidrogênio das armaduras. Deve-se optar,
preferencialmente, por uma decapagem mecânica bem feita.

d. Aplicação da proteção catódica do aço recuperado com produtos,


procedimentos adequados e comprovados por laboratórios credenciados
pelo INMETRO.

e. Escolha compatível do microconcreto (graute), inclusive no tocante


às retrações durante seu endurecimento. Não deixar espessuras finas nas
junções externas com o substrato remanescente, face facilitar o processo
de retração frequentemente observado. Recomenda-se uma espessura
mínima de 2 cm nessas regiões e processo de cura cuidadoso.

f. Polêmica na técnica do reaproveitamento do aço existente após a


decapagem. É corriqueiro a adoção de até 10% de perda de seção da
armadura resultar no aproveitamento da armadura existente. Alguns estão
usando até 15%, por conta e risco próprios. O mais sensato é fazer a
modelagem estrutural levando-se em conta as áreas degradadas com suas
respectivas perdas de seção ou, o mais usado por alguns mais cuidadosos,
adoção do limite de 5% de perda de seção em regiões de ancoragens ou de
esforços solicitantes máximos. Entretanto, as simulações conjuntas das
propriedades mecânicas com a perdas por corrosão é o estado d´arte em

3
países mais desenvolvidos tecnicamente. Os novos softwares estruturais
deverão contemplar esse aspecto sistêmico.

g. Na hora do CONTROL C e CONTROL V das ilustrações e especificações


abundantes na literatura especializada para os projetos de recuperações
e/ou ações executivas diretas, observar as adequações e especificações
necessárias aos locais.

2. CONSIDERAÇÕES JURÍDICAS

Muito embora a Norma de Desempenho, por enquanto, normatiza


apenas o ramo imobiliário, entretanto, tanto o Código Civil como o Código
de Defesa do Consumidor, são pródigos em jurisprudências nos institutos
dos ERROS PROFISSIONAIS e/ou VÍCIOS CONSTRUTIVOS. A discrição é do
juiz na escolha do código.
O ERRO PROFISSIONAL (quando não existe conhecimento adequado do
profissional sobre o tema é chamado de IMPERÍCIA), pelo código de defesa
do consumidor, é tratado da forma seguinte: se a prestação de serviços
(projeto e especificações) for de um Engenheiro Autônomo, ESTE
responderá SUBJETIVAMENTE pelo Código Civil. Mas, se for empresa de
engenharia, responderá OBJETIVAMENTE junto com o construtor, pelo
Código de Defesa do Consumidor.
A OBRIGAÇÃO CIVIL DO ENGENHEIRO CIVIL É DE RESULTADO, isto é:
SUCESSO PLENO, diferente do Advogado cuja OBRIGAÇÃO CIVIL É DE FAZER,
isto é: mesmo perdendo uma ação num bom direito, a parte não poderá
pleitear indenizações, a não ser por prevaricações temporais.
Na minha visão, hoje, o prazo mínimo de vida útil esperada pelos
Consumidores é de cinco (5) anos, a partir do aparecimento do defeito, isto
é: PRAZO DE GARANTIA. Mas, pelo andar da carruagem jurídica, haverá
também, ao meu ver, no curto prazo, um PRAZO DE RESPONSABILIDADE,
isto é: de Prescrição bem superior ao Prazo de Garantia.
Como exemplo dos riscos jurídicos penais atuais, os engenheiros
responsáveis pela recuperação do Edif. Andréa colapsado de Fortaleza
serão levados a júri popular. Normalmente, a jurisprudência penal usava o
critério subjetivo da CULPA para apenar, agora, nesse caso, usaram o DOLO
EVENTUAL, isto é: não usaram a Teoria da Culpa.

4
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O mercado de Recuperações Estruturais está aquecido em Aracaju,


tanto em Projetos de Recuperação como de Execuções. É, ainda, um
mercado de excelente retorno financeiro e tem atraído muitos
interessados, profissionais e empresários.
Na minha visão, a Engenharia Civil não domina os aspectos da
Engenharia de Corrosão como um todo, especificamente a corrosão
eletroquímica. As graduações não tratam da pior manifestação patológica
existente nas estruturas e que os Engenheiros Civis assumem toda
responsabilidade jurídica, civil e penal.
Via de regra, os cursos de especialização em Cálculo de Estruturas e em
Projetos de Recuperações e Reforços são ministrados apenas por
Engenheiros Civis Calculistas com cognições e habilidades nas propriedades
mecânicas e um pouco nas propriedades físicas. Em regra, fogem das
propriedades químicas e eletroquímicas como o diabo foge da cruz.
Os Estados Limites ELU e ELS são necessários, mas, juridicamente
insuficientes no conceito holístico atual de sustentabilidade. Requer
também o ELD (estado limite de durabilidade), onde a Resistência à
Penetração dos Agentes Químicos é imperiosa.
Qual a solução para o imbróglio?
Qual a solução para não gerar esses novos passivos jurídicos na
Engenharia Civil?
Resposta: a primeira RESIDÊNCIA TECNOLÓGICA EM GERIATRIA DAS
ESTRUTURAS, estudando de forma multidisciplinar com os Engenheiros de
Materiais, as fases da Gestão da Concepção, da Produção e da Manutenção,
para que o Engenheiro Civil adquira cognições e habilidades da Engenharia
de Corrosão.
CHC/07/11/2021

Você também pode gostar