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Curso Mediadores de Cursos EFA

Manual do e-formando

Módulo III
Características dos Cursos EFA

e-Formadora
Maria Magalhães

www.webstudy.pt
Índice

OBJETIVOS PEDAGÓGICOS ......................................................................................... 4

INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 5

EQUIPA TÉCNICO-PEDAGÓGICA ................................................................................. 6

MEDIADOR PESSOAL E SOCIAL............................................................................................ 6


FORMADORES................................................................................................................ 7

ENTIDADES PROMOTORAS ......................................................................................... 9

ENTIDADES FORMADORAS ......................................................................................... 9

REPRESENTANTE DA ENTIDADE FORMADORA/PROMOTORA .................................... 11

ORGANIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE CURSOS EFA ............................................ 12

AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO .................................................................................... 13


CONSTITUIÇÃO DOS GRUPOS DE FORMAÇÃO .......................................................................... 13
DURAÇÃO DA FORMAÇÃO E HORÁRIO ................................................................................... 14
GESTÃO DO PERCURSO FORMATIVO .................................................................................... 14
CONTRATO DE FORMAÇÃO E ASSIDUIDADE ............................................................................ 14

CURSOS EFA DE NÍVEL BÁSICO E DE DUPLA CERTIFICAÇÃO .................................... 15

REFERENCIAL DE COMPETÊNCIAS CHAVE .............................................................................. 16


PLANO CURRICULAR ...................................................................................................... 21

CURSOS EFA DE NÍVEL SECUNDÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE DUPLA CERTIFICAÇÃO .... 23

MODELO DE FORMAÇÃO .................................................................................................. 25


REFERENCIAL DE COMPETÊNCIAS CHAVE .............................................................................. 28
PLANO CURRICULAR DOS CURSOS EFA DE NÍVEL SECUNDÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE DUPLA CERTIFICAÇÃO . 31
PLANO CURRICULAR DOS CURSOS EFA DE NÍVEL SECUNDÁRIO E DE HABILITAÇÃO ESCOLAR ................. 33

FORMAÇÃO PRÁTICA EM CONTEXTO DE TRABALHO .................................................. 35

AVALIAÇÃO .............................................................................................................. 36

CERTIFICAÇÃO ......................................................................................................... 37

PROSSEGUIMENTO DE ESTUDOS .............................................................................. 38

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 39

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 39
WEBGRAFIA................................................................................................................ 39

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“Com a aprendizagem o homem vai dispor de um instrumento de liberdade:
aprender faz parte do seu dinamismo específico, que o impelirá sempre mais à
frente, mas na via que ele escolher”.
Robert Clarke

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Objetivos Pedagógicos

Pretende-se que no final deste módulo, os formandos sejam capazes de:

• Identificar os profissionais que constituem uma equipa técnico-pedagógica de


um curso EFA e as suas competências;
• Nomear as entidades que promovem e desenvolvem Cursos EFA e as suas
competências;
• Descrever a organização e o desenvolvimento de um curso EFA;
• Distinguir os planos curriculares dos vários Cursos EFA Nível Básico e Nível
Secundário;
• Apresentar os referenciais de competências-chave para os níveis Básico e
Secundário;
• Distinguir os Planos Curriculares dos vários cursos EFA Nível Básico e Nível
Secundário;
• Explicar o funcionamento da Formação Prática em Contexto de Trabalho;
• Perceber como se processa a Avaliação e a Certificação de um curso EFA.

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Introdução

Os cursos de educação e formação de adultos (EFA) criados ao abrigo das Portarias


n.º 817/2007, de 27 de Julho e n.º 230/2008, de 7 de Março, têm vindo a afirmar-se
como um instrumento central das políticas públicas para a qualificação de adultos,
destinado a promover a redução dos seus défices de qualificação e estimular uma
cidadania mais ativa melhorando os níveis de empregabilidade e de inclusão social e
profissional.

Estes cursos assentam num ensino baseado na flexibilidade e autoformação, pois é o


indivíduo responsável por valorizar as suas competências e procurar o conhecimento
de formas variadas dando origem à construção de uma autobiografia sincronizada
com os conteúdos dos referenciais de educação.

Desta forma, contribui-se para uma educação mais holística que tem por base a
autonomia e a valorização pessoal baseada nas várias dimensões do ser,
responsabilizando o indivíduo para a construção do seu conhecimento.

Este processo formativo implica o apoio de profissionais capacitados para trabalhar


em equipa com os envolvidos potenciando as suas competências que serão
posteriormente avaliadas e validadas.

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Equipa Técnico-Pedagógica
Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

A equipa técnico-pedagógica de um curso EFA é constituída pelo Mediador Pessoal e


Social e pelo grupo de Formadores por cada uma das áreas de competências-chave
que integram a formação de base e pelos formadores da formação tecnológica
(sempre que faça sentido ministrar esta componente). Integram também a equipa
técnico-pedagógica os tutores da formação prática em contexto de trabalho.

Mediador Pessoal e Social

Compete ao mediador pessoal e social:

a) Colaborar com o representante da entidade promotora na constituição dos


grupos de formação, participando no processo de recrutamento e seleção dos
formandos;

b) Garantir o acompanhamento e orientação pessoal, social e pedagógica dos


formandos;

c) Coordenar a equipa técnico-pedagógica no âmbito do processo formativo,


salvaguardando o cumprimento dos percursos individuais e do percurso do grupo
de formação;

d) Assegurar a articulação entre a equipa técnico-pedagógica e o grupo de


formação, assim como entre estes e a entidade formadora.

A função de mediação é desempenhada por formadores e outros profissionais,


designadamente os de orientação, detentores de habilitação de nível superior e
possuidores de formação específica para o desempenho daquela função ou de
experiência relevante em matéria de educação e formação de adultos.
O mediador não deve exercer funções de mediação em mais de três Cursos EFA, nem
assumir a responsabilidade de formador em qualquer área de formação, em
simultâneo, exceto nos módulos de Aprender com Autonomia e na área de PRA.
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O mediador é responsável pela orientação e desenvolvimento do diagnóstico dos
formandos em colaboração com os formadores da equipa técnico-pedagógica, com
vista à análise e avaliação do perfil de cada candidato e à identificação da oferta de
educação e formação de adultos mais adequada.

Formadores

Compete aos formadores:

a) Participar no diagnóstico e identificação dos formandos, em articulação com o


mediador pessoal e social;

b) Elaborar, em conjugação com os demais elementos da equipa técnico-


pedagógica, o plano de formação que se revelar mais adequado às necessidades
de formação identificadas no diagnóstico prévio ou no processo de RVCC;

c) Desenvolver a formação na área para a qual está habilitado;

d) Conceber e produzir os materiais técnico-pedagógicos e os instrumentos de


avaliação necessários ao desenvolvimento do processo formativo relativamente à
área para que se encontra habilitado;

e) Manter uma estreita colaboração com os demais elementos da equipa


pedagógica, em particular, no âmbito dos Cursos EFA de nível secundário, no
desenvolvimento dos processos de avaliação da área de Portefólio Reflexivo de
Aprendizagens, através da realização de sessões conjuntas com o mediador
pessoal e social.

Os formadores da formação de base dos Cursos EFA de nível básico e de nível


secundário devem ser detentores de habilitação para a docência, nos termos
do Despacho n.º 11203/2007, de 8 de julho.

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Os formadores da componente tecnológica devem satisfazer os requisitos do regime
de acesso ao exercício da respetiva profissão, nos termos da legislação em vigor
(Decreto Regulamentar n.º 26/97, de 18 de junho e Decreto Regulamentar n.º 66/94,
de 18 de novembro).

Os formadores da componente de formação de base dos Cursos EFA de nível


secundário devem, sempre que necessário, assegurar o exercício das suas funções em
regime de co-docência, sendo esta entendida como a lecionação da unidade, em
simultâneo, por mais do que um formador, relativamente a, pelo menos, 50 por cento
da carga horária de cada UFCD dessa componente.

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Entidades Promotoras

Os Cursos EFA podem ser promovidos por entidades de natureza pública,


particular ou cooperativa, designadamente estabelecimentos de ensino, centros de
formação profissional, autarquias, empresas ou associações empresariais, sindicatos e
associações de âmbito local, regional ou nacional.

Compete às entidades promotoras assegurar, designadamente:


a) Os procedimentos relativos à autorização de funcionamento dos Cursos EFA e
de verificação da conformidade da formação modular promovida em função dos
referenciais constantes do Catálogo Nacional de Qualificações;
b) A apresentação de candidaturas a financiamento;
c) A divulgação das suas ofertas formativas;
d) A identificação e seleção dos candidatos à formação;
e) A organização e disponibilização de toda a informação necessária para os
processos de acompanhamento e controlo por parte das entidades competentes.

As entidades promotoras podem desenvolver Cursos EFA e formações modulares


desde que integrem a rede de entidades formadoras no âmbito do Sistema Nacional
de Qualificações.

Entidades Formadoras

Os Cursos EFA e as formações modulares são desenvolvidos por entidades que


integram a rede de entidades formadoras no âmbito do sistema nacional de
qualificações.

Compete às entidades formadoras assegurar, designadamente:

a) O planeamento das ações de formação a promover ao abrigo do presente


diploma;
b) Os recursos humanos e físicos necessários ao desenvolvimento dos cursos;

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c) O desenvolvimento das ofertas em conformidade com os referenciais
constantes do Catálogo Nacional de Qualificações;
d) Os procedimentos relativos à avaliação e certificação das aprendizagens dos
formandos;
e) A organização e disponibilização de toda a informação necessária para os
processos de acompanhamento e controlo por parte das entidades competentes.

Os Cursos EFA que não integrem formação tecnológica e formação prática em


contexto de trabalho, quando exigida, são desenvolvidos exclusivamente por
estabelecimentos de ensino públicos ou privados ou cooperativos com paralelismo
pedagógico e por centros de formação profissional de gestão direta ou protocolares.

As entidades formadoras podem realizar formações modulares da componente


tecnológica nas áreas de educação e formação para as quais estejam certificadas no
âmbito do sistema de certificação das entidades formadoras ou nas áreas para as
quais estejam reconhecidas na respetiva lei orgânica, diploma de criação,
homologação ou autorização de funcionamento, ou outro regime especial aplicável.

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Manual do e-formando – Módulo III
Nas entidades com estruturas formativas certificadas que não sejam estabelecimentos
de ensino públicos ou privados ou cooperativos com paralelismo pedagógico, incluindo
as escolas profissionais, ou centros de formação profissional de gestão direta ou
protocolares, a formação de base não pode ultrapassar um terço do volume total
anual da formação modular realizada.

A entidade formadora que pretenda ministrar uma formação modular deve registar-se
previamente junto da Agência Nacional para a Qualificação, I. P.

Representante da Entidade Formadora/Promotora

Compete ao representante da entidade formadora organizar e gerir os Cursos EFA,


desenvolvendo todos os procedimentos logísticos e técnico-administrativos da
responsabilidade da entidade formadora, incluindo os exigidos pelo SIGO.

Se a entidade formadora for distinta da promotora, esta deve igualmente designar um


representante para o exercício das mesmas funções no âmbito das competências que
incumbem à entidade promotora.

O representante da entidade formadora/promotora deve ser detentor de habilitação


de nível superior, preferencialmente com experiência no âmbito da organização e
gestão de Cursos EFA.

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Organização e Desenvolvimento de Cursos EFA

Os Cursos EFA organizam-se:

a) Numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, enquanto instrumento


promotor da (re)inserção socioprofissional e de uma progressão na qualificação;

b) Em percursos flexíveis de formação quando definidos a partir de processos de


reconhecimento, validação e certificação de competências, adiante designados
por RVCC, previamente adquiridas pelos adultos por via formal, não formal e
informal;

c) Em percursos formativos desenvolvidos de forma articulada, integrando uma


formação de base e uma formação tecnológica, ou apenas uma destas, nos
termos do previsto nos n.os 3 e 4 do artigo 1.º;

d) Num modelo de formação modular estruturado a partir dos referenciais de


formação que integram o Catálogo Nacional de Qualificações, privilegiando a
diferenciação de percursos formativos e a sua contextualização no meio social,
económico e profissional dos formandos;

e) No desenvolvimento de formação centrada em processos reflexivos e de


aquisição de saberes e competências que facilitem e promovam as aprendizagens,
através do módulo Aprender com Autonomia para os cursos de nível básico e do
Portefólio Reflexivo de Aprendizagens para os cursos de nível secundário.

Os cursos EFA podem ser organizados por:

- Estabelecimentos do ensino público e do ensino particular ou cooperativo;


- Centros de Formação Profissional do Instituto do Emprego e Formação
Profissional (IEFP);
- Outras entidades formadoras acreditadas.

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Manual do e-formando – Módulo III
Autorização de funcionamento

As entidades promotoras devem submeter a proposta de Cursos EFA, via eletrónica e


em formulário próprio disponível no Sistema Integrado de Informação e Gestão da
Oferta Educativa e Formativa (SIGO), acedendo à Área Reservada
em http://sigo.gepe.min-edu.pt/areareservada/.

Os estabelecimentos de ensino tutelados pelo Ministério da Educação devem submeter


as candidaturas à Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares; os centros de
formação profissional à Delegação Regional do IEFP territorialmente competente; as
restantes entidades formadoras podem submetê-las à Direção Geral dos
Estabelecimentos Escolares ou à Delegação Regional do IEFP da região onde se
ministra o curso.

Constituição dos grupos de formação

Os grupos de formação podem ser constituídos por:

a) Um número mínimo de 25 e um número máximo de 30 formandos, no caso de


se tratar de curso exclusivamente de certificação escolar;
b) Um número mínimo de 15 e um número máximo de 30 formandos, no caso de
se tratar de curso de dupla certificação (escolar e profissional);
c) Um número mínimo de 15 e um número máximo de 30 formandos, nos casos
previstos no n.º 4 do artigo 1.º da Portaria n.º 283/2011.

Nos casos em que uma mesma entidade formadora desenvolva mais que um curso de
dupla certificação, conferindo qualificações diferentes, pode proceder-se à agregação
dos grupos na componente de formação de base, desde que sejam respeitados o
número máximo de 30 na componente de formação de base e o número mínimo de
formandos de 15 na componente de formação tecnológica.

Pode ser autorizada, a título excecional, pelos membros do Governo competentes, a


constituição de grupos de formação com um número de formandos superior ou
inferior aos limites previstos nos números anteriores.
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Manual do e-formando – Módulo III
Duração da formação e horário

A duração da formação, o regime de funcionamento de cada curso e respetivo horário


semanal devem ter em consideração as condições de vida e profissionais dos
formandos identificadas no momento do seu ingresso. Do mesmo modo, devem ser
objeto de ajustamento se estas condições se alterarem. A distribuição horária do
período de formação prática em contexto de trabalho deve ser determinada em
função do período de funcionamento da entidade enquadradora.
O número de horas de formação semanal não pode ultrapassar as sete horas diárias e
as 35 horas semanais (regime laboral) ou as quatro horas diárias nos dias úteis
(regime pós-laboral).

Gestão do percurso formativo

Nos Cursos EFA de dupla certificação, as cargas horárias afetas à componente de


formação de base e à de formação tecnológica decorrem em simultâneo, através de
uma distribuição equilibrada ao longo de cada semana de formação.
Nos Cursos EFA de nível secundário de dupla certificação, a área de Portefólio
Reflexivo de Aprendizagens deve ter uma regularidade quinzenal.

Contrato de formação e assiduidade

O adulto celebra com a entidade formadora um contrato de formação, no qual são


identificadas as condições de frequência do curso (como a assiduidade e pontualidade).
Para efeitos de conclusão e obtenção de certificação no curso, a assiduidade do
formando não poderá ser inferior a 90% da carga horária total do curso. Sempre que
tal não suceder, a entidade formadora deve decidir casuisticamente sobre as
justificações apresentadas pelo adulto e desenvolver os mecanismos de recuperação
considerados necessários ao cumprimento dos objetivos inicialmente previstos.

Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

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Cursos EFA de Nível Básico e de Dupla Certificação
Fonte: Referencial de competências-chave de educação e formação de adultos (nível básico)

Os Cursos EFA, de nível básico nos termos do Despacho que lhes deu origem e na
sequência das metas e das orientações estratégicas expressas em diferentes
documentos orientadores, procuram garantir uma oferta de educação e formação de
adultos que permita, a todos os que abandonaram prematuramente a escola, a
obtenção da escolaridade ou a progressão escolar associada a uma qualificação
profissional que possibilite o acesso a desempenhos profissionais mais qualificados e
abra mais e melhores perspetivas de aprendizagem ao longo da vida.

Os Cursos EFA de nível básico constituem uma oferta integrada de educação e


formação, destinada a públicos adultos pouco qualificados, e visam contribuir para a
redução do défice de qualificação escolar e profissional da população portuguesa.
Pretendem ainda alargar e diversificar as ofertas formativas para adultos e promover
um modelo inovador de educação e formação, capaz de promover as competências de
cidadania e empregabilidade.

As baixas taxas de escolarização e de qualificação profissional, associadas a situações


de desemprego, em especial de desemprego de longa duração, conduzem, muitas
vezes, os indivíduos a adotarem lógicas de vida bloqueadoras de uma verdadeira
inserção no mundo do trabalho. São exemplo disso a perca de hábitos de organização,
tais como o cumprimento de horários e de regras, a definição de prioridades na
gestão do tempo, etc. Paralelamente, a autoestima e a autoimagem, face ao trabalho
e às competências pessoais e sociais de cada um, vão diminuindo.

A qualificação destes públicos passa, não só, por uma formação que responda às suas
necessidades de integração cívica e profissional, mas também pelo aprofundamento
das competências pessoais e sociais que permitam perspetivar o seu percurso de
modo autónomo e ativo.

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Referencial de Competências Chave

Reconhecer, validar e certificar competências-chave da população adulta é um


processo inovador que decorre essencialmente das estratégias de aprendizagem e
formação ao longo da vida. Não se trata apenas, de traduzir aprendizagens e saberes
mais ou menos formalizados ao longo de uma determinada trajetória escolar, mas
também, de partir, das trajetórias de vida de indivíduos adultos para extrair de modo
contextualizado e especializado as soluções de ação utilizadas nas mais diversas
situações dos seus percursos e contextos. É este o entendimento e a pertinência de
um referencial de competências-chave.

Neste sentido, assume particular importância a definição clara de dois conceitos: o de


competência e o de competências-chave. Entende-se neste documento competência
como uma "combinatória de capacidades, conhecimentos, aptidões e atitudes
apropriadas a situações específicas, requerendo também 'a disposição para' e 'o saber
como' aprender" (Comissão Europeia, 2004). E neste mesmo sentido, mas de modo
mais concreto e circunscrito, a definição de competências-chave é a de "um conjunto
articulado, transferível e multifuncional, de conhecimentos, capacidades e atitudes
indispensáveis à realização e desenvolvimento individuais, à inclusão social e ao
emprego." (Comissão Europeia, 2004). Estas podem ser adquiridas tanto em
percursos formais de escolarização obrigatória, como podem constituir-se como
fundamentos para novas aprendizagens e processos de aquisição de competências.

O desenho global do Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação


de Adultos assenta numa organização em quatro áreas nucleares e uma área de
conhecimento e contextualização das competências, consideradas todas elas
necessárias para a formação da pessoa/cidadão no mundo atual. As áreas nucleares
são: Linguagem e Comunicação (LC); Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC); Matemática para a Vida (MV) e Cidadania e Empregabilidade (CE).
(Consultar Referencial de Competências-Chave – Educação e Formação de Adultos in Plataforma e-
Learning)

O referencial inclui também uma área de conhecimento transversal denominada


Temas de Vida, que funciona como nutriente de conhecimento e contextualização das

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competências, constituída por uma diversidade de temas e problemas socialmente
relevantes e necessários à compreensão do mundo e à resolução dos problemas que
este nos coloca.

Temas de vida

Tecnologias da
Informação e
Comunicação
(TIC)
Linguagem e
Matemática
Comunicação
para a
(LC)
Vida (MV)

Cidadania e empregabilidade

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Por outro lado, o referencial apresentado estrutura-se em três níveis articulados
verticalmente numa espiral de complexidade crescente, tanto no que se refere ao
domínio das competências como ao âmbito de contextualização das mesmas. Estes
níveis são denominados: B1, B2 e B3, tomando por referência a correspondência com
os ciclos do ensino Básico Escolar, ainda que não se identifiquem com eles.

Cada Módulo/Área de competência organiza-se em três níveis, apresentando uma


estrutura comum constituída pelos seguintes elementos: a) fundamentação; b)
unidades de competência; c) critérios de evidência essenciais; d) sugestões de
atividades contextualizadas nos temas de vida.
(Consultar Referencial de Competências-Chave – Educação e Formação de Adultos in Plataforma e-
Learning)

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Plano Curricular

Os Cursos EFA de nível básico de dupla certificação (1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino
básico e certificação profissional) compreendem uma componente de formação de
base e uma componente de formação tecnológica, para além do módulo "Aprender
com Autonomia" e a formação prática em contexto de trabalho, quando aplicável.

A componente de formação de base integra as 4 áreas de competências-chave


constantes no Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação de
Adultos de Nível Básico (Cidadania e Empregabilidade, Linguagem e Comunicação,
Matemática para a Vida e Tecnologias de Informação e Comunicação). É, ainda,
constituída por três níveis de desenvolvimento (B1, B2 e B3) nas diferentes áreas de
competências-chave, organizadas em Unidades de Competência (UC), de acordo com
os referenciais de qualificação que integram o Catálogo Nacional de Qualificações.

A componente de formação tecnológica estrutura-se em Unidades de Formação de


Curta Duração (UFCD) de acordo com os referenciais de qualificação que integram o
Catálogo Nacional de Qualificações.

Módulo Aprender com Autonomia


(consultar Aprender com Autonomia in Plataforma e-Learning)

Os cursos EFA de nível básico e de dupla certificação integram um módulo designado


"Aprender com Autonomia", organizado em três unidades de competência, centradas,
essencialmente, no recurso a metodologias capazes de proporcionar aos formandos
técnicas e instrumentos de autoformação. Estes instrumentos e técnicas favorecem
ainda o desenvolvimento de hábitos de trabalho em grupo, bem como a definição de
compromissos individuais e coletivos.

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(a) No caso de Cursos EFA que sejam desenvolvidos apenas em função de uma das componentes de formação, são consideradas as cargas horárias associadas especificamente à
componente de formação de base ou tecnológica, respetivamente, acrescidas do módulo "Aprender com Autonomia" e da formação prática em contexto de trabalho, quando
aplicável.
(b) A duração mínima da formação de base é de 100 horas, bem como a da formação tecnológica.
(c) Inclusão obrigatória de uma língua estrangeira com carga horária máxima de 50 horas para o nível B2 e de 100 horas para o nível B3.
(d) Inclui, obrigatoriamente, pelo menos 120 horas de formação prática em contexto de trabalho, para os adultos que estejam a frequentar um curso de nível básico de dupla
certificação que não exerçam atividade correspondente à saída profissional do curso frequentado ou uma atividade profissional numa área afim.
(e) O número de horas é ajustado (em termos de duração) em resultado do processo de RVCC, sempre que aplicável.
(*) Este limite pode ser ajustado tendo em conta os referenciais constantes no Catálogo Nacional de Qualificações.

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Cursos EFA de Nível Secundário de Educação e de
Dupla Certificação

Os Cursos EFA de Nível Secundário permitem dar seguimento a planos de formação


de adultos que, a dada altura, interromperam os seus processos formativos
integrados em sistemas educativos regulares. Retomar um plano de educação e
formação de nível secundário implica uma evolução no grau de complexidade das
competências e saberes a desenvolver, assente num modelo de formação que
mantém um conjunto de critérios pedagógicos e metodológicos relativamente aos
Cursos EFA de nível básico, numa perspetiva integrada e de continuidade.

Os Cursos EFA de nível secundário destinam-se a adultos com idade igual ou superior
a 18 anos à data do início da formação, com baixa qualificação profissional e que não
tenham frequentado ou concluído o nível secundário (12º ano) de escolaridade. Os
adultos com idade inferior a 25 anos que se encontrem em situação de desemprego
devem, preferencialmente, realizar Cursos EFA-NS de dupla certificação.

Os Cursos EFA de Nível Secundário mantêm os aspetos estruturantes fundamentais


que esta oferta formativa garante para os níveis B1, B2 e B3, permitindo ao adulto a
obtenção de uma dupla certificação – escolar e profissional, através da articulação
entre as componentes da Formação de Base e da Formação Tecnológica.

Esta dupla certificação é concedida em função do Referencial de Competências Chave


para a Educação e Formação de Adultos – Nível Secundário, no que diz respeito à
Formação de Base e, paralela e articuladamente, dos restantes referenciais
disponíveis no Catálogo Nacional de Qualificações, correspondentes ao nível 3 de
formação profissional, para a definição da área da Formação Tecnológica.

É de salientar ainda que o adulto, em função do seu percurso e projeto de vida e do


respetivo processo de Reconhecimento e Validação de Competências, poderá realizar
um percurso que lhe confira apenas uma habilitação escolar com equivalência de nível
secundário de educação. Por outro lado, os Cursos EFA de Nível Secundário integram
um conjunto de elementos distintivos relativamente ao nível anterior, no sentido em

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que introduzem respostas ajustadas a um grau de complexidade mais elevado e que
dão corpo a uma metodologia adequada a essa mesma complexificação.

Os cursos EFA de Nível Secundário têm objetivos como:

✓ Garantir a continuidade e complementaridade dos objetivos definidos para os


Cursos EFA de nível básico;

✓ Consolidar o objetivo da dupla certificação (escolar e profissional), de forma a


preparar os adultos para o desempenho da sua atividade profissional, para
percursos de reconversão profissional, ou ainda de (re)inserção no mercado de
trabalho;

✓ Operacionalizar esta oferta formativa de modo a possibilitar percursos de


formação de nível secundário, tendo como ponto de partida, o trabalho de RVC
desenvolvido nos Centros Qualifica;

✓ Garantir a adequação dos percursos de aprendizagem, baseados nas opções do


adulto e respetivas histórias de vida, ajustando o desenho curricular de base ao
adulto;

✓ Permitir o desenvolvimento de um modelo de formação utilizando estratégias


flexíveis e inovadoras;

✓ Articular pedagogicamente a Formação de Base e a Formação Tecnológica,


tendo em vista metodologias ativas que privilegiem a complementaridade e a
transferência de competências;

✓ Motivar a população adulta portuguesa para o prosseguimento da elevação dos


seus níveis de qualificação, escolar e profissional.

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Modelo de formação
(consultar Cursos de Educação e Formação de Adultos Nível Secundário – Orientações para a Ação in
Plataforma e-Learning)

O modelo de formação dos cursos EFA de Nível Secundário assentam em quatro eixos
importantes:

➢ Desenvolvimento de um processo de Reconhecimento e Validação de


Competências (RVC) e saberes adquiridos pelos adultos ao longo da sua vida, a
realizar num Centro Qualifica. Sempre que o curso as comporte, o processo de
RVC é realizado em ambas as componentes de formação – escolar e profissional
–, conduzindo ao respetivo reconhecimento e validação de competências, com
base nos quais será definido o percurso de formação a realizar por cada adulto.

➢ Definição de percursos formativos individuais com base em Unidades de


Competência, constantes do Referencial de Competências-Chave para a
Educação e Formação de Adultos – Nível Secundário e dos referenciais de
formação, inseridos no Catálogo Nacional de Qualificações, adequando-os às
necessidades, motivações e expectativas de cada adulto.

➢ Operacionalização da Área de Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (Área de


PRA)* permitindo, nalguns casos, a articulação entre o RVC e o processo de
aprendizagem do adulto durante o percurso formativo, por forma a servir de
base à sua avaliação e certificação final para todos os formandos.

➢ Articulação entre Formação de Base (FB) e Formação Tecnológica (FT)


implicando uma integração das competências e saberes inerentes às duas
componentes de formação, permitindo, assim, o seu desenvolvimento em
simultâneo e uma estruturação coerente e concordante com um (per)curso de
dupla certificação.

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Manual do e-formando – Módulo III
* Área de Portefólio Reflexivo de Aprendizagens

É documento que explicita e reflete o percurso de aquisição de competências do


indivíduo. É "espelho" do adulto, "uma memória de aprendizagens, um projeto de
autor" (Gomes, 2006, p.39).

O Portefólio Reflexivo de Aprendizagem – PRA – é a base de trabalho para todo o


processo de RVCC, pois este trabalho de reflexão acerca das competências adquiridas,
ajudam o formando a colocar em evidência os conhecimentos adquiridos ao longo da
vida. É uma coleção de vários instrumentos (textual ou não) que documenta
experiências significativas.

Hernández (1998) define portfólio como um continente de diferentes classes de


documentos (notas pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, representações
visuais, etc…), que proporciona evidências do conhecimento construído.

Nas sessões de reconhecimento profissional de RVC, o formador promove atividades


que suscitem no adulto o questionamento e a reflexão, sendo o papel do mediador
acompanhar e orientar o adulto na construção do PRA através de uma metodologia de
resolução de situações-problema, orientando o adulto na construção e avaliação da
sua experiência e da sua projeção na realidade.

Os conteúdos do PRA devem ser um reflexo direto das competências que o adulto
possui e deve incluir os registos da equipa técnico-pedagógica, se necessário. Este
PRA, à medida que se vai consolidando, vai-se relacionando com o referencial de
competências-chave/referencial do RVCC profissional. Poderão ainda para
complementar, existir formações cuja duração não ultrapasse as 50 horas.

O portefólio deve ser desenvolvido com uma regularidade quinzenal quando realizado
em regime laboral e mensal quando realizado num regime pós-laboral.

Os materiais que constam no PRA são narrativas ou relatos autobiográficos indiretos,


bem como materiais biográficos adicionais, como: documentos pessoais que revelem

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Manual do e-formando – Módulo III
atividades práticas e testemunhos – diários, documentos oficiais, fotografias,
materiais gráficos (cartas, respostas a questionários e entrevistas, textos).
A história de vida/autobiografia podem ser um ponto de partida mas para construir
este documento, é necessário que o adulto faça uma reflexão para cada
acontecimento que introduza nessa autobiografia.

Para realizar esta reflexão é importante questionar-se acerca destas questões:


- Como é que este acontecimento alterou a minha vida?
- O que aprendi com esta experiência?
- O que deixei de fazer por ter tido esta experiência?
- Que aprendizagens adquiri para além destes acontecimentos?
- Quais os pontos fortes e fracos dessa aprendizagem?
- O que podia ter feito melhor?
- Que importância teve este facto na minha formação pessoal ou profissional?
- Que relação posso tirar deste acontecimento relacionando-o com a competência-
chave do processo RVCC?

Este processo de reflexão e construção da autobiografia, cada adulto é único, pois


cada um vivencia a sua experiência de forma diferente e cada adulto é constituído
pelas suas experiências de vida (escolares; profissionais; pessoais e sociais).

Assim é importante que cada indivíduo de RVC faça uma reflexão acerca de como
aprendeu; o que aprendeu; as mais-valias que obteve; os obstáculos que ultrapassou,
bem como:

- As alterações que ocorreram na sua vida em consequência desses episódios?


- Que alterações ocorreram na minha vida em consequência desses episódios?
- Que outro caminho podia ter seguido?
- Que aprendizagens /experiências podiam ter daí advindo?
- O que podia ter feito melhor?
- Que importância teve esse momento na minha formação?
- Quais os pontos fortes e fracos dessa aprendizagem?
- Qual a contribuição desse episódio para o individuo que sou hoje?

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Manual do e-formando – Módulo III
Referencial de Competências Chave
(consultar Referencial de competências-chave para a educação e formação de adultos – Nível Secundário:
Guia de Operacionalização in Plataforma e-Learning)

O Referencial de Competências-Chave de nível secundário assenta na articulação das


três Áreas de Competências-Chave: Cidadania e Profissionalidade (CP); Sociedade,
Tecnologia e Ciência (STC) e Cultura, Língua, Comunicação (CLC). Todas estas áreas
são consideradas necessárias à formação e/ou autonomização do cidadão no mundo
atual e, também, ao desenvolvimento sustentável e às dinâmicas políticas, sociais e
económicas.

Os elementos conceptuais comuns e transversais às Áreas do Referencial são:

Dimensões das Competências – Agregações das unidades de competência e respetivos


critérios de evidência em cada uma das Áreas de Competências-Chave.

Núcleo Gerador – Tema abrangente, presente na vida de todos os cidadãos a partir


dos quais se podem gerar e evidenciar uma série de competências-chave.

Curso Mediadores de Cursos EFA 28


Manual do e-formando – Módulo III
Domínios de Referência para a Ação – Contextos de atuação entendidos como
referentes fundamentais para o acionamento das diferentes competências-chave nas
sociedades contemporâneas: contexto privado; contexto profissional; contexto
institucional; contexto macroestrutural.

Tema – Área ou situação da vida na qual as competências são geradas, acionadas e


evidenciadas. Resulta do cruzamento dos vários núcleos geradores com os quatro
domínios de referência para a ação.

Unidades de Competência – Combinatórias coerentes dos elementos da competência


em cada Área de Competências-Chave.

Critérios de Evidência – Diferentes ações/realizações através das quais o adulto indicia


o domínio da competência visada.

Optou-se também por integrar em cada uma das Áreas, elementos de complexidade
que permitem auxiliar os candidatos ao RVCC e os mediadores/formadores no
processo de reconhecimento e validação de competências, num primeiro momento, e
na definição de percursos formativos, num segundo momento. Estes elementos de
complexidade são de três tipos: I – Tipo Identificação; Tipo II – Compreensão; e Tipo
III – Intervenção, e permitem distinguir critérios de evidência de cada uma das
competências-chave.

No conjunto das três Áreas espera-se que o adulto tenha percorrido e trabalhado um
total de 22 Unidades de Competência (UC), decompostas em 88 competências, que se
evidenciam através de um conjunto muito diversificado e amplo de critérios de
evidência. A distribuição do número de unidades de competência por cada uma das
Áreas é a seguinte:

• Cidadania e Profissionalidade: 8 UC
• Sociedade, Tecnologia e Ciência: 7 UC
• Cultura, Língua, Comunicação: 7 UC

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Manual do e-formando – Módulo III
Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

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Manual do e-formando – Módulo III
Plano curricular dos Cursos EFA de Nível Secundário de
Educação e de Dupla Certificação

Os Cursos EFA de nível secundário, de dupla certificação (12 º ano e certificação


profissional) compreendem uma componente de formação de base e uma componente
de formação tecnológica e podem desenvolver-se segundo três percursos de formação
(S3 - Tipo A, S3 - Tipo B ou S3 - Tipo C), de acordo com o nível de escolaridade dos
adultos no início da formação (9º, 10º ou 11º ano de escolaridade, respetivamente).

A componente de formação de base integra as três áreas de competências-chave


constantes no Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação de
Adultos - Nível Secundário: Cidadania e Profissionalidade; Sociedade, Tecnologia e
Ciência; e Cultura, Língua, Comunicação.

Estas áreas de competências-chave são constituídas por UFCD dos referenciais de


formação constantes no Catálogo Nacional de Qualificações, que explicitam os
resultados de aprendizagem a atingir e os conteúdos de formação a desenvolver para
cada um dos percursos S3 (Tipo A, Tipo B ou Tipo C).

Curso Mediadores de Cursos EFA 31


Manual do e-formando – Módulo III
(a) No caso de Cursos EFA que sejam desenvolvidos apenas em função da componente de formação tecnológica são consideradas as cargas horárias associadas a essa componente
de formação, acrescidas da área de Portefólio Reflexivo de Aprendizagens e formação prática em contexto de trabalho, quando obrigatória.
(b) A duração mínima da formação de base é de 100 horas, bem como a da formação tecnológica.
(c) As 210 horas de formação prática em contexto de trabalho são obrigatórias para as situações em que os adultos estejam a frequentar um curso de nível secundário de dupla
certificação e não exerçam atividade correspondente à saída profissional do curso frequentado ou uma atividade profissional numa área afim.
(d) Sempre que se trate de um adulto que frequente a formação em regime não contínuo, o cálculo deve ser feito tendo em conta sessões de 3 horas a cada 2 semanas de
formação, para horário laboral, e 3 horas, de 4 em 4 semanas, para horário pós-laboral. A duração mínima da área de PRA é de 10 horas.
(e) As unidades de formação de curta duração (UFCD) da formação de base obrigatórias para o percurso S 3 - Tipo A são:
- Cidadania e Profissionalidade: UFCD1, UFCD4 e UFCD5;
- Sociedade, Tecnologia e Ciência: UFCD5, UFCD6 e UFCD7;
- Cultura, Língua, Comunicação: UFCD5, UFCD6 e UFCD7;
- Mais duas UFCD opcionais que podem ser mobilizadas a partir das UFCD de língua estrangeira (caso o adulto não detenha as competências exigidas neste domínio) ou de
qualquer uma das áreas de competências-chave.
(f) As UFCD da formação de base obrigatórias para o percurso S 3 - Tipo B são:
- Sociedade, Tecnologia e Ciência: UFCD7;
- Cultura, Língua, Comunicação: UFCD7;
- Mais duas UFCD opcionais que podem ser mobilizadas a partir das UFCD de língua estrangeira (caso o adulto não detenha as competências exigidas neste domínio) ou de
qualquer uma das áreas de competências-chave.
(g) As UFCD da formação de base obrigatórias para o percurso S 3 - Tipo C são:
- Sociedade, Tecnologia e Ciência: UFCD7;
- Cultura, Língua, Comunicação: UFCD7.
(h) O número de horas dos percursos flexíveis será ajustado (em termos de duração) em resultado do processo RVCC.
(*) Este limite pode ser ajustado tendo em conta os referenciais constantes no Catálogo Nacional de Qualificações.

Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

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Manual do e-formando – Módulo III
Plano Curricular dos Cursos EFA de Nível Secundário e de
Habilitação Escolar

Os Cursos EFA de nível secundário que conferem apenas habilitação escolar integram
somente a componente de formação de base e desenvolvem-se segundo três
percursos (S - Tipo 1, S - Tipo 2 ou S - Tipo 3), consoante o nível de escolaridade dos
adultos (9º, 10º ou 11º ano de escolaridade, respetivamente).

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Manual do e-formando – Módulo III
(a) A duração mínima da formação de base é de 100 horas.
(b) Sempre que se trate de um adulto que frequente a formação em regime não contínuo, o cálculo deve ser feito tendo em conta sessões de 3 horas a cada 2 semanas de
formação, para horário laboral, e 3 horas, de 4 em 4 semanas, para horário pós-laboral. A duração mínima da área de PRA é de 10 horas.
(c) A esta carga horária poderão ainda acrescer entre 50 e 100 horas correspondentes às UFCD de língua estrangeira, caso o adulto revele particulares carências neste domínio.
(d) As UFCD da formação de base obrigatórias para o percurso S - Tipo B são:
- Cidadania e Profissionalidade: UFCD1, UFCD4 e UFCD5;
- Sociedade, Tecnologia e Ciência: UFCD5, UFCD6 e UFCD7;
- Cultura, Língua, Comunicação: UFCD5; UFCD6 e UFCD7;
- Mais três UFCD opcionais que podem ser mobilizadas a partir das UFCD de uma língua estrangeira (caso o adulto não detenha as competências exigidas neste domínio) ou de
qualquer uma das áreas de competências-chave.
(e) As UFCD da formação de base obrigatórias para o percurso S - Tipo C são:
- Cidadania e Profissionalidade: UFCD1;
- Sociedade, Tecnologia e Ciência: UFCD7;
- Cultura, Língua, Comunicação: UFCD7;
- Mais três UFCD opcionais que podem ser mobilizadas a partir das UFCD de uma língua estrangeira (caso o adulto não detenha as competências exigidas neste domínio) ou de
qualquer uma das áreas de competências-chave.
(f) O número de horas é ajustado (em termos de duração) em resultado do processo de RVCC, sempre que aplicável.

Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

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Manual do e-formando – Módulo III
Formação Prática em Contexto de Trabalho
(consultar Guia de Orientações - Formação Prática em Contexto de Trabalho in Plataforma e-Learning)

A formação tecnológica dos Cursos EFA pode integrar uma formação prática em
contexto de trabalho que assume caráter de obrigatoriedade para os adultos que não
exerçam qualquer atividade correspondente às saídas profissionais do Curso EFA
frequentado ou que não exerçam uma atividade profissional numa área afim.

Esta formação obedece aos seguintes princípios:

a) A entidade formadora é responsável pela sua organização e programação, em


articulação com a entidade que a realiza (entidade enquadradora);

b) A entidade formadora deve efetuar uma apreciação prévia da entidade


enquadradora, em termos de recursos humanos e materiais;

c) As atividades a desenvolver pelo formando devem reger-se por um plano individual,


acordado entre a entidade formadora, o formando e a entidade enquadradora. Este
plano deve identificar os objetivos, o conteúdo, a programação, o período, o horário, o
local de realização das atividades, as formas de monitorização e de acompanhamento
do adulto, os responsáveis e os direitos e deveres dos diversos intervenientes;

d) A orientação e o acompanhamento do formando são coordenadas pela entidade


formadora e partilhadas entre esta e a entidade enquadradora, cabendo a esta última
designar um tutor com experiência profissional adequada.

Curso Mediadores de Cursos EFA 35


Manual do e-formando – Módulo III
Avaliação

A avaliação incide sobre as aprendizagens efetuadas e as competências adquiridas de


acordo com os referenciais de formação e tem como objetivo informar o adulto sobre
os seus progressos, dificuldades e os resultados obtidos ao longo do processo
formativo, bem como certificar as competências adquiridas pelos formandos à saída
dos cursos EFA. Esta avaliação contribui também para a melhoria do sistema
facilitando a tomada de decisões para o aperfeiçoamento deste.

A avaliação deverá ser:


✓ Contínua e sistemática;
✓ Contextualizada tendo em conta as atividades de avaliação relacionas com as
atividades de aquisição de competências;
✓ Diversificada, recorrendo a diferentes técnicas e instrumentos de recolha de
informação;
✓ Clara e transparente em termos de critérios;
✓ Orientadora e reguladora para fornecer informação acerca da progressão das
aprendizagens do adulto;
✓ Qualitativa e descritiva, de forma a consciencializar o adulto do trabalho
desenvolvida.

A avaliação poderá ser realizada através da modalidade formativa, permitindo obter


informação sobre o desenvolvimento das aprendizagens com o objetivo de ajustar
estratégias de recuperação e aprofundamento e poderá ser sumativa com o objetivo
de servir de base para a certificação final.

Nos Cursos EFA de nível secundário, a avaliação formativa ocorre, preferencialmente,


no âmbito da área de PRA, a partir da qual se revela a consolidação das
aprendizagens efetuadas pelo adulto ao longo do curso.

A informação relativa à avaliação dos formandos deve ser registada no SIGO para que
seja possível a emissão do respetivo Certificado de Qualificações e Diploma.

Curso Mediadores de Cursos EFA 36


Manual do e-formando – Módulo III
Certificação

De acordo com o percurso formativo definido para cada adulto, os Cursos EFA podem
conferir uma dupla certificação (escolar e profissional), uma certificação apenas
escolar ou apenas profissional.

Para obtenção da certificação pela conclusão de um Curso EFA é necessário que o


adulto obtenha uma avaliação sumativa positiva, com aproveitamento nas
componentes do seu percurso formativo (componente escolar e/ou profissional) e na
formação prática em contexto de trabalho, sempre que esta o integre.

Certificação nos Cursos EFA de nível secundário e de habilitação escolar


Nos Cursos EFA de nível secundário correspondentes ao percurso S - Tipo A (cuja
condição de acesso é o 9.º ano), a certificação está dependente da conclusão com
aproveitamento das 22 UFCD que compõem a componente de formação de base e das
UFCD opcionais de Língua Estrangeira, quando aplicável.
Nos percursos S - Tipo B e S - Tipo C, cujas condições de acesso são, respetivamente,
o 10.º e 1.1º ano de escolaridade, a certificação está dependente da conclusão com
aproveitamento das UFCD correspondentes aos percursos em causa.

Certificação nos Cursos EFA de nível secundário e de dupla certificação


Nos percursos de dupla certificação, S3 - Tipo A, S3 - Tipo B e S3 - Tipo C, que têm
como condições de acesso, respetivamente, o 9.º, 10.º e 11.º ano de escolaridade, a
certificação está dependente da conclusão com aproveitamento de todas as UFCD.
Nos percursos em que seja apenas desenvolvida a componente de formação
tecnológica de um EFA, a certificação está dependente do aproveitamento em todas
as UFCD.

Caso o adulto não reúna as condições necessárias para a obtenção da qualificação,


ser-lhe-á, todavia, emitido um certificado de qualificações que certifica as
competências evidenciadas ao longo do seu percurso.

Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

Curso Mediadores de Cursos EFA 37


Manual do e-formando – Módulo III
Prosseguimento de Estudos

Os adultos que concluam o ensino básico ou secundário através de cursos EFA que
pretendam prosseguir estudos estão sujeitos aos respetivos requisitos de acesso das
diferentes modalidades de formação:

✓ A certificação escolar resultante de um Curso EFA de nível básico permite o


prosseguimento de estudos de nível secundário;

✓ A certificação escolar resultante de um Curso EFA de nível secundário permite o


prosseguimento de estudos através de um Curso de Especialização Tecnológica
ou de um curso de nível superior, mediante as condições definidas
na deliberação n.º 1650/2008, de 13 de junho, da Comissão Nacional de Acesso
ao Ensino Superior, ou nos termos do decreto-lei n.º 64/2006, de 21 de março
(acesso ao ensino superior por maiores de 23 anos).

Fonte: Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

Curso Mediadores de Cursos EFA 38


Manual do e-formando – Módulo III
Referências Bibliográficas

Bibliografia

ALONSO, Luísa; Educação e Formação de Adultos: Referencial de Competências Chave;


Documento de Trabalho, Vol.I e II; ANEFA; Lisboa: 2000

ANQEP, O Sistema Nacional de Qualificações e respectivos instrumentos, 2014.

COSTA, Célio, Apender a aprender, Editora Simonsen, Rio de Janeiro, 2009.

FREIRE, Paulo; Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa; Paz


e Terra; São Paulo; 2004.

GOMES, Maria do Carmo; Referencial de Competências-Chave para a Educação e


Formação de Adultos – Nível Secundário: Guia de Operacionalização; Ministério da
Educação; Lisboa; 2006.

HÉRNANDEZ, A Pedagogia de Projetos, 1998.

LEITÃO, José Alberto; Cursos de Educação e Formação de Adultos – Orientações para


a Acção; DGFV; Lisboa; 2003.

PIRES, Ana Luísa, Educação e formação ao longo da vida: Análise Crítica dos sistemas
e diapositivos de reconhecimento e validação de aprendizagens e de competências,
2000, Lisboa.

RECOMENDAÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO relativa à instituição


do Quadro Europeu de Qualificações para a aprendizagem ao longo da vida, 23 de
Abril de 2008.

ROLDÃO, M.C.; Gestão do currículo e avaliação de competências: As questões dos


professores; Editorial Presença; Lisboa; 2003.

Webgrafia

http://www.anqep.gov.pt
http://www.catalogo.anqep.gov.pt/Qualificacoes/Referenciais/227
https://www.qualifica.gov.pt

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Manual do e-formando – Módulo III

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