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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

Quando ovelhas não seguem o pastor:


Tensões e fronteiras entre religião e política numa igreja pentecostal

Adriel Torres de Queiroz Ferreira1


Linha de pesquisa: Religião, espiritualidade e espaço público

Resumo
Este projeto de pesquisa tem como tema principal as produções de fronteiras entre o religioso
e o político no campo evangélico. Pretendo observar essa dinâmica a partir do
acompanhamento do período eleitoral em uma igreja evangélica pentecostal que pertence à
denominação Assembléia de Deus, em um de seus principais segmentos - o ministério Belém.
Trata-se de um deslocamento da investigação anterior (Bolsa Pibic 2018)2 cujo enfoque
analítico se concentrou em outros aspectos do fenômeno: estratégia eleitoral, militância e
voto. Esta nova investigação focaliza as tensões entre fiéis e lideranças religiosas nesse
processo de mobilização institucional do voto dos fiéis. A hipótese deste estudo é a
mobilização das categorias religião e política como disputa nativa, especificamente na
contestação interna ao projeto político da igreja, a desobediência do baixo clero e fiéis às
candidaturas eleitorais de suas lideranças religiosas. Segundo Casanova (2009), novo marco
teórico, a abertura da religião à esfera pública é uma via de mão dupla que implica não apenas
atores religiosos impondo suas normas na esfera pública, mas também atores religiosos sendo
contestados por fiéis que se apropriam de normas seculares. Desta forma, este presente projeto
colabora com o reconhecimento da fragmentação interna de comunidades religiosas e um
campo evangélico dinâmico.

Palavra Chaves: Evangélicos, Política e Religiões Públicas

Introdução
A religião evangélica, suas instituições religiosas, líderes, representações políticas e
fiéis tornaram-se recorrentes na literatura acadêmica da área de religião e política no Brasil. A

1
Graduando em ciências sociais (último período do bacharelado geral) pela Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP).Membro do Laboratório de Antropologia da Religião (LAR).
2
O projeto aqui apresentado é continuação da pesquisa de iniciação científica “Cidadania Terrena e
Cidadania Divina: uma campanha eleitoral pentecostal” (Bolsa PIBIC 2018-19) que compôs a
pesquisa geral “A onda quebrada: evangélicos e conservadorismo” (Bolsa PQ-CNPQ, Nível 2),
coordenado pelo Professor Doutor Ronaldo Rômulo Machado de Almeida.
crescente ocupação evangélica no legislativa e o impacto do voto evangélico na última eleição
presidencial3, além do contínuo “barulho” de suas proposições públicas em defesa da
moralidade da família tradicional (Pierucci, 1987) destacam o segmento religioso no processo
social contemporâneo que tem sido denominado no debate público como onda conservadora.
Como tem sido organizado pelo antropólogo Ronaldo de Almeida (2017; 2019), a
considerável parcela dos evangélicos que compõe esse processo social conservador mais
amplo são como água dentro d’água, ou seja, são constitutivos e constituintes dele. O foco
nos evangélicos se dá em relação ao conservadorismo no Brasil.
Uma das principais características do fenômeno político evangélico recente que tem
chamado atenção na literatura acadêmica é a capacidade de mobilização do voto (Freston,
1993; Oro, 2003; Mariano, 2004; Nascimento, 2017; Tanaka, 2018; Valle, 2018). As
instituições religiosas evangélicas, desde a redemocratização brasileira, obtêm sucesso
eleitoral no legislativo a partir da coordenação de candidaturas próprias. Para tais é
mobilizado a estrutura eclesiástica, na qual o templo é um espaço de apresentação da
representação política, o fiel e o baixo clero são uma possível militância e o carisma da
liderança religiosa pode ser transferido para a candidatura política. Apesar do crescimento, o
número de representantes evangélicos no legislativo ainda está longe de espelhar o de
evangélicos na sociedade brasileira. A sub-representação, no entanto, parece não causar o
mesmo espanto que a crescente ocupação legislativa na opinião pública. Segundo Lacerda
(2017) a cobertura midiática do ativismo evangélico é, em geral, negativa ao caracterizar o
voto dos fiéis como “voto de cabresto”4.
Em 2012 a Rede Fale, uma ONG evangélica, criou a campanha “Contra o voto de
cajado” com o objetivo de qualificar a participação evangélica nas eleições denunciando a
ilegalidade das campanhas em espaços públicos, como templos religiosos tornados em
“currais eleitorais”. O termo de acusação “ voto de cajado”, cunhado no meio progressista

3
Segundo pesquisa DataFolha divulgada em 25 de Outubro de 2018 as intenções de voto no segundo
turno entre os evangélicos foi de 69% para Bolsonaro, a maior diferença dentre as filiações religiosas.
Ver:«http://www.ihu.unisinos.br/584304‑o‑voto‑evangelico‑garantiu‑a‑eleicao‑de‑jair‑bolsonaro?fbclid
=IwAR3ifglw6QIubHUhMll33z‑Wx5I4v8VZBTnu3n9DMJZriESIo2KXfMjzfGo» (Consultado em
09/09/20)
As intenções de voto para Bolsonaro por parte dos evangélicos totalizaram 37% da sua votação total.
4
Ver, por exemplo: «‘Apóstolos’, ‘Bispos’ e ‘Pastores’: os novos coronéis dos currais eleitorais», T1
Notícias, 12/08/14; «Voto não pode ser condicionado à fé evangélica, defendem igrejas históricas»,
Congresso em Foco, 03/10/14; «Partidos tentam evitar veto de igrejas em SP», Folha de S. Paulo,
16/01/12.
evangélico para esta prática pastoral, faz alusão ao movimento realizado pelo pastor com seu
cajado para induzir o movimento de seu rebanho. Essa mobilização da base eclesiástica em
prol das candidaturas próprias foi apreendida, de forma semelhante, por parte do sistema
jurídico que enquadra as campanhas eleitorais dentro dos templos como abuso de poder
econômico5.
A percepção nociva do fazer eleitoral também está presente na literatura acadêmica.
Lacerda (2017) rememora que a partir de 1960 se acentua estudos que ressaltaram o modo
como as igrejas pentecostais adentravam na política adotando práticas clientelistas e
potencialmente nocivas à democracia (cf. D’Epinay 1970; Bastian 1994; Chesnut 1997;
Gaskill 1997 apud Lacerda 2017). Sendo assim, diferentes campos da sociedade civil
reagiram contra esse aparente “despertar” da religião. Reação de uma modernidade altamente
influenciada pelo iluminismo que oferece-a: privatização ou secularização, como descreve
Berger (1997).
Para tal modernidade a religião passar por uma transição oposta à sua expectativa, um
reencantamento do sistema político dantes secular. Geertz (2001) capta essa sensação de “dor
de cotovelo” dessa compreensão moderna perante as sociedades islâmicas ao nomear seu
texto como “Beliscão do Destino”, no qual vai afirmar a necessidade de repensar a categoria
religião, visto que a empiria mostra outros arranjos possíveis, da forma subjetiva e privada à
dimensões identitárias e pública. Dessa forma, compreendo o fenômeno político evangélico e
a própria disputa pública em torno dos enquadramentos político ou religioso para sua prática
eleitoral como um espaço debate bibliográfico sobre o enquadramento do fenômeno político
evangélico.
No mesmo esforço de discutir as transformações contemporâneas daquilo que se
compreende como religião e repensar seu enquadramento analítico, Almeida (2010, pág. 3)
afirma que “não devemos negligenciar também que o debate sobre como defini-la ocorre.”.
Portanto, minha proposta é observar essa produção de enquadramentos, que remonta a
transformação da modernidade, numa capilaridade que se expande pelo Brasil, as
comunidades evangélica pentecostal.

5
Ver, por exemplo:
«http://www.justificando.com/2018/09/17/tse-considera-campanha-politica-dentro-de-igrejas-como-ab
uso-de-poder-economico-e-crime-eleitoral/»;
«https://amaerj.org.br/noticias/no-rio-justica-eleitoral-combate-abuso-de-poder-religioso/»
(Consultados em 09/09/20)
Apresentação do problema
O projeto aqui apresentado é continuação da pesquisa de iniciação científica
“Cidadania Terrena e Cidadania Divina: uma campanha eleitoral pentecostal” (Bolsa PIBIC
2018-19) que compôs a pesquisa geral “A onda quebrada: evangélicos e conservadorismo”
(Bolsa PQ-CNPQ, Nivel 2), coordenado pelo Professor Doutor Ronaldo de Almeida. Este
presente projeto propõe uma observação participante na igreja evangélica Assembléia de
Deus, em um de seus principais segmentos - o ministério Belém. O acompanhamento da
comunidade religiosa tem por objetivo a investigação da participação evangélica com um
novo foco: a produção de fronteira entre religião e política. A atividade empírica será
construída tendo em perspectiva duas generalizações: (i) Estudo da atividade política
evangélica; (ii) Estudo do movimento de desprivatização da religião. Para apresentar esse
projeto de pesquisa e defender sua relevância faz-se necessário explicitar a relação do meu
objeto de estudo com tais generalizações teóricas.
O protagonismo da participação política num campo heterogêneo e extremamente
fragmentado como é o evangélico corresponde a atores específicos. Dessa forma a atenção
acadêmica detêm-se a evangélicos, igrejas e estratégias de ação particulares que são também a
delimitação desse projeto. Segundo Freston (1993) e Pierucci (1989) o período da
redemocratização brasileira foi o marco da mudança evangélica em relação à política no país.
Anteriormente com uma representação marginal ou totalmente apolíticos, os evangélicos
mobilizaram-se para a eleição de deputados evangélicos da Constituinte de 1986, elegendo 33
parlamentares. Esse diferencial decorreu de uma nova estratégia eleitoral e da agência de
novas igrejas evangélicas. A partir desse marco, as candidaturas eleitorais se tornaram
empreendimentos próprios das igrejas, em específico das pentecostais, que se tornaram
protagonistas do cenário evangélico brasileiro no final do século XX.
O pentecostalismo, considerado uma fragmentação do mundo protestante, se
diferencia pela defesa de uma segunda obra da graça distinta da salvação, o “batismo no
Espírito Santo” manifestado pelo fenômeno glossolálico. Ele teve seu estopim no início do
século XX no sul dos Estados Unidos e, ainda no decorrer do mesmo século, missões
pentecostais chegaram ao Brasil (Freston, 1994). Em 1910 teve chegada da missão italiana
que formou a Congregação Cristã do Brasil (1910) e em 1911 a missão sueca/norte americana
que formou a Assembléia de Deus (1911). Em meados do século XX, já independente das
missões, as igrejas capilarizam-se pelo território nacional contando com uma considerável
fragmentação por parte da Assembléia de Deus. Já anos 70, fundamentalmente no estado Rio
de Janeiro, se desenvolve novas instituições religiosas pentecostais com inovações litúrgicas,
estéticas, teológicas e éticas, em relação ao pentecostalismo brasileiro oriundo das missões,
representados principalmente pela Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e Igreja
Internacional da Graça de Deus (1980).
Com a implantação das missões e o crescimento demográfico dos pentecostais no
Brasil, eles se tornaram o principal setor dentre os evangélicos. De acordo com o Censo
Demográfico do IBGE de 2010, dos que se declaram evangélicos 60% pertencem às igrejas
pentecostais, 8,5% são protestantes históricos e 21,8% não são determinados. Tal proporção
também se expressa na Câmara Federal, na qual dentre os 84 parlamentares evangélicos da
atual legislatura 67 são ligados à igrejas pentecostais, segundo dados do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP)6. Por isso, o pentecostalismo é uma
importante delimitação para o estudo da participação política evangélica com foco na
representação legislativa.
Ao observar os candidatos evangélicos eleitos na última eleição nota-se também o
predomínio de duas igrejas pentecostais que se estende para todo esse período de entrada
evangélica na política institucional. Em 2018, dos já citados 84 parlamentares evangélicos,
mais da metade (47) está ligada a Assembléia de Deus (AD) ou a Igreja Universal do Reino
de Deus (IURD). Desde o início dessa nova presença evangélica no legislativo, as duas igrejas
apresentam quantidades significativas de parlamentares decorrentes do sucesso eleitoral de
suas novas estratégias de ação que constituem outro ponto de estudo do fenômeno político
evangélico. Logo em 1986, a AD realiza um esforço para constituir um eleitorado evangélico
com a publicação do “Irmão vota em Irmão” escrito pelo jornalista e assessor parlamentar,
membro da AD, Josué Sylvestre (Valle, 2013). Tal publicação da sinaliza uma mudança do
perfil dos candidatos evangélicos que passam a ser internos à comunidade religiosa, com uma
trajetória sólida dentro da igreja e, geralmente, com relações de cunho familiar com as
lideranças religiosas. Para Oro (2003) a combinação desses fatores colabora na mobilização
intra-denominacional uma vez que facilita a transferência de carisma do líder religioso para o
candidato. Como exemplo, a Igreja Universal do Reino de Deus passou de 9 para 35

6
Acessado em 20/04/2020:
<https://www.diap.org.br/index.php/noticias/noticias/28532-eleicoes-2018-bancada-evangelica-cresce-
na-camara-e-no-senado>.
deputados estaduais e federais eleitos a partir da constituição de um modelo de representação
corporativo, as candidaturas oficiais entre as eleições de 1990 e 2002 (Oro, 2003).
A grande capacidade de coordenação do voto, como uma profissionalização eleitoral,
é creditada em muitos trabalhos à Igreja Universal do Reino de Deus e as influências
neopentecostais no pentecostalismo clássico (Almeida, 2004). Oro (2003) afirma que outras
igrejas pentecostais passaram a mimetizar o fazer eleitoral iurdiano, ou seja, o modelo das
candidaturas oficiais - um centralismo de igrejas na campanha eleitoral, realização de
propaganda eleitoral nos templos e uma militância eleitoral voluntária formada por fiéis.
Portanto, é necessário uma incursão de verificação por essas outras igrejas, como Assembléia
de Deus.

O estudo de caso e a justificativa


Para retomar, o trabalho de campo aqui proposto se desenvolverá na intersecção
dessas delimitações que orientam as pesquisas sobre a participação política evangélica. A
denominação observada corresponde a igreja evangélica pentecostal Assembléia de Deus, que
por sua vez apresenta uma grande fragmentação institucional (Freston, 1993; Alencar, 2010).
Internamente a esta fragmentação existem Convenções Nacionais, das quais a Convenção
Geral das Assembléias de Deus (CGADB) congrega o maior número de Ministérios. Há 32
anos a CGADB é presidida pelo Ministério Belém sob o poder da mesma família. O
Ministério Belém é um dos principais segmentos da Assembléia de Deus no Brasil. Tal
Ministério é presidido pelo patriarca José Wellington Bezerra da Costa e possui 4 mandatos
legislativos em São Paulo, sendo 3 destes de seus filhos. Os 4 mandatos estão divididos em
dois centros de poder: a capital paulista e Campinas. Em Campinas, o Ministério Belém é
presidido por Paulo Roberto Freire da Costa, filho do patriarca, que também é deputado
federal pelo PL desde 2010. Esta mesma igreja de Campinas possui um representante
municipal desde 2008, o Alberto Alves da Fonseca (PL) que planeja sua reeleição. Dessa
forma, meu trabalho de campo atende seguintes delimitações no campo evangélico:
Pentecostalismo, Assembléia de Deus e Ministério Belém em Campinas.
Os estudos sobre a atividade política evangélica colaboram como recorte temático e do
trabalho de campo, da mesma forma, os estudos sobre a desprivatização da religião e religiões
públicas colaboram como arcabouço teórico para discutir o objeto de pesquisa a partir de um
novo foco. Os antecedentes dessa pesquisa proposta abordaram uma dimensão micro da
participação política evangélica, focadas em estratégia eleitoral, militância e financiamento. A
introdução ao campo deu-se a partir da descoberta de um grau de profissionalização eleitoral
com forte centralismo decisório da instituição religiosa que mobiliza seu baixo clero como
militância voluntária. Entretanto tensões internas e externas apresentaram-se em campo que
não eram apreendidas pela delimitação da pesquisa e pelo marco teórico. Trata-se de tensões
na produção de fronteiras entre religioso e político quando a religião assume uma presença
pública. Dessa forma este projeto com um novo foco permite a incorporação dessas tensões na
construção de uma pesquisa de maior ambição teórica e de maior aprofundamento
etnográfico.
A realização da primeira observação científica na comunidade assembleiana encontrou
parte dos fiéis e do "baixo clero" críticos à participação política da igreja, em específico às
candidaturas eleitorais de suas lideranças eclesiásticas. Na primeira investigação essa
resistência foi observada através de duas das hipóteses, mas não pode ser teorizada e
articulada. A primeira hipótese é que o efeito entre despesa de campanha e sucesso eleitoral
dessas candidaturas evangélicas oficiais são menores em relação a outros candidatos
evangélicos, uma vez que contam com um eleitorado cativo e a possibilidade de fazer a
campanha na comunidade religiosa a partir do apoio institucional das igrejas (Netto, 2016). A
segunda hipótese é a presença de uma militância voluntárias de fiéis da própria igreja
(Almeida e Peixoto, 2017). A relação entre financiamento e sucesso eleitoral foi investigada
pelo “custo do voto”, a divisão entre despesa e resultado eleitoral. Segundo a elaboração de
dados da Bolsa PIBIC 2018, o custo do voto deputado federal da AD-Belém foi de 19 reais,
enquanto a média dos demais deputados federais evangélicos eleitos foi de 9,8 reais. Em
relação a militância da campanha da AD-Belém, ela não correspondeu à expectativa de fiéis
voluntários como militância, pois, seu corpo de militância voluntária era composta apenas
pelo baixo clero. Portanto, ambas hipóteses citadas acima não se realizaram na candidatura a
deputado federal de Paulo Freire da Costa (PL) em 2018. A observação de campo produziu
dados descritivos nos quais as coordenação da campanha eleitoral da AD-Belém dialogava
com a existência dessa contestação interna. Essa contra contestação durante a campanha
eleitoral se deu através de reuniões de formação política para a militância, nas quais as
lideranças religiosas e políticas instruíam a observância de normas seculares, a legislação
eleitoral.
Em uma das reuniões observadas houve o momento educativo sobre a legislação
eleitoral apresentado pelo vereador oficial da denominação, Prof. Alberto. Com o apoio de um
projeção audiovisual com o título "pode e não pode" foi tratado sobre sobre a proibições em
relação a campanhas eleitorais em templos religiosos.
"Não pode meus irmãos, dizer:
- Vamos votar no candidato da igreja, pelo amor de Deus!
Mas podemos dizer:
- Nosso pastor presidente é o candidato da igreja para deputado federal,
vamos orar por ele.”
O vereador tratou também da importância da declaração de apoio por parte do pastor.
Segundo o que ele disse para os pastores ali presente, não adianta o pastor permitir a
distribuição de material da campanha mas não declarar publicamente seu voto no candidato da
igreja.
“Pastores, vocês devem ser inteligentes. Não é para declarar o voto durante
o culto no púlpito, mas os irmãos da sua congregação verão o adesivo da
campanha no vidro do seu carro, verão sua capa do facebook declarando
apoio ao pastor Paulo e podem receber o material de campanha pelo seu
contato no whatsapp através das listas de transmissão que vamos ajudar vocês
a criarem hoje”
Segundo o palestrante já houveram questionamentos e denúncias da campanha
passadas por fiéis que têm divergências políticas com o ministério, irmãos que ainda estão
“presos” na cultura da não participação cristã na política. Essa é a justificativa para tal
observância da legislação eleitoral, pois, a parte da membresia resistente estaria atenta para
denunciar infrações da campanha da igreja para impugná-la.
Em relação a membresia do templo observado foi identificado por meio de conversas
uma parte resistente à candidatura oficial. Devido a sua estadia em Brasília durante a semana,
Paulo Freire da Costa comparece apenas nos fins de semana em sua igreja igreja e,
geralmente, apenas nos cultos de domingo à noite. As ausências do pastor presidente na
maioria dos cultos de sua própria igreja é uma falta grave para esses fiéis resistentes. Essa
parcela acusa Paulo Freire da Costa pela falta de tempo e proximidade com os fiéis por sua
função parlamentar. Para eles ou se é pastor ou se é político, portanto, melhor seria que o
pastor exercesse somente a função eclesiástica. Tal contestação de parte dos fiéis mobiliza a
duplicidade da figura do Paulo Freire da Costa na comunidade religiosa, autoridade política e
religiosa. Há em campo, portanto, a intersecção de comunidade religiosa e sociedade civil em
que tensões e desobediências se dão. É esse cenário que requer um novo arcabouço teórico
que contemple a relação da religião com a esfera pública.

Debate com a literatura


Para apreender essas tensões e construir investigação empírica e teórica em volta
delas, mobilizo inicialmente Casanova (1992) e (2009). A emergência do protestantismo
fundamentalista como fator eleitoral na América é um dos desenvolvimentos históricos que
parecem refutar a tese da secularização na qual a religião teria menor impacto no mundo,
governos e domínios institucionais. Em diálogo com a tese da secularização, Casanova (1992)
reexamina distinções entre religiões públicas e privadas como ferramenta conceitual para
interpretar o papel da religião na construção do mundo moderno.
A avaliação da tese da secularização por Casanova (1992) é que esta precisa ser
emancipada da ideologia anti religiosa iluminista na qual se espera a religião restringida à
esfera privada. Não se trata de enquadrar a religião como um antiga força que decai perante a
sociedade moderna ou uma antiga força que retorna e a ameaça. As paredes modernas entre
Igreja e Estado estão rachando sendo que ambas são capazes de penetrar uma a outra. religião
e política permanecem se misturando em todos os tipos de arranjos (Casanova, 1992). Para
Monteiro (2006), que observou a institucionalização das religiões no Brasil, a religião não
some e reaparece na esfera pública, ela se reconfigura. Tais imagens relacionam e afirmam
várias fronteiras possíveis entre religião e política. Uma delas é a religião pública no contexto
das igrejas pentecostais.
Religião pública é aquela que tem, assume ou tenta assumir um caráter, função ou
papel público (Casanova, 2009). Com o caso das candidaturas oficiais, essas igrejas
evangélicas são enquadradas como religião pública ligada ao Estado, aquela que é capaz de
mobilizar seus recursos institucionais para competições políticas como as eleições. Em uma
lógica secularista, essa configuração de religião pública é considerada uma ameaça à
democracia pela tendência a Teocracia. Contra essa interpretação, Casanova (2009) afirma
que as normas seculares que já observam excessos de poder de todas as naturezas bastam
para o controle da religião pública institucionalizada.
Quando a religião faz-se pública ela também abre espaço para a legitimação social. A
desprivatização é uma rota de mão dupla (Casanova, 2009). Tanto atores religiosos afetam a
esfera pública como as normas seculares, como de laicidade do Estado e equidade de gênero,
afetam a esfera religiosa. A comunidade religiosa também incorpora as normas seculares,
dessa forma, os fiéis podem exercer uma contestação interna na reprodução das tradições
religiosas e publicização delas. Casanova (2009) afirma a importância do estudo desse
movimento de contra-contestação interno. Por exemplo, é a agência de mulheres e o papel que
desempenham em suas tradições religiosas que em última análise decidiram o destino das
tradições religiosas patriarcais.
Através desse arcabouço teórico e do enquadramento do objeto de pesquisa a
continuidade do acompanhamento da comunidade religiosa da AD-Belém mostra-se relevante
e com uma nova ambição teórica, o estudo das religiões públicas e das configurações entre
religião e política. Os elementos descobertos na iniciação científica passam agora a compor
uma pesquisa de maior ambição teórica, o estudo das religiões públicas e das configurações
entre religião e política. A observância da legislação eleitoral por parte dos atores religiosos e
a resistência de parte dos fiéis à candidatura do pastor passam a ser tratadas como
consequências da abertura religiosa ao espaço público por meio das atividade legislativa e
pública. O contexto público de representações políticas e candidaturas eleitorais, portanto, no
interior da comunidade religiosa é um momento de intensa produção de fronteiras entre
religião e política para análise teórica.
O conceito de fronteira7 é utilizado na estruturação da pesquisa com inspiração pela
tese Fronteiras de tensão: um estudo sobre política e violência nas periferias de São Paulo de
Gabriel Feltran (2011). Semanticamente “fronteira” traz marcações, como divisão e conflito,
para o presente projeto em um esforço de afirmar a coexistência de múltiplos enquadramentos
no interior da comunidade religiosa. O autor afirma também o sentido de fronteira como uma
forma de explicitar regulação do fluxo, o qual é retomado aqui no sentido de produção para
apreender a disputa nativa em torno da prática política religiosa.
Compreender a comunidade religiosa evangélica a partir da produção dessas fronteiras
entre religião e política, que explicitam divergência e multiplicidade, é também um esforço de

7
Fronteira. fron.tei.ra sf (fronte+eira) 1. Zona de um país que confina com outra do país vizinho. 2.
Limite ou linha divisória entre dois países, dois Estados etc. 3. Raia; linde. 4. Marco, baliza. 5.
Confins, extremos. [fonte: Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa - Mirador Apud Feltran, 2011)
enquadrar as comunidades evangélicas para além das lideranças ou do discurso institucional.
Para tal faz-se necessário reconhecer a comunidade evangélica na relação entre fiel e
liderança. As mudanças das categorias análitas são importantes para acompanhar o
movimento daquilo que tem se reconhecido com religião. Geertz (2001) e Almeida (2010)
sinalizam a necessidade de se pensar a religião orientada para o espaço público, mas de uma
perspectiva de construção identitária de sujeitos. Nessa perspectiva não cabe um
enquadramento da vida na comunidade religiosa que retire a agência dos membros da
comunidade, não reconheça suas elaborações e multiplicidade em relação à instituição. Tal
preocupação, portanto, é também estruturante neste projeto.
Ao me aproximar teoricamente da comunidade evangélica na qual continuo minha
investigação, AD-Belém Campinas, recorro a Kantorowicz (1998) para tratar a especificidade
da liderança religiosa. Como já elaborado, Paulo Freire da Costa é pastor presidente da igreja
em campinas e deputado federal pelo estado de São Paulo. Essa dupla atuação, a legislativa e
a eclesiástica, são recebidas de forma diferente por parte da membresia, o que leva a crítica do
“Paulo deputado” a partir da defesa do “Paulo pastor”. Essa liderança evangélica que é
política ou religiosa a depender do contexto é semelhante à doutrina medieval da duplicidade
corpórea do rei. Segundo Kantorowicz (1998) a tradição afirma que o rei possuía um corpo
natural, como qualquer outro homem, e, além disso, um corpo místico, invisível e imortal,
incapaz de qualquer imperfeição. Para o autor, afirmar a existência de dois corpos na figura
do rei trata-se sobre dar diferentes tratamentos e responsabilizações, capaz de sustentar
punição e benção sobre a mesma pessoa. Como aquele fiel que permanece frequentando a
comunidade do pastor que ele chama de “homem de Deus” mas que “às vezes se perde na
política”.8

Objetivos
● Realizar um levantamento bibliográfico para aprofundamento na temática e
fundamentação teórica da observação de campo.
● Dar continuidade a observação da comunidade religiosa da AD-Belém e de seus
parlamentares oficiais.

8
Relato da observação de campo realizada em 2018 para a pesquisa de iniciação científica “Cidadania
Terrena e Cidadania Divina: uma campanha eleitoral pentecostal” (Bolsa PIBIC 2018-19).
● Compreender as produções de fronteiras entre religião e política em um templo da
AD-Belém em Campinas.
● Acompanhar as campanhas eleitorais na igreja e a relação do pastor e da igreja durante
o seu mandato.

Metodologia
Visto que essa investigação proposta objetiva a participação nas tramas da vida
cotidiana de um grupo social e a entrada no fluxo dos acontecimentos a metodologia será
qualitativa, mais especificamente a observação participante, entrevistas semi estruturadas e
análise dos materiais de campanha. Uma comunidade religiosa com representação política
institucional possui particulares desafios a pesquisa de campo. Desafios estes que não dizem
respeito ao acesso ao campo, a dificuldade de encontrar material ou nativos para se relacionar.
Igrejas evangélicas como a Assembléia de Deus-Belém realiza diversos cultos durante a
semana, eventos festivos ou formativos, reuniões e encontros. Também distribuí e circula pela
comunidade inúmeros materiais escritos ou audiovisuais. Portanto, o pesquisador deve
reconhecer a estrutura eclesiástica para traçar uma rotina de trabalho neste campo. Porém,
certos encontros e materiais não são direcionados para todos os frequentadores daquela
comunidade, principalmente as atividades de formação política na Assembléia de
Deus-Belém. Além de suas lideranças políticas negarem constantemente entrevistas para
pesquisadores. Diante disso, faz-se necessário o reconhecimento dentre os nativos para
adquirir a concordância de sua presença (Eckert & Rocha, 2008).
Minha condição em relação ao campo de observação é de nativo. Devido a isso
reconheço a rotina de encontros da comunidade religiosa e possuo uma facilidade de contato
com fiéis e lideranças religiosas. Tanaka (2018) e Valle (2013) na tentativa de entrar em
contato com as lideranças religiosas da AD-Belém encontraram a barreira de comunicação
com estes. Segundo Lacerda (2017) o contato direto com igrejas é uma estratégia para
superação de tal dificuldade. Na pesquisa antecedente tive acesso ao coordenador da
campanha do Paulo Freire da Costa, pastor Daniel Bueno. Me aproximei do presidente
nacional da comissão política da AD - Belém, pastor Eliazar Ceccon, que me levou ao
deputado federal oficial da AD - Belém, Paulo Freire da Costa, e ao vereador oficial da AD -
Belém em Campinas, Professor Alberto. Porém devo reconhecer minha posição nesse cenário
de pesquisa. A observação de campo atrelada ao método etnográfico necessita que o próprio
pesquisador passe a ser objeto de pesquisa (Levi-Strauss, 1974 apud Eckert & Rocha, 2008).
Essa metodologia, portanto, permite que o pesquisador-nativo estranhe o familiar, superando
suas representações fundamentadas na experiência agora substituídas por questões relacionais
sobre o universo investigado (Velho, 1978).

Será realizado também entrevistas dentro do recorte qualitativo de pesquisa, ou seja,


estruturação mínima, uso de roteiro de entrevista de forma mais livre, perguntas abertas e
adaptáveis, formulações hipotéticas, respostas espontâneas, aplicadas de forma presencial.
Entrevistas mais estruturadas acerca da legislação eleitoral, das candidaturas oficiais da
AD-Belém, e da participação evangélica pentecostal na política serão realizadas com fiéis e
pastores posteriormente a constituição de uma nova rede de relações em campo ao levar em
consideração apoio e contraposição às candidaturas oficiais da instituição religiosa.
Além das atividades de formação de cabos eleitorais e reunião dos agentes políticos,
serão acompanhadas as atividades cotidianas da comunidade religiosa AD-Belém Campinas
em seu templo central9. Tal seleção se deu pela presença dos dois candidatos oficiais nessa
comunidade constituída em torno do templo e por sediar a maioria das reuniões ministeriais
da cidade.
É importante afirmar a possibilidade de execução dessa pesquisa tendo vista a atual
pandemia do novo coronavírus. Em setembro de 2020, a igreja AD-Belém Campinas afirmou
o retorno dos cultos presenciais com 40% de ocupação e manutenção da transmissão dos
mesmos pela internet. Já as eleições municipais de 2020 estão previstas para serem realizadas
em 15 de Novembro (primeiro turno) devido a situação pandêmica com a promulgação da
Emenda Constitucional n°107/2020. A dinâmica eleitoral na comunidade religiosa
correspondente será observada para uma segunda iniciação científica (Bolsa PIBIC 2020/21)
de projeto equivalente ao presente projeto de mestrado, dentro das limitações de uma
iniciação científica. Dessa forma afirmo a existência de material para ser observado e
analisado mesmo durante o isolamento social e respeitando tais medidas.

9
Localização: Rua Pastor Cícero Canuto de Lima, 160 - Pq. Itália, Campinas - SP, 13036-210. O
templo em questão fica a 20 minutos de transporte público da minha residência e 30 minutos do meu
local de estudo (IFCH-UNICAMP). Ressalto assim, a possibilidade de realizar a observação de
campo.
Resultados esperados
Pretendo ao fim do trabalho apresentar um material de escuta e reflexão teórica sobre
a presença pública da religião evangélica no Brasil. Como um trabalho de mestrado, pretendo
expandir os referenciais teóricos e me aprofundar área de estudo. Enquanto continuidade de
observação de campo, espero expandir a rede de contatos no nível eclesiástico e da
membresia, a medida que aprofundar a percepção e reflexão quanto às dinâmicas vividas. De
forma específica, essa iniciativa de pesquisa espera colaborar com a apreensão do fenômeno
político evangélico no plano da comunidade.
É importante relatar que o Laboratório de Antropologia da Religião (LAR) será um
espaço determinante para desenvolvimento da pesquisa e seu compartilhamento. O presente
projeto será desenvolvido em amplo diálogo nesse espaço com as pesquisa sobre religião
pública, evangélicos e política.

Cronograma de atividades

Período (meses)

Atividades
1°/ 3°/ 5°/ 7°/ 9°/ 11°/ 13°/ 15°/ 17°/ 19°/ 21°/ 23°/
2° 4° 6° 8° 10° 12° 14° 16° 18° 20° 22° 24°

Disciplinas X X X X X

Levantamento e leitura da bibliografia X X X X

Realização do trabalho de campo X X X X X X X10

Análise dos dados (campo/bibliografia) X X X

Produção do relatório parcial X

Qualificação X

Produção do relatório final X X

Escrita da dissertação X X

Defesa da dissertação X

10
Possível início da campanha eleitoral para deputado federal do pastor presidente da AD-Belém,
Paulo Freire da Costa (PL) em 2022.
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