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INCONSCIENTEMENTE, estamos formando hábitos a cada momento de nossas

vidas.

Alguns são hábitos de uma natureza desejável; alguns são da mais indesejável
natureza. Alguns, embora não tão ruins por si só, são excessivamente ruins em seus
efeitos cumulativos e nos causam por vezes muita perda, muita dor e angústia,
enquanto seus opostos, contrariamente, nos trariam muita paz e alegria bem como
uma energia continuamente crescente.

Será que temos o poder de determinar a todo tempo quais tipos de hábitos
devem tomar forma em nossas vidas? Em outras palavras, a formação de hábitos e a
construção do caráter são uma questão de mero acaso, ou nós temos controle sobre
isso? Nós temos, inteira e absolutamente. “Eu serei o que eu serei”, pode e deveria
ser dito por cada alma humana.

Uma vez que isso tenha sido dito com bravura e determinação, e não apenas
dito, mas totalmente compreendido interiormente, algo ainda permanece. Algo
precisa ser dito a respeito da grande lei subjacente à formação do hábito e à
construção do caráter; pois existe um método simples, natural e totalmente científico
que todos deveriam conhecer.

Um método pelo qual hábitos antigos e indesejáveis podem ser quebrados, e


novos hábitos desejáveis e celestiais podem ser adquiridos, um método pelo qual a
vida em parte ou em sua totalidade pode ser mudada, desde que alguém seja
suficientemente sério para saber e, sabendo disso, para aplicar a regra.

O pensamento é a força subjacente a tudo. E o que queremos dizer com isso?


Simplesmente isto: cada ato seu — cada ato consciente — é precedido por um
pensamento. Seus pensamentos dominantes determinam suas ações dominantes.
No reino de nossas próprias mentes, temos controle absoluto, ou deveríamos ter, e
se em algum momento não tivermos, então existe um método pelo qual podemos
obter controle e, no reino da mente, nos tornarmos mestres completos. Para chegar
ao fundamento da questão, examinemos isso por um momento. Pois se o em
pensamento é sempre o pai de nossos atos, hábitos, caráter, vida, então é necessário
primeiramente que saibamos como controlar nossos pensamentos completamente.

Aqui, façamos referência àquela lei da mente, que é a mesma que a lei em
Conexão com o Arco Reflexo do corpo, a lei que determina que sempre que alguém
faz uma determinada coisa de determinada maneira é mais fácil fazer a mesma coisa
da próxima vez, e ainda mais fácil repetir o procedimento do mesmo jeito na próxima
e na próxima e na próxima, até que, com o passar do tempo, isso venha a acontecer
sem esforço, ou sem qualquer esforço que se mereça mencionar; mas do contrário,
requereria o esforço. A mente carrega em si o poder que perpetua seu próprio tipo
de pensamento, da mesma forma que o corpo carrega consigo por meio do Arco
Reflexo o poder que perpetua e mantém cada vez mais fáceis seus próprios atos
particulares. Portanto, um simples esforço para controlar os próprios pensamentos,
um simples ajuste destes, ainda que a princípio não obtenha o resultado desejado, e
mesmo que por algum tempo o fracasso pareça ser o único resultado, com o passar
do tempo, mais cedo ou mais tarde, trará o pensamento a um ponto de controle fácil,
pleno e completo.

Cada um, então, pode cultivar e expandir o poder de determinar e controlar


seu pensamento, o poder de determinar quais tipos de pensamento ele deve e quais
tipos ele não deve ter. Pois nunca nos esqueçamos deste fato, que todo esforço
empregado com diligência ao longo de qualquer percurso torna o fim visado um
pouco mais fácil em cada esforço subsequente, mesmo que, como já foi dito, o
fracasso aparente seja o resultado dos esforços anteriores. Este é um caso em que
mesmo o fracasso é sucesso, pois o fracasso não está no esforço, e todo esforço
empregado diligentemente adiciona um incremento de poder que acabará por
atingir o fim pretendido. Podemos, então, obter o poder total e completo de
determinar que caráter e que tipo de pensamentos temos.

Vamos agora dar atenção a uns dois ou três casos concretos? Eis aqui um
homem, caixa de um grande estabelecimento mercantil ou de um banco. Em seu
jornal matinal, ele lê sobre um homem que ficou rico de repente, fazendo uma
fortuna de meio milhão ou um milhão de dólares em poucas horas por meio de
especulações no mercado de ações. Talvez ele tenha visto o relato de outro homem
que fez praticamente a mesma coisa recentemente. Entretanto, ele não é sensato o
suficiente para compreender o fato de que embora ele esteja lendo sobre um ou dois
casos desse tipo bem-sucedidos, caso examinasse o assunto com atenção, ele poderia
encontrar cem ou duzentos casos de homens que perderam tudo o que tinham da
mesma maneira. Contudo, ele pensa que será um dos sortudos. Ele não se apercebe
plenamente que não há atalhos para se alcançar a riqueza honestamente. Ele pega
parte de suas economias e, como acontece em praticamente todos os casos desse tipo,
perde tudo o que investiu. Pensa, então, entender o motivo de ter perdido em
primeiro lugar e que, se tivesse mais dinheiro, ele poderia obter de volta o que
perdeu, e ainda, talvez, ganhar um belo adicional, e, para encurtar, lhe vem o
pensamento de usar alguns dos fundos de que está encarregado. Em nove casos de
dez, se não em dez casos de cada dez, os resultados que inevitavelmente se seguem
são conhecidos o suficiente para tornar desnecessário que eu continue a contá-lo.

Onde está a segurança do homem à luz do que temos considerado?

Simplesmente isto: no momento em que o pensamento de usar fundos


pertencentes a outros para seus próprios fins entrar em sua mente, se ele for sensato,
ele tirará o pensamento de sua mente imediatamente. Se ele for insensato, ele o
cogitará. Na medida em que o cogita, o pensamento tomará força e se tornará
cativante aos seus olhos; finalmente, se tornará o senhor de sua força de vontade e,
por meio de passos que se sucedem rapidamente, ele conquistará desonra, vergonha,
degradação, penitenciária e remorso. Para ele, seria fácil expulsar o pensamento de
sua mente quando ele surgisse pela primeira vez, mas à medida que ele o cogita,
cresce em tais proporções que se torna cada vez mais difícil afastá-lo, e, aos poucos,
se torna praticamente impossível de se fazer isso. A chama de um fósforo, que por
um pequeno sopro se teria extinguido a princípio, se torna em uma labareda que se
alastra por todo o edifício, e agora é quase, se não totalmente impossível, dominá-la.

Vamos para o próximo caso? Um caso banal, talvez, mas em que podemos ver
como o hábito é formado e também como o mesmo hábito pode ser desfigurado. Aqui
está um jovem, ele pode ser filho de pais pobres, ou pode ser filho de pais ricos;
alguém de uma classe popular ou alguém de alta posição social, o que quer que isso
signifique. Ele tem um bom coração, geralmente tem bons impulsos... é um bom
sujeito. Ele saiu com alguns companheiros, companheiros do mesmo tipo geral dele,
Eles saíram para ter uma noite agradável, para se divertir, mas, às vezes, eles tendem
a ser imprudentes, descuidados mesmo. A sugestão vem de um deles, não que fiquem
bêbados, não, de jeito nenhum; mas apenas que fossem beber algo juntos. O jovem
que mencionamos no início, querendo ser cordial, mal deu ouvidos à sugestão que
veio à sua consciência interior, de que para ele seria melhor não concordar com os
outros nisso. Ele não parou por tempo suficiente para perceber o fato de que a maior
força e nobreza de caráter está sempre em tomar uma posição firme pelo que é certo,
e não permitir ser influenciado por nada que enfraqueça essa posição. Ele foi, então,
tomar um drink com seus parceiros. Com os mesmos ou com outros colegas, isso se
repete de vez em quando; e a cada vez que se repete, seu poder de dizer "não" diminui
um pouco mais. Assim, ele passa a gostar um pouco de substâncias tóxicas e as
consome sozinho de vez em quando. Ele não sonha nem se dá conta do gosto que
está alimentando, até que chega um dia em que cai em si e percebe que não tem o
poder ou a vontade de resistir ao sabor que gradualmente cresceu e tomou a forma
de desejo por tais substâncias. Pensando, no entanto, que será capaz de parar quando
realmente estiver em perigo de adquirir o hábito da bebida, ele continua
irrefletidamente e sem cuidado. Passaremos pelas várias etapas intermediárias e
chegaremos ao momento em que o encontraremos um bêbado convicto. É
simplesmente a mesma velha história contada mil ou até um milhão de vezes.

Ele finalmente desperta para sua verdadeira condição; e por causa da


vergonha, da angústia, da degradação e da necessidade que vêm sobre ele, ele anseia
por voltar aos dias em que era um homem livre. Mas a esperança quase desapareceu
de sua vida. Teria sido mais fácil para ele nunca ter começado, e mais fácil para ele
ter parado antes de atingir sua condição atual; mas mesmo em sua condição atual,
seja ela a mais baixa, a mais desamparada e sem esperança que se possa imaginar,
ele tem o poder de sair disso e ser um homem livre novamente. Analisemos. O desejo
de beber vem sobre ele novamente. Se ele alimentar o pensamento, o desejo, ele
novamente estará perdido. Sua única esperança, seu único meio de escapar é este: se
ele tirar da mente o pensamento no momento, sim, no exato instante em que lhe
ocorrer, apagará assim a pequena chama do fósforo. Se ele o alimentar, a pequena
chama virará uma labareda e, antes que ele se dê conta, um fogo consumidor se fará,
e o esforço será quase inútil. O pensamento deve ser banido da mente assim
que ocorrer; flertar com ele significa fracasso e derrota, ou uma luta que será
indescritivelmente mais feroz do que seria se o pensamento fosse expulso no início.

Cabe aqui comentar sobre uma grande lei que podemos chamar de "lei da
indiretividade". Um pensamento pode ser retirado da mente com mais facilidade e
sucesso, não ao se insistir nele, nem ao se tentar eliminá-lo diretamente, mas pondo-
se a mente em algum outro objeto, introduzindo-se algum outro pensamento na
mente. Este pode ser, por exemplo, o ideal de autodomínio pleno e perfeito ou pode
ser algo de natureza inteiramente distinta do pensamento que se apresenta, algo ao
qual a mente se dirige fácil e naturalmente. Com o tempo, isso se tornará o
pensamento cativante da mente, e o perigo já terá passado. Esse mesmo curso de
ação repetido gradualmente aumentará o poder de afastar mais prontamente da
mente o pensamento da bebida, conforme ele se apresenta, e aumentará
gradativamente o poder de colocar na mente os pensamentos que mais desejamos.
O resultado será que, com o passar do tempo, o pensamento de bebida se apresentará
cada vez menos e, quando se apresentar, poderá ser eliminado da mente com mais
facilidade a cada vez que se segue, até que chegue o momento em que possa ser
eliminado sem dificuldade e, eventualmente, chegará o tempo em que o pensamento
não mais entrará na mente.

Mais outro caso: você pode ser, naturalmente, de uma natureza mais ou
menos irritável, talvez facilmente provocado à ira. Alguém diz ou faz algo de que você
não gosta e seu primeiro impulso é mostrar ressentimento e, possivelmente, ceder à
raiva. Na medida em que você permite que esse ressentimento se manifeste, que você
se permite ceder à raiva, nesse ponto se tornará mais fácil repetir o comportamento
diante de qualquer motivo que se apresentar, por menor que seja. Além disso, ficará
cada vez mais difícil de você se abster disso, até que o ressentimento, a raiva e,
possivelmente, o ódio e a vingança se tornem características de sua natureza,
roubando-lhe o brilho do sol, seu encanto e seu brilho para todos com quem você
venha a ter contato.

Se, contudo, você controlar o impulso para o ressentimento e a raiva no exato


momento em que surgir e puser a mente em algum outro pensamento, a força para
se fazer isso mais pronta e facilmente crescerá à medida que causas semelhantes se
sucedam, até que chegará o tempo em que quase nada poderá te irritar e nada poderá
te levar à raiva; até que, aos poucos, um brilho e encanto naturais e disposição
incomparáveis se tornem habitualmente seus, um brilho e encanto que você nem
imaginaria serem possíveis hoje. E assim podemos abordar caso após caso,
característica após característica, hábito após hábito. O hábito de encontrar defeitos
é cultivado de maneira idêntica ao de se encontrar qualidades; assim como o ciúme
e seu oposto, o medo e seu oposto. Da mesma forma, cultivamos amor ou ódio; desse
modo passamos a ter uma visão sombria e pessimista da vida, que se objetiva em
uma natureza ou disposição em conformidade a isso, ou cultivamos aquela natureza
radiante, esperançosa, alegre e contente que traz consigo tanta satisfação, beleza e
poder para nós mesmos, bem como tanta esperança, inspiração e alegria para todo
o mundo.

Não há nada mais verdadeiro no tocante à vida humana do que o fato de que
crescemos à semelhança daquilo que contemplamos. Literalmente, cientificamente
e necessariamente verdadeiro é que “como um homem pensa em seu coração, assim
ele é.” O termo “é” representa seu caráter. Seu caráter é a soma total de seus hábitos.
Seus hábitos foram formados por seus atos conscientes; mas todo ato consciente é,
como descobrimos, precedido por um pensamento. E assim temos: pensamento de
um lado, caráter, vida e destino do outro. E torna-se simples quando temos em mente
que é simplesmente o pensamento do momento presente, e do momento seguinte
quando este acontece, e então o próximo, e assim por diante, durante todo o tempo.

Pode-se, dessa forma, atingir quaisquer ideais que se deseje. Duas etapas são
necessárias: primeiro, com o passar dos dias, conceber os próprios ideais; e,
segundo, segui-los continuamente, não importa o que aconteça ou onde o conduzam.
Lembre-se sempre de que um caráter grande e forte é aquele que está sempre pronto
a sacrificar o presente prazer pelo bem futuro. Aquele, portanto, que seguir seus
ideais mais elevados conforme eles se lhe apresentam dia após dia, ano após ano,
descobrirá que, assim como Dante, seguindo sua amada de mundo em mundo,
finalmente a encontrou nas portas do Paraíso, assim ele se encontrará
eventualmente nos mesmos portões.

Não existimos, podemos dizer, para viver um mero prazer passageiro, mas
para o mais alto desenvolvimento que possamos atingir, para o mais nobre caráter
que se possa cultivar e para o maior serviço que se possa prestar a toda a
humanidade. Nisto, entretanto, encontraremos o maior prazer, pois nele reside o
único prazer real. Aquele que buscar o prazer em quaisquer atalhos, ou trilhando
outros caminhos, inevitavelmente descobrirá que seu último estado é sempre pior
do que o primeiro; e se ele prosseguir por caminhos diferentes desses, descobrirá
que nunca encontrará prazer real e duradouro.

A questão não é: “Quais são as condições de nossas vidas?”, mas “Como


cumprimos as condições que encontramos lá?” E sejam quais forem as condições, é
insensato e inútil considerá-las, mesmo que sejam condições que teríamos de outra
forma, com uma atitude de reclamação, pois a reclamação trará depressão, e a
depressão enfraquecerá e possivelmente até matará o espírito que geraria a força que
nos permitiria trazer para nossas vidas um conjunto todo novo de condições.

Para ser claro, mesmo correndo o risco de me expor, afirmo que várias vezes
surgiram na minha vida circunstâncias e condições das quais eu teria fugido com
prazer na época — condições que me causaram humilhação, vergonha e angústia de
espírito na época. Mas, invariavelmente, com o passar do tempo devido, eu — ou
qualquer outra pessoa, diga-se de passagem — fui capaz de olhar para trás e ver
claramente o papel que cada experiência do tipo que acabei de mencionar
desempenhou em minha vida. Eu vi as lições que eram essenciais que eu aprendesse;
e o resultado é que agora eu não retiraria nenhuma dessas experiências de minha
vida, humilhantes e difíceis de suportar como foram na época; não, não para o
mundo. E aqui está também uma lição que aprendi: quaisquer que sejam as
condições em minha vida hoje que não sejam as mais fáceis e agradáveis, e quaisquer
que sejam as condições desse tipo que todos os tempos que virão possam trazer, eu
as tomarei como elas vierem, sem reclamar, sem depressão, e as enfrentarei da
maneira mais sábia possível; saber que são as melhores condições possíveis que
poderiam estar na minha vida naquele momento, ou do contrário não estariam;
percebendo o fato de que, embora eu possa não ver no momento por que eles estão
em minha vida, embora eu possa não ver exatamente o papel que eles têm a
desempenhar, a hora chegará, e quando chegar eu verei tudo, e agradecerei a Deus
por cada condição assim como ela veio.

Cada um está tão apto a pensar que suas próprias condições, suas próprias
provações ou problemas ou tristezas, ou suas próprias lutas, conforme o caso, são
maiores do que as da grande maioria da humanidade, ou possivelmente maiores do
que as de qualquer outra pessoa no mundo. Ele se esquece de que cada um tem suas
próprias provações, problemas ou tristezas peculiares a suportar, ou lutas em hábitos
a superar, e que o seu é apenas o destino comum de toda a raça humana. Estamos
propensos a errar nisso — no fato de que vemos e sentimos intensamente nossas
próprias provações, ou condições adversas, ou características a serem superadas,
enquanto as dos outros não vemos tão claramente e, portanto, somos capazes de
pensar que elas absolutamente não são iguais às nossas. Cada um tem seus próprios
problemas para resolver.

Cada um deve resolver seus próprios problemas. Cada um deve desenvolver o


discernimento que o capacitará a ver quais são as causas que trouxeram as condições
desfavoráveis à sua vida; cada um deve cultivar a força que o capacitará a enfrentar
essas condições e colocar em operação forças que produzirão um conjunto diferente
de condições. Podemos ajudar uns aos outros por meio de sugestões, por meio de
trazermos uns aos outros o conhecimento de certas leis e forças superiores — leis e
forças que tornarão mais fácil fazer o que faríamos. O fazer, porém, deve ser
realizado cada um por si próprio. E assim, a maneira de sair de qualquer
condicionamento que tenhamos assimilado, consciente ou inadvertidamente,
intencionalmente ou não, é reservar um tempo para examinar as condições à frente
e encontrar a lei pela qual elas surgiram. E quando descobrimos a lei, a coisa a fazer
não é rebelar-se contra ela, não é resistir a ela, mas seguir em frente trabalhando em
harmonia com ela.

Se trabalharmos em harmonia com ela, ela cooperará para o nosso bem maior
e nos levará aonde quisermos. Se nos opusermos, se resistirmos, se deixarmos de
trabalhar em harmonia com ela, ela acabará nos quebrando em pedaços. A lei é
imutável em seu funcionamento. Vá com ela, e ela trará todas as coisas em nosso
caminho; resista a ela, e isso trará sofrimento, dor, perda e desolação.

A verdade, então, não é: “Quais são as condições da vida de uma pessoa?”,


mas “como ela cumpre com as condições que encontra lá?” Isso vai determinar tudo.
E se a qualquer momento viermos a pensar que nossa própria sorte é a mais difícil
que existe, e nos persuadir de que não há ninguém cujo lote seja apenas um pouco
mais difícil do que o nosso, vamos estudar um pouco a personagem Pompilia, no
poema de Browning, e depois de estudá-la, agradecer a Deus porque as condições de
nossa vida são tão favoráveis; e então, com um espírito confiante e intrépido, tornar
reais as condições que mais desejamos.

O pensamento está na base de todo progresso ou retrocesso, de todo sucesso


ou fracasso, de tudo o que é desejável ou indesejável na vida humana. O tipo de
pensamento que alimentamos cria e atrai condições que se cristalizam ao seu redor,
condições exatamente iguais na natureza que o pensamento que lhes dá forma.

Os pensamentos são forças, e cada um cria sua própria espécie, quer


percebamos ou não. A grande lei do poder de atração da mente, que diz que
semelhante cria semelhante e que semelhante atrai semelhante, está continuamente
operando em cada vida humana, pois é uma das grandes leis imutáveis do universo.

Para alguém ter tempo de ver claramente as coisas que alcançaria, e então
manter esse ideal firme e continuamente diante de sua mente, nunca permitindo que
a fé — suas forças de pensamento positivo — ceda ou seja neutralizada por dúvidas e
medos, e então começar a fazer a cada dia o que suas mãos encontram para fazer,
nunca reclamando, mas gastando o tempo que gastaria reclamando para concentrar
suas forças de pensamento no ideal que sua mente construiu, mais cedo ou mais
tarde trará a plena materialização daquilo a que se propõe. Existem aqueles que,
quando começam a compreender o fato de que existe o que podemos chamar de
"ciência do pensamento", que, quando começam a perceber que por meio da
instrumentalidade de nossas forças mentais interiores, espirituais, temos o poder de
moldar gradualmente as condições de vida cotidianas como as gostaríamos, em seu
entusiasmo inicial não são capazes de ver os resultados tão rapidamente quanto
esperam e tendem a pensar, portanto, que afinal não essas verdades que acabaram
de tomar conhecimento não são tudo o que achavam. Eles devem se lembrar,
entretanto, que ao se esforçar para superar um antigo hábito ou para cultivar um
novo hábito, não se pode fazer tudo de uma vez.

Na medida em que tentamos usar as forças do pensamento, tornamo-nos


continuamente capazes de usá-las de maneira mais eficaz. O progresso é lento no
início e mais rápido à medida que avançamos. A potência cresce ao usarmos, ou, em
outras palavras, o uso traz um poder continuamente crescente. Isso é governado por
uma lei, assim como todas as coisas em nossas vidas e no universo ao nosso redor.
Cada ato e avanço feito pelo músico está em total conformidade com uma lei.
Ninguém que esteja começando o estudo da música pode, por exemplo, sentar-se ao
piano e tocar a peça de um mestre no primeiro esforço. Ele não deve concluir, porém,
nem conclui, que a peça do mestre não pode ser tocada por ele, ou, nesse caso, por
ninguém. Ele começa a praticar a peça. A lei da mente que já observamos vem em
seu auxílio, por meio da qual sua mente segue a música mais prontamente, mais
rapidamente e com cada vez mais segurança, e aí também entra em operação e em
seu auxílio a lei subjacente à ação do arco reflexo do corpo, que também notamos,
por meio do qual seus dedos coordenam seus movimentos com os movimentos de
sua mente mais prontamente, mais rapidamente e com mais precisão a cada vez que
pratica; até que chega o tempo em que aquilo em que antes tropeçava, aquilo em que
não havia harmonia, nada além de discórdia, finalmente se revela como a música do
mestre, a música que emociona e comove massas de homens e mulheres. Assim é no
uso das forças do pensamento. É a reiteração, a reiteração constante do pensamento
que aumenta o poder de uma focalização do pensamento cada vez mais forte e que
finalmente traz a manifestação.
Há construção de caráter não só para os jovens, mas também para os mais
velhos. E que diferença há nas pessoas idosas! Quantos envelhecem graciosamente
e quantos envelhecem de maneiras bem diferentes. Há uma doçura e um encanto
que se combinam tornando a velhice atraente da mesma forma que há algo que não
pode ser descrito por essas palavras. Alguns tornam-se continuamente mais
queridos por seus amigos e membros de suas famílias imediatas, enquanto outros
tornam-se possuídos da ideia de que seus amigos e membros de suas famílias têm
menos consideração por eles do que antes, e muitas vezes eles não estão
completamente errados. Um sempre encontra mais e mais coisas para desfrutar, o
outro sempre encontra menos. Um se torna mais querido e atraente para os outros,
o outro, menos.

E por que isso? Por acaso? De jeito nenhum. Pessoalmente, não acredito que
exista algo como o acaso em toda a vida humana, nem mesmo no mundo ou no
grande universo em que vivemos. A única grande lei de causa e efeito é absoluta; e o
efeito é sempre semelhante à sua própria causa peculiar, embora possamos às vezes
ter que voltar muito mais longe do que estamos acostumados a fim de encontrar a
causa, o pai deste ou daquele efeito, ou condição atualizada, embora não
necessariamente ou permanentemente atualizada.

Por que, então, a grande diferença entre os dois tipos de idosos? Um evita
preocupações, temores, irritações e imaginações infundadas, enquanto o outro
parece cultivá-los com carinho para se entregar especialmente a eles. E por que isso?
Em um determinado momento da vida, diferindo um pouco entre os
temperamentos, estados mentais de longa data, hábitos e características começam a
se destacar e vir à superfície, por assim dizer. Os pensamentos e estados mentais
predominantes passam a “se mostrar” em qualidades e características atualizadas
como nunca antes, e ninguém está imune.

No caminho que leva ao pomar está uma árvore. Por anos, ela cultivou apenas
“frutas naturais”. Não faz muito tempo que foi enxertada. A primavera veio e se foi.
Metade da árvore estava em flor e a outra metade também. As flores em cada parte
não puderam ser distinguidas pelo observador casual. As flores foram seguidas por
frutos jovens que abundam em toda a árvore. Há apenas uma pequena diferença nela
e em seus frutos agora; mas algumas semanas mais tarde, a diferença na forma, no
tamanho, na cor, no sabor, em manter as qualidades, será tão marcada que ninguém
poderá deixar de distingui-los ou ter dificuldade em escolher entre eles. O primeiro
será uma maçã pequena, um tanto dura e retorcida, azeda, verde-amarelada, que
durará apenas algumas semanas no outono. A outra será uma maçã grande,
delicadamente saborosa, suave, de cor vermelha profunda, e permanecerá até que a
árvore que a gerou florescer novamente.

Mas por que esse incidente no jardim da natureza? Isto. Até um certo período
no crescimento do fruto, embora as qualidades interiores, formadoras das maçãs,
fossem ligeiramente diferentes desde o início, pouco havia que as distinguisse. Em
certo período de seu crescimento, entretanto, suas diferentes qualidades interiores
começaram a exteriorizar-se tão rápida e marcadamente que os dois frutos se
tornaram de um tipo tão diferente que, como vimos, ninguém hesitaria ao escolher
entre eles. E, conhecendo uma vez a alma, a formação, as qualidades determinantes
de cada uma, podemos, então, dizer de antemão com uma certeza absolutamente
absoluta o que será o produto exteriorizado de cada porção da árvore.

E é exatamente o mesmo na vida humana. Se alguém deseja ter uma velhice


bonita e atraente, deve iniciar esse processo na juventude e/ou meia-idade. Se,
entretanto, ele (a) negligenciou ou falhou nisso, pode se adaptar sabiamente às
circunstâncias e se dedicar zelosamente a colocar em operação todas as forças e
influências de contrapeso necessárias. Onde há vida, nada está irremediavelmente
perdido, embora o desfrute do bem maior possa demorar muito. Mas, se alguém
deseja ter uma velhice especial, bela e atraente, deve iniciá-la na juventude e na
meia-idade, pois ocorre uma espécie de processo de “ajuntamento”, quando
pensamentos habituais longevos passam a reunir uma energia forte e dominante e
os pensamentos habituais de uma vida inteira começam a vir à superfície.

Medo e preocupação, egoísmo, um temperamento sovina, apegado,


acumulador, uma tendência a reclamar, censurar e encontrar falhas, uma escravidão
de pensamento e ação ao que os outros acham e/ou pensam, falta de consideração,
pensamento e simpatia pelos outros, falta de caridade pelos pensamentos, motivos e
atos dos outros, falta de conhecimento das poderosas e inevitáveis qualidades
construtivas do pensamento, bem como falta de fé na bondade eterna, no amor e no
poder da Fonte de nosso ser, tudo isso se combina ao longo do tempo para tornar a
velhice daqueles em quem esses fatores se acumulam naquela coisa estéril, triste,
indesejável, sem atrativos, que repele a si mesmo, e aos outros. E pessoas assim não
são raras de se encontrar. Enquanto seus opostos, ao contrário, combinam-se e
parecem ser ajudados por instrumentos celestiais, para produzir aquela velhice
alegre, esperançosa, útil, embelezada e santificada que é tão bem-vinda e tão
atraente tanto para quem a vive como para todos com quem entra em contato.
Ambos os tipos de pensamentos, qualidades e disposições externalizam-se, ainda, na
voz, nas maneiras peculiarmente diferentes em que marcam o rosto, na curvatura ou
falta de curvatura na forma, como também nas condições saudáveis ou doentias da
mente e do corpo, e sua suscetibilidade a distúrbios e fraquezas de vários tipos.

Não é mau para cada um desde cedo introduzir um pouco de “filosofia” na sua
vida. Será de grande ajuda à medida que se avança na vida; muitas vezes será uma
fonte de grande conforto, bem como de força, nos momentos de provação e na vida
adulta. Podemos até, ainda que com tato, zombar de quem tem sua dose de filosofia,
mas, a menos que tenhamos algo semelhante, chegará o tempo em que a própria
falta dela se virará contra nós. Pode ser que às vezes, embora não necessariamente,
aquele que a possui nem sempre seja tão bem-sucedido nos negócios quando se trata
de um sucesso puramente financeiro ou comercial, mas suprirá, muitas vezes, algo
muito real na vida, algo de que aquele que tem o dinheiro ou o sucesso nos negócios
está faminto, embora este último não saiba o que realmente lhe falta e que, ainda
que tenha todo o dinheiro do mundo, não seria suficiente para comprá-la.

É melhor encontrar o nosso cerne cedo, mas se não o conseguir, então tarde.
Entretanto, seja cedo ou tarde, o que precisamos é encontrá-lo. Enquanto estamos
vivos, o essencial é desempenhar nossa função bem e com coragem, e manter o nosso
interesse ativo em todas as suas variáveis fases, da mesma forma que é sempre bom
que nos adaptemos às condições mutáveis. É pelos ventos do céu, que sopram
continuamente e a mantém em constante movimento que a água numa piscina ou
riacho se mantém doce e límpida; caso contrário, ficaria estagnada e coberta de lodo.
Se gostamos ou não de nós mesmos, e como os outros nos percebem – cativantes ou
não –, a causa disso está em nós mesmos; isso é válido para todas as idades, e é bom
que nós, jovens ou velhos, o reconheçamos. É bom, em igualdade de condições, nos
adaptarmos aos que estão ao nosso redor, mas não é muito justo que os velhos achem
que toda a adaptação deva ser por parte dos jovens, sem obrigação semelhante da
parte deles. Muitas vezes, a velhice perde muito de sua atratividade por causa de uma
noção peculiar desse tipo. O princípio da reciprocidade deve ser válido em todas as
idades da vida e, seja qual for a idade, se deixarmos de observá-lo, isso sempre
resultará, mais cedo ou mais tarde, em nossa própria ruína.

Estamos todos na grande peça da Vida — comédia e tragédia, sorrisos e


lágrimas, sol e sombra, verão e inverno e, com o tempo, todos assumimos papéis.
Precisamos nos desempenhar, seja qual for nosso papel e/ou quando o fizermos,
sempre com bravura e com um profundo apreço por cada oportunidade, e uma plena
consciência de cada passo à medida que a “peça” avança. Uma boa “entrada” e uma
boa “saída” contribuem fortemente para o desempenho de um papel merecidamente
digno. Nem sempre temos como escolher exatamente entraríamos em alguns “atos”,
mas o modo como “atuamos” e “saímos” deles, isso podemos fazer. E isso, nenhum
homem, nenhum poder pode nos negar; isso em cada vida humana pode se tornar
de fato mais glorioso, por mais humilde a “entrada” e por mais humilde que
permaneça, ou exaltado, de acordo com os padrões convencionais de julgamento.

Na minha opinião, estamos aqui para uma divina auto realização por meio da
experiência. Progredimos na medida em que manipulamos sabiamente todas as
coisas que entram em nossas vidas e que perfazem a soma total da experiência de
vida de cada um. Sejamos corajosos e fortes diante de cada problema que se
apresenta e tiremos o melhor de todos. Ajudemos nas coisas que podemos ajudar e
não nos deixemos incomodar ou paralisar pelas coisas que não podemos fazer. O
grande Deus sobre tudo está observando e manipulando muito sabiamente essas
coisas, e não precisamos temer ou mesmo nos preocupar com elas.
Viver ao máximo em todas as coisas que nos dizem respeito, ajudar o próximo
o melhor possível também com esse mesmo propósito, de ajudar a corrigir os erros
que cruzam nosso caminho apontando um caminho melhor para o “transgressor” e,
assim, ajudando-o a se tornar uma potência para o bem, para permanecer com uma
natureza sempre doce, simples e humilde e, portanto, forte, para nos abrirmos
completamente e nos mantermos prontos para ser canais para que o Divino Poder
possa trabalhar por nós, nos abrirmos e manter nossas faces sempre voltadas para a
luz, amar todas as coisas e nos maravilharmos ou temermos somente o que diz
respeito aos nossos próprios erros, reconhecer o lado bom de todas as coisas,
esperando por sua expressão, tudo a seu próprio tempo e jeito bom — isso tornará
grande nosso papel na vida, e ainda que não compreendamos completamente a
“peça” verdadeiramente gloriosa, não precisaremos temer nada, nem vida nem
morte, porque a morte é vida. Aliás, ela é a rápida transição para uma vida em outra
forma; o despir-se de um casaco velho e o vestir-se de um novo; a queda da matéria
física e a ascensão da alma a um novo e melhor corpo para si mesma, melhor
adaptado à suas necessidades e arredores em um outro mundo de experiências e
crescimento e ainda maior auto realização divina. Uma saída com tudo o que se
ganhou da natureza neste mundo, mas sem quaisquer bens materiais; uma passagem
não da luz para a escuridão, mas da luz para a luz; uma retomada da vida em uma
outra, bem de onde a deixamos aqui; uma experiência a ser não evitada ou temida,
mas benvinda quando nos sobrevém em seu próprio tempo e modo bons.

Toda vida vem de dentro para fora. Isto é algo que não pode ser repetido muito
frequentemente. As primaveras da vida vêm todas de dentro. Sendo isso verdade,
seria bom que concedêssemos mais tempo à vida interior do que costumamos dar,
especialmente neste mundo Ocidental.

Nada nos trará mais abundantes retornos do que a disciplina de tirarmos um


tempo em silêncio a cada dia de nossas vidas. Precisamos disso para eliminar as
falhas de nossas mentes e, portanto, de nossas vidas. Precisamos disso para formar
melhor os mais elevados ideais de vida. Precisamos disso para ver claramente em
nossas mentes as coisas nas quais nos concentraríamos e focar as forças de
pensamento. Precisamos disso para nos renovarmos continuamente e manter nossa
conexão consciente com o Infinito. Precisamos disso para que a pressa e correria de
nossa vida cotidiana não nos afaste da consciente constatação do fato de que o
espírito de vida infinita que é o poder por trás de tudo, atuando em e através de tudo,
a vida de tudo e todos, é a vida da nossa vida e a fonte do nosso poder; e que fora
disso não temos vida nem poder.

Constatarmos este fato plenamente e viver nele conscientemente a todo


tempo é encontrar o reino de Deus, que é essencialmente um reino interior e nunca
pode ser nada além disso. O reino dos céus deve ser encontrado dentro de nós, e isso
é feito de uma vez por todas, de um jeito que não pode ser diferente, quando
chegamos à constatação consciente e viva do fato de que em nosso verdadeiro eu
somos um com a vida Divina em essência, e nos abrirmos continuamente para que
essa vida Divina possa falar e se manifestar por nós. Dessa forma, chegamos à
condição de andarmos continuamente com Deus.

Desse modo, a consciência de Deus se torna uma realidade viva em nossas


vidas; e na medida em que se torna uma realidade, nos leva à constatação de uma
sabedoria, percepção e poder continuamente crescentes. Essa consciência de Deus
na alma do homem é a essência, de fato a soma e substância de toda religião.

Isso identifica a religião com cada ação e cada momento da vida diária. Aquilo
que não se identifica com cada momento da vida diária e com cada ato da vida é
religião só no nome e não de fato. Essa consciência de Deus na alma do homem é a
única coisa ensinada uniformemente por todos os profetas, por todos os inspirados,
por todos os videntes e místicos da história do mundo, em qualquer tempo, qualquer
lugar, qualquer religião, quaisquer que sejam as pequenas diferenças que possamos
encontrar em suas vidas e ensinamentos. Nisso, todos eles concordam; na verdade,
essa é a essência de seus ensinamentos, assim como tem sido também o segredo de
sua força e o segredo de toda a sua duradoura influência.

É a atitude de uma criança que é necessária antes que possamos entrar no


reino dos céus. Como foi dito: “…a não ser que vocês [...] se tornem como crianças,
jamais entrarão no reino dos céus.” Porque então nos conscientizamos que por nós
mesmos, nada podemos, mas só quando constatamos isso que a vida e poder Divinos
atuando em nós, e é somente ao nos abrirmos para que possa agir por meio de nós,
é que somos ou podemos todas as coisas. É, assim, que a vida simples, a qual é
essencialmente a vida do maior prazer e da maior conquista, se inicia.

No Oriente, as pessoas, enquanto classe, passam muito mais tempo quietas,


em silêncio, do que nós. Algumas delas levam isso a um extremo possivelmente tão
alto quanto fazemos o oposto, com a diferença que eles não efetivam e objetificam
na vida exterior o que sonham na vida interior. Dedicamos tanto tempo às atividades
da vida exterior que não tiramos tempo suficiente em silêncio para formar a vida
interior, espiritual idealizada; os ideais e condições que teríamos efetivado e
manifestado na vida exterior. O resultado é que levamos a vida de uma maneira meio
fortuita, levando-a como ela vem, não pensando muito sobre ela, até, empurrados,
talvez, por algumas experiências amargas, em vez de moldá-la, por meio da ação das
forças internas, exatamente como o teríamos se pensássemos. Neste quesito,
precisamos atingir o feliz equilíbrio entre os costumes dos mundos Ocidental e
Oriental e não ir para o extremo nem de um nem do outro. Somente isso trará a vida
ideal; e é somente a vida ideal que é a vida minuciosamente satisfatória.

No Oriente, há muitos que dia após dia se sentam em silêncio, meditando,


contemplando, idealizando, com os olhos focados em seus umbigos, em devaneio
espiritual, enquanto que por falta de atividades externas, em seus estômagos, eles
estão realmente famintos. Neste mundo ocidental, homens e mulheres, na pressa e
ativismo de nossa vida costumeira, estão correndo para lá e para cá, sem centro, sem
fundamento sobre o qual se apoiar, nada em que possam ancorar suas vidas, porque
eles não tomam tempo suficiente para chegar à compreensão do que é o centro, de
qual é a realidade de suas vidas.

Se o oriental fizesse sua contemplação e então se levantasse e fizesse seu


trabalho, ele estaria em melhor condição; ele estaria vivendo uma vida mais normal
e satisfatória. Se nós, no Ocidente, tirássemos mais tempo da pressa e da atividade
da vida para contemplação, meditação, idealização, para nos familiarizarmos com
nosso verdadeiro eu, e então continuarmos nosso trabalho manifestando os poderes
de nosso eu verdadeiro, estaríamos muito melhor, porque viveríamos uma vida mais
natural, mais normal. Encontrar o próprio centro, tornar-se centrado no Infinito, é
o primeiro grande elemento essencial de toda vida satisfatória; e então sair,
pensando, falando, trabalhando, amando, vivendo, deste centro.

Na construção mais elevada do caráter, como temos considerado, há aqueles


que se sentem prejudicados pelo que chamamos de hereditariedade. Em certo
sentido, eles estão certos; em outro sentido, eles estão totalmente errados. É na
mesma linha que o pensamento que muitos antes de nós haviam inculcado neles
através do dístico no New England Primer: "Na queda de Adão, todos pecamos."
Agora, em primeiro lugar, é bastante difícil entender a justiça disso se for verdade.
Em segundo lugar, é bastante difícil entender por que isso é verdade. E, em terceiro
lugar, não há verdade alguma nisso. Estamos agora lidando com o verdadeiro eu
essencial e, por mais velho que seja Adão, Deus é eterno.

Isso significa você; significa eu; significa cada alma humana. Quando
percebemos totalmente esse fato, vemos que a hereditariedade é uma cana que se
quebra facilmente. A vida de cada um está em suas próprias mãos e cada um pode
fazer no caráter, na realização, no poder, na auto realização divina e, portanto, na
influência, exatamente o que quiser. Todas as coisas com que ele mais ternamente
sonha são suas, ou podem tornar-se se ele for realmente sério; e à medida que ele se
eleva mais e mais ao seu ideal e cresce na força e influência de seu caráter, ele se
torna um exemplo e uma inspiração para todos com quem entra em contato; de
modo que por meio dele os fracos e vacilantes são encorajados e fortalecidos; de
modo que aqueles de ideais inferiores e de um tipo de vida inferior instintiva e
inevitavelmente têm seus ideais elevados, e ninguém tem seus ideais elevados sem
que isso se manifeste em sua vida exterior. À medida que avança em dominar e
compreender o poder e potência das forças do pensamento, ele descobre que muitas
vezes, por meio do processo de sugestão mental, pode ser de grande ajuda para
alguém que está fraco e lutando, enviando-o de vez em quando o pensamento mais
elevado e mantendo-o continuamente nele, no pensamento da maior força,
sabedoria e amor. O poder da “sugestão”, sugestão mental, é aquele que tem
tremendas possibilidades para o bem, se apenas o estudarmos cuidadosamente,
compreendermos completamente e usarmos corretamente.

Aquele que leva tempo suficiente na quietude mental para formar seus ideais,
tempo suficiente para fazer e manter continuamente sua conexão consciente com o
Infinito, com a vida e as forças Divinas, é aquele que está mais bem adaptado à vida
árdua. Ele é quem pode sair e lidar, com sagacidade e poder, com quaisquer questões
que possam surgir nos assuntos da vida cotidiana. Ele é quem está construindo, não
pelos anos, mas pelos séculos; não para o tempo, mas para as eternidades. E ele pode
sair sem saber para onde vai, sabendo que a vida divina dentro dele nunca o deixará,
mas o guiará até que ele veja o Pai face a face.

Ele está construindo ao longo dos séculos porque somente o que é mais
elevado, o mais verdadeiro, o mais nobre e o melhor suportará o teste dos séculos.
Ele está construindo para a eternidade, porque quando a transição que chamamos
de morte ocorrer, ele terá vida, caráter, autodomínio, auto realização divina — as
únicas coisas que a alma, quando despojada de tudo o mais, leva consigo — em
abundância, em vida; ou quando o tempo da transição para outra forma de vida
chegar, ele jamais sentirá medo, jamais temerá, porque ele sabe e percebe que por
trás dele, dentro dele e além dele, estão a sabedoria e o amor infinitos; e nisso ele
está eternamente centrado e disso nunca pode ser separado.

Com Whittier, ele canta:

Eu não sei onde se levantam Suas ilhas


Fronteadas por palmeiras no ar;
Eu só sei que eu não tenho como me desviar
Para além de Seu cuidado e amor.

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