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KLAUDIA LOZYK
Administração da Justiça SER JUIZ NA POLÔNIA

outras entrevistas »
A Seleção dos Juízes da Suprema Corte Norte-Americana
A Suprema Corte dos Estados Unidos da América foi desde logo instituída pela
Constituição de 1787, como o órgão máximo do Poder Judiciário americano. A ::: ÚLTIMOS ARTIGOS
Seção 2, do Artigo III, do texto constitucional outorga competência originária à
26/05/2017 17:10:00 - Administração da
Suprema Corte para conhecer as causas envolvendo diplomatas estrangeiros e as Justiça
que contenham um estado-membro como parte; nas demais hipóteses, é instância O Brasil precisa de um Ministério da
recursal extraordinária. Localizada em Washington D.C., a Suprema Corte é Segurança Pública por Vladimir Passos de
composta por nove ministros (oito Associate Justices), sendo presidida por um deles Freitas

(o Chief Justice), todos com garantias constitucionais de vitaliciedade (não há 17/01/2017 17:19:00 - Administração da
aposentadoria compulsória) e de irredutibilidade de remuneração (compensation). Justiça
Direção Segura: conscientizar é preciso
por Larissa Ferreira Rodrigues
Semelhantemente ao sistema constitucional brasileiro, os ministros da Suprema
Corte são indicados (appointment) pelo Presidente da República, mas só assumem o 29/12/2016 09:33:00 - Juiz
cargo após a confirmação de seus nomes pelo Senado (Artigo II, Seção 2, da Ativismo Judicial: qual é o limite do
Constituição americana). Poder Judiciário por Leonardo Alves de
Oliveira
Mas ao contrário do modelo brasileiro, a indicação e a aprovação dos membros da 08/07/2016 11:32:00 - Administração da
Suprema Corte não é um processo meramente formal. Cada indicação é um Justiça
acontecimento histórico que mobiliza todos os setores da opinião pública e os meios COMO A SUÉCIA PODE AJUDAR AS
RELAÇÕES JURÍDICAS E O SISTEMA
de comunicação social. Há uma intensa expectativa quanto à indicação presidencial. DE JUSTIÇA DO BRASIL por Vladimir
Especula-se junto à sociedade civil o perfil desejado para o novo ministro. Anunciado Passos de Freitas
o nome pelo Presidente da República, a vida e a carreira do novo ministro são mais artigos »
imediatamente tornadas públicas pela mídia, que passa a colher uma eclosão de
manifestações públicas sobre a indicação.

Lobbies são formados para pressionar o Senado, seja para aprovar, seja para
reprovar a indicação. A aprovação pelo Senado não é automática e não se constitui
Toda colaboração que venha enriquecer a
em mera formalidade ou em simples sabatina do candidato a Justice. O Senado se discussão sobre a Administração do Poder
constitui em verdadeira antena que capta a pressão popular sobre a aprovação do Judiciário é bem vinda. Para enviar seus
novo ministro, de forma que a seleção do membro da mais alta corte do país se torna artigos e participar do nosso fórum basta
mais democrática. cadastrar-se no site.

Esse processo pôde ser bem acompanhado em julho de 2005, quando, no dia CADASTRE-SE AGORA MESMO
primeiro, a Associate Justice Sandra Day O´Connor, primeira mulher a compor a
Suprema Corte, a partir de 1981, por indicação do Presidente Reagan, pediu sua
aposentadoria. Imediatamente, toda a mídia se mobilizou e os principais jornais
americanos passaram a veicular, em primeira página, as expectativas quanto à
indicação do novo ministro pelo Presidente George W. Bush.

O jornal USA TODAY, de 14 de julho, estampou na sua primeira página a manchete


What Americans want in O’Connor Court vacancy?, trazendo pesquisa do Instituto
Gallup apontando que 78% dos entrevistados preferiam uma nova mulher para o
cargo e que 67% indicavam que essa mulher deveria ser hispânica. Apesar dessas
preferências, o Presidente Bush, no dia 19 de julho, anunciou o nome de John
Roberts para a vaga, juiz da U.S. Court of Appeals do Distrito de Colúmbia, nomeado
pelo próprio Bush em 2003, 50 anos, considerado bastante conservador,
especialmente em questões envolvendo aborto.

Ocorre que no dia seguinte à indicação, iniciaram-se diversas manifestações


públicas, cobertas pela mídia, envolvendo principalmente grupos feministas e grupos
“pró-escolha” (a favor da escolha da mulher quanto à interrupção da gravidez), a
maioria reprovando a opção presidencial. Nancy Keenan, presidente do grupo
NARAL Pro-Choice América, em entrevista ao jornal USA TODAY de 20 de julho,
disse "We are extremely disappointed that President Bush has chosen such a divisive
nominee for the highest court in the nation, rather than a consensus nominee who
would protect individual liberty and uphold Roe v. Wade. President Bush has
consciously chosen the path of confrontation, and he should know that we, and the
65% of Americans who support Roe, are ready for the battle ahead." E a batalha se
acirrou em função do súbito falecimento do Chief Justice William Renhquist (Justice
desde 1972 e Chief desde 1986), fato que acabou por abrir, simultaneamente, duas
novas vagas na Suprema Corte: uma de Justice e outra de Chief Justice, já que
também compete ao Presidente da República indicar quem será, dentre os ministros,
o novo Chief, a liderança mais importante na estrutura judiciária norte-americana.

Tais vagas foram preenchidas a partir das indicações do Presidente Bush, o qual,
aliás, não tardou em pronunciar-se: nem bem se deu o velório do antigo ministro, já
anunciou o próprio John Roberts para o cargo de Chief Justice, abrindo um
precedente nunca antes visto na história judiciária americana: um Justice ainda não
confirmado no cargo pelo Senado é indicado concomitantemente para Chief Justice,
o que aumentou a responsabilidade do Senado e intensificou a pressão popular no
processo.

Explica-se a intensidade desses fenômenos, pela compreensão, mais ou menos


difundida no seio da sociedade, da relevância das decisões da Suprema Corte para
todo o país e para todas as pessoas.

Em Washington D.C., o prédio da Suprema Corte, localizado atrás do U.S. Capitol


(Congresso), com sua arquitetura neoclássica e a célebre frase Equal Justice Under
Law grafada acima da sua entrada principal, é um ponto turístico que atrai milhares
de pessoas todos os anos. Além disso, a escadaria do edifício é utilizada como palco
de protestos e manifestações públicas, quase sempre envolvendo questões de
direitos civis.

Casos mais célebres como Brown v. Board of Education (1954), em que a Suprema
Corte proibiu a segregação racial nas escolas e Roe v. Wade (1973), em que
declarou inconstitucional, dentro de certos parâmetros, a proibição da interrupção de
uma gravidez indesejada por escolha da mulher, contida na legislação de certos
estados (1973), são comumente conhecidos pela população.

Há um respeito e uma aura cultural muito fortes quanto às decisões da Suprema


Corte, o que é favorecido pelo pequeno número de casos julgados anualmente pelo
órgão: de 8.000 a 10.000 petições que todo ano são distribuídas à Corte, apenas
cerca de 80 são efetivamente julgadas, dada a necessidade de repercussão geral
das causas, que apenas um pequeno grupo efetivamente concentra.

Talvez o exemplo da mais alta corte de justiça norte-americana possa servir de base
para a rediscussão das funções, da competência e da escolha dos ministros do
nosso Supremo Tribunal Federal, no sentido de torná-lo efetivamente o Guardião da
Constituição e da Democracia brasileiras, tão fragilizadas pela crise institucional que
vem marcando o país.

por Vicente de Paula Ataide Junior


Doutor e Mestre em Direito Processual Civil pela UFPR; Juiz
Federal em Curitiba/Pr, titular da 2 Turma dos Juizados
Especiais Federais do Paraná;Professor de Direito
Processual Civil da ESMAFE/PR; Membro da Comissão de
Reforma Processual da AJUFE

Site Pessoal: http://pragmatismoeprocesso.blogspot.com.br


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 
(http://veja.abril.com.br)

SUPREMAS DIFERENÇAS
Indicações de novos juízes para as cortes constitucionais no Brasil e nos
Estados Unidos reacendem o debate: existe fórmula ideal? Entenda (e
compare) os diferentes modelos de nomeação adotados em outros
países

Por: Ricardo Vasques Helcias (texto), Alexandre Hoshino e André Fuentes (design)
É justo que o presidente do país escolha os juízes das cortes constitucionais que possivelmente vão
julgar processos do interesse do governo? O debate sobre essa questão foi reacendido nas últimas
semanas com as novas nomeações para o Supremo Tribunal Federal e para a Suprema Corte dos
Estados Unidos. Com a morte de Teori Zavascki em um desastre aéreo em janeiro, Michel Temer fez
sua primeira indicação para o STF: Alexandre de Moraes, que ocupava o cargo de ministro da
Justiça no seu governo. Nos EUA, o presidente Donald Trump escolheu o juiz federal Neil Gorsuch
para a vaga aberta com a morte do notório Antonin Scalia, em fevereiro do ano passado. Tanto nos
Estados Unidos como no Brasil, que replica o modelo americano, o candidato passará por uma
sabatina no Senado e precisa ser aprovado pela maioria da Casa.

QUIZ: TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS SOBRE DECISÕES HISTÓRICAS DO STF (//brasil/quiz-


como-julga-o-stf/)

A fórmula de nomeação adotada aqui e nos EUA, com o Poder Executivo indicando e o Poder
Legislativo referendando, é uma das muitas possíveis para a seleção de um juiz de suprema corte.
No geral, os modelos buscam que exista um equilíbrio entre os Poderes na escolha, e que o futuro
ministro seja alguém com conhecimento técnico e amparo político. Outro método popular é dividir
as indicações entre os poderes. Na França, os presidentes da República, do Senado e da Câmara
escolhem um terço dos assentos da corte cada um; na Alemanha, a divisão é entre as duas Casas
Legislativas; e na Itália, entre os três Poderes. Israel adota uma fórmula diferente: um colegiado
composto por representantes da corte, do governo e do Parlamento faz as indicações. Já na Índia,
em um sistema que beira o corporativismo, o próprio Supremo aponta os seus ministros. (Con ra
abaixo os diferentes modelos de composição. O número de processos foi baseado nas decisões
nais das cortes no ano judiciário de 2015).

Brasil
Supremo Tribunal Federal
A enorme carga de processos da corte brasileira é re exo das intermináveis oportunidades de
recursos que a Justiça do país oferece e do detalhamento da Constituição de 1988, que com seus
mais de 200 artigos e 80 emendas permite que quase qualquer assunto possa ser levado ao STF.
Na semana passada, o tribunal responsável por julgar os políticos envolvidos na Lava Jato decidiu
sobre o habeas corpus a uma mulher presa por tentar furtar desodorantes e chicletes em 2011.
“Ninguém dá conta de analisar 10.000 ações em um ano. O que acontece? Você faz um modelo de
decisão para determinado tema. Depois, a sua equipe de analistas reúne os casos análogos e aplica
o seu entendimento”, desabafou o então presidente do Supremo Cezar Peluso a VEJA em 2010.
Mesmo assim, o STF tem se destacado nos últimos anos pelo julgamento de grandes temas –
mensalão, casamento gay, aborto de anencéfalos etc – e por ter a palavra nal nos impasses entre
os outros Poderes.

MANDATO: até os 75 anos

INDICAÇÃO

11
JUÍZES
92.399
PROCESSOS
Estados Unidos
Suprema Corte dos Estados Unidos

Mais tradicional corte do mundo, o Supremo americano tem uma carga de trabalho de dar inveja
aos magistrados brasileiros. Dos mais de 5.000 casos que recebem anualmente, os juízes se
debruçam sobre menos de cem, escolhidos a dedo. A enxuta Constituição do país, com sete artigos
e 27 emendas, explica o baixo número de processos, mas a existência de "supremas cortes"
estaduais também ajuda a ltrar as ações que chegam ao mais alto tribunal. Outra grande diferença
em relação ao Brasil: os juízes americanos raramente se manifestam fora dos autos e são avessos
aos holofotes. Dividida entre progressistas (indicados por democratas) e conservadores (por
republicanos), a Suprema Corte tinha, antes da morte de Scalia, um delicado equilíbrio ideológico:
quatro juízes à esquerda, quatro à direita e um centrista – o el da balança Anthony Kennedy.

MANDATO: Vitalício

INDICAÇÃO

9
JUÍZES
82
PROCESSOS

Alemanha
Tribunal Constitucional Federal da Alemanha

Símbolo da Alemanha no pós-guerra, o Tribunal Constitucional Federal está localizado na cidade de


Karlsruhe, a mais de 700 quilômetros de Berlim. A distância física visa isolar a corte das disputas
políticas da capital, garantindo assim sua neutralidade. Responsável por julgar a constitucionalidade
das leis e assegurar uma Alemanha livre e democrática, o tribunal é dividido em duas turmas de
mesma hierarquia compostas por oito ministros cada. As indicações são feitas pelas duas Casas
Legislativas: o Bundestag (Câmara) elege uma metade da corte e o Bundesrat (Senado), a outra. A
nomeação garante ao magistrado um mandato de doze anos – com direito a traje vermelho e
chapéu cerimonial.

MANDATO: 12 anos

INDICAÇÃO

16
JUÍZES
6.133
PROCESSOS
França
Conselho Constitucional da França

Encarregado exclusivamente de resolver questões relativas à Constituição e supervisionar os


processos eleitorais – o que explica o baixo número de decisões anuais –, o Conselho
Constitucional da França tem os seus membros nomeados alternadamente pelos presidentes da
República, do Senado e da Câmara. Um terço da corte formada por nove juízes é renovado a cada
três anos, e os escolhidos exercem um mandato xo de nove anos. Essa fórmula garante uma
renovação gradual, mas constante, do tribunal. Em uma particularidade da corte francesa, os ex-
presidentes também tem um assento assegurado assim que deixam o Palácio do Eliseu. Mas com
uma condição: que não participem mais do debate político. Poucos são os que optam por exercer o
direito.

MANDATO: 9 anos

INDICAÇÃO

9
JUÍZES
156
PROCESSOS

Israel
Suprema Corte de Israel

Situada em um impressionante complexo arquitetônico em Jerusalém, a mais alta corte do país


muitas vezes tem a última palavra em temas delicados envolvendo a tensa relação entre israelenses
e palestinos. No passado recente, o tribunal já ordenou que o governo alterasse a rota do muro
erguido na Cisjordânia por considerar que o traçado separava aldeias palestinas de suas terras
produtivas. Em breve, deve se manifestar sobre os novos assentamentos judaicos em território
ocupado. Como forma de reduzir pressões políticas e garantir a independência do tribunal, os
magistrados são nomeados por um colegiado formado por três juízes do Supremo, dois ministros
do governo (um deles o da Justiça), dois deputados e dois representantes da ordem dos
advogados.

MANDATO: até os 70 anos

INDICAÇÃO

15
JUÍZES
1.852
PROCESSOS

Índia
Supremo Tribunal da Índia
Com seus 31 assentos e dezenas de milhares de ações, o Supremo indiano re ete o gigantismo do
país. A corte não chega a ser um STF em matéria de volume de processos, mas também sofre com
o acúmulo de casos aguardando julgamento. O modo de seleção dos magistrados é incomum.
Apesar de a Constituição dizer que o presidente deve indicar os ministros, o Supremo decidiu há
mais de vinte anos que um collegium formado pelo presidente da corte e pelos quatro juízes mais
antigos é que escolheria os novos membros. Tudo para garantir a independência do tribunal. De lá
para cá tem sido assim, mas nos últimos anos o Legislativo e o Executivo se esforçaram para
mudar a fórmula de juízes nomeando juízes. Uma proposta de um colegiado mais plural chegou a
ser aprovada no Parlamento em 2014, mas foi derrubada um ano depois no próprio Supremo. Voto
vencido na disputa, o juiz Jasti Chelameswar criticou a falta de transparência dos colegas e disse
que o sistema atual promove a mediocridade. O atrito entre o Judiciário e o governo tem atrasado
as novas indicações e, atualmente, o Supremo da Índia tem oito vagas a serem preenchidas.

MANDATO: até os 65 anos

INDICAÇÃO

31
JUÍZES
82.092
PROCESSOS
Itália
Corte Constitucional da Itália

Um dos raros casos de modelo com as nomeações divididas igualmente entre os três Poderes, a
Corte italiana tem um terço de seus quinze integrantes indicado pelo presidente, um terço pelo
Parlamento e um terço pelas cortes superiores. Os juízes permanecem no tribunal por um período
de nove anos. A Corte deve zelar pela correta interpretação da Constituição, resolver con itos entre
os Poderes e julgar acusações contra o presidente.

MANDATO: 9 anos

INDICAÇÃO

15
JUÍZES

276
PROCESSOS

A importância da sabatina
Tanta variedade de modelos indica que não existe consenso sobre qual a melhor forma de
nomeação. Uma das principais críticas ao modelo brasileiro é o poder excessivo do presidente na
escolha, algo que poderia prejudicar a independência do Supremo. A falta de um mandato com
tempo pré-estabelecido também é questionada. No STF, um ministro deixa a corte ao completar 75
anos – antes disso, apenas em caso de morte ou se decidir se aposentar precocemente. O assento
quase vitalício torna a renovação do tribunal inconstante e causa discrepâncias no número de
indicações a que cada presidente tem direito. Um exemplo: em seus oito anos de governo, Lula
nomeou oito ministros para o Supremo. No mesmo período, Fernando Henrique escolheu apenas
três.

Uma das vantagens do modelo, o rigoroso escrutínio do Senado, não funciona na prática no Brasil.
Por aqui, a con rmação do candidato é quase uma formalidade e, não raro, a sabatina se dá em um
inadequado clima de camaradagem. Uma exceção auspiciosa foi a audiência com Edson Fachin,
que se estendeu por 12 horas e questionou o magistrado de forma exemplar. Ainda assim, o nome
do hoje relator da Lava Jato no STF foi aprovado com folga no plenário: 52 votos a 27. Ou seja,
Alexandre de Moraes, criticado pela oposição por exercer cargo no governo e por sua liação ao
PSDB, pode até esperar uma sabatina dura, mas não deve se preocupar com a votação no Senado.
Em tempo: a última vez que os senadores rejeitaram um nome para o STF foi há mais de cem anos,
no governo de Floriano Peixoto.

Nos EUA, é diferente. Os indicados passam por sabatinas que podem durar dias e precisam provar
sua competência técnica. A maioria acaba sendo con rmada pelo Senado, mas o processo não é
meramente protocolar. Nos últimos cinquenta anos, três nomes foram rejeitados, o último deles no
governo Reagan. Outros quatro viram suas indicações naufragarem antes mesmo das sabatinas.
Dois casos emblemáticos são os de Douglas Ginsburg, em 1987, e de Harriet Miers, em 2005. O
primeiro foi derrubado pela revelação de que havia fumado maconha na vida adulta, enquanto a
segunda foi considerada – por democratas e republicanos – despreparada para o cargo. Em 1991, o
juiz Clarence Thomas enfrentou até acusações de assédio sexual e passou raspando: 52 votos a 48.
No ano passado, após a morte de Scalia, Barack Obama nomeou em seu último ano de mandato o
juiz Merrick Garland para a vaga. O Senado controlado pelos republicanos, porém, se recusou a
sabatinar o magistrado, argumentando que a escolha deveria caber ao próximo presidente dos EUA.
Os democratas acusaram os adversários de "roubar" uma indicação e prometem jogo duro contra o
candidato de Trump para o tribunal.

Atualmente, tramitam no Congresso 23 propostas para mudar o modelo de escolha dos ministros
do STF. Uma sabatina séria que preparasse bem os candidatos a um lugar na corte que zela pela
Constituição já seria um ótimo começo.
Supremo Tribunal Criminal
Entre as competências do STF, está a de julgar políticos com foro privilegiado
(http://veja.abril.com.br/brasil/mas-a nal-para-que-serve-o-stf/). A quantidade exorbitante de
autoridades envolvidas nos dois megaescândalos de corrupção desvelados nos últimos anos no
Brasil – o mensalão e o petrolão – transformou o Supremo em uma espécie de vara de 1ª instância
superlotada, deixando de abordar outras questões que são de sua exclusividade. Apesar de ter
sobrecarregado os ministros, o alto número de processos criminais contra políticos não foi, em
tudo, um desperdício. “Não tenho dúvida que julgamentos como o da ação penal 470 [mensalão],
por exemplo, deram coragem para essa quantidade de juízes de primeira instância tomando
decisões fortes contra atos de corrupção”, diz o advogado Daniel Falcão, professor do Instituto
Brasiliense de Direito Público (IDP).

QUIZ: TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS SOBRE DECISÕES HISTÓRICAS DO STF (//brasil/quiz-


como-julga-o-stf/)

EXPEDIENTE

Reportagem:
Ricardo Vasques Helcias

Design e desenvolvimento:
Alexandre Hoshino e André Fuentes

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