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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

FACULDADE DE TECNOLOGIA
UNIVERSIDADE DE BRTASÍLIA

“CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA“

Professor: Dr.- Eng. Newton Moreira de Souza

UNB
Universidade de Brasilia
Faculdade de Tecnologia
Departamento de Engenharia Civil e Ambiental

novembro
2004
CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA
SUMÁRIO
CONCEITOS BÁSICOS DA CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

M E T O D O L O G I A DA I A E G 1

l. INTRODUÇÃO
2. PRINCÍPIOS
2.1 Introdução
2.2 Definição de um mapa geotécnico
2.3 Classificação dos mapas geotécnicos
2.4 Princípios de classificação de rochas e solos p/ mapas geotécnico
2.5 Condições hidrogeológicas
2.6 Condições geomorfológicas
2.7 Avaliação de fenômeno geodinâmico
2.8 Princípios do zoneamento geotécnico
2.9 Princípios gerais

3. TÉCNICAS PARA AQUISIÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS


3.1 Introdução
3.2 Métodos gerais de mapeamento geológico
3.3 Quesitos especiais para o mapeamento geotécnico
3.4 Técnicas especiais para mapeamento geotécnico

4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS EM MAPAS GEOTÉCNICOS


4.1 Introdução
4.2 Mapas de Multifinalidade
4.3 Mapa de Finalidade Especial
4.4 Mapa Geológico Interpretativo
4.5 Representação tridimensional em mapas

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IAEG- International Association of Engineering Geology
Cartografia geotécnica ii

4.6 Seções cruzadas geotécnicas


4.7 Mapa de documentação
4.8 Legenda e explicação

5. ESQUEMA DO MEMORIAL DESCRITIVO

M E T O D O L O G I A DA EESC/USP 2
1. INTRODUÇÃO
2. PRINCÍPIOS BÁSICOS
3. ATRIBUTOS
3.1. Definições
3.2. Considerações gerais
3.3. Tipos de atributos
4. CARTAS DERIVADAS
4.1. Mecanismos para elaboração das cartas derivadas
4.2. Principais tipos de cartas derivadas

5. BIBLIOGRAFIA

2
EESC/USP- Escola de Engenharia de São Carlos da universidade de São Paulo

ENC/FT/UNB
CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

CONCEITOS BÁSICOS DA CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

M E T O D O L O G I A DA I A E G 1

l. INTRODUÇÃO
O mapeamento geotécnico iniciou e desenvolveu-se através da cooperação entre
geólogos e engenheiros na construção de grandes obras de engenharia. Os primeiros mapas
pouco diferenciavam dos mapas estruturais, tectônicos e lito-estatigráficos comuns.
Gradualmente a exigência crescente por parte dos engenheiros de mais dados geológicos,
guiou o aparecimento dos primeiros textos explicativos, aumentando a legenda e finalizando
nos mapas geológicos atuais com mais informações específicas no aspecto técnico do
fenômeno geológico e sua interpretação ligada a engenharia.
Progressos na teoria e na prática do mapeamento geotécnico, contudo, tem mostrado
que os atuais mapas "técnicos", "derivados" ou "interpretativos", não são verdadeiramente os
mapas geotécnicos.
A geotecnia tem por objetivo fornecer a engenheiros, planejadores e projetistas as
informações que os permitam realizar obras de engenharia e o desenvolvimento regional, na
melhor harmonia possível com o ambiente geológico. Sem esta harmonia pode ocorrer
incidente de conseqüências desastrosa, afetando não somente a economia e durabilidade mas
também a segurança das obras e do meio ambiente.
Sendo o ambiente geológico um sistema complexo e dinâmico com diversos
componentes, ele não pode ser globalmente estudado por ocasião dos trabalhos de construção
e outras atividades de engenharia.
Usando o método dos modelos, se constróem esquema simplificado com os
componentes que tem significativa importância a geotecnia, a saber: a distribuição e

1
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Cartografia Geotécnica 2

propriedades da rocha e solo, a água subterrânea e superficial, as características do relevo e


processos geodinâmicos presentes.
Um mapa geotécnico mostra que a distribuição e relações espaciais destes
componentes básicos, podem refletir a história como também a dinâmica do desenvolvimento
das condições geotécnicas, permitindo prognosticar a influência do ambiente na obra, como
também prever em qual aspecto a obra interferirá com o ambiente. Evidentemente tais mapas
não podem substituir uma investigação detalhada local, mas poderão auxiliar no projeto
racional da investigação local e na interpretação dos resultados.
Os mapas podem servir somente a certas finalidades específicas, ou podem apresentar
um extenso propósito de múltiplas finalidades necessárias para resolver problemas mais
gerais. Eles podem ser úteis nas primeiras etapas do planejamento, como também nos estágios
finais dos projetos urbanos, industriais, de transporte, hidrotécnicos e de outras construções.
Dependendo da finalidade, os mapas podem ser de variada extensão, escala e detalhe.
Podem ter diferentes conteúdos e uma variada escolha dos atributos mapeados, como também
diferentes aspectos de sua avaliação.
Em todas estas variedades e individualidades os mapas geotécnicos, como os mapas
litológicos, estratigráficos e tectônicos devem incorporar certas convenções, uma
classificação e princípios comuns e certos grau de padronização.

2. PRINCÍPIOS

2.1 Introdução
Os principais fatores criadores da condição geotécnica são: a rocha e solo, água,
condição geomorfológica e fenômeno geodinâmico.
Um mapa fornece uma melhor idéia de um ambiente geológico. quando incluir o
caráter e a variação das condições geotécnicas, seus componentes individuais e suas inter-
relações. Mas mapas são modelos simplificados dos fatos e a complexidade dos vários
fatores geológicos nunca poderão ser inteiramente representados. O grau de simplificação
depende principalmente da finalidade e escala do mapa, da importância relativa dos fatores
geotécnicos específicos ou relacionados, da precisão das informações e técnicas de
representação usada.
Um mapa geotécnico deve satisfazer as seguintes exigências:

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1- Retratar as informações objetivas necessárias para avaliar as características geotécnicas


relativas ao planejamento regional, a seleção do lugar e método mais adequado de construção
e mineração.
2- Fazer o possível para prever as variações na situação geológica induzida pelo
empreendimento proposto e para sugerir medidas preventivas necessárias.
3- Apresentar informações de forma a facilitar o entendimento por profissionais que o
usarão, os quais podem não ser geólogos.
Mapas geotécnicos podem ser baseados nos mapas geológicos, hidrogeológicos e
geomorfológicos, mas devem apresentar e avaliar os fatos básicos fornecidos por estes mapas
em termos de geotecnia.

2.2 Definição de um mapa geotécnico


Um mapa geotécnico é um tipo de mapa geológico, que fornece uma representação
generalizada de todos os componentes do ambiente geológico de significado no planejamento
do uso da terra, e em projetos, construção e manutenção aplicada a obras civis e mineiras.
As feições geológicas representadas nos mapas geotécnicos são:

1- Caráter das rochas e solos, incluindo sua distribuição, arranjo estratigráfico e


estrutural, idade, gênese, litologia, estado físico e suas propriedades mecânicas e
físicas.
2- Condições hidrogeológicas, incluindo a distribuição da capacidade de água no solo e
rochas, zonas de saturação em descontinuidades abertas, profundidade do nível de
água e suas variações flutuantes, regiões de água confinada e níveis piezométricos,
coeficiente de estocagem, direção de fluxo, fontes, rios, lagos e o limite e intervalo de
ocorrência de enchentes, ph, salinidade e corrosividade.
3- Condições geomorfológicas, incluindo superfície topográfica e elementos
importantes da paisagem.
4- Fenômeno geodinâmico, incluindo erosão e deposição, fenômeno eólico, permafrost,
movimentos de encostas, formação de condições cársticas, subsidência, variação no
volume do solo, dados de fenômeno sísmicos (inclusive falhas ativas), movimentos
tectônicos regionais correntes e atividades vulcânicas.

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2.3 Classificação dos mapas geotécnicos


Os mapas geotécnicos podem ser classificados de acordo com: finalidade, conteúdo e
escala.

2.3.1 De acordo com a finalidade


2.3.1.1 Finalidade especial:
Fornecem informações seja de um aspecto específico da geotecnia seja para uma
finalidade específica.
2.3.1.2 Multifinalidade:
Fornecem informações de muitos aspectos de geotecnia para os diversos usos do
planejamentos e trabalhos da engenharia.

2.3.2 De acordo com o conteúdo


2.3.2.1 Mapas analíticos:
Fornecem detalhes ou a avaliação dos componentes individuais do ambiente
geológico. Em geral seu conteúdo é expresso no título; por exemplo: mapa de graus de
intemperismo, mapa de fissuras, mapa de risco sísmico.
2.3.2.2 Mapas sintéticos:
Existem de dois tipos:
a) mapas de condições geotécnicas,
Descreve os principais componentes do ambiente geotécnico;
b) mapas de zoneamento geotécnico,
Avalia e classifica unidades territoriais individuais com base na uniformidade de suas
condições geotécnicas.
Em pequena escala, estes dois tipos de mapas podem ser combinados.
2.3.2.3 Mapas auxiliares:
Apresentam dados factuais e são, por exemplo: mapas de documentação, contornos
estruturais, isolinhas.
2.3.2.4 Mapas complementares:
Estão incluídos os geológicos, tectônicos, geomorfológicos, pedológicos, geofísicos e
hidrogeológicos. São mapas de dados básicos, os quais, algumas vezes, são incluídos como
um grupo de mapas geotécnicos.

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2.3.3 De acordo com a escala


2.3.3.1 Grande escala - 1:10.000 ou maior.
2.3.3.2 Média escala - entre 1:10.000 e 1:100.000.
2.3.3.3 Pequena escala - 1:100.000 ou menor.

2.4 Princípios de classificação de rochas e solos para mapas geotécnicos


As unidades de um mapa geotécnico são caracterizadas por um certo grau de
homogeneidade nas propriedades geotécnicas básicas. O principal problema no mapeamento
geotécnico é determinar as caraterísticas geológicas da rocha e solo que sejam estreitamente
relacionadas com as propriedades físicas, tais como resistência, deformabilidade,
durabilidade, permeabilidade, que são importantes na geotecnia.
Este problema se dá pela falta de dados sobre a variabilidade regional das
propriedades das rochas e solo e por não existirem métodos e técnicas para a determinação
rápida e de baixo custo capaz de fornecer dados em quantidades suficientes. Por esta razão se
usa algumas propriedades geológicas que melhor indiquem as características geotécnicas e
físicas:
a) composição mineralógica, estreitamente relacionada a densidade específica, limites de
Atterberg e índice de plasticidade;
b) características estruturais e texturais, relacionadas ao peso específico, tais como
distribuição granulométrica e porosidade.
c) umidade, grau de saturação, consistência, fissuração, grau de intemperismo e de alteração,
relacionados com o estado físico dos solos e rochas e indicam propriedades de resistência,
característica de deformação, permeabilidade e durabilidade.
Classificação baseada na litologia e modo de origem:
a)Tipo Geotécnico (E.T.): tem um alto grau de homogeneidade física. Apresenta
uniformidade na litologia e no estado físico. São caracterizados por valores determinados
estatisticamente a partir de determinações individuais de propriedades mecânicas e físicas.
Usual em mapas de grande escala.
b)Tipo Litológico (L.T.): é homogêneo em relação a composição, textura e estrutura, mas
usualmente não é uniforme no estado físico. Somente uma idéia geral das propriedades de
engenharia pode ser apresentada. Usuais em mapas de grande escala e, onde possível, em de
média escala.

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c)Complexo Litológico (L.C.): compreende um grupo de tipos litológicos geneticamente


relacionados, desenvolvidos sobre condições geotectônicas e paleogeográficas específicas.
Em cada complexo o arranjo espacial do tipo litológico é uniforme e distinto, mas um
complexo litológico não é necessariamente uniforme em seu estado físico e características
litológicas. Não é possível definir propriedades mecânicas e físicas para todo o complexo,
mas somente fornecer dados dos tipos litológicos individuais e indicar o comportamento geral
do complexo. Usual em mapas de escalas pequena e média.
d)Suíte Litológica (L.S.): compreende muitos complexos litológicos desenvolvidos sob
condições tectônicas e paleogeográficas, no geral, similares. Somente algumas propriedades
geotécnicas gerais podem ser definidas. São usadas em mapas de pequena escala.

2.5 Condições hidrogeológicas


Condições hidrogeológicas afetam o uso da terra, o planejamento, a seleção de local
assim como o custo, durabilidade e segurança das estruturas. Águas subterrâneas e
superficiais são importantes nos processos geodinâmicos como o intemperismo, movimento
de encostas, sufusão química e mecânica, desenvolvimento de condições cársticas, variação
volumétrica do solo por contração e expansão, e colapso em solos de loess. A água modifica
as propriedades da rocha e do solos e influencia os métodos de construção e escavação.
O regime das águas superficiais e subterrâneas é diretamente influenciado por
estruturas hidráulicas e pela extração da água subterrânea, e indiretamente por fatores tais
como, urbanização e desflorestamento, que aumentam o escoamento superficial, a carga de
sedimentos e a erosão, influenciando outros processos tais como movimento de encostas e
sedimentação.
Para caracterizar as condições hidrogeológicas devem ser avaliadas e representadas no
mapa as seguintes informações: distribuição da água de superfície e subsupefície, condição de
infiltração, teor de umidade, direção e velocidade do fluxo subterrâneo, fontes e percolações
em horizontes com aqüífero individual, profundidade do nível da água e suas flutuações,
regiões de água confinada e seus níveis piezométricos, propriedades hidroquímicas tal como
ph, salinidade, corrosibilidade, e presença de bactérias ou outros poluentes.
Em mapas de pequena escala a hidrogeologia é representada por símbolos e números.
Em média escala o nível de água pode ser representado por contornos e suas variações de
flutuação por números. Em grande escala se usa isolinhas e números para flutuações.

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2.6 Condições geomorfológicas


Mapeamento geomorfológico é auxiliar na explicação da história recente do
desenvolvimento da paisagem, tal como a formação dos vales, terraços, configuração das
encostas e os processos operantes na paisagem atual. Este é parte essencial no mapeamento
geotécnico, e pode ser realizado rapidamente e a um baixo custo, sendo freqüentemente um
fator decisivo no planejamento das investigações geotécnicas.
A apreciação das condições geomorfológicas num mapeamento geotécnico pode ser
mais do que uma simples descrição da superfície topográfica. Pode-se incluir uma explanação
das relações entre condições de superfície e a situação geológica; a origem, desenvolvimento
e idades dos elementos geomorfológicos individuais; a influência das condições
geomorfológicas na hidrologia e processos geodinâmico. É importante a previsão de ameaças
às feições geomorfológicas, tais como a erosão lateral das margens dos rios, movimento de
dunas, colapso em zonas cársticas ou áreas enfraquecidas, pela mineração .
Superfície topográfica é mostrada por curvas de nível em mapas de todas as escalas.
Símbolos pontuais são usados para indicar elementos geomorfológicos em mapas de pequena
escala. Em mapas de média e grande escala, se pode representar os atuais limites e detalhes
das feições geomorfológicas.

2.7 Avaliação de fenômeno geodinâmico


Fenômeno geodinâmico são fenômeno do ambiente geológico que resultaram de
processos geológicos ativos na atualidade. Excluem-se os processos de deposição e alteração,
por estarem inclusos na descrição de rochas e solos.
Os processos geológicos e as feições deles decorrentes são:
a)Erosão e deposição: condições favoráveis para erosão excessiva são dadas por rochas
brandas de baixa permeabilidade, taludes moderados a acentuados , vegetação rala e alta
pluviosidade concentrada em pequenos períodos de tempo. Sedimentos lavados nas encostas
podem acumular-se nas baixadas, em calhas e em outros locais, ou contribuir para o rápido
assoreamento de reservatórios. Fatores contribuintes são: supercultivo, desmatamento e
desenvolvimento urbano. As feições erosivas comumente registradas nos mapas geotécnicos
são, encostas sulcadas e ravinadas, e margens de rios e linhas de praias que são ativamente
erodidas.

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b)Processos eólicos: estão geralmente entre os processos geodinâmico menos problemáticos,


mas pode ser perigoso para estruturas de obras em certas áreas. Super pastoreio, cultivo
acentuado ou desmatamento podem criar campos de dunas. Dunas e feições similares são
registradas em mapas geotécnicos.
c)Movimento de encostas: ocorrem sob a influência da gravidade e incluem rastejo,
escorregamento, fluxo e queda de todos os tipos de solos e rochas. Movimento de encostas
são causados ou iniciados por outros processos naturais ou por atividades humanas. As
condições adequadas para o movimento e as feições resultantes podem ser mapeadas, porem
os fatores que os iniciam freqüentemente não o são.
Os fatores causadores de movimento das encostas podem ser divididos em dois: os que
reduzem a resistência ao cisalhamento e aqueles que aumentam as tensões de cisalhamento no
talude.
d)Permafrost: problemas construtivos podem ser esperados em materiais finos
permanentemente gelados, podendo registrar suas feições.
e)Feições cársticas: são comuns em superfície, as dolinas, vales escondidos e vales secos
com paredes íngremes; em subsuperfície, sistemas de cavernas tornam a superfície do
"bedrock" irregular e normalmente coberta por solos de diferentes compressibilidade.
f)Sufusão: lavagem das partículas finas de materiais inconsolidados, em particular das areias
e cascalhos. Podem oferecer problemas consideráveis em projetos de estruturas hidráulicas.
g)Variações do volume do solo: variações de volume por contração e/ou expansão dos solos
podem causar perdas às estruturas.
h)Atividade sísmica e vulcânica: feições sísmicas geodinâmicas são resultantes de
atividades sísmicas, o suficiente para sentir o seu efeito e ainda ser visível como formas do
relevo. Feições associadas com falhas ativas incluem desvios na drenagem, terraços e
estruturas realizadas pelo homem, lagos de afundamento, escarpas, linhas de fontes e
lineamentos de vales. São também importantes para a geotecnia a freqüência e intensidade da
atividade vulcânica e natureza, localização e extensão dos produtos vulcânicos.
Em pequena escala dados pontuais de feições são representados por símbolos. Em
escala média, são delineadas suas feições, e se possível, mostrados seus limites. Em grande
escala os limites e estruturas internas de cada feição individual podem ser mapeadas.

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2.8 Princípios do zoneamento geotécnico


Mapas geotécnicos sintéticos podem apresentar informações em termos de
zoneamento geotécnico. Estas são áreas individualizadas nos mapas e que são
aproximadamente homogêneas em termos de condições geotécnicas.
O detalhe e o grau de homogeneidade de cada zona geotécnica depende da escala e
finalidade do mapa.
Num mapa de zoneamento para finalidade geral, as seguintes unidades territoriais
naturais taxonômicas podem ser reconhecidas:
1- Região: baseada na uniformidade dos elementos estruturais geotectônicos individuais.
2- Área: baseados na uniformidade das unidades geomorfológicas regionais.
3- Zonas: baseadas na homogeneidade litológica e no arranjo estrutural do complexo
formado pelas litofácies de rochas e solos.
4- Distritos: onde as condições hidrogeológicas e os fenômenos geodinâmicos são uniformes.
Por este caminho as características de um território podem ser definidas por
zoneamento, que por sua vez, pode ser usado para avaliar a complexidade das condições
geotécnicas.
Um mapa de zoneamento geotécnico de finalidade especial pode ser preparado com
um tipo de interesse específico, por exemplo: estradas, barragens, túneis. Em tais mapas as
unidades de zoneamento devem ser baseadas na análise dos fenômenos geológicos e nos
parâmetros geotécnicos, avaliados em termos de finalidade geotécnica particular.

2.9 Princípios gerais


Os princípios gerais do mapeamento geotécnico devem ser aplicados aos mapas de
todos os tipos e escalas. Se isto for feito, será possível comparar mapas independentemente da
escala. A diferença básica entre mapas de diferentes escalas será somente na quantidade e
apresentação dos dados.
Em mapas geotécnicos, de todos os tipos e para todas as escalas, as informações
obtidas podem ser apresentadas de tal modo que não somente a verdade da natureza, mas
também os dados de significado em engenharia possam ser entendidos e completamente
analisados.

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3. TÉCNICAS PARA AQUISIÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

3.1 Introdução
Um mapa geológico é base fundamental para o mapeamento geotécnico,
considerando-se sempre que, nestes mapas as rochas com propriedades geotécnicas
marcadamente diferentes podem ser agrupadas como uma unidade única, por terem a mesma
idade e origem. Assim para acrescentar as informações necessárias ao mapeamento
geotécnico deve-se fazer uso de técnicas e métodos específicos. A dificuldade principal,
independente da técnica usada, é que as variações das características da rocha e do solo,
freqüentemente gradacional, podem ocorrer tanto na vertical como na horizontal.

3.2 Métodos gerais de mapeamento geológico


3.2.1 Preparação do mapa base topográfico
Onde um mapa base topográfico não existe, ou está em escala menor do que
necessária para o trabalho de campo, um mapa deverá ser feito especialmente para o trabalho
e servir como uma base para o mapa geológico.
3.2.2 Aquisição das informações geológicas
O trabalho exigido na obtenção das informações geológicas para a preparação de um
mapa geotécnico segue um padrão determinado, compreendendo um determinado número de
estágios.
Inicialmente se procura as informações geológicas existentes, suplementadas por
estudo de mapas e aerofotos existentes. Seque-se um reconhecimento da área na qual são
avaliadas evidências e novas informações geológicas, geomorfológicas e geodinâmicas são
reunidas. Finalmente se pode avaliar aspectos gerais ou específicos de um local de
construção, baseado em trab4alhos de campo, envolvendo variadas investigações de campo e
ensaios laboratoriais e "in situ" (3.4).

3.3 Quesitos especiais para o mapeamento geotécnico


3.3.1 Descrição geotécnica das rochas e solos
Recomenda-se para a prática do mapeamento geotécnico, o uso de nomes simples das
rochas, suplementados por termos descritivos selecionados. Estes termos devem ser aplicados
tanto para materiais rochosos como para massas rochosas, e devem incluir uma descrição de

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cor, granulometria, textura, descontinuidade dentro da massa, estado de alteração, estágio


intempérico, propriedades de resistência, permeabilidade e outros indicativos das
características geotécnicas.
Uma adequada descrição de rocha e solo pode exigir informações adicionais,
incluindo mergulho e direção, ou atitudes de estruturas e descontinuidades, o caráter da
superfície dos planos de acamamento e outras descontinuidades, a variabilidade de estruturas
e descontinuidades, os detalhes do perfil intemperizado. De particular importância é a
estimativa do grau de isotropia e homogeneidade das massas de rochas.

3.3.2 Mapeamento de rochas e solos para finalidade de engenharia


O resultado de uma investigação geotécnico deverá produzir um mapa no qual as
unidades são definidas por propriedades de engenharia. Em geral os limites das unidades
sequem os limites litológicos, mas as propriedades de engenharia não apresentam relações
com os limites estratigráficos ou estruturais.
A seleção de um método apropriado para traçar os limites das unidades mapeadas no
campo depende da finalidade para a qual o mapeamento está sendo realizado. Por sua vez, a
finalidade dita a escala e esta define a taxonomia básica.
Os métodos usados para limitar e caracterizar cada unidade de mapeamento ou taxonômica
básica são:
1- Suíte litológica: a interpretação dos mapas geológicos existentes, mapeamento de
reconhecimento e fotogeologia. A avaliação do provável comportamento rochoso, através do
conhecimento das propriedades e dos tipos rochosos.
2-Complexo litológico: mapeamento da área com análise da fácies para o grupo
geneticamente relacionado ao tipo litológico. Investigação geofísica, amostragem e sondagem
sistemática no campo. Ensaio "in situ". Ensaios das propriedades e índices físicos em
laboratório ou laboratório de campo. Investigação petrográfica e avaliação do comportamento
rochoso através do conhecimento das propriedades dos tipos rochosos conhecidos.
3-Tipo litológico: mapeamento e investigação petrográfica detalhada. Ensaios geofísicos de
campo. Determinação sistemática das propriedades índices em laboratório. Ensaios de
laboratório e "in situ" das propriedades mecânicas das rochas e outras propriedades.
4-Tipo geotécnico: investigação detalhada do estado físico das massas de solo e rocha. Teste
"In situ" das propriedades mecânicas das rochas e outras propriedades. Ensaios sistemáticos
em laboratório das propriedades físicas e mecânicas.

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3.3.3 Mapeamento das condições hidrogeológicas


As principais condições hidrogeológicas necessárias para serem registradas ou
monitorizadas em mapeamento geotécnico são de dois tipos:
1- Informações superficiais como fontes, sumidouros, rios e lagos.
2- Informações de subsuperfície obtidas em poços ou sondagens já existentes ou de sondagens
exploratórias realizadas para este fim. Condições hidrogeológicas devem ser quantificadas
quando possível.

3.3.4 Mapeamento do resultado dos processos geodinâmico


O método adotado depende da escala do mapa. Ele é importante para descrever não
somente as feições mas também as condições que o favorecem e os fatores causadores de seu
desenvolvimento. é importante determinar não somente a extensão dos vários problemas, mas
também sua freqüência de ocorrência, sua ação e grau de atividade. Um esforço deve ser feito
para prever o desenvolvimento de futuros fenômeno geodinâmico. Onde houver possibilidade
cada sistema geodinâmico deve ser avaliado quantitativamente ou semiquantitativamente.
Em pequenas escalas, fenômeno individuais podem ser mapeados por aerofotos e
outros métodos de sensoriamento remoto ou por um trabalho de reconhecimento. Em grandes
escalas, é possível mapear todo o resultado geomorfológico das atividades, com serviço
topográfico detalhado ou por aerofotos. Mapeamento detalhado de superfície pode ser
suplementado pelo uso de métodos geofísicos e sondagens.

3.4 Técnicas especiais para mapeamento geotécnico

3.4.1 Fotogeologia
A fotointerpretação é um importante auxílio para os estudos geotécnicos, pela sua
rapidez, custo relativamente baixo, e por ser um método preciso para a primeira avaliação de
uma grande área. A escala adotada é usualmente entre 1:10.000 e 1:30.000. é essencial que os
resultados do serviço de geologia sejam suplementados por observações do terreno em locais
selecionados.

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3.4.2 Métodos geofísicos


As técnicas usadas no mapeamento geotécnico são os métodos sísmicos e de
resistividade usadas em superfície e em sondagens.

3.4.2.1 Medidas de resistividades


O método baseia-se na medida da resistividade elétrica do terreno, a qual depende
primariamente da porosidade, fraturamento, grau de saturação e a salinidade da água dos
vazios. Para que o método funcione efetivamente é preciso um bom contraste entre as
propriedades físicas.

3.4.2.2 Medidas sísmicas


Densidade e módulo de deformação das rochas e solos determinam a velocidade de
transmissão das ondas sísmicas através deste meio.
A técnica de refração é usada para determinar a profundidade dos diferentes níveis de
refração, por exemplo: topo ou base da zona intemperizada e depende de haver um
crescimento da velocidade com a profundidade.

3.4.3 Sondagens e técnicas de amostragem


A sondagem é entendida como fornecedora de amostras deformadas e indeformadas
de rochas e solos, ou fornecedora de um furo para testes "in situ" e a instalação de
instrumentos no terreno. Uma variedade de métodos é necessária, incluindo sondagens
rotativas, percussão e outras. As amostras devem ser, tanto quanto o possível,
verdadeiramente representativas das condições do terreno e devem ser retiradas,
acondicionadas e transportadas dentro das normas existentes. É recomendado, como condição
mínima, obter amostras indeformadas para cada litologia.

3.4.4 Ensaios "in situ" e de laboratório

3.4.4.1Ensaios de laboratório:
Propriedades de rochas e solos podem ser determinadas por ensaios laboratoriais
padronizados.
Em mapeamento geotécnico, 25 a 30 amostras são necessárias para a determinação estatística
das características de cada tipo geotécnico.

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3.4.4.2 Ensaios "in situ":


Técnicas instrumentais sofisticadas são utilizadas para determinações "in situ".
Em sondagens são realizados ensaios de bombeamento, para obtenção de dados
hidrogeológicos de sub-superfície. As paredes das sondagens podem ser observadas com
câmeras especiais.
Ensaios de penetração profunda são sondagens menos exigentes. Os penetrômetro, estáticos
ou dinâmicos, são usados para determinar a resistência do terreno pela penetração de uma
ponta, de forma continua ou por golpes de martelo, em cada caso respectivamente.

3.5 Análise e interpretação dos dados


Na execução do serviço geotécnico de uma área, devem ser recolhidas informações de
todos os aspectos das condições geotécnicas. As informações devem ser registradas
diretamente nos mapas ou caderneta de campo, memoriais de sondagens, e os resultados de
laboratório tabulados.
A análise dos dados envolve a seleção e agrupamento de todas as informações das
condições geotécnicas, separando quais são consideradas importantes e absolutamente
necessárias para as finalidades específicas para as quais o mapa está sendo feito, daquelas que
não o são. Estas últimas não são processadas no prosseguimento.
Neste estágio se dá uma atenção especial a uma avaliação da confiabilidade geológica
dos dados, o que requer uma considerável experiência. Os dados que aparentem ser irreais
após a avaliação geológica não serão incluídos em qualquer outro processamento.
Havendo selecionado e agrupado as informações, os vários grupos podem agora ser
arranjados em classes. O sistema de classificação pode ser internacional ou do próprio país.
O passo final no processamento dos dados é a síntese das informações gerais dos
diferentes componentes individuais das condições geotécnicas e ordenar para determinar e
definir unidades territoriais individuais que são caracterizadas por um certo e específico grau
de uniformidade em suas condições geotécnicas.
Ao lado destes métodos que dependem da competência e experiência do geotécnico,
computadores são agora introduzidos com sucesso no mapeamento geotécnico. Existem três
áreas principais de interesse no uso de computadores neste campo: estocagem de dados;
análise estatística dos dados e a correlação de um grande número de variáveis; visualização
ou plotagem automática dos mapas produzidos pelo computador.

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4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS EM MAPAS GEOTÉCNICOS

4.1 Introdução
O conteúdo do mapa geotécnico e a quantidade de dados das condições geotécnicas
são baseados na finalidade e na escala do mapa. É conveniente memorizar o seguinte fim do
mapa geotécnico, a elaboração do mapa geotécnico deve seguir princípios gerais
independente do fato que mapas de diferentes escalas serem realizados para resolver
problemas de diferentes tipos. Isto tornará possível comparar diretamente mapas realizados
em uma mesma escala para áreas diferentes e a produção, por exemplo, de mapas de média a
pequena escala a partir de mapas de grande escala, sem necessidade de qualquer mudança
radical.
Há muitos tipos de mapas definidos pela combinação dos critérios de:

FINALIDADE CONTEÚDO ESCALA

Finalidade especial Analíticos pequena

Multifinalidade SINTÉTICO média

grande
Auxiliar
Complementar

Todas as combinações são possíveis, por exemplo: mapas de multifinalidade podem


ser preparados para uma variedade de finalidades da engenharia cobrindo muitos aspectos da
geotecnia; eles podem ser analíticos ou sintéticos e podem ser preparados em todas as escalas.
O tipo básico ou geral é o mapa sintético de multifinalidade, no qual são apresentados e
avaliados todos os componentes do ambiente geotécnico.

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Figura 1-A O efeito da escala no requerimento básico para a investigação e caracterização do


mapeamento básico da geologia de engenharia

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Figura 1-B O efeito da escala no requerimento básico para a investigação e caracterização do


mapeamento básico da geologia de engenharia

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4.2 Mapas de Multifinalidade

4.2.1 Mapa Multifinalidade Analítico


Dá detalhes e avalia um componente individual do ambiente geológico para diversas
finalidades.

4.2.2 Mapa Multifinalidade Sintético

4.2.2.1 Mapa Multifinalidade Sintético, pequena escala


Mapas em pequenas escalas de áreas onde a geotecnia é bem conhecida podem ser
compilados usando mapas adequados, literatura e documentação. Em áreas pouco
investigadas os mapas são preparados por interpretação fotogeológica e mapeamento de
reconhecimento.

4.2.2.2 Mapa Multifinalidade Sintético, média escala


Mapas em média escala são preparados com base na investigação de campo e mapeamento,
suplementados por uso de materiais existentes arquivados e qualquer trabalho complementar
necessário. As mesmas informações que são mostradas em escalas pequenas devem e podem
ser mostradas em mapas de média escala, desde que com maiores detalhes. Suítes litológicas
podem ser divididas em complexos litológicos e, se possível, dentro de uma pequena
uniformidade, em combinações de tipos litológicos.

4.2.2.3 Mapa Multifinalidade Sintético, grande escala


São preparados por investigações e mapeamento detalhado de campo, usando materiais
arquivados existentes, exploração de subsuperfície sistemática e trabalhos geofísicos, ensaios
de campo e de laboratório. É necessário determinar as propriedades mecânicas e físicas de
todas unidades de rochas e solos representados no mapa.

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4.3 Mapa de Finalidade Especial


Mapas geotécnicos especiais são preparados para uma finalidade específica ou para
fornecer informações de um aspecto específico da geotecnia. Eles podem ser analíticos ou
compreensivos e preparados para todas as escalas.

4.3.1 Mapa de Finalidade Especial Analítico


Apresentam componentes individuais das condições geotécnicas e são úteis do ponto
de vista de uma finalidade específica. Por exemplo, os escorregamentos podem ser avaliados
no contexto do desenvolvimento urbano no qual o componente geotécnico é o escorregamento
e a finalidade especial, para a qual o mapa é feito, é o desenvolvimento urbano.

4.3.2 Mapa de Finalidade Especial Sintético


Representa-se numa única folha todos os componentes básicos das condições
geotécnicas e eles são classificados e avaliados do ponto de vista de uma finalidade especial.

4.4 Mapa Geológico Interpretativo


O mapa geológico, mesmo que não tenha sido feito para finalidade de engenharia,
contém uma grande quantidade de valores para o engenheiro. O mapa geotécnico
interpretativo é feito a partir de mapas geológicos com as informações descritas em termos
geotécnicos.

4.5 Representação tridimensional em mapas


Devido às estruturas de engenharia terem influência na subsuperfície e,
freqüentemente estenderem-se para baixo da superfície do terreno ou serem construídas
abaixo da superfície, é desejável a representação em três dimensões em mapas geotécnicos.
Nenhum método usado deve saturar o mapa até o ponto da ilegibilidade.

4.6 Seções cruzadas geotécnicas

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Seções cruzadas são um adendo necessário a todos os principais tipos de mapas


geotécnicos. O número e a direção das seções cruzadas são escolhidas, de acordo com a
geomorfologia e a estrutura geológica, para ilustrar as relações entre os componentes das
condições geotécnicas. Todas as informações apresentadas num mapa também deverão ser
mostradas na seção cruzada. O grau de detalhe deve corresponder ao detalhe mostrado no
mapa.

4.7 Mapa de documentação


Fornecem o registro das fontes de informações usadas na compilação do mapa
geotécnico. O mapa de documentação pode ser realizado na mesma escala do mapa
geotécnico associado, e se há perigo de congestionamento do mapa com símbolos, um
segundo mapa pode ser combinado em uma folha.
As informações registradas no mapa de documentação incluem por exemplo, símbolos
mostrando a posição, profundidade e tipo de sondagem individual, perfil observado ou
investigado, poços, pedreiras e outras escavações, fontes e outros.

4.8 Legenda e explicação


A explicação e legenda num mapa geotécnico fornecem um guia para símbolos, cores
e padrões usados na produção do mapa. Resumos podem ser acrescidos, por exemplo:
propriedades dos solos e rochas, condições hidrogeológicas, processos geodinâmicos e
avaliação das unidades de zoneamentos individuais.

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5. ESQUEMA DO MEMORIAL DESCRITIVO

O ideal é que mapas geotécnicos compreensivos possam ser acompanhados por um


memorial descritivo com várias informações:

Conteúdo
Introdução
Finalidade do mapa geotécnico
Localização geográfica da área mapeada
Dados topográficos
Rodovias, estradas e outras rotas de transporte
Avaliação econômica e perspectivas de desenvolvimento
Investigação preliminar
Métodos usados no levantamento geotécnico da área
Extensão das investigações
Organização do levantamento

Geografia física
Fatores climáticos que influenciam a avaliação de engenharia
Condições geológicas
Descrição fisiográfica
Hidrografia
Estrutura e desenvolvimento geológico
Pré-quaternário
Quaternário
Processos geodinâmicos presentes
Características geológicas e propriedades geotécnicas das rochas e solos
Rochas
Solos
Condições hidrogeológicas
Características individuais dos aqüíferos
Química das águas subterrâneas
Zoneamento geotécnico
Princípios aplicados ao mapa da área
Características das unidades zoneadas
Materiais de construção e outros
Conclusão
Recomendações
Apêndices
Referências
Fontes de arquivos e outros materiais
Tabelas das propriedades geotécnicas
Índice

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CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

CONCEITOS BÁSICOS DA CARTOGRAFIA GEOTÉCNICA

M E T O D O L O G I A DA EESC/USP 1

1. INTRODUÇÃO

Os mapas e cartas geotécnica podem ser utilizadas para diversos fins, em escalas desde 1:500
até 1:250.000, seja para projeto de uma obra específica ou em termos dos aspectos de
previsão de problemas e correção, no sentido de prever formas de ocupação, de planejamento
territorial e ambiental, na fiscalização ou avaliação de dados econômicos, como seguros de
propriedades e bens.

Nesse sentido é possível elaborar um elenco de documentos cartográficos que variam desde
os fundamentais básicos até os conclusivos, conforme se pode observar na tabela 1a, assim no
processo de mapeamento geotécnico as cartas derivadas são documentos gráficos elaborados
a partir do conhecimento e regristros dos componentes de meio físico (fundamentais básicos),
normalmente registrado em mapas por um conjunto de atributos, com diferentes finalidades e
destinadas aos usuários para orientar as diferentes fases dos processos de:

1- Elaboração de cartas analíticas, de prognósticos, de hierarquização para diferentes


finalidades e as conclusivas.

2- Zoneamento de eventos perigosos e de riscos associados.

3- Zoneamento geoambientais.

4- Orientação e planejamento de investigações geológico-geotécnica específica e detalhada.

5- Planejamento e avaliações ambientais.

6- Avaliação de seguros e de emprestimos bancários.

7- Desenvolvimento das fases de empréstimos bancários.

1
EESC/USP- Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo
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8- Desenvolvimento das fases de inventário, viabilidade, pré-projeto, avaliações ambientais,


monitoramento e de desativação, continuidade de obras civis e das diferentes formas de
ocupação urbanas, regionais e rurais.

9- Otimização na escolha de locais mais favoráveis ao desenvolvimento de uma forma de


ocupação específica.

10- Fiscalização e controle público das atividades de ocupação e da previsão de possíveis


problemas ambientais associados.

A qualidade de uma carta geotécnica deve ser avaliada por meio da análise dos atributos do
meio físico tratado e a finalidade a que se destina, considerando as limitações das escalas.
Esses documentos cartográficos vêm sendo utilizados desde o século passado para os mais
diversos fins em países que possuem melhores condições socio econômicas do que o Brasil,
como os EUA, Austrália e os da Europa ocidental. As principais cartas geotécnicas que
podem ser elaboradas no sentido de atender as exigências dos diferentes tipos de usuários
quanto aos itens anteriores estão consideradas nas tabelas 1a, 1b e 1c.

As cartas geotécnicas devem apresentar como princípio básico o registro, análise ou sintese
de um conjunto de atributos de uso direto para os diferentes usários considerando os aspectos
decisórios e de lógica relacionados ao tema em questão.

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Tabela 1a. Documentos da cartografia geotécnica e suas relações a avaliação global do meio
ambiente: nível, recomendações básicas e tipos de documentos.

NÍVEL RECOMENDAÇÕES BÁSICAS TIPOS DE DOCUMENTOS


I - A obtenção dos atributos e a execução dos documentos Fundamentais básicos: são os documentos
podem ser feitas por diferentes procedimentos e métodos. que registram as caracteristícas dos
componentes do meio físico, biótico e
antrópico, por meio da variação espacial dos
atributos.
II - Representar as informações em um único documento Fundamentais de síntese: são documentos
(deve ser realizada uma seleção dos atributos). elaborados no sentido de sintetizar as
- Escalas pequenas são as mais indicadas (1:100.000). informações de uma região sem, no entanto
elaborar análises para fins específicos.
III - Considerando as variações espaciais, pode-se realizar: Cartas derivadas: são documentos
cartográficos elaborados para uma condição
a. Cartas de zoneamento geotécnico geral (CZGG): há pré-definida e deve refletir sempre o
necessidade de se definir uma hierarquia de resultado de uma análise considerando as
componentes e atributos, assim como uma hierarquia características de cada divisão básica do
de influência de cada atributo. meio global em questão. Cada unidade
b. Cartas de zoneamento geotécnico específico (CZGE): definida e delimitada nesses documentos
deve-se ter como objetivo a delimitação de unidades deve refletir uma classificação quanto ao
que apresentem graus de heterogeinedade mínimas comportamento natural do meio frente a uma
aceitáveis de acordo com a escala do trabalho. determinada situação de ocupação ou uso.

IV - São cartas elaboradas a partir dos documentos da fases Cartas analíticas básicas: elaboradas a
anteriores. partir de um conjunto de informações sobre
- Devem ser considerados os tipos de “hazards”e áreas os componentes básicos de um meio
que podem ser atingidas. considerado, normalmente relacionados a
- Para a carta de vulnerabilidade devem ser considerar os avaliação da probabilidade (absoluta ou
documentos referentes aos elementos de ocupação. relativa) de ocorrência de um mais processos
naturais.
V - Cartas elaboradas a partir da análise das anteriores. Cartas de prognostícos de risco, de
problemas e limitações: são elaboradas
considerando a interação de características
dos constituintes do meio ambiente.
VI - As cartas devem ser elaboradas considerando os níveis Cartas de procedimentos: são elaboradas
de vantagens e limitações das diferentes zonas. no sentido de orientar as formas construtivas
para a ocupaçãoe o controle de riscos.
VII - Os documentos devem ser elaborados considerando os Cartas de viabilidade: são elaboradas com
aspectos do meio ambiente, fatores sócio econômicos. base em todas as informações do meio
- São recomendadas escalas menores que 1:50.000 até ambiente, devem ser considerados os
1:2.000. diferentes vetores de ocupação.
VIII Devem ser elaboradas com base nos documentos das Cartas e orientações conclusivas: são
fases anteriores e estudos das necessidades futuras quanto elaboradas para tomadas de decisão
ao vetor considerado (ocupação urbana, água, recreação, admnistrativa ou econômica.
etc...).

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Tabela 1b. Documentos da cartografia geotécnica e suas relações a avaliação global do meio
ambiente: nível, meio físico.

NÍVEL MEIO FÍSICO


I Mapa do substrato rochoso, Mapa dos materias inconsolidados, Mapa de geologia estrutural/relevo,
Mapa topográfico, Carta de declividade, Mapa dos landforms, Mapa das feições do tecnógeno,
Mapa das feições resultantes dos processos naturais (inventário)
Mapa das bacias hidrograficas, Mapa das condições hidrogeológicas, Mapa da qualidade das águas,
Mapa da profundidade do nível dágua, Mapa das áreas umídas,
Mapa climático (pluviometria, temperatura, etc...),
Mapa de documentação.

II Mapa das condições geológico-geotécnica (MCGG)


Carta de “constraint”.

III Carta de zoneamento geotécnico geral (CZGG).

Carta para fundações, Carta das condições de drenabilidade, Carta de potencial movimentos de massa,
Carta de potencial de erosão, Carta de potencial de escoamento superficial e infiltração,
Carta de classificação de bacias hidrográficas quanto a problemas ambientais,
Carta de potencial agrícola, Carta para irrigação, Carta das zonas de recargas, Carta para estradas,
Carta para disposição de resíduos, Cartas de potencial à corrosividade,
Carta para explotação das águas, Carta de potencial para estocagem subterrânea,
Carta de potencial para minerais e materiais para a construção civil.

IV Carta da probabilidade de ocorrência de eventos naturais,


Carta das áreas sujeitas à eventos perigosos (tipo x áreas),
Carta da probabilidade de ocorrência de eventos perigosos (hazard),
Carta das áreas degradadas, Carta de diagnósticos de zonas degradadas,
Carta de passivos ambientais (meio físico).

V Cata com as áreas que apresentam restrições para um tipo de ocupação específico,
Carta de vulnerabilidade das águas,
Carta de zoneamento geoambiental,
Carta de riscos específicos e totais.

VI Carta que retrata os procedimentos construtivos e os cuidados para a implantação das diversas formas
de ocupação.

VII Carta de viabilidade da implantação de obras: aeroportos, barragens/ reservatórios , captação dágua,
construções residenciais, parques industriais, aterros sanitários, estradas, hidrovias, dutovias, obras
enterradas, etc...

VIII Hierarquização das unidades considerando somente os atributos do meio físico.


Priorização das áreas para as diferentes finalidades (específicas ou global).

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Tabela 1c. Documentos da cartografia geotécnica e suas relações a avaliação global do meio
ambiente: nível, meio biótico e meio antrópico.

NÍVEL MEIO BIÓTICO MEIO ANTRÓPICO


I Mapa de fauna, Mapa de flora Mapa dos equipamentos urbanos existentes,
Mapa de especies raros/ extinção, Mapa das áreas publicas, Mapa da densidade populacional,
Mapa de especies de interesse econômico. Mapa de custo das terras/ construções,
Mapa dos diferentes tipos de ocupação:
a) tipos que podem provocar eventos perigosos,
b) ocupações comuns,
c) ocupações futuras/ planejadas.

II

III Carta de hierarquização quanto a Carta de índices sócio econômicos.


preservação.

IV Carta de passivos ambientais (meio Carta de vulnerabilidade dos elementos de ocupação frente
biótico). aos eventos perigosos e outras limitações.
Carta de vulnerabilidade do meio biótico
frente aos eventos perigosos e outras
limitações.

V Carta de riscos para o meio biótico. Carta de risco para o meio antrópico, podem ser elaboradas
para os elementos de ocupação atuais e para os que serão
implantados no futuro.

VI Cartas com os procedimentos de Cartas com os procedimentos de segurança para o meio


segurança para o meio biótico. antrópico.
Devem ser usadas escalas > 1:50.000. Devem ser usadas escalas > 1:50.000.

VII Cartas para a viabilidade da proteção Carta para a viabilidade da alteração das formas de
ambiental ou exploração de recursos ocupação.
naturais.

VIII Carta de zoneamento das condições Cartas que retratem as expectativas de custo/ beneficio e a
globais do meio ambiente e problemas necessidade de investimentos futuros.
futuros.

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2. PRINCÍPIOS BÁSICOS

Na elaboração dos documentos cartográficos é importante considerar alguns aspectos


conceituais, a saber:

- Deve-se entender a carta derivada como um documento elaborado a partir de diversas


informações (atributos) obtidas de diferentes mapas básicos. Os atributos devem ser
selecionados e ter definida a forma de sua integração para a elaboração das cartas.

- A base cartográfica a ser usada deve apresentar precisão quanto as referências


geográficas, assim como a localizações de estradas, dos canais de drenagem e das curvas
de nível. Portanto deve existir uma aferição de campo do documento a ser usado em
termos das feições naturais e dos elementos estruturais.

- Os documentos básicos a serem utilizados como fonte de informação devem apresentar


precisão quanto aos atributos de acordo com as escalas em que foram elaborados, assim
como os graus de generalização das respectivas formas de obtenção.

- Avaliação criteriosa na seleção dos atributos, que serão intregados na elaboração dos
documentos fundamentais, que darão origem as cartas derivadas, obdecendo a seguinte
seguência de atividades:

1- Relação global dos atributos que interferem em todas as fases de uma forma de ocupação.

2- Confiabilidade dos métodos utilizados para obtenção dos atributos e seu grau de incerteza.

3- Precisão exigida pela escala em que será realizada a carta derivada ou interpretativa.

4- Seleção dos mecanismos mais adequados para tratamento das informações.

5- Definição quanto a possibilidade de envolver estudos de modelagem.

- Quanto a escala, as cartas geotécnicas, são mais adequadas quando elaboradas em escalas
maiores à 1:100.000, visto que a partir dessa escala deve ser considerada a precisão maior
que 100m (1mm na carta) que é quando a delimitação do espaço físico se torna importante
para a maioria dos usuários.

- O ato de apresentar um documento simplificado ou com um número reduzido de


informações pode torna-lo ineficiente aos usuários. Portanto na elaboração das cartas

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geotécnicas devem ser consideradas o maior conjunto de atributos possível e portanto


existe um número mínimo associado a limitação de eficiência do documento para o
usuário.

A elaboração das cartas geotécnicas deve ter como princípio fundamental fornecer
informações aos usuários no sentido de que possam aproveitar as vantagens e contornar as
limitações do meio físico, com recursos tecnológicos, visando otimizar situações específicas
como:

1- Melhor aproveitamento do espaço físico por um conjunto de formas de ocupação.

2- O menor impacto ambiental negativo devido a implantação de uma forma de ocupação.

3- O maior rendimento dos investimentos ao longo do tempo.

4- 4- A adoção de medidas preventivas no sentido de diminuir a probabilidade de ocorrer


eventos naturais ou induzidos que provoquem situações de risco.

5- A obtenção de custos mais adequados nos procedimentos de investigação detalhada para


obras civis.

6- A melhor escolha dos recursos tecnológicos para a implantação da ocupação e


consequentemente a otimização de custos.

7- A previsão de possíveis problemas construtivos.

8- A melhor hierarquização dos diferentes tipos de ocupação em uma região.

9- O controle mais eficiente das atividades produtivas ou de ocupação.

10- Evitar a repetição de intervenções técnicas com o mesmo objetivo.

11- Evitar a necessidade de intervenções futuras no sentido de corrigir problemas oriundos


por não serem respeitadas as limitações do meio físico.

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3. ATRIBUTOS

3.1. Definições

- ZUQUETTE (1987) : são as qualidades pertinentes aos componentes do meio físico e que
são utilizados para caracterizá-los.

- I.A.E.G. (1976): qualidade ou propriedade inerente de alguma coisa.

- FERREIRA (1975): característica, qualitativa ou quantitativa, que identifica um membro


de um conjunto observado.

3.2. Considerações gerais

Para obtenção dos atributos deve-se proceder a uama análise da forma e validade das
observações.

- Observações Qualitativas: são obtidas em superfície e/ou em subsuperfície (poços,


galerias ou similares). Podem ser semânticas e pragmáticas.

- Observações Quantitativas: obtidas por análise de campo, sondagens e ensaios sobre


amostras deformadas e indeformadas (prevalece o uso das deformadas). Tais informações
são numéricas e gráficas.

- Amostragem: considerando-se os limites da Tabela 2.

- Areas Chaves: representam melhor e de maneira mais completa as variações (vertical e


horizontal) da área maior.

- Extrapolação - valores ou informações devem ser creditadas a uma área e não a situações
pontuais, observando-se: compatibilidade das características obtidas quantitativamente; as
deficiências existentes; validade dos índices básicos; grau de similaridade; apresentação
de ressalvas quanto a origem geológica e condições climáticas; e a experiência do
profissional.

- Interpolação - deve-se verificar as seguintes limitações: distância, homogeneidade;


tipificação e seleção de atributos; objetividade; escala.

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Tabela 2. Número mínimo de observações.

FINALIDADE ESCALA LOCAIS OBSERVADOS

QUALITATIVAMENTE QUANTITATIVAMENTE

Cristalino Sedimentar

1:250.000 1/ 10 km2 1/ 10 km2 1/ 10 km2


BÁSICO

1:100.000 4/ 10 km2 3 /10 km2 2/ 10 km2

REGIONAL 1:50.000 6/ 5 km2 1/ km2 3/ 10 km2

1:25.000 3/ km2 2/ km2 1/ 10 km2

1:25.000 5/ km2 4/ km2 4/ 10 km2

DETALHE 1:10.000 15/ km2 15/ km2 10 / km2

3.3 Tipos de atributos

Para a elaboração da cartografia geotécnica, seja no sentido de resolver problemas


específicos ou de previsão de condições/ problemas, exige que sejam considerados os
atributos que interferem no caso em análise e as possíveis relações com o meios bióticos e
antrópico. Portanto é fundamental desenvolver cada documento cartográfico tendo a devida
conciência de quais serão os possíveis usuários e suas necessidades.

Para selecionar os atributos que deverão ser considerados no trabalho deve-se procurar
entender todas as relações existentes entre o enfoque principal e o meio ambiente.

No sentido de fornecer uma indicação dos atributos normalmente utilizados em cartrografia


geotécnica preparou-se uma listagem com os atributos segundo o componente do meio
ambiente a ele associado.

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3.3.1. Condições hidrogeológicas superficial

- Escoamento superficial;
- Infiltração (infiltração potencial);
- Áreas de acúmulo de águas (temporária ou permanente);
- Características físico-químicas (pH, Ce, turbidez, luminosidade);
- Ordenação das bacias hidrográficas (segundo Straler);
- Densidade de Canais;
- Tempo de concentração;
- Canais de drenagem com fluxo permanente.

3.3.2. Condições hidrogeológicas sub-superficial

- Presença de lentes salgadas;


- Aquíferos (livres, confinados);
- Áreas de recargas;
- Áreas de descargas;
- Movimento da água subterrânea (direção e velocidade);
- Profundidade/ espessura/ capacidade do aquífero;
- Fontes naturais;
- Poços (profundos e rasos) existentes;
- Escoamento básico;
- Características físico-químicas (pH, Ce);

3.3.3. Condições geomorfológicas

- Amplitude de relevo;
- Declividade;
- Direção e sentido da maior inclinação (aspecto);
- Landforms;
- Formas das encontas ou dos landforms (vertical e longitudinal);
- Dimensões das encostas ou dos landforms.

3.3.4. Processos geodinâmicos

- Deposição (indicios de assoreamento);


- Erosivos (concentrados, laminares);
- Movimento de massa (escorregamento, crep, queda de blocos, etc...);
- Subsidências (áreas de calcários, solos colapsivos, etc...);
- Alterações naturais nos canais de drenagem;
- Sismicidade (intensidade).

3.3.5. Substrato rochoso

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- Gênese/ idade;
- Tipo rochoso/ Grupo litológico;
- Litologia;
- Mineralogia;
- Densidade aparente/ porosidade aparente;
- Profundidades/ espessuras;
- Distribuição (em área e emprofundidade);
- Estruturas (descontinuidades);
- Grau de Fraturamento;
- Atitudes (direção e mergulho das camadas/ planos de fraqueza)
- Grau de intemperismo;
- Alterabilidade (potencial);
- Condutividade hidráulica;
- Resitência mecânica.

3.3.6. Materiais inconsolidados (solos)

- Origem (residual, retrabalhado);


- Profundidade;
- Variação em profundidade (perfil de alteração ou dos materiais inconsolidados);
- Distribuição (em área);
- Presença de matacões;
- Presença de camadas compressíveis;
- Presença de camadas endurecidas (lateritas, duricretes, calcicretes);
- Textura;
- Características químicas (pH-H2O e KCl, CTC, salinidade, alcalinidade, etc...);
- Características físicas (pesos espesíficos: dos grãos, aparente de campo e máxima; etc...);
- Equivalente de areia;
- Mineralogia básica;
- Indice de erodibilidade;
- Expansibilidade (potencial);
- Colapsividade (potencial);
- Dispersividade;
- Umidade característica;
- Disponibilidade hídrica (capacidade de campo e ponto de murcha);
- Condutividade hidráulica;
- Fertilidade;
- Compacidade;
- Resistência mecânica;
- Capacidade de suporte.

3.3.7. Feições do tecnógeno

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- Áreas de aterros e entulhos;


- Áreas utilizadas para explotação de materiais para a construção civil;
- Áreas de explotação mineral;
- Depósitos relacionados a exploração mineral;
- Antigos depositos de rejeitos e resíduos;
- Áreas degradas;
- Depositos devido as alterações antrópicas junto aos canais de drenagem;
- Processos geodinâmicos induzidos;
- Práticas conservacionistas (terraceamento, leirrões em nível, etc...);
- Canais de irrigação/ drenagem;
- Áreas de irrigação;
- Obras que interferem no fluxo das águas superciciais ou sub-superficiais.

3.3.8. Climáticos

- Pluviosidade (distribuição e intensidade);


- Temperatura;
- Umidade relativa;
- Direção e velocidade dos ventos;
- Insolação;
- Evapotranspiração;

3.3.9. Bilológicos

- Tipos de animais (terrestres, aquáticos e aéreos);


- Tipos vegetais (terrestres e aquáticos);
- Distribuição e associações de vegetais e animais;
- Profundidade de raizes;
- Capacidade de retenção dágua pela vegetação;
- Influência da vegetação e animais nos processos geodinâmicos;
- Avaliação e dinâmica dos ecosistemas;
- Valor econômico ou preservacionista;
- Áreas de proteção ambiental.

3.3.10. Antrópicos

- População (densidade, distribuição de renda, etc...);


- Infra estrutura (escolas, postos de saude, hospitais, policia, etc...);
- Sistema viário (ruas, estradas, ferrovias, metro, aeroportos, etc...);
- Uso do solo (áreas residenciais, industriais, agrícolas, etc...) ;
- Valor das terras e edificações;
- Tendência (vetor) de crescimento.

4. CARTAS DERIVADAS

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4.1. Mecanismos de elaboração de cartas derivadas

Essas cartas podem ser elaboradas por diferentes mecanismos utilizando recursos manuais
(gráficos, mesas de luz, etc...) e/ou automatizados (SIGs, CADs, etc...). Deve-se resaltar que
os documentos básicos devem ser elaborados por meio da avaliação de atributos dos
componentes do meio ambiente (meio físico, meio biótico e meio antrópico) considerando
uma amostragem representativa, ensaios laboratorias adequados e uma metodologia segura
para controlar as interpolações e extrapolações.

É fundamental que os mecanismos utilizados possibilitem a elaboração de cartas derivadas e


que registrem informações e suas variações de tal forma que os usuários possam avaliar os
seguintes pontos quanto ao comportamento do meio físico de cada região:

- A natureza probabilística dos eventos naturais.

- Grau de significância das informações geológico-geotécnicas contidas nos documentos


gráficos.

- As variações possíveis de ocorrer no tempo e espaço.

- Objetivos múltiplos do vetor em análise.

- Separar fatos e valores, principalmente, quando são analisados os processos naturais.

- Custo, tempo e rendimento em relação à ocupação em análise.

- Validade das análises.

- Seleção lógica dos atributos que devem ser considerados para um determinado fim ou na
análise de um problema em desenvolviemento.

- Avaliação do grau de generalização tipológica e cartográfica para cada atributo ou para o


documento cartográfico.

4.2. PRINCIPAIS CARTAS DERIVADAS

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A listagem que se segue não pretende ser conclusiva e sim umas exemplificações das
principais e mais comuns cartas derivadas utilizadas na metodologia da EESC/USP bem como
dos atributos usados para a sua confecção.

4.2.1. Carta de fundações

ESCOPO:
- Objetivo: orientar investigação local, para projeto de fundações;
- Tipos de fundações: superficiais e profundas;
- Diminuir: custos, tempo e número de situações à estudar;
- Capacidade de carga/recalque: f(forma,dimensões e profundidade);
- Fornecer valores de capacidade de carga pode induzir à erros;
- Informações pontuais, análise por área;
- Dados quantitativos devem ter fontes citadas e/ou justificadas;
- Análise deve ser dividida por níveis de profundidade: 2,5,10 e 15m;
- Para cada nível: seleção de tipo de fundação;
- Para 1o nível, fundações superficiais, para os demais profundas.

ATRIBUTOS:
a) Material Inconsolidado ao longo do perfil.
Considerar: textura, espessura, compacidade, capacidade de carga, camadas compresíveis/
colapsíveis, camadas endurecidas, presença de matacões.

b) Substrato Rochoso.
Considerar: tipo rochoso, profundidade, litologia, resintência, estruturas, alterabilidade.

c) Condições hidrogeológicas.
Considerar: profundidade do nível dágua, áreas de acumulo dágua.

4.2.2. Carta de escavabilidade

ESCOPO:
- Objetivo: Apresentar as condições de escavabilidade dos terrenos, seja para obras
enterradas ou para outras finalidades;
- Materiais devem ser considerados em classes segundo:
.facilidade de serem escavados,
.condições de escavação,
.equipamento exigido.

ATRIBUTOS:
a) Material Inconsolidado.

ENC/FT/UNB
Cartografia Geotécnica 36

Considerar: origem, profundidade, variação com a profundidade, presença de matacões,


camadas compressíveis ou endurecidas, textura, características físicas, compacidade,
resistência mecânica.

b) Substrato Rochoso.
Considerar: tipo rochoso, profundidade, litologia, resistência, estruturas, fraturamento,
alterabilidade.

c) Condições hidrogeológicas.
Considerar: profundidade do nível dágua, áreas de acumulo dágua, escoamento superficial,.

d) Condições geomorfológicas.
Considerar: declividade, formas das encostas.

e) Antrópicos
Considerar: Sistema viário (condições de acesso), valor das terras, tendência de crescimento.

4.2.3. Carta para estabilidade de taludes

ESCOPO:
- Objetivo: Retratar condições de estabilidade de taludes naturais, fornecer potencial de
estabilidade e prever problemas de movimentos dos materiais rochosos ou inconsolidados.

ATRIBUTOS:
a) Condições geomorfológicas.
Considerar: declividade, formas e dimensões das encostas/ landforms, amplitude de relevo.

b) Material Inconsolidado.
Considerar: origem, profundidade, variação com a profundidade, resistência mecânica,
textura, características físicas, condutividade hidráulica, umidade característica, presença de
matacões, camadas compressíveis ou endurecidas, compacidade, expansibilidade.

c) Substrato Rochoso.
Considerar: tipo rochoso, profundidade, estruturas, grau de fraturamento, atitudes, litologia,
resistência, alterabilidade.

d) Condições Hidrogeológicas.
Considerar: profundidade do nível dágua, áreas de recarga, descarga e acúmulo de águas,
infiltração, movimento da água subterrânea, fontes naturais.

e) Processos geodinâmicos.
Considerar: movimentos de massa, subsidências, sismicidade.

f) Feições do tecnógeno.

ENC/FT/UNB
Cartografia Geotécnica 37

Considerar: áreas de aterros e entulhos, depósitos relacionados a explotação mineral, antigos


depósitos de rejeitos e resíduos, processos geodinâmicos induzidos, práticas
conservacionistas, obras que interferem no fluxo das águas.

g) Climáticos.
Considerar: pluviosidade (intensidade e acumulada), temperatura, vento, insolação e
evapotranspiração.

h) Biológicos.
Considerar: Profundidade das raizes, capacidade de retenção dágua pela vegetação, influência
da vegetação e animais nos processos geodinâmicos.

i) Antrópicos.
Considerar: uso do solo (alteração/ concentração de fluxos dágua superficial e sub-superficial,
impermeabilizações, carga).

4.2.4 Carta para irrigação

ESCOPO:
- Objetivo: delimitar adequabilidade dos terrenos segundo a morfometria, materiais do meio
físico, quantidade e qualidade dágua;
- Deve indicar áreas potencialmente irrigáveis;
- Métodos de irrigação diferentes tem exigências diferentes de classes de atributos.

ATRIBUTOS:
a) Condições geomorfológicas.
Considerar: declividade, formas e dimensões das encostas/ landforms, amplitude de relevo.

b) Material Inconsolidado.
Considerar: origem, profundidade, variação com a profundidade, fertilidade, textura,
características físicas e químicas, condutividade hidráulica, erodibilidade, umidade
característica, disponibilidade hídrica, presença de matacões, camadas compressíveis ou
endurecidas, colapsividade..

c) Substrato Rochoso.
Considerar: profundidade, alterabilidade.

d) Condições Hidrogeológicas.
Considerar: profundidade do nível dágua, salinidade, áreas de acúmulo de águas, infiltração,
movimento da água subterrânea, fontes naturais.

e) Processos geodinâmicos.
Considerar: movimentos de massa, subsidências.

f) Feições do tecnógeno

ENC/FT/UNB
Cartografia Geotécnica 38

Considerar: antigos depósitos de rejeitos e resíduos, práticas conservacionistas, obras que


interferem no fluxo das águas.

g) Climáticos
Considerar: pluviosidade (intensidade e acumulada), temperatura, vento, insolação e
evapotranspiração.

h) Biológicos
Considerar: Distribuição e associações de vegetais e animais, avaliação e dinâmica dos
ecosistemas, valor economico ou preservacionista..

i) Antrópicos
Considerar: uso do solo (alteração/ concentração de fluxos dágua superficial e sub-superficial,
impermeabilizações), valor das terras, sistema viário.

4.2.5. Carta para a disposição de resíduos

ESCOPO:
- Objetivo: orientar os usuários sobre as variações do meio-físico e sua interferência (direta
ou indireta) na deposição de rejeitos;
- Limitada para rejeitos perigosos e radiativos;
- A contaminação do solo e dágua ocorre basicamente a partir dos pontos de deposição;
- A diluição varia com a distância à fonte de contaminação, tempo de liberação e com a
velocidade e direção do fluxo.

ATRIBUTOS:
a) Condições geomorfológicas.
Considerar: declividade, formas e dimensões das encostas/ landforms, amplitude de relevo.

b) Material Inconsolidado.
Considerar: origem, profundidade, variação com a profundidade, resistência mecânica,
textura, características físicas e químicas, mineraligia, condutividade hidráulica,
erodibilidade, umidade característica, presença de matacões, camadas compressíveis ou
endurecidas, compacidade, expansibilidade.

c) Substrato Rochoso.
Considerar: tipo rochoso, profundidade, grau de fraturamento, atitudes, litologia, resistência,
alterabilidade.

d) Condições Hidrogeológicas.
Considerar: profundidade do nível dágua, áreas de recarga, descarga e acúmulo de águas,
infiltração, escoamento superficial, movimento da água subterrânea, fontes naturais, poços
rasos e profundos.

e) Processos geodinâmicos.

ENC/FT/UNB
Cartografia Geotécnica 39

Considerar: movimentos de massa, subsidências, deposição, erosão, subsidiências, alterações


naturais nos canais de drenagem, sismicidade.

f) Feições do tecnógeno.
Considerar: áreas de aterros e entulhos, depósitos relacionados a explotação mineral, antigos
depósitos de rejeitos e resíduos, áreas degradadas, processos geodinâmicos induzidos, obras
que interferem no fluxo das águas.

g) Climáticos.
Considerar: pluviosidade, temperatura, vento (direção e intensidade), insolação e
evapotranspiração.

h) Biológicos.
Considerar: valor econômico ou preservacionista, áreas de proteção ambiental, avaliação e
dinâmica dos ecosistemas.

i) Antrópicos.
Considerar: uso do solo, valor das terras, tendência de crecimento, sistema viário, população.

4.2.6. Carta de materiais de construção

ESCOPO:
- Objetivo: delimitar ocorrência de materiais inconsolidados e rochosos da região que
apresentam boas possibilidades de explotação;
- Definir/ indicar os locais mais favoráveis para a explotação;
- Deve conter dados das condições de uso de material para transformação e para agregados;
- Características dos materiais f(mineralogia, estruturas, descontinuidades e grau de
alteração)

ATRIBUTOS:
a) Condições geomorfológicas.
Considerar: declividade, formas e dimensões das encostas/ landforms, amplitude de relevo.

b) Material Inconsolidado.
Considerar: origem, profundidade, variação com a profundidade, resistência mecânica,
textura, características físicas e químicas, mineralogia, umidade característica,
expansibilidade.

c) Substrato Rochoso.
Considerar: tipo rochoso, profundidade, espessura, distribuição, estruturas, grau de
fraturamento, atitudes, litologia, resistência, densidade, porosidade, alterabilidade.

d) Condições Hidrogeológicas.

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Cartografia Geotécnica 40

Considerar: profundidade do nível dágua, áreas de recarga, movimento da água subterrânea,


fontes naturais.

e) Processos geodinâmicos.
Considerar: movimentos de massa, subsidências, sismicidade.

f) Feições do tecnógeno.
Considerar: áreas de entulhos, depósitos relacionados a explotação mineral, antigos depósitos
de rejeitos e resíduos, processos geodinâmicos induzidos.

g) Biológicos.
Considerar: valor econômico ou preservacionista, áreas de proteção ambiental

h) Antrópicos.
Considerar: uso do solo, valor das terras, sistema viário, tendência de crescimento.

5. BIBLIOGRAFIA

DEARMAN, W.R. (1991) Engineering geological mapping. Butterworth Heinemann Ltd.


Oxford/ England.
FERREIRA, A. B. de H. (1975) - Novo Dicionário da Lingua Portuguesa, Ed. Nova
Fronteira, 1a ed., 6a Reimpressão, 1499 p., Rio de Janeiro.
UNESCO/IAEG (1976) - Engineering Geological Maps. A guide to their Preparation, The
UNESCO Press, 79 p., Paris.
ZUQUETTE, L. V. (1987) Análise Crítica da Cartografia Geotecnica e Proposta
Metodológica para Condições Brasileiras. EESC-USP, (Tese de Doutorado). São
Carlos/SP. 3 Vol.
ZUQUETTE, L. V. (1993) Importância do mapeamento geotécnico no uso e ocupação do
meio físico: fundamentos e guia para elaboração. EESC/USP (tese de livre docência).
São Carlos-SP. 2 Vol.

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