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UC: ANATOMIA E TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DE MMSS.

Prof. Sidnei Lima.

CONCEITO DE ANATOMIA

No seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro e


microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados. Um excelente
e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela American Association of
Anatomists:
Anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as
modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais. Tem como
metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos
vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos
mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. A amplitude da anatomia
compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças a longo prazo da estrutura,
no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediária em
desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadas
com fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estrutura
estudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seus
órgãos até as organelas celulares e macromoléculas.
A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome = corte).
Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é equivalente
etimologicamente a anatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência, enquanto dissecar
é um dos métodos desta ciência. Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os
primórdios da civilização humana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela
manipulação dos corpos, expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias
inovadoras. Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomia
macroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento.
A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu,
utilizando ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, inclusive os exames de
imagem como radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom e
outros.
Anatomia Microscópica é aquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a
olho nu e requer o uso de instrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e
eletrônicos. Este grupo é dividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos
tecidos e de como estes se organizam para a formação de órgãos).
Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do
ovo fertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do
desenvolvimento até o nascimento, a complexidade destes grupos torna necessária a
existência de estudos específicos.

NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA

Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é


encontrado na maioria dos casos.
Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízo da função. Assim, a
artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital (região do cotovelo). Este é o
padrão. Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não

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existe perda funcional esta é uma variação.
Anomalia: Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma
variação.
Monstruosidade: Se a anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a
construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida.

MÉTODOS DE ESTUDO
1. Inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos
(ectoscopia) ou internos (endoscopia);
2. Palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões
musculares e as saliências ósseas, dentre outras coisas;
3. Percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir
sons audíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases, líquidos
ou sólidos);
4. Ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão,
intestino);
5. Mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias;
6. Dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhor
visualização;
7. Métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ultrasom/ecografia, ressonância
magnética e tomografia computadorizada.

VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS

Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que


devem ser descritas:
1. Idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a
bolsa escrotal e nela se localizando durante a vida adulta;
2. Sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região
tricipital, enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal;
3. Raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra
lombar, enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a
terceira vértebra lombar;
4. Tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas.
Os principais tipos são:
4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos.
Nessas pessoas o estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais
verticalmente;
4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as
vísceras costumam estar dispostas mais horizontalmente;
4.c- Mediolíneo: características intermediárias.
A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de
abordagem semiológica (modo de examinar), avaliação das variações da normalidade e até
mesmo maior incidência de doenças, como por exemplo a hipertensão, que é sabidamente
mais comum em brevilíneos.

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TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA

Inferior ou caudal: mais próximo dos pés; Superior ou cranial: mais próximo da
cabeça;
Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;
Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;
Proximal: mais próximo do ponto de origem;
Distal: mais afastado do ponto de origem;
Medial: mais próximo do plano sagital mediano;
Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;
Superficial: mais próximo da pele;
Profundo: mais afastado da pele;
Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;
Contra-lateral: do lado oposto do corpo;
Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado
no abdômen;
Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita
do baço e a esquerda do fígado;
Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira,
quarta e quinta costelas;
Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo
adiante e abaixo do átrio esquerdo.

SISTEMA ESQUELÉTICO

Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e fornece


pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-se de peças ósseas (ao todo 208
ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas, que formam um sistema de alavancas
movimentadas pelos músculos. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes:

1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana, coluna vertebral caixa torácica.
2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular, formada pelas escápulas e
clavículas; cintura pélvica, formada pelos ossos ilíacos (da bacia) e o esqueleto dos membros
(superiores e inferiores).

1-Esqueleto axial

1.1-Caixa craniana
Possui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital, esfenóide, nasal,
lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilar superior e mandíbula (maxilar
inferior).

Observações: 1- no osso esfenóide existe uma depressão denominada de sela turca ou


Turcica onde se encontra uma das menores e mais importantes glândulas do corpo humano - a
hipófise, no centro geométrico do crânio.
2 - Fontanela ou moleira é o nome dado à região alta e mediana, da cabeça da
criança, que facilita a passagem da mesma no canal do parto; após o nascimento, será
substituída por osso.

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1.2-Coluna vertebral

É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que se sobrepõem
constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é dividida em regiões típicas
que são: coluna cervical (região do pescoço), coluna torácica, coluna lombar, coluna sacral,
coluna cocciciana (coccix).

1.3-Caixa torácica

É formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas, que são em
número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (se inserem diretamente no
esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao esterno), e 2 flutuantes (com extremidades
anteriores livres, não se fixando ao esterno).

2- Esqueleto apendicular

2-1- Membros e cinturas articulares

Cada membro superior é composto de braço, antebraço, pulso e mão. O osso do braço
– úmero – articula-se no cotovelo com os ossos do antebraço: rádio e ulna. O pulso constitui-
se de ossos pequenos e maciços, os carpos. A palma da mão é formada pelos metacarpos e os
dedos, pelas falanges. Cada membro inferior compõe-se de coxa, perna, tornozelo e pé. O
osso da coxa é o fêmur, o mais longo do corpo. No joelho, ele se articula com os dois ossos da
perna: a tíbia e a fíbula. A região frontal do joelho está protegida por um pequeno osso
circular: a rótula. Ossos pequenos e maciços, chamados tarsos, formam o tornozelo. A planta
do pé é constituída pelos metatarsos e os dedos dos pés (artelhos), pelas falanges. Os
membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o nome de cintura ou de
cinta.
Cintura Escapular ou cintura superior ou cintura torácica (formada pela clavícula e
pela escápula ou omoplata); sustenta o úmero e com ele todo o braço.
Cintura Pélvica ou inferior, popularmente conhecida como bacia (constituída pelo
sacro - osso volumoso resultante da fusão de cinco vértebras, por um par de ossos ilíacos e
pelo cóccix, formado por quatro a seis vértebras rudimentares fundidas); sustenta ao fêmur e a
toda a perna.

BIBLIOGRAFIA: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2 São Paulo, Ed. Moderna

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