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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO METROPOLITANO DE ANGOLA

DTEC

LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E IMPACTOS AMBIENTAIS

AFONSO DOS SANTOS


MAURO DOMINGOS
SOSLAIA SONHI
TXAUANA SAMUANGALA

TECNOLOGIA PARA TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS


DE CONSTRUÇÕES E DEMOLIÇÕES

LUANDA 2021
ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 3
2 RESÍDUOS SÓLIDOS ....................................................................................................... 4
2.1 Definição e Classificação dos Resíduos Sólidos ...................................................... 4
2.2 Impacto dos Resíduos Sólidos no Ambiente ........................................................... 5
2.3 Métodos Para Tratamento de Resíduos Sólidos ...................................................... 6
2.3.1 Redução e Reutilização de resíduos ................................................................. 7
2.3.2 Reciclagem ....................................................................................................... 7
2.3.3 Compostagem .................................................................................................. 8
2.3.4 Inceneração ...................................................................................................... 8
2.3.5 Aterros sanitários energéticos e de rejeitos.................................................... 9
2.3.6 Programas de educação ambiental ................................................................ 11
2.3.7 Programas de participação comunitária........................................................ 11
3 RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO ............................................................. 12
3.1 Definição e Classificação de RCD .......................................................................... 12
3.2 Metodologias e Práticas a Adoptar ........................................................................ 13
3.3 Processamento e Tratamento de Resíduos ........................................................... 14
3.3.1 Variedade de opções de processamento e tratamento ................................. 14
3.3.2 Preparação para a reutilização ....................................................................... 15
3.3.3 Reciclagem ..................................................................................................... 15
4 CONCLUSÃO ................................................................................................................. 17
5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA...................................................................................... 18

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1 INTRODUÇÃO

A crescente urbanização e industrialização das sociedades modernas tem originado


uma produção exponencial de resíduos sólidos, problema que urge encarar com
frontalidade no sentido de se encontrarem as melhores soluções técnicas para o
minimizar.

No passado, o problema dos resíduos era uma questão de menor importância, não
só pela pequena produção basicamente orgânica, cujos desperdícios eram
reciclados localmente, ao nível doméstico.

A situação actual é caracterizada pela crescente produção de resíduos sólidos,


salientando-se a grande diminuição do seu peso específico originando um evidente
aumento do volume a tratar. Na última década houve uma duplicação da produção
de resíduos por habitante, em termos de peso, e quase o quádruplo em termos de
volume.

Os problemas causados pelos resíduos sólidos são tão velhos quanto a humanidade,
apesar de nos primórdios não haver grandes problemas a resolver porque o homem
era nómada, havia muito espaço e o número escasso.

Entretanto começaram a sedentarizar-se, formando as tribos, vilas e cidades e é


precisamente esta característica já milenar gregária do homem, que traz consigo
problemas de ordem ambiental, pois não havendo conhecimentos e, por
conseguinte, hábitos de higiene, os rios e lagos são poluídos com esgotos e
resíduos.

A Gestão de resíduos sólidos pode ser definida como uma disciplina associada ao
controlo, produção, armazenamento, recolha, transferência e transporte,
processamento, tratamento e destino final dos resíduos sólidos, de acordo com os
melhores princípios de preservação da saúde pública, economia, engenharia,
conservação dos recursos, estética e outros princípios ambientais.

Modernamente entende-se que a gestão dos resíduos sólidos passa por diversos
pilares estruturantes que constituem uma política integrada, de que se destacam:
adopção de sistemas integrados, baseada na redução na fonte, na reutilização de
resíduos, na reciclagem, na transformação dos resíduos (que inclui a incineração
energética e a compostagem) e a deposição em aterros (energéticos e de rejeitos).

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2 RESÍDUOS SÓLIDOS

Os termos ´´resíduos sólidos´´ e ´´lixo´´, são muitas vezes utilizados com significado
diferente. Contudo, na linguagem quotidiana o termo ´´resíduos sólidos´´ é pouco
utilizado ao contrário do termo ´´lixo´´ que é usado para designar ´´sobras´´ (restos).

Em Angola, foi publicado em decreto presidencial nº 190/12, de 24 de Agosto, a


aprovação do regulamento sobre a gestão de resíduos em conformidade com o
disposto no nº 1 do artigo 11; da Lei nº 5/98 de 19 de junho (Lei de Base do
Ambiente de Angola).

Este regulamento estabelece as regras gerais relativamente à produção de resíduos


depositados no solo, subsolo, tratamento, recolha, armazenamento e transporte de
quaisquer resíduos com exceção dos de natureza radioativa ou sujeitos a
regulamentação específica, por forma a prevenir ou diminuir impactos negativos
sobre a saúde das pessoas e no ambiente.

2.1 Definição e Classificação dos Resíduos Sólidos

A referida Lei de Base do Ambiente de Angola define que os resíduos sólidos


urbanos ´´correspondem a todo material proveniente das atividades diárias do
homem em sociedade, através dos quais há necessidade de se criar sistemas que
previnem situações que danificam o meio ambiente e que coloquem em risco a
saúde das pessoas e prejudiquem o ambiente

A classificação dos resíduos não é feita de igual forma em todos os países, o que
dificulta a realização de correlações entre diversos e diferentes universos.

A classificação dos resíduos sólidos é feita com base nas propriedades físicas,
químicas ou biológicas. Em Angola, segundo o referido Decreto Presidencial nº
190/12 de acordo com o seu artigo 4º, os RSU são classificados em:

▪ Perigosos - aqueles que apresentam perigosidade com as características


seguintes: propriedade inflamável, corrosividade, reatividade e toxicidade. E,
em função das suas propriedades físicas químicas ou biológica, podem
apresentar risco para saúde e o meio ambiente.
▪ Não perigosos - os que não apresentam as características descritas
anteriormente e que se subdividem em categorias tais como:

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▪ Resíduos sólidos domésticos ou semelhantes originados nas habitações ou
idênticos;
▪ Resíduos Sólidos comerciais - originados em estabelecimentos comerciais,
escritórios, restaurantes e outros idênticos cujo volume diário não exceda
1.100 litros, sendo estes depositados em recipientes;
▪ Resíduos domésticos volumosos - os originários das habitações, cuja
remoção não se torna possível pelos meios normais atendendo ao volume,
forma ou tamanho que apresentam ou cuja deposição nos contentores
existentes seja considerada prejudicial para a comuna ou município;
▪ Resíduos sectoriais - os produzidos em qualquer atividade agrícola,
industrial, comercial ou de prestação de serviços, cujo volume diário exceda
1.100 litros e que não podem ser depositados ou tratados como resíduos
sólidos urbanos;
▪ Resíduos especiais - os resíduos com características especificas,
designadamente embalagens, resíduos de equipamento elétrico e
eletrónicos, veículos em fim de vida, veículos da construção e demolição,
pilhas, pneus, óleos, minerais e outros que, por sua vez, podem ser objeto
de recolha e tratamento específico;
▪ Resíduos de jardins - originados nos trabalhos de conservação de jardins
particulares tais como aparas, ramos, troncos ou folhas;
▪ Resíduos Sólidos resultantes da limpeza pública de jardins, parques, vias,
linhas de água, cemitérios e outros espaços públicos;
▪ Resíduos Sólidos industriais - originários de atividades acessórias e
comparadas a resíduos sólidos urbanos com características idênticas à dos
resíduos sólidos domésticos e comerciais sobretudo os originários de
refeitórios, cantinas, escritórios e as embalagens não contaminadas;
Resíduos sólidos hospitalares - não infetados, comparados aos domésticos;
▪ Resíduos originários da defecação de animais nas ruas.
Fazem parte dos resíduos sólidos não perigosos o papel, plástico, vidro, metal,
entulho, sucata, e outros tipos de resíduos que não apresentam características de
perigosidade estabelecidas no regulamento.

2.2 Impacto dos Resíduos Sólidos no Ambiente

Em termos teóricos os resíduos por si só não se movem, isto faz com que sejam
vistos onde foram depositados e o seu grau de impacte varia muito de acordo com
o tipo de resíduo depositado.

A água poluída ou mesmo o ar contaminado têm capacidade de renovação e


restabelecimento ambiental devido às suas propriedades físicas e químicas.

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Os R.S.U têm componentes orgânicas e inorgânicas e, quando não são inertes
sofrem ao longo do tempo processos de natureza bioquímica, física e
microbiológica.

A composição física, principalmente a matéria orgânica de origem biológica, como


os resíduos alimentares, contêm nutrientes e desenvolvem microrganismos à
temperatura ambiente quando em contato com ar, água e solo.

Alguns podem ser patogénicos responsáveis pela decomposição da matéria


orgânica e fundamentais para a manutenção do ciclo de vida. A produção de odores
e lixiviados são os resultados mais evidentes destes fenómenos (Veiga, 2012).

A inadequada deposição dos RSU favorece, em consequência os riscos para a saúde


humana.

Alguns estudos têm indicado que áreas próximas a aterros ou lixeiras apresentam
níveis elevados de compostos orgânicos e metais pesados, e que populações
residentes nas proximidades desses locais apresentam níveis elevados desses
compostos no sangue.

Assim, constituem potenciais fontes de exposição para as populações, potenciando


o aumento de diversos tipos de câncer, anomalias congénitas, baixo peso ao nascer,
abortos e mortes neonatais em populações frequentadoras ou vizinhas desses
locais.

Em Angola os resíduos são depositados em lixeiras e queimados produzindo


quantidades variadas de substâncias tóxicas, como gases, partículas de metais
pesados, compostos orgânicos, dioxinas e furanos emitidos na atmosfera (CEIC-
UCA, 2012).

2.3 Métodos Para Tratamento de Resíduos Sólidos

Os modernos conceitos de gestão de resíduos sólidos, em muitos países, incluindo


Angola, deverão seguir uma estratégia cujos princípios são os da adopção de
sistemas integrados, como:

▪ Redução e Reutilização de resíduos;


▪ Reciclagem;
▪ Compostagem;
▪ Incineração energética;
▪ Aterro energético
▪ Aterro de rejeitos.
▪ Programas de Educação Ambiental
▪ Programas de Participação Comunitária

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2.3.1 Redução e Reutilização de resíduos

A minimização da produção de resíduos é uma tarefa gigantesca que pressupõe a


consciencialização dos agentes políticos e económicos e das populações em geral
para que todos se sintam responsáveis pela implementação de medidas tendentes
à redução dos resíduos.

Ao nível da Administração Central é indispensável que se tomem as medidas


legislativas necessárias a este objectivo, complementadas com incentivos fiscais
para que as empresas se sintam encorajadas a mudar de atitude face a este
problema.

Na indústria, onde se gera uma produção de resíduos equiparáveis a urbanos que


desaguam, quase sempre, nos sistemas municipais, a minimização pode ser
conseguida através de alterações tecnológicas e de formação do pessoal da
produção e da manutenção, redução que poderá ser conseguida com um programa
de minimização da produção de resíduos sólidos, baseados em dois aspectos estr

2.3.2 Reciclagem
Deve ser fomentada e incentivada ao mais alto nível, pois muitos dos produtos
residuais da actividade de certas indústrias, estabelecimentos comerciais e das
residências, podem ser reutilizadas, recuperados ou usados como matéria-prima
para outras indústrias.

Pode listar-se uma série de vantagens decorrentes da reciclagem:

▪ Minimização de resíduos para deposição final


▪ Aumento da flexibilidade dos aterros sanitários; • melhoramento das
condições de saúde;
▪ Redução dos impactos ambientais; • Economia de energia e de recursos
naturais.
▪ O melhoramento do mercado da reciclagem ou o seu aparecimento como
forma económica auto sustentada depende também de medidas
governamentais, especialmente na fase de arranque, de que se salientam:
▪ Incentivos fiscais às indústrias que utilizam material reciclado numa
percentagem mínima a fixar para cada indústria;
▪ Incentivos para a recolha selectiva;
▪ Incentivos para a criação de bolsas de resíduos;
▪ Incentivos a parcerias (indústria/ comércio/consumidores);
▪ Taxação de produtos de baixa vida útil;
▪ Taxação extra na deposição de recicláveis em aterros sanitários, onerando
os seus detentores (privados ou públicos)

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2.3.3 Compostagem

A compostagem é um processo de reciclagem da matéria orgânica presente nos


resíduos sólidos urbanos em quantidades maioritárias em relação aos restantes
componentes (cerca de 50%).

Trata-se de um processo aeróbio controlado, em que diversos microrganismos são


responsáveis, numa primeira fase, por transformações bioquímicas na massa de
resíduos e humificação, numa segunda fase.

As reacções bioquímicas de degradação da matéria orgânica processam-se em


ambiente predominantemente termofílico, também chamada de fase de
maturação, que dura cerca de 25 a 30 dias. A fase de humificação em leiras de
compostagem, processa-se entre 30 e 60 dias, dependendo da temperatura,
humidade, composição da matéria orgânica (concentração de nutrientes) e
condições de arejamento.

É um processo eficaz de reciclagem da fracção putrescível dos resíduos sólidos


urbanos, com vantagens económicas, pela produção do composto, aplicável na
agricultura (não está sujeito a lixiviação, ao contrário dos adubos químicos), óptimo
para a contenção de encostas e para o combate da erosão, etc.

Quando incluído numa solução integrada tem a vantagem de reduzir ou mesmo


eliminar a produção de lixiviados e de biogás nos aterros sanitários, o que torna a
exploração mais económica.

2.3.4 Inceneração

É outra das tecnologias utilizadas para tratamento dos resíduos sólidos, tanto
urbanos como industriais, utilizada em especial nos países nórdicos (europa),
devido à necessidade de diversificação das fontes energéticas para aquecimento, à
densidade populacional elevada e devido à falta de terrenos apropriados para outras
soluções (caso da Holanda em que mais de 45% do solo foi conquistado ao mar).

Para o tratamento dos resíduos hospitalares perigosos para a saúde e certos


resíduos industriais perigosos é, porventura um dos métodos mais seguros
(registam-se experiências com autoclavagem e micro-ondas muito interessantes
que poderão vir a alterar o panorama dos tratamentos deste tipo de resíduos
hospitalares).

A incineração tem vantagens na redução dos volumes a depositar em aterros, que


pode chegar a 90 %, na eliminação de resíduos patogénicos e tóxicos e na produção
de energia sob a forma de electricidade ou de vapor de água.

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As incineradoras como meio de tratamento de toda a massa de resíduos sólidos
produzidos, têm vindo a ser objecto de reavaliação em alguns destes países e
mesmo algumas unidades têm vindo a ser encerradas devido aos seus elevados
custos financeiros e ambientais.

Este tipo de tratamento tem sido limitado ao estritamente necessário, devido aos
seus múltiplos inconvenientes, de que se destacam: os elevados custos de
investimento e de manutenção e a emissão de substâncias perigosas como
dioxinas, furanos, gases de mercúrio e ácidos, bem como elevado teor em metais
pesados nas cinzas produzidas pela combustão do processo.

Os efeitos perniciosos para o ambiente e para as pessoas em particular, ao longo


do tempo, não são ainda bem conhecidos.

Figura 1 Vista de uma moderna incineradora de resíduos sólidos com


aproveitamento energético

2.3.5 Aterros sanitários energéticos e de rejeitos

Os processos ou métodos de tratamento anteriormente descritos não são


concorrentes com o aterro sanitário, mas complementares a este. Efectivamente,
o aterro sanitário é um órgão imprescindível porque é comum em toda a estrutura
de equacionamento dos resíduos sólidos.

A incógnita é a quantidade de resíduos a serem ali depositados para tratamento e


destino final. Quanto maior for a taxa de valorização conseguidas nas fases

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anteriores, menores serão as quantidades a aterrar, prolongando-se a vida útil do
AS (Aterro Sanitário) e diminuindo-se o custo de exploração.

Se a escala do aterro for adequada, deposição de uma quantidade mínima de cerca


de 200 toneladas por dia, pode haver o aproveitamento do biogás produzido no
aterro, designando-se então de aterro energético.

Sem esta deposição mínima não é rentável o aproveitamento energético, e o biogás


terá que ser queimado em tocha com tempo de residência mínima de 0.3 segundos
na câmara de combustão, a uma temperatura de pelo menos 850 ºC, para destruir
e minimizar o efeito dos gases nocivos.

Quando o AS recebe os restos das outras formas de valorização de resíduos é um


aterro de rejeitos, sem produção de biogás e sem emissão de lixiviados poluentes.

Entre outras, as principais vantagens dos aterros sanitários são as seguintes:

▪ Grande flexibilidade para receber uma gama muito grande de resíduos;


▪ Fácil operacionalidade;
▪ Relativo baixo custo, comparativamente a outras soluções;
▪ Disponibilidade de conhecimento;
▪ Não conflitante com formas avançadas de valorização dos resíduos;
▪ Devolução a utilização do espaço imobilizado durante a fase de exploração;
▪ Potencia a recuperação de áreas degradadas;
▪ Através de processos de bioremediação é possível a reutilização do espaço
do aterro várias vezes, com a produção de composto orgânico resultante da
matéria orgânica degradada no “bioreactor” anaeróbio, após eventual
complemento de tratamento aeróbio, em compostagem com vista à
higienização.

Figura 2 Aterro sanitário dos Mulenvos (Angola)

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2.3.6 Programas de educação ambiental

A educação ambiental é indispensável para se conseguir alcançar resultados


positivos nesta área. A tarefa é gigantesca e só com a participação de todos será
possível mudar “mentalidades” arreigadas a décadas de costas voltadas para o
ambiente e uma cultura conservadora, pelo menos neste domínio.

A separação de resíduos na origem, diferenciados de acordo com as características


é um factor determinante em qualquer política de reciclagem.

As administrações Municipais devem institucionalizar uma semana lectiva


dedicada ao ambiente, com diversas acções de animação. Disponibilizar
contentores para recolhas selectivas junto a Escolas e grandes áreas de comércio.
Fazer circular informação junto das instituições para a separação na origem, como
por exemplo em Instituições do ensino Superior, escolas Secundárias e Primárias,
Serviços Municipais e Municipalizados e grandes empresas, etc.

Ou seja, deve chamar-se a colaborar em campanhas ambientais na área da


reciclagem dos resíduos, não só as populações através das escolas, centros cívicos,
associações de bairro, mas também as empresas e organismos estatais ou locais,
com ênfase na separação dos materiais como por exemplo:

Papel, papelão, plásticos, vidro, metais e óleos usados;

2.3.7 Programas de participação comunitária

A participação comunitária é imprescindível para que haja sucesso nos programas


de separação na fonte e reciclagem. Deverá ser criada animação nos bairros e
freguesias, interessando todas as pessoas a aderir, mostrando os benefícios
económicos e ambientais deste comportamento.

O produto da venda dos materiais triados pela comunidade, devem ser aplicados
nessa mesma comunidade.

Os custos de recolha, sempre mais caros que a recolha indiferenciada, devem ser
assumidos, na fase de arranque, pelas Câmaras Municipais, para que haja incentivo
a continuar o trabalho comunitário.

A aplicação dos fundos conseguidos deverá ser em obras sociais, escolas,


associações de moradores, associações de utentes de hospitais, casas do povo, etc.
e devidamente publicitadas de maneira que as pessoas saibam que a sua
contribuição gerou benefícios directos para a própria comunidade.

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3 RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO

A construção é uma atividade ancestral e os resíduos por ela produzidos foram


desde sempre enviados para lixeiras sem separação por tipologia e, também, sem
qualquer atenção ao nível da contaminação.

Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD) são definidos como sendo o resíduo


proveniente das operações de construção, reconstrução, ampliação, alteração,
conservação, demolição e derrocada de edificações.

Construção – os resíduos gerados nas construções costumam ter um volume menor


que o das demolições, mas tem a variedade como fator comum;

Demolição – os resíduos provenientes das atividades de demolição são em grande


maioria materiais inertes e solos, variando de acordo com a obra demolida e os
métodos empregados;

Remodelação, requalificação, reabilitação e renovação – os resíduos provenientes de


remodelações, reabilitações e renovações têm características semelhantes aos das
demolições, mas possuem um volume maior de resíduos gerados por
revestimentos, alvenarias de divisão e outras estruturas pertencentes ao interior
dos edifícios

A produção de resíduos destes está sobretudo centralizada no sector da construção


civil, nomeadamente em processos como obras de construção, demolições e
operação de manutenção, restauro, remodelação e reabilitação de construções
previamente existentes.

3.1 Definição e Classificação de RCD

A indústria da construção é responsável pelo consumo de mais de 50% dos recursos


naturais existentes, 40% do consumo energético e produção de 50% dos resíduos
gerados.

Tal como os o que acontece com os resíduos em geral, para os resíduos


provenientes de construções ou demolições existem várias hipóteses de
classificação, variando consoante a sua origem, propriedades químicas, ou até
mesmo possibilidades de reciclagem, entre outras. Todas elas, em contextos
específicos, têm vantagens, mas também têm limitações.

Os RCD são resíduos bastante heterogéneos, podendo ser constituídos por


qualquer material que faça parte de um qualquer edifício ou infra-estrutura e,
ainda, por restos de embalagens ou outros materiais utilizados durante a conceção
da obra. Os RCD podem ser classificados de acordo com a Lista Europeia de

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Resíduos (LER), a qual foi criada com o intuito de uniformizar e facilitar a
identificação dos mesmos.

Tabela 3.1 Exemplos de classificação dos RCD

A Lista Europeia de Resíduos foi transposta pela


Classificação De Acordo Portaria n.º 209/2004, de 3 de março. Nesta lista
Com A os resíduos de construção e demolição são
Lista Europeia De classificados com o Código 170000, sendo que os
Resíduos últimos 4 dígitos variam de acordo com o tipo de
RCD em questão.
Resíduos de construção: resíduos provenientes
de obras novas de construção de edifícios e infra-
estruturas;
Resíduos de demolição: resíduos provenientes
Classificação De Acordo
de obras de demolição de edifícios ou infra-
Com O Tipo De Obra estruturas;
Resíduos de reparação: resíduos resultantes de
obras de remodelação e reparação de edifícios e
infra-estruturas.
Resíduos inertes: terras, argamassas, tijolos,
telhas, alvenaria, etc.;
Classificação Segundo O
Tipo Resíduos não inertes: embalagens diversas,
De Material Que plásticos, madeiras, metais, vidros, etc.;
Se Encontra Presente Resíduos perigosos: óleos usados, latas de
tintas e solventes, amianto, etc.
Resíduos reutilizáveis: resíduos que podem ser
reutilizados diretamente no local da obra ou
noutras.
Classificação Segundo O Resíduos recicláveis: resíduos que podem ser
Destino Final Dos reciclados.
Resíduos
Resíduos não recicláveis: resíduos que, devido
às características ou por se encontrarem
contaminados, não podem ser reciclados.

3.2 Metodologias e Práticas a Adoptar

Devem ser adoptadas metodologias e práticas nas fases de projecto e de execução


da obra que:

a) Minimizem a produção e a perigosidade dos RCD, designadamente por via


da reutilização de materiais e da utilização de materiais não susceptíveis de
originar RCD contendo substâncias perigosas;

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b) Maximizem a valorização de resíduos, designadamente por via da utilização
de materiais reciclados e recicláveis;
c) Favoreçam os métodos construtivos que facilitem a demolição orientada
para a aplicação dos princípios da prevenção e redução e da hierarquia das
operações de gestão de resíduos.

3.3 Processamento e Tratamento de Resíduos


3.3.1 Variedade de opções de processamento e tratamento

O respeito pela hierarquia dos resíduos oferece amplos benefícios no que diz
respeito à eficiência, à sustentabilidade e à redução dos custos dos recursos.

Existe uma ampla variedade de opções de processamento e tratamento dos


resíduos, que são geralmente conhecidas como preparação para a reutilização,
reciclagem e valorização de material e energia – com esta ordem de prioridade.

A escolha da opção da gestão de resíduos varia de caso para caso, em função dos
requisitos regulamentares, bem como das considerações económicas, ambientais,
técnicas e de saúde pública, entre outras.

Os materiais e os produtos não inertes devem ser submetidos a uma triagem em


função do seu valor económico.

O metal tem um valor de revenda estabelecido e existe uma procura significativa


de tijolos e ladrilhos.

Contudo, muitos materiais devem ser processados ou tratados principalmente com


base em critérios ambientais.

Os resíduos perigosos devem ser sempre separados e eliminados em conformidade


com a legislação nacional em matéria de resíduos perigosos.

Os resíduos perigosos não devem ser misturados com resíduos não perigosos.
Alguns tipos de resíduos de C&D (Construção e Demolição) não são perigosos na
sua forma original, mas, durante a fase de demolição, podem tornar-se perigosos
ao serem misturados, processados ou eliminados. Podem igualmente contaminar
materiais não perigosos e inviabilizar a sua reutilização/reciclagem. Um exemplo
clássico é a tinta à base de chumbo, que, se aplicada a uma pilha de tijolos e betão,
transforma.

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3.3.2 Preparação para a reutilização

Deve promover-se a preparação para a reutilização, já que a sua aplicação exige


pouco ou nenhum processamento.

Na teoria, a reutilização oferece maiores benefícios ambientais do que a reciclagem,


já que não existem impactos ambientais associados ao reprocessamento. Porém,
na prática, tal poderá nem sempre ser fácil.

As taxas de recuperação de materiais de valor elevado, como os metais ou a madeira


dura, aumentaram nos últimos anos.

A fim de assegurar elevadas taxas de reutilização, é necessário criar um mercado


para estes materiais. Contudo, para estimular a procura, é fundamental comprovar
a boa qualidade. Geralmente, é a empresa o responsável pela confirmação da
qualidade.

3.3.3 Reciclagem

O planeamento adequado das atividades de construção e as respetivas atividades


de gestão de resíduos nos locais de construção são indispensáveis para a obtenção
de elevadas taxas de reciclagem e de produtos reciclados de alta qualidade.

Grande parte dos resíduos de C&D é reciclada por razões económicas; todavia, a
reciclagem de materiais como o betão, a madeira, o vidro, as placas de gesso e as
lajes asfálticas comporta outros benefícios além dos financeiros: contribui para a
criação de emprego e para a redução da utilização de materiais primários e da
deposição em aterros.

A não deposição em aterros reforça a proteção do ambiente, a utilização mais


inteligente dos recursos naturais, a poupança energética, a diminuição líquida das
emissões de gases com efeito de estufa e a prevenção (ou a exploração) das
escavações em zonas rurais/florestais.

Os materiais podem ser reciclados no local, e convertidos em novos recursos de


construção, ou fora do local, em estações de reciclagem.

Os materiais habitualmente reciclados provenientes de locais de construção são,


entre outros, o metal, a madeira, o asfalto, pavimentos (de parques de
estacionamento), betão e outros materiais à base de pedra, cerâmicas (por
exemplo, tijolos, telhas), materiais para coberturas, cartão canelado e painéis de
parede.

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A reciclagem de C&D deve ser promovida sobretudo em zonas com grande
densidade populacional, onde a oferta e a procura estão geograficamente próximas,
resultando em distâncias de transporte mais curtas do que as que são necessárias
para o transporte de materiais primários, como é o caso dos agregados.

Resíduos de construção e demolição Fonte: UEPG

Estações de reciclagem de resíduos de C&D. Agregado granular reciclado. Fonte: ANPAR


Fonte: FIR

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4 CONCLUSÃO

A gestão da qualidade é um passo fundamental para reforçar a confiança nos


processos de gestão de resíduos de C&D e na qualidade dos materiais de C&D
reciclados.

O valor qualitativo dos materiais de construção reciclados baseia-se nas suas


características ambientais e no seu desempenho técnico.

Procedimentos e protocolos de gestão da qualidade adequados permitem aos


fornecedores controlar e assegurar os seus processos e a qualidade dos produtos.

O registo de resíduos de C&D constitui um passo determinante para o


acompanhamento e a rastreabilidade e, a fim de registar os resíduos, é necessário
saber quais os tipos de C&D que se podem esperar.

A rastreabilidade e o acompanhamento dos fluxos de resíduos revestem-se de


particular importância para o desenvolvimento do mercado dos materiais de
construção reciclados.

Tentar manter distâncias curtas. A proximidade das instalações de triagem e


reciclagem é muito importante para os resíduos de C&D, que, no caso dos materiais
volumosos, como os agregados para construção (asfalto, betão, etc.), não podem
percorrer longas distâncias por estrada (geralmente, no máximo, 35 km).

A menos que transportados em grandes volumes em comboios ou barcos, as longas


distâncias não são economicamente atrativas e os benefícios ambientais da
reciclagem também diminuem se forem percorridas distâncias mais longas.

Sempre que possível, recorrer às estações de transferência de resíduos (ou a


contentores de recolha) – estas desempenham um papel fundamental no sistema
de gestão de resíduos local, servindo de ligação entre o ponto de recolha de resíduos
de C&D local (locais de demolição) e as instalações de eliminação final de resíduos.

As dimensões, a propriedade e os serviços oferecidos variam de forma significativa


entre estações de transferência. Todavia, todas têm o mesmo objetivo básico:
consolidar os resíduos provenientes de vários pontos de recolha.

Ocasionalmente, as estações de transferência também fornecem serviços de


triagem e reciclagem. É importante assegurar a rastreabilidade dos materiais de
C&D também no caso das estações de transferência de resíduos.

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5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

https://biohelp.blogs.sapo.pt/382.html

Tratamento De Resíduos Sólidos-Mário Augusto Tavares Russo- Universidade de


Coimbra

Problemática da Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos em Angola- Alcino


Raimundo Vaz de Almeida

Protocolo de Gestão de Resíduos de Construção e Demolição da UE

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