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O Estatuto Moral dos Animais não Humanos

Os humanos usam animais não humanos para se alimentar e se vestir, conduzindo


experimentos ou testes científicos e muitos outros propósitos (como entretenimento).
Compartilhamos a terra com outros animais e nossas ações têm um grande impacto em
suas vidas, geralmente levando à morte, mas também causando sofrimento intenso e
prolongado.
A exploração excessiva de animais não humanos para nosso benefício, levou os
filósofos a questionarem-se sobre as nossas obrigações para com os estes. Perguntas
como: “Será que os animais são dignos de consideração moral?”, “Que direitos têm os
animais não humanos?”, “Será justo manter animais em cativeiro?” ocupam um lugar
central na ética aplicada.
Iremos então abordar neste trabalho esse problema filosófico, que tem como principal
objetivo concordar ou refutar o estatuto moral dos animais não humanos.
Para responder a este problema vamos abordar três perspetivas diferentes,
complementando-as com o especismo que se e a senciência, com o objetivo de saber se
os animais não humanos têm ou não estatuto moral, e se têm, quais os seus direitos e
quais os nossos deveres para com eles.

Os animais não têm estatuto moral Os animais não têm estatuto moral

Perspetiva Perspetiva Perspetiva


Tradicional Utilitarista dos
Direitos

Perspetiva Tradicional
Kant afirma que os animais não têm consciência de si, e existem apenas como meio
para um fim, sendo esse fim o Homem. O nosso dever para com os animais não
humanos é um dever indireto. 
Ao sermos cruéis para com os animais não infringimos o nosso dever em relação ao
animal porque este não pode julgar, mas essa crueldade vai-se também refletir na forma
como lidamos com os outros humanos, assim os nossos deveres em relação aos animais
não humanos são apenas deveres indiretos em relação à humanidade.
Assim:
 Segundo esta perspetiva, justifica-se tratar cruelmente os animais quando isso
nos pode trazer benefícios.
 Kant defende que o uso dos animais na ciência, por muito sofrimento que
envolva, nada tem de errado porque serve um objetivo louvável: a aquisição de
conhecimento.
 Condena a crueldade quando esta é exercida por diversão.

A evolução das espécies não tem em vista qualquer propósito ou finalidade.

Especismo
Mesmo que os animais não tenham sido criados para nosso benefício, podemos
continuar a aceitar que só nós temos realmente estatuto ou importância moral pois
pertencemos a uma espécie distinguida das outras pela racionalidade, isto dá-nos um
estatuto moral superior.
Jeremy Bentham considera esta resposta insatisfatória pelo facto de alguns seres
humanos como recém-nascidos ou deficientes mentais não serem racionais. Apresenta
assim um novo critério:
Senciência- capacidade dos seres de sentir sensações e sentimentos de forma consciente.
Em outras palavras: é a capacidade de ter perceções conscientes do que lhe acontece e
do que o rodeia.
Peter Singer compara o especismo ao racismo, o simples facto de sermos humanos não
nos concede um estatuto moral superior. “A dor e o sofrimento são maus e devem ser
evitados ou minimizados, independentemente da raça, sexo ou espécie do ser que sofre.
[…]”
Peter Singer, Ética Prática, 1993

Perspetiva Utilitarista
 Peter Singer defende que os interesses dos animais e dos seres humanos velem o
mesmo e ao avaliar as consequências das nossas ações temos de pensar imparcialmente
no bem-estar de todos os seres.
A única maneira de obter tal imparcialidade é apenas usar os animais não humanos para
a produção de benefícios suficientemente significativos.

Esta teoria diz que matar um rato seja tão grave como matar um ser humano. No
entanto, podemos sustentar que a morte de um ser humano é mais grave pois ele tem
capacidades mentais superiores e um nível de consciência mais elevado.
Perspetiva dos Direitos
Através de uma visão deontológica é defendida que os seres humanos têm direitos que
não podem ser violados em nome da felicidade geral, acrescentando que os animais não
humanos também têm direitos, e por isso, a sua vida também não pode ser colocada em
causa. Só a abolição do uso dos animais na investigação científica, alimentação e
vestuário, é aceitável.
Esta teoria faz com que não nós possamos servir dos animais não humanos, direta ou
indiretamente. Teríamos de adotar uma alimentação vegetariana, apenas usaríamos
roupas fabricadas sinteticamente, e não poderíamos usar os animais não humanos como
meio de desenvolver a ciência.

Os Animais não Humanos têm Estatuto Moral?

Não Sim

Perspetiva Tradicional Perspetiva Utilitarista Perspetiva dos Direitos

Só os seres humanos Obrigação ética é Todos os sujeitos com


têm direitos morais. promover o bem-estar. vida têm direitos morais
Temos apenas O bem-estar dos absolutos. Mais do que
obrigações indiretas animais é tão promover o bem-estar,
para com os animais. importante como o dos importa respeitar esses
humanos direitos.
Perspetiva Pessoal
Tendo em conta todas esta teorias que foram abordadas neste ensaio filosófico nós
decidimos que a Perspetiva Utilitarista é a que mais se adapta às nossas ideias
filosóficas, visto que, o uso de animais não humanos pode ser aceitável apenas se a
felicidade que sua exploração causa seja maior do que o dano que causa.
Os animais não humanos são, abruptamente e dolorosamente, privados de suas vidas
depois de terem sidos privados da maioria das experiências positivas que poderiam ter
tido, depois de terem sofrido terrivelmente.
Além disso, o utilitarismo não pode simplesmente aceitar que não devemos fazer nada
a respeito dos danos sofridos pelos outros, mesmo quando não fomos nós quem causou
esses danos. O utilitarismo defende que devemos nos preocupar com a felicidade de
todos aqueles que são capazes de ser felizes. Se há algo que diminua a felicidade dos
animais, então devemos tentar trabalhar contra isso.

Em Conclusão

A realização deste trabalho não foi difícil pois para além de possuir excelentes meios
de informação (Internet e manual da disciplina) tivemos uma grande força de vontade e
empenho para o realizar. É um tema que nos interessa pois para nós o sofrimento que
proporcionamos aos animais é desnecessário devido a existirem alternativas para as
peles, alimentação e divertimento e pelo facto de estes sentirem tal como nós.
Espero que a leitura do mesmo tenha servido para fazer pensar o leitor e concluir se
vale mesmo a pena continuar com todo este sofrimento e para constatar que os animais
têm tanto direito como nós à vida. Não os vamos descriminar por serem de uma espécie
inferior, sejamos humanos uma vez na vida.

Trabalho realizado por: Diogo Rocha nº3


Tiago Ribeiro nº11

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