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Boas Práticas de

Conciliação entre
Vida Profissional e
Vida Familiar

Processos e técnicas 1
Segundo recomendações da
U, a análise dos resultados de
ma empresa deverá ser
ealizada, a partir de dois
lementos: por um lado, através
as suas margens de lucro, por
utro, tendo em conta a
ualidade de vida que
roporciona aos seus
rabalhadores, dentro e
Processos e técnicas
fora do
2
Princípios gerais para a
conciliação entre vida
profissional e vida
1. Criação de serviços de familiar
acolhimento de
crianças
2. Criação de serviços de prestação de
cuidados a idosos
3. Licenças para pais e mães
rabalhadores/as
4. Incentivo à maior participação do pai na
vida familiar
5. Flexibilização da organização do
Processos e técnicas 3
A legislação portuguesa

O Código do Trabalho, aprovado


pela Lei n.º 99/2003, de 27 de
Agosto, e a Lei n.º 35/2004, de 29
de Julho, que regulamentou o
Código de Trabalho prevêem,
nomeadamente, o seguinte:

Processos e técnicas 4
♂ Licença por
maternidade/paternidade - Permite à
mãe ou ao pai prestarem os primeiros
cuidados aos filhos recém-nascidos. Em
Portugal, a duração desta licença é de 120
dias consecutivos (acrescendo 30 dias
por cada gémeo, além do primeiro). Dos
120 dias referidos, 90 têm necessariamente
de ser gozados a seguir ao parto. É
obrigatório o gozo de 6 semanas, a seguir
ao parto, pela mãe, mas o restante período
pode ser utilizado também pelo pai, em
caso de morte, de incapacidade física ou
psíquica da mãe ou de Processos
decisãoe técnicas
conjunta de5
A licença é considerada como prestação
efectiva de trabalho, salvo quanto à
retribuição. Confere direito a um
subsídio pago pela segurança social ou à
remuneração quando se trate de
uncionário da administração pública. A Lei
n.º 35/2004 veio abrir a possibilidade de
opção por uma licença de maternidade de
150 dias. No entanto, o subsídio ou a
remuneração a auferir pelo/a trabalhador/a
deixa de corresponder a 100% da
remuneração de referência, passando a
80% dessa remuneração (Decreto-lei n.º
Processos e técnicas 6
77/2005, de 13 de Abril).
♂ Licença por paternidade - Para além da licença
or paternidade atrás mencionada, o pai tem direito a uma
cença com a duração de 5 dias úteis seguidos ou
nterpolados no primeiro mês a seguir ao nascimento da
iança. Estes 5 dias úteis são de gozo obrigatório.
♂ Licença parental - Para assistência a filhos
u adoptados e até aos 6 anos de idade, o pai e a
mãe têm direito a licença parental (não paga,
mas tomada em consideração para a taxa de
ormação das pensões de invalidez e velhice dos
egimes de segurança social), a utilizar por cada
m deles nas seguintes modalidades alternativas:
a) Em tempo completo durante 3 meses;
b) A tempo parcial durante 12 meses;
c) Por períodos intercalados (até
Processos três) de licença
e técnicas 7
Os primeiros 15 dias de licença parental, quando
gozados pelo pai, são pagos pela segurança social,
ou pelo Estado, se for funcionário público - desde
que esta seja utilizada imediatamente a seguir à
icença por maternidade ou paternidade.
♂ Licença de amamentação/aleitação - A mãe
que comprovadamente amamente tem direito a uma
dispensa diária, a gozar em dois períodos distintos,
com a duração máxima de uma hora cada, durante
odo o tempo em que durar a amamentação, salvo se outro
egime for acordado com o empregador. Caso não haja
ugar a amamentação, a mãe ou o pai têm direito, por
decisão conjunta, a dispensa nas mesmas condições para
aleitação, até a criança ter um ano de idade.

Processos e técnicas 8
♂ Licença especial para assistência a
ilhos - esta licença, que pode ser usufruída pela
mãe ou pelo pai, tem como principal objectivo dar
aos pais trabalhadores a oportunidade de
passarem mais tempo com os filhos participando
mais activamente na sua educação.
Esgotado o período de tempo da licença
parental, o pai ou a mãe trabalhadores tem direito
a licença especial para assistência a filho ou
adoptado, a gozar de modo consecutivo ou
nterpolado, até 2 ou 3 anos, no caso de
nascimento do terceiro filho.

Processos e técnicas 9
Os trabalhadores que utilizem esta licença suspendem as
elações laborais, designadamente, o direito à remuneração.
No entanto, o período de licença especial é tomado em
consideração para a taxa de formação das pensões de
nvalidez e velhice dos regimes de segurança social.
☻ Licença para adopção de menores de 15 anos -
Trata-se de uma licença exclusiva para casos de adopção de
menores de 15 anos. Esta licença tem a duração de 100
dias consecutivos. Sendo dois os candidatos a
adoptantes, a licença pode ser repartida entre eles. A licença
a adopção é considerada como prestação efectiva de
rabalho, salvo quanto à retribuição.

Processos e técnicas 10
☻ Licença para assistência a pessoa com
deficiência ou doença crónica - reconhece
aos pais (mãe ou pai) o direito a licença por
período até seis meses, prorrogável até quatro
anos, para acompanhamento de filho, adoptado ou
enteado, desde que com ele resida, que seja
portador de deficiência, durante os primeiros 12
anos de vida. Estas licenças são fundamentais na
promoção do equilíbrio de papéis entre pais e
mães.
A lei confere ainda o direito a:

▶ ao pai ou à mãe trabalhadores de faltar ao trabalho até 30 dias por ano para assistência inadiável e imprescindível nos casos de
ença ou acidente de filhos, adoptados ou enteados menores de 10 anos, ou independentemente da idade, se forem portadores de
ficiência;

Processos e técnicas 11
▶ ao avô ou à avó trabalhadores de faltar ao
abalho até 30 dias consecutivos a seguir ao
ascimento de netos que sejam filhos de
dolescentes com idade inferior a 16 anos,
esde que com eles vivam em comunhão de
mesa e habitação;
▶ ao pai ou à mãe trabalhadores a condições
speciais de trabalho, nomeadamente a uma
edução do período normal de trabalho para
ssistência a filho ou adoptado se o menor for
ortador de deficiência ou doença crónica; se se
atar de filho até 1 ano de idade, a redução do
eríodo normal de trabalho semanal é de cinco
oras;
Processos e técnicas 12
Incentivo à maior participação do pai
na vida familiar
Em Portugal, à semelhança de outros países, os
homens trabalhadores ocupam funções a tempo
nteiro e ainda fazem pouca utilização das licenças
de apoio à família, embora estudos recentes revelem
que nas novas gerações os homens tendem a
participar mais activamente na educação dos filhos.
Cabe às empresas que visam a aplicação de
políticas de conciliação entre o emprego e a vida
amiliar dos seus trabalhadores proporcionar uma
cultura organizacional que reconheça a importância
do papel do pai na socialização da criança e
ecomende o uso das licenças específicas criadas
para pais trabalhadores, garantindo-lhes
Processos e técnicas para isso 13a
Empresas onde estas experiências são
praticadas declaram que os trabalhadores do sexo
masculino que utilizam as licenças para pais
ocupando-se do cuidado dos filhos quando estes são
pequenos melhoram a sua performance profissional.
Tornam se mais activos e mais colaborantes e o
clima de trabalho fica mais amigável.
Uma empresa que adopta medidas de conciliação
entre vida profissional e vida familiar procura
adequar as formas de trabalho às necessidades dos
seus colaboradores. Daí decorre um maior grau de
satisfação dos trabalhadores e a optimização dos
recursos humanos das empresas contribuindo,
desta forma, para a melhoria da qualidade do
rabalho realizado e, consequentemente da
qualidade da empresa. Processos e técnicas 14
Flexibilização da organização do
trabalho
Entre o leque de medidas possíveis para a
lexibilização do trabalho encontram-se:

a) Redução efectiva das horas de trabalho


de modo a que a relação entre vida
profissional e vida familiar seja mais
equilibrada. 
b) Ajustamento e flexibilização do
empo de trabalho negociando o mínimo
de horas de trabalho/ano ou instituindo
bancos de horas. Mais do que o
Processos e técnicas 15
c) Compactação das horas de trabalho semanal em
moldes que permitam o aumento dos dias livres para
escanso e para a vida familiar
d) Adopção de modalidades de teletrabalho,
omeadamente para trabalhadores que residam longe do
ocal do trabalho, a fim de evitar o cansaço e a perda, em
eslocações diárias, do grande número de horas que tais
ituações acarretam. Esta modalidade, embora careça de
ma boa gestão para evitar os efeitos do isolamento, para
lém de evitar o dispêndio de tempo em deslocações, pode
ambém ser um contributo indirecto para a diminuição do
ráfego automóvel nos grandes centros urbanos.

Processos e técnicas 16
Práticas que visam a igualdade de
oportunidades entre mulheres e homens
A implementação de estratégias e práticas de
onciliação entre actividade profissional e vida
amiliar contribui para a promoção da igualdade de
portunidades entre mulheres e homens no
mundo do trabalho e na sociedade em geral. As
mpresas que as pretendam prosseguir deverão, em
rimeiro lugar, proceder a uma avaliação das
tuações de trabalho existentes na sua organização.
ara o efeito, poderá ser posto em prática um
rocesso de recolha de informação através de
uestionários a trabalhadores e de entrevistas a
nformantes privilegiados da empresa.

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Entre as acções possíveis,
por parte do empregador,
estão:
A. Organização de formas de trabalho que
promovam a harmonização da vida
profissional e familiar: horários adaptados às
necessidades familiares, trabalho repartido,
possibilidade de acumular horas de trabalho
permitindo aos trabalhadores ter dias livres;
evitar reuniões e acções de formação fora do
horário laboral.
B. Igualdade no acesso às diferentes
unções e às promoções e outras formas de
valorização das carreiras profissionais.
Processos e técnicas 18
C. Criação de bases de dados com todo o
ipo de serviços que possam ser úteis aos
rabalhadores com filhos ou idosos
dependentes: creches, infantários, centros de
dia, serviços de assistência a idosos, serviços
de proximidade como sejam as lavandarias, as
engomadorias, prontos a comer, entre outros.
D. Designação de uma pessoa do
departamento de recursos humanos que
nclua nas suas funções a gestão desta base
de dados e que atenda às necessidades dos
rabalhadores da empresa, estabelecendo o
ontacto com os serviços solicitados pelos
rabalhadores. Processos e técnicas 19
E. Criação de uma sala na empresa
devidamente equipada e com pessoal qualificado,
cujos serviços possam ser adquiridos quando
necessário, para os trabalhadores aí deixarem
as crianças. Este serviço poderá funcionar
durante todo o ano ao longo do período normal de
trabalho, durante parte do dia ou apenas
durante o período de férias escolares.
F. Organização, durante o período de férias
escolares ou fora do horário lectivo, de visitas a
museus, excursões, ou outras passeios para os
ilhos dos trabalhadores.
G. Organização de serviços de prestação
de cuidados ao domicílio para trabalhadores com
pais idosos a seu cargo. Processos e técnicas 20
H. Desenvolvimento de formas de contacto
com a empresa, através de cursos de formação
ou de informação regular sobre a situação da
empresa, para os trabalhadores que
nterrompem as suas funções por tempo
determinado ou que trabalham em regime de
eletrabalho e não interagem com outros
colegas.
I. Garantia, às trabalhadoras grávidas, de
condições de trabalho que não apresentem
qualquer perigo para o futuro filho/a.
J. Concessão de licenças a trabalhadoras
grávidas para frequentarem cursos de
preparação para o parto. Processos e técnicas 21
Vantagens para as empresas
Uma política de empresa que promova a
conciliação entre actividade profissional e vida
amiliar está associada a um conjunto de vantagens:
1. Incentiva a criatividade e a motivação dos
rabalhadores, gera melhor comunicação entre
chefias e operacionais, e promove um maior
completo conhecimento dos objectivos e da cultura
da organização;
2. Facilita a introdução de novos métodos de
rabalho e de novas tecnologias, proporcionando
nomeadamente uma maior utilização do capital
ecnológico;
3. Pode proporcionar redução de turnover, com
Processos e técnicas 22
4. Reduz os custos com processos de formação na
medida em que contribui para a fixação de recursos
umanos qualificados;  
5. Aumenta a produtividade, na medida em que
az um planeamento dos tempos de trabalho mais
justados às necessidades dos trabalhadores, o que
vita absentismos imprevistos;
6. Alarga e diversifica o leque dos potenciais
olaboradores interessados em trabalhar numa
mpresa que lhes oferece boas condições de
xercício de uma actividade profissional em
armonia com as suas responsabilidades familiares;
7. A diversificação de colaboradores com
ompetências mais alargadas cria uma maior
ariedade de recursos, Processos
de capacidades
e técnicas
e de
23
8. Reduz os conflitos laborais;
9. Através da reorganização dos tempos de
rabalho, em determinadas actividades, a empresa
poderá atrair novos clientes;
10. Os custos de criação de serviços (tanto para
crianças como idosos) podem ser deduzidos nos
custos fiscais da empresa;
11. Valoriza a imagem da empresa na
comunidade envolvente e a nível internacional, o
que contribui para a promoção dos seus produtos e
para o aumento do volume de negócios;
12. Permite que a empresa se candidate a
prémios, os quais também contribuem para
divulgação das suas Processos
boase técnicas práticas e
24
Directivas europeias
Principais instrumentos de direito
comunitário e internacional regional europeu
sobre conciliação da actividade profissional
com a vida familiar.

A. Legislação comunitária
As principais medidas que, a nível da
egislação comunitária sobre igualdade de
oportunidades, se podem referir como tendo
particular importância para a conciliação das
responsabilidades familiares
Processos e técnicas com as
25
Directiva sobre licença parental (96/34)
Preconiza a adopção de uma licença
arental, de pelo menos 3 meses, que
onstitua um direito individual tanto de
rabalhadores como de trabalhadoras com
undamento no nascimento ou na adopção de
um filho. Esta licença pode ser utilizada até
ma determinada idade, que pode ir até a
riança perfazer a idade de 8 anos.
A directiva preconiza ainda que os
rabalhadores sejam autorizados a ausentar-se do
rabalho por motivo de força maior associado a
azões familiares urgentes, em caso de
oença ou acidente que torne indispensável a
resença imediata do trabalhador.
Processos e técnicas 26
Directiva 2002/73/CE, que altera a
directiva 76/73/CEE, sobre igualdade de
ratamento entre mulheres e homens no
acesso ao emprego, formação e promoção
profissionais e às condições de trabalho
Reconhece às mulheres que gozem a
cença de maternidade o direito, finda
essa licença, a retomar o seu posto de
rabalho ou um posto de trabalho
equivalente em condições que não lhes
ejam menos favoráveis e a beneficiar de
quaisquer melhorias nas condições de
rabalho a que teriamProcessos
direito
e técnicas
durante a
27
Reconhece aos trabalhadores do sexo
masculino e feminino, dos Estados que
reconheçam direitos à licença de
paternidade e de adopção, o direito a
serem protegidos durante o exercício desses
direitos, bem como, finda a licença, a
retomar o seu posto de trabalho ou um
posto de trabalho equivalente em condições
que lhes não sejam menos favoráveis e de
beneficiar de quaisquer melhorias nas
condições de trabalho a que teriam direito
durante a sua ausência.
Processos e técnicas 28
Directiva sobre trabalhadoras
grávidas
Define um mínimo de requisitos para
salvaguarda da saúde e segurança das
trabalhadoras grávidas, parturientes
recentes e que amamentem. Prevê
também que a licença de maternidade,
que será pelo menos de 14 semanas
consecutivas, seja paga e salvaguarda a
possibilidade de despedimentos.

Processos e técnicas 29
Resolução (2000/C 218/02) sobre
participação equilibrada das mulheres e dos
homens na actividade profissional e na vida
amiliar
Encoraja os Estados-Membros a adoptar
medidas que protejam os trabalhadores de
ambos os sexos que exerçam direitos
nerentes à paternidade, à maternidade ou
à conciliação da vida profissional e familiar
e a promover a participação equilibrada dos
homens e das mulheres na actividade
profissional e na vida familiar, condição
básica para a igualdade de facto.
Processos e técnicas 30
Conselho da Europa
Carta Social Europeia revista
Reconhece aos trabalhadores de ambos os
sexos com responsabilidades familiares o
direito à igualdade de oportunidades e de
ratamento e obriga os Estados a
omarem medidas apropriadas para
permitir a estes trabalhadores permanecer
na vida activa, tendo em conta as suas
necessidades no que respeita a condições
de emprego e a segurança social, e a
desenvolverem ou promoverem serviços
públicos ou privados,Processos
eme técnicas
particular de31
Recomendação do Conselho da Europa
sobre acolhimento de crianças (92/241/CE)
Esta recomendação encoraja o
desenvolvimento de medidas como:
1. Serviços de acolhimento de crianças para
pais trabalhadores ou em cursos de formação;
2. Tornar os locais de trabalho mais
esponsáveis e atentos às necessidades dos
rabalhadores com filhos;
3. Incentivar e apoiar uma maior participação
dos homens na prestação de cuidados aos filhos;
4. Introduzir modalidades facilitadoras da
utilização das licenças parentais.
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