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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

ESPORTE DE QUADRA.

GUARULHOS – SP

1
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 4

2 ESPORTE ..................................................................................................................... 5

2.1 Classificação do esporte............................................................................................. 5

3 INICIAÇÃO ESPORTIVA A PARTIR DOS ESPORTES COLETIVOS ........................... 6

4 JOGOS SITUACIONAIS COMO UM ÉTODOD DE ENSINO ........................................ 9

5 INICIAÇÃO ESPORTIVA E CAPACIDADES COORDENATIVAS NOS ESPORTES


COLETIVOS ................................................................................................................... 12

5.1 Aprimorando as capacidades coordenativas ............................................................ 13

6 METODOLOGIA DO FUTEBOL E DO FUTSAL............................................................18

6.1 Técnicas específicas do futebol e do futsal .............................................................. 18

6.2 Passe.........................................................................................................................18

6.3 Chute................. ....................................................................................................... 19

6.4 Recepção da bola ..................................................................................................... 21

6.5 Condução de bola .................................................................................................... 22

6.6 Drible e finta ............................................................................................................. 22

6.7 Controle de bola ....................................................................................................... 23

6.8 Marcação e combate ................................................................................................ 24

7 FORMAÇÕES OFENSIVAS E DEFENSIVAS NO FUTEBOL E NO FUTSAL...............24

7.1 Formações ofensivas................................................................................................ 25

7.2 Formações defensivas .............................................................................................. 26

8 PRINCIPAIS SISTEMAS TÁTICOS DO FUTEBOL E DO FUTSAL...............................30

8.1 Principais sistemas táticos do futebol ....................................................................... 30

8.2 Principais sistemas táticos do futsal ......................................................................... 34

2
9 METODOLOGIA BASQUETE.......................................................................................36

9.1 Fundamentos técnicos do basquete ......................................................................... 37

9.2 Movimentos corporais básicos ................................................................................. 38

9.3 Posições corporais de defesa ................................................................................... 40

9.4 Drible..........................................................................................................................41

9.5 Arremesso ................................................................................................................ 43

9.6 Posições e funções do basquete .............................................................................. 45

9.7 Armador.....................................................................................................................48

9.8 Ala-armador .............................................................................................................. 48

9.9 Ala.............. .............................................................................................................. 49

9.10 Ala-pivô................................................................................................................... 50

9.11 Pivô......................................................................................................................... 51

9.12 As características do basquete formal e do basquete 3x3 ..................................... 52

10 AS TRÊS MANIFESTAÇÕES DO ESPORTE.............................................................55

10.1 Esporte educação ................................................................................................... 56

10.2 Esporte participação ............................................................................................... 57

10.3 Esporte performance .............................................................................................. 58

10.4 Esporte educacional e suas perspectivas ............................................................... 59

11 DESAFIOS DA PRÁTICA EDUCATIVA POR MEIO DO ESPORTE............................61

12 PLANEJANDO ATIVIDADES DE ESPORTES EM AMBIENTE ESCOLAR................62

13 CLASSIFICAÇÃO DOS ESPORTES DE ACORDO COM CRITÉRIOS......................63

14 A ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE NO ATLETISMO....................................................65

15 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA................................................................................68

3
1 INTRODUÇÃO

Prezado aluno!

O grupo educacional Faveni, esclarece que o material virtual é semelhante ao da


sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se
levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que
seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a
pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual,
é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao
protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que
lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e
prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

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2 ESPORTE

O esporte é uma atividade abrangente, visto que engloba diversas áreas


importantes para a humanidade, como saúde, educação, turismo, entre outros. Para
ampliar a eficácia da transmissão de conhecimento, socialização e formação integrais na
infância, adolescência e juventude, a prática esportiva vem ganhando espaço, pois por
meio dela podemos desenvolver de maneira eficaz um conteúdo rico de possibilidades
na formação de indivíduos (PAZ, 2019).
Os esportes coletivos têm uma lógica de ensinamento comum, isto é, o jogo
coletivo tem uma estruturação formal que é apresentada nas diferentes modalidades
esportivas. Quando o aluno incorpora essa lógica, passa a usar essa aprendizagem em
outras situações que exigem especificidades, como jogar voleibol e ou futebol.

2.1 Classificação do esporte

O esporte é a ação de praticar atividades físicas de maneira coletiva ou individual,


gerando bem-estar físico e emocional a todas as pessoas que o envolvem, sendo
considerado um dos fenômenos socioculturais mais importantes no final do último século.
Barbanti (2008) classifica o esporte como uma atividade competitiva
institucionalizada que envolve esforço físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras
relativamente complexas, por indivíduos, cuja participação é motivada por uma
combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos.
Barbanti (2004) ainda nos sugere que para fazermos uma definição precisa do que
é o esporte, é necessário considerar a especificidade da atividade em questão, suas
condições para que ela ocorra e a orientação subjetiva dos participantes envolvidos.

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3 INICIAÇÃO ESPORTIVA A PARTIR DOS ESPORTES COLETIVOS

Os esportes são manifestações culturais que se originam em diferentes


habilidades motoras e de combinações dessas habilidades. Por exemplo, o futebol se
baseia nas habilidades de correr e conduzir a bola. Nas ações motoras básicas dos
esportes estão movimentos que são básicos para o desenvolvimento motor dos alunos,
mas que, ao serem culturalmente aperfeiçoados, tornam-se habilidades técnicas de
modalidades esportivas (PAZ, 2019).
Nessa mesma perspectiva também estão as habilidades perceptivas e
coordenativas, que se manifestam a partir da leitura da estruturação e da organização
dos jogos, isto é, do entendimento do espaço e do lugar do jogo, do número de
componentes de sua equipe, do jogar com o outro, das regras, do objetivo deste ou
daquele jogo, das funções e posições de cada jogador, das estratégias de ataque e
defesa. Enfim, a partir da lógica comum aos esportes coletivos, o aluno se foca na
compreensão da ação de jogar, independentemente do que se joga, e não na
especificidade de jogar uma única modalidade (PAZ, 2019).
Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018, documento on-line):

As práticas derivadas dos esportes mantêm, essencialmente, suas


características formais de regulação das ações, mas adaptam as demais normas
institucionais aos interesses dos participantes, às características do espaço, ao
número de jogadores, ao material disponível etc. Isso permite afirmar, por
exemplo, que, em um jogo de dois contra dois em uma cesta de basquetebol, os
participantes estão jogando basquetebol [...].

O documento explica que, a partir da coerência do jogo dois contra dois


incorporada pelo aluno, ele poderá fazer uma transferência dessa experiência para uma
situação de jogo com mais participantes envolvidos (PAZ, 2019).
Assim, o que dá início ao processo de aprendizagem dos jogos coletivos é a lógica
interna dessas modalidades, o que se manifesta como comum a elas; por exemplo, a
interação com o adversário, os objetivos táticos, os implementos e materiais que
organizam as tarefas motoras, entre outros. Os esportes em que as ações motrizes são
semelhantes, de certo modo, terão ensinamentos compartilhados, inclusive podendo ser
realizados exercícios únicos com processos reflexivos específicos. O aluno executa uma
6
movimentação técnica, e o professor questiona como aquele movimento pode ser
representado no basquetebol ou no handebol (PAZ, 2019).
Na maioria, os esportes coletivos são considerados esportes de invasão ou
territoriais (Figura 1), porque, conforme a BNCC (BRASIL, 2018, documento on-line), eles
se caracterizam da seguinte forma:

[...] conjunto de modalidades que se caracterizam por comparar a capacidade de


uma equipe introduzir ou levar uma bola (ou outro objeto) a uma meta ou setor
da quadra/campo defendida pelos adversários (gol, cesta, touchdown etc.),
protegendo, simultaneamente, o próprio alvo, meta ou setor do campo
(basquetebol, frisbee, futebol, futsal, futebol americano, handebol, hóquei sobre
grama, polo aquático, rúgbi etc.).

Fonte: Hoquei-grama-jogo (2016), (documento on-line)

Contudo, há esportes coletivos que são denominados como esportes de rede e


quadra, como o voleibol, conforme mostra a figura a seguir.

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Fonte: Europeidipallavolo2005-Italia-Russia ([2005], documento on-line)

Assim, a característica básica dos esportes coletivos é o confronto entre duas


equipes que estão dispostas em um espaço comum, que participam simultaneamente
com alternância de situações de ataque e defesa (PAZ, 2019).
Essa premissa indica quatro importantes tarefas a serem cumpridas por esses
jogadores, conforme aponta Greco (1998):

 Atacar a meta adversária;


 Defender o seu espaço;
 Opor-se ao adversário;
 Jogar coletivamente entre sua equipe.

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4 JOGOS SITUACIONAIS COMO UM ÉTODOD DE ENSINO

Os jogos situacionais são ações orientadas para a situação real de jogo; ou seja,
nesse contexto, as estratégias de ensino serão pautadas em possibilidades de elementos
técnicos para construir o jogo. Nesse tipo de ensinamento, aprende-se jogando. É preciso
que o aluno execute, vivencie e explore as movimentações e ações motoras de forma
concreta e com uma perspectiva real, para que, a partir dali ele encontre ou reconheça a
técnica formal do esporte, conforme apontam Kroger, Roth e Memmert (2002).
Em uma visão mais ampliada dessa forma de ensinar, entre os parâmetros
comuns dos esportes coletivos, são extraídas peças táticas que perfazem a lógica
estrutural dos esportes e que conduzem para a percepção geral do ato de jogar. É sempre
importante ter o entendimento de que, nessa iniciação aos esportes, o movimento ainda
é liberado das condições específicas das modalidades (PAZ, 2019).
Assim, é muito mais importante compreender a coerência das ações motoras em
prol da realização do jogo. Segundo Kroger, Roth e Memmert (2002), são observados
sete elementos táticos nas peças táticas:

 Acertar o alvo;
 Transportar a bola ao objetivo;
 Tirar vantagem tática no jogo;
 Jogo coletivo;
 Reconhecer espaços;
 Superar o adversário;
 Oferecer-se e orientar-se.

A tarefa tática de acertar o alvo abrange as ações de lançar, chutar, disparar, entre
outras, a bola ou o implemento para um alvo. Ela está mais relacionada com o objetivo
do jogo. O aluno passa a entender a razão de a precisão, a velocidade e a agilidade
durante a execução tornam-se fundamentais para que ele conquiste esse resultado,
dificultando a ação de defesa da equipe adversária. Os exercícios como lançar a bola em

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alvos de diferentes tamanhos e alturas, parados ou em movimento, com tamanhos e
pesos de bolas diferentes, são ideais para a percepção de como a força, o ângulo de
lançamento, as direções, entre outros, devem ser executadas em diferentes ações (PAZ,
2019).
Já a tarefa de transportar a bola ao objetivo é definida pelas ações motoras de
transportar, levar e lançar a bola entre os colegas de equipe, com a meta de atingir o
objetivo do jogo. Diferentemente da ação de acertar o alvo, que tem como base a ideia
de finalização, o transportar será executado ao longo da movimentação; por exemplo,
quicar a bola em movimento e entregar para um companheiro, lançar a bola entre os
colegas, ou, até mesmo, carregar a bola em deslocamento.
No elemento tático de tirar vantagem tática no jogo, os jogadores vão depender de
uma ação conjunta para realizar a movimentação, isto é, as diferentes ações executadas
entre os jogadores da equipe devem estar combinadas (relação entre colegas), para que
se tornem mais eficazes. É possível vislumbrar esse elemento tático em uma situação
real de jogo de futebol, quando há um posicionamento avançado de dois jogadores em
relação ao último jogador de defesa durante a cobrança de uma falta, a combinação está
no deslocamento rápido desses dois jogadores, saindo da posição de impedimento no
mesmo instante em que seu colega faz a cobrança da falta.
O jogo coletivo também está vinculado à relação estreita entre os jogadores da
equipe. Aqui se utilizam as ações motoras para o trabalho da percepção de como jogar,
a partir da variação de número de jogadores, de posicionamento da defesa e de
organização coletiva da equipe. A brincadeira “bobinho”, que é muito executada entre
aqueles que jogam futebol, desde as crianças até os adultos, da iniciação ao alto
rendimento, é um bom exemplo para esse elemento. Nesse tipo de brincadeira, os alunos
que estão no círculo deverão estar completamente articulados, para que não percam a
bola para os colegas que estão dentro do círculo (PAZ, 2019).
O quinto elemento tático, reconhecer espaços, tem relação com o adversário. A
tarefa consiste em desenvolver ou identificar possibilidades variadas para se conquistar
a meta final do jogo. Para tanto, deve-se desenvolver a habilidade de analisar e observar
os espaços de maior êxito para as jogadas. Podemos citar como exemplos um ataque no
voleibol atingindo uma área da quadra sem cobertura, ou, ainda, um passe no contra-
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ataque do futsal, em que o jogador percebe o lado da quadra que não está sendo
ocupado pelo defensor adversário, o que permite o deslocamento de um companheiro
para aquele setor para receber o passe e concluir em gol.
Na iniciação, as atividades com delimitação de espaços que se utilizem de
marcações desenhadas no chão, arcos, cordas, entre outros, facilitam a visualização
desses espaços. Dessa forma, a mesma lógica do bobinho pode ser executada, só que
agora com marcação dos espaços que limitam o deslocamento dos jogadores. Pense em
um lado da quadra de voleibol dividido por três linhas iguais desenhadas no chão,
formando três retângulos de 9 m × 3 m. Em cada um deles se posicionam dois jogadores.
A bola deve ser lançada entre os jogadores das linhas extremas, sendo que os do meio
têm a tarefa de impedir esse lançamento. Contudo, nenhum dos jogadores pode pisar ou
sair de sua área limitada. Esse tipo de atividade pode facilitar a aprendizagem do
reconhecimento dos espaços (PAZ, 2019).
Ainda na lógica relacionada à equipe contrária, o elemento tático de superar o
adversário explora a habilidade de assegurar a posse de bola, mesmo quando em
confronto com o adversário. O aluno vai definir a melhor forma de realizar a ação, para
que ele não “entregue” ou perca a posse de bola para o adversário. De certa forma, a
escolha correta é a que concretiza a superação do adversário. Assim, o aluno deve ter a
capacidade de analisar, a partir da situação em que se apresenta o jogo, o que é melhor:
chutar, ou rolar, ou quicar, entre outras ações. Essa pode ser uma decisão que se utilizará
de capacidades individuais ou do processo coletivo do jogo, conforme lecionam Greco e
Benda (1998).
O último elemento, oferecer-se e orientar-se, está relacionado com o ambiente
(quadra, território, campo). O aluno será orientado a se perceber nos espaços do jogo;
ele deve fazer a leitura de qual é a sua posição em relação ao adversário, ao seu colega,
à marcação que está recebendo ou à meta do jogo (goleira). Com essa análise, ele deve
se deslocar de forma dinâmica e rápida, para que sempre esteja em um espaço que
possa ser aproveitado, tanto para receber ou passar a bola como para chamar a atenção
da equipe adversária, dando condições mais favoráveis para que seu colega passe ou
receba a bola. As atividades para esse elemento sempre envolverão movimentação.
Assim, cones, caixas e barreiras podem servir de obstáculos para deixar a área do jogo
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mais desafiadora, onde as decisões serão tomadas a partir da variedade de elementos
(colegas, obstáculos, metas, etc.).

5 INICIAÇÃO ESPORTIVA E CAPACIDADES COORDENATIVAS NOS ESPORTES


COLETIVOS

No processo de transformação de uma habilidade básica motora para um gesto


técnico de alguma modalidade esportiva, há fases que delimitam as aprendizagens.
Nessas fases, a habilidade motora se inicia como um movimento naturalizado e, depois,
é potencializada pela liberdade de execução e vivência do movimento, sem restrição os
processos de ensino que se pautam no desenvolvimento das tarefas motoras, de certa
forma, influenciam essa liberdade de execução, pois, aos poucos, vão solicitando ao
movimento o acréscimo de combinações, de variações e de objetivos e, até mesmo,
delimitam espaços, regras, adversários, entre outros aspectos.
Na lógica dos jogos situacionais, é importante garantir possíveis espaços livres de
realização do gesto, já que, nessa fase, ainda há uma valorização do ganho de
experiências e da incorporação do ato de jogar. Contudo, o avanço para uma nova fase
vai solicitar ao aluno que as suas ações motoras sejam aperfeiçoadas. Nesse processo,
encontram-se as capacidades coordenativas, que servem como uma ponte para o
refinamento técnico da ação específica do jogar uma determinada modalidade esportiva.
Ou seja, essas capacidades se pautam em um estágio de preparação e qualificação dos
movimentos (PAZ, 2019).
Na iniciação aos esportes coletivos, as capacidades coordenativas são
caracterizadas por um conjunto de operações que estão sendo determinadas pela função
parcial que elas desempenham e que, posteriormente, servem de base para as ações
específicas das modalidades esportivas (GRECO; BENDA, 1998). Uma capacidade
coordenativa se revela na competência em realizar duas ou mais habilidades ao mesmo
tempo, de forma eficaz e coordenada, como quicar a bola correndo.
Assim, cabe o ensinamento de várias combinações de movimento. Entretanto,
como o foco é a iniciação aos esportes coletivos, os critérios para definir o que deve ser
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aprendido estarão atrelados àquelas movimentações que definem os esportes, isto é, ao
arremessar do handebol e basquetebol, ao chute do futebol e futsal, ao rebater no hóquei
e basebol, etc. As capacidades coordenativas têm pontos em comum com as
capacidades técnicas e táticas.
Como a ideia é sempre buscar o aperfeiçoamento das capacidades coordenativas,
tendo como meta a qualificação do movimento do esporte, é necessário ir ampliando a
dificuldade e os desafios na realização dos exercícios para essas capacidades. Kroger,
Roth e Memmert (2002) afirmam que o trabalho deve ser potencializado pelo uso dos
condicionantes de pressão, tempo, precisão, complexidade, organização, variabilidade
e carga, e pelo uso dos analisadores perceptivos visual, acústico, tátil, vestibular e
sinestésico (PAZ, 2019).

5.1 Aprimorando as capacidades coordenativas

Os condicionantes de pressão são desafios propostos na execução das


capacidades coordenativas que vão dar a elas um grau maior de dificuldade, exigindo
maior atenção, agilidade, percepção e velocidade dos alunos. Os movimentos ganham
novas exigências que, ao longo das diferentes experimentações ou formas de executar,
são incorporadas e passam a ser usadas pelos alunos em situações reais de jogo. Tal
fato também justifica o uso dos jogos situacionais como proposta de ensino para os
esportes coletivos, conforme afirmam Kroger, Roth e Memmert (2002).
Vamos analisar as características de cada condicionante de pressão, verificando
um exemplo de exercício para cada condicionante.
Pressão de tempo: é quando, na ação a ser executada, há a solicitação de que
ela seja realizada no menor tempo possível. Sugestão de exercício: alunos em duplas,
um de frente para o outro, com uma bola. O professor marca um tempo de 30 segundos.
Um aluno lança a bola para o outro; este deve recuperar a bola, dar um giro com o corpo
e lançar novamente para o colega. O tempo deve ser continuamente reduzido, e as
repetições devem ir aumentando (PAZ, 2019).
Pressão de precisão: acertar alvos com o máximo de exatidão. Os alvos devem
estar posicionados em vários lugares e ter diferentes formas e tamanhos. Sugestão de
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exercício: acertar a bola em um alvo na posição de pé, em cima de um banco. Pode ser
executado de diferentes formas: sentado; em dois bancos, com um pé em cada banco;
em cima de uma cadeira; entre outros modos.
Pressão de complexidade: uma ação individual acontece na sequência imediata
da outra. Sugestão de exercício: um aluno rola a bola para outro; este deve receber a
bola e imediatamente acertar essa bola dentro de um arco que estará no chão a 1 m de
distância dele. Todos os movimentos devem ser executados com os pés.
Pressão de organização: esse condicionante exige que o aluno execute
diferentes ações ao mesmo tempo. Sugestão de exercício: alunos organizados dois a
dois, um de frente para o outro, com uma distância de 1 m entre eles. Os dois terão um
balão na mão; eles devem realizar passes rasteiros entre eles com os pés e, ao mesmo
tempo, rebater os balões sem que caiam no chão.
Pressão de variabilidade: as variações estão relacionadas às condições
ambientais e de execução. Sugestão de exercício: quicar a bola cinco vezes com a mão
direita dentro de um arco e, depois, quicar a bola cinco vezes com a mão esquerda de
um lado e de outro de um cone pequeno.
Pressão de carga: esse condicionante vai exigir um esforço físico para a
execução da tarefa. Sugestão de exercício: executar três saltos por cima de barreiras
pequenas, receber a bola e goleá-la imediatamente com o pé ou a mão.
Ainda no processo de refinamento e qualificação das capacidades coordenativas,
os condicionantes de pressão ganham maior exigência quando são adicionados os
analisadores perceptivos. Estes se manifestam no recebimento de uma nova informação
durante a execução do movimento, que pode ser captada pelos sentidos do corpo. Assim,
para além da pressão, o aluno terá que resolver como vai executar de forma ágil e eficaz
a ação a partir de uma nova exigência (KROGER, ROTH e MEMMERT, 2002).
Nesse sentido, é possível conceituar o analisador perceptivo visual como a
capacidade de detectar a informação por meio da visão. As informações que são dadas
pelo professor se manifestam por cores, por dada intensidade luminosa ou na forma, na
profundidade e na largura de um alvo, por exemplo. É na percepção auditiva, realizada
por um sinal sonoro, que o aluno detecta o som, a sensação sonora, a localização, a
compreensão de atenção e a memória, que estimulam a mudança de direção, de ação
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motora ou de intensidade do movimento, por exemplo. Aqui, o sinal sonoro é
transformado em informação (PAZ, 2019).
Os diferentes tamanhos, pesos e formas das bolas podem auxiliar a desenvolver
as atividades que objetivam trabalhar o analisador tátil. É com essa percepção que os
reconhecimentos de posicionamento de braço, de ângulo de lançamento ou, ainda, de
uso da força são incorporados pelos alunos. As estruturas originadas nessa exploração
serão acessadas a cada especialização, pois é muito diferente lançar uma bola de
handebol e lançar uma bola de basquetebol.
O equilíbrio corporal está relacionado ao analisador vestibular. Os exercícios
apropriados para esse trabalho devem promover ações de desequilíbrio e retomada de
equilíbrio; o corpo será colocado em situações instáveis, e o movimento deve ser
executado independentemente da posição estável do corpo. Exemplifica-se essa
situação quando o atleta de handebol realiza um arremesso a gol durante o salto. Na fase
da iniciação, um exercício a ser praticado pode ser uma corrida em ziguezague em alta
velocidade por entre cones e, ao final, a subida em um step, para então saltar e
arremessar a gol.
Por fim, o analisador cinestésico se apresenta quando o aluno é exposto a
estímulos externos, e ele precisa compreender o seu posicionamento corporal no espaço
em situações estáticas e dinâmicas. Por exemplo: receber uma bola que teve a
interferência do contato do adversário durante o deslocamento. Esse contato se refere
ao estímulo externo, que faz, de forma involuntária, a bola mudar sua trajetória, sua força
e sua direção, obrigando o aluno a reavaliar a forma de executar a sua ação (PAZ, 2019).
Após a fase da iniciação, isto é, do ato de jogar, podemos aproximar o
entendimento do jogo formal de uma modalidade esportiva coletiva específica, utilizando-
se das estruturas funcionais. As estruturas funcionais consistem em recortes de um jogo,
em que há participação de um ou mais jogadores em situação de defesa ou ataque, fato
que é definido pela posse da bola. Elas são uma fase preparatória para se chegar ao jogo
propriamente dito de um esporte.
Assim, as estruturas funcionais têm por objetivo desenvolver as funções táticas,
que estarão vinculadas às decisões que são apresentadas durante a execução técnica
do jogo formalizado. Nesse processo, há, em cada recorte do jogo, um nível de
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dificuldade diferente, definido pelas várias informações recebidas: pelos cenários que se
apresentam por meio do número de jogadores da mesma equipe que estão envolvidos
na situação, ou pelo número de adversários, ou na demarcação do espaço, ou, ainda, no
possível contato físico (PAZ, 2019).
A complexidade de cada estrutura vai estar atrelada ao confronto com o adversário
e, da mesma forma, com a colaboração entre os colegas. Na prática, as estruturas
funcionais são concretizadas nos fundamentos estruturais, que indicam o número de
envolvidos na ação. Por exemplo, verificam-se as seguintes situações:

 1 × 0: há somente um jogador nessa situação do jogo;


 1 × 1: quando há um jogador de cada equipe (atacando e defendendo);
 3 × 2: uma situação de superioridade numérica da equipe que está atacando
em relação à que está defendendo.

Será nessa lógica que as atividades e ou estratégias de ensino serão elaboradas.


O quadro abaixo apresenta exemplos de estruturas funcionais relacionadas aos
elementos técnicos e táticos.

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As premissas evidenciadas sugerem uma iniciação aos esportes coletivos de
forma mais complexa e ampliada, que solicitam do aluno o entendimento da lógica do
jogo e que buscam qualificar as suas ações motoras. É nessa qualificação que o
refinamento se estrutura; isto é, se o aluno consegue realizar uma tarefa motora de forma
mais eficaz, sem a preocupação com uma técnica específica, ele estará mais bem
preparado para receber e incorporar outras estruturas de movimento quando estas
tiverem por meta a habilidade do esporte apreendido (PAZ, 2019).
Pode-se compreender que é possível desenvolver aspectos técnicos, táticos e
coordenativos sem haver nenhuma especialização no esporte; no entanto, diversas
vezes se observa uma especialização precoce, que pode trazer inúmeros prejuízos.
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6 METODOLOGIA DO FUTEBOL E DO FUTSAL

O futebol e o futsal são modalidades esportivas coletivas que dependem não


apenas das habilidades técnicas de cada jogador, mas também da sua disciplina nas
funções táticas. Suas técnicas específicas, como passes, chutes, recepção, domínio de
bola, dribles e fintas, devem ser desenvolvidas por todos os jogadores, de modo a auxiliar
as equipes a vencer os adversários. Além disso, o conhecimento e as especificidades
das funções que devem ser desenvolvidas em uma partida dão origem às formações dos
sistemas ofensivo e defensivo (GONÇALVES, 2006).

6.1 Técnicas específicas do futebol e do futsal

O futebol e o futsal são esportes coletivos nos quais cada um dos jogadores, entre
titulares e reservas, tem uma importância particular para o êxito da equipe dentro de
campo ou da quadra. Em outras palavras, ainda que uma equipe disponha de um
jogador com extrema habilidade técnica e exímia condição física, são as características
coletivas que determinarão o rendimento da equipe ao final da partida. Assim, é
fundamental que os jogadores aprendam e dominem as técnicas individuais, como o
passe, o chute e o drible (GONÇALVES, 2006).

6.2 Passe

O passe e o chute representam duas das técnicas essenciais no futebol e no futsal,


contudo, em um jogo coletivo, no qual a participação de vários jogadores em uma mesma
jogada é fundamental para chegar à meta adversária, o passe ganha maior importância.
Pode-se definir o passe como “[...] o meio de comunicação entre jogadores de uma
equipe, é o que possibilita o jogo em conjunto e a progressão de jogadas [...]” (MUTTI,
2003, p. 33).
Existem diferentes tipos de passe: os curtos, os longos e aqueles por elevação.
Os passes curtos consistem na transferência da posse de bola entre dois jogadores da
mesma equipe que estão próximos um do outro. Em jogos de futsal, são bastante
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comuns. Os passes longos referem-se à transferência da posse de bola entre jogadores
que estão distantes, o que é mais comum no futebol. Já os passes em suspensão, que
podem ser curtos ou longos, são realizados com a trajetória aérea da bola.
Os passes devem ser efetuados buscando a firmeza e a precisão da trajetória da
bola. Embora possam ser realizados com diferentes partes do corpo (peito, cabeça,
coxas, etc.), são mais frequentemente desenvolvidos com os pés.
Para os passes curtos, frequentemente se utilizam a parte interna e a parte externa
dos pés. Em passes mais longos, como os lançamentos e o tiro de metas dos goleiros,
são realizados com o dorso dos pés, proporcionando maior impacto e transferindo maior
força à bola. Há, também, o passe cavado, bastante utilizado no futsal, que consiste em
fazer com que a bola faça uma trajetória aérea, passando por cima de um adversário que
está próximo, até chegar a um companheiro, também próximo.
Para realizar o passe, as pernas devem estar ligeiramente descontraídas,
facilitando o toque de bola do jogador com qualquer parte do pé rapidamente. O jogador
que efetua o passe deverá tentar fazer com que o adversário não adivinhe a trajetória
que a bola tomará após realizar o passe, tentando efetuá-lo de maneira rápida e sem
enquadrar o corpo lentamente, o que possibilitaria tal previsão.
Outro cuidado que o jogado deve ter é buscar a localização e as ações do
companheiro para o qual pretende passar a bola. Caso este esteja em movimento,
precisa buscar efetuar o passe calculando a força e a direção necessárias para que a
bola chegue ao momento e ao local onde o companheiro deverá estar (MUTTI, 2003).

6.3 Chute

Tanto no futebol quanto no futsal, o chute representa a principal maneira de


realizar o gol, objetivo principal do jogo. Os princípios básicos do chute se assemelham
aos do passe, exceto que, no chute, a força e a precisão devem ser maiores, evitando
que o goleiro, único jogador que pode usar todas as partes do corpo, chegue à bola e
esta ingresse a meta adversária. Assim como os passes, existem diferentes tipos de
chutes (p. ex., de bico, com o dorso do pé, voleio e bate-pronto).

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O chute de bico consiste em acertar a bola com a extremidade frontal do pé, sendo
mais utilizado quando a bola está se movendo em uma trajetória para frente do jogador
que efetuará o chute, quando está dominada ou quanto está parada. Trata-se de um tipo
mais utilizado no futsal, no qual os tempos e espaços para enquadrar o corpo é menor.
No chute de bico, o jogador busca fazer com que, ao diminuir a área de contato com a
bola, a força do impacto seja maior e a bola adquira maior força em sua trajetória. Embora
seja bastante forte, para que o jogador tenha precisão e a bola assuma a trajetória
desejada, o chute deve ser efetuado ao centro da bola (SANTINI; VOSER, 2008).
No chute com o dorso do pé, o jogador acerta a bola em uma área de contato
maior, aumentando as chances de atingir o gol. Nesses casos, a inclinação do jogador é
maior, fator essencial para que a bola seja acertada em sua área média. O chute de voleio
é mais utilizado quando a bola se aproxima do jogador em uma trajetória aérea na qual,
sem deixar que a bola toque o solo, o jogador a acerta com o dorso do pé. Da mesma
forma, o chute de bate-pronto consiste no chute executado no exato momento em que a
bola, após a trajetória aérea, toca o solo. Nesses casos, pode ser realizado com o bico
ou com o dorso do pé.

Fonte: www.tandembranding/Shutterstock.com.

20
Nos chutes, a perna de apoio (aquela em que o corpo é sustentado durante o
chute) tem uma função importante: conforme a sua posição, a bola assumirá uma
trajetória rasteira ou alta. A perna de apoio deve ser posicionada ao lado da bola no
momento do chute, com os braços equilibrando o corpo. O braço do lado da perna que
realizará o chute deve permanecer baixo, ligeiramente afastado do corpo, com a mão na
altura do quadril. O braço contrário à perna que chuta deve estar posicionado a uma
altura mais ala, ligeiramente flexionado, à altura do ombro. O tronco, sustentado pela
perna de apoio, deve se posicionar levemente inclinado (APOLO, 2004).
Existem algumas fases que compõem o chute. Primeiro, há a corrida do jogador
em direção à bola, com o tronco ligeiramente inclinado à frente. Em seguida, com uma
hiperextensão de quadril e a flexão de joelhos, o pé que efetuará o chute deve ser
levantado para trás. Na terceira fase, os músculos que compõem o pé devem estar
contraídos e a perna relaxada. Por último, na quarta fase, após o impacto na bola, o pé
continua sua trajetória, para frente e para cima, completando um meio círculo. Nos
chutes, antes de efetuar os movimentos, o jogador deve buscar identificar a posição da
meta adversária, do goleiro e dos demais jogadores em campo ou em quadra, evitando
que a bola toque em possíveis obstáculos.

6.4 Recepção da bola

A recepção consiste na habilidade de um jogador receber a bola, amortecendo-a


e mantendo-a sob o seu controle. De modo geral, a recepção ocorre após um passe, com
a trajetória da bola lançada rasteira, alta, ou à meia altura. Para fazer a recepção, o peito,
a coxa, a cabeça ou os pés podem ser utilizados, conforme a trajetória da bola.
Para fazer amortecer a bola, é necessário relaxar a musculatura do local com o
qual fará contato. O olhar deve se manter fixo na bola, até que o toque na bola se
concretize (APOLO, 2004).
Já no modo mais comum de realizar a recepção da bola com os pés, o peso do
corpo deve ser transferido para a perna de apoio. No futsal, a forma mais comum de
efetuar esse fundamento consiste em travar a bola no solo utilizando a planta do pé.
Nesse caso, a bola já deve ser rolada para frente, facilitando a ação futura do jogador
21
(como um passe, um chute ou a condução). No futebol, por conta das travas da chuteira,
é mais comum utilizar a parte interna do pé para amortecer a bola. Assim, a perna que
efetua a recepção deve fazer um leve movimento para trás no momento do contato da
bola, buscando fazer com que o impacto não projete a bola para frente.
Quando a recepção é realizada com a coxa, em bolas com trajetória à meia altura,
o joelho realiza uma leve flexão, retirando o pé do solo, com o jogador mantendo toda a
musculatura da perna relaxada. Quando no contato da bola, a coxa abaixa levemente,
acompanhando e amortecendo a trajetória da bola. No caso da recepção com o peito, o
jogador deve buscar expirar o ar do pulmão e levar os ombros à frente, criando uma
superfície mais macia para o contato com a bola. O tronco deve estar levemente inclinado
para trás e os braços elevados à altura do ombro, auxiliando no equilíbrio do corpo.

6.5 Condução de bola

Conduzir consiste em carregar a bola, mantendo o controle sobre ela, de um local


a outro da quadra ou do campo. Nas conduções, o toque na bola deve ser sutil,
mantendo-a sempre próxima do jogador. Em casos de conduções mais longas e sem a
proximidade do adversário, a condução pode ser realizada com toques que possibilitem
uma distância maior entre a bola e o jogador (APOLO, 2004).
Durante a condução, o jogador deve procurar olhar a bola no momento em que
efetua o contato com ela e, em seguida, levantar a cabeça para observar os demais
componentes do jogo. Precisa buscar sempre conduzir a bola para protegê-la de
possíveis marcações ou intervenções adversárias. A condução pode ser feita com a parte
interna, a parte externa ou com a planta do pé, com o jogador rolando a bola para a frente
e/ou para os lados (MUTTI, 2003).

6.6 Drible e finta

O drible é uma ação realizada pelo jogador que combina as habilidades de


equilíbrio, velocidade, agilidade, ritmo, improvisação, entre outros elementos, com o
objetivo de ultrapassar um adversário, mantendo a posse e o domínio da bola. Já a finta
22
consiste em deslocar o adversário e fugir de sua marcação, no momento em que está
sem a posse de bola. Ambas as técnicas são bastante utilizadas nos momentos ofensivos
da equipe (APOLO, 2004).
Para driblar ou fintar, é preciso que os pés estejam levemente afastados, o tronco
ligeiramente inclinado para a frente, os joelhos levemente flexionados e a musculatura
consideravelmente relaxada. De modo geral, essas ações consistem em enganar o seu
adversário, utilizando-se de movimentos que ameaçam tomar determinada direção, mas,
como modo de ludibriar, tomam outra. O jogador que faz o drible deve tomar o cuidado
para que o seu marcador adversário não se aproxime o suficiente para impedir suas
progressões e não esteja muito afastado de modo que consiga se deslocar em direção à
bola antes do driblador.
Para um bom drible, a condução de bola e as diferentes habilidades motoras
devem ser bem desenvolvidas. Cabe destacar que, embora representem características
dos jogadores ofensivos, o drible e a finta devem ser produzidos também por jogadores
defensivos, já que, em muitos momentos, estes são a opção de infiltração à defesa
adversária.

6.7 Controle de bola

Habilidade a ser desenvolvida por qualquer jogador, consiste em controlar a bola,


dominando-a, independentemente da trajetória e da direção assumidas, usando, para
tal, diferentes partes do corpo. Para um bom controle da bola, é preciso, sobretudo, que
o corpo se mantenha constantemente equilibrado. Nesse sentido, os joelhos devem
manter-se semiflexionados, o tronco levemente inclinado para a frente e os braços à
meia altura, ampliando o equilíbrio. A musculatura deve estar levemente contraída, para
possibilitar o controle corporal e os movimentos rápidos em relação à trajetória da bola
(APOLO, 2004).

23
6.8 Marcação e combate

Tanto no futebol quanto no futsal, quando a equipe não detém a posse de bola, é
primordial que os jogadores tentem recuperá-la, efetuando marcações e combate aos
jogadores adversários. A marcação deve ser realizada sobre o jogador que está com a
bola e sobre aqueles que estão sem a bola, evitando que a recebam. Já o combate, de
modo geral, se aplica sobre o jogador com a posse da bola.
Em ambos os fundamentos, o jogador não deve apenas fixar o seu olhar sobre a
bola, mas também procurar identificar os movimentos que o jogador adversário fará,
antevendo seus deslocamentos. Precisa, ainda, ficar sempre próximo ao oponente e
acompanhá-lo em sua movimentação, independentemente do sistema adotado pela
equipe (APOLO, 2004).
O domínio das técnicas individuais é fundamental para que uma equipe tenha êxito
nas diversas situações que compõem os jogos de futsal e futebol. Por isso, todos os
jogadores devem ter a capacidade de executá-las. Evidentemente, por melhores que
sejam as capacidades técnicas dos jogadores, a posição que assumem em campo ou
em quadra também se mostra fundamental nas jogadas ofensivas e defensivas.

7 FORMAÇÕES OFENSIVAS E DEFENSIVAS NO FUTEBOL E NO FUTSAL

Para que uma equipe de futebol ou de futsal obtenha êxito em uma partida, não
basta que os jogadores se destaquem individualmente. Mais do que isso, é necessária a
ação conjunta dos diferentes componentes da equipe para que, de maneira integrada,
consigam articular as jogadas ofensivas, na busca do gol, e defensivas, recuperando a
bola e evitando as jogadas adversárias. Essas funções coletivas podem ser apresentadas
em formações ofensivas e defensivas (APOLO, 2004).
De modo geral, no futebol, embora todos os jogadores participem de todas as
jogadas, as equipes utilizam cinco jogadores com características e funções mais
ofensivas e seis jogadores com características e funções mais defensivas. No futsal, pela
reduzida quantidade de jogadores e a limitada dimensão da quadra, podemos observar
24
que todos participam com maior intensidade de jogadas defensivas e ofensivas
(GONÇALVES, 2019).

7.1 Formações ofensivas

Para que uma equipe consiga realizar o objetivo principal do jogo: fazer gol, os
diferentes jogadores precisam articular as jogadas, conduzindo a bola até a meta
adversária e realizando a finalização. Para tanto, as ações ofensivas se desenvolvem em
fases distintas, podendo-se elencar três momentos: a manutenção da posse de bola; a
progressão até o campo adversário; e a finalização.
A manutenção da posse de bola consiste na troca de passes e na condução da
bola que permitem a articulação das jogadas. A posse da bola eleva as possibilidades de
uma equipe conduzi-la até a área adversária e obriga o adversário a jogar em reação,
buscando a recuperação. Nesta, que é a primeira fase de uma jogada ofensiva, o passe
e a recepção da bola são primordiais. A segunda fase das jogadas ofensivas refere-se à
progressão até o campo adversário (MUTTI, 2003).
Logicamente, somente a posse de bola não é suficiente para articular as jogadas
de ataque. De modo bastante comum, também se emprega a posse de bola como
estratégia defensiva.
No entanto, para atacar, os jogadores devem progredir no campo, fazendo a boa
ingressar na meta adversária. Para realizar a progressão, os passes e a recepção, a
condução de bola, as fintas e os dribles tornam-se essenciais, com o intuito de fugir da
marcação e do combate realizados pelos adversários.
Por último, a finalização, é a etapa mais curta das jogadas ofensivas, já que
consiste no ato final, realizado por meio de chutes, cabeceio ou outras jogadas, para
colocar a bola dentro da meta adversária. Essa etapa apenas se concretiza quando as
duas etapas anteriores são realizadas com sucesso.
As três fases descritas ocorrem em qualquer uma das formações ofensivas
adotadas pelas equipes. De maneira ampla, podemos identificar quatro diferentes tipos
de formações ofensivas: os ataques posicionais, os ataques rápidos, os ataques de
segunda bola e os contra-ataques (LEITÃO, 2004).
25
Os ataques posicionais consistem na criação de jogadas ofensivas a partir da troca
de passes constantes, buscando encontrar espaços no campo de atuação dos
adversários para buscar o gol. A principal característica dessa formação refere-se à
posse de bola com a progressão de maneira controlada em direção ao gol, trocando
passes laterais, até conseguir uma posição privilegiada para efetuar a finalização. Esse
formato se torna a principal opção aos times com bons passadores que jogam contra
defesas pouco organizadas (GONÇALVES 2019).
Os ataques rápidos são aqueles realizados de maneira vertical em direção ao gol,
em que a equipe tenta chegar ao gol adversário o mais rápido possível. Nesse modelo,
a posse de bola é deixada a um segundo plano, dando espaço para dribles rápidos e
lançamentos. Esse formato se torna a principal alternativa para times com jogadores
rápidos e habilidosos nos dribles e nas fintas, jogando contra equipes com defensores
mais lentos (MUTTI, 2003).
Os ataques de segunda bola consistem nas ocasiões em que, após lançar a bola
para o ataque, um jogador que disputa a bola aérea passa a bola para os jogadores
armadores, para que construam a jogada. Esse formato é característico de equipes com
jogadores ofensivos de referência em bolas aéreas (geralmente os centroavantes), que
fazem a função de “parede” contra os defensores, ganhando a disputa das bolas lançadas
em trajetória aérea.
Por último, as jogadas do tipo contra-ataque surgem a partir da recuperação da
bola durante o ataque adversário e a rápida progressão ao gol adversário, tais quais os
ataques rápidos. Esse formato é ideal para equipes que enfrentam equipes mais fortes
tecnicamente e devem permanecer em sua zona de defesa, buscando interceptar ou
desarmar os jogadores adversários. Também é ideal para equipes com uma boa defesa
e jogadores ofensivos rápidos.

7.2 Formações defensivas

As formações de defesa são ações coletivas que buscam impedir que a equipe
adversária realize jogadas e, consequentemente, marque gols. Para elaborar um bom
sistema defensivo, devem-se levar em consideração as especificidades técnicas e físicas
26
de cada jogador. Além disso, a disciplina coletiva e o entrosamento precisam estar
apurados, uma vez que cada jogador desempenha um papel fundamental na organização
de todo o time, ou seja, a displicência de um único jogador pode comprometer o objetivo
coletivo da equipe. De modo geral, as formações defensivas se classificam em marcação,
individual, marcação por zona, marcação tipo pressão ou marcação mista, as quais serão
discutidas a seguir.
Na marcação individual, predomina a atuação de um defensor sobre um atacante
específico, isto é, os embates técnicos e físicos ocorrem no sistema um contra um,
havendo uma predeterminação sobre qual jogador adversário cada um dos defensores
deverá conter. Os princípios para os defensores seguem regras básicas, eles deverão
ficar entre o atacante e o gol, mantendo-se a uma distância próxima, forçando-o a
conduzir a bola para o lado do campo ou da quadra em que tem menor habilidade de
modo a limitar suas ações (APOLO, 2004).
Na defesa por zona, os defensores não se preocupam especificamente com
apenas um jogador adversário, mas sim com determinado local da quadra ou do campo
que deve proteger, ou seja, o campo de defesa divide-se em zonas imaginárias, pelas
quais o jogador responsável deve marcar o jogador adversário que nelas ingressar.
A principal característica da defesa do tipo pressão consiste na disposição mais
adiantada de todos os jogadores da equipe, marcando os jogadores adversários em sua
zona de defesa, forçando os erros de passes na saída de bola e a recuperação rápida da
posse de bola. Nesse tipo de formação, é bastante comum que dois jogadores marquem
o jogador adversário que detém a posse da bola. Há também uma variação nesse tipo
de defesa, principalmente no futebol. A defesa meia-pressão consiste em metade do time
(geralmente os atacantes) marcando a saída de bola dos defensores adversários e os
defensores marcando por zona ou individualmente.
A defesa mista reúne elementos da defesa individual e por zona, isto é, enquanto
um defensor marca um jogador individualmente, os demais defensores tentam guarnecer
locais específicos da quadra ou do campo, sem necessariamente se preocuparem com
algum jogador em específico. Esse tipo de marcação é bastante frequente no futebol de
campo, quando um jogador específico faz marcação constante do jogador adversário
mais habilidoso (GONÇALVES, 2019).
27
Uma variação da defesa mista é a defesa combinada, que também se utiliza de
dois ou mais modelos de defesa. Esse tipo de formação defensiva necessita de um
grande entrosamento da equipe e uma disciplina tática excepcional dos jogadores. Nela,
as ações defensivas variam durante a jogada de ataque adversária. Por exemplo,
suponhamos que uma equipe está marcando por zona; após um passe ou um movimento
de um dos atacantes adversários, a equipe rapidamente transforma sua formação para a
defesa individual (GONÇALVES, 2019).
Evidentemente, não existe nenhum sistema defensivo infalível ou perfeito,
devendo ser adaptados conforme as especificidades individuais e coletivas de cada
equipe. Contudo, podemos estabelecer algumas vantagens e desvantagens gerais ao
usar determinado tipo de conceito defensivo. O quadro a seguir apresenta as principais
características de cada um dos formatos apresentados.

28
Fonte: Adaptado de Santini e Voser(2008)

29
Dessa forma, percebemos que os sistemas ofensivos e defensivos podem ganhar
inúmeros formatos, adaptando-se às características de cada um dos jogadores e da
equipe ou à situação exigida pelo jogo. No futebol e no futsal, as características dos
jogadores e as formações ofensivas e defensivas determinam o esquema tático a ser
adotado pelas equipes.

8 PRINCIPAIS SISTEMAS TÁTICOS DO FUTEBOL E DO FUTSAL

No futebol e no futsal, as diferentes características dos jogadores, as proposições


ofensivas e defensivas das equipes, e a maneira como as equipes adversárias se
apresentam delimitam o melhor posicionamento de uma equipe em campo. Os sistemas
táticos compreendem as disposições adotadas pelas equipes que buscam neutralizar as
jogadas adversárias e possibilitar as construções das próprias jogadas.
Existem inúmeros formatos possíveis para uma equipe se postar em quadra ou
em campo. Essas diversas formatações evoluíram durante os anos e formaram os
sistemas táticos adotados atualmente.

8.1 Principais sistemas táticos do futebol

Os sistemas táticos do futebol apresentam a disposição dos jogadores que


compõem a linha de defesa, outra linha mais adiantada na intermediária e uma linha,
mais adiantada ainda, na zona de ataque, próxima à meta adversária (GONÇALVES,
2019).
De modo geral, em cada uma dessas linhas, há uma atuação distinta entre os
jogadores, separando-os entre defensores (zagueiros, líberos e laterais), meio-campistas
(volantes, meias e armadores) e atacantes (pontas, segundo atacantes e centroavantes).
Dentro dessas três linhas de jogadores, a equipe adequa a sua estratégia conforme a
proposição do jogo que deseja desenvolver e busca neutralizar os ataques adversários.

30
Fonte: https://br.freepik.com

Cabe destacar que, no futebol, onze jogadores são titulares, sendo um deles o
goleiro, que deve atuar preferencialmente abaixo da sua meta e dentro de sua área, onde
dispõe de maiores possibilidades de realizar defesas. Assim, os sistemas táticos
consideram apenas os jogadores de linha. Os principais sistemas táticos do futebol são
descritos a seguir (CASTELO, 1992).

 4–2–4: até a década de 1950, o principal esquema utilizado pelas equipes


era o 3–4–3, com três zagueiros em linha, dois volantes, dois meias
ofensivos e três atacantes. Em 1958 e em 1962, como alternativa para
superar o esquema utilizado pela maioria das equipes, a seleção brasileira
utilizou o 4–2–4, com quatro zagueiros, dois volantes e quatro atacantes,
dois deles atuando como pontas, jogando nas extremidades do campo.
Esse formato, embora não seja comumente utilizado, representa uma
31
referência, pois originou as outras possibilidades de formar as equipes
taticamente (XAVIER, 1986).
 4–3–3: como o 4–2–4 reduziu a posse de bola no meio-campo, pela
diminuição do número de jogadores na intermediária do campo, as partidas
acabaram se resumindo à ligação entre a defesa e o ataque, por meio dos
lançamentos. Aos poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do
ataque e da defesa para o meio-campo. E, assim, o 4–3–3 passou a ser o
primeiro sistema a buscar aumentar a posse de bola no setor de criação.
Pode variar de um volante e dois meias para dois volantes e um meia,
modificando-se ainda mais com as estratégias de ataque ou defesa (laterais
ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e movimentação dos
atacantes). No ataque, as posições também ganham diferentes formatos,
com a atuação de dois jogadores em cada uma das extremidades do campo
e um centroavante; ou com dois centroavantes e um jogador mais extremo
ou com três jogadores de grande movimentação. Hoje, por exemplo, muitas
equipes utilizam um 4–3–3 com laterais quase fixos à defesa, em linha, e
atacantes de movimentação que jogam em diagonal, ao contrário dos
antigos pontas, que corriam para o fundo e faziam cruzamentos. Trata-se
do mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente (FREIRE, 2006).
 4–4–2: esse esquema é um dos mais utilizados na atualidade por
apresentar certo equilíbrio em todos os setores do campo. Consiste na
utilização, na linha defensiva, de dois zagueiros e dois laterais, os últimos
com a função também de atacar, alterando as suas progressões. Mais à
frente, são dois meio-campistas com características defensivas e dois meio-
campistas mais ofensivos. E, completando o ataque, dois atacantes,
geralmente um centroavante jogando próximo à área e o outro atacante um
pouco mais afastado, procurando realizar dribles e penetrações na defesa
adversária. Nesse sistema, também é comum a variação na formação do
meio-campo, com apenas um ou três volantes (meio-campistas mais
defensivos) ou um ou três meias-atacantes, tornando a equipe,
respectivamente, mais defensiva ou ofensiva. No meio-campo, os
32
posicionamentos dos jogadores diferem, atuando em formato de quadrado,
de losango ou de “Y”, com atribuições de funções mais defensivas ou
ofensivas a cada um deles nesse setor. Este também é o sistema preferido
para a iniciação no futebol, já que as posições dos jogadores são mais
definidas, facilitando a compreensão das funções de cada jogador.
 3–5–2: esse esquema surgiu pela primeira vez na Itália e trouxe o conceito
do líbero, jogador de defesa que, dentro de uma mesma partida, pode
realizar diferentes funções, como atuar atrás dos zagueiros (como jogador
da “sobra”), à frente dos zagueiros (como volante) ou nas laterais. No Brasil,
o conceito de líbero é um pouco mais restrito, referindo-se apenas ao
jogador que atua atrás do zagueiro, buscando as bolas que sobram após a
disputa dos atacantes adversários com os demais defensores. Nesse
formato, ainda, o meio-campo ganha a posição dos alas, que, pelas
extremidades do campo, buscam realizar jogadas ofensivas que culminam
em lançamentos para o meio da área de ataque. Assim, como no 4–4–2,
existem variações desse formato com meio-campistas mais defensivos ou
ofensivos. Do mesmo modo, o 3–6–1 representa uma variação desse
sistema, com um dos atacantes atuando mais recuado, criando jogadas e
efetuando dribles mais afastado da meta adversária.
 3–4–3: consiste em um sistema quase misto, que se utiliza dos conceitos
de defesa do 3–5–2 (líbero, cobertura e posicionamento) de meio-campo
do 4–4–2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e de ataque
do 4–3–3 (retorno do terceiro atacante). (GONÇALVES, 2019).

Cabe destacar que os sistemas táticos do futebol continuam evoluindo. Novos


formatos de jogo, com novas atribuições a cada um dos jogadores que compõem as
diferentes zonas do campo, continuam acontecendo (GARGANTA, 1997).
O que podemos notar no atual momento do futebol é o fato de cada vez mais os
jogadores serem exigidos em diferentes funções em campo, tendo que defender e atacar
em uma mesma partida e se deslocar, fazendo inversões e trocando suas posições e
funções na partida.
33
8.2 Principais sistemas táticos do futsal

Assim como o futebol, o futsal também evolui historicamente quanto à formação


tática das equipes. Inicialmente, as equipes apresentavam jogadores que cumpriam
funções específicas em quadra. Mais recentemente, podemos observar que não há uma
posição definida, sobretudo em equipes de alto nível, com todos os atletas se deslocando
de modo incessante por todos os setores do campo (SANTINI; VOSER, 2008).
Da mesma forma que o futebol, o goleiro, que se espera que jogue entre as traves
de sua meta, ampliando a possibilidade de realizar defesas, não é considerado nos
esquemas, passando a abordá-los com os quatro jogadores de linha. Cabe destacar
ainda que, embora os esquemas situem a posição em que a priori os jogadores devem
se encontrar, eles não permanecem estáticos durante o jogo, trocando constantemente
a suas posições. Assim, são seis os esquemas mais utilizados no futsal (MUTTI, 2003),
conforme apresentado a seguir.

Fonte: https://www.efdeportes.com

34
 2–2: esse formato de jogo foi o pioneiro no futsal, surgindo ainda na década
de 1950. Nesse sistema tático, que pode ter características mais ofensivas
ou defensivas, dois jogadores são responsáveis pela defesa e dois
responsáveis pelo ataque. Por apresentar menores funções de jogadores,
trata-se de um dos principais sistemas utilizados por equipes de jogadores
iniciantes ou com jogadores com pouca capacidade técnica. É um sistema
bastante simples de desenvolver e possibilita a distribuição de jogadores de
maneira mais equilibrada, atuando geralmente em forma de quadrado.
 2–1–1: também compreende um sistema bastante simples e facilmente
aplicado com crianças que estão iniciando nessa modalidade esportiva.
Consiste em dois jogadores jogando na defesa (um em cada extremidade
da quadra), um jogador na linha média da quadra (atuando como meia,
atacando e defendendo) e um jogador mais adiantando (com a função
exclusiva de atacar).
 3–1: nesse sistema, apenas um jogador (o fixo) tem a função exclusiva de
defender. Um pouco à frente dele, nas extremidades da quadra, situam-se
os alas, que devem realizar jogadas de ataque e de defesa, unindo-se ao
fixo ou ao pivô. A frente dos alas, mais centralizado, atua o pivô, que tem
como principal característica ser capaz de superar fisicamente o defensor
adversário. Por necessitar de funções mais específicas em quadra, esse
esquema exige que os jogadores tenham um pouco mais de experiência.
Ainda, nesse sistema, é comum a realização do rodízio de 3, no qual um
dos jogadores conduz a bola para atrair a marcação e, em seguida, passa
a bola e se desloca para um local até onde um dos companheiros estava e
que se deslocou para a posição daquele que recebeu a bola inicialmente.
Assim, três jogadores se movimentam constantemente, trocando passes, e
o pivô se desloca de uma extremidade a outra da quadra, abrindo espaços
para os alas e o fixo, que estão efetuando o rodízio (GONÇALVES, 2019).
 1–3: trata-se de um esquema pouco usual por possibilitar maior área para
o ataque adversário. Da mesma forma que o 3–1, consiste em um fixo, dois

35
alas e um pivô. No entanto, nesse sistema, os alas ganham uma
característica puramente ofensiva.
 4x0: esse sistema tem sido o principal formato de jogo apresentado pelas
principais equipes de futsal, em especial as seleções nacionais do Brasil e
da Espanha, que têm se destacado na modalidade. Consiste na incessante
troca de posições em quadra, com frequentes trocas de passes nas
defesas. Seu objetivo central é confundir, com a troca de posições, a defesa
adversária e obter espaços para o passe em direção ao gol e a infiltração
de jogadores que efetuarão a finalização, o chamado rodízio de 4. Por
necessitar de extremo preparo físico, grande entrosamento entre os
jogadores e a atenção no jogo o tempo todo, não é muito recomendado para
equipes iniciantes (SANTINI; VOSER, 2008).
 0–4: assim como o 4x0, baseia-se na troca de posições e na contínua
movimentação dos jogadores, buscando encontrar espaços para a
finalização. No entanto, esse sistema de jogos se fundamenta na ocupação
da meia quadra adversária, com todos os jogadores mais adiantados. Essa
forma de jogar não é muito usual, já que deixa a defesa muito desprotegida
em contra-ataques (APOLO, 2004).

Desse modo, podemos perceber que, para obter êxito ao jogar o futebol e o futsal,
apenas o domínio dos aspectos técnicos não é suficiente. Ainda que necessários, aliado
ao fato de que a qualidade técnica de cada jogador é importante para uma partida, o
conhecimento tático, com a integração dos jogadores atuando nos diferentes tipos de
formações ofensivas e defensivas, e o domínio das funções nos diferentes sistemas
táticos são essenciais para que uma equipe seja bem-sucedida ao final da partida.

9 METODOLOGIA BASQUETE

O basquete é um esporte cujas disputas envolvem duas equipes que têm como
objetivo principal somar pontos passando a bola entre um aro suspenso, evitando que a
36
equipe adversária faça o mesmo. Para chegar a esse objetivo, muitos movimentos
corporais são aplicados, resultando em fundamentos técnicos que possibilitam que os
jogadores contribuam com o objetivo de sua equipe. Atualmente, existem duas
modalidades oficiais de basquete: o 5x5 (também chamado de basquete formal) e o 3x3.
De modo geral, ambas as modalidades apresentam fundamentos técnicos muito
parecidos. No entanto, a intensidade e a frequência desses movimentos tendem a se
modificar em cada uma das variações (GONÇALVES, 2019).

9.1 Fundamentos técnicos do basquete

Podemos presumir que, no início da história do basquete, há mais de um século,


os jogadores não tinham tanta desenvoltura e acurácia quanto os atletas atuais. Os
poucos recursos materiais e físicos para a prática adequada, os escassos estudos
científicos acerca dessa modalidade e a falta de algum esporte que se aproximasse ao
basquete em termos de gestos motores podem ter contribuído para que os movimentos
técnicos fossem bastante rudimentares.
No entanto, o rápido crescimento do esporte, o surgimento de diversas equipes,
os avanços da ciência e a alta competitividade que permeiam o universo do basquete
contribuíram para o avanço técnico de seus movimentos. Nesse sentido, podemos
reconhecer que os fundamentos técnicos são essenciais para o desenvolvimento do
esporte (GONÇALVES, 2019).
Para Filin (1996), o objetivo das técnicas esportivas é proporcionar uma ação mais
econômica e efetiva dos movimentos, melhorando, assim, os resultados. Ou seja, o
esporte, quando está sendo desenvolvido, requer movimentos corporais ordenados, de
forma a contribuir para que sejam alcançados os objetivos que o jogo propõe. No caso
de uma equipe de basquete, o objetivo primordial é realizar e somar mais pontos que a
equipe adversária.
Para que esse objetivo se materialize, cada um dos jogadores, em ações
individuais ou coletivas, deve realizar movimentos, na tentativa de fazer com que a bola
entre na cesta adversária e de impedir o avanço dos jogares adversários sobre sua

37
própria cesta. Com isso, podemos presumir que os atletas que obtiverem melhor
desenvolvimento técnico estarão mais próximos de alcançar os seus objetivos.
Reconhecendo os diferentes tipos de técnicas no basquete, Río (2003) elabora a
perspectiva de que elas podem ser divididas em técnicas individuais e coletivas. As
técnicas individuais, como o nome sugere, são aquelas em que os movimentos não
requerem a participação de outro jogador. Por outro lado, as técnicas coletivas dependem
da participação de pelo menos outro jogador em determinada sequência de movimentos.
Neste momento, vamos dedicar nossa atenção à análise das técnicas individuais,
que, como dito, podem ser desenvolvidas por apenas um jogador e compõem os
fundamentos técnicos dessa modalidade. De modo mais específico, podemos classificar
as técnicas individuais em movimentos corporais básicos, drible e arremesso (RÍO,
2003).

9.2 Movimentos corporais básicos

Os movimentos corporais básicos são os movimentos mais simples de serem


executados no basquete. No entanto, ainda que sua técnica não exija uma demanda
cognitiva e física muito alta do atleta, esses movimentos são extremamente importantes,
uma vez que servem de início e de fim dos movimentos mais complexos. Em uma
analogia às estruturas escritas e verbais da linguagem, Río (2003) explica que eles agem
como os verbos nas frases escritas ou faladas. Ou seja, eles são centrais e denotam as
ações das jogadas que ocorrem durante uma partida. Entre esses movimentos,
encontram-se a posição corporal, os giros, as mudanças de direção e os saltos.
A posição corporal envolve o modo como o atleta se posta dentro de quadra
quando não está de posse da bola. Ainda que possa parecer algo simples de ser
realizado, esse movimento envolve cuidados e atenção constante dos jogadores. Para
manter uma boa posição corporal, é necessário deixar os joelhos levemente flexionados,
de forma a facilitar o movimento rápido dos membros inferiores durante o jogo. Da mesma
forma, os cotovelos devem estar levemente flexionados e as mãos devem sempre estar
a postos, prontas para receber, bloquear ou arremessar a bola, estando, portanto, à frente

38
ou acima do corpo, com as palmas viradas predominantemente para o local e/ou
indivíduo em que a bola está.
Geralmente, crianças e adolescentes, quando estão iniciando suas vivências no
basquete e não recebem as orientações adequadas, tendem a manter os joelhos
estendidos e os braços relaxados ao lado do corpo (OLIVEIRA, 2007).
Por consequência, a recepção não ocorre com eficiência, já que as mãos não
estão a postos, demandando mais tempo para que o jogador se posicione para segurar
a bola.
Da mesma forma, ao manter os joelhos estendidos, há um tempo maior para
posicionar as pernas para realizar as trocas de posições e efetuar os dribles.
O giro consiste em uma mudança corporal a partir do deslocamento sobre apenas
um ponto de contato realizado com os pés. Isto é, um dos membros inferiores age como
um eixo, e o restante do corpo desliza sobre esse eixo, mudando a direção em que o
jogador se encontra. Esse movimento pode variar sua amplitude e está presente em
muitas situações práticas do jogo de basquete.
Serve tanto para defender, mudando a posição corporal de forma rápida para
bloquear a passagem de um adversário, quanto para atacar, de modo a desvencilhar-se
da marcação de um jogador adversário. Além disso, ele pode ser utilizado para realizar
as fintas durante o passe da bola (OLIVEIRA, 2007).
De modo geral, eles são desenvolvidos para frente e para trás, dependendo dos
objetivos do jogador durante a partida.
As mudanças de direção são as variações negativas ou positivas na velocidade
em que um jogador se desloca, modificando a sua direção. Esse fundamento é muito
essencial no basquete, uma vez que a movimentação tática é um importante fator e
possibilita que a equipe chegue à vitória. As mudanças de ritmo podem ser classificadas
em fase de freada, de giro e de saída (RIO, 2003).
As fases de freada buscam reduzir drasticamente a velocidade de deslocamento
do jogador. Para tanto, a mudança de direção após uma freada sugere que o peso
corporal repouse sobre o pé que está à frente do corpo e cujo lado será aquele para onde
o corpo deverá deslocar-se.

39
Os braços, durante a freada, devem aproximar-se do corpo, diminuindo o centro
de gravidade e a ação explosiva subsequente. A fase de giro consiste, como o nome
sugere, em realizar o giro descrito anteriormente com uma amplitude suficiente para
posicionar o corpo na direção desejada. Por sua vez, a fase de saída consiste em buscar
novamente a velocidade por meio do recrutamento dos diversos músculos corporais e da
coordenação corporal, possibilitando que a saída ocorra de forma explosiva.
O salto é um importante movimento dentro do basquete. Muitas vezes, a bola
encontra-se no alto após um arremesso e durante um passe ou longe do jogador.
Assim, é necessário que os jogadores saltem de modo a recuperar o mais rápido
possível a bola, evitando que os jogadores adversários tomem sua posse. Podemos
destacar que existem dois tipos de salto, os saltos em altura e os saltos em longitude. Os
saltos em altura são os mais comuns, ocorrendo na disputa da bola quando ela se
encontra no alto após um lançamento.
Os saltos em longitude são incomuns, uma vez que o risco de queda e de lesões
é iminente. No entanto, o salto com a projeção do atleta à frente pode ser fundamental
em alguns momentos decisivos do jogo, evitando que a bola saia de quadra e que sua
posse fique com a outra equipe, o que representa riscos de sofrer pontos. Além desses
movimentos, podemos citar as paradas bruscas, quando um jogador em deslocamento
acelerado deve conter o avanço repentinamente, como nas ocasiões quando surgem os
adversários, de forma inesperada, e as corridas, que permitem o rápido avanço em
direção à cesta, a um adversário ou na forma de se deslocar para um local específico da
quadra, assumindo posições táticas específicas (FERREIRA; ROSE JUNIOR, 2010).

9.3 Posições corporais de defesa

Quando um jogador está sem a posse de bola e tem a responsabilidade de roubá-


la de um adversário, ele deve posicionar-se de maneira que os seus movimentos
corporais impeçam a progressão do jogador e possibilitem o rápido movimento. Para se
posicionar de maneira a evitar a atuação livre do atacante adversário, o defensor deve
postar-se com as pernas levemente afastadas lateralmente, podendo posicionar uma

40
delas à frente. Os joelhos devem estar semiflexionados, permitindo o deslocamento
rápido.
O tronco deve estar levemente inclinado à frente, mantendo a estabilidade corporal
e um alcance maior das mãos também à frente. As mãos e os braços podem situar-se
em posições diversas. Se a bola estiver sendo driblada pelo adversário, os braços devem
permanecer semiflexionados, com as mãos à altura da cintura, prontos para roubar a bola
(FERREIRA; ROSE JUNIOR, 2010).
Se o adversário está segurando a bola, as mãos podem ganhar a altura dos
ombros, ir acima da cabeça, ou, ainda, uma mão acima e a outra próxima da cintura,
conforme for necessário para impedir a progressão, o arremesso ou o passe do jogador
atacante. A Figura 1, a seguir, ajuda a demonstrar a posição de defesa.

Fonte: Ferreira e Rose JUNIOR (2010, p.46-47)

9.4 Drible

Driblar consiste em quicar a bola, que é a forma mais comum de conduzi-la durante
uma partida de basquete. As outras formas existentes são muito limitadas, uma vez que,
ao segurar a bola, mantendo-a em suas mãos, o atleta só pode mover-se por, no máximo,
dois passos. Existem dois tipos de dribles: os de avanço e os de proteção. Em ambos os
casos, o domínio motor dos membros superiores deve ser muito apurado, afim de

41
proporcionar o correto contato com a bola, sem permitir que o jogador perca o controle
da mesma. Ou seja, o domínio motor de um jogador, ao manejar a bola, deve ser tão
eficaz que quase dê a impressão de que esse jogador não está de posse dela. Os
movimentos de drible devem ser automatizados, de modo que o jogador não perca muito
tempo para controlar a bola (GONÇALVES, 2019).
Para que o movimento do drible seja eficaz, o contato da bola com uma das mãos
deve ser enfatizado. Esse movimento de colocar a mão na porção superior da bola
impulsionando-a contra o solo e fazendo-a voltar à mão pode ser analisado em quatro
fases (RÍO, 2003). Concebendo o momento em que a bola toca o solo e volta ao contato
com a mão do jogador, percebemos que existe uma fase em que o pulso se encontra
levemente flexionado, proporcionando o primeiro contato com a bola a partir da face
interna da ponta dos dedos.
Esse fragmento da ação consiste na fase de amortização, em que se diminui a
velocidade e a força com que a bola sobe a partir da extensão da articulação dos dedos
e do pulso. Em seguida, a bola entra em contato com toda a palma da mão, garantindo
que o jogador efetue o seu controle ao ajustar a sua posição nos milésimos de segundo
em que a bola e a mão se encontram em contato. Depois do controle, é realizado um
movimento de impulso com a flexão do punho e dos dedos, deslocando a bola para baixo,
em direção ao solo. O momento em que a bola se encontra em deslocamento e sem o
contato com as mãos é chamado de fase aérea (GONÇALVES, 2019).
Com isso, o drible pode ser efetuado tanto parado quanto em movimento, com
apenas uma das mãos ou utilizando as duas, alternadamente. Os momentos de
realização do drible são diversos. Podem ser desenvolvidos para progredir com a bola
em direção à cesta ou para proteger a sua posse de um adversário. Com isso, muitas
variações são possíveis.
O drible pode ser realizado após um giro, junto ao movimento de mudança de
direção, passando a bola à frente ou por trás do corpo e por baixo das pernas, quando a
situação do jogo necessitar, e, ainda, alternando as mãos para fintar um jogador
adversário. Além disso, podemos destacar que ele pode ser executado com a bola
próxima ao solo, sem ultrapassar a cintura, ou ultrapassando-a, em uma altura mais
elevada (FERREIRA; ROSE JUNIOR, 2010).
42
9.5 Arremesso

O arremesso pode ser considerado o gesto motor mais importante do basquete,


pois, sem ele, não ocorre a marcação de pontos e a possibilidade de uma equipe vencer.
Assim, o arremesso consiste em um gesto motor que ocorre ao final de uma sequência
de outros gestos motores individuais ou coletivos. Embora existam diversas
possibilidades de executar um arremesso, a forma mais comum consiste em elevar a
bola à frente do corpo, em uma altura superior à cabeça.
Uma das mãos é posicionada abaixo da bola e será predominantemente utilizada
para impulsioná-la em direção à cesta, fazendo com que ela gire de forma a bater na
tabela e ir para baixo, em direção à cesta (GONÇALVES, 2019).
A outra mão se mantém na lateral da bola, ajudando a impulsioná-la e a controlar
a direção que deve tomar. Ainda que essa ação possa demandar movimentos mais
evidentes de membros superiores, vários grupos musculares são recrutados para garantir
a acurácia do movimento. A Figura 2, a seguir, ajuda a exemplificar uma situação de
arremesso.

Fonte: Rio (2003,9.55)


43
Certamente, um jogo de basquete é muito dinâmico e nem sempre as
possibilidades de arremessar a bola à cesta ocorrem de modo a permitir que o jogador
se posicione no melhor local e da melhor forma para efetuar os movimentos necessários.
Assim, outras formas de arremesso também são possíveis e bastante comuns durante a
partida de basquete (RÍO, 2003). Podemos elencar diversas formas de realizar um
arremesso. Entre as possibilidades mais comuns, encontram-se:

 Arremesso livre: também chamado de lance livre, ocorre quando um


jogador de ataque sofre uma falta ao tentar arremessar a bola contra a
cesta. Por ora, vamos apenas classificar esse arremesso como um dos
possíveis de serem realizados em uma partida de basquete. Sua
peculiaridade consiste em ser desenvolvido a partir de uma distância fixa e
demarcada, sem nenhum tipo de marcação ou jogador adversário próximo
e, portanto, sofrendo pouca influência externa.

 Arremesso em suspensão (jump): os movimentos dos membros


superiores são executados do mesmo modo que o arremesso livre. No
entanto, o uso de força nos membros inferiores possibilita que o jogador
deixe o solo, saltando e ganhando vários centímetros em altura, que, muitas
vezes, são suficientes para superar o bloqueio realizado pelo adversário.

 Bandeja: é executada quando o jogador atacante se desloca em direção à


cesta adversária. Ao se aproximar, realiza duas passadas, utilizando uma
de suas pernas para realizar o salto e arremessar a bola à cesta.

 Gancho: é um arremesso em que o jogador atacante, de posse da bola,


posiciona seu corpo entre o adversário e a bola. Com uma de suas mãos,
lança a bola sobre a cabeça em direção à cesta.

 Enterrada: ocorre quando um jogador que está muito próximo da cesta


salta e coloca a bola diretamente dentro do aro, utilizando uma ou duas
44
mãos. Dentre os arremessos possíveis, esse é o que tem maior eficácia,
uma vez que as chances de erro do jogador atacante (geralmente o pivô)
são mínimas.

Certamente, existem outros tipos de arremessos que são possíveis de serem


realizados durante uma partida de basquete. No entanto, a prática constante dos
jogadores faz com que eles busquem a melhor forma de arremessar a bola, executando
um dos movimentos anteriormente descritos. Determinados tipos de arremessos também
são desenvolvidos com maior recorrência por jogadores que realizam funções táticas
específicas durante o jogo de basquete (GONÇALVES, 2019).

9.6 Posições e funções do basquete

No início, as equipes de basquete não tinham posições e fundamentos táticos tão


definidos durante a execução dos jogos. Cabe lembrar que esse esporte surgiu em 1891,
em Springfield, onde o professor de educação física James Naismith propôs um jogo a
partir de elementos básicos que estavam presentes nos esportes da época (NAISMITH,
1941).
Ou seja, a preocupação inicial era propor um jogo que fosse constituído por
elementos competitivos, coletivos e que pudesse ser executado com uma bola, tal qual
eram o futebol americano, o lacrosse e o futebol, e motivasse os jovens adultos a praticar
um esporte no inverno e em um ambiente reduzido, que pudesse fornecer abrigo às
intempéries do tempo, como as constantes nevascas de Springfield. Assim, a
preocupação inicial de Naismith não era a fundamentação tática que viria a se
desenvolver no esporte.
A crescente esportivização dessa nova modalidade, aliada ao surgimento de
diversas equipes e competições, foi ampliando as buscas de estratégias com as quais as
equipes conseguissem infiltrar-se nas defesas adversárias, convertendo as cestas em
pontos e, ao mesmo tempo, criando estratégias para impedir que o ataque adversário
tivesse êxito. Aos poucos, foi convencionando-se que as equipes poderiam contar com

45
jogadores de características diferentes, desempenhando funções específicas durante um
jogo.
Até a década de 1980, as equipes eram compostas por jogadores que
desempenhavam uma ou duas de três funções táticas. Contava-se, então, com o
armador, os alas (também chamados de laterais) e os pivôs (OLIVEIRA, 2007).
Uma equipe tradicional tinha, entre os titulares, um armador, que tinha como
função realizar a condução da bola, infiltrando a defesa adversária e realizando passes
que pusessem os companheiros de equipe em uma posição privilegiada para realizar o
arremesso.
Havia dois alas, jogadores de bom arremesso que, geralmente, realizavam cestas
de locais longe dos aros e que desarmavam os ataques adversários. Além disso, também
jogavam dois pivôs, que, normalmente, eram os jogadores mais altos do time e ficavam
localizados próximo às cestas, recebendo passes pelo alto e disputando os rebotes com
os jogadores adversários.
No entanto, distribuir cinco jogadores em três funções diferentes passou a não ser
uma boa estratégia. Imagine que, em uma equipe que conta com apenas um armador,
tal qual eram os times mais tradicionais, basta realizar uma marcação mais efetiva sobre
esse jogador e a equipe passa a perder seus passes e conduções de bola de maior
qualidade. Assim, é comum que dois ou mais jogadores executem diferentes funções
durante uma partida, ainda que suas características não sejam exatamente iguais.
Atualmente, as equipes de basquete profissional atribuem aos seus esquemas táticos
cinco funções diferentes: o armador, o ala-armador, o ala, o ala-pivô e o pivô (RÍO, 2003;
OLIVEIRA, 2007).
Além disso, podemos classificar os jogadores a partir do local em quadra em que
geralmente desenvolvem suas jogadas. Aqueles que atuam mais próximo à cesta
adversária são denominados frontcourt players (na tradução literal, em português,
jogadores da quadra da frente) e aqueles que atuam mais distantes, backcourt players
(na tradução literal, em português, jogadores da quadra de trás). Embora não haja, no
basquete, jogadores que exclusivamente atacam ou defendem, eles são chamados de
jogadores de ataque e de defesa, respectivamente. Os jogadores de defesa são os

46
primeiros a tentar conter os contra-ataques e pouco se aproximam à cesta adversária. A
Figura 3, a seguir, ajuda a elucidar essas posições.

Fonte: Rio (2003,9.55)

A dinâmica do jogo de basquete permite a constante troca de posições, assim


como a possibilidade de os jogadores desempenharem todas as funções em quadra. No
entanto, algumas características ainda são preservadas de acordo com a posição e a
especialidade do jogador (GONÇALVES, 2019).

47
9.7 Armador

O armador, também referido como posição 1, é o jogador que geralmente possui


maior agilidade. A maioria das jogadas ofensivas se origina nessa posição, uma vez que
o jogador tem um ótimo controle da bola, o que lhe permite conduzi-la de forma eficiente
para o campo de ataque. Além disso, é um jogador de excelente passe, muitas vezes,
colocando os pivôs perto de fazer a cesta. Geralmente, esses jogadores são baixos, o
que facilita a velocidade de deslocamento dentro de quadra (OLIVEIRA, 2007). No
entanto, um dos maiores armadores de todos os tempos foi Magic Johnson, que tem uma
estatura de aproximadamente 206 cm. Com isso, podemos elencar algumas
características que os armadores devem ter (OSTOJIC; MAZIC; DIKIC, 2006):

 Bom domínio de bola;


 Bom passe de curta, média e longa distância;
 Boa visão periférica;
 Saber “ler o jogo”, isto é, tomar a decisão adequada ao momento da partida,
ditando o ritmo do ataque;
 Ótimo nível de entrosamento com o treinador e com os companheiros de
equipe;
 Rapidez em iniciar um contra-ataque;
 Tempo de experiência no basquete;
 Ser bom driblador, realizando fintas para confundir a defesa adversária;
 Maior altura no salto vertical em relação às outras posições;
 Menor estatura em relação às outras posições;
 Menor peso e gordura corporal em relação às outras posições;
 Maior capacidade aeróbica em relação às outras posições.

9.8 Ala-armador

Com apenas um jogador com exímia capacidade de realizar passes, dribles e


fintas com precisão, os times facilmente teriam seus armadores marcados e anuladas
48
boa parte de suas capacidades ofensivas. Nesse sentido, o ala-armador, também referido
como posição 2, ganha destaque ao auxiliar o armador nas formulações táticas ofensivas.
No entanto, a sua função em quadra não é apenas a de ser um segundo armador: esse
jogador também tem a tarefa de realizar arremessos de longas e médias distâncias. Em
jogos nos quais os times adversários apresentam uma grande eficiência defensiva,
dificultando as infiltrações, arremessar de longe pode ser uma boa opção para converter
os pontos. Foi nessa posição que jogou Michael Jordan, considerado um dos maiores
jogadores de basquete de todos os tempos (OSTOJIC; MAZIC; DIKIC, 2006). De modo
geral, podemos destacar algumas das principais características dessa posição:

 Bom arremesso de média e longa distância;


 Boa capacidade de fintar os adversários, realizando infiltrações na defesa
adversária;
 Bom entrosamento com o armador;
 Boa capacidade de efetuar passes aos pivôs e demais jogadores;
 Menor estatura em relação às outras posições;
 Menor peso e gordura corporal em relação às outras posições;
 Maior capacidade aeróbica em relação às outras posições.

9.9 Ala

O ala, também referido como posição 3, geralmente joga mais próximo da cesta
adversária que o ala-armador. Por jogar em uma posição intermediária entre todos os
jogadores, ele reúne características de cada uma das diferentes posições do basquete
(OLIVEIRA, 2007). Tem uma boa habilidade para realizar as infiltrações, tal como as
posições 1 e 2, mas, geralmente, apresenta massa corporal e estatura superiores, o
que lhe permite disputar as bolas de rebote com os grandes jogadores de times
adversários. Além disso, tem um bom passe e um bom arremesso de média distância.
Um dos principais jogadores dessa posição foi Larry Bird, exímio arremessador de
médias e longas distâncias. Como características fundamentais dessa posição,
podemos citar (OSTOJIC; MAZIC; DIKIC, 2006):
49
 Velocidade de execução de passes e arremessos;
 Ser bom infiltrador;
 Boa capacidade de arremessos de média distância;
 Boa capacidade de disputar rebotes;
 Boa capacidade de realizar passes aos jogadores mais adiantados (ala-pivô
e pivô);
 Estatura intermediária em relação às outras posições;
 Peso e gordura corporal intermediários em relação às outras posições;
 Capacidade aeróbica intermediária em relação às outras posições.

9.10 Ala-pivô

O ala-pivô, a posição 4 do basquete, atua próximo ao garrafão adversário,


devendo ter boa impulsão vertical e boa envergadura. Sua principal função é recuperar o
rebote após o arremesso de um colega de equipe. Assim como os pivôs, é comum que
esses jogadores joguem de costas, recebendo os passes dos armadores, realizando os
giros e arremessando em direção à cesta. Nessa posição, podemos destacar a atuação
de Bob Pettit, jogador das décadas de 1950 e 1960, que obteve uma média de 16,2
rebotes ganhos por partida (OSTOJIC; MAZIC; DIKIC, 2006). Como características
fundamentais dessa posição, podemos destacar:

 Boa velocidade de contra-ataque;


 Boa coordenação de membros inferiores, possibilitando giros rápidos;
 Altura e envergadura;
 Bom entrosamento com os armadores e o pivô;
 Estatura intermediária em relação às outras posições;
 Peso e gordura corporal intermediários em relação às outras posições;
 Capacidade aeróbica intermediária em relação às outras posições.

50
9.11 Pivô

Por último, o pivô, a posição 5 do basquete, é o jogador que está mais próximo à
cesta adversária. Por esse motivo, normalmente, são os jogadores que realizam mais
pontos por partida. Além de receberem os passes e efetuarem os arremessos, os pivôs
ainda desenvolvem, frequentemente, as jogadas com armadores e alas, efetuando o
bloqueio dos jogadores adversários a partir de sua imposição física e proporcionando a
infiltração dos colegas de equipe (OLIVEIRA, 2007).
Um dos principais pivôs da história foi o norte-americano Wilt Chamberlain, que,
em toda sua carreira, obteve uma impressionante média de 30,1 pontos por jogo
(OSTOJIC; MAZIC; DIKIC, 2006). Como características primordiais dos pivôs, podemos
elencar:
 Disputar e ganhar a posse de bola durante os momentos de rebote;
 Boa coordenação de membros inferiores, possibilitando giros rápidos;
 Altura e envergadura;
 Bom entrosamento com alas e pivôs.
 Alta estatura;
 Maior estatura em relação às outras posições;
 Maior peso e gordura corporal em relação às outras posições;
 Menor capacidade aeróbica em relação às outras posições.

Assim, podemos reconhecer que o basquete, geralmente, está estruturado em


cinco diferentes posições. Evidentemente, as situações dinâmicas de uma partida de
basquete, muitas vezes, sugerem aos jogadores que desenvolvam gestos motores,
papéis técnicos e táticos que fogem às suas características fundamentais. Por exemplo,
nos segundos finais de uma partida, na tentativa de realizar os pontos que determinarão
a vitória da sua equipe, um armador pode tentar realizar um arremesso de longa
distância, ainda que essa não seja a sua especialidade. Além disso, podemos perceber
que as posições básicas do basquete se aplicam somente ao modelo de jogo em que
estão presentes cinco jogadores. No basquete 3x3, como o nome sugere, cada equipe

51
conta com apenas 3 jogadores, que desempenharão suas funções diferentemente do
basquete tradicional. Na próxima seção, veremos as características dessa modalidade.

9.12 As características do basquete formal e do basquete 3x3

O basquete 3x3 surgiu nas ruas das periferias de Nova York, na década de 1960,
sua oficialização, no entanto, deu-se no início da década de 1990, quando alguns
campeonatos oficiais passaram a ser realizados. O reconhecimento dessa modalidade
pela Federação Internacional de Basquete só veio a ocorrer em 2007, à medida que o
3x3 ganhava cada vez mais adeptos, principalmente do público jovem (BUZO, 2010).
Em 2007, buscando redesenhar os Jogos Olímpicos na tentativa de ganhar adesão do
público jovem urbano, o Comitê Olímpico Internacional anunciou a inserção de novas
modalidades esportivas, entre elas, o basquete 3x3. Com isso, percebemos que essa
modalidade ainda está atravessando uma fase inicial de profissionalização e de
constituição como esporte de alto rendimento.
Fundamentalmente, ambas as modalidades apresentam características muito
próximas, ou seja, o objetivo do jogo pressupõe que as equipes realizem passes,
arremessos, fintas e dribles na tentativa de realizar cestas e garantir a superioridade, em
termos de pontuação, sobre a equipe adversária. No entanto, o 3x3 é desenvolvido em
uma quadra substancialmente menor que a do basquete tradicional, sendo realizado com
apenas uma cesta e com número menor de jogadores. Essas diferenças são
fundamentais para as especificidades técnicas e as funções táticas de seus jogadores
(GONÇALVES, 2019).
De modo geral, é possível constatar que o basquete 3x3, ou o jogo reduzido,
demanda uma maior mobilidade dos jogadores, exigindo a sua constante movimentação
e participação nos jogos. Além disso, há um maior tempo de contato com a bola,
solicitando dos jogadores uma frequência maior na realização de passes, conduções,
arremessos e dribles. Cabe salientar, nesse sentido, que o basquete 3x3 é uma excelente
oportunidade para o ensino do esporte, uma vez que os constantes contatos e
possibilidades de executar todos os gestos técnicos e táticos são enfatizados, tornando
a aprendizagem mais desafiante e motivadora.
52
A quantidade maior de cestas convertidas, no mesmo sentido, aumenta a
percepção de competência, tornando os praticantes engajados nessa modalidade. O
Quadro 1, a seguir, apresenta uma comparação entre o jogo de basquete formal e a
modalidade de 3x3 realizados por jogadoras de 10 a 12 anos de idade, iniciantes na
modalidade de basquete, com frequência de treino de duas vezes por semana. A
comparação entre os dois formatos do jogo levou em consideração o período de jogo
idêntico e a participação pelo mesmo tempo por todas as jogadoras. Os dados
apresentados representam a quantidade total de movimentos técnicos realizados pelas
equipes em ambas as modalidades (GONÇALVES, 2019).

Fonte: Adaptado de Tavares e Veleirinho (1999)

Com base nos números apresentados, podemos reconhecer que o jogo de


basquete, ainda que realizado em um mesmo período, quando aos moldes do 3x3, tem
suas situações de jogo intensificadas. A possibilidade de arremessos, porque o jogo é
realizado em uma quadra menor que a do convencional, aumenta consideravelmente.

53
Por consequência, aumenta também o número de cestas convertidas em uma partida
(GONÇALVES, 2019).
No basquete 3x3, os jogadores tendem a jogar muito próximo da linha demarcada
e em seu interior. Assim, há uma maior incidência de momentos em que os jogadores
estão perto da tabela, o que dificulta a acurácia dos passes e faz com que os jogadores
sejam interceptados mais vezes. Além disso, devido ao fato de o jogo reduzido ser
predominantemente próximo à tabela, podemos reparar que muitas jogadas iniciadas
chegam à conclusão, ou seja, ao arremesso. Da mesma forma, a possibilidade de os
atletas estarem perto da tabela facilita seus movimentos de rebote.
É importante ressaltar que os estudos de Tavares e Veleirinho (1999) ainda trazem
o número de arremessos realizados por cada uma das jogadoras colaboradoras.
Algumas das atletas, quando participaram do jogo formal, realizaram poucos arremessos
durante o jogo ou não os efetuaram. Quando analisadas no jogo reduzido, as mesmas
jogadoras apresentaram um número de tentativas de arremesso superior, e nenhuma das
atletas ficou sem arremessar menos de quatro vezes durante a partida.
O número máximo de arremessos realizados por uma única atleta durante o jogo
formal foi de 36 tentativas, enquanto no jogo reduzido foi de 84 tentativas. A partir dessas
análises, podemos levantar a perspectiva de que o basquete 3x3 apresenta maior
quantidade de situações em que os atletas realizam arremessos, passes, infiltrações e
dribles (TAVARES; VELEIRINHO, 1999).
Esse pode ser considerado um dos motivos pelo qual o esporte tem-se
popularizado consideravelmente nos últimos anos.
Em relação às posições e funções táticas, o número reduzido de jogadores na
partida exige que esses atletas apresentem uma excelente qualidade nos seus
fundamentos técnicos, tendo que realizar, muitas vezes, certo revezamento em suas
posições dentro de quadra. Ou seja, ainda que os atletas apresentem características
distintas, a dinâmica do jogo de basquete 3x3 exige que os jogadores atuem de forma
muito parecida durante o jogo. É importante destacar que o jogo oficial de basquete 3x3
permite apenas um jogador reserva, embora com substituições ilimitadas. Quer dizer,
durante o jogo de basquete reduzido, o jogador reserva que entra em quadra deve buscar
desempenhar as funções daquele que saiu e que, quando tornar a participar do jogo,
54
desenvolve as funções de outro jogador, em um formato de revezamento de posições e
funções táticas entre todos os jogadores.
As posições táticas que são atribuídas no basquete formal não apresentam muita
correspondência no basquete reduzido. Nesse sentido, é importante ressaltar que
existem poucos jogadores do basquete formal, mesmo entre aqueles que estão no auge
da NBA, que se propõem a participar de suas seleções Características e fundamentos
do basquete na modalidade 3x3. Ainda que sejam exímios jogadores e de uma acurácia
técnica significativa, a proposta do basquete 3x3 fugiria à especialização tática que se
formou ao longo dos anos da prática do basquete (OLIVEIRA, 2007).
O basquete formal apresenta jogadores específicos para cada posição a
quantidade de jogadores reservas, que, muitas vezes, supera o número de titulares,
permite que, mesmo após uma substituição, o formato tático da equipe se mantenha
parecido ou o mesmo.
Com isso, vemos que os fundamentos técnicos estão presentes tanto na
modalidade 3x3 quanto no basquete formal, no entanto, as disposições da quadra
permitem que os jogadores possam especializar-se na função tática de sua equipe, que,
geralmente, está dividida entre armadores, ala-armadores, alas, ala-pivô e pivô. No
basquete 3x3, essas variações de posições não se dão com tanta evidência, e os
jogadores desempenham todas as funções ao mesmo tempo. Assim, compreender essas
possibilidades técnicas, táticas e suas diferenças nas variações do basquete é
fundamental tanto para professores iniciantes quanto para aqueles que se propõem a
desenvolver o esporte de alto rendimento, uma vez que apresentam características
fundamentais que guiarão as crianças na continuidade no esporte ou garantirão a vitória
de uma equipe profissional, respectivamente.

10 AS TRÊS MANIFESTAÇÕES DO ESPORTE

Além das várias classificações existentes do esporte em nossa literatura, Tubino


(1999) classificou o esporte de acordo com três aspectos de sua manifestação: o esporte
educação, o esporte participação e o esporte performance (BRITO, 2018).
55
10.1 Esporte educação

O principal objetivo do esporte é gerar cultura, manifestações sociais e


democratização por meio do movimento. A partir do esporte educação, socializamos com
pessoas de nosso convívio, desenvolvendo senso crítico, cidadania, fazendo com que os
alunos tenham consciência da importância da inclusão e para desenvolver a
competitividade de maneira saudável. Por isso, justifica-se a importância do esporte na
escola. Paes (2005) afirma que, se o esporte está inserido na vivência do ser humano,
ele também deve estar inserido em contexto escolar
Dessa maneira, também podemos democratizar o acesso à manifestação da
cultura de movimento de uma sociedade por meio do seu desenvolvimento nas escolas,
pois é pela escola que todos terão a oportunidade de socialização do movimento, tendo
em vista que o esporte é oferecido em outros ambientes de socialização, mas que nem
todas as pessoas têm um efetivo acesso, por exemplo: em praças ao ar livre, academias,
escolas de esporte, etc.
Portanto, o esporte como meio de educação acontece nas escolas por meio do
desenvolvimento de atividades de maneira coletiva e individual com o intuito de formar
cidadãos preparados para as adversidades cotidianas. Podemos pensar em esporte
aliado à educação quando imaginamos uma aula de educação física, em que os alunos
trabalham em dupla em uma determinada atividade, sendo que um tem uma habilidade
maior nessa atividade e o outro não. O aluno que tem maior habilidade deve ajudar ao
colega com menor habilidade a desenvolver a tarefa proposta. Por exemplo, o objetivo
da aula é aprender fazer chute a gol (BRITO, 2018).
A atividade será em dupla e cada aluno deve fazer o chute a gol. O aluno mais
habilidoso pode dar dicas ao colega de como ele pode chutar de maneira eficaz. Dessa
maneira, os alunos desenvolvem senso de compreensão e respeito ao nível de
aprendizagem do colega, podendo entender que as habilidades podem ser trabalhadas
e aprendidas com calma.

56
10.2 Esporte participação

Neste tipo de esporte, o seu principal foco é a ludicidade da atividade proposta. O


esporte participação ocorre em espaços formais e não formais e é praticado por pessoas
de todas as faixas etárias e condições. Geralmente, esse tipo de esporte acontece no
tempo de lazer, desenvolvendo a interação social, o bem-estar físico e mental, a diversão
e o desenvolvimento pessoal. Colaborando, Godtsfriedt (2010) diz que o esporte
participação:

[...] tem como propósitos a descontração, a diversão, o desenvolvimento pessoal


e o relacionamento com as pessoas. Pode-se afirmar que o esporte-participação,
por ser a dimensão social do esporte mais inter-relacionada com os caminhos
democráticos, equilibra o quadro de desigualdades de oportunidades esportivas
encontrado na dimensão esporte-performance. Enquanto o esporte-performance
só permite sucesso aos talentos ou àqueles que tiveram condições, o esporte-
participação favorece o prazer a todos que dele desejarem tomar parte
(GODTSFRIEDT, 2010, documento on-line).

Sempre podemos presenciar o momento em que os indivíduos formam coletivos


para alguma prática coletiva, mesmo que o esporte seja individual, como a corrida, o
ciclismo e a natação. O importante é a participação do indivíduo, bem como a sua
socialização. Os locais ocupados por eles são espaços públicos de lazer, clubes
particulares, condomínios, ruas, parques, praças, praias e montanhas.
A existência de vários grupos voltados para uma mesma modalidade promove
tanto interesse em seus participantes que seus membros promovem eventos
extraesportivos, criam logotipo e camisas, fazem ações sociais e promovem jogos
amistosos com outros grupos sociais de uma mesma modalidade.
Assim, podemos perceber que o esporte por meio do lazer, transforma os
indivíduos pela sua capacidade de interação, causando bem-estar físico, psíquico e
social, melhorando o ambiente e promovendo ações que modifiquem o cotidiano.

57
10.3 Esporte performance

Também conhecido como “esporte de rendimento”, o esporte performance visa ao


êxito de vitória sobre o adversário. As modalidades são regidas por federações, ligas e
comitês a níveis regionais, nacionais e internacionais.
O esporte performance tem regras universais, a fim de integrar todos os
participantes que o praticam, podendo ser mais justos e possibilitar uma interação, tendo
em vista que existem competições a níveis internacionais. Assim, eles podem falar uma
mesma língua (BRITO, 2018).
Os seus praticantes se diferem completamente dos praticantes do esporte
educação e do esporte participação, mas é possível que, por meio desses esportes, eles
cheguem ao esporte performance. No alto rendimento, a prática fica restrita aos talentos
esportivos descobertos na maioria das vezes em escolas de base esportiva específica
de alguma modalidade, que geralmente é promovida pelos clubes com o foco de
encontrar o próximo campeão. Por isso, o foco do esporte performance é a vitória. Como
afirmam Darido e Rangel,

[...] a esporte performance ou de rendimento, traz consigo os propósitos de novos


êxitos e vitórias sobre os adversários e as diferentes modalidades esportivas
estão ligadas a instituições (ligas, federações, confederações, comitês olímpicos)
que organizam as competições locais, nacionais ou internacionais e tem a função
de zelar pelo cumprimento das regras e dos códigos éticos (DARIDO; RANGEL,
2011, p. 183).

Vale lembrar que esses talentos esportivos podem ter algum tipo de aptidão que
seja de relevância para o esporte, assim como também ter características físicas
herdadas pela genética e que contribuem de alguma maneira para a sua equipe. É com
o trabalho de base sólido e eficaz e uma boa equipe profissional que se consegue um
bom talento esportivo.
Outra característica do esporte performance é a profissionalidade com que são
tratadas as modalidades: é necessário um corpo de profissionais altamente qualificados
para se alcançar resultados expressivos. Então, os profissionais da área geralmente são
especializados de acordo com os objetivos de cada área de atuação e também trabalham
em grupo.

58
Por exemplo, um clube de ginástica rítmica: teremos em seu corpo profissional a
técnica esportiva, que ensinará as técnicas de base para os alunos, bem como as suas
coreografias e estratégias de competição; teremos o preparador físico, que dará
condicionamento para que o atleta consiga realizar as suas atividades específicas;
teremos o professor de ballet, que ensinará os princípios e as técnicas-base para os
movimentos gímnicos; e, ainda, teremos o fisioterapeuta, que tratará das lesões, assim
como da prevenção de lesões desses atletas (BRITO, 2018).

10.4 Esporte educacional e suas perspectivas

O esporte educacional tem diversas perspectivas, tendo em vista que a sua


importância tem grande magnitude, já que pode transformar indivíduos em cidadão que
tenham valores que representem o bem comum da sociedade (BRITO, 2018).
Assim, a sua diferenciação em relação ao esporte performance e ao esporte de
participação é bem grande, pois, no esporte educação, é necessário que o professor
tenha conhecimentos prévios sobre os regulamentos básicos, competências de aptidão
física e habilidades motoras.
Porém, diferentemente do esporte performance, o objetivo desse conhecimento se
diferencia pelo de que, enquanto o alto rendimento visa à competição e à vitória em cima
de um adversário, no esporte educacional, o professor de educação física se utiliza
desses conhecimentos como ferramenta educacional para que ele possa, por meio do
esporte, desenvolver valores, tais como a ética, a disciplina, a integridade, a humildade,
a cooperação e o respeito.
Ou seja, as regras existentes dentro dos regulamentos das modalidades
esportivas, no âmbito educacional, não servem somente para serem respeitadas, e sim
para que se possa desenvolver um valor ético nos indivíduos em formação.
Logo, o esporte educacional tende sempre a consagrar e a hipervalorizar a
solidariedade, a integração e, sobretudo, a liberdade. Então, o esporte é aplicado na
escola objetivando a educação e o conhecimento moral da criança.
A complexidade do ato de educar nem sempre esteve presente na educação física
brasileira, passamos por períodos de muita dificuldade, em que a preocupação com a
59
sistematização do ensino era maior, deixando de lado variáveis que poderiam ser
acrescentadas para uma educação eficaz. Antes, a educação física se pretendeu em
fases sombrias, como as fases higienista, militarista, biologista e físico-desportiva.
Agora, Paes (2005) faz o questionamento para este novo século: quais são as
perspectivas da educação física atual, além de tornar o Brasil em uma potência olímpica?
Para que consigamos refletir sobre a resposta, é necessário lembrar que o esporte
escolhe os tipos de indivíduos, infelizmente a partir de um paradigma reducionista: a
prática esportiva se dá pela saúde (para sermos mais saudáveis) ou se dá para
desenvolver músculos, ganhar forças, ganhar medalhas ou se tornar atleta olímpico.
Apesar de sua relevância, essa visão reducionista faz com que se deixem de lado as
possibilidades da maior parte das pessoas.
Paes (2005) ainda afirma que pedagogia do esporte educa as crianças mais para
a consecução de metas de treinamento preestabelecidas e menos para a autonomia, a
descoberta e a compreensão de si mesmas, denunciando um desequilíbrio pedagógico
entre o racional e o sensível.
Portanto, é necessário discutir uma pedagogia do esporte na infância que rejeite o
pensamento simplista, separando a parte de um todo, hierarquizando o conhecimento e
considerando o paradigma da complexidade.
Para explicar o que é complexidade, Araújo (2000, p. 14) esclarece:

[...] de acordo com Morin, a complexidade é um fenômeno quantitativo, ou


melhor, um fenômeno que possui uma quantidade extrema de interações e
interferências estabelecidas entre um grande número de unidades. Compreende,
porém, não só grandes quantidades de interações e unidades que desafiam
nossas possibilidades de cálculo, mas também incertezas, indeterminações e
fenômenos aleatórios.

É dentro das características da teoria da complexidade que o esporte educação


deve ser implantado no sistema educacional brasileiro, a fim de que os processos
educativos sejam aproveitados e que a criança possa desenvolver por meio do esporte
todos os valores já comentados.

60
11 DESAFIOS DA PRÁTICA EDUCATIVA POR MEIO DO ESPORTE

A escola assume um papel importante para que as crianças insiram em sua cultura
o hábito pela prática esportiva. Toda escola que reconhece a importância da educação
física escolar investe em práticas que desenvolvam dentro de seu ambiente, valores que
visam a democratizar, humanizar e socializar (SANTOS; VOSER, 2012).
Os desafios que podem ser encontrados dentro do ambiente escolar como
professor de educação física são aqueles vistos no cotidiano. E isso variará de turma
para turma. Por isso, o professor precisa entender, por meio da corporeidade, que a
criança tem características individuais, mas que, com a necessidade da socialização, ela
também se defronta com situações que precisam ser intermediadas por meio de um
responsável, e, no caso da escola, por um profissional.
Então é necessário que estejamos cientes e preparados para todos os
acontecimentos dentro do ambiente educacional, como receber alunos que tenham
alguma doença física ou mental, limitando a sua funcionalidade, precisando modificar a
tarefa para que ela alcance o mesmo objetivo proposto de maneira igualitária ao dos
outros colegas. Esses desafios devem ser contornados por meio da comunicação entre
os alunos, explicando-os que todos devem ter as mesmas oportunidades, mesmo que a
estratégia seja diferente (BRITO, 2018). Por exemplo, uma turma recebe um aluno surdo,
que só consegue entender a linguagem de sinais ou leitura labial quando a pessoa fala
claramente e pausadamente.
A escola deve desenvolver jogos e brincadeiras que estimulem os alunos a
aprender a linguagem de sinais, para que o aluno se sinta incluído, e a participar da vida
de seu colega sem nenhuma distinção.
É necessário saber que o mundo da criança tem riquezas peculiares. É nessa fase
que a implementação de valores se torna necessária. Então, na prática, ao ministrarmos
uma aula, é sempre importante evidenciar por meio das atividades propostas quais
elementos estão sendo trabalhados no momento para que eles tenham a consciência e
reconheçam a importância do objetivo colocado.
Sempre promover eventos no calendário escolar, como festivais de prática
esportiva, em que os pais possam estar presentes no processo de desenvolvimento do
61
aluno, tendo uma participação mais ativa dentro dessas finalidades e o comprometendo
para que ele possa dar continuidade a esses valores em casa. Ou seja, não é somente o
professor que necessita ter a consciência da importância do seu trabalho, a criança
precisa saber e os seus responsáveis também. Porém, a real situação é que nem
mesmos os professores têm consciência sobre a importância do seu papel como agente
transformador na vida de uma criança.
Portanto, o esporte dentro do contexto educacional ainda perpassa por conflitos
em razão de sua missão. Assim, não esquecer que a visão reducionista a qual mecaniza
as atividades em sala de aula e encurta as maiores possibilidades dos alunos, bem como
a não tomada de consciência do professor para atentar ao aluno e também os seus
responsáveis sobre o papel fundamental da implementação de valores por meio do
esporte, faz com que tenhamos um futuro brilhante no alcance dos nossos objetivos,
investindo para que novas possibilidades educacionais por meio do esporte possam
surgir e também novas perspectivas.

12 PLANEJANDO ATIVIDADES DE ESPORTES EM AMBIENTE ESCOLAR

A vasta gama de esportes existentes nos abre um leque enorme de possibilidades


e trabalhar com eles dentro do esporte educacional é uma grande oportunidade para que
o professor consiga alcançar todos os objetivos de aprendizagem no que concerne aos
valores educacionais, como a inclusão, o respeito e a diversidade.
Primeiramente é necessário que, para o ensino de qualquer modalidade, o
professor saiba todos os seus aspectos técnicos, as regras e quais valores podem ser
empregados naquela determinada atividade. Depois, é necessário que se tenha
consciência dos três domínios de aprendizagem: conceitual, procedimental e atitudinal,
pois é dentro desses aspectos que serão desenvolvidas todas as atividades propostas,
incluindo esportes que sejam poucos desenvolvidos ou que tenham mais evidência,
fazendo com que o aluno amplie o seu leque de conhecimento sobre a cultura popular
do país por meio da educação física (BRITO, 2018).

62
Podemos utilizar a corrida de orientação em dupla, por exemplo, para podermos
desenvolver os nossos objetivos. No plano de aula, o objetivo deve ser descrito
primeiramente e, logo após, as ações necessárias para o alcance da meta. Então, o
objetivo da corrida de orientação é explorar o trabalho de cooperação entre os alunos.
Deve ser explicado a eles, a nível conceitual, o que é uma corrida de orientação, logo em
seguida, deve-se fazer com que eles tenham conhecimento de quais são as regras e o
funcionamento adequado do esporte e, depois, quais valores devem ser aprendidos na
lição e reforçar para que o trabalho em equipe e de cooperação seja claramente
entendido.
O jogo também se coloca fundamental dentro dessas relações, pois se constitui
como fenômeno básico de uma célula esportiva do esporte, assim, o professor também
pode trabalhar sob a mesma ótica, jogos e brincadeiras que remetam ao esporte, não
somente valorizando a sua cultura local, mas também possibilitando conhecer outras
culturas por essas atividades (BRITO, 2018).

13 CLASSIFICAÇÃO DOS ESPORTES DE ACORDO COM CRITÉRIOS

A maneira eficaz para que o aluno possa conhecer uma gama de esportes é
trabalha-los de acordo com a sua classificação.
Segundo Gonzales (2004), os esportes têm uma classificação de acordo com os
seguintes critérios:

 se existe ou não relação com companheiros;


 se existe ou não interação direta com o adversário. Com base nesses
princípios, é possível classificar as modalidades em individuais ou coletivas,
quando utilizado o critério relação com os companheiros, e com e sem
interação direta com o adversário, quando o critério utilizado é a relação
com o oponente.

63
Assim, fica mais claro para o professor enxergar, pelas classificações, quais
objetivos educacionais ele pode alcançar de acordo com a especificidade da modalidade
e suas regras, podendo, inclusive, fazer uma adaptação à sua realidade a depender do
tipo de espaço em que ele está inserido, da idade dos alunos, do objetivo, do tipo de
alunos e da região onde ele se encontra, que podem ter regras e princípios peculiares.
Por exemplo, o futebol indígena tem diferença para o futebol jogado com crianças de área
urbana, ou então o futebol que costumam praticar na rua.
Observe o quadro a seguir.

Fonte: Adaptado de Gonzalez (2004)

Portanto, podemos entender que o esporte é uma ferramenta fundamental para o


desenvolvimento da criança, e a sua prática dentro de um ambiente esportivo é possível
quando trabalhamos dentro da realidade de cada escola, cada aluno e cada contexto,
mas podemos ter a ajuda por conta das classificações, fazendo um combinado de ações
a serem realizadas para que se alcance o objetivo proposto, não utilizando uma

64
perspectiva reducionista, mas sim complexa, que é natural do ser, devido ao fato de ele
ser social. Logo, o esporte sempre apresenta novas formas de expressão, mas sempre
com atenções voltadas ao aspecto social e é por meio do professor que se criam pontes
para o desenvolvimento dessas ações (BRITO, 2018).

14 A ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE NO ATLETISMO

O atletismo, por ser considerado o esporte-base, tem como fundamento, nas suas
diferentes provas, as habilidades básicas, como a corrida, o salto, o arremesso e o
lançamento. Tais habilidades motoras são naturais ao desenvolvimento de crianças; se
não tiverem algum problema motor, as crianças vão atingir as diferentes etapas do
desenvolvimento a cada faixa etária de sua vida. Esse processo se dará sob influências
externas, como a cultura, a motivação e o incentivo, que, de certa forma, definem o tempo
de aquisição da habilidade; porém, são os fatores biológicos e fisiológicos que definem
como elas serão desenvolvidas (PAZ, 2019).
A lógica é sempre que a criança aprenda a correr de frente para que depois ela
consiga correr de costas. Exigir um processo contrário é expor a criança a um desafio
motor que, possivelmente, sem um esforço extraordinário, ela não conseguiria realizar,
conforme leciona Nascimento (2000).
O desenvolvimento motor das crianças está atrelado ao seu desenvolvimento
biológico e fisiológico. Naturalmente, as crianças passam pelo mesmo processo de
desenvolvimento na aquisição das habilidades motoras básicas; contudo, não se pode
negar a influência da cultura de movimento em que cada criança está inserida, dos
estímulos motores que ela recebe ao longo da infância, das limitações impostas por
modos de convivência. Por exemplo: crianças que pouco brincam na rua ou que fazem
uso exagerado das tecnologias em prol de brincadeiras motoras, ou, ainda, quando há
uma preocupação demasiada dos pais com a segurança dos filhos, bastante percebida
em falas como “cuidado para não cair” e “se subir aí, você pode se machucar”. Essas
situações podem limitar a exploração e a vivência motora das crianças, ocasionando
possíveis atrasos no desenvolvimento (PAZ, 2019).
65
O atletismo é uma modalidade esportiva que apresenta um cenário promissor para
a especialização precoce, já que, prioritariamente, utiliza habilidades básicas e, de certa
forma, tem facilidade de ser executado em ambientes alternativos e com materiais
adaptados. Ainda, é um esporte que faz parte dos conteúdos mais utilizados por
professores e treinadores esportivos. Pode até ser que o professor não tenha a intenção
de incentivar essa especialização; contudo, quando ele oferta aos alunos experiências
de exercícios pautadas nos gestos condicionados, gestos culturalmente construídos por
regras impostas pelos processos competitivos, ele já estará ultrapassando a fase de
exploração dos movimentos, tão importante para o aluno.
Ainda, há situações em que essa especialização acontece quando há uma carga
de treinamentos muito elevada, ou quando a metodologia exige repetições constantes e
exaustivas do movimento. Pode ocorrer também quando o movimento se fundamenta em
técnicas precisas e específicas, que o aluno não consegue realizar pelas limitações da
consciência corporal sobre o movimento (RAMOS e NEVES, 2008). O quadro abaixo traz
uma comparação entre ações motoras exploratórias e especializadas.

Para a criança ou o jovem exposto à especialização precoce, os impactos na sua


formação afetam para além do desenvolvimento motor, abrangendo aspectos
psicológicos e socioafetivos. É na constante dificuldade de realizar o movimento que o
66
aluno acaba não reconhecendo suas capacidades ou, até mesmo, achando-se incapaz
de executar o que é solicitado. Nas relações socioafetivas, essa condição pode levar à
inibição, à exclusão de grupos de amigos e à pouca valorização de familiares.
As lesões osteomusculares também podem surgir com mais frequência quando o
aluno é exposto a treinamentos com sobrecarga e com grau de dificuldade elevado. É
preciso respeitar a maturação óssea esquelética, para que esta possa suportar as
exigências do próprio corpo potencializadas pelo uso de implementos e materiais (PAZ,
2019).
O prazer deve ser o condutor de qualquer prática esportiva. No atletismo, ele se
manifesta em forma de desafio e de superação dos próprios resultados; é possível que a
criança queira brincar de executar os movimentos simplesmente por estar motivada em
conseguir ir mais longe ou saltar mais alto. Mesmo assim, a exigência do resultado pode
exaltar aqueles que são mais habilidosos, e essa observação pode conduzir a
treinamentos mais rígidos. Nessa projeção daquele que tem mais facilidade ou mais
aptidão para as tarefas motoras das provas do atletismo, também se deve vislumbrar
que, se esse aluno tiver um acervo amplo de situações e variações motoras, no momento
certo da especialização, seu movimento, seu corpo e sua capacidade cognitiva estarão
mais aptos e preparados para um avanço na qualidade da execução.
Enfim, a especialização não assume uma conotação negativa quando é realizada
no momento correto do desenvolvimento global do aluno. Ela é favorecida pela cultura
corporal vivida pelos jovens atletas e pelas experiências motoras por eles adquiridas. O
fato que se destaca é usar das habilidades básicas que fundamentam o atletismo como
estratégia para um refinamento daquilo que ainda nem foi incorporado como ação básica
do ato de se movimentar, conforme apontam Ramos e Neves (2008).

67
15 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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