Você está na página 1de 3

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE

Erick Lucas Correia Cordeiro

Resenha Crítica - Concepções sobre Avaliação


Escolar (Chueri)

Caruaru
2021
Para compreendermos e refletirmos melhor as metodologias usadas pelos
professores para avaliar a aprendizagem - ou, costumeiramente, para verificá-la -, é
imperativo fazermos uma análise didático-pedagógico-histórica a respeito de como
evoluíram as ideias no que concerne à avaliação na escola. Através da leitura do
artigo Concepções sobre a Avaliação Escolar, submetido à Abave (Associação
brasileira de Avaliação Educacional), da Mestre em educação Mary Chueri, podemos
vislumbrar um pouco dos progressos nesse tão fértil campo educacional.
A educação escolar não só tem estatuto didático-pedagógico, como também,
político e epistemológico, haja vista ela ser um dos fios umbilicais do Estado e, por
conseguinte, da prosperidade sócio-cultural-econômica (ou não, ver desmonte
educacional a partir de 2018 e em curso). Desta forma, como podemos depreender
do ótimo texto de Chueri, a avaliação é dimensionada por um modelo teórico de
mundo, assim sendo, como veremos mais notadamente adiante, ela sempre estará
perpassada por um sem-número de intencionalidades - imparcialidade crítica não
cabe no escopo avaliativo, mesmo historicamente, nunca coube; e vou além: no que
se refere à educação, a criticidade sempre farar-se presente.
Sob a grande influência jesuítica e do protestantismo, a partir do século XVI
tinha-se uma noção de avaliação como uma forma unidirecional de examinar
(Pedagogia do Exame), desta forma os discentes eram avaliados de forma a
obter-se uma classificação, sem nenhuma reflexão crítica ou correlatos - sim sim,
tristemente em pleno século XXI ainda acompanhamos práticas assim.
Posteriormente, no século XX, com os adventos dos desenvolvimentos da Psicologia
Comportamental (Behaviorismo), expandiu-se as noções que para avaliar seria
essencial a aplicação de testes para “quantificar” o aprendizado, medi-lo. Assim,
convencionou-se nomear tais práticas de Pedagogia Tecnicista. Esse enfoque
tecnicista é bastante danoso ao processo de ensino-aprendizagem, uma vez que,
como o texto bem pontua, está alicerçado sobre uma lógica excludente
(maduro-imaturo, capaz-incapaz, forte-fraco, bom-mau, etc), o que reverbera no
desempenho e aprendizado dos alunos, fazendo com que sejam avaliados de forma
operacionalizada e, por conseguinte, estudem e pensem de modo igualmente
mecanizado e, diria também, acrítico - não contemplando as dimensões subjetivas
que possuem.
Em oposição às duas pedagogias apresentadas, e uma resposta crítica para
elas, a partir da década de 60, desenvolve-se uma Pedagogia Qualitativa, que como
o nome discrimina, configura-se como um conjunto de estratégias e práticas
didático-pedagógicas que buscam inserir a dimensão subjetiva nos métodos
avaliativos, pois, assim, consegue-se, realmente, se ter um melhor aproveitamento
no ensino e na aprendizagem; havendo uma avaliação mais normativa que
somativa, quer dizer, havendo uma prevalência do intento da apropriação dos
saberes - mesmo que isso ainda ocorra de forma irregular, necessitando novas
ideias e estratégias -, ao invés da avaliação somativa como ideia central, onde
predomina-se a lógica classificatória, o que implica, ao meu ver, na concepção da
educação uma como faca de dois gumes ou, precisando mais um pouco, uma
educação resultadista e vazia de reflexividade sobre si mesma e, claro, sobre a
realidade que nos alberga e que investigamos.

Você também pode gostar