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FLT – FACULDADE LUTERANA DE TEOLOGIA

Disciplina: Missiologia II
Professor: Klaus A. Stange
Aluno: Cleiton Friedemann
Turma: TEO07

Resenha:

Vicedom foi um importante missiólogo nascido na Alemanha. Tratava-se de uma das


maiores autoridades na área da missão no mundo. Também deixou um importante legado na
sua compreensão de teologia de missão.
Conforme Vicedom, a missão parte do próprio Deus, que em seu amor envia o seu
filho Jesus Cristo para a salvação da humanidade. Assim, Cristo é o centro da missão. A
concepção teológica de missão para Vicedom é trinitária: Deus envia seu Filho e o Filho e o
Pai enviam o Espírito Santo.
Vicedom não concorda com o método de evangelização que parta do princípio
civilizatório. Para ele, não é pressuposto para a missão, nem tampouco para a fé em Deus a
mudança de status.
Pelo fato de a missão partir da misericórdia de Deus pelo seu povo, a missão é também
a tarefa de sua igreja como um todo, não apenas de especialistas ou pessoas treinadas para
isso. Missão é igreja em movimento.

Missio Dei

A missão é em primeiro lugar, obra do próprio Deus. Assim, Deus é o sujeito ativo da
missão. A igreja, ou qualquer pessoa que seja, é apenas instrumento da missão. Desta
maneira, a igreja estabelecida por Jesus Cristo não pode não ser missionária. Ser igreja é ser
missionária.
Na missão de Deus, ele mesmo não é apenas o enviador, mas também é ele o próprio
enviado. Além disso, Deus também é o conteúdo do envio e da missão. Evidentemente, a
missão de Deus acontece com, através e para o ser humano. Desta maneira, a missão não é
algo que acontece além de nós, apesar de que o resultado e o agir da missão, este sim é extra
nós, mas a missão nos envolve e pede de nós também uma resposta. Não é possível ignorar ou
calar diante da missão.
O senhorio de Deus

A pergunta pelo motivo da missão nos leva a duas respostas básicas: em primeiro
lugar, uma definição já bastante antiga diz que o motivo da missão é a salvação da
humanidade. No entanto, a missão parte também do senhorio de Deus. Deus, senhor sobre
toda a humanidade quer reunir todos em seu reino. Assim, o reino de Deus é alvo da missão.
O ser humano criado por Deus é tido pelo próprio Deus como parceiro de sua missão.
Deus criou o ser humano a fim de se relacionar com ele, no entanto, como a realidade da
queda este relacionamento foi corrompido. Todavia, ainda assim, depois da queda o homem é
parceiro de Deus em sua missão. A fidelidade de Deus se mostra superior a fidelidade
humana, e isso faz com que a sua misericórdia e o seu amor cubram a nossa falta e ainda
assim conte conosco para a sua missão de resgate a humanidade corrompida.
Deve-se entender também que o objetivo do senhorio de Deus e de sua missão é
destruir as obras do diabo e vencer o príncipe deste mundo. Uma frase de destaque de
Vicedom que vale ser ressaltada neste contexto de realidade do outro reino que não de Deus,
segue: “Somente está livre do reino deste mundo quem se deixa salvar dele para o reino de
Deus pelo envio de Jesus Cristo. Esse é o único caminho.”
Na compreensão do reino de Deus, Vicedom tem a clara compreensão de que não
existe uma dualidade entre o reino de Deus e o reino deste mundo. O reino de Deus é superior
a todas as outras coisas. Assim em última análise até mesmo o reino deste mundo está a
serviço do reino de Deus. No entanto, Deus não quer deixar as pessoas na situação em que
estão. Ele as chama pela proclamação do evangelho para a vida no Seu reino.
O reino de Deus não é constituído em formas humanas, mas está acessível a todos, de
tal forma que o próprio filho Deus tornou-se homem. Jesus Cristo é em essência o conteúdo
do reino de Deus, e desta maneira também da missão do próprio Deus.
Vicedom ressalta que o reino de Deus é soberano sobre todas as outras coisas, quer
seja os seres humanos, quer seja o outro reino. Todavia, para sermos alcançados, e
conseguirmos alcançar pessoas para seu reino é necessário que haja em nós uma postura de
humildade. O senhorio e a alteridade pertencem a Deus, e a ele somente. Devemos tomar essa
postura de humildade pelo fato de que o reino de Deus vem a nós como dádiva. Sempre
estamos na condição de receptores do reino de Deus, e uma vez que nele estamos incluídos,
tornamo-nos também doadores do amor e da misericórdia de Deus. Deus oferece
gratuitamente toda a sua graça e o egresso no seu reino, no entanto, o receber dele não pode
ser imposto a ninguém. Neste sentido, o dar ainda não é o receber. Somos sim convidados a
entrar no seu reino e chamados a obediência. Esta é também a nossa incumbência, passar esse
convite de Deus adiante.
Sendo Jesus Cristo o conteúdo do reino de Deus, deve-se dizer que é no reino de Deus
que está a nossa salvação. Por isso a participação no reino não é sem compromisso e sem
conseqüência, mas é decisiva no que concerne a nossa vida futura. Jesus é o único caminho ao
Pai. Semente através da cruz é que se obtém a salvação. Está aí o fato de a missão de Deus ser
algo de tão grande importância nesse mundo.
A mensagem da missão deve estar centrada nos dois tempos do reino de Deus: o
presente e o futuro. Jesus Cristo já inaugurou o reino de Deus, no entanto ainda não o
consumou. A morte de Jesus deve ser proclamada, bem como a sua segunda vinda em glória.
É na expectativa do retorno de Cristo que proclamamos o Evangelho, tanto para graça dos que
crerem, como para juízo dos que não crerem. O crer implica também em arrependimento.
Arrepender-se de sua velha vida e de sua vida a serviço do reino deste mundo e a conversão
para o serviço no reino de Deus.
O reino de Deus é algo que se oferece a toda humanidade. Todavia, há somente um
modo de fazer parte deste reino. Somente a partir da morte e da ressurreição de Jesus Cristo e
da proclamação desse ato remidor de Deus é que se pode ter acesso ao reino de Deus.
Poderíamos dizer que par a entrada no reino de Deus não há bloqueio, mas há somente uma
porta, que é Jesus Cristo. Assim, o agir de Jesus Cristo é sempre salvífico. Não se trata apenas
de um ensino ou de uma ética, mas deu um agir em favor do ser humano. A morte de Jesus
tem validade para todos. Em Jesus Cristo o povo de Deus que antes era apenas o povo de
Israel torna se agora muito mais amplo – todo aquele que Nele crer.
Considerando esta abrangência universal do reino de Deus, lembre-se que a igreja tem
caráter escatológico. Todos os que são alcançados por Deus para o seu reino, são também ao
mesmo tempo de certa forma responsáveis por aqueles que ainda não foram alcançados.
Nesta perspectiva, reino de Deus deve ser anunciado e proclamado a fim de que ele se
cumpra. Impulsionados pelo agir do Espírito Santo em seus dons somos chamados e ao
mesmo tempo enviados pela e para a missão de Deus.

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