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Análises morfológicas de algumas espécies de liquens, fungos e

microalgas da Mata Úmida do Sítio São Luís em Ubajara - CE, Brasil

Francisco Ruliglésio Rocha1, Amanda Ximenes1, Jean Carlos Lima Almeida1,


Francisco Otávio Mesquita1, Antônio Cássio dos Santos Mota1, Ana Maria Borges do
Nascimento1 e Elnatan Bezerra de Souza2

RESUMO - Na diversidade da mata úmida (Floresta Subperenifólia Tropical Pluvio


Nebular), especificamente no Sítio São Luís na cidade de Ubajara-CE, pode-se
encontrar uma grande variedade de fungos, liquens e microalgas, as quais foram
coletadas, analisadas e identificadas. O foco do estudo também atentou aos
diversos tipos de colorações e substratos onde se encontraram as amostras
coletadas. Com isso obteve-se um estudo mais aprofundado para análises de
associação dos fungos com as algas.
Palavras-chave: Sítio São Luís, Liquens, fungos e microalgas.

Introdução

Os principais propósitos da pesquisa foram observar a gradação da


vegetação, coletar liquens, fungos e microalgas e treinar os métodos de coleta. No
trajeto da pesquisa observou-se a gradação dos tipos de vegetação. No primeiro
instante fomos apresentados a Floresta Dicotileopalmácia tendo como representante
marcante a Carnaúba situada nas margens do Rio Acaraú.
Ao sairmos da depressão sertaneja nos deparamos com Caatinga Arbustiva
Densa bioma típico do semi-árido e de extrema importância para preservação da
biodiversidade sendo considerada uma vegetação tipicamente brasileira. A próxima
vegetação predominante aos nos dirigirmos para Serra da Ibiapaba foi a Caatinga
Arbórea. Ao atingirmos uma altitude de aproximadamente 400-600 metros a
vegetação que passou a predominar foi a Sub-Caducifólia Tropical Pluvial sendo o
babaçu bastante característico dessa área. O babaçu mencionado é indicador de
áreas degradadas. A partir de 600 metros de altitude até chegarmos ao Sítio São
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1.Graduação em Biologia – Universidade Estadual Vale do Acaraú –UVA.
2.Professor da Disciplina de Fundamentos de Ficologia e Micologia da Universidade Estadual Vale
do Acaraú – UVA.

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Luís à vegetação marcante é a Floresta Sub-Perinifólia Tropical Pluvio-Nebular com
890m de altitude, com latitude de 0,3°47’ 53’’sul e longitude 40°54’19’’oeste, com
temperatura variando entre 18ªC e 25ªC no local das coletas.
Liquens são seres vivos muito simples que constituem uma simbiose de um
organismo formado por um fungo e uma alga ou cianobactéria. Os liquens se
desenvolvem como lâminas ou placas de várias cores na superfície de árvores ou de
pedras, expostas à umidade e ao Sol. A simbiose funciona favorecendo a ambas as
partes, pois a alga ganha proteção, uma vez que o fungo normalmente forma a
superfície externa e mantém o interior do talo úmido, resultando num ambiente mais
estável para a alga, favorecendo dessa maneira o seu desenvolvimento. O fungo
consegue o açúcar através de hifas especiais, chamadas apressórios ou haustórios
que entram em contato com a parede celular das células da alga. Aparentemente, o
fungo pode produzir uma substância que aumenta a permeabilidade da parede da
alga e permite-lhe adquirir, por difusão, até 80% do açúcar que a alga produz.
Existem quatro classificações de liquens, o crostoso, o filamentoso, o
folhoso e o fruticoso. Porém, foram encontrados nas análises apenas o crostoso e o
folhoso.
Os fungos (Fungi) de acordo (Amabis et al. 2004). representam um vasto
grupo de organismos heterotróficos classificados como um reino pertencente ao
Domínio Eukaryota. Estão incluídos neste grupo organismos de dimensões
consideráveis, como os cogumelos, mas também muitas formas microscópicas,
como bolores e leveduras. Os fungos ocorrem em todos os ambientes do planeta e
incluem importantes decompositores e parasitas. Fungos parasitas infectam animais,
incluindo humanos, outros mamíferos, pássaros e insetos, com resultados variando
de uma pequena infecção podendo acometer inclusiva a morte. Outros fungos
parasitas infectam plantas, causando doenças como o apodrecimento de troncos e
aumentando o risco de queda das árvores.
Os fungos possuem um corpo vegetativo chamado talo ou soma que é
composto de finos filamentos unicelulares chamados hifas. Estas hifas geralmente
formam uma rede microscópica junto ao substrato (fonte de alimento), chamada
micélio, por onde o alimento é absorvido.
Usualmente, a parte mais conspícua de um fungo são corpos de frutificação
ou esporângios (as estruturas reprodutivas que produzem os esporos).
As microalgas são algas unicelulares, embora estas possam estar
associadas em colônias, por vezes de grandes dimensões. As microalgas, não só
perfazem uma grande parte do plâncton, mas têm sido consideradas responsáveis
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pela maior parte do oxigênio da atmosfera terrestre e também são à base da cadeia
trófica dos bêntons. O grupo de microalgas mais importante é o das diatomáceas,
mas em certos sistemas, principalmente em água doce, as clorofíceas ou
cianofíceas podem ser dominantes. Nas análises referentes a pesquisa supracitada
foram identificadas em maiores proporções as diatomáceas e clorofíceas.

Materiais e Métodos

As coletas foram realizadas no em 16 de setembro de 2009, foram coletadas


no sítio São Luís na cidade de Ubajara- CE (a 330 km da capital Fortaleza) amostras
de fungos, liquens e algas. Grande parte das espécies de fungos forma coletas
sobre troncos de árvores em decomposição e na serrapilheira. Já as liquens foram
coletados nos troncos das árvores e as algas na da Cachoeira de São Félix ( 03° 48'
19'' Latitude Norte; 40° 54' 23'' Longitude Oeste) e na Fonte do Mirante (03°45' 15''
Latitude Norte; 40’ 59’’ 15° Latitude Oeste), ambas com aproximadamente a 890m
de altitude em relação ao nível do mar.
Para coleta de fungos e liquens foram utilizadas luvas látex, estilete, sacos
plásticos e de papel onde foram armazenadas as amostras coletadas. Para
identificação das algas coletou-se água e lodo através da raspagem do substrato
presentes nas respectivas fontes, sendo em seguida acondicionadas em frascos de
cor âmbar que tem por finalidade proteger as amostras da radiação solar.
As amostras coletadas foram depositadas no Laboratório de Biologia Vegetal
da Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA, na cidade de Sobral - CE, no
mesmo dia em que foram coletadas
Nos frascos de vidro âmbar que continham as algas, foi adicionado água
destilada e álcool a 10%. Já fungos e liquens permaneceram em suas embalagens
plásticas e de papel.
O período de identificação das espécies compreendeu nos meses de
setembro e outubro de 2009, onde foram utilizados microscópio óptico e
estereoscópio para visualização de algas fungos e liquens, respectivamente.

Resultados e Discussões

Foi identificado um liquen crostoso em associação com clorofíceas de


coloração esverdeada coletada na serrapilheira e outro em associação com

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rodofíceas de coloração avermelhada coletado no tronco de uma árvore e um líquen
folhoso em associação com cianobactérias de coloração preta, também coletado no
tronco de uma árvore. Com relação aos fungos foi coletado um único táxon em
associação com o galho de uma árvore de coloração marfim identificado como
orelha de pau. No tocante as algas foram identificadas diversos táxons com
predominância para as diatomáceas; uma penada com rafes e outra colonial do
táxon Fragilária. Algas verdes filamentosas com freqüência de um ou dois
cloroplastos por célula sendo todas coletadas da Fonte do Mirante.
As espécies identificadas nos mostram, em parte, as riquezas biológicas da
área em estudo, porém trabalhos realizados em outros momentos evidenciaram uma
maior diversidade de algas, fungos e liquens o que pode estar relacionado com o
período de estiagem que antecedeu as coletas, levando-nos a compreensão de que
os períodos chuvosos corroboram com uma maior diversidade de espécies.

Conclusão

Os resultados apresentados revelam que o Sítio São Luís, localizado na cidade


Ubajara-CE, é rico em fungos, liquens e algas. Esses dados preliminares e pioneiros
devem subsidiar estudos de natureza mais ampla, contribuindo para um melhor
entendimento do bioma e, consequentemente, a uma preservação ecológica da
região.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMABIS, José Mariano; MARTHO,Gilberto Rodrigues. Biologia dos


Organismos. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2004.

RAVEN, Peter H.; EVERT, Ray F.;EICHHORN Susan E.; de. Biologia Vegetal.
6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.