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Campo Geral- Guimarães Rosa

1. (UNICAMP) Mas, a mal, vinha vesprando a hora, o fim do prazo, Miguilim não
achava pé em pensamento onde se firmar, os dias não cabiam dentro do
tempo. Tudo era tarde! De siso, devia de rezar, urgente, montão de rezas. (João
Guimarães Rosa, “Campo geral”, in “Manulezão e Miguilim”. Rio de Janeiro,
Editora José Olympio. 1972.)
a) O trecho acima refere-se a uma espécie de acordo que Miguilim propôs a
Deus. Que acordo era esse?
b) Sabendo-se que o acordo se relaciona às perdas sofridas por Miguilim, cite
as duas que mais profundamente o marcaram.
c) Se “vesprando” deriva de “véspera”, que se associa a Vésper (Estrela da
Tarde), como se deve interpretar “vinha vesprando a hora”?
2. (ENEM) :Miguilim

“De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro
de roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem
junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
– Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
– Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
– E o seu irmão Dito é o dono daqui?
– Não, meu senhor. O Ditinho está em glória.
O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso
como nenhum outro.
Redizia:
– Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda… Mas que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que
o encarava.
– Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá.
Quem é que está em tua casa?
– É Mãe, e os meninos…
Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O
outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas
coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: – ‘Miguilim, espia daí:
quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?”(ROSA, João
Guimarães. “Manuelzão e Miguilim”. 9• ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1984.)
Esta história, com narrador observador em terceira pessoa, apresenta os
acontecimentos da perspectiva de Miguilim. O fato de o ponto de vista do
narrador ter Miguilim como referência, inclusive espacial, fica explicitado em:
a) “O homem trouxe o cavalo cá bem junto.”
b) “Ele era de óculos, corado, alto (…)”
c) “O homem esbarrava o avanço do cavalo, (…)”
d) “Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, (…)”
e) “Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos”
3. (UFRGS) Assinale a alternativa correta a respeito dessa obra de Guimarães Rosa.

a) O ponto de vista da criança mostra o encantamento com o mundo adulto, que é entrevisto
pelo leitor através do olhar míope e infantil de Miguilim, que deseja crescer depressa.

b) Tio Terez e Nhô Berno disputam o amor de Nhanina, que decide se casar com o primeiro. (C)
Dito, em uma brincadeira no meio do mato, corta o pé num caco de pote, fica muito doente,
mas sobrevive para felicidade de todos que muito celebram na noite de Natal.

c) Dito, ao aconselhar Miguilim a sempre estar alegre por dentro, representa a sabedoria inata,
capaz de carregar uma lição de vida .
e) O leitor, através do olhar infantil, percebe a harmonia entre os pais de Miguilim e o grande
amor do pai pela mãe.

4. (ENADE) Considere a obra Miguilim, de Guimarães Rosa, da qual se extraiu o seguinte


fragmento: Tio Terêz deu a Miguilim a cabacinha formosa, entrelaçada em cipós. Todos eram
bons para ele, todos do Mutum. O doutor chegou: — “Miguilim, você está aprontado? Está
animoso?” Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-
paco, ao gato Sossõe, que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo. —
“Dá lembrança ao seu Aristeu… Dá lembrança ao seu Deográcias…” Estava abraçado com Mãe.
Podiam sair. ROSA, J.G. Manuelzão e Miguilim: duas novelas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964,
p. 103 (com adaptações). Considerando o fragmento acima, assinale a opção que apresenta
excerto referente à obra Miguilim

a) O outro reino, em que se esconde, ou se procura o Menino, é requintado, interiorista, respira


mistério, levita na intemporalidade, mora ou pervaga numa estranha mansão (…) Trata-se, é
bem de ver, da recorrência de uma primeira contemplação inefável de categoria intimista.
LISBOA, H. O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa. In: Guimarães Rosa. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira; Brasília: INL 1983, p. 178.

b) O deslocamento espacial é o rito de passagem — ‘o atravessar o bosque’—, que se dá no


meio do percurso entre as duas aldeias, separadas pela imprevisibilidade do ‘quase’: uma outra
e quase igualzinha aldeia. MOTTA, S. V. O engenho da narrativa e sua árvore genealógica: das
origens a Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. São Paulo: UNESP, 2006. p. 466.

c) O Menino é uma criança qualquer a brincar com o seu macaquinho e é uma espécie de criança
mítica, através de quem tudo se ordena, tudo se corresponde, tudo se completa. NUNES, B. O
amor na obra de Guimarães Rosa. In: Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira;
Brasília: INL, 1983, p. 162.

d) Ao drama de ordem pessoal e à tragédia inelutável, segue-se o conflito com a força maior,
representada pelo domínio paterno contra o qual se insurge o menino, ferido nos brios. A
represália do pai é tremenda. LISBOA, H. O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa. In:
Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1983, p. 175.
e) (…) impregnado pela religiosidade da mãe e pela aura mística dos ‘milagres’, a solução do
conto conduz para a leitura fácil de se explicar pela fé a tragédia que não se atina com a razão.
MOTTA, S. V. O engenho da narrativa e sua árvore genealógica: das origens a Graciliano Ramos
e Guimarães Rosa. São Paulo: UNESP, 2006, p. 449.
5. Considere atentamente as seguintes afirmações sobre a novela “Campo geral”
(“Miguilim”), de Guimarães Rosa:

I. A sabedoria precoce do pequeno Dito é decisiva para o aprendizado de Miguilim, seja


nas experiências imediatas do cotidiano, seja na investigação do valor e do sentido
profundos dessas experiências.

II. Por meio da personagem Miguilim, o autor nos mostra que a vida rústica do sertanejo
é pobre como experiência – o que pode ser compensado pela imaginação poética de
quem sabe desligar-se daquela vida.

III. No momento final da narrativa, é em sentido literal e simbólico que um novo mundo
se revela para Miguilim – mundo que também se abre para uma vida de novas
experiências.

A leitura atenta da novela permite concluir que apenas:

a) as afirmações I e III são corretas.


b) as afirmações I e II são corretas.

c) as afirmações II e III são corretas.

d) a afirmação II é correta.

e) a afirmação III é correta.

6. (UFG) Diversos motivos narrativos compõem a trama de “Campo geral”, texto da


obra “Manuelzão e Miguilim,” de Guimarães Rosa. Qual o motivo narrativo principal
para a composição do enredo desse conto?
a) As desavenças entre Mãitina e a avó de Miguilim.
b) A instabilidade sentimental da mãe de Miguilim.
c) A observação do mundo pela ótica de Miguilim.
d) A rivalidade entre Tio Terez e o pai de Miguilim.
e) A solidariedade entre os irmãos de Miguilim.

7.(UNICESUMAR) Dentre as conquistas promovidas pelo modernismo da década de


1920, permanecem a valorização do cotidiano, reforçada pelo uso da linguagem
coloquial, e a pesquisa das raízes históricas e culturais do Brasil. Observa-se em Campo
Geral (Miguilim), de Guimarães Rosa, a presença desses traços na caracterização de
personagens típicos da cultura popular brasileira, como
a) a menina mimada que se expressa assim: Preciso de sapatos novos! Os meus fazem
muito barulho […].
b) o pai de família autoritário que se expressa assim: Se você mandar matar esta galinha
nunca mais como galinha na minha vida!
c) o médico charlatão que se expressa assim: a homeopatia é a verdade, e, para servir à
verdade, menti; mas é tempo de restabelecer tudo.
d) o curandeiro brincalhão que se expressa assim: tem susto não: com as ervas que sei,
vai ser em pé um pau, garantia que dou, boto bom!…

8.(ITA) Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se
esconder.
– Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim…
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
– Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e
diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele
da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância.
E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo… O senhor tinha retirado dele os
óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto.
Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que
Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante.
(João Guimarães Rosa. MANUELZÃO E MIGUILIM.)
Considere as seguintes afirmações sobre o trecho acima:
I. Na narrativa, transparece o universo infantil, captado pela ótica da criança.
II. Há o uso de recursos linguísticos, como ritmo, rima e figuras de linguagem, que
desfazem as fronteiras entre prosa e poesia.
III. A narrativa reporta ao mundo rústico do sertão pela ótica de um narrador externo à
comunidade.
Está(ão) condizente(s) com o trecho:
a)apenas I.
b)apenas II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.

Respostas:
1. a) Seu Deográcias, espécie de curandeiro que perambulava pelo Mutum, diagnosticara
que Miguilim, fraco, abatido, corria risco de vida, de contrair tuberculose.
Primeiramente, o menino recorre à negra Mãitina, mas desiste ao encontrar bêbada a
velha mandingueira. Volta-se para Deus e faz uma espécie de trato: se tivesse de morrer,
que fosse no prazo de três dias, dilatado mais tarde, para dez dias, para permitir uma
“novena” de rezas. Se não morresse que, por vontade de Deus, ficasse curado.

b) As duas perdas que mais profundamente marcaram a “travessia” de Miguilin do


mundo mágico da infância para o mundo adulto foram as experiências com a morte: a do
pai, que se suicidou, e a do irmão mais querido, o Dito, vitimado pelo tétano. A
superação dessas duas perdas foram instantes dolorosamente decisivos no
amadurecimento da criança no embate com fatos da vida.
c) O neologismo “vesprando” sugere tanto a noção mais imediata de aproximação
temporal, de “fazer-se véspera”, como também nos remete à ideia de “anoitecer” e,
metaforicamente, “de morrer”, associada à “noite” que a estrela Vésper prenuncia.
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