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Resumos de Psicologia: 28 de fevereiro

 A mente e os processos mentais (página 94 á 127)

 O que é a mente?
É o estado da consciência ou subconsciência, relativo ao conjunto de pensamentos. “Mente” é o termo mais comum
utilizado para descrever as funções superiores do cérebro humano, particularmente aquelas das quais os seres
humanos são conscientes, tais como o pensamento, a razão, a memória, a intuição, a inteligência e a emoção.

A mente:
É o lugar da atividade psíquica, considerada na sua totalidade;
Engloba operações conscientes e inconscientes;
Refere-se a um conjunto de processos;
Não é algo material.

A mente é encarada como um sistema que integra os processos cognitivos, emocionais e conativos.
É importante acentuar que a mente não é uma coleção de processos, um somatório de dimensões psicológicas
autónomas. É antes uma manifestação total de processos dinâmicos que interagem de forma complexa: os
processos mentais implicam-se mutuamente de forma integrada.

Processos cognitivos – O saber Processos emocionais – o sentir Processos conativos – o fazer


São atividades mentais implicadas na Dizem respeito às tendências, às
aquisição, na compreensão, no Correspondem aos aspetos afetivos, motivações e intenções que
processamento e na comunicação agradáveis ou desagradáveis. impulsionam o ser humano a agir no
de informação. meio físico e social.
Estão habitualmente associados à É habitual associarem-se à questão
É habitual associarem-se à pergunta
pergunta “O quê?” pois trata-se “Porquê?” pois trata-se de
“Como?” pois trata-se de saber
sobretudo de saber o que é o compreender por que motivo
como sentimos o mundo.
mundo. fazemos aquilo que fazemos.
As sensações que sentimos, O que caracteriza a atividade
agradáveis ou desagradáveis, humana é essencialmente o seu
desempenham um papel caráter intencional, ou seja, o facto
A psicologia cognitiva interessa-se
fundamental na defesa do de ser orientada para determinados
pelo estudo dos processos mentais
organismo, na medida que fornecem fins. As decisões que tomamos
ligados ao pensamento procurando
uma avaliação dos estímulos do fazem-nos recorrer a recursos
saber como as pessoas sabem, como
meio, impulsionando o organismo mentais como a deliberação e a
sabem, como imaginam, etc.
para os que são benéficos e reflexão, sobre diferentes
afastando-o dos que lhe são finalidades e as diferentes formas de
prejudiciais. as alcançar.
Os processos envolvidos são os
processos emocionais (que se
reportam à subjetividade e à
Os processos envolvidos são a Os processos envolvidos são as
individualidade) e os processos
perceção, a memória e a emoções, os afetos e os
conativos (direcionados para a ação,
aprendizagem. sentimentos.
associando-se à vontade e
expressando-se em
comportamentos).
 O que é a perceção? (página 101)
É um processo cognitivo através do qual contatamos com o mundo, que se caracteriza pelo facto de exigir a
presença do objeto da realidade a conhecer. Na perceção organizamos e interpretamos veiculadas pelos órgãos dos
sentidos (informação sensorial).

 Processo percetivo
O nosso conhecimento é construído por diferentes sistemas sensoriais: a visão, o olfato, a audição, o tato, o paladar
e ainda pelo sentido do equilíbrio e o sentido dos movimentos corporais. Embora a receção sensorial seja diferente
para os diferentes órgãos dos sentidos, há 3 elementos comuns:

- O estímulo físico;
- A sua tradução em impulsos nervosos;
- A resposta à mensagem como perceção.

A perceção começa nos órgãos recetores que são sensíveis a estímulos. Ao processo de deteção e receção dos
estímulos dos órgãos dos sentidos dá-se o nome de sensação. A maior parte das entradas sensoriais percebem-se
como uma sensação identificada com um estímulo específico que é traduzido em impulsos nervosos que são
conduzidos ao sistema nervoso central e processos pelo cérebro.

A perceção é uma atividade cognitiva que não se limita ao registo da informação sensorial: implica a atribuição de
sentido, que remete para a nossa experiência. As perceções são fruto de um trabalho complexo de análise e síntese,
destacando o seu caráter ativo e mediatizado pelos conhecimentos, experiências e interesses do sujeito.

 A Perceção como representação


As informações são enviadas para diferentes áreas do cérebro, onde são representadas. A perceção não reproduz o
mundo como um espelho, o cérebro não regista o mundo exterior como um fotógrafo tridimensional.

 A interpretação da realidade
Constância percetiva:
Designa a tendência para vermos objetos familiares como tendo uma forma padrão, tamanho, cor ou
localização, independentemente de mudanças no ângulo da perspectiva, da distância, ou da iluminação.
Constância da forma: um objeto nunca forma a mesma
Constância de tamanho: percecionamos o tamanho
imagem retiniana: a luz é diferente, a incidência e o
de um objeto ou de uma pessoa independentemente
angulo do olhar também diferentes, a distância munda
da distância a que se encontre. O mesmo objeto
constantemente, mas nós conhecemo-la. O
apresentado a diferentes distâncias forma na retina
reconhecimento envolve sistemas elaborados em que
imagens com diferentes tamanhos: quanto mais
intervém a experiência do sujeito, as memórias
longe está mais pequeno parece.
armazenadas.
Constância da cor: a cor dos objetos tende a
Constância da luminosidade: o brilho de um objeto
permanecer constante independentemente do nível
permanece constante apesar das variações do nível da
de iluminação que incide sobre os objetos
quantidade de luz que incide sobre ele.
percecionados.

 Perceção social
Processo que está na base das interações sociais: como conhecemos os outros, como interpretamos o seu
comportamento. O conhecimento deste efeito é muito importante, porque é o modo como percecionámos as
situações sociais e o comportamento dos outros que orientará o nosso próprio comportamento.

 Perceção e cultura
A forma como percecionamos o mundo varia com a cultura, com o contexto cultural.
 Memória (página 111)
É a capacidade de registar, armazenar e manipular informações provenientes de interações entre o cérebro e o
corpo ou todo o organismo e o mundo externo. É a base dos nossos sentimentos ou qualquer outra atitude
quotidiana, variando conforme os diferentes períodos de vida.

1 – Codificar a informação sensorial

Prepara as informações sensoriais para serem armazenadas no cérebro. Consiste na tradução de dados num código
que pode ser acústico, visual ou semântico.

2 – Armazenar a informação

Uma das questões mais inquietantes no estudo da memória é a de saber como e onde se processa o
armazenamento da informação recebida. Quando uma experiencia é codificada e armazenada, ocorrem
modificações no cérebro de que resultam traços mnésicos designados por engramas.

3 – Recuperação ou reactualização

Lembramos-mos, recordamos-mos, evocamos uma informação. Significa, localizar a informação armazenada e faze-
la aceder à consciência.

Memórias

Memória a curto prazo Memória a longo prazo

Imediata De trabalho Não-declarativa Declarativa

É uma memória que retém a informação É alimentada pelos materiais da memória a


durante um período limitado de tempo curto prazo que são codificados em
podendo ser esquecida ou passar para a símbolos. Esta memória retém os materiais
memória a longo prazo. durante horas, meses ou até toda a vida.

 Imediata: o material recebido fica retido  Não-declarativa: mantém as


durante uma fração de tempo (cerca de informações subjacentes á questão
30 segundos). “Como?” Quando desenvolvemos estes
 De trabalho: mantemos a informação comportamentos, não temos
enquanto ela nos é útil. Utilizamos a consciência de que são capacidades que
informação de um modo especifico à dependem da memória. O exercício, o
realização de uma tarefa. hábito, a repetição do conjunto de
práticas tornam este tipo de atividades
A memória declarativa integra 2 subsistemas: automáticas, reflexas.
 Declarativa: implica a consciência do
 Memória episódica: envolve recordações,
passado, do tempo, reportando-se a
lembranças de vida pessoais. Manifesta uma
acontecimentos, factos, pessoas.
relação íntima entre quem recordas e o que
se recorda. Implica a localização do
espaço/tempo (acontecimentos específicos).
 Memória semântica: é responsável por
conhecimentos acerca do mundo, por
produtos verbais. A sua função é lembrar o
passado, mas também planear o futuro.
Memória Construída
Quando evocamos um acontecimento, a sua representação na memória não é uma reprodução fiel, porque pode
estar associado a uma experiência positiva ou negativa, o que afeta o modo como o reproduzimos. As
representações implicam uma seleção da informação, a sua codificação, a associação a experiências anteriores ou
acontecimentos relevantes.

Marcadas pela experiência, emoções, afetos, as representações são guardadas pela memória, sendo ativadas
sempre que necessário. A realidade exterior ausente pode ser substituída por uma realidade interior mantida pela
memória, que entretanto foi modificada.

Memória Sensorial
Os inputs ou informações sensoriais provenientes dos estímulos são armazenados na memória sensorial por um
curtíssimo espaço de tempo.

 Aprendizagem (página 104)


É o processo que pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos,
desenvolvem competências e mudam o comportamento. Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode
ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está imparcialmente absorvida
de pressupostos político-ideológicos, relacionados com a visão do homem, sociedade e saber.

 Aprendizagem social
Aprendizagem social por observação ou por modelação. Foi desenvolvida por Albert Bandura: Descobriu que a
experiência dos outros pode conduzir à aquisição de novos comportamentos. Assim, um individuo pode adquirir
um novo comportamento a partir da observação de um modelo. Seria através de um processo – modelação – que
envolve a observação, a imitação e a integração, em que a pessoa aprende um comportamento que passa a integrar
o seu quadro de respostas. A aprendizagem social processa-se através da socialização, que decorre desde o
nascimento até à morte do indivíduo.

 Processos de aprendizagem
Há comportamentos que estão diretamente relacionados com os estímulos do meio e que são previsíveis a partir da
presença do estímulo. Este tipo de comportamentos insere-se no que designa por aprendizagens não simbólicas.

Tipos de aprendizagem
Aprendizagem não associativa:
Aprendizagem associativa:
Por habituação: consiste em aprender a não reagir a um
Condicionamento clássico: um organismo aprende a
determinado estímulo. Selecionamos no meio ambiente
responder a um estímulo neutro que antes não produzia
o que nos interessa, centrando a nossa atenção no que é
essa resposta. Resulta da associação entre 2 estímulos.
essencial para nós.
Condicionamento operante: ocorre quando o
Por sensitização: aprende-se as propriedades de um
organismo aprende a associar o comportamento com as
estímulo ameaçador ou prejudicial (quando somos
consequências que resultam desse comportamento.
assustados ou nos queimamos).

Conceitos desenvolvidos por Pavlov:

 Estímulo neutro: estímulo que antes do condicionamento, não produz a resposta desejada;
 Estímulo não condicionado ou incondicionado: estímulo que desencadeia uma resposta não aprendida;
 Resposta incondicionada: resposta inata, não aprendida;
 Estímulo condicionado: estímulo neutro que associado ao estímulo incondicionado passa a provocar uma
resposta semelhante à desencadeada pelo estímulo incondicionado.
Reforço
Estímulo que por trazer consequências positivas, aumenta a probabilidade de uma resposta ocorrer. Pode ser
positiva ou negativa:

- Positiva: tem consequências agradáveis e que se segue a um dado comportamento;


- Negativa: o sujeito evita uma determinada situação porque antes teve consequências desagradáveis.

Quadro resumo

Condicionamento clássico Condicionamento operante


Associação entre estímulos neutros O comportamento é acompanhado
Estímulos
e condicionados de consequências positivas
Natureza do comportamento Reflexos e respostas automáticas Comportamentos aprendidos
Tipos de resposta Involuntária Voluntária
Passivo: o comportamento do Ativo: o sujeito opera para obter
Papel do sujeito
sujeito é mecânico satisfação e evitar a dor
A aprendizagem faz-se por
Tipo de aprendizagem A aprendizagem faz-se por esforço
associação de estímulos

 Fatores de aprendizagem

- Motivação: a aprendizagem é mais clara e eficaz quando estamos interessados pelo assunto;
- Conhecimentos anteriores: servem de base a novas aprendizagens;
- A quantidade de informação: a nossa capacidade de aprender é limitada, por isso é necessário proceder a uma
situação da informação relevante, organizando-a de modo a poder ser gerida em termos de aprendizagem;
- A diversidade das atividades: quanto mais diversificadas forem as abordagens a um tema e quanto mais
diferenciadas forem as tarefas, maior é a motivação e a concentração, logo melhor decorre a aprendizagem;
- A planificação e a organização: a definição de objetivos, seleção de estratégias, é essencial para uma aprendizagem
bem-sucedida;
- A cooperação: determinados tipos de aprendizagem são melhor resolvidos se trabalharmos em conjunto.

 Esquecimento (página 117)


É a incapacidade de recordar, de recuperar dados, informações, experiências que foram memorizadas. Esta
incapacidade pode ser provisória ou definitiva.

O esquecimento é uma falha na retenção ou na evocação dos dados da memória. Trata-se de um fenómeno muito
comum que, em maior ou menos grau, ocorre com qualquer pessoa. Contudo, o esquecimento é essencial: o facto
de nos esquecermos de algo possibilita-nos reter novas informações. O esquecimento tem uma função seletiva e
adaptativa: afasta a informação inútil.

Esquecimento
Esquecimento motivado Fatores responsáveis pelo esquecimento regressivo (distorção do
traço mnésico)

Interferências das aprendizagens


 Distorção do traço mnésico

Deve-se a falhas que podem ocorrer na codificação (quando lemos um texto e não prestamos atenção àquilo que
está escrito), no armazenamento (conhecimentos armazenados na memória a longo prazo, estão sujeitos a falhas e
perdas) ou na recuperação dos conteúdos (interferência de outras informações).

 Interferências das aprendizagens

Esta interferência pode fazer-se de forma proactiva ou retroativa.

Nos casos de influência proactiva, a recordação de uma informação anterior impede a memorização de uma nova
informação. Nos casos de influência retroativa, é a nova informação que inviabiliza a recordação de uma informação
anterior.

 Esquecimento motivado

Segundo Freud, o processo de esquecimento é seletivo: não nos esquecemos de tudo, mas apenas daquilo que
inconscientemente nos interessa esquecer. O caráter incomodativo de recordações marcadas pela dor, medo,
ansiedade ou angústia, faz com que sejam reprimidas da consciência, por isso, a pessoa é incapaz de
voluntariamente as evocar. A isto, Freud deu o nome de recalcamento ou repressão.

 As Emoções, os afetos e os sentimentos (página 121)


Emoções Afetos Sentimentos
Referem-se a reações intensas e de A sua principal característica é a sua São um tipo de afeto que
curta duração, que se caracterizam bipolaridade. Essa bipolaridade corresponde a estados psíquicos
por um conjunto de alterações desempenha um papel fundamental mais íntimos e privados,
fisiológicas que se manifestam por na nossa sobrevivência e na nossa relativamente estáveis e de
um conjunto de sinais visíveis e adaptação ao mundo, pois leva-nos intensidade moderada, que se
facilmente reconhecíveis por a aproximar daquilo que nos faz prolongam no tempo.
aqueles que nos rodeiam. sentir bem e a afastar daquilo que Correspondem a um processo de
nos faz mal; orienta o nosso tomada de consciência e
comportamento no sentido de interiorização da forma como somos
assegurar a nossa satisfação. afetados por esta ou por aquela
realidade.

António Damásio classificou as emoções em diferentes tipos:

1. Emoções primárias: surgem na infância com o intuito de reagir rapidamente a diferentes estímulos (alegria);
2. Emoções secundárias: implicam uma avaliação cognitiva das situações e os recursos a aprendizagens feitas
(vergonha, ciúme, culpa, orgulho…);
3. Emoções de fundo: bem ou mal-estar, calma ou tensão.

Componentes das emoções

 Componente cognitiva: ocorre quando tomamos conhecimento do facto: se não houver conhecimento deste,
não se experimenta qualquer emoção.
 Componente avaliativa: fazemos uma avaliação agradável ou desagradável da situação.
 Componente fisiológica: manifestações orgânicas, corporais face à emoção.
 Componente expressiva: expressões corporais que permitem mostrarem ao outro as nossas emoções.
 Componente comportamental: comportamento que o sujeito poderá ter face ao outro; é o estado emocional
que desencadeia determinado conjunto de comportamentos.
 Componente subjetiva: relaciona-se com o que o indivíduo sente a nível emocional e interior a que só ele tem
acesso, ou seja, é o estado afetivo associado à emoção.
Afetos

São tendências para responder positiva ou negativamente a experiencia emocionais relacionadas com pessoas ou
objetos. Ter afetos é ser dotado da capacidade de dar e de receber, de amar e ser amado, de perturbar e de ser
perturbado:

 Os afetos exprimem-se através das emoções e têm uma ligação especial com o passado, com as experiências e
vivências, com as pessoas, objetos, ambientes, ideias. As emoções estão ligadas essencialmente a situações
presentes.
 Exprimem-se em sentimentos e emoções.

Sentimentos

 Não são observáveis, são privados e relacionam-se com o interior;


 Prolongam-se no tempo e são de menor intensidade de expressão que as emoções;
 Não se associam a nenhuma causa imediata;
 Surgem quando tomamos consciência das nossas emoções.

As emoções e os sentimentos não são sinónimos. A emoção é um conjunto de reações corporais, automáticos e
inconscientes, face a determinados estímulos provenientes do meio onde estamos inseridos. O sentimento surge
quando tomamos consciência das nossas emoções, isto é, o sentimento dá-se quando as emoções são transferidas
para determinadas zonas do cérebro, onde são codificadas sob a forma de atividade neuronal.

Não é inerente aos sentimentos termos consciências deles, razão pela qual António Damásio considera que existem
3 fases:

 O estado de emoção: a emoção pode ser desencadeada e experimentada de forma inconsciente.


 O estado de sentimento: pode ser representado de uma forma não inconsciente;
 O estado de sentimento formado consciente: conhecido pelo organismo que experimenta a emoção e o
sentimento.

António Damásio e a teoria do marcador somático

É um mecanismo automatizado que suporta as nossas decisões. Por mais simples que a decisão seja, existe sempre
uma emoção associada á escolha feita: o córtex cerebral apoia-se nas emoções para decidir.

É nas áreas pré-frontais que se faz a associação entre uma situação complexa e o estado emocional associado a esse
tipo de situações, vivido em experiências pessoais anteriores. Estabelece assim, uma ligação entre o tipo de situação
e o estado somático, isto é o estado do corpo.
 Eu nos contextos: os diferentes contextos de existência dos indivíduos (página 243)
O psicólogo Urie Bronfenbrenner concebeu um modelo explicativo do desenvolvimento humano, que entra em linha
de conta com a globalidade complexa de ações e de reações dos ambientes de que o ser humano vive.
Bronfenbrenner designou esse modelo por modelo ecológico do desenvolvimento.

 Modelo ecológico

Segundo Bronfenbrenner, o desenvolvimento humano é o conjunto de processos através dos quais as


particularidades da pessoa e do ambiente interagem para produzir constância e mudança nas características da
pessoa no curso da sua vida. O indivíduo no decurso do seu desenvolvimento necessita de contextos adequados que
lhe proporcionem a interação com os outros.

As realidades familiar, social, económica e cultural estão organizadas como um todo, como um sistema composto
de diferentes subsistemas que se articulam de maneira dinâmica entre si. Ao longo do seu desenvolvimento, a
pessoa interage com esses contextos, provocando-lhes modificações.

Bronfenbrenner postulou a existência de 4 contextos de existência: o microssistema, o mesossistema, o


exossistema e o macrossistema.

o Microssistema

Trata-se do 1º nível de ambientes, aqueles em que as interações do ser humano são imediatas e diretas*.
No microssistema, as interações dão-se não apenas em relação a aspetos físicos da pessoa e do ambiente, mas
também em relação a aspetos psicológicos, sociais e simbólicos. É o que acontece nas relações com a família, grupo
de amigos, colegas de escola/trabalho, etc.

Nestes ambientes próximos, as influências exercem-se de forma privilegiada, pois o contato face a face, favorece o
desenrolar de experiências interpessoais, em que os papéis a desempenhar organizam-se segundo padrões aí
definidos.

*É nestes contextos próximos que se desenrolam as interações que Bronfenbrenner viria a valorizar e a designar
por processos proximais: formas de interação imediata e direta que os seres humanos estabelecem nos
contextos ambientais mais próximos.

Os processos proximais afetam positiva ou negativamente os diversos contextos da nossa existência. Por
exemplo, a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de certas capacidades e de certas competências
(físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou artísticas) favorecem a nossa integração e a nossa adaptação aos
mais diversos contextos.

Ambientes desestruturados ou até mesmo disfuncionais, tendem a ter consequências negativas no


desenvolvimento dos indivíduos. Os efeitos negativos traduzem-se em disfunções, em dificuldades de controlo,
de integração e de adaptação: famílias displicentes, escolas com mau funcionamento ou companheiros
indesejáveis, não prestam bom serviço ao indivíduo, pelo contrário, causam perturbações no desenvolvimento.

o Mesossistema

As interações entre os microssistemas constituem o mesossistema. As interações escola-indivíduo envolvem uma


interação da família, igreja, vizinhos e outros microssistemas. Sempre que cada um de nós ingressa num novo
ambiente, o mesossistema alarga-se, pois engloba o conjunto de todos os microssistemas em que cada pessoa se
insere.

o Exossistema

O exossistema engloba os contextos onde não interagimos diretamente, mas que influenciam diretamente os
elementos do microssistema. Por exemplo: podemos não interagir diretamente no contexto profissional dos nossos
familiares, mas aquilo que se passa nesses ambientes tem repercussões nas nossas vidas. Os centros de saúde, os
parentes afastados, as direções desportivas, os servições religiosos, as instituições autárquicas, as campanhas de
solidariedade, são exemplo de elementos do exossistema.

A ação do exossistema revela-se essencialmente a elementos de suporte social. Os apoios sociais podem contribuir
para a manutenção e para a melhoria da saúde física e mental das pessoas.

o Macrossistema

É o contexto mais alargado de desenvolvimento dos indivíduos. Refere-se à cultura em que estamos inseridos, com o
seu sistema de valores, leis, crenças, ideologias, religiões e costumes. Um exemplo da influência do macrossistema
reside nos regimes e decisões políticas, que têm impacto em níveis como saúde e educação, ao emprego e à vida
económica das populações, etc.

Contexto: conjunto de acontecimentos e circunstâncias particulares em que se desenvolve a vida de um


organismo.

Os contextos ganham importância na explicação do comportamento humano; compreendem não só o indivíduo


mas também os sistemas dinâmicos, modificáveis e em constante desenvolvimento, cuja dinâmica implica outros
e diferentes contextos.

 Modelo bio ecológico: PPCT

O modelo bio ecológico tende a realçar as características biopsicológicas do indivíduo em desenvolvimento, face à
excessiva importância atribuída aos contextos de desenvolvimento.

Abrange uma multiplicidade de Diz respeito à ação recíproca,


fenómenos, de características Pessoa Processo complexa, progressiva e duradoura
constantes ou em mudança que o do ser humano no meio.
indivíduo desenvolve no decorrer Contexto Tempo
da sua existência, que podem
possibilitar ou limitar os processos Pode ser entendido como o
de crescimento psicológico. desenvolvimento no sentido
Espaço próprio à realização de
histórico ou como ocorrem as
atividades. É sempre num
mudanças nos eventos no decorrer
determinado contexto que o
dos tempos, devido às pressões
indivíduo desempenha papéis
sofridas pela pessoa em
estabelece relações interpessoais
desenvolvimento.
que são determinantes no seu
desenvolvimento.

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