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Ciências Exatas e Tecnológicas

Engenharia Mecânica

APLICAÇÃO DE UM SISTEMA DE CLIMATIZAÇÃO


UTILIZANDO ENERGIA GEOTÉRMICA

Felipe Pereira Sanches RGM: 147054-0


Fernando Andrade Nunes RGM: 147237-2
Marcio Amorim Macedo RGM: 1559690-7
Lucas Ramires B. de Oliveira RGM: 143819-1
Ramon Rodrigues Pereira RGM: 144977-0

Orientador: Professor Mestre Lincoln Nascimento Ribeiro

São Paulo - SP
2018
Felipe Pereira Sanches RGM: 147054-0
Fernando Andrade Nunes RGM: 147237-2
Marcio Amorim Macedo RGM: 1559690-7
Lucas Ramires B. de Oliveira RGM: 143819-1
Ramon Rodrigues Pereira RGM: 144977-0

APLICAÇÃO DE UM SISTEMA DE CLIMATIZAÇÃO


UTILIZANDO ENERGIA GEOTÉRMICA

Projeto de Graduação defendido junto à


área de Ciências Exatas e Tecnológicas
como parte dos requisitos para obtenção do
Título de Bacharel em Engenharia pelo
Curso de Graduação em Engenharia
Mecânica.

Resultado: ___________________________

Data: ____/____/____

COMISSÃO EXAMINADORA

_______________________________________________
Professor/Mestre Adriano Mendanha

_______________________________________________
Professor/Mestre Marcelo Teruel

_______________________________________________
Professor/Mestre Lincoln Nascimento Ribeiro
DEDICATÓRIA

Dedicamos nosso projeto, primeiramente a nossos familiares, que sempre nos


apoiaram e nos ajudaram em momentos difíceis, desde que iniciamos nosso
caminho na universidade, aos professores e coordenadores do curso, que ao longo
desses anos compartilharam seus conhecimentos e ideias conosco, e dedicamos a
Deus, que nos deu forças e saúde para lutarmos a cada dia, até alcançarmos nosso
objetivo.
AGRADECIMENTOS

Aos professores que nos passaram conhecimentos ao longo dessa jornada.


A Universidade Cruzeira do Sul, que disponibilizou seus laboratórios, salas e
equipamentos para o desenvolvimento do projeto.
EPÍGRAFE

O que não te desafia,


Não te transforma.
(Autor Desconhecido)
RESUMO

Tem estado em pauta o consumo de energia em residências e prédios


comerciais. Muitas empresas estão buscando inovações para a melhoria da
eficiência energética, e os sistemas de ar condicionado causam um grande impacto
no consumo elétrico (estudos mostram que os condicionadores de ar no Brasil
representam 10% do consumo total dos setores comercias e residenciais). Esse
projeto propôs uma solução para a economia de energia por meio de um sistema de
climatização com utilização da energia geotérmica, será um sistema fechado onde a
água que passa pela tubulação, dissipa seu calor no solo, resfriando o fluído no
condensador. O sistema de climatização consiste de um VRF Water (condensação
água), da marca LG Eletronics, que condiciona o ar de uma residência por meio de
evaporadoras, todos os cálculos de carga térmica estão descritos no projeto. Foi
construído um protótipo para a simulação do funcionamento, e obtidos resultados
relevantes perante a testes com sensores de temperatura, visando estudar o
comportamento do fluido em todo o processo.

Palavras-Chave: Sistema Geotérmico, Carga Térmica, Trocador de calor


ABSTRACT

Energy consumption in homes and commercial buildings has been on the agenda,
it has been a big problem to be solved. Many companies are looking for innovations
to improve energy efficiency, and air conditioning systems have a larger impact on
electricity consumption (studies show that air conditioners in Brazil account for 10%
of total commercial and residential consumption). This project proposed a solution for
energy savings through a geothermal heating system, it will be a closed system
where the water that passes through the pipe dissipates its heat in the soil, cooling
the fluid in the condenser. The air conditioning system consists of a VRF Water
(water condensation), of the brand LG Electronics, which conditions the air of a
residence by means of evaporators, all calculations of thermal load are described in
the project. A prototype was built for the simulation of the operation, and relevant
results were obtained before the tests with temperature sensors, aiming to study the
behavior of the fluid throughout the process.
Keywords: Geothermal System, Thermal Load, Heat Exchanger
Índice de Ilustraçõe

FIGURA1.1: MATRIZ ELÉTRICA


BRASILEIRA..................................................05
FIGURA 1.2: ESQUEMÁTICO DA REPRESENTATIVIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA

EM APARELHOS DEAR CONDICIONADO NO

BRASIL.........................................08
FIGURA 2.1: SISTEMA ABERTO DE RESFRIAMENTO GEOTÉRMICO COM AR

COMO FLUIDO DE

TRABALHO...........................................................................12

FIGURA 2.2: PERÍODO DE OPERAÇÃO DO SISTEMA DE

RESFRIAMENTO............12

FIGURA 2.3: ESQUEMÁTICO DE UMA INSTALAÇÃO GEOTÉRMICA COM

TROCADOR terra-
ar.............................................................................................15
FIGURA3.1: WILLIS HAVILAND
CARRIER.......................................................16
FIGURA 3.2: ESQUEMA DO CICLO DE REFRIGERAÇÃO DE

CARNOT..................17
FIGURA 3.3:ESQUEMA DO CICLO DE REFRIGERAÇÃO

VRF.............................18
FIGURA 3.4: ESQUEMA DE CICLO DE REFRIGERAÇÃO COM AGUA

GELADA........19

FIGURA 3.5:ESQUEMA DE CARGA

TERMICA..................................................20

FIGURA 3.6: REFRIGERADOR TÍPICO DE ABSORÇÃO DE BROMETO DE

LÍTIO......22
FIGURA 3.7: ESQUEMA DE TROCADOR DE CALOR PARA SISTEMA

GFHE.........24
FIGURA 3.8: ESQUEMA DE TROCADOR DE CALOR PARA SISTEMA

GWHE........24
FIGURA 3.9: SISTEMA
ABERTO....................................................................25

FIGURA 3.10: CAPTAÇÃO


HORIXONTAL........................................................27

FIGURA 3.11: CURVA DE TEMPERATURA ANUAL DO

SOLO..............................28

FIGURA 3.12: CAPTAÇÃO VERTICAL POR SONDAS

GEOTÉRMICAS...................30

FIGURA 3.13: ARREFECIMENTO PASSIVO ("FREE


COOLING")..........................31

FIGURA 3.14: ESQUEMÁTICO DE CICLO DE REFRIGERAÇÃO GEOTÉRMICO TIPO

CHILLER.............................................................................................32
FIGURA 3.15: TEMPERATURA X

PROFUNDIDADE...........................................33

FIGURA 3.16: CONDIÇÕES CLIMÁTICAS, SÃO


PAULO....................................40
FIGURA 3.17: ESQUEMA CIRCUITO TÉRMICO - TROCADOR

GEOTÉRMICO.........41

FIGURA 4.1: AMBIENTE


MODELO.................................................................44

FIGURA 4.2: CONDIÇÕES EXTERNAS PARA

VERÃO........................................45

FIGURA 4.3: CONDIÇÕES INTERNAS PARA

VERÃO.........................................46
FIGURA 4.4: SALA DE

ESTAR.......................................................................47

FIGURA 4.5: DORMITÓRIO


01......................................................................60
FIGURA 4.6: CARGA TÉRMICA PARA DORMITÓRIO

01.....................................61
FIGURA 4.7: GRÁFICO DE GANHO DE CALOR PRO

RADIAÇÃO..........................61

FIGURA 4.8: DORMITÓRIO


02......................................................................62
FIGURA 4.9: CARGA TÉRMICA PARA DORMITÓRIO

02.....................................63
FIGURA 4.10: GRÁFICO DE GANHO DE CALOR POR

RADIAÇÃO........................63

FIGURA 4.11: CATÁLOGO DA EVAPORADORA CASSETE 4 VIAS -


VRF..............64
FIGURA 4.12: CATÁLOGO DA EVAPORADORA HI WALL -
VRF........................65
FIGURA 4.13: CATÁLOGO DE CONDENSADORA MULTI V WATER -
VRF...........66
FIGURA 4.14: APLICAÇÃO GEOTÉRMICA MULTI V WATER -
VRF....................67
FIGURA 4.15: FLUXOGRAMA DO

SISTEMA.....................................................68

FIGURA 4.16: FLUXOGRAMA APLICADO NA

PLANTA........................................69

FIGURA 4.17:AMPLITUDES TÉRMICAS AR X

SOLO..........................................71
FIGURA 4.18: TABELA COEFICIENTE DE

CONVECÇÃO....................................73

FIGURA 4.19: CALOR ESPECÍFICO A PRESSÃO

CONSTANTE............................73

FIGURA 4.20: COEFICIENTE DE HAZEM

WILLIANS..........................................77

FIGURA 4.21: TABELA DE

CONEXÕES...........................................................78

FIGURA 4.22: CATÁLOGO DE

BOMBAS.........................................................79

FIGURA 4.23: FLUXO ESQUEMÁTICO DO

PROTÓTIPO.....................................80

FIGURA 4.24: PROTÓTIPO


PRONTO.............................................................81

FIGURA 4.25: BOMBA 1/2 CV

(FERRARI).......................................................82
FIGURA 4.26: COMPRESSOR 1/3 HP

(EMBRACO)..........................................82
FIGURA 4.27: TROCADOR 30
PLACAS..........................................................83

FIGURA 4.28: TUBULAÇÃO


GEOTÉRMICA......................................................83

FIGURA 4.29: EVAPORADOR (SERPENTINA X

VENTILADOR)............................84

FIGURA 4.30: CONTROLADOR TC-900E POWER (FULL


GAUGE)....................84
FIGURA 4.31: PRIMEIRA TUBULAÇÃO

GEOTÉRMICA........................................85
FIGURA 4.32: DIAGRAMA DE

GANTT............................................................86
FIGURA 4.33: FUNCIONAMENTO LÓGICO DO

SISTEMA...................................87

FIGURA 4.34: APLICAÇÃO EM UMA

RESIDÊNCIA............................................88

FIGURA 5.1: DIAGRAMA PRESSÃO X

ENTALPIA..............................................90

FIGURA 5.2: DIAGRAMA DE

MOLLIER...........................................................92
ANEXO A.1 – TABELA DE COEFICIENTES DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR DE

MATERIAIS DE

CONSTRUÇÃO............................................................104

ANEXO A.2 – TABELA DE INFILTRAÇÃO DE

AR.............................................105

ANEXO A.3 – CARTA


PSICOMÉTRICA.........................................................105

ANEXO A.4 – VALORES DE OCUPAÇÃO DOS

RECINTOS................................106

ANEXO A.5 – GANHO DE CALOR POR PESSOAS

[KCAL/H].............................106
ANEXO A.6 – GANHO DE CALOR DEVIDO A

ILUMINAÇÃO...............................107
Lista de símbolos

Altura
he Ar externo
hi Ar interno
A Área
Q̇ Calor
Q̇ il Calor devido Iluminação
C Calor específico
Cp Calor específico a pressão constante
Q̇ l Calor l atente
Q̇ e Calor por equipamentos
Q̇ s Calor sensível
Ǭ Carga térmica
h Coeficiente convectivo do sistema fluido/tubo
k Coeficiente de condutividade térmica do fluido
Cop Coeficiente de desempenho
U Coeficiente de transferência de calor
L Comprimento
K Condutibilidade térmica
D Diâmetro
dx Diferença de espaço
dt Diferença de temperatura
∆W Diferença de umidade absoluta
U Energia interna
f Fator de atrito
q̇ Fluxo de Calor
Q̇ ae Ganho de Calor devido ar externo
m Massa de fluido
Ρ Massa específica
ρ Massa específica ou densidade
Tm Média da temperatura de entrada e saída do fluído no tubo
Nud Número de Nusselt, para escoamento turbulento
ℜ Número de Reynolds
G Peso de fluido
γ Peso específico
γh 2o Peso específico da água
γr Peso específico relativo
Γr Peso específico relativo
Wt Potência Total
R Raio
dv Razão de mudança da velocidade
dy Razão entre a tensão de cisalhamento
η Rendimento
µ Resistência ao escoamento do fluido
Rcd , s Resistência de condução no solo
Rcd , t Resistência de condução no tubo
Rt cond Resistência de condução radial cilíndrica
Rcv Resistência de convecção no interior do tubo
Req Resistência Equivalente
Rt Resistência Térmica
T Temperatura
Tsup Temperatura da superfície
Tviz Temperatura da vizinhança
Tfilme Temperatura de filme
t Tempo
W Trabalho
ΔU Variação de energia interna
ΔT Variação de temperatura
Q Vazão
V̇ Vazão de ar
ṁ Vazão mássica
V̇ pmf Vazão por metro de fresta
v Velocidade
τ Viscosidade absoluta ou dinâmica
V Volume
Sumário
DEDICATÓRIA...........................................................................................................iv

AGRADECIMENTOS..................................................................................................v

EPÍGRAFE.................................................................................................................vi

RESUMO...................................................................................................................vii

ABSTRACT..............................................................................................................viii

Índice de Ilustrações................................................................................................ix

Capítulo 1: Introdução..............................................................................................5

1.1. Justificativa.......................................................................................................5
1.2. Contexto do Tema.............................................................................................7
1.3. Objetivo...........................................................................................................9
1.4. Alcances e limitações....................................................................................9
1.5. Metodologia....................................................................................................9
1.6. Estrutura do projeto....................................................................................10
Capítulo 2: Revisão da literatura...........................................................................11

Capítulo 3: Fundamentação Teórica.....................................................................15

3.1 Willis Carrier (1876 – 1950).........................................................................15


3.2. Sistema de ar condicionado.......................................................................16
3.3. Sistema Geotérmico....................................................................................20
3.3.1. Sistema geotérmico de Climatização..................................................21
3.3.2. Aplicações geotérmicas.......................................................................22
3.3.3. Sistema Aberto......................................................................................24
3.3.4. Sistema Fechado...................................................................................26
3.3.5 Configuração de sistema geotérmico.................................................31
3.4. Solo................................................................................................................32
3.5 Fundamentos da transferência de calor....................................................33
3.5.1 Mecanismos de transferência de calor...............................................33
3.6 Fundamentos da mecânica dos fluidos....................................................36
3.6.1. Propriedades dos fluidos.....................................................................36
3.6.2. Estática dos fluidos..............................................................................37
3.7 Carga Térmica..............................................................................................38
1
3.7.1 Ganho de calor sensível.......................................................................38
3.7.2 Ganho de calor sensível através das janelas.....................................38
3.7.3 Ganho de calor sensível através das estruturas...............................38
3.8 Trocador geotérmico................................................................................40

3.8.1. Taxa de transferência de calor............................................................…41


3.8.2 Influência do raio solo na temperatura de saída....................................41
3.8.3 Transferência de calor por condução.....................................................41
3.8.4 Transferência de calor por convecção...................................................41
Capítulo 4: Estudo de caso....................................................................................43

4.1: Condições externas........................................................................................44


4.2 Condições internas..........................................................................................45
4.3. Memorial de cálculos dos coeficientes totais de transferência de
calor ........................................................................................................................46

4.3.1. Cálculo área Sala......................................................................................46

4.4. Memorial de cálculo de cargas térmicas...............................................47

4.4.1. Cálculo do coeficiente de transferência de calor (U)...........................47

4.4.1.1. Condições de contorno na parede externa...........................................47

4.4.1.2. Condições de contorno na parede interna............................................48

4.4.1.3. Condições de contorno vidros das janelas...........................................49

4.4.1.4. Condições de contorno da laje...............................................................49

4.4.1.5. Condições de contorno piso...................................................................50

4.4.1.6. Condições de contorno porta de madeira.............................................50

4.5. Cálculo de carga térmica por condução................................................51

4.5.1. Cálculo de carga térmica por condução sala........................................51

4.5.2. Somatória dos calores da sala................................................................53

4.6. Ganho de calor por insolação.................................................................53

4.7. Ganho de calor devido ao ar exterior.....................................................55

4.7.1. Vazão de ar pelas portas..........................................................................55

4.7.1.1. Ganho de calor devido ao ar exterior Sala............................................55

2
4.7.2. Vazão de ar externo por infiltração pelas frestas.................................55

4.7.2.1. Vazão de ar externo por infiltração pelas frestas Sala.........................55

4.8. Ganho de calor devido às pessoas........................................................57

4.8.1. Ganho de calor devido às pessoas Sala................................................57

4.9. Ganho de calor devido iluminação (Qil).................................................58

4.9.1. Ganho de calor devido iluminação (Qil) Sala........................................58

4.10. Ganho de Calor por equipamentos diversos (Qe) Sala........................59

4.11. Carga térmica total (verão)......................................................................59

4.11.1. Carga térmica total da SALA (verão)......................................................59

4.11.2 Carga térmica total dormitório (verão)...................................................60

4.11.3 Carga térmica total dormitório 01...........................................................60

4.11.4 Carga térmica total dormitório 02...........................................................62

4.12 Evaporadoras...............................................................................................64
4.13 Condensadora..............................................................................................66
4.14 Fluxograma...................................................................................................68
4.15 Dimensionamento sistema geotérmico.....................................................69
4.16 Determinação das variáveis........................................................................70
4.16.1 Temperatura do solo.............................................................................70
4.16.2 Temperatura de entrada e saída do solo............................................70
4.16.3 Propriedades da Tubulação.................................................................70
4.16.4 Propriedades do Solo...........................................................................71
4.16.5 Vazão Mássica.......................................................................................71
4.16.6 Propriedades da água...........................................................................72
4.16.7 Determinação do Comprimento da Tubulação Necessária para o
Sistema................................................................................................................73
4.17 Fluxo de Calor por condução.....................................................................74
4.18 Seleção da Bomba.......................................................................................74
4.19 Construção do protótipo.............................................................................79
4.19.1.................................................................Construção conforme fluxograma
80
4.19.1.1 Procedimento do ensaio...................................................................84
4.19.1.2 Melhoria na área de troca com o solo.............................................84
3
4.19.1.3 Melhoria na descarga de ar para a serpentina...............................84
4.19.2 Cronograma de construção.................................................................85
4.19.3 Funcionamento......................................................................................86
4.19.4 Aplicação do protótipo.........................................................................87
Capítulo 5: Testes e resultados obtidos...............................................................88

5.1 Fluido refrigerante.......................................................................................88


5.1.1 Estado 1 (Saída do evaporador - Entrada no compressor)..............89
5.1.2 Estado 2 (Saída compressor - Entrada no condensador).................89
5.1.3 Estado 4 (Saída condensador - Entrada Dispositivo de expansão) 90
5.1.4 Estado 5 (Saída Dispositivo de expansão - Entrada Evaporador)...90
5.1.5 Diagrama de Mollier..............................................................................91
5.1.6 Cálculo vazão mássica.........................................................................91
5.1.7 Taxa de rejeição de calor (Condensador)...........................................92
5.1.8 Trabalho do compressor......................................................................92
5.1.9 Vazão Volumétrica evaporador............................................................92
5.1.10 Coeficiente de performance (COP)......................................................92
5.1.11 Coeficiente de performance (COP - Carnot).......................................92
5.1.12 Rendimento do sistema........................................................................93
5.2 Condensação a água...................................................................................93
5.2.5 Fluxo de calor rejeitado no solo..........................................................93
5.3 Testes e medições.......................................................................................94
5.3.5 Teste 1....................................................................................................94
5.3.6 Teste 2....................................................................................................96
5.3.7 Teste 3....................................................................................................98
5.4 Resultados do teste 1 – Solo a 20ºC........................................................100
5.5 Resultados do teste 2 – Solo a 10ºC........................................................100
5.6 Resultados do teste 3 – Solo a 10ºC – Carga térmica 60W...................100
Capítulo 6: Conclusão e propostas de trabalhos futuros................................101

Bibliografia........................................................................................................102

4
Capítulo 1: Introdução

1.1. Justificativa

Como o uso de fontes de energia sustentáveis tem estado na pauta dos projetos
de edificações, tendo o intuito de reduzir o consumo de energia elétrica, a (figura
1.1) apresenta matriz energética brasileira. Os sistemas mais comuns utilizados
estão relacionados ao uso de energia solar para produção de água quente ou
energia elétrica bem como o aproveitamento das forças do vento por meio de
turbinas eólicas. No Brasil tem-se outra fonte de energia ainda a ser explorada que é
a energia que pode ser gerada por meio de transferência de calor com o solo ou
água denominada energia geotérmica para climatização.

Figura1.1: Matriz Energética Brasileira

Fonte: EPE, 2016, apresentação Relatório BEN 2016.

O uso do solo na climatização de ambientes, tem-se em níveis de profundidade


de 3 a 100 metros, a temperatura do solo é bastante estável (amplitudes de
temperatura de 1°C a 2°C ao longo do ano) com níveis menores que a temperatura
do ar ao nível do solo. Neste caso, o solo é usado na rejeição de calor dos
ambientes climatizados no período do ano com temperaturas acima do nível do solo
5
altas (verão) e usados para fornecer calor no período com temperaturas acima do
nível do solo baixas (inverno).

No território brasileiro, a demanda por resfriamento é mais alta e, portanto, este


artigo focará em tipos de sistemas que possam ser utilizados para este fim. A fonte
de energia geotérmica vem do interior da terra, pois a terra se solidificou a milhares
de anos atrás enquanto recebia a energia do sol (Bullard, 1973, apud ASHRAE,
2011). Ela consiste em retirar o calor natural do solo/rocha, da água subterrânea,
transferindo para o ambiente por meio de simples bombas, tubos ou dutos. Essa
energia geotérmica pode ser encontrada próxima à superfície nas áreas de
vulcanismo e onde ocorre movimentação das placas terrestres. Ela também pode
ser transferida das partes mais profundas nos locais onde as condições geológicas e
a presença de água permitem. Portanto, em função de diversos fatores, tais como,
variações nas atividades vulcânicas, decaimento radioativo, condutividade térmica
das rochas e circulação de fluido, existem diferentes fluxos de calor na crosta
terrestre, bem como, diferentes temperaturas do solo em diversas profundidades.
Bomba de calor utiliza o solo, a água de superfície ou subterrânea para extrair ou
ceder energia na forma de calor (crédito: POLI-USP).

A temperatura do solo no local é a medida fundamental para qualidade do


recurso de exploração, é por meio dela que a energia geotérmica é identificada e
utilizada (Williams et al., 2011). Rawlings e Sykulski (1999 apud Deng (2004))
afirmaram que a primeira sugestão documentada para usar o solo como fonte de
calor foi realizada em 1912 na Suíça.

Conforme a United States Geological Survey (USGS), (ASHRAE, 2011) e


Chiasson (1999), o sistema de geotermia pode ser dividido em três categorias: Alta
temperatura (>150°C) para produção de energia elétrica; Intermediária (entre 50°C e
150°C) aplicação de uso direto, em geral, os sistemas de moderadas e altas
temperaturas são viáveis para geração de energia elétrica (Williams et al., 2011);
Baixa temperatura para aplicação em sistemas de bombas de calor geotérmicas,
sendo que para esta aplicação a temperatura média é de 32°C.

6
1.2. Contexto do Tema

O primeiro sistema moderno de ar condicionado surgiu em 1902, projetado por


Willis Carrier. A motivação deste projeto foi um problema na linha de produção da
Sackett & Wilhelms (CARRIER, 2013b). A partir de então, os fundamentos de HVAC
– Heating, Ventilation, and Air Conditioning - e os equipamentos foram
desenvolvidos juntamente com a demanda; novas soluções foram projetadas para
ambientes comerciais, residenciais, industriais, salões sociais, hospitais e outros.

Na atualidade existem inúmeros tipos de ar condicionado aplicáveis a condições


específicas, sendo que a escolha do equipamento a ser utilizado envolve uma série
de variáveis. Dentre elas, a demanda térmica e o rigor no seu controle, os requisitos
de qualidade do ar interior, os limites da construção, os limites espaciais, os limites
na utilização de energia elétrica, o escopo de custo disponível, etc. (ASHRAE,
2013).

Os sistemas de ar condicionado e ventilação possuem diversos objetivos de


aplicação, tais como conforto térmico, qualidade do ar interior e ventilações
especiais (ABNT, 2008, NBR 16401).

As maiorias dos modelos de equipamentos convencionais para conforto térmico


integram, principalmente, os sistemas Split, Self-Contained e Chiller (CARRIER,
2014b). Esses sistemas, apesar de expressiva evolução nos últimos anos - com
aprimoramentos eletrônicos em seus acionamentos, compressores mais
econômicos, compressores digitais, melhorias na eficiência, recuperação de calor –
ainda representam, como supracitado, cerca de 10 % do consumo total de energia
elétrica no Brasil. Vale ressaltar ainda, que situações críticas de carga térmica –
ambientes com grande ocupação (teatros, shoppings), com muitos equipamentos
(fábricas, datacenters), climas severos (desertos, regiões polares) – demandam um
grande consumo energético e, nesses casos, pequenas reduções no consumo
podem representar uma economia expressiva.

7
Os sistemas de resfriamento geotérmico, que utilizam e/ou recuperam energia
subterrânea (BARBIER, 2002) representam uma alternativa para economia de
energia em sistemas de conforto térmico.

Segundo estudos do Department of Energy (1998), os sistemas geotérmicos


podem economizar de 25 a 50 % do consumo de energia elétrica em uma
residência. Além disso, em comparação com outros sistemas, apresenta taxas de
emissão de CO2 e custos muito mais vantajosos.

Assim, os sistemas geotérmicos apresentam aparentes vantagens em relação


aos sistemas convencionais, em termos de consumo de energia elétrica, a (figura
1.2) mostra o consumo de energia em aparelhos de ar condicionado. No entanto, por
se tratar de um sistema que depende das condições climáticas e geológicas do
local, sua aplicação exige um estudo e avaliação de viabilidade. Esses sistemas já
apresentam histórico de instalações nos Estados Unidos e Europa, mas, por outro
lado, no Brasil pouco se sabe sobre sua eficiência e desempenho. Pesquisadores na
Universidade de São Paulo (2014) estão implantando numa escola um sistema
alternativo de resfriamento geotérmico - a expectativa é resfriar o ambiente em 3 a 5
º C.

8%
Elétrica Uso Público
18% 9%

Comercial Industrial
14% 47%
Residencial
Outros 22,3%
82%

Consumo de Aparelhos de Ar
Condicionado em Residências
Ar
Condicionado
33%
Outros
67%

Figura 1.2: Esquemático da representatividade do consumo de energia elétrica em


aparelhos de ar condicionado no Brasil.

Fonte: Adaptado de Morales (2007)

8
1.3. Objetivo

Estudar a aplicação em uma residência de um sistema de climatização utilizando


a energia geotérmica e a Confecção de um protótipo funcional, a fim de estudar o
comportamento do fluido.

1.4. Alcances e limitações

Simulação do protótipo, analisando seu funcionamento e o comportamento do


fluido com a utilização de sensores de temperatura. Devido à pouca área de troca no
sistema geotérmico, foi necessário colocar um aditivo no solo (no caso gelo),
fazendo com que a dissipação de calor no mesmo atingisse a nossa necessidade.

1.5. Metodologia

No desenvolvimento do presente trabalho será aplicado os seguintes métodos de


pesquisa para obtenção das informações necessárias e pertinentes à análise
proposta:
 Pesquisa bibliográfica em livros: Pesquisa em livros na área da Mecânica
Clássica (Dinâmica e Cinemática), Mecânica dos Fluidos, Termodinâmica,
Transferência de Calor e resistência dos materiais.

 Pesquisa bibliográfica em artigos e trabalhos da área: Conteúdo em


normas ASHRAE energia geotérmica instalações e aplicações.

 Pesquisa em meios digitais (Internet, catálogos eletrônicos, etc.): Uso da


internet para obtenção dos citados artigos científicos em sites confiáveis.

 Confecção de protótipo funcional e análise dos resultados:


Imprescindível para desenvolvimento do trabalho, no que tange comparação da
teoria com a prática.

 Pesquisa em campo: informações sobre projeto com Engenheiros de


aplicação da LG Eletronics e palestra Abrava sobre geotermia.

9
1.6. Estrutura do projeto

Capítulo 1: Introdução – A introdução contém a justificativa pelo qual o trabalho


é desenvolvido, o objetivo desse estudo, alcances e limitações que restringem o
estudo visando atingir o objetivo, a metodologia aplicada para obtenção de
informações relativas à análise e um resumo do conteúdo dos capítulos que serão
apresentados no desenvolvimento do projeto.

Capítulo 2: Revisão da literatura – Esse capítulo apresenta, de forma sucinta,


trabalhos relacionados ao tema abordado que orientam a evolução do projeto e
mostram linhas de raciocínio que outros autores seguiram e conceitos desenvolvidos
na obtenção de seus resultados.

Capítulo 3: Fundamentação teórica – A fundamentação teórica trata-se de toda


a teoria necessária ao desenvolvimento do projeto. Entre elas podemos citar:
Fundamentos da Transferência de Calor, Fundamentos da Termodinâmica, Ciclo de
Rankine, fundamentos da mecânica dos fluidos e resistência dos materiais.

Capítulo 4: Estudo de caso – Nesse capítulo são expostos todos os cálculos


desenvolvidos a fim de dimensionar o protótipo. Esses cálculos têm base em
métodos apresentados nas pesquisas contidas no Capítulo 2 e nas teorias expostas
no Capítulo 3.

Capítulo 5: Resultados e Discussão – Através dos resultados obtidos através


dos procedimentos desenvolvidos no Capítulo 4, os dados estão organizados e
apresentados nesse capítulo. Após análise desses resultados, o capítulo incluirá
uma discussão em relação ao resultado real (medido) em comparação com o
resultado ideal (calculado). Será nessa seção também que as comparações
propostas no objetivo do trabalho serão apresentadas.

10
Capítulo 6: Conclusões e Proposta de trabalhos futuros – Esse capítulo
contempla as conclusões que são alcançadas após o desenvolvimento do trabalho e
propostas para desenvolvimento de trabalhos futuros.
Capítulo 2: Revisão da literatura

O termo geotérmico tem sido usado para descrever tecnologias de geração em


usinas térmicas e também em sistemas de resfriamento e aquecimento, ocorre por
vezes a ambiguidade do significado de “sistemas geotérmicos” (ISWD, s.d.).
Portanto, para fins de esclarecimento, o presente trabalho tratará de “sistemas
geotérmicos” como os sistemas de resfriamento e aquecimento para conforto
térmico que utilizam a terra como fonte de calor ou como dissipador de calor, a
baixas profundidades.

A diferença básica entre os sistemas geotérmicos existentes e os sistemas


convencionais situa-se na configuração do condensador do ciclo de refrigeração. A
troca de calor, ao invés de realizar-se com serpentinas e ar externo (condensação a
ar) e/ou trocadores casco-tubo à água (condensação a água), ocorre através de um
trocador de calor subterrâneo que se baseia no fato de o solo constituir uma
fonte/dissipador de calor estável (CARRIER, 2014a). Um sistema geotérmico,
porém, não está restrito a essa aplicação. No presente trabalho, foi proposta uma
nova forma de aplicação para esses sistemas. A constatação de que o solo é uma
fonte/dissipador estável de calor é antiga, em 1778, o famoso físico e químico
Lavoisier, instalou um termômetro de mercúrio abaixo da terra a aproximadamente
25 m; e então, em sua obra, “Natural History – General and Specific” constatou: “a
temperatura lida desse termômetro foi constante ao longo do ano” (ISWD, s.d.).

Chinelatto (2013) analisou o uso de sistema aberto de resfriamento geotérmico


em uma casa popular para uma família de quatro pessoas para diferentes condições
climáticas brasileiras por meio de simulação numérica.

11
Figura 2.1: Sistema Aberto de resfriamento geotérmico com ar como fluído de
trabalho.

Fonte: Adaptado de Edd & Edward (2011)

Neste sistema, o ar exterior é levado para dentro do tubo enterrado no solo de


forma passiva (ventilação natural) ou ativa (ventilação mecânica), como a (figura
2.1). A vantagem do uso deste tipo de sistema está na simplicidade de execução e
custos de instalação e operação relativamente baixos em relação a outros sistemas.
A desvantagem reside no fato que o sistema é dependente da temperatura externa,
pois este sistema consegue reduções de até 5°C em relação à temperatura exterior.

Chinellato (2013) mostra que, com o uso de sistemas de resfriamento


geotérmico, podem-se atingir reduções médias de até 4°C na temperatura de bulbo
seco no interior do ambiente (figura 2.2).

Figura 2.2: Período de operação do sistema de resfriamento.

Fonte: Adaptado de Chinellato, (2013)

12
Chinelatto (2013) avalia também que, dependendo das condições do ar no
exterior da residência, podem–se atingir, ao final do processo de resfriamento,
condições de saturação do ar, provocando condensação de água nos tubos e um
aumento expressivo da umidade relativa no interior da casa, causando desconforto
térmico. Dessa forma, para estes sistemas nestas condições, é importante prever a
aplicação de um sistema de controle para evitar aumentos da umidade relativa do ar
no interior dos ambientes.

O professor Alberto Hernandez Neto, do Grupo de Pesquisa em Refrigeração, Ar


Condicionado e Conforto Térmico (GREAC), do Departamento de Engenharia
Mecânica (PME). Ele explica que normalmente o termo geotermia está relacionado
ao uso do solo como meio de aquecimento – e não resfriamento - e produção de
energia por meio da geração de vapor, conhecido desde o início do século XX. Mas
esse tipo de aplicação exige que sejam realizadas perfurações em grandes
profundidades, que podem chegar de 70 a mais 100 metros. “O solo em
profundidades menores (de 3 a 5 m) apresenta, no entanto, tem uma temperatura
mais baixa ao longo do ano, variando de 18 a 21° C, em média”

É aí que entra a geotermia para o resfriamento de ambientes internos. “Este


modelo é denominado sistema geotérmico de captações rasas”, explica Hernandez.
“Vários tubos são enterrados no solo, cujo comprimento total pode variar, chegando
até a mais de 50 metros, dependendo do terreno e do tamanho da construção. Um
grande ventilador capta e empurra o ar para dentro da tubulação. Ao circular pelos
tubos, ele se resfria em algo entre 3 a 5 º C. Outros ventiladores, na saída,
distribuem o ar mais fresco pelas salas e demais dependência da escola, residência
ou outra construção qualquer”.

Hernandez faz questão de ressaltar, no entanto, que o uso de geotermia para


resfriar ambientes não é um sistema de climatização, como os que empregam
aparelhos de ar condicionado, pois não há controle da temperatura. “Mas ele resfria
o ambiente e aumenta o conforto térmico das pessoas que ali estão”, diz Hernandez.
“A grande vantagem está, no entanto, no seu custo de operação. Embora sua
implantação seja mais cara que um ar condicionado normal, o seu consumo de

13
energia é quatro vezes menor. Por isso, em pouco tempo ele se paga”. Para o país,
também pode ser uma boa alternativa, como, por exemplo, em programas como o
Minha Casa Minha Vida. Hoje, no total, cerca de 4,5% do consumo de energia do
Brasil é com ar condicionado.

Uma das maneiras de utilização dos sistemas geotérmicos é a aplicação de


dutos subterrâneos com captação de ar primário (externo), nesse caso o trocador de
calor é terra-ar e o resfriamento é passivo, sem bomba de calor (AlAjmi at al 2006).
Na (Figura 2.2) é apresentado um esquemático de uma instalação como essas.

Segundo o estudo de Al-Ajmi et al (2006) um trocador subterrâneo pode ser


modelado a partir de dois processos de transferência de calor: a transferência de
calor por convecção entre o fluido em escoamento no duto e sua parede e a
transferência de calor por condução entre a superfície externa do duto e o solo que o
envolve. Assim sendo, as condições que irão determinar os resultados da
transferência de calor são a temperatura do solo (que pode ser modelada através da
teoria de condução ou obtida empiricamente), os dados do tubo, duto ou invólucro
que está sendo enterrado (diâmetro, espessura, comprimento, propriedades do
material) e os dados do fluido que está escoando.
(Condutividade, velocidade, viscosidade).

Figura 2.3: Esquemático de uma instalação geotérmica com trocador terra-ar

Fonte: Adaptado de Al-Ajmi, Loveday, Hanby (2006)

14
A simulação desse estudo para a cidade de Kuwait, mapeou os resultados do
sistema geotérmico entre as horas 3650 (Maio) e 6420 (Setembro), a redução de
carga térmica nesse período foi plotada e pode ser vista na Figura 5. Observa-se
que durante esse período, a instalação do sistema geotérmico representa uma
redução na carga térmica necessária de aproximadamente 1600 W (0,45 TR), sendo
que a maior carga durante o ano é de cerca de 3400 W, essa redução representa,
na situação crítica, quase metade da carga total.

Capítulo 3: Fundamentação Teórica

3.1 Willis Carrier (1876 – 1950)

Engenheiro mecânico e inventor estadunidense nascido em Angola, a oeste de


New York, que inventou o aparelho de ar condicionado (1911) e foi presidente da
Carrier Corporation. Estudou na Cornell University onde se graduou com um M.E.
(1901), (figura 3.1). Investindo na luta contra a umidade do Brooklyn, um ano depois
ele apresentou sua primeira instalação de ar condicionado em operação,
controlando temperatura e umidade em um ambiente fechado, e fabricado pela
Carriers Apparatus for Treating Air.

Ele apresentou (1911) seus princípios básicos de cálculo para sua tecnologia de
refrigeração, o Rational Psychrometric Formulae, para a American Society of
Mechanical Engineers. Sua publicação ainda hoje representa a base de todo o
fundamento de cálculos que condicionam a indústria do ar condicionado. O
desenvolvimento de seu primeiro sistema com pressão segura, atóxico, refrigerante
e não inflamável, marcou o início da era do conforto refrigerado. Inventor do
condicionamento de ar como nós conhecemos hoje morreu em New York City e,
durante sua vida, recebeu várias patentes pelo desenvolvendo de máquinas de
refrigeração e de controle de umidade.

15
Figura 3.1: Willis Haviland Carrier (Carrier, 1915)

Fonte: (http://www.carrierdobrasil.com.br, Acessado em 13/11/2017)

3.2. Sistema de ar condicionado

Utilizando um ciclo de refrigeração de Carnot, é possível entender o princípio dos


sistemas de ar condicionado atuais. A (figura 3.2) ilustra um esquema dos
componentes físicos.

Figura 3.2: Esquema do ciclo de refrigeração de Carnot.

Fonte: Adaptado da ASHRAE (2012b)

O funcionamento do ciclo pode ser descrito a partir do processo de expansão do


fluído de trabalho do condensador para o evaporador com consequente queda de
temperatura.

Em seguida troca calor no evaporador com o ar do ambiente, geralmente através


de uma serpentina. No retorno do fluido refrigerante ocorre a compressão com
consequente aumento de temperatura.
16
Por fim, o calor absorvido é “expulso” no condensador e o ciclo retorna ao início.
De maneira genérica, os sistemas existentes no mercado podem ser divididos em:
sistema de expansão direta com condensação a ar acoplada, condensação a ar
remota, ou condensação a água; sistema de expansão indireta com condensação a
ar acoplada, condensação a ar remota, ou condensação a água (SILVA, 2003).

Figura 3.3: Esquema do ciclo de refrigeração de VRF.

Fonte: (http://www.woobo.com.br, Acessado em 13/11/2017)

Um sistema de ar condicionado de expansão direta. Nele, o ar do ambiente troca


calor diretamente com o fluido refrigerante, por intermédio da ação de um
componente que chamamos de evaporadora. Os equipamentos VRF, (figura 3.3),
em resumo, são diferentes, práticos e altamente eco eficientes, principalmente
porque com um único compressor eles “abastecem” um número maior de ambientes,
em comparação aos equipamentos convencionais.

Ao contrário dos chamados sistemas de expansão indireta (água gelada), o VRF


mantém uniformidade na capacidade de refrigeração fornecida a cada unidade
evaporadora. Ao mesmo tempo, pode ser acionado por apenas um usuário sem que
outros componentes do sistema tenham de ser ligados ao mesmo tempo, situação
que acontece, invariavelmente, nos sistemas de expansão indireta. (Carlos Wagner
Ferreira, Gerente Johnson Controls, s.d).
17
Atualmente a maioria dos equipamentos da linha inverter e VRV’s (volume de
refrigerante variável) utiliza um gás, tido como ecológico, o R410a. Esse gás é
menos nocivo à camada de ozônio (GUO, et al, 2012).

Figura 3.4: Esquema do ciclo de refrigeração água gelada.

Fonte: (www.benthienclimatizacao.com.br, Acessado em 13/11/2017)

Tem como característica o fato de que o condensador troca calor com a água e
este utilizará um outro trocador, geralmente uma torre de resfriamento, para
transferir o calor para o ar, (figura 3.4). O fluido refrigerante é condensado através
do uso de um fluxo de água, que circula através entre a torre de resfriamento e o
condensador do Chiller. 

As vigas frias, como alternativa aos fan coil’s convencionais, removem parte do
calor do ambiente, utilizando também a água como meio de transporte. Essa
transferência de calor ocorre através da radiação e/ou a convecção. A grande
diferença em relação aos fan coil’s é que a alimentação de água fria fica na faixa de
18
temperatura ambiente, 16 a 20 o C, o que constitui uma grande economia de
energia, já que a água não precisa atingir uma temperatura tão baixa (TROX, 2009).
Estes sistemas dividem-se em três grandes linhas: os sistemas de resfriamento
passivo, as unidades de indução e as unidades de ventilação de fachada (TROX,
2009).

Figura 3.5: Esquema de carga térmica.

Fonte: (www.poloar.com.br, Acessado em 13/11/2017)

A carga térmica consiste na quantidade de energia que deve ser retirada de


determinado ambiente para promover conforto térmico aos seus usuários (figura
3.5). Essa energia é determinada pelo número de pessoas que utilizam a área, pelos
aparelhos que emitem calor e pela posição do ambiente em relação ao sol.
A energia é removida com auxílio de um sistema ou equipamento de ar
condicionado, mantendo uma temperatura agradável e controlando a qualidade do
ar. Uma importante especialidade da engenharia está em calcular a carga térmica,
levando em consideração todos as variáveis presentes em um projeto de
climatização. Esse procedimento é de competência do engenheiro mecânico. Todo o
cálculo é baseado na norma ABNT NBR 16401-1 2008.

19
3.3. Sistema Geotérmico

A energia geotérmica é a energia térmica dentro da crosta terrestre - a energia


térmica em rocha e fluido (água, vapor ou água contendo grandes quantidades de
sólidos dissolvidos) que enchem os poros e as fraturas dentro da rocha e areia e
cascalho. Os cálculos mostram que a terra, originária de um estado completamente
fundido, teria esfriado e ficaria completamente sólida há muitos milhares de anos
sem uma entrada de energia, além da do sol. Acredita-se que a fonte final da
energia geotérmica seja a decomposição radioativa na Terra (Bullard,1973).

Através do movimento da placa e do vulcanismo, parte desta energia é


concentrada a alta temperatura perto da superfície da terra. A energia também é
transferida das partes mais profundas da crosta para a superfície terrestre por
condução e por convecção em regiões onde as condições geológicas e a presença
de água permitem.

Devido à variação na atividade vulcânica, na decomposição radioativa, na


condutividade das rochas e na circulação de fluidos, diferentes regiões têm
diferentes fluxos de calor (através da crosta na superfície), bem como diferentes
temperaturas a uma determinada profundidade. O aumento normal da temperatura
com profundidade (isto é, o gradiente geotérmico normal) é de cerca de 24 K / km de
profundidade, sendo os gradientes de 9 a 48 K / km comuns. As áreas com maiores
gradientes de temperatura e / ou taxas de fluxo de calor mais elevadas que a média
constituem os recursos econômicos mais interessantes e viáveis. No entanto, áreas
com gradientes normais podem ser recursos valiosos se determinadas
características geológicas estiverem presentes.

As principais aplicações para o uso direto da energia geotérmica na área


residencial e comercial são o aquecimento espacial, o aquecimento sanitário de
água e o resfriamento espacial (usando o processo de absorção). Enquanto o
espaço geotérmico e o aquecimento de água quente doméstica são generalizados, o
resfriamento do espaço é raro. Quando o aquecimento do espaço é realizado, o
aquecimento do serviço de água, ou pelo menos o pré-aquecimento, é quase
universalmente realizado também.
20
3.3.1. Sistema geotérmico de Climatização

A energia geotérmica raramente foi utilizada para o resfriamento, embora a


ênfase na energia solar e no calor residual tenha suscitado interesse no resfriamento
com energia térmica. O ciclo de absorção é usado com maior frequência e as
máquinas de absorção de brometo de lítio / água estão comercialmente disponíveis
em uma ampla gama de capacidades. Os requisitos de temperatura e fluxo de
refrigeradores de absorção são contrários à filosofia de projeto geral para sistemas
geotérmicos. Eles exigem altas temperaturas da água de abastecimento e um
pequeno Δt no lado da água quente.

Figura
3.6:

Refrigerador típico de absorção de brometo de lítio.

Fonte: (Christen, 1977)

A (figura 3.6) ilustra o efeito da redução da temperatura da água da alimentação


no desempenho da máquina. A máquina é avaliada em uma temperatura de entrada
de 115 ° C, portanto, os fatores de rating devem ser aplicados se a máquina for
operada abaixo dessa temperatura.

Por exemplo, a operação a uma temperatura de 93 ° C da água de


abastecimento resultaria em uma diminuição de capacidade de 50%, o que afeta

21
seriamente a economia do resfriamento por absorção a baixa temperatura do
recurso.
O coeficiente de desempenho (COP) é menos seriamente afetado por uma
redução na temperatura da água de abastecimento. A COP nominal de uma
máquina de um único estágio a 115 ° C é de 0,65 a 0,70; isto é, para cada quilowatt
de saída de arrefecimento, é necessária uma entrada de calor de 1 kW, dividida por
0,65 ou 1,54 kW.

A maioria dos equipamentos de absorção são projetados para entrada de vapor


(um processo isotérmico) para a seção do gerador. Quando este equipamento é
operado a partir de uma fonte de água quente, deve-se usar um Δt relativamente
pequeno. Isso cria uma incompatibilidade entre os requisitos de fluxo de construção
para aquecimento e resfriamento espacial. Por exemplo, assumir que um edifício de
20 000 m2 é usar um recurso geotérmico para aquecimento e resfriamento.

3.3.2.Aplicações geotérmicas

Ground to Fluid Heat Exchangers (GFHE) ou Ground Source Heat Pumps


(GSHP) (Trocador de calor subterrâneo para água com uso de bomba de calor):
Este sistema é caracterizado por utilizar um fluído intermediário para a
transferência de calor, utilizando um ciclo de refrigeração comum (compressor,
condensador, expansão e evaporador), no qual o papel do condensador é exercido
por um trocador de calor subterrâneo terra-água em ciclo fechado. O trocador de
calor neste caso pode ser vertical, horizontal ou tipo “Slinky”. O primeiro, e mais
eficiente utiliza poços verticais com profundidade variando entre 30 a 120 m. O
segundo utiliza tubos horizontais a profundidade de 1,5 a 4 m, o que
necessariamente utiliza grande área de superfície. Já no tipo “Slinky” os tubos são
dispostos em forma espiral no modo horizontal, porém utilizando área de superfície
menor. Nos três casos a quantidade de área superficial e quantidade de tubos são
determinados pelo tamanho da instalação. A (figura 3.7) esquematiza os três
modelos de trocador de calor utilizados no sistema GFHE.

22
23
Figura 3.7: Esquema de trocador de calor para sistema GFHE.

Fonte: (DUARTE; KOMBRA; FERNANDEZ, 2011)

Ground Water heat exchangers (GWHE) (Trocador de calor de águas


subterrâneas): Este é um sistema aberto. Água de fontes subterrâneas é extraída e
bombeada por tubulações. Participa do ciclo de refrigeração para troca de calor no
condensador e depois é descartada. A vantagem deste sistema é a não sobre
solicitação do solo, como pode ocorrer nos sistemas terra ar. Neste sistema podem
ocorrer duas configurações: O sistema de dois poços, no qual a água após climatizar
o ambiente é infiltrada novamente no solo através de um poço. O sistema de um
poço, no qual após a climatização a água é descartada em um acumulador artificial
para ser utilizada ou infiltrada novamente no solo.

Figura 3.8:

Fonte: (DUARTE; KOMBRA; FERNANDEZ, 2011)

3.3.3.Sistema Aberto

Nos sistemas abertos, (figura 3.9) utiliza-se a água subterrânea como


transportadora de calor e esta é elevada diretamente à bomba de calor. Este
sistema é mais conhecido por captação em lençol freático.

24
Figura 3.9: Sistema Aberto.

Fonte: (daikingeorgia.com, Acessado em 13/11/2017)

Este tipo de sistema utiliza poços de água subterrânea ou perfuração (mais


conhecidos por aquíferos), para captar energia. A água do lençol freático mantém-se
a uma temperatura constante todo o ano, variando entre os 9 e 12 °C, consoante a
região, e é necessário que seja garantida durante o ano todo. A utilização deste
sistema requer alguma manutenção e, para serem rentáveis, têm que obedecer a
alguns requisitos. O solo convém ter permeabilidade suficiente, de modo a obter a
quantidade de água subterrânea desejada e a pouca profundidade (entre 8 a 50
metros, consoante a região). A qualidade da água tem que ter boas características
químicas, como por exemplo, ter baixo teor em ferro, para evitar problemas de
corrosão. Quando se opta pela exploração destas instalações, ou seja, extração e
escoamento de águas subterrâneas, é necessário que sejam pedidas e obtidas as
devidas autorizações. As linhas de água subterrâneas ocupam uma grande área e
em quase todos os casos pertencem a vários lotes, não só o nosso, e podem estar a
ser usadas para alguma finalidade, o que leva a ter algumas regras de uso. Existem
alguns cuidados importantes a ter em conta antes de se proceder à execução do
projeto, quando se opta por este tipo de captação.

a) Consultar mapas geológicos da zona ou outros documentos inerentes às


características locais específicas do lençol freático.

25
b) Devem ser feitas perfurações e testes de bombeamento, especialmente para
determinar: Profundidade do lençol freático, Estabilidade do nível, Direção e sentido
do fluxo, Qualidade da água, Caudal existente
c) Analisar a ocorrência de infiltrações de águas superficiais – estas podem
baixar a temperatura de alimentação da bomba de calor e diminuir os rendimentos
previstos.

A análise da qualidade da água é um cuidado muito importante a ter e existem


fatores que definem a qualidade da água pela análise de certos valores. Esses
fatores são a temperatura, o valor do PH, a condutibilidade, os limites de ferro,
manganésio, nitrato, sulfato e outros. Se a água ultrapassar os limites indicados de
ferro e manganésio, podem vir a formar-se compostos insolúveis capazes de obstruir
quer os poços, quer os permutadores. Os compostos de ferro e manganésio têm
tendência a aparecer sob a forma de oxigénio na zona onde a água é devolvida ao
nível freático. É por este motivo que é aconselhável que os tubos que conduzem a
água para o lençol freático, devam ficar submersos, pelo menos 50 a 60 cm abaixo
do nível. Um outro limite a ter consequências negativas é o valor do PH. Se o valor
for demasiado alto proporciona a agressividade do sulfato e dos compostos de
cloros, e estes podem corroer as placas dos permutadores da bomba de calor.
Neste caso é importante saber quais os limites de PH a que a bomba de calor está
preparada para trabalhar. No caso de se ultrapassar os limites é aconselhável
colocar, a montante da bomba de calor, permutadores em aço inox, pois ajuda a
proteger os permutadores internos, simplificando as operações de limpeza e a
possível substituição de placas. Sob o ponto de vista da sustentabilidade, usar a
água subterrânea para as diversas finalidades já apresentadas, não traz qualquer
tipo de problema, pois esta quando passa pela bomba de calor não perde as suas
propriedades (apenas é utilizada a sua energia – temperatura). A água quando
passa pela bomba de calor é filtrada e depois é restituída em diversos locais,
podendo fazer-se o seu aproveitamento para outros fins.

3.3.4.Sistema Fechado

Neste caso existe um circuito fechado, constituído por tubos (coletores e sondas)
e dentro destes circula um fluido, normalmente água glicolada, que é responsável
26
pelo transporte de calor do terreno para a bomba de calor e vice-versa. É importante
salientar que no uso deste sistema não há contato de água subterrânea com a
bomba de calor – aqui, somente se transfere calor do solo ou de águas subterrâneas
para a bomba de calor. No Inverno, a água glicolada transporta o calor da Terra para
o grupo geotérmico e este eleva-lhe a temperatura e aquece as habitações e as
águas sanitárias. No caso do Verão, como a temperatura do subsolo é inferior à do
ar, consegue-se arrefecer as habitações por um processo passivo ou ativo,
consoante as bombas de calor. Nos sistemas fechados existem várias formas de
captação de calor. Os tipos de captação existentes são:

 Captação Horizontal
 Captação Vertical

 Captação Mista

Figura 3.10: Captação


Horizontal.

Fonte: www.sasenergia.pt/geotermia (Acessado em 15/11/2017)

A Captação Horizontal, (figura 3.10) é a mais corrente e a mais barata, sendo


feita sempre que haja uma área de terreno suficiente. Este tipo de captação requer
de 1,5 a 2 vezes a área para dispersão / captação de calor relativamente ao espaço
que se pretende climatizar.

27
Este tipo de instalações utiliza o calor que se encontra acumulado nas camadas
mais superficiais da terra. Este calor pode ser obtido até uma profundidade de 5
metros, onde as temperaturas variam entre os 8 e os 13 °C como é possível
observar pela (figura 3.11).

Figura 3.11: Curva da temperatura anual do solo.

Fonte: www.sasenergia.pt/geotermia (Acessado em 15/11/2017)

Devido à variação de temperaturas que se encontram a 5 metros de


profundidade opta-se pela captação horizontal, pois a temperatura não é constante a
poucos metros de profundidade (o que não acontece a 100 metros na captação
vertical). Os tubos, mais conhecidos por coletores geotérmicos, são colocados
horizontalmente à superfície, em valas e em circuito fechado, onde a profundidade
varia entre os 1,2 e 1,5 metros e a distância entre tubos varia entre 0,5 e 0,8 metros,
conforme a sua orientação geográfica.

Dentro destes tubos circula um fluxo de água glicolada (água com glicol). O calor
passa da terra para a água, que circula dentro dos coletores, e para que esta não
congele junta se um líquido anticoagulante (glicol) – daí o nome de água glicolada. O
calor que se encontra acumulado nas camadas superficiais deriva do sol e da chuva,
logo, é necessário colocar os coletores em zonas onde possa chegar sem qualquer
impedimento, o calor proveniente do sol e da chuva. Por este motivo não se deve
cobrir a zona onde estão colocados os coletores com construções (garagens,
edifícios, pré-fabricados, etc.) nem com pavimentos impermeabilizados ou terraços.
Este tipo de condições leva a uma observação prática e pertinente. Por vezes existe
espaço suficiente para a implementação deste tipo de captação, mas o terreno
existente não cumpre as condições em cima referidas, o que condiciona a aplicação.
A disposição dos coletores tem de respeitar distâncias mínimas:

28
 2,0 metros das zonas de sombra causadas por edifícios em redor, muros,
árvores, sebes ou outros obstáculos;
 1,5 metros das redes das instalações enterradas de tipo não hidráulico (redes
eléctricas, de telefone e de gás);
 2,0 metros das redes das instalações enterradas de tipo hidráulico (redes de
água sanitária, de água de esgoto e de águas pluviais);
 3,0 metros das fundações, poços de água, fossas sépticas e poços de
escoamento;

O uso deste tipo de captação não altera as condições do solo, podendo-se


jardinar, colocar relvados e arbustos à superfície (desde que não se criem zonas de
sombra significativas e sempre com uma profundidade mínima de 1,5 metros).
A captação vertical, (figura 3.12) ao contrário da captação horizontal, permite
explorar ao mínimo o terreno à volta do edifício. É possível dividir a captação vertical
em dois subtipos de captação que são feitos em diferentes circunstâncias e que
serão apresentados nesta dissertação:

 Captação Vertical por Sondas Geotérmicas

Figura 3.12: Captação Vertical por Sondas Geotérmicas.

Fonte: www.sasenergia.pt/geotermia (Acessado em 15/11/2017)

29
Este tipo de captação é mais usado quando existem limitações ao nível de
espaço nas áreas envolventes, onde a captação energética é feita em profundidade
pela abertura de furos que variam entre os 20 e 200 metros, dependendo do tipo de
solo e da potência térmica necessária. O diâmetro das sondas utilizadas neste tipo
de captação são normalmente de 32 ou 40 milímetros. Geotermia e Implicações nas
Tecnologias da Construção – Estudo de Casos 42 Para a extração da energia da
terra é usada uma sonda geotérmica vertical, constituída por tubos sob pressão nos
quais circula água glicolada a uma temperatura mais baixa que a do solo. As sondas
devem ser aplicadas a uma distância mínima de 5 metros dos edifícios para não
causar danos nas fundações. No caso de haver mais do que uma sonda, é
necessário prever uma distância mínima de 8 metros entre as mesmas para evitar
interferências térmicas, isto é, para evitar que as sondas retirem calor umas das
outras; isto levaria à diminuição do rendimento térmico global. O uso deste tipo de
captação permite explorar ao mínimo a superfície do espaço existente à volta do
edifício e tem a vantagem de obter uma gama de temperaturas mais estabilizadas.
Um sistema de climatização com este tipo de captação é o mais caro – os furos
existentes normalmente representam um terço do custo total da aplicação. Apesar
de ser o mais caro é o que dá mais garantias e o que tem melhores comportamentos
(económico / conforto térmico). Quando se pretende grande capacidade para
arrefecimento e aquecimento, é preferível usar este tipo de captação, devido à
grande inércia do terreno. O rendimento do sistema não é influenciado pelas
características do solo nem pela exposição solar, sendo a temperatura anual
constante para a profundidade estudada. A grande vantagem do uso de um sistema
de climatização que utiliza este tipo de captação é o sistema “Free Cooling”,(figura
3.13) mais conhecido por arrefecimento passivo, ou arrefecimento “ecológico”
(usando como sistemas de distribuição os ventiloconvectores e com maior eficiência
o pavimento radiante).

30
Figura 3.13: Arrefecimento passivo (“Free Cooling”).

Fonte: www.sasenergia.pt/geotermia (Acessado em 15/11/2017)

O termo mais correto para arrefecimento quando se usa o piso radiante é


refrescamento. Normalmente quando se usa arrefecimento é quando existe emissão
direta de ar frio (arrefecimento ativo), o que não acontece no pavimento radiante.

3.3.5 Configuração de sistema geotérmico

31
Figura 3.14: Esquemático de ciclo de refrigeração geotérmico tipo Chiller

Fonte: Universidade Federal do Paraná, (Acessado em 15/11/2017)

O sistema tipo Chiller, (figura 3.14) apresenta os princípios de funcionamento


muito parecidos com o sistema Split, nesse caso, porém, três circuitos de fluido
refrigerante estão presentes. No primeiro deles, o fluido de trabalho também é um
gás, que parte do compressor com alta pressão e temperatura, passa pelo
condensador mantendo a pressão, porém com mais baixa temperatura e então parte
para a válvula de expansão que diminui a pressão e a temperatura drasticamente.
Nesse ponto, porém, o fluido passa por trocadores de calor internos à máquina; não
vai para o ambiente condicionado. Esses trocadores resfriam água em outro circuito
e a água gelada que alimenta as unidades internas trocando calor com o ambiente.

3.4. Solo

32
Figura 3.15: Temperatura x profundidade.

Fonte: SANTO, MERCOFRIO 2014

Para um sistema de ar condicionado com condensador geotérmico tem-se que


analisar o comportamento térmico do solo, (figura 3.15). Ele funciona como um
reservatório da energia solar que incide sobre a superfície terrestre. Uma parte desta
energia não é refletida para o espaço e fica armazenada no subsolo. Em uma
análise macro, durante o dia temos uma fonte quente externa, o sol, e uma fonte
quente no interior, o centro da terra, como referencial teórico. À noite, o solo perde
calor para o espaço, por radiação e para o ar e águas, por convecção. No entanto,
no caso brasileiro, o calor do centro da terra não é significativo, exceto nas regiões
termais, onde a água traz um pouco do calor geotérmico para superfície.

Para o caso de um sistema de ar condicionado com condensador geotérmico,


teremos uma perturbação extra nas trocas de calor do solo, pois ele entregará calor
ao solo durante o ciclo de refrigeração e receberá calor do solo durante em ciclo de
calefação. Ou seja, a superfície de solo e o local onde o trocador de calor está
posicionado tem o mesmo comportamento térmico de ganhos e perdas. Desta
33
maneira, a questão mais elementar é que a variação térmica da superfície do solo
não pode atingir o perímetro de troca de calor do trocador geotérmico. Desta forma,
o calor que deverá ser absorvido pelo solo é aquele que a máquina térmica dissipará
ou absorverá (ciclo refrigeração ou calefação), utilizando a água como meio para
levar do condensador ao trocador de calor geotérmico.

1.1.1.

3.5 Fundamentos da transferência de calor

3.5.1 Mecanismos de transferência de calor

Segundo Incropera (2008), a transferência de calor pode ser definida como a


transferência de energia de uma região para outra como resultado de uma diferença
de temperatura entre elas. Essa transferência de calor sempre ocorre de um corpo
mais quente, para outro corpo menos quente.
Os mecanismos de transferência de calor são divididos em: Condução,
Convecção e Radiação.

3.5.1.1 Condução

Segundo Incropera (2008), é o processo pelo qual energia é transferida de uma


região de alta temperatura para outra região de temperatura mais baixa dentro de
um meio (sólido, líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes em contato direto.
A condução de calor ocorre principalmente devido a transferência da agitação
dos átomos e moléculas da região mais quente para a região mais fria. Por esse
motivo é comum dizer que a condução de calor ocorre através da interação entre as
partículas (átomos) de um corpo ou substância.

A condução de calor é definida conforme a lei de Fourier: “O fluxo de calor


através de um corpo ou substância é diretamente proporcional a diferença de
temperatura e inversamente proporcional a espessura desse meio”. Sendo assim a
equação 3.1 define o fluxo de calor:

34
dt
q̇=−KA (3.1)
dx

O fluxo de calor para paredes planas é dado pela seguinte equação 3.30:

KA (T 1−T 2 )
q̇= (3.2)
L

A resistência térmica para paredes planas é dada pela seguinte equação 3.31:

ΔT L
q̇= então RTcond =
L KA (3.21)
KA

O fluxo de calor para paredes cilíndricas é dado pela seguinte equação 3.22:

2 πKL(T 1−T 2 )
q̇=
R (3.22)
Ln ( 2 )
R1

A resistência térmica para paredes cilíndricas é dada pela seguinte equação


3.23:
R2
Ln ( )
(T 1−T 2) R1
q̇= então RTcond =
R2 2 πKL (3.23)
Ln ( )
R1
2 πKL

O fluxo de calor para paredes esféricas é dado pela seguinte equação 3.24:

4 πK (T 1−T 2)
q̇=
1 1 (3.24)
( − )
R 1 R2

A resistência térmica para paredes esféricas é dada pela seguinte equação 3.25:

35
1 1
( − )
( T −T 2) R R2
q̇= 1 então R Tcond = 1
1 1 4 πK (3.25)
( − )
R 1 R2
4 πK

3.5.1.2 Convecção

Segundo Incropera (2008), é definida como o processo pelo qual energia é


transferida das porções mais quentes para as porções menos quentes de um fluido
através da ação combinada de condução de calor, armazenamento de energia e
movimento de mistura.
A convecção de calor pode ser classificada em dois tipos: Convecção natural e
convecção forçada.

- Convecção natural: O calor é transferido ao fluido por condução. Em seguida,


essa porção de fluido aquece, as moléculas agitam-se, distanciam-se uma das
outras e ficam menos densas. Sendo assim a porção de fluido menos densa sobe e
a porção de fluido mais densa desce.

- Convecção forçada: O calor é transferido ao fluido por condução, porém, o


transporte de massa é realizado através de uma movimentação mecânica do fluido,
acelerando o processo de convecção.
A transferência de calor por convecção é representada pela equação de Newton
3.26:
q̇=hAΔT (3.26)

3.5.1.3 Radiação

Segundo Incropera (2008), é definida como o processo pelo qual calor é


transferido de uma superfície a alta temperatura para uma superfície em
temperatura mais baixa, quando essas superfícies estão separadas no espaço,
mesmo existindo vácuo entres elas. A energia transferida dessa forma é chamada
de radiação térmica e é transferida sob a forma de ondas eletromagnéticas.
36
A transferência de calor por radiação é representada pela equação 3.27:

q̇=ε A σ (T ¿ 4−T viz 4) (3.27)

3.6 Fundamentos da mecânica dos fluidos

3.6.1.Propriedades dos fluidos

Segundo Brunetti (2005), algumas propriedades são fundamentais para a análise


de um fluido e representam a base para o estudo da mecânica dos fluidos, essas
propriedades são específicas para cada tipo de substância avaliada e são muito
importantes para uma correta avaliação dos problemas comumente encontrados na
indústria.

3.6.1.1. Massa específica ou densidade (ρ)

Segundo Brunetti (2005), massa específica ou densidade é a massa de fluido por


unidade de volume do mesmo. A massa específica é dada pela equação 3.28:

m
ρ= (3.28)
V

3.6.1.2. Peso específico (γ)

Segundo Brunetti (2005), peso específico é o peso de fluido por unidade de


volume. O peso específico é dado pela equação 3.39:

G
γ= (3.29)
V

3.6.1.3. Peso específico relativo (γ r )

Segundo Brunetti (2005), peso específico relativo é a relação entre o peso


específico do líquido e o peso específico da água. O peso específico relativo é
representado pela equação 3.40:

37
γ
γr= (3.3)
γ H 2O

3.6.1.4. Viscosidade

Segundo Brunetti (2005), a viscosidade é a medida da resistência interna de uma


substância ao fluxo quando submetida a uma tensão. Quanto mais viscosa a massa,
mais difícil de escoar e maior o seu coeficiente de viscosidade. A viscosidade é
ainda dividida em dois tipos: Viscosidade absoluta ou dinâmica e viscosidade
cinemática.

3.6.1.4.1. Viscosidade absoluta ou dinâmica

Segundo Brunetti (2005), a viscosidade absoluta ou dinâmica é a medida da


resistência ao escoamento do fluido, ou seja, a razão entre a tensão de
cisalhamento e a razão de mudança da velocidade perpendicular a direção do
escoamento. Sendo assim é representada pela equação 3.31:

dv
τ =µ (3.31)
dy

3.6.1.4.2. Viscosidade cinemática

Segundo Brunetti (2005), a viscosidade cinemática é o quociente entre a


viscosidade dinâmica e a massa específica. A viscosidade cinemática é dada pela
equação 3.32:

µ
ν= (3.32)
ρ

3.6.2.Estática dos fluidos

Segundo Brunetti (2005), um fluido pode ser considerado estático quando não
está sujeito a nenhuma força de cisalhamento. Isto ocorre quando o fluido está
parado ou quando o fluido está em movimento, mas seu comportamento pode ser
aproximado pelo de um corpo rígido.

38
3.7 Carga Térmica

3.7.1 Ganho de calor sensível

Segundo a ABNT NBR 16401:1 (2008), pode-se definir calor sensível como o
calor que produz uma variação de temperatura do ar sem alteração do conteúdo de
umidade. Vale acrescentar, que esse fluxo de calor se dá pelo processo de
condução, convecção e por radiação.

3.7.2 Ganho de calor sensível através das janelas

O primeiro ganho de calor sensível a ser analisado é o solar através de janelas


pelo armazenamento térmico. Para encontrar este valor serão necessários dados
como a área de janelas, o pico do ganho de calor e fatores de correção, estes em
horários diferenciados, entre outros dados necessários para encontrar a carga.
(CARRIER, 1972). O primeiro fator de análise é o pico de ganho de calor solar
através dos vidros que depende da localização geográfica, orientação em relação ao
sol (FROTA & SCHIFFER 1995) No Apêndice A.3 estão listados esses picos de
ganho de calor por área, considerando uma latitude à sul aproximado de 30º.

3.7.3 Ganho de calor sensível através das estruturas

O próximo passo de análise são os ganhos de calor por transmissão através das
estruturas da construção. O fluxo de calor através de uma estrutura pode ser
calculado com uso da equação de calor em regime permanente e uma diferença de
temperatura equivalente. Os coeficientes de transmissão “U” constituem dados
tabelados para cada tipo de estrutura (parede, piso ou teto). A área é a área
correspondente de cada estrutura. Resta definir o gradiente de temperatura

39
equivalente. As hipóteses para estimar a diferença de temperatura equivalente são
as seguintes:
a) A perda de calor através dos componentes externos da construção (paredes e
teto) é calculada normalmente no momento de maior fluxo de calor.

b) O fluxo de calor nos componentes internos da construção foi desprezado,


uma vez que todo o ambiente será climatizado e mantido a mesma temperatura.
c) As temperaturas interna e externa de bulbo seco e úmido serão consideradas
inicialmente iguais.

d) A temperatura de projeto para o interior do ambiente será estimada em 22º C


com umidade relativa de 50 %.
e) As condições externas serão consideradas as de maior frequência anual em
São Paulo, temos a Figura 3.16:

Figura 3.16: Condições climáticas, São Paulo.

Fonte: (ABNT NBR 16401-1)

3.7.4 Ganho de calor latente

Segundo a NBR 16401-1 (2008), calor latente é definido como “calor de


evaporação ou condensação do vapor de água ou ar, que produz uma variação do
conteúdo de umidade do ar sem alteração da temperatura”. O primeiro fator de
influência no ganho de calor latente é a infiltração de vapor por entre as estruturas
da construção, como paredes, piso e teto. Para essa determinação é necessário
definir a diferença de umidade absoluta entre as condições do ar ambiente e as
condições de projeto. A umidade absoluta do ar ambiente foi defindo como 0,0176
40
kg/kg ar seco para a cidade de São Paulo. A umidade absoluta para as condições de
projeto pode ser definida a partir da carta psicrométrica e os dados da hipótese “e”
para definir a diferença de temperatura equivalente e analisando a carta tem-se o
valor de 0,0134 kg/kgar seco. Portanto, a diferença de umidade absoluta é: ∆𝑊 =
0,0176 − 0,0134 = 0,0042 𝑘𝑔/𝑘𝑔𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜. Novamente para facilitar a análise, os
fatores utilizados de infiltração foram resumidos.
3.8 Trocador geotérmico

3.8.1 Taxa de transferência de calor

A primeira hipótese para maximizar a economia energética é a utilização de um


trocador de calor geotérmico terra-água, que consiste em uma tubulação enterrada
que tem função de rejeitar ou absorver calor da vizinhança. A Equação 4.18,
análoga a lei do resfriamento de Newton, utiliza o conceito de coeficiente global de
transferência de calor (U) (INCROPERA, 2008).
A resistência térmica total do sistema é modelada conforme a Figura 3.17.

Figura 3.17: Esquema circuito térmico – Trocador geotérmico.

Fonte (Pinto, 2014)

Req =Rcv + R cd , t + Rcd , s (3.33)

41
Onde:

𝑅𝑐𝑣 = resistência de convecção no interior do tubo

𝑅𝑐𝑑,𝑡 = resistência de condução no tubo

𝑅𝑐𝑑,𝑠 = resistência de condução no solo

3.8.2 Influência do raio solo na temperatura de saída.

Para esta aplicação se faz necessário encontrar qual raio de solo é necessário
para a dissipação do calor proveniente do trocador. Esta determinação foi realizada
com base em artigos específicos sobre esses estudos como o de HollMuller (2014).
Segundo ele, a espessura aproximada para 66 dissipação de todo o calor é de
aproximadamente 170 mm. Para fins de projeto e segurança, no presente projeto foi
adotado um raio de 200 mm. A Figura (3.17) mostra a distribuição da tubulação no
solo, onde a primeira camada de tubos está a 1m de profundidade, e a segunda
camada 0,5m abaixo da primeira, e a distância entre tubo é de 400mm. Este arranjo
garante o raio mínimo de influência do solo.

3.8.3 Transferência de calor por condução.

Para 4 a resistência de condução radial cilíndrica empregada para modelar a


parede do tubo, e a camada de solo que o envolve utiliza-se a Equação 3.34
(INCROPERA, 2008)

R r1
t ,cond
ln ⁡(
r2
) (3.34)
2 πlK

Onde, 𝑟2 é o raio externo [m], 𝑟1 é o raio interno [m], 𝐿 é o comprimento de tubo


[m] e 𝑘 é a condutividade térmica do tubo [W/m.K]. 67 Para a resistência de
condução do solo, o raio interno é o raio externo do tubo, já o raio externo, é o valor
do raio externo do tubo somado ao raio de interferência do solo. O comprimento é o
mesmo do tubo e a condutividade térmica é a do solo úmido.

42
3.8.4 Transferência de calor por convecção.

Para a resistência de convecção interna no tubo utiliza-se. (INCROPERA, 2008).


1
Rt ,conv = (3.35)
hA
Onde, ℎ é o coeficiente convectivo do sistema fluido/tubo [W/m².K] e 𝐴 é a área
da parede do tubo [m²].

Para os cálculos do sistema foi considerado escoamento plenamente


desenvolvido.

Para encontrar o coeficiente convectivo utilizou-se o método do número de


Nusselt, que para escoamento turbulento é obtido através da equação (3.36).
(INCROPERA, 2008).
h.D
NuD = (3.36).
k

Onde, 𝐷 é o diâmetro da tubulação [m], 𝑘 é o coeficiente de condutividade


térmica do fluido [W/m.K]

A equação (3.37) é a correlação de 𝑁𝑢𝐷 para um erro de aproximadamente 10%,


f
Nu =
( 8)
( ℜ −1000 ) Pr
D

(3.37)
D
f 2
1+12,7 ( ) 1/2 ( Pr −1 )
8 3
Correlação válida para 0,5≤Pr≤2000 e 3000≤𝑅𝑒𝐷≤5x10⁶, onde f é o fator de atrito
que para tubos lisos é determinado a partir da equação (3.38) (INCROPERA, 2008).

f =( 0,790 ln ℜD −1,64 ) 2 (3.38)

Para encontrar a temperatura de filme utilizou-se a equação (3.39)


(INCROPERA, 2008).
T p +T m
T filme = (3.39)
2

43
Onde 𝑇𝑝 é a média da temperatura da superfície do tubo entre o seu início e seu
fim,
T e +r s
T p= (3.40)
2
Onde 𝑇𝑚 é a média das temperaturas de entrada e saída do fluído no tubo,

T ef +r sf
T m= (3.41)
2

Capítulo 4: Estudo de caso

O ambiente modelo (figura 4.1) foi considerado conforme layout a seguir:

44
Figura 4.1: Ambiente Modelo

Para esse ambiente foram considerados alguns dados da construção como


parede de alvenaria com tijolo comum, paredes internas com bloco de concreto, e
piso e teto em concreto leve. Além dos aspectos construtivos, a localização
geográfica da construção e as condições climáticas a que é submetida são outros
fatores importantes na definição das hipóteses para cálculo da carga térmica. Nesse
caso, tomamos como exemplo a cidade de São Paulo.

4.1

Condições externas

Para definir as condições externas de projeto foi utilizado a tabela 01 (figura


4.2) da NBR 16401-2008 que trata de cargas térmicas para sistemas de ar
condicionado.

45
Figura 4.2: Condições externas para verão

Fonte (ABNT NBR 16401-1)

Condições externas para verão


Cidade TBS TBU
São Paulo 31ºC 24ºC

4.2 Condições internas

Para definir as condições internas de projeto foi utilizado a tabela (figura 4.3) da
NBR 16401-2008 que trata de cargas térmicas para sistemas de ar condicionado.

46
Figura 4.3: Condições internas para verão

Fonte (ABNT NBR 16401-1)

Condições internas para verão


Umidade Relativa TBS
50% 24ºC

4.3. Memorial de cálculos dos coeficientes totais de


transferência de calor

4.3.1.Cálculo área Sala

47
Parede 1 Interna (Norte) Condicionada Temperatura: 21ºC

Parede 4 (Oeste) Parede 2 (Leste)


Não Condicionada Não Condicionada
Temperatura: 31ºC Temperatura: 28ºC
Externa Interna

Parede 3 Externa (Sul) Não


Figura 4.4: Sala de Estar

 Parede 1 (interna): 3,60m x 2,50m = 9m²

 Porta 1 (2 portas): 2,10m x 0,90m = 3,78 m²

 Parede 1 (interna): 9m² -3,78m² = 5,22m²

 Parede 2 (interna): 6,55m x 2,50m = 16,375m²

 Porta 2 (2 portas): 2,10m x 0,90m = 3,78 m²

 Parede 2 (interna): 16,375m² -3,78m² = 12,595m²

 Parede 3 (externa): 3,60m x 2,50m = 9m²

 Parede 4 (externa): 6,55m x 2,50m = 16,375m²

48
 Vidro 4: 2m x 1,2m = 2,4m²

 Porta 4: 2,10m x 0,90m = 1,89m²

 Parede 4 (externa): 16,375m² - 2,4m² - 1,89 m² = 12,085m²

 Piso: 6,55m x 3,60m = 23,58m²

 Laje: 6,55m x 3,60m = 23,58m²

4.4. Memorial de cálculo de cargas térmicas

4.4.1.Cálculo do coeficiente de transferência de calor (U).

4.4.1.1. Condições de contorno na parede externa.

Para definir a condutância e a condutividade dos materiais, utilizamos a tabela de


coeficientes de transferência de calor de materiais de construção conforme. Anexo
A.1.

 Ar interno (hi ): Ar calmo com condutância de 7 kcal/h m²°C;

 Ar externo (he) : velocidade do ar 6,4 m/s com condutância de 45,24 kcal/h


m²°C

 Argamassa de cimento 13mm: condutividade de 619 kcal.mm/h m²°C;

 Gesso agregado leve em ripas metálicas de 20mm: condutância 10,41 kcal/h


m²°C;

 Bloco concreto 3 núcleos ovais 100mm: condutância 6,84 kcal/hm²°C;

49
1 1 L1 1 1 1 (4.1)
= + + + +
U he K 1 C C hi

50
1 1 13 1 1 1
= + + + +
U 45,24 619 10,41 6,87 7
1
=0,4282
U
U =2,33 kcal/hm² ° C

4.4.1.2. Condições de contorno na parede interna.

Para definir a condutância e a condutividade dos materiais, utilizamos a tabela de


coeficientes de transferência de calor de materiais de construção conforme. Anexo
A.1.

 Ar interno (hi ): ar calmo com condutância de 7 kcal/h m²°C;

 Gesso agregado leve em ripas metálicas 20mm: condutância 10,41 kcal/h


m²°C;

 Bloco concreto 3 núcleos ovais 100mm: condutância 6,84 kcal/(hm^2 )°C;

51
1 1 1 1 1 1
= + + + + (4.2)
U hi C C C hi

1 1 1 1 1 1
= + + + +
U 7 10,41 6,84 10,41 7
1
=0,6239
U
U =1,60079 kcal/ hm² ° C

4.4.1.3. Condições de contorno vidros das janelas.

Para definir a condutância e a condutividade dos materiais, utilizamos a tabela de


coeficientes de transferência de calor de materiais de construção conforme. Anexo
A.1.

 Ar interno (hi ): ar calmo com condutância de 7 kcal/h m²°C;

 Ar externo (he) : velocidade do ar 7 m/s com condutância de 45,24 kcal/h m²°C

 Vidro transparente 3mm: condutividade 48,3 kcal.mm/hm²°C

(4.3)

52
1 1 L1 1 1 1 L1 1
= + + = + +
U he K 1 hi U he K 1 hi
1 1 3 1 1 1 3 1
= + + = + +
U 45,24 48,3 7 U 7 48,3 7

1 1
=0,227 =0,3478
U U
U =4,403 kcal/hm ² ° C U =2,875 kcal/hm ² ° C

4.4.1.4. Condições de contorno da laje.

Para definir a condutância e a condutividade dos materiais, utilizamos a tabela de


coeficientes de transferência de calor de materiais de construção conforme. Anexo
A.1.

 Ar interno (hi ): ar calmo com condutância de 7 kcal/h m²°C;

 Ar externo (he) : velocidade do ar 7 m/s com condutância de 45,24 kcal/h m²°C

 Gesso agregado leve 13mm: condutividade de 15,24 kcal/h m²°C;

 Telhado em asfalto laminado: condutividade de 31,75 kcal/h m²°C;

(4.4)

53
1 1 1 1 1
= + + +
U he C C hi

1 1 1 1 1
= + + +
U 45,24 31,75 15,24 7
1
=0,2620
U
U =3,816 kcal/hm² ° C

4.4.1.5. Condições de contorno piso.

 O piso encontra-se isolado, ou seja, não transfere calor nos ambientes.

4.4.1.6. Condições de contorno porta de madeira.

Para definir a condutância e a condutividade dos materiais, utilizamos a tabela de


coeficientes de transferência de calor de materiais de construção conforme Anexo
A.1.

 Ar interno (hi): ar calmo com condutância de 7 kcal/h m²°C;

 Madeira pinho 30mm: condutividade de 99,07 kcal.mm/h m²°C;

( 4.5)
1 1 L1 1
= + +
U hi K 1 hi

1 1 30 1
= + +
U 7 99,07 7
1
=0,588
U

U =1,699 kcal/hm² ° C

 U parede externa = 2,33kcal /hm² ° C

 U parede interna = 1,60kcal /hm² ° C

 U laje = 3,82kcal /hm² ° C


54
 U vidro = 4,40kcal /hm² ° C

 U porta = 1,69kcal /hm² ° C

 U piso = isolado

 Temperatura externa 31°C

 Temperatura interna não condicionada 28°C

 Temperatura interna condicionada 21°C

4.5. Cálculo de carga térmica por condução

4.5.1.Cálculo de carga térmica por condução sala.

 Parede 1 (interna condicionada) (4.6)


Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=1,60279 . 5,22.(21−24) ° C
Q̇=−25,01 Kcal /h

 Porta 1 (2 portas) (interna condicionada)


Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=1,699 . 3,78 .(21−24 )° C
Q̇=−19,266 Kcal /h

 Parede 2 (interna não condicionada)


Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=1,60279 . 12,595 .(28−24 )° C
Q̇=80,748 Kcal /h

 Porta 2 (2 portas) (interna não condicionada)


Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=1,699 . 3,78 .(28−24)° C

55
Q̇=25,688 Kcal /h

 Parede 3 (externa)
Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=2,33. 9 .(31−24)° C
Q̇=146,79 Kcal /h

 Parede 4 (externa)
Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=2,33. 12,085.(31−24 )° C
Q̇=197,1 Kcal /h

 Porta 4 (externa)
Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=1,699 . 1,89 .(31−24) °C
Q̇=22,477 Kcal /h

 Vidro 4 (externo)
Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=4,40395 .2,4 .(31−24) ° C
Q̇=73,986 Kcal /h

 Laje (externo)
Q̇=U . A . ∆ t
Q̇=3,816 . 23,58 .(31−24 )° C
Q̇=629,869 Kcal /h

4.5.2.Somatória dos calores da sala

 Sala

56
Σ Q̇=1132,382 kcal/h

4.6. Ganho de calor por insolação

 Condições de contorno
 Paredes cor média
 Vidros com persianas

4.6.1 Ganho de calor por irradiação Sala


Tabela Básica
Superfície Parede 3 Parede 4 Vidro 4 Telhado Total
Direção SE SO SO N/A  
A [m²] 9 12,085 2,4 23,58 47,065
U
[kcal/hm²°C] 2,330 2,33 4,4 3,816 12,876
U.A 20,97 28,158 10,56 89,981 606
∆t ∆t ∆t ∆t ∆t
horas Solares
Q Q Q Q Q
6h          

57
           
7h          
           
8h 0,5        
  10,485        10,485
9h 7,8     1,7  
  163,566     152,967 316,54
10h 10     9,4  
  209,7     845,821 1055,52
11h 7,6     15  
  159,373     1349,71 1509,08
12h 2,8     20  
  58,716     1799,62 1858,34
13h     0,55 22,1  
      5,808 1988,58 1994,38
14h     10,5 23,5  
      110,88 2114,55 2225,43
15h     25,6 22,1  
      270,336 1988,58 2258,91
16h   2,8 35 20  
    78,8424 369,6 1799,62 2248,06
17h   7,4 31 15  
    208,369 327,36 1349,71 1885,44
18h   10 12,2 9,4  
    281,58 128,832 845,821 1256,23
19h   7,8   1,7  
    219,632   152,967 372,599
20h   0,5      
    14,079     14,079

A insolação máxima se deu às 15 horas.


Ganho máximo de calor por irradiação Q̇=2258,91 Kcal /h

4.7. Ganho de calor devido ao ar exterior

4.7.1.Vazão de ar pelas portas.

4.7.1.1. Ganho de calor devido ao ar exterior Sala

Adotado valores de tabela conforme anexo A.2, para sala residencial com porta
de 0,90 metros normalmente fechadas para 2 pessoa.
5 portas e 2 pessoas.

58
V̇ porta =nº pessoas . V̇ por pessoa
V̇ porta =2 pessoa . 4 m ³/h . pessoa
V̇ porta =8 m ³/h .5 portas
V̇ porta =40 m ³/h

4.7.2.Vazão de ar externo por infiltração pelas frestas

4.7.2.1. Vazão de ar externo por infiltração pelas frestas


Sala

 Janela duas folhas com 1,2 metros de altura x 2 metros de comprimento;

Comprimento de frestas
( L)=1 m+1 m+1,2 m+1,2 m = L=4,4 metros (4.7)
V̇ pmf (Vazão por metro de fresta)
Janela comum V̇ pmf =3 m ³ / h. m , Conforme anexo A.2
V̇ janela=4,4 m .3 m³ /h. m
V̇ janela=13,2m ³ /h

 Porta altura 2,10 metros de altura x 0,9 metros de comprimento

Comprimento de frestas
( L )=0,9 m+0,9 m+2,1 m+2,1 m=L=6 metros
V̇ porta =6 m. 5 portas
V̇ porta =30 m
V̇ pmf (Vazão por metro de fresta)
Porta bem ajustadaV̇ pmf =6,5 m ³ /h. m, Conforme anexo A.2
V̇ porta=30 m. 6,5 m³ /h .m

V̇ porta =195 m³ / h

 Vazão total de ar exterior por infiltração na Sala


V̇ total=V̇ janela+ V̇ porta
V̇ total=13,2 m³ /h+195 m ³/h

59
V̇ total=208,2 m³ /h

 Vazão de ar externo para renovação


V̇ total=adotado 35 m ³ /h
V̇ total=35 m ³/h

 Vazão total de ar exterior


V̇ total=V̇ . portas+ V̇ infiltração+ V̇ renovação
V̇ total=4 m3 /h+ 208,2m3 /h+35 m3 /h
V̇ total=247,2 m3 /h

 Variação de entalpia específica (∆ h)


Lado externo condições adotadas de verão
São Paulo TBS=31°C TBU=24°C
De acordo com a carta psicométrica, anexo A.3
h externo=17,3 kcal/kg
Lado interno
Condições internas verão, conforto 24°C adotado
Umidade relativa do ar: 50%

De acordo com a carta psicométrica, anexo A.3


h interno=11,6 Kcal /kg
∆ h=h externo−h interno
∆ h=17,3−11,6
∆ h=5,7 Kcal /kg

Ganho de calor devido ao ar exterior Q̇ ae (4.8)


kg
Q̇ ae=V̇ total .(1.1 3 , Densidade do ar ). ∆ h
m
Kg
Q̇ ae=247,2 m3 /h .1,1 . 5,7 Kcal /kg

Q̇ ae=1549,944 Kcal /h

4.8. Ganho de calor devido às pessoas

4.8.1.Ganho de calor devido às pessoas Sala


60
Adotado de tabela, conforme anexo A.4 a ocupação das pessoas por m².
Sala residencial
Ocupação= 8m²/pessoa
Área do recinto= 23,58m² (4.9)
A
η=
ocupação
23,58 m ²
η=
8m²
η=2,947 - 2pessoas
Temperatura adotada= 24°C
Calor sensível (cs) =61Kcal/h, adotado conforme anexo A.5
Calor latente (cl) =52Kcal/h, adotado conforme anexo A.5

 Ganho de calor sensível (Q̇ s ¿ (4.10)


Q̇ s=η . cs
Q̇ s=2 . 61
Q̇ s = 122 Kcal/h

 Ganho de calor latente (Q̇ l¿ (4.11)


Q̇ l=η . cl
Q̇ l=2 .52
Q̇l = 104 Kcal/h

 Ganho de calor total (4.12)


Q̇ pessoas=Q̇˙s+ Q̇˙ l
Q̇ pessoas=122+ 104
Q̇ pessoas=226 Kcal/h

4.9. Ganho de calor devido iluminação (Qil)

4.9.1.Ganho de calor devido iluminação (Qil) Sala.

Adotado de tabela, conforme anexo A.6 ganho de calor por iluminação.

Ambiente adotado Sala Residencial 20 W/m²

61
Para lâmpadas econômicas, deve-se dividir o valor da tabela por 3, logo.
20W /m²
Sala = 3

Sala = 6,666 W/m²

Ambiente adotado Sala Residencial 20 W/m²


Para lâmpadas econômicas, deve-se dividir o valor da tabela por 3, logo.
20W /m²
Sala = 3

Sala = 6,666 W/m²

 Potência total (Wt) (4.13)


Wt = área x iluminação por m²
Wt = 23,58 m² x 6,66 W/m²
Wt = 157,043W

 Ganho de calor por iluminação (Qil) (4.14)


Qil = 0,86 x Wt x 1,25
Qil = 0,86 x 157,043 x 1,25
Qil = 168,821 kcal/h

4.10. Ganho de Calor por equipamentos diversos (Qe) Sala

Qe=0,86 x potência do aparelho( Adotado)


1 Radio relógio=10 W
1 Televisão Led 42 ”=150 W
1 Aparelho de TV à Cabo=15 W
1 Conjunto de som miniSystem=150 W
Qradio relógio=0,86 x 10=8,6 kcal/h
Qtelevisão=0,86 x 150=129 kcal/h
Qtvacabo=0,86 x 15=12,9 kcal/h
Qminisystem=0,86 x 150=129 kcal/h
Qe=Qradio relógio+Qtelevisão +Qtvacabo+Qminisystem

62
Qe=8,6 kcal/h+129 kcal/h+12,9 kcal /h+129 kcal/h
Qe=279,5 kcal/h

4.11. Carga térmica total (verão)

4.11.1. Carga térmica total da SALA (verão)

(4.15)
Q sala=Qcondução sala+Qindução sala+ QAE sala+Qpessoas sala+ Qil sala+QE sala

Q sala=1132,382 Kcal /h+2258,91 Kcal/h+1549,944 Kcal /h+226 Kcal /h+168,821 Kcal/h+279,5 kca
Q Sala=5615,557 Kcal /h
Convertendo-se para BTU/h tem-se: (4.16)

1 Kcal/h – 3,9683 BTU/h


5615,557 Kcal/h – x
x = 22284,215 BTU/h.

4.11.2 Carga térmica total


dormitório (verão)

Com base nos cálculos anteriores,


pode-se obter a carga térmica total dos demais
cômodos, na figura 4.6 e observado a carga
térmica total e na figura 4.7 horários de ganho
de calor por radiação térmica.

4.11.3 Carga térmica total


dormitório 01

Parede 1 Externa (Norte) Não Condicionada Temperatura: 31ºC

63
Parede 3 Interna (Sul) Não Condicionada Temperatura: 28ºC
Figura 4.5. Dormitório 01

Figura 4.6: Carga Térmica para dormitório 01

Figura 4.7: Gráfico de ganho de calor por radiação

Convertendo-se para BTU/h tem-se:


(4.17)
1 Kcal/h – 3,9683 BTU/h
2217 Kcal/h – x
x = 8797,72 BTU/h.

64
4.11.4 Carga térmica total dormitório 02

Com base nos cálculos anteriores, pode-se obter a carga térmica total
dos demais cômodos, na figura 4.9 é o observado a carga térmica total e na
figura 4.10 horários de ganho de calor por radiação térmica.

Parede 1 Externa (Norte) Não Condicionada Temperatura: 31ºC

Parede 3 Interna (Norte) Não


Condicionada Temperatura: 28ºC
Figura 4.8. Dormitório 02

65
66
Figura 4.9: Carga Térmica para dormitório 02

Figura 4.10: Gráfico de ganho de calor por radiação

Convertendo-se para BTU/h tem-se:


(4.18)
1 Kcal/h – 3,9683 BTU/h
2203 Kcal/h – x
x = 8742,164 BTU/h.

4.12 Evaporadoras
Com base nos cálculos da carga térmica, definimos o modelo de evaporadora a
ser utilizado, onde teremos 3 unidades da marca LG Eletronics.

No ambiente de sala de estar/jantar, é utilizado um modelo cassete de 4 vias,


com capacidade de 24.000 Btu/h, conforme (figura 4.11)

67
Figura 4.11: Catálogo de evaporadora Cassete 4 Vias – VRF

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017)

68
Para ambos os quartos, foram utilizados dois modelos Hi-Wall, com capacidade
de 9600 Btu/h, conforme (figura 4.12).

69
Figura 4.12: Catálogo de evaporadora Hi Wall - VRF

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017

4.13 Condensadora

Com base nos cálculos de capacidade das evaporadoras definimos o modelo da


condensadora, com capacidade de 4HP, de referência da marca LG Eletronics,
conforme (4.13)

70
Figura 4.13: Catálogo de Condensadora Multi V Water - VRF

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017)

Segundo (Aplicação LG Eletronics), O Multi V Water pode ser aplicado para troca
de calor com o solo, fontes de água, lagos e rios como uma fonte de energia
renovável e confiável para troca de calor nos modos aquecimentos e resfriamento.
Tanto a água quanto a solução anticongelante podem circular pelos tubos de
Polietileno de alta densidade enterrados ou submersos para a troca de calor,
conforme (figura 4.14)
71
 A faixa de temperatura da circulação da água deve ser entre -5°C a 45°C.
 Dependendo das condições, a água deverá ser aditivo anticongelante.

Figura 4.14: Aplicação geotérmica Multi V Water - VRF

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017)

4.14 Fluxograma

72
Podemos ver o Fluxograma realizado do Software (Lats HVAC, LG Eletronics),
conforme figura 4.15

Figura 4.15: Fluxograma do sistema

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017)

Podemos ver o Fluxograma aplicando na planta, realizado do Software


(LatsCAD, LG Eletronics), conforme figura 4.16.

Figura 4.16:
Fluxograma aplicado na planta.

Fonte: (http://partner.lge.com/br/index.lge , acessado em 20/11/2017)

73
4.15 Dimensionamento sistema geotérmico

Para o dimensionamento do sistema geotérmico, tem-se que no ambiente


externo à tubulação não há um fluido escoando e sim um sólido transferindo calor
através da condução (solo). Na situação real os efeitos multidimensionais devem ser
considerados, uma vez que a tubulação está enterrada a pouca profundidade, onde
é possível sofrer influência da temperatura da superfície do solo. A resistência
térmica por condução será a soma da Rt condução da agua mais Rt condução do
solo mais Rt condução do tubo, expressa na equação (4.19):

1 ln ( 4 z|De ) ln ( ℜ|ri )
ΣRt=Rtagua+ Rtsolo+ Rttub= + +
h(água) πDiL 2 πLksolo 2 πLktub

O conceito de resistência térmica é inserido nesse momento para auxiliar na


resolução do problema. A resistência térmica é análoga à resistência elétrica e
representa uma difusão de calor (INCROPERA; DEWITT, 2008). Tem-se que o
coeficiente global de transferência de calor multiplicado pela área é igual ao inverso
do somatório das resistências térmicas. Então:

∆Ts T ∞ −Ts −1
=
∆ Te T ∞−Te
=exp
(
ṁ .Cp . ∑ Rt )

74
4.16 Determinação das variáveis

4.16.1 Temperatura do solo


A variável T ∞ refere-se à temperatura externa. No sistema proposto, essa
temperatura é equivalente à temperatura do solo. Uma vez que adotou-se enterrar a
tubulação à profundidade de um metro. As temperaturas médias, máximas, mínimas
e suas amplitudes podem ser conferidas na Figura 4.17. Portanto o valor a ser
utilizado no cálculo será o valor médio das temperaturas coletadas do solo. Sendo
assim, temos que: T ∞ = 17,71°C.

Figura 4.17: Amplitudes térmicas Ar x Solo

Fonte : (INCROPERA; DEWITT, 2008).

4.16.2 Temperatura de entrada e saída do solo


Segundo (Prof. Alberto Hernadez, USP), as temperaturas de entrada e saída do
solo foram determinadas através do Software Energy Plus, conforme tabela.

TEMPERATURA DA ÁGUA
ENTRADA SAÍDA
30°C 25°C

Fonte: (Professor Alberto Hernandez USP, 2017).

4.16.3 Propriedades da Tubulação


A tubulação deverá ser boa condutora de calor e também resistente à corrosão.
Dessa forma, adotou-se uma tubulação de cobre. A condutividade térmica do cobre
a 300K (aproximadamente 27°C) é igual a 401W/m.K (INCROPERA; DEWITT,
2008). Uma vez que V=Q/A, quanto maior o diâmetro menor a velocidade, adotou-se

75
uma tubulação com diâmetro externo de 104mm e espessura de 1,2mm (bitola
comercial). A verificação da velocidade será feita no item 3.3.7. Portanto: De =
0,104m; Di = 0,104 - 0,0012 = 0,1028m e ktub = 401W/m.K.

4.16.4 Propriedades do Solo

A condutividade térmica do solo depende da sua composição, granulometria e


umidade. Será utilizado o valor médio da condutividade térmica do solo a 300K,
sendo equivalente a 0,52W/m.K (INCROPERA; DEWITT, 2008). Portanto: ksolo =
0,52W/m.K.

4.16.5 Vazão Mássica


A vazão mássica ṁ é equivalente à densidade do fluido ρ=1000 kg/m3
multiplicado pela vazão volumétrica Q̇ (equação 4.20):

ṁ=ρ . Q̇ (4.20)

A vazão volumétrica é o volume de água que passará na tubulação por


unidade de tempo e pode ser relacionada com a quantidade de água necessária
para troca de calor com o fluido.

Q=V . A (4.21)

Onde:

V = velocidade do fluido (considerado): 2m/s


A = área interna da tubulação: π .0,0514 m2 =0,0083 m2

Q=2. 0,0083=0,0166 m3 / s

ṁ=1000 . 0,0166=16,6 kg/ s

76
4.16.6 Propriedades da água
O coeficiente de transferência de calor por convecção (figura 4.18) da água hA
depende da geometria da superfície de contato, da natureza do escoamento e de
propriedades do fluido (figura 4.19) (INCROPERA; DEWITT, 2008).

Figura 4.18: Tabela Coeficiente de convecção

Fonte: (INCROPERA; DEWITT, 2008).

Figura 4.19:Tabela Calor Especifico a pressão constante

Fonte: (INCROPERA; DEWITT, 2008).

77
W
h = coeficiente de transferência de calor por convecção (considerado): 100
m2 k
Cp = Calor especifico água a 298K : 4,178 KJ/Kg.K

4.16.7 Determinação do Comprimento da Tubulação Necessária


para o Sistema
A partir dos parâmetros calculados anteriormente foi possível determinar as
características essenciais de um sistema de climatização geotérmico voltado para as
necessidades da região de São Paulo. Estas características principais são a base
para uma pré-avaliação da viabilidade da implantação deste tipo de sistema na
referida região.

Para uma tubulação de cobre e com todas as variáveis determinadas, tem-se na


Equação (4.22) que:

1 ln ( 4 z|De ) ln ( ℜ|ri )
ΣRt=Rtagua+ Rtsolo+ Rttub= + + (4.22)
hAπDiL 2 πLksolo 2 πLktub

1 ln ( 4.1|0,104 ) ln ( 0,052|0,0514 )
ΣRt= + +
100. π .0,1028. L 2. π . L.0,52 2. π . L.401

0,03096 1,1170 4,6. 10−6 1,14796


ΣRt= + + =
L L L L

Substituindo na Equação (4.22) temos:

17,71−25 −1
17,71−30
=exp
( 16,6.4,178 . ( 1,14796
L ) )
L=¿ 41,57m

78
4.17 Fluxo de Calor por condução
Conforme dados apresentados no capítulo 3.8.2 a espessura aproximada
para dissipação de todo o calor é de aproximadamente 200mm.

R1= 0,0514m
R2= 0,052m
R3= 0,152m

K tubulação = 401W/m K
K solo = 0,52W/m K

T tubulação = (30+273,15) = 303,15


T solo = (17,71+273,15) = 290,86

(4.23)

(303,15−290,86)
q̇=
0,052 0,152
Ln ( ) Ln ( )
0,0514 0,052
+
2. π .401 .41,57 2. π .0,52 .41,57

q̇=1556,16 W

4.18 Seleção da Bomba


Para a seleção da bomba partiu-se da vazão necessária para atender o
comprimento da tubulação já calculado, uma tubulação de diâmetro interno de 4” em
Cobre, assim utilizando a equação (4.24), obteve-se a velocidade do fluido.

Q
v= (4.24)
A

Onde:

Q = Vazão do fluído na tubulação: 0,0166 m3 /s


A = Área da secção transversal da tubulação: 0,00833 m2
79
0,01666
v= =2 m/s
0,00833

Para a seleção da bomba será utilizado a curva característica da bomba


conforme tabela, onde os dados de entrada são a altura de recalque e vazão
necessária.
Para a determinação da altura de recalque será levado em conta a altura
geométrica de recalque e a perda de carga na tubulação como mostrado na
equação (4.25). Que é utilizada para sistemas com reservatório fechado.
(4.25)
H=Hgeo+ Hpcr

Onde:

Hpcr é a altura de perda de carga no recalque [mca]


Hgeo é a altura geométrica [mca]

Para a definição de Hpcr utiliza-se o método de Hazen-Willians, que é utilizado para


água e tubos com mais de 50mm de diâmetro, descrita na equação (4.26).

(4.26)
Hpcr=10,43.Q1,85 . λ−1,85 . D−4,87 . L

Onde:

Q é a vazão total [m3/s]


λ é o Coeficiente de Hazen-Willians
D é o diâmetro interno do tubo [m]
L é o comprimento da tubulação [m].

80
Figura 4.20: Coeficiente de Hazen-Willians
Fonte: (http://www.ksb.com.br/ksb-br-pt/, acessado em 20/11/2017)
O coeficiente de Hazen-Williams para cobre é descrito na figura 4.20 com um
valor de 130.

A determinação do comprimento total é encontrada na figura 4.21, através do


comprimento equivalente das conexões existentes na tubulação (KSB, 2001).

Figura 4.21: Tabela de conexões Schedule 40


Fonte: (http://www.braganfer.com.br/tubo-sch-40-80, Acessado em 20/11/2017)
Somando o comprimento equivalente ao comprimento da tubulação tem-se o
comprimento total e assim é possível calcular as perdas de carga no recalque, e
81
com ela determinar o “H” altura dinâmica total, na figura 4.22 temos a quantidade de
curvas necessárias e a altura manométrica do circuito.

Figura 4.22: Circuito de circulação de água


Componentes 4”:
9 Curvas 90º: 9.1,3 = 11,7m
Comprimento total:
L= 41,57+11,7=53,27m

Utilizando a equação (4.26) a seguir:

(4.26)
Hpcr=10,43. 0,01661,85 . 130−1,85 . 0,1028−4,87 .53,27
Hpcr=2,253 m
H=Hgeo+ Hpcr
H=2 m+2,253 m=4,253 m

Definido “H”, “Q” e “n” com o catálogo do fabricante seleciona-se a bomba que
melhor atende ao sistema desejado.

82
Figura 4.23: Catalogo de bombas
Fonte: (http://www.ksb.com.br/ksb-br-pt/, acessado em 20/11/2017)

Bomba selecionada KSB Meganorm 50-125 1750 rpm

83
4.19 Construção do protótipo

Para a construção do protótipo utilizamos materiais de baixo custo que melhor


atendiam as especificações escolhidas para o desenvolvimento. Assim foi realizado
o dimensionamento dos componentes visando um protótipo didático para
demonstrar o funcionamento de um sistema de climatização, utilizando a dissipação
do calor retirado no solo, na figura 4.24 é possível visualizar esquematicamente
todos os componentes.

Figura 4.24: Fluxograma esquemático do Protótipo

Fonte: Autoria Própria.

84
4.19.1 Construção conforme fluxograma

Na Figura 4.25 é possível visualizar o protótipo completo e seus componentes:

Figura 4.25: Protótipo completo

A seguir são apresentados os componentes do protótipo, construído conforme


projeto inicial.

85
Na figura 4.26 visualizamos a Bomba do sistema:

Figura 4.26: Bomba 1/2 CV (Ferrari)

Na figura 4.27 visualizamos o compressor do sistema:

Figura 4.27: Compressor 1/3 HP (Embraco)

86
Na figura 4.28 e figura 4.29 visualizamos os componentes de condensação do
sistema:

Figura 4.28: Trocador de 30 placas

Figura 4.29: Tubulação Geotérmica

87
Na figura 4.30 visualizamos o evaporador do sistema:

No sistema de evaporação, existiram alguns problemas, estava ocorrendo muita


fuga de ar entre o ventilador e a serpentina, a distância entre os mesmos diminuiu e
foi colocado um duto para guiar melhor o ar até a serpentina.

Figura 4.30: Evaporador (serpentina x ventilador)

Na figura 4.31 visualizamos o controlador do sistema:

Figura 4.31: Controlador TC-900E Power (Full Gauge)


88
4.19.1.1 Procedimento do ensaio

Passo 1 – Dobrar tubulação de cobre para confecção da serpentina;


Passo 2 – Instalar conexões no trocador de calor de placas e bomba d’água;
Passo 2 – Instalar manômetro e válvula globo;
Passo 3 – Abastecer sistema com água;
Passo 4 – Ligar bomba d’água verificar pressão e possíveis vazamentos

4.19.1.2 Melhoria na área de troca com o solo

No sistema de condensação, encontramos alguns problemas na tubulação de


água, devido à pouca área de troca, podemos visualizar conforme figura 4.32, foi
necessário aumentar o comprimento da tubulação que está em contato com o solo,
melhorando assim, dissipação de calor retirado do sistema. Conforme Figura 4.29.

Figura 4.32: Melhoria na tubulação geotérmica

4.19.1.3 Melhoria na descarga de ar para a serpentina


No sistema de evaporação, existiram alguns problemas, estava ocorrendo muita
fuga de ar entre o ventilador e a serpentina, a distância entre os mesmos diminuiu e
foi colocado um duto para guiar melhor o ar até a serpentina. Conforme figura 4.30.

89
4.19.2 Cronograma de construção
Podemos observar o cronograma de montagem das atividades realizadas para a
construção do protótipo. Conforme figura 4.33.

Figura 4.33: Diagrama de GANTT

Fonte: Autoria própria

90
4.19.3 Funcionamento
Visando uma lógica de programação, colocamos um controlador TC-900E Power,
para sistemas de refrigeração e degelo, com dois sensores de temperatura, assim
foi desenvolvido o funcionamento lógico do sistema, com verificação de temperatura
interna pelos sensores. Conforme diagrama de blocos, figura 4.34.

91
92
Figura 4.34: Funcionamento lógico do sistema

Fonte: Autoria própria

4.19.4 Aplicação do protótipo


Podemos ver a aplicação do sistema em uma residência, onde todos os
componentes estão aplicados baseados no fluxograma esquemático, pode-se
visualizar detalhadamente, conforme figura 4.35.

Figura 4.35: Aplicação em uma residência

Fonte: Autoria própria

93
Capítulo 5: Testes e resultados obtidos

Neste capítulo, mostraremos informações relevantes sobre todos os testes,


gráficos, dados de entrada, características do fluido refrigerante e seu
comportamento, diagramas, entre outros fatores importantes para o entendimento
didático de todo o sistema.

5.1 Fluido refrigerante

O fluido é basicamente a alma do sistema, ele percorre toda a tubulação variando


a seu estado, temperatura e pressão dependendo de cada ponto, o compressor
comprime o fluido na forma gasosa e faz com que o mesmo se desloque pelo
sistema. Visando um melhor desempenho, adotados o fluido R134-A, que trabalha
com menos pressão, atendendo melhor o nosso objetivo. Conforme tabela 5.1,
adotamos alguns dados de entrada.

Tabela 5.1 – Dados de entrada.

R134-A
T Evaporação 10,3 ºC
T Condensação 50 ºC
T Subresfriamento 20 K
T Superaquecimento 6K
Pressão evaporação 418,7 Kpa
Pressão condensação 1317,6 Kpa

As propriedades e o comportamento dos fluidos refrigerantes são definidos em


laboratórios pelos próprios fabricantes, que estabelecem para cada fluido o
diagrama Pxh – Pressão x Entalpia.

Com alguns dados adotados para o fluido, podemos observar o diagrama de Pxh
(Pressão x Entalpia), conforme figura 5.1

94
Figura 5.1: Diagrama Pressão x Entalpia

Fonte: Software Refrigeration Utilities V 2.84

5.1.1 Estado 1 (Saída do evaporador - Entrada no compressor)

Na tabela 5.2, mostra-se os dados do estado 1, conforme diagrama de Mollier.

Tabela 5.2 – Dados estado 1

Estado 1
Temperatura (T 1) 16,299 [ºC]
Pressão ( P 1) 418,7 [Kpa]
m3
0,050292
volume específico ( v 1) kg
KJ
408,875
Entalpia (h 1) Kg

Estado 1 é o de sucção do compressor, vapor superaquecido de baixa pressão,


assim o título é x=1.

5.1.2 Estado 2 (Saída compressor - Entrada no condensador)

Na tabela 5.3, mostra-se os dados do estado 2, conforme diagrama de Mollier.

Tabela 5.3 – Dados estado 2

Estado 2

Temperatura (T 2) 58,677 [ºC]


95
Pressão ( P 2) 1317,6 [Kpa]
m3
0,016085
volume específico ( v 2) kg
KJ
433,306
Entalpia (h 2) Kg
Estado 2 é de descarga do compressor vapor superaquecido de alta pressão,
título se mantém x=1.

5.1.3 Estado 4 (Saída condensador - Entrada Dispositivo de


expansão)

Na tabela 5.4, mostra-se os dados do estado 4, conforme diagrama de Mollier.

Tabela 5.4 – Dados estado 4

Estado 4

Temperatura (T 4) 30 [ºC]

Pressão ( P 4) 1317,6 [Kpa]


m3
0
volume específico ( v 4) kg
KJ
241,463
Entalpia (h 4) Kg

Estado 4 é a zona de líquido sub-resfriado, onde o fluido passa pelo


condensador, nota-se que o título é x=0, assim o fluido está totalmente no estado
líquido.

5.1.4 Estado 5 (Saída Dispositivo de expansão - Entrada


Evaporador)

Na tabela 5.5, mostra-se os dados do estado 5, conforme diagrama de Mollier.

Tabela 5.5 – Dados estado 5

Estado 5

Temperatura (T 5) 10,3 [ºC]

Pressão ( P 5) 418,7 [Kpa]

96
m3
0,008
volume específico ( v 5) kg
KJ
241,463
Entalpia (h 5) Kg

Ponto 5 é o que está na zona de líquido saturado título x=0,15, depois do


dispositivo de expansão, entrada do evaporador.

5.1.5 Diagrama de Mollier

Na figura 5.2, podemos visualizar o comportamento do fluido R134-A para o


sistema ideal, conforme dados teóricos.

Figura 5.2: Diagrama de Mollier

Fonte: Software Refrigeration Utilities V 2.84

5.1.6 Cálculo vazão mássica

97
A partir dos dados, mostraremos os cálculos obtidos em cada estado, sabe-se a
capacidade Frigorífica do evaporador, conforme adquirido no mercado é de Qev=¿
3412 Btu/h, ou 1kW. Vazão mássica é a quantidade de massa que circula no ciclo
frigorífico por um determinado tempo, a vazão em massa não varia, ou seja, ela é
constante em qualquer ponto da instalação.

Qev 1 kW kg
ṁ =
h 1−h 5
→ ṁ ¿
( 408,875−241,463)
= 0,00597
s

5.1.7 Taxa de rejeição de calor (Condensador)

É a quantidade de calor que o trocador de calor tem de rejeitar para o meio


externo. Este calor é proveniente da carga térmica absorvida no evaporador mais o
trabalho do compressor.

Qcd = ṁ* h2 – h4 → Qcd = 0,00597 * (433,306 – 241,463) = 1,1453 kW

5.1.8 Trabalho do compressor

É a quantidade de trabalho que o compressor deve realizar no ciclo frigorífico,


para que consiga ter rendimento no evaporador.

Wcp = ṁ * h2 - h1 → Wcp = 0,00597 * (433,306 – 408,875) = 0,1458 kW

5.1.9 Vazão Volumétrica evaporador.

É a quantidade refrigerante em volume que circula no ciclo frigorífico por um


determinado tempo, a vazão volumétrica será diferente em qualquer ponto da
instalação.


Q̇ = ṁ * v 1 → Q̇ = 0,00597*0,050292 = 0,0003
s
5.1.10 Coeficiente de performance (COP)

Um ciclo de refrigeração pode ser analisado em relação a eficiência energética


através do coeficiente de performance “COP” uma grandeza adimensional.
98
Qev 1
COP= → COP= =6,85
Wcp 0,1458
5.1.11 Coeficiente de performance (COP - Carnot)

O coeficiente de performance de Carnot tem a função de apresentar o quanto o


Sistema é eficiente quando comparado com o ciclo de compressão ideal, conhecido
como ciclo de Carnot.

Tev(K ) (10,3+273,15)
COP Carnot = → COP Carnot =
Tcd ( K ) −Tev(K ) ( ( 50+273,15 )−( 10,3+273,15 ))
COP Carnot =7,139
5.1.12 Rendimento do sistema

Pode-se avaliar a performance do sistema frigorífico, comparando através da


equação a seguir, o seu rendimento é expressado em %.

COP 6,85
n= ∗100→ n= =0,9595 ou 95,95 %
COP Carnot 7,139

5.2 Condensação a água

Basicamente a condensação ocorre por conta da troca de calor entre a água e o


fluido, quando ambos passam pelo trocador de placas (condensador). Assim
mostraremos o comportamento ideal da água no sistema geotérmico. Na tabela 5.6
nota-se os dados.

Tabela 5.6 – Dados Sistema Geotérmico

Sistema Geotérmico

Temperatura solo (TS) 17,7 [ºC]

Pressão Bomba ( PB) 80 [Kpa]


kg
1,00
Vazão mássica s

Temperatura de entrada solo Te 30 [ºC]

Temperatura de saída do solo Ts 25 [ºC]

99
KJ
1,0035
Calor específico KgK

5.2.5 Taxa de calor rejeitado no solo.

É a quantidade de calor que o solo retira da água . Este calor é proveniente da


carga térmica absorvida no fluido, quando ambos passam pelo trocador de placas.

Q= ṁcp ∆T → Q=1∗1,0035∗(25−30)
Q=5,0175 kW

5.3 Testes e medições

Por meio de testes e medições, podemos mostrar o comportamento do Sistema,


com ajuda de um termômetro, visualiza-se a temperatura em cada ponto.

5.3.5 Teste 1

Conforme tabela 5.7, segue os dados de entrada para o primeiro teste.

Tabela 5.7 – Dados de entrada Teste 1

Dados de entrada
T Solo 20 ºC
Pressão de evaporação 35 PSIG
Pressão de condensação 200 PSIG
Pressão da bomba (Água) 0,8 bar
Temperatura ambiente 25 ºC

Observamos os dados obtidos no teste 1 conforme tabela 5.8.

Tabela 5.8 – Dados obtidos do teste 1

Trocador (Água) Trocador (Fluido) Evaporador


TS
TE (ºC) (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) Insuflamento tº (s)
28 28,8 0 25,7 27,5 0 23,9 24,4 24,9 0
30 32 60 32,9 28,1 60 20 21,3 19,7 60
33,7 36 120 39 29,5 120 14 16 18,7 120
37,6 39 180 43,2 31,8 180 11,4 12,9 18,6 180
100
40 41,8 240 46,7 34,9 240 11 11,9 18,6 240
42,8 44,1 300 48,7 36,4 300 11 11,6 18,6 300
45 45,4 360 52,2 38,5 360 11 11,6 18,6 360
45,3 47 420 52,4 39,1 420 11 11,3 18,6 420
45,5 48,8 480 52,6 39,8 480 11 11,3 18,6 480

Podemos visualizar melhor o comportamento, conforme os gráficos, 5.1; 5.2; 5.3.

Gráfico 5.1 – Gráfico de comportamento da temperatura da água.

Trocador de calor (Água)


50 48.8
47
45.4
45 45.3 45.5
45 44.1
42.8
41.8
40
Temperatura ºC

40 39
37.6
36 TE (ºC)
35 33.7 TS (ºC)
32
30
28.8
30
28

25
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

Gráfico 5.2 – Gráfico de comportamento da temperatura do fluido.

101
Trocador de calor (Fluido)
55
52.2 52.4 52.6

50 48.7
46.7
45 43.2
Temperatura ºC

39 39.1 39.8 TE (ºC)


40 38.5
TS (ºC)
36.4
34.9
35 32.9
31.8
30
29.5
27.5 28.1
25.7
25
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

Gráfico 5.3 – Gráfico de comportamento de insuflação.

Evaporador
30

24.9
24.4
25
23.9
21.3
20
Temperatura ºC

19.7
20 18.7 18.6 18.6 18.6 18.6 18.6 18.6
TE (ºC)
16 TS (ºC)
15 14 Insuflamento
12.9
11.4 11.9 11.6 11.6 11.3 11.3
11 11 11 11 11
10

5
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

5.3.6 Teste 2

102
Conforme tabela 5.8, segue os dados de entrada para o segundo teste.

Tabela 5.8 – Dados de entrada Teste 2

Dados de entrada
T Solo(ºC) 10 ºC
Pressão de evaporação 20 PSIG
Pressão de condensação 105 PSIG
Pressão da bomba (Água) 0,8 bar

Observamos os dados obtidos no teste 2 conforme tabela 5.9.

Trocador (Água) Trocador (Fluido) Evaporador


TE (ºC) TS (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) Insuflamento tº (s)
22,6 23,2 0 26,5 26,1 0 24,2 24,9 24 0
25 25,6 60 31,3 25,9 60 18,1 20 16,2 60
27,9 28 120 35 26,7 120 12,6 15,5 15,3 120
30,6 31,2 180 38,4 28,1 180 9,6 12,3 15,2 180
32,9 33,5 240 40 29,7 240 8,8 10,6 15,1 240
34,7 34,8 300 42 31,2 300 8,8 10,2 15,1 300
36,4 37 360 42 32,2 360 8,7 10 15 360
36,9 37,1 420 42,3 33 420 8,6 10 15 420
37,6 38 480 43,2 33,5 480 8,5 10 15 480
Podemos visualizar melhor o comportamento, conforme os gráficos, 5.4; 5.5; 5.6.

Gráfico 5.4 – Gráfico de comportamento da temperatura da água.

Trocador de calor (Água)


40
38
37 37.1 37.6
36.4 36.9
34.8
35 34.7
33.5
32.9
Temperatura ºC

31.2
30
30.6 TE (ºC)
28 TS (ºC)
27.9
25.6
25 25
23.2
22.6

20
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

Gráfico 5.5 – Gráfico de comportamento da temperatura do fluido.

103
Trocador de calor (Fluido)
45
43.2
42 42 42.3
40
40 38.4

35
temperatura ºC

35
TE (ºC)
31.3 33 33.5
32.2 TS (ºC)
30 31.2
29.7
26.5 28.1
26.1
25 26.7
25.9

20
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº(s)

Gráfico 5.6 – Gráfico de comportamento de insuflação

Evaporador
30
24.9
24
25
24.2
20
20
temperatura ºC

18.1
16.2 15.5
15.3 15.2 TE (ºC)
15.1 15.1 15 15 15
15 TS (ºC)
12.3
10.6 10.2 10 10 10 Insuflamento
12.6
10
9.6 8.8 8.8 8.7 8.6 8.5
5

0
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

5.3.7 Teste 3

Conforme tabela 5.9, segue os dados de entrada para o terceiro teste.

104
Tabela 5.9 – Dados de entrada Teste 3

Dados de entrada
T Solo(ºC) 10 ºC
Pressão de evaporação 25 PSIG
Pressão de condensação 150 PSIG
Pressão da bomba (Água) 0,6 bar
Evaporador Enclausurado sim
Carga Térmica 1 Lâmpada 60W

Observamos os dados obtidos no teste 3 conforme tabela 5.10.

Trocador (Água) Trocador (Fluido) Evaporador


TE (ºC) TS (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) tº (s) TE (ºC) TS (ºC) Insuflamento tº (s)
24,6 25,8 0 26,6 26,4 0 24,9 25,5 27,1 0
25,8 26,5 60 31,6 26,5 60 20 20,9 20,2 60
28,6 29,1 120 36,1 27,3 120 14 15,8 17,5 120
30,8 31,3 180 38,7 28,3 180 10,8 12,3 16,9 180
32,5 32,6 240 40,2 29,4 240 10 11 16,8 240
33,1 33,9 300 40,3 30,1 300 9,7 10,4 16,7 300
34,2 34,5 360 41,7 31,1 360 9,7 10 16,7 360
34,3 35,1 420 41,3 31,5 420 9,7 9,7 16,7 420
34,8 35,2 480 41,5 31,7 480 9,7 9,7 16,7 480
Podemos visualizar melhor o comportamento, conforme os gráficos, 5.7; 5.8; 5.9.

Gráfico 5.7 – Gráfico de comportamento da temperatura da água.

Trocador de calor (Água)


36 35.1 35.2
34.5
33.9 34.8
34 34.3
34.2
32.6
33.1
32 31.3 32.5
temperatura ºC

30 30.8
29.1 TE (ºC)
TS (ºC)
28 28.6
26.5
25.8
26
25.8
24
24.6

22
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

Gráfico 5.8 – Gráfico de comportamento da temperatura do fluido


105
Trocador de calor (Fluido)
45
41.7 41.3 41.5
40.2 40.3
40 38.7

36.1
temperatura ºc

35
31.6 TE (ºC)
TS (ºC)
31.1 31.5 31.7
30
30.1
29.4
26.6 28.3
27.3
26.4
25 26.5

20
0 60 120 180 240 300 360 420 480

tº (s)

Gráfico 5.9 – Gráfico de comportamento de insuflação.

Evaporador
30
27.1
25.5
25
24.9
20.9
20.2
temperatura ºC

20
20 17.5 TE (ºC)
16.9 16.8 16.7 16.7 16.7 16.7
15.8 TS (ºC)
15 Insuflamento
14 12.3
11 10.4 10 9.7 9.7
10 10.8
10 9.7 9.7 9.7 9.7

5
0 60 120 180 240 300 360 420 480
tº (s)

5.4 Resultados do teste 1 – Solo a 20ºC

106
Devido a temperatura do solo estar muito alta, a condensação não estava
ocorrendo de maneira adequada, o dispositivo de expansão estava ficando
sobrecarregado, pois fluido não estava totalmente em estado líquido. Foi necessário
diminuir a temperatura do solo aumentando a retirada de calor da água, para o teste
seguinte.

5.5 Resultados do teste 2 – Solo a 10ºC

Houve melhoria na condensação devido a diminuição da temperatura do solo,


mas ainda não estava da maneira adequada, foi necessário diminuir a vazão da
bomba para conseguir mais retirada de calor da água.

5.6 Resultados do teste 3 – Solo a 10ºC – Carga térmica 60W

Enclausuramos o evaporador e colocamos uma lâmpada incandescente para


simular uma carga térmica de 60W, com a diminuição da temperatura do solo e da
vazão da bomba, os resultados desse teste melhoraram e a temperatura de entrada
do condensador está -10ºC em relação ao primeiro teste, melhorando a
condensação.

Capítulo 6: Conclusão e propostas de trabalhos futuros

Analisando o comportamento do sistema após testes e medições, vimos que o


fluido se comportou basicamente conforme teoria, porém o sistema geotérmico
demonstrou algum problema na área de troca da tubulação com o solo, assim foram
necessários alguns ajustes para obter melhores resultados, conforme citado no
capítulo 5.

De maneira a propor trabalhos futuros, podem-se sugerir algumas alternativas:

 Melhorar a área de troca do sistema geotérmico, para que o mesmo possa


retirar mais calor rejeitado pelo sistema.
 Trocar a bomba do sistema geotérmico, buscando no mercado uma vazão
menor, melhorando assim a dissipação de calor rejeitado no solo.
 Projetar um sistema de dutos para guiar o ar de insuflação do evaporador
até um ambiente desejado.

107
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WYLEN, V. Fundamentos de Termodinâmica, 7º Edição, SP, Ed. Edgar
Blucher, 2009.
WYLEN, V. Fundamentos de Termodinâmica, 8º Edição SP, Ed. Edgar
Blucher, 2013.

109
Anexo A.1 – Tabela de coeficientes de transferência de calor de
materiais de construção.

110
Fonte: (Sistemas Mecânicos III Fatec,2000)

Anexo A.2 – Tabela de infiltração de ar

111
FONTE: (ASHRAE Handbook of Fundamentals, 1972)

Anexo A.3 – Carta psicométrica

FONTE: (http://procesosbio.wikispaces.com/Carta+Psicométrica)

Anexo A.4 – Valores de ocupação dos recintos

112
FONTE: (ASHRAE Handbook of Fundamentals, 1972)

Anexo A.5 – Ganho de calor por pessoas [kcal/h]

FONTE: (ASHRAE Handbook of Fundamentals, 1972)

Anexo A.6 – Ganho de calor devido a iluminação.

113
FONTE: (ASHRAE Handbook of Fundamentals, 1972)

114

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