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Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell

Conquistando o
Coração de uma Lady

Christi Caldwell

(Série Danby 01)

Para meu marido, Doug, o marido, pai e amigo mais incrível. Obrigada por desistir do golfe e do seu
computador para que eu pudesse realizar meu sonho. Eu não poderia ter escrito um herói mais perfeito do
que você.
Christi

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Sinopse

Para Lady Alexandra, ser fonte de uma aposta fria e calculada já é ruim o
suficiente… mas quando é realizada por Nathaniel Michael Winters, quinto conde
de Pembroke, o homem por quem ela está apaixonada, resulta em um coração
partido, o escândalo da temporada e uma intimação de seu avô, o Duque de
Danby.

Para escapar das fofocas da sociedade, ela se apressa para se encontrar com
o duque, determinada a deixar as memórias do conde para trás. Exceto que o
duque tem outros planos para Alexandra… planos que incluem o quinto conde de
Pembroke!

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Capítulo 1

Havia algo estranhamente suspeito sobre Nathaniel Michael Winters, quinto conde de
Pembroke.

Não era o tipo de desconfiança estranha que despertava o medo, por si só.

Mas mais o tipo de… algo estava… bem, errado.

Lady Alexandra Foster inclinou a cabeça e estudou Nathan de seu lugar no sofá de
brocado de seda verde Pomona na sala de seu pai. Nathan ficou olhando pela janela, seu corpo
alto e musculoso rigidamente ereto, as mãos cruzadas atrás das costas.

Seus olhos se voltaram para o relógio Ormolu que fazia muito barulho na lareira.

Tique. Taque. Tique. Taque.

Ela contou nada menos que vinte batidas do ritmo estridente que enchia a sala de
estar silenciosa e ameaçadora. Contar sempre foi uma técnica calmante para Alexandra, já que
ela dominava os números na sala de aula. Nathan a provocou sobre isso desde o momento em
que ela confessou a estranheza para ele.

— Nathan, eu…

Ele girou sobre os calcanhares como se repentinamente alertado de sua presença,


como se não tivesse percebido que vinte batidas do ritmo do relógio se passaram desde que
ela se sentou.

O coração de Alexandra acelerou como sempre acontecia quando ele dirigia aquele
lindo olhar de safira para ela. Ela ainda não conseguia imaginar que ele, em toda a sua
impressionante demonstração de beleza masculina, deveria ter se dignado a notá-la. Ela
nunca se cansaria de apreciá-lo. A forma esguia e flexível de um metro e oitenta. Os cachos
pecaminosamente escuros que complementavam seu tom oliva. As linhas perfeitas e fortes de

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seu rosto, marcadas por uma ligeira curvatura em seu nariz por causa de uma fratura que
nunca cicatrizou adequadamente. Alexandra descobriu que isso só aumentava seu charme.

Seu coração bateu forte contra a parede de seu peito tão alto que ele certamente podia
ouvir a batida reveladora. Desta vez, a intensidade com que ele a estudou causou algo
diferente de felicidade para acelerar seu coração.

— Contei vinte batidas no relógio — disse ela nervosa.

Ela esperou por aquele sorriso lento e sedutor que ele sempre reservava apenas para
ela.

Exceto que desta vez, nenhum sorriso provocante apareceu nos cantos de seus lábios.
Desta vez, não houve uma réplica espirituosa. Nem um movimento brincalhão de um de seus
cachos errantes.

— Está me assustando. — Ela se encolheu no limite do medo envolvendo suas


palavras.

Nathan abriu a boca e fez uma pausa. O que quer que ele estivesse prestes a dizer não
foi dito.

Seus braços caíram para os lados e ele andou de um lado para o outro.

— Isso não é nada reconfortante. — ela murmurou em uma tentativa de leviandade.

Ele parou no meio do caminho e de repente foi até Alexandra. Ele se ajoelhou ao lado
dela e segurou sua mão. Ela estudou as duas mãos entrelaçadas como velhos amantes. A dela
pálida e delicada, a dele em tom oliva e poderosa.

Ela deixou de lado o medo enjoativo que ameaçava dominá-la. — Por que essa
escuridão hoje?

— Devo oferecer minhas desculpas. — ele se levantou e sentou-se ao lado dela. — Não
é minha intenção alarmar você — disse ele. — Há um assunto de negócios que hoje me
distrai.

Apesar de estarem próximos, parecia que o abismo entre eles permanecia maior do
que a Ponte de Westminster.

Mesmo assim, Alexandra se acalmou com essas palavras. Ela e o resto da alta
sociedade estavam cientes da confusão que o anterior Lorde Pembroke havia deixado para

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seu filho. O quarto conde de Pembroke tinha sido uma espécie de devasso, um réprobo
conhecido que desperdiçou grande parte de sua riqueza nas mesas de jogo. Alexandra
poderia dizer definitivamente, Nathan não era nada parecido com seu antecessor.

— Talvez ajude falar sobre isso? — Alexandra sugeriu.

Uma risada vazia, desprovida de qualquer alegria, escapou dele. O som arrepiou seus
braços.

— Ninguém e nada pode me ajudar.

Ela pegou a mão dele e puxou-a para perto, apertando-a para se tranquilizar. —
Independentemente dos problemas que enfrente, estarei sempre ao seu lado. Você deve ter
certeza disso.

Sua garganta balançou para cima e para baixo, e então ele ergueu os olhos para
encontrar os dela.

A agonia refletida naquelas piscinas azuis quase a derrubou.

— Se eu pudesse apagar sua dor. — ela murmurou.

Alexandra estendeu a mão e fez menção de acariciar sua bochecha, mas ele se
encolheu e ela a deixou cair inutilmente.

Nathan recuperou a mão dela e levou-a à boca. Ele colocou os lábios docemente,
acariciando o topo da mão dela, e então a virou. Seu hálito quente soprou na parte interna de
seu pulso, e ela estremeceu. — Sabe o momento em que me apaixonei por você? — perguntou
ele em um sussurro rouco.

Sua respiração ficou presa quando os lábios dele amaram dolorosamente seu pulso.
Seus olhos se fecharam. Ela era incapaz de falar. — Mmm?

Ele parou de ministrar e ergueu a cabeça. — No momento em que vi você socorrer uma
criança sendo espancada pela babá no Hyde Park. Eu me apaixonei por você então.

Lágrimas surgiram atrás de suas pálpebras e sua visão turvou. — Eu te amo.

Ele estremeceu. — Seu pai está certo. Não sou digno do seu amor.

Ela bateu em sua bochecha com um dedo. — Não diga isso. Ele está errado. Essas
palavras não poderiam ser mais falsas.

— Por que você me ama? — ele persistiu. — Por que, apesar do que meu pai era,

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apesar do estado de meus bens, por que você me escolheria como homem para dar o seu
amor?

Havia desespero nas palavras de Nathan, palavras que tremiam com a força de sua
emoção.

Os lábios de Alexandra se ergueram. — Homem tolo. Por que eu iria julgá-lo pelos
defeitos de seu pai? Você não é como ele. Você não é. — ela insistiu quando ele fez um som de
desacordo.

— Gosto das mesas de jogo.

Alexandra revirou os olhos. — Sério, Nathan. Diga o nome de um cavalheiro que não o
faça.

Ele se acomodou em sua cadeira, mas não discutiu o ponto.

— Venha, falemos de algo muito mais agradável. — Ela pegou o livro de poesia
esquecido que descansava ao seu lado, um presente muito especial que Lorde Byron havia
dado a Nathan. Nathan, por sua vez, deu a coleção pessoal de poemas para Alexandra. Ela
entregou a ele agora.

Ele abriu uma página aleatoriamente e estudou o título. Seus lábios se contraíram na
primeira diversão real que ela viu dele naquela manhã.

Alexandra olhou para o poema em que ele abriu e leu em voz alta. — Donzela de
Atenas, antes de nos despedirmos. — murmurou ela.

Ele leu várias páginas e abriu em…

Nathan congelou.

Alexandra praguejou baixinho, palavras impróprias para uma dama. — Epitáfio para
um cão? — Ela libertou o braço do dele e puxou o livro de suas mãos. — Oh, me dê isso. Você
realmente deve falar com seu amigo sobre sua tendência para escrever poemas tão sombrios.
— Ela examinou deliberadamente o volume até se decidir pelas linhas endereçadas a uma
jovem.

Ela colocou o livro de volta nas mãos dele. — Aqui. Agora leia.

Nathan riu, não o som assustadoramente indiferente que ela tinha ouvido antes, mas
aquele que sempre a enchia de felicidade. Ele puxou um dos cachos dourados, pálidos,

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artisticamente pendurados ao lado de sua bochecha. — Como posso negar um pedido tão
lindo?

Ele começou a ler em seu tom melífluo e sedoso que tinha o poder de aquecê-la como
um sol de verão.
“A frase que eu dificilmente deveria deplorar;
Isso só restauraria um coração,
Que até pertencia a ti antes.
A menor expiação que posso fazer
É deixar de ser livre…”
As palavras finais se transformaram em um leve silêncio, de modo que Alexandra se
esforçou para ouvir.

Ele traçou círculos distraídos com o dedo sobre o poema. — Não posso fazer isso —
disse ele no silêncio da sala.

O olhar de Alexandra estudou os movimentos de seus dedos. Seis, sete, oito, nove, dez.

— Dez círculos — acrescentou ela, estupidamente.

Ele fechou o livro com um estalo e se levantou de um salto, como se o sofá tivesse
espigões de metal.

— Nath…

Nathan a colocou de pé e, antes que ela soubesse o que ele pretendia, seus lábios
encontraram os dela. Seu corpo se derreteu sob a atração sedutora de seu beijo. Seus braços a
envolveram, puxando-a para perto de si para que seus seios fossem esmagados contra a
parede dura de seu peito.

Ele a tinha beijado antes. Mas nunca assim. Nunca essa sensação desenfreada de que o
mundo poderia acabar e eles ficariam bem, desde que estivessem seguramente envolvidos
nos braços um do outro.

Em seus braços, ela se sentia… linda. Ela se esqueceu de que era baixa e um pouco
gorda demais para os ditames da sociedade. Esqueceu que ela tinha um punhado de sardas ao
longo da ponte de um nariz ligeiramente saliente.

Ela gemeu, o que lhe permitiu deslizar a língua dentro de sua boca. Ela endureceu com
o inesperado da sensação, até que uma onda de calor caiu sobre ela, envolvendo-a em uma

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conflagração. Alexandra timidamente tocou sua língua na dele. Quando ele gemeu em
aprovação, ela respondeu com sinceridade.

Ela enroscou as mãos em volta do pescoço dele e inclinou a cabeça para melhor
aproveitar o ataque total de seu beijo especialista. Ela queria mais. Precisava de mais. Mas não
sabia o que mais era.

Então, simplesmente assim, ele a afastou dele. O som de uma respiração rápida e
áspera encheu a sala. O peito de Nathan subia e descia; seu coração disparou. Ela não sabia
dizer de quem era o hálito.

Ele a devorou com um olhar longo e demorado, como se estivesse tentando enraizar a
imagem dela em sua memória. — Adeus, Alexandra — disse ele suavemente.

E então ele se foi.

Alexandra ficou enraizada no local que ele a havia deixado, gelada pela apreensão e
incerteza. Um grito agourento cortou o ar, seguido pelo rápido clique rítmico dos passos da
bota, cimentando o medo em seu estômago.

Seu pai, o corpulento marquês de Tewkesbury, enchia a porta, o rosto corado de raiva
mal contida, a mãe soluçando ao seu lado. Ele brandiu um papel em sua mão.

— O que…

— Onde está aquele canalha? — berrou o pai e deu uma volta rápida pela sala, os olhos
percorrendo todo o ambiente.

— Mãe? — Alexandra olhou para ela suplicante.

Sua mãe era incapaz de falar e, em vez disso, balançou a cabeça e chorou como um
lenço.

Seu pai caminhou até Alexandra e entregou o papel para ela. — Aqui, — ele latiu.

Com as mãos trêmulas, ela desdobrou o exemplar do Times.

Seu pai apontou o dedo no meio da primeira página. – Leia aqui. Esse é o cavalheiro
por quem você se apaixonou.

O medo apunhalou-a, tornando difícil respirar. Apesar de seu pai sacudir o papel para
ela e insistir que ela lesse a maldita história impressa, e apesar dos soluços barulhentos de
sua mãe, Alexandra não conseguia mover os dedos para aceitar o papel.

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— Pegue!

Ela pegou e…
“Lorde W relatou que o conde de P fez uma aposta nos
livros do White's com o cronograma de quando ele se casaria
com Lady A, a neta do duque de D. A informação registrada por
Lorde P foi… nunca.”
Um apito assobiou entre os dentes de Alexandra, enquanto o papel esvoaçava
inutilmente de seus dedos, derramando-se em uma pilha miserável no chão.

— O que devemos fazer? — gritou sua mãe. — Como vamos mostrar nossos rostos na
sociedade? Aquele canalha marcou você como não casável, arruinou seu nome, Alexandra.

Alexandra observou a boca de sua mãe se mexer, ouviu o discurso incoerente de seu
pai, mas não conseguiu processar nenhuma das palavras totalmente confusas. A picada da
traição roubou-lhe o pensamento claro.

— Devo enviar nossas desculpas pelo baile anual de Lorde e Lady Williams. Ah, e você
sabe como eu amo tanto o sarau de Lady Williams.

O pronunciamento de sua mãe foi registrado apenas vagamente através da densa


névoa de confusão que Alexandra passou. — Não.

Seu pai cruzou os braços sobre o peito, olhando-a com uma condescendência
zombeteira. — Não? Depois que ele zombou do seu nome, você ainda mostraria sua cara na
frente da sociedade.

Alexandra jogou os ombros para trás e endireitou o queixo. — Sim.

Isso era exatamente o que ela faria.

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Capítulo 2

Por causa da amizade de sua mãe com Lady Williams e de seu desejo de participar de
um dos eventos sociais mais reverenciados do inverno, Alexandra a convenceu de que
deveriam continuar com seus planos de comparecer ao baile de Lady Williams. Alexandra não
conseguiu reprimir um sentimento de culpa. Suas intenções para a noite não eram honrosas.
Ela, entretanto, não se sentia culpada o suficiente para alterar sua intenção.

Ignorando o fluxo de suspiros chocados e olhares boquiabertos que deixou em seu


rastro, Alexandra quase correu pelo salão de Lorde e Lady Williams. Dez horas. Fazia dez
intermináveis horas desde que ela soube que nunca significou nada para Nathan. Seiscentos
minutos desde que ela descobriu que ele estava apenas brincando com ela. Três mil e
seiscentos segundos desde que ela descobriu que seu pai estava certo o tempo todo.

Concentrando-se naqueles números perturbadores, ela contornou os parceiros de


dança girando perto da borda da pista de dança, o tempo todo se movendo com passos
deliberados em direção à sala de jogo.

Sem parar para considerar os próximos passos escandalosos que ela daria, ela correu
para a sala de jogos e fez uma rápida inspeção dos cavalheiros sentados ao redor das mesas
de jogo. E o olhar dela colidiu com o dele… o único cavalheiro que não estava boquiaberto ou
ofegante. A visão dele, tão indiferentemente controlado, a fez estremecer com uma
combinação de fúria e agonia.

Maldito seja.

Sentado atrás de uma mesa de faro, Nathan a olhou com um momento de dor. Foi
embora tão rápido que ela pensou ter imaginado ver qualquer coisa em sua expressão
ilegível, o que apenas a enfureceu ainda mais. Como ele pode ser tão casual? Como, quando
todo o seu mundo era destruído, ele conseguia parecer tão indiferente?

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Essa indiferença fez seu peito apertar dolorosamente. Seus movimentos foram muito
rápidos. A mesa dele estava mais perto do que ela esperava, e ela tropeçou desajeitadamente
contra ela, jogando fichas e cartas pelos ares. Os cavalheiros sentados ali soltaram
exclamações de desagrado que Alexandra ignorou.

A mão de Alexandra fechou e abriu ao seu lado.

Nathan esperou calmamente, quase com expectativa.

E foi essa casualidade que impulsionou sua mão para a frente.

Houve mais suspiros quando Alexandra jogou um punhado de notas em seu rosto. Eles
flutuaram inutilmente como flocos de neve de inverno de volta à mesa.

Sua teatralidade não trouxe consolo. Em vez disso, ela se sentiu pior… e então, é claro,
foi a compreensão do escândalo que suas ações naquela noite tinham causado.

Sua respiração engatou dolorosamente. Diga algo para mim. Implore meu perdão.
Poupe-me dessa humilhação.

Ele ficou sentado lá tão frio como sempre.

— Seu bastardo. — sussurrou ela.

— Venha, minha querida. — disse a mãe em voz baixa.

Ela cambaleou um passo para trás, quando a mão de sua mãe a agarrou pela cintura e a
guiou para trás. Alexandra balançou a cabeça e, de repente, a realidade penetrou na névoa de
dor.

Ela se recusou a libertar Nathan de seu olhar acusador até que seus passos a tivessem
levado para longe de sua vista, e a escolha não fosse mais dela.

Sua teatralidade havia interrompido o entretenimento da noite. O estranho zumbido


do silêncio a envolveu.

— Apenas mantenha-se andando.

Foram essas as palavras dela? Ela tinha falado? Não, essa tinha sido sua mãe.

— Mãe, céus, me perdoe — Alexandra disse dolorosamente. A humilhação e o


desespero a puxaram para mais perto do precipício e ameaçaram derrubá-la.

Sua mãe balançou a cabeça quase imperceptivelmente. — Aqui não.

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Não houve censura nessa ordem, o que só fez Alexandra se sentir… censurada.

Alexandra cometeu o erro de olhar ao redor da sala e a bile subiu à sua garganta. Ela ia
ficar doente. Os olhos arregalados, olhares ansiosos dirigidos a ela, juntamente com os leques
levantados para esconder a fofoca, martelando as implicações de suas ações naquela noite.

Para se concentrar em algo, qualquer coisa que não fosse os olhos alegres da alta
sociedade, Alexandra contou passos. Um dois três…

Ao todo, foram os duzentos e cinquenta passos mais longos que ela já havia dado.

O piso de mármore italiano de Lorde e Lady Williams estendia-se diante dela e parecia
interminável. Ela estimou que dariam mais cinquenta passos antes de chegarem à porta que
os levaria escada abaixo até a carruagem e então… Oh céus, nunca vou me livrar deste inferno.

O silêncio encheu o foyer e se instalou assustadoramente ao redor dela. A orquestra


dedilhou os acordes iniciais de uma valsa, o som ecoando no recesso de sua mente, cegando-a
de dor de cabeça.

Alexandra cruzou os braços sobre o peito e esfregou, embora a fricção fornecesse


pouco calor. Mesmo quando uma criada correu para a frente e deixou cair sua capa de tafetá
verde sobre os ombros, o frio se recusou a ir embora. É porque é o seu coração, sua idiota. Seu
coração está congelado e está congelando você de dentro para fora.

Por fim, foram conduzidas para fora, descendo os degraus e ajudadas a subir na
carruagem. Ela estava errada. Houve mais sessenta e cinco degraus até o santuário da
carruagem.

Ela se escondeu no canto mais distante da carruagem e puxou as cortinas para olhar
para a rua. Exceto que o painel estava fosco. Passando a mão em círculos lentos até que o
calor de sua pele esquentasse o vidro, ela traçou um padrão distraído ao longo da janela fosca.

— Alexandra. — sua mãe começou lentamente.

O dedo de Alexandra fez uma pausa. Uma discussão com sua mãe após o escândalo que
ela causou era inevitável. Ainda assim, ela esperava desesperadamente que talvez tivesse
sonhado com os eventos da noite e nenhuma discussão surgisse.

— Mãe. — As palavras saíram como um sussurro rouco.

— Oh, minha querida, o que deu em você? — O tom de sua mãe não soou como uma
repreensão, entretanto. Ela parecia maternal, e isso esmagou Alexandra. Se sua mãe fosse a

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mesma mulher preocupada com a opinião da alta sociedade, teria sido mais fácil de suportar
do que essa pessoa calorosa e compassiva diante dela agora.

Foi demais. Uma lágrima silenciosa desceu pela bochecha de Alexandra, depois duas,
depois três, e então ela ficou cega por uma torrente de lágrimas. Elas eram do tipo ruidoso e
desesperado.

Sua mãe abriu os braços e Alexandra se lançou através da carruagem da mesma forma
que fazia quando era uma garotinha de cinco anos e seu pai havia dado seu cachorro porque
ele era, como ele disse, “alérgico às coisas”. Oh, por que não poderia ser tão simples quanto
chorar por um cachorrinho? Não isso, não um coração partido.

A viagem de carruagem para casa foi notavelmente curta. Alexandra ficou grata
quando elas pararam abruptamente. O cocheiro baixou os degraus e sua mãe a conduziu até
as portas duplas, que imediatamente se abriram e ela foi levada para dentro.

Sua mãe tirou as luvas. — Vou me juntar a você lá em cima em breve, Alexandra.

Foi uma rejeição vaga que disse a Alexandra quase nada sobre o que sua mãe estava
pensando ou sentindo. Aceitando isso como uma espécie de indulto, ela subiu correndo as
escadas, seguiu pelo corredor e entrou em seus aposentos.

Encostada na porta fechada, ela fechou os olhos, dando boas-vindas à solidão.

— Oh céus, essa é uma expressão terrível.

Os olhos de Alexandra se abriram para encontrar sua irmã mais nova esparramada em
sua cama. Oh, Olivia. Querida, linda e vibrante Olivia. Com sua confiança alegre, ela não
poderia ser um contraste maior com a própria personalidade rechonchuda e sombria de
Alexandra.

Os olhos azuis centáurea de Olivia se arregalaram de preocupação. — Você está


positivamente pálida, Alex. — Balançando as pernas à beira da cama, ela correu pelo quarto.
— Por que você está em casa tão…?

Alexandra não pôde evitar o início repentino de uma nova onda de lágrimas.

— Ele estava lá, não estava? — Olivia sibilou, conduzindo Alexandra até a beira da
cama. — Aquele canalha. Depois da maneira deplorável como ele a tratou, ele a abordou no
sarau de Lady Williams? Eu disse a mamãe que era uma loucura, apenas loucura você ir
naquele maldito baile. Não posso tolerar que o papai tenha permitido.

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Alexandra engasgou. — Olivia, sua linguagem.

— Para o diabo com a minha linguagem. O que ele disse para te chatear tanto?

Alexandra passou a mão com raiva nos olhos. Ela odiava lágrimas. Desde a traição de
Nathan, elas pareciam ser tudo de que ela era capaz de fazer.

Olivia afundou ao lado de Alexandra. O colchão afundou ligeiramente com o peso


adicional.

— Oh, irmã, o que ele fez com você? — Ela pegou as mãos frias de Alexandra entre as
dela e tentou esfregar calor nelas.

— O-oh, Olivia, foi horrível. Eu o confrontei.

Olivia engasgou.

— S-s-sim… Eu o confrontei diante de um mar de pessoas. Joguei uma pilha de notas


em seu rosto.

A mão de Olivia voou para a boca para esconder um som que era parte gemido, parte
risada. — Você não!

— Eu fiz.

Olivia fez uma pausa antes de falar. — Isso te fez sentir melhor?

Ela balançou a cabeça.

— Então eu sinto muito por isso.

Olivia pôs-se de pé com dificuldade e Alexandra percebeu o que significava sua


formalidade rígida.

Sua mãe, ainda usando seu magnífico vestido de safira com brilhantes diamantes,
estava parada na porta. — Gostaria de falar com sua irmã, Olivia. — Foi um comando.

Claro, Olivia nunca foi facilmente intimidada por ninguém, certamente não pela mãe ou
pelo pai. Ela não saiu do lado de Alexandra. — Eu avisei que ir ao baile de Lady Williams era
uma ideia horrível. — Com apenas dezesseis anos, ela proferiu aquela repreensão atrevida
com uma riqueza de conhecimento embutida em seu tom.

Os lábios de sua mãe se contraíram. — Isso é tudo, Olivia.

Olivia olhou para sua irmã, que deu um breve aceno de cabeça. Dando um aperto

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tranquilizador na mão de Alexandra, ela lentamente se levantou e navegou até a porta. Ela
parou na frente de sua mãe. — Vou cuidar do papai — murmurou ela e fechou a porta atrás de
si.

Sua mãe se moveu mais para dentro da sala e reivindicou o local que Olivia havia
desocupado.

— Oh, minha querida, o que você estava pensando?

Por fim, ai estava. Uma dolorosa decepção chutou Alexandra no estômago. Ela gritou,
entretanto. — Eu o amava — disse ela em um sussurro dolorido.

Sua mãe estendeu a mão e acariciou os cachos de sua filha. — Eu sabia depois daquela
aposta horrível que devíamos ter enviado nossas desculpas esta noite. Isto é minha culpa.

Alexandra abanou a cabeça. — Por favor, não, mãe. Eu causei este escândalo, e quando
o duque descobrir… — suas palavras foram sumindo e seus olhos se fecharam.

Sua mãe fez um som desdenhoso. — Não pense mais em Danby. — Alexandra percebeu
a preocupação nessas palavras.

Alexandra conseguiu seu primeiro sorriso verdadeiro da noite. Desde menina, a mãe
sempre se referia ao pai como Danby… não pai, não papai… apenas Danby. Provavelmente por
isso Alexandra sempre teve tanto medo do duque. Ela nunca o tinha visto como um avô ou um
pai, mas como um duque. E agora ele iria descobrir que sua neta havia incomodado Londres
com um escândalo, e pior… que ela havia se apaixonado perdidamente por um homem que
não merecia seu amor.

— Como ele pôde fazer isso, mãe? — Ela baixou a cabeça entre as mãos e lembrou-se
de respirar fundo antes que a náusea a consumisse.

— Ele é um canalha, minha querida. Seu pai avisou sobre a família de Pembroke.

Claro que o pai dela tinha que estar certo. Quando Alexandra voltou de um baile com
estrelas nos olhos, cativada por Nathan, seu pai tentou esmagar toda aquela alegria. Ele
insistiu que o falecido conde de Pembroke tinha sido um canalha e seu filho era o mesmo.

Alexandra defendeu veementemente o homem que começou a cortejá-la, que


permaneceu durante o inverno mesmo quando todos os outros senhores e damas da moda se
retiraram para seus casas de campo, para ficar com ela.

— Achei que ele me amava, mamãe.

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A mãe suspirou. — Você vai encontrar um homem que mereça você, Alexandra.

Não depois disso. Alexandra nunca encontraria um cavalheiro, nem por isso queria.

— O papai sabe?

— Mencionei que houve um incidente e disse a ele que falaria sobre isso quando
voltasse a descer.

— Ele vai ficar lívido. — sussurrou Alexandra, fechando os olhos. Ela nem queria
pensar em enfrentar a ira de seu pai pela manhã.

Um sorriso sardônico apareceu nos cantos dos lábios de sua mãe. — Espero que seja
fácil falar com ele assim que sua irmã falar com ele.

Alexandra esboçou um sorriso. — Quando você se encontrar com meu pai, tenho
certeza de que Olivia já o terá convencido de que ele é de alguma forma o culpado.

Não era o pai que a preocupava, no entanto. Era seu avô, o grande duque de Danby.
Pelo menos ela teria tempo até que ela tivesse que lidar com o descontentamento do duque
de Danby. Por enquanto, tudo o que ela queria era se enfiar debaixo dos lençóis e esquecer
que já havia sido tão tola a ponto de entregar seu coração a Nathan.

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Capítulo 3

Muito depois de Alexandra fugir, Nathan permaneceu por uma quantidade infernal de
tempo em seu mesmo assento na sala de jogos de Lorde e Lady Williams, deliberadamente
ignorando o bando de olhares curiosos e sussurros abafados.

Tomando cuidado para manter sua expressão facial indecifrável, ele finalmente
descartou sua mão de cartas e empurrou sua cadeira para trás. — Eu sei quando cortar
minhas perdas. Desejo boa noite, senhores.

Ele não esperou para ouvir as respostas murmuradas enquanto recolhia seus ganhos,
sua mão pairando sobre as notas que Alexandra jogou em seu rosto duas horas atrás. Seu
intestino apertou dolorosamente, quase dobrando-o com a intensidade, mas ele coletou
aquelas notas, mantendo-as separadas do resto. Alexandra havia deixado seu coração na casa
esquecida por Deus de Lorde Williams. Ele seria condenado se deixasse qualquer outra parte
dela aqui.

Com uma carranca e passos firmes para dissuadir as pessoas, ele se moveu pelo salão
de baile, subiu a ampla escadaria e foi para o saguão. Seu casaco de noite preto forrado se
materializou quase instantaneamente. Quase arrancando-o das mãos do servo, ele o puxou e
saiu pelas portas da frente.

Uma rajada de vento gelado bateu em seu rosto, mas ele deu boas-vindas à picada da
dor do inverno. Qualquer dor era preferível ao tormento infernal que ele infligiu esta noite… a
ela e a si mesmo. Ele acenou para sua carruagem, em vez disso, optando por caminhar a
distância até sua casa no frio da meia-noite. Foi uma tentativa de penitência pelos pecados
que cometeu, uma espécie de absolvição que não viria.

Não que ele merecesse absolvição.

— Você é um bastardo. — murmurou para si mesmo.

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O único consolo de estar preso em Londres no auge do inverno era que as ruas
estavam abençoadamente vazias à noite. Então, a máscara que ele adotou para todo o baile de
Lorde e Lady Williams poderia finalmente escorregar sem os olhos da alta sociedade para
testemunhar.

Então, as implicações de suas ações finalmente foram registradas, e ele cambaleou até
parar no meio da calçada. Ele olhou para o céu escuro da noite e, balançando a cabeça, passou
uma mão cansada pelos olhos.

Ela se foi.

O único vislumbre de pureza e felicidade que ele conhecera em seus miseráveis trinta
anos de existência haviam se apagado tão facilmente quanto a frágil chama de uma vela. O que
era pior, foi ele quem extinguiu aquela doce alegria… dela e dele.

Uma careta de dor torceu seus lábios e ele parou ao lado do poste de luz, deitando a
cabeça ao longo do comprimento negro de gelo. Ele bateu suavemente com a testa várias
vezes, mas de pouca utilidade; a agonia não diminuiu.

O que ele fez?

Não significava nada que a decisão de riscar sua maldita aposta no livro no White's
tivesse sido por amor a ela. Agora ele desejava ter sido o bastardo egoísta que todos sempre
pensaram que ele fosse, porque então ele ainda a teria.

Até o dia em que ele desse seu último suspiro, a expressão assombrada em seus olhos
azuis centáurea estaria com ele, reprovadora mas suplicante. Sempre houve uma hesitação
momentânea de esperança, uma incerteza na realidade que ele permitiu que ela acreditasse.

Aquele momento, nem mesmo dois tique-taques em um relógio, o encheram de


esperança de que ela soubesse que seu amor por ela era tão grande que a aposta não passara
de uma mentira calculada. Ele manteve aquele lampejo de esperança de dois segundos.

No entanto, ele foi convincente demais em seu engano, pois a doçura e a inocência
confiante que atraiu Nathan a ela morreram em público a seus pés.

Cada dia que ele teve a sorte de tê-la em sua vida foi maior do que no outro. Por quatro
meses, ele ousou acreditar que ele, o filho de um bastardo imundo, jogador e lascivo, poderia
ser feliz. Por quatro meses, ele viveu com o riso. Nathan esperou com a respiração suspensa
que um ladrão roubasse a alegria que Alexandra trouxe para sua vida.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Uma risada sem alegria escapou dele como uma lufada de ar branco. Descobriu-se que
o pai dela, o marquês de Tewekesbury, era o ladrão que escapou com sua felicidade.

Seus punhos cerrados firmemente ao seu lado. Até mesmo pensar no homem gordo e
condescendente o fazia cerrar os dentes em fúria agitada. Exceto que ele não podia
simplesmente colocar a culpa no pai dela. Nathan concordou com a duplicidade do marquês.

E o pior era saber. Apesar de toda a dor que sua aposta lhe custou, Nathan
provavelmente faria de novo, porque a felicidade dela significava mais para ele do que a dele.

Então, talvez ele não fosse um bastardo egoísta, afinal. Não, ele era apenas um
miserável.

— Aham.

Perdido na agonia de seu próprio pesar, o corpo de Nathan enrijeceu com a


interrupção inesperada na calada da noite.

Ele ergueu a cabeça do poste e se virou para enfrentar um estranho alto,


elegantemente vestido, com um chapéu preto de aba larga.

— Eu disse ah…

— Eu ouvi você. — Nathan disparou. — O que você quer?

Se o homem viesse falar com ele sobre o que havia acontecido na casa de Lorde
Williams, por Deus, ele puxaria sua rolha.

O homem enfiou a mão na frente de sua capa, e Nathan imediatamente se agachou


defensivamente em preparação para um ataque.

Em vez de brandir uma faca, no entanto, o homem retirou um envelope grosso de


velum de marfim com o nome de Nathan rabiscado na frente.

— Lorde Pembroke. — O homem estendeu a mão.

Nathan olhou do estranho para o rabisco desconhecido, seu coração acelerando o


ritmo. Alexandra!

Sem parar para considerar o estranho à sua frente, Nathan rasgou o envelope, seu
coração despencando de decepção. Não era de Alexandra. Sério, o que havia para ela dizer,
afinal?

Ele retomou a leitura da breve missiva, seus olhos mergulhando em confusão.

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“Pembroke, quero você no castelo Danby dentro de uma semana. Este não é um
pedido.

O duque de Danby”

— Sua Graça requer sua presença prontamente.

— Desculpe? — Nathan perguntou, estupefato com o bilhete do avô de Alexandra.

— Eu disse Sua Graça…

— Eu já sei disso. — ele falou lentamente.

O estranho fez uma reverência e continuou a caminhar pela calçada.

Nathan piscou com a partida imediata. — Quem é Você? — chamou ele.

O homem desconhecido nem mesmo se virou. Suas palavras continuaram no silêncio


da meia-noite. — Eu sou os olhos e ouvidos do duque.

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Capítulo 4

Uma série de batidas duras e staccato penetrou na névoa do sono de Alexandra. Ela
puxou o travesseiro sobre a cabeça, desejando que o som fosse embora.

— Vá embora — murmurou ela, o tecido do travesseiro abafando suas palavras.

Então, felizmente, as batidas pararam. Ela fechou os olhos. Ela desejou que seu corpo
voltasse a dormir, mas então as lembranças do escândalo da noite anterior se intrometeram e
o sono foi esquecido.

Ela gemeu, desejando que não tivesse sido nada mais do que um pesadelo horrível,
desejando que Nathan nunca tivesse…

— É hora de enfrentar o dia, minha querida.

O travesseiro foi arrancado de sua cabeça e ela colocou a mão sobre os olhos para
apagar os raios brilhantes que penetravam no quarto.

— Mãe. — ela murmurou, como forma de saudação.

O colchão afundou quando sua mãe reivindicou o lugar ao lado dela.

— Você já ficou de mau humor por tempo suficiente, Alexandra.

— É isso que você pensa que é isso, mãe? Mau humor? — Alexandra piscou e levantou.
Ela jogou a colcha de lado. — É assim que você vê isso? Eu tive meu coração partido. — Ela
pronunciou cada palavra lentamente. Só a admissão parecia que sua pele tinha sido arrancada
com um chicote habilmente aplicado.

— Você destruiu sua imagem social, Alexandra.

Certamente ela ouviu mal a sua mãe? Era nisso que minha mãe estava focada?
Alexandra deveria realmente esperar algo diferente? Explosões emocionais e sentimentos
plebeus, como o amor, eram ridicularizados pela sociedade. E ainda… — Eu o amava, mãe. —

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Ela mordeu cada palavra, querendo que ela entendesse.

Sua mãe olhou para um ponto acima do ombro de Alexandra. — Você se envolveu em
um mero flerte. Ele trouxe flores para você. Escreveu poemas para você.

Os olhos de Alexandra se fecharam, como se a ação pudesse amenizar a dor. — Ele não
me escreveu poemas, mãe.

Sua mente foi para um momento particular. “Não vou fazê-la perder seu tempo
colocando palavras inadequadas no papel. Não há palavras suficientes para capturar sua
beleza.”

Seus lábios se torceram cinicamente. O que ele provavelmente quis dizer é que ela não
era capaz de inspirar nenhum homem a colocar a caneta no papel.

A mão de sua mãe dançou no ar. — Quando este escândalo ficar para trás, você
encontrará um homem digno da filha do Marquês de Tewkesbury. Pembroke nunca foi
merecedor de você.

Uma risada amarga ficou presa na garganta de Alexandra. — Como você faz tudo soar
simples.

Mas ela não contestou as palavras de sua mãe. Um homem que a cortejou, que cortou
uma mecha de seu cabelo para mantê-lo sempre perto e então apostou tão cruelmente em seu
nome nos livros do White's, certamente não era um cavalheiro. Mãe estava certa; Nathan não
era digno dela.

Essa realidade não trouxe consolo para Alexandra. Isso apenas a machucou ainda mais.
Como ela poderia estar tão errada sobre ele? Como ela poderia ter dado seu coração a alguém
tão calculista e cruel? Sua decisão errônea a abalou profundamente, abalou sua já limitada
autoconfiança.

O que só serviu como outro lembrete doloroso de um dos motivos pelos quais ela se
apaixonou por Nathan. Ele não tinha olhado para ela e visto uma jovem muito gordinha que
dançava com os dois pés esquerdos, uma tola desajeitada, como seu pai a chamava. Ele tinha
respeitado sua mente, gostado de sua réplica espirituosa. Ele a havia chamado de linda.

E ela foi tola o suficiente para acreditar nele.

Ela havia defendido veementemente o processo contra as gritantes condenações do


jogo por seu pai. Seu pai a havia lembrado de que ela não era uma grande beleza e ameaçou

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Nathan apenas desprezar seu nome.

No final, seu pai estava certo.

Não, havia nenhum conforto em toda essa situação.

Na verdade, a única coisa em que ela encontrou conforto foi que levaria pelo menos
mais uma semana antes que a notícia de seu escândalo chegasse a Yorkshire… e aos ouvidos
de seu avô.

A voz de sua mãe interrompeu os pensamentos infelizes de Alexandra. — Recebemos


uma missiva do duque esta manhã.

Alexandra desabou contra os travesseiros e colocou a mão sobre os olhos mais uma
vez. — Isso não é possível.

— Minha querida, achei que você já soubesse, o duque se preocupa em saber os


negócios de cada membro da família.

Alexandra se sentou e passou os dedos pelos cabelos. Sim, ela sabia disso. Felizmente
para ela, ela sempre conseguiu escapar da atenção do duque.

Até ontem à noite.

— Faz menos de doze horas.

Sua mãe arqueou uma sobrancelha. — Alexandra, você dormiu o dia todo. São quase
duas horas.

Os olhos de Alexandra voaram para o relógio de chita do outro lado da sala. Ela
apertou os olhos para ver os números. Céus, sua mãe estava certa. Desde que ela se
enclausurou em seu quarto às dez horas da noite anterior, ela perdeu a noção do tempo.

— Ainda assim, a única maneira que ele poderia ter descoberto tão rapidamente seria
se ele tivesse um homem presente na casa de Lorde e Lady Williams — ela protestou.

— Minha querida, você ainda não aprendeu que seu avô tem olhos e ouvidos onde
quer que seus filhos estejam espalhados?

Seja como for, Alexandra arriscaria que não houvesse nenhuma maneira de seu avô
conhecer em primeira mão seus primos muito mais interessantes que estavam na França, na
América ou em alto mar. Não, apenas ela e as outras almas infelizes que por acaso chamaram
a Inglaterra de casa eram examinadas tão de perto.

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Houve uma batida firme na porta. Antes que Alexandra ou a mãe pudessem responder,
a porta se abriu. Olivia entrou na sala com a missiva mencionada nas mãos. Ela acenou.

— Nossa, o duque é rápido. Eu imagino que ele designou alguém para monitorar cada
membro das atividades de nossa estimada família. — Ela deu um estremecimento simulado.
— Temo que o dia em que recebo minha missiva não demore muito.

A mãe delas engasgou e agarrou o bilhete. — Olivia, nem brinque com isso!

Olivia chamou a atenção de Alexandra e deu uma piscadela maliciosa.

— Vamos, Alex. Abra. — cutucou Olivia.

Alexandra semicerrou os olhos. O brilho da bandeja de prata refletindo nos raios do sol
quase a cegou. Parecia chover na Inglaterra quase todos os dias. Por que, por que, neste único
dia ela não poderia receber um dia que combinasse com seu espírito?

Alexandra não disse nada. Ela não fez menção de aceitar a missiva. Em vez disso, ela
olhou para a nota como se Olivia viesse trazendo uma bandeja de roedores infestados de
peste com gosto de sangue.

Alexandra gemeu e cobriu os olhos.

— Eu não estou lendo isso. — ela balançou a cabeça para garantir.

— Você não é covarde, Alexandra. Suas ações na noite passada são prova disso —
Olivia ofereceu em apoio.

Ela se encolheu com a lembrança de suas travessuras no salão de baile de Lorde e Lady
Williams… e na sala de jogos.

Não que ela precisasse de algum lembrete. Ela tinha certeza de que havia uma pitada
de agonia em seu olhar azul claro, mas havia desaparecido tão rapidamente que ela se
convenceu de que eram apenas seus próprios sentimentos refletidos de volta para ela. A
expressão quase indecifrável usada por Nathan iria persegui-la até que ela desse seu último
suspiro. O que ele estava pensando? Ele sentiu algum arrependimento?

Sua dor foi o que mobilizou seus dedos e permitiu que ela aceitasse a maldita nota. Ela
preferia lidar com a desaprovação gelada do duque do que com as memórias de… dele.

Ela nem mesmo alcançou a lâmina na bandeja. Em vez disso, ela deslizou a unha por
baixo da aba e separou o selo de ouro estampado de Danby.

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“Alexandra,

À luz de seu recente escândalo nas salas de jogos de Lorde e Lady Williams, espero sua
chegada a Yorkshire dentro de uma semana. Traga minha filha e sua irmã. Deixe seu pai.

Danby”

Alexandra gemeu.

Sua mãe torceu as mãos nervosamente. — O que é isso?

Olivia arrancou o pergaminho das mãos de Alexandra. — Deixe-me ver isso. — Ela leu
a missiva com um sorriso e a devolveu a Alexandra. — Arrume suas coisas, mãe. Parece que
estamos indo para o Castelo Danby. Bem, pelo menos nós três, de qualquer maneira.

Desta vez foi a mãe deles que gemeu, afundando na beirada do colchão. Foi a vez dela
alcançar a nota agora presa com força entre os dedos de Alexandra.

— Solte, minha querida. — Ela a puxou. Olhos grandes e azuis examinaram a missiva.
— Parece que seu pai recebeu uma prorrogação.

Alexandra conseguiu seu primeiro sorriso. Sua mãe tinha o tom de uma criança
petulante.

O momento foi fugaz. Mamãe levantou-se e balançou a cabeça com determinação. —


Talvez seja exatamente disso que você precisa, Alex. — assumindo o apelido de infância. —
Você ficará melhor servida com alguma distância entre você e… e… o escândalo.

Foi assim que sua mãe decidiu se referir ao incidente na casa de Lorde e Lady
Williams… o escândalo.

Alexandra acenou com a cabeça em concordância. Sua mãe estava certa. Essa distância
era exatamente o que ela precisava para esquecer Nathan.

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Capítulo 5

Alexandra ignorou o discurso indignado de sua mãe. Ela esfregou a mão sobre a janela
de gelo. Depois de quatro longos dias, elas chegaram. Ela olhou para cima e para cima… para a
fachada impressionante do Castelo de Danby. Era um testamento sinistro de pedra dos
tempos medievais. Um lugar perfeitamente assustador para um duque severo e comandante
viver.

Houve uma batida superficial na porta da carruagem. Alexandra agarrou a maçaneta


da porta e abriu-a antes que a mãe pudesse dar o comando. Ela aceitou a mão de um lacaio
que esperava, ansiosa para sair da carruagem que mais parecia um caixão. Nela, ela ficou
presa por quase dois dias e meio com pensamentos torturantes de…

Alexandra sacudiu a cabeça com força, banindo as memórias de… dele.

O dia estava escuro e sombrio. Finalmente, ela teve seu dia miserável para se adequar
ao seu humor miserável. E, claro, isso também não trouxe consolo.

— Que dia lindo. Nevou! Como o castelo de Danby fica lindo com o brilho do gelo e a
camada de neve. — Olivia balbuciou.

As palavras de sua irmã foram tão convincentes que Alexandra teve que dar outra
espiada para confirmar se ela havia julgado o Castelo Danby muito severamente.

Não, não, ela tinha razão.

Silenciosamente, Alexandra seguiu sua mãe, grata pela presença perturbadora de sua
irmã loquaz. Elas nem chegaram às portas da frente quando o mordomo as abriu em
saudação. Ele fez uma reverência. A governanta, Sra. Ealey, ficou ao lado dele e fez uma
reverência profunda.

— Lady Tewkesbury, miladies. — Milne disse.

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Dois criados correram para ajudá-los a tirar suas capas de veludo gastas pela viagem.

Sua mãe, sempre o epítome da elegância régia, mesmo depois de horas e horas de
viagem ininterrupta, inclinou a cabeça em reconhecimento.

— O duque de Danby pede sua presença.

— Agora? — gritou sua mãe.

Tanto para elegância real.

Milne assentiu. — Agora, milady.

Sua mãe olhou para a longa escada com saudade e, em seguida, com um suspiro, seguiu
Milne até o covil do duque de Danby. Pelo menos Alexandra seria poupada… por enquanto.

Talvez Sua Graça colocasse a culpa pelas ações de Alexandra em sua mãe. Oh, que
desejo horrivelmente infantil, embora otimista.

— Miladies, posso mostrar seus quartos?

Alexandra lançou um olhar distraído para a governanta expectante. O que a mulher


disse? Olivia cutucou Alexandra de lado.

— Uh, isso seria adorável, Sra. Ealey. — Olivia forneceu para ela.

Enquanto subiam para os aposentos e pelo corredor, Alexandra esfregou as mãos,


esperando que a fricção esquentasse os apêndices quase congelados. De dentro de sua alma
maltratada para seu corpo machucado pela viagem, ela se sentia totalmente miserável.

— O duque de Danby está aguardando ansiosamente sua chegada.

Oh, aposto que sim.

— Ora, não consigo me lembrar da última vez que vi Sua Graça tão animado.

Animado? Essa era uma palavra amável para lívido?

Suas não respostas claramente não impediram a governanta, que falava sem parar.
Alexandra continuou a seguir a Sra. Ealey em silêncio mudo. Vinte e dois, vinte e três, vinte e
quatro…

— Vinte e cinco passos.

A mulher mais velha parou no topo da escada e piscou. — Desculpe, milady?

— Ela estava contando. — explicou Olivia.

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A testa da Sra. Ealey franziu em perplexidade. — Me desculpe?

Alexandra olhou para sua irmã em silêncio. — Não é nada.

A mulher se virou, continuou pelo longo corredor e parou diante de uma porta. Ela
abriu para Alexandra. — Aqui estamos, minha senhora.

Obrigada Senhor. Não havia nada mais que ela quisesse naquele momento do que
fechar a porta, tocar para um banho quente para molhar seus músculos doloridos, e então
enterrar-se debaixo de um monte de cobertores aquecidos.

Olivia tinha outros planos para Alexandra. — Isso é tudo por agora, Sra. Ealey. Se você
nos der licença.

— Muito bem. — A governanta dirigiu seu foco para Alexandra. — O duque de Danby
pede sua presença em meia hora.

Seus olhos se fecharam e ela suspirou. — Claro que sim. O que poderia ser melhor?

Aparentemente, a governanta não conseguia pensar em mais nada, pois ela não
respondeu.

— Alexandra, Olivia. Meus queridos primos, é tão esplêndido vê-los.

Alexandra se assustou com a interrupção inesperada. Ela se virou para encarar sua
prima, Lady Emma, filha do herdeiro do ducado Danby e…

Um belo cavalheiro ao lado dela fez uma reverência.

Se Alexandra não estivesse tão cansada, se ela não tivesse tido o coração partido, se ela
não estivesse mais do que ligeiramente amarrotada da longa viagem de carruagem, ela teria
ficado mais intrigada. Do jeito que estava, ela só podia reunir uma leve curiosidade pelo
homem que estava tão perto de sua prima.

Então ele olhou para Emma, com uma adoração tão amorosa que Alexandra quase caiu
com a intensidade da dor do ciúme.

— Oh querida Alexandra, é tão bom ver você. — Emma cumprimentou calorosamente.


— Posso apresentá-las ao meu marido, Lorde Heathfield. Heath, essas são minhas primas,
Lady Alexandra e Lady Olivia.

— É um prazer, miladies. — murmurou Heathfield.

Alexandra respondeu pelas irmãs. — Da mesma forma, milorde.

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Marido?

Oh, Alexandra adoraria saber essa história. Algum dia. Agora não. Não quando ela
precisava entrar em seus aposentos, fechar a porta e se enrolar em uma bola chorosa na
cama.

— Marido. — Olivia deixou escapar. — Você se casou?

Oh, doce Olivia, nunca foi capaz de esconder um pensamento.

Emma corou. — Eu casei.

Olivia olhou para Heathfield especulativamente. — Ele parecia um cara legal o


suficiente. Então pensei a mesma coisa sobre Pembroke.

Os olhos de Alexandra se fecharam em mortificação. Silêncio. Ela mataria sua irmã.


Ainda assim, não havia necessidade de assumir que Emma ou Heathfield sabiam de algo sobre
o namoro de Nathan e seu escândalo subsequente.

— Acho que o que minha irmã pretendia dizer era parabéns. — Alexandra lançou um
olhar ansioso através da porta para os quartos rosados horrivelmente alegres.

Felizmente, Lorde Heathfield era muito mais astuto do que as outras duas senhoras
presentes, pois pegou Emma pelo braço e tentou afastá-la. — Venha, Emma, Lady Alexandra e
Lady Olivia estão viajando há algum tempo e com certeza precisam de descanso.

O céu o abençoe.

Emma cravou os calcanhares. — Não podemos deixá-las sozinhas, — ela protestou,


dando um olhar muito penetrante na direção de Alexandra, — considerando o escândalo e
tudo. — ela terminou em um sussurro muito alto.

Os olhos de Alexandra se fecharam. — Oh, meu Deus, todo mundo já sabe?

Emma respondeu antes que Heathfield pudesse responder. — Bem, Heath e eu


sabemos, é claro, e Izzy. E papai e mamãe.

Ah, sim, todo mundo sabia.

Alexandra olhou pela porta aberta, sem ver, a cama grande no centro do quarto. A
necessidade de seu corpo dormir e a dor anterior em seus músculos foram todas esquecidas
quando a realidade se intrometeu. Ela tinha sido tola o suficiente para acreditar que ela
poderia escapar do escândalo no Castelo de Danby?

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Ela balançou em seus pés.

Heathfield agarrou seu braço. — Uau — disse ele com uma voz firme. Ele olhou para
sua esposa. — Talvez você deva ajudá-las a entrar e fazê-las descansar um pouco. — sugeriu
ele.

Emma olhou para ele como se ele fosse um cavaleiro de armadura brilhante.

— Faça isso. — pediu ele.

Alexandra empurrou suas palavras em um sussurro. — Estou bem. — Ela nem mesmo
conseguia se convencer disso, pois Emma e Olivia a pegaram pelos braços e levaram
Alexandra até uma cadeira de madeira ridiculamente pequena com estofamento floral rosa.

Olivia trotou pela sala para fechar a porta.

Alexandra se sentou pesadamente e baixou a cabeça entre as mãos. Pensamentos sobre


o namoro de Nathan, o tempo que passaram juntos e os poemas que ele leu a inundaram. Ele
a fez se apaixonar por ele tão facilmente. Que tola ela tinha sido. — O que eu fiz?

— Depois de um rápido namoro com o conde de Pembroke, por quem você se


imaginou apaixonada, você foi e fez de si uma tola completa. — disse Olivia secamente.

Uma gargalhada chocada escapou de Emma. Ela deu um tapa no braço da prima. —
Onde está o seu senso de romance? Ele a cortejou. Levou-a no seu trenó.

— Patinação. — corrigiu Alexandra.

— Valsou com ela. — Emma continuou como se Alexandra não tivesse interferido. —
Ela o amava. — Ela lançou um olhar para Alexandra. — Você o amava, certo?

Ela o amava? Todas as manhãs, ela pulava da cama, animada para se levantar porque
sabia que o veria. Quando ele a tomou como parceira em uma dança, ela não se preocupou
com seus pés desajeitados porque sabia que ele sempre a resgataria e a guiaria sem esforço
pela dança. Só por isso ela poderia contar mais de cinquenta razões pelas quais o amava. O
amava.

— Sim, eu o amava. — sussurrou ela.

Olivia acenou com a cabeça para Alexandra. — E veja o que ela conseguiu com isso.

E ainda havia o duque de Danby para lidar. — Ele está furioso? — O tom assustado de
Alexandra deixou poucas dúvidas sobre a quem ele se referia.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Emma mordeu o lábio e olhou ao redor da sala em uma vã tentativa de indiferença. —
O que? — Alexandra pressionou. — O que?

Emma abriu a boca para falar, mas houve uma batida na porta.

— Entre. — Olivia falou.

Uma empregada apareceu. — Sua Graça está pronto para você agora.

— Lady Alexandra vai descer daqui a pouco. — Olivia informou a criada que fez uma
reverência e fechou a porta.

Alexandra teve vontade de chorar. — Mal passaram trinta minutos.

Emma riu alegremente. — Você não sabe que o vovô controla o tempo também?

Alexandra pensou sobre a rapidez com que Danby descobriu sobre seu escândalo no
baile de Williams e o curto tempo que ele levou para enviar uma nota solicitando sua
presença.

Ela suspirou. Danby controlava mais do que o tempo. Ele controlava tudo e todos.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Capítulo 6

— Você!

Nathan largou sua xícara fumegante de café preto e abriu a boca para falar…

— Seu canalha nojento e desprezível. O que está fazendo aqui?

Mesmo sendo o único convidado sentado à mesa da sala de jantar do Duque de Danby,
Nathan ainda olhou ao redor para verificar se ele era de fato o destinatário pretendido de tal
acidez.

— Bom dia, Lady Olivia.

Se olhares matassem, bem, então Nathan estaria sentado em uma pilha de cinzas no
fundo de sua xícara de café preto pela metade.

— Bom dia? Foi uma manhã esplêndida até, até… isto!

Olivia sempre foi calorosa e provocadora com ele. Ele passou a vê-la como uma irmã
mais nova. O ódio em seu jovem olhar o atingiu com uma dolorosa sensação de perda. Ele
poderia culpá-la? Ela era ferozmente leal a Alexandra.

Ele gesticulou para o aparador cheio de carnes frias e pastéis crocantes. — Talvez você
queira tomar o café da manhã comigo. — Seu olhar aguçado para o criado cujos olhos
estavam baixos foi um lembrete sutil. Os criados falavam.

Com o que, aparentemente, Lady Olivia não se importava nem um pouco.

— Eu preferiria me juntar a você no Hades.

Bem, ela não disse que nunca se juntaria a ele, então talvez nem tudo estivesse perdido
com a pequena Olivia.

— Não. — ela mordeu fora. — Eu nunca, jamais me juntaria a você em qualquer lugar.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Por que, se eu fosse um homem, eu desafiaria você por você ter machucado Alex.

Ele suspirou e tomou um gole distraído de seu café. Não seria um bom presságio para
sua causa se a irmã de Alexandra quisesse desafiá-lo. Nathan só podia imaginar o que
Alexandra desejava fazer com ele. Ele foi desenhado e esquartejado?

Independentemente da fúria flagrante de Olivia, ela se moveu ainda mais na sala, mais
perto do assento de Nathan. Claramente, apesar de toda sua fúria, ela tinha motivos para não
desistir de sua presença.

Ele tomou outro gole e, em seguida, pousou a xícara, segurando-a entre as mãos
enquanto a olhava com expectativa.

— Por que você fez isso? — perguntou ela com raiva. — Como você pode machucá-la?
Ela te amava. Mesmo que papai a tenha avisado que você era um canalha, ela confiava em
você.

A mão de Nathan apertou com tanta força ao redor da xícara entre seus dedos que
quase quebrou a porcelana. Dizendo a seus dedos para soltar a xícara, ele a colocou em seu
colo.

A verdade não era para os ouvidos de Olivia. Ela era uma criança. E mesmo que ela não
fosse uma garota inocente, Alexandra merecia ouvir as palavras ditas de seus lábios primeiro.

— Não tenho uma resposta boa o suficiente para você, Olivia.

Os olhos de Olivia se estreitaram em pequenas fendas. — Sou Lady Olivia.

Ele suspirou. — Minhas desculpas, Lady Olivia.

Apontando para o assento ao lado dele, ele esperou com a respiração suspensa para
ver o que ela faria.

Com os braços cruzados sobre o peito, Olivia ficou ali olhando para ele por quase dois
minutos. Ao certificar-se de que ele não iria a lugar nenhum, ela puxou seu assento, acenando
para um criado.

— Você não vai fazer um prato? — ele perguntou.

Foi a coisa errada a dizer.

— Você está louco? Um prato? Como você pode ser tão arrogante?

Bem, suas intenções eram cavalheirescas. Aparentemente, ele errou o alvo. E muito.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Parecia que suas intenções eram sentar-se ali e arengar com ele por seu tratamento
deplorável com Alexandra.

Não era menos do que ele merecia.

— Então?

Nathan arqueou uma sobrancelha.

Um suspiro tenso escapou de Olivia. — O que você tem a dizer sobre isso?

— Nada que ganhe sua compreensão, Olivia.

Sua mandíbula se firmou resolutamente. — Não, provavelmente você está certo quanto
a isso. Lady Olivia — acrescentou ela, quase como uma reflexão tardia.

Ele baixou a cabeça. — Mais uma vez, minhas desculpas, Lady Olivia.

Um silêncio desconfortável desceu, os dois sentados, olhando um para o outro com


cautela. Alcançando sua xícara, Nathan a encontrou vazia. Ele a colocou de lado e tamborilou
com as pontas dos dedos distraidamente na mesa.

Olivia olhou para eles com grande irritação. — Você precisa fazer isso?

Confrontado com o desgosto gelado de Olivia, ele os fez parar repentinamente. A


tensão palpável o impulsionou a sair da sala de jantar hostil. No entanto, a alternativa,
encontrar um parente de Alexandra recém-casado e muito feliz, o deixava nauseado. Então ele
optou por permanecer ali, sentado ao lado de sua adversária agressiva.

Uma adversária que no momento estava esticando o pescoço e examinando a


elaborada apresentação no aparador, antes de dirigir sua atenção para seu prato intocado de
ovos cozidos, torradas e pão de gengibre.

— Esse é o último pão de gengibre. — seu tom era acusatório.

Uma rápida olhada no aparador confirmou suas descobertas.

Sem palavras, ele empurrou o prato para Olivia, que o olhou com uma mistura de
desejo e relutância.

— Pegue. — pediu ele.

Olivia o agarrou e mordiscou uma ponta. — Peguei, mas só porque você não merece.

— Não discordo quanto a isso.

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Mesmo com a mesa como uma barreira, ele ainda a ouviu batendo o pé embaixo da
mesa em frustração. — Você não deve ser agradável a tudo que eu digo. E você certamente
não deveria dar o último petisco de gengibre para mim.

Pela primeira vez desde que havia rabiscado a maldita aposta nos livros da White's,
Nathan sorriu. Olivia não esperou que ele falasse.

— Não acredito que um homem como você seja capaz de amar.

Nathan se encolheu. Agora isso doeu. Apesar de todos os erros que cometeu, por sua
traição a Alexandra, ele nunca tinha, por um momento, deixado de amá-la com tal intensidade
que o assustava. No momento em que a viu batendo os pés na sala de jogos de Lady Williams,
com o rosto gravado em agonia, Nathan sentiu a única parte dele que parecia algo bom
murchar e morrer em seu peito. Ele tinha sido o monstro que infligiu uma dor profunda o
suficiente para endurecer o sorriso perpétuo em seus olhos.

— Bem, o que você acha disso? — Olivia pressionou, pressionando-o.

— Eu diria que concordaria com você na maioria das pontuações de hoje, com exceção
dessa cobrança. Eu amava sua irmã. Eu ainda amo.

O queixo de Olivia caiu escancarado. — Eu não acredito em você.

Então agora ele era um mentiroso. Ao pensar nisso, Olivia também estava certa.

Ela continuou. — Tenho certeza de que há muitos cavalheiros bons e honrados por aí,
homens que darão livremente seu coração. Você, senhor, não é um desses homens. Não posso
mais sentar aqui e conversar livremente com você.

Um servo correu e puxou seu assento. Ela desviou dele tão majestosamente como se
fosse a dama da mansão e saiu furiosa da sala.

Nathan olhou vários momentos para a porta aberta e notou quando Olivia reapareceu
cautelosamente. Limpando a garganta, ela deslizou de volta para a mesa e agarrou o pão de
gengibre parcialmente comido. — Ainda digo que você não merece o tratamento.

Com isso, ela saiu.

E confirmou que seu caminho para reconquistar Alexandra seria um caminho árduo,
de fato.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Capítulo 7

— O que te prendia, gel?

Alexandra tentou não pular com a pergunta latida no escritório do duque de Danby. Ela
respirou fundo e entrou no covil.

— Vossa Graça. — Ela se orgulhou da maneira firme como fazia aquela saudação.

— Feche. — instruiu um servo que pairava no ar.

Ela lançou um olhar ansioso para a saída. Este era o momento que ela temia desde que
o escândalo estourou. Ela estava sozinha com o dragão.

Alexandra suspirou. Ela sempre foi um pouco covarde com o duque.

— Não tenho o dia todo, Alexandra. Sente-se.

Ela baixou os olhos recatadamente e contou os passos necessários para colocá-la


diretamente na frente do duque de Danby. — Vinte.

— Vinte o quê, Alexandra?

Alexandra balançou a cabeça assustada. — Nada, Sua Graça. — murmurou ela e


deslizou para o assento. Era grande, tão grande que quase a diminuía. Ela se sentia como uma
criança prestes a receber uma severa repreensão, o que, de certa forma, ela supôs que fosse.

— Você sabe por que está aqui.

— Porque você sentia falta das suas netas e da mamãe e estava desesperado e queria
nos ver? — Ela piscou com a ousadia de sua própria réplica atrevida.

Danby deu uma gargalhada aguda. — Parece que você adquiriu uma espinha dorsal
durante sua temporada em Londres.

E um coração partido.

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— Estou ficando velho, garota. Não estou tão saudável como antes.

— Você parece estar bem de saúde. — rebateu ela.

— Sim. Sim. Você e o médico têm a mesma opinião. Esse não é o ponto. Já estou farto
de ler sobre os comportamentos escandaloso de minha prole. Eu nunca esperei isso de você,
no entanto.

Alexandra suspirou. — Nunca esperei isso de mim, Sua Graça.

Ele se inclinou para frente em sua cadeira. — Então por que você fez uma tolice por
algum cavalheiro?

Ela poderia dar a ele dois mil e vinte e cinco motivos, os quais ela contou no passeio de
carruagem. Ela se contentou com um. — Eu o amava.

Danby arqueou uma sobrancelha. — Amava? Os sentimentos da minha neta são tão
fugazes então?

Infelizmente, alguém que não esperava que seus sentimentos por Nathan
simplesmente desaparecessem como uma lufada de ar frio em um dia de inverno. Quem teria
acreditado que o duque de Danby seria o único?

— Não, Sua Graça. Eu ainda o amo.

— Suponho que seu pai chorão não gostava muito de Pembroke.

— Isso é para dizer o mínimo, Vossa Graça. — concordou ela.

— O que? Que seu pai está chorando ou que não gostava dele?

Os lábios de Alexandra se contraíram com sua primeira diversão real desde que ela
soube da traição de Nathan. — Ambos, Sua Graça.

Danby riu e se acomodou em sua cadeira, olhando para ela. A camaradagem fácil que
eles compartilhavam se dissipou sob seu olhar ducal.

Ela se mexeu na cadeira.

— Você disse que o ama?

Isso de novo? Ele deve torturá-la?

— Sim. — disse ela pacientemente.

Ele tamborilou com as pontas dos dedos na mesa, o staccato silencioso o único som na

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biblioteca silenciosa. — Meus relatórios indicam que Pembroke é um sujeito bonito. Foi isso
que capturou sua imaginação?

A indignação cresceu no peito de Alexandra. Ela cerrou os dentes. — Garanto que não
sou tão estúpida para me apaixonar por um cavalheiro simplesmente porque ele é bonito.

Ela tentou não ficar ofendida quando Danby não concordou.

— Você sabia que o anterior conde de Pembroke era um divino podre? Tenho certeza
de que seu filho não é muito diferente.

Alexandra voou de seu assento. — Ele não é nada como seu pai. Por que ele é
trabalhador e gentil e…

Danby arqueou uma sobrancelha intimidante, trazendo suas palavras a uma parada
surpreendente quando ela percebeu que não só desafiou o duque, mas também defendeu um
homem totalmente indigno de seu apoio.

Talvez fosse o cansaço dos dois dias e meio de viagem a uma velocidade vertiginosa.
Talvez fosse a presença de seu avô. Mas toda a energia vazou dela e ela deslizou em seu
assento. Alexandra fechou os olhos e desejou, pela milésima vez, que algum engano tivesse
sido cometido, que Nathan não fosse um canalha e que seu pai estivesse errado.

— Terminou, Alexandra?

Ela assentiu.

— Você sempre foi uma espécie de contadora.

Ela piscou. — Perdão?

Danby acenou com a mão. — De números. Certamente um hábito estranho, mas não há
necessidade de se desculpar por isso.

Alexandra não conseguiu evitar; ela baixou a cabeça entre as mãos e esfregou os olhos
com cansaço e consternação. Havia algo que ele não sabia?

— Tenho orgulho de saber tudo o que há para saber sobre minha prole. — disse ele em
resposta à sua pergunta silenciosa.

Se ela não estivesse tão frustrada com a incrível habilidade dele de antecipar suas
perguntas antes mesmo de vocalizá-las, ela poderia admitir que havia algo quase doce sobre
essas palavras… bem, sem a maneira como ele se referia a todos eles como descendentes. Isso

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a fez pensar em seus estábulos bem cuidados, bem organizados e valiosos.

Visto que as palavras de Danby eram mais uma afirmação do que uma pergunta, não
mereciam uma resposta. No entanto, Alexandra decidiu responder de qualquer maneira. —
Sim, sou uma contadora.

Ele apoiou os cotovelos na mesa e se inclinou para a frente. — Dificilmente um hábito


para ser tão severo. Não é como se você estivesse bebendo e jogando como aquele seu primo.

Alexandra passou a mão pela boca para abafar uma risada. Com um grande número de
primos, as palavras de Danby poderiam ser aplicadas a qualquer um deles.

— Uh, obrigado, eu acho, Sua Graça.

— Apenas afirmando um fato, gel. Definitivamente, outra habilidade que você não
obteve daquele seu pai.

— Não, você está correto, Sua Graça.

Ele bufou. — Claro que estou certo. Sua mãe sempre foi aquela com cabeça para
números. Pena que ela não nasceu um lorde.

A cabeça de Alexandra estava começando a girar, e não de cansaço, mas sim na direção
estranha que o curso de Danby havia seguido. Ela não conseguia determinar por que ele
deveria mencionar seu pequeno hábito peculiar.

— Diga-me, Alexandra. — Danby perguntou, interrompendo suas reflexões silenciosas.


— Alguém que conta tanto quanto você deve ter contado uma série de razões pelas quais
Pembroke era digno de você.

E essa não era a direção que ela pensava que o duque a estava levando. Sua respiração
assobiava entre os dentes e ela apertou as mãos, apertando-as contra o estômago para
sufocar a dor.

— Você não pode querer que eu enumere as razões que amei…

— Ama.

— O conde de Pembroke. — ela falou por cima da interrupção. O duque que se dane,
ela perdeu a paciência com a linha constante de questionamento dele e de sua prole.

— Não estou perguntando, gel. Eu sou exigente.

Ela suspirou. Seu ponto foi esclarecido. Que assim seja. Quanto mais poderia doer

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marcar sua lista de razões pelas quais ela se apaixonou.

— Posso enumerar mil e duas razões pelas quais amo Sua Senhoria. Ele sabe que eu
detesto ser chamada de Alexandra… — e em vez disso me chamou, meu amor… — quando a
maioria nem sabe que tenho alguma preferência. Ele me ensinou a jogar cartas porque eu
pedi. Ele faz-me rir. Ele honra meu amor pela poesia. Ele começou a contar…

O duque chamou um criado, interrompendo sua recitação. Ela ficou em silêncio. Uma
batida curta soou na porta.

— Entre. — Danby latiu.

A porta se abriu e ela esticou a cabeça por cima do ombro para ver o mordomo entrar,
carregando uma bandeja de prata com um cartão de visita.

— Traga meu próximo convidado.

Milne acenou com a cabeça e correu para cumprir as ordens de Danby. Alexandra
estava ligeiramente curiosa para saber que parente pobre havia chegado para enfrentar o
desagrado do duque… talvez um dos que jogavam e bebiam.

Ela esperou, como uma criança poupada de praticar suas letras, que Danby solicitasse
a continuação de sua lista. Em vez disso, ele esfregou a linha da mandíbula.

Houve outra batida.

Desta vez Alexandra não se virou para ver quem entrou.

— Entre, entre. — chamou Danby, jovial com o repentino convidado. Ele acenou para o
indivíduo.

Aparentemente, quem quer que fosse, ganhou o favor do duque porque seu rosto
estava envolto em um sorriso aberrante e largo.

Finalmente curiosa, Alexandra espiou por cima do ombro… e quase caiu da cadeira.
Diante dela estava o mesmo homem que a mandou correndo para a propriedade de Danby em
Yorkshire, o mesmo homem que partiu seu coração… Nathan.

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Capítulo 8

Nathan devorou Alexandra avidamente com os olhos. Desde o momento em que ela
saiu da sala de jogos, sete dias atrás, ele estava cheio de culpa por tê-la machucado e mais dor
do que ele jamais imaginou ser possível ao perdê-la. Uma névoa de vazio o cercou… até a
convocação do duque de Danby.

Ansiando por qualquer conexão com ela, ele partiu em uma velocidade imprudente,
indiferente ao ter sido chamado por seu avô, um dos pares mais poderosos do reino. Seu
encontro com Danby, no entanto, foi nada menos que surpreendente.

— Vossa Graça, milady. — murmurou ele, incapaz de desviar os olhos da forma rígida
de Alexandra.

Sua pele estava pálida e parecia que uma forte rajada de vento de inverno poderia
derrubá-la do próprio assento que ocupava. Ele ansiava por atravessar a sala, puxá-la em seus
braços e apagar toda a dor que via ali.

Mas ele perdeu esse direito.

— O que você está fazendo aqui? — ela sussurrou.

Nathan não falou. As palavras, naquele momento, o iludiram.

Alexandra pareceu emergir do torpor da confusão, pois balançou a cabeça com força e
saiu voando da cadeira. Ela olhou para ele e se virou para encarar o duque.

— Mande-o imediatamente embora, Vossa Graça. Diga a ele… — suas palavras


desapareceram em um suspiro.

Ela cambaleou um passo para trás, uma mão agarrada com força ao peito. Ela sabia que
tinha sido Danby quem o convocou. Droga.

— Por que você me trairia assim, Sua Graça? — ela implorou.

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— Alexandra, falei com você antes sobre seus melodramas.

Uma risada áspera e amarga escapou dela, encheu o ar ao redor dele, e Nathan sentiu
uma pontada de dor ao perceber que tinha sido ele quem matou o som inocente de alegria
que o cativou pela primeira vez.

Como ele se permitiu machucá-la deliberadamente? Que tipo de bastardo ele tinha
sido? O tipo de bastardo que pensava que a estava salvando de si mesmo, a voz em seu ombro
cutucou. O tipo que tinha sido tolamente convencido de que ela estava melhor sem ele.

Vendo-a agora, quebrada e machucada, ele não conseguia acreditar que ela estava, de
fato, em melhor situação.

Sua garganta trabalhou dolorosamente. Ele ergueu uma mão suplicante para ela.

— Eu… eu preciso que você saiba, nunca foi minha intenção te machucar. — Suas
palavras saíram ásperas de três dias de mau uso e cansaço.

Outra daquelas risadas tristes encontrou suas palavras, e ele deixou cair a mão ao lado
do corpo.

Alexandra o ignorou incisivamente, optando por dirigir sua atenção para Danby, que
estava observando sua troca com uma intensidade de falcão.

Alexandra disse a si mesma para não olhar para Nathan. Era um lembrete estrondoso,
rasgando sua mente com o som estridente de um salão de baile lotado no auge da temporada.

Foi inútil. Seus olhos o encontraram. Maldito seja por ser uma criatura fraca; a visão
dele fez sua respiração acelerar.

Por que ele tinha que ser tão bonito? Por que ele tinha que ter mais de um metro e
oitenta e uma força de chicote? Seu cabelo escuro, com o mais leve cacho, teria sido macio na
maioria dos homens, mas Nathan tinha a aparência de um anjo caído. Seus olhos eram da cor
daquelas mesmas nuvens azul-celeste sobre as quais os querubins do céu dançavam com
frequência regular.

E, no momento, aqueles olhos estavam fixos nela.

Ele deu um leve aceno de cabeça na direção do duque, alertando-a para o fato de que
Danby havia dirigido uma pergunta a ela. Ou declaração. Ela não estava ouvindo.

— Eu imploro seu perdão, Sua Graça? — rebateu ela.

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Danby sorriu divertido.

— Fico feliz que meu desagrado o agrade tanto. — disse ela, surpresa com sua audácia.

— Sua espinha dorsal recentemente adquirida me agrada. — Ele inclinou a cabeça


para Nathan. — Quer goste ou não, gel, ele será meu convidado. Minha sugestão é que você
coloque de lado um pouco da fúria de Whitton e abra esses olhos. Eu sei que você tem um
cérebro na sua cabeça.

De alguma forma, parecia um insulto.

Danby acenou de Alexandra para Nathan. — Fora com vocês agora. — ordenou ele
como se falasse com duas crianças pequenas. — Continuem esta conversa em outro lugar. Eu
fiz minha parte.

Os lábios de Alexandra se apertaram. Sim, ele certamente tinha feito.

Nathan era o único que parecia se lembrar de suas maneiras. Ele se curvou
profundamente. — Sua Graça.

Alexandra cerrou os dentes com tanta força que a dor irradiou por sua mandíbula e
perfurou a carne das têmporas. Sem sequer uma reverência ou palavras, ela girou nos
calcanhares e passou por Nathan. O leve sândalo almiscarado que sempre parecia agarrar-se a
ele flutuava, sua atração uma lembrança sedutora dos abraços que haviam roubado.

Ela fez menção de empurrar a porta, mas maldito seja, ele estava lá, interceptando seus
esforços. Nathan sempre foi um cavalheiro. Ela riu quase loucamente do ridículo de tal
pensamento.

Um cavalheiro nunca faria uma aposta no livro da White's sobre uma senhora que ama.

Ele caminhou atrás dela, e então seus passos largos fecharam a distância, e ele estava
ao lado dela, marchando pelo longo, longo corredor em direção a… bem, ela não havia
considerado exatamente para onde estava indo. Ela sabia que precisava se afastar do duque
de Danby e de seu escritório infernal.

— Certamente você tem algo a dizer para mim?

Alexandra riu e hesitou. Ele agarrou seu braço suavemente, endireitando-a.

Ela encolheu os ombros, tentando não sentir o desejo por sua pele quente em sua
carne.

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— Oh, eu tenho um milhão de coisas para dizer a você, milorde.

Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. — Tenho certeza que você contou mais.

Maldito seja por saber todas as coisas íntimas sobre ela. Alexandra olhou para a
esquerda e depois para a direita, confirmando que estavam de fato sozinhos.

— Você se diverte em continuar fazendo pouco caso de tudo o que compartilhei com
você? Talvez haja uma aposta atual que você fez quanto a quantos dias eu levaria para perdoá-
lo por ser um completo canalha? Bem, aqui está a resposta que eu anotei naquele livro no
White's. Nunca.

— Nunca não é um número.

— Você sabe o que eu quero dizer. — a voz dela subiu para um grito próximo.

Ele parecia divertido demais para Alexandra. Ela apontou um dedo em seu peito. —
Você tem que vir aqui na época do Natal depois de me humilhar para estragar totalmente a
minha temporada de férias? Que alegria você encontra em minha miséria? E, além disso,
como você ousa chegar e parecer tão bem descansado. Ora, parece que você dormiu uma
noite inteira…

Seus olhos revelaram a confirmação de sua declaração.

— Você chegou antes de mim? — Ela pensou na falta de perguntas de Danby para
Nathan. Ele não precisava fazer nenhuma pergunta porque ele já tinha feito.

E aqui estava Alexandra, apanhada de surpresa e parecendo completamente


amarrotada. A traição de Danby agora estava completa.

— Seu avô me convocou. — Nathan disse baixinho.

— Por que você veio? — ela perguntou em um sussurro raivoso.

— Porque eu precisava te ver, precisava do seu perdão. E por mais que eu tenha dito a
mim mesmo que não mereço você, preciso explicar.

Alexandra deu um passo para longe dele. — Explicar o que, milorde? O que você
poderia dizer? E você está certo, você nunca foi merecedor de mim.

Um flash de dor retorceu suas feições e ela se odiou por infligir aquela dor nele. Essa
tinha sido sua maior preocupação, algo sobre o qual ele falava frequentemente com ela,
acabando por ser o mesmo homem cruel que seu pai tinha sido. Ele disse a ela tantas vezes

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que não a merecia, ela parou de contar… o que foi, é claro, um grande esforço para Alexandra.

— Você tem razão. — disse ele, finalmente quebrando o silêncio. — Mas ainda preciso
que você conheça toda a história.

Ela engoliu em seco uma bola de emoção. — Bem, qual é a história?

Nathan olhou ao redor do corredor e passou a mão pelo cabelo escuro despenteado.

— Aqui não.

— Oh, onde então?

— Caminha comigo?

A indecisão cresceu e ela silenciosamente travou uma guerra com seus desejos
interiores; o desejo de saber a verdade, o desejo de estar com ele e seu orgulho.

— Eu acabei de chegar.

— Venha comigo, Alex. Junte-se a mim. Ouça o que tenho a dizer e se, no final, você se
sentir da mesma maneira que agora, entrarei na minha carruagem e farei a longa viagem de
volta a Londres.

Seus olhos estudaram o rosto dele, parecendo procurar a sinceridade de sua promessa.

— Você promete? Ou isso é outra mentira?

Ele se encolheu. — Só uma caminhada. Encontre-me nos estábulos.

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Capítulo 9

A cada passo que ela dava, as almofadas de seus chinelos batiam em um eco suave e
rítmico contra o chão e em sua mente. Maluca, maluca. — Você está louca, Alexandra —
murmurou ela baixinho.

Em primeiro lugar, era uma loucura pensar em caminhar no ar gelado do inverno com
um céu que ameaçava neve. Em segundo lugar, era uma loucura considerar uma caminhada
no ar frio do inverno com um céu ameaçando neve ao lado do homem que havia partido seu
coração. Apesar das centenas de outras desculpas racionais que conseguiu reunir, Alexandra
continuou seu percurso pelo Castelo de Danby. O silêncio a rodeava, assustadoramente como
uma cripta.

Depois de uma hora dizendo a si mesma que ela não encontraria Nathan nos
estábulos… que ele poderia ficar sentado lá a noite toda e apodrecer… depois do banho,
prestando muita atenção ao vestido que ela escolheu e penteando o cabelo para trás em uma
trança simples e sedosa , ela agora podia reconhecer a verdade… ela precisava vê-lo.

Disse a si mesma que simplesmente concordou em vê-lo porque queria que ele fosse
embora. Disse a si mesma que queria criticá-lo pela dor e humilhação que ele havia causado
em sua vida.

Mas ela não se convenceu. Contra todos os melhores motivos, ela simplesmente queria
vê-lo.

Alexandra abriu as portas da cozinha, uma das saídas mais discretas que levava aos
estábulos, e encontrou as duas dúzias de pares de olhos de criados assustados que
trabalhavam arduamente na cozinha.

Aparentemente, não tão discreto.

Com um rubor manchando suas bochechas, ela pigarreou. — Boa tarde, uh, continuem

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com o que estão fazendo. — pediu ela.

Todas as duas dúzias de pares de olhos caíram rapidamente, voltando ao trabalho, mas
a curiosidade estava ali.

Maravilhoso. Quanto tempo antes que mamãe saiba de sua aventura? Na esteira desse
pensamento estava a parte desafiadora dela. O que isso importa? Sua reputação já estava em
frangalhos.

Na verdade, havia algo estranhamente libertador em ter uma reputação que não
precisava de cuidados. Alexandra jogou os ombros para trás e marchou orgulhosa pela
cozinha.

Ela saiu e o abraço frio do dia a envolveu. Ela estremeceu, puxando sua capa de veludo
safira para mais perto, e marchou em direção aos estábulos, seus movimentos rápidos
fazendo o tecido esvoaçar.

Um fio de neve caiu e pousou em seu nariz, fazendo-a parar. Inalando profundamente o
ar fresco e limpo do inverno, ela inclinou a cabeça para trás e se perdeu na chuva de flocos
que caíam silenciosamente de seu lugar no céu. Ela amava a neve. Era limpa, silenciosa e os
flocos eram tão inumeráveis que ela sempre era capaz de se perder na contagem de cada floco
diferente enquanto eles se acomodavam em seu lugar na Terra.

— Não pensei que você viria.

Os olhos de Alexandra se abriram e um floco pousou em sua pálpebra, embaçando sua


visão. Ela congelou. — Eu não sou uma covarde.

A mandíbula de Nathan ficou rígida. — Não sou covarde, Alex. Um bastardo e um tolo,
mas não um covarde. — Foi a primeira indicação real de emoção que ela viu nele desde…
desde…

— É por isso que você veio então, Nathan? Para discutir os méritos do seu
personagem? Ou você veio para me humilhar ainda mais? Só desta vez na presença de toda a
minha ilustre família?

Nathan estendeu o braço. — Caminhe comigo.

Não foi um pedido.

Ela olhou seu cotovelo estendido com desconfiança. Afinal, era o mesmo cotovelo que
dobrou enquanto ele rabiscava aquela aposta maldita nos livros.

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— Nunca me diga que você é, na verdade, um covarde. — Nathan desafiou.

Alexandra cerrou os dentes e reprimiu uma réplica. — Tudo bem então. — Ela deslizou
o braço no dele e se odiou pela emoção da consciência que a percorreu.

— Você ainda sente isso.

— Não tenho ideia do que você está falando, milorde. — ela mentiu.

Nathan não discutiu mais o ponto. Em vez disso, eles continuaram sua jornada
silenciosa e afetada sem destino específico, seus corpos perfeitamente sincronizados com os
movimentos um do outro, as botas e os chinelos dela deixando lembretes de pegadas na neve
espalhada pelo chão.

Eles se arrastaram por uma pequena inclinação, e seu chinelo pegou um pedaço de
neve escorregadia. Ela quase caiu para trás na colina.

Uma mão forte e firme estendeu-se rapidamente e salvou-a da queda iminente.

— Obrigada. — disse ela sem fôlego.

— Trezentos.

Alexandra piscou confusa.

— Trezentos passos que demos em silêncio.

Ele se tornou um contador. Ela sorriu. Então prontamente se odiou por sorrir. Droga.
Ela não queria rir com ele. Ela não queria achá-lo cativante. E ela certamente não queria
sentir seu coração caloroso por ele. — Contei trezentos e vinte e cinco — disse ela com um
tom forçado de dureza em suas palavras.

Nathan parecia querer dizer algo, mas conteve as palavras. Olhos azuis profundos
espiaram as vastas propriedades abaixo de sua posição na colina. Nessas piscinas expressivas,
desespero, arrependimento e toda uma série de outras emoções que a fizeram ter esperança.
Esperança tola, tola.

— Os chinelos não foram a melhor ideia para um passeio.

Seus lábios se contraíram novamente. — Nesse ponto, posso concordar com você.

Eles continuaram andando sem nenhuma direção específica, seus passos os levando
cada vez mais longe do covil de Danby. Quando ela voltasse, ela receberia uma bronca de sua
mãe. Ela também não se importava que o frio do inverno se infiltrasse no tecido de veludo,

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enviando ondas de frio por sua espinha. Naquele momento, ela alcançou o que queria desde o
salão de baile de Williams… liberdade dos olhos curiosos e perguntas. Nesse momento, ela
era a única pessoa cujas perguntas importavam. Assim ela teria suas perguntas respondidas, e
então ela estaria livre dele.

A dor desse pensamento a apunhalou como um pedaço de gelo denteado cravando a


lâmina na terra.

Eles chegaram a um pequeno bosque de árvores. Uma pedra enorme grande o


suficiente para servir de banco para três pessoas cortava o caminho. Ela permitiu que ele a
conduzisse até lá, então se sentou e esperou.

A neve girou em torno deles como uma rajada de pilhas brancas no chão e em camadas
ao longo da aba de seu chapéu preto. Nathan o tirou e bateu o artigo contra sua calça de couro
revestida de amarelo, inadvertidamente atraindo os olhos dela para sua coxa musculosa.

Sua boca ficou seca.

— Senti sua falta, Alexandra.

— Faz apenas seis dias.

— Mas parece que foram seis anos.

Ele sempre afirmou que não era um poeta e ainda… ele tinha uma alma de poeta. Com
apenas algumas palavras, ele poderia chegar dentro dela e trazer o bálsamo da paz.

— Todas as vezes que você me disse que me amava. As vezes que você disse que
sonhava em me fazer sua esposa. Elas foram mentiras?

Nathan passou a mão sobre os olhos. — Oh Deus. O que eu fiz para você? — Seu tom
estava cansado. Virando-se de repente, ele a segurou pelos ombros. — A única mentira que já
contei foi a maldita aposta que fiz no White's.

Era o que ela desejava ouvir e, no entanto, como ela poderia acreditar nele?

— Então por que? Por que você…

Então seus lábios estavam nos dela. Cada pensamento racional passou por um suspiro
de desejo. Seus lábios se encontraram em uma violenta explosão de desejo e dor. A língua dele
deslizou entre seus dentes e se uniu à dela em um movimento primitivo de desejo insatisfeito.

A mão de Nathan percorreu seu corpo, familiarizando-se novamente com o

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alargamento de seu quadril, a parte inferior de seu seio, a maciez sedosa de seu pescoço.
Então ele estendeu a mão e puxou os alfinetes que prendiam seu coque limpo no lugar,
enviando os fios de seda caindo sobre seus ombros. Ele passou os dedos pelos cabelos dela,
aprofundando o beijo.

Alexandra, que contava tudo, desde passos até tiques em um relógio, perdeu a noção
do tempo. Tudo o que ela sabia era naquele momento, em seus braços, a dor da traição se
dissipou em um canto do faz-de-conta, e ela se sentiu abençoadamente viva. Feliz.

Foi Nathan quem quebrou o beijo. Não de forma contundente, mas sim com uma
separação gentil selada com um beijo na testa.

A respiração de Alexandra veio rápida, pequenos jorros que marcaram o ar com o


sussurro de respirações brancas encontrando o ar frio.

— Sempre amarei você. — sussurrou ele.

Ela se afastou e o imobilizou com um olhar fixo. — Você vem até mim insistindo que
me ama. Você afirma que não encheu meus ouvidos com banalidades vazias. No entanto, você
fala de adeus? Você me deve respostas, Nathan. Você me deve a verdade.

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Capítulo 10

Você me deve a verdade.

Sim, ele devia a verdade a ela. Mas a que custo? Que tipo de bastardo ele seria se
admitisse o motivo de sua traição? E depois de receber as bênçãos do duque de Danby, ele se
comprometeu a confessar todos os aspectos ruins disso. Mesmo se isso fosse machucá-la.

No entanto, agora, com ela sentada diante dele, a ideia de causar-lhe mais dor tornava
difícil para ele falar.

Incapaz de enfrentar seu olhar acusatório, ele olhou para os campos carregados de
neve. — Há mais de uma semana, visitei seu pai no clube. Solicitei uma audiência privada com
ele. — Nathan ainda se lembrava da humilhação daquele audiência. Ele tolamente acreditou
que o marquês de Tewkesbury tinha sido amável com seu pedido. — Eu apareci na casa do
seu pai e pedi sua mão. — Alexandra engasgou e ele resistiu à vontade de olhar para ela.

— Eu não sabia. — sussurrou ela atrás dele, as palavras quase ecoando no silêncio da
neve.

Ele balançou a cabeça e riu. Mesmo para seus ouvidos, o som saiu enferrujado e
amargo. — Não, eu não acredito que você soubesse. Ele… — Nathan respirou fundo e se
fortalecendo. — Ele me falou longamente sobre meu pai. Ele disse que seria condenado se
alguma vez visse sua filha casada com o filho da puta de um bastardo.

— Não. — Alexandra quase gritou.

Nathan não sabia se ela estava protestando contra a verdade daquelas palavras ou se
aquela única palavra era mais um apelo. Ele continuou. — O marquês insistiu que se eu
realmente a amasse como afirmei, que o libertaria para fazer um casamento com um
cavalheiro digno de você. Eu disse a ele para ir para o diabo, insisti que você nunca acreditaria
que eu iria traí-la.

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— Então por que você concordou com seus planos? — ela sussurrou.

Sua pergunta estava latente com a picada da traição. Se fosse qualquer outra pessoa
antes dele, ele administraria um daqueles sorrisos afetados que ele adotava para o benefício
da alta sociedade, o mesmo sorriso que lhe permitia desconsiderar a condescendência e o
julgamento que enfrentou como filho de um dos senhores mais desonrosos da Inglaterra.
Exceto que seu antecessor, um homem que ele não considerava pai, era pior do que
vergonhoso. Ele tinha sido um bastardo infiel, um prostituto.

— Nunca te contei sobre o dia em que minha mãe morreu. Minha linda e paciente Alex.
— Ela ficou ali tão silenciosa. Tão silenciosa. Só ele a conhecia tão bem quanto a si mesmo, e
simplesmente sabia que ela estava contando alguma coisa. Talvez ela estivesse contando os
flocos de neve caindo ou os segundos passando, tudo para se conter. Era apenas uma das
muitas coisas que ele amava nela. Alex não era impulsiva. Ela era contemplativa e atenciosa de
uma forma que muitos membros da sociedade não eram. Apesar da curiosidade iluminando
seus olhos, ela estava atenta aos sentimentos dele.

— Não, você nunca me contou sobre sua mãe, Nathan.

Nathan fechou os olhos e inspirou profundamente o ar fresco do inverno, procurando


profundamente em si mesmo por coragem para continuar.

Alexandra esperou que Nathan falasse.

Quando Nathan começou a cortejar Alexandra, seu pai foi mais do que vociferante em
sua desaprovação. Ele até chegou ao ponto de proibir sua filha de comparecer a qualquer uma
das mesmas funções de que Nathan estaria presente.

Como neta de Danby, ela nunca quis ter pretendentes. O que ela não tinha eram
pretendentes sérios… pretendentes que tinham um desejo genuíno de estar com ela, que a
achavam divertida, que não se importavam que ela fosse um pouco gordinha e propensa a
períodos de silêncio constrangedores. Isso foi até Nathan. Apenas sua mãe tinha visto a dor
que a separação obrigatória havia causado em Alexandra.

Foi sua mãe quem falou em seu nome e insistiu que Nathan fosse autorizado a cortejar
Alexandra. Surpreendentemente, seu pai capitulou. Mas sempre que ele a via, o que não era
frequente, ele sempre fazia referências vagas sobre a morte escandalosa de Lady Pembroke.

Ela sempre o ignorou ou se desculpava e saía da sala. Ela não queria saber de algo tão

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íntimo sobre Nathan de ninguém além do próprio Nathan.

— Minha mãe estava perdidamente apaixonada por meu pai. A pobre e tola mulher. Eu
convivi com ela por dez anos, e a cada ano sua felicidade ficava cada vez mais fraca até que ela
se tornou uma casca da mulher que me abraçou quando criança.

Seu coração doeu ao pensar em Nathan como um menino triste e esquecido. Ela
imaginou que ele seria um jovem solene. Pobre Nathan. E sua pobre mãe. Mesmo inacabada,
ela reconheceu que a história era trágica.

— O que aconteceu com ela?

Nathan passou a mão pelo cabelo, mandando flocos voando para se juntar aos outros
que escorregavam do céu. — Minha mãe estava grávida. Apesar de seu estado delicado e de
minha presença em casa, meu pai tinha convidados. — A maneira como ele disse a palavra
convidados indicava que ele não falava de membros respeitáveis da alta sociedade. — A folia
no salão de baile era tão alta que chegava acima das escadas. Eu vaguei e encontrei minha
mãe. Ela estava serpenteando pela casa, em direção à alegria. — Ele olhou para o céu espesso
de inverno. — Eu a segui e observei enquanto ela abria as portas do salão. O que ela viu os
homens e mulheres… — Sua voz sumiu. — Não posso nem falar do que eles estavam fazendo.
Minha mãe correu. Ela nem ouviu quando eu a chamei. Eu a vi correndo escada acima, mas
seu pé ficou preso no vestido.

Alexandra ficou de pé e foi até Nathan, oferecendo-lhe o consolo de sua presença. Ela
pegou suas mãos e apertou-as para encorajá-las.

Ele endireitou os ombros e continuou. — Não consegui pegá-la, Alex. Eu gritei, mas ela
caiu para trás. Desceu as escadas. Ela perdeu o bebê e sua vida naquela noite. — Uma risada
aguda e amarga escapou dele. — Ouvindo meus gritos, os convidados do meu pai saíram do
salão. O escândalo da minha família, a morte da minha mãe, são todas muito públicas,
histórias vergonhosas, Alex.

Ela inclinou a cabeça em um pequeno ângulo desafiador. — E você acha que sou tão
inconstante quanto a sociedade, como aqueles que testemunharam sua dor?

Um som estrangulado ficou preso em sua garganta. Ele arrancou sua mão da dela. Ela
olhou para baixo, lamentando a perda de contato.

— Você não entende? Eu não sou respeitável. Seu pai estava, não, está certo sobre mim.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


E ele está certo ao dizer que você merece mais do que se casar com o filho de um homem que
quase matou sua esposa e perdeu a maior parte de nossa riqueza no jogo.

— Ele me visitou, Alex, e me lembrou de minhas origens. Disse que se eu realmente te


amasse, eu te libertaria. E ele estava certo. Mas ele também estava certo sobre eu ser um
bastardo egoísta que só se importa consigo mesmo. Por mais que eu saiba que você é melhor
sem mim, por mais que eu saiba que há muitos homens que podem lhe trazer uma felicidade
muito maior, quero você só para mim.

Alex sentiu algo quente descendo por sua bochecha e piscou confusa. A neve estava
fria e mesmo assim… ela passou a mão no rosto e percebeu que estava chorando. Ele desistiu
dela porque a amava. Ele fez isso de uma forma tão pública que ganharia não apenas a
condenação adicional da nobreza que não esperava menos dele, mas também de uma forma
que ganharia o desprezo e o ódio de Alexandra.

— Seu tolo, homem tolo. Você realmente não confiou que meu amor fosse forte o
suficiente? — Sua respiração engatou dolorosamente quando a realidade a atingiu com força.
Ela cruzou os braços sobre a barriga e apertou para tentar conter a dor. Era inútil. A
incapacidade dela de ter olhado além dos motivos de Nathan indicava que ele não estava
realmente longe do alvo.

Pegando-a com força pelos ombros, Nathan deu-lhe uma leve sacudida. — Você não se
parece com isso. Em que mais você deveria acreditar?

Ela engoliu em seco com uma bola de dor. — Eu deveria ter acreditado em você,
Nathan. Eu deveria saber que havia algum motivo…

Cheia de energia inquieta, Alexandra se afastou do toque de Nathan e se virou para o


horizonte branco como a neve. Precisando de algo, qualquer coisa para fazer, ela examinou a
vasta extensão das propriedades de Danby enquanto as implicações da revelação de Nathan
penetravam em seus pensamentos turbulentos.

— Meu pai me traiu.

— Pela natureza da minha decisão, fui cúmplice dessa traição.

Ela se voltou para ele. — Porque você foi feito para me proteger. — Uma risadinha
melancólica escapou dela. — Pela primeira vez desde que recebi a intimação de Danby,
gostaria que meu pai tivesse sido incluído no grupo de viagem.

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A sensação sólida e reconfortante da mão de Nathan pousando em seus ombros a
aterrou no momento. Ele se abaixou; seu hálito quente agitou o cabelo em sua nuca. — Tenho
quase certeza de que seu pai não aceitará, mas… — ele se ajoelhou, a neve esmagando sob o
peso de sua perna — quer casar comigo?

O queixo de Alexandra caiu e ela teve que estender a mão para fechá-lo. Mesmo assim,
as palavras escaparam dela. O brilho de um diamante oval rodeado por um aglomerado de
safiras brilhava forte no dia frio e cinzento. Era um anel.

— É o anel da minha mãe. — Nathan disse, mudando seu peso para o chão. Em
resposta ao silêncio dela, ele segurou a criação impressionante para ela. Suas mãos tremiam
levemente.

Era o medo de que ela dissesse não?

Com aquele leve sinal revelador de sua ansiedade, Alexandra estendeu a mão trêmula.
Ela olhou para ele, desejando que ele visse o amor em seus olhos.

— Sim.

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Capítulo 11

A desolação que tomou conta de Nathan desde que ele concordou em trair Alexandra
se dissipou no momento em que ela colocou a mão na dele e ele colocou o anel de sua mãe em
seu dedo. Com a neve aumentando de intensidade, eles relutantemente partiram de volta para
o castelo Danby. Sua mão se aninhou calorosamente na dele, eles caminharam com a conexão
perfeita que sempre os uniu.

— Na verdade, jantei com a inumerável família Danby ontem à noite. Posso lhe
assegurar que nossa ausência não foi comentada. — disse ele, lendo com precisão seus
temores.

Alexandra bufou e deu um tapa de brincadeira no braço dele. — E garanto-lhe, minha


mãe estará esperando meu retorno. Junto com qualquer número de meus primos homens.

Nathan balançou as sobrancelhas. — Isso soa como uma ameaça, amor.

— Não é uma ameaça. Estou apenas declarando uma verdade. — ela fez uma pausa. —
Você jantou com minha família?

Seus lábios se curvaram. — Você ficaria surpresa em saber que seu avô foi muito
cordial.

Ela ergueu as sobrancelhas em surpresa.

— Quando recebi a convocação de Danby, parti esperando ser arrastado para o outro
lado do carvão. Poucas horas depois da minha chegada, fui conduzido ao seu escritório
preparado para uma merecida chicotada e fiquei mais do que surpreso.

O ceticismo cintilou nos olhos de Alexandra. — Seguindo as notícias escandalosas


sobre nossa conexão, Danby foi cordial? — ela mordeu o lábio contemplativamente. — Isso
não parece nada com o duque.

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Uma risada retumbou do peito de Nathan. — Em comparação com a recepção fria que
recebi de alguns membros de sua família, eu diria que o duque foi quente como uma xícara de
chocolate.

Alexandra passou a mão nos olhos e gemeu. — Não consigo nem imaginar…

— Não, não pode. Em particular, sua irmã foi, ah… bastante vocal em seu
descontentamento. Passei uma refeição matinal extremamente longa ouvindo as opiniões um
tanto cansadas de Lady Olivia sobre o amor. Ela me garantiu, no entanto, que suas opiniões
eram exclusivas de nossas circunstâncias

Ela assentiu, lutando contra um sorriso. — Sim, isso soa como Olivia. Suponho que,
considerando sua obediência aos esforços de meu pai para nos separar, uma longa refeição
com Olivia é o mínimo que você merece.

Ele baixou a cabeça concordando. — Ela é uma senhora muito leal e obstinada.

Eles avistaram a monstruosidade totalmente iluminada de uma casa. A gentil


provocação de sua troca se dissipou diante da realidade de suas circunstâncias, e eles
continuaram sua jornada para o Castelo de Danby.

— Mamãe e papai nunca darão consentimento. — disse ela baixinho na quietude do


inverno.

O desespero de suas palavras picou Nathan e ele agarrou a mão dela, guiando-a para
mais perto da propriedade, subindo os degraus e até as portas da frente. — Quando você se
tornou tão severa?

— Oh, eu não sei. Já que meu pai planejou nos separar e você concordou com o plano
dele por algum tipo de honra equivocada. — disse ela secamente.

Nathan abriu a porta e Alexandra passou. Eles abriram caminho pelas cozinhas e pelos
intermináveis corredores do castelo em um silêncio contemplativo.

Ele parou. — Se eu garantisse a bênção de Danby, certamente seu pai não poderia
protestar contra uma união entre nós. E com o marquês em Londres…

— O marquês não está em Londres. — uma voz rugiu.

Nathan e Alexandra se assustaram quando foram colocados cara a cara com o marquês
de Tewkesbury.

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Por que ela não podia meramente ter direito a um pouco de alegria sem a intrusão da
fria realidade da vida?

Engraçado que há pouco tempo ela ansiava por ver seu pai para poder atacá-lo por tê-
la machucado. Naquele momento, entretanto, tudo que ela queria era que Nathan fosse
embora. A boca de Alexandra ficou seca de pânico. — Você não deveria estar aqui. — ela
deixou escapar.

Os olhos de seu pai se estreitaram e ele cruzou os braços sobre o peito. — Solte minha
filha, seu canalha.

A mão de Alexandra afrouxou, mas Nathan segurou com determinação a mão dela,
dando-lhe um aperto firme e reconfortante. Sua mandíbula endureceu e todos os traços de
calor derreteram dele, substituídos por uma fúria mal contida.

— Tsk, tsk — disse Nathan. — o marquês de Tewkesbury arrastando um assunto


privado para o saguão, onde qualquer servo que passe poderia ouvir.

Um rubor opaco coloriu as bochechas de seu pai em uma demonstração manchada de


sua raiva. Ele estendeu um dedo trêmulo. — Você…

— Está correto, Pembroke.

Três pares de olhos assustados giraram e pousaram em Danby, que os observava do


patamar da primeira escada.

Nathan fez uma reverência baixa e respeitável para o cavalheiro mais velho. — Sua
Graça.

Danby inclinou a cabeça em reconhecimento e então fixou seu olhar ducal no pai dela.
— Não esperaria que meu genro tivesse o bom senso de se preocupar em compartilhar
informações privadas no meio do meu foyer. Nem mesmo uma reverência, Tewkesbury? O…
como você o chamou? O canalha, ante mim, tem muito mais maneiras do que você.

Seu pai fez uma reverência apressada e murmurou um pedido de desculpas que Danby
ignorou propositalmente.

— Vamos, vamos, então. Vamos prosseguir em meu escritório. — O duque olhou


longamente para o pai dela. — Até você, Tewkesbury. — Com isso, ele girou nos calcanhares e
subiu a última escada, não precisando olhar para trás para ver se o trio o seguia.

Desta vez foi a mandíbula de seu pai que ficou tão firme que ela ouviu seus dentes

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cerrarem.

Alexandra queria criticar o pai, queria chamá-lo de todos os tipos de insultos vis, mas
Nathan deu outro aperto em sua mão e ela respirou fundo.

— Ele está esperando que você seja emocional e verá isso como uma justificativa de
que você não conhece o que pensa para tomar uma decisão sobre o nosso futuro. Não dê a ele
essa satisfação. — Nathan murmurou em seu ouvido.

Ela acenou com a cabeça bruscamente e com Nathan em seu braço, passou
rapidamente por seu pai e subiu as escadas em direção ao escritório de Danby.

O marquês gritou furiosamente atrás deles: — Não pense que vou permitir que você se
case com minha filha. — Sua forma desajeitada escalou os degraus; sua respiração saiu em
ofegos ásperos pelo esforço.

Ninguém disse uma palavra até que eles entraram nos escritórios de Danby. Para
alguém com tantos anos de idade, o duque era surpreendentemente ágil e rápido. No
momento em que Alexandra, Nathan e seu pai entraram na sala, o duque já estava sentado
atrás de sua mesa, uma carranca fixada em seu rosto de outra forma ilegível.

Por fim, Danby falou. — Bem?

Antes que Alexandra pudesse falar, seu pai começou a reclamar. — Este, patife…, ah…
malandro, não cabe casar com a filha do marquês de Tewkesbury, nem tampouco com a neta
do duque de Danby. Seu pai era um filho da puta notório.

Alexandra engasgou mesmo quando Nathan ficou tenso ao lado dela, as mãos fechadas
em punhos apertados.

Seu pai continuou como se não tivesse havido interrupção. — E ele quase matou a
esposa.

Quem era este homem antes dela? Como eles poderiam compartilhar o mesmo
sangue? Isso a envergonhou. Ela olhou para Nathan para ver como ele havia sido afetado pelo
discurso, exceto que seu rosto estava em uma máscara inescrutável, que parecia enfurecer
ainda mais o pai dela, que se virou para Nathan tão rapidamente que quase perdeu o
equilíbrio. — Seu bastardo, você não tem nada a dizer?

— Sim, Tewkesbury. — Danby berrou do outro lado da mesa, o som assustando


Alexandra e seu pai. Nathan, entretanto, não parecia afetado pelo tom severo.

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— Deus me perdoe, Tewkesbury, pensei que você fosse um bom par para minha filha. A
única razão pela qual lhe dei a mão foi porque seu pai e eu éramos amigos e eu o respeitava.
Não há muitos que eu respeito, mas respeitei seu pai. Que vergonha por julgar outro homem
por seu pai. Você não é nada como seu pai. Assim como Pembroke não é nada como pai dele.

Manchas vermelhas mancharam as bochechas do pai dela e ele cuspiu, tentando


encontrar palavras. Infelizmente, ele nunca foi eloquente.

Danby bateu com o punho no chão. — Silêncio. — ele latiu. — É hora de você ouvir.
Tive que aceitar que minha filha seja miserável por causa de um casamento que arranjei, mas
não vou ver minha neta comprometida com o mesmo destino. Você é um sujeito covarde,
conivente, manipulador e indigno de minha filha. Bem, esse é um erro que não posso corrigir.
Mas posso salvar minha neta do destino de permitir que você selecione seu marido.

Alexandra sentiu uma picada atrás dos olhos e sua visão turvou, transformando a
imagem do duque em um caleidoscópio de luz dos castiçais e lágrimas salgadas. As mãos de
Nathan pousaram em seus ombros, lembrando-a de seu amor e apoio.

— Ela é minha filha. — seu pai vociferou.

Aparentemente, ele tinha mais firmeza do que ela havia creditado.

— Mais importante, ela é minha neta. Ouça bem e claramente, Tewkesbury. —


Colocando os cotovelos na mesa, ele se inclinou para frente. Ele falou com uma calma letal. —
Quando dou ordens, espero que sejam obedecidas. Eu pedi expressamente que você ficasse
em Londres. Você ignorou minha diretiva. Estou lhe dizendo agora, Pembroke vai se casar
com sua filha. — ele fez uma pausa e voltou sua atenção para Nathan. — Presumo que você
queira se casar com minha neta?

Nathan pegou a mão de Alexandra e a ergueu. A luz da vela iluminou o diamante


maciço em seu dedo, enviando um prisma de luz irradiando das paredes. — Mais do que tudo,
Sua Graça. — Seu quente olhar pousou em Alexandra, e ele a acariciou com os olhos, antes de
voltar sua atenção para o duque. — Eu a amo.

Um sorriso trêmulo apareceu nos cantos dos lábios de Alexandra.

— Bem, aí está, eles vão se casar.

— Agora, fora, vocês dois. Tenho certeza de que minha prole está pairando fora deste
escritório para obter detalhes sobre o que foi discutido aqui.

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Alexandra fez uma reverência enquanto Nathan se curvava. Sem nem mesmo olhar
para o pai, Alexandra começou a sair. Ao chegar à porta, ela fez uma pausa, se virou e correu
os vinte e três passos através da sala até o assento de seu avô.

Ela se inclinou e beijou sua bochecha enrugada. — Muito obrigada, avô. Eu te amo. —
ela sussurrou.

Sua garganta balançou para cima e para baixo, e ele deliberadamente pigarreou. —
Fora com você agora, Alex.

Alexandra se levantou e correu para o lado de Nathan. Ela sorriu para ele e eles deram
dois passos para sair quando as próximas palavras do avô os alcançaram.

— Ah, e Tewkesbury, faltando apenas três dias para o Natal, vou insistir para que você
volte para Londres. Eu não vou permitir que você estrague o Natal de ninguém da minha
prole.

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Capítulo 12

Alexandra desceu furtivamente a segunda escada do castelo Danby, dando uma espiada
por cima do ombro para se certificar de que um dos muitos primos, tias, tios ou vários outros
parentes presentes no Natal não soubesse de suas ações.

Uma ansiedade ansiosa para ver Nathan a inundou, encheu-a, e pela primeira vez ela
não foi capaz de contar passos, escadas ou qualquer coisa além dos momentos que levou para
vê-lo.

Ela alcançou as portas da cozinha e as abriu. Precisando desesperadamente de óleo, as


dobradiças da porta rangeram. Ela se encolheu quando o som ressoou nas paredes como um
tiro na igreja.

As portas do duque de Danby não rangiam. Mas então o duque de Danby não
demonstrava afeto ou desempenhava o papel de casamenteiro, e ainda assim, neste Natal ele
havia feito todas essas coisas. Olhando em volta para verificar se ela permanecia sozinha, ela
entrou.

O brilho suave da lareira da cozinha iluminou a grande sala, lançando a sala em


sombras bruxuleantes.

Até o dia em que se tornasse uma velha grisalha, Alexandra sempre se lembraria de
Nathan naquela noite de Natal, enquanto ele ficava olhando para ela através da longa cozinha
como se ela fosse a única mulher no mundo.

— Até que enfim. — Nathan chamou baixinho, sua voz profunda e melíflua fluindo
sobre ela como uma carícia de seda. Ele ficou ao lado da mesa longa e retangular onde o
pessoal iria jantar. Havia duas taças de champanhe.

Ela entrou na cozinha e parou diante dele. Suas mãos a agarraram pela cintura,
enquanto ele a puxava suavemente em sua direção.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Alexandra suspirou e torceu os dedos em seus cabelos escuros e sedutores e o beijou
como se fosse sua última noite no mundo. Ele tinha gosto de chocolate amargo e especiarias, o
deleite de Natal delicioso e perfeito. Suas línguas lutaram corajosamente enquanto eles se
familiarizavam com o abraço deles.

As mãos de Nathan traçaram um caminho sobre seu corpo, o envoltório azul claro e a
camisola que ela usava oferecendo um pequeno obstáculo ao calor de sua pele por conta
própria.

Sua mão segurou a parte inferior de seu seio e gentilmente sacudiu a ponta inchada
enquanto sua cabeça caiu para trás em um gemido gutural. Suas pernas ficaram moles e ela
caiu em seus braços, mas ele a estava guiando de volta para a mesa. A madeira dura e fria da
mesa encontrou suas nádegas, e ele se acomodou entre suas pernas.

Em seguida, seus lábios traçaram uma trilha sedutora do canto dos lábios, descendo
por sua bochecha, ao longo da pele sensível na parte interna de seu pescoço. Sua cabeça caiu
para trás em um gemido.

Ele fez menção de deitá-la e…

Batida!

O som estrondoso de cristal quebrando rompeu o silêncio da meia-noite, e eles se


separaram, sem fôlego, procurando freneticamente ao redor pelo intruso.

Quando nenhum grito ou alarido encontrou suas ações escandalosas, Nathan colocou
sua testa sobre a dela e esfregou-a para frente e para trás, rindo.

— Suponho que foi um lembrete de que, com tudo que Danby fez, não devo
desrespeitar sua casa.

Alexandra gemeu em protesto, mas colocou os braços em volta dele e o segurou com
força. Ela pressionou a bochecha contra a camisa de linho branca e imaculada e sentiu a
batida firme do coração dele.

— Meu avô nunca foi romântico. Nunca me senti nada mais do que uma criança
problemática para ele. Ele sempre foi um defensor da propriedade e da respeitabilidade, e
nunca poderei saber por que ele aceitou tanto nosso escândalo.

Os dedos de Nathan traçaram um círculo padronizado sobre suas costas. Houve um


momento de silêncio antes de ele falar. — Danby tinha um homem em Londres após nosso

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namoro. Seu homem soube dos esforços de seu pai, bem como minhas razões para concordar
com… com… — ele parou, incapaz de falar sobre seu papel em traí-la. — Quando ele me
chamou aqui para o Castelo Danby, ele me fez duas perguntas: por que eu fiz isso? E se eu te
amava?

Alexandra se recostou e inclinou a cabeça para olhar para ele. — E você disse?

— Posso enumerar mil e duas razões pelas quais a amo.

E ele começou a fazer exatamente isso.

Conquistando o coração de uma Lady – Christi Caldwell


Sobre a Autora

A autora de bestsellers CHRISTI CALDWELL culpa "Whitney, My Love!"

De Judith McNaught! por atraí-la para o mundo do romance histórico. Enquanto

estava sentada em seu apartamento de pós-graduação na Universidade de

Connecticut, Christi decidiu deixar de lado suas anotações e pegar seu laptop para

experimentar seu romance. Ela acredita que os heróis e heroínas mais perfeitos têm

imperfeições, e ela prefere torturá-los antes de criar um merecido bem feliz para

sempre!

Christi a leva para casa no sul de Connecticut, onde ela passa seu tempo

escrevendo romances históricos encantadores, perseguindo seu filho de sete anos e

cuidando de suas princesas gêmeas em treinamento!

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Série Danby

2 – Uma Temporada de Esperança

Cinco anos atrás, quando seu amor, Marcus Wheatley, não conseguiu
retornar da luta contra as forças de Napoleão, Lady Olivia Foster enterrou seu
coração. Incapaz de trair a memória de Marcus, Olivia saiu de seu caminho para
afastar possíveis pretendentes. Aos vinte e três anos, ela se considera firmemente
uma solteirona. Seu pai, no entanto, discorda e aceita a oferta da mão de Olivia em
casamento. No entanto, é Natal, quando tudo pode acontecer…

Olivia recebe uma intimação oportuna de seu avô, o duque de Danby, e


abraça ansiosamente o adiamento de seu noivado.

Só que, quando Olivia chega ao Castelo de Danby, ela percebe que o Natal é
um tempo de esperança, segundas chances e até milagres.

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