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TERMODINÂMICA I

CAPITULO 2: Energia, Transferência


de Energia e Análise Geral da Energia
Engenharia Mecânica
IFES CAMPUS VITÓRIA
2020/1
Prof. MSc. Renzo Ferrarini

Autoria Prof. Hermes Vazzoler J. e Renzo F


Assuntos Abordados
1. Tipos de Energia
2. Energia Mecânica
3. Calor
4. Trabalho
5. As Diversas Formas do Trabalho
6. A Primeira Lei da Termodinâmica
7. Eficiências de Conversão de Energia
Considere uma sala cuja porta e janelas
estejam hermeticamente fechadas e cujas
paredes estejam bem isoladas, de modo que
a perda ou o ganho de calor através das
paredes seja desprezível. Imagine que um
refrigerador com as portas abertas é colocado
no meio da sala, e ligado a uma tomada da
rede de energia elétrica. É possível usar um
pequeno ventilador para circular o ar e manter
a uniformidade da temperatura dentro da sala.

O que você acha que acontecerá com a


temperatura média do ar na sala? Ela
aumentará ou diminuirá? Ou permanecerá
constante?
1. Tipos de Energia
A energia pode existir em inúmeras formas; ela pode 𝐸 = 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙
ser térmica, mecânica, elétrica, magnética, química e
nuclear, e a soma delas constitui a energia total 𝐸 de
um sistema Sistema qualquer

𝐸 = 𝐸𝑇é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑀𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝐸𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑀𝑎𝑔𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑄𝑢í𝑚𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑁𝑢𝑐𝑙𝑒𝑎𝑟

Quando trabalharmos com o conceito de energia por


unidade de massa 𝑒 , teremos:

𝐸 𝐽 𝑘𝐽
𝑒= 𝑜𝑢
𝑘𝑔 𝑘𝑔
𝑚 Observação: veremos a seguir que
𝐸𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 = 𝐸𝑇é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑄𝑢í𝑚𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑁𝑢𝑐𝑙𝑒𝑎𝑟
Energia Total

Constitui a soma das componentes de energia

Macroscópicas + Microscópicas

são aquelas que um sistema possui são aquelas relacionadas à estrutura


como um todo, com relação a algum molecular de um sistema e ao grau de
referencial externo, tais como as atividade molecular e são independentes de
energias cinética e potencial referenciais externos, tais como as energias
gravitacional térmica e química.
A energia que um sistema possui como resultado de seu movimento
relativo a algum referencial é chamada de energia cinética (EC). Quando
todas as partes de um sistema se movem com a mesma velocidade, a
energia cinética é expressa como
1
𝐸𝐶 = 𝑚𝑉 2 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽
2
ou, por unidade de massa (𝑒𝑐)
1 2 𝐽 𝑘𝐽
𝑒𝑐 = 𝑉 𝑜𝑢
2 𝑘𝑔 𝑘𝑔

A variação de energia cinética entre dois estados será


1
∆𝐸𝐶 = 𝑚 𝑉22 − 𝑉12
2
O valor da energia cinética de um sistema (veículo), num dado estado, depende do
referencial adotado
0 𝑚/𝑠 20 𝑚/𝑠
Estado 1 Estado 2

20 𝑚/𝑠 0 𝑚/𝑠

Referencial 1 Referencial
𝐸𝐶 = 𝑚(20)² movendo-se 𝐸𝐶 = 0
fixo 2 a 20 m/s

A variação da energia cinética, entre dois estados distintos de um sistema, também


depende do referencial adotado

0 𝑚/𝑠 20 𝑚/𝑠 20 𝑚/𝑠


30 𝑚/𝑠 0 𝑚/𝑠 10 𝑚/𝑠

Referencial Referencial
1 movendo-se 1
fixo
∆𝐸𝐶 = 𝑚 302 − 202 ∆𝐸𝐶 = 𝑚 102 − 02
2 a 20 m/s 2
A energia que um sistema possui como resultado de sua altura em um campo
gravitacional é chamada de energia potencial (EP), e é expressa como

𝐸𝑃 = 𝑚𝑔𝑧 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽

e por unidade de massa (𝑒𝑝), será Referencial


fixo z

𝑒𝑝 = 𝑔𝑧 𝐽 𝑘𝐽
𝑜𝑢
𝑘𝑔 𝑘𝑔

A variação de energia potencial entre A energia potencial gravitacional de um


dois estados é sistema (massa m) dependerá do
referencial adotado.
∆𝐸𝑃 = 𝑚𝑔 𝑧2 − 𝑧1 E com relação a variação da energia
potencial gravitacional entre dois estados
distintos, o que podemos dizer?
A Energia Interna (U) é uma propriedade
termodinâmica, e portanto uma função de
estado, independente do referencial,
constituindo a medida das formas 𝑈
microscópicas de energia de um sistema. Sistema
fechado
A energia interna corresponde à soma das
parcelas de energia relacionadas as forças de
ligação entre átomos e/ou moléculas e/ou Energia
partículas elementares, conjuntamente com a Térmica

Energia Interna
soma das parcelas de energias das cinéticas
das moléculas, dos átomos, dos elétrons,
Energia
prótons e nêutrons. Química

Observação: As parcelas de energia cinética


microscópicas têm forte dependência da Energia
temperatura absoluta, sendo chamada de Nuclear
Energia Térmica.
Quanto maior a temperatura, maior é a energia Cada fase define uma certa quantidade de
térmica, portanto maior é a cinética dos armazenamento de energia interna na estrutura
movimentos microscópicos. atômico-molecular de uma substância
Reações químicas causam
mudanças na composição química e
consequentemente na energia
interna de um sistema Reações nucleares de fissão e fusão
constituem meios extremos de
“elevadíssima produção” de energia.
A Energia Interna (U) de um sistema
fechado é dada por

𝑈 = 𝑚𝑢 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽

onde (𝑢) é a energia interna por unidade


de massa, que é uma propriedade
tabelada.
𝐽 𝑘𝐽
𝑢 𝑜𝑢
𝑘𝑔 𝑘𝑔

A variação de energia interna (∆𝑈) O artifício da mudança da quantidade de


entre dois estados distintos, 1 e 2, será energia interna da substância água, que
passa do estado líquido para vapor
numa caldeira, é utilizado para gerar
∆𝑈 = 𝑚 𝑢2 − 𝑢1 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽 eletricidade através de uma máquina
térmica (pistão e cilindro).
Observação: No nosso contexto, a energia interna versará apenas sobre a
soma das parcelas de energias térmica e química (termodinâmica clássica).
𝐸𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 = 𝐸𝑇é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑄𝑢í𝑚𝑖𝑐𝑎
Imagine uma tubulação ou equipamento qualquer, onde um fluido escoa com
velocidade média (𝑉𝑚𝑒𝑑 ) em uma seção de área (𝐴𝑠𝑒çã𝑜 ), a uma pressão média
(P) e temperatura média (T). Para análise deste escoamento, observaremos um
volume de controle, definido pelo esquema abaixo.

Volume de 𝑉𝑚𝑒𝑑
Entrada Controle
de massa volume de
controle 𝑃, 𝑇, 𝑉, 𝜌 𝐴𝑠𝑒çã𝑜
Saída de
Tubulação
massa

A vazão volumétrica (𝑉)ሶ é definida como a razão entre o volume (𝑉) de fluido
que escoa através de uma seção transversal de área (𝐴𝑠𝑒çã𝑜 ) por um dado
intervalo de tempo (∆𝑡), por

𝑉 𝑚³
𝑉ሶ =
∆𝑡 𝑠
Se temos a velocidade média (𝑉𝑚𝑒𝑑 ) do 𝑉𝑚𝑒𝑑
escoamento pela seção, então
𝑚³
𝑉ሶ = 𝑉𝑚𝑒𝑑 𝐴𝑠𝑒çã𝑜
𝑠

Se a densidade (𝜌) do fluido é constante, Perfil real de velocidade numa


então o fluxo de massa (𝑚)ሶ pela seção será tubulação de seção circular

𝑘𝑔

𝑚ሶ = 𝜌𝑉 = 𝜌𝑉𝑚𝑒𝑑 𝐴𝑠𝑒çã𝑜
𝑠

ሶ ) de
A energia contida num fluxo de massa (𝐸𝑓𝑚
uma corrente de fluido é expressa na forma de 𝐸ሶ = 𝑚𝑒
ሶ 𝑓𝑚
taxa de variação no tempo

𝐸ሶ𝑓𝑚 = 𝑚𝑒 ሶ 𝑓𝑚
ሶ 𝑓𝑚 = 𝜌𝑉𝑒 𝑊 𝑜𝑢 𝑘𝑊 𝑒𝑓𝑚 é a energia por unidade de
massa do fluido transportado
Voltemos a imaginar uma tubulação ou equipamento qualquer, onde um fluido

escoa com uma pressão (𝑃) a uma vazão volumétrica (𝑉)

Volume de 𝑉𝑚𝑒𝑑
Entrada Controle
de massa volume de
controle 𝑃, 𝑇, 𝑉, 𝜌 𝐴𝑠𝑒çã𝑜

Saída de Tubulação
massa

Esta massa de fluido também possui uma energia A energia de pressão por unidade de massa
associada a sua pressão, ou seja, uma energia de será
pressão (𝐸𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 ), que será expressa por 𝑃𝑉 𝑃 𝐽 𝑘𝐽
𝑒𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 = = 𝑃𝑣 = 𝑜𝑢
𝑚 𝜌 𝑘𝑔 𝑘𝑔

𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽 e ainda,
𝐸𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 = 𝑃𝑉
𝑊ሶ 𝑏𝑜𝑚𝑏𝑒𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 = 𝑚𝑒
ሶ 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜
ou na forma de potência de bombeamento é
Observação: a energia de pressão é mais conhecida pelos nomes
trabalho de bombeamento ou de escoamento. A potência de
𝑊ሶ 𝑏𝑜𝑚𝑏𝑒𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 = 𝑉∆𝑃
ሶ 𝑤 𝑜𝑢 𝑘𝑤 bombeamento representa a potência necessária para a bomba
movimentar um fluido numa certa vazão 𝑉ሶ e diferença de pressão ∆𝑃.
2. Energia Mecânica
A energia mecânica (𝐸𝑀𝑒𝑐 ) pode ser definida como a forma de
energia que pode ser convertida completa e diretamente em 𝑊 = ∆𝐸𝑀𝑒𝑐
trabalho mecânico (𝑊) por um dispositivo mecânico ideal.

Na mecânica de corpos rígidos, a


Se não há forças
energia mecânica de um sistema dissipativas (atrito),
era definida por a energia mecânica
de um sistema
comporto por corpos
𝐸𝑀𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 = 𝐸𝐶𝑖𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙
rígidos (pedra) se
conserva!
𝐸𝑀𝑒𝑐 = 𝐸𝐶 + 𝐸𝑃
1
𝐸𝑀𝑒𝑐 = 𝑚𝑉 2 + 𝑚𝑔𝑧
2
Na mecânica dos fluidos, a energia mecânica de um sistema é dada por

𝐸𝑀𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 = 𝐸𝐶𝑖𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎 + 𝐸𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 + 𝐸𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜

𝐸𝑀𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 = 𝐸𝐶 + 𝐸𝑃 + 𝐸𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 Na ausência de fontes


1 dissipadoras de energia
𝐸𝑀𝑒𝑐 = 𝑚𝑉 2 + 𝑚𝑔𝑧 + 𝑃𝑉 (atrito) e fluido escoando com
2 pequeníssima ou nenhuma
variação de energia interna, o
uso do conceito de energia
A energia mecânica por unidade de massa (𝑒𝑀𝑒𝑐 ) será mecânica é justificado.

1 2 𝑊 ≅ ∆𝐸𝑀𝑒𝑐
𝑒𝑀𝑒𝑐 = 𝑉 + 𝑔𝑧 + 𝑃𝑣
2 𝑊ሶ ≅ ∆𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐
e ainda,
A energia mecânica na forma de fluxo (𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐 ) é
∆𝑢 ≅ ∆𝑒𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜
1 1 2 𝑃 ∆𝑢 ≅ 𝑣∆𝑃
𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐 = 𝑚𝑉
ሶ 2
+ 𝑚𝑔𝑧
ሶ + 𝑃𝑉ሶ = 𝑚ሶ 𝑉 + 𝑔𝑧 +
2 2 𝜌
A variação da energia mecânica por unidade de massa, entre dois estados 1 e 2,
para um fluido com densidade constante será (∆𝑒𝑀𝑒𝑐 ) será
1 2 2
𝑃2 − 𝑃1
∆𝑒𝑀𝑒𝑐 = 𝑉2 − 𝑉1 + 𝑔 𝑧2 − 𝑧1 +
2 𝜌

Deste modo, a taxa de variação da energia mecânica (∆𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐 ) num fluido
com fluxo de massa (𝑚)
ሶ é
1 2 𝑃2 − 𝑃1
∆𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐 = 𝑚∆𝑒
ሶ 𝑀𝑒𝑐 = 𝑚ሶ 2
𝑉2 − 𝑉1 + 𝑔 𝑧2 − 𝑧1 +
2 𝜌

Se a energia mecânica se conserva (∆𝐸ሶ 𝑀𝑒𝑐 = 0), então

1 2 2
𝑃2 − 𝑃1 1 2 𝑃1 1 2 𝑃2
𝑉 − 𝑉1 + 𝑔 𝑧2 − 𝑧1 + =0 𝑉1 + 𝑔𝑧1 + = 𝑉2 + 𝑔𝑧2 +
2 2 𝜌 2 𝜌 2 𝜌
A famosa Equação de Bernoulli
(com energias por unidade de massa)
1ª Série de Exercícios: Z

1. Um caminhão pipa transporta 15 m³ de água no


80 km/h
estado de líquido a 20ºC (𝜌 = 1000 𝑘𝑔ൗ𝑚3). Se a
velocidade do caminhão é 80 km/h e este trafega a
uma altura de 50 m em relação ao nível do mar, para
50 m
esta massa líquida de água, determine:
(a) a energia cinética, de acordo com o referencial
fixo apresentado
(b) a energia potencial gravitacional, de acordo com
o referencial fixo apresentado

2. Utilizando a Equação de Bernoulli, determine uma expressão


para o calculo da velocidade V de saída de um fluido em um
V
tanque de elevado volume. Descreva suas suposições para
resolver este problema.
3. Potência elétrica deve ser gerada pela instalação de um conjunto
gerador-turbina hidráulica em um local 160 m abaixo da superfície livre
de um grande reservatório capaz de fornecer água a um fluxo
constante de 3.500 kg/s. Determine o potencial para geração de
potência.

4. Uma bomba realiza a movimentação de água a uma taxa de 10 kg/s


entre dois reservatórios. Se as pressões de entrada e saída de água na
bomba são 0,8 bar e 12 bar, respectivamente, determine a potência de
bombeamento associada a este processo. Supor 𝜌 = 1000 𝑘𝑔ൗ𝑚3.

5. Um fluido que escoa numa tubulação apresenta 1kJ/kg de energia específica. Sabe-se que
esta tubulação diâmetro de 10 cm, com uma velocidade média de escoamento de 2m/s. dado
que 𝜌 = 200 𝑘𝑔ൗ𝑚3 , determine:

a) o fluxo de energia relativo a este escoamento


b) A energia total que atravessaria uma seção qualquer desta tubulação em 10 segundos
3. Calor
A energia pode cruzar a fronteira de um sistema fechado em duas formas
diferentes: Calor e Trabalho.
Calor é definido como a forma de energia
transferida entre dois sistemas (ou entre um
sistema e sua vizinhança) em virtude da
diferença de temperaturas.
Se compararmos dois sistemas que apresentam
diferentes temperaturas, aquele com maior
temperatura cederá energia térmica ao de menor
temperatura numa taxa maior do que recebe.
Calor é o fluxo liquido de energia térmica de um
sistema a outro, em razão da diferença de
temperaturas existente entre estes sistemas.
O calor é a energia em trânsito. Ele só é reconhecido ao cruzar a fronteira de
um sistema.

A diferença de temperatura é a A energia é somente Durante um processo


força motriz da transferência de reconhecida como calor adiabático, um sistema
calor. Quanto maior a diferença transferido quando não troca calor com sua
de temperatura, maior a taxa de atravessa a fronteira do vizinhança.
transferência de calor. sistema
O calor total (𝑄) que pode ser transferido de um
sistema para outro, em consequência da diferença
de temperatura entre estes sistemas será
𝑄 = 𝑚𝑞 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽
𝐽 𝑘𝐽
onde 𝑞 𝑘𝑔
𝑜𝑢 𝑘𝑔 é o calor transferido por unidade
de massa.

A taxa de transferência de calor 𝑄ሶ em uma


determinada direção depende da magnitude do
gradiente de temperatura nesta direção.
𝑄ሶ 𝑊 𝑜𝑢 𝑘𝑊
Quando 𝑄ሶ varia com o tempo, o calor total transferido 𝑄 durante um processo
é determinado pela integração de 𝑄ሶ no intervalo de tempo do processo

𝑡2

𝑄 = න 𝑄𝑑𝑡
𝑡1

Quando 𝑄ሶ permanece constante durante um processo, essa relação se reduz a

ሶ = 𝑄ሶ 𝑡2 − 𝑡1
𝑄 = 𝑄∆𝑡

Calor é transferido de um sistema a outro por meio de três mecanismos:


➢ condução,
➢ convecção
➢ radiação.
A) Condução – representa a transferência de energia térmica por contato direto, das partículas
mais energizadas de um sistema para as partículas de outro sistema, menos energizadas, quando
o mecanismo de transferência se dá por difusão atômico-molecular do calor.
Temperatura Ambiente

Lei de Fourier da Condução Térmica

Onde:
k é a condutividade térmica [W/m K]
A é a área [m²]
dT/dx é o gradiente de temperatura [K/m]
(negativo)

Observar sempre o referencial,


pois a taxa de transferência de
calor tem direção e sentido, e
portanto esta pode ser positiva
ou negativa, de acordo com este
referencial.
B) Convecção – é o modo de transferência de energia entre uma
superfície sólida e um fluido adjacente, que está em movimento,
e assim, envolve os efeitos combinados de condução (difusão de
calor) e de movimento de um fluido (advecção de calor). Quanto
maior a velocidade do fluido, maior será a transferência de calor
por convecção. Na ausência de movimento do fluido (repouso), a
transferência de calor entre a superfície sólida e o fluido se dá
somente por condução.
A convecção pode ser classificada
Lei de Newton para o Resfriamento como forçada ou natural.
por Convecção

Onde:
h é o coeficiente de transferência de calor por convecção [W/m² K]
𝐴𝑠 é a área da superfície sob convecção [m²]
𝑇𝑠 é temperatura da superfície [K]
𝑇∞ é temperatura do meio [K]

Convecção = Movimento do Fluido + Condução


advecção de calor difusão de calor
efeito macroscópico efeito macroscópico
C) Radiação – é a energia emitida pela matéria sob a forma de ondas eletromagnéticas (ou
fótons) como resultado das mudanças nas configurações eletrônicas dos átomos de uma
substância. A ocorrência de radiação independe de um meio material, ou seja, ao contrário das
transferências de calor por condução e por convecção que necessitam de matéria, a radiação
pode ocorrer entre corpos separados por vácuo.

Lei de Stefan-Boltzmann
(radiação máxima emitida por uma superfície)

Onde:
𝜎 = 5.670 × 10−8 𝑊/𝑚2 𝐾 é a constante de Stefan-Boltzmann
𝐴𝑠 é a área da superfície emissora ou absorvedora de radiação
𝑇𝑠 é a temperatura da superfície emissora ou absorvedora de radiação
2ª Série de Exercícios:
9. Uma vela está queimando em uma sala bem isolada. Sendo a
sala (o ar mais a vela) o sistema, determine:

(a) se existe alguma transferência de calor durante esse processo


de queima
(b) se existe alguma variação da energia interna do sistema.

10 Uma batata que, inicialmente estava à temperatura ambiente


(25 °C), está sendo assada em um forno mantido a 200 °C. Há
alguma transferência de calor durante o processo de cozimento?
4. Trabalho
Calor (Q) e Trabalho (W) são energias que cruzam as
fronteiras de um sistema, não pertencendo ao sistema.

A transferência de calor se dá por causa das diferenças


de temperatura entre o sistema e sua vizinhança. A
entrada de calor em um sistema aumenta a energia total
do sistema, e a saída de calor diminui esta energia.

O trabalho W é uma interação de energia que não é


Convenção de sinais
causada por uma diferença de temperatura ou fluxo de
adotada para as
entradas e as saídas massa entre um sistema e sua vizinhança. A realização
de calor e trabalho de trabalho sobre um sistema aumenta a energia total
em um sistema deste sistema, e a realização de trabalho por um
sistema diminui sua energia total.
Ressalta-se que tanto o calor quanto o trabalho são grandezas transferidas
durante a interação do sistema com sua vizinhança, sendo que nenhum dos dois
é uma propriedade termodinâmica do sistema.

Calor e trabalho são mecanismos de transferência de energia que apresentam


semelhanças entre si:

1. Ambos são reconhecidos nas fronteiras de um sistema à medida que cruzam


suas fronteiras. Ou seja, tanto calor quanto trabalho são fenômenos de fronteira.

2. Sistemas possuem energia, mas não calor ou trabalho.

3. Ambos estão associados a um processo, não a um estado. Ao contrário das


propriedades, calor ou trabalho não têm significado em um estado.

4. Ambos são funções da trajetória (ou seja, suas magnitudes dependem da


trajetória percorrida durante um processo, bem como dos estados inicial e final).
Diferenças entre grandezas que são funções de
estado e das que são funções de processo

Grandezas que são funções de Grandezas que são funções de


estado possuem diferenciais processo ou trajetória, possuindo
exatas, designadas pelo símbolo 𝑑. diferenciais inexatas (pfaffianos),
Uma pequena variação de volume, designadas pelo símbolo 𝛿 . O
por exemplo, é representada por trabalho total realizado durante o
𝑑𝑉 , e a variação total do volume processo 1-2, porém, é
durante um processo entre os
estados 1 e 2 é
2 2
න 𝑑𝑉 = 𝑉2 − 𝑉1 = ∆𝑉 න 𝛿𝑊 = 𝑊1→2 ≠ 𝑊2 − 𝑊1 = ∆𝑊
1 1
• Grandezas com diferenciais exatas são
propriedades: 𝑃, 𝑇, 𝑉, 𝜌, 𝑚, 𝐸, 𝐻 𝑒 𝑆

𝑓 = (𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜)

• Grandezas com diferenciais inexatas


não são propriedades: 𝑄 𝑒 𝑊

𝑓 = (𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙, 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜, 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙)


Propriedades são funções de ponto;
mas calor e trabalho são funções de
trajetória (suas magnitudes
dependem da trajetória percorrida).
O trabalho total (𝑊) que pode ser transferido de um sistema para outro será

𝑊 = 𝑚𝑤 𝐽 𝑜𝑢 𝑘𝐽

𝐽 𝑘𝐽
onde 𝑤 𝑜𝑢 𝑘𝑔 é o trabalho transferido por unidade de massa.
𝑘𝑔

A taxa de transferência de trabalho, mais conhecida como potência 𝑊ሶ , é uma


grandeza bastante comum nos projetos e problemas de engenharia, sendo
relacionado ao trabalho por
𝑊
𝑊ሶ = 𝑊 𝑜𝑢 𝑘𝑊
∆𝑡

onde ∆𝑡 é intervalo de tempo durante a transferência de trabalho.


3ª Série de Exercícios:
11. Um forno elétrico bem isolado está sendo aquecido
por meio de seu elemento aquecedor. Se todo o forno,
incluindo o elemento aquecedor, for admitido como o
sistema, determine se essa é uma interação de calor ou
trabalho.

12. Responda à pergunta do exercício 10, considerando


que o sistema seja apenas o ar do forno sem o elemento
de aquecimento.
5. As Diversas Formas do Trabalho
O trabalho realizado entre os estados 1 e 2, por uma força constante F sobre
um corpo deslocado de uma distância s na direção da força é dado por

1 2 𝑊 = 𝐹𝑠

2
Se a força F não é constante, o trabalho realizado é obtido 𝑊1→2 = න 𝐹𝑑𝑠
pela integração de quantidades diferenciais de trabalho 1

Existem dois requisitos para que uma interação de trabalho exista entre um
sistema e sua vizinhança:
(1) deve haver uma força atuando sobre a fronteira e
(2) a fronteira deve ser móvel
Trabalho de Eixo
Transmissão de energia por meio da
rotação de um eixo é uma prática
comum na engenharia. Em geral, o
torque T aplicado a um eixo é
constante, o que significa que a força
F aplicada também é constante. Deste
modo, o trabalho realizado durante n
rotações será estabelecido por
𝑇 T – torque
𝑊 = 𝐹𝑠 = 2𝜋𝑟𝑛 = 2𝜋𝑛𝑇 r
𝑛ሶ – frequência em rotações
𝑟 por segundo
𝜔 – veloc. angular
ou na forma de potência
𝑇 = 𝐹𝑟
𝑊ሶ = 2𝜋𝑛𝑇
ሶ = 𝜔𝑇 𝑠 = (2𝜋𝑟)𝑛
𝜔 = 2𝜋 𝑛ሶ
Trabalho contra uma Mola

Sabemos que quando uma força 𝐹 é aplicada a


uma mola, o comprimento da mola se modifica.
Quando esse comprimento varia de um diferencial
𝑑𝑥 sob a influência desta força, o trabalho
realizado é
𝛿𝑊 = 𝐹𝑑𝑥 (a força F não é constante)

2 2
𝐹𝑚𝑜𝑙𝑎 = −𝑘𝑥
𝑊1→2 = න 𝐹𝑑𝑥 = න 𝑘𝑥𝑑𝑥
1 1
𝐹 = 𝑘𝑥
• 𝑘 é a constante da mola [N/m] 1
• 𝑥 é medido com base na 𝑊1→2 = 𝑘 𝑥22 − 𝑥12
2
posição de repouso da mola
(ou seja, 𝑥 = 0 quando 𝐹 = 0).
Trabalho realizado sobre Barras Sólidas Elásticas

O trabalho associado à expansão ou à contração


de uma barra sólida elástica, submetida a uma
tensão normal 𝜎 será

2
𝑊1→2 = න 𝐹𝑑𝑥
1

2
𝑊1→2 = න 𝜎𝐴𝑑𝑥
1

𝐹 onde A é a área da seção transversal, normal a


𝜎= força F.
𝐴
Trabalho associado ao alongamento de um Filme de Líquido

O trabalho necessário ao alongamento de um


fino fio de líquido de tensão superficial 𝜎𝑆
será
2
𝑊1→2 = න 𝜎𝑆 𝑑𝑥
1

onde 𝜎𝑆 tem unidade [N/m].


Trabalho realizado para Elevar ou Acelerar um Corpo
Na ausência de forças dissipadoras (atrito e outras perdas), teremos:

(1) o trabalho necessário para erguer um corpo


é igual à variação da energia potencial do corpo

𝑊1→2 = 𝑚𝑔 𝑧2 − 𝑧1

(2) o trabalho necessário para acelerar um corpo


é igual à variação da energia cinética do corpo
20 𝑚/𝑠 30 𝑚/𝑠
1
𝑊1→2 = 𝑚 𝑉22 − 𝑉12
2
Trabalho de Expansão ou Compressão de um Gás

𝑭 𝑥 Dado um conjunto cilindro-pistão, em que um


gás expande-se do estado 1 até o estado 2,
onde o pistão possui uma área 𝐴𝑝𝑖𝑠𝑡ã𝑜 , cujo
2 trabalho será
𝑑𝑥 2
1
𝑊1→2 = න 𝐹𝑑𝑥
1
gás 2 2
𝑊1→2 = න 𝑃𝑔 𝐴𝑝 𝑑𝑥 = න 𝑃𝑔 𝑑𝑉
1 1

𝐹 Se a pressão do gás (𝑃𝑔 ) for constante


𝑃𝑔á𝑠 =
𝐴𝑝𝑖𝑠𝑡ã𝑜
𝑊1→2 = 𝑃𝑔 ∆𝑉 = 𝑃𝑔 𝑉2 −𝑉1
Trabalho Elétrico
Quando N coulombs de carga elétrica se movem
em decorrência de uma diferença de potencial V,
o trabalho elétrico realizado será
𝑊𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑜 = 𝑁𝑉 (expressão de pouca utilidade)

que na forma de taxa é expressa por

Potência elétrica em
𝑊ሶ 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑜 = 𝐼𝑉
termos da resistência R,
corrente I e diferença de Quando V e I permanecem constantes durante o
potencial V.
intervalo de tempo ∆𝑡
𝑉 = 𝑅𝐼
𝑊𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑜 = 𝐼𝑉∆𝑡
4ª Série de Exercícios:
?
13. Determine a potência transmitida pelo eixo
de um automóvel quando o torque aplicado for
de 200 Nm e o eixo girar a uma taxa de 4.000 𝜔
rotações por minuto (rpm).

14. Considere um automóvel pesando 1.200 kg,


trafegando à velocidade constante de 90 km/h em
uma estrada plana. O automóvel então começa a
subir uma ladeira com 30° de inclinação em relação à
horizontal. Para que a velocidade do automóvel
permaneça constante durante a subida, determine a
potência adicional que deve ser fornecida pelo motor
15. Uma corrente elétrica de 20 amperes para pela resistência de 100 ohms. Determine a
potência elétrica e a diferença de potencial elétrico.

16. Considere um refrigerador elétrico localizado em uma sala.


Determine os sentidos das interações de trabalho e calor
(entrando ou saindo) para os seguintes sistemas:

(a) o conteúdo do refrigerador,


(b) todas as partes do refrigerador, incluindo o seu conteúdo e
(c) tudo contido dentro da sala durante um dia de inverno

17. Um teleférico de esqui tem um comprimento de 1km e uma diferença de altura vertical de
200m. O espaço entre as cadeiras é de 20m, e cada cadeira acomoda três pessoas. O teleférico
opera a uma velocidade constante de 10km/h. Desprezando o atrito e o arrasto aerodinâmico, e
supondo que a massa média de cada cadeira carregada seja de 250kg, determine a potência
necessária para operar esse teleférico. Estime também a potência necessária para acelerar esse
teleférico até sua velocidade de operação em 5s (depois de ligado).
6. A Primeira Lei da Termodinâmica
Com base em observações experimentais, a Estado 1
Primeira Lei da Termodinâmica enuncia que:

“A energia não pode ser criada nem destruída


durante um processo; ela pode apenas
mudar de forma”
Estado 2

Na ausência de mecanismos dissipadores de


energia, um sistema que não apresenta
interações de calor e trabalho com sua
vizinhança, mantendo portanto sua energia
A pedra é o sistema que não interage
interna constante, terá uma Energia Total 𝐸 com sua vizinhança, com energia
preservada, ou seja, também constante. total constante entre os dois estados.
Embora a energia total de um sistema seja uma propriedade central na
descrição da primeira lei, esta preocupa-se quase que exclusivamente com a
sua variação ∆𝐸, e não com seu valor absoluto 𝐸 para um sistema.

O aumento da energia Na ausência de O trabalho (elétrico) realizado


total de uma batata em interações por trabalho, a em um sistema adiabático é
um forno é igual à variação da energia total igual ao aumento da energia
quantidade de calor de um sistema é igual ao total do sistema
transferido para ela calor líquido transferido
Mecanismos de transferência de energia, 𝐸𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 e 𝐸𝑠𝑎𝑖

Nos sistemas fechados ou massas de Nos sistemas abertos ou volumes de


controle somente calor e trabalho controle calor, trabalho e fluxo de massa
podem interagir como mecanismos de podem interagir como mecanismos de
transferência de energia transferência de energia
1. Transferência de Calor, Q
A transferência de calor para um sistema (ganho de calor) aumenta a energia das
moléculas e, consequentemente, a energia interna do sistema, e a transferência
de calor de um sistema (perda de calor) a diminui, pois a energia transferida para
fora sob a forma de calor vem da energia das moléculas do sistema.

2. Realização de Trabalho, W
Uma interação de energia que não é causada por uma diferença de temperatura
entre um sistema e sua vizinhança é trabalho. Um pistão subindo, um eixo girando
e um fio elétrico atravessando a fronteira do sistema estão associados a
interações de trabalho. A realização de trabalho sobre um sistema aumenta a
energia do sistema, e a realização de trabalho por um sistema diminui a energia
do sistema, uma vez que a energia transferida para fora sob a forma de trabalho
vem da energia contida no sistema. Os motores dos automóveis e as turbinas
hidráulicas, a vapor ou a gás produzem trabalho enquanto os compressores, as
bombas e os misturadores consomem trabalho.
3. Fluxo de Massa, 𝒎ሶ
O fluxo de massa para dentro e para fora do sistema se constitui em um
mecanismo adicional de transferência de energia. A energia do sistema aumenta
quando há entrada de massa, porque massa carrega energia (na verdade,
massa é energia). Da mesma forma, quando alguma massa sai do sistema, a
energia nele contida diminui, porque a massa que sai leva com ela alguma
energia.

Por exemplo, quando uma certa quantidade de água quente é retirada de um


aquecedor de água e é substituída pela mesma quantidade de água fria, a
quantidade de energia do tanque de água quente (o volume de controle) diminui
como resultado dessa interação de massa.
Primeira Lei aplicada a Sistemas Fechados
(Massas de Controle)

A variação líquida (aumento ou diminuição) da energia total do sistema


durante um processo é igual à diferença entre a energia total que entra e a
energia total que sai do sistema durante esse processo.

𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑉𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜


𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 − 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑎𝑖 = 𝑑𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎
𝑛𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎

Balanço de
Energia 𝐸𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 − 𝐸𝑠𝑎𝑖 = ∆𝐸𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎
𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑉𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜
𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 − 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑎𝑖 = 𝑑𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎
𝑛𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑆𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎

Relacionadas ao balanço de energia Relacionadas a variação das


nas formas de calor (Q) e trabalho energias interna (U), cinética
(W) que cruzam a fronteira do (𝐸𝐶) e potencial gravitacional
sistema (𝐸𝑃) do sistema

𝐸𝑒𝑛𝑡 − 𝐸𝑠𝑎𝑖 = ∆𝐸𝑆𝑖𝑠𝑡

(𝑄 + 𝑊)𝑒𝑛𝑡 − 𝑄 + 𝑊 𝑠𝑎𝑖 = (∆𝑈 + ∆𝐸𝐶 + ∆𝐸𝑃)𝑆𝑖𝑠𝑡


5ª Série de Exercícios:
20. Um tanque rígido contém um fluido quente que é
resfriado enquanto é agitado por uma hélice.
Inicialmente, a energia interna do fluido é de 800 kJ.
Durante o processo de resfriamento, o fluido perde
500 kJ de calor, e a hélice realiza 100 kJ de trabalho
no fluido. Determine a energia interna final do fluido.
Despreze a energia armazenada na hélice

21. Um sistema fechado adiabático é elevado em 100 m em um local onde a aceleração da


gravidade é de 9,8 m/s². Determine a variação da energia desse sistema, em kJ/kg.
Primeira Lei aplicada a Sistemas Abertos
(Volumes de Controle)

A taxa de variação líquida (aumento ou diminuição) da energia total do volume de


controle durante um processo é igual à diferença entre o fluxo de energia que
entra e o fluxo de energia que sai do volume de controle durante esse processo.

𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜


𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 𝑛𝑜 − 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑎𝑖 𝑑𝑜 = 𝑑𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑑𝑜
𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒 𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒 𝑉𝑜𝑙. 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒

Balanço de 𝑑𝐸
Fluxos de 𝐸ሶ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 − 𝐸ሶ 𝑠𝑎𝑖 = ቤ
Energia 𝑑𝑡 𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒
𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑉𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜
𝑞𝑢𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 𝑛𝑜 − 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑎𝑖 𝑛𝑜 = 𝑑𝑎 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑛𝑜
𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒 𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒 𝑉𝑜𝑙. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑒

Relacionadas ao balanço do fluxo de energia nas formas Relacionada as taxas de variação das
ሶ trabalho (𝑊)
de calor (𝑄), ሶ e fluxo de massa (𝐸ሶ𝑓𝑚 ) que energias interna (𝑑𝑈Τ𝑑𝑡), cinética
cruzam a fronteira do volume de controle (𝑑𝐸𝐶Τ𝑑𝑡) e potencial (𝑑𝐸𝑃Τ𝑑𝑡) do volume
de controle
𝑑𝐸
𝐸ሶ 𝑒𝑛𝑡 − 𝐸ሶ 𝑠𝑎𝑖 = ቤ
𝑑𝑡 𝑉𝐶

𝑑𝑈 𝑑𝐸𝐶 𝑑𝐸𝑃
(𝑄ሶ + 𝑊ሶ + 𝐸𝑓𝑚
ሶ )𝑒𝑛𝑡 − 𝑄ሶ + 𝑊ሶ + 𝐸ሶ𝑓𝑚 = + +
𝑠𝑎𝑖 𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑉𝐶

Onde 𝐸𝑓𝑚 = 𝑚𝑒
ሶ 𝑓𝑚 = 𝑚(𝑢
ሶ + 𝑒𝑐 + 𝑒𝑝)
6ª Série de Exercícios:

22. Um ventilador que consome 20 W de potência elétrica


quando em operação, descarrega ar em uma sala a uma taxa
de 1,0 kg/s e a uma velocidade de 8 m/s. Determine se essa
afirmação é razoável. (obs. Supor que a velocidade do ar ao
entrar na traseira do ventilador seja desprezível)

23. Uma sala encontra-se inicialmente à temperatura de 25ºC,


que é a mesma do ambiente externo. Um grande ventilador, que
consome 200 W de eletricidade quando em funcionamento, é
então ligado no interior da sala. A taxa de transferência de calor
entre a sala e o ar externo é dada por 𝑄ሶ = ℎ𝐺 𝐴 𝑇𝑖 − 𝑇0 , onde
ℎ𝐺 = 6𝑊/𝑚2 ºC é o coeficiente global de transferência de calor,
A=30m² é a área das superfícies da sala e 𝑇𝑖 e 𝑇0 são as
temperaturas do ar interno e externo, respectivamente.
Determine a temperatura do ar interno quando são
estabelecidas condições de operação em regime permanente.
24. A força motriz para o escoamento de fluidos é a diferença de
pressão, e uma bomba opera elevando a pressão de um fluido
(convertendo o trabalho mecânico de eixo em energia de
escoamento). O consumo de energia elétrica de uma bomba de
gasolina em operação é de 3,8 kW. Considerando que a diferença
de pressão entre a saída e a entrada da bomba é de 7 kPa e as
variações da energia cinética e potencial são desprezíveis,
determine a máxima vazão volumétrica possível de gasolina.

25. Um automóvel movendo-se através do ar faz com que


a velocidade do ar (medida em relação ao carro) diminua
e preencha um canal de fluxo maior. Um automóvel tem
uma área de canal de fluxo efetivo de 3 m². O carro está
viajando a 90 km/h em um dia em que a pressão
barométrica é de 70 cm de mercúrio e a temperatura é de
20°C. Atrás do carro, a velocidade do ar (em relação ao
carro) é medida em 82 km/h, e a temperatura é de 20°C.
Determine a potência necessária para mover o carro
através do ar.
7. Eficiências de Conversão de Energia
Em geral, o desempenho ou eficiência na conversão de energia de um
equipamento ou processo pode ser expresso por meio da seguinte relação

𝑃𝑅𝑂𝐷𝑈𝑇𝑂 (𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐷𝑒𝑠𝑒𝑗𝑎𝑑𝑜)


𝐸𝑓𝑖𝑐𝑖ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝜂 =
𝐼𝑁𝑆𝑈𝑀𝑂(𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑁𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠á𝑟𝑖𝑜)

Fornecimento Equipamento Resultado Desejado


Necessário de ou na Conversão de
Energia Processo Energia

Perdas de Energia
(atrito, calor e outros)
Se um processo é composto por diversos equipamentos ou subprocessos,
por exemplo três subprocessos, em que cada equipamento ou subprocesso
possui uma eficiência 𝜂𝑖 = (𝜂1 , 𝜂2 , 𝜂3 ), então a eficiência global (𝜂𝐺𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙 ) será

Fornecimento Resultado Desejado


Necessário de na Conversão de
Energia Subprocesso 2 Energia
Subprocesso 1 Subprocesso 3

𝜂1 𝜂2 𝜂3

PROCESSO

Perdas de
Energia

𝜂𝐺𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙 = 𝜂1 ∙ 𝜂2 ∙ 𝜂3
A eficiência global de um
conjunto turbina-gerador
(turbo-gerador) é o produto
entre a eficiência da turbina
e a eficiência do gerador, e
representa a fração da
potência mecânica do fluido
convertida em energia
elétrica.
Equipamento Definição de Eficiência
ou Sistema 𝜂

Aquecedor de razão entre a energia absorvida pela água 𝐸𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎


água para aquecer-se (𝐸𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 ) e a energia
fornecida ao aquecedor de água (𝐸𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑑𝑎 ) 𝐸𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑑𝑎

Eficiência da razão entre a quantidade de calor liberado 𝑄


combustão durante a combustão (𝑄) e o Poder calorífico
do combustível queimado (𝑃𝐶) 𝑃𝐶

Eficácia razão entre a quantidade de luz produzida em 𝑄𝐿𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎


da iluminação lumens (𝑄𝐿𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎 ) e a potência em W de
eletricidade consumida (𝐸ሶ 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 ) 𝐸ሶ 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎
Eficiências típicas de
aquecedores elétricos e de
gás natural convencionais e
de alta eficiência.

* Este valor depende da distribuição espectral de uma fonte de


luz assumidamente ideal. Para fontes de luz branca, o limite
superior é de cerca de 300 lm/W para iodetos metálicos, 350
lm/W para lâmpadas fluorescentes e 400 lm/W para LEDs.
Equipamento Definição de Eficiência 𝜂
ou Sistema

Eficiência de um razão entre a energia útil transferida para a 𝐸𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑓. 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜


utensílio para comida (𝐸𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑓. 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 ) e a energia
𝐸𝑐𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑖𝑑𝑎
cozinhar consumida pelo aparelho (𝐸𝑐𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑖𝑑𝑎 )

Eficiência eficiência da utilização anual de combustível


sistemas de (EUAC), que leva em conta a eficiência da
𝐸𝑈𝐴𝐶
aquecimento de combustão, bem como perdas de calor para
prédios áreas não aquecidas, perdas de partida e
parada dos sistemas
residenciais e
Comerciais (EUA)
Observação: A EUAC da maioria dos novos sistemas de aquecimento é de cerca de 85%, embora para alguns sistemas
de aquecimento antigos a EUAC esteja abaixo de 60%. A EUAC de alguns sistemas de aquecimento de alta eficiência
excede os 96%, mas o alto custo de tais sistemas não se justifica em locais com invernos amenos e moderados.
Equipamento Definição de Eficiência
ou Sistema 𝜂

Gerador de razão entre a potência elétrica produzida 𝐸ሶ 𝑒𝑙é𝑡. 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎


eletricidade (𝐸ሶ 𝑒𝑙é𝑡. 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎 ) e a potência mecânica
entregue (𝐸ሶ 𝑚𝑒𝑐. 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒𝑔𝑢𝑒 )
𝐸ሶ 𝑚𝑒𝑐. 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒𝑔𝑢𝑒

Eficiência
mecânica de um razão entre a energia mecânica de saída 𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑠𝑎í𝑑𝑎
(𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑠𝑎í𝑑𝑎 ) e a energia mecânica de entrada
dispositivo 𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎
(𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 )
qualquer

razão entre o aumento da energia mecânica ∆𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜


Eficiência de
dado ao fluido (∆𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 ) e a entrada de
uma bomba 𝑊𝑒𝑖𝑥𝑜, 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎
energia mecânica (𝑊𝑒𝑖𝑥𝑜, 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 )
Equipamento Definição de Eficiência
ou Sistema 𝜂

Eficiência de razão entre a saída de energia mecânica 𝑊𝑒𝑖𝑥𝑜,𝑠𝑎𝑖


uma turbina (𝑊𝑒𝑖𝑥𝑜,𝑠𝑎𝑖 ) e o valor absoluto do decréscimo
∆𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜
de energia mecânica do fluido (∆𝐸𝑚𝑒𝑐, 𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 )

Eficiência de um razão entre a saída de potência mecânica 𝑊ሶ 𝑒𝑖𝑥𝑜. 𝑠𝑎𝑖


motor elétrico (𝑊ሶ 𝑒𝑖𝑥𝑜. 𝑠𝑎𝑖 ) e a entrada de potência elétrica
(𝑊ሶ 𝑒𝑙é𝑡. 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 )
𝑊ሶ 𝑒𝑙é𝑡. 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎
7ª Série de Exercícios:

24. Energia elétrica é gerada pela instalação de um


conjunto gerador-turbina hidráulica em um local
70m abaixo de um grande reservatório de superfície
livre, que pode fornecer água a uma taxa constante
de 1.500 kg/s.

Se a potência mecânica de saída da turbina


equivale a 800 kW e a geração de potência elétrica
é 750 kW, determine as eficiências da turbina e do
conjunto gerador-turbina desta usina. Despreze as
perdas nas tubulações.
25. Um motor de 60 hp (um motor que fornece 60 hp
de potência de eixo em plena carga) e eficiência de
89% está desgastado e deve ser substituído por um
motor altamente eficiente, cuja eficiência é de 93,2%.
O motor opera 3.500 horas por ano em plena carga.

Sendo o custo da eletricidade US$ 0,08/kWh,


determine a quantidade de energia e a economia de
custos resultantes da instalação do motor de alta
eficiência em vez de um motor padrão. Além disso,
determine o período de recuperação do investimento
se os preços dos motores padrão e de alta eficiência
forem US$ 4.520 e US$ 5.160, respectivamente.
Referências e Exercícios Sugeridos
Livro texto:
✓ Termodinâmica – Çengel & Boles – McGraw Hill/Bookman – 7ª Edição
Capitulo 2 – página 98
Exercícios Sugeridos: 2.1 a 2.4, 2.12, 2.15, 2.18 a 2.22, 2.28, 2.29, 2.36, 2.38,2.40 a 2.42, 2.47 a 2.49, 2.56 a
2.63.

✓ Princípios de Termodinâmica para Engenharia – Moran & Shapiro – LTC - 7ª Edição


Capitulo 2 – página 63
Exercícios Sugeridos: 2.73, 2.74, 2.83 e 2.84.

Outras boas referências:


- Fundamentos da Termodinâmica – Borgnakke & Sonntag & Wylen – Edgard Blucher – 8ª Edição
- Termodinâmica para Engenheiros – Kroos & Potter – Cengage Learning - 1ª Edição

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