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BRASIL: ESTAGNAÇÃO SOVIÉTICA OU

PASSAPORTE PARA O MUNDO RICO?

Mailson da Nóbrega

Apresentação para MIT Sloan

São Paulo, 28 de abril de 2011


O Brasil já foi promissor no passado

 No século XX, fomos um dos países de maior taxa


de crescimento
 Nos anos 1970, se dizia que o Brasil seria a
“próxima potência econômica mundial”
 Na segunda metade dos anos 1970, a economia
começou a perder ritmo
 Nos anos 1980, mergulhamos em grave crise
inflacionária, interrompida com o Plano Real (1994)
 Qual o mistério?
 Vamos rever o filme nos próximos anos?
As bases da crise dos anos 1980 nasceram antes

 Nacional-desenvolvimentismo: rent-seeking
 Substituição de importações: industrialização
ineficiente
 Inovação: ausência de incentivos
 Educação: vista como subproduto do crescimento
 Controle de preços: formação de cartéis
 Comércio exterior: fonte de mais distorções
 Regime fiscal e monetário: expansão insustentável
 Correção monetária: o ovo da serpente da indexação
 Modelo rende dividendos políticos enquanto
funciona
Reação à crise do petróleo (anos 1970): novas
ineficiências

 Em vez de um ticket para a Coréia do Sul,


compramos um para a Índia (a dos anos 1970)
 Reação à crise: mais Estado (II PND), mais
fechamento da economia. Modelo se aprofunda
 Sustentação: crédito externo abundante (reciclagem
competitiva dos petrodólares)
 Políticas fiscal e monetária expansionistas
 Inflação se acelera; indexação se amplia
 Ritmo de crescimento perde fôlego
Crise da dívida externa (anos 1980): pá de cal
no modelo

 Parada súbita do crédito externo: reversão do déficit


em conta corrente
 Novas restrições às importações, mais subsídios às
exportações, mais distorções, mais inflação
 Duas maxidesvalorizações (1979 e 1983): choque
inflacionário em ambiente de ampla indexação
 Nova política salarial: mais indexação, mais inflação
 Inflação se acelera mais ainda
 Novo diagnóstico e ideias para vencer a inflação
 Fracassos de planos de estabilização preparam o
ataque frontal à inflação (Plano Real)
Democracia e Constituição de 1988: um modelo
de gastos públicos

 Democracia: expectativas de solução milagrosa


 Slogan da época: “resgatar a dívida social”
 Constituição: força de grupos de interesse
 Vencedores: Estados, municípios, servidores
públicos, aposentados, pensionistas e estatistas
 Legislação trabalhista anacrônica vira mandamento
constitucional
 Rumo à explosão dos gastos de custeio e à redução
dos investimentos públicos
A qualidade do gasto piora

Fonte: IBGE, IpeaData, STN e Sérgio Gobetti.


Mudanças estruturais no gasto público

Estrutura da despesa não financeira da União (em % do total)


1987 2009
Benefícios assistenciais e subsídios 3% 26%
Inativos e pensionistas 6% 12%
Benefícios previdenciários acima de 1 salário mínimo 13% 24%
Subtotal 22% 62%
Pessoal ativo 17% 15%
Saúde 8% 7%
Outras despesas correntes 37% 10%
Investimentos 16% 6%
Total 100% 100%

Fonte: Ministérios do Planejamento, Fazenda e Previdência.


Evolução dos gastos do governo federal
Em % do PIB

Fonte: STN. Elaboração - Tendências


Os efeitos do novo modelo

 Piora do sistema tributário (que continua)


 Aumento do déficit previdenciário (bomba-relógio)
 Menor capacidade de investimento do setor público
 Deficiências estruturais (Giambiagi)
– Baixo nível de escolaridade
– Gargalos de infraestrutura e logística
– Restrições à competitividade sistêmica
– Má qualidade do gasto público
– Escassez de poupança interna (pública, em especial)
– Baixa capacidade de inovação
 Modelo rende dividendos políticos enquanto
funciona
Em meio à crise, sinais de mudanças
institucionais e esperança
 Abertura da economia e privatização
 Incentivos para gestão macroeconômica responsável
 Democracia se enraíza
 Finanças públicas institucionalmente avançadas
 A ordem virtuosa (Fukuyama)...
– Estado forte
– Estado de Direito (rule of law)
– Accountability
 ... mas Lula interrompe a modernização e aprofunda
modelo de gastos públicos
 Cruzamos o Rubicon em democracia e estabilidade
 Maus governos não descarrilam o país. Desaceleram
O futuro: estagnação soviética ou passaporte
para o mundo rico?
 Estagnação soviética
– Reformas não andam
– Gastos públicos aumentam. Estatização se amplia
– Deficiências de infraestrutura se agravam
– Ganhos de produtividade despencam
– Oposição ineficaz
 Rumo à riqueza
– O oposto. Nova realidade gera reação da sociedade
– Forma-se ambiente para renovação de lideranças
– Reverte-se trajetória da estagnação
 Qual o cenário mais provável?
– Sem retrocesso. Muito tempo para vencer o atraso
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