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Estruturas de Madeira 03

Prof. Glauco José de O. Rodrigues, D.Sc.

Parte 03 – Propriedades de resistência e rigidez da madeira


Março 2020

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Eixos de Referência:

Paralelo às fibras (0)


Perpendicular às fibras (90)

3
3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Comportamento da madeira na compressão:

(A) Paralelo à fibras (grande resistência);


(B) Perpendicular às fibras (aprox.1/4 de A).
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Tipos de compressão na madeira:

Paralelo à fibras Perpendicular às fibras Inclinada

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Tipos de cisalhamento na madeira:


Perpendicular às fibras: Paralelo às fibras: menor resistência
alta resistência

Cisalhamento horizontal Cisalhamento rolling

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Comportamento da madeira na flexão simples:

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Caracterização das resistências da madeira:


Caracterização completa:
É recomendada para espécies de madeira não conhecidas, e consiste na
determinação de todas as suas propriedades:
• Resistência à compressão paralela às fibras (fc0);
• Resistência à tração paralela às fibras (ft0);
• Resistência à compressão perpendicular às fibras (fc90);
• Resistência à tração perpendicular às fibras (ft90);
• Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (fv0);
• Resistência de embutimento paralelo (fe0) e normal às fibras (fe90);
• Densidade básica e densidade aparente.

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Caracterização das resistências da madeira:


Caracterização mínima:
É recomendada para espécies de madeira pouco conhecidas, e consiste na
determinação das seguintes propriedades:
• Resistência à compressão paralela às fibras (fc0);
• Resistência à tração paralela às fibras (ft);
• Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (fv);
• Densidade básica e densidade aparente.
OBS: No caso da impossibilidade da execução dos ensaios de tração, admite-se
este valor igual ao da resistência à tração na flexão (ftM).

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Caracterização das resistências da madeira:


Caracterização simplificada:
Permite-se a caracterização simplificada das resistências da madeira de espécies
usuais, a partir dos ensaios de compressão paralela às fibras, adotando-se as
seguintes relações para os valores característicos:
• fc0,k /ft,k = 0,77
• ftM,k / ft,k = 1,0
• fc90,k / fc0,k = 0,25
• fe0,k / fc0,k = 1,0
• fe90,k / fc0,k = 0,25
• fv,k / fc0,k = 0,15 (para coníferas)
• fv,k / fc0.k = 0,12 (para dicotiledôneas)

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Valores característicos das propriedades da madeira:

A realização de ensaios de laboratório para a determinação das propriedades da


madeira fornece, com base na análise estatística dos resultados, valores médios (Xm).
Estes valores médios devem ser transformados em valores característicos (Xk).
X k ,12  0,7 X m,12 O índice 12 refere-se à umidade de 12%

 X 1  X 2  ...  X n 
 1 
Xk  2 2
 X n 1,1
 n
1 2 
 
 2 
•n deve ser, no mínimo, 6 para caracterização simplificada e 12 para caracterização
mínima;
•Os resultados devem ser colocados em ordem crescente (X1< X2<... <Xn), desprezando o
valor mais alto se o número de CP for ímpar;
•Xk não deve ser inferior a X1 e nem a 0,7 Xm.
Exemplo 3.1: Determinar o valor característico da resistência à compressão paralela às
fibras (fc0,k) de um lote de madeira na espécie Canafístula. Para este lote, foram efetuados
ensaios de compressão paralela às fibras em doze CPs com teor de umidade de 12%,
tendo sido obtidos os seguinte valores:
CP 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Média
fc0 (MPa) 56.7 43.0 61.9 64.7 59.6 54.9 38.6 34.9 43.0 58.0 58.1 50.1 52.0

Solução:

CP 8/1 7/2 2/3 9/4 12/5 6/6 1/7 10/8 11/9 5/10 3/11 4/12 Média
fc0 (MPa) 34.9 38.6 43.0 43.0 50.1 54.9 56.7 58.0 58.1 59.6 61.9 64.7 52.0

n/2=6 menores valores


Menor valor dos ensaios
 X 1  X 2  ...  X n 
 1   34,9 
Xk  2 2
 X n 1,1 f c 0,k     f c 0,k  36,4MPa


n
1 2 
  0,7  52,0  36,4 
 2  Valor médio
 
 34,9  38,6  43,0  43,0  50,1 
f c 0, k  2  54,9 1,1  31,8MPa
 12
1 
 
 2 
3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:
Tabela de Resistências das Espécies Conforme a NBR 7190/97
Dicotiledôneas
Nome ρap (kg/m3 ) fc0 (MPa) ft0 (MPa) fv (MPa) Ec0 (MPa)
Angelim araroba 688 50,5 69,2 7,1 12 876
Angelim ferro 1 170 79,5 117,8 11,8 20 827
Angelim pedra 694 59,8 75,5 8,8 12 912
Angelim pedra verdadeiro 1 170 76,7 104,9 11,3 16 694
Branquilho 803 48,1 87,9 9,8 13 481
Cafearana 677 59,1 79,7 5,9 14 098
Canafístula 871 52,0 84,9 11,1 14 613
Casca grossa 801 56,0 120,2 8,2 16 224
Castelo 759 54,8 99,5 12,8 11 105
Cedro amargo 504 39,0 58,1 6,1 9 839
Cedro doce 500 31,5 71,4 5,6 8 058
Champagne 1 090 93,2 133,5 10,7 23 002
Cupiúba 838 54,4 62,1 10,4 13 627
Catiúba 1 221 83,8 86,2 11,1 19 426
E. Alba 705 47,3 69,4 9,5 13 409
E. Camaldulensis 899 48,0 78,1 9,0 13 286
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:
Tabela de Resistências das Espécies Conforme a NBR 7190/97
Dicotiledôneas
Nome ρap (kg/m3 ) fc0 (MPa) ft0 (MPa) fv (MPa) Ec0 (MPa)
E. Citriodora 999 62,0 123,6 10,7 18 421
E. Cloeziana 822 51,8 90,8 10,5 13 963
E. Dunnii 690 48,9 139,2 9,8 18 029
E. Grandis 640 40,3 70,2 7,0 12 813
E. Maculata 931 63,5 115,6 10,6 18 099
E. Maidene 924 48,3 83,7 10,3 14 431
E. Microcorys 929 54,9 118,6 10,3 16 782
E. Paniculata 1 087 72,7 147,4 12,4 19 881
E. Propinqua 952 51,6 89,1 9,7 15 561
E. Punctata 948 78,5 125,6 12,9 19 360
E. Saligna 731 46,8 95,5 8,2 14 933
E. Tereticornis 899 57,7 115,9 9,7 17 198
E. Triantha 755 53,9 100,9 9,2 14 617
E. Umbra 889 42,7 90,4 9,4 14 577
E. Urophylla 739 46,0 85,1 8,3 13 166
Garapa Roraima 892 78,4 108,0 11,9 18 359
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:
Tabela de Resistências das Espécies Conforme a NBR 7190/97
Dicotiledôneas
Nome ρap (kg/m3 ) fc0 (MPa) ft0 (MPa) fv (MPa) Ec0 (MPa)
Guaiçara 825 71,4 115,6 12,5 14 624
Guarucaia 919 62,4 70,9 15,5 17 212
Ipê 1 068 76,0 96,8 13,1 18 011
Jatobá 1 074 93,3 157,5 15,7 23 607
Louro preto 684 56,5 111,9 9,0 14 185
Maçaranduba 1 143 82,9 138,5 14,9 22 733
Oiticica amarela 756 69,9 82,5 10,6 14 719
Quarubarana 544 37,8 58,1 5,8 9 067
Sucupira 1 106 95,2 123,4 11,8 21 724
Tatajuba 940 79,5 78,8 12,2 21 724

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:
Tabela de Resistências das Espécies Conforme a NBR 7190/97
Coníferas
Nome ρap (kg/m3 ) fc0 (MPa) ft0 (MPa) fv (MPa) Ec0 (MPa)
Pinho do Paraná 580 40,9 93,1 8,8 15 225
Pinus caribea 579 35,4 64,8 7,8 8 431
Pinus bahamensis 537 32,6 52,7 6,8 7 110
Pinus hondurensis 535 42,3 50,3 7,8 9 868
Pinus elliottii 560 40,4 66,0 7,4 11 889
Pinus oocarpa 538 43,6 60,9 8,0 10 904
Pinus taeda 645 44,4 82,8 7,7 13 304
Pinho do Paraná 580 40,9 93,1 8,8 15 225
Pinus caribea 579 35,4 64,8 7,8 8 431
Pinus bahamensis 537 32,6 52,7 6,8 7 110

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Observação:

Os valores obtidos nas tabelas acima são considerados como valores


médios. Os mesmos devem ser minorados à valores característicos,
multiplicando-os por 0,7:
fc0,k = 0,7 fc0
ft0,k = 0,7 ft0
fv,k = 0,7 fv

Onde:
fc0,k é a resistência característica à compressão paralela às fibras;
ft0,k é a resistência característica à tração paralela às fibras;
fv,k é a resistência característica ao cisalhamento.

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Classes de resistência:
Visando-se a padronização, a NBR 7190/1997 adota também o conceito de
classes de resistência, permitindo a utilização de várias espécies com
propriedades similares em um mesmo projeto. O lote deve ter sido classificado e
o revendedor deve apresentar certificados de laboratórios idôneos para um
determinado lote.
Coníferas (U=12%)
Classe fc0k fvk (MPa) Ec0,m Densbas Densap
(MPa) (MPa) (kg/m3) (kg/m3)
C20 20 4 3500 400 500
C25 25 5 8500 450 550
C30 30 6 14500 500 600

Dicotiledôneas (U=12%)
Classe fc0k fvk (MPa) Ec0,m Densbas Densap
(MPa) (MPa) (kg/m3) (kg/m3)
C20 20 4 9500 500 650
C30 30 5 14500 650 800
C40 40 6 19500 750 950
C60 60 8 24500 800 1000
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Proposta de tabela para a revisão em consulta pública
Propriedade Sigla
Coníferas Dicotiledôneas (Folhosas)
C14 C16 C18 C20 C22 C24 C27 C30 C35 C40 C45 C50 D18 D24 D30 D35 D40 D50 D60 D70
Resistência (MPa)
Flexão fb,k 14 16 18 20 22 24 27 30 35 40 45 50 18 24 30 35 40 50 60 70
Tração 0 ft,0,k 8 10 11 12 13 14 16 18 21 24 27 30 11 14 18 21 24 30 36 42
Tração 90 ft,90,k
0,4 0,6
Compressão 0 fc,0,k 16 17 18 19 20 21 22 23 25 26 27 29 18 21 23 25 26 29 32 34
Compressão fc,90,k 2,0 2,2 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 2,7 2,8 2,9 3,1 3,2 7,5 7,8 8,0 8,1 8,3 9,3 11 13,
90
5
Cisalhamento fv,k 3,0 3,2 3,4 3,6 3,8 4,0 3,4 4,0 4,5 5,0
Rigidez (GPa)
E 0 médio
E0,m 7 8 9 9,5 10 11 12 12 13 14 15 16 9,5 10 11 12 13 14 17 20
E0
E0,05 4,7 5,4 6,0 6,4 6,7 7,4 7,7 8,0 8,7 9,4 10 11 8 8,5 9,2 10 11 12 14 16,
característico
8
E 90 médio E90,m 0,2 0,3 0,3 0,3 0,3 0,4 0,4 0,4 0,4 0,5 0,5 0,5 0,6 0,7 0,7 0,8 0,9 0,9 1,1 1,3
3
G médio
Gm 0,4 0,5 0,6 0,6 0,6 0,7 0,7 0,8 0,8 0,9 0,9 1,0 0,6 0,6 0,7 0,8 0,8 0,9 1,1 1,2
5
Densidade (kg/m3)
Densidade
ρk
característica 290 310 320 330 340 350 370 380 400 420 440 460 475 485 530 540 560 620 700 900
Densidade
ρm 108
média 350 370 380 390 410 420 450 460 480 500 520 550 570 580 640 650 660 750 840
0

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Valores de cálculo das propriedades da madeira:


Os valores característicos das propriedades da madeira permitem que se
obtenham os valores de cálculo Xd, empregando-se o coeficiente de modificação
(K mod ) e o coeficiente de minoração das propriedades da madeira ( w ).

Xk
X d  K mod para as resistênci as
w
Ec 0, ef  K mod . Eco, m para o módulo de elasticida de
K mod  K mod,1K mod, 2 K mod, 3

• Kmod,1 – classe de carregamento e tipo de material empregado;


• Kmod,2 – classe de umidade e tipo de material empregado;
• Kmod,3 – categoria da madeira utilizada.

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Valores de cálculo das propriedades da madeira:


Kmod,1

Classes de Madeira serrada,


carregamento laminada, colada Madeira Recomposta
ou compensada
Permanente 0,60 0,30
Longa duração 0,70 0,45
Média duração 0,80 0,65
Curta duração 0,90 0,90
Instantânea 1,10 1,10

Classes de carregamento:

Classe Duração acumulada da


ação característica
Permanente Vida útil da construção
Longa duração Mais de seis meses
Média duração Uma semana a seis meses
Curta duração Menos de uma semana
Instantânea Muito curta
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Valores de cálculo das propriedades da madeira:

Kmod,2

Classes de Madeira serrada, Madeira


laminada, colada
umidade ou compensada Recomposta
(1) e (2) 1,0 1,0
(3) e (4) 0,8 0,9

Classes de Umidade relativa Umidade da


umidade do ar madeira
1 <65% 12%
2 65<U<75% 15%
3 75%<U<85% 18%
4 U>85% >25%

No caso particular de madeira serrada submersa, admite-se o valor Kmod,2 = 0,65


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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Valores de cálculo das propriedades da madeira:

Kmod,3
Categoria Valor
1a 1,0
Dicotiledôneas 2a 0,8
1a 0,8
Coníferas 2a 0,8

• 1a categoria – Peças isentas de defeitos;


• 2a categoria – Peças com poucos defeitos;
• 3a categoria – Peças com muitos defeitos (nós em ambas as faces, não pode
ser utilizada como estrutura permanente).
• A NBR 7190 recomenda que em caso de dúvida, seja sempre considerada 2a
categoria.
• Para uso das coníferas na forma de peças estruturais maciças de madeira
serrada sempre deve ser tomado o valor de 0,8.
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Coeficientes de ponderação

 wc  1,4 - Compressão paralela às fibras


 wt  1,8 - Tração paralela às fibras
 wv  1,8 - Cisalhamen to paralelo às fibras
OBS: Para verificação de estados limite de utilização (verificação de flechas), adota-se o
valor básico de 1,0.

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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Exercício 3.2: Determinar os valores de cálculo para a resistência à compressão paralela às


fibras (fc0,d) e ao cisalhamento (fv,d) para a espécie Eucalipto Citriodora, com base nos
resultados fornecidos na Tabela 1, do Anexo E, da NBR 7190/97. Considerar madeira
serrada, de segunda categoria, classe de umidade 2 e carregamento de longa duração.

Da Tabela E.1 da NBR 7190/97, obtém-se os valores médios para as resistências


fc0 = 62,0 MPa, então fc0,k = 0,7 fc0 = 0,7(62,0) = 43,2MPa
fv = 10,7 MPa, então fv0,k = 0,7 fv = 0,7 (10,7) = 7,5MPa

Kmod,1 = 0,7 (madeira serrada, carregamento de longa duração)


Kmod,2 = 1,0 (madeira serrada, classe de umidade 1 ou 2)
Kmod,3 = 0,8 (segunda categoria)

Kmod = Kmod,1 Kmod,2 Kmod,3 = 0,56


f c 0,k 43,2
f c 0,d  K mod  0,56  17,3MPa
 wc 1,4
f v 0,k 7,5
f v ,d  K mod  0,56  2,3MPa
 wv 1,8
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3. Propriedades de resistência e rigidez da madeira:

Exercício 3.3: Determinar os valores de cálculo para a resistência à compressão paralela às


fibras (fc0,d) e ao cisalhamento (fv0,d) bem como o valor efetivo do módulo de elasticidade na
direção paralela às fibras (Ec0,ef ) para a classe C-60 (dicotiledônea). Considerar madeira
serrada, de segunda categoria, classe de umidade 2 e carregamento de longa duração.

Das tabelas anteriores, para a Classe C-60 (dicotiledônea), colhemos os valores seguintes:
fc0,k = 60,0 MPa
Fv,k = 8,0 MPa
Ec0,m = 24500 MPa

Kmod = Kmod,1 Kmod,2 Kmod,3 = 0,56 (ver exemplo anterior)

f c 0,k 60
f c 0,d  K mod  0,56  24,0 MPa
 wc 1,4
f v 0,k 8,0
f v ,d  K mod  0,56  2,5MPa
 wv 1,8
Ec 0,ef  K mod,1 K mod, 2 K mod, 3 Ec 0,m  0,56  24500  13720 MPa

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