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Princípios e Poderes da Administração Pública: Legislação e Jurisprudência

Os princípios e os Poderes da Administração Pública se afirmam, simultaneamente,


como normas expressas, assim como normas implícitas.
No âmbito constitucional, entram-se no caput do art. 37, da Constituição Federal de
1988, os princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e
Eficiência. Por sua vez, a legislação infraconstitucional prevê, expressamente, outros
princípios que não foram mencionados no texto Constitucional, como a Lei de
Processos Administrativos em âmbito federal – Lei n. 9.784/99.
Em regra, os princípios se aplicam à Administração Direta e Indireta, em todos os
âmbitos de atuação, com exceção de hipóteses expressamente previstas. Igualmente, os
princípios se aplicam a toda Administração Pública independente da atividade
econômica a ser desenvolvida.

Legalidade
O princípio da legalidade está previsto na Constituição Federal no seu art. 37, caput,
como também nos arts. 5º, II e XXXV. Assim, ao dispor que ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, o constituinte impediu o
administrador de, salvo se permitido por lei, impor qualquer obrigação ou dever aos
administrados, como também limitou a atuação do administrador aos ditames da lei.
Há, porém, “exceções” previstas na Constituição:
- medidas provisórias (art. 62);
- estado de defesa (art. 136);
- estado de sítio (arts. 137 a 139).
- presidente decretar a extinção de funções e/ou cargos vagos (art. 84, VI, b));
- presidente decretar acerca da organização e funcionamento da administração federal,
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.
- atos administrativos válidos, eficazes e eficientes (presumidos legais).

Obs. Distinção entre P. Legalidade, P. da Reserva Legal e P. da Supremacia da Lei:


Legalidade é a submissão ao império do ordenamento normativo
Reserva Legal é a submissão aos limites das normas de ordem material ou formal,
encontra-se inserido na doutrina da positive Bindung (vinculação positiva), que
condiciona a validade da atuação dos agentes públicos à prévia autorização legal.
Supremacia da Lei relaciona-se com a doutrina da negative Bindung (vinculação
negativa), segundo a qual a lei representaria uma limitação para a atuação do
administrador.

Obs. Art. 54, da Lei nº. 9784/99. O direito da Administração de anular os atos
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco
anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.

Impessoalidade
Princípio expresso no art. 37, caput, da Constituição agasalha 3 abordagens distintas:
- Significa a atuação impessoal, genérica, ligada à finalidade da atuação administrativa
que vise à satisfação do interesse coletivo, sem corresponder ao atendimento do
interesse individual (finalidade ADM);
- Significa a imputação da atuação do órgão ou entidade estatal, não o sendo quanto ao
agente público, pessoa física (Imputação do Estado);
- Significa a isonomia, porque obrigatório o tratamento igualitário de todos os
administrados (isonomia).
Reflexos:
a) obriga ao atendimento do interesse público, sendo impessoal, abstrato, genérico;
b) a atividade administrativa é imputada ao órgão ou à entidade, e não ao agente.
Obs. É vedação constitucional de que constem nomes, símbolos ou imagens
que caracterizem promoção pessoal de autoridades em publicidade de atos dos órgãos
públicos. 
Moralidade
Conceito Jurídico indeterminado, corresponde à proibição de a atuação administrativa
distanciar-se da moral, dos princípios éticos, da boa-fé, da lealdade.
Obs. A nomeação de parente colateral, até o terceiro grau da autoridade nomeante, para
o exercício de cargo em comissão na Administração, é considerada ofensa à
Constituição Federal, salvo para assunção de cargos de natureza política e desde que o
nomeado tenha condições técnicas de exercer o múnus público a ele transferido.

Publicidade
Trata-se de levar o conhecimento do ato ou da atividade administrativa a terceiros, a fim
de facilitar o controle e conferir possibilidade de execução.
A publicidade pode ser interna (obrigatória sempre) ou externa (obrigatória para alguns
atos).
A publicidade é obrigatória como meio conferidor de eficácia da atividade
administrativa (nesse sentido, v. art. 61 da Lei n. 8.666/93).
O art. 5º, XXXIII, assegura o direito de que todos têm de receber informações dos
órgãos públicos, sejam de interesse pessoal, sejam de interesse coletivo e Geral.
Lei de Acesso à Informação - Lei n. 12.527/2011.
Transparência ativa: publicidade obrigatória, independentemente de provocação ou
requerimento.
São exceções ao princípio:
- questão de segurança nacional (do Estado);
- questão de segurança social;
- questão de direito íntimo;
- questão de sigilo de informação.
Obs. Ultrassecreta (restrição de até 25 anos);
Secreta (restrição de até 15 anos);
Reservada (restrição de até 5 anos).
Obs. A divulgação dos vencimentos brutos mensais dos servidores, como
medida de transparência administrativa, harmoniza-se com o princípio da publicidade,
vedada a divulgação de outros dados pessoais, como CPF, RG e endereço residencial.

Eficiência
Inserido a partir da EC. 19/98, pode-se defini-lo a partir de dois conceitos:
Melhor resultado possível
Padrões modernos de gestão ou administração, vencendo a ineficiência e garantindo
economicidade.

Princípios não expressos

Supremacia do Interesse Público


No confronto entre o interesse do particular e o interesse público, prevalecerá o
segundo.
Indisponibilidade
O poder de disposição, seja para aliená-los, renunciá-los ou transacioná-los, dependerá
sempre de lei.
Continuidade
A atividade administrativa, em especial os serviços públicos, não pode sofrer
paralisações. Por ser essencial à coletividade e ao próprio Estado, não há função pública
irrelevante ou que admita supressão, exceto se assim dispuser a norma legal
antecedente.
Em se tratando de agentes públicos, contudo, determinadas funções não podem sofrer
paralisação em nenhuma hipótese. Há proibição ao exercício da greve por militares (art.
142, § 3º, IV, da CF), e para os demais tais exercícios dependes de regulamentação legal
(v. Lei n. 7.783, de 28-6-1989, que regula os chamados serviços essenciais prestados
pelo setor privado).
Autotutela
Nos termos da Súmula 473 do STF, a Administração pode anular seus próprios atos,
quando eivados dos vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos;
ou revogá-los, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
- Não é admissível a revogação de ato vinculado, ou de ato cuja edição tenha sido
imposta por lei, ou se já exaurida a competência do agente público;
- Não é admissível a revisão interna dos atos administrativos não pode conduzir a
abusos, ou violar o direito adquirido;

Especialidade
As entidades estatais não podem modificar os objetivos para os quais foram
constituídas, sempre atuarão vinculadas e adstritas aos seus fins legais e ao objeto
social.

Presunção de Legitimidade, de Legalidade e de Veracidade


Legitimidade – Advém de órgão/agente constituído de forma política devida;
Legalidade – Advém da conformidade com o ordenamento jurídico;
Veracidade – Advém da conformidade com os fatos verídicos.

Razoabilidade
Decisão amparada em escolha equilibrada e que melhor atenda ao interesse da
administração.

Proporcionalidade
O princípio obriga a permanente adequação entre os meios e os fins, banindo-se
medidas abusivas ou de qualquer modo com intensidade superior a estritamente
necessário.

Motivação
A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade
entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatoriedades.

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