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ISSN 1413-389X Temas em Psicologia – 2006, Vol.

14, no 2, 177 – 187

Psicologia e cultura na perspectiva histórica

Marina Massimi
Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto – Brasil

Resumo
O artigo aborda a relação entre psicologia e cultura na perspectiva dos estudos históricos, a
partir do pressuposto de que a história dos saberes psicológicos na cultura brasileira pode
contribuir na compreensão desta relação, uma vez que, proporciona uma melhor fundamentação
cultural e social da psicologia. Pretende-se aprofundar a compreensão das relações entre
Processos Psicológicos e Fenômenos Culturais. Para realizar este percurso, será necessário
esclarecer o que entendemos por “psicologia” e por “cultura”. Para refletir sobre essa relação,
analisaremos as posições formuladas por autores da filosofia moderna e contemporânea, as
posições de autores da história da psicologia moderna e a de outros que marcam atualmente a
formação dos psicólogos no Brasil e no mundo. Se toda cultura é o âmbito dos significados que
os homens atribuem à existência e à realidade, então ela contém também os significados da
própria vida psíquica: há maneiras de significar os fenômenos psíquicos específicos de uma
determinada cultura e que podem ser iguais ou diferentes em outras culturas. Conclui-se
afirmando a exigência de uma ampliação do que se entende por conhecimento psicológico, não
apenas se incluindo neste domínio o saber psicológico de natureza científica, mas também o
saber psicológico inerente à cultura.
Palavras-chave: Psicologia e cultura, História dos saberes psicológicos, História da
psicologia.

Psychology and culture from historical perspective

Abstract
The article approaches a comparison between psychology and culture, from a perspective of
historical studies, considering the presupposition that the history of psychological knowledge in
the Brazilian culture can contribute to understanding this comparison, since it provides
psychology a better cultural and social foundation. The purpose is to deepen the understanding
regarding the comparison between Psychological Processes and Cultural Phenomena. To do
this, it is necessary to clarify what is understood by "psychology" and "culture". To ponder
about this comparison, we will analyze the positions regarding this matter formulated by authors
of modern and contemporary psychology and by authors of modern psychology history, as well
as other authors who currently mark psychology education in Brazil and in the world. If every
culture is the scope of the meanings that men attribute to existence and reality, then it also
contains the meanings of psychic life: there are ways to assign meanings to specific psychic
phenomena of a certain culture, which can be equal or different in other cultures. Thus, in
conclusion, there is a need to increase the understanding regarding psychological knowledge,
not only by including this knowledge in its scientific domain, but also the psychological
knowledge consider as inherent to the culture.
Keywords: Psychology and Culture, History of psychological knowledge, History of
Psychology.

Entendemos por história dos saberes psicologia, mas que não pertencem à
psicológicos uma modalidade de apreensão, psicologia científica propriamente dita,
pela via histórica, de conhecimentos e sendo-lhe anteriores ou desenvolvendo-se de
práticas culturais que dizem respeito à forma paralela.

Endereço para correspondência: Rua Sete de setembro 799 apto 91. CEP: 14010-180. Ribeirão Preto –
SP. E-mail: mmassimi3@yahoo.com.
178 Massimi, M.

A reconstrução de uma história dos procedimentos aos usos e aos


saberes psicológicos no universo da cultura costumes. Em parte, é a realização de
(em nosso caso, na cultura brasileira) pode todas as agências de controle e de
contribuir ao debate acerca das relações várias subagências com as quais o
entre psicologia e cultura, uma vez que indivíduo pode entrar em contato,
busca proporcionar melhor fundamentação especialmente íntimo. (...) Uma
cultural e social da psicologia por meio da cultura, então, em seu sentido mais
história. Com efeito, esta área de estudos amplo, é enormemente complexa e
históricos promove uma possibilidade de extraordinariamente poderosa
compreensão das relações entre processos (Skinner, 1976, p. 234).
psicológicos (objeto de estudo da psicologia)
e fenômenos culturais (expressões das Este texto apresenta de modo claro o
diversas culturas humanas). que o autor entende por cultura. Alguns
pontos são especialmente reveladores. Por
um lado, Skinner logra superar a concepção
A psicologia contemporânea e a idealista de cultura estabelecendo uma
cultura relação constitutiva entre cultura e sociedade
concebida de modo articulado – por ser
Será premissa indispensável, para o composta por agências e comunidades
percurso que se pretende aqui propor, diversificadas e articuladas. O pertencer de
esclarecer de que modo a psicologia cada um de nós a um específico grupo social
contemporânea posiciona-se diante da determina nossa cultura e as práticas nela
cultura. Tomemos as contribuições de dois inspiradas. Por outro lado, quando o autor
autores que marcam atualmente a formação propõe-se a explicar os aspectos essenciais
dos psicólogos no Brasil, cujas teorias da cultura, dentro dos esquemas de
constituem-se em perspectivas de referência referência de uma ciência natural, ele
imprescindíveis para a psicologia atual: B. assume como pressuposto o esquema
F. Skinner e S. Freud. Em cada um destes metodológico das ciências naturais. De
autores encontramos uma definição de modo que, a definição de cultura será
cultura moldada pela peculiar concepção de formulada de acordo com a visão de mundo
psicologia por eles formulada. própria das ciências naturais, num
B. F. Skinner, num de seus livros mais determinado período de sua história. Assim,
famosos, Ciência e Comportamento, aborda é possível entender os processos culturais de
a questão no tópico O Ambiente como modo análogo aos experimentos planejados
Cultura: em laboratório (daqui derivando a categoria
de “planejamento cultural”); e também, de
Geralmente fala-se de um ambiente
acordo com uma concepção determinista na
social como a “cultura” de um grupo.
qual existem as variáveis ambientais
Muitas vezes se supõe que o termo se
predispostas pelas agências de controle que
refira a um espírito ou atmosfera ou
constroem, então, a cultura. Desta forma, a
algo com dimensões não físicas.
cultura é produto fabricado pelas agências
Nossa análise do ambiente social,
de poder – social, político, econômico e
entretanto, fornece uma explicação
religioso –, e, evidentemente, pode ser um
dos aspectos essenciais da cultura no
instrumento de controle por elas utilizado.
esquema de referência de uma ciência
natural. Permite-nos não apenas Skinner assinala que “uma dada cultura
entender o efeito da cultura, mas é um experimento de comportamento”
alterar o planejamento cultural. No (Skinner, 1976, p. 240). As categorias da
sentido mais amplo possível, a cultura situação experimental (análise das variáveis,
na qual um indivíduo nasce se previsão, manipulação, controle,
compõe de todas as variáveis que o planejamento) são utilizadas por ele com a
afetam e que são dispostas por outras intenção de fornecer uma espécie de
pessoas. O ambiente social em parte é tradução operacional do caráter dinâmico e
o resultado daqueles procedimentos multifacetado das culturas. O campo de
do grupo que geram o comportamento exigências, como o de felicidade, justiça,
ético e a extensão desses amor, verdade, é reduzido em termos de
Psicologia, cultura, história 179

“conseqüências imediatas de reforço” propostas de Skinner quanto à solução dos


(Skinner, 1976, p. 240), perdendo assim a conflitos culturais e sociais presentes em
função de critérios de avaliação das práticas nosso mundo contemporâneo orientam-se,
sociais e culturais. O crivo da decisão é por um lado, na direção de uma globalização
deslocado para “o experimento formalizado obtida através da afirmação do poder
da ciência, somado à experiência prática do científico e tecnológico; e de outro, no
indivíduo” (Skinner, 1976, p. 240). A sentido do poder individual.
ciência (ou menos genericamente, a
Numa primeira leitura, a interpretação
comunidade científica) e o indivíduo são
freudiana de cultura parece diferenciar-se da
concebidos como os critérios últimos de
proposta behaviorista. Numa das “Cinco
juízo. A comunidade dos cientistas é tida
Lições de Introdução à Psicanálise”,
como a única instância capaz de um
elaboradas a partir das conferências
planejamento cultural adequado para
realizadas na ocasião da apresentação da
garantir a sobrevivência da espécie humana.
Psicanálise nos Estados Unidos, Freud
Desse modo, a posição de Skinner evidencia
refere-se a uma crítica feita à sua teoria em
e realiza o projeto positivista da ciência do
âmbito europeu. Segundo esta crítica, a
homem concebida em bases naturalistas.
psicanálise seria contrária às conquistas da
Noutro trecho do mesmo capítulo, Skinner
civilização e da cultura. Devido ao fato de
afirma:
que o método analítico de abordagem da
Contudo, (a cultura 1 ) não é unitária. pessoa liberaria nela os impulsos e desejos
Não há em qualquer grupo numeroso, reprimidos e contrastantes com a educação e
contingências de controle a formação do ser humano – proporcionadas
universalmente observadas. Usos e pela civilização e pela cultura. Freud rebate
costumes divergentes com freqüência a crítica afirmando que, pelo contrário, a
entram em conflito – por exemplo, no terapia analítica tem a função de auxiliar a
comportamento dos filhos dos cultura, através da sublimação do desejo.
imigrantes, onde os reforços sociais Deste modo, na ótica freudiana, a cultura
oferecidos pela família podem não pode ser definida como fruto do processo de
coincidir com os fornecidos pelos sublimação dos desejos. Estes podem ser
vizinhos e amigos. Diferentes direcionados de várias formas no âmbito
instituições ou agências de controle analítico, mas a sublimação é uma das
podem operar modos em conflito: a modalidades mais digna, relevante e
educação secular muitas vezes entra construtiva para afirmar a capacidade
em conflito com a educação religiosa criadora do desejo humano. Citamos a seguir
e o governo com a psicoterapia, as palavras do próprio Freud:
enquanto que o controle econômico
divide-se caracteristicamente entre Conhecemos uma solução muito mais
muitos grupos que exercem seu poder conveniente, a chamada ‘sublimação’,
de diferentes maneiras (Skinner, 1976, pela qual a energia dos desejos
p. 236). infantis não se anula, mas ao contrário
permanece utilizável, substituindo-se
O juízo acerca da não unidade da o alvo de algumas tendências por
cultura deriva exatamente desta perspectiva outro mais elevado, quiçá não mais de
reducionista da abordagem skinneriana. ordem sexual. Exatamente os
Com efeito, a unidade de uma cultura e a componentes do instinto sexual se
possibilidade de unidade entre culturas caracterizam por essa faculdade de
diferentes somente podem ser reconhecidas sublimação, de permutar o fim sexual
se se apreende o núcleo central de cada uma. por outro mais distante e de maior
Núcleo que sempre é gerado pela afirmação valor social. Ao reforço de energia
daquelas exigências fundamentais que para nossas funções mentais, por essa
Skinner reduziu como sendo meras maneira obtido, devemos
conseqüências, invertendo, assim, a direção provavelmente as maiores conquistas
do próprio dinamismo cultural. Portanto, as da civilização. A repressão prematura
exclui a sublimação do instinto
1
Nota de redação. reprimido; desfeito aquele, está
180 Massimi, M.

novamente livre o caminho para a filósofo, o que “está em questão não é a


sublimação (Freud, 1974, p. 20). cientificidade delas e sim o que as ciências e
a ciência em geral significaram e podem
Cabe reconhecer aqui o mérito da
significar para a existência humana”
tentativa empreendida por Freud para
(Husserl, 1976, p. 10). O campo dos
compatibilizar os dois âmbitos, da
significados precede o das ciências e
psicologia e da cultura. Mas, devemos
pertence ao âmbito da cultura. A cultura é
assinalar também, que a explicação dada por
definida como o domínio das modalidades
ele acerca da gênese dos processos culturais
de manipulação da realidade que os homens
é passível de incorrer no psicologismo. Com
criam orientados por projetos e critérios de
efeito, trata-se, mais uma vez, de uma
juízo dentro de um horizonte global: “O
definição de cultura elaborada dentro de um
conceito de cultura na verdade conecta-se
referencial e de categorias preconcebidas no
com a vida humana na sua totalidade, tanto
contexto da teoria psicanalítica. Ou seja,
individual como comunitária, em cujo
restritas ao âmbito do discurso psicológico:
interior se desenvolve o que é individual”
“a sublimação dos desejos reprimidos” seria,
(Ms. Trans. E III, 1, apud Bello, 1998, p.
de fato, o dinamismo psíquico (causa) da
41). A cultura, portanto, pertence ao mundo-
produção cultural (efeito). Ainda é no
da-vida, tendo vários níveis, entre os quais,
âmbito do puro psicológico que se define o
há o nível da ciência.
que é cultura, sendo que está, ultimamente,
subordinada à ciência, à sua linguagem e aos A reviravolta ocorrida na Modernidade
seus métodos. consistiu na “maneira exclusiva em que a
De fato, Freud move-se num horizonte visão global do mundo, própria do homem
profundamente marcado pela epistemologia moderno, na segunda metade do século XIX,
positivista, de certa forma análoga à deixou-se determinar pelas ciências
utilizada por Skinner (apesar de este ser positivas e pela prosperidade que elas
mais ligado à versão recente do prometiam” (Ms. Trans. E III, 1, apud Bello,
neopositivismo lógico e do 1998, p. 41), fato que, por sua vez,
operacionalismo). Ao mesmo tempo, é “implicou considerar com indiferença as
influenciado pela visão do mundo peculiar questões que são decisivas para a autêntica
ao contexto cultural e científico do século humanidade” (Ms. Trans. E III, 1, apud
XIX, especialmente o alemão, no qual Bello, 1998, p. 41).
enfrentar o tema da cultura seria As questões que elas excluem por
imprescindível. A relação entre cultura e princípio são exatamente aquelas que
psicologia é definida por Freud no âmbito de são as mais urgentes para a nossa
uma concepção da psicanálise como ciência época desgraçada cuja humanidade é
humana determinista. Dessa forma, é com abandonada aos altos e paixões do
base nas categorias psicanalíticas que Freud destino: são estas as questões que
propõe-se a explicar a gênese da cultura. dizem respeito ao sentido ou à
Existe aqui uma prioridade implícita: a ausência de sentido de toda esta
psicanálise é uma ciência e como tal, cabe- existência humana. Estas questões
lhe explicar a cultura. não exigiriam elas também, em sua
generalidade e necessidade que se
Em busca de outras perspectivas impõe a todos os homens, que sejam
meditadas suficientemente e que se
A posição epistemológica moldada pelo contribua para uma resposta que
positivismo é questionada, por E. Husserl, surgia da via racional? (...) Acerca da
como sendo expressiva da crise da razão razão e da des-razão, acerca de nós
moderna. Especialmente descrita em Krisis mesmos enquanto homens sujeitos de
(1935-1936), na qual o autor aponta para liberdade, o que a ciência tem a dizer?
“uma reviravolta que aconteceu em meados (Ms. Trans. E III, 1, apud Bello, 1998,
do século passado no que diz respeito à p. 41).
atitude frente às ciências”. (Husserl, 1976, p.
10). A reviravolta consiste, segundo Husserl, Segundo Husserl, esta inversão, que
numa “maneira geral de estimar as ciências” acarretou a subordinação da cultura pela
(Husserl, 1976, p. 10). Nas palavras do ciência e que ocorreu no Ocidente, teve
Psicologia, cultura, história 181

conseqüências deletérias seja para a ciência, seria a subjetividade. Estes efeitos culturais
seja para a cultura: “Ciências simples de colaboram para a criação de um novo tipo de
fatos formam uma simples humanidade de cultura (Koch, 1992).
fato. Estas ciências não têm nada a dizer” Não faltam autores na psicologia
(Ms. Trans. E III, 1, apud Bello, 1998, p. contemporânea que, sensíveis a esta
41). situação, buscam novas e mais adequadas
Outra crítica contundente ao modalidades de interação entre psicologia e
enfraquecimento da cultura em prol da cultura. Por um lado, há autores da escola
afirmação da “razão instrumental” da ciência fenomenológica, como E. Stein, o qual,
e da tecnologia – voltadas para o domínio seguindo Husserl, ao propor uma fundação
sobre o mundo natural e humano –, foi científica da psicologia em base
elaborada por M. Horkheimer. Segundo este fenomenológica, define o campo desta e
autor, a conseqüência mais grave da delineia suas relações com as demais
incapacidade da razão moderna conceber a ciências e com as áreas da cultura
totalidade e relacionar-se com ela é a empenhadas no estudo do ser humano (por
renúncia à verdade. Assim, “o significado é exemplo, na obra Introdução à filosofia). Por
substituído pela função” (Horkheimer, 1969, outro lado, há seguidores da perspectiva da
p. 27) e conceitos como felicidade, justiça, Escola de Frankfurt, tal como E. Fromm,
beleza, etc. perderam suas raízes racionais. que mostraram a fecundidade de uma teoria
A dissociação entre exigências humanas e crítica da sociedade na discussão da
verdade objetiva modificou os critérios de subjetividade contemporânea. Encontram-se
juízo em todos os campos da existência. A também psicólogos como J. Bruner que, ao
relação da pessoa com estas exigências, que retomar a categoria wundtiana de psicologia
estão esvaziadas de sua objetividade, foi cultural, tentou reagir ao “estreitamento e o
reduzida a um psicologismo individualista e enclausuramento que atormentam a
relativista. Neste sentido, segundo psicologia” (Bruner, 1997, p. 10). Ele coloca
Horkheimer, somente o restabelecimento de como noção fundamental, para a
um horizonte unitário e global pode curar o compreensão do ser humano, a “natureza e
adoecimento da humanidade modelagem cultural da criação do
contemporânea. Com efeito, as culturas significado e o lugar central que esta ocupa
humanas não podem renunciar à sua na ação humana” (Bruner, 1997, p.11).
universalidade que se sustenta na busca da
verdade, sua essência constitutiva. A
renúncia à exigência da verdade numa Análise do conceito moderno de
cultura acarretaria seu progressivo cultura
enfraquecimento e morte. Deve-se reconhecer também que a
A consideração destas duas posições influência positivista, embutida na
filosóficas, expressivas de um movimento psicologia moderna e na contemporânea,
crítico articulado em muitas expressões e não é a única causa responsável para o viés
posicionamentos, leva-nos à urgência de assinalado acima – no que diz respeito à
pensar outras modalidades de interação entre concepção das relações entre psicologia e
psicologia e cultura capazes de superar o cultura. Houve também na Modernidade a
erro apontado por Husserl e por Horkheimer. proposição de uma inadequada visão de
A questão é urgente pelas conseqüências que cultura, restrita na interpretação racionalista
este erro tem nas práticas psicológicas. e idealista e, portanto, passível de distorções
Segundo McIntyre, a psicologia e reduções, tais como hoje se evidenciam
contemporânea logrou grande impacto (individualismo, elitização, abstração,
cultural na sociedade, tendo tido menos relativismo, etc.). O filósofo austro-italiano
sucesso ao interpretar o mundo do que ao R. Guardini (1995) aponta que o conceito de
mudá-lo. Na visão deste filósofo, a operação cultura na Idade Moderna foi identificado
de mudança da mentalidade determinada com a elaboração e a realização de projetos
pela psicologia manifesta-se, sobretudo, em civilizatórios – produtos de determinados
dois aspectos: a psicologia difunde um novo modos de ação e fazeres humanos
modo de conhecimento de si mesmo e impõe implicados na construção de sua própria
novos modelos prescritivos acerca do que existência. Deste modo, a partir do século
182 Massimi, M.

XVI, a palavra cultura veio a ser identificada seu cunho os conhecimentos e valores da
com o termo civilização. A legitimação vida de uma comunidade” (Ratzinger, 2007,
filosófica desta concepção de cultura p. 59). Assim, como também, “uma
encontra-se na posição do filosofo inglês F. tentativa de entender o mundo e nele a
Bacon. Ao exaltar o novo conhecimento existência do homem, não puramente
científico, ele assinalara como fator teórica, mas dirigida pelo interesse
diferencial entre a ciência moderna e a teoria fundamental de nossa existência”
dos antigos, a capacidade de poder, criando, (Ratzinger, 2007, p. 59). Sendo assim, toda
assim, o conhecido lema: ‘saber é poder’. A cultura humana tem um horizonte totalizante
raiz desta concepção é uma determinada no sentido de ser um conhecimento aberto à
modalidade de entender a razão e o saber práxis e inerente a todos os aspectos da vida.
como autônomos, ou seja, desvinculados de Segundo Arendt (2003), a cultura se
raízes externas e que se colocam como gera porque “a vida humana como tal
pontos de vista exteriores à realidade e necessita de um lar sobre a terra durante sua
capazes de determiná-la, planejando aquilo estada aí” (p. 262) e este lar terreno se torna
que a realidade deve ser e de certo modo, um mundo “quando a totalidade das coisas
construindo-a. H. Arendt, na Condição fabricadas é organizada de modo a poder
Humana, sintetiza assim o ponto essencial resistir ao processo vital consumidor das
da questão: pessoas que o habitam, sobrevivendo assim
A razão em Descartes, não menos que a elas. Somente quando essa sobrevivência é
em Hobbes limita-se a prever as assegurada falamos de cultura” (Arend,
conseqüências, isto é, à faculdade de 2003, p. 262). Arendt remete-se ao
deduzir e concluir a partir de um significado etimológico original da palavra
processo que o homem pode, a latina, cuja raiz é o verbo colere, que
qualquer momento, desencadear significa cultura, habitar, cuidar, criar e
dentro de si mesmo. Trata-se do jogo preservar, sendo originalmente associado às
da mente consigo mesma, jogo este atividades da agricultura e ao cultivo da
que ocorre quando a mente se fecha terra. Ela lembra, porém, que já Cícero
contra toda a realidade e sente aplica o termo ao cuidado da alma,
somente a si própria (Arendt, 1999, p. utilizando-se da expressão excolere animum
296). ou cultura animi.
Uma expressão poética que parece
Nesta ótica, civilização é entendida
explicitar esta definição de cultura,
como aculturação. Como a cultura é algo
assinalando ao mesmo tempo a dificuldade
que o homem faz e também o instrumento
do homem contemporâneo em relação a ela,
que usa para fazer-se e para fazer o outro,
encontra-se no livro Pensamentos
ela é civilizadora. Cultura, então, é uma
Repentinos de A. Sinjavskij (publicado sob
visão do mundo, um projeto, um
o pseudônimo de A. Terz). Num trecho, este
planejamento que certa sociedade humana
autor compara a experiência do homem
elabora. Propõe uma representação de si
globalizado à do camponês russo:
mesmo e do mundo e critérios normativos da
ação. Portanto, que também se impõe sobre Antigamente, o homem e seu meio
os outros, justificando-se assim a dominação familiar era ligado à vida universal –
do projeto mais poderoso sobre os demais. histórica e cósmica - de modo muito
mais amplo e sólido. Hoje, mesmo
que tenhamos a nosso dispor jornais,
Cultura como expressão de uma
museus, rádios, aviões, percebemos
comunidade humana em busca da superficialmente este fundo comum,
verdade penetramos superficialmente nele,
Para retomar uma relação construtiva Pouco o conhecemos. Nós lemos o
entre psicologia e cultura, cabe, assim, jornal e morremos solitários em nosso
buscar uma concepção mais adequada de sofá estreito e inútil. Compararmos
cultura. Pode-se se entender por cultura “a nosso horizonte pretenso com o estilo
forma de expressão comunitária, de vida de um simples camponês do
desenvolvida historicamente, que marca com passado: todos os seus gestos
Psicologia, cultura, história 183

pertenciam a um significado situada historicamente, podendo inclusive se


universal. Ele mantinha uma ligação transformar profundamente no diálogo com
permanente com a imensa criação do as demais. Sua racionalidade sempre é
mundo, e vivia o calendário de uma fundada no pertencer a comunidades
história comum que começava de particulares e não numa concepção de razão
Adão e terminava com o Juízo cartesianamente ou hegelianamente
Universal. Antes de pegar na colher, entendida. É muito importante, segundo
iniciava fazendo o sinal da cruz e por MacIntyre, articular a racionalidade de cada
este único gesto, ligava-se à terra e ao tradição de pesquisa com o tipo particular de
céu, ao passado e ao futuro (Terz- comunidade que a gera – levando-se em
Sinjavskij, 1977, p. 44-45, trad. conta que todo fundador ou sistematizador
nossa). de tradição de pesquisa é historicamente
situado e membro de uma específica
comunidade “estando inevitavelmente
envolvido com os conflitos fundamentais da
As culturas humanas, a vida
vida histórica dessas comunidades, em
psíquica e a perspectiva histórica épocas e lugares específicos” (McIntyre,
Se toda cultura é o âmbito dos 1991, p. 418). Nesta perspectiva, o
significados que os homens atribuem à pensamento inerente a cada tradição de
existência e à realidade, então ela contém pesquisa possui uma história vinculada a
também os significados da própria vida formas de vida prática e social, que,
psíquica. Há maneiras de significar os inclusive, são por ele incorporadas. Assim, o
fenômenos psíquicos específicas de uma domínio da teoria e do conceptual não é
determinada cultura e que podem ser iguais distinto do reino dos interesses, das
ou diferentes em outras culturas. Portanto, o necessidades e das formas da organização
âmbito dos saberes e das práticas social. Todo pesquisador é protagonista de
psicológicas não compreende apenas os uma específica tradição e inicia sua pesquisa
significados que a ciência (a psicologia a partir da perspectiva que lhe é oferecida
científica) atribui aos fenômenos psíquicos, pelo passado social e intelectual dela.
mas também o conjunto de significados que As diversas culturas e tradições de
as diversas culturas dão a tais fenômenos. pesquisa alimentam-se, têm raízes num
Sendo os processos culturais campos passado. Então, para preservar uma cultura é
nos quais acontecem formas e modos preciso também preservar seu passado; ao
próprios de vivenciar e conceber o passo de que, para destruir uma cultura é
dinamismo psíquico, de orientá-lo, de suficiente cortar suas raízes, ou seja, a
formá-lo, de solucionar seus desvios e de memória de seu passado. A cultura gera uma
promover sua saúde, as culturas constituem- identidade, isto é, uma forma própria do
se em ricos e variados acervos para o sujeito se posicionar diante dessas questões.
conhecimento psicológico. Referimo-nos a O conhecimento histórico visa contribuir
culturas, pois são diversos os significados para que se mantenham vivos os vínculos
atribuídos pelos vários sujeitos culturais, ao com as raízes, não por uma forma de
longo da história e também em toda a saudosismo, mas pelo fato de que, ao manter
extensão do espaço geográfico, ao mundo, à vivos e atualizar os vínculos com o passado,
realidade em si mesma. Conforme alerta ter em vista o posicionamento da identidade
Sahlins (1990), as diversas ordens culturais no presente. Assim, o olhar ao passado nos
têm historicidade própria, de modo que, recoloca possibilidades mais amplas de
multiplicando-se os conceitos de história, entendermos a cultura (De Certeau, 2000).
“há um mundo de coisas novas a serem
consideradas” (p. 94).
MacIntyre (1991) refere-se à
Culturas e história dos saberes
diversidade das tradições de pesquisa como psicológicos no Brasil
podendo ser parte do substrato histórico de No universo multifacetado da cultura
uma mesma cultura. Cada uma destas brasileira, a investigação histórica tem
tradições possui seus próprios padrões de revelado a presença de tradições diversas,
raciocínio e crenças fundamentais; e é articulando conhecimentos e práticas em
184 Massimi, M.

função das demandas da realidade na qual se Brasil, pode compor-se numa harmonia
inserem. entendida, à moda barroca, como
A presença contemporânea de diversas composição de contrários. Assim comenta
tradições culturais remete, em seu conjunto, Suassuna: “é a grande lição da corrente
às duas matrizes fundamentais da oralidade tradicional brasileira, desde o Barroco
e da escrita. Assim, há um primeiro grupo colonial e mestiço até os dias de hoje”.
de tradições (próprias das nações indígenas, (Suassuna, 2005, p. 26). A receptividade às
européias, africanas) elaboradas e dissonâncias inerente ao universo cultural
difundidas, sobretudo, pela oralidade; e um brasileiro seria uma “característica popular,
segundo grupo inerente aos meios letrados, brasileira e barroca, de união harmônica de
transmitido pela escrita. Esta dualidade termos antinômicos” (Suassuna, 2005, p.
marca, ainda hoje, a cultura brasileira e as 26). Esta, segundo Suassuna, seria a raiz de
modalidades de se conceber a vida psíquica unidade profunda que perpassa todas as
e de se cuidar dela. A marca desta obras brasileiras de arte e literatura, ao longo
duplicidade, no que diz respeito ao universo do tempo, e que permite ao intelectual
cultural brasileiro, foi assinalada por vários brasileiro “dar ouvido a todas as vozes”
autores, entre eles C. Cascudo e A. (Suassuna, 2005, p. 26).
Suassuna. Colocando-nos na perspectiva sugerida
Cascudo (2004) retoma o mito grego por Cascudo e Suassuna, para apreendermos
dos gêmeos Castor e Pólux para afirmar que a história dos saberes psicológicos no Brasil
a cultura oral, recebida dos antepassados, e a dentro do horizonte da Historia Cultural,
cultura adquirida pela formação escolar são podemos identificar diferentes sujeitos
duas dimensões coexistentes e irmanadas na culturais, protagonistas da história dos
“mesma constelação rutilante do saberes psicológicos, em diversos períodos
conhecimento” (p. 710). A cultura popular é históricos. Num arco temporal que se
“o saldo da sabedoria oral na memória estende desde meados do século XVI até a
coletiva” (Cascudo, 2004, p. 710). Ao passo metade do século XVIII, os membros da
que, a elaboração da cultura letrada e sua Companhia de Jesus encarregaram-se da
transmissão acontecem em universidades, transmissão das tradições culturais do
laboratórios, bibliotecas, congressos, ocidente. Assim como, de utilizar suas
simpósios e conferências. Considerando o práticas persuasivas e pedagógicas na
interesse contemporâneo pela cultura intenção de reduzir uma multiplicidade
popular, manifesto em áreas do saber heterogênea de visões do mundo e de
acadêmico (Antropologia Cultural, práticas de conduta, a um corpo social
Etnologia, Psicologia, etc.), Cascudo (2004) unitário, moldado pela adesão ao
afirma que “já não é mais possível o estudo cristianismo. Nesse esforço, os saberes
de uma sem a outra” (p. 711). psicológicos disponíveis na tradição cultural
Suassuna (2003) tematiza, na Farsa da dos jesuítas, herdados pela antigüidade
Boa Preguiça, a existência de “dois Brasis”: clássica e medieval, mas também pela
“Um, o Brasil do povo e daqueles que ao modernidade contemporânea, foram
Povo são ligados pelo amor e pelo trabalho. empregados e traduzidos de várias formas:
É o Brasil peculiar, diferente, singular, no que diz respeito ao reconhecimento da
único, que o povo constrói todo dia, na humanidade do índio brasileiro, fundado na
Mata, no Sertão e no Mar, fazendo-o evidência de suas capacidades psíquicas
reerguer-se, toda noite, das cinzas a que (potências anímicas) (Massimi, 2003a); na
tentam reduzi-lo a televisão, o cinema, o forma de recursos e receitas derivadas da
rádio, a ordem social injusta (...) que tentam tradicional Medicina da Alma, difundidas
descaracterizá-lo, corrompê-lo e dominá-lo”. pela pregação e pela conversação, ou cura
É “o Brasil dos “Cantadores, dos Vaqueiros, espiritual (Massimi, 2002, 2003b, 2007); na
dos Camponeses e dos Pescadores” (p. 23). forma de práticas retóricas e pedagógicas
E o outro seria o Brasil da burguesia urbana acomodadas à realidade dos destinatários
e cosmopolita, os membros do “ambiente visando à mudança das condutas e da
político urbano brasileiro” (Suassuna, 2003, mentalidade através da mobilização do
p. 23), em suma: o Brasil moderno. Por dinamismo psíquico pela palavra, pela
outro lado, esta dualidade que caracteriza o imagem e, de modo geral, pela estimulação
Psicologia, cultura, história 185

dos diversos sentidos e afetos (Massimi, Acreditamos que, no âmbito da


2005). psicologia, os significativos
desenvolvimentos ocorridos no Brasil, sejam
Autores de formação ou nacionalidade no que diz respeito à pesquisa científica,
portuguesa tiveram também um papel de sejam no que diz respeito às práticas
destaque ao propor o modelo sociocultural terapêuticas de intervenção, a partir da
lusitano, utilizado nas relações de segunda metade do século XX, não devam
intercâmbio, comércio e migração ao longo ocultar, em sua atuação, a presença de outras
da Idade Média, como molde aglutinador matrizes de conhecimento e de cuidados
para compor a mescla entre índio, colono e psicológicos. Como também, expressões de
africano. A tradição ibero-lusitana penetrou uma pluralidade de sujeitos culturais e de
no Brasil, na cultura popular, pela comunidades étnicas, que também podem
introdução de práticas de origem medieval, ser capazes de oferecer recursos
como festas religiosas ou civis (folia de reis, psicológicos, sejam em termos conceituais,
encomendação das almas, procissões) e sejam em termos práticos, não devem ser
comemorações históricas (cavalhada). No encobertas.
nível da cultura letrada, pela importação de
livros e idéias e pela circulação de Entendemos que a relação entre
intelectuais. psicologia e cultura, travada pela via
histórica, não seja importante apenas para a
Nesse universo, o saber psicológico compreensão do passado, mas também do
dedicara sua atenção, no século XVIII, aos presente. A exigência atual de definir
temas das emoções e do entendimento, instrumentos adequados para apreender a
encarados como dimensões antropológicas rica e variada estratificação cultural da
da pessoa tomada em seu dinamismo sociedade brasileira, pode ser auxiliada por
essencial (o tópico barroco do homem uma historiografia preocupada de “conceber
peregrino), conforme documentam as obras a imbricação de pluralidades plurais em um
de Nuno Marques Pereira, Feliciano mesmo espaço complexo” (Dosse, 2004, p.
Joaquim de Costa Nunes, Mathias Aires 142). A sociedade moderna (e especialmente
Ramos da Silva de Eça (Massimi, 2004, a sociedade brasileira) é composta por um
2006). No século XIX, a introdução das conjunto de “estratos imbuídos de um saber
idéias de matriz francesa, apropriadas pela singular a recuperar, sempre aberto à
cultura portuguesa ou diretamente criatividade e a novas formas de
assimiladas pela freqüência de jovens atualização” (Dosse, 2004, p. 142). Nela, o
estudantes brasileiros nas universidades presente é fruto de um processo histórico
francesas, trouxe ao Brasil os fermentos da que reuni em si diversos regimes de
ruptura que a modernidade operou na cultura historicidade, ou seja, uma temporalidade
européia. A penetração das modernas visões não mais linear que “pode dar conta da
de mundo e do homem, nas vertentes do pluralidade de maneiras como as
racionalismo, do iluminismo, do comunidades humanas vivem sua relação
materialismo, do vitalismo e do positivismo, com o tempo” (Dosse, 2004, p. 109). Desse
acarretou a formulação de conhecimentos e modo, é um elemento expressivo deste
práticas psicológicas cada vez mais pluralismo cultural o fato de que a
moldadas pelo modelo das ciências naturais, pluralidade de sujeitos culturais e sociais,
seja pela adesão, seja pela negação, como que compõem o tecido social brasileiro, seja
fica evidente nos pensamentos de Francisco portadora de diversas modalidades de
Mello Franco, José Bonifácio de Andrada e elaboração da experiência psicológica,
Silva, José Gonçalves Magalhães, Luiz submetida a diversos regimes de
Pereira Barreto, Eduardo Ferreira França temporalidade. Em suma, a história da
(Massimi, 2004, 2006). O psiquismo psicologia e dos saberes psicológicos
considerado como derivação da matéria possibilita apreender não apenas de modo
cerebral, ou dualisticamente a ela diacrônico, mas também sincrônico, os
contraposto, é encarado assim no contexto diversos saberes presentes numa
das profundas mudanças culturais determinada cultura, com seus próprios e
acontecidas na Europa entre o século XVIII diferentes regimes de historicidade.
e XIX. Contribuindo assim para que o
186 Massimi, M.

conhecimento científico não exclua os Dosse, F. (2004). História e Ciências


demais. Sociais. (I. C. Benedetti Trad.). Bauru,
No Brasil, terreno tão rico de Edusc (Originalmente publicado em
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cultural multifacetado e polivalente, esta Freud, S. (1974). Cinco lições de
abordagem historiográfica pode contribuir Psicanálise. In Os Pensadores (Vol. 49)
na definição de posições culturais e práticas São Paulo: Abril Cultural (Originalmente
alternativas à homologação globalizante e publicado em 1905).
tecnicista. Cada vez mais, elas parecem
sufocar o pensamento e a ação humana, Guardini. R. (1995). O fim da Idade
retirando dela sua liberdade criativa. No Moderna. (M. S. Lourenço Trad.) Lisboa:
panorama contemporâneo, trata-se de um Edições 70. (Originalmente publicado em
desafio mais do que urgente. Pois, os graves 1986).
problemas emergentes (violência, Horkheimer, M. (1969). Eclisse della
narcotráfico, corrupção e falta de ética, falta ragione. (E. V.Spagnol Trad. italiana)
de sentido, desagregação social, pobreza e Torino: Einaudi Paperbacks.
desigualdades sociais crônicas – apesar de (Originalmente publicado em 1947).
anos de regime democrático) apontam para a
necessidade de uma educação real. Que Husserl, E. (1976). La crise des sciences
somente assim será, na medida em que, não européennes et la phenoménologie
seja homologadora e que preserve e afirme transcendentale. (G. Granel Trad.
os sujeitos vivos, presentes e operantes no francesa). Paris: Gallimard.
tecido sócio-cultural, portadores de memória (Originalmente publicado em 1935-36).
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(Originalmente publicado em 1987). Enviado em Junho/2007
Revisado em Outubro/2007
Aceite final em Dezembro/2007
Publicado em Março/2009

Nota da autora: Apresentado em Simpósio Psicologia e Cultura na Reunião SBP 2007. Marina
Massimi – Departamento de Psicologia e Educação – Faculdade de Filosofia Ciências e Letras. USP –
Ribeirão Preto.

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