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Introdução

Fungos é um grupo monofilético de organismos eucarióticos tanto macroscópicos quando


microscópicos, não fotossintéticos e heterotróficos de carbono, que se propagam e dispersam por
meio de esporos. Muitos possuem uma parede celular rígida e formam micélio.
Há dois ciclos de reprodução: o ciclo assexual, que acontece rapidamente por esporos
formados por mitose (mitósporos) e o ciclo sexual, que é mais restrito e acontece em momentos
de escassez por esporos formados por meiose (meiósporos). Só crescem no ápice, sempre para
frente.
São encontrados em praticamente todos os habitats em que há oxigênio, de maneira
permanente ou ocasional; alguns vivem dentro ou na superfície de plantas, dentro de insetos ou
no interior do solo. Há fungos isoláveis em meios de cultura e fungos apenas isoláveis por meios
moleculares, assim como espécies saprofíticas, parasitas e simbióticas (facultativas e
obrigatórias).
Alguns fungos formam, raramente, hifas, que podem ser muito compridas e suscetíveis ao
rompimento, embora tenham grande resistência.

Reino Eumycota
Filos
Chytridiomycota, polifilético (mais primitivo)
Zygomycota, polifilético
Ascomycota, monofilético (mais evoluído)
Basidiomycota, monofilético (mais evoluído)
Deuteromycota, um filo especial (que não é formalmente aceito como um táxon) que
compõe fungos que ainda estão ‘esperando’ para serem classificados em um dos outros filos.

Características Adicionais
● Organização tipicamente miceliana
● Nutrição osmotrófica (absorção por osmose de substâncias dissolvidas)
● Glicogênio como substância de reserva
● Interpolação de uma dicariofase (fase intermédia onde dois núcleos existem ao mesmo
tempo) entre a haplofase e a diplófase
● Maioria dos septos (paredes transversais que aparecem mesmo quando não coradas) são
perfurados, dando continuidade a compartimentos do fungo

Parede Celular
É rígida e confere resistência às células, com permeabilidade passiva e fibrilhas embebidas numa
matriz (camada interna). Estas são características universais, exceto em soma plasmodial e
células flageladas
Fibrilhas:
● Quitina/quitosano, polímero N-acetilglucosamina e no caso do quitosano, parcialmente
deacetilado
● β-glucanas, polímeros de glucose
● Celulose (apenas em Pseudomicetos)

Matriz:
● Proteínas
● α-glucanas
● Mananas

Septos hifais
1. Septos imperfurados
De tabique transversal, com barreira completa. Aparecem tanto em pseudomicetos quanto
eumicetos, para delimitar zonas mortas, separar estruturas reprodutoras (vegetativas) e na
segmentação de hifas, artículos e esporos.

2. Septos perfurados simples


De tabique transversal com orifício central. Característicos dos Deuteromycota e
Ascomycota, regulares nas hifas (septação regular) e servem como reforço mecânico das
mesmas. No interior do poro há as chamadas “rolhas”, sistemas de membranas/grânulos
electro-densos. Na periferia do poro há os corpos de Woronin, com revestimento
membranar e conteúdo protéico e cristalino, de forma variável, que serve para oclusão dos
poros em situações de emergência; eles parecem controlar a passagem de organitos

3. Septos perfurados dolipóricos


De tabique transversal com orifício central. O poro septal é rodeado por uma parede
espessa. Em sua periferia há uma porção especializada de membrana, o parentessoma,
que pode se desagregar do septo. Serve de reforço mecânico para as hifas, de ocorrência
regular e permite a passagem de organitos e, em ocasiões especiais, núcleos.

Núcleo fungal
Com número de genes inferior aos das plantas e dos animais, possui divisão intranuclear,
onde o envelope nuclear continua intacto durante a mitose.

Esporos
A dispersão é um dos problemas fundamentais dos fungos, para isso, a solução são os
esporos. Embora alguns sejam estruturas de dormência (em estações/épocas desfavoráveis, só
germinando em épocas favoráveis) e resistência, como os zigósporos e oósporos, na maior parte
dos casos esporos são estruturas de dispersão, germinando e dando origem a um novo indivíduo.
Variam de gigantescos até relativamente pequenos e, exceto pelos zoósporos, têm parede celular
rígida e normalmente fina e transparente, embora em alguns casos possa ser espessa ou
pigmentada.
Fungos podem produzir quantidades enormes de esporos, como no caso de Calvatia
gigantea, que produz um total de 7 * 1012 basidiósporos, ou Ganoderma applanatum, que liberta 7
* 1010 basidiósporos por dia durante 6 meses. Contudo, fungos aquáticos, como Rhizophydium
produzem poucos esporos (por volta de 10 a 20 zoósporos), que são flagelados.

Libertação passiva
● Esporos secos: dispersos pelo vento, não estão envolvidos por mucilagem e são
facilmente observáveis.
● Esporos mucilaginosos: podem ser dispersos de duas maneiras
○ dispersos pela água;
○ dispersos por insectos, como no caso de phallus impudicus, que se formam a
partir do ovo. O odor agrada as moscas, que a pousar absorvem os esporos, e os
"libertam" onde pousarem posteriormente.

Libertação ativa
Fungos mais evoluídos têm projeção violenta dos esporos, onde eles caem para fora do
cogumelo, como:
● Ascósporos organizados num himénio, que percorrem de 0,5 a 4 cm ao serem projetados
verticalmente, num fenômeno chamado fototropismo do asco.
● Basidiósporos dos Himenomicetos, chamados balistósporos por causa da sua projeção.
Basidiósporos são projetados violentamente, mas se a distância for muito grande eles
batem nas lâminas um dos outros. Assim, a distância que eles percorrem é menor que a
distância entre as lâminas. Percorrem uma distância de 0,1 a 1 mm, e têm himénio virado
para baixo ou na vertical.

Zygomycota
Tipicamente terrestres, possuem quitina na parede e ausência de células flageladas. Sua
reprodução assexual é por esporângio, um ciclo extremamente rápido, e sexual por zigosporângio,
que embora possa ser rápido (dias) não é tanto quanto o assexual (horas).
Mucorales

Ciclo assexual
Por meio de esporângios que produzem esporangiósporos. O esporângio é muito variado,
esporos geralmente são grandes e não há mecanismo de expulsão violenta. O esporângio pode
ter tanto um número elevado de esporos (até 100.000, esporângio multiespórico) quanto um
número reduzido (2 a 20, esporangíolo multiespórico), e até apenas um esporo (esporangíolo
uniespórico), embora seja uma exceção. A columela está dentro do esporângio, mas não faz
parte da reprodução, e as hifas podem ser muito grandes e magras.
Imagens em ordem de apresentação dos esporângios:
Representado na imagem um esporangíolo multiespórico (1-15 esporos) cilíndrico, sem
columela, denominado merosporângio.

Ciclo sexual
(em Phycomyces, genus dos Zygomycetes)
A diferenciação ocorre por zigóforos, que possuem hifas na extremidade. Nos zigóforos, há
uma célula suspensora e um gametângio, que se fundem e possuem zigosporângios no interior.
Existem tanto espécies homotálicas (em que a mesma cultura forma todo o ciclo, não há
diferenciação de masculino e feminino) e espécies heterotálicas, onde também não há masculino
e feminino, são apenas referidos como tal por conveniência, se chamam verdadeiramente 'mais'
(+) e 'menos' (-) (linhagem positiva e negativa) e só acontece aproximação entre opostos. Como o
sistema pode não ser específico, acontece de ocorrer aproximação entre (+) e (-) de espécies
diferentes.
Ácidos trispóricos, sintetizados a partir do β-caroteno durante o cruzamento, atuam em
concentrações reduzidas, mas não são produzidos em culturas isoladas. Se o ácido é adicionado
a cultura (+) ou (-), desencadeia-se o processo de reprodução e formam-se zigóforos.
O processo acontece de forma que as culturas (+) e (-) seguem inicialmente vias
diferentes, mas eventualmente utilizam precursores uma das outras e ambas sintetizam no fim
ácidos trispóricos.

Mucor

Como agente infeccioso


Mucormicose, uma micose aguda invasiva de infecções cutâneas do nariz, dos pulmões ou
dos intestinos. Podem disseminar-se e causar morte. São casos raros, geralmente em doentes
imunodeprimidos, como pessoas depois de um transplante, ou doentes queimados extensos.
Casos fatais se não houver tratamento e se a pessoa não tiver barreiras (glóbulos brancos), eles
atingem os pulmões e matam em poucas semanas. O tratamento geralmente consiste em tomar
antifúngicos e na remoção dos tecidos infectados.

Como agente produtor de enzimas


Diversas espécies são ótimos produtores de enzimas como celulases, xilanases e
poligalacturonases. Muitas indústrias usam fungos para produzir enzimas, pois a cultura cresce
muito rápido.

Como agente de transformação de alimentos


Age na produção de vários queijos franceses (Saint-Nectaire, Tomme de Savoie), salsichas
fermentadas gregas e italianas, e produtos de soja fermentados (Tofu).

Como agente de deterioração de queijos


Queijos como Brie e Camembert podem ser deteriorados por Mucor, formando uma
cabeleira branca à volta do queijo e o deixando com mau gosto e aroma desagradável.
Deuteromycota
É um filo especial, não formalmente aceito como táxon, que compõe fungos que ainda estão
“esperando” para serem classificados em outros filos, considerados formas assexuais/conidiais
dos Ascomycetes e Basidiomycetes que perderam a capacidade de reprodução sexual. Possuem
quitina na parede e ausência de células flageladas. São formas anamórficas ou anamorfos e sua a
reprodução assexual é por conídios.

Conidióforos
Podem ser livres e isolados ou agrupados em estruturas organizadas, especializadas e
geralmente macroscópicas e complexas chamadas de conidioma (singular) e conidiomata (plural).
Os tipos principais de conidióforos são:
● Esporodóquio
○ Um agregado de conidióforos em forma de travesseiro.
● Sinema
○ Um grupo de conidióforos agregados na ponta de uma massa ereta de hifa,
lembrando um brócolis. Comumente encontrados em madeira em decomposição e
fezes.
● Picnídio
○ Uma estrutura com formato de frasco com conidióforos formados a partir de células
na parede picnidial. São parecidos com peritécios, mas não contém asco.
● Acérvulo
○ São em formato de tábua com conidióforos crescendo lado a lado, vindos de uma
massa de hifa somática no interior.

Grupos tradicionais

● Hifomicetos
○ Conidióforos livres ou agrupados em esporodóquios ou sinemas.

Sistema de Saccardo
É um sistema baseado nos conidióforos livres ou agrupados, nos quais os conidióforos e conídios
podem ser claros ou escuros. A vantagem deste sistema é a utilização prática, acessível e
expedita. As limitações é que as cores podem ser subjetivas e também a artificialidade: a
proliferação e fragmentação de géneros leva espécies semelhantes a serem colocadas em
géneros ou famílias distintas sem se diferirem.
Sistemas pós-Saccardo
São, por exemplo, a ontogenia conidial, por meio da:
● Microscopia óptica
○ Hughes, 8 seções, baseadas no tipo de conidióforo e modo de
formação dos conídios
○ Barron, 10 séries, semelhante a Hughes
● Microscopia electrónica (ultraestrutura):
○ Reunião de Kananaskis, no Canadá. Identifica o modo blástico,
tálico, holoblástico e enteroblástico.

Modo Blástico
O conídio se forma por extrusão a partir da célula conidiogénica.

A. Holoblástico
a. Neste modo existe continuidade entre todas as camadas da parede da célula
conidiogénica e as camadas da parede do conídio.
b. Holoblástica botriosa, onde ocorre a formação de conídios na extremidade de
dentículos, que se desenvolvem à superfície de dilatações globosas de ramos do
conidióforo (ampolas). A formação dos conídios é sincronizada, ocorrendo em
simultâneo em todas as ampolas. Os conídios são delimitados por um septo que se
forma no dentículo, depois do conídio estar maduro.
c. Holoblástica porogénica, onde ocorre a formação de conídios através de um
pequeno poro existente na parede célula conidiogénica, o qual é bem definido e
forma-se por ação enzimática, não mecânica. Após a libertação do conídio,
permanece na célula conidiogénica um pequeno poro tapado por uma rolha. Os
esporos (porósporos ou poroconídios) podem ter um arranjo solitário, botritioso
ou em série acrópeta.
B. Enteroblástico
a. Neste modo a camada externa da parede da célula conidiogénica não tem
continuidade com a parede do conídio, embora possa existir continuidade entre a
camada interna da parede da célula conidiogénica e a parede do conídio, ou não
existir continuidade alguma (no último caso, chamado de endoblástico).

Modo Tálico
O conídio se forma por conversão e desarticulação de um elemento hifal, com indiferenciados
pré-existentes.

A vantagem desses sistemas é que são sistemas orgânicos, coerentes, e que agrupam fungos
semelhantes. Suas limitações, contudo, é que exigem observações pormenorizadas e
identificação do tipo de conidiogénese.
● Coelomicetos
○ Conidióforos agrupados em picnídios ou acérvulos.
● Blastomicetos
○ A soma unicelular predominante é de leveduras (deuteromicéticas).
● Mycelia sterilia (Agonomycetes)
○ Estruturas reprodutoras especializadas estão ausentes, assim como os conídios. A
multiplicação é feita pela fragmentação das hifas.

Fungos Pleiomórficos
Dado o desfasamento entre teleomorfos e anamorfos, isso faz com que alguns fungos sejam
binómios (possuem dois nomes). Contudo, uma espécie botânica pode ter apenas um nome, o
que levou o Código Internacional de Nomenclatura Botânica a permitir, excepcionalmente, a
utilização de vários nomes específicos para fungos pleiomórficos.
Fungos pleiomórficos são fungos que apresentam sucessiva ou simultaneamente um ou vários
estados reprodutores (sexual ou assexual) ou de crescimento vegetativo, que podem ser:
● Holomorfos
○ Conjunto de todos os estados vegetativos e reprodutores, expressos ou latentes.
● Teleomorfos
○ Nos quais o estado reprodutor é o sexual do holomorfo e os produtores são os
meiósporos. EX: Apotécios.
● Anamorfos
○ Com estado vegetativo ou reprodutor assexual do holomorfo, nos quais o produtor
são os mitósporos. EX: Esclerócios, microconídios, macroconídios.

Ascomycota
Filo com maior diversidade morfológica e de ciclo de vida. Possuem quitina na parede,
ausência de células flageladas e uma fase intermédia dicariótica com 2 núcleos, muito estável e
que pode ser criada em laboratório. Sua reprodução assexual é feita por conídios e sexual por
ascos, uma célula em forma de saco, com ascósporos. Os núcleos só se fundem quando chegam
ao asco.

Casos relevantes
● Nectria galligena, espécie patogênica de plantas, causa câncer nas árvores.
● Claviceps purpurea, espécie que infecta o centeio e causa "fogo de santo antão",
derivado do esclerócio alcaloide do claviceps purpurea. Reduz a circulação sanguínea,
causa sensação de queimaduras e eventual amputação dos membros. Muitas intoxicações
ocorreram na idade média.
● Onygenales, ordem patogênica do homem. Fungos queratinolíticos (que metabolizam
queratina) e formam cleistotécios, um tipo de ascocarpo.
○ Arthroderma e Nannizzia (teleomorfos), Tricophyton, Microsporum e
Epidermophyton (anamorfos). São fungos dermatofíticos que causam infecções
superficiais da pele, unhas e cabelo, mais conhecido como Tinha.
○ Ajellomyces dermatitidis e Ajellomyces capsulatum (teleomorfos), Blastomyces
capsulatum e Blastomyces dermatitidis (anamorfos). São fungos dimórficos que
causam infecções profundas respiratórias, Blastomicose norte-americana para os
dermatitis e Histoplasmose americana para os capsulatum. Estes fungos,
blastomicos e histoplasmos, ocorrem em climas tropicais
● Discomycetes, fungos dessa classe taxonômica (já extinta) vivem em associação com
clorófitas ou cianobactérias, os chamados líquenes, dos quais a maior parte são
ascomicetos.
○ Há discomycetes comestíveis, como as túberas (Tuber) e morchelas (Morchella),
ambos de preço muito elevado.
○ Também há os venenosos, helvelas (Helvella) e giromitras (Gyromitra)

Principais determinantes biológicas

Asco
Podem ser do tipo:
1. Prototunicados, nos quais a parede do asco é fina, frágil e se desfaz. Não existem
estruturas especializadas e o ápex é o asco. Ocorre libertação passiva, os ascósporos
ficam nos ascos e se libertam por degradação. Suas classes são:
a. Archiascomycetes (mycetes ancestrais, maioria)
b. Hemiascomycetes
c. Plectomycetes (maioria)
2. Unitunicados, com a parede do asco com camadas fortemente aderentes entre si e um
orifício com projeção violenta dos ascósporos. Pode existir aparelho apical e o ápex é o
asco. Só existe um orifício, fixo, que pode ser um tampão, um poro ou uma fenda e é muito
menor que os ascósporos. Os ascósporos libertam-se de duas maneiras:
a. Por um poro ou fenda, sendo este apical ou sub-apical, denominado de
inoperculados (sem opérculo, tampa). A libertação dos ascósporos pode ser
passiva ou ativa. Acontece nas classes Pyrenomycetes (maioria) e Discomycetes.
b. Por um poro tapado, denominado operculados (com opérculo). A libertação dos
ascósporos é ativa. Acontece maioritariamente na classe Discomycetes.
3. Bitunicados, onde a parede do asco tem duas camadas, uma exotunica e outra
endotunica, as quais deslizam antes da libertação, e então a exotunica se rompe e a
endotunica expande seu comprimento e se destaca da exotunica. São mais complexos, a
expansão (que rompe a camada externa) da parede interna projeta violentamente os
ascósporos para fora pelo poro da endotunica, uma libertação ativa. Acontece nas classes:
a. Loculoascomycetes
b. Erysiphales
c. Discomicetos liquenizados

Ascocarpo
Os ascos podem estar:
● Isolados, os chamados ascos nús (por não terem ascocarpos, como as leveduras). Um
exemplo é Taphrina amentorum, que não é levedura. Inclui as classes:
○ Archiascomycetes
○ Hemiascomycetes
● Agrupados, os chamados ascocarpos (maioria são assim, como os cogumelos). Inclui as
classes:
○ Plectomycetes (maioria cleistotécio)
○ Pyrenomycetes (maioria peritécio)
○ Discomycetes (maioria apotécio)
○ Erysiphales
● Embebidos num estroma, os chamados ascostroma. O tecido é uma estrutura basal na
qual aparece uma mancha colorida. Inclui a classe:
○ Loculoascomycetes

Ascocarpos agrupados podem ser de diferentes tipos:

I. Cleistotécio
Um ascocarpo globoso e totalmente fechado, delimitado pelo perídio. Os ascos
estão dispersos no interior sem existência de himénio.

II. Peritécio
Um ascocarpo em formato de pescoço de garrafa com uma abertura na ponta
chamada ostíolo e delimitado pelo perídio, com peritécios que podem estar tanto
isolados quanto embebidos num estroma, formando corpos frutíferos. Os ascos
podem estar dispersos no interior ou organizados em himénio, onde também estão
as paráfises (células terminais das hifas e estéreis). A sua libertação é ativa.

III. Apotécio
Um ascocarpo de formas extremamente diversas, mas tipicamente uma taça. Está
sempre aberto na maturação e os ascos estão organizado em himénios expostos,
novamente com paráfises. Exemplos de fungos com apotécio são:
1. Gyromitra
2. Helvella
3. Mitrula
4. Morchella
5. Peziza

Ascostromas aparecem como uma estrutura escura nas árvores e os ascos estão em pequenas
cavidades chamadas lóculos, que por si estão embebidos em tecido (estroma) e podem conter
estruturas estéreis denominadas pseudoparáfises. Um ascostroma unilocular é muito semelhante
ao peritécio.

Reprodução Sexual

1. Somatogamia
a. Pouco evoluída. É a fusão de células somáticas compatíveis que atuam como
células sexuais. Ocorre nos Archiascomycetes e nos Hemiascomycetes.
2. Fusão de gametângios indiferenciados
a. Pouco evoluída. É a fusão de células pouco diferenciadas que atuam como células
vegetativas. Ocorre nos Archiascomycetes e nos Hemiascomycetes.
3. Gametangiogamia (gametângios diferenciados)
a. Evoluída e complexa. É a fusão de duas células bem diferenciadas (vegetativas):
os gametângios. O gametângio masculino (anterídio) se funde com o feminino
(ascogónio) e transfere seus núcleos para ele, na chamada plasmogamia, que no
fim forma um zigoto.
4. Espermatização
a. Evoluída e complexa, a célula sexual masculina (conídio) é atraída pela hifa
receptora (tricogino, a extremidade da célula) da célula sexual feminina
(ascogônio), o conídio se destaca do talo e adere ao ascogónio, fundindo-os e
formando peritécios.

Basidiomycota
Possuem quitina na parede e uma fase intermédia dicariótica, assim como uma ausência de
células flageladas. Sua reprodução assexual é por conídios e sexual por basídios com
basidiósporos. Há plasmogamia, mas não cariogamia e seus septos tem dilatação na área central.

Casos relevantes
● Agaricales, cogumelos macios que podem ser tanto comestíveis quanto tóxicos e
venenosos e até medicinais. Exemplos importantes são Auricularia auricula-judae e
Amanita muscaria.
● Aphyllophorales, que podem ser de dois tipos:
○ Parasitas de árvores que degradam celulose e hemicelulose, causando a podridão
castanha da madeira. Alguns tipos degradam também a lenhina, o que causa a
podridão branca da madeira. Isto pode levar à morte da árvore.
○ Espécies medicinais como Lentinula edodes.
● Gasteromycetes, dos quais muitas espécies são micorrizais e muito importantes para
solos pobres, pois favorecem as árvores.
● Uredinales e Ustilaginales, com muitas espécies parasitas de plantas que causam
morrões e ferrugens.
Ciclo de vida
Existem dois tipos de evolução possíveis, nos quais não há células sexuais diferenciadas e o que
acontece é a fusão de hifas (troca de núcleos) se os micélios forem compatíveis:
1. Neste tipo, os micélios têm 2 núcleos por compartimento, o que significa que são
dicarióticos. Possui um núcleo estranho, no qual acontecem mitoses sucessivas até atingir
o compartimento apical.
2. Neste tipo, o núcleo, também estranho, está num compartimento apical de formação direta,
onde acontecem mitoses conjugadas com ansas de anastomose.
O ciclo de vida dos basidiomicetos foi observado e explicado por Mathilde Bensaúde (1917)
quando trabalhava para uma empresa em Paris. Também foi observado independentemente por
Kniep na Alemanha.

Principais determinantes biológicas

Basidiósporo
Diferem entre duas classes:
● Hymenomycetes, de forma assimétrica com libertação ativa e violenta dos esporos, onde
forma-se a gota de buller e uma micro gota de água ao lado. A fusão das duas cria
energia, o que desloca os esporos de posição e os projeta violentamente. Após a projeção
a gota de buller desaparece, a projeção é esporábula e os esporos podem cair no chão ou
serem levados pelo vento. O esterigma tem posição assimétrica e o local da abscisão é
entre o esporo e esterigma.
● Gasteromycetes, de formato com simetria radial e libertação passiva e a posição do
esterigma é simétrica, o local de abscisão sendo no esterigma.

Basídios
Divididos em tipos:
1. Holobasídios, basídios asseptados unicelulares, mas podem existir septos secundários.
Ele pode ser:
a. Globoso, ovóide ou clavado. Presente em Agaricales, Aphyllophorales e
Gasteromycetes.
b. Com esterigmas conspícuos. Presente em Ceratobasidiales e Tulasnellales.
c. Em forma de forquilha. Presente em Dacrymycetales.
2. Heterobasídios, basídios septados pluricelulares, nos quais são apenas formados septos
primários. Ele pode ser:
a. Fragmobasídios
i. com septos primários transversais. Presente em Auriculariales.
ii. com septos primários longitudinais. Presente em Tremellales.
b. Promicélio
i. com germinação por teliósporo ou septos transversais. Presentes em
Uredinales e Ustilaginales.

Basidiocarpo
Os basídios podem estar:
● Isolados, com ausência de basidiocarpos bem definidos, como nas classes
Urediniomycetes e Ustilaginomycetes.
● Agrupados, com basidiocarpos bem definidos. Como nas classes Hymenomycetes (com
himénio) e Gasteromycetes (sem himénio).

Fatores que afetam a frutificação nos basidiomicetos

1. Luz
É dispensável para a frutificação de muitas espécies mas indispensável para outra. As
luzes mais efetivas são a ultravioleta (280 nm) e azul (520 nm). Afeta a direção na qual o
estipe cresce (fototropismo positivo, ele vai em direção à luz) e a cor do cogumelo, pois na
escuridão ele pode ser branco.

2. Temperatura
Geralmente temperaturas baixas (por volta de 10°C) promovem a frutificação. A técnica de
choque de frio é usada para várias espécies em cultura.

3. Nutrientes
A escassez de nutrientes, em particular de nitrogênio e carbono, promove a frutificação.

4. CO2
Concentrações elevadas de CO2 aumentam o alongamento do estipe e inibem a formação
do chapéu. É um fator muito importante na produção comercial.

5. Gravidade
Tropismo comumente positivo em relação à gravidade, embora algumas espécies tenham
tropismo negativo

Tipos de desenvolvimento do basidiocarpo


1. Gimnocárpico
2. Pseudoangiocárpico
3. Hemiangiocárpico
4. Angiocárpico
Micotoxinas e micotoxicoses
Micotoxinas são compostos ou metabolitos produzidos por fungos conidiais (7 cogumelos) que
são tóxicos ou têm outros efeitos biológicos adversos. Metabolitos secundários são aqueles nos
quais se desconhece as funções.
As micotoxinas têm toxicidade baixa comparada às toxinas bacterianas, contudo, as toxinas
bacterianas atuam por toxicidade aguda, enquanto as micotoxinas atuam por toxicidade crônica
(sintomas aparecem até mesmo após 40 anos).
Substâncias tóxicas dos cogumelos venenosos não se englobam no grupo das micotoxinas.
Quando testado em animais, a dose necessária para matar 50% deles (LD50/lethal dose 50) é
muito variada.
Os principais fungos produtores de micotoxinas são: Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Outros
gêneros menos importantes são Alternaria, Trichothecium, Cladosporium, Byssochlamys e
Sclerotinia.
Uma mesma espécie de fungo pode produzir diferentes micotoxinas enquanto uma dada
micotoxina pode ser produzida por várias espécies de fungos. A produção de micotoxinas por uma
dada espécie depende das condições de crescimento, nomeadamente: substrato, meio de cultura
(in vitro), temperatura e humidade.

Micotoxinas e principais fungos produtores


● Aflatoxinas, as mais conhecidas e mais graves, seus fungos infectam plantas em climas
tropicais (quentes)
○ Aspergillus flavus
○ Aspergillus nomius
○ Aspergillus parasiticus
● Zearalenonas, Tricotecenos, Moniliforminas, Fumonisinas, seus fungos afetam plantas
em climas temperados (frios)
○ Fusarium culmorum
○ Fusarium equiseti
○ Fusarium moniliforme
○ Fusarium oxysporum
○ Fusarium proliferatum
○ Fusarium sporotrichioides
● Ocratoxinas, Ácido penicílico, Patulina, Citrinina, seus fungos afetam produtos
armazenados em clima temperado, mesmo a temperaturas baixas e humidade reduzida.
Estas micotoxinas não estão envolvidas na fitopatogenicidade das espécies produtoras
○ Aspergillus ochraceus
○ Aspergillus terreus
○ Penicillium citrinum
○ Penicillium cyclopium
○ Penicillium expansum
○ Penicillium verrucosum
○ Penicillium viridicatum

A produção de micotoxinas por fusários acontece no campo. Eles são vulgares e disseminados
na natureza, tanto saprófitos (se alimentam de substâncias orgânicas em decomposição) quanto
parasitas de plantas selvagens e cultivadas. Não são considerados fungos de produtos
armazenados.

Parâmetros de toxicidade das micotoxinas


1. Mutagenicidade, capacidade de induzir mutações. EX: Salmonella typhimurium
2. Teratogenicidade, capacidade de induzir malformações no feto. EX: Pintainho
3. Carcinogenicidade, capacidade para induzir carcinomas. EX: Ratinho

Mutagenicidade Teratogenicidade Carcinogenicidade

Aflatoxinas + + +
Zearalenonas + - +
Tricotecenos - + -
Moniliforminas sem info sem info sem info
Fumonisinas - - +
Ocratoxinas + + +
Ácido penicílico + - +
Patulina + + +
Citrinina - - +

Uma doença aguda causada pela ingestão de micotoxinas vem da ingestão de alimentos
deteriorados pelo crescimento de fungos toxigénicos.

Micotoxicose
Alimentos contaminados coexistem geralmente com diversas micotoxinas. As micotoxicoses são
portanto geralmente causadas simultaneamente por várias micotoxinas. Existem várias vias de
entrada das micotoxinas nos alimentos.
Características gerais e procedimentos de investigação:
1. A patologia não é transmissível.
2. A terapia medicamentosa não cura, mas pode aliviar os sintomas.
3. Deve ser identificado o alimento responsável para detectar a causa.
4. No alimento responsável deve ser detectada a(s) micotoxina(s) envolvidas e isolar os
fungos produtores.
5. Contudo, os fungos responsáveis podem não ser isoláveis, devido à proliferação de outros
fungos ou ao colapso dos fungos produtores.
6. A presença de fungos toxigénicos num alimento não significa necessariamente a presença
de micotoxinas.
7. Contudo, a ausência de fungos toxigênicos num alimento não significa necessariamente a
ausência de micotoxinas, uma vez que estas podem persistir por muito tempo depois do
desaparecimento dos fungos produtores.

Micotoxicoses históricas importantes

A doença X dos perus


Morreram misteriosamente mais de 100.000 perus em 1960 na Inglaterra, dando origem ao nome
doença X dos perus. Nos anos seguintes a mesma patologia foi observada em outros animais
domésticos como galinhas, patos e porcos. A investigação determinou que todos os animais
infectados haviam ingerido ração de amendoim proveniente do Brasil, no qual foi detectado
Aspergillus flavus e aflatoxinas.

Lista de micotoxinas com efeitos comprovados em animais (a) e em homens (h)

● Aflatoxinas: Câncer do fígado e vírus da hepatite (a/h)


● Zearalenonas: Hiperestrogenismo - esterilidade (a)
● Tricotecenos: Vómito, diarreia, hemorragia interna (a/h)
● Moniliforminas: Lesões no aparelho circulatório (a)
● Fumonisinas: Leucoencefalomalácia dos equídeos (a), edema pulmonar do porco (a),
lesões nos rins das ovelhas (a), câncer no do fígado do ratinho (a), câncer do exôfago (h)
● Ocratoxinas: Nefropatia - disfunção renal (a/h)
● Ácido penicílico: Lesões no fígado, rins e tireóide (a)
● Patulina: Lesões nos rins, fígado, pulmões, cérebro e braço (a)
● Citrinina: Nefropatia - disfunção renal (a)
Prejuízos econômicos
É estimado que cerca de 25% das culturas estejam contaminadas com micotoxinas.

Regulamentação - Análise de risco


Existindo a necessidade de estabelecer limites, isto depende de dados da toxicologia, níveis
detectados em alimentos, métodos de análise e implicações na agricultura e no comércio.

Metodologia
Deve-se estabelecer níveis máximos de segurança (PTDI - nível máximo de ingestão diária) a
partir de dietas padrão, calculando níveis máximos da substância nos alimentos (metodologia de
análise de risco).
O PTDI é calculado em animais de laboratório variando a concentração da substância e
observando a resposta no animal para assim determinar:
● NOEL: no observed effect level
○ A mais alta concentração da substância que não causa efeitos.
● LOEL: lowest observed effect level
○ A mais baixa concentração da substância que causa sintomas.

Ambas têm valores muito próximos. Não é possível produzir alimentos totalmente sem
micotoxinas, elas apenas podem ser reduzidas a mínimos.
Os limites máximos e mínimos variam entre crianças e adultos (sobretudo no leite) e entre
alimentos para consumo humano e rações para consumo animal (principalmente o milho). Só há
limites para alimentos suspeitos de ter a toxina, a regulamentação começou na UE em 1998.
Aflatoxinas afetam frutos secos e nozes, amêndoas, avelãs, amendoins, cereais e
derivados assim como leite e produtos a base de leite. Elas são grandes preocupações em
alimentos de animais pois aflatoxina B1, quando ingerida pela vaca, vai gerar M1 no leite, que é
nociva para humanos e pode causar necrose do fígado ou câncer.
No momento, o limite na UE é de 0,05 microgramas por kg ou 50 ng/kg, mas a nível
mundial varia de 10 a 500 ng/kg de leite; o leite mexicano, por exemplo, pode chegar a ter níveis
exuberantes de aflatoxina M1. O PTDI é 0,2 ng/kg peso de uma pessoa/dia.

Cogumelos venenosos e alucinogénicos

Síndromas principais
● De desenvolvimento lento, com sintomas que aparecem horas ou dias depois da
ingestão. São perigosos pois a pessoa acha que é uma simples intoxicação alimentar.
Possuem níveis de mortalidade elevados.
● De desenvolvimento rápido, com sintomas que aparecem minutos depois da ingestão e
níveis de mortalidade baixos

De desenvolvimento lento

1. Síndroma faloidiana
Sintomas demoram 8 a 12 horas para aparecerem e pode levar à falência hepática.
Envolvidos na grande maioria dos envenenamentos fatais na Europa, que se devem à
ingestão de Amanita phalloides.
É uma síndroma trifásica, com:
I. Fase gastrointestinal (8-40h)
II. Fase de aparente melhoria (48-72h)
III. Fase terminal (72-96h)

2. Síndroma orelanina
Sintomas demoram 2 a 17 dias para aparecerem

3. Síndroma da giromitrina
Sintomas demoram 6 a 12 horas para aparecerem

As principais espécies responsáveis na Europa pela síndroma faloidiana são Amanita phalloides,
A. virosa, A. verna.

Toxinas envolvidas
➔ Amatoxinas
◆ α-amanitina
◆ β-amanitina
◆ γ-amanitina
◆ ε-amanitina
◆ amanina
◆ amaninamida
◆ amanulina
◆ ácido amanulínico
◆ proamanulina

Amatoxinas: Peptídeos cíclicos


Possuem 8 resíduos de aminoácido e uma ponte indole-sulfóxido. Os resíduos 5-8 são
constantes, o restante são variáveis. As amanitinas são as mais tóxicas.

Amatoxinas são rapidamente absorvidas pelo trato digestivo e detectadas na urina 90 a


120 minutos depois da ingestão. Atingem os rins e o fígado por volta de 2 dias, o fígado sendo o
primeiro órgão que entra em contato com as toxinas. Elas não são metabolizadas e são
excretadas na urina. A concentração delas nos rins chega a ser 6 a 90 vezes mais alta que a
observada no fígado.
Possuem elevada estabilidade térmica: não são destruídas pela cozedura nem pelo
congelamento, assim como elevada resistência ao ataque enzimático, não sendo destruídas no
trato intestinal.
Elas inibem a síntese do mRNA nas células eucarióticas por ligação à enzima RNA
polimerase II (B) existente no núcleo, causando um bloqueio da síntese proteica e eventualmente
levando à morte celular.
Causam necrose do fígado e hemorragia interna até o eventual colapso, o que leva à
coagulação intravascular. Causam também necrose tubular e falha renal. No sistema nervoso
central, ocorrem manifestações neurológicas resultantes da acumulação de amónia (neurotóxica
em elevadas concentrações) e da falha dos rins e do fígado, pois embora o trabalho do fígado
seja converter amónia em uréia para ser excretada pelos rins, a falha de ambos impede esta
conversão e aumenta a concentração da mesma no sangue, causando encefalopatia,
desorientação, confusão, letargia, sonolência, vertigo, convulsões e até coma.

➔ Falotoxinas
◆ faloidina
◆ faloína
◆ profaloína
◆ falicina
◆ falacina
◆ falacidina
◆ falisacina

Falotoxinas: Peptídeos cíclicos


Possuem 7 resíduos de aminoácidos. Resíduos 3, 5 e 6 são constantes, os restantes são
variáveis.

➔ Virotoxinas
◆ viroidina
◆ aloviroidina
◆ desoxoviroidina
◆ [Ala]1-viroidina
◆ [Ala]1-desoxoviroidina
◆ viroisina
◆ desoxoviroisina

Virotoxinas: Peptídeos cíclicos


Possuem 7 resíduos de aminoácidos. Resíduos 2 a 5 são constantes, os restantes são variáveis.

As Virotoxinas só se encontram em Amanita virosa. As lepiotas e galerinas não contêm


falotoxinas.

Falotoxinas e Virotoxinas ligam-se às proteínas da membrana citoplasmática, causando a


desintegração da estrutura membranar. As falotoxinas ligam-se aos filamentos de actina-F e
impedem a sua despolimerização, o que desregulamenta o citoesqueleto. Apenas são tóxicas
para mamíferos.
De desenvolvimento rápido

1. Síndroma paterínica
2. Síndroma alucinogénica
Acidental em alguns casos, mas geralmente deliberada pela ingestão de cogumelos
com propriedades alucinogénicas. Na maioria dos países, a posse ou venda de qualquer
cogumelo ou preparação contendo psilocibina ou psilocina é ilegal. Na Europa e nos EUA,
o consumo de cogumelos alucinogénicos começa a ter um significado comparado com o
das drogas sintéticas.
Principais espécies responsáveis na Europa são dos gêneros:
● Psilocybe
● Panaeolus
● Inocybe
● Gymnopilus
● Pluteus

Toxinas envolvidas são psilocibina e psilocina (mais potente), ambos derivados


da triptamina, assim como baeocistina e norbaeocistina. Causa midríase (dilatação da
pupila) e dismetria (falta de coordenação).
4-8 mg de psilocibina podem estar em 20 g de cogumelos frescos ou 2g de
cogumelos secos.
3. Síndroma da muscarina
4. Síndroma dos coprinus
5. Síndroma gastrointestinal

Artigo de R. Gordon Wasson


O cientista R. Gordon Wasson foi responsável, juntamente a Roger Heim, pela descoberta
de várias espécies e variedades novas de Psilocybe no México.
Albert Hoffman então foi o primeiro investigador a isolar e identificar as substâncias
alucinogénicas. Antes da descoberta, Hoffman tinha sintetizado LSD a partir de Claviceps
purpurea para ser um inibidor das hemorragias durante o parto.

Micorrizas
Espécies mais importantes de cogumelos comestíveis. Comum em plantas, com associação tanto
obrigatória quanto facultativa, promovendo benefícios mútuos e sendo extremamente comuns,
uma vez que a maioria das plantas são micorrizadas.
Endomicorrizas, contudo, são simbiontes obrigatórias e até hoje ainda não se consegue cultivá-la
fora das plantas.
Ectomicorrizas são as mais importantes e mais vulgares, interligando as plantas pois suas hifas
podem ter quilômetros de comprimento.
Fungos que entram nas micorrizas são: zigomicetos, ascomicetos e basidiomicetos.
Plantas que entram nas micorrizas são: musgos, fetos, plantas gimnospérmicas, plantas
angiospérmicas.

Micorrizas vesiculares-arbusculares (VAM)


Seus fungos incluem os zigomicetos, especialmente Glomales, e existem 200 espécies
distribuídas por 7 géneros, principalmente o Glomus, que possui por volta de 90 espécies e é o
mais comum na natureza. Algumas espécies têm distribuição ampla enquanto outras estão
restritas à certas áreas.
São simbiontes obrigatórios, seus fungos não crescem isolados in vitro nem como vida
livre na natureza. Foram importantes na colonização da Terra para as plantas por volta de 400 a
500 milhões de anos atrás.
Nelas, acontece crescimento intracelular haustório, com dissolução da parede primária
vegetal, invaginação da parede secundária vegetal e da membrana citoplasmática. Seu
compartimento periarbuscular é acídico e corado pelo vermelho neutro.
À medida que a hifa penetra, a parede secundária mantém a espessura, sendo amaciada e
modelada segundo a síntese de novos materiais. As hifas ocupam grande parte do interior da
célula vegetal.
Haustórios são vesículas, também denominadas arbúsculos (quando em fungos
endomicorrízicos) em formato espiral. O intercâmbio de moléculas ocorre na interface
arbúsculo-célula hospedeira.

Ectomicorrizas (ECM)
Fungos comuns em árvores de florestas temperadas e sub-árticas. Fungos desta categoria
são ascomicetos e basidiomicetos. São simbiontes facultativos, sendo possível cultivá-los in vitro.
Suas hifas crescem entre as células da raiz e um invólucro forma-se à volta da mesma,
denominado Hartig net. Não ocorre crescimento intracelular nem a formação de haustórios.

Microbiologia do solo
Acontece a troca de nutrientes entre fungo e planta; o fungo sequestrando íons do solo e
fornecendo-os à planta. Os nutrientes mais importantes são, em ordem: P, N e K.
No caso das plantas, pelos fungos serem heterotróficos, elas fornecem glucose e sacarose, e
também cerca de 5 a 10% do seu carbono fotossintético é consumido pelas micorrizas.

Inóculos micorrízicos
Existem três tipos destes, sendo:
● Micorrizas em gel
● Micorrizas em pastilha
● Árvores micorrizadas

Cogumelos micorrizais
I. Produção de cogumelos
Ectomicorrizas
As espécies mais utilizadas para produção de cogumelo são:
● Boletus edulis
● Boletus pinophilus
● Lactarius deliciosus
● Tuber melanosporum

II. Protetoras
Ectomicorrizas (não comestíveis)
● Rhizopogon
● Pisolithus
● Scleroderma
● Suillus
Endomicorrizas VAM (nunca comestíveis)
● Glomus (várias espécies)

No caso de fungos comestíveis (ectomicorrizas), os fungos podem ser adicionados sob a


forma de gel à árvores com por volta de 5 a 25 anos de idade. Numa floresta, não é necessário
micorrizar todas as árvores, geralmente sendo feito o processo em apenas ⅓ das plantas. O gel é
adicionado aos 4 pontos das raízes mais finas que estão por baixo da copa da árvore, a 30-40 cm
de distância do tronco principal.
Se a micorrização se efetivar, o fungo acaba por colonizar as restantes árvores e a
produção de cogumelos começa 18 a 36 meses depois da inoculação.
O pH do solo é um fator importante e para Portugal é limitante da instalação de plantações com
túberas. Quando o pH é inferior a 7,5 podem ser feitas calagens anuais. Pode ser estabelecido
um poço turfeiro ao lado da árvore com solo alcalino.

Rentabilidade financeira
Florestas com cogumelos ectomicorrízicos apresentam um aumento de 20% de fruto produzido.
No caso do fungo Boletus e Lactarius, estes possuem um valor comercial de 20 e 10 euros por kg,
respectivamente. Entre os mais caros estão as trufas, as quais possuem um valor comercial de
100 a 1000 euros por kg.

Benefícios gerais da instalação de uma plantação com fungos micorrízicos


Tais fungos aumentam cerca de 30% o crescimento das plantas, 20% da produção de frutos
(como castanhas, bolotas e pinhões), 60% na eficácia da absorção de água e melhoria
significativa na absorção de cátions e ânions, assim como proteção contra agressão por agentes
patogénicos, stress nutricional e seca.

1. Produção em estufa
Produzidos em estufas do tipo agrícola, com coberturas em tela opaca e paredes laterais
do tipo rede mosquiteira. A humidade e temperatura são mantidos pelo uso de
nebulizadores (que emitem vapor de água) e aspersores (que lançam gotas de água).

Os troncos mais usados são, por ordem de quão rápido é o crescimento dos fungos:
● Eucalipto
● Carvalho
● Castanheiro
● Ulmeiro (especialmente indicado para Ganoderma)

As espécies de cogumelos mais usadas são:


● Lentinula edodes (shiitake)
● Pleurotus ostreatus (ostra)
● Ganoderma lucidum (reishi)
● Grifola frondosa (maitake)
● Agrocybe aegerita (puippino)

As etapas da produção são:


1. Inoculação e selagem
O fungo deve ter ótimas condições para crescer na madeira, em troncos com por
volta de 100 cm de comprimentos e diversos furos, onde se inocula cavilhas com
micélios do fungo e se selam os orifícios com filme plástico.

2. Crescimento vegetativo (incubação)


A temperatura ideal é de 20 a 23oC e, dependendo da temperatura, o crescimento
leva de 4 a 6 meses. A umidade da estufa deve estar em 85% e dos troncos por
volta de 35 a 45%, nunca abaixo dos 25%.

3. Indução da frutificação (choque mecânico, hídrico e térmico)


● Choque mecânico, feito todos os meses, batendo nos troncos com um
martelo ou colocando música a 528 Hz.
● Choque hídrico e térmico, onde se regam por 8 a 10 horas ou mergulham
os troncos em água fria durante 1 dia, a temperatura dos troncos então
desce para por volta de 10oC.

4. Colheita dos cogumelos


A frutificação começa dias depois do choque e prolonga-se durante anos. No caso
do eucalipto, por 3 anos e, no caso dos carvalhos, por 5 a 6 anos.

2. Produção em ambiente natural


A produção em troncos leva cerca de 1 ano, por isso hoje é mais usado em estufas ou
substratos. As etapas deste método de produção são:
1. Preparação do substrato
1.1. Muitos tipos diferentes de cogumelos, todos à base de material celulósico.
As bases podem ser, por exemplo, pellets, que são usadas para queimar
nos aquecedores. Elas também podem ser enriquecidas com 1 a 55% de
aveia, serradura, farelo, sementes de girassol ou gesso e perlite.
1.2. Fungos como Agaricus necessitam de um substrato à base de estrume de
cavalo e galinha com um pH de 6 a 6,5.
1.3. Podem ser usadas borras de café, bagaços de uva e de azeitona e até
palhas de cereais.

2. Desinfecção, pasteurização ou esterilização do substrato


2.1. Caso forem utilizadas apenas pellets não é necessário pasteurizar ou
esterilizar, uma vez que foram preparadas a altas temperaturas e já estão
desinfectadas.
2.2. Antes da inoculação, o substrato deve contem 70 a 75% e o pH deve ser de
6 a 6,5.

3. Inoculação
3.1. A inoculação é feita em culturas selecionadas que diferem os crescimentos
dos fungos, como culturas puras selecionadas por empresas
especializadas.
3.2. Um fungo cultivado em sementes se chama spawn e é adicionado na
concentração final de 1 a 5% do substrato, que é colocado em sacos de
plástico ventilados.
3.3. Durante o crescimento vegetativo, ocorre a produção de CO2, que não deve
exceder um certo limite de concentração.

4. Crescimento vegetativo: incubação (através de furos, cortes e ranhuras)


4.1. Tem como objetivo introduzir os fungos dentro da madeira para rápida
colonização. Pode haver ou não selagem com plástico, que ajuda no
isolamento dos fungos. Na estufa, são usados aspersores (gotas de água) e
nebulizadores (névoa e neblina).
4.2. A temperatura ideal é entre 22 à 25oC e em condições ideais, a colonização
do substrato ocorre de 20 a 30 dias.

5. Indução da frutificação
5.1. A temperatura deve descer para 16oC enquanto a umidade sobe para
100%, com um mínimo de 12 horas de luz por dia.
5.2. Em alternativa, também se pode colocar os sacos num frigorífico durante
alguns dias, retirá-los e colocá-los a 22oC. Ao fim de alguns dias, a
frutificação será iniciada.
6. Colheita dos cogumelos

Cogumelos comestíveis: túberas ou trufas

Túberas {verdadeiras}
Do género Tuber, existem cerca de 30 espécies em todo o mundo. É o género com maior
relevância mundial, com crescimento abaixo do solo e preferencialmente em solos bem drenados,
leves, calcários ou alcalinos. Também são chamados de trufas e são escassas em localidades
setentrionais.
São ascomicetos com ascocarpos hipógeos. A identificação dos cogumelos ocorre pelas
zonas queimadas onde se encontram as micorrizas, assim como pelo cheiro, geralmente
identificado por cachorros. Ao cortar, veios escuros significam que estão mais férteis, enquanto
veios claros significam que estão menos férteis.
Estão distribuídos por toda a Europa e, na Espanha, as maiores espécies são:
1. Tuber melanosporum (mais valorizado de todos no sul da Europa)
a. Naturalmente associada a carvalhos e é possível cultivá-la fora da área natural.
Sua superfície é verrugosa, com interior zonado. A zona à volta do pé da árvore se
chama ‘queimada’ por causa de sua aparência e aumenta 10 a 15 cm por ano. Não
existem se a árvore não estiver micorrizada.
2. Tuber aestivum
a. Com uma superfície preta verrugosa, formam-se perto da superfície do solo,
associadas a carvalhos e pinheiros em solos mais argilosos e menos permeáveis,
pois não são tão exigentes. Suportam bem o frio. Acontecem duas recolhidas desta
trufa por ano.
3. Tuber brumale
a. Compete com tuber melanosporum na micorrização e aparece em locais mais
úmidos e sombrios que as anteriores. Não é observável a parte ‘queimada’.

Castilha e Leão é uma zona muito fértil na Espanha onde são produzidas diversas
túberas.
As túberas europeias são muito produzidas na Nova Zelândia e são concorridas com
espécies da China, que embora mais baratas, tem um gosto muito menos apreciado. Já há um
certificado mundial, feito por empresas, para comprovar a autenticidade do fungo.

Análises químicas: compostos voláteis


As túberas tem um aroma único e inconfundível, principalmente T. melanosporum e T. aestivum,
odores que são detectados por porcos e cães treinados, emboras os porcos sejam menos
utilizados pois tendem a comer as túberas e cansam-se rapidamente, enquanto os cães não tem
apetite para as mesmas e as detectam de 30 a 50 metros de distância.
March, Richards e Ryan estudaram, em 2006, 6 espécies de túberas, seus compostos sendo
analisados por cromatografia gasosa e espectrometria de massa.
As espécies foram:
1. T. aestivum
2. T. brumale
3. T. melanosporum
4. T. mesentericum
5. T. rufum
6. T. simonea
Os compostos mais abundantes foram (no total foram 36 compostos, variáveis entre diferentes
espécies):
1. Etanol
2. Dióxido de carbono
3. 2-butanona
4. Acetato de etilo
5. Acetaldeído
6. Ácido butanóico, metil éster
7. Ácido acético, metil éster
8. 2-butanol

Na classe dos álcoois e ésteres, as moléculas detectadas formam séries homólogas, e é possível
identificar a espécie de túbera pelo perfil de ésteres.

Cogumelos medicinais
Utilizados a muito tempo no oriente, são mais estudados na China, Coreia do Sul e Japão. As
espécies mais utilizadas para produtos comerciais são.
● Flammulina velutipes
● Ganoderma lucidum
● Grifola frondosa
● Lentinula edodes
● Schizophyllum commune
● Trametes versicolor

Efeitos terapêuticos principais:


A. Anti-carcinogénicos
B. Anti-inflamatórios
C. Antimicrobianos
D. Anti-hiperlipidemia

Principais substâncias com atividade anti-tumoral


1. β-D-glucanas
a. Polímeros de glucose existentes na parede nuclear com estrutura em forma de
hélice. A cadeia principal é β-(1→3)-D e as ramificações são β-(1→6)-D.
b. Lentinano (Lentinula edodes), o mais importante, são cinco resíduos
(1→3)-β-glicose numa ligação linear e duas ramificações (1→6)-β-glicopiranosídeo
que resultam em uma estrutura de tripla hélice.
c. Schizofilano (Schizophyllum commune) tem a estrutura (1→3)-β-glicose com um
grupo β-glicopiranosil ligado 1→6 a cada terceiro ou quarto resíduo da cadeia
principal.
2. heteropolissacarídeos
a. Mistura de vários açúcares e até ácido, são polímeros contendo glucose, xilose,
manose, galactose e ácido urónico.
b. Glucoroxilomanosana: presente em Tremella fuciformis
c. Xiloglucosanas: presente em Pleurotus sajor-caju.
d. Xiloglucosanas, Manoglucosanas e Fucomanoglucosanas: presentes em
Grifola frondosa.
e. Galactoglucosana: presente em Pholiota nameko
f. Manoxiloglucosanas, Xiloglucosanas e Galactoxiloglucosanas: presentes em
Leucopaxillus giganteus.
3. glicoproteínas
a. Polímeros contendo proteína e manosana, glucosana e xilosana.
b. Manosana-proteína (KS-2): está presente em Lentinula edodes.
c. Glucosana-proteína (PSK): está presente em Trametes versicolor, Pleurotus
citrinopileatus, Flammulina velutipes e Agaricus blazei.
d. Xilosana-proteína: está presente em Pleurotus sajor-caju.
4. proteínas
a. Flammulina: presente em Flammulina velutipes.

● Lentinula edodes
○ Possui lentinano, um beta glucano triplohélice (3 cadeias enroladas numa hélice).
Potencia certas células do sistema imunitário que vão destruir a célula tumoral.
● Schizophyllum commune
○ Possui schizofilano.
● Ganoderma lucidum
○ Possui ácidos ganodéricos, que tem uma estrutura básica com 6 radicais, como
os triterpenes, dos quais são um substituto. Não são comestíveis e devem ser
reduzidos à pó para uso medicinal.
● Várias espécies de cogumelos comestíveis
○ Possuem compostos fenólicos, os mais comuns sendo derivados dos ácidos
benzoicos e cinámico.
● Pleurotus spp.
○ Possuem lovastatina.

Triterpenes
Possuem atividade antioxidante, uma vez que ácidos ganodéricos aumentam a actividade da SOD
e catalase. Também tem atividade anti-carcinogénica e citotóxica por destruírem células tumorais
e atividade anti-HIV. São antagonistas da hipertrofia benigna da próstata.
Compostos fenólicos
Estudos epidemiológicos e laboratoriais sobre a ingestão de alimentos ricos em compostos
fenólicos comprovaram seus efeitos na saúde dadas as suas propriedades, estes sendo:
● Anti-oxidantes
● Anti-mutagénicos
● Anti-inflamatórios
● Anti-bacterianos
A resistência a antibióticos convencionais levam os compostos fenólicos de cogumelos a serem
uma alternativa possível. Também podem ser efetivos contra bactérias que são resistentes à
grande maioria dos antibióticos. A efetividade está relacionada com a estrutura molecular do
composto, estes que existem em muitos cogumelos comestíveis.

Atividade anti-hiperlipidemia
O colesterol, em particular LDL e VLDL, é um fator de risco, e é chamado hiperlipidemia quando
os níveis de tais estão elevados. Para este caso, lovastatina (mevinolina) e seus derivados agem
inibindo a HMG CoA reductase, chave na síntese de colesterol, pois liga-se ao substrato e
bloqueia a ação da enzima. Esta molécula existe em micélios e basidiocarpos de:
● Pleurotus ostreatus
● Pleurotus cornucopiae
● Pleurotus eryngiai
● Pleurotus sapidus

Papel protetor: carcinoma do cólon


Incidência baixa em lugares como Japão, América do Sul, América Central e África.
Incidência alta em lugares como Europa e América do Norte. Carcinoma está ligado aos níveis de
gordura, portanto países com níveis de gordura menores na alimentação tem menos.
Isto acontece porque o aumento dos níveis de gordura aumentam também os níveis de
ácidos biliares fecais e consequentemente das bactérias anaeróbias fecais, o que leva a um
aumento da actividade β-glucuronidase fecal, causando alteração da flora e do quadro enzimático
das fezes.
Contudo, ácido glucorónico no fígado neutraliza a substância tóxica, transformando-a em
glucorónidos (que não são tóxicos). Por outro lado, se existir elevada actividade β-glucuronidase
fecal, acontece o reaparecimento das substâncias tóxicas nas fezes e a eventual indução de
carcinogénese.
Com isso, um estudo foi feito para ver se, adicionando cogumelo medicinal à dieta do rato,
se consegue converter a ação da glucuronidase. Os resultados foram positivos para a redução da
ação à nível de controle.

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