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LECT-C21

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO II

SEMESTRE 2
RELATÓRIO DOS ENSAIOS LABORATORIAIS DE
TRACÇÃO E DOBRAGEM DO AÇO

Estudante: Belzénia Matsimbe


Docente: Engº Paulo Bassequete

Maputo, Agosto de 2012


ÍNDICE
PREFÁCIO..........................................................................................................................2
I- ENSAIO DE TRACÇÃO.................................................................................................3
1. Introdução....................................................................................................................3
2. Caracterização do ensaio de tracção............................................................................5
2.1 Objectivos do ensaio de tracção............................................................................5
2.2 Metodologia do ensaio de tracção.........................................................................5
2.3 Equipamento..........................................................................................................6
2.4 Procedimentos........................................................................................................6
2.5 Resultados e sua análise.........................................................................................7
3. Conclusões...................................................................................................................8
4. Recomendações...........................................................................................................9
5. Bibliografia..................................................................................................................9
II- ENSAIO DE DOBRAGEM.........................................................................................10
1. Introdução..................................................................................................................10
1.1 Aspectos gerais sobre o ensaio de dobragem......................................................10
2.Caracterização do ensaio de dobragem do aço...........................................................11
2.1 Objectivo do ensaio de dobragem........................................................................11
2.2 Metodologia do ensaio de dobragem...................................................................11
2.3 Equipamento........................................................................................................11
2.4 Procedimento.......................................................................................................11
2.5 Resultados............................................................................................................11
3. Conclusão..................................................................................................................12
4. Bibliografia................................................................................................................12

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PREFÁCIO
Os ensaios mecânicos permitem saber como os materiais resistem aos esforços mecânicos
garantindo a segurança das estruturas.
Para melhor relacionar a os conhecimentos teóricos e a prática, assistimos a realização
dos ensaios de tracção e de dobragem no Laboratório de Engenharia de Moçambique e é
destes ensaios que resultou o presente relatório.

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I- ENSAIO DE TRACÇÃO

1. Introdução

A propriedade de um determinado material de resistir à tracção é de suma importância no


desenvolvimento de peças e estruturas em geral. Tendo conhecimento da carga que será
aplicada a estrutura e do módulo de elasticidade do material, pode-se determinar o
dimensionamento correcto para esta estrutura.

1.1 Aspectos gerais sobre o ensaio de tracção

No ensaio de tracção, submete-se o corpo de prova de um determinado material a um


esforço axial que irá provocar um alongamento do mesmo, até à ruptura.

A aplicação de uma força axial de tracção num corpo preso produz uma deformação no
corpo, isto é, um aumento no seu comprimento com diminuição da área da secção
transversal. Este aumento de comprimento recebe o nome de alongamento e calcula-se
subtraindo o comprimento final (após o ensaio) do comprimento inicial do corpo de
prova (antes do ensaio).

Há dois tipos de deformação, que se sucedem quando o material é submetido a uma força
de tracção: a elástica e a plástica.

· Deformação elástica: não é permanente. Uma vez cessados os esforços, o material volta
à sua forma original.

· Deformação plástica: é permanente. Uma vez cessados os esforços, o material recupera


a deformação elástica, mas fica com uma deformação residual plástica, não voltando mais
à sua forma original.

A força de tracção atua sobre a área da secção transversal do material. Tem-se assim uma
relação entre essa força aplicada e a área do material que está sendo exigida, denominada
tensão. Tensão (σ) é a relação entre uma força (F) e uma unidade de área (A): σ= F/A

Os ensaio de tracção permite conhecer os limites de resistência dos materiais. Durante o


ensaio de tracção a máquina traça um gráfico conhecido como diagrama tensão-
deformação com os dados relativos às forças aplicadas e deformações sofridas pelo corpo
de prova até a ruptura. Ao analisar esse gráfico obtém-se os seguintes limites de
resistência mecânica do corpo de prova:

O limite de proporcionalidade corresponde à transição entre a deformação elástica e a


plástica.

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Módulo de Elasticidade é uma propriedade específica de cada metal e corresponde à
rigidez deste. Quanto maior o módulo menor será a deformação elástica. Obtêm-se
dividindo cada tensão pela deformação respectiva na zona elástica ( de acordo com a Lei
de Hooke): σ = E·ε

O limite de cedência ou de escoamento é a tensão máxima durante o período de


escoamento, essa tensão é seguida por uma queda repentina da carga que representa o
início da deformação plástica, após isso a curva se estabiliza.

O limite de ruptura ou tensão última corresponde à tensão na qual o material se rompe.

Figura 1. Diagrama tensão-deformação

Tenacidade de um metal é a sua habilidade de absorver energia na região plástica.

O módulo de tenacidade é a quantidade de energia absorvida por unidade de volume até a


fractura.

Estricção é a redução percentual da área da secção transversal do corpo de prova na


região aonde vai se localizar a ruptura. A estricção determina a ductilidade do material,
quanto maior for a estricção, mais dúctil será o material.

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Figura 2. Corpo de prova sujeito ao ensaio de tracção

2. Caracterização do ensaio de tracção

2.1 Objectivos do ensaio de tracção

 Determinar propriedades mecânicas do aço, como a sua dureza, tenacidade, a


resistência mecânica;

 Conhecer e saber como funciona o equipamento laboratorial e as medidas usadas


no ensaio de tracção do aço;

 Calcular as tensões limite do aço e classificar segundo o REBAP.

2.2 Metodologia do ensaio de tracção

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O ensaio de tracção do aço foi feito no Laboratório de Engenharia de Moçambique
baseado na norma Portuguesa em uso na Instituição NP EN 10 002 – 1 (2006).

2.3 Equipamento

 Máquina de tracção hidráulica (serve também para realização de ensaios de


dobragem e flexão, é hidráulica, movida pela pressão de óleo, e está ligada a um
dinamómetro que mede a força aplicada ao corpo de prova e transmite os valores
das forças a um mecanismo que traça um gráfico de tensão por deformação);

 Material ensaiado: foram usados provetes nas condições iniciais da tabela abaixo.

Nº da amostra Tipo Diâmetro (mm) Comprimento(mm) Peso (g)


1 N 10 500 290
2 N 10 500 290
3 N 16 500 780

Tabela 1. Condições iniciais dos corpos de prova

2.4 Procedimentos

Preparação do corpo de prova para o ensaio de tracção:

1. Confirmaram-se os comprimentos e os diâmetros dos corpos de prova de acordo


com as condições iniciais acima colocadas;

2. Fez-se a marcação dos corpos de prova de 10 em 10 mm, para facilitar a medição


do comprimento final do corpo de prova e a análise da zona de estricção.

Realização do ensaio de tracção

3. Fixa-se o corpo de prova na máquina por suas extremidades (o corpo de prova é


preso por garras), numa posição que permite ao equipamento aplicar-lhe uma
força axial de tracção;

4. A força de tracção é aplicada até haver ruptura do corpo de prova, enquanto é


traçado o diagrama tensão-deformação e são registrados os valores das forças de
cedência e de ruptura;

5. Retiram-se os pedaços dos corpos de prova e colocam-se juntos para medir o


comprimento da zona de estricção (medem-se 5 marcações para o varão de Ø10 e
8 marcações para o de Ø16) e registram-se no mesmo formulário onde estão as
condições iniciais dos corpos de prova e as forças limite.

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2.5 Resultados e sua análise

Nº da Diâmetro Força de Força de rotura Base de medida Medida final Alongamento


amostra (mm) cedência (Kgf) (Kgf) inicial (mm) (mm) (mm)
1 10 4950 5700 50 61 11
2 10 4400 5450 50 61 11
3 16 11500 13850 80 100 20

Tabela 2.Resultados do ensaio de tracção

Os respectivos diagramas de tensão- deformação estão em anexo.

Com base nos valores da tabela acima, calculam-se as tensões limite, com a ajuda das
relações:

A= πd2/4

1Kgf = 9,80665N

σ = F/A

ε= alongamento/comprimento inicial

σproporcionalidade= E·ε

E adoptando E=210 Gpa

Base de Tensão de
Nº da Medida final Alongamento
medida Elongação (%) proporcionalidade
amostra (mm) (mm)
inicial (mm) (Mpa)
1 50 61 11 22 462
2 50 61 11 22 462
3 80 100 20 25 525
Tabela 3. Elongação e tensões de proporcionalidade dos corpos de prova

Área da secção Tensão de Tensão de


Nº da Diâmetro Força de Força de
transversal cedência rotura
amostra (mm) cedência (N) rotura (N)
(mm2) (Mpa) (Mpa)
1 10 78,5 48542,92 55897,91 618,38 712,08
2 10 78,5 43149,26 53446,24 549,67 680,84

8
3 16 200,96 112776,48 135822,10 561,19 675,87
Tabela 4. Tensões de cedência e de rotura dos corpos de prova ensaiados

De acordo com os resultados obtidos e com a análise dos diagramas de tensão


deformação (em anexo), podem-se classificar os varões de aço ensaiados segundo o
REBAP.

Nos três casos trata-se de A500NR, diferindo entre eles apenas nos diâmetros e nos
pesos.

Figura 3. Classificação de aços segundo o REBAP

3. Conclusões

A partir da análise do diagramas de tensão- deformação conclui-se que todos os corpos


ensaiados são amostras de aços macios ou dúcteis, pois apresentam zona de cedência.

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Figura 4. Diagramas tensão- deformação de aços duros e macios

O ensaio de tracção foi de grande importância para termos um conhecimento prático


deste assunto. Além de aprendermos a obter as propriedades mecânicas, através dos
gráficos, necessárias à engenharia de determinado material.

O aço ensaiado é A500NR, de acordo com a classificação do REBAP.

4. Recomendações

Para os próximos ensaios deveriam-se ensaiar amostras de aços macios e de aços duros,
para permitir uma melhor diferenciação de seus comportamentos mecânicos quando
sujeitos à tracção. E deveriam-se adoptar alguns procedimentos de segurança, como:

● Utilização de protector auricular para a protecção contra ruídos;

● Comportar-se adequadamente ao ambiente: manter o silêncio e evitar movimentos


bruscos.

5. Bibliografia

HIBBELER, R.C. Resistência dos Materiais, 3.º Ed., Editora Livros Técnicos e
Científicos, 2000;

BEER, F.P. e JOHNSTON, E.R.. Resistência dos Materiais, 4.º Ed., Makron Books;

JR, William D. Callister. Ciências e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. Ed.


LTC, 5 ed.

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II- ENSAIO DE DOBRAGEM

1. Introdução

Em estruturas de betão armado, depois do corte os varões de aço tem de ser dobrados
para terem a forma pretendida e constituírem armaduras elementares. Assim sendo, é
necessário saber se o aço a ser usado na estrutura resiste à dobragem.

1.1 Aspectos gerais sobre o ensaio de dobragem

O ensaio de dobragem é um ensaio qualitativo que fornece informações adicionais


sobre a ductilidade dos materiais. É largamente usado para avaliação do
comportamento de armaduras, juntas soldadas, tubos e arames.

É aplicável a provetes de eixo rectilíneo e secção transversal circular ou poligonal


obtidos a partir de amostras de produtos metálicos.

O provete é submetido a deformação plástica por dobragem até atingir um


determinado ângulo devido ao efeito de uma força progressivamente crescente, a
velocidade relativamente baixa, com temperatura entre 10 e 35o C, pois a temperatura
influencia no resultado deste ensaio (o ideal é que a temperatura de ensaio se entre os
18 e os 28o C).

O ensaio de dobragem pode ser: livre (com 2 apoios e 1 mandril ou com 1 apoio cavo
e 1 mandril) ou semi-guiado.

Figura 5. Dispositivo de dobragem usado para realização do ensaio

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Este ensaio pode ainda ser: simples ou alternado.

Após o ensaio, como vem especificado na norma e pelo REBAP o resultado é


satisfatório quando o provete não apresenta fissuras.

2.Caracterização do ensaio de dobragem do aço

2.1 Objectivo do ensaio de dobragem

 Determinar do aço para suportar as deformações plásticas impostas pela


dobragem;

2.2 Metodologia do ensaio de dobragem

Este ensaio foi feito de acordo com a Norma Portuguesa em uso no Laboratório de
Engenharia de Moçambique, NP 173 (1996).

2.3 Equipamento

 Máquina hidráulica com dois apoios e um mandril de Ø 36 ;


 Provete com as seguintes características:

Nº da
Diâmetr Comprimento(mm Peso
amostr Tipo
o (mm) ) (g)
a
1 N 12 500 440
Tabela 5. Condições iniciais do provete

2.4 Procedimento

1. Preparou-se um provete nas condições acima descritas e colocou-se no


dispositivo. Accionou-se o mandril e o ensaio começou, até que o provete
estivesse dobrado num certo ângulo;
2. Verificou-se se o material apresentava fissuras.

2.5 Resultados

A partir de análise visual observou-se que o provete não apresentou fissuras.

Diâmetro do
Nº da Diâmetro Comprimento(mm
Tipo Peso (g) mandril Fissuras
amostra (mm) )
(mm)
1 N 12 500 440 36 Sem fissuras

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Tabela 6. Resultado do ensaio de dobragem

3. Conclusão

De acordo com o REBAP o comportamento do provete ensaiado é satisfatório.


Assim sendo, esse aço ao ser usado para fins estruturais pode ser dobrado sem que
isso perigue a segurança e estabilidade do elemento estrutural.

4. Bibliografia

COUTINHO, Joana Sousa; Materiais de Construção I, Metais e ligas metálicas,


2005

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ANEXO 1: Fotografias dos ensaios

Imagem 1. Marcação do varão

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Imagem 2. Prensa hidráulica

Imagem 3. Ensaio de dobragem

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Imagem 4. Varões de aço de diferentes diâmetros

ANEXO 2: Diagramas de tensão-deformação

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