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SL-015MA-21-

CÓD: 7908433204602

ESPCEX
ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO EXÉRCITO

Cadete
EDITAL Nº 02/21 S CONC ADMS, DE 27 DE ABRIL DE 2021
DICA

Como passar em um concurso público?


Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro
estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação.
É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa
encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação.
Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução
preparou este artigo com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação.

Então mãos à obra!

• Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter
que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho.
• Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você
tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma
área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área.
• Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito,
determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não
pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total.
• Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É
praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha
contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo.
• Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto
estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque
refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação.
• Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses
materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais
exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame.
• Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma
menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é
tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse.

Se prepare para o concurso público


O concurseiro preparado não é aquele que passa o dia todo estudando, mas está com a cabeça nas nuvens, e sim aquele que se
planeja pesquisando sobre o concurso de interesse, conferindo editais e provas anteriores, participando de grupos com enquetes sobre
seu interesse, conversando com pessoas que já foram aprovadas, absorvendo dicas e experiências, e analisando a banca examinadora do
certame.
O Plano de Estudos é essencial na otimização dos estudos, ele deve ser simples, com fácil compreensão e personalizado com sua
rotina, vai ser seu triunfo para aprovação, sendo responsável pelo seu crescimento contínuo.
Além do plano de estudos, é importante ter um Plano de Revisão, ele que irá te ajudar na memorização dos conteúdos estudados até
o dia da prova, evitando a correria para fazer uma revisão de última hora.
Está em dúvida por qual matéria começar a estudar? Vai mais uma dica: comece por Língua Portuguesa, é a matéria com maior
requisição nos concursos, a base para uma boa interpretação, indo bem aqui você estará com um passo dado para ir melhor nas outras
disciplinas.

Vida Social
Sabemos que faz parte algumas abdicações na vida de quem estuda para concursos públicos, mas sempre que possível é importante
conciliar os estudos com os momentos de lazer e bem-estar. A vida de concurseiro é temporária, quem determina o tempo é você,
através da sua dedicação e empenho. Você terá que fazer um esforço para deixar de lado um pouco a vida social intensa, é importante
compreender que quando for aprovado verá que todo o esforço valeu a pena para realização do seu sonho.
Uma boa dica, é fazer exercícios físicos, uma simples corrida por exemplo é capaz de melhorar o funcionamento do Sistema Nervoso
Central, um dos fatores que são chaves para produção de neurônios nas regiões associadas à aprendizagem e memória.
DICA

Motivação
A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo
com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos.
Caso você não seja aprovado de primeira, é primordial que você PERSISTA, com o tempo você irá adquirir conhecimento e experiência.
Então é preciso se motivar diariamente para seguir a busca da aprovação, algumas orientações importantes para conseguir motivação:
• Procure ler frases motivacionais, são ótimas para lembrar dos seus propósitos;
• Leia sempre os depoimentos dos candidatos aprovados nos concursos públicos;
• Procure estar sempre entrando em contato com os aprovados;
• Escreva o porquê que você deseja ser aprovado no concurso. Quando você sabe seus motivos, isso te da um ânimo maior para seguir
focado, tornando o processo mais prazeroso;
• Saiba o que realmente te impulsiona, o que te motiva. Dessa maneira será mais fácil vencer as adversidades que irão aparecer.
• Procure imaginar você exercendo a função da vaga pleiteada, sentir a emoção da aprovação e ver as pessoas que você gosta felizes
com seu sucesso.

Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação
e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial.
A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Se você quer aumentar as suas chances
de passar, conheça os nossos materiais, acessando o nosso site: www.apostilasolucao.com.br

Vamos juntos!
ÍNDICE

Física
1. Mecânica: Introdução ao método científico na Física, conceitos básicos de cinemática, movimento uniforme, movimento uniforme-
mente variado, movimentos sob a ação da gravidade, movimentos circulares, gráficos da cinemática, composição de movimentos
e cinemática vetorial, dinâmica, energia, trabalho, impulso, potência, rendimento, quantidade de movimento, choques mecânicos,
estática de um ponto material e de um corpo extenso rígido, hidrostática, princípios de conservação, leis de Kepler e gravitação uni-
versal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Termologia: Conceitos fundamentais de termologia, termometria, calorimetria, mudanças de fase, diagramas de fase, propagação do
calor, dilatação térmica de sólidos e líquidos, gases ideais e termodinâmica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3. Óptica: Princípios da óptica geométrica, reflexão da luz, espelho plano, espelhos esféricos, refração luminosa, lentes esféricas, instru-
mentos ópticos, olho humano e defeitos da visão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
4. Ondas: Movimento harmônico simples, conceitos básicos de ondas e pulsos, reflexão, refração, difração, interferência, polarização,
ondas sonoras e efeito Doppler. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5. Eletricidade: Carga elétrica, princípios da eletrostática, processos de eletrização, força elétrica campo elétrico, potencial elétrico,
trabalho da força elétrica, energia potencial elétrica, condutores em equilíbrio eletrostático, capacidade elétrica, corrente elétrica,
potência e energia na corrente elétrica, resistores, resistência elétrica, associação de resistores, associação de capacitores, energia
armazenada nos capacitores, aparelhos de medição elétrica, geradores e receptores elétricos, Leis de Kirchhoff, conceitos iniciais do
magnetismo, campo magnético, força magnética, indução eletromagnética, corrente alternada, transformadores e ondas eletromag-
néticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

Química
1. Matéria e Substância: Propriedades gerais e específicas; estados físicos da matéria e suas características; caracterização e proprie-
dades; diagrama de mudança de estados físicos; misturas e tipos de misturas; processos de separação de misturas; sistemas; fases e
separação de fases; substâncias simples e compostas; substâncias puras; transformações da matéria; unidades de matéria; energia e
meio-ambiente; grandezas e unidades de medida; massa; volume; temperatura; pressão; densidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estrutura Atômica Moderna: Introdução à Química; história da química; evolução dos modelos atômicos; teorias atômicas; elemen-
tos químicos; o átomo e as principais partículas do átomo; núcleo do átomo; número atômico e número de massa; íons; isóbaros;
isótonos; isótopos e isoeletrônicos; configuração eletrônica; eletrosfera diagrama de Pauling; regra de Hund (Princípio de exclusão de
Pauli) e números quânticos; leis ponderais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3. Classificações Periódicas: Histórico da classificação periódica; tabela periódica; organização da tabela periódica; elementos químicos;
grupos; famílias e períodos da tabela periódica; propriedades periódicas; raio atômico; energia de ionização; afinidade eletrônica;
eletropositividade e eletronegatividade; reatividade; classificação e propriedades dos elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4. Ligações Químicas: Tipos de ligações químicas; ligações iônicas; ligações covalentes; ligações metálicas; fórmulas estruturais; reativ-
idade dos metais; propriedades das substâncias moleculares, iônicas e metálicas; estrutura das substâncias moleculares, iônicas e
metálicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
5. Características dos Compostos Iônicos e Moleculares: Geometria molecular: polaridade das moléculas; forças intermoleculares;
número de oxidação; polaridade e solubilidade; estado físico e ligações intermoleculares; temperaturas de fusão e ebulição; relação
entre polaridade e propriedades físicoquímicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
6. Funções Inorgânicas: Ácidos; bases; sais e óxidos; nomenclaturas; reações; propriedades; formulação e classificação; definições e
conceitos teóricos; efeitos ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
7. Reações Químicas: Tipos de reações químicas; oxidorredução; equações químicas, previsão e condições de ocorrência das reações
químicas; balanceamento de equações químicas; balanceamento de equações pelo método da tentativa; balanceamento de equações
pelo método de oxirredução; balanceamento de equações pelo método íon-elétron; classificação de reações químicas . . . . . . . . 26
8. Grandezas Químicas: Relações de massa; outras relações químicas; massas atômicas e moleculares; massa molar; mol e quantidade
de matéria; volume molar; constante e número de Avogadro; determinação da quantidade de matéria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
9. Estequiometria: Tipos de fórmulas; aspectos quantitativos das reações químicas; leis ponderais; leis volumétricas; cálculos este-
quiométricos; reagente limitante de uma reação e leis químicas; reações com substâncias impuras; rendimento de reação . . . . . 31
10. Gases: Características gerais dos gases; teoria cinética dos gases; variáveis de estado dos gases; transformações gasosas; equação
geral dos gases ideais; leis de Boyle e de Gay-Lussac: equação de Clapeyron; quantidade de matéria e equação de estado; princípio de
Avogadro e energia cinética média; misturas gasosas; pressão parcial, volume parcial e lei de Dalton; difusão gasosa; noções de gases
reais e liquefação; densidade dos gases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
11. Termoquímica: Poder calorífico; cálculo de calores de reações; reações endotérmicas e exotérmicas; relação entre matéria e calor; en-
talpia e tipos de entalpia; Lei de Hess; determinação da variação de entalpia ( H); representações gráficas em termoquímica; equações
termoquímicas; calor ou entalpia em reações químicas; cálculos envolvendo entalpia; variação de calor nas mudanças de estado;
energia de ligação; cálculos com energia de ligação; entropia; energia livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
ÍNDICE
12. Cinética: Velocidade das reações; teoria da colisão; condições para ocorrência de reações; tipos de velocidade de reação; fatores que
afetam a velocidade das reações; cálculos envolvendo velocidade da reação; lei da velocidade de reações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
13. Soluções: Definição e classificação das soluções; tipos de soluções; solubilidade; curvas de solubilidade; aspectos quantitativos das
soluções; concentração comum; concentração molar ou molaridade; normalidade; molalidade; fração molar; título; densidade;
relação entre essas grandezas: diluição; misturas de soluções; e análise volumétrica (titulometria) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
14. Equilíbrio Químico: Sistemas em equilíbrio; reações reversíveis; constantes de equilíbrio; cálculo da constante de equilíbrio; quociente
de reação; deslocamento de equilíbrios; princípio de Le Chatelier; equilíbrios iônicos; constantes de ionização; lei de diluição de Ostwald;
grau de equilíbrio; grau de ionização; efeito do íon comum; hidrólise; hidrólise dos sais; equilíbrios iônicos na água; produto iônico da
água; pH e pOH; produto de solubilidade; efeito do íon comum; reações envolvendo gases; equilíbrios em líquidos e gases; catalisadores;
indicadores; soluções ácidas e básicas; acidez e basicidade em soluções; constantes de hidrólise; soluções-tampão . . . . . . . . . . . . . . 54
15. Eletroquímica: Número de oxidação (NOx); cálculo e determinação de NOx; conceito de ânodo; cátodo e polaridade dos eletrodos;
processos de oxidação e redução; equacionamento; agentes redutores e oxidantes; identificação das espécies redutoras e oxidantes;
aplicação da tabela de potenciais-padrão; células galvânicas: pilhas e baterias; montagem de pilhas; potencial de pilhas; cálculos de
voltagem de pilhas; espontaneidade de reações; equação de Nernst; corrosão; métodos protetivos; revestimentos; eletrólise; células
eletrolíticas; aspectos quantitativos da eletrólise; eletrólise com eletrodos ativos e inertes; tipos de eletrólises; leis de Faraday; ob-
tenção de metais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
16. Radioatividade: Origem e propriedade das principais radiações; leis da radioatividade; detecção das radiações; séries radioativas;
cinética das radiações e constantes radioativas; transmutações de elementos naturais; fissão e fusão nuclear; uso de isótopos radio-
ativos; efeitos das radiações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
17. Propriedades coligativas: Propriedades físicas das substâncias; pressão de vapor, influência da temperatura; temperatura de fusão e
ebulição; tonoscopia; ebulioscopia; crioscopia; osmose; pressão osmótica; osmose reversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
18. Princípios da química orgânica: Conceitos; propriedades fundamentais do átomo de carbono; tetravalência do carbono; compostos
orgânicos; ligações em compostos orgânicos; tipos de fórmulas; fórmulas estruturais; séries homólogas; hibridização de orbitais;
análise orgânica elementar; determinação de fórmulas moleculares; formação; nomenclaturas de compostos orgânicos; cadeias car-
bônicas; classificações do carbono, classificação das cadeias carbônicas e ligações; classificações de compostos orgânicos; todas as
funções orgânicas; derivados de compostos orgânicos; organometálicos; compostos cíclicos, aromáticos e alifáticos; compostos de
funções mistas; reconhecimento de função orgânica; propriedades físicas e química de compostos orgânicos; todas as reações orgâni-
cas; grupos orgânicos substituintes e radicais; dirigência de grupos substituintes; efeitos eletrônicos; isomerias de compostos orgâni-
cos; cisão de ligações químicas; polímeros e reações de polimerização; métodos de obtenção de compostos orgânicos; biomoléculas;
fontes e usos de compostos orgânicos; petróleo e derivados; biocombustíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

Geografia
1. Geografia Geral: Localizando-se no Espaço: orientação e localização: coordenadas geográficas e fusos horários; e cartografia:
a cartografia e as visões de mundo, as várias formas de representação da superfície terrestre, projeções cartográficas, escalas e
convenções cartográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica; deriva continental; placas tectônicas; dinâmica da crosta terrestre;
tectonismo; vulcanismo; intemperismo; tipos de rochas e solos; formas de relevo e recursos minerais; as superfícies líquidas: oceanos
e mares; hidrografia; correntes marinhas – tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica; utilização dos recursos hídricos
e situações hidroconflitivas; a dinâmica da atmosfera: camadas e suas características; composição e principais anomalias – El Niño,
La Niña, buraco na camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores do clima e os tipos climáticos; os domínios naturais:
distribuição da vegetação e características gerais das grandes paisagens naturais; e impactos ambientais: poluição atmosférica, erosão,
assoreamento, poluição dos recursos hídricos e a questão da biodiversidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
3. O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização; a primeira, a segunda e a terceira revolução industrial;
tipos de indústria; a concentração e a dispersão industrial; os conglomerados transnacionais; os novos fatores de localização
industrial; as fontes de energia e a questão energética; impactos ambientais; agropecuária: sistemas agrícolas; estrutura agrária; uso
da terra; agricultura e meio ambiente; produção agropecuária; comércio mundial de alimentos e a questão da fome; globalização
e circulação: os fluxos financeiros; transportes; os fluxos de informação; o meio tecnocientífico-informacional; comércio mundial;
blocos econômicos; os conflitos étnicos e as migrações internacionais; a Divisão Internacional do Trabalho (DIT) e as trocas desiguais;
a Nação e o Território, os Estados territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e poder global; nova ordem
mundial; fronteiras estratégicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
4. O Espaço Humano: demografia: teorias demográficas; estrutura da população; crescimento demográfico; transição
demográfica e migrações; urbanização: processo de urbanização; espaço urbano e problemas urbanos; e principais indicadores
socioeconômicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
5. Geografia do Brasil: 1) O Espaço Natural: características gerais do território brasileiro: posição geográfica, limites e fusos horários;
geomorfologia: origem, formas e classificações do relevo: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr Ross e a estrutura geológica;
a atmosfera e os climas: fenômenos climáticos e os climas no Brasil; domínios naturais: distribuição da vegetação, características
gerais dos domínios morfoclimáticos, aproveitamento econômico e problemas ambientais; e recursos hídricos: bacias hidrográficas,
aquíferos, hidrovias e degradação ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
ÍNDICE
6. O Espaço Econômico: a formação do território nacional: economia colonial e expansão do território, da cafeicultura ao Brasil urbano-
industrial e integração territorial; a industrialização pós-Segunda Guerra Mundial: modelo de substituição das importações, abertura
para investimentos estrangeiros; dinâmica espacial da indústria; polos industriais; a indústria nas diferentes regiões brasileiras e
a reestruturação produtiva; o aproveitamento econômico dos recursos naturais e as atividades econômicas: os recursos minerais;
fontes de energia e meio ambiente; o setor mineral e os grandes projetos de mineração; agricultura brasileira: dinâmicas territoriais
da economia rural; a estrutura fundiária; relações de trabalho no campo; a modernização da agricultura; êxodo rural; agronegócio e
a produção agropecuária brasileira; e comércio: globalização e economia nacional; comércio exterior; integração regional (Mercosul
e América do Sul); eixos de circulação e custos de deslocamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
7. O Espaço Político: formação territorial – território; fronteiras; faixa de fronteiras; mar territorial e Zona Econômica Exclusiva (ZEE);
estrutura político-administrativa; estados; municípios; distrito federal e territórios federais; a divisão regional, segundo o IBGE, e os
complexos regionais; e políticas públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
8. O Espaço Humano: demografia: transição demográfica, crescimento populacional, estrutura etária; política demográfica e mobilidade
espacial (migrações internas e externas); mercado de trabalho: estrutura ocupacional e participação feminina; desenvolvimento
humano: os indicadores socioeconômicos; e urbanização brasileira: processo de urbanização; rede urbana; hierarquia urbana; regiões
metropolitanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs); espaço urbano e problemas urbanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

História
1. A Sociedade Feudal (séculos V a XV). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. O Renascimento Comercial e Urbano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
3. Os Estados Nacionais Europeus da Idade Moderna, o Absolutismo e o Mercantilismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04
4. A Expansão Marítima Europeia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06
5. O Renascimento Cultural, o Humanismo e as Reformas Religiosas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08
6. A montagem da colonização europeia na América: Os Sistemas Coloniais Espanhol, Francês, Inglês e dos Países Baixos. . . . . . . . . 11
7. O Sistema Colonial Português na América: Estrutura Político-Administrativa; estrutura socioeconômica; invasões estrangeiras; ex-
pansão territorial; rebeliões coloniais. Movimentos Emancipacionistas: Conjuração Mineira e Conjuração Baiana. . . . . . . . . . . . . 13
8. O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
9. As Revoluções Inglesas (Século XVII) e a Revolução Industrial (séculos XVIII a XX). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
10. A Independência dos Estados Unidos da América. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
11. A Revolução Francesa e a Restauração (o Congresso de Viena e a Santa Aliança). l. O Brasil Imperial: O processo da independên-
cia do Brasil: o Período Joanino; Primeiro Reinado; Período Regencial; Segundo Reinado; Crise da Monarquia e Proclamação da
República. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
12. O Pensamento e a Ideologia no Século XIX: O Idealismo Romântico; o Socialismo Utópico e o Socialismo Científico; o Cartismo; a
Doutrina Social da Igreja; o Liberalismo e o Anarquismo; o Evolucionismo e o Positivismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
13. O Mundo na Época da Primeira Guerra Mundial: O imperialismo e os antecedentes da Primeira Guerra Mundial; a Primeira
Guerra Mundial; consequências da Primeira Guerra Mundial; a República Velha no Brasil; conflitos brasileiros durante a Repúbli-
ca Velha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
14. O Mundo na Época da Segunda Guerra Mundial: O período entre-guerras; a Segunda Guerra Mundial; o Brasil na Era Vargas; a partic-
ipação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
15. O Mundo no Auge da Guerra Fria: A reconstrução da Europa e do Japão e o surgimento do mundo bipolar; os principais conflitos da
Guerra Fria – a Guerra da Coréia (1950 – 1953), a Guerra do Vietnã (1961 – 1975), os conflitos árabes-israelenses entre 1948 e 1974;
A descolonização da África e da Ásia; a República Brasileira entre 1945 e 1985. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
16. O Mundo no Final do século XX e Início do século XXI: Declínio e queda do socialismo nos países europeus (Alemanha, Polônia,
Hungria, ex-Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Albânia, ex-Iugoslávia) e na ex-União Soviética; os conflitos do final do século XX – a
Guerra das Malvinas (1982), a Guerra Irã-Iraque (1980 – 1989), a Guerra do Afeganistão (1979 – 1989), a Guerra Civil no Afeganistão
(1989 – 2001), a Guerra do Golfo (1991), a Guerra do Chifre da África (1977 – 1988); a Guerra Civil na Somália (1991); o 11 de Setem-
bro de 2001 e a nova Guerra no Afeganistão; a República Brasileira de 1985 até os dias atuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

Inglês
1. A prova de Inglês do Concurso de Admissão destina-se a avaliar a habilidade de compreensão geral de textos na Língua Inglesa, a
compreensão específica de expressões, frases e palavras, bem como o conhecimento das seguintes estruturas gramaticais: adjectives;
adverbs; nouns; articles; conjunctions; modal auxiliaries; prepositions; pronouns; possessive adjectives; determiners; quantifiers;
verb forms; e whquestions. Os textos de apoio abordarão temas variados e poderão ser extraídos das mais diversas fontes (livros,
revistas, jornais e internet) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
ÍNDICE

Matemática
1. Teoria dos Conjuntos e Conjuntos Numéricos: representação de conjuntos, subconjuntos, operações: união, interseção, diferença e
complementar. Conjunto universo e conjunto vazio; conjunto dos números naturais e inteiros: operações fundamentais, Números
primos, fatoração, número de divisores, máximo divisor comum e mínimo múltiplo; conjunto dos números racionais: operações
fundamentais. Razão, proporção e suas propriedades. Números direta e indiretamente proporcionais; conjunto dos números reais:
operações fundamentais, módulo, representação decimal, operações com intervalos reais; e números complexos: operações, módulo,
conjugado de um número complexo, representações algébrica e trigonométrica. Representação no plano de Argand-Gauss, poten-
ciação e radiciação. Extração de raízes. Fórmulas de Moivre. Resolução de equações binomiais e trinomiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Funções: definição, domínio, imagem, contradomínio, funções injetoras, sobrejetoras e bijetoras, funções pares e ímpares, funções
periódicas; funções compostas; relações; raiz de uma função; função constante, função crescente, função decrescente; função defin-
ida por mais de uma sentença; as funções y=k/x, y=raiz quadrada de x e seus gráficos; função inversa e seu gráfico; e Translação,
reflexão de funções. Função Linear, Função Afim e Função Quadrática: gráficos, domínio, imagem e características; variações de
sinal; máximos e mínimos; e inequação produto e inequação quociente. Função Modular: o conceito e propriedades do módulo de
um número real; definição, gráfico, domínio e imagem da função modular; equações modulares; e inequações modulares. e. Função
Exponencial: gráficos, domínio, imagem e características da função exponencial, logaritmos decimais, característica e mantissa; e
equações e inequações exponenciais. Função Logarítmica: definição de logaritmo e propriedades operatórias; gráficos, domínio, im-
agem e características da função logarítmica; e equações e inequações logarítmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3. Trigonometria: trigonometria no triângulo (retângulo e qualquer); lei dos senos e lei dos cossenos; unidades de medidas de arcos
e ângulos: o grau e o radiano; círculo trigonométrico, razões trigonométricas e redução ao 1º quadrante; funções trigonométricas,
transformações, identidades trigonométricas fundamentais, equações e inequações trigonométricas no conjunto dos números reais;
fórmulas de adição de arcos, arcos duplos, arco metade e transformação em produto; as funções trigonométricas inversas e seus
gráficos, arcos notáveis; e sistemas de equações e inequações trigonométricas e resolução de triângulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
4. Contagem e Análise Combinatória: fatorial: definição e operações; princípios multiplicativo e aditivo da contagem; arranjos, combi-
nações e permutações; e binômio de Newton: desenvolvimento, coeficientes binomiais e termo geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
5. Probabilidade: experimento aleatório, experimento amostral, espaço amostral e evento; probabilidade em espaços amostrais
equiprováveis; probabilidade da união de dois eventos; probabilidade condicional; propriedades das probabilidades; e probabilidade
de dois eventos sucessivos e experimentos binomiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
6. Matrizes, Determinantes e Sistemas Lineares: operações com matrizes (adição, multiplicação por escalar, transposição e produto);
matriz inversa; determinante de uma matriz: definição e propriedades; e sistemas de equações lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
7. Sequências Numéricas e Progressões: sequências numéricas; progressões aritméticas: termo geral, soma dos termos e propriedades;
progressões geométricas finitas e infinitas: termo geral, soma dos termos e propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
8. Geometria Espacial de Posição: posições relativas entre duas retas; posições relativas entre dois planos; posições relativas entre
reta e plano; perpendicularidade entre duas retas, entre dois planos e entre reta e plano; e projeção ortogonal. Geometria Espacial
Métrica: poliedros convexos, poliedros de Platão, poliedros regulares: definições, propriedades e Relação de Euler; prismas: conceito,
elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; pirâmide: conceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; cilindro:
conceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos; cone: conceito, elementos, classificação, áreas e volumes e troncos;
esfera: elementos, seção da esfera, área, volumes e partes da esfera; projeções; sólidos de revolução; e inscrição e circunscrição de
sólidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
9. Geometria Analítica Plana: ponto: o plano cartesiano, distância entre dois pontos, ponto médio de um segmento e condição de alin-
hamento de três pontos; reta: equações geral e reduzida, interseção de retas, paralelismo e perpendicularidade, ângulo entre duas re-
tas, distância entre ponto e reta e distância entre duas retas, bissetrizes do ângulo entre duas retas, área de um triângulo e inequações
do primeiro grau com duas variáveis; circunferência: equações geral e reduzida, posições relativas entre ponto e circunferência, reta e
circunferência e duas circunferências; problemas de tangência; e equações e inequações do segundo grau com duas variáveis; elipse:
definição, equação, posições relativas entre ponto e elipse, posições relativas entre reta e elipse; hipérbole: definição, equação da
hipérbole, posições relativas entre ponto e hipérbole, posições relativas entre reta e hipérbole e equações das assíntotas da hipérbo-
le; parábola: definição, equação, posições relativas entre ponto e parábola, posições relativas entre reta e parábola; e reconhecimento
de cônicas a partir de sua equação geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
10. Geometria Plana: ângulo: definição, elementos e propriedades; ângulos na circunferência; paralelismo e perpendicularidade; sem-
elhança de triângulos; pontos notáveis do triângulo; relações métricas nos triângulos (retângulos e quaisquer); relação de Stewart;
triângulos retângulos, Teorema de Pitágoras; congruência de figuras planas; feixe de retas paralelas e transversais, Teorema de Tales;
teorema das bissetrizes internas e externas de um triângulo; quadriláteros notáveis; polígonos, polígonos regulares, circunferências,
círculos e seus elementos; perímetro e área de polígonos, polígonos regulares, circunferências, círculos e seus elementos; Fórmula de
Heron; razão entre áreas; lugares geométricos; elipse, parábola e hipérbole; linha poligonal; e inscrição e circunscrição . . . . . . . . 73
11. Polinômios: função polinomial, polinômio identicamente nulo, grau de um polinômio, identidade de um polinômio, raiz de um polinô-
mio, operações com polinômios e valor numérico de um polinômio; divisão de polinômios, Teorema do Resto, Teorema de D’Alembert
e dispositivo de Briot-Ruffinni; relação entre coeficientes e raízes. Fatoração e multiplicidade de raízes e produtos notáveis. Máximo
divisor comum de polinômios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
12. Equações Polinomiais: Teorema fundamental da álgebra, teorema da decomposição, raízes imaginárias, raízes racionais, Relações de
Girard e Teorema de Bolzano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
ÍNDICE

Língua Portuguesa
1. Leitura, interpretação e análise de textos: Leitura, interpretação e análise dos significados presentes num texto e relacionamento
desses com o universo em que o texto foi produzido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Fonética: Fonemas; sílaba; tonicidade; ortoépia; prosódia; ortografia; acentuação gráfica; notações léxicas; abreviaturas; siglas e sím-
bolos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3. Morfologia: Estrutura das palavras; formação das palavras; sufixos; prefixos; radicais gregos e latinos; origens das palavras da língua
portuguesa. Classificação e flexão das palavras (substantivo; artigo; adjetivo; numeral; pronome; verbo; advérbio; preposição; con-
junção; interjeição; conectivos e formas variantes) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
4. Semântica: Significação das palavras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
5. Sintaxe: Análise sintática; termos essenciais da oração; termos integrantes da oração; termos acessórios da oração; período com-
posto; orações coordenadas; orações principais e orações subordinadas; orações subordinadas substantivas; orações subordinadas
adjetivas; orações subordinadas adverbiais; orações reduzidas; estudo complementar do período composto . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
6. sintaxe de concordância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
7. sintaxe de regência (verbal e nominal) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
8. sintaxe de colocação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
9. Sinais de pontuação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
10. emprego de algumas classes de palavras; emprego dos modos e dos tempos verbais; emprego do infinitivo verbal e emprego do verbo
haver . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
11. Teoria da Linguagem: História da Língua Portuguesa; linguagem, língua, discurso e estilo; níveis de linguagem; e funções da lingua-
gem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
12. Estilística: Figuras de linguagem; língua e arte literária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
13. Alterações introduzidas na ortografia oficial da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa,
em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posterior-
mente, por Timor Leste, aprovado no Brasil pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, e alterado pelo Decreto nº 7.875, de
27 de dezembro de 2012 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
14. Literatura Brasileira: literatura e história da literatura; gêneros literários; linguagem poética; elementos da narrativa; Trovadorismo;
Humanismo; Classicismo; Quinhentismo; Barroco; Arcadismo; Romantismo – prosa e poesia; Realismo/Naturalismo; Parnasianismo;
Simbolismo; Pré-Modernismo; movimentos de vanguarda europeia no Brasil; Modernismo Brasileiro – prosa e poesia (1ª, 2ª e 3ª
gerações); e Tendências da literatura brasileira contemporânea . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

Redação
1. Elaboração de um texto dissertativo-argumentativo de 25 (vinte e cinco) a 30 (trinta) linhas, em terceira pessoa, acerca da temática
proposta. O candidato deverá formular uma tese clara sobre o assunto, apresentando argumentos que a sustentem. Dissertação -
TEMA: é a colocação do título; a correta interpretação do tema central; capacidade de reflexão; o não tangenciamento, desvio ou fuga
parcial do tema; a estrutura dissertativa, com introdução, desenvolvimento e conclusão, em que não haja características de relato
puro, pela incidência recorrente ou pela predominância de verbos no pretérito. Na introdução, a apresentação do assunto geral, o
direcionamento ou a delimitação do tema e o posicionamento do candidato, ou o objetivo do trabalho; no desenvolvimento, a abord-
agem do tema, a apresentação de, no mínimo, duas ideias-força, o aprofundamento necessário para alicerçar cada uma delas, a clara
intenção persuasiva, o grau de conhecimento, maturidade e capacidade de abstração mental; na conclusão, a retomada do tema, a
ratificação do objetivo do trabalho e o fecho. GRAMÁTICA: cumprimento das normas gramaticais, de acordo com a norma culta da
língua. LINGUAGEM: coerência, coesão textual, clareza, concisão, precisão, naturalidade, originalidade, correção (respeito às normas
gramaticais de estruturação frasal, adequadas a um texto dissertativo, com períodos gramaticalmente íntegros), impessoalidade,
utilização da norma culta da língua. APRESENTAÇÃO (sem rasuras, letra padrão da língua, marginação e capricho) . . . . . . . . . . . . 01
FÍSICA
1. Mecânica: Introdução ao método científico na Física, conceitos básicos de cinemática, movimento uniforme, movimento uniforme-
mente variado, movimentos sob a ação da gravidade, movimentos circulares, gráficos da cinemática, composição de movimentos
e cinemática vetorial, dinâmica, energia, trabalho, impulso, potência, rendimento, quantidade de movimento, choques mecânicos,
estática de um ponto material e de um corpo extenso rígido, hidrostática, princípios de conservação, leis de Kepler e gravitação uni-
versal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Termologia: Conceitos fundamentais de termologia, termometria, calorimetria, mudanças de fase, diagramas de fase, propagação do
calor, dilatação térmica de sólidos e líquidos, gases ideais e termodinâmica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
3. Óptica: Princípios da óptica geométrica, reflexão da luz, espelho plano, espelhos esféricos, refração luminosa, lentes esféricas, instru-
mentos ópticos, olho humano e defeitos da visão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
4. Ondas: Movimento harmônico simples, conceitos básicos de ondas e pulsos, reflexão, refração, difração, interferência, polarização,
ondas sonoras e efeito Doppler. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5. Eletricidade: Carga elétrica, princípios da eletrostática, processos de eletrização, força elétrica campo elétrico, potencial elétrico,
trabalho da força elétrica, energia potencial elétrica, condutores em equilíbrio eletrostático, capacidade elétrica, corrente elétrica,
potência e energia na corrente elétrica, resistores, resistência elétrica, associação de resistores, associação de capacitores, energia
armazenada nos capacitores, aparelhos de medição elétrica, geradores e receptores elétricos, Leis de Kirchhoff, conceitos iniciais do
magnetismo, campo magnético, força magnética, indução eletromagnética, corrente alternada, transformadores e ondas eletromag-
néticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
FÍSICA
Os conceitos estudados em Mecânica Quântica mexem profun-
MECÂNICA: INTRODUÇÃO AO MÉTODO CIENTÍFICO damente com nosso senso comum e propõem fenômenos que po-
NA FÍSICA, CONCEITOS BÁSICOS DE CINEMÁTICA, MO- dem nos parecer estranhos. Como exemplo, podemos citar o caso
VIMENTO UNIFORME, MOVIMENTO UNIFORMEMEN- da posição e da velocidade de um elétron. Na Mecânica Clássica,
TE VARIADO, MOVIMENTOS SOB A AÇÃO DA GRA- as posições e as velocidades de um móvel são extremamente bem
VIDADE, MOVIMENTOS CIRCULARES, GRÁFICOS DA definidas, mas, em Quântica, se as coordenadas de um elétron são
CINEMÁTICA, COMPOSIÇÃO DE MOVIMENTOS E CINE- conhecidas, a determinação de sua velocidade é impossível. Caso a
MÁTICA VETORIAL, DINÂMICA, ENERGIA, TRABALHO, velocidade seja conhecida, torna-se impossível a determinação da
IMPULSO, POTÊNCIA, RENDIMENTO, QUANTIDADE DE posição do elétron.
MOVIMENTO, CHOQUES MECÂNICOS, ESTÁTICA DE CINEMÁTICA
UM PONTO MATERIAL E DE UM CORPO EXTENSO RÍ- A cinemática estuda os movimentos dos corpos, sendo princi-
GIDO, HIDROSTÁTICA, PRINCÍPIOS DE CONSERVAÇÃO, palmente os movimentos lineares e circulares os objetos do nos-
LEIS DE KEPLER E GRAVITAÇÃO UNIVERSAL so estudo que costumar estar divididos em Movimento Retilíneo
Uniforme (M.R.U) e Movimento Retilíneo Uniformemente Variado
(M.R.U.V)
A Mecânica é o ramo da Física responsável pelo estudo dos Para qualquer um dos problemas de cinemática, devemos estar
movimentos dos corpos, bem como suas evoluções temporais e a par das seguintes variáveis:
as equações matemáticas que os determinam. É um estudo de ex- -Deslocamento (ΔS)
trema importância, com inúmeras aplicações cotidianas, como na -Velocidade ( V )
Geologia, com o estudo dos movimentos das placas tectônicas; na -Tempo (Δt)
Medicina, com o estudo do mapeamento do fluxo de sangue; na -Aceleração ( a )
Astronomi,a com as análises dos movimentos dos planetas etc.
As bases para o que chamamos de Mecânica Clássica foram Movimento Uniformemente Variado (MUV)
lançadas por Galileu Galilei, Johannes Kepler e Isaac Newton. Já Os exercícios que cobram MUV são geralmente associados a
no século XX Albert Einstein desenvolveu os estudos da chamada enunciados de queda livre ou lançamentos verticais, horizontais ou
Mecânica Relativística, teoria que engloba a Mecânica Clássica e oblíquos.
analisa movimentos em velocidades próximas ou iguais à da luz. É importante conhecer os gráficos do MUV e as fórmulas, como
A chamada Mecânica Quântica é o estudo do mundo subatômico, a Equação de Torricelli (v²=v0²+2aΔS). O professor reforça ainda
moléculas, átomos, elétrons etc. que os problemas elencados pelo Enem são contextualizados. “São
questões de movimento uniformemente variado, mas associadas a
→ Mecânica Clássica situações cotidianas.
A Mecânica Clássica é dividida em Cinemática e Dinâmica.
A Cinemática é o estudo matemático dos movimentos. As cau- Movimento Retilíneo Uniforme (M.R.U)
sas que os originam não são analisadas, somente suas classificações No M.R.U. o movimento não sofre variações, nem de direção,
e comparações são feitas. O movimento uniforme, movimento uni- nem de velocidade. Portanto, podemos relacionar as nossas gran-
formemente variado e movimento circular são temas de Cinemá- dezas da seguinte forma:
tica. ΔS= V.Δt
A Dinâmica é o estudo das forças, agente responsável pelo mo-
vimento. As leis de Newton são a base de estudo da Dinâmica. Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (M.R.U.V)
No M.R.U.V é introduzida a aceleração e quanto mais acele-
→ Mecânica Relativística rarmos (ou seja, aumentarmos ou diminuirmos a velocidade an-
A Mecânica Relativística mostra que o espaço e o tempo em ve- daremos mais, ou menos. Portanto, relacionamos as grandezas da
locidades próximas ou iguais à da luz não são conceitos absolutos, seguinte forma:
mas, sim, relativos. Segundo essa teoria, observadores diferentes, ΔS= V₀.t + ½.a.t²
um parado e outro em alta velocidade, apresentam percepções di-
ferentes das medidas de espaço e tempo. No M.R.U.V. o deslocamento aumenta ou diminui conforme al-
A Teoria da Relatividade é obra do físico alemão Albert Einstein teramos as variáveis.
e foi publicada em 1905, o chamado ano milagroso da Física, pois Pode existir uma outra relação entre essas variáveis, que é
foi o ano da publicação de preciosos artigos científicos de Einstein. dada pela formula:
V²= V₀² + 2.a.ΔS
→ Mecânica Quântica
A Mecânica Clássica é um caso-limite da Mecânica Quântica, Nessa equação, conhecida como Equação de Torricelli, não te-
mas a linguagem estabelecida pela Mecânica Quântica possui de- mos a variável do tempo, o que pode nos ajudar em algumas ques-
pendência da Mecânica Clássica. Em Quântica, o conceito básico de tões, quando o tempo não é uma informação dada, por exemplo.
trajetória (caminho feito por um móvel) não existe, e as medidas
são feitas com base nas interações de elétrons com objetos deno- Impulso e quantidade de movimento
minados de aparelhos. O impulso e a quantidade de movimento aparecem em ques-
tões que tratam de colisões e pelo Teorema do impulso (I = ΔQ).
Uma dos modos em que a temática foi cobrada pelo exame foi em
um problema que enunciava uma colisão entre carrinhos num trilho
de ar, em um experimento feito em laboratório, conta o professor.

1
FÍSICA
Choques ou colisões mecânicas
No estudo das colisões entre dois corpos, a preocupação está relacionada com o que acontece com a energia cinética e a quantidade
de movimento (momento linear) imediatamente antes e após a colisão. As possíveis variações dessas grandezas classificam os tipos de
colisões.

Definição de sistema
Um sistema é o conjunto de corpos que são objetos de estudo, de modo que qualquer outro corpo que não esteja sendo estudado é
considerado como agente externo ao sistema. As forças exercidas entre os corpos que compõem o sistema são denominadas de forças
internas, e aquelas exercidas sobre os corpos do sistema por um agente externo são denominadas de forças externas.
Quantidade de movimento e as colisões
As forças externas são capazes de gerar variação da quantidade de movimento do sistema por completo. Já as forças internas podem
apenas gerar mudanças na quantidade de movimento individual dos corpos que compõem o sistema. Uma colisão leva em considera-
ção apenas as forças internas existentes entre os objetos que constituem o sistema, portanto, a quantidade de movimento sempre será a
mesma para qualquer tipo de colisão.

Energia cinética e as colisões


Durante uma colisão, a energia cinética de cada corpo participante pode ser totalmente conservada, parcialmente conservada ou
totalmente dissipada. As colisões são classificadas a partir do que ocorre com a energia cinética de cada corpo. As características dos ma-
teriais e as condições de ocorrência determinam o tipo de colisão que ocorrerá.

Coeficiente de restituição
O coeficiente de restituição (e) é definido como a razão entre as velocidades imediatamente antes e depois da colisão. Elas são deno-
minadas de velocidades relativas de aproximação e de afastamento dos corpos.

Tipos de colisão

• Colisão perfeitamente elástica


Nesse tipo de colisão, a energia cinética dos corpos participantes é totalmente conservada. Sendo assim, a velocidade relativa de
aproximação e de afastamento dos corpos será a mesma, o que fará com que o coeficiente de restituição seja igual a 1, indicando que toda
a energia foi conservada. A colisão perfeitamente elástica é uma situação idealizada, sendo impossível a sua ocorrência no cotidiano,
pois sempre haverá perca de energia.

• Colisão parcialmente elástica


Quando ocorre perda parcial de energia cinética do sistema, a colisão é classificada como parcialmente elástica. Desse modo, a ve-
locidade relativa de afastamento será ligeiramente menor que a velocidade relativa de aproximação, fazendo com que o coeficiente de
restituição assuma valores compreendidos entre 0 e 1.

• Colisão inelástica
Quando há perda máxima da energia cinética do sistema, a colisão é classificada como inelástica. Após a ocorrência desse tipo de
colisão, os objetos participantes permanecem grudados e executam o movimento como um único corpo. Como após a colisão não have-
rá afastamento entre os objetos, a velocidade relativa de afastamento será nula, fazendo com que o coeficiente de restituição seja zero.

A tabela a seguir pode ajudar na memorização das relações entre os diferentes tipos de colisões:

2
FÍSICA
Gráficos na cinemática Tabela 3 - MRU
Na cinemática, a variável independente é o tempo, por isso es-
colhemos sempre o eixo das abscissas para representar o tempo. O
espaço percorrido, a velocidade e a aceleração são variáveis depen-
dentes do tempo e são representadas no eixo das ordenadas.

Para construir um gráfico devemos estar de posse de uma ta-


bela. A cada par de valores correspondentes dessa tabela existe um
ponto no plano definido pelas variáveis independente e dependen-
te.

Vamos mostrar exemplos de tabelas e gráficos típicos de vários


tipos de movimento: movimento retilíneo e uniforme, movimento
retilíneo uniformemente variado.

Exemplo 1
MOVIMENTO RETILÍNEO E UNIFORME
Seja o caso de um automóvel em movimento retilíneo e uni-
forme, que tenha partido do ponto cujo espaço é 5km e trafega
a partir desse ponto em movimento progressivo e uniforme com
velocidade de 10km/h.
Agora fazemos o gráfico s x t.
Considerando a equação horária do MRU s = so + vot, a equação
dos espaços é, para esse exemplo,
s = 5 + 10t O gráfico da velocidade é muito simples, pois a velocidade é
constante, uma vez que para qualquer t, a velocidade se mantém
A velocidade podemos identificar como sendo: a mesma.
v = 10km/h

E o espaço inicial:
so = 5km
Para construirmos a tabela, tomamos intervalos de tempo, por
exemplo, de 1 hora, usamos a equação s(t) acima e anotamos os
valores dos espaços correspondentes:

t(h) s(km)
0 5
1 15
2 25
Note que:
3 35 • As abscissas e as ordenadas estão indicadas com espaça-
4 45 mentos iguais.
• As grandezas representadas nos eixos estão indicadas com
5 55 as respectivas unidades.
6 65 • Os pontos são claramente mostrados.
• A reta representa o comportamento médio.
• As escalas são escolhidas para facilitar o uso; não é neces-
sário usar “todo o papel”
• com uma escala de difícil subdivisão.

Exemplo 2
MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO
Considerando-se o movimento uniformemente variado, pode-
mos analisar os gráficos desse movimento dividindo-os em duas ca-
tegorias, as quais se distinguem pelo sinal da aceleração.

3
FÍSICA
MOVIMENTO COM ACELERAÇÃO POSITIVA A partir da tabela obtemos o gráfico s x t:
Neste caso, como a aceleração é positiva, os gráficos típicos do
movimento acelerado são

MOVIMENTO COM ACELERAÇÃO NEGATIVA


Sendo a aceleração negativa (a < 0), os gráficos típicos são
Para o caso da velocidade, temos a equação v = vo + at. Assim,
para o movimento observado temos:
v = 3 - 4t
obtendo assim a tabela abaixo:

v(m/s) t(s)
3 0
-1 0,5
5 0,75

Obtendo o gráfico v x t:

A curva que resulta do gráfico s x t tem o nome de parábola.


A título de exemplo, consideremos o movimento uniforme-
mente variado associado à equação horária s = so + vot +at2/2, onde
o espaço é dado em metros e o tempo, em segundos, e obteremos:
s(t) = 2 + 3t - 2t2.

A velocidade inicial é, portanto:


vo = 3m/s

A aceleração:
ao = -4m/s2 (a < 0)

e o espaço inicial:
so = 2km

Para desenharmos o gráfico s x t da equação acima, construí-


mos a tabela de s x t (atribuindo valores a t).

s(m) t(s)
2,0 0
3,0 0,5
3,125 0,75
3,0 1
2,0 1,5
0 2,0
-3,0 2,5
-7,0 3

4
FÍSICA
Exemplo 3
Como exemplo de gráfico representando dados experimentais vamos usar os dados da tabela:

Tabela
Gráfico referente à tabela
Dados de um indivíduo andando

t(min) s(m)
0 0
1 62
2 158
3 220
4 283
5 335

Note:
• Até o instante t = 4min pode-se dizer que os pontos podem ser representados por
• uma reta.
• Entre t = 4 e t = 5 houve uma alteração de comportamento.
• Não ligue os pontos em ziguezague utilizando segmentos de reta. Trace curvas
• médias lisas ou retas que representam comportamentos médios.

Observação: A reta traçada deixa dois pontos para baixo e dois para cima. A origem é um ponto experimental.

DINÂMICA
A terceira área da mecânica que mais aparece no exame é a dinâmica, com as Leis de Newton. Ela vem em exercícios que pedem
elementos como atrito e componentes da resultante, com a força centrípeta e a aceleração centrípeta.

A prova pode pedir, por exemplo, para o candidato associar a aceleração confortável para os passageiros de um trem com dimensões
curvas, que faz um caminho curvo. Isso está completamente ligado à aceleração centrípeta.

As leis de Newton
A cinemática é o ramo da ciência que propõe um estudo sobre movimento, sem, necessariamente se preocupar com as suas causas.
Quando partimos para o estudo das causas de um movimento, aí sim, falamos sobre a dinâmica. Da dinâmica, temos três leis em que
todo o estudo do movimento pode ser resumido. São as chamadas leis de Newton:
Primeira lei de Newton – a lei da inércia, que descreve o que ocorre com corpos que estão em equilíbrio.
Segunda lei de Newton – o princípio fundamental da dinâmica, que descreve o que ocorrer com corpos que não estão em equilíbrio.
Terceira lei de Newton – a lei da ação e reação, que explica o comportamento de dois corpos interagindo entre si.

5
FÍSICA
Força Resultante
A determinação de uma força resultante é definida pela intensidade, direção e sentido que atuam sobre o objeto. Veja diferentes
cálculos da força resultante:

Caso 1 – Forças com mesma direção e sentido.

Caso 2 – Forças perpendiculares.

Caso 3 – Forças com mesma direção e sentidos opostos

Caso 4 – Caso Geral – Com base na lei dos Cossenos

A Segunda lei de Newton


Quando há uma força resultante, caímos na segunda lei de Newton que diz que, nestas situações, o corpo irá sofrer uma aceleração.
Força resultante e aceleração são duas grandezas físicas intimamente ligadas e diretamente proporcionais, ou seja, se aumentarmos a
força, aumentamos a aceleração na mesma proporção. Essa constante é a massa do corpo em que é aplicada a força resultante. Por isso,
a segunda lei de Newton é representada matematicamente pela fórmula:

6
FÍSICA
A segunda lei de Newton também nos ensina que força resul- No caso do estudo se restringir ao plano, podemos adotar dois
tante e aceleração serão vetores sempre com a mesma direção e eixos (x e y) como referência e estudar as componentes das forças:
sentido.
Unidades de força e massa no Sistema Internacional:
Força – newton (N).
Massa – quilograma (kg).

A terceira Lei de Newton


A terceira lei, também conhecida como lei da ação e reação
diz que, se um corpo faz uma força em outro, imediatamente ele
receberá desse outro corpo uma força de igual intensidade, igual 2. Equilíbrio dos Corpos Rígidos
direção e sentido oposto à força aplicada, como é mostrado na fi- Quando as dimensões dos corpos não podem ser ignoradas
gura a seguir. (não podemos considerar as forças todas se cruzando num mesmo
ponto), o estudo passa a considerar movimentos de rotação. Por
exemplo, na figura:

ESTÁTICA
A Estática é o capítulo da Mecânica que estuda corpos que não
se movem, estáticos. A ausência de movimento é um caso especial Sendo as forças de mesmo módulo, a resultante seria nula, mas
de aceleração nula, ou seja, pelas Leis de Newton, uma situação em isto seria insuficiente para o equilíbrio, pois existe uma tendência
que todas as forças que atuam sobre um corpo se equilibram. Por- de giro que pode ser representado por:
tanto, a soma vetorial de todas as forças que agem sobre o corpo
deve ser nula.
Por exemplo, um edifício de apartamentos ou de escritórios
está sujeito à força peso de sua massa e dos móveis e utensílios
em seu interior, além da força peso da massa de todos os seus ocu-
pantes. Existem também outras forças: a carga do vento, da chuva
e eventualmente, em países frios, a carga da neve acumulada em
seu teto. Todas essas forças devem ser absorvidas pelo solo e pelas
fundações do prédio, que exercem reações sobre ele de modo a
sustentá-lo, mantê-lo de pé e parado. A soma vetorial de todas es-
sas forças deverá ser nula. A essa tendência de giro dá-se o nome de momento da força, e
é igual à força multiplicada pela distancia ao centro de giro. No caso
1. Equilíbrio do Ponto Material acima, supondo que o comprimento da barra seja x, o momento de
Define-se como ponto material todo corpo cujas dimensões, cada força seria:
para o estudo em questão, não são importantes, não interferem
no resultado final. Por exemplo, o estudo da trajetória de um atleta
de saltos ornamentais na piscina a partir de uma plataforma de 10
m. Se o estudo está focalizado na trajetória do atleta da plataforma
até a piscina, e não nos seus movimentos em torno de si mesmo, O momento total seria o dobro
pode-se adotar o centro de massa do atleta, ignorar seu tamanho
e desenvolver o estudo. (Caso outros estudos, dos movimentos do
atleta em torno do seu centro de massa, sejam necessários, eles
poderão ser realizados posteriormente.)
Na Estática consideramos o ponto material como um corpo su- O sinal será definido pelo sistema de referência adotado: no
ficientemente pequeno para podermos admitir que todas as forças nosso caso, adotando um sistema em que os momentos sejam po-
que agem sobre o corpo se cruzem num mesmo. Para que este pon- sitivos no sentido horário, o momento total seria negativo, pois o
to material esteja em equilíbrio a somatória vetorial das forças que corpo tende a girar no sentido anti-horário:
nele atuam tem necessariamente de ser nula.

Ou:
A unidade do momento de uma força é o newton∙metro ou
N∙m.
Então, para o corpo permanecer estático, além das duas equa-
ções do ponto:

7
FÍSICA
1. Massa Específica; Densidade
Ao se afirmar que a massa específica da água é de 1000 kg/m³
estamos informando que 1 m³ de água possui uma massa de 1000
kg. Isto nos permite deduzir a definição de massa específica, que é a
relação entre a massa e o volume ocupado por essa massa:

Uma terceira condição deve ser imposta: a somatória dos mo-


mentos deve ser nula:

Nota: considera-se que todas as forças e momentos pertençam A massa específica é definida para corpos homogêneos. Já para
ao mesmo plano. os corpos não homogêneos essa relação é denominada densidade:

3. Alavancas
Ao se utilizar o princípio da estática e da somatória dos mo-
mentos nulos pode-se analisar uma das primeiras máquinas sim-
ples inventada pelo homem: a alavanca.
Veja o esquema abaixo onde a barra está equilibrada:

2. Pressão
A pressão é definida como a aplicação de uma força distribuída
sobre uma área:

Nesse exemplo, ao se imaginar uma gangorra apoiada na dis-


tância de 8 m nota-se que uma força de 50N provoca uma ação na A unidade de medida da pressão é newton por metro quadrado
outra ponta de 200 N ampliando em 4 vezes a ação inicial. Para isto, (N/m²). A pressão pode também ser exercida entre dois sólidos. No
basta comparar os momentos das duas forças nas extremidades em caso dos fluídos o newton por metro quadrado é também denomi-
relação ao apoio, e constatar que eles se equilibram, pois têm o nado pascal (Pa).
mesmo valor e sinais opostos (a força à esquerda tende a fazer a
barra girar no sentido anti-horário e a da extremidade direita no 3. Princípio de Stevin
sentido horário). Assim: O princípio de Stevin nos permite calcular a pressão em um
50 N x 8 m= 200 N x 2 m líquido em repouso, estando com sua superfície livre em contato
com a atmosfera:
Com isso pode-se amplificar ações de forças com a utilização
dessa máquina simples, provavelmente pré-histórica.

Hidrostática
A Hidrostática é a parte da Física que estuda os fluídos (tanto
líquidos como os gasosos) em repouso, ou seja, que não estejam
em escoamento (movimento).
Além do estudo dos fluídos propriamente ditos, serão estuda-
das as forças que esses fluídos exercem sobre corpos neles imersos,
seja em imersão parcial, como no caso de objetos flutuantes, como
os totalmente submersos.

8
FÍSICA
Uma das consequências do princípio de Stevin é: 6. Princípio de Arquimedes
“Em um líquido em equilíbrio, a pressões são iguais em todos Deve-se também a Arquimedes a definição da força de Empuxo
os pontos da mesma horizontal”. gerada por um corpo imerso em um fluído. “A força de empuxo de
um corpo imerso em um fluído é igual ao peso do fluído deslocado”.
4. Pressão atmosférica
No planeta Terra em qualquer parte de sua superfície os corpos
estão envoltos em um fluído gasoso, o ar. Como todo fluído ele cau-
sa uma pressão nos corpos nele imersos.
A pressão atmosférica deve ser expressa em Pa (N/m²). Mas
outras unidades podem ser encontradas:
– atmosfera (atm)
– milímetros de mercúrio (mmHg) ou centímetros de mercúrio
(cmHg)
– metros de coluna de água (mca).

Então, é possível relacionar as várias medidas comparando-se


os valores da pressão atmosférica ao nível do mar: Se o empuxo for maior que a força peso do corpo, a tendência
1 atm = 101325 Pa = 10,2 mca = 760 mmHg do corpo é de subir com aceleração. No caso de o peso ser menor
que o empuxo, a tendência é de o corpo descer com aceleração. No
5. Princípio de Pascal caso do empuxo ser igual à força peso o corpo terá a tendência de
O Princípio de Pascal afirma que: “Um acréscimo de pressão permanecer parado.
exercido em qualquer ponto de um fluído é transmitido para todo o
fluído”. Com esse princípio é possível construir e dimensionar ma- Nota: ao contrário do que se vê em muitos filmes e da crença
cacos hidráulicos, prensas hidráulicas, etc. geral, um submarino ao tentar emergir não solta subitamente toda
a água armazenada em seus tanques de lastro. Isso provocaria uma
subida acelerada difícil de ser controlada. A liberação do lastro de
seus tanques é feita de forma controlada, de modo a manter a for-
ça de empuxo igual à força peso, e com isto conseguir uma subida
gradual, com velocidade constante. O controle é feito pela hélice de
propulsão em conjunto com as aletas controladoras de movimento
vertical.

Gravitação Universal
A Lei da Gravitação Universal estabelece que, se dois corpos
possuem massa, eles sofrem a ação de uma força atrativa propor-
cional ao produto de suas massas e inversamente proporcional a
sua distância.

Resumo sobre a Lei da Gravitação Universal


Como a pressão é igual em todos os pontos do fluído e supon- • Todos os corpos do universo atraem-se mutuamente com
do a área do pistão da direita sendo 5 vezes maior que o da esquer- uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente
da tem-se: proporcional ao quadrado de sua distância;
• A Lei da Gravitação Universal é definida em termos
da Constante de Gravitação Universal, cujo módulo é igual a
6,67408.10-11 N.kg²/m²;
• A Lei da Gravitação Universal foi descoberta e desenvolvi-
da pelo físico inglês Isaac Newton e foi capaz de prever os raios das
Dessa maneira uma força F_1 será, no exemplo, amplificada órbitas de diversos astros, bem como explicar teoricamente a lei
(F_2 ) cinco vezes. Esse seria a versão hidráulica da alavanca mecâ- empírica descoberta por Johannes Kepler que relaciona o período
nica concebida por Arquimedes. orbital ao raio da órbita de dois corpos que se atraem gravitacio-
nalmente.

Introdução à Gravitação Universal


A Lei da Gravitação Universal é uma lei física que foi descoberta
pelo físico inglês Isaac Newton. Ela é utilizada para calcular o módu-
lo da atração gravitacional existente entre dois corpos dotados de
massa. A força gravitacional é sempre atrativa e age na direção de
uma linha imaginária que liga dois corpos. Além disso, em respeito
à Terceira Lei de Newton, conhecida como Lei da Ação e Reação, a
força de atração é igual para os dois corpos interagentes, indepen-
dente de suas massas. De acordo com Isaac Newton:

9
FÍSICA
“Dois corpos atraem-se por uma força que é diretamente pro-
porcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional
ao quadrado da distância que os separa.”
Por meio da proposição da Lei da Gravitação Universal, foi pos-
sível predizer o raio das órbitas planetárias, o período de asteroi-
des, eventos astronômicos como eclipses, determinação da massa
e raio de planetas e estrelas etc.

Fórmula da Gravitação Universal


A principal fórmula utilizada na gravitação universal estabelece
que o módulo da força gravitacional entre duas massas é propor-
cional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao Gravitação Universal e a Terceira Lei de Kepler
quadrado da distância entre elas. A expressão utilizada para o cál- Um dos indicadores de sucesso da Lei da Gravitação Universal
culo da força gravitacional é esta: foi a sua capacidade de reproduzir a famosa relação matemática
descoberta empiricamente por Johannes Kepler, conhecida como
Lei Harmônica:

Legenda:
|F| – módulo da força de atração gravitacional (N – Newton) Para tanto, basta recordar que a força de atração gravitacional
G – constante de gravitação universal (6,67408.10-11N.kg²/m²) aponta sempre na direção que liga os dois corpos, tratando-se, por-
M – massa gravitacional ativa (kg – quilogramas) tanto, de um tipo de força central, assim como a força centrípeta,
m – massa gravitacional passiva (kg – quilogramas) que atua nos corpos em movimento circular. Assim:
d² – distância entre as massas ao quadrado (m²)

Chamamos de peso a força de atração gravitacional que uma


massa exerce sobre outra. Além disso, são denominadas de massa
gravitacional ativa e passiva a massa que produz um campo gravita-
cional ao seu redor e a massa que é atraída por tal campo gravita-
cional, respectivamente.
A força peso, ou simplesmente o peso de um corpo sujeito a
uma gravidade de módulo g, é dada por:

Legenda:
P – módulo da força peso (N – Newton)
m – massa gravitacional passiva (kg – quilogramas)
g – módulo da gravidade local (m/s² – metro por segundo ao
quadrado)

Comparando as duas equações acima, podemos perceber que Legenda:


a gravidade de um corpo pode ser calculada pela fórmula a seguir: v – velocidade de translação do corpo (m/s – metros por se-
gundo)
ω – velocidade angular (rad/s – radianos por segundo)
T – período de translação (s – segundos)

A fórmula indica que a razão do quadrado do período de trans-


lação de um corpo em torno de sua massa gravitacional ativa (por
exemplo, a translação da Terra em torno do Sol) pelo cubo do raio
médio da órbita (distância média entre a Terra e Sol, por exemplo)
A fórmula acima mostra que a gravidade de um planeta, es- tem módulo constante, que depende da constante de gravitação
trela ou qualquer que seja o corpo depende de sua massa (M), da universal (G) e da massa gravitacional ativa M (a massa do Sol, por
constante de gravitação universal (G) e do inverso do quadrado da exemplo).
distância em que nos encontramos até o centro desse corpo (d),
que, no caso de corpos esféricos, é o seu próprio raio. Constante de gravitação universal
A Terra, por exemplo, possui massa de 5,972.1024 kg e raio mé- A constante de gravitação universal é uma constante de pro-
dio de 6371 km (6,371.106 m), logo, podemos calcular o valor médio porcionalidade de módulo igual a 6,67408.10-11N.kg²/m², presente na
da gravidade na sua superfície: Lei da Gravitação Universal e usada para igualar a razão do produ-
to da massa de dois corpos pelo quadrado de sua distância com o
módulo da força de atração entre eles. A constante de gravitação
universal é dada, em unidades do Sistema Internacional de Unida-
des, em N.m²/kg².

10
FÍSICA
A constante da gravitação universal foi determinada entre 1797 e 1798 pelo experimento da balança de torção, realizado pelo físico
e químico britânico Henry Cavendish. O experimento tinha como objetivo inicial a determinação da densidade da Terra, mas na época
também pôde determinar a constante da gravitação universal com menos de 1% de erro em relação ao valor conhecido atualmente.

Veja um exemplo:
A lua é um satélite natural que orbita o planeta Terra pela ação da grande força gravitacional exercida pela gravidade terrestre. Sendo
a massa da Terra igual a 5,972.1024 kg, a massa da lua 7,36.1022 kg e a distância média entre a Terra e a Lua igual a 384.400 km (3,84.108
m), determine:

Dados: G = 6,67408.10-11 N.m²/kg²


a) a força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua
b) a força gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra
c) o módulo da aceleração adquirida pela Lua e pela Terra

Resolução
a) Para calcular a atração gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua, usaremos a Lei da Gravitação Universal:

b) De acordo com a Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação, se a Terra exerce uma força de ação sobre a Lua, esta deve exercer
uma força atrativa sobre a Terra de mesmo módulo e direção, porém, no sentido oposto, logo, a força que a Lua faz sobre a Terra também
é de 20.1019 N.
c) Se nos lembrarmos da Segunda Lei de Newton, que nos diz que o módulo da força resultante sobre um corpo é igual ao produto de
sua massa pela sua aceleração, podemos calcular a aceleração adquirida pela Lua e pela Terra facilmente. Observe:

Os valores de aceleração calculados acima mostram que, apesar de as forças de atração serem iguais para a Terra e para a Lua, a ace-
leração adquirida por cada uma é diferente. Além disso, fazendo a razão entre os dois valores, vemos que a aceleração que a Lua sofre é
cerca de 81 vezes maior que a sofrida pela Terra.

TERMOLOGIA: CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE TERMOLOGIA, TERMOMETRIA, CALORIMETRIA, MUDANÇAS DE


FASE, DIAGRAMAS DE FASE, PROPAGAÇÃO DO CALOR, DILATAÇÃO TÉRMICA DE SÓLIDOS E LÍQUIDOS, GASES IDEAIS
E TERMODINÂMICA

Termologia (termo = calor, logia = estudo) é a parte da Física encarregada de estudar o calor e seus efeitos sobre a matéria. A termolo-
gia está intimamente ligada à energia térmica, estudando a transmissão dessa energia e os efeitos produzidos por ela quando é fornecida
ou retirada de um corpo.
Temperatura é a grandeza que mede o estado de agitação das moléculas. Quanto mais quente estiver uma matéria, mais agitadas
estarão suas moléculas. Assim, a temperatura é o fator que mede a agitação dessas moléculas, determinando se uma matéria está quente,
fria, etc.
Calor é a energia que flui de um corpo com maior temperatura para outro de menor temperatura. Como sabemos, a unidade de re-
presentação de qualquer forma de energia é o joule (J), porém, para designar o calor, é adotada uma unidade prática denominada caloria,
em que 1 cal = 4,186 J.

11
FÍSICA
Equilíbrio térmico é o estado em que a temperatura de dois ou Escala Kelvin
mais corpos são iguais. Assim, quando um corpo está em equilíbrio Também conhecida como escala absoluta, foi verificada pelo
térmico em relação a outro, cessam os fluxos de troca de calor en- físico inglês William Thompson (1824-1907), também conhecido
tre eles. Ex.: Quando uma xícara de café é deixada por certo tempo como Lorde Kelvin. Esta escala tem como referência a temperatura
sobre uma mesa, ela esfriará até entrar em equilíbrio térmico com do menor estado de agitação de qualquer molécula (0 K) e é calcu-
o ambiente em que está. lada a partir da escala Celsius.
Por convenção, não se usa “grau” para esta escala, ou seja 0
TERMOMETRIA K, lê-se zero kelvin e não zero grau kelvin. Em comparação com a
Chamamos de Termologia a parte da física que estuda os fenô- escala Celsius:
menos relativos ao calor, aquecimento, resfriamento, mudanças de
estado físico, mudanças de temperatura, etc. -273 °C = 0 K
0 °C = 273 K
Termometria é a parte da termologia voltada para o estudo da 100 °C = 373 K
temperatura, dos termômetros e das escalas termométricas.
• Conversões entre escalas
• Temperatura Para que seja possível expressar temperaturas dadas em uma
Temperatura é a grandeza que caracteriza o estado térmico de certa escala para outra qualquer deve-se estabelecer uma conven-
um corpo ou sistema. ção geométrica de semelhança.
Fisicamente o conceito dado a quente e frio é um pouco dife- Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer dada em
rente do que costumamos usar no nosso cotidiano. Podemos de- escala Fahrenheit para escala Celsius:
finir como quente um corpo que tem suas moléculas agitando-se
muito, ou seja, com alta energia cinética. Analogamente, um corpo
frio, é aquele que tem baixa agitação das suas moléculas.
Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema pode-se
dizer que está se aumentando o estado de agitação de suas molé-
culas.
Ao tirarmos uma garrafa de água mineral da geladeira ou ao
retirar um bolo de um forno, percebemos que após algum tempo,
ambas tendem a chegar à temperatura do ambiente. Ou seja, a
água “esquenta” e o bolo “esfria”. Quando dois corpos ou sistemas
atingem o mesma temperatura, dizemos que estes corpos ou siste-
mas estão em equilíbrio térmico.

• Escalas Termométricas
Para que seja possível medir a temperatura de um corpo, foi
desenvolvido um aparelho chamado termômetro.
O termômetro mais comum é o de mercúrio, que consiste em Pelo princípio de semelhança geométrica:
um vidro graduado com um bulbo de paredes finas que é ligado a
um tubo muito fino, chamado tubo capilar.
Quando a temperatura do termômetro aumenta, as molécu-
las de mercúrio aumentam sua agitação fazendo com que este se
dilate, preenchendo o tubo capilar. Para cada altura atingida pelo
mercúrio está associada uma temperatura.
A escala de cada termômetro corresponde a este valor de al-
tura atingida.

Escala Celsius
É a escala usada no Brasil e na maior parte dos países, oficiali-
zada em 1742 pelo astrônomo e físico sueco Anders Celsius (1701-
1744). Esta escala tem como pontos de referência a temperatura de
congelamento da água sob pressão normal (0 °C) e a temperatura
de ebulição da água sob pressão normal (100 °C).

Escala Fahrenheit
Outra escala bastante utilizada, principalmente nos países de
língua inglesa, criada em 1708 pelo físico alemão Daniel Gabriel
Fahrenheit (1686-1736), tendo como referência a temperatura de
uma mistura de gelo e cloreto de amônia (0 °F) e a temperatura do
corpo humano (100 °F).
Em comparação com a escala Celsius:
0 °C = 32 °F
100 °C = 212 °F

12
FÍSICA
Exemplo:
Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a temperatura 100 °F?

Da mesma forma, pode-se estabelecer uma conversão Celsius-Fahrenheit:

E para escala Kelvin:

Algumas temperaturas:

13
FÍSICA

CALORIMETRIA

Calor
Quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes em contato, podemos observar que a temperatura do corpo “mais
quente” diminui, e a do corpo “mais frio” aumenta, até o momento em que ambos os corpos apresentem temperatura igual. Esta reação é
causada pela passagem de energia térmica do corpo “mais quente” para o corpo “mais frio”, a transferência de energia é o que chamamos
calor.
Calor é a transferência de energia térmica entre corpos com temperaturas diferentes.
A unidade mais utilizada para o calor é caloria (cal), embora sua unidade no SI seja o joule (J). Uma caloria equivale a quantidade de
calor necessária para aumentar a temperatura de um grama de água pura, sob pressão normal, de 14,5 °C para 15,5 °C.

A relação entre a caloria e o joule é dada por:


1 cal = 4,186J

Partindo daí, podem-se fazer conversões entre as unidades usando regra de três simples.
Como 1 caloria é uma unidade pequena, utilizamos muito o seu múltiplo, a quilocaloria.
1 kcal = 10³cal

Calor sensível
É denominado calor sensível, a quantidade de calor que tem como efeito apenas a alteração da temperatura de um corpo.
Este fenômeno é regido pela lei física conhecida como Equação Fundamental da Calorimetria, que diz que a quantidade de calor sen-
sível (Q) é igual ao produto de sua massa, da variação da temperatura e de uma constante de proporcionalidade dependente da natureza
de cada corpo denominada calor específico.
Assim:

Onde:
Q = quantidade de calor sensível (cal ou J).
c = calor específico da substância que constitui o corpo (cal/g°C ou J/kg°C).
m = massa do corpo (g ou kg).
Δθ = variação de temperatura (°C).
É interessante conhecer alguns valores de calores específicos:

Substância c (cal/g°C)
Alumínio 0,219
Água 1,000
Álcool 0,590
Cobre 0,093
Chumbo 0,031
Estanho 0,055
Ferro 0,119
Gelo 0,550
Mercúrio 0,033
Ouro 0,031
Prata 0,056
Vapor d’água 0,480
Zinco 0,093

14
FÍSICA
Quando:
Q>0: o corpo ganha calor.
Q<0: o corpo perde calor.
Exemplo:
Qual a quantidade de calor sensível necessária para aquecer uma barra de ferro de 2kg de 20°C para 200 °C? Dado: calor específico
do ferro = 0,119cal/g°C.
2 kg = 2000 g

Calor latente
Nem toda a troca de calor existente na natureza se detém a modificar a temperatura dos corpos. Em alguns casos há mudança de
estado físico destes corpos. Neste caso, chamamos a quantidade de calor calculada de calor latente.
A quantidade de calor latente (Q) é igual ao produto da massa do corpo (m) e de uma constante de proporcionalidade (L).
Assim:

A constante de proporcionalidade é chamada calor latente de mudança de fase e se refere a quantidade de calor que 1 g da substância
calculada necessita para mudar de uma fase para outra.
Além de depender da natureza da substância, este valor numérico depende de cada mudança de estado físico.
Por exemplo, para a água:

Calor latente de fusão 80cal/g

Calor latente de vaporização 540cal/g

Calor latente de solidificação -80cal/g

Calor latente de condensação -540cal/g

Quando:
Q>0: o corpo funde ou vaporiza.
Q<0: o corpo solidifica ou condensa.

Exemplo:
Qual a quantidade de calor necessária para que um litro de água vaporize? Dado: densidade da água=1g/cm³ e calor latente de vapo-
rização da água = 540 cal/g.

Assim:

15
FÍSICA
Curva de aquecimento
Ao estudarmos os valores de calor latente, observamos que estes não dependem da variação de temperatura. Assim podemos elabo-
rar um gráfico de temperatura em função da quantidade de calor absorvida. Chamamos este gráfico de Curva de Aquecimento:

Trocas de Calor
Para que o estudo de trocas de calor seja realizado com maior precisão, este é realizado dentro de um aparelho chamado calorímetro,
que consiste em um recipiente fechado incapaz de trocar calor com o ambiente e com seu interior.
Dentro de um calorímetro, os corpos colocados trocam calor até atingir o equilíbrio térmico. Como os corpos não trocam calor com o
calorímetro e nem com o meio em que se encontram, toda a energia térmica passa de um corpo ao outro.
Como, ao absorver calor Q>0 e ao transmitir calor Q<0, a soma de todas as energias térmicas é nula, ou seja:
ΣQ=0

(lê-se que somatório de todas as quantidades de calor é igual a zero)

Sendo que as quantidades de calor podem ser tanto sensível como latente.

Exemplo:
Qual a temperatura de equilíbrio entre uma bloco de alumínio de 200g à 20°C mergulhado em um litro de água à 80°C? Dados calor
específico: água=1cal/g°C e alumínio = 0,219cal/g°C.

Repare que, neste exemplo, consideramos a massa da água como 1000g, pois temos 1 litro de água.

16
FÍSICA
Capacidade térmica Aplicando a equação do fluxo de calor:
É a quantidade de calor que um corpo necessita receber ou
ceder para que sua temperatura varie uma unidade.
Então, pode-se expressar esta relação por:

Sua unidade usual é cal/°C.


A capacidade térmica de 1g de água é de 1cal/°C já que seu
calor específico é 1cal/g.°C. Condução Térmica
É a situação em que o calor se propaga através de um «condu-
Transmissão de Calor tor». Ou seja, apesar de não estar em contato direto com a fonte de
Em certas situações, mesmo não havendo o contato físico en- calor um corpo pode ser modificar sua energia térmica se houver
tre os corpos, é possível sentir que algo está mais quente. Como condução de calor por outro corpo, ou por outra parte do mesmo
quando chega-se perto do fogo de uma lareira. Assim, concluímos corpo.
que de alguma forma o calor emana desses corpos “mais quentes” Por exemplo, enquanto cozinha-se algo, se deixarmos uma co-
podendo se propagar de diversas maneiras. lher encostada na panela, que está sobre o fogo, depois de um tem-
Como já vimos anteriormente, o fluxo de calor acontece no po ela esquentará também.
sentido da maior para a menor temperatura. Este fenômeno acontece, pois, ao aquecermos a panela, suas
Este trânsito de energia térmica pode acontecer pelas seguin- moléculas começam a agitar-se mais, como a panela está em con-
tes maneiras: tato com a colher, as moléculas em agitação maior provocam uma
• condução; agitação nas moléculas da colher, causando aumento de sua ener-
• convecção; gia térmica, logo, o aquecimento dela.
• irradiação. Também é por este motivo que, apesar de apenas a parte infe-
rior da panela estar diretamente em contato com o fogo, sua parte
Fluxo de Calor superior também esquenta.
Para que um corpo seja aquecido, normalmente, usa-se uma
fonte térmica de potência constante, ou seja, uma fonte capaz de Convecção Térmica
fornecer uma quantidade de calor por unidade de tempo. A convecção consiste no movimento dos fluidos, e é o princípio
Definimos fluxo de calor (Φ) que a fonte fornece de maneira fundamental da compreensão do vento, por exemplo.
constante como o quociente entre a quantidade de calor (Q) e o O ar que está nas planícies é aquecido pelo sol e pelo solo, as-
intervalo de tempo de exposição (Δt): sim ficando mais leve e subindo. Então as massas de ar que estão
nas montanhas, e que está mais frio que o das planícies, toma o
lugar vago pelo ar aquecido, e a massa aquecida se desloca até os
lugares mais altos, onde resfriam. Estes movimentos causam, entre
outros fenômenos naturais, o vento.
Formalmente, convecção é o fenômeno no qual o calor se pro-
Sendo a unidade adotada para fluxo de calor, no sistema inter- paga por meio do movimento de massas fluidas de densidades di-
nacional, o Watt (W), que corresponde a Joule por segundo, embo- ferentes.
ra também sejam muito usada a unidade caloria/segundo (cal/s)
e seus múltiplos: caloria/minuto (cal/min) e quilocaloria/segundo Irradiação Térmica
(kcal/s). É a propagação de energia térmica que não necessita de um
meio material para acontecer, pois o calor se propaga através de
Exemplo: ondas eletromagnéticas.
Uma fonte de potência constante igual a 100W é utilizada para Imagine um forno microondas. Este aparelho aquece os ali-
aumentar a temperatura 100g de mercúrio 30°C. Sendo o calor es- mentos sem haver contato com eles, e ao contrário do forno à gás,
pecífico do mercúrio 0,033cal/g.°C e 1cal=4,186J, quanto tempo a não é necessário que ele aqueça o ar. Enquanto o alimento é aque-
fonte demora para realizar este aquecimento? cido há uma emissão de microondas que fazem sua energia térmica
aumentar, aumentando a temperatura.
O corpo que emite a energia radiante é chamado emissor ou
radiador e o corpo que recebe, o receptor.

Estudo dos gases


Com exceção dos gases nobres, que são formados por áto-
mos isolados a maioria dos gases são compostos moleculares. Fi-
sicamente, os gases possuem grande capacidade de compressão e
expansão, não possuindo nem forma nem volume definidos, pois
ocupam o volume a forma do recipiente que os contém.

17
FÍSICA
Há uma diferença entre gás e vapor: o vapor é capaz de exis- O número de mols do gás é calculado utilizando-se sua massa
tir em equilíbrio com a substância em estado líquido e até mesmo molar, encontrado em tabelas periódicas e através da constante de
sólido; o gás, por sua vez, é um estado fluido impossível de se li- Avogadro.
quefazer.

Gases
Gases são fluidos no estado gasoso. A característica que os dife- Utilizando-se da relação que em 1mol de moléculas de uma
re dos fluidos líquidos é que, quando colocados em um recipiente, substância há moléculas desta substância.
estes têm a capacidade de ocupá-lo totalmente. A maior parte dos
elementos químicos não-metálicos conhecidos são encontrados no Transformação Isotérmica
seu estado gasoso, em temperatura ambiente. A palavra isotérmica se refere à mesma temperatura. Logo,
As moléculas do gás, ao se movimentarem, colidem com as ou- uma transformação isotérmica de um gás ocorre quando a tempe-
tras moléculas e com as paredes do recipiente onde se encontram, ratura inicial é conservada.
exercendo uma pressão, chamada de pressão do gás. A lei física que expressa essa relação é conhecida com Lei de
Boyle e é matematicamente expressa por:
Esta pressão tem relação com o volume do gás e à temperatura
absoluta.
Ao ter a temperatura aumentada, as moléculas do gás aumen-
tam sua agitação, provocando mais colisões. Onde:
Ao aumentar o volume do recipiente, as moléculas tem mais p=pressão
espaço para se deslocar, logo, as colisões diminuem, diminuindo a V=volume
pressão.
Utilizando os princípios da mecânica Newtoniana é possível es- =constante que depende da massa, temperatura e nature-
tabelecer a seguinte relação: za do gás.

Como esta constante é a mesma para um mesmo gás, ao ser


transformado, é válida a relação:

Onde:
p=pressão
m=massa do gás
v=velocidade média das moléculas Exemplo:
V=volume do gás. Certo gás contido em um recipiente de 1m³ com êmbolo exerce
uma pressão de 250Pa. Ao ser comprimido isotermicamente a um
Gás perfeito ou ideal volume de 0,6m³ qual será a pressão exercida pelo gás?
É considerado um gás perfeito quando são presentes as seguin-
tes características:
• o movimento das moléculas é regido pelos princípios da
mecânica Newtoniana;
• os choques entre as moléculas são perfeitamente elásti-
cos, ou seja, a quantidade de movimento é conservada;
• não há atração e nem repulsão entre as moléculas;
• o volume de cada molécula é desprezível quando compa-
rado com o volume total do gás. Transformação Isobárica
Analogamente à transformação isotérmica, quando há uma
Energia cinética de um gás transformação isobárica, a pressão é conservada.
Devido às colisões entre si e com as paredes do recipiente, as Regida pela Lei de Charles e Gay-Lussac, esta transformação
moléculas mudam a sua velocidade e direção, ocasionando uma va- pode ser expressa por:
riação de energia cinética de cada uma delas. No entanto, a energia
cinética média do gás permanece a mesma.
Novamente utilizando-se conceitos da mecânica Newtoniana
estabelece-se: Onde:
V=volume;
T=temperatura absoluta;

=constante que depende da pressão, massa e natureza do


gás.
Onde: Assim, quando um mesmo gás muda de temperatura ou volu-
n=número molar do gás (nº de mols) me, é válida a relação:
R=constante universal dos gases perfeitos (R=8,31J/mol.K)
T=temperatura absoluta (em Kelvin)

18
FÍSICA
Exemplo: Exemplo:
Um gás de volume 0,5m³ à temperatura de 20ºC é aquecido até Um gás que se encontra à temperatura de 200K é aquecido até
a temperatura de 70ºC. Qual será o volume ocupado por ele, se esta 300K, sem mudar de volume. Se a pressão exercida no final do pro-
transformação acontecer sob pressão constante? cesso de aquecimento é 1000Pa, qual era a pressão inicial?
É importante lembrarmos que a temperatura considerada deve
ser a temperatura absoluta do gás (escala Kelvin) assim, o primeiro
passo para a resolução do exercício é a conversão de escalas ter-
mométricas:
Lembrando que:

Equação de Clapeyron
Relacionando as Leis de Boyle, Charles Gay-Lussac e de Charles
é possível estabelecer uma equação que relacione as variáveis de
estado: pressão (p), volume (V) e temperatura absoluta (T) de um
gás.
Então:
Esta equação é chamada Equação de Clapeyron, em homena-
gem ao físico francês Paul Emile Clapeyron que foi quem a estabe-
leceu.

Onde:
p=pressão;
V=volume;
n=nº de mols do gás;
R=constante universal dos gases perfeitos;
T=temperatura absoluta.

Transformação Isométrica Exemplo:


A transformação isométrica também pode ser chamada isocó- (1) Qual é o volume ocupado por um mol de gás perfeito sub-
rica e assim como nas outras transformações vistas, a isométrica se metido à pressão de 5000N/m², a uma temperatura igual a 50°C?
baseia em uma relação em que, para este caso, o volume se man-
tém.
Regida pela Lei de Charles, a transformação isométrica é mate-
maticamente expressa por: Dado: 1atm=100000N/m² e

Onde:
p=pressão;
T=temperatura absoluta do gás;
=constante que depende do volume, massa e da natureza
do gás.;

Como para um mesmo gás, a constante é sempre a mesma,


garantindo a validade da relação: Substituindo os valores na equação de Clapeyron:

Lei geral dos gases perfeitos


Através da equação de Clapeyron é possível obter uma lei que
relaciona dois estados diferentes de uma transformação gasosa,
desde que não haja variação na massa do gás.
Considerando um estado (1) e (2) onde:

19
FÍSICA
Como, para determinada massa de gás, n e R são constantes, a
variação da energia interna dependerá da variação da temperatura
absoluta do gás, ou seja,
• Quando houver aumento da temperatura absoluta ocor-
rerá uma variação positiva da energia interna .
Através da lei de Clapeyron: • Quando houver diminuição da temperatura absoluta, há
uma variação negativa de energia interna .
• E quando não houver variação na temperatura do gás, a
variação da energia interna será igual a zero .

Conhecendo a equação de Clepeyron, é possível compará-la a


equação descrita na Lei de Joule, e assim obteremos:

esta equação é chamada Lei geral dos gases perfeitos.

Termodinâmica
A Termodinâmica é a parte da Física que estuda principalmente
a transformação de energia térmica em trabalho. Trabalho

A utilização direta desses princípios em motores de combustão Trabalho de um gás


interna ou externa, faz dela uma importante teoria para os moto- Considere um gás de massa m contido em um cilindro com área
res de carros, caminhões e tratores, nas turbinas com aplicação em de base A, provido de um êmbolo.
aviões, etc.
Ao ser fornecida uma quantidade de calor Q ao sistema, este
Energia Interna sofrerá uma expansão, sob pressão constante, como é garantido
As partículas de um sistema têm vários tipos de energia, e a pela Lei de Gay-Lussac, e o êmbolo será deslocado.
soma de todas elas é o que chamamos Energia interna de um sis-
tema.
Para que este somatório seja calculado, são consideradas as
energias cinéticas de agitação , potencial de agregação, de ligação e
nuclear entre as partículas.
Nem todas estas energias consideradas são térmicas. Ao ser
fornecida a um corpo energia térmica, provoca-se uma variação na
energia interna deste corpo. Esta variação é no que se baseiam os
princípios da termodinâmica.
Se o sistema em que a energia interna está sofrendo variação
for um gás perfeito, a energia interna será resumida na energia de
translação de suas partículas, sendo calculada através da Lei de Jou-
le:

Onde:
U: energia interna do gás;
n: número de mol do gás;
R: constante universal dos gases perfeitos;
T: temperatura absoluta (kelvin).

20
FÍSICA
Assim como para os sistemas mecânicos, o trabalho do sistema Diagrama p x V
será dado pelo produto da força aplicada no êmbolo com o desloca- É possível representar a transformação isobárica de um gás
mento do êmbolo no cilindro: através de um diagrama pressão por volume:

Comparando o diagrama à expressão do cálculo do trabalho


realizado por um gás , é possível verificar que o trabalho
realizado é numericamente igual à área sob a curva do gráfico (em
azul na figura).
Com esta verificação é possível encontrar o trabalho realizado
por um gás com pressão variável durante sua tranformação, que é
calculado usando esta conclusão, através de um método de nível
acadêmico de cálculo integral, que consiste em uma aproximação
dividindo toda a área sob o gráfico em pequenos retângulos e tra-
Assim, o trabalho realizado por um sistema, em uma transfor- pézios.
mação com pressão constante, é dado pelo produto entre a pressão
e a variação do volume do gás.

Quando:
• o volume aumenta no sistema, o trabalho é positivo, ou
seja, é realizado sobre o meio em que se encontra (como por exem-
plo empurrando o êmbolo contra seu próprio peso);
• o volume diminui no sistema, o trabalho é negativo, ou
seja, é necessário que o sistema receba um trabalho do meio ex-
terno;
• o volume não é alterado, não há realização de trabalho
pelo sistema.

Exemplo:
(1) Um gás ideal de volume 12m³ sofre uma transformação,
permenecendo sob pressão constante igual a 250Pa. Qual é o volu-
me do gás quando o trabalho realizado por ele for 2kJ? 1ª Lei da Termodinâmica
Chamamos de 1ª Lei da Termodinâmica o princípio da conser-
vação de energia aplicada à termodinâmica, o que torna possível
prever o comportamento de um sistema gasoso ao sofrer uma
transformação termodinâmica.
Analisando o princípio da conservação de energia ao contexto
da termodinâmica:
Um sistema não pode criar ou consumir energia, mas apenas
armazená-la ou transferi-la ao meio onde se encontra, como tra-
balho, ou ambas as situações simultaneamente, então, ao receber
uma quantidade Q de calor, esta poderá realizar um trabalho e
aumentar a energia interna do sistema ΔU, ou seja, expressando
matematicamente:

Sendo todas as unidades medidas em Joule (J).

21
FÍSICA
Conhecendo esta lei, podemos observar seu comportamento para cada uma das grandezas apresentadas:

Exemplo:
(1) Ao receber uma quantidade de calor Q=50J, um gás realiza um trabalho igual a 12J, sabendo que a Energia interna do sistema antes
de receber calor era U=100J, qual será esta energia após o recebimento?

2ª Lei da Termodinâmica
Dentre as duas leis da termodinâmica, a segunda é a que tem maior aplicação na construção de máquinas e utilização na indústria,
pois trata diretamente do rendimento das máquinas térmicas.
Dois enunciados, aparentemente diferentes ilustram a 2ª Lei da Termodinâmica, os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck:

• Enunciado de Clausius:
O calor não pode fluir, de forma espontânea, de um corpo de temperatura menor, para um outro corpo de temperatura mais alta.
Tendo como consequência que o sentido natural do fluxo de calor é da temperatura mais alta para a mais baixa, e que para que o fluxo
seja inverso é necessário que um agente externo realize um trabalho sobre este sistema.

• Enunciado de Kelvin-Planck:
É impossível a construção de uma máquina que, operando em um ciclo termodinâmico, converta toda a quantidade de calor recebido
em trabalho.

Este enunciado implica que, não é possível que um dispositivo térmico tenha um rendimento de 100%, ou seja, por menor que seja,
sempre há uma quantidade de calor que não se transforma em trabalho efetivo.

Maquinas térmicas
As máquinas térmicas foram os primeiros dispositivos mecânicos a serem utilizados em larga escala na indústria, por volta do século
XVIII. Na forma mais primitiva, era usado o aquecimento para transformar água em vapor, capaz de movimentar um pistão, que por sua
vez, movimentava um eixo que tornava a energia mecânica utilizável para as indústrias da época.
Chamamos máquina térmica o dispositivo que, utilizando duas fontes térmicas, faz com que a energia térmica se converta em energia
mecânica (trabalho).

22
FÍSICA
Exemplo:
A fonte térmica fornece uma quantidade de calor que no
Um motor à vapor realiza um trabalho de 12kJ quando lhe é
dispositivo transforma-se em trabalho mais uma quantidade de
fornecido uma quantidade de calor igual a 23kJ. Qual a capacida-
calor que não é capaz de ser utilizado como trabalho .
de percentual que o motor tem de transformar energia térmica em
Assim é válido que:
trabalho?

Utiliza-se o valor absolutos das quantidade de calor pois, em


uma máquina que tem como objetivo o resfriamento, por exemplo,
estes valores serão negativos.
Neste caso, o fluxo de calor acontece da temperatura menor
para o a maior. Mas conforme a 2ª Lei da Termodinâmica, este flu-
xo não acontece espontaneamente, logo é necessário que haja um
trabalho externo, assim:

Ciclo de Carnot
Até meados do século XIX, acreditava-se ser possível a constru-
ção de uma máquina térmica ideal, que seria capaz de transformar
toda a energia fornecida em trabalho, obtendo um rendimento to-
tal (100%).
Para demonstrar que não seria possível, o engenheiro francês
Nicolas Carnot (1796-1832) propôs uma máquina térmica teórica
que se comportava como uma máquina de rendimento total, esta-
belecendo um ciclo de rendimento máximo, que mais tarde passou
a ser chamado Ciclo de Carnot.
Este ciclo seria composto de quatro processos, independente
da substância:

Rendimento das máquinas térmicas


Podemos chamar de rendimento de uma máquina a relação
entre a energia utilizada como forma de trabalho e a energia for-
necida:
Considerando:

=rendimento;

= trabalho convertido através da energia térmica fornecida;

=quantidade de calor fornecida pela fonte de aquecimento;

=quantidade de calor não transformada em trabalho.

Mas como constatado:


• Uma expansão isotérmica reversível. O sistema recebe
uma quantidade de calor da fonte de aquecimento (L-M)
• Uma expansão adiabática reversível. O sistema não troca
calor com as fontes térmicas (M-N)
• Uma compressão isotérmica reversível. O sistema cede
logo, podemos expressar o rendimento como:
calor para a fonte de resfriamento (N-O)
• Uma compressão adiabática reversível. O sistema não tro-
ca calor com as fontes térmicas (O-L)

Numa máquina de Carnot, a quantidade de calor que é forneci-


da pela fonte de aquecimento e a quantidade cedida à fonte de res-
friamento são proporcionais às suas temperaturas absolutas, assim:
O valor mínimo para o rendimento é 0 se a máquina não rea-
lizar nenhum trabalho, e o máximo 1, se fosse possível que a má-
quina transformasse todo o calor recebido em trabalho, mas como
visto, isto não é possível. Para sabermos este rendimento em per-
centual, multiplica-se o resultado obtido por 100%.

23
FÍSICA
Assim, o rendimento de uma máquina de Carnot é: A luz pode ser propagada em três diferentes tipos de meios.
Os meios transparentes permitem a passagem ordenada dos
raios de luz, dando a possibilidade de ver os corpos com nitidez.
Exemplos: vidro polido, ar atmosférico, etc.
e Nos meios translúcidos a luz também se propaga, porém de
Logo: maneira desordenada, fazendo com que os corpos sejam vistos sem
nitidez. Exemplos: vidro fosco, plásticos, etc.
Os meios opacos são aqueles que impedem completamente
a passagem de luz, não permitindo a visão de corpos através dos
mesmos. Exemplos: portas de madeira, paredes de cimento, pes-
Sendo: soas, etc.
Quando os raios de luz incidem em uma superfície, eles podem
= temperatura absoluta da fonte de resfriamento ser refletidos regular ou difusamente, refratados ou absorvidos
pelo meio em que incidem. A reflexão regular ocorre quando um
= temperatura absoluta da fonte de aquecimento raio de luz incide sobre uma superfície e é refletido de forma cilín-
drica, diferentemente da reflexão difusa, onde os feixes de luz são
Com isto se conclui que para que haja 100% de rendimento, refletidos em todas as direções.
todo o calor vindo da fonte de aquecimento deverá ser transforma- A refração da luz ocorre quando os feixes de luz mudam de
do em trabalho, pois a temperatura absoluta da fonte de resfria- velocidade e de direção quando passam de um meio para outro.
mento deverá ser 0K. A absorção é o fenômeno onde as superfícies absorvem parte ou
Partindo daí conclui-se que o zero absoluto não é possível para toda a quantidade de luz que é incidida.
um sistema físico.
FUNDAMENTOS
Exemplo:
Qual o rendimento máximo teórico de uma máquina à vapor, Luz - Comportamento e princípios
cujo fluido entra a 560ºC e abandona o ciclo a 200ºC? A luz, ou luz visível como é fisicamente caracterizada, é uma
forma de energia radiante. É o agente físico que, atuando nos ór-
gãos visuais, produz a sensação da visão.
Para saber mais...
Energia radiante é aquela que se propaga na forma de ondas
eletromagnéticas, dentre as quais se pode destacar as ondas de rá-
dio, TV, micro-ondas, raios X, raios gama, radar, raios infravermelho,
radiação ultravioleta e luz visível.
Uma das características das ondas eletromagnéticas é a sua ve-
locidade de propagação, que no vácuo tem o valor de aproximada-
mente 300 mil quilômetros por segundo, ou seja:

ÓPTICA: PRINCÍPIOS DA ÓPTICA GEOMÉTRICA, REFLE-


XÃO DA LUZ, ESPELHO PLANO, ESPELHOS ESFÉRICOS, Podendo ter este valor reduzido em meios diferentes do vácuo,
REFRAÇÃO LUMINOSA, LENTES ESFÉRICAS, INSTRU- sendo a menor velocidade até hoje medida para tais ondas quando
MENTOS ÓPTICOS, OLHO HUMANO E DEFEITOS DA atravessam um composto chamado condensado de Bose-Einstein,
VISÃO comprovada em uma experiência recente.

A luz que percebemos tem como característica sua frequência


Óptica é o ramo da física que estuda os fenômenos relaciona- que vai da faixa de (vermelho) até (violeta).
dos à luz. Devido ao fato do sentido da visão ser o que mais con- Esta faixa é a de maior emissão do Sol, por isso os órgãos visuais de
tribui para a aquisição do conhecimento, a óptica é uma ciência todos os seres vivos estão adaptados a ela, e não podem ver além
bastante antiga, surgindo a partir do momento em que as pessoas desta, como por exemplo, a radiação ultravioleta e infravermelha.
começaram a fazer questionamentos sobre o funcionamento da vi-
são e sua relação com os fenômenos ópticos. Divisões da Óptica
Os princípios fundamentais da óptica são: Óptica Física: estuda os fenômenos ópticos que exigem uma
1º - Princípio da Propagação Retilínea: a luz sempre se propa- teoria sobre a natureza das ondas eletromagnéticas.
ga em linha reta;
2º - Princípio da Independência de raios de luz: os raios de luz Óptica Geométrica: estuda os fenômenos ópticos em que apre-
são independentes, podendo até mesmo se cruzarem, não ocasio- sentam interesse as trajetórias seguidas pela luz.Fundamenta-se na
nando nenhuma mudança em relação à direção dos mesmos; noção de raio de luz e nas leis que regulamentam seu comporta-
3º - Princípio da Reversibilidade da Luz: a luz é reversível. Por mento. O estudo em nível de Ensino Médio restringe-se apenas a
exemplo, se vemos alguém através de um espelho, certamente essa esta parte da óptica.
pessoa também nos verá. Assim, os raios de luz sempre são capazes
de fazer o caminho na direção inversa.

24
FÍSICA
Conceitos básicos Quanto às suas dimensões, uma fonte pode ser classificada
como:
Raios de luz • Pontual ou puntiforme: uma fonte sem dimensões consi-
São a representação geométrica da trajetória da luz, indicando deráveis que emite infinitos raios de luz.
sua direção e o sentido da sua propagação. Por exemplo, em uma
fonte puntiforme são emitidos infinitos raios de luz, embora apenas
alguns deles cheguem a um observador.
Representa-se um raio de luz por um segmento de reta orienta-
do no sentido da propagação.

Feixe de luz
É um conjunto de infinitos raios de luz; um feixe luminoso pode
ser:
• Cônico convergente: os raios de luz convergem para um
ponto; • Extensa: uma fonte com dimensões consideráveis em re-
lação ao ambiente.

• Cônico divergente: os raios de luz divergem a partir de um


ponto;

Meios de propagação da luz


Os diferentes meios materiais comportam-se de forma diferen-
te ao serem atravessados pelos raios de luz, por isso são classifica-
dos em:

- Meio transparente
É um meio óptico que permite a propagação regular da luz, ou
seja, o observador vê um objeto com nitidez através do meio. Exem-
plos: ar, vidro comum, papel celofane, etc...

• Cilíndrico paralelo: os raios de luz são paralelos entre si. - Meio translúcido
É um meio óptico que permite apenas uma propagação irregu-
lar da luz, ou seja, o observador vê o objeto através do meio, mas
sem nitidez.

Fontes de luz
Tudo o que pode ser detectado por nossos olhos, e por outros
instrumentos de fixação de imagens como câmeras fotográficas, é a
luz de corpos luminosos que é refletida de forma difusa pelos cor-
pos que nos cercam.

Fonte de luz são todos os corpos dos quais se podem receber - Meio opaco
luz, podendo ser fontes primárias ou secundárias. É um meio óptico que não permite que a luz se propague, ou
• Fontes primárias: Também chamadas de corpos lumino- seja, não é possivel ver um objeto através do meio.
sos, são corpos que emitem luz própria, como por exemplo, o Sol,
as estrelas, a chama de uma vela, uma lâmpada acesa,... • Fenômenos ópticos
• Fontes secundárias: Também chamadas de corpos ilumi- Ao incidir sobre uma superfície que separa dois meios de pro-
nados, são os corpos que enviam a luz que recebem de outras fon- pagação, a luz sofre algum, ou mais do que um, dos fenômenos a
tes, como por exemplo, a Lua, os planetas, as nuvens, os objetos seguir:
visíveis que não têm luz própria,...

25
FÍSICA
Reflexão regular Princípio da independência dos raios de luz
A luz que incide na superfície e retorna ao mesmo meio, re- Quando os raios de luz se cruzam, estes seguem independente-
gularmente, ou seja, os raios incidentes e refletidos são paralelos. mente, cada um a sua trajetória.
Ocorre em superfícies metálicas bem polidas, como espelhos.
Reflexão difusa
A luz que incide sobre a superfície volta ao mesmo meio, de
forma irregular, ou seja, os raios incidentes são paralelos, mas os
refletidos são irregulares. Ocorre em superfícies rugosas, e é res-
ponsável pela visibilidade dos objetos.

Refração
A luz incide e atravessa a superfície, continuando a se propagar
no outro meio. Ambos os raios (incidentes e refratados) são parale-
los, no entanto, os raios refratados seguem uma trajetória inclinada
em relação aos incididos. Ocorre quando a superfície separa dois Princípio da propagação retilínea da luz
meios transparentes.
Todo o raio de luz percorre trajetórias retilíneas em meios
Absorção transparentes e homogêneos.
A luz incide na superfície, no entanto não é refletida e nem
refratada, sendo absorvida pelo corpo, e aquecendo-o. Ocorre em Para saber mais...
corpos de superfície escura. Um meio homogêneo é aquele que apresenta as mesmas ca-
racterísticas em todos os elementos de volume.
Ampliação Um meio isótropo, ou isotrópico, é aquele em que a velocidade
Ampliação óptica é a razão entre o tamanho aparente de um de propagação da luz e as demais propriedades ópticas indepen-
objeto (ou seu tamanho em uma imagem) e seu tamanho verdadei- dem da direção em que é realizada a medida.
ro, então é um número adimensional Um meio ordinário é aquele que é, ao mesmo tempo, transpa-
• Linear — Para imagens reais, como as projetadas em uma rente, homogêneo e isótropo, como por exemplo, o vácuo.
tela, tamanho significa uma dimensão linear (medida, por exemplo,
em milimetros ou polegadas A dispersão óptica (chamada também de dispersão cromáti-
• Ampliação angular — Para instrumentos ópticos com uma ca por causa das diferentes cores associadas aos comprimentos de
lente ocular, a dimensão linear da imagem vista na lente (imagem onda) é um resultado direto da refração e importantíssimo para o
virtual em distância infinita) não pode ser dada, então tamanho nosso cotidiano.
significa o ângulo subtendido pelo objeto no ponto focal (tamanho Esse fenômeno é, de certa forma, famoso por conta do arco-
angular). Estritamente falando, um poderia usar a tangente daquele -íris, que é o exemplo mais comum da dispersão cromática. Como
ângulo (na prática, isso só faz diferença se o ângulo é maior que visto na figura ao lado, um feixe de luz branca (formado por todas
poucos graus). Então, ampliação angular é dada por: ou quase todas as cores) é separado em feixes de cores diferentes
por causa da dispersão. O índice de refração é uma propriedade
que muda de um meio para outro; logo, a dispersão cromática é
mais acentuada em alguns materiais do que outros.

Difração e interferencia
A Óptica Física (interferência e difração) estuda os comprimen-
Onde é o ângulo subtendido pelo objeto no ponto focal da tos de onda luz (como onda) comparáveis às dimensões dos objetos
frente da lente objetiva e é o ângulo subtendido pela imagem pelo estudados.
ponto focal «de trás» da lente ocular. A difração é o espalhamento da onda.
• Exemplo: o tamanho angular da lua cheia é 0.5°. Em binó- Quando uma onda encontra um obstáculo que possui uma
culos com ampliação de 10x o ângulo subtendido parece ser de 5°. abertura de dimensões comparáveis ao comprimento de onda, par-
te da onda que passa pela abertura se espalha – é difratada – na
Por convenção, para lupas e microscópios ópticos, onde o ta- região que fica do outro lado do obstáculo.
manho do objeto é uma dimensão linear e o tamanho aparente é Interferência é um fenômeno descrito pelo cientista inglês Tho-
um ângulo, a ampliação é a razão entre o tamanho aparente visto mas Young, sendo que este fenômeno representa a superposição
pela lente ocular e o tamanho angular do objeto visto quando posto de duas ou mais ondas num mesmo ponto.Esta superposição pode
a distância convencional do observador de 25 cm do olho. ter um caráter de aniquilação, quando as fases não são as mesmas
Ampliação óptica é geralmente referido como “poder” (por (interferência destrutiva) ou pode ter um caráter de reforço quando
exemplo “poder de 10x”), no entanto isso pode gerar confusão com estão em fase (interferência construtiva).
poder óptico.
Sombra e penumbra
Quando um corpo opaco é colocado entre uma fonte de luz e
um anteparo, é possível delimitar regiões de sombra e penumbra.
A sombra é a região do espaço que não recebe luz direta da
fonte. Penumbra é a região do espaço que recebe apenas parte da
luz direta da fonte, sendo encontrada apenas quando o corpo opa-
co é posto sob influência de uma fonte extensa. Ou seja:

26
FÍSICA
• Fonte de luz puntiforme

• Fonte de luz extensa

Exemplo de filtros de polarização posicionados sobre uma


página de revista, com ângulo não perpendicular.

Os filtros polarizadores trabalham como uma fenda, onde a luz


normal que incide ao atravessar passe em somente um plano. Caso
sejam utilizados dois polarizadores como na figura 1 e seja feito o
Câmara escura de orifício alinhamento dos mesmos em ângulo não perpendicular, ou seja,
Uma câmara escura de orifício consiste em um equipamento que os ângulos não estejam defasados de 90°, a luz que passar pelo
formado por uma caixa de paredes totalmente opacas, sendo que primeiro e atinge o segundo filtro, poderemos ver o texto um pou-
no meio de uma das faces existe um pequeno orifício. co mais escuro, devido a polarização, mas em todo caso é possível
Ao colocar-se um objeto, de tamanho o, de frente para o orifí- observar o texto.
cio, a uma distância p, nota-se que uma imagem refletida, de tama-
nho i, aparece na face oposta da caixa, a uma distância p’, mas de Tipos de reflexão e refração
foma invertida. Conforme ilustra a figura: Reflexão é o fenômeno que consiste no fato de a luz voltar a se
propagar no meio de origem, após incidir sobre uma superfície de
separação entre dois meios.
Refração é o fenômeno que consiste no fato de a luz passar de
um meio para outro diferente.
Durante uma reflexão são conservadas a frequência e a veloci-
dade de propagação, enquanto durante a refração, apenas a frequ-
ência é mantida constante.

Reflexão e refração regular


Acontece quando, por exemplo, um feixe cilíndrico de luz atin-
Desta forma, a partir de uma semelhança geométrica pode-se ge uma superfície totalmente lisa, ou tranquila, desta forma, os fei-
expressar a seguinte equação: xes refletidos e refratados também serão cilíndricos, logo os raios
de luz serão paralelos entre si.

Reflexão e refração difusa


Acontece quando, por exemplo, um feixe cilíndrico de luz atinge
Esta é conhecida como a equação da câmara escura. uma superfície rugosa, ou agitada, fazendo com que os raios de luz
refletidos e refratados tenham direção aleatória por todo o espaço.
Polarização da Luz
As ondas polarizadas podem ser produzidas a partir de ondas Reflexão e refração seletiva
não polarizadas através de fenômenos como: absorção, espalha- A luz branca que recebemos do sol, ou de lâmpadas fluorescen-
mento, reflexão e birrefringência. tes, por exemplo, é policromática, ou seja, é formada por mais de
Existem diversas substâncias, materiais que ao serem atingidos uma luz monocromática, no caso do sol, as sete do arco-íris: verme-
pelos feixes de luz deixam passar apenas uma parte da onda lu- lho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
minosa, esse acontecimento é denominado como polarização da Sendo assim, um objeto ao ser iluminado por luz branca “sele-
luz. A luz que antes estava perturbada, se propagando em diversos ciona” no espectro solar as cores que vemos, e as refletem de forma
planos e passa a propagar em apenas um único plano. difusa, sendo assim, vistas por nós.
Se um corpo é visto branco, é porque ele reflete todas as cores
do espectro solar.
Se um corpo é visto vermelho, por exemplo, ele absorve todas
as outras cores do espectro, refletindo apenas o vermelho.
Se um corpo é “visto” negro, é por que ele absorve todas as
cores do espectro solar.

27
FÍSICA
Chama-se filtro de luz a peça, normalmente acrílica, que deixa
passar apenas um das cores do espectro solar, ou seja, um filtro
vermelho, faz com que a única cor refratada de forma seletiva seja
a vermelha.
Para saber mais...
É muito comum o uso de filtros de luz na astronomia para ob-
servar estrelas, já que estas apresentam diferentes cores, conforme
sua temperatura e distância da Terra, principalmente.

Ponto imagem e ponto objeto


Chama-se ponto objeto, relativamente a um sistema óptico, o
vértice do feixe de luz que incide sobre um objeto ou uma superfí-
cie, sendo dividido em três tipos principais: Sistemas ópticos estigmáticos, aplanéticos e ortoscópicos
• Ponto objeto real (POR): é o vértice de um feixe de luz di- • Um sistema óptico é estigmático quando cada ponto obje-
vergente, sendo formado pelo cruzamento efetivo dos raios de luz. to conjuga apenas um ponto imagem.
• Ponto objeto virtual (POV): é o vértice de um feixe de luz • Um sistema óptico é aplanético quando um objeto plano
convergente, sendo formado pelo cruzamento imaginário do pro- e frontal também conjuga uma imagem plana e frontal.
longamente dos raios de luz. • Um sistema óptico é ortoscópico quando uma imagem é
• Ponto objeto impróprio (POI): é o vértice de um feixe de conjugada semelhante a um objeto.
luz cilíndrico, ou seja, se situa no infinito. O único sistema óptico estigmático, aplanético e ortoscópico
para qualquer posição do objeto é o espelho plano.
Chama-se ponto imagem, relativamente a um sistema óptico,
o vértice de um feixe de luz emergente, ou seja, após ser incidido. REFLEXÃO DA LUZ
• Ponto imagem real (PIR): é o vértice de um feixe de luz Reflexão é o fenômeno que consiste no fato de a luz voltar a
emergente convergente, sendo formado pelo cruzamento efeitivo se propagar no meio de origem, após incidir sobre um objeto ou
dos raios de luz. superfície.
• Ponto imagem virtual (PIV): é o vértice de um feixe de luz É possível esquematizar a reflexão de um raio de luz, ao atingir
emergente divergente, sendo formado pelo cruzamento imaginário uma superfície polida, da seguinte forma:
do prolongamento dos raios de luz.
• Ponto imagem impróprio (PII): é o vértice de um feixe de
luz emergente cilíndrico, ou seja, se situa no infinito.

Sistemas ópticos
Há dois principais tipos de sistemas ópticos: os refletores e os
refratores.
O grupo dos sistemas ópticos refletores consiste principalmen-
te nos espelhos, que são superfícies de um corpo opaco, altamente
polidas e com alto poder de reflexão.

AB = raio de luz incidente


BC = raio de luz refletido
N = reta normal à superfície no ponto B
T = reta tangente à superfície no ponto B
i = ângulo de incidência, formado entre o raio incidente e a reta
normal.
r = ângulo refletido, formado entre o raio refletido e a reta nor-
mal.
No grupo dos sistemas ópticos refratores encontram-se os
dioptros, que são peças constituídas de dois meios transparentes Leis da reflexão
separados por uma superfície regular. Quando associados de for- Os fenômenos em que acontecem reflexão, tanto regular quan-
ma conveniente os dioptros funcionam como utensílios ópticos de to difusa e seletiva, obedecem a duas leis fundamentais que são:
grande utilidade como lentes e prismas.
1ª lei da reflexão
O raio de luz refletido e o raio de luz incidente, assim como a
reta normal à superfície, pertencem ao mesmo plano, ou seja, são
coplanares.

2ª Lei da reflexão
O ângulo de reflexão (r) é sempre igual ao ângulo de incidência
(i).

28
FÍSICA
Espelho Plano A parte superior do desenho mostra uma pessoa a uma dis-
Um espelho plano é aquele em que a superfície de reflexão é tância do espelho, logo a imagem aparece a uma distância em
totalmente plana. relação ao espelho.
Os espelhos planos têm utilidades bastante diversificadas, Na parte inferior da figura, o espelho é transladado para a
desde as domésticas até como componentes de sofisticados instru- direita, fazendo com que o observador esteja a uma distância do
mentos ópticos. espelho, fazendo com que a imagem seja deslocada x para a direita.
Representa-se um espelho plano por: Pelo desenho podemos ver que:

Que pode ser reescrito como:

Mas pela figura, podemos ver que:

Logo:

Assim pode-se concluir que sempre que um espelho é transla-


As principais propriedades de um espelho plano são a simetria dado paralelamente a si mesmo, a imagem de um objeto fixo sofre
entre os pontos objeto e imagem e que a maior parte da reflexão translação no mesmo sentido do espelho, mas com comprimento
que acontece é regular. equivalente ao dobro do comprimento da translação do espelho.
Se utilizarmos esta equação, e medirmos a sua taxa de varia-
Para saber mais... ção em um intervalo de tempo, podemos escrever a velocidade de
Os espelhos geralmente são feitos de uma superfície metálica translação do espelho e da imagem da seguinte forma:
bem polida. É comum usar-se uma placa de vidro, onde se deposi-
ta uma fina camada de prata ou alumínio em uma das faces, tor-
nando a outra um espelho.

Construção das imagens em um espelho plano


Para se determinar a imagem em um espelho plano, basta ima-
ginarmos que o observador vê um objeto que parece estar atrás
do espelho. Isto ocorre porque o prolongamento do raio refletido Ou seja, a velocidade de deslocamento da imagem é igual ao
passa por um ponto imagem virtual (PIV), “atrás” do espelho. dobro da velocidade de deslocamento do espelho.
Quando o observador também se desloca, a velocidade ao ser
Nos espelhos planos, o objeto e a respectiva imagem têm sem- considerada é a a velocidade relativa entre o observador e o espe-
pre naturezas opostas, ou seja, quando um é real o outro deve ser lho, ao invés da velocidade de translação do espelho, ou seja:
virtual. Portanto, para se obter geometricamente a imagem de um
objeto pontual, basta traçar por ele, através do espelho, uma reta e
marcar simétricamente o ponto imagem.
Associação de dois espelhos planos
Translação de um espelho plano Dois espelhos planos podem ser associados, com as superfícies
Considerando a figura: refletoras se defrontando e formando um ângulo entre si, com
valores entre 0° e 180°.
Por razões de simetria, o ponto objeto e os pontos imagem fi-
cam situados sobre uma circunferência.
Para se calcular o número de imagens que serão vistas na asso-
ciação usa-se a fórmula:

Sendo o ângulo formado entre os espelhos.


Por exemplo, quando os espelhos encontra-se perpendicular-
mente, ou seja =90°:

29
FÍSICA
Portanto, nesta configuração são vistas 3 pontos imagem. Aspectos geométricos dos espelhos esféricos
Para o estudo dos espelhos esféricos é útil o conhecimento dos
Espelhos esféricos elementos que os compõe, esquematizados na figura abaixo:
Chamamos espelho esférico qualquer calota esférica que seja
polida e possua alto poder de reflexão.

É fácil observar-se que a esfera da qual a calota acima faz parte


tem duas faces, uma interna e outra externa. Quando a superfície • C é o centro da esfera;
refletiva considerada for a interna, o espelho é chamado côncavo. • V é o vértice da calota;
Já nos casos onde a face refletiva é a externa, o espelho é chamado • O eixo que passa pelo centro e pelo vértice da calota é
convexo. chamado eixo principal.
• As demais retas que cruzam o centro da esfera são chama-
das eixos secundários.
• O ângulo , que mede a distância angular entre os dois ei-
xos secundários que cruzam os dois pontos mais externos da calota,
é a abertura do espelho.
• O raio da esfera R que origina a calota é chamado raios de
curvatura do espelho.

Um sistema óptico que consegue conjugar a um ponto obje-


to, um único ponto como imagem é dito estigmático. Os espelhos
esféricos normalmente não são estigmáticos, nem aplanéticos ou
ortoscópicos, como os espelhos planos.
No entanto, espelhos esféricos só são estigmáticos para os
raios que incidem próximos do seu vértice V e com uma pequena
Reflexão da luz em espelhos esféricos inclinação em relação ao eixo principal. Um espelho com essas pro-
Assim como para espelhos planos, as duas leis da reflexão tam- priedades é conhecido como espelho de Gauss.
bém são obedecidas nos espelhos esféricos, ou seja, os ângulos de Um espelho que não satisfaz as condições de Gauss (incidência
incidência e reflexão são iguais, e os raios incididos, refletidos e a próxima do vértice e pequena inclinação em relação ao eixo princi-
reta normal ao ponto incidido. pal) é dito astigmático. Um espelho astigmático conjuga a um ponto
uma imagem parecendo uma mancha.

Focos dos espelhos esféricos


Para os espelhos côncavos de Gauss, pode-se verificar que to-
dos os raios luminosos que incidirem ao longo de uma direção para-
lela ao eixo secundário passam por (ou convergem para) um mesmo
ponto F - o foco principal do espelho.

30
FÍSICA
No caso dos espelhos convexos, a continuação do raio refletido Um sistema de coordenadas conveniente é o chamado referen-
é que passa pelo foco. Tudo se passa como se os raios refletidos se cial de Gauss, um referencial cartesiano que se faz coincidir com o
originassem do foco. esquema de espelho, de forma que:
► O eixo das abscissas coincide com o eixo principal do espelho
► O eixo das ordenadas coincide com o espelho
► A origem coincide com o vértice do espelho

O eixo das abscissas é orientado em sentido contrário ao da luz


incidente, de modo que os elementos reais tenham abscissas posi-
tivas, e os elementos virtuais tenham abscissas negativas. Na figura
abaixo, para um espelho côncavo de Gauss (cuja parte refletora é a
interna, indicando por p a abscissa do objeto e por p’ a abscissa da
imagem), temos:

Determinação de imagens
Analisando objetos diante de um espelho esférico, em posição
perpendicular ao eixo principal do espelho podemos chegara algu-
mas conclusões importantes.
Um objeto pode ser real ou virtual. No caso dos espelhos, dize-
mos que o objeto é virtual se ele se encontra “atrás” do espelho. No
caso de espelhos esféricos a imagem de um objeto pode ser maior,
menor ou igual ao tamanho do objeto. A imagem pode ainda apa-
recer invertida em relação ao objeto. Se não houver sua inversão
dizemos que ela é direita.

Equação fundamental dos espelhos esféricos

Objeto real: p > 0; objeto virtual: p < 0; imagem real: p’ > 0;


imagem virtual: p’ < 0.

Com as convenções adotadas, o foco principal tem abscissa po-


sitiva se o espelho é côncavo – foco real; e negativa para os espe-
lhos convexos – foco virtual.
♦ Espelho côncavo: f > 0
♦ Espelho convexo: f < 0

A equação que relaciona as abscissas do objeto (p), da imagem


(p’) e do foco (f) é chamada de equação de Gauss ou equação dos
pontos conjugados:

Dadas a distância focal e posição do objeto, é possível deter-


minar analiticamente a posição da imagem através da equação de
Gauss, que é expressa por:

Equação dos pontos conjugados


No estudo das características dos espelhos esféricos vimos
que é possível construir graficamente a imagem conjugada por um
dado espelho esférico. Nesse momento, vamos determinar algebri-
camente a imagem formada em um espelho esférico côncavo, sua
posição e altura. Para isso, basta conhecer a posição e a altura do
objeto.

31
FÍSICA

Para a demonstração da equação de Gauss, vamos considerar um objeto e sua correspondente imagem conjugada por
um espelho esférico côncavo, conforme a figura abaixo.

Objeto AB e sua correspondente imagem A’B’ em um espelho esférico.

Os triângulos ABV e A’B’V são semelhantes:

mas VB’ = p’ e VB = p. Portanto,

Os triângulos FDV e FA’B’ também são semelhantes. Mas DV = AB, FB’ = p’- f e FV = f. Logo,

Das equações (I) e (II),

Dividindo ambos os membros por pp’f, temos:

Portanto,

32
FÍSICA
REFRAÇÃO DA LUZ
Refração da luz é o fenômeno em que ela é transmitida de um meio para outro diferente. Nesta mudança de meios a frequência da
onda luminosa não é alterada, embora sua velocidade e o seu comprimento de onda sejam. Com a alteração da velocidade de propagação
ocorre um desvio da direção original.

Cor e frequência
No intervalo do espectro eletromagnético que corresponde à luz visível, cada frequência equivale à sensação de uma cor.
Conforme a frequência aumenta, diminui o comprimento de onda, assim como mostra a tabela e o trecho do espectroeletromagné-
tico abaixo.

Quando recebemos raios de luz de diferentes frequências podemos perceber cores diferentes destas, como combinações. A luz branca
que percebemos vinda do Sol, por exemplo, é a combinação de todas as sete cores do espectro visível.
Luz mono e policromática
De acordo com sua cor, a luz pode ser classificada como monocromática ou policromática.
Chama-se luz monocromática aquela composta de apenas uma cor, como por exemplo a luz amarela emitida por lâmpadas de sódio.
Chama-se luz policromática aquela composta por uma combinação de duas ou mais cores monocromáticas, como por exemplo a luz
branca emitida pelo sol ou por lâmpadas comuns.
Usando-se um prisma, é possível decompor a luz policromática nas luzes monocromáticas que a formam, o que não é possível para as
cores monocromáticas, como o vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
Um exemplo da composição das cores monocromáticas que formam a luz branca é o disco de Newton, que é uma experiência com-
posta de um disco com as sete cores do espectro visível, que ao girar em alta velocidade, “recompõe” as cores monocromáticas, formando
a cor policromática branca.

33
FÍSICA
Cor de um corpo
Ao nosso redor é possível distinguir várias cores, mesmo quando estamos sob a luz do Sol, que é branca.
Esse fenômeno acontece pois quando é incidida luz branca sobre um corpo de cor verde, por exemplo, este absorve todas as outras
cores do espectro visível, refletido de forma difusa apenas o verde, o que torna possível distinguir sua cor.
Por isso, um corpo de cor branca é aquele que reflete todas as cores, sem absorver nenhuma, enquanto um corpo de cor preta absorve
todas as cores sobre ele incididas, sem refletir nenhuma, o que causa aquecimento.

Luz - Velocidade
Há muito tempo sabe-se que a luz faz parte de um grupo de ondas, chamado de ondas eletromagnéticas, sendo uma das característi-
cas que reune este grupo a sua velocidade de propagação.
A velocidade da luz no vácuo, mas que na verdade se aplica a diversos outros fenômenos eletromagnéticos como raios-x, raios gama,
ondas de rádio e tv, é caracterizada pela letra c, e tem um valor aproximado de 300 mil quilômetros por segundo, ou seja:

No entanto, nos meios materiais, a luz se comporta de forma diferente, já que interage com a matéria existente no meio. Em qualquer
um destes meios a velocidade da luz v é menor que c.
Em meios diferentes do vácuo também diminui a velocidade conforme aumenta a frequência. Assim a velocidade da luz vermelha é
maior que a velocidade da luz violeta, por exemplo.

Índice de refração absoluto


Para o entendimento completo da refração convém a introdução de uma nova grandeza que relacione a velocidade da radiação mono-
cromática no vácuo e em meios materiais, esta grandeza é o índice de refração da luz monocromática no meio apresentado, e é expressa
por:

Onde n é o índice de refração absoluto no meio, sendo uma grandeza adimensional.

É importante observar que o índice de refração absoluto nunca pode ser menor do que 1, já que a maior velocidade possível em um
meio é c, se o meio considerado for o próprio vácuo.
Para todos os outros meios materiais n é sempre maior que 1.

Alguns índices de refração usuais:

Índice de refração relativo entre dois meios


Chama-se índice de refração relativo entre dois meios, a relação entre os índices de refração absolutos de cada um dos meios, de
modo que:

Mas como visto:

34
FÍSICA
Então podemos escrever: Conhecendo os elementos de uma refração podemos entender
o fenômeno através das duas leis que o regem.

1ª Lei da Refração
A 1ª lei da refração diz que o raio incidente (raio 1), o raio refra-
tado (raio 2) e a reta normal ao ponto de incidência (reta tracejada)
Ou seja: estão contidos no mesmo plano, que no caso do desenho acima é
o plano da tela.

2ª Lei da Refração - Lei de Snell


A 2ª lei da refração é utilizada para calcular o desvio dos raios
Observe que o índice de refração relativo entre dois meios de luz ao mudarem de meio, e é expressa por:
pode ter qualquer valor positivo, inclusive menores ou iguais a 1.

Refringência
Dizemos que um meio é mais refringente que outro quando
seu índice de refração é maior que do outro. Ou seja, o etanol é
mais refringente que a água. No entanto, sabemos que:
De outra maneira, podemos dizer que um meio é mais refrin-
gente que outro quando a luz se propaga por ele com velocidade
menor que no outro.

Leis da Refração da Luz Além de que:


Chamamos de refração da luz o fenômeno em que ela é trans-
mitida de um meio para outro diferente.
Nesta mudança de meios a frequência da onda luminosa não
é alterada, embora sua velocidade e o seu comprimento de onda
sejam. Ao agruparmos estas informações, chegamos a uma forma
Com a alteração da velocidade de propagação ocorre um des- completa da Lei de Snell:
vio da direção original.
Para se entender melhor este fenômeno, imagine um raio de
luz que passa de um meio para outro de superfície plana, conforme
mostra a figura abaixo:

Reflexão total da luz


A reflexão total da luz é um fenômeno óptico que ocorre quan-
do a luz incide sobre uma superfície com o ângulo-limite L e é com-
pletamente refletida.
Quando a luz incide sobre uma superfície de separação entre
dois meios, uma parte dela sofre refração e a outra, reflexão, con-
forme mostra a figura a seguir:

Onde:
• Raio 1 é o raio incidente, com velocidade e comprimento
de onda característico;
• Raio 2 é o raio refratado, com velocidade e comprimento
de onda característico;
• A reta tracejada é a linha normal à superfície;
• O ângulo formado entre o raio 1 e a reta normal é o ângulo
de incidência;
• O ângulo formado entre o raio 2 e a reta normal é o ângulo
de refração;
• A fronteira entre os dois meios é um dioptro plano.

Diagrama demonstrando o comportamento da luz ao incidir


sobre a superfície entredois meios de índices de refração diferentes

35
FÍSICA
A figura mostra a reflexão e a refração quando a luz passa de No caso da reflexão total da luz, sabemos que n1 > n2, uma vez
um meio menos refringente para um meio mais refringente, por que esse fenômeno ocorre apenas quando a luz passa de um meio
exemplo, passa do ar para a água. mais refringente para outro menos refringente. Além disso, o ângu-
Veja agora o que acontece quando a luz passa do meio mais re- lo de incidência i é o ângulo-limite L, e o ângulo de reflexão é 90º:
fringente para outro menos refringente. Podemos considerar como i = L e r = 90
exemplo a luz passando da água para o ar. Observe o que acontece
na figura, em que a fonte de luz é colocada embaixo de um aquário Substituindo esses dados na Lei de Snell-Descartes, teremos:
com água: n1 . Sen L = n2 . Sen 90º

Sen 90º = 1, portanto:


n1 . Sen L = n2 . 1
Sen L = n2
n1

Uma consequência da reflexão total da luz é a impressão que


temos de que a superfície do asfalto está molhada em dias quentes,
fato que caracteriza um tipo de miragem. A luz proveniente do Sol
atravessa várias camadas de ar com temperaturas diferentes. O ar
que está perto do asfalto é mais quente e, acima dele, existe outra
camada de ar com temperatura um pouco menor. Essa diferença
de temperatura faz com que o ar tenha densidades diferentes e,
consequentemente, as duas camadas terão índices de refração di-
A partir do ponto P, a luz é totalmente refletida ferentes.
Os raios de luz incidem na camada de ar mais quente, passan-
Observe que todos os raios de luz que atravessam o aquário, do primeiro pela camada mais fria e com maior índice de refração.
nos pontos à esquerda do ponto P, têm uma parte refletida e outra Dependendo do ângulo de visão do observador, a luz refletirá na su-
refratada. Mas quando o ângulo entre os raios de luz incidentes e a perfície de separação entre essas duas camadas a imagem do céu,
reta normal à superfície do aquário é igual a L, o ângulo-limite, não dando a impressão de que o asfalto está molhado.
ocorre mais a refração, e sim a reflexão total da luz. Dioptro
É todo o sistema formado por dois meios homogêneos e trans-
Veja agora um diagrama representando a reflexão total da luz: parentes.
Quando esta separação acontece em um meio plano, chama-
mos então, dioptro plano.
A figura abaixo representa um dioptro plano, na separação en-
tre a água e o ar, que são dois meios homogêneos e transparentes.

A figura mostra que, quando o ângulo de incidência é igual a


L, o ângulo de reflexão é 90º

O ângulo-limite é definido como o “menor ângulo de incidência


da luz em uma superfície de separação entre dois meios a partir dos
quais ela é totalmente refletida”. Ele pode ser calculado a partir da
lei de Snell-Descartes:
n1 . Sen i = n2 . Sen r

Sendo:
n1 – índice de refração do meio 1;
n2 – índice de refração do meio 2;
i – ângulo de incidência
r – ângulo de reflexão.

36
FÍSICA
Formação de imagens através de um dioptro Tipos de prismas
Considere um pescador que vê um peixe em um lago. O peixe o Prismas dispersivos são usados para separar a luz em suas
encontra-se a uma profundidade H da superfície da água. O pesca- cores de espectro.
dor o vê a uma profundidade h. Conforme mostra a figura abaixo: o Prismas refletivos são usados para refletir a luz.
o Prismas polarizados podem dividir o feixe de luz em com-
ponentes de variadas polaridades.

LENTES ESFÉRICAS
Chamamos lente esférica o sistema óptico constituído de três
meios homogêneos e transparentes, sendo que as fronteiras entre
cada par sejam duas superfícies esféricas ou uma superfície esféri-
ca e uma superfície plana, as quais chamamos faces da lente.
Dentre todas as aplicações da óptica geométrica, a que mais se
destaca pelo seu uso no cotidiano é o estudo das lentes esféricas,
seja em sofisticados equipamentos de pesquisa astronômica, ou em
câmeras digitais comuns, seja em lentes de óculos ou lupas.
Chamamos lente esférica o sistema óptico constituído de três
A fórmula que determina estas distância é: meios homogêneos e transparentes, sendo que as fronteiras entre
cada par sejam duas superfícies esféricas ou uma superfície esférica
e uma superfície plana, as quais chamamos faces da lente.
Para um estudo simples consideraremos que o segundo meio
é a lente propriamente dita, e que o primeiro e terceiro meios são
Prisma exatamente iguais, normalmente a lente de vidro imersa em ar.
Um prisma é um sólido geométrico formado por uma face su-
perior e uma face inferior paralelas e congruentes (também cha- Tipos de lentes
madas de bases) ligadas por arestas. As laterais de um prisma são Dentre as lentes esféricas que são utilizadas, seis delas são de
paralelogramos. maior importância no estudo de óptica, sendo elas:
No entanto, para o contexto da óptica, é chamado prisma o
elemento óptico transparente com superfícies retas e polidas que - Lente biconvexa
é capaz de refratar a luz nele incidida. O formato mais usual de um
prisma óptico é o de pirâmide com base quadrangular e lados trian-
gulares.

É convexa em ambas as faces e tem a periferia mais fina que a


região central, seus elementos são:

A aplicação usual dos prismas ópticos é seu uso para separar a


luz branca policromática nas sete cores monocromáticas do espec-
tro visível, além de que, em algumas situações poder refletir tais
luzes.

Funcionamento do prisma
Quando a luz branca incide sobre a superfície do prisma, sua
velocidade é alterada, no entanto, cada cor da luz branca tem um
índice de refração diferente, e logo ângulos de refração diferentes,
chegando à outra extremidade do prisma separadas.

37
FÍSICA
- Lente plano-convexa Quando a espessura da lente é muito menor do que o raio de
suas faces, ela é denominada lente delgada. Nesse tipo de lente, os
vértices V1 e V2 estão praticamente no mesmo ponto sobre o eixo
principal e passam a ser chamados de centro óptico.

Lentes convergentes
Em uma lente esférica com comportamento convergente, a luz
que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções
que convergem a um único ponto.
Tanto lentes de bordas finas como de bordas espessas podem
ser convergentes, dependendo do seu índice de refração em rela-
ção ao do meio externo.
O caso mais comum é o que a lente tem índice de refração
maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um
exemplo de lente com comportamento convergente é o de uma len-
te biconvexa (com bordas finas):

É plana em uma das faces e convexa em outra, tem a perferia


mais fina que a região central, seus elementos são:

Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor


índice de refração que o meio. Nesse caso, um exemplo de lente
com comportamento convergente é o de uma lente bicôncava (com
bordas espessas):

- Lente côncavo-convexa

Tem uma de suas faces côncava e outra convexa, tem a perife- Lentes esféricas divergentes
ria mais fina que a região central. Seus elementos são: Em uma lente esférica com comportamento divergente, a luz
que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções
que divergem a partir de um único ponto.
Tanto lentes de bordas espessas como de bordas finas podem
ser divergentes, dependendo do seu índice de refração em relação
ao do meio externo.
O caso mais comum é o que a lente tem índice de refração
maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um
exemplo de lente com comportamento divergente é o de uma lente
bicôncava (com bordas espessas):

38
FÍSICA
Vergência
Dada uma lente esférica em determinado meio, chamamos
vergência da lente (V) a unidade caracterizada como o inverso da
distância focal, ou seja:

A unidade utilizada para caracterizar a vergência no Sistema In-


ternacional de Medidas é a dioptria, simbolozado por di.
Um dioptria equivale ao inverso de um metro, ou seja:

Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor


índice de refração que o meio. Nesse caso, um exempo de lente Uma unidade equivalente a dioptria, muito conhecida por
com comportamento divergente é o de uma lente biconvexa (com quem usa óculos, é o “Grau”.
bordas finas): 1di = 1grau
Quando a lente é convergente usa-se distância focal positiva
(f>0) e para uma lente divergente se usa distância focal negativa
(f<0).
Por exemplo:

1) Considere uma lente convergente de distância focal 25cm =


0,25m.

Neste caso, é possível dizer que a lente tem vergência de +4di


ou que ela tem convergência de 4di.

Vergência 2) Considere uma lente divergente de distância focal 50cm =


0,5m.
Focos de uma lente

- Focos principais
Uma lente possui um par de focos principais: foco principal ob-
jeto (F) e foco principal imagem (F’). Ambos localizam-se a sobre o
eixo principal e são simétricos em relação à lente, ou seja, a distân- Neste caso, é possível dizer que a lente tem vergência de -2di
cia OF é igual a distância OF’. ou que ela tem divergência de 2di.

- Foco imagem (F’) Associação de lentes


É o ponto ocupado pelo foco imagem, podendo ser real ou vir- Duas lentes podem ser colocadas de forma que funcionem
tual. como uma só, desde que sejam postas coaxialmente, isto é, com
eixos principais coincidentes. Neste caso, elas serão chamadas de
- Foco objeto (F) justapostas, se estiverem encostadas, ou separadas, caso haja uma
É o ponto ocupado pelo foco objeto, podendo ser real ou vir- distância d separando-as.
tual. Estas associações são importantes para o entendimento dos
instrumentos ópticos.
Distância focal Quando duas lentes são associadas é possível obter uma len-
É a medida da distância entre um dos focos principais e o cen- te equivalente. Esta terá a mesma característica da associação das
tro óptico, esta medida é caracterizada pela letra f. duas primeiras.
Lembrando que se a lente equivalente tiver vergência positiva
Pontos antiprincipais será convergente e se tiver vergência negativa será divergente.
São pontos localizados a uma distância igual a 2f do centro óp-
tico (O), ou seja, a uma distância f de um dos focos princiapais (F ou
F’). Esta medida é caracterizada por A (para o ponto antiprincipal
objeto) e A’ (para o ponto antiprincipal imagem).

39
FÍSICA
Associação de lentes justapostas Instrumentos ópticos
Quando duas lentes são associadas de forma justaposta, utili- Os instrumentos ópticos baseiam-se em princípios da óptica e
za-se o teorema das vergências para definir uma lente equivalente. têm a finalidade de facilitar a visualização de determinados objetos.
Como exemplo de associação justaposta temos:

Este teorema diz que a vergência da lente equivalente à asso-


ciação é igual à soma algébrica das vergências das lentes compo-
nentes. Ou seja:

Que também pode ser escrita como:

O microscópio é um instrumento óptico que tem como finali-


dade a ampliação de objetos

Os instrumentos ópticos são utilizados no nosso cotidiano e


Associação de lentes separadas baseiam-se nos princípios da óptica para permitir, facilitar ou aper-
Quando duas lentes são associadas de forma separada, utiliza- feiçoar a visualização de determinados objetos, que vão desde se-
-se uma generalização do teorema das vergências para definir uma res minúsculos, como alguns tipos de bactérias, até enormes plane-
lente equivalente. tas e estrelas.
Um exemplo de associação separada é:
Existe uma infinidade de instrumentos ópticos, podemos ci-
tar: microscópio, telescópio, projetores, lupa, câmera fotográfica,
óculos, lentes etc. Veja a seguir como ocorre o funcionamento de
alguns dos instrumentos ópticos que são utilizados no nosso coti-
diano.

O olho humano
É formado basicamente por três partes:
Cristalino: funciona como uma lente biconvexa. Ele está situa-
do na região anterior do globo ocular;
Retina: localizada no “fundo” do globo ocular e funciona como
A generalização do teorema diz que a vergência da lente equi- um anteparo sensível à luz;
valente à tal associação é igual a soma algébrica das vergências dos Nervo óptico: parte que recebe as sensações luminosas rece-
componentes menos o produto dessas vergências pela distância bidas pela retina.
que separa as lentes. Desta forma:
Quando olhamos para um objeto, a imagem é percebida pelo
cristalino, que forma uma imagem real e invertida, ou seja, de “ca-
beça para baixo”. Essa imagem deve ser focalizada exatamente
Que também pode ser escrito como: sobre a retina para que seja enxergada nitidamente. A imagem é
“enviada” para o cérebro através do nervo óptico. O cérebro, ao
receber a imagem, processa sua inversão, de forma que possamos
observar o objeto em sua posição real.

40
FÍSICA
Para que a imagem formada pela lupa seja nítida, é necessário
que o objeto seja colocado entre o foco F e o centro óptico. Caso
contrário, a imagem forma-se desfocada.

As principais partes do olho humano A imagem formada pela lupa é maior que o objeto

Se a imagem recebida pelo cristalino não se formar exatamente


sobre a retina, então a pessoa não enxergará nitidamente os obje- ONDAS: MOVIMENTO HARMÔNICO SIMPLES, CON-
tos, o que caracteriza um defeito da visão. De acordo com a posição CEITOS BÁSICOS DE ONDAS E PULSOS, REFLEXÃO, RE-
onde a imagem é formada, podemos classificar três tipos de defei- FRAÇÃO, DIFRAÇÃO, INTERFERÊNCIA, POLARIZAÇÃO,
tos da visão. São eles: ONDAS SONORAS E EFEITO DOPPLER
Miopia: a imagem do objeto forma-se antes da retina, pois o
globo ocular das pessoas que apresentam esse defeito é mais alon- Ondulatória é a parte da Física que estuda as ondas. Qualquer
gado. Nesse caso, a pessoa enxerga os objetos sem nitidez. Para onda pode ser estudada aqui, seja a onda do mar, ou ondas eletro-
corrigir o problema, é necessário utilizar óculos com lentes diver- magnéticas, como a luz.
gentes.
Conceito de Onda
Hipermetropia: As pessoas com esse problema na visão apre- A definição de onda é qualquer perturbação (pulso) que se pro-
sentam o globo ocular mais curto que o normal, o que faz com que paga em um meio. Ex: uma pedra jogada em uma piscina (a fonte),
a imagem se forme atrás da retina. Esse defeito é corrigido com o provocará ondas na água, pois houve uma perturbação. Essa onda
uso de óculos com lentes convergentes. se propagará para todos os lados, quando vemos as perturbações
partindo do local da queda da pedra, até ir na borda. Uma sequên-
Presbiopia: Chamado popularmente de “vista cansada”, é um cia de pulsos formam as ondas.
problema que ocorre em virtude do envelhecimento natural do
nosso organismo, quando o cristalino fica mais rígido e não acomo-
da imagens de objetos próximos. Nesse caso, a imagem forma-se
atrás da retina. Esse problema também pode ser corrigido por len-
tes convergentes.

Máquina fotográfica
É um instrumento óptico que projeta e armazena uma imagem
sobre um anteparo e funciona de forma semelhante ao olho hu-
mano. Possui um sistema de lentes, denominado objetiva, que se
comporta como uma lente convergente e forma uma imagem real
e invertida do material fotografado. Para que a imagem fique nítida
sobre o filme fotográfico, a câmera possui uma série de sistemas
que aproximam ou afastam a objetiva, focalizando a imagem. Chamamos de Fonte qualquer objeto que possa criar ondas.
Se essa focalização não for bem feita, a imagem não se forma A onda é somente energia, pois ela só faz a transferência de
sobre o filme e, portanto, não fica nítida. Quando se aciona o bo- energia cinética da fonte, para o meio. Portanto, qualquer tipo de
tão para a foto, o diafragma da câmera é aberto, permitindo que a onda, não transporta matéria!.
luz proveniente do objeto incida sobre o filme. Como o filme foto-
gráfico é fabricado com um material sensível à luz, ele “gravará” a
imagem recebida.

A lupa
É o instrumento óptico mais simples, sendo constituída por
uma lente convergente que produz uma imagem virtual e ampliada
de um objeto.

41
FÍSICA
- Comprimento de onda: é o tamanho de uma onda, que pode
ser medida em três pontos diferentes: de crista a crista, do início ao
final de um período ou de vale a vale. Crista é a parte alta da onda,
vale, a parte baixa. É representada no SI pela letra grega lambda (λ)
- Velocidade: todas as ondas possuem uma velocidade, que
sempre é determinada pela distância percorrida, sobre o tempo
gasto. Nas ondas, essa equação fica:
v = λ / T ouv = λ . 1/T ou ainda v = λ . f

- Amplitude: é a “altura” da onda, é a distância entre o eixo da


onda até a crista. Quanto maior for a amplitude, maior será a quan-
tidade de energia transportada.

As ondas podem ser classificadas seguindo três critérios: ELETRICIDADE: CARGA ELÉTRICA, PRINCÍPIOS DA ELE-
TROSTÁTICA, PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO, FORÇA
Classificação das ondas segundo a sua Natureza ELÉTRICA CAMPO ELÉTRICO, POTENCIAL ELÉTRICO,
Quanto a natureza, as ondas podem ser dividas em dois tipos: TRABALHO DA FORÇA ELÉTRICA, ENERGIA POTENCIAL
- Ondas mecânicas: são todas as ondas que precisam de um ELÉTRICA, CONDUTORES EM EQUILÍBRIO ELETROSTÁ-
meio material para se propagar. Por exemplo: ondas no mar, ondas TICO, CAPACIDADE ELÉTRICA, CORRENTE ELÉTRICA,
sonoras, ondas em uma corda, etc. POTÊNCIA E ENERGIA NA CORRENTE ELÉTRICA, RE-
- Ondas eletromagnéticas: são ondas que não precisam de um SISTORES, RESISTÊNCIA ELÉTRICA, ASSOCIAÇÃO DE
meio material para se propagar. Elas também podem se propagar RESISTORES, ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES, ENER-
em meios materiais. Exemplos: luz, raio-x , sinais de rádio, etc. GIA ARMAZENADA NOS CAPACITORES, APARELHOS
DE MEDIÇÃO ELÉTRICA, GERADORES E RECEPTORES
Classificação em relação à direção de propagação ELÉTRICOS, LEIS DE KIRCHHOFF, CONCEITOS INICIAIS
As ondas podem ser dividas em três tipos, segundo as direções DO MAGNETISMO, CAMPO MAGNÉTICO, FORÇA MAG-
em que se propaga: NÉTICA, INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA, CORRENTE
- Ondas unidimensionais: só se propagam em uma direção ALTERNADA, TRANSFORMADORES E ONDAS ELETRO-
(uma dimensão), como uma onda em uma corda. MAGNÉTICAS
- Ondas bidimensionais: se propagam em duas direções (x e y
do plano cartesiano), como a onda provocada pela queda de um
objeto na superfície da água. Você faz bastante uso da eletricidade em seu dia-a-dia, não é
- Ondas tridimensionais: se propagam em todas as direções mesmo? Mas já parou para pensar na falta que ela faria na sua vida,
possíveis, como ondas sonoras, a luz, etc. se não existisse?
Se faltar energia elétrica à noite, ficamos sem luz elétrica e tudo
Classificação quanto a direção de propagação pára: a televisão, o chuveiro elétrico, o ventilador, alguns aparelhos
- Ondas longitudinais: são as ondas onde a vibração da fonte é de telefone, o aparelho de som, o computador, o microondas, os
paralela ao deslocamento da onda. Exemplos de ondas longitudi- elevadores etc.
nais são as ondas sonoras (o alto falante vibra no eixo x, e as ondas
seguem essa mesma direção), etc.
- Ondas transversais: a vibração é perpendicular à propagação
da onda. Ex.: ondas eletromagnéticas, ondas em uma corda (você
balança a mão para cima e para baixo para gerar as ondas na corda).

Características das ondas


Todas as ondas possuem algumas grandezas físicas, que são:

- Frequência: é o número de oscilações da onda, por um certo


período de tempo. A unidade de frequência do Sistema Internacio-
nal (SI), é o hertz (Hz), que equivale a 1 segundo, e é representada
pela letra f. Então, quando dizemos que uma onda vibra a 60Hz,
significa que ela oscila 60 vezes por segundo. A frequência de uma
onda só muda quando houver alterações na fonte. Alguns aparelhos funcionam com a energia recebida das es-
-Período: é o tempo necessário para a fonte produzir uma onda tações distribuidoras de energia elétrica; basta ligá-los na tomada.
completa. No SI, é representado pela letra T, e é medido em segun- Mas há muitos outros aparelhos que funcionam utilizando energia
dos. elétrica sem termos de ligá-los diretamente na tomada, como o ce-
lular, o rádio, os walkmans ou iPODs e as calculadoras; eles recebem
É possível criar uma equação relacionando a frequência e o pe- energia de pilhas e baterias.
ríodo de uma onda: Outro tipo de energia muito usada em nosso cotidiano é a
f = 1/T energia magnética. Graças ao magnetismo, podemos ter registros
ou armazenados em fitas cassetes e fitas de vídeo, podemos usar as
T = 1/f bússolas para nos localizarmos etc.

42
FÍSICA
A revolução que a humanidade experimentou advinda das aplicações da eletricidade e do magnetismo se intensificou quando os
cientistas perceberam a relação entre ambos.

Cargas elétricas
Cargas elétricas são de dois tipos: positivas e negativas
Uma matéria é constituída de átomos. Os átomos, por sua vez, são constituídos de partículas ainda menores: prótons, nêutrons e
elétrons.
Os prótons e os nêutrons situam-se no núcleo do átomo. Os elétrons giram e torno do núcleo, numa região chamada eletrosfera. Os
prótons e os elétrons possuem uma propriedade denominada carga elétrica, que aparece na natureza em dois tipos. Por isso a do próton
foi convencionada como positiva e a do elétron como negativa.

Corpos carregados
Quando um corpo perde elétrons dizemos que ele está positivamente carregado.
Quando ganha elétrons dizemos que ele está negativamente carregado. Quando o número de elétrons em um corpo é igual ao núme-
ro de prótons, dizemos que o corpo está neutro.
Um experimento relacionado aos primórdios do estudo da eletricidade pode ser realizado com um bastão de vidro pendurado por um
barbante. Se atritarmos esse bastão em um pedaço de lã, notaremos que ambos se atrairão mutuamente.
Agora se atritarmos o bastão de vidro no tecido de lã e o deixarmos pendurado, aproximando dele outro bastão de vidro que tenha
sido friccionado em outro pedaço de lã, notaremos que os bastões se repelem.

Essas observações demonstraram a ocorrência de fenômenos elétricos. Os cientistas consideram que, ao atritarmos os materiais vidro
e lã, o bastão de vidro passa a ser portador de carga elétrica positiva e o pedaço de lã passa a ser portador de carga elétrica negativa. Os
sinais de positivo e negativo atribuídos a essas cargas são uma convenção científica.

Cargas elétricas interagem


Muito materiais adquirem carga elétrica quando atritados em outros. Nesse processo um dos materiais adquire carga elétrica positiva,
e o outro, carga elétrica negativa.
Por meio de experimentos semelhantes aos descritos anteriormente com o vidro e a lã, os cientistas concluíram que cargas elétricas
de sinais diferentes se atraem e que cargas elétricas de sinais iguais se repelem. Quando vidro e lã são friccionados, passam a ter cargas
elétricas de sinais diferentes e, portanto, passam a se atrair. Já os dois bastões de vidro, quando adquirem cargas elétricas de mesmo sinal,
passam a se repelir.

A interação elétrica obedece o princípio da ação e reação


A interação entre dois corpos portadores de cargas elétricas obedece à Terceira Lei de Newton (Princípio da ação e reação). Sobre cada
um dos dois corpos atua uma força que se deve a presença do outro. As duas forças tem a mesma intensidade (mesmo módulo) e a mesma
direção (mesma linha de atuação), mas diferentes sentidos.

43
FÍSICA

Se os dois corpos apresentam cargas de sinais opostos, as forças tendem a fazê-los de aproximar. Por outro lado, se os dois corpos
possuem carga de mesmo sinal, as forças tendem a fazê-los se afastar.

Eletrização por atrito


Diferentes materiais têm diferentes tendências à eletrização. Quando vidro de lã são atritados, dizemos que ambos materiais adqui-
rem carga elétrica pelo processo de eletrização por atrito.
Com base em muitos experimentos similares, foi possível aos cientistas determinarem a tendência dos materiais a adquirir carga elé-
trica positiva ou negativa, quando atritados uns com os outros.
Essa tendência pode ser expressa por meio de uma sequência como a mostrada abaixo.

Condutores elétricos

Imagine duas esferas de metal, um pouco afastadas entre si, uma delas eletrizada com carga positiva e a outra não-eletrizada. Se um
bastão de metal tocar as duas esferas simultaneamente, verifica-se que parte da carga elétrica é transferida para a outra esfera. Porém, se
utilizarmos um bastão de madeira, a carga permaneceria na esfera eletrizada, e a outra não receberia nem um pouco dessa carga.

44
FÍSICA
Entendendo a corrente elétrica
Antes de definirmos corrente elétrica, vamos imaginar a se-
guinte situação: você está em uma estação de trem urbano ou de
metrô, no qual o passageiro passa por roletas para ter acesso aos
trens. Sua finalidade ali é avaliar a quantidade de pessoas que pas-
sam por minuto.
Obter essa informação é simples: basta contar quantas pessoas
passam em um minuto. Por exemplo, se contou 100 pessoas, você
responderá que passam 100 pessoas por minuto. Para atingir uma
média melhor, você pode contar por mais tempo. Digamos que te-
nha contado 900 pessoas em 10 minutos.
Portanto, sua média agora será 900/10 = 90 pessoas por mi-
Esse experimento evidencia que o metal é o material condu- nuto.
tor elétrico e a madeira é um material isolante elétrico. Então alguém lhe pede que avalie a massa média das pessoas
De fato, os condutores elétricos mais conhecidos são os me- que passam por minuto pelas roletas. Você aceita o desafio.
tais como o cobre, o ferro o alumínio, o ouro e a prata. Entre eles, Se a massa médias das pessoas no Brasil é 70 Kg (podemos ver
o cobre, metal de aspecto marrom-avermelhado, é usado na fiação isso ao ler placas de elevadores de prédios, que sempre consideram
elétrica das casas. Entre os isolantes elétricos podemos citar, além a massa de uma pessoa igual a 70 kg. Essas placas de advertência
da madeira, os plásticos em geral, o ar (a temperatura e pressão fixadas nas cabines afirmam: “Capacidade máxima: 10 pessoas ou
ambientes), as borrachas e o isopor (que na verdade, é um tipo de 700 kg”).
plástico).
A grande maioria dos metais conhecidos se encaixa em um des- Massa média
ses dois grupos: condutor elétrico e isolantes elétrico. Há, contudo,
certos materiais que não se enquadram bem em nenhuma dessas
duas categorias, mas sim em um grupo intermediário, conhecidos
como semi-condutores. Dois exemplos são o silício e o germânio,
empregados na indústria para elaborar alguns componentes usados Essa ideia é similar à usada para definir a intensidade de cor-
em aparelhos eletrônicos. rente elétrica (i). Sabe-se que a carga de um elétron é igual a 1,6.10-
19
C.
Eletrização por contato Se você conseguisse contar a quantidade de elétrons (n) que
Quando um corpo eletrizado toca um corpo eletricamente neu- atravessa uma região plana de um fio em 1 segundo poderia afirmar
tro (isto é, sem carga elétrica), parte de sua carga é transferida para que a intensidade da corrente elétrica é:
ele, que também passa a ficar eletrizado. Esse processo é a eletri-
zação por contato.

Corrente elétrica
Vimos que os elétrons se deslocam com facilidade em corpos Se contasse por um período qualquer, e representando a
condutores. O deslocamento dessas cargas elétricas é chamado de carga do elétron (1,6.10- 19 C) pela letra e, poderia afirmar:
corrente elétrica.
A corrente elétrica é responsável pelo funcionamento dos apa-
relhos elétricos; estes somente funcionam quando a corrente passa
por eles.
Somente é possível a passagem de corrente por um aparelho Esta é a expressão matemática associada à intensidade da cor-
se este pertencer a um circuito fechado. rente elétrica.
A unidade de intensidade de corrente elétrica é o Coulomb
por segundo, denominada ampère (A). A corrente elétrica pode ser
contínua ou alterada.
Na corrente contínua, observada nas pilhas e baterias, o fluxo
dos elétrons ocorre sempre em um único sentido.
Na corrente alternada, os elétrons alternam o sentido do seu
movimento, oscilando para um lado e para o outro. É esse tipo de
corrente que se estabelece ao ligarmos os aparelhos na nossa rede
doméstica. A razão de a corrente ser alternada está relacionada a
forma como a energia elétrica é produzida e distribuída para nossas
casas.
Um circuito constituído de lâmpada, pilha e fios, quando liga-
dos corretamente, formam um circuito fechado. Quando ligamos Leis de Kirchhoff
os aparelhos elétricos em nossa casa e eles funcionam, podemos As Leis de Kirchhoff são utilizadas para encontrar as intensida-
garantir que fazem parte de um circuito fechado quando passa cor- des das correntes em circuitos elétricos que não podem ser reduzi-
rente elétrica através de seus fios. dos a circuitos simples.
Constituídas por um conjunto de regras, elas foram concebidas
em 1845 pelo físico alemão Gustav Robert Kirchhoff (1824-1887),
quando ele era estudante na Universidade de Königsberg.

45
FÍSICA
A 1ª Lei de Kirchhoff é chamada de Lei dos Nós, que se aplica Para aplicar a Lei das Malhas, devemos convencionar o sentido
aos pontos do circuito onde a corrente elétrica se divide. Ou seja, que iremos percorrer o circuito.
nos pontos de conexão entre três ou mais condutores (nós). A tensão poderá ser positiva ou negativa, de acordo com o sen-
Já a 2ª Lei é chamada de Lei das Malhas, sendo aplicada aos ca- tido que arbitramos para a corrente e para percorrer o circuito.
minhos fechados de um circuito, os quais são chamados de malhas. Para isso, vamos considerar que o valor da ddp em um resistor
é dado por R . i, sendo positivo se o sentido da corrente for o mes-
mo do sentido do percurso, e negativo se for no sentido contrário.
Para o gerador (fem) e receptor (fcem) utiliza-se o sinal de en-
trada no sentido que adotamos para a malha.
Como exemplo, considere a malha indicada na figura abaixo:

Lei dos Nós


A Lei dos Nós, também chamada de primeira lei de Kirchhoff,
indica que a soma das correntes que chegam em um nó é igual a
soma das correntes que saem.
Esta lei é consequência da conservação da carga elétrica, cuja
soma algébrica das cargas existentes em um sistema fechado per-
manece constante.

Exemplo
Na figura abaixo, representamos um trecho de um circuito per-
corrido pelas correntes i1, i2, i3 e i4.
Indicamos ainda o ponto onde os condutores se encontram Aplicando a lei das malhas para esse trecho do circuito, tere-
(nó): mos:
UAB + UBE + UEF + UFA = 0

Para substituir os valores de cada trecho, devemos analisar os


sinais das tensões:
• ε1: positivo, pois ao percorrer o circuito no sentido horário
(sentido que escolhemos) chegamos pelo polo positivo;
• R1.i1: positivo, pois estamos percorrendo o circuito no
mesmo sentido que definimos o sentido de i1;
• R2.i2: negativo, pois estamos percorrendo o circuito no
sentido contrário que definimos para o sentido de i2;
• ε2: negativo, pois ao percorrer o circuito no sentido horá-
rio (sentido que escolhemos), chegamos pelo polo negativo;
• R3.i1: positivo, pois estamos percorrendo o circuito no
mesmo sentido que definimos o sentido de i1;
• R4.i1: positivo, pois estamos percorrendo o circuito no
Neste exemplo, considerando que as correntes i1 e i2 estão che- mesmo sentido que definimos o sentido de i1;
gando ao nó, e as correntes i3 e i4 estão saindo, temos:
i1 + i 2 = i 3 + i 4 Considerando o sinal da tensão em cada componente, pode-
mos escrever a equação desta malha como:
Em um circuito, o número de vezes que devemos aplicar a Lei ε1 + R1.i1 - R2.i2 - ε2 + R3.i1 + R4.i1 = 0
dos Nós é igual ao número de nós do circuito menos 1. Por exemplo,
se no circuito existir 4 nós, vamos usar a lei 3 vezes (4 - 1). Passo a Passo
Para aplicar as Leis de Kirchhoff devemos seguir os seguintes
Lei das Malhas passos:
A Lei das Malhas é uma consequência da conservação da ener- • 1º Passo: Definir o sentido da corrente em cada ramo e
gia. Ela indica que quando percorremos uma malha em um dado escolher o sentido em que iremos percorrer as malhas do circuito.
sentido, a soma algébrica das diferenças de potencial (ddp ou ten- Essas definições são arbitrárias, contudo, devemos analisar o circui-
são) é igual a zero. to para escolher de forma coerente esses sentidos.

46
FÍSICA
• 2º Passo: Escrever as equações relativas a Lei dos Nós e Diferença de potencial
Lei das Malhas. Ao abandonarmos um corpo a certa altura, ele sempre cai. Isso
• 3º Passo: Juntar as equações obtidas pela Lei dos Nós e ocorre porque existe uma diferença de energia potencial entre o
das Malhas em um sistema de equações e calcular os valores des- local em que o corpo estava e o solo.
conhecidos. O número de equações do sistema deve ser igual ao
número de incógnitas. Em uma pilha comum ocorre algo semelhante. A pilha assim
como a tomada de nossa casa, a bateria do carro ou do celular, en-
Ao resolver o sistema, encontraremos todas as correntes que fim, qualquer gerador de energia elétrica, é um dispositivo no qual
percorrem os diferentes ramos do circuito. se conseguiu estabelecer dois de seus pontos: um que precisa de
Se algum dos valores encontrados for negativo, significa que a elétrons e o outro que os tem sobrando.
sentido da corrente escolhido para o ramo tem, na verdade, sentido Em uma pilha, no ponto denominado pólo negativo há elé-
contrário. trons sobrando, e no pólo positivo há falta de elétrons. Se ligásse-
mos esses pontos por meio de um fio condutor, os elétrons entra-
Exemplo riam em movimento e uma corrente surgiria no fio.
No circuito abaixo, determine as intensidades das correntes em
todos os ramos.

Solução Por isso, nessa situação há energia potencial armazenada na


Primeiro, vamos definir um sentido arbitrário para as correntes pilha, de modo muito parecido com o que possui um objeto situado
e também o sentido que iremos seguir na malha. a uma altura h do chão: é só soltá-lo, que ele entra em movimento.
Neste exemplo, escolhemos o sentido conforme esquema abai- Da mesma forma, ao ligar um fio à pilha, uma corrente surge no fio.
xo: A unidade de tensão no Sistema Internacional é indicada pelo
volt (V).
A pilha mais usada é a de 1,5 V. Uma bateria de carro fornece
12 V.
O computador trabalha com uma fonte de 5 V. As tomadas de
nossa casa fornecem tensão de 110V ou 220 V, dependendo da re-
gião do País. É muito prudente observar a tensão local antes de ligar
os aparelhos às tomadas. Se ligarmos aparelhos programados para
funcionar a 110 V em uma tomada de 220V, eles podem queimar e
até provocar acidentes graves.
Em geral, basta ajustar nos aparelhos uma chave para que
essa situação se resolva; mas nem sempre essa chave existe, por
isso tome cuidado!

O próximo passo é escrever um sistema com as equações esta-


belecidas usando a Lei dos Nós e das Malhas. Sendo assim, temos:
Por fim, vamos resolver o sistema. Começando substituindo i3
por i1 - i2 nas demais equações:
Resolvendo o sistema por soma, temos:
Agora vamos encontrar o valor de i1, substituindo na segunda
equação o valor encontrado para i2:
Finalmente, vamos substituir esses valores encontrados na pri-
meira equação, para encontrar o valor de i3:

Assim, os valores das correntes que percorrem o circuito são:


3A, 8A e 5A.

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FÍSICA
Devido a diferença de potencial, podemos levar choques.
Como o nosso corpo é bom condutor de eletricidade, se tocarmos
em dois pontos que existe diferença de potencial, uma corrente
atravessará o nosso corpo. Dependendo da intensidade dessa cor-
rente e do caminho que ela percorrer no corpo um choque pode até
mesmo levar à morte.

A própria lâmpada incandescente converte mais energia elé-


trica em energia térmica do que em energia luminosa, sendo essa
última a sua grande finalidade: 85 % da energia que consome é
transformada em calor. Ao contrário, as lâmpadas fluorescentes,
consideradas “lâmpadas frias”, têm uma parte bem menor da ener-
gia elétrica convertida em calor e por isso são econômicas.
Devemos tomar muito cuidado com fios de alta tensão. A ten-
são nesses cabos chega a milhares de volts! Por isso, não brinque Primeira lei de Ohm
próximo a postes de energia elétrica. Observou-se experimentalmente em alguns resistores, que a
E por que, você deve se perguntar, os pássaros que pousam corrente estabelecida em um circuito é diretamente proporcional
nesses cabos não são eletrocutados? à tensão aplicada e inversamente proporcional à resistência dos
dispositivos do circuito e dos fios que os conectavam. Ou seja:
quanto maior a tensão do gerador, maior a corrente e quanto maior
a resistência, menor a corrente. Essa relação é expressa matemati-
camente por:

em que: U é a tensão
R é a resistência
Isso não ocorre porque suas patinhas são muito próximas i é a corrente
uma das outras, sendo muito pequena a diferença de potencial
entre elas. Vejamos um exemplo:
Com as pessoas, a situação é diferente. Nunca toque em fios Uma pequena lâmpada está submetida a uma tensão de 12 V.
de alta tensão, pois se tocar em um cabo e, ao mesmo tempo, tocar Sabendo que a sua resistência, é de determine a corrente que
em outro ponto do cabo ou em outro objeto, você poderá levar um percorre a lâmpada.
choque elétrico intenso, possivelmente fatal, se houver diferença
de potencial significativa entre os pontos tocados. Sabemos que .

Resistência elétrica Como ,


Sabemos que os materiais apresentam graus de dificuldade Temos que:
para a passagem da corrente elétrica. Esse grau de dificuldade é de-
nominado resistência elétrica. Mesmo os metais, que em geral são
bons condutores, apresentam resistência. A unidade de medida da
resistência é o ohm ( ). Potência elétrica
Os dispositivos que são usados em um circuito elétrico são Talvez você tenha reparado, nas etiquetas dos aparelhos ou dis-
denominados resistores. Os resistores são usados em um circuito positivos elétricos que compramos que existe uma etiqueta especi-
para aumentar ou diminuir a intensidade da corrente elétrica que ficando: 100 (Watt), 500 W, 1000 W etc. Mas, afinal, o que significa
o percorre. essa informação?
Podemos comparara a resistência elétrica àquelas barreiras Vimos em mecânica o conceito de potência: energia/tempo. A
que encontramos nas pistas de atletismo para a corrida com obs- energia elétrica que é convertida nesses aparelhos para várias fina-
táculos. Quanto mais obstáculos mais lenta é a velocidade média lidades e usos distintos, como gerar movimento (motores), gerar
dos corredores. Em um circuito acontece da mesma forma: quanto calor (resistores), gerar energia luminosa (lâmpadas), dividida pelo
mais resistência elétrica, menor é a corrente que atravessa o fio tempo que está em uso, é a potência elétrica, que, assim como na
condutor. mecânica, medimos em Watts (joules/segundo).
A aplicação mais comum dos resistores é converter energia elé-
trica em energia térmica. Isso ocorre porque os elétrons que se mo-
vem no resistor colidem com a rede cristalina que o forma, gerando
calor. Esse fenômeno é denominado efeito joule em nosso dia-a-
-dia: em chuveiros elétricos, ferros de passar roupa, em fogões elé-
tricos, etc. Observem que todos esses aparelhos “fornecem calor”.

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FÍSICA

A potência é diretamente proporcional à tensão e à corrente.

Matematicamente, temos:

Por exemplo, num chuveiro elétrico de 2200 W, ligado à rede de 110V, podemos calcular a corrente que o percorre:

Os ímãs
O magnetismo é conhecido há cerca de 2500 anos. Em uma região chamada Magnésia, na antiga Grécia (esta região hoje faz parte da
Turquia), foi encontrada uma rocha com o poder de atrair pedaços de ferro.
Os antigos gregos lhe deram o nome de magnetita (um tipo de minério de ferro).

A magnetita atualmente é mais conhecida como pedra-ímã ou simplesmente ímã.

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FÍSICA
Forças magnéticas
Por meio dos experimentos, constatou-se que o imã tem a pro-
priedade de atrair certos materiais. Essa propriedade é denomina-
da de magnetismo.
A força magnética do imã atua sobre certos metais como o
ferro, o níquel e o cobalto, isto é, sobre os materiais denominados
ferromagnéticos. Nem todos os metais são ferromagnéticos. Os
metais das medalhas olímpicas, por exemplo, o ouro, a prata e o
cobre não são atraídos pelos imãs.
Ao colocar a folha de papel com limalha de ferro sobre o imã,
nela fica representada a área de influência desse imã.
Com esse conhecimento básico, os chineses criaram a bússola,
que, desde o século XI, tem sido usada para orientar navegadores
e pilotos.
Nos séculos XV e XVI, época das grandes navegações, a bússo-
la, desempenhou papel fundamental na orientação pelos mares até
então desconhecidos.

Eletroímãs
Há um tipo muito interessante de imã chamado eletroímã. É
um dispositivo no qual a eletricidade percorre um fio enrolado em
As extremidades do imã – regiões onde as forças magnéticas um pedaço de ferro e que se comporta como um imã.
agem mais intensamente – são denominadas polos. A existência Você pode construir um eletroímã em casa: Um eletroímã co-
desses polos é uma das importantes características dos imãs. meça com uma pilha ou bateria (ou alguma outra fonte de energia)
O imã apresenta sempre dois polos. e um fio. O que a pilha produz são os elétrons.
Se o quebrarmos em duas partes, cada uma delas apresentará
novamente dois polos. Portanto, não conseguiremos nunca isolar
um dos polos do imã.

Se você olhar qualquer pilha D (uma pilha de lanterna, por


exemplo), dá para ver que há duas extremidades, uma marcada
Podendo se movimentar livremente, um imã se alinha com a com um sinal de mais (+) e outra marcada com o sinal de menos
direção geográfica Norte-Sul. (-). Os elétrons estão agrupados na extremidade negativa da pilha
Convencionou-se que a parte do imã que aponta para o Norte e, podem fluir para a extremidade positiva, com o auxílio de um fio.
geográfico da Terra seria denominada polo Norte do ímã. Normal- Se você conectar um fio diretamente entre os terminais positivo e
mente, essa parte é pintada de vermelho. A outra parte é o polo negativo de uma pilha, três coisas irão acontecer:
Sul do imã. 1. os elétrons irão fluir do lado negativo da pilha até o lado
positivo o mais rápido que puderem;
2. a pilha irá descarregar bem rápido (em questão de minu-
tos). Por esse motivo, não costuma ser uma boa ideia conectar os
2 terminais de uma pilha diretamente um ao outro, normalmente,
você conecta algum tipo de carga no meio do fio. Essa carga pode
ser um motor, uma lâmpada, um rádio;
3. um pequeno campo magnético é gerado no fio. É esse pe-
queno campo magnético que é a base de um eletroímã.

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FÍSICA
05. (Vunesp, 2011) Considere um carrinho de brinquedo (B)
EXERCÍCIOS que seja capaz de exercer uma força F, constante e paralela ao pla-
no inclinado, sobre uma caixinha de fósforos (C), enquanto sobe
uma rampa inclinada de um ângulo α, conforme indica a figura:
01. (IFGO) Podemos dizer que uma partícula se encontra em
movimento quando suas posições sofrem alterações no decorrer
do tempo em relação a um dado referencial. Estando em movi-
mento, ainda podemos dizer que a partícula pode estar em movi-
mento uniforme ou em movimento variado. Acerca de um satélite
geoestacionário que se encontra sobre a linha do equador terres-
tre, podemos afirmar corretamente que
(A) não possui aceleração pelo fato de sua velocidade ter mó- Considere as seguintes afirmações sobre as forças atuantes so-
dulo constante. bre a caixinha de fósforos:
(B) a aceleração tangencial é nula e a aceleração centrípeta de- I. a força de atrito depende da massa da caixinha de fósforos;
penderá da altitude que se encontrar em relação à superfície II. a força de atrito independe da inclinação α;
da Terra. III. a força resultante depende da massa da caixinha.
(C) possui aceleração escalar constante e diferente de zero.
(D) sua aceleração resultante é a própria aceleração tangencial. É (são) verdadeira(s) a(s) afirmação(ões)
(E) a aceleração vetorial desse satélite não pode ser nula, pois (A) I, apenas.
o satélite deverá possuir velocidade tangencial muito grande. (B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
02. (Mackenzie) Quando misturamos 1,0 kg de água (calor es- (D) II e III, apenas.
pecífico sensível = 1,0 cal/g°C) a 70°C com 2,0 kg de água a 10°C, (E) I, II e III.
obtemos 3,0 kg de água a:
(A) 10°C 06. (CESPE/2010 - SEDU-ES) Uma das teorias de maior impac-
(B) 20°C to do século XX foi a teoria da relatividade de Albert Einstein. Com
(C) 30°C relação a essa teoria, julgue opróximoitem.
(D) 40°C Segundo os postulados da teoria da relatividade restrita, as
(E) 50°C leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, e a
velocidade da luz é uma constante universal que não depende da
03. Quando a luz branca atravessa um prisma transparente, velocidade da fonte de luz ou do observador.
ela decompõe-se, tornando evidente o espectro de cores que se () Certo
unem para formá-la. O fenômeno descrito refere-se à: () Errado

(A) dispersão da luz. 07. (NUCEPE/2015 - SEDUC-PI) A extremidade de um fio está


(B) reflexão da luz. preso a um ponto fixo sobre uma mesa horizontal perfeitamente
(C) absorção da luz. lisa e na outra extremidade do fio está preso um corpo que gira
(D) difração da luz. em movimento circular uniforme em torno deste ponto fixo. Mar-
(E) polarização da luz. que a afirmação exata.
(A) O movimento será circular uniforme, portanto a energia
04. (FCC 2011) Um lustre, cujo peso tem intensidade P, está cinética irá variar.
suspenso no teto por meio de dois fios de mesmo comprimento, (B) O momento linear e a energia cinética do objeto variam.
que formam com o teto ângulos de 30°, como mostra a figura. (C) O momento linear do objeto é constante porque a energia
mecânica é constante.
(D) O momento linear do objeto é constante porque a resultan-
te das forças sobre o objeto é nula.
(E) A energia cinética não varia porque não há trabalho de for-
ças externas.

08. (CESPE/2010 - SEDU-ES) O estudo dos fenômenos ondu-


latórios constitui parte importante da física, tendo reflexos em
As intensidades das forças que tracionam os fios, em relação diversas áreas como a óptica, a acústica, o eletromagnetismo e
a P, valem a teoria quântica. Com relação aos movimentos ondulatórios e à
(A) P/3 propagação de ondas, julgue oitemseguinte.
(B) P/2 A aceleração de um corpo que executa um movimento harmô-
(C) 2P/3 nico simples é inversamente proporcional ao seu deslocamento.
(D) 3P/4 ( ) Certo
(E) P ( ) Errado

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FÍSICA
09. (FCC/2018 – SABESP) A ausência de movimento é um caso especial de aceleração nula, ou seja, pelas Leis de Newton, uma si-
tuação em que todas as forças que atuam sobre um corpo se equilibram. Portanto, a soma vetorial de todas as forças que agem sobre
o corpo deve ser nula.
A definição supracitada refere-se ao ramo da física denominado
(A) eletromagnetismo.
(B) termodinâmica.
(C) mecânica dos fluidos.
(D) ondulatória.
(E) estática.

10. (ENEM/2012) Para melhorar a mobilidade urbana na rede metroviária é necessário minimizar o tempo entre estações. Para isso
a administração do metrô de uma grande cidade adotou o seguinte procedimento entre duas estações: a locomotiva parte do repouso
com aceleração constante por um terço do tempo de percurso, mantem a velocidade constante por outro terço e reduz sua velocidade
com desaceleração constante no trecho final, até parar.

Qual é o gráfico de posição (eixo vertical) em função do tempo (eixo horizontal) que representa o movimento desse trem?

11. (CESGRANRIO/2010 – Petrobras)


Toda matéria é descontínua, por mais compacta que pareça.
PORQUE

Na matéria existem espaços intermoleculares que podem ser maiores ou menores.


A esse respeito, conclui-se que
(A) as duas afirmações são falsas.
(B) a primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira.
(C) a primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa.
(D) as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
(E) as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira.

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FÍSICA
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GABARITO
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1 B
2 C ______________________________________________________

3 A ______________________________________________________
4 E ______________________________________________________
5 C
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6 CERTO
7 E ______________________________________________________
8 ERRADO ______________________________________________________
9 E
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10 C
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11 D
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ANOTAÇÕES ______________________________________________________

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1. Matéria e Substância: Propriedades gerais e específicas; estados físicos da matéria e suas características; caracterização e proprie-
dades; diagrama de mudança de estados físicos; misturas e tipos de misturas; processos de separação de misturas; sistemas; fases e
separação de fases; substâncias simples e compostas; substâncias puras; transformações da matéria; unidades de matéria; energia e
meio-ambiente; grandezas e unidades de medida; massa; volume; temperatura; pressão; densidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. Estrutura Atômica Moderna: Introdução à Química; história da química; evolução dos modelos atômicos; teorias atômicas; elementos
químicos; o átomo e as principais partículas do átomo; núcleo do átomo; número atômico e número de massa; íons; isóbaros; isóto-
nos; isótopos e isoeletrônicos; configuração eletrônica; eletrosfera diagrama de Pauling; regra de Hund (Princípio de exclusão de Pauli)
e números quânticos; leis ponderais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
3. Classificações Periódicas: Histórico da classificação periódica; tabela periódica; organização da tabela periódica; elementos químicos;
grupos; famílias e períodos da tabela periódica; propriedades periódicas; raio atômico; energia de ionização; afinidade eletrônica;
eletropositividade e eletronegatividade; reatividade; classificação e propriedades dos elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4. Ligações Químicas: Tipos de ligações químicas; ligações iônicas; ligações covalentes; ligações metálicas; fórmulas estruturais; reati-
vidade dos metais; propriedades das substâncias moleculares, iônicas e metálicas; estrutura das substâncias moleculares, iônicas e
metálicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
5. Características dos Compostos Iônicos e Moleculares: Geometria molecular: polaridade das moléculas; forças intermoleculares; nú-
mero de oxidação; polaridade e solubilidade; estado físico e ligações intermoleculares; temperaturas de fusão e ebulição; relação
entre polaridade e propriedades físicoquímicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
6. Funções Inorgânicas: Ácidos; bases; sais e óxidos; nomenclaturas; reações; propriedades; formulação e classificação; definições e
conceitos teóricos; efeitos ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
7. Reações Químicas: Tipos de reações químicas; oxidorredução; equações químicas, previsão e condições de ocorrência das reações
químicas; balanceamento de equações químicas; balanceamento de equações pelo método da tentativa; balanceamento de equa-
ções pelo método de oxirredução; balanceamento de equações pelo método íon-elétron; classificação de reações químicas . . . . 26
8. Grandezas Químicas: Relações de massa; outras relações químicas; massas atômicas e moleculares; massa molar; mol e quantidade
de matéria; volume molar; constante e número de Avogadro; determinação da quantidade de matéria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
9. Estequiometria: Tipos de fórmulas; aspectos quantitativos das reações químicas; leis ponderais; leis volumétricas; cálculos estequio-
métricos; reagente limitante de uma reação e leis químicas; reações com substâncias impuras; rendimento de reação . . . . . . . . . 31
10. Gases: Características gerais dos gases; teoria cinética dos gases; variáveis de estado dos gases; transformações gasosas; equação
geral dos gases ideais; leis de Boyle e de Gay-Lussac: equação de Clapeyron; quantidade de matéria e equação de estado; princípio de
Avogadro e energia cinética média; misturas gasosas; pressão parcial, volume parcial e lei de Dalton; difusão gasosa; noções de gases
reais e liquefação; densidade dos gases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
11. Termoquímica: Poder calorífico; cálculo de calores de reações; reações endotérmicas e exotérmicas; relação entre matéria e calor;
entalpia e tipos de entalpia; Lei de Hess; determinação da variação de entalpia ( H); representações gráficas em termoquímica; equa-
ções termoquímicas; calor ou entalpia em reações químicas; cálculos envolvendo entalpia; variação de calor nas mudanças de estado;
energia de ligação; cálculos com energia de ligação; entropia; energia livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
12. Cinética: Velocidade das reações; teoria da colisão; condições para ocorrência de reações; tipos de velocidade de reação; fatores que
afetam a velocidade das reações; cálculos envolvendo velocidade da reação; lei da velocidade de reações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
13. Soluções: Definição e classificação das soluções; tipos de soluções; solubilidade; curvas de solubilidade; aspectos quantitativos das so-
luções; concentração comum; concentração molar ou molaridade; normalidade; molalidade; fração molar; título; densidade; relação
entre essas grandezas: diluição; misturas de soluções; e análise volumétrica (titulometria) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
14. Equilíbrio Químico: Sistemas em equilíbrio; reações reversíveis; constantes de equilíbrio; cálculo da constante de equilíbrio; quociente
de reação; deslocamento de equilíbrios; princípio de Le Chatelier; equilíbrios iônicos; constantes de ionização; lei de diluição de Ostwald;
grau de equilíbrio; grau de ionização; efeito do íon comum; hidrólise; hidrólise dos sais; equilíbrios iônicos na água; produto iônico da
água; pH e pOH; produto de solubilidade; efeito do íon comum; reações envolvendo gases; equilíbrios em líquidos e gases; catalisadores;
indicadores; soluções ácidas e básicas; acidez e basicidade em soluções; constantes de hidrólise; soluções-tampão . . . . . . . . . . . . . . 54
15. Eletroquímica: Número de oxidação (NOx); cálculo e determinação de NOx; conceito de ânodo; cátodo e polaridade dos eletrodos;
processos de oxidação e redução; equacionamento; agentes redutores e oxidantes; identificação das espécies redutoras e oxidantes;
aplicação da tabela de potenciais-padrão; células galvânicas: pilhas e baterias; montagem de pilhas; potencial de pilhas; cálculos de
voltagem de pilhas; espontaneidade de reações; equação de Nernst; corrosão; métodos protetivos; revestimentos; eletrólise; células
eletrolíticas; aspectos quantitativos da eletrólise; eletrólise com eletrodos ativos e inertes; tipos de eletrólises; leis de Faraday; obten-
ção de metais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
16. Radioatividade: Origem e propriedade das principais radiações; leis da radioatividade; detecção das radiações; séries radioativas;
cinética das radiações e constantes radioativas; transmutações de elementos naturais; fissão e fusão nuclear; uso de isótopos radioa-
tivos; efeitos das radiações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
17. Propriedades coligativas: Propriedades físicas das substâncias; pressão de vapor, influência da temperatura; temperatura de fusão e
ebulição; tonoscopia; ebulioscopia; crioscopia; osmose; pressão osmótica; osmose reversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
18. Princípios da química orgânica: Conceitos; propriedades fundamentais do átomo de carbono; tetravalência do carbono; compostos
orgânicos; ligações em compostos orgânicos; tipos de fórmulas; fórmulas estruturais; séries homólogas; hibridização de orbitais; aná-
lise orgânica elementar; determinação de fórmulas moleculares; formação; nomenclaturas de compostos orgânicos; cadeias carbôni-
cas; classificações do carbono, classificação das cadeias carbônicas e ligações; classificações de compostos orgânicos; todas as funções
orgânicas; derivados de compostos orgânicos; organometálicos; compostos cíclicos, aromáticos e alifáticos; compostos de funções
mistas; reconhecimento de função orgânica; propriedades físicas e química de compostos orgânicos; todas as reações orgânicas; gru-
pos orgânicos substituintes e radicais; dirigência de grupos substituintes; efeitos eletrônicos; isomerias de compostos orgânicos; cisão
de ligações químicas; polímeros e reações de polimerização; métodos de obtenção de compostos orgânicos; biomoléculas; fontes e
usos de compostos orgânicos; petróleo e derivados; biocombustíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
QUÍMICA
Química – é a ciência que estuda os fenômenos químicos. Es-
MATÉRIA E SUBSTÂNCIA: PROPRIEDADES GERAIS E tuda as diferentes substâncias, suas transformações e como elas
ESPECÍFICAS; ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA E SUAS interagem e a energia envolvida.
CARACTERÍSTICAS; CARACTERIZAÇÃO E PROPRIEDA- Fenômenos Físicos - é a transformação da matéria sem altera-
DES; DIAGRAMA DE MUDANÇA DE ESTADOS FÍSICOS; ção da sua composição.
MISTURAS E TIPOS DE MISTURAS; PROCESSOS DE SE- Exemplos: reflexão da luz, solidificação da água, ebulição do
PARAÇÃO DE MISTURAS; SISTEMAS; FASES E SEPARA- álcool etílico.
ÇÃO DE FASES; SUBSTÂNCIAS SIMPLES E COMPOSTAS; Física – é a ciência que estuda os fenômenos físicos. Estuda
SUBSTÂNCIAS PURAS; TRANSFORMAÇÕES DA MATÉ- as propriedades da matéria e da energia, sem que haja alteração
RIA; UNIDADES DE MATÉRIA; ENERGIA E MEIO AM- química.
BIENTE; GRANDEZAS E UNIDADES DE MEDIDA; MAS-
SA; VOLUME; TEMPERATURA; PRESSÃO; DENSIDADE

Substância e Mistura
Analisando a matéria qualitativamente (qualidade) chamamos
a matéria de substância.
Substância – possui uma composição característica, determi-
nada e um conjunto definido de propriedades.
Pode ser simples (formada por só um elemento químico) ou
composta (formada por vários elementos químicos).
Exemplos de substância simples: ouro, mercúrio, ferro, zinco.
Exemplos de substância composta: água, açúcar (sacarose), sal
de cozinha (cloreto de sódio).
Mistura – são duas ou mais substâncias agrupadas, onde a
composição é variável e suas propriedades também.
Exemplo de misturas: sangue, leite, ar, madeira, granito, água
com açúcar.
Propriedades da matéria
Corpo e Objeto O que define a matéria são suas propriedades.Existem as pro-
Analisando a matéria quantitativamente chamamos a matéria priedades gerais e as propriedades específicas.As propriedades
de Corpo. gerais são comuns para todo tipo de matéria e não permitem dife-
Corpo - São quantidades limitadas de matéria. Como por renciar uma da outra. São elas: massa, peso, inércia, elasticidade,
exemplo: um bloco de gelo, uma barra de ouro. compressibilidade, extensão, divisibilidade, impenetrabilidade.
Os corpos trabalhados e com certo uso são chamados de ob- Massa – medida da quantidade de matéria de um corpo. De-
jetos. Uma barra de ouro (corpo) pode ser transformada em anel, termina a inércia e o peso.
brinco (objeto). Inércia – resistência que um corpo oferece a qualquer ten-
tativa de variação do seu estado de movimento ou de repouso. O
Fenômenos Químicos e Físicos corpo que está em repouso, tende a ficar em repouso e o que está
Fenômeno é uma transformação da matéria. Pode ser química em movimento tende a ficar em movimento, com velocidade e di-
ou física. reção constantes.
Fenômeno Químico é uma transformação da matéria com Peso – é a força gravitacional entre o corpo e a Terra.
alteração da sua composição. Elasticidade – propriedade onde a matéria tem de retornar
Exemplos: combustão de um gás, da madeira, formação da fer- ao seu volume inicial após cessar a força que causa a compressão.
rugem, eletrólise da água. Compressibilidade – propriedade onde a matéria tem de re-
duzir seu volume quando submetida a certas pressões.
Extensão – propriedade onde a matéria tem de ocupar lugar
no espaço.
Divisibilidade – a matéria pode ser dividida em porções cada
vez menores. A menor porção da matéria é a molécula, que ainda
conserva as suas propriedades.
Impenetrabilidade – dois corpos não podem ocupar o mesmo
espaço ao mesmo tempo.
As propriedades específicas são próprias para cada tipo de ma-
téria, diferenciando-as umas das outras. Podem ser classificadas
em organolépticas, físicas e químicas.
As propriedades organolépticas podem ser percebidas pelos órgãos
dos sentidos (olhos, nariz, língua). São elas: cor, brilho, odor e sabor.
As propriedades físicas são: ponto de fusão e ponto de ebuli-
ção, solidificação, liquefação, calor específico, densidade absoluta,
propriedades magnéticas, maleabilidade, ductibilidade, dureza e
tenacidade.
Ponto de fusão e ebulição – são as temperaturas onde a ma-
téria passa da fase sólida para a fase líquida e da fase líquida para a
fase sólida, respectivamente.

1
QUÍMICA
Ponto de ebulição e de liquefação – são as temperaturas onde - água + álcool etílico
a matéria passa da fase líquida para a fase gasosa e da fase gasosa - água + acetona
para a líquida, respectivamente. - água + açúcar
Calor específico – é a quantidade de calor necessária para au- - água + sais minerais
mentar em 1 grau Celsius (ºC) a temperatura de 1grama de massa
de qualquer substância. Pode ser medida em calorias.
Densidade absoluta – relação entre massa e volume de um
corpo.
d=m:V

Propriedade magnética – capacidade que uma substância


tem de atrair pedaços de ferro (Fe) e níquel (Ni).
Maleabilidade – é a propriedade que permite à matéria ser
transformada em lâmina. Característica dos metais.
Ductibilidade – capacidade que a substância tem de ser trans-
formada em fios. Característica dos metais.
Dureza – é determinada pela resistência que a superfície do
material oferece ao risco por outro material. O diamante é o mate- Mistura Heterogênea – é formada por duas ou mais fases. As
rial que apresenta maior grau de dureza na natureza. substâncias podem ser diferenciadas a olho nu ou pelo microscó-
pio.
Exemplos:
- água + óleo
- granito
- água + enxofre
- água + areia + óleo

Tenacidade – é a resistência que os materiais oferecem ao


choque mecânico, ou seja, ao impacto. Resiste ao forte impacto
sem se quebrar.
As propriedades químicas são as responsáveis pelos tipos de
transformação que cada substância é capaz de sofrer. Estes proces-
sos são as reações químicas.

Mistura e Substância
Mistura – é formada por duas ou mais substâncias puras. As Os sistemas monofásicos são as misturas homogêneas.
misturas têm composição química variável, não expressa por uma Os sistemas polifásicos são as misturas heterogêneas. Os siste-
fórmula. mas homogêneos, quando formados por duas ou mais substâncias
Algumas misturas são tão importantes que têm nome próprio. miscíveis (que se misturam) umas nas outras chamamos de solu-
São exemplos: ções.
- gasolina – mistura de hidrocarbonetos, que são substâncias São exemplos de soluções: água salgada, vinagre, álcool hidra-
formadas por hidrogênio e carbono. tado.
- ar atmosférico – mistura de 78% de nitrogênio, 21% de oxi- Os sistemas heterogêneos podem ser formados por uma única
gênio, 1% de argônio e mais outros gases, como o gás carbônico. substância, porém em várias fases de agregação (estados físicos)
- álcool hidratado – mistura de 96% de álcool etílico mais 4% .Exemplo: Água líquida, sólida (gelo),vapor
de água.
Separação de mistura
Substância – é cada uma das espécies de matéria que constitui Os componentes das misturas podem ser separados. Há algu-
o universo. Pode ser simples ou composta. mas técnicas para realizar a separação de misturas. O tipo de sepa-
ração depende do tipo de mistura.
Sistema e Fases Alguns dos métodos de separação de mistura são: catação, le-
Sistema – é uma parte do universo que se deseja observar, vigação, dissolução ou flotação, peneiração, separação magnética,
analisar. Por exemplo: um tubo de ensaio com água, um pedaço de dissolução fracionada, decantação e sedimentação, centrifugação,
ferro, uma mistura de água e gasolina, etc. filtração, evaporação, destilação simples e fracionada e fusão fra-
Fases – é o aspecto visual uniforme. cionada.
As misturas podem conter uma ou mais fases.
Separação de Sólidos
Mistura Homogênea – é formada por apenas uma fase. Não Para separar sólidos podemos utilizar o método da catação, le-
se consegue diferencias a substância. vigação, flotação ou dissolução, peneiração, separação magnética,
Exemplos: ventilação e dissolução fracionada.
- água + sal

2
QUÍMICA
- CATAÇÃO – consiste basicamente em recolher com as mãos Dissolve-se o sal em água. A areia não se dissolve na água. Po-
ou uma pinça um dos componentes da mistura. de-se filtrar a mistura separando a areia, que fica retida no filtro da
Exemplo: separar feijão das impurezas antes de cozinhá-los. água salgada. Pode-se evaporar a água, separando a água do sal
- LEVIGAÇÃO – separa substâncias mais densas das menos den-
sas usando água corrente. Separação de Sólidos e Líquidos
Exemplo: processo usado por garimpeiros para separar ouro Para separar misturas de sólidos e líquidos podemos utilizar o
(mais denso) da areia (menos densa). método da decantação e sedimentação, centrifugação, filtração e
evaporação.
- DISSOLUÇÃO OU FLOCULAÇÃO – consiste em dissolver a mis-
tura em solvente com densidade intermediária entre as densidades - SEDIMENTAÇÃO – consiste em deixar a mistura em repouso
dos componentes das misturas. até o sólido se depositar no fundo do recipiente.
Exemplo: serragem + areia Exemplo: água + areia
Adiciona-se água na mistura. A areia fica no fundo e a serragem
flutua na água.

- PENEIRAÇÃO – separa sólidos maiores de sólidos menores ou


ainda sólidos em suspensão em líquidos.
Exemplo: os pedreiros usam esta técnica para separar a areia
mais fina de pedrinhas; para separar a polpa de uma fruta das suas
sementes, como o maracujá.
Este processo também é chamado de tamização.

- DECANTAÇÃO – é a remoção da parte líquida, virando


cuidadosamente o recipiente. Pode-se utilizar um funil de
decantação para remover um dos componentes da mistura.
Exemplo: água + óleo; água + areia

- SEPARAÇÃO MAGNÉTICA – usado quando um dos componen-


tes da mistura é um material magnético.
Com um ímã ou eletroímã, o material é retirado.
Exemplo: limalha de ferro + enxofre; areia + ferro

- CENTRIFUGAÇÃO – é o processo de aceleração da sedimenta-


ção. Utiliza-se um aparelho chamadocentrífuga ou centrifugador,
que pode ser elétrico ou manual.
Exemplo: Para separar a água com barro.

- VENTILAÇÃO – usado para separar dois componentes sólidos


com densidades diferentes. É aplicado um jato de ar sobre a mis-
tura.
Exemplo: separar o amendoim torrado da sua casca já solta;
arroz + palha.

- DISSOLUÇÃO FRACIONADA - consiste em separar dois compo-


nentes sólidos utilizando um líquido que dissolva apenas um deles.
Exemplo: sal + areia

3
QUÍMICA

- FILTRAÇÃO – processo mecânico que serve para separar mistura sólida dispersa com um líquido ou gás. Utiliza-se uma superfície
porosa (filtro) para reter o sólido e deixar passar o líquido. O filtro usado é um papel-filtro.

O papel-filtro dobrado é usado quando o produto que mais interessa é o líquido. A filtração é mais lenta.
O papel-filtro pregueado produz uma filtração mais rápida e é utilizada quando a parte que mais interessa é a sólida.
Exemplo: água + areia

4
QUÍMICA
- EVAPORAÇÃO – consiste em evaporar o líquido que está misturado com um sólido.
Exemplo: água + sal de cozinha (cloreto de sódio).
Nas salinas, obtém-se o sal de cozinha por este processo. Na realidade, as evaporações resultam em sal grosso, que se for purificado
torna-se o sal refinado (sal de cozinha), que é uma mistura de cloreto de sódio e outras substâncias que são adicionadas pela indústria.

Separação de Misturas Homogêneas


Para separar os componentes das substâncias de misturas homogêneas usamos os métodos chamados defracionamento, que se ba-
seiam na constância da temperatura nas mudanças de estados físicos. São eles: destilação e fusão.

- DESTILAÇÃO – consiste em separar líquidos e sólidos com pontos de ebulição diferentes. Os líquidos devem ser miscíveis entre si.
Exemplo: água + álcool etílico; água + sal de cozinha
O ponto de ebulição da água é 100°C e o ponto de ebulição do álcool etílico é 78°C. Se aquecermos esta mistura, o álcool ferve pri-
meiro. No condensador, o vapor do álcool é resfriado e transformado em álcool líquido, passando para outro recipiente, que pode ser um
frasco coletor, um erlenmeyer ou um copo de béquer. E a água permanece no recipiente anterior, separando-se assim do álcool.
Para essa técnica, usa-se o aparelho chamado destilador, que é um conjunto de vidrarias do laboratório químico. Utiliza-se: termôme-
tro, balão de destilação, haste metálica ou suporte, bico de Bunsen, condensador, mangueiras, agarradores e frasco coletor.
Este método é a chamada Destilação Simples.
Nas indústrias, principalmente de petróleo, usa-se a destilação fracionada para separar misturas de dois ou mais líquidos. As torres de
separação de petróleo fazem a sua divisão produzindo gasolina, óleo diesel, gás natural, querosene, piche.
As substâncias devem conter pontos de ebulição diferentes, mas com valores próximos uns aos outros.

Fonte: http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/destilacao-simples.gif

FUSÃO FRACIONADA – separa componentes de misturas homogêneas de vários sólidos. Derrete-se a substância sólida até o seu ponto
de fusão, separando-se das demais substâncias.
Exemplo: mistura sólida entre estanho e chumbo.
O estanho funde-se a 231°C e o chumbo, a 327°C. Então, funde-se primeiramente o estanho.

5
QUÍMICA
Energia Os átomos e moléculas neste estado se encontram mais afas-
Energia é algo um pouco mais complicado de definir do que foi tadas e fora de uma estrutura estática como vimos nos sólidos, pois
a matéria. Esta, ao contrário da matéria, não tem peso, e somente a força de interação entre elas é mais fraca, permitindo que outras
é possível medir quando for transformada, ou ao ser liberada ou forças alterem sua estrutura, fazendo com que sua forma se altere.
absorvida. Ela não possui unidades físicas próprias, sendo expressa Isso faz com que os líquidos possam escoar, por exemplo, quando
em termos das unidades de trabalho que realiza. Com isso, pode- afetados pela força gravitacional.
mos ter uma definição mais simples: energia nada mais é do que a
capacidade de realizar trabalho. De acordo com a lei da conserva- Os gases, por outro lado, não possuem forma ou volume defini-
ção da energia, esta não pode ser criada nem destruída, portanto do, eles assumem a forma e o volume do local onde estão, ficando
somente se transformará. mais ou menos densos, pois seu volume pode ser alterado mais
É a partir da energia, ainda, que é possível modificar a matéria, facilmente.
anular ou provocar movimentos e causar deformações. Existem Neste estado, os átomos e moléculas estão extremamente
algumas formas de energia. De acordo com a lei da conservação da afastados entre si, e possuem poucas interações uns com os outros,
energia, esta não pode ser criada nem destruída. assim, eles podem facilmente se desprender e ocupar um grande
volume quando liberados.
Formas de energia
Energia cinética: associada ao movimento. Esta depende da Abaixo podemos ver melhor a forma de organização de cada
massa e da velocidade de um corpo. um destes estados.
Energia potencial: encontra-se armazenada em um sistema e
pode ser usada a qualquer momento. São elas a energia potencial
gravitacional – relacionada a altura de um corpo em relação a um
determinado nível de referência – e a energia potencial elástica,
relacionada a uma mola ou a um corpo elástico.
Energia mecânica total: a energia mecânica total e dada pela
soma das energias cinética e potencial.

Matéria e Energia
A matéria é formada por moléculas, que por sua vez, é formada por
átomos, que ao se agruparem, dão forma a tudo que conhecemos. É im-
portante salientar que o átomo não é a menor porção de matéria como
acreditavam os gregos, que foram os primeiros a supor sua existência. Fonte: https://www.infoescola.com/quimica/estados-fisicos-da-mate-
A matéria pode se apresentar em três diferentes estados, o so- ria/
lido, o líquido e o gasoso, e as diferenças entre eles são apenas o
modo como estes átomos e moléculas estão organizados, sua inte- Mas se o estado da matéria depende dessas interações e da
ração e agitação. Como podemos ver na imagem. agitação das moléculas, é possível alterá-lo? Sim. Quando forne-
cemos energia o suficiente para o corpo, a agitação das moléculas
faz com que as interações diminuam, e as moléculas fiquem mais
livres. Se essa energia for fornecida na forma de calor, podemos
descobrir quando ocorrerá a mudança do estado físico por meio
dos pontos de fusão e ebulição, que são diferentes para cada tipo
de material. A energia altera a temperatura do corpo, até chegar a
um desses pontos.
Quando o material está no ponto de fusão (pf) ou no ponto
de ebulição (pe), é necessário que haja uma troca de energia para
mudar seu estado, essa energia também é diferente para cada ma-
terial, essa quantidade é chamada de calor latente e podemos ver
alguns valores de materiais bem conhecidos na tabela abaixo

Substância Pf (ºC) Lf (cal/g) Pe (ºC) Le (cal/g)


Água 0 79,71 100 539,6
Um corpo no estado sólido apresenta sempre uma forma e um Cobre 1039 51 2582 1290
volume bem definidos, assim como uma rigidez que pode variar de Etanol -114 24,9 78,3 204
um sólido para outro. De forma geral, os átomos de um corpo nes-
te estado estão muito próximos, e fortemente ligados, mantendo Ferro 1535 64,9 2800 1515
assim sua forma e posição. Freon - - -29 38
Na maioria dos casos estes átomos estão organizados em es- Mercúrio -39 2,82 356,5 68
truturas cristalinas, ou seja, muito bem definidas, como o sal de
cozinha (NaCl), no qual os átomos de cloro estão posicionados nos Ouro 1063 15,8 2660 377
vértices de um cubo. zinco 419 28,13 906 -
Os corpos no estado líquido possuem um volume bem defini-
do, entretanto sua forma se adapta ao recipiente no qual está inse- Enquanto o corpo está no ponto de fusão ou ebulição, a ener-
rido. Não apresentam a rigidez características do solido, por isso a gia térmica fornecida para que mude seu estado não altera sua
tensão superficial encontrada neles é extremamente baixa. temperatura.

6
QUÍMICA
É possível alterar o ponto de fusão e ebulição de um material O Modelo Atômico de Dalton, conhecido como o modelo bola
variado a pressão sobre ele. de bilhar, possui os seguintes princípios:
1. Todas as substâncias são formadas de pequenas partícu-
Entretanto, podemos nos perguntar: “se recebendo energia, as las chamadas átomos;
moléculas de um corpo ficam cada vez mais agitadas, o que aconte- 2. Os átomos de diferentes elementos têm diferentes pro-
ce quando eu forneço energia para um gás?” priedades, mas todos os átomos do mesmo elemento são exata-
Quando é fornecida energia o suficiente para um gás, as mo- mente iguais;
léculas começam a se romper, fazendo com alguns átomos percam 3. Os átomos não se alteram quando formam componentes
seus elétrons, assim, eles ficam eletricamente carregados e se tor- químicos;
nem íons. Este é um estado chamado de plasma, ou seja, um gás 4. Os átomos são permanentes e indivisíveis, não podendo
aquecido, eletricamente carregado e com elétrons livres. ser criados nem destruídos;
5. As reações químicas correspondem a uma reorganização
A mudança de estado de um corpo então depende de ele ab- de átomos.
sorver ou liberar energia.
Modelo Atômico de Thomson

ESTRUTURA ATÔMICA MODERNA: INTRODUÇÃO À


QUÍMICA; HISTÓRIA DA QUÍMICA; EVOLUÇÃO DOS
MODELOS ATÔMICOS; TEORIAS ATÔMICAS; ELEMEN-
TOS QUÍMICOS; O ÁTOMO E AS PRINCIPAIS PARTÍ-
CULAS DO ÁTOMO; NÚCLEO DO ÁTOMO; NÚMERO
ATÔMICO E NÚMERO DE MASSA; ÍONS; ISÓBAROS;
ISÓTONOS; ISÓTOPOS E ISOELETRÔNICOS; CONFIGU-
RAÇÃO ELETRÔNICA; ELETROSFERA DIAGRAMA DE
PAULING; REGRA DE HUND (PRINCÍPIO DE EXCLUSÃO
DE PAULI) E NÚMEROS QUÂNTICOS; LEIS PONDERAIS

A estrutura atômica é composta por três partículas fundamen-


tais: prótons (com carga positiva), nêutrons (partículas neutras) e
elétrons (com carga negativa). Modelo Atômico de Thomson
Toda matéria é formada de átomo sendo que cada elemento
químico possui átomos diferentes.
O Modelo Atômico de Thomson foi o primeiro a realizar a di-
A eletricidade chega às nossas casas através de fios e da mo-
visibilidade do átomo. Ao pesquisar sobre raios catódicos, o físico
vimentação de partículas negativas que fazem parte dos elétrons,
inglês propôs esse modelo que ficou conhecido como o modelo pu-
que circulam pelos fios.
dim de ameixa.
Ele demonstrou que esses raios podiam ser interpretados
Modelos Atômicos
como sendo um feixe de partículas carregadas de energia elétrica
Os modelos atômicos são os aspectos estruturais dos átomos
que foram apresentados por cientistas na tentativa de compreen- negativa.
der melhor o átomo e a sua composição. Em 1887, Thomson sugeriu que os elétrons eram um consti-
Em 1808, o cientista inglês John Dalton propôs uma explicação tuinte universal da matéria. Ele apresentou as primeiras ideias rela-
para a propriedade da matéria. Trata-se da primeira teoria atômica tivas à estrutura interna dos átomos.
que dá as bases para o modelo atômico conhecido atualmente. Thomson indicava que os átomos deviam ser constituídos de
A constituição da matéria é motivo de estudos desde a antigui- cargas elétricas positivas e negativas distribuídas uniformemente.
dade. Os pensadores Leucipo (500 a.C.) e Demócrito (460 a.C.) for- Ele descobriu essa mínima partícula e assim estabeleceu a teo-
mularam a ideia de haver um limite para a pequenez das partículas. ria da natureza elétrica da matéria. Concluiu que os elétrons eram
Eles afirmavam que elas se tornariam tão pequenas que não constituintes de todos os tipos de matéria, pois observou que a re-
poderiam ser divididas. Chamou-se a essa partícula última de áto- lação carga/massa do elétron era a mesma para qualquer gás em-
mo. A palavra é derivada dos radicais gregos que, juntos, significam pregado em suas experiências.
o que não se pode dividir. Em 1897, Thomson tornou-se reconhecido como o “pai do elé-
tron”.
O Modelo Atômico de Dalton

Modelo atômico de Dalton

7
QUÍMICA
Modelo Atômico de Rutherford 4. Quando os elétrons saltam de uma órbita para a outra re-
sulta luz. Bohr conseguiu prever os comprimentos de onda a partir
da constituição do átomo e do salto dos elétrons de uma órbita
para a outra.

ÁTOMO
Toda matéria é formada por partículas muito pequenas. Essas
partículas chamamos de átomo.
ÁTOMO – É uma partícula indivisível.
Há cerca de 2,5 mil anos, o filósofo grego Demócrito disse
que se dividirmos a matéria em pedacinhos cada vez menores,
chegaremos a grãozinhos indivisíveis, que são os átomos (a = não
e tomo = parte). Em 1897, o físico inglês Joseph Thompson (1856-
1940) descobriu que os átomos eram divisíveis: lá dentro havia o
Modelo atômico de Rutherford elétron, partícula com carga elétrica negativa.

Em 1911, o físico neozelandês Rutherford colocou uma folha


de ouro bastante fina dentro de uma câmara metálica. Seu objetivo
era analisar a trajetória de partículas alfa a partir do obstáculo cria-
do pela folha de ouro.
Nesse ensaio de Rutherford, observou que algumas partículas
ficavam totalmente bloqueadas. Outras partículas não eram afeta-
das, mas a maioria ultrapassava a folha sofrendo desvios. Segundo
ele, esse comportamento podia ser explicados graças às forças de
repulsão elétrica entre essas partículas.
Pelas observações, afirmou que o átomo era nucleado e sua
parte positiva se concentrava num volume extremamente peque-
no, que seria o próprio núcleo. Em 1911, o neozelandês Ernest Rutherford (1871-1937)
O Modelo Atômico de Rutherford, conhecido como modelo mostrou que os átomos tinham uma região central compacta
planetário, corresponde a um sistema planetário em miniatura, no chamada núcleo e que lá dentro encontravam-se os prótons,
qual os elétrons se movem em órbitas circulares, ao redor do nú- partículas com carga positiva.
cleo.

Modelo de Rutherford – Bohr

Fonte: http://static.hsw.com.br/gif/atom-rutherford.jpg

Em 1932, o físico inglês James Chadwick (1891-1974)


descobriu o nêutron, partícula neutra, companheira do próton no
núcleo atômico.
No início dos anos 60, os cientistas já achavam que prótons
Modelo Atômico de Rutherford-Bohr e nêutrons eram formados por partículas ainda menores. Murray
Gell-Mann, nascido em 1929 sugere a existência dos quarks, que
O modelo apresentado por Rutherford foi aperfeiçoado por seriam essas partículas menores. Os quarks são mantidos juntos
Bohr. Por esse motivo, o aspecto da estrutura atômica de Bohr tam- por outras partículas denominadas gluons.
bém é chamada de Modelo Atômico de Bohr ou Modelo Atômico Acreditava-se, na Antiguidade, que os átomos eram indivisíveis
de Rutherford-Bohr. e maciços. No século XX ficou provado que os átomos são formados
A teoria do físico dinamarquês Niels Bohr estabeleceu as se- por outras partículas. São três partículas fundamentais: elétrons,
guintes concepções atômicas: prótons e nêutrons.
1. Os elétrons que giram ao redor do núcleo não giram ao O átomo se divide em duas partes: o núcleo e a eletrosfera. Os
acaso, mas descrevem órbitas determinadas. prótons e nêutrons ficam no núcleo do átomo e os elétrons ficam
2. O átomo é incrivelmente pequeno, mesmo assim a maior na eletrosfera.
parte do átomo é espaço vazio. O diâmetro do núcleo atômico é
cerca de cem mil vezes menor que o átomo todo. Os elétrons giram
tão depressa que parecem tomar todo o espaço.
3. Quando a eletricidade passa através do átomo, o elétron
pula para a órbita maior e seguinte, voltando depois à sua órbita
usual.

8
QUÍMICA

Cada camada eletrônica pode conter certo número máximo de


elétrons.
Observe a tabela:

Fonte: http://www.infoescola.com/Modules/Articles/Images/full- NOME DA CAMADA NÍVEL Nº MÁX. DE É NA CAMADA


-1-3d6aba4843.jpg
K 1 2
Essas partículas são caracterizadas pelas suas cargas elétricas. L 2 8
O elétron tem carga -1 e massa desprezível (sendo aproximada-
M 3 18
mente 1/1836 a massa do próton). A massa do próton seria então
igual a 1 e a carga +1. O nêutron não possui carga elétrica e sua N 4 32
massa é igual a do próton. O 5 32
Observe a tabela entre as relações de massa das partículas fun-
damentais do átomo. Adota-se como padrão o próton com massa P 6 18
igual a 1: Q 7 8

PARTÍCULA MASSA CARGA ELÉTRICA O número de camadas ou níveis de energia varia de acordo
com o número de elétrons de cada átomo.
p 1 +1 Em todo átomo (exceto o paládio – Pd) o número máximo de
n 1 0 elétrons em uma camada K só suporta 2 elétrons.
A penúltima camada deve ter no máximo 18 elétrons.
é 1/1836 -1
Para os átomos com mais de 3 camadas, enquanto a penúltima
não estiver com 18 elétrons, a última terá no máximo 2 elétrons.
Note que a massa do elétron é 1.836 vezes menor que a do
próton, por isso desconsidera-se a sua massa.
Observe algumas distribuições:
H (hidrogênio) nº de é = 1 K=1
Tamanho do Átomo
K (potássio) nº de é =19 K = 2 L=8 M=8 N=1
O tamanho do átomo é medido em angstrons (Å).
Be (berílio) nº de é = 4 K=2 L=2
1 angstron = 10-10metros
Zr (zircônio) nº de é = 40 K = 2 L = 8 M = 18 N = 10 O = 2
O diâmetro médio do núcleo de um átomo fica entre 10-4 Å e
10-5 Å e o da eletrosfera é de 1Å.
Número Atômico (Z)
A eletrosfera de um átomo é entre 10000 e 100000 vezes maior
Cada átomo possui o seu número atômico. Ele indica o número
que o seu núcleo. Essa diferença de tamanho nos leva a admitir que
de elétrons e prótons do átomo. Se ele estiver com sua carga elétri-
o átomo é quase feito de espaço vazio.
ca zero ele está neutro, ou seja, é um átomo neutro.
Em termos práticos, se o núcleo tivesse o tamanho de uma
O número atômico é indicado pela letra (Z).
bola de tênis, o primeiro elétron estaria a uma distância de 1 km.
Número Atômico é o número de prótons e elétrons (átomo
neutro) que existem no átomo.
Camadas Eletrônicas / Níveis de Energia
Exemplos:
Na eletrosfera, os elétrons giram em torno do núcleo ocupan-
Na (sódio) Z=11
do o que chamamos de NÍVEIS DE ENERGIA ou CAMADAS ELETRÔ-
He (hélio) Z=2
NICAS. Cada nível possui um número inteiro de 1 a 7 ou pelas letras
V (vanádio) Z=23
maiúsculas K,L,M,N,O,P,Q. Nas camadas, os elétrons se movem e
Br (bromo) Z=84
quando passam de uma camada para outra absorvem ou liberam
Po (polônio) Z=84
energia.
Quando um elétron salta para uma camada mais interna ele
Pode-se dizer que o número atômico é igual ao número de
libera energia.
prótons do núcleo. Se o átomo for neutro, é igual ao número de
Quando um elétron salta para uma camada mais externa ele
elétrons também.
absorve energia.
Z=p=é
A energia emitida é em forma de luz. Chamamos essa ener-
gia de “quantum” de energia. O “quantum” também é chamado
Número de Massa (A)
de fóton.
Número de massa é o peso do átomo. É a soma do número de
prótons (Z) e de nêutrons (n) que existem num átomo.

A=p+n ou A=Z+n

9
QUÍMICA
É este número que informa se o átomo é mais “leve” ou mais Os isóbaros são átomos que possuem o mesmo número de
“pesado”. São os prótons e nêutrons quem dão a massa do átomo, massa (A) e diferente número de prótons.
já que os elétrons são muito pequenos, com massa desprezível em Exemplo:
relação a estas partículas.
Exemplos: K
40
Ca
40

Na (sódio) A = 23 19 20

A = 40 A = 40
Se o Na tem A = 23 e Z = 11, qual o número de n (nêutrons)? Z = 19 Z = 20
A = 23
Z=p=é São átomos de elementos químicos diferentes, mas que tem o
A=p+n mesmo número de massa.
23 = 11 + n Os isótonos são átomos que possuem o mesmo número de
n = 12 nêutrons e com diferentes números de prótons e de massa. São
átomos de diferentes elementos químicos.
A partir do Z, temos o número de prótons e de elétrons do Exemplo:
átomo. A partir da fórmula A = p + n, isolamos o n para achá-lo,
substituindo o A e o p na fórmula. Então podemos utilizar também A = 37Cl A = 40Ca
a fórmula: Z = 17 Z = 20
n=A–p __________ __________
Observe o modelo: n = 20 n = 20
a) K (potássio)
A = 39 Os isótonos têm propriedades químicas e físicas diferentes.
Z = 19
p = 19 Diagrama de Pauling
é = 19 O diagrama de Pauling ou princípio de Aufbau nada mais é do
n = 20 que um método de distribuir os elétrons na eletrosfera do átomo
e dos íons. Este método foi desenvolvido pelo físico alemão Erwin
Encontramos estes valores na Tabela Periódica dos Elementos. Madelung (no Brasil, em muitos livros de química, o modelo é atri-
Toda tabela possui a sua legenda informando o número atômico buído à Linus Pauling; entretanto, não há evidências de que tenha
e o número de massa. Aplicando a fórmula correta, conseguimos sido ele o criador desse método). Ele provou experimentalmente
encontrar o valor de nêutrons. que os elétrons são dispostos nos átomos em ordem crescente de
energia, visto que todas as vezes que o elétron recebe energia ele
ÍON salta para uma camada mais externa a qual ele se encontra, e no
O átomo que possui p = é, ou seja, o número de prótons igual momento da volta para sua camada de origem ele emite luz, em vir-
ao número de elétrons é eletricamente neutro. tude da energia absorvida anteriormente. Baseado na proposição
Átomo neutro = p = é de Niels Borh de que os elétrons giram ao redor do núcleo, como a
Se o átomo tiver elétrons a mais ou a menos, então não será órbita dos planetas ao redor do sol.
mais um átomo neutro. Este átomo passará a ser chamado de ÍON. Uma lâmpada fluorescente, por exemplo, ela contém uma
Íon = p ≠ é substância química em seu interior, obviamente formada por áto-
Íon é um átomo que perde ou ganha elétrons. Ele pode ficar mos, os elétrons presentes na eletrosfera destes átomos, ao rece-
negativo ou positivo. Então: ber a energia elétrica são excitados, e começam a saltar para outras
Íon positivo (+) doa elétrons – íon cátion. Ex. Na+ camadas e ao retornarem emitem a luz.
Íon negativo (-) recebe elétrons – íon ânion. Ex. Cl-
Quando um cátion doa elétrons, ele fica positivo.
Quando um ânion ganha elétrons, ele fica negativo.

ISÓTOPO, ISÓBARO E ISÓTONO


Se observarmos o número atômico, número de massa e de
nêutrons de diferentes átomos podemos encontrar conjuntos de
átomos com outro número igual.
Os isótopos são átomos que possuem o mesmo número de
prótons (p) e diferente número de massa (A).
Exemplo: o hidrogênio (H)

¹H ²H ³H
¹ ¹ ¹
hidrogênio deutério trítio
Z=1 Z=1 Z=1
A=1 A=2 A=3

Este fenômeno é muito comum na natureza. Quase todos os


elementos químicos naturais são formados por mistura de isóto-
pos.

10
QUÍMICA
Diagrama de Pauling

1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d104p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f14 5d106p6 7s2 5f146d10 7p6 ...

Ordem crescente de energia

Número Quântico Principal (n): também conhecido como nível energético são representados pelos números inteiros corresponden-
tes a:
• K= 1 s
• L= 2 s p
• M= 3 s p d
• N= 4 s p d f
• O= 5 s p d f g
• P= 6 s p d f g h
• Q= 7 s p d f g h i...

Número Quântico Azimutal(l): é comumente conhecido como subnível energético e representado pelas (“s, p, d, f,”...), respecti-
vamente, “s(Sharp), p(Principal), d(difuse) e f(fundamental)”. Os subníveis energéticos são formados por orbitais, que comportam 2
elétrons com spins opostos segundo o Princípio da exclusão de Pauli.

• s²= 1 orbital e 2 spins


• p6= 3 orbitais e 6 spins
• d10= 5 orbitais e 10 spins
• f14= 7 orbitais e 14 spins

Número Quântico Magnético(m): o número quântico magnético é útil para identificação dos orbitais. Onde o orbital da direita tem
valor (+) e os da esquerda valor (-). Por exemplo, utilizando o subnível f que possui um maior número de orbitais, temos:

Número Quântico de Spin (Ms): são representações em forma de seta dos elétrons distribuídos nos orbitais. O valor dos de cada spin
é:
↑ Para cima é positivo Ms=+½(meio) e ↓ Para baixo é negativo e Ms=-½(meio)
Exemplo: é necessário fazer a distribuição eletrônica do átomo de Praseodímio:
Passo 1: procurar o elemento na tabela periódica e observar seu número atômico.
Utilizando o diagrama de Pauling e seguindo pelas diagonais obtém-se:

11
QUÍMICA
No átomo de Pr as camadas possuem:
K=2 elétrons, L=8 elétrons, M=18 elétrons, N=21elétrons, O=8 elétrons e P=2 elétrons.
Passo 2: dispor os spins em orbitais(aqui representados pelos quadrinhos) sendo

Para os íons a distribuição é diferente, visto que íons são átomos que possuem carga e são subdividos em Cátions - tem tendência de
perder seus elétrons e Ânions – tem tendência de ganhar elétrons.
Para o Cátion de Pr+2 por exemplo, a distribuição passa a ser para 57 elétrons pois ele perde 2 em virtude de sua valência:

K=2 elétrons, L=8 elétrons, M=18 elétrons, N=19 elétrons, O=8 elétrons e P=2 elétrons.

Para um átomo de cloro, por exemplo, a distribuição é 17, porém para o ânion cloreto passa a ser de 18 elétrons por que ele ganha
1 elétron:
17
Cl:
1s2
2s2 2p6
3s2 3p5 ou 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
K=2, L=8 e M=7 elétrons

12
QUÍMICA
17
Cl-1:
1s2

2s2 2p6
3s2 3p6 ou 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
K=2, L=8 e M=8 elétrons

É importante salientar que no texto acima existem reticências demonstrando a continuação das camadas, níveis, subníveis etc.
Simplesmente por que Pauling seguiu o raciocínio de Mendeleyev, sabendo que novos elementos ainda serão descobertos e ocuparão,
por exemplo, a camada R nível 8 e subníveis s,p,d,f,g,h,i, j e assim por diante.

Princípio da Exclusão de Pauli


De acordo com a Química Quântica, para cada elétron em um átomo poderá ser associado um conjunto de valores referente aos qua-
tro números quânticos, que determinarão a posição ocupada pelo elétron, incluindo o orbital, assim como a orientação em que executa
seu movimento de rotação.
“Existe uma restrição, todavia, quanto aos valores que esses números podem ter. Esta restrição é o Princípio de Exclusão de Pauli,
que estabelece que dois elétrons em um átomo não podem ter todos os quatro números quânticos iguais. Isto significa que, se escolher-
mos um conjunto particular de valores para n, l e ml correspondente a um orbital particular (por exemplo, n=1, l=0, ml=0; o orbital 1s),
poderemos ter apenas dois elétrons com valores diferentes do número quântico de spin, ms (isto é, s= +1/2 ou s= -1/2). Com efeito, isso
limita a dois o número de elétrons em um dado orbital, também requer que os spins destes dois elétrons estejam em direções opostas”.
Portanto, os valores dos quatro números quânticos podem ser atribuídos para cada elétron em um átomo, de acordo com as regras
precedentes e o Princípio da Exclusão de Pauli. Uma maneira objetiva de prever a localização provável de um elétron no interior de um
átomo (sua camada, subcamada e orbital) é através de um conjunto matemático de valores denominado números quânticos.

a) NÚMERO QUÂNTICO PRINCIPAL (n)


Representa a camada atômica em que o elétron se encontra. Seus valores são números inteiros positivos, sendo experimentalmente
determinado com variação de 1 a 7. Representa a distância média do elétron em relação ao núcleo do átomo, sendo assim, quanto maior
for o valor de n mais afastado este elétron estará.

b) NÚMERO QUÂNTICO AZIMUTAL (l)


Representa a subcamada, assim, a forma do orbital. Pode apresentar valores inteiros de zero até n-1. Quando l=0, tem-se a subcama-
da s e forma simetricamente esférica para o orbital, l=1 designa uma subcamada p e um orbital apresentando uma forma típica de dois
lobos de um orbital p. De forma idêntica, l=2 representa uma subcamada d e l=3 uma subcamada f.

) NÚMERO QUÂNTICO MAGNÉTICO (ml)


“O termo magnético é relativo ao fato de que os orbitais de uma dada subcamada possuem diferentes energias quantizadas, na pre-
sença de um campo magnético”. O valor deste número quântico oferece informações a respeito da orientação de um orbital no espaço.
Para a subcamada s apresenta valor zero, para a subcamada p pode assumir valores inteiros no intervalo de –1 a +1, para a subcamada d
valores de –2 a +2 e para a subcamada f valores de –3 a +3.
c) NÚMERO QUÂNTICO SPIN (ms)
O quarto número quântico, denominado muitas vezes apenas de spin, representa o eixo de rotação do elétron no orbital. Possui valor
de +1/2 e –1/2, “sendo atribuido o primeiro a uma rotação em sentido anti-horário e o segundo em sentido horário”.
Na Tabela 1 há um sumário referente aos valores para os quatro números quânticos obtidos por algumas informações.

Nome Símbolo Característica especificada Informação fornecida Valores possíveis


Principal n Camada Distância média do núcleo 1, 2, 3, 4,...
Azimutal l Subcamada Forma do orbital 0, 1, 2,...(n-1)
Magnético ml Orbital Orientação do orbital -l, (-l+1),...0,...(l-1), l
Spin ms Spin Spin -1/2, +1/2

13
QUÍMICA

CLASSIFICAÇÕES PERIÓDICAS: HISTÓRICO DA CLASSIFICAÇÃO PERIÓDICA; TABELA PERIÓDICA; ORGANIZAÇÃO DA


TABELA PERIÓDICA; ELEMENTOS QUÍMICOS; GRUPOS; FAMÍLIAS E PERÍODOS DA TABELA PERIÓDICA; PROPRIEDA-
DES PERIÓDICAS; RAIO ATÔMICO; ENERGIA DE IONIZAÇÃO; AFINIDADE ELETRÔNICA; ELETROPOSITIVIDADE E ELE-
TRONEGATIVIDADE; REATIVIDADE; CLASSIFICAÇÃO E PROPRIEDADES DOS ELEMENTOS

Em Química, os critérios utilizados para a organização dos elementos químicos foram estabelecidos ao longo do tempo. No ano
de 1869, Dimitri Mendeleev iniciou os estudos a respeito da organização da tabela periódica através de um livro sobre os cerca de 60
elementos conhecidos na época, cujas propriedades ele havia anotado em fichas separadas. Ao trabalhar com esses dados ele percebeu
que organizando os elementos em função da massa de seus átomos, determinadas propriedades se repetiam diversas vezes, e com uma
mesma proporção, portanto era uma variável periódica. Lembrando que periódico é tudo o que se repete em intervalos de tempo bem
definidos, como é o caso das estações do ano e das fases da lua, por exemplo.
Ela foi criada com o intuito de organizar as informações já constatadas a fim de facilitar o acesso aos dados. Quando foi proposta mui-
tos elementos ainda não haviam sido descobertos, muito embora seu princípio seja seguido até hoje com 118 elementos. Alguns outros
modelos de tabela vêm sendo propostos, como por exemplo a que apresenta forma de espiral proposta por Philip Stewart com base na
natureza cíclica dos elementos químicos, porém a mais utilizada ainda é a de Mendeleev.
Dimitri Ivanovich Mendeleev nasceu na Sibéria e era professor da Universidade de São Petersburgo quando descobriu a lei periódica.
O elemento de número atômico 101 da tabela periódica tem o nome em homenagem a ele, o Mendelévio.
A tabela tem os elementos químicos dispostos em ordem crescente de número atômico e são divididos em grupos (ou famílias) devi-
do a características que são comuns entre eles. Cada elemento químico é representado por um símbolo, por exemplo a prata é represen-
tada por Ag devido a seu nome no latim argentum. Cada elemento possui ao lado de seu símbolo o número atômico e o número de massa
.

Classificação dos elementos


• Metais: São bons condutores de calor e eletricidade. São sólidos nas CNTP (com exceção do mercúrio), além de maleáveis e
dúcteis.
• Não metais: São maus condutores de corrente elétrica e calor. Podem assumir qualquer estado físico na temperatura ambiente.
• Gases nobres: Apresentam baixa reatividade, sendo até pouco tempo considerados inertes.

14
QUÍMICA
Os elementos podem ser classificados em representativos ou As principais propriedades periódicas químicas dos elementos
de transição (interna e externa). Os representativos são aqueles são: raio atômico, energia de ionização, eletronegatividade, ele-
cuja distribuição eletrônica termina em s ou p. Os elementos de tropositividade e eletroafinidade. Já as físicas são: pontos de fusão
transição externa são aqueles cuja distribuição acaba em d, e os de e ebulição, densidade e volume atômico.
transição interna acabam em f. A localização de um elemento na
tabela periódica pode ser indicada pelo seu grupo e seu período. Os A seguir, veja mais detalhadamente as propriedades periódicas
elementos de transição interna são os que se encontram nas duas químicas:
linhas bem embaixo na tabela e na verdade é como se estivessem 1- Raio atômico: pode ser definido como a metade da distância
localizados no no sexto e sétimo período do grupo três. (r = d/2) entre os núcleos de dois átomos de um mesmo elemento
Cada linha no sentido horizontal da tabela periódica represen- químico, sem estarem ligados e assumindo os átomos como esfe-
ta um período. Eles são em número de sete, e o período em que ras:
o elemento se encontra indica o número de níveis que possui. Por
exemplo o sódio (Na) está no período três, o que significa que o seu
átomo possui três camadas eletrônicas.
Já os grupos são as linhas verticais que apresentam elementos
químicos que compartilham propriedades. Por exemplo o flúor (F)
e o cloro (Cl) estão no grupo 17 (ou 7A) por possuírem alta tendên-
cia de receber elétrons, o que chamamos de eletronegatividade.
Alguns grupos possuem nomes específicos como os listados abaixo
e os demais recebem o nome do primeiro elemento de seu grupo.
Grupo 1: Metais alcalinos: esses elementos são muito reativos
principalmente com a água. Esta reatividade aumenta conforme au-
menta o número atômico e o raio do átomo. Todos os elementos desse
grupo são eletropositivos, metais bons condutores de eletricidade, e for-
mam bases fortes. São sólidos a temperatura ambiente, apresentam bri-
lho metálico e quando expostos ao ar oxidam facilmente. São utilizados
na iluminação no caso das lâmpadas de sódio, na purificação de metais e Ilustração de raio atômico
na fabricação de sabões sendo combinados com a gordura.
Grupo 2: Metais alcalino-terrosos: Possuem esse nome por Na tabela periódica, o raio atômico aumenta de cima para bai-
serem geralmente encontrados na terra. São bastante reativos, po- xo e da direita para a esquerda.
rém menos que os metais do grupo 1. Também são eletropositivos Isso acontece porque em uma mesma família (coluna), as ca-
e são mais duros e densos do que os metais alcalinos. São utilizados madas eletrônicas vão aumentando conforme se desce uma “casa”
em ligas metálicas como é o caso por exemplo do Berílio (Be), na e, consequentemente, o raio atômico aumenta. Em um mesmo pe-
composição do gesso e do mármore sendo o caso do cálcio (Ca) e ríodo (linha), o número de camadas eletrônicas é o mesmo, mas a
em fogos de artifício magnésio (Mg) e estrôncio (Sr). quantidade de elétrons vai aumentando da esquerda para a direita
Grupo 16 (ou 6A): Calcogênios: Os elementos desse grupo re- e, com isso, a atração pelo núcleo aumenta, diminuindo o tamanho
cebem esse nome derivado do grego que significa “formadores de do átomo.
cobre”. Neste grupo pode-se perceber facilmente analisando todos
os elementos do grupo a presença de características metálicas e
não metálicas. Os elementos mais importantes deste grupo são o
oxigênio (O) e o enxofre (S) sendo o primeiro o gás utilizado inclu-
sive em nossa respiração e o último é responsável inclusive pelo
fenômeno da chuva ácida.
Grupo 17 (ou 7A): Halogênios: São os elementos mais
eletronegativos da tabela periódica, ou seja, possuem a tendência
de receber elétrons em uma ligação. Podem se combinar com
quase todos os elementos da tabela periódica. O flúor por exemplo
possui aplicação na higiene bucal.
Grupo 18 (ou 8A): Gases nobres: possuem essa intitulação de-
vido a ser constatado antigamente que não possuíam tendência
alguma a formarem ligações. Isto ocorre devido à estabilidade de
seus orbitais da camada mais externa completamente preenchidos.
Hoje alguns compostos conseguiram ser preparados com estes ele-
mentos e incluem geralmente o Xenônio (Xe) que possui a primeira
energia de ionização muito próxima do oxigênio. Ordem de crescimento do raio atômico na Tabela Periódica

Propriedades químicas 2. Energia ou potencial de ionização: é a energia mínima


A Tabela Periódica organiza os elementos químicos até en- necessária para remover um elétron de um átomo ou íon no estado
tão conhecidos em uma ordem crescente de número atômico (Z gasoso.
– quantidade de prótons no núcleo do átomo). Esse elétron é sempre retirado da última camada eletrônica,
Muitas propriedades químicas e físicas dos elementos e das que é a mais externa e é conhecida como camada de valência.
substâncias simples que eles formam variam periodicamente, ou Quanto maior o raio atômico, mais afastados do núcleo os elé-
seja, em intervalos regulares em função do aumento (ou da dimi- trons da camada de valência estarão, a força de atração entre eles
nuição) dos números atômicos. As propriedades que se comportam será menor e, consequentemente, menor será a energia necessária
dessa forma são chamadas de propriedades periódicas. para retirar esses elétrons e vice-versa. Por isso, a energia de io-

15
QUÍMICA
nização dos elementos químicos na Tabela Periódica aumenta no
sentido contrário ao aumento do raio atômico, isto é, de baixo para
cima e da esquerda para a direita:

Ordem de crescimento da eletropositividade na Tabela Perió-


dica
5. Eletroafinidade ou afinidade eletrônica: corresponde à
Ordem de crescimento da energia de ionização na Tabela energia liberada por um átomo do estado gasoso, quando ele cap-
Periódica tura um elétron.
Essa energia é chamada assim porque ela mostra o grau de
3. Eletronegatividade: representa a tendência que um átomo afinidade ou a intensidade da atração do átomo pelo elétron adi-
tem de atrair elétrons para si em uma ligação química covalente em cionado.
uma molécula isolada. Infelizmente, não são conhecidos todos os valores para as ele-
Os valores das eletronegatividades dos elementos foram de- troafinidades de todo os elementos, mas os que estão disponíveis
terminados pela escala de Pauling. Foi observado que, conforme o permitem generalizar que essa propriedade aumenta de baixo para
raio aumentava, menor era atração do núcleo pelos elétrons com- cima e da esquerda para a direita na Tabela Periódica:
partilhados na camada de valência. Por isso, a eletronegatividade
também aumenta no sentido contrário ao aumento do raio atômi-
co, sendo que varia na Tabela Periódica de baixo para cima e da
esquerda para a direita:

Ordem de crescimento da afinidade eletrônica na Tabela Periódica

Resumidamente, temos:

Ordem de crescimento da eletronegatividade na Tabela Peri-


ódica

4. Eletropositividade: é a capacidade que o átomo possui de


se afastar de seus elétrons mais externos, em comparação a outro
átomo, na formação de uma substância composta.
Visto que é o contrário da eletronegatividade, a sua ordem
crescente na tabela periódica também será o contrário da mostra-
da para a eletronegatividade, ou seja, será de cima para baixo e da
direita para a esquerda:

16
QUÍMICA
Ligações iônicas – (metal + não metal)
LIGAÇÕES QUÍMICAS: TIPOS DE LIGAÇÕES QUÍMICAS; Os Metais tendem a doar elétrons, portanto tendem a possuir
LIGAÇÕES IÔNICAS; LIGAÇÕES COVALENTES; LIGAÇÕES cargas positivas.
METÁLICAS; FÓRMULAS ESTRUTURAIS; REATIVIDADE Os Não Metais tendem a receber elétrons, portanto tendem a
DOS METAIS; PROPRIEDADES DAS SUBSTÂNCIAS MO- possuir cargas negativas.
LECULARES, IÔNICAS E METÁLICAS; ESTRUTURA DAS
SUBSTÂNCIAS MOLECULARES, IÔNICAS E METÁLICAS Regra básica.

Segundo um levantamento feito pelo professor Antonio Mario Metais Não Metais ou Ametais
Salles, o Enem cobrou, em suas provas anteriores, seis questões 1,2,3 e- camada de valências 4,5,6,7e- camada de valências (cv)
sobre ligações químicas. (cv) Receber e- Íons (-) negativos
A ênfase, de acordo com ele, foi no princípio de solubilidade, Doar e- Íons (+) positivos Chamados ânions.
na polaridade de moléculas, na geometria molecular, nas forças in- Chamados cátions
termoleculares (“notadamente ligação de hidrogênio”) e na aplica-
ção do princípio de solubilidade aos sabões e detergentes. Exemplos: 11Na e 17Cl distribuição eletrônica Linus Pauling
Átomos que se unem para criar moléculas e a formação básica
dos compostos constituem o centro desse tipo de estudo. Na 1s2 2s2 2p6 3s1 cv (metal) tendem a doar e-
11
Primeiramente precisamos saber que a Química estuda a ma- Cl 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 cv ( não metal) tendem a receber e-
17
téria, a matéria é formada por átomos e os átomos não vivem so-
zinhos, eles se unem através das ligações espontâneas para formar
substâncias que nos cercam. Essas ligações espontâneas são extre-
mamente importantes, pois é através de uma forte atração que se
ligam criando estabilidade e imitando os gases nobres.
A grande diversidade de substâncias que existem na natureza
deve-se à capacidade de combinação dos átomos de um mesmo
elemento ou elementos diferentes. Íons formados = 1[Na]+1 1[Cl]-1

Teoria das colisões Resumo:


. Ligação entre íons, de natureza eletromagnética
Quanto mais choques com energia e geometria adequada hou-
ver, maior a velocidade da reação, formando as Ligações Químicas.

Esta estabilidade está relacionada com a configuração ele-


trônica na última camada de valência que poderá ser de 2, 8,18 e Exemplo: NaCl → cloreto de sódio (sal de cozinha)
32e-, essas combinações entre os elementos ocorrem de algumas
maneiras: pela perda, pelo ganho ou, também, pelo simples com- Obs.: Íons são átomos que possuem uma carga elétrica por adi-
partilhamento de elétrons da última camada de valência do átomo, ção ou perda de um ou mais elétrons.
portanto os elementos químicos que não adquiriram esta estabili- Na ligação iônica o resultado final é eletricamente neutro.
dade procuram espontaneamente com outro elemento imitar os Na fórmula dos compostos iônicos a quantidade de elétrons
gases nobres. cedidos é igual à quantidade de elétrons recebidos.

Os tipos de ligação são:


Regra do octeto: A partir da observação dos gases nobres que
possuem 8 elétrons em sua última camada (com exceção do Hélio
Uma regra prática é que os coeficientes da fórmula final sejam
que possui 2 elétrons), formulou-se a regra de que os átomos se
o inverso dos índices de carga elétrica.
estabilizam eletronicamente quando atingem esse valor. Essa regra
Normalmente os elementos que se ligam ironicamente são os
não abrange todos os casos de ligações atômicas, mas auxilia preli-
das famílias IA, IIA e IIIA com os das famílias VA, VIA e VIIA da tabela
minarmente no estudo do assunto.
periódica.
1. Ligação iônica ou eletrovalente
2. Ligação covalente ou molecular
Ligações covalentes – (não metal + não metal)
3. Ligação covalente dativa ou coordenada
São elementos que gostam de receber elétrons, portanto são
4. Ligação metálica
átomos que ao se unirem, o elétron da última camada de valência
de cada átomo irá sobrepor uns aos outros formando uma nuvem
eletrônica comum compartilhando elétrons.

17
QUÍMICA
Exemplos:

Tipos de ligações

Ligações covalente dativas


Essa ligação é semelhante a molecular, com a diferença de que só um dos núcleos cede o par de elétrons compartilhados.
Obs.: dessa maneira os núcleos estão estabilizados eletronicamente.
Exemplo: O = S → O

Só podem ser realizada se o átomo que ceder o par de elétrons estiver estabilizado de acordo com a regra do octeto (com oito elé-
trons na camada de valência). Ou seja, um átomo torna-se apto a “doar” elétrons se estiver na condição de gás nobre.

Ligações Metálicas – (metal + metal)

Ambos gostam de doar elétrons, portanto tendem perder estes elétrons são sólidos cristalinos, exceto o mercúrio que se encontra
no estado líquido.
Os metais tendem a doar elétrons na última camada de valência, formando nuvens de íons com carga positivas chamadas de cátions
livres, facilitando a condução de corrente elétrica.

Suas propriedades físicas são:

- Brilho – Características dos metais.


- Densidade elevada - Normalmente os metais são densos, em virtude das estruturas compactas dos retículos cristalinos.
- Altos pontos de fusão e ebulição.

18
QUÍMICA
- Condutibilidade elétrica e térmica. Na fórmula estrutural além de fornecer o número de átomos
- Maleabilidade – É a capacidade de moldar os metais em lâmi- ligados, pode observar também como eles estão ligados entre si.
nas finas, por martelar o metal aquecido ou passá-lo por cilindros
laminadores. Tipos de fórmula estrutural
- Ductibilidade - é a transformação de fios.
Fórmula Condensada
Suas propriedades químicas - possuem relativa estabilidade Nesse tipo de fórmula as ligações entre os átomos não são
como: representadas. Exemplo de fórmula condensada:
- Ouro (Au) e platina (Pt), não apresentando transformações Hexano: (C6H14)
mesmo expostos na presença da umidade, não perdendo o seu bri- CH3 CH2 CH2 CH2 CH2 CH3
lho. No entanto, se algum índice se repetir deve-se colocá-lo entre
- Ferro (Fe), alumínio (Al) e zinco (Zn), estes já sofrem proces- colchetes e indicar quantas vezes ele aparece na fórmula:
sos de corrosão na presença de água ou do oxigênio do ar. CH3 [CH2]4 CH3

Ligas metálicas Fórmula Condensada Linear


Os metais não são usados na sua forma pura, devido processos Os carbonos são representados em forma de linhas em zigue-
de corrosão na presença da água ou do ar atmosférico, portanto zague. Cada extremidade da linha há um carbono. Como o carbono
costumam misturar a outros metais para melhorar a qualidade e faz quatro ligações o restante é hidrogênio. Exemplo: Na ponta e
suas propriedades como: no fim da reta, o carbono está fazendo três ligações então há três
1.Ferro (Fe) + Cromo (Cr) = aço inoxidável hidrogênios. No fim e início de cada reta o carbono está fazendo
2.Ferro (Fe) + carbono ( C) = aço são comumente utilizados em duas ligações por isso tem dois hidrogênios.
molas, engrenagens, componentes agrícolas sujeitos ao desgaste,
pequenas ferramentas, etc..
3.Ferro (Fe) + tungstênio (W) = dureza utilizadas para obtenção
de ligas de metais pesados exemplo laminas de turbinas de fogue-
tes.

Observação:
Como os metais possuem a tendência de formar cátions pela Fórmula eletrônica ou de Lewis
cessão de elétrons, esses cátions formam um retículo cristalino en- Esta fórmula apresenta os elétrons da camada de valência
volto em uma nuvem eletrônica. por pontos, e o elemento químico no centro. Exemplo: molécula
do gás metano:

Exemplo: Ferro (Fe), Alumínio (Al), Cobre (Cu).


Fórmula de Couper
Fórmulas Estruturais Neste tipo de fórmula retira-se os pontos e representa-se os
Os compostos químicos podem ser representados de diver- elétrons da camada de valência por traços. Exemplo: outra forma
sas formas, no entanto cada um tem sua estrutura diferenciada, de representar a molécula do gás metano.
pois depende de quantos elétrons possuem na camada de valência,
entre outras particularidades. Dentre diversas maneiras de repre-
sentar uma molécula existe a fórmula estrutural apresentada a se-
guir.

Fórmula Estrutural
Esse é o tipo de apresentação detalhada de como os átomos
de uma molécula estão ligados entre si. Por exemplo, a molécula
de água, onde dois átomos de Hidrogênio se unem a um átomo de
Oxigênio.
Para escolher a fórmula estrutural adequada, deve levar em
consideração os detalhes que deseja apresentar, pois algumas for-
mas são simples porém outras mais complexas.

Reatividade dos metais


Os metais em geral são muito reativos, eles reagem com a
água, com ácidos, com bases, entre outros. Vejamos exemplos de
cada uma dessas ocorrências:

19
QUÍMICA
Reação com ácidos
O ouro é um exemplo de metal que sofre esse tipo de reação, mas possui uma condição: não reage com ácidos isolados. Para que o
ataque aconteça é preciso uma mistura de ácidos, é a chamada água régia. Esta solução se forma da junção de ácido clorídrico (HCl) e ácido
nítrico (HNO3). Acompanhe a reação:

Au (s) + 3 HNO3 (aq) + 4 HCl (aq) → HAuCl4 (aq) + 3 H2O (l) + 3 NO2 (g)

Reação com água


A água reage com alguns metais originando como produto gás hidrogênio (H2) e hidróxido de sódio (NaOH). Estes metais são perten-
centes à classe de Metais alcalinos e Metais alcalino-terrosos, como: Lítio (Li), Bário (Ba), Césio (Cs), Potássio (K), Rádio (Ra), Cálcio (Ca),
Estrôncio (Sr), entre outros.
Equação do processo:
2 Ba (s) + 2 H2O (l) → 2 BaOH (aq) + H2 (g)

Reação com bases


Somente alguns metais possuem a propriedade de reagir com bases, são eles: Zinco (Zn), Chumbo (Pb), Estanho (Sn), Alumínio (Al).
Zn (s) + 2 NaOH (aq) → Na2ZnO2 (aq) + H2 (g)
O produto será um sal e gás hidrogênio (H2).

CARACTERÍSTICAS DOS COMPOSTOS IÔNICOS E MOLECULARES: GEOMETRIA MOLECULAR: POLARIDADE DAS MO-
LÉCULAS; FORÇAS INTERMOLECULARES; NÚMERO DE OXIDAÇÃO; POLARIDADE E SOLUBILIDADE; ESTADO FÍSICO E
LIGAÇÕES INTERMOLECULARES; TEMPERATURAS DE FUSÃO E EBULIÇÃO; RELAÇÃO ENTRE POLARIDADE E PROPRIE-
DADES FÍSICO-QUÍMICAS

Os compostos são classificados em compostos iônicos e compostos moleculares.


Os compostos iônicos são aqueles que possuem uma ou mais ligações iônicas, mesmo que apresente várias ligações covalentes.
Na ligação iônica, as forças de atração são consequência da transferência completa de um ou mais elétrons de um átomo para outro
sendo que um deles adquire carga positiva e o outro, negativa, surgindo as forças responsáveis pela ligação. A maioria dos compostos
iônicos são sólidos, nas temperatura e pressão ambientes, porque a força de atração elétrica mantém os cátions e os ânions firmemente
ligados uns aos outros.
Os compostos moleculares são aqueles que possuem somente ligações covalentes entre seus átomos. A menor partícula deste
composto denomina-se molécula.
Na ligação covalente a transferência de elétrons nunca é completa, pois estes são compartilhados e neste caso a força de atração
entre o par de elétrons (carga negativa) e o núcleo (carga positiva) é o que mantêm os átomos unidos.

Polaridade
A polaridade de uma molécula está diretamente vinculada à polaridade das ligações entre seus átomos constituintes e também a sua
geometria. A molécula polar é uma molécula com momento de dipolo diferente de zero enquanto uma molécula não-polar ou apolar tem
momento dipolo elétrico igual a zero. Cada ligação de uma molécula poliatômica pode ser polar, mas a molécula como um todo pode ser
não-polar ou apolar se os dipolos das ligações individuais se cancelarem.
Experimentalmente, quando uma molécula se orienta na presença de um campo elétrico externo é considerada polar, caso contrário
é apolar.
Diferentes materiais têm diferentes tendências de ceder ou receber elétrons. Ao atritar vigorosamente dois materiais, estamos forne-
cendo energia para que haja transferência de elétrons de um material para outro. O material que recebeu elétrons fica com carga negativa
e o que cedeu com carga positiva. A seqüência dos materiais em função da tendência de receber ou ceder elétrons é mostrada pela série
triboelétrica. Ao atritar dois materiais quaisquer de uma série triboelétrica, aquele que estiver posicionado à esquerda ficará eletrizado
positivamente e aquele que estiver posicionado à direita ficará eletrizado negativamente.

Ponto de Fusão
O ponto de fusão (PF) de um composto é a temperatura na qual este composto no estado sólido se transforma em líquido. O ponto
de fusão está relacionado com as interações entre partículas (átomos, íons e moléculas). Compostos que possuem fortes interações entre
partículas, terão maiores pontos de fusão.

1. Polaridade
Os compostos iônicos são constituídos por íons positivos e negativos, dispostos de maneira regular formando um retículo cristalino.
Para que ocorra a fusão do retículo precisamos de uma considerável energia, por isso os compostos iônicos possuem elevado ponto de
fusão e ebulição, geralmente são sólidos e muito duros.

20
QUÍMICA
Quanto mais fortes forem as interações intermoleculares, maior o ponto de fusão. Compostos contendo moléculas polares possui
ponto de fusão mais alto que moléculas apolares.

Condução de corrente elétrica


Para que haja condução de corrente elétrica é necessária a presença de elétrons livres, com mobilidade. Os compostos iônicos não
conduzem corrente na fase sólida (quando os elétrons estão firmemente ligados uns aos outros), mas conduzem na fase líquida ou em
solução aquosa, quando os íons adquirem mobilidade.
O composto que se dissolve originando uma solução que conduz corrente elétrica (solução eletrolítica) é chamado de eletrólito.

Geometria molecular
A geometria molecular baseia-se na forma espacial que as moléculas assumem pelo arranjo dos átomos ligados. Assim, cada molécula
apresenta uma forma geométrica característica da natureza das ligações (iônicas ou covalentes) e dos constituintes (como elétrons de
valência e eletronegatividade).

Teoria da Repulsão dos Pares Eletrônicos


A teoria da repulsão dos pares eletrônicos de valência (TRPEV) aponta que os pares eletrônicos (elétrons de valência, ligantes ou
não) do átomo central se comportam como nuvens eletrônicas que se repelem e, portanto, tendem a manter a maior distância possível
entre si. Mas, como as forças de repulsão eletrônica não são suficientes para que a ligação entre os átomos seja desfeita, essa distância é
verificada no ângulo formado entre eles.

Formas Geométricas
Para que se torne mais fácil a determinação da geometria (e, estrutura) de uma molécula, deve-se seguir os seguintes passos:
1. Contagem do número total de elétrons de valência (levando em consideração a carga, se for um íon);
2. Determinação do átomo central (geralmente, o menos eletronegativo e com o maior número de ligações);
3. Contagem do número de elétrons de valência dos átomos ligantes;
4. Cálculo do número de elétrons não ligantes (diferença entre número total e o número de elétrons dos átomos ligantes com a
camada de valência totalmente completa);
5. Aplicação do modelo da TRPEV.
Desse modo, as geometrias mais comuns obtidas (observando-se, principalmente, os pares eletrônicos não ligantes) são:

Geometria Pares Pares Pares eletrônicos ligantes


eletrônicos totais eletrônicos não ligantes
Linear 2 0 2
5 3 2
6 4 2
Triangular 3 0 3
Angular 34 12 22
Tetraédrica 4 0 4
Piramidal 4 1 3
Bipiramidal 5 0 5
Octaétrica 6 0 6

Obs.: toda molécula biatômica assume geometria linear. E, apenas as geometrias linear, triangular e angular são planas: as outras são
espaciais.

Modelos Moleculares

Geometria linear

21
QUÍMICA

Geometria triangular
Geometria octaédrica

Polaridade das moléculas

Geometria angular

As moléculas de água são polares

A polaridade das moléculas é um tópico importante no estudo


da Química, pois nos ajuda a entender como as moléculas de uma
ou mais substâncias interagem, o que pode determinar a solubilida-
Geometria tetraédrica de ou o ponto de fusão e ebulição dessas substâncias.
A partir da análise da polaridade das moléculas, por exemplo,
podemos explicar o fato de encontrarmos a substância dióxido de
carbono (CO2) no estado gasoso, à temperatura ambiente, e a água
(H2O) no estado líquido. Outra importância de analisar a polaridade
das moléculas é entender por que a água apresenta uma grande
facilidade em dissolver o ácido clorídrico HCl, enquanto o mesmo
não ocorre com o dióxido de carbono.
A polaridade das moléculas está relacionada com o fato de o
composto apresentar ou não áreas com cargas diferentes (positiva
e negativa). As moléculas com polos são denominadas polares, e as
Geometria piramidal que não os apresentam são as apolares.
Para determinar a polaridade das moléculas, é importante co-
nhecer os seguintes aspectos:
• Diferença de eletronegatividade entre os átomos;
• Geometria da molécula: indica o posicionamento dos áto-
mos na molécula;
• Vetor momento dipolar: seta que indica o sentido da atra-
ção dos elétrons na ligação.

Determinação da polaridade por meio do vetor momento di-


polar resultante
1º Exemplo: determinar a polaridade na molécula de tricloreto
Geometria bipiramidal de fósforo (PCl3).

Fórmula estrutural do PCl3

22
QUÍMICA
A molécula de tricloreto de fósforo apresenta geometria pira-
midal, na qual há dois átomos de cloro nas diagonais inferiores e
um átomo de cloro na região inferior.
O átomo de cloro é mais eletronegativo do que o átomo de
fósforo, logo, nessa molécula, três vetores momento dipolar saem
do fósforo em direção aos átomos de cloro.

Decomposição dos vetores diagonais na molécula do BF3

Após a decomposição, fica evidente que a molécula do BF3 pos-


sui, na realidade, dois vetores, um para baixo e um para cima, os
quais serão anulados por terem mesma direção e sentido opostos.
Vetores momento dipolar na molécula do PCl3 Assim, o vetor momento dipolar resultante dessa molécula é igual
a 0, ou seja, trata-se de uma molécula apolar.
Como existem dois vetores diagonais, é necessário realizar a
sua decomposição utilizando a regra do paralelogramo, na qual for- Determinar a polaridade a partir da relação entre nuvens ele-
ma-se essa figura geométrica a partir dos dois vetores (unindo suas trônicas e ligantes
pontas). Dessa forma, surge um único vetor momento dipolar (seta Nessa forma de determinar a polaridade das moléculas, com-
rosa). paramos o número de nuvens presentes no átomo central com o
número de ligantes, que estão ligados a ele:
• Se o número de ligantes iguais for igual ao número de nu-
vens no átomo central, a molécula é apolar;
• Se o número de ligantes iguais for diferente do número de
nuvens no átomo central, a molécula é polar.
1º Exemplo: determinar a polaridade na molécula de amônia
(NH3).

Decomposição dos vetores diagonais na molécula do PCl3

Após essa decomposição, fica evidente que a molécula do


PCl3 possui, na realidade, dois vetores para baixo que, ao serem
somados (por terem mesma direção e sentido), fornecem um vetor
momento dipolar resultante diferente de 0. Assim, trata-se de uma Fórmula estrutural da amônia
molécula polar.
2º Exemplo: determinar a polaridade na molécula de trifluore- A amônia é uma molécula que apresenta geometria piramidal
to de boro (BF3). e possui três átomos de hidrogênio ligados ao átomo central por
meio de ligações sigma (já que o hidrogênio só realiza uma ligação),
nas quais há um elétron de cada um dos átomos envolvidos.
Entretanto, o átomo de nitrogênio pertence à família VA, por-
tanto, apresenta cinco elétrons na camada de valência, dos quais
três estão sendo utilizados nas ligações sigma, sobrando, então, um
par de elétrons, ou seja, uma nuvem eletrônica.
Por essa razão, a amônia apresenta três ligantes iguais (os hi-
Fórmula estrutural do BF3 drogênios) e quatro nuvens eletrônicas (três ligações sigma e uma
nuvem que sobra no nitrogênio), o que configura uma molécula
polar.
2º Exemplo: determinar a polaridade na molécula de trifluo-
reto de boro (BF3).

Vetores momento dipolar na estruturado BF3

Como existem dois vetores diagonais, também será necessário Fórmula estrutural da trifluoreto de boro (BF3)
realizar a sua decomposição utilizando a regra do paralelogramo.
Dessa forma, surge um único vetor momento dipolar.

23
QUÍMICA
O trifluoreto de boro é uma molécula que apresenta geometria trigonal e possui três átomos de flúor ligados ao átomo central por
meio de ligações sigma (já que o flúor só realiza uma ligação), nas quais há um elétron de cada um dos átomos envolvidos.
Porém, o átomo de boro pertence à família IIIA e, por essa razão, apresenta três elétrons na camada de valência, os quais são todos
utilizados nas ligações, não sobrando, então, nenhum elétron.
Portanto, o trifluoreto de boro apresenta três ligantes iguais (os átomos de flúor) e três nuvens eletrônicas, caracterizando uma mo-
lécula apolar.

Relação entre polaridade e solubilidade


As moléculas que apresentam a mesma característica com relação à polaridade têm a tendência de dissolverem-se, o que significa
que semelhante dissolve semelhante:
• Composto polar dissolve outro composto polar;
• Composto apolar dissolve outro composto apolar.

Relação entre polaridade e forças intermoleculares


De acordo com a caraterística polar da molécula, ela interage com suas moléculas, ou com as moléculas de outras substâncias, por
meio de diferentes forças intermoleculares:
• Dipolo induzido: ocorre entre moléculas apolares;
• Dipolo permanente: ocorre entre moléculas polares;
• Ligação de hidrogênio: ocorre entre moléculas apolares.

Além disso, quanto maior a intensidade da força intermolecular, maior será o ponto de fusão e o ponto de ebulição, fato que influi
diretamente no estado físico em que podemos encontrar uma substância.

Forças intermoleculares
As forças intermoleculares são aquelas responsáveis por manter moléculas unidas na formação dos diferentes compostos, elas se
classificam em:
Força dipolo-induzido: é causada pelo acúmulo de elétrons em determinada região da molécula.
As interações intermoleculares presentes nas moléculas apolares são as dipolo-induzido, mas não ocorrem o tempo todo, a distribui-
ção de elétrons na eletrosfera dessas moléculas é uniforme. Contudo, em algum instante ocorre um acúmulo de cargas δ + e δ- (pólos) nas
extremidades, é aí que as forças dipolo-induzido aparecem, e como o próprio nome já diz, elas induzem as moléculas vizinhas a também
entrarem em desequilíbrio.
Veja exemplos de compostos apolares cujas moléculas interagem através de forças dipolo-induzido:

Cl2, CO2, CH4, H2, O2

Forças dipolo-dipolo: força intermolecular presente em compostos polares.


δ + δ- δ + δ- δ + δ-
H ? Br ------------------------- H ? Br --------------------- H ? Br

Repare que nas moléculas de ácido bromídrico (HBr) existem pólos δ + e δ-, são eles os responsáveis por esta molécula ser polar.
Exemplos de compostos polares em que ocorre interação dipolo-dipolo:
H2S, CO, SO2, HCl
Ligações de hidrogênio: essa é a interação mais forte que ocorre entre moléculas, é comparada à força dipolo-dipolo bem mais inten-
sificada. Esta ligação ocorre entre moléculas que contêm átomos de hidrogênio ligados a átomos de nitrogênio, flúor, oxigênio, ou seja,
elementos muito eletronegativos, por isso os pólos δ + e δ- ficam mais acentuados.
A molécula de água é um exemplo clássico das ligações de hidrogênio, onde átomos de H se unem fortemente aos átomos de H de
outras moléculas para formar a cadeia de H20.
Veja qual força intermolecular é mais intensa através da figura abaixo:

A seta indica a ordem crescente da intensidade de interação.

Número de Oxidação (Nox)


Diversas transformações químicas ocorrem através de reações de oxirredução. E muitas delas possuem aplicações para nós, desde
usos industriais, como na produção de ferro, queima de combustível para gerar energia, extração de metais de minérios, etc. até usos
domésticos, em pilhas e baterias, alvejantes e produtos de limpeza, dentre outros. Além disso, muitos processos metabólicos essenciais
para manutenção da vida são reações de oxirredução, como a respiração, a produção de energia pela quebra da glicose, a fotossíntese,
etc. Mas como é possível identificar se uma reação é redox?
Uma reação é considerada de oxirredução quando há transferência de elétrons de uma espécie a outra, para isso foi criado o número
de oxidação, ou Nox. Ele foi definido de forma que, quando ocorre uma oxidação, haverá aumento do número de oxidação, e quando
houver redução, haverá diminuição, facilitando o reconhecimento de uma reação redox. O Nox de um elemento é a carga elétrica que

24
QUÍMICA
ele adquire quando faz uma ligação iônica ou a carga parcial (δ) que ele adquire quando faz uma ligação covalente, que irá depender da
eletronegatividade do elemento, isto é, se na ligação covalente ele atrairá mais ou menos elétrons para si e dos outros elementos que
formam o composto.
Sendo assim, alguns elementos apresentarão números de oxidação diferentes, dependendo do composto que ele está constituindo.
Outros, porém, por serem bastante eletronegativos ou eletropositivos, apresentarão um mesmo Nox em diversos compostos distintos,
são elementos que seguem um certo padrão. Então, para determinar o número de oxidação dos elementos de um composto, partimos
primeiro daqueles que já são conhecidos, de acordo com a tabela abaixo.

Principais Nox
Metais Alcalinos (família 1A) + Prata (Ag) Em substâncias compostas +1
Metais Alcalino-terrosos (família 2A) + Zinco (Zn) Em substâncias compostas +2
Alumínio (Al) Em substâncias compostas +3
Enxofre (S) Em sulfetos (quando for o elemento mais eletronegativo) -2
Halogênios (família 7A) Em halogenetos (quando for o elemento mais eletronegativo) -1
Ligado a ametais (mais eletronegativos que ele) +1
Hidrogênio (H)
Ligado a metais (menos eletronegativos que ele) -1
Maioria das substâncias compostas -2
Em peróxidos -1
Oxigênio (O)
Em superperóxidos -1/2
Em fluoretos +1

O próximo passo, então, é determinar os Nox dos elementos restantes, sabendo que:
• A soma de todos os Nox dos elementos de um composto sempre dá igual a zero; pois trata-se de uma substância neutra.
• A soma de todos os Nox dos elementos em um íon composto é sempre igual à carga do íon.
• O Nox de substâncias simples é sempre igual a zero. (Exemplos: N2, H2, Na, Fe, etc.)
• O Nox de íons é igual a sua carga. (Exemplos: Na+ possui Nox = +1; S2- possui Nox = -2).

Assim, quando temos uma reação de oxirredução para se determinar os Nox, iniciamos com os das substâncias simples e de íons
simples. Para substâncias e íons compostos, determinamos os Nox de elementos conhecidos para depois encontrar os valores dos outros
elementos, fazendo uma equação simples, na qual a soma de todos os números de oxidação dos elementos do composto é igual a zero
(substância composta) ou à carga do íon (íon composto).

Exemplos
HCl
Hidrogênio ligado a ametal → nox +1
Cloro → halogênio → nox -1
O HCl é uma substância composta e neutra, logo a soma dos nox é igual a zero.
HClO
Hidrogênio ligado a ametal → nox +1
Cl → ?
Oxigênio → nox -2
Da mesma forma, o HClO é uma substância composta e neutra, logo a soma dos nox é igual a zero:
nox H + nox Cl + nox O = 0
1 + x + (-2) = 0
logo o nox do Cloro será +1

OBSERVAÇÃO: um átomo que não se encaixe nas regras (como o Cloro) não precisa ter o mesmo NOX em todas as moléculas. Acima
notamos que no HCl o nox do Cloro é -1 , e no HClO, seu nox é +1.
CaCO3
Neste caso, precisamos multiplicar o nox das regras, pelo numero de átomos do elemento na molécula.
nox oxigênio = -2 . 3 = -6
nox cálcio = metal alcalino-terroso = +2
Para descobrir o nox do carbono:
(-2 . 3) + 2 + x = 0
-6 + 2 + x = 0
Logo o nox do carbono é +4.

25
QUÍMICA
• Cloreto de Sódio (NaCl)
FUNÇÕES INORGÂNICAS: ÁCIDOS; BASES; SAIS E ÓXI- • Fluoreto de sódio (NaF)
DOS; NOMENCLATURAS; REAÇÕES; PROPRIEDADES; • Nitrito de sódio (NaNO3)
FORMULAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO; DEFINIÇÕES E CON- • Nitrato de amônio (NH4NO3)
CEITOS TEÓRICOS; EFEITOS AMBIENTAIS • Carbonato de sódio (Na2CO3)
• Bicarbonato de sódio (NaHCO3)
Com o passar do tempo e com a descoberta de milhares de • Carbonato de cálcio (CaCO3)
substâncias inorgânicas, os cientistas começaram a observar que • Sulfato de cálcio (CaSO4)
alguns desses compostos poderiam ser agrupados em famílias com • Sulfato de magnésio (MgSO4)
propriedades semelhantes: as funções inorgânicas. • Fosfato de cálcio [Ca3(PO4)2]
Na Química Inorgânica, as quatro funções principais são: • Hipoclorito de sódio (NaClO)
ácidos, bases, sais e óxidos. As primeiras três funções são definidas
segundo o conceito de Arrhenius. Vejamos quais são os compostos → Óxidos
que constituem cada grupo: São compostos binários (formados por apenas dois elementos
químicos), e o oxigênio é o elemento mais eletronegativo.
→ Ácidos:
São compostos covalentes que reagem com água (sofrem io- a) Fórmulas de óxidos
nização) e formam soluções que apresentam como único cátion o Exemplos: CO2, SO2, SO3, P2O5, Cl2O6, NO2, N2O4, Na2O etc.
hidrônio (H3O1+) ou, conforme o conceito original e que permanece
até hoje para fins didáticos, o cátion H1+. b) Principais óxidos:
a) Equações de ionização de ácidos • Óxidos básicos: apresentam caráter básico (Óxido de cál-
H2SO4 → H3O1+ + HSO41- ou H2SO4 → H1+ + HSO4- cio – CaO);
HCl → H3O1+ + Cl1- ou HCl → H1+ + Cl1- • Óxidos ácidos: apresentam caráter ácido (Dióxido de car-
bono - CO2);
b) Ácidos principais: • Óxidos anfóteros: apresentam caráter ácido e básico (Óxi-
do de alumínio - Al2O3).
• Ácido Sulfúrico (H2SO4)

• Ácido Fluorídrico (HF)
• Ácido Clorídrico (HCl)
• Ácido Cianídrico (HCN) REAÇÕES QUÍMICAS: TIPOS DE REAÇÕES QUÍMICAS;
• Ácido Carbônico (H2CO3) OXIDORREDUÇÃO; EQUAÇÕES QUÍMICAS, PREVISÃO
• Ácido fosfórico (H3PO4) E CONDIÇÕES DE OCORRÊNCIA DAS REAÇÕES QUÍ-
• Ácido Acético (H3CCOOH) MICAS; BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES QUÍMICAS;
• Ácido Nítrico (HNO3) BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES PELO MÉTODO DA
TENTATIVA; BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES PELO
→ Bases MÉTODO DE OXIRREDUÇÃO; BALANCEAMENTO DE
São compostos capazes de dissociar-se na água, liberando íons, EQUAÇÕES PELO MÉTODO ÍON-ELÉTRON; CLASSIFICA-
mesmo em pequena porcentagem, e o único ânion liberado é o hi- ÇÃO DE REAÇÕES QUÍMICAS
dróxido (OH1-).
Reações Químicas
a) Equações de dissociação de bases As transformações ou reações químicas ocorrem quando há
NaOH(s) → Na1+ + OH1- a formação de uma nova substância, ou seja, quando as proprie-
Ca(OH)2 → Ca2+ + 2 OH1- dades de um elemento original são alteradas. Algumas evidências
mostram a ocorrência de uma transformação química: oxidação,
b) Exemplos de bases combustão, mudança de cor, liberação de um gás, cheiros, for-
• Hidróxido de sódio (NaOH) mação de um sólido, etc. Dentro de um assunto tão abrangente,
• Hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) o professor Dino destaca as questões sobre mineração. “Como o
• Hidróxido de magnésio(Mg(OH)2) Brasil é um grande exportador de minérios, são comuns pergun-
• Hidróxido de amônio (NH4OH) tas sobre obtenção de ferro, reciclagem do alumínio e retirada de
bauxita da natureza. Além disso, conteúdos como concentração e
→ Sais separação de misturas são cobradas a partir da transformação do
São compostos capazes de se dissociar na água, liberando íons, petróleo e obtenção do etanol.”
mesmo em pequena porcentagem, dos quais pelo menos um cátion Constantemente a matéria que nos cerca sofre transforma-
é diferente de H3O1+ e pelo menos um ânion é diferente de OH1-. ções. Em algumas transformações somente o estado ou a agrega-
ção do material são alterados, caracterizando uma transformação
a) Equações de dissociação de sais física da matéria. Em outros casos essas transformações resultam
Veja alguns exemplos de equações de dissociação de sais após na produção de um novo material, com características diferentes
serem adicionados à água. do inicial.
NaCl → Na1+ + Cl1- As transformações químicas ocorrem quando há alteração na
Ca(NO3)2 → Ca2+ + 2 NO31- constituição do material, formando assim novas substâncias.
(NH4)3PO4 → 3 NH4+1 + PO43- Ao aproximarmos um fósforo aceso de um recipiente com ál-
cool, este começa a queimar. Essa queima é uma transformação
b) Exemplos de sais química, pois há alteração na constituição do álcool, que ao entrar
Alguns exemplos de sais importantes para o ser humano de em contato com o ar oxigênio, se converte em gás carbônico e
forma direta ou indireta: água, liberando energia.

26
QUÍMICA
Chamamos de sistema o conjunto de materiais isolados para estudo. Uma maneira de comprovar a existência de uma transformação
química é através da comparação do estado inicial e final do sistema. Algumas evidências podem ser observadas, permitindo verificar a
ocorrência dessas transformações, como modificação na cor, cheiro, estado físico e temperatura.
Confira a tabela com adescrição do sistema antes e depois da transformação:

Em alguns casos, somente pela observação visual, não é possível identificar se houve uma transformação. Por exemplo, quando
misturamos soluções de ácido clorídrico e hidróxido de sódio, ambas incolores. Após a mistura, o líquido resultante ainda é incolor, sem
aparentar a formação de um novo material. No entanto uma reação química acontece quando essas substâncias são misturadas. Portanto
é importante identificar e reconhecer os diferentes materiais que participam de uma transformação.
Toda transformação química constitui uma reação química. As substâncias presentes no início da reação recebe o nome de reagentes,
e as que se formam recebem o nome de produto.
Exemplo:HCl+NaOH→NaCl+H2O
HCl, o ácido clorídrico, e NaOH,o hidróxido de sódio, são as substâncias que reagem, ou seja os reagentes. NaCl, o cloreto de sódio, e
H2O, a água, são as substâncias que se formam, ou seja, os produtos.

Transformações
As transformações podem ocorrer das seguintes maneiras:

-Por ação do calor


Muitas substâncias são transformadas quando submetidas a uma fonte de calor. O cozimento de alimentos é um exemplo.
Quando há decomposição de um material devido ao calor, chamamos o processo de termólise.
Ex: Termólise do magnésio
Magnésio + oxigênio → óxido de magnésio

-Por ação de uma corrente elétrica


Algumas substâncias necessitam de energia elétrica para que possam se transformar. A esse processo damos o nome de eletrólise.
Para a decomposição da água, em hidrogênio e oxigênio, por exemplo, utilizamos uma corrente elétrica para esta transformação.

-Por ação da luz


A fotossíntese é um exemplo de reação química que ocorre na presença da luz, onde a água e o dióxido de carbono do ar são trans-
formados em oxigênio e glicose.
dióxido de carbono + água → oxigênio + matéria orgânica
A transformação do oxigênio em ozônio acontece através da luz ultravioleta. Essa reação por ação da luz também é de extrema im-
portância, pois assim é formada a camada de ozônio que protege a Terra dos raios ultravioletas.

-Por ação mecânica


Uma ação mecânica (atrito ou choque) é capaz de desencadear transformações em certas substâncias.
Um exemplo é o palito de fósforo, que quando entra em atrito com a caixinha que o contém, produz uma faísca, que faz as substân-
cias inflamáveis do palito entrarem em combustão.
A explosão da dinamite e o acender de um isqueiro também são exemplos de transformações por ação mecânica.

-Pela junção de substâncias


Através da junção de duas substâncias podem ocorrer reações químicas. Isso frequentemente ocorre em laboratórios de química.
A adição do sódio metálico em água é um exemplo:
sódio + água → hidróxido de sódio + hidrogênio

O balanceamento de uma equação de oxirredução se baseia na igualdade do número de elétrons cedidos com o número de elétrons
recebidos. Um método simples de se realizar esse balanceamento é dado pelos passos a seguir:

27
QUÍMICA
4º passo: Balanceamento por tentativa:
KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
• Visto que no segundo membro há dois átomos de man-
ganês, conforme mostrado pelo coeficiente, no primeiro também
deverá haver. Portanto, temos:
2 KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
• Com isso, a quantidade de potássio (K) no 1º membro fi-
cou de 2, que será o mesmo coeficiente para esse átomo no segun-
do membro:
2 KMnO4 + HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
• A quantidade de cloros (Cl) no 2º membro é de 16 no to-
tal, por isso o coeficiente do HCl do 1º membro será:
2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O
• O número de hidrogênios do 1º membro é 16, por isso o
coeficiente da água (H2O) do 2º membro será igual a 8, pois a multi-
plicação do índice do hidrogênio (2) por 8 é igual a 16:
Vejamos na prática como aplicar esses passos, por meio do se- 2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + 8 H2O
guinte exemplo: • Para conferir se a equação está corretamente balanceada
Reação entre uma solução aquosa de permanganato de potás- podemos ver dois critérios:
sio e ácido clorídrico:
KMnO4 + HCl → KCl + MnCl2 + Cl2 + H2O 1º) Verificar se a quantidade de cada átomo nos dois membros
está igual:
*1º passo: Determinar os números de oxidação: 2 KMnO4 + 16 HCl → 2 KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + 8 H2O
Esse passo é importante porque normalmente não consegui- K =2 K =2
mos visualizar rapidamente quais são as espécies que sofrem oxi- Mn = 2 Mn = 2
dação e redução. Cl = 16 Cl = 16
+1 +7 -2+1 -1 +1 -1 +2 -1 0 +1 -2
H = 16 H = 16
KMnO4 + HCl → KCl + MnCl2 + Cl2 + H2O O=8O=8

*2º passo: Determinação da variação da oxidação e da redu- 2º) Ver se o número total de elétrons perdidos é igual ao nú-
ção: mero total de elétrons recebidos:

Observe que o manganês (Mn) sofre redução e o cloro (Cl) so- Previsão de reações químicas
fre oxidação. Para que uma reação química ocorra é necessário satisfazer
MnCl2 = ∆Nox = 5 quatro condições básicas, que são:
Cl2 = ∆Nox = 2 1. Os reagentes devem entrar em contato;
No caso do cloro, podemos notar que o HCl originou 3 compos- 2. Deve haver afinidade química entre os reagentes;
tos (KCl, MnCl2, e Cl2), mas o que nos interessa é o Cl2, pois é o seu 3. As colisões entre as partículas dos reagentes devem ser efi-
Nox que sofreu variação. Cada cloro que forma Cl2 perde 1 elétron; cazes;
como são necessários 2 cloros para formar cada Cl2, são perdidos 4. Deve-se atingir a energia de ativação.
então dois elétrons. Veja resumidamente cada caso:

3º passo: Inversão dos valores de ∆: 1.Contato entre os reagentes:


Nesse passo, os valores de ∆ são trocados entre as espécies Essa condição é óbvia, pois mesmo que os reagentes tenham
citadas, tornando-se os coeficientes delas: bastante afinidade um com o outro, como acontece no caso dos
MnCl2 = ∆Nox = 5 → 5 será o coeficiente de Cl2 ácidos e das bases, se eles estiverem separados, a reação não ocor-
Cl2 = ∆Nox = 2→ 2 será o coeficiente de MnCl2 rerá. Eles precisam entrar em contato para que suas partículas
KMnO4 + HCl → KCl + 2 MnCl2 + 5 Cl2 + H2O possam colidir, rompendo as ligações dos reagentes e formando as
ligações dos produtos.
Nesse momento já é possível conhecer dois coeficientes da
equação.
Observação: normalmente, na maioria das reações, essa inver-
são de valores é efetuada no 1º membro. Mas, como regra geral,
isso deve ser feito no membro que tiver maior número de átomos
que sofrem oxirredução. Se esse critério não puder ser observado,
invertemos os valores no membro que tiver maior número de es-
pécies químicas. Foi isso o que foi realizado aqui, pois o 2º membro
possui mais substâncias.

28
QUÍMICA
2.Afinidade química: Assim, a energia de ativação funciona como uma espécie de
Como vimos, colocar os reagentes em contato é necessário, barreira para que a reação ocorra, pois quanto maior ela for, mais
mas não é o suficiente. Por exemplo, se colocarmos o sódio em con- difícil será para a reação ocorrer. Em alguns casos, é preciso for-
tato com a água, ocorrerá uma reação extremamente violenta, já necer energia para os reagentes. Por exemplo, o gás de cozinha
se colocarmos o ouro, não veremos diferença nenhuma. Isso acon- tem afinidade para interagir com o oxigênio do ar, mas precisamos
tece porque substâncias diferentes possuem diferentes afinidades fornecer energia quando aproximamos o palito de fósforo, senão
químicas entre si, ou então, podem também não possuir afinidade a reação não ocorre. Mas, depois de uma vez iniciada, a própria
nenhuma. Quanto maior for a afinidade química, mais rápida será reação libera energia suficiente para ativar as outras moléculas e
a reação. manter a reação ocorrendo.
Nos exemplos citados, o sódio possui grande afinidade com a
água, tanto que para não entrar em contato com a umidade do ar,
o sódio metálico é guardado em querosene. Já o ouro é inerte, por
isso que monumentos de ouro duram tanto tempo, como os sarcó-
fagos do Egito.

GRANDEZAS QUÍMICAS: RELAÇÕES DE MASSA; OU-


TRAS RELAÇÕES QUÍMICAS; MASSAS ATÔMICAS E
MOLECULARES; MASSA MOLAR; MOL E QUANTIDADE
DE MATÉRIA; VOLUME MOLAR; CONSTANTE E NÚME-
3.Teoria das colisões: RO DE AVOGADRO; DETERMINAÇÃO DA QUANTIDADE
Mesmo em compostos que possuem afinidade química, para DE MATÉRIA
que a reação se processe é necessário que suas partículas, átomos
ou moléculas, colidam de forma eficaz. Nem todas as partículas que Quando queremos medir a massa de uma barra de chocolate,
se chocam fazem isso de forma eficaz, mas os choques que resul- devemos utilizar uma medida padrão. No caso do Brasil, utiliza-se
tam em quebra das ligações dos reagentes e formação de novas o quilograma (múltiplos e submúltiplos). Já os ingleses medem a
ligações são aqueles que ocorrem na orientação correta e com a massa em libras (que corresponde a 0,454 kg). Na especificada da
energia suficiente. Química dos átomos, seria quase impossível a infinidade de zeros
Abaixo, é mostrado o caso de duas colisões não eficazes e uma depois da vírgula para representar o peso de um átomo. A solução
eficaz que resulta na ocorrência da reação. foi encontrada com as Grandezas Químicas.
No caso do átomo, portanto, utiliza-se o seguinte procedi-
mento para a indicação da Massa Atômica:
• Unidade de massa atômica (u): é igual a 1/12 da massa de
um átomo do isótopo de carbono-12 (12C).
• Massa ou peso atômico: é a massa do átomo medida em
unidades de massa atômica.
• Ex.: 19F – possui massa atômica= 19 u.

• Massa molecular: é a massa da molécula medida em uni-
dades de massa atômica (u).
• Mol: é o número de átomos de carbono presente em 12 g
do isótopo de carbono-12.

4.Energia de ativação e complexo ativado:


Conforme dito no item anterior, a colisão eficaz, além da orien-
tação favorável, precisa também de energia suficiente. A quanti-
dade mínima de energia necessária para que cada reação ocorra é
chamada de energia de ativação.
Se os reagentes tiverem uma energia igual ou superior à ener-
gia de ativação, durante o choque bem orientado, se formará um
complexo ativado inicialmente, que é uma estrutura intermediária
entre os reagentes e os produtos. No complexo ativado, existem as
ligações dos reagentes enfraquecidas e as novas ligações de produ-
to se formando.

29
QUÍMICA
Veja o Número de Avogadro: o valor da constante é nR
Tem-se então a equação completa:

onde R é a constante universal dos gases perfeitos, n é o núme-


ro de mols, m é a massa dada, MM a massa molar, T é a temperatu-
ra em Kelvin (K= ºC+273).
R é constante e a unidade depende das unidades dos outros
Esse número é chamado de número (constante) de Avogadro e (0,082 atm x L/K x mol ou 62,3 mmHg x L/K x mol ou 8,314 Pa x
equivale a 6,023X1023. m3/K x mol).
Massa molar (MM): é a massa de 1 mol de partículas (molécu-
las, átomos, íons). A unidade de medida é dada em g.mol-1.

Quantidade de matéria
A quantidade de matéria está relacionada ao número de partí-
culas que compõe um sistema, ou seja, se o número de partículas é
alto, a quantidade de matéria também será.
O mol é considerado a quantidade de matéria que um sistema
com entidades elementares pode ter.
Vejamos os exemplos:
Sendo m unidade de massa, n a quantidade de matéria, N nú-
mero de partículas.
Teremos:
N = 6,02 .1023 moléculas
n = 1 mol
m = 2g
N = 12,04. 1023 Moléculas
n = 2 mol
m = 4g

Suponhamos que exista uma quantidade de recipientes iguais


contendo 32g de enxofre, logo, formamos 1 mol.
Se constituirmos 20 recipientes, o total será de 640g de enxo-
fre, ou seja, 20 mols de enxofre, pois:

O fato de existir quantidades menores que o mol, a partir daí


vem a fração de mol, que é 0,1 mol: 0,05 mol etc…
A figura acima mostra que o composto cinza possui massa mo- Agora, vamos supor que colocamos 3600g de glicose distribu-
lar maior que o composto laranja. ídos em recipientes, com 180g cada um. Lembrando que a massa
Volume molar (VM): é o volume que um mol de gás, em deter- molecular da glicose é de 180u e a massa molar da é também de
minada condição de temperatura e pressão, ocupa. 180u. Logo temos:
Verifica-se experimentalmente que nas CNTP (condições nor- Massa molecular = 180u
mais de pressão e temperatura), ou seja, 0ºC e 1 atm (760 mmHg), Massa molar = 180g/mol
o volume que um mol de gás ocupa é de 22,4 l. 3600 = 20 mol x 180 g/mol
m = n. massa molar
Equação de Clapeyron:
É a Equação Geral dos Gases Ideais (perfeitos), ou, ainda, a Lembrando que NA é a Constante de Avogrado, que é igual a
Equação de estado dos gases, para uma massa constante de um 6,02. 1023 mol-1.
mesmo gás (número de mols constante), vale sempre a relação: É importante sabermos também que a quantidade de partículas
N, é totalmente proporcional à quantidade de matéria n. Logo:
N = NA. n

Observe a resolução do número de moléculas de hidrogênio


(H2), em um sistema contendo 1,5 mol desse gás, onde a constante
de Avogrado é o número de Avogrado multiplicado por mol-1.

30
QUÍMICA
N = NA. n
N = 6,02. 1023 mol-1. 1,5 mol = 9,03. 1023 ESTEQUIOMETRIA: TIPOS DE FÓRMULAS; ASPECTOS
O símbolo mol não leva plural, apenas o nome mol, no Brasil o QUANTITATIVOS DAS REAÇÕES QUÍMICAS; LEIS PON-
plural de mol é mols, e o símbolo é mol, em outros países o plural é DERAIS; LEIS VOLUMÉTRICAS; CÁLCULOS ESTEQUIO-
moles. Lembrando que nenhum símbolo leva plural, portanto: MÉTRICOS; REAGENTE LIMITANTE DE UMA REAÇÃO E
3 gramas—–3g LEIS QUÍMICAS; REAÇÕES COM SUBSTÂNCIAS IMPU-
3 mols———3 mol RAS; RENDIMENTO DE REAÇÃO

Número de Avogadro Estequiometria é o cálculo da quantidade das substâncias en-


O número de Avogadro é uma constante adimensional (não volvidas numa reação química.
possui unidade, logo não representa uma grandeza) que indica a Este é feito com base nas leis das reações e é executado, em
quantidade de átomos de Carbono-12 que, juntos, representam
geral, com o auxílio das equações químicas correspondentes. Esta
12g da substância – 1 mol de C-12. O nome da constante é uma
palavra, estequiometria, é derivada do grego: stoikheion = elemen-
homenagem ao cientista Amedeo Avogadro.
to, e metron = medida ou medição.
Assim, 1 mol de quaisquer substâncias possuem obrigatoria-
Nas reações químicas, as substâncias reagem entre si origi-
mente NA entidades constituintes, incluindo-se os gases às mesmas
nando produtos em proporções específicas. Desse modo, é possí-
condições de temperatura e pressão, ex.: se Nitrogênio e Oxigênio
vel calcular quanto de produto será formado, ou o rendimento da
encontram-se à 1 atm num recipiente de 22,4 l e a 0°C (273,15 K),
reação. Se quisermos determinado rendimento, podemos também
o número de moles (mols) de ambos será igual a 1. A partir daí,
Avogadro conseguiu explicar como os gases se combinavam facil- calcular quanto deverá ser utilizado de reagente.
mente quando os respectivos volumes obedeciam a proporções Por meio dos cálculos estequiométricos é possível fazer essas e
simples entre si; além de, algum tempo depois, descobrir que os outras relações específicas. Mas, antes de tudo, precisamos conhe-
gases apresentam-se na Natureza em formas diatômicas. cer as proporções existentes entre os elementos que formam as di-
ferentes substâncias. E essas proporções são dadas pelas fórmulas
A constante de Avogadro moleculares, percentuais e mínimas ou empíricas.
Vários experimentos foram realizados em busca do número de Além disso, a base dos coeficientes de qualquer reação são as
Avogadro. No início do século XX o professor de físico-química da leis ponderais:
Universidade de Paris Jean Baptiste Perrin estimou a constante de • Lei da conservação da massa– Num sistema fechado, a
Avogadro como um número entre 6,5 x 1023 e 7,2 x 1023. Como con- massa total dos reagentes é igual à massa total dos produtos;
sequência recebeu o prêmio Nobel de física em 1926. • Lei das proporções constantes– Toda substância apresen-
Com o aperfeiçoamento dos experimentos e dos métodos de ta uma proporção em massa constante na sua composição.
cálculos, chegou-se ao seguinte valor: NA = 6,02214179x1023.
Além disso, a lei volumétrica de Gay-Lussac também nos for-
Número de Avogadro e a Massa Molar nece uma importante informação: se a pressão e a temperatura
Com o aparecimento do número de Avogadro foi possível a não mudarem, os volumes dos gases participantes de uma reação
determinação mais precisa das massas molares de qualquer subs- têm entre si uma relação de números inteiros e pequenos.
tância formada a partir de elementos da tabela periódica. Para Usa-se nos cálculos estequiométricos a relação mostrada abai-
isso, utiliza-se a definição de UMA (Unidade de Massa Atômica), da xo:
constante de Avogadro e da massa atômica dos constituintes. 1 mol ↔ 6. 1023 moléculas ou fórmulas unitárias ↔ massa
1 UMA ≈ 1,66x10-24g molar em g/mol ↔ 22,4 L (nas CNTP*)
NA ≈ 6,022x1023
Ex.: Calculemos o valor da massa molar do dióxido de carbono. *Condições Normais de Temperatura e Pressão.
Vejamos um exemplo de cálculo estequiométrico em que se
Sendo uma molécula de dióxido de carbono (CO2) constituí- relacionará apenas quantidade de matéria (mols).
da por dois átomos de Oxigênio e um átomo de Carbono, a massa
molar dessa molécula é dada pela soma das massas atômicas do Exemplo: Qual a quantidade de matéria de álcool etílico,
Carbono e dos dois átomos de Oxigênio multiplicando-se pela cons- C2H6O(l), que deve reagir para fornecer 12 mols de gás carbônico?
tante de Avogadro e pela constante UMA: Considere esta uma reação de combustão completa.
MMCO2 = (MAC + 2MAO).NA.UMA
MMCO2 = (12 + 32). 6, 022x1023 . 1,66x10-24 Equação Balanceada:
MMCO2 = 44 . 6,022x1023 . 1,66x10-24 C2H6O(l) + 3 O2(g) → 2CO2(g) + 3 H2O(v)
Observe que 1 mol de álcool produz 2 mols de gás carbônico,
Repare que o produto 6,022x1023 . 1,66x10-24 é aproximada- assim pode-se fazer uma regra de três simples para resolver o pro-
mente igual a 1, assim, a massa molar do dióxido de carbono é nu- blema:
mericamente igual à sua massa molecular: 1 mol ------------------- 2 mols
MMCO2 = 44 g/mol x-------------------------12 mols
X=6 mols
Por isso que as massas molares de uma molécula, íon, átomo
ou radical sempre coincidem com as respectivas massas molecula- Resposta:6 mols de álcool etílico são necessários para gerar 12
res, massas-fórmulas (para os íons) e massas atômicas dos mesmos. mols de gás carbônico.
Lembre-se que é possível relacionar também massa, número
de moléculas e volume molar. Porém, em todos esses casos é ne-
cessário seguir as seguintes regras fundamentais:

31
QUÍMICA

O cálculo estequiométrico é o cálculo das medidas em reações e equações químicas e tornou-se algo comum no Enem. Será que cai
no Enem? Nesse assunto, são comuns questões sobre rendimento, excesso, pureza, balanceamento e há a necessidade de vocês saberem
conteúdos como a grandeza mol e saber calcular as conversões.

O cálculo estequiométrico é o cálculo das medidas em reações e equações químicas. Comum no Enem e na maioria dos vestibulares,
é utilizado, por exemplo, quando o médico precisa calcular quanto deve administrar de determinada substância para o paciente. São
comuns questões sobre rendimento, excesso, pureza, balanceamento. A dificuldade costuma ser variada, mas o professor Dino alerta “é
necessário que o aluno conheça a grandeza mol e saiba calcular e fazer as conversões”.

Basicamente, para realizar os cálculos estequiométricos, você precisa seguir os três passos abaixo:
1º) Escrever a equação química, realizando o seu devido balanceamento;
2º) Analisar as proporções estequiométricas mostradas pelos coeficientes da equação química balanceada;
3º) Realizar regras de três que relacionam as informações quantitativas normalmente existentes na própria reação, como massa mo-
lar, volume, mols, massa ou qualquer grandeza, conforme a necessidade do problema.

Vamos desenrolar um pouco os passos acima:

Quando falamos de estequiometria a primeira coisa a se fazer é identificar a reação.


Se o enunciado não fornecer ou mostrar a reação, a primeira coisa a se fazer é montar essa reação com os dados fornecidos.
Importantíssimo: antes de sair fazendo os cálculos com números fornecidos pelo enunciado, certifique-se de fazer o balanceamento.
Fez o balanceamento, identifique o que ele está procurando, depois disso confira se as unidades estão iguais e, conferindo isso, parta
para a regra de três.

Reagente em excesso e reagente limitante

Se a proporção estequiométrica entre os reagentes da reação não estiver correta, haverá um que ficará em excesso e outro que será
o reagente limitante

32
QUÍMICA
Segundo a Lei Ponderal de Proust, denominada de Lei das Proporções Constantes, as reações sempre ocorrem em proporções defini-
das e constantes. Por exemplo, a reação de formação da amônia é realizada na proporção de 1 mol de gás nitrogênio para 3 mols de gás
hidrogênio, conforme mostrado pelos coeficientes estequiométricos na equação abaixo:

1 N2(g) + 3 H2(g)→ 2 NH3(g)

Se essa reação for realizada numa proporção diferente dessa, então teremos um reagente em excesso e um reagente limitante. No
caso de reagirmos 1 mol de N2(g) com apenas 2 mols de H2(g), veremos claramente que a quantidade de hidrogênio é menor do que a re-
querida pela relação estequiométrica, então ele é o reagente limitante da reação.
Reagente limitante é aquele que limita a quantidade de produto que pode ser produzido na reação. Isso significa que quando o rea-
gente limitante é totalmente consumido, a reação para, mesmo tendo ainda outros reagentes.
Todos os outros reagentes que sobrarem são considerados reagentes em excesso.
Para entender isso, vamos fazer uma analogia: imagine que temos que montar todos os conjuntos possíveis entre parafusos e duas
porcas. Digamos que temos 5 parafusos e 12 porcas. Nesse caso, os parafusos atuam como os reagentes limitantes e as porcas como os
reagentes em excesso, porque iremos parar de montar os conjuntos quando os parafusos acabarem e irão sobrar ainda duas porcas.
Para resolver questões que envolvem reagentes limitantes e em excesso, podemos seguir as três etapas mostradas abaixo:

Leis Ponderais
Na Química, as Leis Ponderais incluem a “Lei de Proust” e a “Lei de Lavoisier”. Ambas contribuíram para o avanço da Química como
ciência de forma que introduziram o método científico.
As Leis Ponderais foram postuladas no século XVIII, sendo essenciais para os estudos da estequiometria e de outras teorias que foram
postuladas posteriormente. Elas estão relacionadas com as massas dos elementos químicos dentro das reações químicas.

Lei de Lavoisier
A Lei de Lavoisier é chamada de “Lei de Conservação das Massas” e foi introduzida pelo químico francês Antoine Laurent Lavoisier
(1743-1794). Seu enunciado é:
“A soma das massas das substâncias reagentes em um recipiente fechado é igual à soma das massas dos produtos da reação”.
Note que a famosa frase “Na natureza nada se cria, nada se forma, tudo se transforma” está inspirada na Lei da Conservação das
Massas de Lavoisier, posto que o químico descobriu que nas reações químicas, os elementos não desaparecem, ou seja, são eles rearran-
jados e transformados em outros.
A experiência realizada por Lavoisier ocorreu na transformação do Mercúrio (Hg) em contato com o Oxigênio (O2) formando o Óxido
de Mercúrio II (HgO).
Assim, Lavoisier fez vários experimentos analisando as massas dos reagentes e dos produtos nas reações químicas, o que o levou
a constatar que as massas dos elementos envolvidos, após reagirem são, constantes, ou seja, a reação possui a mesma massa inicial.
Observe que a Lei de Lavoisier é aplicada para as reações químicas que ocorrem em recipientes fechados.

Lei de Proust
A Lei de Proust é chamada de “Lei das Proporções Constantes” e foi postulada pelo químico francês Joseph Louis Proust (1754-1826).
Seu enunciado é:
“Uma determinada substância composta é formada por substâncias mais simples, unidas sempre na mesma proporção em massa”.
Da mesma maneira, Proust realizou uma série de experimentos e constatou que as massas dos elementos envolvidos nas reações
químicas são proporcionais. Isso explica a massa dos elementos químicos e sua proporcionalidade. Ou seja, determinadas substâncias
sempre reagem com outras a partir de uma proporção definida das massas envolvidas.
Observe que as massas dos elementos envolvidos podem se alterar, no entanto, a proporção entre elas será sempre a mesma. Assim,
se a massa de um elemento da reação química é duplicada, os outros também são. Isso explica o processo de balanceamento das reações
químicas e os cálculos estequiométricos.

33
QUÍMICA
Ela apresenta a transformação isobárica dos gases, ou seja,
GASES: CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS GASES; TEORIA quando a pressão do gás é constante, a temperatura e o volume
CINÉTICA DOS GASES; VARIÁVEIS DE ESTADO DOS GA- são diretamente proporcionais.
SES; TRANSFORMAÇÕES GASOSAS; EQUAÇÃO GERAL Essa lei é expressa pela seguinte fórmula:
DOS GASES IDEAIS; LEIS DE BOYLE E DE GAY-LUSSAC:
EQUAÇÃO DE CLAPEYRON; QUANTIDADE DE MATÉ-
RIA EQUAÇÃO DE ESTADO; PRINCÍPIO DE AVOGADRO
E ENERGIA CINÉTICA MÉDIA; MISTURAS GASOSAS;
PRESSÃO PARCIAL, VOLUME PARCIAL E LEI DE DAL-
TON; DIFUSÃO GASOSA; NOÇÕES DE GASES REAIS E Onde,
LIQUEFAÇÃO; DENSIDADE DOS GASES V: volume do gás
T: temperatura
A Lei dos Gases foram criadas por físico-químicos entre os sé- k: constante da pressão (isobárica)
culos XVII e XIX. As três leis dos gases são denominadas:
• Lei de Boyle (transformação isotérmica) Lei de Charles
• Lei de Gay-Lussac (transformação isobárica) A Lei de Charles foi proposta pelo físico e químico francês Jac-
• Lei de Charles (transformação isométrica) ques Alexandre Cesar Charles (1746-1823).
Ela apresenta a transformação isométrica ou isocórica dos ga-
Cada uma delas contribuíram para os estudos sobre os gases e ses perfeitos. Ou seja, o volume do gás é constante, enquanto a
suas propriedades, a saber: volume, pressão e temperatura. pressão e a temperatura são grandezas diretamente proporcionais.
A fórmula que expressa a lei de Charles é:
O que são Gases?
Os gases são fluidos que não possuem forma, nem volume pró-
prio, ou seja, a forma e o volume dos gases dependem diretamente
do recipiente no qual estão inseridos.
Isso ocorre porque as moléculas dos gases, diferente dos sóli-
dos, estão separadas umas das outras. Onde,
P: pressão
Gases Ideais T: temperatura
Os chamados “Gases Ideais” ou “Gases Perfeitos” são modelos K: constante de volume (depende da natureza, do volume e da
idealizados, utilizados para facilitar o estudo dos gases uma vez que massa do gás)
a maioria deles se comportam como um “gás ideal”.
Importante ressaltar que as três leis dos gases expõem o com- Equação de Clapeyron
portamento dos gases perfeitos, na medida que uma das grande- A Equação de Clapeyron foi formulada pelo físico-químico
zas, seja pressão, temperatura ou volume é constante, enquanto francês Benoit Paul Émile Clapeyron (1799-1864). Essa equação
outras duas são variáveis. consiste na união das três leis dos gases, na qual relaciona as pro-
Algumas características que definem os gases ideais são: priedades dos gases dentre: volume, pressão e temperatura abso-
• Movimento desordenado e não interativo entre as molé- luta.
culas;
• Colisão das moléculas dos gases são elásticas;
• Ausência de forças de atração ou repulsão;
• Possuem massa, baixa densidade e volume desprezível. Onde,
P: pressão
Lei de Boyle V: volume
A Lei de Boyle-Mariottefoi proposta pelo químico e físico irlan- n: número de mols
dês Robert Boyle (1627-1691). R: constante universal dos gases perfeitos: 8,31 J/mol.K
Ela apresenta a transformação isotérmica dos gases ideais, de T: Temperatura
modo que a temperatura permanece constante, enquanto a pres-
são e o volume do gás são inversamente proporcionais. Equação Geral dos Gases Perfeitos
Assim, a equação que expressa a lei de Boyle é: A Equação Geral dos Gases Perfeitos é utilizada para os gases
que possuem massa constante (número de mols) e variação de al-
guma das grandezas: pressão, o volume e a temperatura.
Ela é estabelecida pela seguinte expressão:

Onde,
p: pressão da amostra
V: volume
K: constante de temperatura (depende da natureza do gás, da Onde,
temperatura e da massa) P: pressão
V: volume
Lei de Gay-Lussac T: temperatura
A Lei de Gay-Lussac foi proposta pelo físico e químico francês, K: constante molar
Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850). P1: pressão inicial
V1: volume inicial

34
QUÍMICA
T1: temperatura inicial Por outro lado, para um aumento da Energia cinética média
P2: pressão final (Ecin) é necessário promover uma mudança na temperatura do gás.
V2: volume finalT2: temperatura final Ao aquecermos o gás dentro do frasco, as moléculas presen-
tes passam a se movimentar com maior velocidade, o que ocasiona
Relação entre Lei de Avogadro e gases um aumento da Energia cinética média. Dizemos então que a Ecin é
A Hipótese de Avogadro, proposta em 1811 por Amedeo Avo- diretamente proporcional à temperatura, como mostra a equação:
gadro, diz que: Ecin = KT
Volumes iguais, de quaisquer gases, nas mesmas condições de O gás que obedece a essa equação é considerado um Gás per-
pressão e temperatura, apresentam a mesma quantidade de subs- feito (ou gás ideal).
tâncias em mol (moléculas).
Essa lei está relacionada ao volume molar de gases. Misturas Gasosas
Conceito de volume molar de gases: volume ocupado por um As misturas gasosas são muito comuns no cotidiano. É possível
mol de qualquer gás, a uma determinada pressão e temperatura. descobrir sua pressão e volume total através das pressões e volu-
Considerando que o volume molar para qualquer gás seja de mes parciais dos gases componentes da mistura.
22,4 L/mol, temos que a relação entre o volume e número de mol Estamos cercados mais por misturas de gases do que por gases
é constante: isolados. O ar que respiramos é um exemplo de mistura de vários
V=K gases, sendo que os principais são o nitrogênio (N2), que correspon-
N de a cerca de 80% do ar; e o oxigênio (O2), que é quase 20%.
A equação expressa que 22,4 litros de qualquer gás possuem Visto que são tão presentes em nosso cotidiano, é necessário
6,02 x 1023 moléculas (condições de 1 atm e 0 °C). analisar duas grandezas importantes quando se trata de misturas
Exemplificando: gasosas, que são: pressão parcial e volume parcial. A seguir, ambos
serão explicados:

1.Pressão parcial dos gases:


A pressão parcial de um gás é a pressão que ele exerceria se
estivesse sozinho, nas mesmas condições de temperatura e volume
da mistura.
Segundo Dalton, a soma das pressões parciais dos gases que
formam a mistura resulta na pressão total (p) da mistura. Por exem-
plo, se a pressão do ar for de 1,0 atm, a pressão parcial do N2 será
de 0,8 (80% da pressão total) e a pressão parcial de O2 será igual a
Se enchermos um balão com gás Hélio (He) teremos o volume 0,2 % (20% da pressão total da mistura).
de 22,4 litros e 6,02 x 1023 moléculas de gás. Mas se enchermos Essa Lei de Dalton é mostrada também pela fração em quanti-
o mesmo balão até que ele ocupe o mesmo volume, só que com dade de matéria (X). Essa fração no caso do nitrogênio é dada por
outro gás, o hidrogênio (H2), por exemplo, quantas moléculas de H2 0,8 mol.
teríamos? A mesma quantidade = 6,02 x 1023 moléculas.
O volume é praticamente o mesmo para qualquer gás, consi- 1,0 mol
derando que o tamanho de uma molécula gasosa é desprezível se pN2= p . XN2
comparado com o espaço vazio que há entre elas. pN2= 1,0 atm . 0,8 = 0,8 atm.
Pode-se também calcular cada pressão parcial por meio da
Teoria cinética dos gases equação de estado dos gases:
Por que a pressão de um gás aumenta quando ele é compri- Equação de estado dos gases: PV = nRT
mido? A resposta a essa pergunta diz respeito ao movimento das Determinação da pressão parcial do N2:PN2. V = nN2 . RT
moléculas do gás em um frasco fechado, veja:
2.Volume parcial dos gases:
Similarmente à pressão parcial, o volume parcial corresponde
ao volume que um gás ocupa nas condições de temperatura e pres-
são da mistura.
A Lei de Amagat diz que a soma dos volumes parciais é igual ao
volume total, assim como o caso da pressão visto anteriormente.
Por isso, usamos a equação de estado dos gases, com a única dife-
rença que agora se coloca o volume parcial do gás e não a pressão:
P. VN2= nN2 . RT
Também é possível calcular o volume parcial de cada gás com-
Partículas em vermelho: moléculas no estado gasoso. ponente da mistura por meio da fração em quantidade de matéria.

Uma observação atenta à ilustração nos permite perceber que, Pressão Parcial
em um espaço menor, as moléculas ficam mais concentradas. Ao O cientista inglês John Dalton (1766-1844) estudou bastante o
comprimir um gás, esse passa a exercer certa pressão sobre as pa- comportamento das misturas gasosas, como no caso de fenôme-
redes do recipiente. O movimento rápido e contínuo das moléculas nos meteorológicos e da composição do ar atmosférico. Em 1801,
colidindo com as paredes é que torna o fenômeno possível. ele propôs uma lei baseada em algumas conclusões importantes
Portanto, para aumentar a pressão de um gás não é necessário com respeito à pressão parcial que cada gás exerce dentro de uma
aumentar sua temperatura, basta diminuir seu volume (comprimir mistura:
o gás).

35
QUÍMICA
Lei de Dalton das pressões parciais: A pressão total do sistema a pressão atmosférica é igual a 60 000 Pa e a porcentagem de gás
corresponde à soma das pressões parciais exercidas por cada um oxigênio é 40% menor que ao nível do mar. Vamos calcular, então,
dos gases que compõem a mistura. a pressão parcial do oxigênio e a porcentagem dele em volume no
Ptotal = P1 + P2 + P3 + P4… ou P = Σp ar de La Paz:
Isso significa que se parte do princípio de que não há reação • Ao nível do mar, temos:
entre os gases e que a pressão parcial dos gases, que está sendo 20% = 20/100 = 0,2
citada, é a pressão que esses gases exercem sozinhos dentro da PO2 = 0,2 . 100 000 = 20 000 Pa
mistura gasosa e que ela não é a mesma pressão que eles exerciam • Em La Paz, a porcentagem de gás oxigênio é 40% menor
antes de entrarem na mistura, quando estavam isolados. que ao nível do mar, ou seja, é 60% da pressão ao nível do mar:
Quando se estudam as misturas gasosas, não se costuma con- PO2 = 0,6 . 20 000 = 12 000 Pa
siderar o tipo de gás que está na mistura, isto é, não se aborda • Agora, vamos calcular a porcentagem em volume do oxi-
o aspecto qualitativo, mas somente o quantitativo, porque o que gênio no ar de La Paz:
importa é a quantidade de matéria, o número de moléculas do gás. %O2 = 12 000 / 60 000 = 0,20 = 20%
Essa pressão exercida pela mistura gasosa está diretamente rela-
cionada à quantidade de partículas de cada gás. Observe que a porcentagem é a mesma que ao nível do mar.
Vamos usar a Equação de Clapeyron para os gases ideais para Isso acontece em praticamente todo o mundo. Mas o que muda é
mostrar isso. Ela é dada por: P . V = n . R . T, sendo que “n” é o nú- a quantidade de matéria (n) de todos os gases e, conforme explica-
mero de mols de partículas do gás. Considere uma mistura gasosa do, isso altera a pressão total da mistura, que no caso é a pressão
formada pelos gases X, Y e Z. A pressão de cada um dentro da mis- atmosférica, que diminui com o aumento da altitude.
tura será dada por: Por outro lado, em profundidades muito grandes, a pressão
PX . V = nXRT dos gases aumenta. A cada 10 m, a pressão aumenta em torno de
PY . V = nYRT 1 atm. As pressões parciais dos gases nitrogênio e oxigênio aumen-
PZ. V = nZRT tam muito, e se uma pessoa respirá-los, ela pode ter vários proble-
Assim, a pressão total da mistura será dada por: mas graves. É por isso que mergulhadores precisam usar cilindros
(PX + PY + PZ). V = (nX + nY + nZ) . R . T contendo oxigênio diluído em hélio.
PTOTAL . V = nTOTAL . R . T

Veja como a pressão total é diretamente proporcional à quan-


tidade de matéria, mostrando que quanto mais partículas de gases
houver, maior será a pressão parcial de cada gás e, consequente-
mente, maior será a pressão total.
Pode-se expressar isso também assim:
Σn = n1 + n2 + n3 +...
Ptotal = ΣnRT
V
A partir das equações acima, podemos chegar à outra gran- O mergulhador está usando um cilindro com porcentagens
deza. Por exemplo, se dividirmos uma equação de Clapeyron dada apropriadas de gases, considerando a grande profundidade em que
para determinado gás pela equação total da mistura, teremos: se encontra
__PY . V = __ nYRT____
PTOTAL . V nTOTAL . R . T Difusão Gasosa
__PY = __ nY__ Uma das propriedades dos gases é a capacidade que eles têm
PTOTAL nTOTAL de se misturar facilmente com outros gases, formando uma mistura
homogênea. Essa propriedade que os gases possuem é em decor-
Essa relação entre a quantidade de matéria de cada gás no sis- rência de suas partículas se movimentarem muito rápido e conti-
tema e a quantidade total de matéria na mistura é uma grandeza nuamente, que é estudado na parte da teoria cinética dos gases.
(nY/rtotal) denominada de fração em quantidade de matéria (fração Para observar este fato, bata colocar um gás colorido em um
molar ou fração em mol), sendo simbolizada pela letra X. Assim, balão e um gás incolor em outro balão, e colocarmos os dois gases
se quisermos saber a fração de um gás qualquer em uma mistura, em contato. Assim que os gases entram em contato um com o ou-
teremos: tro eles se misturam. O fato dos gases se misturarem espontanea-
XY = _nY__ mente, um através do outro é o que chamamos de difusão gasosa.
nTOTAL Um caso particular da difusão gasosa é a efusão dos gases, que
foi estudada em 1829, pelo cientista Thomas Graham.
A fração em quantidade de matéria também é proporcional à A efusão gasosa nada mais é do que o vazamento dos gases
relação entre a pressão parcial do gás e a pressão total da mistura através de orifícios, ou de paredes porosas.
gasosa, como mostrado mais acima: Este caso particular da difusão gasosa é vista nos balões que
são vendidos em parques e praças. Esses balões são inflados com
XY = _ PY__ gás hélio, após algumas horas percebemos que os balões murcham
PTOTAL sozinhos, ou seja, o gás vaza facilmente pelos poros da borracha,
fazendo com que o gás do balão efunde com o ar.
Agora voltemos na questão da pressão do ar atmosférico na O cientista Thomas Graham enunciou: “em condições idênti-
Bolívia. O ar que respiramos ao nível do mar é uma mistura de ga- cas, as velocidades de efusão de dois gases são inversamente pro-
ses, em que os principais são o nitrogênio, que corresponde a cer- porcionais as raízes quadradas de suas densidades absolutas”.
ca de 80% da composição do ar; e o oxigênio, que corresponde a
quase 20% do ar, e a pressão é de 100 000 Pa. Em La Paz, porém,

36
QUÍMICA
Gases Reais
Os gases reais são todos os gases existentes na natureza, salvo
quando estão em condições de pressão e de temperatura particu-
lares e nestes casos são considerados aproximadamente, para efei-
tos apenas de cálculos facilitados, como gases perfeitos ou ideais.
Em oposição aos gases ideais, os gases reais não podem ser expli-
cados e modelados inteiramente usando-se a lei dos gases ideais. onde a e b são dois parâmetros empíricos que não são os
Os gases nobres, como hélio e o argônio, por serem gases atô- mesmos parâmetros usados na equação de van der Waals.
micos, não formando normalmente moléculas, são mais próximos
dos gases ideais, e por isso, até erroneamente, chamados no pas- Modelo de Berthelot e modelo modificado de Berthelot
sado de “gases perfeitos”, pois suas partículas se comportam mais A equação de Berthelot é muito raramente usada,
como as características idealizadas e pontuais dos gases ideais.[1]
Para entender-se e modelar-se gases reais diversas condições
devem ser consideradas, como:
• Efeitos de compressibilidade.
• Capacidade térmica específica variável.
• Forças de Van der Waals. mas a versão modificada é algo mais precisa
• Efeitos de não equilíbrio termodinâmico.
• Problemas com a dissociação molecular e reações ele-
mentares com composição variável.

Para a maioria das aplicações, tal análise detalhada é desne-


cessária, e a aproximação dos gases ideais por ser usada com razo-
ável precisão. Modelos de gases reais tem de ser usados próximos Modelo de Dieterici
dos pontos de condensação dos gases, próximo do ponto crítico, a Este modelo tem deixado de ser usado nos últimos anos
altíssimas pressões, e em alguns outros casos menos usuais.
Para tratar-se fisicamente os gases reais, diversas equações de
estado adequadas aos gases reais foram propostas:
• Equação do virial
• Equação de van der Waals
• Equação de Berthelot
• Equação de Dieterici
Modelo de Clausius
Introduz-se também o coeficiente de compressibilidade Z para A equação de Clausius é uma equação de três parâmetros mui-
medir a não idealidade dos gases reais. to simples usada para modelar gases.

Modelo de van der Waals


Gases reais são frequentemente modelados por levar-se em
conta seus peso molar e volume molar

Onde P é a pressão, T é a temperatura, R a constante dos


gases ideais, e Vm o volume molar. a e b são parâmetros que são
determinados empiricamente para cada gás, mas são algumas
vezes estimados de sua temperatura crítica (Tc) e pressão crítica
(Pc) usando-se estas relações:

Modelo virial
A equação virial deriva de um tratamento perturbativo de me-
cânica estatística.

Modelo de Redlich–Kwong
A equação de Redlich–Kwong é outra equação de dois parâ-
metros que é usada para modelar gases reais. É quase sempre mais
precisa que a equação de van der Waals, e frequentemente mais
precisa que alguma equação com mais que dois parâmetros. A
equação é

37
QUÍMICA
onde A, B, C, A′, B′, e C′ são constantes dependentes da temperatura.

Modelo Peng-Robinson
Esta equação de dois parâmetros tem a interessante característica de ser útil em modelar alguns líquidos assim como gases reais.

Modelo de Wohl
A equação de Wohl é formulada em termos de valores críticos, fazendo-a útil quando constantes de gases reais não estão disponíveis.

Modelo de Beattie-Bridgeman
A equação de Beattie-Bridgeman

onde d é a densidade molar e a, b, c, A, e B são parâmetros empíricos.

Modelo de Benedict-Webb-Rubin
A equação de Benedict-Webb-Rubin, chamada também chamada equação BWR e algumas vezes referida como equação BWRS

Onde d é a densidade molar e a, b, c, A, B, C, α, e γ são parâmetros empíricos.

Liquefação
A liquefação ou condensação são sinônimos e referem-se a transformação da matéria do seu estado gasoso para o estado líquido. A
única diferença entre os termos é que condensação corresponde à transformação de vapor para o estado líquido enquanto a liquefação
para o estado líquido.
Além da liquefação ou condensação existem outros quatro processos de transformação física da matéria, são eles:
• Solidificação (líquido -> sólido);
• Vaporização (líquido -> gasoso);
• Sublimação (gasoso -> sólido);
• Fusão (sólido -> líquido).

38
QUÍMICA
Quando é exercida continuadamente pressão sobre um gás, as
partículas dele ficam mais próximas e começam a se chocar, fazen-
do que que percam mais energia cinética. Essa perda causa a dimi-
nuição da agitação até que o gás encontre seu ponto de saturação
no sistema e se condense.
Para cada gás se liquefazer há uma combinação entre tempera-
tura e pressão, dadas pelo diagrama de fases. A pressão necessária
para o gás se transformar em liquido é chamada Pressão de vapor
(Pv).

O processo de liquefação fracionada


A liquefação fracionada consistem na separação de misturas
homogêneas em que todos os componentes são gases. Esse pro-
cesso é frequentemente utilizado para separar o ar atmosférico,
composto por nitrogênio e oxigênio.
Na primeira etapa do procedimento, a mistura é colocada em
equipamento especial e submetida a um resfriamento em torno de
-200º C ou pode ser submetida a um pressão que transforme os
componentes em líquidos.

Processos de mudança de estado da matéria. (Foto: Guia


Estudo)

Mas como diferenciar gás de vapor?


Gás é toda substância que se encontra no estado gasoso per-
manentemente e não possui forma nem volume próprio. Exemplos:
oxigênio, gás carbônico e gás nitrogênio.
Já o vapor é o estado temporário que uma substância está, por
exemplo, o vapor d’água.
Outro ponto importante para saber diferenciar gás de vapor é
conhecer os seus pontos críticos e interpretar o diagrama de fases.
Quando uma substância está na fase gasosa e sua temperatura
é superior à crítica,ela se mantém na fase gasosa independente da
pressão exercida. No caso da água, a sua temperatura crítica é de
374º C, abaixo disso ela está em forma de vapor e acima disso em
forma de gás.
Sendo Tc a temperatura crítica e T a temperatura atual da
substância, a partir das informações podemos concluir que:
T < Tc = vapor – condensa-se por compressão isotérmica
T > Tc = gás – não se condensa por compressão isotérmica

Condensação Processo de destilação fracionada. (Foto: Wikipédia)


A condensação pode ser observada na tampa de uma panela
que, quando aquecida, acumula água em sua superfície. Isso acon- Após todos os componentes se mostrarem como líquidos, a
teceu porque ao atingir o ponto de ebulição a água evapa, mas ao mistura é submetida ao processo de destilação fracionada, ou seja,
tocar a tampa, que está a uma temperatura menor, volta para o separação por calor. O composto de gases é colocado em uma tor-
estado liquido. re que possui várias partes e cada uma é submetida a uma tempe-
Para uma substância que esteja no estado de vapor entrar em ratura diferente.
condensação, ou seja, mudar para o estado líquido, basta aumentar Como cada gás possui um ponto de ebulição diferente, eles
a pressão ou diminuir a temperatura, separadamente. retornarão ao estado gasoso em tempos diferentes. Em seguida a
Um processo natural em que acontecem constantes mudanças mistura é desfeita e pode-se obter cada gás de maneira individual.
de estado é chamado de ciclo hidrológico. Á água passa por cinco
processos cíclicos: evaporação, condensação, precipitação, infiltra- Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)
ção e transpiração. Você pode até não imaginar, mas o GLP é um claro exemplo
de liquefação de gases e está presente em nosso cotidiano. Essas
Liquefação substância nada mais é que o popular gás de cozinha, utilizado para
Para uma substância gasosa, que permanentemente possui fins domésticos.
fluidez, mudar para o estado líquido é necessário aumentar a pres-
são e diminuir a temperatura, simultaneamente.

39
QUÍMICA
absorção de calor

SÓLIDO LÍQUIDO GASOSO

GLP, o gás de cozinha caseiro. (Foto: Wikipédia)

O GLP é formado por uma mistura de gases de hidrocarboneto liberação de calor


como butano (C4H10), propano (C3H8), isobutano (C4H10), prope-
no (C3H6) e buteno (C4H8). Quando a substância passa do estado físico sólido para líquido
No botijão de gás, esses gases estão em estado líquido em vir- e em seguida para gasoso, ocorre absorção de calor.
tude da pressão exercida. O recipiente que os armazena é resisten- Quando a substância passa do estado gasoso para líquido e em
te e suporta até 15 atmosferas. seguida para sólido, ocorre liberação de calor.
Os gases em condições naturais não possuem odor. Contudo, Essa energia que vem das reações químicas é decorrente do re-
por questões de segurança, nas refinarias o GLP é misturado a uma arranjo das ligações químicas dos reagentes, transformando-se em
substância do grupo Mercaptan, que lhe condiciona um cheiro ca- produtos. Essa energia armazenada é a ENTALPIA (H). É a energia
racterístico quando há vazamento de gás. que vem de dentro da molécula.
Nas reações químicas, não é necessário calcular a entalpia. De-
vemos calcular, geralmente, a variação de entalpia (ΔH). A variação
de entalpia é a diferença entre a entalpia dos produtos e a entalpia
TERMOQUÍMICA: PODER CALORÍFICO; CÁLCULO DE dos reagentes.
CALORES DE REAÇÕES; REAÇÕES ENDOTÉRMICAS E
EXOTÉRMICAS; RELAÇÃO ENTRE MATÉRIA E CALOR;
ENTALPIA E TIPOS DE ENTALPIA; LEI DE HESS; DETER-
MINAÇÃO DA VARIAÇÃO DE ENTALPIA (ΔH); REPRE-
SENTAÇÕES GRÁFICAS EM TERMOQUÍMICA; EQUA-
ÇÕES TERMOQUÍMICAS; CALOR OU ENTALPIA EM
REAÇÕES QUÍMICAS; CÁLCULOS ENVOLVENDO ENTAL-
PIA; VARIAÇÃO DE CALOR NAS MUDANÇAS DE ESTA-
DO; ENERGIA DE LIGAÇÃO; CÁLCULOS COM ENERGIA Unidade de calor
DE LIGAÇÃO; ENTROPIA; ENERGIA LIVRE

As transformações físicas e as reações químicas quase sempre


estão envolvidas em perda ou ganho de calor. O calor é uma das
formas de energia mais comum que se conhece.
A termoquimica é uma parte da Química que faz o estudo das Tipos de reações
quantidades de calor liberadas ou absorvidas durante as reações As reações químicas podem ser de dois tipos:
químicas. - ENDOTÉRMICA: absorvem calor (+)
A maioria das reações químicas envolve perda ou ganho de ca- - EXOTÉRMICA: liberam calor (-)
lor (energia). Estudaremos a seguir cada uma delas.
Veja na tabela abaixo os tipos de reações com perda ou ganho
de calor. Reação endotérmica
É uma reação química cuja energia total (entalpia) dos seus
Reações que liberam energia Reações que absorvem produtos é maior que a de seus reagentes.
energia Isso significa que ela absorve energia, na forma de calor.
Observe o exemplo a seguir, onde calculamos a variação de en-
Queima do carvão Cozimento de alimentos talpia de uma reação.
Queima da vela Fotossíntese das plantas, o sol
fornece energia
Reação química em uma pilha Pancada violenta que inicia a
detonação de um explosivo
Queima da gasolina no carro Cromagem em para-choque
de carro, com energia elétrica

As transformações físicas também são acompanhadas de calor,


como ocorre nas mudanças de estados físicos da matéria.

40
QUÍMICA
Tipos de entalpias
Através de algumas reações, é possível calcular o valor da va-
riação de entalpia.
- Entalpia de formação
- Entalpia de combustão
- Entalpia de ligação
- Entalpia de neutralização
- Entalpia de dissolução

Entalpia de formação ou calor de reação


A entalpia de formação é a energia da reação quando forma 1
mol de substância, a partir das substâncias químicas (elemento no
seu estado padrão).
Estado padrão: é a forma mais estável de uma substância a
25°C e a 1atm de pressão. São as substâncias simples.
As substâncias que participam da reação de formação devem
ser simples e devem informar o estado físico. Sua variação de ental-
pia de formação padrão é zero.

Se o valor for positivo (+) a reação é endotérmica, ou seja, ela


absorveu energia para acontecer.
Exemplo de substância simples:
C(grafite), O2(g), N2(g), H2(g), Na(s), S(s).

Exemplo de reação de formação:

Reação exotérmica
É uma reação química cuja energia total (entalpia) dos seus
produtos é menor que a de seus reagentes.
Isso significa que ela libera energia, na forma de calor. Isto quer dizer que, para formar 1 mol de NH3, a reação produz
Observe o exemplo a seguir, onde calculamos a variação de en- 11 kcal de energia.
talpia de uma reação. Este cálculo pode ser feito utilizando a fórmula da variação de
entalpia e alguns dados tabelados.
Observe a tabela com os valores de entalpia de formação pa-
drão de algumas substâncias:

Substância H°f kJ/mol Substância H°f kJ/mol


C2H2(g) 226,8 Cdiamante +2,1
CH4(g) -74,8 NH3 (g) -45,9
CO(g) -110,3 NaCl (s) -412,1
CO2(g) -393,3 O3 (g) +143
H2O(v) -242 SO2 (g) -297
H2O(l) -286 SO3 (g) -396

Exemplo:
Escreva a reação de formação para cada substância abaixo, in-
dicando o valor da entalpia de formação de SO3(g):
1°) montar a reação de formação:
Se o valor for negativo (-), a reação é exotérmica, ou seja, ela
perdeu energia para acontecer.

2°) Aplicar a fórmula:

Entalpia
Conforme aprendemos, a entalpia (H) é a quantidade de ener-
gia que se encontra nas substâncias e que pode ser alterada através
das reações químicas. A partir de agora, estudaremos alguns tipos
de entalpia.

41
QUÍMICA

Glicose C6H12O6(S) -673,0


Sacarose C12H22O11(S) -1348,9

Entalpia de ligação
Durante as reações químicas, as ligações químicas dos reagen-
tes e produtos são alteradas.
Podemos calcular a ΔH pela análise desses novos rearranjos.
A entalpia de ligação é a variação de entalpia verificada na que-
bra de 1mol de uma determinada ligação química, considerando
que todas as substâncias estejam no estado gasoso, a 25° C e 1atm.
Entalpia de combustão Reagentes = sempre são quebradas as ligações = ENDOTÉRMI-
É sempre uma reação exotérmica. CA (+)
É o calor liberado na reação de combustão de 1 mol de uma Produtos = sempre são formadas as ligações = EXOTÉRMICA (-)
substância em presença de gás oxigênio O2(g).
Exemplo:
Combustão completa: mais quantidade de oxigênio. Forma
gás carbônico e água.

Combustão incompleta: menos quantidade de oxigênio. Pro- A ΔH do processo é a soma desses calores. Calcula-se utilizando
duz menos quantidade de energia. Forma mais resíduos como mo- dados tabelados.
nóxido de carbono (CO) e água (H2O).
Entalpia de ligação (em kJ/MOL)

Ligação H°(kJ/ Ligação H°(kJ/ Ligação H°(kJ/


Exemplo:
MOL) MOL) MOL)
Qual o valor da entalpia de combustão do benzeno (C6H6)? Da-
dos: H–H 436 H – Br 366 N–C 305
H–O 463 H–I 299 C≡C 837
N–N 163 H–N 388 C=C 612
N=N 409 H–C 412 C–C 348
N≡N 944 O=O 496 C – Cl 338
H–F 565 O–C 360 Br – Br 193
H – Cl 431 O=C 743 Cl – Cl 242

Tabela de ΔH°comb de algumas substâncias

Substância Fórmula ΔH°comb (kcal/mol) A partir desta tabela com dados das ligações de alguns elemen-
tos, é possível calcular também outras entalpias, como por exem-
Hidrogênio H2(g) -68,3 plo a de combustão e a de formação.
Carbono crafite C(grafite) -94,1
Monóxido de car- CO(g) -67,6 Entalpia de neutralização
bono É a entalpia de uma reação de neutralização (entre um ácido e
uma base formando sal e água). A reação é exotérmica.
Metano CH4(g) -212,8 É a variação de entalpia verificada na neutralização de 1mol de
Etano C2H6(g) -372,8 H+ do ácido por 1mol de OH- da base, sendo todas as substâncias
em diluição total ou infinita, a 25°C e 1atm.
Propano C3H8(g) -530,6
Exemplos:
Butano C4H10(g) -688,0
Benzeno C6H6(g) -781,0
Etanol H3C – CH2 – OH(l) -326,5
Ácido acético H3C – COOH(l) -208,5

42
QUÍMICA
Entalpia de dissolução
É a variação de entalpia envolvida na dissolução de 1mol de determinada substância numa quantidade de água suficiente para que a
solução obtida seja diluída.
Quando um sólido é colocado em um copo com água, acontece uma dissolução. Nesta ordem, acontece:

Lei de Hess
O químico e médico Germain Henry Hess (1802-1850) desenvolveu importantes trabalhos na área de termoquímica.
A Lei de Hess é uma lei experimental e estabelece que a variação de entalpia de uma reação química depende apenas dos estados
inicial e final da reação.

A Lei de Hess também pode ser chamada de lei da soma dos calores de reação.
É uma forma de calcular a variação de entalpia através dos calores das reações intermediárias. Podem ser infinitas variações de
entalpia.

Exemplo:
Qual o valor da variação de entalpia da reação a seguir?

Dados (equações intermediárias):

Resolução:

______________________________________

Observe que a ΔH1 e ΔH2 são somadas, obtendo-se o valor da variação de entalpia. As equações químicas também são somadas,
obtendo-se a reação global.
Para montar as equações e aplicar a Lei de Hess, podemos fazer algumas alterações matemáticas, seguindo as seguintes regras:
1°) as equações intermediárias devem estar de acordo com a reação global. Coloca-se as equações (dados) na ordem que reagem ou
são produzidas. Se não estiverem de acordo, troca-se o sinal da ΔH;

43
QUÍMICA
2°) acertar os coeficientes também de acordo com a reação global. Se a equação for multiplicada, a ΔH também deve ser multiplicada
pelo mesmo número.
3°) realizar o somatório para montar a reação global;
4°) somar os valores das ΔH das equações intermediárias para achar a ΔH da reação global.
Exemplo:
Calcule a variação de entalpia da seguinte reação pela Lei de Hess:

Dados:

Resolução:
Deve-se escrever todas as equações intermediárias (dados) de acordo com a reação global. Na primeira equação, o que há em comum
é o C(grafite). Então ele deve ser escrito da mesma forma (como reagente e 1mol).
A segunda equação tem em comum com a reação global o H2(g). Nos dados, esta espécie química não está exatamente igual como na
global. Deve-se multiplicar toda a equação por 2, inclusive a ΔH2.
A terceira equação tem em comum com a reação global o CH4(g). Deve-se inverter a posição desta equação e portanto trocar o sinal
da ΔH3.
Veja como deve ser feito:

Cálculo e Variação de entalpia


A variação da energia de um sistema (ΔH) pode ser calculado pela diferença entre as energias dos produtos e reagentes.
ΔH = Hprod – Hreag

O cálculo da variação da entalpia (ΔH) é um procedimento matemático que utiliza as entalpias de cada um dos participantes de uma
reação química para determinar a quantidade de energia que foi absorvida ou liberada por um processo químico qualquer.
Considere a equação abaixo:
A+B→C+D

Para realizar o cálculo da variação da entalpia dessa reação, é necessário conhecer as entalpias de cada um dos participantes (rea-
gentes e produtos):

• HA = Entalpia da substância A
• HB = Entalpia da substância B
• HC = Entalpia da substância C
• HD = Entalpia da substância D

Tendo conhecimento sobre a entalpia de cada um dos participantes da reação, basta utilizar os valores na expressão matemática de
subtração que representa a variação da entalpia, que é:
ΔH = Hp – Hr

Para essa reação, temos que:


• Hp = Soma da entalpia dos produtos.
No caso da reação representada no Hp, temos a soma das entalpias dos produtos C e D, sempre respeitando as quantidades este-
quiométricas, logo:
Hp = c.HC + d.HD

44
QUÍMICA
• Hr = Soma da entalpia dos reagentes. 3 – Temperatura
No caso da reação representada no Hr, temos a soma das en- O aumento da temperatura aumenta a agitação molecular (Ec),
talpias dos reagentes A e B, sempre respeitando as quantidades aumentando o número de colisões entre os reagentes, aumentan-
estequiométricas, logo: do velocidade da reação.
Hr = a.HA + b.HD
4 – Catalisador
Representação Gráfica É uma substância que aumenta a velocidade da reação pela
diminuição da E at da reação.
É importante lembrar que o catalisador não participa da
reação, apenas altera sua velocidade. E ele não o altera a entalpia
da reação.

Cálculo de velocidade de reação


A Cinética Química tem como principal objetivo o estudo da
velocidade em que uma determinada reação química processa-se.
A partir desse estudo, temos condição de especificar se uma reação
ocorreu de forma rápida ou lenta.
Ao falarmos de velocidade (v), devemos relembrar que a Física
trabalha essa grandeza por meio da relação entre a variação do es-
paço (ΔS) e a variação do tempo (Δt):
CINÉTICA: VELOCIDADE DAS REAÇÕES; TEORIA DA CO- v = ΔS
LISÃO; CONDIÇÕES PARA OCORRÊNCIA DE REAÇÕES; Δt
TIPOS DE VELOCIDADE DE REAÇÃO; FATORES QUE
AFETAM A VELOCIDADE DAS REAÇÕES; CÁLCULOS Na Química, não avaliamos o espaço que uma reação percorre,
ENVOLVENDO VELOCIDADE DA REAÇÃO; LEI DA VELO- já que ela não se desloca de um lugar para outro. Na verdade, da-
CIDADE DE REAÇÕES mos ênfase na variação das quantidades de reagentes e produtos
durante uma reação expressa em termos de molaridade (concen-
Cinética química é a parte da química que estuda as velocida- tração em mol/L). A variação da concentração é dada pela simbo-
des das reações e os fatores que a influenciam. logia Δ[ ].
* Velocidade média de uma reação (Vm) Durante uma reação química, os reagentes são consumidos
Assim como na física, a velocidade da reação é calculada pela para que os produtos sejam formados. Por essa razão, podemos
expressão: calcular a velocidade em que um reagente é consumido ou a velo-
• Vm = Δconcentração/Δtempo, ou; cidade em que um produto é formado, por exemplo. Em ambos os
• Vm = Δmassa/Δtempo, ou; casos, sempre vamos realizar o cálculo a partir da relação entre a
• Vm = Δnúmero de mols/Δtempo. variação da concentração e a variação do tempo:
v = |Δ[ ]|
A velocidade pode ser calculada a partir da Δconcentração dos Δt
reagentes ou produtos pela Δtempo.
Fatores que alteram a velocidade de uma reação Observação: O módulo |Δ[ ]| é necessário porque a velocida-
A velocidade de uma reação depende: de não pode ser negativa. Além disso, existe a possibilidade de, ao
*número de choques entre as moléculas dos reagentes; calcular a variação da concentração (Δ[ ]), o resultado ser negativo
*energia com que as moléculas colidem entre si. (E at) (principalmente nos reagentes, pois a concentração final é menor
que a inicial).
1 – Pressão (gases) Para determinar a velocidade média em que uma reação (vr) é
O aumento da pressão causa uma diminuição do volume ocu- processada, devemos obrigatoriamente conhecer a velocidade (vx)
pado, aumentando o número de choques entre os reagentes, que de qualquer um dos participantes da reação e dividi-la pelo seu co-
aumenta sua velocidade. eficiente estequiométrico da reação:
vr = vx
2 – Superfície de contato n
O aumento da superfície de contato causa maior número de
choques entre os reagentes e aumenta a velocidade da reação. Para exemplificar os cálculos da velocidade em uma reação
Ex: Álcool líquido queima mais rápido que o álcool gel. química, vamos utilizar como base a equação que representa a rea-
ção de formação da amônia.
1 N2 + 3 H2 → 2 NH3

45
QUÍMICA
Nessa reação, o N2 e o H2 são reagentes, enquanto o NH3 é o
produto. À medida que o tempo passa, a quantidade de reagentes
diminui e a quantidade de produtos aumenta, de acordo com a ta-
bela a seguir:

Analisando a tabela, podemos concluir que o resultado do cál-


culo da velocidade média de uma reação será o mesmo indepen-
dentemente do participante utilizado no cálculo.

Utilizando os dados acima, é possível determinar a velocidade


de cada um deles em qualquer intervalo de tempo. Para exemplifi- SOLUÇÕES: DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS SOLU-
car, determinaremos a velocidade de cada um no intervalo de 0 a ÇÕES; TIPOS DE SOLUÇÕES; SOLUBILIDADE; CURVAS
2 minutos de reação: DE SOLUBILIDADE; ASPECTOS QUANTITATIVOS DAS
SOLUÇÕES; CONCENTRAÇÃO COMUM; CONCEN-
Para o N2 TRAÇÃO MOLAR OU MOLARIDADE; NORMALIDADE;
→ A concentração varia de: MOLALIDADE; FRAÇÃO MOLAR; TÍTULO; DENSIDADE;
Δ[ ] = |0,1 – 0,2| RELAÇÃO ENTRE ESSAS GRANDEZAS: DILUIÇÃO; MIS-
Δ[ ] = 0,1 mol/L TURAS DE SOLUÇÕES; ANÁLISE VOLUMÉTRICA (TITU-
→ O tempo varia de: LOMETRIA)
Δt = 2 – 0
Δt = 2 min As misturas podem ser homogêneas ou heterogêneas.
→ A velocidade de consumo de N2 será, então: As misturas homogêneas possuem uma fase distinta. As mistu-
v = |Δ[ ]| ras heterogêneas possuem duas ou mais fases distintas.
Δt Solução é uma mistura homogênea entre duas ou mais subs-
v = 0,1 tâncias. O processo utilizado para obter essa mistura é chamado de
2 dissolução.
v = 0,05 mol.L-1.min-1 Uma solução é sempre formada pelo soluto e pelo solvente.

Para o H2
→ A concentração varia de:
Δ[ ] = |0,3 – 0,6|
Δ[ ] = 0,3 mol/L
→ O tempo varia de:
Δt = 2 – 0
Δt = 2 min
→ A velocidade de consumo de N2 será, então:
v = |Δ[ ]|
Δt
v = 0,3 Soluto – substância que será dissolvida.
2 Solvente – substância que dissolve.
v = 0,15 mol.L-1.min-1 A água é chamada de solvente universal. Isso porque ela dissol-
ve muitas substâncias e está presente em muitas soluções.
Para o NH3 As soluções podem ser formadas por qualquer combinação en-
→ A concentração varia de: volvendo os três estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso.
Δ[ ] = |0,2 – 0| Exemplos de soluções no nosso dia a dia:
Δ[ ] = 0,2 mol/L - álcool hidratado
→ O tempo varia de: - acetona
Δt = 2 – 0 - água mineral
Δt = 2 min - soro fisiológico
→ A velocidade de formação de NH3 será, então:
v = |Δ[ ]| Tipos de dispersão
Δt Dispersão – são sistemas nos quais uma substância está dis-
v = 0,2 seminada, sob a forma de pequenas partículas, em uma segunda
2 substância.
v = 0,1 mol.L-1.min-1 Um exemplo é a mistura entre água e areia em um copo. No
início, a mistura fica turva, mas com o passar do tempo, as partícu-
A velocidade média da reação de formação do NH3 pode ser las maiores vão se depositando no fundo do copo.
determinada por meio de qualquer uma das velocidades conheci- Mesmo assim, a água ainda fica turva na parte de cima. A água
das de qualquer um dos participantes da reação. Nós dividiremos a não ficará totalmente livre de areia.
velocidade deles pelo coeficiente da reação. A tabela a seguir traz De acordo com o tamanho das partículas, podemos classificar
o cálculo feito com as velocidades e os coeficientes dos três parti- essas dispersões em solução verdadeira, coloide e suspensão.
cipantes: Veja a seguir o diâmetro médio das partículas dispersas:

46
QUÍMICA

Dispersão Diâmetro médio Classificação das soluções quanto à quantidade de soluto


De acordo com a quantidade de soluto dissolvida na solução,
Soluções verdadeiras Entre 0 e 1nm podemos classificá-las em: solução saturada, solução insaturada e
Coloides Entre 1 e 1.000nm solução supersaturada.
Suspensões Acima de 1.000nm
Solução saturada
São aquelas que atingiram o coeficiente de solubilidade. Está
Obs. 1nm (nanômetro) = 1.10-9m
no limite da saturação. Contém a máxima quantidade de soluto dis-
solvido, está em equilíbrio com o soluto não dissolvido em deter-
Solução verdadeira
minada temperatura.
São misturas homogêneas translúcidas, com diâmetro médio
Dizer que uma solução é saturada é o mesmo que dizer que a
das partículas entre 0 e 1nm.
solução atingiu o ponto de saturação.
Exemplos: açúcar na água, sal de cozinha na água, álcool hi-
dratado.

Coloides
Solução insaturada (não saturada)
São misturas homogêneas que possuem moléculas ou íons gi-
São aquelas que contêm menos soluto do que o estabelecido
gantes. O diâmetro médio de suas partículas é de 1 a 1.000nm. Este
pelo coeficiente de solubilidade.
tipo de mistura dispersa facilmente a luz, por isso são opacas, não
Não está em equilíbrio, porque se for adicionado mais soluto,
são translúcidas.
ele se dissolve até atingir a saturação.
Podem ser sólidas, líquidas ou gasosas.
O termo coloide vem do grego e significa “cola”. Foi proposto
por Thomas Grahm, em 1860, para as denominar as substâncias
como o amido, cola, gelatina e albumina, que se difundiam na água
Solução supersaturada
lentamente, em comparação com as soluções verdadeiras (água e
São aquelas que contêm mais soluto do que o necessário para
açúcar, por exemplo).
formar uma solução saturada, em determinada temperatura.
Apesar dos coloides parecerem homogêneos a olho nu, a ní-
Ultrapassa o coeficiente de solubilidade. São instáveis e po-
vel microscópico são heterogêneos. Isso porque não são estáveis e
dem precipitar, formando o chamado precipitado (ppt) ou corpo
quase sempre precipitam.
de chão.
Exemplos: maionese, shampoo, leite de magnésia, neblina, ge-
latina na água, leite, creme.

Suspensão
Curvas de solubilidade
Suspensão são misturas com grandes aglomerados de átomos,
São gráficos que apresentam variação dos coeficientes de solu-
íons e moléculas. O tamanho médio das partículas é acima de
bilidade das substâncias em função da temperatura.
1.000nm.
Veja os coeficientes de solubilidade do nitrato de potássio em
Exemplos: terra suspensa em água, fumaça negra (partículas
100g de água.
de carvão suspensas no ar).
A partir destes dados é possível montar a curva de solubilidade.
Coeficiente de solubilidade
Quando adicionamos sal a um copo com água, dependendo da Temperatura (°C) (g) KNO3 /100g de água
quantidade colocada neste copo, o sal se dissolverá ou não. 0 13,3
O mesmo acontece quando colocamos muito açúcar no café
preto. Nem todo o açúcar se dissolverá no café. A quantidade que 10 20,9
não se dissolver ficará depositada no fundo. 20 31,6
O coeficiente de solubilidade é a quantidade necessária de 30 45,8
uma substância para saturar uma quantidade padrão de solvente,
em determinada temperatura e pressão. 40 63,9
Em outras palvras, a solubilidade é definida como a concentra- 50 85,5
ção de uma substância em solução, que está em equilíbrio com o
60 110
soluto puro, a uma dada temperatura.
70 138
Exemplos: 80 169
AgNO3 – 330g/100mL de H2O a 25°C
NaCl – 357g/L de H2O a 0°C 90 202
AgCl – 0,00035g/100mL de H2O a 25°C 100 246

Veja que o AgCl é muito insolúvel. Quando o coeficiente de so-


lubilidade é quase nulo, a substância é insolúvel naquele solvente.
Quando dois líquidos não se misturam, chamamos de líquidos
imiscíveis (água e óleo, por exemplo).
Quando dois líquidos se misturam em qualquer proporção, ou
seja, o coeficeinte de solubilidade é infinito, os líquidos são miscí-
ves (água e álcool, por exemplo).

47
QUÍMICA
3) Se a temperatura de uma solução baixar de 70°C para 50°C,
qual será aproximadamente a massa
do KBr que precipitará?
70°C = 90g
50°C = 80g
Então: 90-80 = 10g

4) Qual sal tem a solubilidade prejudicada pelo aquecimento?


Na2SO4

Para qualquer ponto em cima da curva de solublidade, a solu- 5) Se o KNO3 solubiliza 90g em 100g de água a 50°C, quanto
ção é saturada. solubilizará quando houver 50g de água?
Para qualquer ponto acima da curva de solubilidade, a solução
é supersaturada.
Para qualquer ponto abaixo da curva de solubilidade, a solução
é insaturada.
Através do gráfico também é possível observar que a solubili- x = 45g de sal KNO3
dade aumenta com o aumento da temperatura.
Em geral, isso ocorre porque quando o soluto se dissolve com 6) Que tipo de solução formaria 80g do sal NH4Cl a 20°C?
absorção de calor (dissolução endotérmica), as substâncias que se Solução supersaturada.
dissolvem com liberação de calor (dissolução exotérmica) tendem
a ser menos solúveis a quente. Soluções importantes no cotidiano

Ácido acético Ácido Acético a 4% Temperar alimentos


Álcool hidratado Hidratado 96% Álcool doméstico,
empregado em
limpeza
Soda cáustica NaOH (líquido) Remoção de crosta de
gorduras e fabricação
de sabão
Soro fisiológico NaCl (aquoso) 0,9% Medicina e limpeza de
lentes de contato
Formol Metanal 40% Conservação de tecido
Curva de Solubilidade de alguns sais animal
FONTE: furg.br/furg/depto/quimica/solubi.html Aliança de ouro Ouro 18 quilates Joalheria
Água sanitária Hipoclorito de sódio Bactericida e alvejante
a 5%

Quanto à proporção do soluto/solvente


A solução pode ser:
- Concentrada: grande quantidade de soluto em relação ao sol-
vente.
Exemplo: H2SO4 conc = ácido sulfúrico 98% + água
- Diluída: pequena quantidade de soluto em relação ao solven-
te.
Diluir significa adicionar mais solvente puro a uma determina-
da solução.
Exemplo: água + pitada de sal de cozinha.

Tipos de concentração
FONTE: luizclaudionovaes.sites.uol.com.br/solub.1.gif Concentração é o termo que utilizamos para fazer a relação
Observando o gráfico acima sobre a solubilidade de alguns sais, entre a quantidade de soluto e a quantidade de solvente em uma
responda: solução.
As quantidades podem ser dadas em massa, volume, mol, etc.
1) Qual o soluto mais solúvel a 0°C?
É o KI, porque solubiliza quase 130g em 100g de água. Observe:
m1= 2g
2) Qual o C.S. aproximado do NaNO3 a 20°C? n2 = 0,5mol
90 V = 14L
Cada grandeza tem um índice. Utilizamos índice:
1 = para quantidades relativas ao soluto

48
QUÍMICA
2 = para quantidades relativas ao solvente
nenhum índice = para quantidades relativas à solução

Exemplos: Onde:
massa de 2g do soluto NaCl: m1= 2g M = molaridade (mol/L)
número de mols de 0,5mol do solvente água: n2 = 0,5mol n1= número de mols do soluto (mol)
volume da solução de 14L: V = 14L V = volume da solução (L)
As concentrações podem ser:
1. Concentração comum O cálculo da molaridade é feito através da fórmula acima ou
2. Molaridade por regra de três. Outra fórmula que utilizamos é para achar o nú-
3. Título mero de mols de um soluto:
4. Fração molar
5. Normalidade

Estudaremos a seguir cada uma delas.


Onde:
Concentração comum (C) n = número de mols (mol)
A concentração comum de uma solução é a relação entre a m1 = massa do soluto (g)
massa do soluto em gramas e o volume da solução em litros. MM = massa molar (g/mol)

Exemplo: qual a molaridade de uma solução de 3L com 87,75g


de NaCl?
Onde:
C = concentração comum (g/L)
m1 = massa do soluto (g)
V = volume da solução (L)

Exemplo:
Qual a concentração comum em g/L de uma solução de 3L com
60g de NaCl?

Concentração comum é diferente de densidade, apesar da fór-


mula ser parecida. Veja a diferença:
Podemos utilizar uma única fórmula unindo a molaridade e o
número de mols:
A densidade é sempre da solução, então:

Onde:
M = molaridade (mol/L)
m1 = massa do soluto (g)
MM1= massa molar do soluto (g/mol)
V = volume da solução (L)

Título ( ) e percentual (%)


Na concentração comum, calcula-se apenas a msoluto, ou seja, É a relação entre soluto e solvente de uma solução dada em
m1. percentual (%). Os percentuais podem ser:
Molaridade (M) - Percentual massa/massa ou peso/peso: %m/m ; %p/p
A molaridade de uma solução, ou concentração em quantidade
de matéria (mol/L), é a relação entre o número de mols de soluto e
o volume da solução em litros.

49
QUÍMICA
- Percentual massa/volume: %m/V ; %p/V

2) No rótulo de um frasco de HCl há a seguinte informação:


- Percentual volume/volume: %v/v título percentual em massa = 36,5%
densidade = 1,18g/mL

Qual a molaridade desse ácido?

Transformar o percentual em título:


Exemplos:
NaCl 20,3% = 20,3g em 100g de solução
50% de NaOH = 50g de NaOH em 100mL de solução (m/v)
46% de etanol = 46mL de etanol em 100mL de solução (v/v) Depois aplicar a fórmula:
O título não possui unidade. É adimensional. Ele varia entre 0
e 1.

O percentual varia de 0 a 100.

ou Para achar a molaridade:

Para encontrar o valor percentual através do título:

Relação entre concentração comum, densidade e título:

Fração molar (x)


Relação entre outras grandezas: A fração molar é uma unidade de concentração muito utilizada
em físico-química.
Pode ser encontrado o valor da fração molar do soluto e tam-
bém do solvente. É uma unidade adimensional.
Ou simplesmente:

ou

Acompanhe os exemplos:
1) Uma solução contém 8g de NaCl e 42g de água. Qual o título ou
em massa da solução? E seu título percentual? Então:

%=? Onde:
x = fração molar da solução
x1= fração molar do soluto
x2 = fração molar do solvente
n1= n°de mol do soluto
n2 = n° de mol do solvente
n = n° de mol da solução

Observação:

50
QUÍMICA
Exemplo: Exemplo:
Adicionando-se 52,0g de sacarose, C12H22O11, a 48,0g de água Quantos equivalentes-grama tem em 80g de NaOH?
para formar uma solução, calcule a fração molar da sacarose nesta
solução:

Para sal:
Para achar a fração molar do soluto (sacarose):

Onde:
1Esal = 1 equivavelnte-grama do sal
MM = massa molar
Exemplo:
Quantas gramas tem 1E de NaCl?

Normalidade (N ou η) Resumindo as três fórmulas, o equivalente-grama pode ser


Chamamos de normalidade a relação entre o equivalente-gra- dado por:
ma do soluto e o volume da solução.
A unidade é representada pela letra N (normal). Está em de-
suso, mas ainda pode ser encontrada em alguns rótulos nos labo-
ratórios.
Onde:
MM = massa molar
x = n° de H+, n° de OH- ou n° total de elétrons transferidos
Algumas relações entre normalidade, molaridade e massa:
Onde:
N = normalidade (N)
nEqg1 = número de equivalente-grama do soluto
V = volume da solução
Exemplo de cálculo envolvendo normalidade:
Como calcular o equivalente-grama? Qual a massa de ácido sulfúrico (H2SO4) contida em 80mL de
Para ácido: sua solução 0,1N?

Dados:
MM = 98g/mol
Onde: V = 80mL = 0,08L
1Eácido = 1 equivalente-grama do ácido N = 0,1N
MM = massa molar m1= ?
Calcular o equivalente-grama:
Exemplo:
Quantas gramas tem 1E (um equivalente-grama) de HCl?

Para base: Calcular a massa:

Onde:
1Ebase = 1 equivavelnte-grama da base Diluição
MM = massa molar Consiste em adicionar mais solvente puro a uma determinada
solução.

51
QUÍMICA
A massa de uma solução após ser diluída permance a mesma,
não é alterada, porém a sua concentração e o volume se alteram.
Enquanto o volume aumenta, a concentração diminui. Veja a fór-
mula:

Onde:
M1 = molaridade da solução 1 -
M2 = molaridade da solução 2 De diferentes solutos que reagem entre si: ocorre reação en-
V1 = volume da solução 1 tre as substâncias que compõem a mistura. Para que a reação seja
V2 = volume da solução 2 completa entre os solutos, os volumes misturados devem obedecer
a proporção estequiométrica que corresponde à reação química.
Para esta fórmula, sempre M1 e V1 são mais concentrados e M2 Veja as fórmulas utilizadas:
e V2 são mais diluídos.
Reação de Neutralização:
Exemplo:
Um químico deseja preparar 1500mL de uma solução 1,4mol/L
de ácido clorídrico (HCl), diluindo uma solução 2,8mol/L do mesmo
ácido. Qual o volume de solução que havia na primeira solução a
ser diluída?
Dados:

Pode-se usar a seguinte fórmula:

Onde:
xa = número de H+
xb= número de OH-
Observe que as unidades de volume foram mantidas em mL.
Se uma das unidades for diferente, deve-se transformar para litros. Estes cálculos também podem ser feitos por regra de três e
utilizando as outras fórmulas. Exemplo:
Mistura de soluções Juntando-se 300mL de HCl 0,4mol/L com 200mL de NaOH
- De mesmo soluto: na mistura de soluções de mesmo soluto, 0,6mol/L, pergunta-se quais serão as molaridades da solução final
não há reação química entre estas soluções. Neste caso, o valor do com respeito:
volume final é a soma das soluções. a) ao ácido:
b) à base:
c) ao sal formado:
Montar a reação química:

Onde:
C = concentração comum (g/L) Calcular n (número de mol) do ácido e da base:
M = molaridade (mol/L)
V = volume (L)

Exemplo:
Qual a molaridade de uma solução de NaOH formada pela mis-
tura de 60mL de solução a 5mol/L com 300mL de solução a 2mol/L?

Se forma 0,12mol de ácido e também de base e a proporção


estequiométrica é 1:1, então a molaridade final de ácido e de base
é zero, porque reagiu todo o soluto.

52
QUÍMICA
Para calcular a molaridade do sal (antes achar o volume final): Exemplo de pipeta utilizada na medição do volume
• Bureta

Titulação
É um método de análise volumétrica que consiste em
determinar a concentração de ácido ou de base através de um
volume gasto de uma das soluções com molaridade conhecida.
Este método é muito utilizado em laboratórios químicos, sendo A bureta é um importante equipamento de medida volumétrica
utilizadas as seguintes vidrarias e reagentes:
- erlenmeyer (vidro usado para guardar e preparar soluções); A medida do volume é feita pela avaliação da altura do cha-
- bureta (tubo de vidro graduado em milímetros com torneira); mado menisco, que nada mais é do que a região superficial do lí-
- indicador ácido-base (fenolftaleína, alaranjado de metila, etc). quido que apresenta aspecto retangular ou abaulado (formato de
gota), a depender da espessura do recipiente. Quanto mais largo
for o recipiente, mais retangular será o menisco; quanto mais fino
for o recipiente, mais abaulado ele será. Para avaliar o menisco, o
olho deve estar exatamente na sua altura e devemos utilizar como
referência a região de baixo, se o menisco for retangular, ou a pon-
ta, se abaulado. Veja uma representação de uma avaliação:

Na bureta, coloca-se a solução de concentração conhecida, a


qual é adicionada a uma alíquota (porção) da solução com concen-
tração a ser determinada.
O momento em que o indicador muda de cor chamamos de
ponto de final ou ponto de equivalência. Anota-se o volume gasto
na bureta. Para avaliar um menisco, é importante
Através deste volume, podemos estabelecer as quantidades, que os olhos estejam na direção dele
em mol, que reagiram entre si.
Na análise volumétrica, o equipamento mais utilizado é a bure-
Ánalise Volumétrica ta. Isso acontece porque, como o método envolve reações químicas
Análise volumétrica ou volumetria é um procedimento labora- e estas podem processar-se de forma rápida, a bureta permite que
torial em que utilizamos certo volume de uma solução de concen- o líquido seja liberado em sua ponta em gotas, o que possibilita que
tração conhecida para determinar a concentração de outra solução. interrompamos a saída do líquido de forma mais controlada.
O volume da solução de concentração conhecida será determinado Um dos procedimentos mais utilizados dentro da volumetria
quando ela reagir completamente com a solução de concentração é a titulação. Trata-se de uma análise volumétrica que envolve a
desconhecida, ou seja, as soluções envolvidas devem reagir entre ocorrência de uma reação entre um ácido e uma base ou vice-ver-
si. sa. Os equipamentos necessários para a sua realização estão repre-
Os instrumentos mais utilizados para medir um determinado sentados na imagem a seguir:
volume são:
• Pipeta

Representação da aparelhagem utilizada em uma titulação

53
QUÍMICA
Os números em azul significam: Como a molaridade do ácido e seu volume são, respectivamen-
1) Suporte universal; te, 0,2 mol/L e 20 mL, e o volume da base utilizada é de 30 mL,
2) Garra (utilizada para segurar a bureta); basta utilizar a fórmula da titulação:
3) Erlenmeyer (recebe a solução de concentração desconhe-
cida); Ma.Va = Mb.Vb
4) Agitador magnético (utilizado para agitar a solução presente 0,2.20 = Mb.30
no erlenmeyer); 4 = Mb.30
Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) 4 = Mb
5) Bureta (recebe a solução de concentração conhecida). 30
Mb = 0,133 mol/L
Ao erlenmeyer é adicionado um volume da solução de concen-
tração desconhecida com o indicador fenolftaleína (imediatamente
a solução ficará rosa). Na bureta, é colocado certo volume da solu-
ção de concentração conhecida. Em seguida, a solução ácida da bu- EQUILÍBRIO QUÍMICO: SISTEMAS EM EQUILÍBRIO;
reta é diretamente gotejada na solução básica no erlenmeyer. Esse REAÇÕES REVERSÍVEIS; CONSTANTES DE EQUILÍBRIO;
gotejamento dura até que a solução básica torne-se incolor, mo- CÁLCULO DA CONSTANTE DE EQUILÍBRIO; QUOCIEN-
mento o qual chamamos de ponto de viragem, que indica que toda TE DE REAÇÃO; DESLOCAMENTO DE EQUILÍBRIOS;
a base presente na solução reagiu completamente com o ácido. PRINCÍPIO DE LE CHATELIER; EQUILÍBRIOS IÔNICOS;
CONSTANTES DE IONIZAÇÃO; LEI DA DILUIÇÃO DE
OSTWALD; GRAU DE EQUILÍBRIO; GRAU DE IONIZA-
ÇÃO; EFEITO DO ÍON COMUM; HIDRÓLISE; HIDRÓLISE
DOS SAIS; EQUILÍBRIOS IÔNICOS NA ÁGUA; PRODUTO
IÔNICO DA ÁGUA; PH E POH; PRODUTO DE SOLUBI-
LIDADE; EFEITO DO ÍON COMUM; REAÇÕES ENVOL-
VENDO GASES; EQUILÍBRIOS EM LÍQUIDOS E GASES;
CATALISADORES; INDICADORES; SOLUÇÕES ÁCIDAS E
BÁSICAS; ACIDEZ E BASICIDADE EM SOLUÇÕES; CONS-
TANTES DE HIDRÓLISE; SOLUÇÕES-TAMPÃO

No ponto de viragem, a solução deixa Um equilíbrio químico é a situação em que a proporção entre
de ser rosa e passa a ser incolor as quantidades de reagentes e produtos em uma reação química se
mantém constante ao longo do tempo. Foi estudado pela primeira
Observação: Se a solução de concentração desconhecida for vez pelo químico francês Claude Louis Berthollet em seu livro Essai
a do ácido, quando ela receber o indicador fenolftaleína, ficará in- de statique chimique de 1803. Teoricamente, toda a reação quí-
color. Assim, o ponto de viragem na titulação acontecerá quando a mica ocorre nos dois sentidos: de reagentes se transformando em
solução ácida ficar rosa ao receber a solução básica da bureta. produtos e de produtos se transformando de volta em reagentes.
Por fim, para determinar a concentração da solução básica, Contudo, em certas reações, como a de combustão, virtualmente
basta utilizar a seguinte equação: 100% dos reagentes são convertidos em produtos, e não se observa
o contrário ocorrer (ou pelo menos não em escala mensurável); tais
Ma.Va = Mb.Vb reações são chamadas de irreversíveis. Há também uma série de
Ma = molaridade do ácido; reações nas quais logo que certa quantidade de produto(s) é forma-
Va = volume do ácido; da, este(s) torna(m) a dar origem ao(s) reagente(s); essas reações
Mb = molaridade da base; possuem o nome de reversíveis. O conceito de equilíbrio químico
Vb = volume da base. praticamente restringe-se às reações reversíveis.

Acompanhe agora um exemplo de como é realizado o cálculo Reversibilidade de reações químicas


de uma solução que apresenta molaridade desconhecida. Um exemplo de reação reversível é a da produção da amônia
1º) 30 mL de uma solução de base desconhecida foi adicionada (NH3), a partir do gás hidrogênio (H2) e do gás nitrogênio (N2) — que
a um erlenmeyer com o objetivo de realizar uma titulação para de- faz parte do Processo de Haber:
terminar sua concentração (molaridade). Na bureta foram adicio- N2(g) + 3H2(g) 2NH3(g)
nados 50 mL de uma solução de ácido de concentração 0,2 mol/L.
Após o gotejamento da solução ácida e até que a solução básica Note-se que a seta dupla ( ) significa que a reação ocorre
fosse titulada, observou-se que foram utilizados 20 mL da solução nos dois sentidos, e que o subscrito (g) indica que a substância se
ácida na titulação. Determine a molaridade da solução básica uti- encontra na fase gasosa. Nesta reação, quando as moléculas de
lizada. nitrogênio e as de hidrogênio colidem entre si há uma certa chan-
ce da reação entre elas ocorrer, assim como quando moléculas de
Dados do exercício: amônia colidem entre si há uma certa chance de elas se dissocia-
Vb = 30 mL rem e de se reorganizarem em H2 e N2.
Mb = ? No início do processo, quando há apenas uma mistura de hi-
Ma = 0,2 mol/L drogênio e nitrogênio, as chances das moléculas dos reagentes (H2
Va = 20 mL e N2) colidirem umas com as outras é a máxima de toda a reação, o
que fará com que a taxa (ou velocidade) com que a reação ocorre
também o seja. Porém à medida com que a reação se processa o
número de moléculas de hidrogênio e de nitrogênio diminui, re-

54
QUÍMICA
duzindo dessa forma as chances de elas colidirem entre si e, con-
sequentemente, a velocidade desse sentido da reação. Por outro
lado, com o avançar da reação, o número de moléculas de amônia
vai aumentando, o que faz com que cresçam as chances de elas
colidirem e de se voltar a formar hidrogênio e nitrogênio, elevando
assim a velocidade desse sentido da reação. Por fim chegará um Os colchetes representam o valor da concentração (normal-
momento em que tanto a velocidade de um dos sentidos quanto mente em mol/L) da espécie que está simbolizada dentro dele ([A]
a do outro serão idênticas, nesse ponto nenhuma das velocidades = concentração da espécie A, e assim por diante). é uma gran-
variará mais (se forem mantidas as condições do sistema onde a deza chamada de constante de equilíbrio da reação. Cada reação de
reação se processa) e ter-se-á atingido o equilíbrio químico, confor- equilíbrio possui a sua constante, a qual sempre possui o mesmo
me ilustrado nas figuras abaixo: valor para uma mesma temperatura. De um modo geral, a constan-
te de equilíbrio de uma reação qualquer é calculada dividindo-se a
multiplicação das concentrações dos produtos (cada uma elevada
ao seu respectivo coeficiente estequiométrico) pela multiplicação
das concentrações dos reagentes (cada uma elevada ao seu relativo
coeficiente estequiométrico).
Um exemplo disso é a formação do trióxido de enxofre (SO3) a
partir do gás oxigênio (O2) e do dióxido de enxofre (SO2(g)) — uma
etapa do processo de fabricação do ácido sulfúrico:
2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g)

A constante de equilíbrio desta reação é dada por:

Velocidade das reações direta e inversa em função do tempo

É possível determinar experimentalmente o valor da constante


de equilíbrio para uma dada temperatura. Por exemplo, a constan-
te dessa reação na temperatura de 1000 K é 0,0413. A partir dela,
dada uma certa quantidade conhecida de produtos adicionados
inicialmente em um sistema nessa temperatura, é possível calcu-
lar por meio da fórmula da constante qual será a concentração de
todas as substâncias quando o equilíbrio for atingido. É importante
notar que, Kc para uma equação química SÓ depende da tempera-
tura, não é alterado por catalisador e mede a espontaneidade da
reação direta, a partir da condição padrão ( 1 mol/l ou 1 atm )
Utilizando a relação: ΔG = ΔH - TΔS, onde ΔG é a energia livre
de Gibbs, T a temperatura absoluta e ΔS e a variação da entropia.
Podemos colocá-la da seguinte forma:

Concentração das substâncias envolvidas em função do tem- (I) G = H - TS (É possível por ser função de estado)
po
Um raciocínio similar, em princípio, pode ser aplicado para E sabendo que:
qualquer equilíbrio. Deve-se salientar que quando uma reação atin-
ge o equilíbrio ela não para. Ela continua se processando, porém (II) H = U + PV, onde U e a energia interna, P é a pressão e V o
tanto a reação direta como a inversa ocorrem à mesma velocida- volume.
de, e desse jeito a proporção entre os reagentes e os produtos não
varia . Por outras palavras, estamos na presença de um equilíbrio Derivando (I) temos:
dinâmico (e não de um equilíbrio estático).
dG = dU - d(TS) → dG = d( U + PV ) - TdS – SdT
Constante de Equilíbrio → dG = dU + PdV + VdP - TdS - SdT (III),
“Por exemplo, a constante dessa reação na temperatura de Sabendo que: dS = dQrev/T → dQrev = TdS ( IV )
1000 K é 0,0413, note que a constante é Adimensional.” Uma vez
atingido o equilíbrio a proporção entre os reagentes e os produtos Tendo que: dU = dQ - PdV ( V )
não é necessariamente de 1:1 (lê-se um para um). Essa proporção
é descrita por meio de uma relação matemática, mostrada a seguir: Inserindo (IV) e (V) em (III)

Dada a reação genérica: aA + bB yY + zZ, onde A, B, Y e Z dG = dU + PdV + VdP - TdS, onde TdS = 0 pois,
representam as espécies químicas envolvidas e a, b, y e z os seus Para P e T constantes temos: dG = dQ - PdV + VdP - dQ , onde
respectivos coeficientes estequiométricos. A fórmula que descreve PdV = 0
a proporção no equilíbrio entre as espécies envolvidas é:

55
QUÍMICA
Integrando a equação de Gº ( G padrão ) a G e de Pº ( “P zero” acrescentado, o equilíbrio tende a reduzir a quantidade dessa subs-
= P padrão ) temos: tância e vice-versa. Tal resposta do equilíbrio pode ser sumarizada
pelo assim chamado Princípio de Le Chatelier:
ʃdG = ʃVdP = G - Gº = ʃ(nRT/P)dP , onde n é o nº de mols, R a Quando um stress é aplicado a um sistema em equilíbrio di-
constante universal dos gases. nâmico, o equilíbrio tende a se ajustar para diminuir o efeito do
stress. À medida que as reações se processam, as suas velocidades
G - Gº = RTln(P/Pº) vão se aproximando até que se igualem e assim é atingido nova-
Onde Pº = 1atm, note que daqui fica extremamente claro que mente o equilíbrio. A constante do equilíbrio será a mesma da de
o K é adimensional, pois P/Pº é adimensional. Chegamos: G = Gº + antes de se adicionar ou remover substâncias.
RTlnP (VI) , onde lnP e o logaritmo de base e de P
Agora tendo uma reação: CONSTANTE DE IONIZAÇÃO
Esta constante de equilíbrio, Kc, recebe agora o nome particu-
aA + bB → cC + dD ( Reação direta ) lar de constante de ionização ou constante de dissociação iônica e é
cC + dD → aA + bB ( Reação inversa ) representada por Ki, Ka (no caso de ácidos) ou Kb (no caso de bases).

ΔG = Gp - Gr, onde Gp = Energia dos produtos e Gr dos rea-


gentes.

Colocando (VI) nessa equação, conclui - se: ΔG = ΔGº + RTl-


n[X/Y]

Onde X = A multiplicação das pressões parciais dos produtos


elevado a seus respectivos coeficientes estequiométricos e Y idem
para os reagentes.
X/Y = Q, onde Q é o quociente da reação.

Para o equilíbrio temos que K = Q e ΔG = 0


ΔG = 0 pois a reação direta e inversa não são espontâneas, por- Observações
tanto é possível afirmar que o equilíbrio foi atingido! Temos por a) Ki varia com a temperatura.
fim: b) Quando a ionização de um eletrólito apresentar várias eta-
0 = ΔGº + RTlnK , concluindo: pas, temos para cada etapa uma constante de ionização:

K = e( -ΔGº/RT)

Note que aqui fica mais claro ainda que o K é adimensional e


que o K de uma reação elementar é o mesmo, caso a reação não
seja elementar, por causa da função de estado, onde ΔGf = ΔGi, logo
K não depende do caminho percorrido, só dependendo a tempera-
tura. Note também que K mede a espontaneidade a partir da con-
dição padrão. É possível demonstrar a lei de Guldberg-Waage e a
Lei de Avogrado.

K = K1/K2 = [Produtos]/[Reagentes] → K1[Reagentes] = K2[PRO-


DUTOS] Observe que a primeira constante de ionização de ácido fosfó-
rico é maior que a segunda, que, por sua vez, é maior que a terceira,
Logo V1 = V2, onde V1 = Velocidade da reação direta e V2 da indicando que a primeira ionização de um eletrólito ocorre mais
inversa (Lei de Guldberg - Waage). E para Lei de Avogrado temos: intensamente que as outras subsequentes.
K = K1/K2 → [e(-Gp/RT)]/[e(-Gr/RT)] → {e[(-Hp/RT)+(TS/RT)]}/{e[(-Hr/RT)+(TS/RT)]} c) Valores altos de Ki indicam eletrólitos fortes que são, portan-
to, muito dissociados ou ionizados; enquanto valores baixos indic-
Onde: e(TS/RT) = A1,2 e Hp,r é a entalpia dos produtos que é a Ea, am que o eletrólito é fraco.
energia de ativação, logo temos que:
Na tabela seguinte, temos valores de Ka de alguns ácidos:
K = A.e(-Ea/RT) - Lei de Avogrado.

PRINCÍPIO DE LE CHATELIER
Ao se alterar a quantidade de uma substância, também se está
mexendo na velocidade em que a reação se processa (pois se estará
mudando as chances de as substâncias reagirem entre si). Dessa
forma, a velocidade das reações direta e inversa deixa de ser igual:
se uma substância foi retirada de uma das reações, essa passará a
ser mais lenta; e, analogamente, ela passará a ser mais rápida se
uma substância for adicionada a ela. Assim ocorre que se algo for

56
QUÍMICA
Sinônimos do Ki nar um grau de equilíbrio em relação a um certo reagente, ou seja,
a) Constante de equilíbrio para ácidos (Ka) ou constante de ion- quanto do reagente realmente reagiu em relação à quantidade ini-
ização para ácidos (Ka). cial. Para isso, basta fazer a razão basta fazer a razão do primeiro
b) Constante de equilíbrio iônico para base (Kb) ou constante pelo segundo, e teremos o grau de equilíbrio (α).
de dissociação para base (Kb).
nº de mols que reagiu
c) Constante de equilíbrio iônico para água ou produto iônico α=
nº de mols inicial
da água (Kw).
d) Constante de hidrólise (Kh). Os fatores que podem influenciar no grau de equilíbrio são:
• Pressão total sobre o sistema
Observação – Não se define equilíbrio iônico para compostos • Temperatura e concentrações
tipicamente iônicos, ou seja, bases fortes e sais solúveis provenien- • Pressão parcial dos gases envolvidos
tes de reações de ácido forte com base forte, pois sua dissociação é
considerada 100% e, portanto, o sistema é simples e não reversível, Grau de ionização (força de um ácido)
sendo assim, jamais entrará em equilíbrio.
OBS.: tal cálculo não exige que você conheça a fórmula do áci-
Lei da Diluição de Ostwald do e nem a sua estrutura química.
Chamamos α o grau de ionização de um eletrólito, que pode
ser definido como a fração do mol que está ionizada na solução. Ácidos fortes: possuem α > 50%
Portanto, para cada mol que foi inicialmente dissolvido, a represen- Ácidos moderados: 5% α 50%
ta a parte que se ionizou. De forma geral, temos: Ácidos fracos: α < 5%
Como se calcula o valor de α (alfa)?

quantidade de moléculas que ionizaram


∝= X 100
quantidade de moléculas dissolvidas

Regra Prática para Determinação da Força de um Ácido (co-


Considere o equilíbrio: AB A+ + B–A partir da concentração nhecendo-se a fórmula molecular do ácido e, se necessário, sua
molar ( ) e do grau de ionização (α), podemos relacionar Ki e α: estrutura molecular):

- Hidrácidos:
Ácidos fortes: HI > HBr > HCl.
Ácido moderado: HF.
Ácidos fracos: demais.

- Oxiácidos
Sendo HxEzOy a fórmula de um ácido de um elemento E qual-
quer, temos
M=y-x
em que:
y = número de átomos de oxigênio
x = número de átomos de hidrogênios
se:
m=3 ácido muito forte
Exemplos: HClO4 , HMnO4...
m=2 ácido forte
Exemplos: HNO3 , H2SO4...
m=1 ácido moderado
Exemplos: H3PO4 , H2SO3 , H3PO3 (2 H+), H3PO2 (1 H+)
Esta fórmula é a Lei da Diluição de Ostwald e permite concluir m=0 ácido fraco
que, quanto menor a concentração de um eletrólito, maior será seu Exemplos: HClO, H3BO3
grau de ionização, o que significa dizer que o grau de ionização au-
menta à medida que se dilui a solução. Observação:
Para eletrólitos fracos, nos quais os valores de α são muito pe- 1º) O ácido carbônico (H2CO3) é uma exceção, pois é um ácido
quenos, podemos considerar 1 – α como sendo praticamente 1, o fraco (α=0,18%), embora o valor de m = 1
que simplifica a equação de Ostwald para: 2º) Todos os ácidos carboxílicos são fracos.

Fórmula Estrutural

I. Hidrácidos ( HxE)
Cada hidrogênio está ligado ao elemento por um traço (–) que
Grau de equilibrio representa a ligação covalente simples.
No equilíbrio químico de uma reação reversível, tanto os rea-
gentes quanto os produtos são gerados em igual velocidade, assim,
as concentrações deles não se alteram. Podemos então determi-

57
QUÍMICA
Exemplos Capriche e faça alguns ácidos que você conheça as fórmulas,
para treinar.

Exemplos

Oxiácidos (HxEzOy)
Para escrever a fórmula estrutural dos oxiácidos, devemos pro-
ceder da seguinte maneira:
1) escrever o símbolo do elemento central;
2) distribuir ao redor deste elemento todos os oxigênios da fór-
mula mencionada.
3) distribuir ao redor dos oxigênios os átomos de hidrogênio Cuidado com os ácidos oxigenados do elemento fósforo (P).
que sejam ionizáveis. Se tiver H não ionizável (o que ocorre com Vejam os H não ionizáveis:
ácidos do elemento fósforo), os hidrogênios não ionizáveis devem
ser colocados ao lado do elemento central.
4) Ligar os hidrogênios ionizáveis aos átomos de oxigênio viz-
inhos, formando grupinhos H-O) e ligar o elemento central a tantos
grupos – OH quantos forem os hidrogênios ionizáveis. Caso haja H
sem ligar, fazer uma ligação simples deste(s) H com o átomo cen-
tral.
5) (passo circunstancial, pois, depende de ter ou não oxigênio
sem ligar): ligar o elemento central ao(s) oxigênio(s) restante(s)
através de ligação dativa (geralmente) ou de uma dupla ligação
(ocorre tal dupla com os elementos carbono e nitrogênio).

SABER fazer a fórmula estrutural é um conhecimento de gran-


de valia. Através dela você poderá entender melhor quais são os
hidrogênios que se ionizam (somente os ligados DIRETAMENTE ao
átomo de oxigênio) e também, perceber a estrutura de um ânion
com ionização parcial ou total.
Portanto, veja que são passos bem simples e de fácil com-
preensão.

58
QUÍMICA
PH e PHO

pH e pOH de Soluções Aquosas


É muito comum ouvirmos alguém dizer que o pH da água de
uma piscina precisa ser controlado, assim como o pH da água de
um aquário ou de um solo, para favorecer um determinado plan-
tio. Até mesmo nosso sangue deve manter um pH sempre entre os
valores de 7,35 e 7,45. Uma variação de 0,4 pode ser fatal! O que
exatamente é o pH e o que significam seus valores?

Equilíbrio Iônico da Água (Kw)


Considere um copo com água. Será que essa água é compos-
ta apenas por moléculas de H2O? Não, pois como essas molécu-
las estão em constante movimento, elas se chocam o tempo todo.
Resultado: uma molécula de água pode colidir e reagir com outra
Observação molécula de água! O equilíbrio gerado é conhecido como auto io-
Duas exceções importantes, por apresentarem hidrogênios nização da água:
não ionizáveis, são: A água é um eletrólito extremamente fraco, que se ioniza se-
gundo a equação:

H2O + H2O H3O+ + OH–

Ou simplesmente:
H2O H+ + OH–

Como toda ionização, a da água também atinge um equilíbrio,


chamado equilíbrio iônico da água. Um litro de água a 25 ºC tem
massa igual a 1.000 g. Portanto, em 1 litro, temos aproximadamen-
te 55,5 mols de água:
Efeito do íon comum
Quando adicionado a um ácido (HA), um sal com o mesmo 𝑚 1000
ânion (A-) produz: 𝑛= ≫𝑛= ≫ 𝑛 = 55,5 𝑚𝑜𝑙𝑠
Diminuição do grau de ionização de HA ou enfraquecimento 𝑀 18
de HA;
diminuição da [H+], portanto aumento do pH da solução. O íon Destes 55,5 mols, constata-se experimentalmente que apenas
comum não altera a constante de ionização do ácido. 10–7 mols sofrem ionização.
Quando adicionado a uma base (BOH), um sal com o mesmo Como a água pura é neutra (já que para cada íon H+, forma-se
cátion (B+) produz: também um íon OH-), temos que [H+] = [OH-], a 25 °C, quando [H+].
- Diminuição do grau de ionização de BOH ou enfraquecimento [OH-] = 1,0.10-14, temos que [H+] = [OH-] = 10-7 mol/L.
de BOH; Como a concentração molar da água é praticamente constan-
- Diminuição da [OH-], portanto diminuição do pH da solução. O te, retomando a constante de equilíbrio, podemos escrever:
íon comum não altera a constante de ionização da base.
K.[H2O] = [H+].[OH-]
do que resulta uma única constante (o produto de duas cons-
tantes), ou seja:

Kw = [H+].[OH-]

que é o chamado produto iônico da água, onde o w se deve à


palavra inglesa water.

59
QUÍMICA
Resumindo: pH = log 1/[H+] → pH = log 1 – log [H+]
Como log 1 = 0:
pH = -log[H+] ou pH = colog [H+] que é igual ao inverso do log.

Neste caso:

Exemplo
Qual o pH de uma solução de concentração hidrogeniônica
igual a 10–5 ?

O produto iônico da água, Kw, tem valor igual a 10–14 a 25 ºC.


Kw é uma constante de equilíbrio e como tal não é afetada pela
variação na concentração de H+ ou OH–, mas varia com a tempera-
tura.

Caráter das Soluções Aquosas


A 25 °C podemos afirmar que:

Solução ácida:
[H+] > 10-7 mol/L e [OH-] < 10-7 mol/L

Solução básica:
[H+] < 10-7 mol/L e [OH-] > 10-7 mol/L
- Para Soluções Básicas
Solução neutra: Por analogia, define-se pOH como sendo o logaritmo (decimal)
do inverso da concentração hidroxiliônica:
[H+] = 10-7 mol/L e [OH-] = 10-7 mol/L pOH = log 1/[OH-]
Ou ainda, como sendo o cologaritmo da concentração de OH-:
Ou seja: pOH = colog [OH-]
– Para soluções ácidas: [H+] > [OH-] Assim:
– Para soluções básicas: [H+] < [OH-] pOH = log 1/[OH-] → pOH = log 1 – log [OH-]
– Para soluções neutras (ou água pura): [H+] = [OH-] Como log 1 = 0:
pOH = -log[OH-] ou pOH = colog [OH-]
pH e pOH
Para não se trabalhar com potências negativas, Peter L. Sören- Neste caso:
sen propôs uma nova escala para as medidas de acidez e basicidade
das soluções, utilizando logaritmo segundo as definições:

A letra p, minúscula, significa potencial; portanto:


– pH é o potencial hidrogeniônico da solução;
– pOH é o potencial hidroxiliônico da solução.

-Para soluções ácidas


Sörensen definiu pH como sendo o logaritmo(decimal) do in-
verso da concentração hidrogeniônica:
pH = log 1/[H+]
Ou ainda, como o cologarítmo da concentração hidrogeniôni-
ca:
pH = colog [H+]
Ou seja:

60
QUÍMICA
Exemplo

Portanto, a 25°C:

Lembre-se sempre que as soluções podem ser:

Exemplos de cálculo de pH:

Observação:
Os conceitos de pH e pOH indicam que em qualquer solução coexistem H+ e OH-. Por mais ácida que seja a solução, sempre existirão,
embora em pequeno número, íons OH-. Nas soluções básicas também estarão presentes os íons H+. As concentrações desses íons jamais
se anulam.

Relação entre pH e pOH

Portanto:

61
QUÍMICA
Escala de pH e pOH:

A escala acima apresenta as relações entre os valores de pH e pOH e suas respectivas concentrações dos íons.

O pH e o grau de ionização
Considere um ácido fraco genérico HkA. Ao dissolver M mols desse ácido em água, de maneira que forme 1 litro de solução, a concen-
tração em mol/L e a normalidade serão:

(praticamente não se usa mais a normalidade, mas pode ocorrer de aparecer)


O grau de ionização do ácido é:

Logo, a quantidade em mols que ioniza = α . M.


Considere o equilíbrio da ionização:

Constante para a soma de reações


Se uma reação química pode ser expressa pela soma de duas ou mais reações (ou etapas individuais), então a constante de equilíbrio
da reação global será a multiplicação das constantes de cada uma das reações individuais.

2P(g) + 3Cl2(g) 2PCl3(g)

PCl3(g) + Cl2(g) PCl5(g)

2P(g) + 5Cl2(g) 2PCl5(g)

Neste caso, a terceira reação é igual à soma da primeira mais duas vezes a segunda:

2P(g) + 3Cl2(g) 2PCl3(g)


+ PCl3(g) + Cl2(g) PCl5(g)
PCl3(g) + Cl2(g) PCl5(g)
2P(g) + 5Cl2(g) 2PCl5(g)

E a sua constante de equilíbrio pode ser expressa por:

62
QUÍMICA
a reação global nada mais é que a soma das reações de cada etapa.
Para cada uma das etapas pode-se fazer essa mesma dedução, e
então somar cada reação (o que significa multiplicar as suas cons-
tantes). Dessa forma teremos para uma reação de múltiplas etapas:

Pode se perceber que caso uma reação apareça duas ou mais


vezes na soma, ela aparece esse mesmo número de vezes na mul-
tiplicação.

Relação entre a velocidade da reação e a constante de equi- Sendo , , , e assim por diante as constantes de ve-
líbrio locidades de cada etapa.

Conforme já mencionado, no equilíbrio a velocidade tanto da Produto de solubridade


reação inversa quanto a da direta são iguais. Por sua vez, a veloci- O produto de solubilidade (Kps ou PS) é o produto das con-
dade de uma reação depende de uma outra constante chamada de centrações molares dos íons existentes em uma solução saturada,
constante de velocidade (simbolizada aqui por ); e é possível en- onde cada concentração é elevada a um expoente igual ao respec-
contrar uma relação entre as constantes de velocidade das reações tivo coeficiente do íon na correspondente equação de dissociação.
direta e indireta, e a constante de equilíbrio.
Para demonstrar isso, considere-se o seguinte equilíbrio gené- Exemplos:
rico (supondo que as suas reações ocorram cada qual em uma única
etapa):

2A X+Y

Agora vejamos as duas reações que ocorrem nele, juntamente


com a expressão de suas respectivas velocidades ( ):

2A → X + Y

X + Y → 2A

É importante frisar que o expoente que eleva as concentrações A expressão do Kps é utilizada somente para soluções saturadas
das espécies na fórmula da velocidade não necessariamente é igual de eletrólitos considerados insolúveis, porque a concentração de
ao respectivo coeficiente estequiométrico da espécie na reação, íons em solução é pequena, resultando soluções diluídas.
contudo o expoente certamente será assim se a reação se proces- O Kps é uma grandeza que só depende da temperatura.
sar em uma única etapa (conforme se está considerando nessa si- Quanto mais solúvel o eletrólito, maior a concentração de íons
tuação). Uma vez que as velocidades de ambas as reações são idên- em solução, maior o valor de Kps; quanto menos solúvel o eletrólito,
ticas no equilíbrio, pode-se igualá-las: menor a concentração de íons em solução, menor o valor de Kps,
desde que as substâncias comparadas apresentem a mesma pro-
porção entre os íons.

Exemplo
Rearranjando a equação, tem-se:

Observemos que a expressão do membro esquerdo é idêntica Como apresentam a mesma proporção em íons (1 : 1), o CaCO3
à fórmula do equilíbrio dessa reação. Então podemos escrever: é mais solúvel que o BaCO3, porque possui maior valor de Kps.
Quando as substâncias comparadas possuem proporção em
íons diferentes, a mais solúvel é aquela que apresenta maior so-
lubilidade.

Esta relação é válida para qualquer equilíbrio cujas reações


ocorram em uma única etapa, o que pode ser facilmente constata-
do por essa mesma dedução para outros equilíbrios. No caso de as
reações se processarem em mais de uma etapa, basta lembrar que

63
QUÍMICA
Exemplo - Se a dissociação iônica for endotérmica, e se aumentarmos
a temperatura, este aumento acarretará em um aumento de sol-
ubilidade, portanto, o valor do Kps aumentará. Se a dissolução for
exotérmica acontecerá o contrario do citado anteriormente. Pode-
mos então concluir que a temperatura altera o valor do Kps.

Kps = [Ag+]2 [CrO42-] Reações envolvendo gases, líquidos e gases.


410 –12 = (2x)2 x Praticamente todos os “gases” com os quais temos contato no
410 –12 = 4x3 cotidiano não são exatamente gases isolados, mas sim misturas de
X = 1,0.10-4 mol/L gases. Não conseguimos diferenciar muito bem porque toda mis-
tura gasosa é homogênea, ou seja, apresenta uma única fase, um
Avaliando a solubilidade do Ag2CrO4, portanto, em 1 L de solu- único aspecto em toda a sua extensão. O melhor exemplo é o ar
ção é possível dissolver até 10–4 mol de Ag2CrO4. que respiramos, que é composto basicamente por 78% do volume
BaSO4(s) Ba2+(aq) + SO42-(aq) KPS=1,0 . 10-10 em massa de gás nitrogênio (N2), 21% de gás oxigênio (O2) e 1%
Y mol/L Y mol/L Y mol/L de outros gases, principalmente o gás nobre argônio (Ar), que está
KPS=[Ba2+].[SO42-] presente em uma porcentagem de quase 1% .
10-10=(Y).(Y) Outros exemplos de misturas gasosas que encontramos no dia
Y=1,0.10-5 mol/L a dia são o gás de cozinha, que se trata, na verdade, de uma mistura
dos gases propano (C3H8) e butano (C4H10); e os cilindros usados
A solubilidade do BaSO4 portanto, em 1 L de solução: é possível para respiração por alpinistas e mergulhadores, que são misturas
dissolver até 10–5 mol de BaSO4. gasosas de nitrogênio e oxigênio, como o ar, mas enriquecidos com
Com isso concluímos que Ag2CrO4 é mais solúvel que o BaSO4. oxigênio (a quantidade de oxigênio armazenada nos cilindros deve
Abaixo veremos uma tabela dos valores do Kps de algumas ser de 42% em volume).
substâncias (não tem que decorar, pelo amor de seu Deus): Visto que estão tão presentes em nosso cotidiano, torna-se im-
portante estudar o comportamento das misturas de gases. Dois as-
pectos são os mais importantes: a pressão e o volume que esses ga-
Substância Fórmula Kps ses exercem nas misturas das quais participam. Essas grandezas são
hidróxido de alumínio Al(OH)3 2 x10-32 chamadas de pressão e volume parciais dos gases e correspondem
à pressão ou ao volume que o gás exerce ou ocupa de forma indi-
carbonato de bário BaCO3 8,1 x10-9 vidual dentro da mistura nas mesmas condições de temperatura e
cromato de bário BaCrO4 2,4 x10-10 pressão que a mistura se encontra, e não corresponde à pressão ou
ao volume que ele possuía antes de entrar para a mistura gasosa.
fluoreto de bário BaF2 1,7 x10-6 Além disso, o estudo dessas grandezas nas misturas gasosas
iodato de bário Ba(IO3)2 1,5 x10-9 apresenta somente o aspecto quantitativo, e não o qualitativo, ou
seja, independe da natureza ou do tipo do gás, mas depende so-
permanganato de bário BaMnO4 2,5 x10-10
mente da quantidade de matéria (número de mols) dos gases. Isso
oxalato de bário BaC2O4 2,3 x10-8 significa que as relações que serão estudadas adiante e que serão
cromato de prata Ag2CrO4 1,1 x10-12 mencionadas para um gás dentro da mistura são válidas também
para todos os outros gases que participam da mesma mistura ga-
cianeto de prata Ag[Ag(CN)2] 5,0 x10-12 sosa. É óbvio que, para tal, considera-se que os gases não reagem
iodato de prata AgIO3 3,1 x10-8 entre si.
Como depende da quantidade de matéria, podemos concluir o
iodeto de prata AgI 1,0 x10-16 seguinte: Visto que a equação de estado dos gases ou equação de
fosfato de prata Ag3PO4 1,3 x10-20 Clapeyron faz as seguintes relações entre as grandezas dos gases: P
. V = n . R . T, para as misturas gasosas, teremos:
sulfeto de prata Ag2S 2,0 x10-49
tiocianeto de prata AgSCN 1,0 x10-12 P . V = (n1 + n2 + n3 + ...) . R . T
ou
oxalato de estrôncio SrC2O4 1,6 x10 -7
P . V = Σn . R . T
sulfato de estrôncio SrSO4 3,8 x10-7
cloreto de talio I TlCl 2 x10-4 A lei de Dalton diz o seguinte sobre a pressão dos gases nas
misturas:
sulfeto de talio I Tl2S 5 x10-22 “A pressão total exercida por uma mistura gasosa é igual à
ferrocianeto de zinco Zn2Fe(CN)6 4,1 x10-16 soma das pressões parciais dos gases que compõem a mistura.”
oxalato de zinco ZnC2O4 2,8 x10-8 Ptotal = P1 + P2 + P3 + P4… ou P = Σp
sulfeto de zinco ZnS 1,0 x10 -21

Isso significa que, por exemplo, se a pressão do ar for de 1,0


É importante lembrar que: atm, a pressão parcial do N2 será de 0,78 (78% da pressão total),
- Os valores do Kps permanecem constantes somente em a pressão parcial de O2 será igual a 0,21 (21% da pressão total da
soluções saturadas de eletrólitos pouco solúveis. mistura) e a pressão parcial do argônio será de 0,01% (1% da pres-
são total da mistura).
Essa Lei de Dalton é mostrada também pela fração em quanti-
dade de matéria (X) que relaciona a quantidade de matéria em mol
de cada gás com a quantidade de matéria total da mistura:

64
QUÍMICA
XY = _nY__
nTOTAL

A fração em quantidade de matéria também é proporcional à


relação entre a pressão parcial do gás e a pressão total da mistura
gasosa, como mostrado mais acima:

XY = PY
PTOTAL

Com base na Equação de Clapeyron e na Lei de Dalton acima, o


físico francês Émile Hilaire Amagat (1841-1915) criou a lei de Ama-
gat, que diz o seguinte sobre o volume dos gases nas misturas:
“O volume total de uma mistura gasosa é igual à soma dos vo-
lumes parciais dos gases que compõem a mistura.” A conversão de energia química em energia elétrica é um pro-
Vtotal = V1 + V2 + V3 + ... ou Vtotal = Σv cesso espontâneo, chamado de pilha ou célula galvânica.
A conversão de energia elétrica em energia química é um pro-
cesso não-espontâneo, chamado de eletrólise.
Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/mistu-
ELETROQUÍMICA: NÚMERO DE OXIDAÇÃO (NOX); CÁL-
CULO E DETERMINAÇÃO DE NOX; CONCEITO ra-gases.htm
DE ÂNO-
DO; CÁTODO E POLARIDADE DOS ELETRODOS; PROCES-
SOS DE OXIDAÇÃO E REDUÇÃO; EQUACIONAMENTO;
AGENTES REDUTORES E OXIDANTES; IDENTIFICAÇÃO
DAS ESPÉCIES REDUTORAS E OXIDANTES; APLICAÇÃO
DA TABELA DE POTENCIAIS-PADRÃO; CÉLULAS GALVÂ- Número de oxidação (NOX)
NICAS: PILHAS E BATERIAS; MONTAGEM DE PILHAS; Para a compreensão da eletroquímica, é necessário saber cal-
POTENCIAL DE PILHAS; CÁLCULOS DE VOLTAGEM DE cular o número de oxidação das substâncias envolvidas em uma
PILHAS; ESPONTANEIDADE DE REAÇÕES; EQUAÇÃO DE reação química.
NERNST; CORROSÃO; MÉTODOS PROTETIVOS; REVES- O número de oxidação ou NOX deve ser calculado da seguinte
TIMENTOS; ELETRÓLISE; CÉLULAS ELETROLÍTICA; AS- maneira:
PECTOS QUANTITATIVOS DA ELETRÓLISE; ELETRÓLISE
COM ELETRODOS ATIVOS E INERTES; TIPOS DE ELETRÓ- 1) Substância Simples: ZERO (porque não há perda e nem ga-
LISES; LEIS DE FARADAY; OBTENÇÃO DE METAIS nho de elétrons).
Exemplos:
H2 NOX H = 0
Eletroquímica é uma área da química que estuda as reações Fe NOX Fe = 0
que produzem corrente elétrica através de reações chamadas de O3 NOX O = 0
oxidação e redução.
Também estuda as reações que ocorrem por intermédio do 2) Átomo como íon simples: Sua própria carga.
fornecimento de corrente elétrica, conhecidas como eletrólise. Exemplos:
Nessas situações, ocorrem trocas de elétrons entre os átomos e os Na+ NOX Na = 1+
íons. S2- NOX S = 2-
A eletroquímica está muito presente no nosso dia a dia. Está H+ NOX H = 1+
presente basicamente em pilhas e baterias utilizadas em aparelhos
eletrônicos, como celular, controle remoto, lanternas, filmadoras, 3) Metais alcalinos à esquerda da fórmula: 1+
calculadoras, brinquedos eletrônicos, rádios à pilha, computadores Exemplos:
e muitos outros. NaCl NOX Na = 1+
LiF NOX Li = 1+
K2S NOX K = 1+

4) Metais alcalino-terrosos à esquerda da fórmula: 2+


Exemplos:
CaO NOX Ca = 2+
MgS NOX Mg = 2+
SrCl2 NOX Sr = 2+

5) Halogênios: 1-
Exemplos:
NaCl NOX Cl = 1-
As reações de oxirredução (oxidação e redução) também estão KF NOX F = 1-
presentes no cotidiano, como na oxidação do ferro (formação da K2Br NOX Br = 1-
ferrugem), redução de minérios metálicos para a produção de me-
tais, formação do aço, corrosão de navios, etc.

65
QUÍMICA
6) Calcogênios: 2- Oxirredução
Exemplos: É a reação química que se caracteriza pela perda ou ganho de
CaO NOX O = 2- elétrons. É a transferência de elétrons de uma espécie química para
ZnO NOX O = 2- a outra. Ocorrem dois fenômenos: oxidação e redução.
MgS NOX S = 2- Oxidação – perda de elétrons, onde aumenta o NOX. Agente
redutor.
7) Ag, Zn e Al: 1+, 2+, 3+ Redução – ganho de elétrons, onde diminui o NOX. Agente oxi-
Exemplos: dante.
AgCl NOX Ag = 1+
ZnS NOX Zn = 2+ Pilhas de Daniell
Al2S3 NOX Al = 3+ Observe a seguinte reação química de oxirredução:

8) Hidrogênio em composto: 1+
Exemplo:
H2O NOX H = 1+
Esta reação pode ser feita muito facilmente colocando um pe-
9) Hidreto metálico (hidrogênio do lado direito da fórmula): 1- daço de zinco metálico (Zn°) em um copo com uma solução aquosa
Exemplo: de sulfato de cobre (CuSO4), que é um líquido azul translúcido.
NaH NOX H = 1- Após alguns tempo, cerca de 20 minutos, pode-se observar
que o pedaço de metal ficou avermelhado. A parte que ficou ver-
10) Oxigênio em composto (regra dos calcogênio): 2- melha é o cobre (Cu°) que se depositou sobre a placa de zinco. E no
Exemplo: fundo do copo há a formação de sulfato de zinco (ZnSO4), conforme
H2O NOX O = 2- a reação acima.
Esta experiência que pode ser feita até mesmo em casa, de-
11) Oxigênio com flúor: 1+ e 2+ mostra as reações de oxirredução.
Exemplos: A experiência feita pelo meteorologista e químico inglês John
O2F2 NOX O = 1+ Frederic Daniell, em 1836, constitui uma pilha formada a partir de
OF2 NOX O = 2+ reações de oxirredução.
Pilha – São reações químicas que produzem corrente elétrica.
12) Peróxidos (oxigênio + alcalino / alcalino terroso): 1- Daniell montou um sistema com dois eletrodos interligados.
Exemplos: Um eletrodo era constituido de uma placa de zinco imersa em um
H2O2 NOX 0 = 1- copo com uma solução com íons de zinco, no caso, sulfato de zinco.
Na2O NOX 0 = 1- O outro eletrodo era constituído de uma placa de cobre imersa
em um copo com uma solução com íons de cobre, no caso, sulfato
13) Superóxidos: - de cobre.
Chamou o eletrodo de Zinco de ânodo, com carga negativa.
Exemplo: Chamou o eletrodo de Cobre de cátodo, com carga positiva.
K2O4 NOX O = -

Cálculo de NOX
Para as substâncias com dois ou mais elementos químicos:
- soma do NOX de todos os átomos = zero
- soma do NOX de todos os átomos em um íon composto = sua
carga
Exemplo: para encontrar o NOX do H na água, sabendo apenas
o NOX do O, pode-se colocar em cima da fórmula o NOX e embaixo
o somatório. Assim:
1+ 2- → NOX
H2O → elemento químico
______

2+ 2- = 0 → somatório Fonte: educar.sc.usp.br/licenciatura/2006/Pilha_de_Daniel/pilha_de_


Daniell.html
Neste caso, o NOX do O é 2-. Multiplica-se o NOX pelo número
de átomos de O, então 2- Ânodo ou polo negativo é o eletrodo onde saem os elétrons.
Como a água é uma substância que está no seu estado neutro Ocorre a reação de oxidação.
(não é um íon), o somatório de cargas é zero. O H soma 2+, por este
motivo.
Para achar o NOX do H, divide-se o número do somatório do H
pelo número de átomos de H. Como existem dois átomos de H, o
NOX será 1+ Cátodo ou polo positivo é o eletrodo para onde vão os elétrons.
Ocorre a reação de redução.

66
QUÍMICA

Com o passar do tempo, os elétrons da placa de zinco vão para a solução, aumentando a concentração da solução e corroendo a placa
de zinco.
No outro eletrodo, ocorre o contrário. Os elétrons da solução de sulfato de cobre se depositam na placa de cobre, diminuindo a con-
centração da solução e aumentando a massa da placa metálica.

Fonte: cabarequimico.blogspot.com/2008/11/eletroqumica-abrange-todos-processo.html

Veja como montar as reações que ocorrerem na Pilha de Daniell:


1°) montar a reação do ânodo
2°) montar a reação do cátodo
3°) somar as reações, formando a reação global da pilha.

Obs.: Os termos semelhantes se anulam. No caso, na reação acima, os 2é.


Daniell colocou uma ponte salina constituída de um tubo de vidro em U contendo solução de KCl aquoso.
A sua função é permitir a migração de íons de uma solução para a outra, de modo que o número de íons positivos e negativos na
solução de cada eletrodo permaneça em equilíbrio.
Acompanhe a seguir uma tabela resumida da Pilha de Daniell.

ELETRODO REAÇÃO POLO LÂMINA SOLUÇÃO


ÂNODO OXIDAÇÃO POLO NEGATIVO (-) CORRÓI CONCENTRA
CÁTODO REDUÇÃO POLO POSITIVO (+) AUMENTA DILUI

Força eletromotriz, potencial de redução e de oxidação


Antes de realizar a montagem de uma pilha, é necessário saber qual metal vai perder e qual metal vai ganhar elétrons. Para conseguir
responder a esta questão, devemos conhecer o conceito de potencial de redução e o potencial de oxidação.
Os potenciais de redução e de oxidação são medidos em volt (V), sendo representados pelo símbolo E°.

Onde:

variação de potencial
E° = diferença de potencial (padrão)
E°RED = potencial de redução
E°OX = potencial de oxidação
Padrão: 25°C e 1atm
Pode-se utilizar qualquer uma destas fórmulas, dependendo dos dados que são fornecidos. A diferença de potencial pode ser chama-
da também de força eletromotriz (fem).
Quanto maior o E°RED, mais o metal se reduz.
Quanto maior o E°OX, mais o metal se oxida.
Em geral, são usadas tabelas com potenciais padrão de redução para indicar se o metal irá se reduzir ou oxidar.

67
QUÍMICA

Veja o exemplo. Sendo:


E°RED Cu = +0,34V
E°RED Zn = -0,76V
a) Qual metal sofrerá redução?
O metal que sofrerá redução é o cobre (Cu) porque possui maior valor, maior tendência a reduzir.

b) Qual o valor da ddp desta pilha ou diferença de potencial?

Pode-se calcular também, se soubermos qual metal é o cátodo e qual é o ânodo:

c) Qual metal sofrerá oxidação?


O metal que sofrerá oxidação é o zinco (Zn) porque possui menor valor de potencial de redução. Então possui tendência a sofrer
oxidação.
Então:

68
QUÍMICA
Reação espontânea e não espontânea
A reação na pilha (ou célula eletrolítica) pode ser espontânea
ou não.
Quando o potencial padrão da célula eletrolítica é positivo, a
reação é espontânea. Os eletrodos devem ser inertes. Pode ser carbono grafite ou
Quando o potencial padrão da célula eletrolítica é negativo, a platina.
reação é não espontânea. Estes eletrodos são polarizados, um com carga negativa e o ou-
tro com carga positiva e são colocados em uma cubeta com o metal
NaCl já fundido.

Representação IUPAC
De acordo com a União Internacional de Química Pura e Apli-
cada (IUPAC), a representação de uma pilha deve ser da seguinte
maneira: Observe que no desenho há dois eletrodos carregados eletri-
camente, o polo positivo e o polo negativo, mergulhados em um
metal fundido.
A reação acima mostra a formação de íons Na+ e íons Cl-.
Quando estes íons entrarem em contato com os eletrodos, o íons
positivo (Na+) irá para o eletrodo negativo. O íon negativo (Cl-) irá
para o eletrodo positivo.
No eletrodo negativo, haverá formação de sódio metálico
(Na°). No eletrodo positivo, formará gás cloro (Cl2). Percebe-se a
formação de bolhas.
Eletrólise O eletrodo positvo é chamado de ânodo e nele ocorre a reação
Eletrólise é uma reação não espontânea provocada pelo forne- de oxidação.
cimento de energia elétrica, proveniente de um gerador (pilhas). É O eletrodo negativo é chamado de cátodo e nele ocorre a rea-
o inverso das pilhas. ção de redução.
A eletrólise possui muitas aplicações na indústria química, na Reações:
produção de metais, como sódio, magnésio, potássio, alumínio, etc.
Também na produção de não metais, como o cloro, o flúor e ainda
substâncias como o hidróxido de sódio (soda cáustica) e peróxido
de hidrogênio (água oxigenada), e a deposição de finas películas de
metais sobre peças metálicas ou plásticas.
Essa técnica de deposição em metais é conhecida como galva-
A reação do cátodo deve ser multiplicada por 2 para poder can-
nização. As mais comuns são a deposição de cromo (cromagem),
celar com a reação do ânodo, já que forma gás cloro (Cl2).
níquel (niquelagem), prata (prateação) e ouro (dourar), usados em
grades, calotas de carros, emblemas, peças de geladeira, joias e
aparelhos de som.
É utilizada também na purificação ou refino eletrolítico de
muitos metais, como cobre e chumbo. E em processo de anodiza-
ção, que nada mais é do que uma oxidação forçada da superfície de
um metal para que seja mais resistente à corrosão. É feita a anodi-
zação em alumínio.
Na eletrólise, usa-se eletrodos inertes (que não regem), como
o carbono grafite (grafita) ou platina. Para que a eletrólise ocorra
deve haver:
- corrente elétrica contínua e voltagem suficiente para provo-
car a eletrólise;
- íons livres ( por fusão ou dissolução) Fonte: alfaconnection.net/pag_avsf/fqm0302.htm

Existe a eletrólise ígnea e a eletrólise aquosa. Eletrólise Aquosa


É uma eletrólise onde há a dissociação de um composto iônico
Eletrólise Ígnea em solução aquosa. O eletrodo deve ser inerte.
É uma eletrólise onde não há presença de água. Metais É necessário considerar a reação de autoionização da água,
iônicos são fundidos (derretidos). Ao se fundirem, eles se ionizam, onde são produzidos íon H+ e íon OH-. O composto iônico é
formando íons. A partir desses íons, é formada a corrente elétrica. dissolvido em água, ocorrendo a formação de íons livres, que
Reação de fusão (transformação do estado físico sólido para produzirão a corrente elétrica. Devem ser montadas as quatro
líquido) do NaCl a 808°C: reações para obter a reação global desta eletrólise.

69
QUÍMICA
Resumo de pilhas e eletrólise

Polo + Polo -
Pilha de Daniell Cátodo Ânodo
Redução Oxidação
Aumenta a lâmina Corrói a lâmina
Dilui concentração Aumenta concentração
Eletrólise Ânodo Cátodo
Nesta cuba eletrolítica, deve haver água e o composto iônico
dissolvidos. Da autoionização da água, serão formados íons H+ e Oxidação Redução
íons OH-.
Se o composto for um sal, o NaCl, em contato com a água, for- Leis da eletrólise
mará o íon Na+ e o íon Cl-. Os íons positivos serão atraídos pelo As leis que regem a eletrólise são as leis que relacionam as
eletrodo negativo e os íons negativos serão atraídos pelo eletrodo massas das substâncias produzidas nos eletrodos e as quantidades
positivo. Cada par de íons (positivo e negativo) competirão entre si de energia gastas na eletrólise.
para ver qual se formará ao redor do seu respectivo eletrodo. Essas leis foram estabelecidas pelo físico-químico inglês Micha-
Existe uma tabela de facilidade de descarga elétrica, entre cá- el Faraday, em 1834.
tions e ânions:
Primeira lei da eletrólise ou Lei de Faraday
Cátions: “A massa da substância eletrolisada em qualquer dos elemen-
Alcalinos tos é diretamente proporcional à quantidade de carga elétrica que
Alcalinos Terrosos atravessa a solução.”
Al3+ < H+ < demais cátions
Ordem crescente de facilidade de descarga dos cátions

Ânions: Onde:
Ânions Oxigenados < OH- < ânions não oxigenados < m = massa da substância
halogênios k = constante de proporcionalidade
Ordem crescente de facilidade de descarga dos ânions Q = carga elétrica (Coulomb)
Observando a tabela, deve-se comparar então os seguintes
íons: Segunda lei da eletrólise
- Cl- e OH- “Empregando-se a mesma quantidade de carga elétrica (Q) em
- H+ e Na+ diversos eletrólitos, a massa da substância eletrolisada, em qual-
quer dos eletrodos, é diretamente proporcional ao equivalente-gra-
De acordo com a tabela, o íon Cl- (halogênio) tem mais facilida- ma da substância.”
de do que o íon OH-.
De acordo com a tabela, o íon H+ tem mais facilidade do que
o íon Na+.
Então, formam-se nos eletrodos, o gás hidrogênio (H2) e o gás m = massa da substância (g)
cloro (Cl2). k2 = constante de proporcionalidade
No polo (-) = H+ E = equivalente-grama
No polo (+) = Cl-
Reações: Unindo as duas leis, temos:

Estudamos na Física que:

Onde:
Observe que são formados o H2 e Cl2. Q = carga elétrica (C)
Também forma 2Na+ e 2OH-. Juntando estes dois íons, forma- i = intensidade da corrente elétrica (A)
-se 2NaOH. t = tempo (s)
Então, temos a seguinte expressão:

A constante K chamada de constante de Faraday é equivalente


a

70
QUÍMICA
Tipos de Radioatividade
A radioatividade das partículas Alfa, Beta e das ondas Gama
são as mais comuns. O tipo de radiação determina o poder de pe-
netração na matéria, que são, respectivamente, baixa, média e alta.
Unindo todas estas informações, temos a equação geral da • Alfa (α) - são partículas pesadas de carga positiva, que de-
eletrólise: sintegram do seu núcleo 2 prótons e 2 nêutrons. A sua radioativida-
de pode ser impedida por uma folha de papel.
• Beta (β) - são partículas de carga negativa, que não con-
tém massa. A sua radioatividade - superior à de alfa - pode penetrar
uma folha de papel, mas não uma placa de metal.
A carga elétrica de 96500 coulomb recebe o nome de faraday • Gama (γ) - são ondas leves, de altíssima frequência e que
(F). não possuem massa. A sua forte capacidade de penetração faz com
que a sua radioatividade passe tanto pelo papel como pelo metal.

1 Faraday
- É a carga elétrica que produz um equivalente-grama de qual-
quer elemento em uma eletrólise.
- Equivale aproximadamente a 96.500 Coulomb
- Equivale a carga de um mol (6,02.1023) de elétrons ou de
prótons.

RADIOATIVIDADE: ORIGEM E PROPRIEDADE DAS Supervisor de proteção contra a radiação verificando nível de
PRINCIPAIS RADIAÇÕES; LEIS DA RADIOATIVIDADE; radioatividade em zona de perigo
DETECÇÃO DAS RADIAÇÕES; SÉRIES RADIOATIVAS;
CINÉTICA DAS RADIAÇÕES E CONSTANTES RADIOA- Leis da Radioatividade
TIVAS; TRANSMUTAÇÕES DE ELEMENTOS NATURAIS; • 1.ª Lei: Lei de Soddy: um átomo instável emite uma par-
FISSÃO E FUSÃO NUCLEAR; USO DE ISÓTOPOS RADIO- tícula alfa (α), diminui o número atômico (Z) em duas unidades, ao
ATIVOS; EFEITOS DAS RADIAÇÕES passo que o número de massa (A) diminui em quatro unidades. As-
sim: 24α
Radioatividade é um fenômeno nuclear que resulta da • 2.ª Lei: Lei de Soddy, Fajans e Russel: um átomo instável
emissão de energia por átomos, provocada em decorrência de uma emite uma partícula beta (β), aumenta o número atômico (Z) em
desintegração, ou instabilidade, de elementos químicos. uma unidade, ao passo que o número de massa (A) permanece o
Desta forma, um átomo pode se transformar em outro átomo mesmo. Assim: -10β
e, quando isso acontece, significa que ele é radioativo.
Descoberta da radioatividade Lixo Radioativo
A radioatividade foi descoberta em 1896 por Henri Becquerel, Os resíduos dos materiais compostos por elementos radioati-
todavia, foi o casal Pierre e Marie Curie que se dedicou ao seu es- vos representam um grande risco à população, uma vez que podem
tudo. provocar doenças, tal como o câncer.
De Ernest Rutherford veio o contributo das bases da teoria da Diversas áreas (medicina, engenharia, antropologia, entre tan-
radioatividade com o seu colega Frederick Soddy, que dá nome às tas outras) fazem uso de materiais que contém radioatividade.
leis da radioatividade. Assim, os cuidados com os resíduos são indispensáveis para
que esse tipo de lixo não contamine o ambiente ou, ainda, resulte
Decaimento Radioativo em acidentes nucleares.
À medida que a radiação é emitida, o átomo se desintegra, o É o caso do conhecido Acidente de Chernobyl ocorrido em
que resulta na sua transformação, pois é o número atômico que 1996 na Ucrânia. No nosso país, o Acidente Césio-137 aconteceu
determina o elemento químico. ainda antes, em 1987, em Goiânia, e foi provocado por um apare-
O tempo que essa desintegração do elemento leva para reduzir lho de radioterapia abandonado.
a sua massa pela metade é chamado de meia vida ou período de
semi desintegração. Utilização da radioatividade
A emissão de radiação é utilizada no tratamento de tumores,
Elementos Radioativos na conservação de alimentos, na produção de energia, bem como
São elementos radioativos: urânio, actínio, astato, carbono-14, na produção de armas nucleares.
césio, criptônio, estrôncio, iodo, plutônio, polônio, rádio, radônio. A radioatividade da medicina é utilizada através dos exames de
• Radioatividade Natural - São os elementos encontrados raio-x, cuja radiação atravessa os tecidos com o objetivo de mostrar
na natureza. Exemplos: urânio, actínio e tório. internamente o corpo humano.
• Radioatividade Superficial - São os elementos produzidos
artificialmente. Exemplos: iodo-131 e fósforo-30. Cinética radioativa
Cinética radioativa é um ramo de estudo físico-químico que
trata das relações entre a velocidade das desintegrações e o núme-
ro de átomos desintegrados.

71
QUÍMICA
Intensidade radioativa (i)
É uma característica da cinética radioativa que está diretamente
relacionada à quantidade de partículas alfa e beta emitidas por um
isótopo radioativo durante certo tempo. Dessa forma, trata-se de
uma propriedade diretamente relacionada à constante radioativa
(C) e ao número de átomos (n) do isótopo radioativo.

O estudo cinético da radiação envolve questões estatísticas

Denomina-se cinética radioativa o estudo da velocidade com Assim, quanto maior o número de átomos, maior será a massa
que a desintegração radioativa ocorre, ou seja, o tempo que um da amostra radioativa, consequentemente, maior será a intensida-
grupo de átomos de certo isótopo leva para desintegrar por meio de radioativa, isto é, maior será a quantidade de radiações alfa e
da emissão de radiações alfa e beta. beta emitidas.
Por levar em consideração o tempo decorrido e a quantidade
de átomos envolvidos, a cinética radioativa está diretamente rela- Vida média (Vm)
cionada com dados estatísticos para explicar o comportamento de É a propriedade cinética radioativa que indica o tempo
uma amostra radioativa. necessário que os átomos de um certo isótopo radioativo levam
O estudo da cinética radioativa envolve algumas variáveis para desintegrar-se. Isso significa que a vida média é o inverso da
interessantes, as quais podemos acompanhar logo a seguir neste constante radioativa:
artigo.

Velocidade de desintegração (v)


A velocidade de desintegração é um dado matemático que in-
dica a relação entre a variação da quantidade de átomos radioati-
vos (∆n), em certo intervalo de tempo (∆t). Observação: A vida média não especifica o tempo que um áto-
mo do isótopo leva para desintegrar, e sim o tempo que um grande
número de átomos leva para desintegrar-se.

Exemplo: constante radioativa do átomo X é 1 ano-1


3800

Na qual: Isso quer dizer que a vida média será:


• Δn = n- no (n = número de átomos final e no = número de
átomos inicial);
• Δt = t- to (t = tempo final e to = tempo inicial).

Vale ressaltar que, quando um átomo desintegra, ele emite


radiação alfa e beta, por isso, à medida que o tempo passa, a quan-
tidade de átomos que emite radiação será sempre menor, conse-
quentemente, a variação ∆n será sempre negativa.
Assim, ao longo de 3800 anos, um grande número de átomos
Constante radioativa (C) do isótopo X sofre desintegração.
De acordo com diversos estudos de radioatividade, a veloci-
dade de desintegração (v) está diretamente relacionada à quanti- Meia-vida (P)
dade (n) de átomos de um material radioativo. Assim, sempre que É o tempo necessário para que a amostra radioativa perca
relacionamos essas duas variáveis, o resultado é uma constante, metade da sua capacidade radioativa e, consequentemente,
denominada constante radioativa (C). metade da sua massa. Portanto, nesse tempo, podemos afirmar que
metade do número de átomos da amostra sofreu desintegração.
A fórmula comumente utilizada para determinar a meia-vida
de uma amostra envolve o tempo (t) total ou parcial de desinte-
gração e a quantidade de períodos (x) em que a amostra perdeu
metade de sua massa:
Como a velocidade de desintegração é a fração entre o número
de átomos e a variação de tempo, podemos afirmar que a constan-
te radioativa indica a fração de átomos de um determinado isótopo
radioativo, em uma dada unidade de tempo.
Exemplo: constante radioativa do rádio é de 1 ano-1 Nos estudos relacionados à meia-vida, ainda podemos utilizar
1400 a seguinte expressão matemática:
A constante do isótopo do rádio indica que, ao longo de um
ano, apenas um átomo, dentre 1400 átomos, sofreu desintegração.

Na qual:

72
QUÍMICA
• n = número de átomos após a meia-vida; Em 1952, foi criada a bomba H (bomba de hidrogênio), que
• no = número de átomos inicial; tinha como reator nuclear a fusão do hidrogênio. Essa incrível arma
• x = quantidade de meias-vidas. de destruição gerou, em seu primeiro experimento, uma energia
cerca de mil vezes maior do que a bomba A (bomba atômica) de
Essas simbologias podem ser substituídas pela massa do mate- fissão nuclear.
rial, pois o número de átomos está diretamente relacionado com a A principal diferença entre o reator de uma bomba atômica
massa da matéria: e o reator de uma usina nuclear, é que nessa a reação de fissão
é controlada, e acontece sempre em quantidades suficientes para
aquecer a água, que irá evaporar e girar as turbinas da usina. Na
bomba atômica essa reação não é controlada.
Atualmente, a produção de energia nuclear tem se destinado à
obtenção de energia elétrica, chamadas de usinas termonucleares.
O que significa transmutação natural? Esse nome se dá em razão do aquecimento dos nêutrons, usados
Transmutação natural é a transmutação espontânea por par- para a fissão do núcleo de átomos como o urânio (235U), que gera
te de núcleos de elementos químicos com número atômico alto, um alto grau de agitação, fazendo do nêutron um excelente projétil
gerando assim novos núcleos. Estes núcleos formados através da para quebra do núcleo.
transmutação natural podem ser tanto estáveis quanto radioativos,
caso emitam radiação. Isótopos radioativos
Elementos químicos que possuem alto número atômico pos- Dizemos que um elemento é um isótopo de outro elemento
suem núcleos grandes e instáveis; portanto, transmutam-se em ou- quando seus átomos possuem o mesmo número de prótons, mas
tros espontaneamente. Esses novos núcleos podem ser estáveis ou diferente número de nêutrons. Muitos isótopos apresentam uma
também radiativos. importante característica: são capazes de emitir algum tipo de ra-
diação, sendo, por isso, chamados de isótopos radioativos ou ra-
O que significa transmutação artificial? dioisótopos.
A transmutação artificial é a transmutação provocada por
ação humana, também conhecida como transmutação experimen-
tal graças à sua função de gerar experiências em laboratórios que
possam trazer novos resultados. A primeira transmutação artificial
provocada com sucesso foi feita pelo físico Ernest Rutherford, no
ano de 1919, quando se utilizando de nitrogênio e bombardeando
Os átomos dos isótopos radioativos são muitos instáveis: seus
partículas emitidas por polônio, Rutherford obteve oxigênio como
núcleos liberam radiações e partículas eletromagnéticas de alta
resultado.
energia, convertendo-se em novos elementos. Esse fenômeno
Foi Rutherford quem conseguiu pela primeira vez a transmu-
ocorre naturalmente e é denominado decaimento radioativo ou
tação artificial, também chamada de transmutação provocada ou
reação de transmutação ou, ainda, reação de desintegração ra-
ainda experimental. Utilizando o nitrogênio e efetuando o bombar-
dioativa. O carbono 14 (14C), um isótopo do radioativo do carbono
deio com partículas, emitidas pelo polônio, obteve o oxigênio.
(12C), decai para nitrogênio 14 (14N), forma mais estável do nitro-
gênio que não emite radiação.
Fusão e Fissão Nuclear
O decaimento radioativo de isótopos é um parâmetro muito
importante na determinação do tempo, por isso, é chamado de “re-
lógio geológico”. Isso se deve a uma propriedade dos radioisótopos
chamada meia vida, que é o período de tempo necessário para que
metade dos seus átomos sofra decaimento radioativo.
A meia vida varia muito de um isótopo para outro, alguns de-
caem em milhões de anos, outros o fazem em milésimos de segun-
dos. A meia vida do carbono 14, por exemplo, é de 5.730 anos, ou
seja, a cada período de 5.730 anos, metade dos seus átomos pre-
Explosão Nuclear sentes numa atmosfera decai para nitrogênio 14. O urânio 235 tem
meia vida de 700 milhões de anos, enquanto o potássio 40 sofre de-
Durante a segunda Guerra Mundial, a humanidade se deparou caimento dentro de 1,3 milhões de anos e o césio 137, em 30 anos.
com uma arma que chocou o mundo. A destruição das cidades de Através da meia vida de isótopos radioativos, é possível cal-
Hiroshima e Nagasaki, em 1945, mostrou ao mundo o grande poder cular precisamente a idade de fósseis e rochas sedimentares que
de destruição da fissão nuclear. os contenham. Devido a isso, o carbono 14 é muito utilizado na
Fissão nuclear é o processo em que se “bombardeia” o núcleo datação de ossos, sedimentos orgânicos, madeira e tudo o que
de um elemento radioativo, com um nêutron. Essa colisão resulta provenha de matéria viva com menos de 50 mil anos; enquanto
na criação de um isótopo do átomo, totalmente instável, que se isótopos de meia vida mais longa são utilizados para datar fósseis
quebra formando dois novos elementos e liberando grandes quan- mais antigos.
tidades de energia. Além da datação de fósseis e rochas, os isótopos radioativos
A fusão nuclear ocorre quando dois ou mais núcleos de um têm uma gama de aplicações práticas:
mesmo elemento se fundem e formam outro elemento, liberando • Na Medicina, são utilizados no estudo, diagnóstico e tra-
energia. Um exemplo de fusão nuclear é o que acontece o no inte- tamento de diversas doenças. O iodo 131 é usado no mapeamento
rior das estrelas, quando quatro núcleos de hidrogênio se fundem da tireoide; o cromo 51, no estudo das hemácias; o tálio 201, no
para formar um átomo de hélio. Esse processo libera uma quan- diagnóstico de distúrbios cardíacos, o mercúrio 197, no estudo de
tidade de energia muito maior do que a liberada no processo de tumores cerebrais, o cobalto 60, na destruição de células cancero-
fissão nuclear. sas, entre muitos outros.

73
QUÍMICA
• Na Agricultura, os isótopos radioativos são aplicados aos Entre o final do século XVIII e início do século XIX os cientis-
adubos e fertilizantes a fim de estudar a capacidade de absorção tas começaram a dedicar tempo para entender a química dos or-
desses compostos pelas plantas. ganismos vivos, isolando e identificando substâncias presentes nos
• No ramo industrial, tais elementos são utilizados na con- corpos. Nessa época, acreditava-se na Teoria da Força Vital de Ber-
servação de alimentos, no estudo da depreciação de materiais, na zelius, que postulava que os compostos orgânicos só poderiam ser
esterilização de objetos cirúrgicos, na detecção de vazamentos em produzidos por organismos vivos, dai o termo ‘química orgânica’.
oleodutos, etc. Alguns anos mais tarde, em 1828, Friedrich Wöhler conseguiu sin-
tetizar em laboratório a substância ureia a partir de um compos-
Embora possuam diversas utilizações, os isótopos radioativos to inorgânico, derrubando a Teoria de Berzelius. Hoje, a química
também apresentam riscos às pessoas e ao meio ambiente. Em orgânica é a área que estuda os compostos de carbono com pro-
1987, a cidade de Goiânia (GO) foi o cenário de um grave acidente priedades características, suas diferentes funções, comportamento
envolvendo material radioativo. Um aparelho de radioterapia foi espacial e reações.
desmontado e cápsulas de césio 137 contidas nesse equipamento A química orgânica pode ser subdividida em:
foram manipuladas e até quebradas, espalhando a substância. Al-
gumas pessoas morreram devido à contaminação por césio 137; e Estudo do carbono
outras foram expostas a doses moderadas, porém, suficientes para É a parte da química orgânica que estuda o elemento carbono,
aumentar exponencialmente o risco de desenvolver doenças como utilizando o conhecimento de ligações químicas para determinar
o câncer. os tipos de ligações possíveis para o elemento e sua hibridização
em cada caso, bem como sua capacidade de encadeamento e seu
comportamento dentro das moléculas orgânicas.
Na segunda metade do século XIX, a estrutura do carbono co-
PRINCÍPIOS DA QUÍMICA ORGÂNICA: CONCEITOS; meçou a ser estudada por Archibald Scott Couper (1831-1892) e
PROPRIEDADES FUNDAMENTAIS DO ÁTOMO DE CAR- Friedrich August Kekulé (1829-1896), e posteriormente esses estu-
BONO; TETRAVALÊNCIA DO CARBONO; COMPOSTOS dos foram denominados de postulados de Couper-Kekulé que estu-
ORGÂNICOS; LIGAÇÕES EM COMPOSTOS ORGÂNICOS; dam o comportamento químico do carbono, eles são subdivididos
TIPOS DE FÓRMULAS; FÓRMULAS ESTRUTURAIS; em três:
SÉRIES HOMÓLOGAS; HIBRIDIZAÇÃO DE ORBITAIS;
ANÁLISE ORGÂNICA ELEMENTAR; DETERMINAÇÃO 1º postulado: Tetravalência constante. O átomo de carbono
DE FÓRMULAS MOLECULARES; FORMAÇÃO; NOMEN- é tetravalente, essa propriedade permite que esse elemento esta-
CLATURAS DE COMPOSTOS ORGÂNICOS; CADEIAS beleça quatro ligações covalentes, ele tem dois pares eletrônicos
CARBÔNICAS; CLASSIFICAÇÕES DO CARBONO, CLAS- disponíveis. Exemplo:
SIFICAÇÃO DAS CADEIAS CARBÔNICAS E LIGAÇÕES; H
CLASSIFICAÇÕES DE COMPOSTOS ORGÂNICOS; TODAS │
AS FUNÇÕES ORGÂNICAS; DERIVADOS DE COMPOS- H─C─H
TOS ORGÂNICOS; ORGANOMETÁLICOS; COMPOSTOS │
CÍCLICOS, AROMÁTICOS E ALIFÁTICOS; COMPOSTOS H
DE FUNÇÕES MISTAS; RECONHECIMENTO DE FUNÇÃO Metano
ORGÂNICA; PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DE
COMPOSTOS ORGÂNICOS; TODAS AS REAÇÕES OR- 2º postulado: As quatro valências do carbono são iguais. Esse
GÂNICAS; GRUPOS ORGÂNICOS SUBSTITUINTES E postulado explica por que existe, por exemplo, somente um clo-
RADICAIS; DIRIGÊNCIA DE GRUPOS SUBSTITUINTES; rometano. Qualquer que seja a posição do cloro, obtém-se um só
EFEITOS ELETRÔNICOS; ISOMERIAS DE COMPOSTOS composto: H3CCl.
ORGÂNICOS; CISÃO DE LIGAÇÕES QUÍMICAS; POLÍ- Cl
MEROS E REAÇÕES DE POLIMERIZAÇÃO; MÉTODOS DE │
OBTENÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS; BIOMOLÉ- H─C─H
CULAS; FONTES E USOS DE COMPOSTOS ORGÂNICOS; │
PETRÓLEO E DERIVADOS; BIOCOMBUSTÍVEIS H

A química pode ser dividida em seis áreas do conhecimento: 3º postulado: Encadeamento constante. Átomos de carbono
química geral e inorgânica (estuda os compostos inorgânicos e a ligam-se diretamente entre si, formando estruturas denominadas
estrutura da matéria), química orgânica (estuda os compostos de cadeias carbônicas.
carbono, suas reações e propriedades), química analítica (estuda
técnicas de identificação e quantificação de substâncias químicas), Essa propriedade é comum para o nitrogênio, enxofre, fósforo
físico-química (estuda os aspectos termodinâmicos e cinéticos das e oxigênio. Só que no caso do carbono essa capacidade de formar
substâncias e reações) e bioquímica (estuda a interação das subs- quatro ligações é mais pronunciada, a prova disso é que existem
tâncias químicas com organismos vivos). extensas cadeias carbônicas, e também uma variedade enorme de
A primeira utilização de compostos orgânicos pelo homem compostos orgânicos.
foi na descoberta do fogo; quase tudo que sofre combustão é um Um experimento bem simples pode comprovar a existência
composto orgânico. Em resumo, toda a vida é baseada no carbono, do carbono em um determinado composto como, por exemplo, na
desde o combustível que queimamos, até a constituição do nosso substância orgânica sacarose (açúcar comum).
próprio corpo. Cerca de 60% da massa corpórea de um indivíduo é Procedimento: Separe uma porção de açúcar e pingue algumas
de compostos orgânicos (desconsiderando-se a água). A diversida- gotas de ácido sulfúrico (H2SO4) e observe: o açúcar se transformará
de dos compostos orgânicos existentes também é grande, cerca de em carvão, mas como isso ocorre?
20 milhões, entre naturais e sintéticos.

74
QUÍMICA
A sacarose é constituída por carbono, hidrogênio e oxigênio,
sua fórmula molecular é C12H22O11. O ácido sulfúrico concentrado é
higroscópico: retira H e O na forma de H2O, resta então somente o Éster
C na forma de carvão.

Equação do processo: Haleto orgânico ‒X (F,Cl, Br, I)


C12H22O11 = C12 (H2O)11
Haleto de ácido (F, Cl, Br, I)
C12 (H2O)11 + H2SO4 (conc) → 12C + H2SO4 + 11 H2O
Amina ‒NH2
Neste conteúdo também estudamos a classificação das cadeias
de carbono e os princípios básicos de nomenclatura de cadeias.
Abaixo temos um resumo da regra de nomenclatura de cadeias Amida
orgânicas.
Nomenclatura: PREFIXO + INFIXO + SUFIXO (depende da fun-
ção orgânica)
Nitrocomposto ‒NO2

Sufixo Infixo Nitrila ‒CN

N° de Carbonos Saturação da Cadeia Ácido sulfônico ‒SO3H

1C MET Composto de Grignard ‒MgX (F, Cl, Br, I)


Saturadas AN
2C ET Propriedades dos compostos orgânicos
3C PROP Estuda as propriedades inerentes a cada classe de funções e
Insaturadas como estas interagem entre si. Dentre as propriedades estudadas
4C BUT estão temperatura de fusão, temperatura de ebulição, solubilida-
5C PENT 1 dupla EN de, acidez e basicidade.
6C HEX 2 duplas DIEN Em geral, todas as propriedades físicas dependem das intera-
ções intermoleculares presentes nos compostos. Vale lembrar a or-
7C HEPT 3 duplas TRIEN dem de força das interações intermoleculares: Ligação Hidrogênio
8C OCT 1 tripla IN > Dipolo-dipolo > Van der Waals.
9C NON 2 triplas DIIN
Isomeria
10C DEC 3 triplas TRIIN A isomeria é o fenômeno onde duas ou mais substâncias di-
11C UNDEC ferentes apresentam a mesma fórmula molecular e possuem di-
ferentes fórmulas estruturais. Este ramo da química estuda as
Estudo das funções orgânicas semelhanças entre cadeias carbônicas e funções, bem como seu
O estudo das funções orgânicas é a área onde aprende- comportamento espacial. A isomeria é dividida em plana (conside-
se a identificar as funções, seus grupamentos funcionais e sua ra apenas a fórmula estrutural plana) e espacial (considera a fórmu-
nomenclatura oficial. la estrutural espacial e a simetria da molécula).
A tabela abaixo apresenta as principais funções orgânicas e É um campo importante pois a isomeria está presente
seus respectivos grupamentos funcionais. principalmente em medicamentos, onde muitas vezes temos
isômeros ativos (aqueles que tem interesse farmacológico) e
inativos.
Função Grupo Funcional Reações orgânicas
Hidrocarboneto H, C As reações orgânicas ocorrem tanto em processos orgânicos
quanto industriais, sendo assim, é importante o seu estudo para
Álcool ‒OH
entendermos a bioquímica, os processos metabólicos e interações
Fenol Ar‒OH Caromático que ocorrem nos seres vivos. É uma área de grande incentivo de
Éter ‒O‒ pesquisa em laboratórios e universidades pois é a base do desen-
volvimento de remédios, processos da indústria alimentícia, dentre
outros.
Aldeído As reações orgânicas são divididas em substituição, adição e
eliminação.
Reações de substituição: É uma reação de dupla troca onde
um átomo ou grupo de átomos é substituído.
Exemplo:
Cetona CH4 + Cl2 → CH3Cl + HCl

Reações de adição: é a reação onde dois ou mais reagentes se


unem para formar um só produto. Ocorre geralmente em compos-
tos insaturados ou cíclicos.
Ácido carboxílico Exemplo:
H2C=CH2 + H2 → H3C‒CH3

75
QUÍMICA
Reações de eliminação: É o oposto da reação de adição. Nes- Após separar os componentes é preciso determinar quais são
te caso, um único reagente sofre um processo onde a molécula é os elementos presentes e a quantidade respectiva, para isso utiliza-
quebrada em duas ou mais moléculas menores. Geralmente ocorre -se a análise orgânica elementar que se subdivide em:
com utilização de um catalisador ou calor. Análise elementar qualitativa: permite identificar os elemen-
Exemplo: tos químicos presentes no composto orgânico.
CH3‒CH3 → CH2=CH2 + H2 Análise elementar quantitativa: dosagem dos elementos que
foram identificados.
Polímeros Em alguns casos o composto orgânico que foi isolado passa por
Polímeros são macromoléculas formadas após uma reação de um fracionamento e o produto resulta em compostos inorgânicos
polimerização entre monômeros. Existem polímeros naturais, como as ou minerais, dessa forma fica fácil dosar os componentes. Esse pro-
proteínas, a celulose e o látex, e existem polímeros sintéticos, que são cedimento é conhecido como “Mineralização da substância orgâ-
sintetizados em laboratório de forma a “copiar” os naturais. Exemplos nica”.
de polímeros sintéticos são os plásticos, o isopor e o nylon. Através da mineralização é possível obter sulfetos e sulfatos
Dentre os polímeros sintéticos temos dois tipos: polímeros de através do Enxofre, haletos de prata (AgBr, AgCl, AgI) a partir de
adição e de condensação. halogênios (Cl, Br, I), H2O a partir de hidrogênio, etc.
Polímeros de adição: os monômeros utilizados na produção
desses polímeros devem apresentar pelo menos uma dupla ligação Fórmula Molecular
entre carbonos. Durante a polimerização, ocorre a ruptura da liga- Fórmula Molecular é a combinação de símbolos químicos e ín-
ção π e a formação de duas novas ligações simples. dices que expressam os números reais dos átomos de cada elemen-
Exemplos: PET, PVC, PVA e borrachas sintéticas. to presente em uma molécula. Para se chegar à fórmula molecular
é necessário saber a fórmula mínima ou empírica da substância e
Polímeros de condensação: são formados pela polimerização sua massa molar.
de dois monômeros diferentes, liberando uma molécula pequena A fórmula molecular corresponde à quantidade de átomos de
(geralmente a água) durante a condensação. Não é necessário que cada elemento em uma molécula.
haja dupla ligação em um dos monômeros, mas é preciso que os Fórmula Molecular é a combinação de símbolos químicos e
dois sejam de funções diferentes. índices que expressam os números reais dos átomos de cada ele-
Exemplos: poliéster, silicone, fórmica (baquelite). mento presente em uma molécula.
Para a determinação da fórmula molecular é necessário pri-
Bioquímica meiro obter a fórmula empírica, que é a fórmula que mostra os nú-
Neste ramo da química orgânica estudamos com mais aprofun- meros relativos de átomos de cada elemento em um composto. Ela
damento as moléculas responsáveis pela constituição e manuten- expressa a proporção dos átomos; por exemplo, na glicose a pro-
ção da vida dos seres vivos. Dentre as principais biomoléculas estão porção é de um átomo de carbono, para dois de hidrogênio, para
os carboidratos, as proteínas e os lipídios. um de oxigênio, ou seja, CH2O (1:2:1). O passo seguinte é calcular
a massa dessa fórmula empírica. Sabendo que as massas atômicas
Carboidratos: são polissacarídeos (açúcares), como a glicose desses elementos são iguais a: C = 12, H = 1 e O=16.
e a frutose. Tem como função principal a de fornecer energia ao A partir da fórmula empírica (CH2O), calculamos a massa dessa
nosso organismo. fórmula multiplicando as massas atômicas pelas suas respectivas
massas:
Proteínas: são polímeros de condensação naturais formados C = 12. 1= 12
de até 20 aminoácidos diferentes. Tem como função constituir fi- H = 1.2 = 2
bras musculares, cabelo e pele. Algumas funcionam como catali- O =16. 1 = 16______
sadores em reações do organismo, sendo chamadas de enzimas. Massa de CH2O = 30
Lipídios: são formados a partir da reação de um ácido graxo com o
glicerol. Os mais importantes são os óleos e as gorduras. O triglicerídeo é Mas a fórmula empírica não indica por si só qual será a fór-
um lipídeo que possui três grupamentos éster na sua estrutura. mula molecular, afinal de contas essa proporção de 1:2:1 se dá em
todos os casos a seguir: CH2O (conservante em solução de formali-
Petróleo na), C2H4O2 (ácido acético do vinagre), C 3H6O3 (ácido láctico), entre
O petróleo possui em sua composição principalmente hidrocarbo- outros.
netos e seus componentes são de grande importância econômica. Apro- Assim, outro dado importante que precisamos saber é a massa
ximadamente 85% dos materiais obtidos a partir do petróleo são usados molar desse composto, que normalmente é determinada por um
como combustíveis e os outros 15% na indústria petroquímica, como espectrômetro de massas.
por exemplo, na produção de plásticos e asfalto. Por ser um material de
tamanha importância, o estudo de seu processo de refino e craquea-
mento é um dos ramos de estudo da química orgânica.

Análise orgânica elementar: determinação de fórmulas mo-


leculares
Os compostos orgânicos não se encontram de forma pura na
natureza, sendo assim, é preciso procedê-los a um tratamento pré-
vio de purificação para só então utilizá-los isoladamente. Os pro-
cessos mecânicos e físicos de separação como destilação, cristali-
zação, análise cromatográfica, são definidos como análise orgânica Aparelho espectrômetro de massas utilizado para medir a
imediata. O método permite separar os componentes da mistura massa molar das substâncias.
sem alterar a natureza dos mesmos.

76
QUÍMICA
No caso da glicose, sua massa molar é de 180 g/mol. Depois,
podemos calcular quantas vezes a massa da fórmula empírica
“cabe” na massa molecular da substância:
180/30 = 6
Multiplicando as proporções em que cada elemento aparece
na molécula por 6, temos a proporção de cada um na fórmula mo-
lecular:
C = 1. 6= 6
H = 2.6=12
O=1. 6= 6
Com a proporção definida (6:12:6), temos a fórmula molecular O álcool gel e a aguardente possuem o etanol como principal
da glicose: C6H12O6. constituinte
3- Função Orgânica: Fenóis;
Funções Orgânicas - Grupo Funcional: Possui a hidroxila (OH) ligada a um carbono
insaturado de um anel benzênico (núcleo aromático):
Notação, Nomenclatura e Propriedades Físicas e Químicas de
Hidro Carboneto, Álcool, Éter, Cenol, Cetonas, Aldeídos, Ácido Car-
boxílicos, Amina e Amida (Contendo de 1 a 8 Carbonos)
As substâncias orgânicas com propriedades semelhantes são
agrupadas, elas podem até possuir características estruturais co-
muns, mas se diferenciam pelo grupo funcional.
Estas substâncias recebem a denominação de funções orgâni-
cas, conheça nesta seção algumas delas e seus respectivos grupos
funcionais: Grupo funcional dos fenóis
Funções oxigenadas – aldeídos, cetonas, ácidos carboxílios, és-
teres, éteres, álcoois; - Nomenclatura: localização do grupo OH + hidróxi + nome do
Funções nitrogenadas – aminas, amidas; aromático;
Funções halogenadas – haletos; - Exemplos: benzenol e 1-hidroxi-2-metilbenzeno.
Função hidrogenada – hidrocarbonetos. 4- Função Orgânica: Aldeídos;
- Grupo Funcional: Possui a carbonila ligada a um hidrogênio:
A seguir apresentamos as principais funções orgânicas, o gru- O
po funcional que identifica cada uma, as regras de nomenclatura //
segundo a IUPAC e exemplos de compostos pertencentes a essas ─C
funções: H
1- Função Orgânica: Hidrocarbonetos; - Nomenclatura: Prefixo + infixo + al;
- Grupo Funcional: Possui somente átomos de carbono e hi- - Exemplos: Metanal (em solução aquosa é o formol) e etanal
drogênio: C, H; (acetaldeído).
- Nomenclatura: Prefixo + infixo + o; 5- Função Orgânica: Cetonas;
- Exemplos: Metano, butano, eteno (etileno) e etino (acetile- - Grupo Funcional: Possui a carbonila entre dois carbonos:
no). O

C─C─C

- Nomenclatura:Prefixo + infixo + ona;


- Exemplo: Propanona (acetona).

A principal fonte de hidrocarbonetos na natureza é o petróleo


2- Função Orgânica: Álcoois; A acetona usada para retirar esmalte das unhas é a propanona
- Grupo Funcional: Possui a hidroxila ligada a um carbono sa- 6- Função Orgânica: Ácidos carboxílicos;
turado: - Grupo Funcional: Possui a carbonila ligada a um grupo hidro-
OH xila (grupo carboxila):
│ O
─C─ //
│ ─C
OH
- Nomenclatura: Prefixo + infixo + ol;
- Exemplos: Metanol, etanol e propanol. - Nomenclatura: Ácido + prefixo + infixo + oico.

77
QUÍMICA
- Exemplos: Ácido metanoico (ácido fórmico) e ácido etanoico (ácido acético que forma o vinagre).
7- Função Orgânica: Ésteres;
- Grupo Funcional: Deriva dos ácidos carboxílicos, em que há a substituição do hidrogênio da carboxila (- COOH) por algum grupo
orgânico:
O
//
─C
O─C

- Nomenclatura: Prefixo + infixo + o + ato / de / nome do radical


- Exemplos: Etanoato de pentila (aroma de banana), butanoato de etila (aroma de morango) e etanoato de isopentila (aroma de pera).

8- Função Orgânica: Éteres;


- Grupo Funcional: Possui o oxigênio entre dois carbonos: C ─ O ─ C;
- Nomenclatura: grupo menor + oxi + hidrocarboneto de radical maior;
- Exemplos: metoxietano e etoxietano.

9- Função Orgânica: Aminas;


- Grupo Funcional: Deriva da substituição de um ou mais hidrogênios do grupo amônia por cadeias carbônicas:
│ │
─ NH2 ou ─ NH ou ─ N ─
- Nomenclatura: Prefixo + infixo + amina
- Exemplos: Metilamina, etilamina e trimetilamina.

10- Função Orgânica: Amidas;


- Grupo Funcional: Deriva teoricamente da amônia pela substituição de um de seus hidrogênios por um grupo acila:
O
//
─C
NH2

- Nomenclatura: Prefixo + infixo + amida.


- Exemplos: metanamida e etanamida.
11- Função Orgânica: Nitrocompostos;

- Grupo Funcional: Possui o grupo nitro (NO2) ligado a uma cadeia carbônica:
O
│ │
─C─N═O

- Nomenclatura: nitro + prefixo + infixo + o;


- Exemplos: nitrometano, nitroetano, 1- nitropropano e 2-metil-1,3,5-trinitrobenzeno (TNT).

O TNT é um explosivo que é um nitrocomposto

12- Função Orgânica: Haletos Orgânicos;

- Grupo Funcional: Possui um ou mais halogênios ligados a uma cadeia carbônica:


X

─C─
X = F, Cl, Br ou I.
- Nomenclatura: quantidade de halogênios + nome do halogênio + nome do hidrocarboneto;

78
QUÍMICA
- Exemplos: 2-bromopropano, clorobenzeno e 1,3-difluorobutano.

Sais orgânicos
Os sais orgânicos são compostos obtidos por meio da reação entre um ácido carboxílico e uma base inorgânica, em que o hidrogênio
do grupo carboxila do ácido reage com o ânion hidróxido da base, formando água; enquanto o ânion orgânico une-se ao cátion da base
para formar esse sal.
Isso significa que os sais orgânicos sempre possuem o grupo funcional:

A IUPAC estipulou algumas regras oficiais para a nomenclatura desses compostos, mostradas abaixo:

Veja os exemplos:

Se houver ramificações ou insaturações na cadeia carbônica será necessário numerá-la começando do carbono do grupo carboxila,
como mostrado nos exemplos a seguir:

Além disso, quando um diácido carboxílico produzir sais orgânicos com substituição das duas extremidades da cadeia, basta colocar
o prefixo di na nomenclatura, como no exemplo abaixo:

79
QUÍMICA
Um exemplo desse tipo de sal orgânico é o etanodiato de cálcio, que é um dos componentes mais comuns das pedras nos rins ou
cálculos renais. O nome usual desse sal é oxalato de cálcio.
A nomenclatura usual dos sais orgânicos segue a mesma regra usada em Química Geral, sendo que quando um ácido inorgânico rea-
ge com uma base e dá origem a um sal, o nome do sal é feito partindo-se do nome do ácido de origem e mudando apenas a terminação.
Quando termina com ico, mudamos para ato. Isso também é feito com os sais orgânicos, veja os exemplos:

Fonte:
www.materias.com.br/www.todamateria.com.br/www.soq.com.br/www.soq.com.br/www.guiaestudo.com.br/www.pt.wikipedia.org/www.
mundoeducacao.bol.uol.com.br/www.brasilescola.uol.com.br/www.colegioweb.com.br/Mayara Cardoso

PROPRIEDADES COLIGATIVAS: PROPRIEDADES FÍSICAS DAS SUBSTÂNCIAS; PRESSÃO DE VAPOR, INFLUÊNCIA DA


TEMPERATURA; TEMPERATURA DE FUSÃO E EBULIÇÃO; TONOSCOPIA; EBULIOSCOPIA; CRIOSCOPIA; OSMOSE; PRES-
SÃO OSMÓTICA; OSMOSE REVERSA

PROPRIEDADES COLIGATIVAS
Propriedades coligativas das soluções são propriedades que dependem apenas do número de partículas dispersas na solução, inde-
pendentemente da natureza dessas partículas, podendo ser moléculas ou íons. As propriedades coligativas incluem pressão máxima de
vapor, ebulição, ponto de fusão e pressão osmótica.

Efeitos coligativos
A água em seu estado puro à pressão de 1 atm possui ponto de fusão de 0oC e ponto de ebulição de 100oC. Porém, quando adiciona-
mos um soluto à água, o soluto modifica as propriedades físicas da água. Agora a água congela abaixo de 0oC e ferve acima de 100oC. Estas
alterações das propriedades físicas da água devido à adição do soluto são denominadas de efeitos coligativos. Para cada propriedade física
que modifica temos uma propriedade coligativa que estuda este efeito:

-Pressão Máxima de Vapor (PMV)


A pressão máxima de vapor é pressão exercida pelo vapor quando está em equilíbrio dinâmico com o liquido correspondente.
A PMV depende da temperatura e da natureza do líquido. Observa-se experimentalmente que, numa mesma temperatura, cada
líquido apresenta sua pressão de vapor, pois esta está relacionada com a volatilidade do líquido.

Fatores que Influenciam


A pressão máxima de vapor depende de alguns fatores:
- Natureza do Líquido - Líquidos mais voláteis como éter, acetona etc. evaporam-se mais intensamente, o que acarreta uma pressão
de vapor maior. Quanto maior a pressão de vapor de um líquido, ou melhor, quanto mais volátil ele for, mais rapidamente entrará em
ebulição.
- Temperatura - Aumentando a temperatura, qualquer líquido irá evaporar mais intensamente, acarretando maior pressão de vapor.

Tonoscopia (ou Tonometria)


A tonoscopia estuda os efeitos do abaixamento da pressão de vapor máxima de certo líquido, cujo responsável é uma solução não-
-volátil adicionada à solução.
Em uma solução, quanto maior for o número de mols do soluto, menor será a pressão máxima de vapor dessa solução.

Ebulioscopia
A ebulioscopia é uma propriedade coligativa que ocasiona a elevação da temperatura de um líquido quando a ele se adiciona um
soluto não-volátil e não-iônico.
A temperatura em que se inicia a ebulição do solvente em uma solução de soluto não-volátil é sempre maior que o ponto de ebulição
do solvente puro (sob mesma pressão).
Isso acontece porque a água, por exemplo, só entrará em ebulição novamente se receber energia suficiente para que sua pressão de
vapor volte a se igualar à pressão externa (atmosférica), o que irá acontecer numa temperatura superior a 100°C.

80
QUÍMICA
Exemplo:
Água pura: P.E. = 100°C
Água com açúcar: P.E. maior que 100°C

Quanto maior a quantidade de partículas em uma solução, maior será o seu P.E.

Diagrama de Fases e o Ponto Triplo


A transformação de cada estado físico possui um nome. Observe:

Existe um gráfico que representa as curvas de variação da temperatura de ebulição e da variação da temperatura de solidificação de
uma substância qualquer em função da pressão de vapor. Essas curvas coincidem num ponto específico de cada substância.

Fonte: http://estadofisico.blogspot.com/2007/08/as-substncias-podem-mudar-de-estado.html

As curvas de variação das temperaturas de ebulição e de solidificação da água em função da pressão de vapor coincidem no ponto
em que a pressão é igual a 4,579mmHg e a tempertura é 0,0098°C. Esta coordenada representa o Ponto Triplo da água e o equilíbrio
das fases. Isto quer dizer que a substância pode ser encontrada, neste ponto exato da curva, nos três estados físicos ao mesmo tempo:
sólido, líquido e gasoso.

Equilíbrio das fases:

Crioscopia
É uma propriedade coligativa que ocasiona a diminuição na temperatura de congelamento do solvente. É provocado pela adição de
um soluto não-volátil em um solvente. Esta relacionado com o ponto de solidificação (PS) das substâncias.
Esta propriedade pode ser chamada também de criometria. Quando se compara um solvente puro e uma solução de soluto não-vo-
látil, é possível afirmar que o ponto de congelamento da solução sempre será menor que o ponto de congelamento do solvente puro.

Osmometria
A osmose está relacionada à passagem espontânea de um solvente por uma membrana semipermeável, por causa da diferença de
concentração entre dois meios.

81
QUÍMICA

Um exemplo comum é evidenciado ao se temperar verduras com sal de cozinha. Nota-se que as verduras murcham após certo tempo
de exposição ao tempero. Isso ocorre em função da saída do líquido (solvente) do ve­getal, que é um meio menos concentrado em relação
ao sal.
A osmometria mede a pressão máxima de vapor: o líquido com maior pressão máxima de vapor tende a atra­vessar uma membrana
semipermeável com maior facili­dade e intensidade que aquele que possui baixa pressão máxima de vapor.
A pressão osmótica equivale à pressão que deve ser aplicada sobre a solução mais concentrada do sistema para bloquear a entrada
de água nela (osmose), por meio de uma membrana semipermeável. O sistema a seguir mostra a pressão aplicada n sobre a solução, para
bloquear o fluxo osmótico.

Para o cálculo da pressão osmótica, usa-se a seguinte expressão:

Para as soluções iônicas:

Onde:
π= pressão osmótica (atm)
V= volume (L)
n= número de mol (n)
T= temperatura (K)
M= molaridade (mol/L)
R= Constante de Clapeyron=0,082 atm.L/mol.K
I= fator de correção Van´t Hoff

As soluções podem ser classificadas quanto às suas pressões osmóticas.

Sendo duas soluções A e B com mesma temperatura:

82
QUÍMICA
Hipertônica, isotônica e hipotônica refere-se à solução A em relação à solução B.

Verifique a Figura abaixo:

EXERCÍCIOS

1. Um técnico em química teve a tarefa de armazenar diferentes substâncias. Para tanto, resolveu separá-las de acordo com as
respectivas funções químicas. As substâncias eram: NaCl, CaCO3, Ca(OH)2, CaO, Na2O, NaOH, H2SO4 e HCl.
A alternativa que apresenta apenas as substâncias classificados como óxidos é:
(A) CaO e Na2O.
(B) Na2O e NaOH.
(C) H2SO4 e HCl.
(D) Ca(OH)2 e CaO.
(E) CaO, Na2O e NaOH.

2. Um sal possui várias características.


NÃO constitui uma dessas características
(A) ter ponto de fusão elevado.
(B) ter, na forma sólida, rede cristalina formada por cátion e ânion.
(C) ser um sólido formado por apenas dois elementos, sendo um deles o oxigênio.
(D) ser uma substância iônica.
(E) tender a se dissociar em água (mesmo que em pequena escala) liberando pelo menos um cátion de um elemento metálico.

3. Considere as reações abaixo e marque a alternativa que indica corretamente as reações endotérmicas:
I. CH4(g) + 2 O2(g) → CO2(g) + H2O(l) + 889,5 kJ
II. Fe2O3(s) +3 C(s) → 2 Fe(s) +3 CO(g) ΔH = + 490 kJ
III. 6 CO2(g) + 6 H2O(l) + 2 813 → C6H12O6(g) + 6 O2(g)
IV. HCl(aq) + NaOH(aq) → NaCl(aq) + H2O(l) ΔH = - 57,7 kJ
V. 1 H2(g) + 1/2 O2(g) → 2 H2O(l) + 68,3 kcal
VI. 1 H2(g) + 1 I2(g) → 2 HI(g) ΔH = + 25,96 kJ/mol

(A) II e III.
(B) I e IV.
(C) II, III e VI.
(D) I, IV e V.
(E) I, III e V.

4. Em relação ao equilíbrio químico


2 NO(g)+ 1 O2(g) ↔ 2 NO2(g) + 27 kcal
pode-se afirmar:
(A) Aumentando a quantidade de O2(g), o equilíbrio se desloca para a esquerda;
(B) Diminuindo a quantidade de NO2(g), o equilíbrio se desloca para a esquerda;
(C) Aumentando ou diminuindo as quantidades das espécies químicas dessa equação, o equilíbrio não se altera;
(D) Diminuindo a quantidade de NO(g), o equilíbrio se desloca para a esquerda;
(E) Diminuindo a quantidade da espécie química NO(g), o equilíbrio se desloca para a direita.

83
QUÍMICA
5. De modo geral, os compostos que possuem ligações iônicas:
(A) são formados pela ligação entre ametais e o hidrogênio.
(B) são encontrados na natureza no estado líquido.
(C) apresentam baixos pontos de fusão e ebulição.
(D) são duros e resistentes a impactos.
(E) apresentam alta condutividade elétrica em solução aquosa.

6. Reações químicas dependem de energia e colisões eficazes que ocorrem entre as moléculas dos reagentes. Em sistema fechado,
é de se esperar que o mesmo ocorra entre as moléculas dos produtos em menor ou maior grau até que se atinja o chamado “equilíbrio
químico”.
O valor da constante de equilíbrio em função das concentrações das espécies no equilíbrio, em quantidade de matéria, é um dado
importante para se avaliar a extensão (rendimento) da reação quando as concentrações não se alteram mais.
Considere a tabela com as quantidades de reagentes e produtos no início e no equilíbrio, na temperatura de 100°C, para a seguinte
reação:

Tabela com quantidade de reagentes e produto (Foto: Reprodução)

A constante de equilíbrio tem o seguinte valor:


(A) 0,13
(B) 0,27
(C) 0,50
(D) 1,8
(E) 3,0

7. Em quais das passagens a seguir está ocorrendo transformação química?


1) “ O reflexo da luz nas águas onduladas pelos ventos lembrava-lhe os cabelos de seu amado”.
2) “ A chama da vela confundia-se com o brilho nos seus olhos”.
3) “Desolado, observava o gelo derretendo em seu copo e ironicamente comparava-o ao seu coração.”
4) “Com o passar dos tempos começou a sentir-se como a velha tesoura enferrujando no fundo da gaveta.”

Estão corretas apenas:


(A) 1 e 2
(B) 2 e 3
(C) 3 e 4
(D) 2 e 4
(E) 1 e 3

8. A energia térmica liberada em processos de fissão nuclear pode ser utilizada na geração de vapor para produzir energia mecânica
que, por sua vez, será convertida em energia elétrica. Abaixo está representado um esquema básico de uma usina de energia nuclear.

84
QUÍMICA
A partir do esquema são feitas as seguintes afirmações:
I. a energia liberada na reação é usada para ferver a água que,
ANOTAÇÕES
como vapor a alta pressão, aciona a turbina.
II. a turbina, que adquire uma energia cinética de rotação, é ______________________________________________________
acoplada mecanicamente ao gerador para produção de energia
elétrica. ______________________________________________________
III. a água depois de passar pela turbina é pré-aquecida no con-
densador e bombeada de volta ao reator. ______________________________________________________

Dentre as afirmações acima, somente está(ão) correta(s): ______________________________________________________


(A) I.
______________________________________________________
(B) II.
(C) III. ______________________________________________________
(D) I e II.
(E) II e III. ______________________________________________________

______________________________________________________
GABARITO ______________________________________________________

______________________________________________________
1 A
______________________________________________________
2 C
3 C ______________________________________________________
4 D ______________________________________________________
5 E
______________________________________________________
6 B
7 D ______________________________________________________
8 D ______________________________________________________

______________________________________________________
ANOTAÇÕES
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85
QUÍMICA

ANOTAÇÕES ANOTAÇÕES

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86
GEOGRAFIA
1. Geografia Geral: Localizando-se no Espaço: orientação e localização: coordenadas geográficas e fusos horários; e cartografia:
a cartografia e as visões de mundo, as várias formas de representação da superfície terrestre, projeções cartográficas, escalas e
convenções cartográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01
2. O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica; deriva continental; placas tectônicas; dinâmica da crosta terrestre;
tectonismo; vulcanismo; intemperismo; tipos de rochas e solos; formas de relevo e recursos minerais; as superfícies líquidas: oceanos
e mares; hidrografia; correntes marinhas – tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica; utilização dos recursos hídricos
e situações hidroconflitivas; a dinâmica da atmosfera: camadas e suas características; composição e principais anomalias – El Niño,
La Niña, buraco na camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores do clima e os tipos climáticos; os domínios naturais:
distribuição da vegetação e características gerais das grandes paisagens naturais; e impactos ambientais: poluição atmosférica, erosão,
assoreamento, poluição dos recursos hídricos e a questão da biodiversidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
3. O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização; a primeira, a segunda e a terceira revolução industrial;
tipos de indústria; a concentração e a dispersão industrial; os conglomerados transnacionais; os novos fatores de localização
industrial; as fontes de energia e a questão energética; impactos ambientais; agropecuária: sistemas agrícolas; estrutura agrária; uso
da terra; agricultura e meio ambiente; produção agropecuária; comércio mundial de alimentos e a questão da fome; globalização
e circulação: os fluxos financeiros; transportes; os fluxos de informação; o meio tecnocientífico-informacional; comércio mundial;
blocos econômicos; os conflitos étnicos e as migrações internacionais; a Divisão Internacional do Trabalho (DIT) e as trocas desiguais;
a Nação e o Território, os Estados territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e poder global; nova ordem
mundial; fronteiras estratégicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
4. O Espaço Humano: demografia: teorias demográficas; estrutura da população; crescimento demográfico; transição
demográfica e migrações; urbanização: processo de urbanização; espaço urbano e problemas urbanos; e principais indicadores
socioeconômicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
5. Geografia do Brasil: 1) O Espaço Natural: características gerais do território brasileiro: posição geográfica, limites e fusos horários;
geomorfologia: origem, formas e classificações do relevo: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr Ross e a estrutura geológica;
a atmosfera e os climas: fenômenos climáticos e os climas no Brasil; domínios naturais: distribuição da vegetação, características
gerais dos domínios morfoclimáticos, aproveitamento econômico e problemas ambientais; e recursos hídricos: bacias hidrográficas,
aquíferos, hidrovias e degradação ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
6. O Espaço Econômico: a formação do território nacional: economia colonial e expansão do território, da cafeicultura ao Brasil urbano-
industrial e integração territorial; a industrialização pós-Segunda Guerra Mundial: modelo de substituição das importações, abertura
para investimentos estrangeiros; dinâmica espacial da indústria; polos industriais; a indústria nas diferentes regiões brasileiras e
a reestruturação produtiva; o aproveitamento econômico dos recursos naturais e as atividades econômicas: os recursos minerais;
fontes de energia e meio ambiente; o setor mineral e os grandes projetos de mineração; agricultura brasileira: dinâmicas territoriais
da economia rural; a estrutura fundiária; relações de trabalho no campo; a modernização da agricultura; êxodo rural; agronegócio e
a produção agropecuária brasileira; e comércio: globalização e economia nacional; comércio exterior; integração regional (Mercosul
e América do Sul); eixos de circulação e custos de deslocamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
7. O Espaço Político: formação territorial – território; fronteiras; faixa de fronteiras; mar territorial e Zona Econômica Exclusiva (ZEE);
estrutura político-administrativa; estados; municípios; distrito federal e territórios federais; a divisão regional, segundo o IBGE, e os
complexos regionais; e políticas públicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
8. O Espaço Humano: demografia: transição demográfica, crescimento populacional, estrutura etária; política demográfica e mobilidade
espacial (migrações internas e externas); mercado de trabalho: estrutura ocupacional e participação feminina; desenvolvimento
humano: os indicadores socioeconômicos; e urbanização brasileira: processo de urbanização; rede urbana; hierarquia urbana; regiões
metropolitanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs); espaço urbano e problemas urbanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
GEOGRAFIA
– Situação Urbana: características do ambiente que compõe a
GEOGRAFIA GERAL: LOCALIZANDO-SE NO ESPAÇO: cidade. Não raro influencia o seu surgimento e condiciona o seu
ORIENTAÇÃO E LOCALIZAÇÃO: COORDENADAS GE- crescimento.
OGRÁFICAS E FUSOS HORÁRIOS; E CARTOGRAFIA: A – Função Urbana: atividade principal que define a cidade. Uma
CARTOGRAFIA E AS VISÕES DE MUNDO, AS VÁRIAS cidade, por exemplo, pode ser comercial (como São Paulo), portuá-
FORMAS DE REPRESENTAÇÃO DA SUPERFÍCIE TERRES- ria (como Santos), turística (como Gramado), administrativa (como
TRE, PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS, ESCALAS E CON- Brasília), dentre outras funções.
VENÇÕES CARTOGRÁFICAS – Conurbação: geralmente se refere à união de duas ou mais
cidades, tanto no espaço físico quanto no compartilhamento de
A Geografia Urbana estuda o espaço urbano e nossa interação serviços urbanos. No Brasil, há a conurbação de São Paulo e Rio de
com ele. Estude como a desigualdade social se manifesta também Janeiro.
na ocupação do espaço urbano, a poluição causada pela urbaniza-
ção das cidades, meios de transporte urbano, produção de lixo pela
sociedade urbanizada e tudo que for relacionado às cidades.

Espaço Geográfico
O desenvolvimento das civilizações ocasionou uma série de
mudanças na natureza. Desde o surgimento da humanidade, o ho-
mem altera o espaço em que vive deixando as marcas de sua cul-
tura.
O espaço geográfico (objeto de estudo da Geografia) é o pro-
duto da ação do homem sobre o espaço natural. Trata-se, portanto,
de um espaço artificial (também chamado de segunda natureza).

– Metrópole: cidade desenvolvida que conta com uma série de


serviços e recursos urbanos e que funciona como polo cultural e
econômico de uma região ou país. São Paulo, por exemplo, é consi-
derada uma metrópole nacional.
– Região Metropolitana: conjunto de municípios ligados a uma
metrópole. Tais municípios geralmente utilizam os mesmos recur-
sos urbanos. A região metropolitana de São Paulo é considerada a
maior do país (agrega 39 municípios).
– Hierarquia Urbana: influência que uma cidade exerce sobre
outra devido aos serviços de que dispõe (como saúde, educação, in-
fraestrutura). Mede o grau de subordinação entre as cidades. Estas
relações hierárquicas constituem a rede urbana.
– Megalópole: processo de conurbação entre metrópoles ou
regiões metropolitanas. A megalópole americana Boston-Washin-
As cidades, por exemplo, são espaços geográficos onde se con- gton (BosWash) é considerada a maior do mundo e conta com a
jugam elementos da natureza e criações humanas. A forma (e inten- união das metrópoles Boston, Nova Iorque, Filadélfia, Baltimore e
sidade) da interferência humana depende dos valores culturais de Washington.
cada sociedade e está vinculada à própria dinâmica social. É certo,
entretanto, que quando mais a humanidade se desenvolve, com a Orientação e localização
tecnologia e a globalização, mais técnico e artificial se torna o espa- Para chegar a um determinado lugar pela primeira vez é pre-
ço geográfico. ciso ter referências ou o endereço, isso no campo ou na cidade,
no entanto, nem sempre temos em nossas mãos instrumentos ou
Conceitos Básicos de Geografia Urbana informações para a orientação. Em áreas naturais como as grandes
Os critérios utilizados para classificar determinada organização florestas, desertos e oceanos não têm placas ou endereços para in-
urbana como cidade variam de país para país. No Brasil, leva-se em formar qual caminho se deve tomar.
conta o critério político-administrativo, isto é, admite-se como cida- Nessas circunstâncias temos duas opções para nos orientar,
de o espaço onde se situa a sede do munícipio (prefeitura). que são pelos astros ou por instrumentos.
De modo geral, as cidades são chamadas espontâneas – quan- O primeiro tem sua utilização difundida há muito tempo, prin-
do surgem de forma natural; e planejadas, quando são previamente cipalmente no passado quando pessoas que percorriam grandes
idealizadas, a exemplo de Brasília. distâncias se orientavam por meio da observação do sol, da lua ou
Vejamos abaixo outros conceitos básicos de Geografia Urbana. das estrelas, apesar de que não possui a mesma precisão dos ins-
– Urbanização: refere-se comumente ao processo resultante trumentos esse tipo de recurso pode ser bem aproveitado depen-
do deslocamento de pessoas da área rural para a área urbana. dendo da ocasião.
– Crescimento Urbano: crescimento natural da cidade, isto é, Até nos dias atuais pequenas embarcações desprovidas de
da sua área física (malha urbana). Pode também significar o cres- equipamentos de orientação fazem o uso dos astros para se locali-
cimento da população urbana se ele ocorrer por razões naturais. zar e orientar. Nos grandes centros urbanos parte deles ou mesmo
– Sítio Urbano: é a topografia da cidade, ou seja, o local sobre um conjunto de bairros são chamados de zona oeste, zona leste
o qual a cidade foi construída. Brasília, por exemplo, é um planalto e assim por diante, as pessoas se orientam sem estar munidas de
e Manaus, uma planície. bússola, basta saber que o sol nasce leste para se localizar.

1
GEOGRAFIA
Já no caso da orientação por instrumentos foram criados di-
versos deles com objetivo de tornar o processo mais dinâmico e
preciso. Dentre vários instrumentos inventados o mais utilizado
é a bússola, esse corresponde a um objeto composto por uma
agulha com imã que gira sobre uma rosa-dos-ventos.

As latitudes são medidas em graus entre os paralelos, ou


qualquer ponto do planeta até a Linha do Equador, as latitudes
Bússola oscilam de 0º Linha do Equador e 90º ao norte e 90º ao sul.
A bússola é instalada em aviões, navios e carros e motos de Meridianos correspondem a semicircunferências imagina-
competição de rally, isso para manter as pessoas em sua devida rias que parte de um pólo até atingir o outro. O principal meri-
direção pretendida. diano é o Greenwich, esse é o único que possui um nome especi-
Apesar da importância da bússola até os dias de hoje, exis- fico, esse é utilizado como referência para estabelecer a divisão
tem aparelhos de orientação mais eficientes, geralmente orien- da Terra entre Ocidente (oeste) e Oriente (leste).
tados por sinais de radar ou satélites, devido a isso conseguem
emitir informações de qualquer ponto da Terra, tais como altitu-
de, distâncias, localização entre outras.

Coordenadas geográficas
O planeta Terra possui uma superfície de 510 milhões de
quilômetros quadrados, devido esse imenso espaço a localização
se torna mais complexa, dessa forma o homem criou linhas ima-
ginarias para facilitar a localização, os principais são os paralelos
e latitudes e meridianos e as longitudes.
É através da interseção de um meridiano com um paralelo
que podemos localizar cada ponto da superfície da Terra.
Os paralelos são linhas imaginarias que estão dispostas ao
redor do planeta no sentido horizontal, ou seja, de leste a oeste.
O paralelo principal é chamado de Linha do Equador que está
situado na parte mais larga do planeta, a partir dessa linha tem
origem ao hemisfério sul e o hemisfério norte. Existem outros
paralelos secundários mais de grande importância como Trópico
de Câncer, O Trópico de Capricórnio, o Circulo Polar Ártico e o
Circulo Polar Antártico.

As longitudes representam o intervalo entre os meridianos


ou qualquer ponto do planeta com o meridiano principal. As
longitudes podem oscilar de 0º no meridiano de Greenwich até
180º a leste e a oeste.
Através do conhecimento da latitude e longitude de um lu-
gar é possível identificar as coordenadas geográficas, que cor-
respondem a sua localização precisa ao longo da superfície ter-
restre. A partir dessas informações a definição de coordenadas
geográficas são medidas em graus, minutos e segundos de pon-
tos da Terra localizadas pela latitude e longitude.

2
GEOGRAFIA
Os Pontos de Orientação - Os meios que as pessoas utilizam A compreensão dos fusos horários é de extrema importância,
para orientar-se no espaço geográfico dependem do ambiente em principalmente para as pessoas que realizam viagens e têm contato
que elas vivem. com pessoas e relações comerciais com locais de fusos distintos dos
Para isso, foram definidos os pontos globais de referência, cha- seus, proporcionado, portanto, o conhecimento de horários em di-
mados de pontos cardeais: ferentes partes do globo.
- Norte (N)
- Sul (S) Cartografia
- Leste (L ou E) A cartografia é a ciência da representação gráfica da superfície
- Oeste (O ou W) terrestre, tendo como produto final o mapa.
Ou seja, é a ciência que trata da concepção, produção, difusão,
Para ficar mais exata a orientação entre os pontos cardeais, te- utilização e estudo dos mapas.
mos os pontos colaterais: noroeste (NO), nordeste (NE), sudoeste Na cartografia, as representações de área podem ser acompa-
(SO) e sudeste (SE). Além desses, temos os pontos subcolaterais: nhadas de diversas informações, como símbolos, cores, entre ou-
norte-noroeste (NNO), norte-nordeste (NNE), sul-sudoeste (SSO), tros elementos. A cartografia é essencial para o ensino da Geografia
sul-sudeste (SSE), leste-nordeste (ENE), leste-sudeste (ESSE), oeste- e tornou-se muito importante na educação contemporânea, tanto
-noroeste (ONO) e oeste-sudoeste (OSO). para as pessoas atenderem às necessidades do seu cotidiano quan-
Todos estes pontos formam uma figura chamada de Rosa-dos- to para estudarem o ambiente em que vivem.
-Ventos ou Rosa-dos - Rumos. Os primeiros mapas foram traçados no século VI a.C. pelos gre-
gos que, em função de suas expedições militares e de navegação,
As Zonas Climáticas - Os paralelos especiais exercem papel criaram o principal centro de conhecimento geográfico do mundo
muito importante na definição das zonas climáticas, que são de- ocidental.
marcadas por eles. Tais paralelos são os seguintes: O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado na Sumé-
- Zonas polares ou glaciais norte e sul – são limitadas pelos cír- ria, em uma pequena tábua de argila, representando um Estado. A
culos polares, possuem altas altitudes. São zonas muito frias. confecção de um mapa normalmente começa a partir da redução
- Zonas temperadas – com latitude medias, estão compreen- da superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas que figuram a
didas a norte entre o circulo polar ártico e o tropico de câncer e a Terra por inteiro em pequena escala, o globo se apresenta como a
sul entre o circulo polar antártico e o tropico de capricórnio. Possui única maneira de representação exata.
temperaturas mais amenas que as zonas polares. A transformação de uma superfície esférica em uma superfície
- Zona tropical – compreendida entre os trópicos de câncer e plana recebe a denominação de projeção cartográfica.
capricórnio, também é chamada de zona intertropical. E a região Na pré-história, a Cartografia era usada para delimitar territó-
do planeta que recebe mais raios solares, portanto, a mais quente. rios de caça e pesca. Na Babilônia, os mapas do mundo eram im-
pressos em madeira, mas foram Eratosthenes de Cirene e Hiparco
Fuso Horário (século III a.C.) que construíram as bases da cartografia moderna,
Os fusos horários, também denominados zonas horárias, foram usando um globo como forma e um sistema de longitudes e latitu-
estabelecidos através de uma reunião composta por representan- des. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo dentro
tes de 25 países em Washington, capital estadunidense, em 1884. de um círculo.
Nessa ocasião foi realizada uma divisão do mundo em 24 fusos ho- Com a era dos descobrimentos, os dados coletados durante as
rários distintos. viagens tornaram os mapas mais exatos. Após a descoberta do novo
A metodologia utilizada para essa divisão partiu do princípio de mundo, a cartografia começou a trabalhar com projeções de super-
que são gastos, aproximadamente, 24 horas (23 horas, 56 minutos fícies curvas em impressões planas.
e 4 segundos) para que a Terra realize o movimento de rotação, ou Os Mapas são desenhos que representam qualquer região do
seja, que gire em torno de seu próprio eixo, realizando um movi- planeta, de maneira reduzida, simplificada e em superfície plana.
mento de 360°. Portanto, em uma hora a Terra se desloca 15°. Esse Os mapas são feitos por pessoas especializadas, os Cartógra-
dado é obtido através da divisão da circunferência terrestre (360°) fos. A Ciência que estuda os mapas e cuida de sua confecção cha-
pelo tempo gasto para que seja realizado o movimento de rotação ma-se Cartografia. Vários mapas podem ser agrupados em um livro,
(24 h). que recebe o nome de Atlas.
O fuso referencial para a determinação das horas é o Greenwi-
ch, cujo centro é 0°. Esse meridiano, também denominado inicial, Elementos cartográficos
atravessa a Grã-Bretanha, além de cortar o extremo oeste da Euro- Todos os mapas possuem símbolos, que são chamados de
pa e da África. A hora determinada pelo fuso de Greenwich recebe Convenções Cartográficas. Alguns são usados no mundo todo, em
o nome de GMT. A partir disso, são estabelecidos os outros limites todos os países: são internacionais. Por isso, não podem ser modi-
de fusos horários. ficados.
A Terra realiza seu movimento de rotação girando de oeste para Os símbolos usados são colocados junto ao mapa e constituem
leste em torno do seu próprio eixo, por esse motivo os fusos a leste a sua Legenda. Normalmente, a legenda aparece num dos cantos
de Greenwich (marco inicial) têm as horas adiantadas (+); já os fu- inferiores do mapa.
sos situados a oeste do meridiano inicial têm as horas atrasadas (-). As Escalas indicam quantas vezes o tamanho real do lugar re-
Alguns países de grande extensão territorial no sentido leste- presentado foi reduzido. Essa indicação pode ser feita de duas for-
-oeste apresentam mais de um fuso horário. A Rússia, por exem- mas: por meio da escala numérica ou da gráfica. As escalas geral-
plo, possui 11 fusos horários distintos, consequência de sua grande mente aparecem num dos cantos inferiores do mapa.
área. O Brasil também apresenta mais de um fuso horário, pois o Devemos considerar o mapa como um meio de comunicação,
país apresenta extensão territorial 4.319,4 quilômetros no sentido contendo objetos definidos por pontos, linhas e polígonos, permea-
leste-oeste, fato que proporciona a existência de quatro fusos ho- dos por uma linguagem composta de sinais, símbolos e significados.
rários distintos, no entanto, graças ao Decreto n° 11.662, publicado Sendo a sua estrutura formada por uma base cartográfica, relacio-
no Diário Oficial de 25 de abril de 2008, o país passou a adotar so- nada diretamente a objetos e fenômenos observados ou percebi-
mente três. dos no espaço geográfico.

3
GEOGRAFIA
Essa base cartográfica é composta pelos chamados elemen- Entendido como a Terra pode ser vista, é importante lembrar
tos gerais do mapa, que são pelo menos cinco componentes que que para representá-la ou para escolher o seu modelo de represen-
contribuem para a leitura e interpretação do produto cartográ- tação é necessário conhecer os atributos de uma projeção, tendo
fico. São eles: o título, a orientação, a projeção, a escala e a em vista que esses atributos são em função do uso que se quer do
legenda, sendo que a ausência e erros em mapas, na maioria mapa: dimensão, forma e posição geográfica da área ou do objeto
das vezes, ocorre quando um desses elementos é apresentado a ser mapeado. Principalmente porque as projeções são a maneira
de forma incompleta ou distorcida, não seguindo as normas da pela qual a superfície da Terra é representada em superfícies bidi-
ciência cartográfica, o que pode contribuir para a apreensão in- mensionais, como em uma folha de papel ou na tela de um monitor
correta das representações do espaço geográfico pelos leitores. de computador.
Então, vamos aqui procurar entender cada um deles de forma Como na hora de representar o planeta Terra (como uma es-
resumida: fera, tridimensional – com um volume) se utiliza quase sempre um
meio bidimensional (um plano – com largura e altura), deve-se mi-
1. O Título nimizar as distorções em área, distância e direção dos traços que
irão compor o modelo terrestre ou parte dele (carta, mapa, planta
O título no mapa deve ser visto como ocorre em uma apre- e outras). Ou seja, se faz necessário compreender como a superfície
sentação de um texto escrito, ou seja, é a primeira apresentação esférica do planeta Terra – o globo, pode se tornar uma superfície
do conteúdo do que se quer mostrar; é o menor resumo do que plana – o mapa.
trata um documento, neste caso, a representação cartográfica. Os modos de conversão do modelo esférico para a forma plana
Quando se está diante de um “mapa temático”, por exemplo, o são os mais diversos, cada qual gerando certas distorções e evitan-
título deve identificar o fenômeno ou fenômenos representados do outras. O que significa que precisamos colocar a esfera terrestre
por ele (Figura 1). Nesse sentido, o título deve conter as informa- numa folha de papel, portanto, adaptá-la à forma plana, mas para
ções mínimas que respondam as seguintes perguntas a respeito que isso ocorra é preciso pressionar o globo terrestre para que ele
da produção: “o quê?”, “onde?” e “quando?”. se torne plano, porém, tal pressão faz com que o globo se “parta”
Um título deve responder a pergunta “o quê?” E ser fiel ao em vários lugares. gerando uma série de deformações que preci-
saram ser compensadas com cálculos matemáticos que procuram
que se desenvolve no produto cartográfico. Pode ser escrito na
resolver os “vazios” criados com a abertura do globo.
parte superior da carta, do mapa ou de outro produto da carto-
A Cartografia buscou solucionar este problema com base no
grafia, isto é, deve ter um destaque para que o leitor identifique
estudo das projeções cartográficas, e nessa busca concluiu que ne-
automaticamente do que se trata esse produto cartográfico.
nhum tipo de projeção pode evitar as deformações em parte ou na
totalidade da representação, por isso mesmo, um mapa nunca será
2. A Orientação
perfeito. Assim, a Cartografia se propôs a considerar três tipos de
A orientação é sem dúvida um elemento fundamental, pois
projeção: a azimutal ou plana, a cilíndrica e a cônica. E para isto teve
sem ela fica muito difícil de responder a pergunta “onde?”, con-
que desenvolver processos geométricos ou analíticos para repre-
siderando que a carta, o mapa, a “planta” ou outro tipo de repre-
sentar a superfície do planeta Terra em um plano horizontal.
sentação espacial, sob os preceitos da Cartografia, é uma par- A definição dessas projeções solicitou ajustes quanto ao mode-
cela de um sistema maior, o planeta Terra (se for esse o planeta lo da projeção a ser adotada:
trabalhado). E, em sendo assim, é preciso estabelecer alguma - no Modelo Cilíndrico, as projeções são do tipo:
referência para se saber onde se está localizado, na imensidão a) normais,
da superfície deste planeta. b) transversas e
A orientação deve ser utilizada, de preferencia, de forma c) oblíquas;
simultânea à apresentação das às coordenadas geográficas (me- - no Modelo Cônico ou Policônico, as projeções são do tipo:
ridianos e paralelos cruzados na forma de um sistema chamado a) normais e
de rede geográfica), no mapa, as quais também servem para se b) transversas; e, no
marcar a posição de um determinado objeto ou fenômeno na - Modelo Plano, as projeções são do tipo:
superfície da Terra, de modo que a direção norte aponte sempre a) polares,
para a parte de cima da representação (seguindo o sentido dos b) equatoriais e
meridianos). E caso a representação não contenha coordenadas c) oblíquas.
geográficas é importante dotá-la de um norte, ou de uma con-
venção que dê a direção norte da representação, geralmente na Quanto aos atributos as projeções conservam três proprieda-
forma de seta ou da conhecida “rosa dos ventos”. des importantes: a equidistância, quando a distância sobre um me-
ridiano (ou paralelo) medido no mapa é igual à distância medida
no terreno; a equivalência, quando a área representada no mapa é
3. A Projeção
igual à área correspondente no terreno; a conformidade, quando a
A ideia de projetar algo em outro meio, no caso, a forma
forma de uma representação do mapa é igual à forma existente. As
da Terra, deu origem a técnica que definiu os tipos de proje-
projeções azimutais permitem a direção azimutal no mapa igual à
ções cartográficas. Para isto foi preciso conhecer as dimensões
direção azimutal no terreno.
do planeta, pois os modelos propostos para representar a Terra
Essas características das projeções cartográficas garantem a
precisaram ajustar as suas próprias dimensões a superfície deste
elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação, porém,
planeta. Inicialmente os gregos, por intuição ou por desejo en-
nenhum mapa pode conter todas as propriedades: a equidistância,
tenderam que a Terra era redonda. Embora outras ideias tenham a equivalência e a conformidade ao mesmo tempo. Caso a repre-
surgido e medidas demonstrem que este planeta não é tão bem sentação cartográfica não estiver submetida a nenhuma dessas pro-
acabado, como consideravam os gregos da antiguidade, a esfera priedades, é chamada de projeção afilática.
ou globo ainda é o seu modelo mais conhecido.

4
GEOGRAFIA
4. A Escala
Na elaboração de um produto cartográfico observamos dois problemas importantes: 1º) a necessidade de reduzir as proporções dos
acidentes existentes, a fim de tornar possível a sua representação num espaço limitado - esta ideia é a escala, concebida a partir da pro-
porção requisitada pela representação dos fenômenos e; 2º) determinados acidentes, dependendo da escala, não permitem uma redução
acentuada, pois se tornariam imperceptíveis, mas como são importantes devem ser representados nos documentos cartográficos. Por isto,
no caso de mudança de escala de trabalho, poderá acontecer uma modificação na forma de representar o objeto, ou seja, a cada momento
em que a escala for aumentando, acontecerá a aproximação do objeto, aumentando o seu tamanho, acontecendo ao contrário, na dimi-
nuição da escala, o distanciamento do objeto, o que, consequentemente, modificará sua representação (Figura abaixo).

Figura. Relação entre a mudança de escala e representação espacial dos objetos. Fonte: o autor com
base em Silva (2001) e Cruz e Menezes (2009)

A figura acima (A) mostra a representação de um objeto em uma grande escala – destacando o bairro de Nazaré, em Belém do Pará, na
qual se pode perceber as quadras do bairro (polígonos) e seus confinantes. Numa escala menor vê-se o município (B), depois o estado no
território nacional (C) e a localização global (D), na qual as quadras e os limites políticos administrativos dos municípios desaparecem, e os
estados são imperceptíveis. Nessa redução drástica da escala, as quadras, os municípios brasileiros e até certos estados são representados
por pontos, uma vez que não se pode perceber a área desses objetos.
E para identificar essa relação a escala pode ser definida como escala numérica, na forma de fração, cujo denominador lhe determi-
na, ou como escala gráfica, definida por um seguimento de reta fracionado e usado de acordo com a unidade de medida admitida para a
representação (metro, quilômetro ou outras).

Figura. Escala numérica e gráfica. Fonte: http://migre.me/aijJK (adaptado pelo


autor)

Com isto se pode entender a escala como uma relação entre grandezas e é neste caso que a relação entre as medidas dos objetos ou
áreas da região representada no espaço cartografado (numa folha de papel ou na tela de um monitor, por exemplo) e suas medidas reais
define a maior ou menor resolução espacial do objeto (visibilidade).

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GEOGRAFIA
5. A Legenda e as Convenções
As representações espaciais sempre estiveram presentes, pois antes mesmo da escrita e da fala os símbolos e desenhos represen-
tavam o meio vivido. Com eles o homem delimitava e ocupava os territórios. Mas foi somente a partir do século passado que os mapas
passaram a ter o padrão normativo atual, estabelecido por leis e convenções transformadas em normas aceitas pelos estudiosos e por
todos os que usam produtos da Cartografia.
Assim, estabeleceu-se uma linguagem artificial, padronizada, associativa e universal com o objetivo de promover uma melhor com-
preensão para quem produz e para quem lê os mapas, alcançando leitores com menor e maior nível de conhecimento. Os mapas passaram
então a fazer parte do dia-a-dia do homem em sociedade, figurando em livros, revistas, jornais, televisão, internet, e muitos outros meios
de comunicação humana. De modo que, as técnicas cartográficas modernas permitiram que as representações ganhassem mais e melhor
sentido.
Assim, para a melhor simbolização dos objetos e fenômenos que são transportados e contidos em um mapa, e demais representações
cartográficas, foi necessário se aprimorar as chamadas legendas, ou seja, a parte de uma carta ou mapa que contém o significado dos fe-
nômenos representados nela, geralmente traduzidos por símbolos, cores e traços desenhados cuidadosamente para que o leitor de mapas
entenda do que trata a representação cartográfica.
A legenda de um mapa está situada, geralmente, dentro da moldura do mesmo, com todos os símbolos, cores e outros artifícios
capazes de explicar de modo resumido a ocorrência de um determinado objeto ou fenômeno, de acordo com sua distribuição no espaço
geográfico. A figura abaixo destaca um exemplo de legenda em um mapa.

Figura. Exemplo de convenções e legenda de uma carta topográfica. Fonte: http://migre.me/aikjs

Faz-se necessário atentar para uma componente muito confundida com legenda, embora faça parte de outra categoria de informação
– as convenções, que não possuem a função de explicar o fenômeno temático, mas a de definir o significado de linhas, símbolos e outras
representações, geralmente, referentes aos componentes gerais do mapa.
Assim podemos ter mapas que mostram fenômenos qualitativos e quantitativos (figura A) e/ou quantitativos (Figura B), dispostos
sobre uma base de referência, geralmente extraída dos mapas e cartas topográficas. Desse modo, os mapas e cartas geológicas, geomor-
fológicas, de uso da terra e outras, constituem exemplos de representação temática em que a linguagem cartográfica privilegia a forma e
a cor dos símbolos como expressão qualitativa que surge na forma de legendas.

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GEOGRAFIA

Figura A. Mapa contendo temática qualitativa: motores do desenvolvimento. Fonte: Política Nacional de Ordenamento Territo-
rial (BRASIL, 2006)

Desse modo, podemos entender que a descrição qualitativa é aquela que mostra os atributos (qualidades), a cada uma das cir-
cunstâncias ou características dos fenômenos (como os aspectos nominais do fenômeno), as quais podem ser classificadas segundo
um determinado padrão.

Os mapas de densidade de população, de precipitação pluviométrica, de produção agrícola, de fluxos de mercadorias, consti-
tuem exemplos de que pontos, dimensões dos símbolos, linhas iguais (isarítmicas), áreas iguais (corópletas), figuras (diagramas) e
outros recursos gráficos podem ser utilizados para representar as formas de expressão qualitativa, assim como a descrição quanti-
tativa (Figura 8), que pode mensurar o fenômeno através de uma unidade de medida ou através de um percentual (aspecto ordinal
do fenômeno) quantitativo.

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GEOGRAFIA

Figura B. Mapa contendo temática quantitativa: a concentração do PIB do Brasil. Fonte: Fonte: Brasil (2006)

Assim, para finalizar essa contribuição, devemos reconhecer que os conceitos e categorias da Cartografia não podem ser despre-
zados durante o uso ou a elaboração de um produto cartográfico. O uso das ferramentas mais atuais, pelos profissionais que utilizam
a Cartografia, deve se dar sob o entendimento do meio que os circunda e dos elementos que compõem a ciência cartográfica.
A interpretação do espaço geográfico e dos fenômenos e objetos inerentes a ele depende sobretudo dessa linguagem emprega-
da pela Cartografia, básica para a leitura dos seus produtos (mapas, plantas, croquis e outros), tendo em vista que eles são usados
por um número cada vez maior de pessoas de todas as profissões e interesses, principalmente estudantes de todas partes do mundo
e áreas do conhecimento.
Desse modo, um plano de representação do espaço só se consolida se apoiado na linguagem cartográfica. As ações mecânicas
que se estabelecem com o “apertar botão”, seleção de cores e possibilidade de zoom automático, colocam uma cortina sobre os
fatos importantes, e encobrem a capacidade crítica do profissional sobre o objeto de estudo. A discussão não deve ser apenas sobre
o ferramental, mas também sobre conceitos, categorias e elementos da Cartografia para compreender o espaço geográfico.

Tipos de Mapa - para compreendermos o que se passa na superfície da Terra existem diferentes tipos de mapas:
- Mapas Políticos – mostram os continentes, um país, estados e municípios, limites, capitais e cidades importantes;
- Mapas Físicos – representam um ou alguns elementos naturais. Podem ser de relevo, hidrografia, clima, vegetação, etc;
- Mapas Econômicos – apresentam as riquezas de uma região (agricultura, indústrias, etc);
- Mapas Demográficos – mostra a distribuição de pessoas que vivem em um continente, país, estado, cidade etc.

Hoje em dia, a cartografia é feita por meios modernos, como as fotografias aéreas (realizadas por aviões, drones) e o sensoria-
mento remoto por satélite.
Além disso, com os recursos dos computadores, os geógrafos podem obter maior precisão nos cálculos, criando mapas que che-
gam a ter precisão de até 1 metro. As fotografias aéreas são feitas de maneira que, sobrepondo-se duas imagens do mesmo lugar,
obtém-se a impressão de uma só imagem em relevo. Assim, representam-se os detalhes da superfície do solo.
Depois, o topógrafo completa o trabalho sobre o terreno, revelando os detalhes pouco visíveis nas fotografias.

8
GEOGRAFIA

O ESPAÇO NATURAL: ESTRUTURA E DINÂMICA DA TERRA: EVOLUÇÃO GEOLÓGICA; DERIVA CONTINENTAL; PLACAS
TECTÔNICAS; DINÂMICA DA CROSTA TERRESTRE; TECTONISMO; VULCANISMO; INTEMPERISMO; TIPOS DE ROCHAS E
SOLOS; FORMAS DE RELEVO E RECURSOS MINERAIS; AS SUPERFÍCIES LÍQUIDAS: OCEANOS E MARES; HIDROGRAFIA;
CORRENTES MARINHAS – TIPOS E INFLUÊNCIA SOBRE O CLIMA E A ATIVIDADE ECONÔMICA; UTILIZAÇÃO DOS RECUR-
SOS HÍDRICOS E SITUAÇÕES HIDROCONFLITIVAS; A DINÂMICA DA ATMOSFERA: CAMADAS E SUAS CARACTERÍSTICAS;
COMPOSIÇÃO E PRINCIPAIS ANOMALIAS – EL NIÑO, LA NIÑA, BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO E AQUECIMENTO
GLOBAL: ELEMENTOS E FATORES DO CLIMA E OS TIPOS CLIMÁTICOS; OS DOMÍNIOS NATURAIS: DISTRIBUIÇÃO DA
VEGETAÇÃO E CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS GRANDES PAISAGENS NATURAIS; E IMPACTOS AMBIENTAIS: POLUIÇÃO
ATMOSFÉRICA, EROSÃO, ASSOREAMENTO, POLUIÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS E A QUESTÃO DA BIODIVERSIDADE

O espaço natural ou primeira natureza refere-se ao conjunto de elementos naturais (como florestas, rios, relevos) formado esponta-
neamente ao longo dos tempos.
A geologia é uma das ciências da Terra. Estuda a crosta terrestre, a matéria que a compõe, seu mecanismo de formação, as alterações
que ocorrem sobre ela e a estrutura que sua superfície possui.
A geologia foi essencial para determinar a idade da Terra, que se calculou ter cerca de 4,6 bilhões de anos, e a desenvolver a teoria
chamada tectônica de placas.

O planeta Terra possui a sua estrutura interna dividida em camadas

Áreas de estudo
O geólogo ou engenheiro geológico estuda a origem, a estrutura, a composição e as transformações da crosta terrestre. Analisa
também fósseis, minerais e a topografia dos terrenos, acompanha a exploração de jazidas de minério, depósitos subterrâneos de água e
reservas de petróleo, carvão mineral e gás natural.
Investiga ainda a ação das forças naturais sobre o planeta e seus efeitos, como a erosão e a desertificação.
A geologia é uma área muito ampla, sendo difícil citar todas as suas áreas. Entre elas, podemos destacar as seguintes:

Geologia estrutural: estudo da estrutura da Terra.


Geologia histórica: estudo das eras, períodos e idades geológicas.
Geologia econômica: estudo das riquezas minerais.
Geologia ambiental: estudo dos impactos ambientais e dos riscos ecológicos.
Geofísica: estudo da composição e propriedades físicas dos elementos.
Geoquímica: estudo da composição e propriedades químicas da Terra.
Geomorfologia: estudo das formas da superfície terrestre (relevo).
Geologia do petróleo: estudo da composição e propriedades do petróleo.
Hidrogeologia: estudo dos cursos de águas subterrâneas.
Cristalografia: estudo dos cristais e das estruturas sólidas formadas pelos átomos.
Espeleologia: estudo da formação geológica das cavernas e das cavidades naturais.
Estratigrafia: estudo da composição e estrutura das rochas estratificadas.
Sedimentologia: estudos dos sedimentos acumulados na Terra derivados da erosão.
Topografia: estuda os acidentes geográficos presentes no planeta.
Astrogeologia: estudo dos diversos corpos celestes
Sismologia: estudo dos sismos e dos movimentos das placas tectônicas no planeta.
Vulcanologia: estudo dos vulcões e das erupções vulcânicas.
Pedologia: estudo da formação e estrutura dos solos.
Petrografia: estudo de análise das rochas.
Mineralogia: estudo da composição e propriedades dos minerais.

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GEOGRAFIA
Camadas da Terra O manto superior é mais pastoso que o inferior e está em mo-
Durante muito tempo, o ser humano acreditava que, por den- vimentação. Em virtude da força exercida por esses movimentos,
tro, o planeta Terra era maciço, composto basicamente por rochas. seus efeitos são sentidos na crosta terrestre, causando o movimen-
Atualmente, é sabido que, na verdade, apenas uma camada muito to das placas tectônicas.
fina da superfície apresenta essa característica, havendo composi-
ções e temperaturas diferentes nos milhares de metros existentes Núcleo:
abaixo do solo. O núcleo terrestre, posicionado abaixo da descontinuidade de
Para melhor compreender como tudo isso funciona e organi- Gutenberg e abaixo do manto, é o mais quente das camadas da
za-se, a estrutura interna da Terra foi classificada em três principais Terra e também é dividido em exterior e interior. Sua composição
camadas: a crosta, o manto e o núcleo, havendo entre elas algumas predominante é o NIFE (níquel e ferro).
descontinuidades: a de Mohorovicic e a de Gutenberg. Juntas, es- O núcleo externo encontra-se no estado líquido, enquanto o
sas camadas atingem aproximadamente 6.370 quilômetros entre a núcleo interno encontra-se no estado sólido, por causa da extrema
superfície e o centro do planeta. pressão aplicada sobre ele. As temperaturas oscilam entre 3.000 e
5.000ºC. Em razão de o núcleo interno ser uma “bola” maciça cerca-
da por uma esfera líquida, seu movimento de rotação é mais rápido
do que o da Terra, o que ajuda a explicar as origens e os efeitos do
magnetismo do nosso planeta.

Como o ser humano sabe tanto sobre o interior da Terra?


Obviamente, o ser humano nunca visitou pessoalmente o inte-
rior do nosso planeta. O ponto mais profundo já escavado alcançou
“incríveis” 12 km de profundidade e foi batizado de Poço Super-
profundo de Kola, na Rússia, em um trabalho empreendido pela
extinta União Soviética. Atualmente, no entanto, há um trabalho
em desenvolvimento para uma perfuração que pretende alcançar
o manto terrestre.
As informações atualmente existentes sobre a estrutura in-
terna da Terra devem-se ao estudo das propagações sísmicas que
ocorrem nas camadas inferiores e que são captadas por um apare-
lho chamado de sismógrafo, o mesmo que mede a intensidade dos
terremotos.
Você já sacudiu uma caixa para ter noção do que tem dentro
dela? Pois é isso o que o sismógrafo faz, aproveitando-se princi-
palmente dos terremotos e abalos sísmicos menores que ajudam
a “chacoalhar” o planeta. Obviamente, a precisão do aparelho é
muito alta e torna-se cada vez melhor à medida que se sucedem
As camadas da Terra e suas descontinuidades os avanços tecnológicos, oferecendo-nos dados mais precisos sobre
como funciona o mundo abaixo dos nossos pés.
Crosta Terrestre:
A crosta terrestre é a primeira das camadas da Terra, sendo Eras Geológicas
também a menor e mais “fina” entre elas. Sua profundidade oscila As chamadas eras geológicas representam cada uma das gran-
entre 5 km (em algumas áreas oceânicas) e 70 km (em zonas con- des subdivisões de tempo no planeta. Note que o tempo geológico
tinentais). é diferente do tempo histórico, uma vez que no primeiro, é sempre
Essa camada é subdividida em crosta superior, também cha- medido em milhões e bilhões, enquanto o segundo, com escalas de
mada de camada sial, e crosta inferior, chamada de camada sima. tempo bem menores, que constam desde a formação do homem
A primeira é composta predominantemente por silício e alumínio (pré-histórico) até a descoberta da escrita em diante (histórico). A
(o que explica a sua denominação) e abriga as formas de relevo e Terra possui cerca de 4,5 bilhões de anos, o mesmo que o siste-
todas as atividades humanas realizadas sobre a superfície terrestre. ma solar. Só para se ter ideia de como os humanos são recentes
Já a segunda é composta por silício e magnésio e pode ser melhor na Terra, se todas as eras geológicas fossem resumidas em um dia,
visualizada em regiões oceânicas, onde a camada sial não existe ou apenas os últimos três segundos seriam correspondentes ao tempo
é muito fina. de surgimento do homem.
Apesar de ser a camada mais fria da Terra, a crosta pode apre- Essas eras se subdividem em cinco: arqueozoica, proterozoica,
sentar uma temperatura próxima aos 1000ºC em determinados paleozoica, mesozoica e cenozoica. Estão, respectivamente, da mais
pontos. antiga à mais recente. Cada era se divide em etapas, conhecidas
como períodos.
Manto:
O manto terrestre posiciona-se abaixo da descontinuidade de Era Arqueozoica (Éon pré-cambriano)
Mohorovicic, que fica abaixo da crosta. É a mais extensa das cama- Ocorreu há cerca de 3,8 bilhões a 2,5 bilhões de anos atrás.
das da Terra e sua profundidade máxima alcança os 2.900 km, ocu- Nessa época, a Terra costumava ser constantemente atingida por
pando cerca de 80% do volume total do planeta. Sua composição é meteoritos, os vulcões eram inúmeros e estavam sempre em ati-
de silicatos de ferro e de magnésio, e as rochas encontram-se em vidade. A temperatura era três vezes mais quente do que é atual-
forma de material pastoso chamado de magma, por causa do calor mente. Mas foi mesmo assim, nesse ambiente extremamente hos-
advindo do interior da Terra, com temperaturas médias de 2.000ºC. til, que começaram a surgir os primeiros organismos unicelulares.
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GEOGRAFIA

Imagem: Reprodução/ internet

Era Proterozoica (Éon pré-cambriano)


Seu período se constituiu de 2,5 bilhões há 540 milhões de anos atrás. Por volta dos 2 bilhões de anos, começou a se desen-
volver a camada de ozônio, que protege a Terra contra os raios solares ultravioletas. O oxigênio começa a se acumular na litosfera,
e esses ingredientes favoreceram o surgimento de organismos mais complexos, multicelulares. Além disso, os continentes Lawrásia
e Gondwana começam a se formar.

Era Paleozoica
Durou de 540 milhões há 250 milhões de anos atrás. Nos mares, os primeiros animais vertebrados, tipos de peixes primitivos,
começam a surgir. Aproximadamente em 350 milhões de anos atrás, alguns peixes começaram, durante um longo processo, a sair da
água, resultando assim nos primeiros anfíbios. Os dois grandes continentes se juntam e formam a Pangeia. Eram comuns animais
chamados de trilobitas. É no fim dessa era que os primeiros répteis se manifestam, os quais mais a frente darão origem aos dinos-
sauros.

Era Mesozoica
Percorreu o tempo de 250 milhões até 65,5 milhões de anos atrás. Nessa era, os dinossauros surgem, dominam todo o planeta e,
bem no final do período, são extintos. As plantas começam a desenvolver flores, os primeiros mamíferos e aves começam a aparecer
e o enorme e único continente, a Pangeia, inicia sua fragmentação.

Era Cenozoica
Teve seu início há 65,5 milhões de anos atrás e dura até o presente. Ocorre uma grande manifestação das mais diversas espé-
cies de mamíferos, as cadeias montanhosas se formam e os continentes se separam, assumindo o formato atual. É justamente na era
Cenozoica que surgem os primeiros hominídeos, como o australopithecus, no continente Africano. Mas só em 1,6 milhões de anos
que a espécie humana começa a se desenvolver.
Vale lembrar que sempre que houve a passagem de uma Era para outra, extinções em massa das espécies ocorreram, dando
início a outras

Tectonismo
Tectônica é o ramo da geologia que estuda a movimentação das camadas da crosta terrestre, por efeito das forças do interior
da terra (endógenas).
Destina-se também a estudar o dinamismo das forças que interferem na movimentação das camadas da crosta terrestre. Na
maioria das vezes, como resultado dessas forças, se dá o aparecimento das placas tectônicas, dobras, falhas, fraturas ou lençóis de
arrastamento.
A tectônica descreve geometricamente as deformações da crosta terrestre e analisa as diferentes teorias que buscam explicar
os seus mecanismos formadores. Vulcanismo e sismologia são áreas do conhecimento intimamente relacionadas com a tectônica.

Vulcões
Vulcão é uma formação geológica que consiste de uma fissura na crosta terrestre, sobre a qual se acumula um cone formado
por material vulcânico.
Sobre esse cone, está uma espécie de chaminé côncava chamada cratera. O cone forma-se pela deposição de matéria fundida e
sólida, que flui ou é expelida através da chaminé a partir do interior da Terra.

11
GEOGRAFIA

O estudo dos vulcões e dos fenômenos a eles relacionados chama-se vulcanologia

A energia dos vulcões ativos resulta de processos ligados aos movimentos das placas da crosta terrestre. Além disso, os vulcões ten-
dem a situar-se nas fronteiras das placas mais importantes. Alguns vulcões encontram-se em estado de erupção permanente, ao menos
no presente geológico, como os da cadeia Cinturão/Círculo de Fogo, que rodeia o oceano Pacífico.

Cinturão/Circulo de Fogo do Pacífico

Muitos outros vulcões, como o Vesúvio, localizado no golfo de Nápoles, Itália, permanecem em estado de atividade moderada durante
períodos mais ou menos longos e depois ficam em repouso, ou adormecidos, durante meses ou anos.

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GEOGRAFIA
Em uma erupção vulcânica, a lava está muito carregada de
vapor e outros gases, que escapam da superfície com explosões
violentas e sobem formando nuvens turvas. Essas nuvens podem
resultar em chuvas torrenciais.

Vista aérea do Vesúvio

Erupção vulcânica
A erupção vulcânica é um fenômeno da natureza, geralmente
associado à expulsão do magma de regiões profundas da Terra na
superfície do planeta.
As camadas de rochas formadas por erupções magmáticas são
chamadas de “derrames”, pois a rocha espalha-se e solidifica-se na
superfície do globo.
Erupção do vulcão Puyehue, Chile, em 2011. Nuvem de cinza vulcâ-
nica da cidade de San Martin de Los Andes, na Argentina

Esquema de erupção vulcânica Nuvem de cinzas do vulcão Puyehue vista da cidade de Osorno, Chile

A lava resfriada gera normalmente um excelente solo para o


plantio.

Localização geográfica do vulcão Puyehue


Terras férteis nos arredores do vulcão Etna, na Itália

13
GEOGRAFIA
Porções grandes e pequenas de lava são expelidas para o exte- Agentes de Intemperismo
rior e formam uma fonte ardente de gotas e fragmentos de diferen- Os principais agentes do processo de intemperismo são prove-
tes tamanhos. nientes das condições atmosféricas como a temperatura, o clima, a
ação dos ventos, da água, do relevo, dos tipos de rochas e ainda da
ação humana.

Tipos de Intemperismo
Segundo o tipo de processo que ocorre, o intemperismo pode
ser classificado:
• Intemperismo Físico: também chamado de “intemperis-
mo mecânico”, ocorre por meio de processos físicos, com a frag-
mentação das rochas formando assim diversos tipos de sedimentos
(por exemplo, a areia). É influenciado sobretudo, pela variação de
temperatura e de pressão. Com isso, o processo de dilatação das
rochas, favorece sua fragmentação.
• Intemperismo Químico: por meio de reações químicas que
Policiais andam sobre pedras vulcânicas na cidade de Cardeal ocorre através da ação dos ventos, da água e da temperatura, o
intemperismo químico resulta nas alterações e transformação dos
Samoré Pass, fronteira entre Chile e Argentina
minerais, alterando assim, a composição química das rochas. Os
principais processos químicos que ocorrem nesse tipo de intempe-
rismo são: a hidrólise, a hidratação, a oxidação, a redução, a carbo-
natação e a dissolução.
• Intemperismo Biológico: por meio de processos biológi-
cos, esse tipo de intemperismo é provocado principalmente pela
decomposição dos seres vivos, favorecendo assim, a transformação
das rochas e o enriquecimento do solo.

Intemperismo e Erosão
A erosão é um processo natural provocado também pela ação
humana. Resulta no desgaste das rochas e do solo levando ao trans-
porte de matéria e partículas.
Embora a erosão e o intemperismo colaborem com as altera-
ções do relevo, a erosão difere do intemperismo na medida que não
Homem mostra pedra vulcânica na cidade de Cardeal Samoré envolve processos físicos (decomposição), químicos (desagregação)
Pass, fronteira entre Chile e Argentina ou biológicos que alteram a natureza dos materiais. Em outras pala-
vras, o intemperismo é um processo anterior à erosão.
O magma sobe pela chaminé e flui convertido em lava, sobre a
borda da cratera, como uma massa pastosa, através de uma fissura Tectônica de placas
no cone. É a teoria de tectônica global (deformações estruturais geoló-
gicas) que se tornou paradigma na geologia moderna, para a com-
preensão da estrutura, história e dinâmica da crosta terrestre.
A teoria baseia-se na observação de que esta camada sólida
está dividida em aproximadamente 20 placas semirrígidas. As fron-
teiras entre estas placas são zonas com atividade tectônica, onde
ocorrem mais sismos e erupções vulcânicas.

Erupção do vulcão Puyehue no Chile, no início de junho 2011

Intemperismo
O intemperismo ou meteorização é um conjunto de processos
de natureza física, química e biológica que colabora com a formação
do relevo e do clima no mundo, posto que interfere nas transforma-
ções das rochas além de contribuir na formação do solo.
O intemperismo está intimamente relacionado com os agentes
transformadores e modeladores do relevo, denominados respecti- Distribuição das placas tectônicas e vulcões ativos
vamente de “agentes endógenos” (que ocorrem no interior da ter-
ra) e “exógenos” (que ocorrem na superfície do planeta).

14
GEOGRAFIA
Entre 1908 e 1912, foi proposta pelo geólogo alemão Alfred Lothar Wegener a teoria da deriva continental. Nesta teoria, ele afirma
que as placas continentais se rompem, separam-se e chocam-se, criando posteriormente cadeias de montanhas.
Um dos argumentos mais fortes de Wegener para justificar a deriva continental era que as bordas dos continentes têm formas que se
encaixam. Para defender sua teoria, mostrou que as formações rochosas de dois lados do oceano Atlântico - no Brasil e na África Ocidental
- coincidem em idade, tipo e estrutura.
Além disso, costuma conter fósseis de criaturas terrestres que não poderiam ter nadado de um continente ao outro. Sobre a
expansão do fundo do mar, na década de 20, o estudo dos leitos dos mares trouxe evidências de que as dorsais oceânicas são zonas
onde se cria a nova crosta oceânica.

Expansão do fundo do mar

O material chega por correntes de convecção de lava quente, mas esfria e solidifica com rapidez, ao contato com a água. Para
dar lugar a esta contínua renovação de crosta, as placas devem separar-se, lenta, porém continuamente. Estes movimentos, impul-
sionados por correntes de convecção térmicas originadas nas profundezas do manto terrestre, provavelmente teriam gerado, ao
longo de milhões de anos, o fenômeno da deriva continental.

Teoria da deriva continental proposta por Alfred Wegener em 1912

Na década de 30, começaram os estudos sobre o processo de subducção através do qual a crosta oceânica adentra no manto e
se funde. No local onde uma placa tectônica oceânica se subpõe à crosta continental, o magma produzido causa erupção nos vulcões
situados ao longo de cadeias montanhosas lineares, as cordilheiras.

15
GEOGRAFIA
A zona afetada geralmente situa-se ao longo de uma fossa submarina, a certa distância do continente. Além de criar e alimentar
vulcões continentais, a fusão da crosta oceânica subposta é responsável pela formação de alguns tipos de depósitos de minerais
metálicos valiosos.

Morfologia do fundo oceânico

Solo
O solo é a parte exterior da crosta terrestre em contato direto com os demais elementos do meio ecológico.

Os solos são formados de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (solução do solo) e gasosa (ar).
O solo é o resultado de milhares de anos de desagregação das rochas originais de um lugar na sua superfície e a combinação de diversos
fatores. A maior ou menor intensidade de algum fator pode ser determinante na criação de um ou outro solo. São comumente ditos como fatores
da formação de solo: o clima, o material de origem, os organismos, o tempo e o relevo.

16
GEOGRAFIA

Fatores da formação de solo

Pedogênese é o nome dado ao processo químico e físico de alteração (adição, remoção, transporte e modificação) que atua sobre um
material litológico, originando um solo.
Edafologia é a ciência que trata das influências dos solos nos seres vivos. Sobre o solo cresce a vegetação dos continentes e das ilhas. Sendo
assim, não há solo nas áreas do planeta em que as rochas ainda não tenham sido decompostas.
Como resultado da decomposição química das rochas, forma-se um material sobre a superfície terrestre: uma camada superficial, composta
de água e minerais que, com o passar do tempo, vai se enriquecendo de matéria orgânica (raízes, folhas, fezes e restos mortais de animais, entre
outros).

A fauna e a flora do solo desempenham papel fundamental. Modificam e movimentam


enormes quantidades de material, mantendo o solo aerado e renovado em sua parte superficial.

17
GEOGRAFIA
As rochas, ao sofrerem a ação dos agentes atmosféricos, especialmente o calor e a umidade, decompõem-se através do intemperismo,
também denominado de meteorização, e em seus fragmentos instala-se grande variedade de organismos vivos. Podemos afirmar então que o
solo é o resultado da ação conjugada de fatores físicos, químicos e biológicos, em função dos quais se apresenta sob os mais diversos aspectos.

Formação do solo

Fatores de formação de solos

FATORES AMBIENTAIS TIPO DE FATOR ATUAÇÃO


Clima e organismos Fatores ativos Fornecem matéria e energia
Relevo Fator controlador Controla o fluxo de materiais; superfície; erosão; profundi-
dade; infiltração; lixiviação e translocação.
Material de origem Fator passivo Diversidade do material constituinte sobre o qual ocorrerá
a pedogênese.
Tempo Fator passivo Determina o tempo cronológico de atuação do processo.

Mecanismos de formação de solos

MECANISMOS ATUAÇÃO
Adição Aporte do material do exterior do perfil ou horizonte do solo.
Remoção (perda) Remoção de material para fora do perfil. Exemplo: lixiviação.
Transformação Transformação de material existente no perfil ou horizonte. Mu-
dança de natureza química mineralógica.
Translocação Translocação de material de um horizonte para outro, sem abando-
nar o perfil. Exemplo: eluviação/iluviação

Superfícies Líquidas
A hidrografia é o ramo da geografia física que estuda as águas do planeta, abrangendo portanto rios, mares, oceanos, lagos,
geleiras, água do subsolo e da atmosfera.
Os hidrógrafos são os profissionais que estudam a hidrografia do planeta, analisam e catalogam as águas navegáveis de todo o
mundo, elaborando cartas e mapas que mostram em detalhes a formação dos canais, a profundidade das águas e a localização dos
canais, bancos de areia, correntes marítimas, etc. Os hidrógrafos também são responsáveis por estudar a influência dos ventos no
ritmo das águas e das marés.

18
GEOGRAFIA

A hidrosfera é a camada líquida da Terra. É formada por mais de 97% de água, concentrada principalmente em oceanos e mares,
porém compreende também a água dos rios, dos lagos e a água subterrânea. No total, a água contida no planeta abrange um volume
de aproximadamente 1.400.000.000 km³. Já as águas continentais representam pouco mais de 2% da água do planeta, ficando com
um volume em torno de 38.000.000 km³.
A água em estado líquido passa para a atmosfera em forma de vapor, em um processo chamado de evapotraspiração. As baixas
temperaturas da atmosfera fazem esse vapor se condensar, passando para seu estado líquido e, dessa forma, se precipitar sobre a
superfície.

Esquema evapotraspiração

Durante o ano, precipitam cerca de 119 mil km cúbicos sobre os continentes, sendo que apenas 47 mil km cúbicos não voltam para a
atmosfera, permanecendo nos oceanos, circulando como água doce.
Essa diferença entre precipitação e a evaporação é chamada de excedente hídrico e transforma-se em rios, lagos ou lençóis de água
subterrânea. O ciclo da água tem três trajetórias principais: precipitação, evapotranspiração e transporte de vapor.

19
GEOGRAFIA

Trajetória do ciclo da água

Os cursos de água doce, onde civilizações nasceram, desenvolveram e morreram, são vitais para quase todas as ações humanas.

Atmosfera
A atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra.
Com o intuito didático, a atmosfera foi dividida em cinco camadas que, juntas, compõem uma extensão de aproximadamente 1.000 km.
Essas camadas não se distribuem igualmente, a sua distância varia de acordo com a densidade dos elementos químicos que as com-
põem e, à medida que se afastam da superfície da Terra, elas se tornam mais rarefeitas.
A seguir, estudaremos com mais detalhes as camadas da atmosfera.

Camadas da atmosfera

20
GEOGRAFIA
Efeito estufa
Efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural responsável pela
manutenção da vida na Terra. Sem a presença desse fenômeno, a tem-
peratura na Terra seria muito baixa, em torno de -18ºC, o que impossi-
bilitaria o desenvolvimento de seres vivos.
Existem, na atmosfera, diversos gases de efeito estufa capazes de
absorver a radiação solar irradiada pela superfície terrestre, impedindo
que todo o calor retorne ao espaço. Parte da energia emitida pelo Sol à
Terra é refletida para o espaço, outra parte é absorvida pela superfície
terrestre e pelos oceanos. Uma parcela do calor irradiado de volta ao
espaço é retida pelos gases de efeito estufa, presentes na atmosfera.
Dessa forma, o equilíbrio energético é mantido, fazendo com que não
haja grandes amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem estáveis.
Para entender melhor, podemos comparar o efeito estufa ao que
acontece em um carro parado sob a luz solar. Os raios solares passam
pelos vidros e aquecem o interior do veículo. O calor, então, tende a A emissão de gases de efeito estufa é proveniente, principalmente,
sair pelo vidro, porém encontra dificuldades. Portanto, parte do calor de atividades industriais.
fica retido no interior do carro, aquecendo-o. Os gases de efeito estufa,
presentes na atmosfera, funcionam como o vidro do carro, permitindo
Além desses gases, há também o vapor d’água, um dos princi-
a entrada da radiação ultravioleta, mas dificultando que toda ela seja
pais responsáveis pelo efeito estufa. O vapor d’água capta o calor ir-
irradiada de volta ao espaço.
Contudo, a grande concentração desses gases na atmosfera difi- radiado pela Terra, distribuindo-o novamente em diversas direções,
culta ainda mais a dispersão do calor para o espaço, aumentando as aquecendo, dessa forma, a superfície terrestre.
temperaturas do planeta. O efeito estufa tem-se agravado em virtu-
de da emissão cada vez maior de gases de efeito estufa à atmosfera. Causas do efeito estufa
Essa emissão é provocada por atividades antrópicas, como queima Nos últimos anos, houve um considerável aumento da concen-
de combustíveis fósseis, gases emitidos por escapamentos de carros, tração de gases de efeito estufa na atmosfera. As atividades huma-
tratamento de dejetos, uso de fertilizantes, atividades agropecuárias e nas ligadas à indústria, as atividades agrícolas, o desmatamento e o
diversos outros processos industriais. aumento do uso dos transportes são os principais responsáveis pela
emissão desses gases.
Quais são os gases de efeito estufa? É válido ressaltar que o efeito estufa é um fenômeno natural
Existem quatros principais de gases de efeito estufa.
essencial para manutenção da vida na Terra, já que mantém as tem-
1. Dióxido de carbono: é o mais abundante entre os gases de efei-
to estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas atividades peraturas médias, evitando grandes amplitudes térmicas e o esfria-
humanas. O uso de combustíveis fósseis, como carvão mineral e pe- mento extremo do planeta. Contudo, a intensificação de atividades
tróleo, é uma das atividades que mais emitem esses gases. Desde a Era industriais e agrícolas, que demandam áreas para produção e, con-
Industrial, houve um aumento de 35% da quantidade de dióxido de sequentemente, geram desmatamento, e o uso dos transportes au-
carbono na atmosfera. mentaram a emissão de gases de efeito estufa à atmosfera.
2. Gás metano: é o segundo maior contribuinte para o aumen- A queima de combustíveis fósseis é uma das atividades que
to das temperaturas da Terra, com poder 21 vezes maior que o dió- mais produzem gases de efeito estufa. A concentração desses gases
xido de carbono. Provém de atividades humanas ligadas a aterros na atmosfera impede que o calor seja irradiado, aquecendo ainda
sanitários, lixões e pecuária. Além disso, pode ser produzido por mais a superfície terrestre, aumentando, portanto, as temperatu-
meio da digestão de ruminantes e eliminado por eructação (arroto) ras. Esse aumento das temperaturas decorrente da intensificação
ou por fontes naturais. Cerca de 60% da emissão de metano provém do efeito estufa é conhecido como aquecimento global.
de ações antrópicas.
3. Óxido nitroso: pode ser emitido por bactérias no solo ou no
oceano. As práticas agrícolas são as principais fontes de óxido nitro-
so advindo da ação humana. Exemplos dessas atividades são cultivo
do solo, uso de fertilizantes nitrogenados e tratamento de dejetos.
O poder do óxido nitroso de aumentar as temperaturas é 298 vezes
maior que o do dióxido de carbono.
4. Gases fluoretados: são produzidos pelo homem a fim de
atender às necessidades industriais. Como exemplos desses gases,
podemos citar os hidrofluorocarbonetos, usados em sistemas de
arrefecimento e refrigeração; hexafluoreto de enxofre, usado na
indústria eletrônica; perfluorocarbono, emitido na produção de
alumínio; e clorofluorcarbono (CFC), responsável pela destruição
da camada de ozônio.

O efeito estufa é um fenômeno natural que, apesar de ser essen-


cial para a manutenção da vida, tem sido agravado pela emissão de
gases decorrente da ação antrópica.

21
GEOGRAFIA
Aquecimento global e efeito estufa
O efeito estufa é um fenômeno atmosférico de ordem natural ca-
paz de garantir que a Terra seja habitável. Esse efeito é responsável por
manter a temperatura média do planeta, de forma que o calor não seja
totalmente irradiado de volta ao espaço, mantendo, portanto, a Terra
aquecida e evitando que a temperatura não baixe drasticamente.
A concentração dos gases de efeito estufa, como o dióxido de car-
bono e o óxido nitroso, elevou-se significativamente nas últimas déca-
das. Segundo diversos estudiosos, essa concentração tem provocado
mudanças na dinâmica climática do planeta, provocando o aumento
das temperaturas da Terra. Segundo o Painel Intergovernamental so-
bre Mudanças Climáticas, a temperatura do planeta aumentou apro-
ximadamente 0,85º C nos continentes e 0,55º C nos oceanos em um
O derretimento das calotas polares e o consequente aumento
período de cem anos. Com esse aumento, foi possível constatar o der-
do nível do mar são consequências do efeito estufa.
retimento das calotas polares e a elevação do nível do mar.
A comunidade científica relaciona, portanto, o aumento dos ga-
ses de efeito estufa ao aumento das temperaturas médias globais. A Como evitar o efeito estufa?
concentração desses gases impede cada vez mais que o calor irradiado O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sina-
pela superfície seja disperso no espaço, aumentando a temperatura e liza que a emissão de gases de efeito estufa deve ser reduzida de
reafirmando a questão do aquecimento global. Contudo, é válido res- 40% a 70% entre os anos 2010 e 2050. Os países precisam estabe-
saltar que essa relação entre efeito estufa e aquecimento global, bem lecer metas de redução de emissão desses gases a fim de conter o
como a existência do aquecimento global não são unanimidades entre aumento das temperaturas.
os estudiosos. Muitos pesquisadores desacreditam que a concentra- É preciso investir no uso de fontes de energia renováveis e al-
ção dos gases tem agravado o aumento das temperaturas do planeta. ternativas, abandonando o uso dos combustíveis fósseis, cuja quei-
Para eles, esse aquecimento elevado constitui apenas uma fase de va- ma libera diversos gases de efeito estufa. Outras ações cotidianas
riação da dinâmica climática da Terra. também podem ser adotadas, como redução do uso de transportes
em trajetos pequenos, optando por ir a pé ou de bicicleta, preferên-
cia pelo uso de transporte coletivo e de produtos biodegradáveis e
incentivo à coleta seletiva.

Resumo

Fenômeno
Efeito Estufa
atmosférico
Fenômeno de ordem natural responsável
por manter as temperaturas médias glo-
bais, possibilitando a existência de vida na
Terra. É agravado pela ação humana por
Principais
meio da emissão de gases de efeito estu-
características
fa à atmosfera, que impedem a dispersão
da radiação solar irradiada pela superfície
O aquecimento global representa o aumento das temperaturas terrestre, aumentando a temperatura do
médias do planeta. planeta.
Dióxido de carbono
Consequências do efeito estufa Gases de Gás metano
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climá- efeito estufa Óxido nitroso
ticas, o sistema climático pode ser alterado trazendo danos irrever- Gases fluoretados
síveis, como:
É um fenômeno natural que tem-se in-
→ Derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar.
tensificado em decorrência de atividades
→ Agravamento da segurança alimentar, prejudicando as co-
Causas humanas ligadas à indústria, atividades
lheitas e a pesca.
agropecuárias, uso de transportes e des-
→ Extinção de espécies e danos a diversos ecossistemas.
matamento.
→ Perdas de terras em decorrência do aumento do nível do
mar, que provocará também ondas migratórias. Derretimento das calotas polares.
→ Escassez de água em algumas regiões. Aumento do nível do mar.
→ Inundações nas latitudes do norte e no Pacífico Equatorial. Agravamento da segurança alimentar.
Consequências
→ Riscos de conflitos em virtude da escassez de recursos na- Aumento dos períodos de seca.
turais. Escassez de água.
→ Problemas de saúde provocados pelo aumento do calor. Aumento das temperaturas.
→ Previsão de aumento da temperatura em até 2º C até 2100
em comparação ao período pré-industrial (1850 a 1900).

22
GEOGRAFIA
El Niño e La Niña Causas do Aquecimento Global
A principal entre as causas do aquecimento global, segundo
O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado por boa parte dos especialistas, seria a intensificação do efeito estufa,
anomalias, positivas (El Niño) ou negativas (La Niña), de temperatura um fenômeno natural responsável pela manutenção do calor na su-
da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial, e sua caracteri- perfície terrestre, mas que estaria sendo intensificado de forma a
zação é feita através de índices, como o Índice de Oscilação Sul (IOS causar prejuízos. Com isso, a emissão dos chamados gases-estufa
– calculado através da diferença de pressão entre duas regiões distin- seria o principal problema em questão.
tas: Taiti e Darwin) e os índices nomeados Niño [(Niño 1+2, Niño 3, Os gases-estufa mais conhecidos são o dióxido de carbono e o
Niño 3.4 e Niño 4), que nada mais são do que as anomalias de TSM gás metano. Além desses, citam-se o óxido nitroso, o hexafluoreto
médias em diferentes regiões do Pacífico equatorial]. de enxofre, o CFC (clorofluorcarboneto) e os PFC (perfluorcarbone-
As previsões da anomalia da TSM para Dezembro-Janeiro-Feve- tos). Essa listagem foi estabelecida pelo Protocolo de Kyoto, e sua
reiro de 2019 (DJF-2019) dos modelos numéricos de previsão climáti- presença na atmosfera estaria sendo intensificada por práticas hu-
ca analisados indicam que as águas sobre o Pacífico Equatorial devem
manas, como a emissão de poluentes pelas indústrias, pelos veícu-
manter-se mais quentes que o normal, indicando a permanência do
los, pela queima de combustíveis fósseis e até pela pecuária.
fenômeno El Niño. A previsão da ocorrência de ENOS realizada pelo
IRI/CPC no início de novembro aponta que a maior probabilidade
(80%) é de que o próximo trimestre (DJF) ainda tenha a influência do
fenômeno El Niño, e assim segue até Abril-Maio-Junho de 2019 (AMJ-
2019) (49%). Para o último trimestre da previsão (Junho-Julho-Agosto
de 2019) a maior probabilidade (51%) é de que retorne a neutralida-
de, ou seja, sem a ocorrência do El Niño ou da La Niña.

El NiÑo
El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por
um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico
Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os
padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de
chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

La NiÑa O CO2 (dióxido de carbono) seria o


La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com ca- grande vilão do aquecimento global
racterísticas opostas ao EL Niño, e que caracteriza-se por um esfria-
mento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Outra causa para o aquecimento global seria o desmatamen-
Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, to das florestas, que teriam a função de amenizar as temperaturas
mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impac- através do controle da umidade. Anteriormente, acreditava-se que
tos significativos no tempo e clima devido à La Niña. elas também teriam a função de absorver o dióxido de carbono e
emitir oxigênio para a atmosfera, no entanto, o oxigênio produzido
Aquecimento Global é utilizado pela própria vegetação, que também emite dióxido de
O aquecimento global pode ser definido como o processo de carbono na decomposição de suas matérias orgânicas.
elevação média das temperaturas da Terra ao longo do tempo. Se- As algas e fitoplânctons presentes nos oceanos são quem, de
gundo a maioria dos estudos científicos e dos relatórios de painéis
fato, contribuem para a diminuição de dióxido de carbono e a emis-
climáticos, sua ocorrência estaria sendo acelerada pelas atividades
são de oxigênio na atmosfera. Por esse motivo, a poluição dos ma-
humanas, provocando problemas atmosféricos e no nível dos ocea-
res e oceanos pode ser, assim, apontada como mais uma causa do
nos, graças ao derretimento das calotas polares.
O principal órgão responsável pela divulgação de dados e infor- aquecimento global.
mações sobre o Aquecimento Global é o Painel Internacional sobre
Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão ligado à Organização das Na- Consequências do Aquecimento Global
ções Unidas (ONU). Segundo o IPCC, o século XX foi o mais quente Entre as consequências do aquecimento global, temos as trans-
dos últimos tempos, com um crescimento médio de 0,7ºC das tem- formações estruturais e sociais do planeta provocadas pelo aumen-
peraturas de todo o globo terrestre. A estimativa, segundo o mesmo to das temperaturas, das quais podemos enumerar:
órgão, é que as temperaturas continuem elevando-se ao longo do - aumento das temperaturas dos oceanos e derretimento das
século XXI caso ações de contenção do problema não sejam adotadas calotas polares;
em larga escala. - eventuais inundações de áreas costeiras e cidades litorâneas,
O IPCC trabalha basicamente com dois cenários: um otimista em função da elevação do nível dos oceanos;
e outro pessimista. No primeiro, considerando que o ser humano - aumento da insolação e radiação solar, em virtude do aumen-
consiga diminuir a emissão de poluentes na atmosfera e contenha to do buraco da Camada de Ozônio;
ações de desmatamento, as temperaturas elevar-se-iam em 1ºC até - intensificação de catástrofes climáticas, tais como furacões e
2100. No segundo cenário, as temperaturas poderiam elevar-se de tornados, secas, chuvas irregulares, entre outros fenômenos me-
1,8 até 4ºC durante esse mesmo período, o que comprometeria boa teorológicos de difícil controle e previsão;
parte das atividades humanas. - extinção de espécies, em razão das condições ambientais ad-
Em um relatório de grande repercussão, publicado em março versas para a maioria delas.
de 2014, o IPCC afirma que o aquecimento global seria muito grave
e irreversível, provocando a elevação dos oceanos, perdas agríco- Como combater o aquecimento global?
las, entre outras inúmeras catástrofes geradas pelas alterações no A primeira grande atitude, segundo apontamentos oficiais e
clima e na disposição dos elementos e recursos naturais. científicos, para combater o aquecimento global seria a escolha de
fontes renováveis e não poluentes de energia, diminuindo ou até

23
GEOGRAFIA
abandonado a utilização de combustíveis fósseis, tais como o gás elementos da natureza, mantendo uma interdisciplinaridade com
natural, o carvão mineral e, principalmente, o petróleo. Por parte outras áreas do conhecimento, como a Biologia, a Geologia, a Eco-
das indústrias, a diminuição das emissões de poluentes na atmosfe- nomia, a História e muitas outras.
ra também é uma ação necessária. Nesse sentido, o principal cerne de estudos é o meio ambiente
Outra forma de combater o aquecimento global seria diminuir e as suas formas de preservação. Entende-se por meio ambiente
a produção de lixo, através da conscientização social e do estímulo o espaço que reúne todas as coisas vivas e não vivas, possuindo
de medida de reciclagem, pois a diminuição na produção de lixo relações diretas com os ecossistemas e também com as sociedades.
diminuiria também a poluição e a emissão de gás metano, muito Com isso, fala-se que existe o ambiente natural, aquele constituído
comum em áreas de aterros sanitários.
sem a intervenção humana, e o ambiente antropizado, aquele que
Soma-se a essas medidas a preservação da vegetação, tanto
é gerido no âmbito das práticas sociais.
dos grandes biomas e domínios morfoclimáticos, tais como a Ama-
De um modo geral, é possível crer que o mundo e os fenôme-
zônia, como o cultivo de áreas verdes no espaço agrário e urbano.
Assim, as consequências do efeito estufa na sociedade seriam ate- nos que nele se manifestam são resultados do equilíbrio entre os
nuadas. mais diversos eventos. Desse modo, alterar o equilíbrio pode trazer
consequências severas para o meio ambiente, de forma que se tor-
As posições céticas quanto ao aquecimento global nam preocupantes determinadas ações humanas, como o desma-
Há, no meio científico, um grande debate sobre a existência tamento, a poluição e a alteração da dinâmica dos ecossistemas.
e as possíveis causas do aquecimento global, de forma que a sua
ocorrência não estaria totalmente provada e nem seria consenso A agropecuária e os problemas ambientais
por parte dos especialistas nas áreas que estudam o comportamen-
to da atmosfera.
Existem grupos que afirmam que o aquecimento global seria
um evento natural, que não seria influenciado pelas ações humanas
e que, tampouco, seria gravemente sentido em um período curto
de tempo. Outras posições afirmam até mesmo que o aquecimen-
to global não existe, utilizando-se de dados que comprovam que o
ozônio da atmosfera não está diminuindo, que o dióxido de carbono
não seria danoso ao clima e que as geleiras estariam, na verdade,
expandindo-se, e não diminuindo.

O desmatamento é um dos grandes problemas


ambientais provocados pela agropecuária

A agropecuária é o conjunto das atividades ligadas à agricultura


e à pecuária. Apresenta grande importância para a humanidade e
para a economia, visto que sua produção é destinada ao consumo
Para alguns analistas, as calotas polares humano e para a venda dos produtos obtidos. No entanto, vários
no sul e no norte estariam expandindo-se problemas ambientais estão sendo desencadeados em virtude da
expansão da agropecuária e da utilização de métodos para o cultivo
Essas posições mais céticas consideram que as posições sobre o
e criação de animais.
Aquecimento Global teriam um caráter mais político do que verda-
O desmatamento é uma prática muito comum para a realização
deiramente científico e acusam o IPCC de distorcer dados ou apre-
sentar informações equivocadas sobre o funcionamento do meio da agropecuária. A retirada da cobertura vegetal provoca a redução
ambiente e da atmosfera. Tais cientistas não consideram o painel da da biodiversidade, extinção de espécies animais e vegetais, deser-
ONU como uma fonte confiável para estudos sobre o tema. tificação, erosão, redução dos nutrientes do solo, contribui para o
Divergências à parte, é importante considerar que o aqueci- aquecimento global, entre outros danos.
mento global não é a única consequência das agressões ao meio As queimadas, método muito utilizado para a retirada da
ambiente. Diante disso, mesmo os críticos ao aquecimento global vegetação original, intensificam a poluição atmosférica, além
admitem a importância de conservar os recursos naturais e, princi- de reduzirem os nutrientes do solo, sendo necessário usar uma
palmente, os elementos da biosfera, vitais para a qualidade de vida quantidade maior de produtos químicos (fertilizantes) durante o
das sociedades. cultivo de determinados alimentos, fato que provoca a poluição
do solo.
Impactos ambientais Outro agravante é a utilização de agrotóxicos (inseticidas e
A principal ênfase dos estudos ambientais na Geografia refe- herbicidas), que contaminam o solo, o lençol freático e os rios.
re-se aos temas concernentes à degradação e aos impactos am- Esses produtos, destinados à eliminação de insetos nas plan-
bientais, além do conjunto de medidas possíveis para conservar os tações, infiltram-se no solo e atingem as águas subterrâneas.

24
GEOGRAFIA
As águas das chuvas, ao escoarem nessas plantações, podem
transportar os agrotóxicos para os rios, causando a contamina-
ção da água.
Na pecuária, além da substituição da cobertura vegetal pe-
las pastagens, outro problema ambiental é a compactação do
solo gerada pelo deslocamento dos rebanhos. O solo compac-
tado dificulta a infiltração da água e aumenta o escoamento su-
perficial, podendo gerar erosões. Esses animais, através da libe-
ração de gás metano, também contribuem para a intensificação
do aquecimento global.
Portanto, diante da necessidade de produzir alimentos para
atender a demanda global e ao mesmo tempo preservar a natu-
reza, é necessário que métodos sustentáveis sejam implantados
na agropecuária, de forma a reduzir os problemas ambientais
provocados por essa atividade. O pousio, por exemplo, é uma
técnica que visa o “descanso” do solo até que haja a recuperação
da sua fertilidade.
Combate à erosão
O solo, quando não recebe tratamento apropriado, pode
• Reflorestamento: a falta de vegetação pode provocar
perder suas propriedades naturais e se tornar infértil. Para a
a ocorrência da erosão. Com a plantação de árvores em regiões
conservação do solo, algumas medidas podem ser adotadas:
que passaram por desmatamentos, evita-se a erosão. O euca-
lipto e o pinheiro são as árvores mais utilizadas neste processo,
• Conservação da vegetação nativa: uma das mais im- pois suas raízes “seguram” a terra e absorvem parte da água.
portantes medidas para conservar o solo é não praticar o des-
matamento. A vegetação natural possui características que con-
servam o solo.

Antes e depois do Reflorestamento

• Rotação de cultura: a área de plantações pode ser di-


vidida em partes, de forma que uma delas ficará sempre em re-
pouso. As outras partes recebem o plantio de culturas diversas.
Após a colheita, ocorre uma rotação, sendo que a parte que ha-
via ficado em repouso recebe o plantio, e uma que foi usada
vai para o descanso. Desta maneira, evita-se o desgaste da terra
(perda de nutrientes), dificultando sua infertilidade.
Conservação de vegetação nativa

• Combate à erosão: feito através do sistema de curvas


de nível. Valas em sentido circular são feitas no solo de regiões
altas (montanhas, morros, serras). Estas valas absorvem a água,
evitando assim as enxurradas que levam as terras.

Rotação de cultura

25
GEOGRAFIA
A título de comparação, a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei
O ESPAÇO POLÍTICO E ECONÔMICO: INDÚSTRIA: O de Portugal sobre o descobrimento do Brasil levou alguns meses
PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO; A PRIMEIRA, A SE- para chegar ao seu destino. Em 1865, o assassinato do presidente
GUNDA E A TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL; TIPOS dos Estados Unidos, Abraham Lincon, foi informado duas semanas
DE INDÚSTRIA; A CONCENTRAÇÃO E A DISPERSÃO IN- depois na Europa. Já em 11 de setembro de 2001, os atentados ter-
DUSTRIAL; OS CONGLOMERADOS TRANSNACIONAIS; roristas às torres gêmeas do World Trade Center foram acompanha-
OS NOVOS FATORES DE LOCALIZAÇÃO INDUSTRIAL; dos em tempo real, com o mundo vendo ao vivo o desabamento
AS FONTES DE ENERGIA E A QUESTÃO ENERGÉTICA; dos prédios.
IMPACTOS AMBIENTAIS; AGROPECUÁRIA: SISTEMAS Um dos mais notáveis efeitos da Globalização é, sem dúvidas,
AGRÍCOLAS; ESTRUTURA AGRÁRIA; USO DA TERRA; a formação e expansão das multinacionais, também conhecidas
AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE; PRODUÇÃO AGRO- como empresas globais. Essas instituições possuem seus serviços
PECUÁRIA; COMÉRCIO MUNDIAL DE ALIMENTOS E A e mercadorias disponibilizados em praticamente todas as partes do
QUESTÃO DA FOME; GLOBALIZAÇÃO E CIRCULAÇÃO: planeta. As fábricas, em muitos casos, migram das sociedades in-
OS FLUXOS FINANCEIROS; TRANSPORTES; OS FLUXOS dustrializadas para os países periféricos em busca de mão de obra
DE INFORMAÇÃO; O MEIO TECNOCIENTÍFICO-INFOR- barata, matérias-primas acessíveis e, claro, maior mercado consu-
MACIONAL; COMÉRCIO MUNDIAL; BLOCOS ECONÔ- midor, isso sem falar na redução ou isenção de impostos.
MICOS; OS CONFLITOS ÉTNICOS E AS MIGRAÇÕES Outro efeito da Globalização foi a formação dos mercados re-
INTERNACIONAIS; A DIVISÃO INTERNACIONAL DO gionais, por meio dos blocos econômicos. Esses acordos entre os
TRABALHO (DIT) E AS TROCAS DESIGUAIS; A NAÇÃO países facilitaram os processos de negociação para aberturas eco-
E O TERRITÓRIO, OS ESTADOS TERRITORIAIS E OS ES- nômicas e entrada de pessoas e bens para consumo.
TADOS NACIONAIS: A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO NA- Apesar de amplamente difundida, há muitos protestos e críti-
CIONAL; E PODER GLOBAL; NOVA ORDEM MUNDIAL; cas à globalização, sobretudo ressaltando os seus pontos negativos.
FRONTEIRAS ESTRATÉGICAS As principais posições defendem que esse processo não é democrá-
tico, haja vista que os produtos, lucros e desenvolvimentos ocorrem
predominantemente nos países desenvolvidos e nas elites das so-
Quando falamos em geografia politca e economica, pensamos ciedades, gerando margens de exclusão em todo o mundo. Críticas
em globalização. também são direcionadas à padronização cultural ou hegemoniza-
Uma das características da globalização é a crescente integra- ção de valores, em que o modo de vida eurocêntrico difunde-se no
ção econômica em escala planetária, devido ao aumento das trocas cerne do pensamento das sociedades.
comerciais e financeiras, que consolida a formação de um mercado De toda forma, a Globalização está cada vez mais consolidada
mundial influenciado pelas empresas transnacionais. no mundo atual, embora existam teóricos que, frequentemente,
Nesse contexto, ganhou notoriedade a Organização Mundial reafirmam a sua reversibilidade, sobretudo em ocasiões envolven-
do Comércio (OMC), instituição internacional que visa fiscalizar e do revoltas contra o seu funcionamento ou o próprio colapso do sis-
regulamentar o comércio mundial. tema financeiro. O seu futuro, no entanto, ainda está à mercê não
A globalização é o processo de interligação e interdependência tão somente das técnicas e da economia, mas também dos eventos
políticos que vão marcar o mundo nas próximas décadas.
entre as diferentes sociedades e resulta em uma intensificação das
O Enem apresenta uma tendência de abordar temas que pos-
relações comerciais, econômicas, políticas, sociais e culturais entre
suam certa atualidade, ou seja, que se relacionem com eventos ou
países, empresas e pessoas. Esse fenômeno é possibilitado pelo acontecimentos que sejam de relevância para o contexto atual da
avanço das técnicas, com destaque para os campos das telecomuni- sociedade. Por esse motivo, além de estudar os temas básicos da
cações e dos transportes. Geografia, é preciso sempre estar informado através do acompa-
A expressão “globalização” foi criada na década de 1980. No nhamento de notícias tanto na mídia televisiva quanto na impressa
entanto, não podemos dizer que ela seja um processo recente, uma e, também, na internet.
vez que teria se iniciado ao longo dos séculos XV e XVI, com a ex- Nesse sentido, a Globalização emerge como um dos principais
pansão ultramarina europeia, que iniciava uma era de integração temas a serem abordados pela banca examinadora, haja vista que
plena entre o continente europeu e as demais partes do planeta. todos os seus conceitos e efeitos podem ser visualizados direta ou
Por outro lado, foi apenas na segunda metade do século XX que indiretamente nas sociedades do mundo contemporâneo. Portan-
esse fenômeno encontrou a sua forma mais consolidada. to, a globalização no Enem é uma oportunidade de compreender as
Podemos dizer que o mundo só alcançou o nível atual de inte- relações geopolíticas e sociais à luz dos estudos da Geografia.
gração graças aos desenvolvimentos realizados, como já dissemos, A globalização é, de modo geral, vista como o processo de
no âmbito dos transportes e das comunicações. Esses meios são integração e inter-relação mundial envolvendo a economia, a cul-
importantes por facilitarem o deslocamento e a rápida obtenção de tura, a informação e, claro, os fluxos de pessoas. Esse fenômeno
informações entre pontos remotos entre si. Tais avanços, por sua instrumentaliza-se pela difusão e avanço dos meios de transporte
e comunicação, haja vista que regiões distantes, antes tidas como
vez, ocorreram graças à III Revolução Industrial, também chamada
isoladas umas das outras, integram-se plenamente.
de Revolução técnico-científica informacional, que propiciou o de-
O termo Globalização, apesar de ser considerado por muitos
senvolvimento de novas tecnologias, como a computação eletrôni- um processo gradativo que se iniciou com a expansão marítima eu-
ca, a biotecnologia e inúmeras outras formas produtivas. ropeia, difundiu-se no meio intelectual apenas a partir da década
Outro fator que também pode ser tido como uma das causas de 1980. Assim, a sua consolidação ocorreu na segunda metade do
da Globalização é o desenvolvimento do Capitalismo Financeiro, século XX em diante, com a difusão do neoliberalismo, a propaga-
a fase do sistema econômico marcada pela fusão entre empresas ção de tecnologias, a integração econômica e comercial entre os
e bancos e pela divisão das instituições privadas em ações. Hoje países, a formação e expansão dos blocos econômicos e o fortale-
em dia, o mercado financeiro, por meio das bolsas de valores, cimento das instituições internacionais, tais como a OTAN e a ONU.
operam em redes internacionais, com empresas de um país in- Além disso, os principais agentes da globalização são, sem dúvidas,
vestindo em vários lugares, alavancando o nível de interdepen- as empresas transnacionais, também conhecidas como multinacio-
dência econômica. nais ou globais.

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GEOGRAFIA
Globalização e Economia Industrialização
Os processos de industrialização e urbanização estão intrinse-
camente interligados. Foi com os avanços e transformações pro-
porcionados, por exemplo, pelas Revoluções Industriais na Europa
que esse continente concebeu o crescimento exponencial de suas
principais cidades, aquelas mais industrializadas. Ao mesmo tempo,
o processo de urbanização intensifica o consumo nas cidades, o que
acarreta a produção de mais mercadorias e o aumento do ritmo da
atividade industrial.
A industrialização é um dos principais fatores de transformação
do espaço geográfico, pois interfere nos fluxos populacionais, reor-
ganiza as atividades nos contextos da sociedade e promove a ins-
trumentalização das diferentes técnicas e meios técnicos, que são
essenciais para as atividades humanas. A atividade industrial, por
definição, corresponde ao arranjo de práticas econômicas em que
o trabalho e o capital transformam matérias-primas ou produtos de
base em bens de produção e consumo.
Com o avanço nos sistemas de comunicação e transporte – fa-
tores que impulsionaram a globalização –, praticamente todos os
Os países dominam as grandes empresas ou povos do mundo passaram a consumir produtos industrializados,
as grandes empresas dominam os países? independentemente da distância entre o seu local de produção e o
local de consumo. Estabelece-se, com isso, uma rede de influências
As empresas transacionais que comercializam no mundo todo que atua em escalas que vão do local ao global.
são os principais agentes da globalização econômica. Graças ao processo de industrialização e sua ampla difusão
pelo mundo, incluindo boa parte dos países subdesenvolvidos e
É certo que ainda falamos de governo e nação, no entanto, es-
emergentes, a urbanização também cresceu, a ponto de, segundo
tes deixaram de representar o interesse da população. Agora, os
dados da ONU, o mundo ter se tornado, pela primeira vez, majorita-
Estados defendem, sobretudo, as empresas e bancos.
riamente urbano, isto é, com a maior parte da população residindo
Na maior parte das vezes são as empresas americanas, euro-
em cidades, feito ocorrido no ano de 2010 em diante.
peias e grandes conglomerados asiáticos que dominam este pro-
cesso.
Mas como a industrialização interfere na urbanização?
É errôneo pensar que a industrialização é o único fator que
Globalização e Neoliberalismo condiciona o processo de urbanização. Afinal, tal fenômeno está
A globalização econômica só foi possível com o neoliberalis- relacionado também a outros eventos, que envolvem dinâmicas
mo adotado nos anos 80 pela Grã-Bretanha governada por Mar- macroeconômicas, sociais e culturais, além de fatores específicos
garet Thatcher (1925-2013) e os Estados Unidos, de Ronald Reagan do local. No entanto, a atividade industrial exerce uma influência
(1911-2004). quase que preponderante, pois ela atua tanto no espaço das cida-
O neoliberalismo defende que o Estado deve ser apenas um des, que apresentam crescimento, quanto no espaço rural, que vê
regulador e não um impulsor da economia. Igualmente aponta a uma gradativa diminuição de seu contingente populacional em ter-
flexibilidade das leis trabalhistas como uma das medidas que é pre- mos proporcionais.
ciso tomar a fim de fortalecer a economia de um país. No meio rural, o processo de industrialização interfere com a
Isto gera uma economia extremamente desigual onde somente produção e inserção de modernos maquinários no sistema produ-
os gigantes comerciais tem mais adaptação neste mercado. Assim, tivo, como tratores, colheitadeiras, semeadeiras e outros. Dessa
muita gente fica para trás neste processo. forma, boa parte da mão de obra anteriormente empregada é subs-
tituída por máquinas e técnicos qualificados em operá-las. Como
Globalização e Exclusão consequência, boa parte dessa população passa a residir em cida-
Uma das faces mais perversas da globalização econômica é a des, por isso, elas tornam-se cada vez maiores e mais povoadas.
exclusão. Isto porque a globalização é um fenômeno assimétrico e Vale lembrar que a mecanização não é o único fator responsável
nem todos os países ganharam da mesma forma. pelo processo de migração em massa do campo para a cidade, o
Um dos grandes problemas atuais é a exclusão digital. Aqueles que chamamos de êxodo rural, mas é um dos elementos mais im-
que não têm acesso às novas tecnologias (smartphones, computa- portantes nesse sentido.
dores) estão condenados a ficarem cada vez mais isolados. Além disso, a industrialização das cidades faz com que elas se
tornem mais atrativas em termos de migrações internas, o que pro-
Globalização Cultural voca o aumento de seus espaços graças à maior oferta de empre-
Toda essa movimentação populacional e também financeira gos, tanto na produção fabril em si quanto no espaço da cidade, que
acaba provocando mudanças culturais. Uma delas é a aproximação demandará mais trabalho no setor comercial e também na presta-
entre culturas distintas, o que chamamos de hibridismo cultural. ção de serviços.
Agora, através da internet, se pode conhecer em tempo real Não por acaso, os primeiros países a industrializem-se foram
costumes tão diferentes e culturas tão distantes sem precisar sair também os primeiros a conhecer a urbanização em sua versão mo-
de casa. derna, tornando-se territórios verdadeiramente urbano-industriais.
No entanto, os deslocamento de pessoas pode gerar o ódio ao Atualmente, esse processo vem ocorrendo em países emergentes
estrangeiro, a xenofobia. Do mesmo modo, narcotraficantes e ter- e subdesenvolvidos, tal qual o Brasil, que passou por isso ao longo
roristas têm o acesso à tecnologia e a utilizam para cometer seus de todo o século XX. Segundo a ONU, até 2030, todas as regiões
crimes. do mundo terão mais pessoas vivendo nas cidades do que no meio
rural.

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GEOGRAFIA
O grande gargalo desse modelo é o crescimento acelerado das • Meios de transporte: um sistema de transportes é de extre-
cidades, que contribui para fomentar a macrocefalia urbana, quan- ma valia para a produção e distribuição industrial, nesse caso é pre-
do há o inchaço urbano, com problemas ambientais e sociais, além ciso que haja uma boa infraestrutura que possibilite uma logística
da ausência de infraestruturas, crescimento da periferização e do dinâmica e que atenda a demanda de fluxo de matéria-prima até
trabalho informal, excesso de poluição, entre outros problemas. Es- às indústrias e dessas até o consumidor. A integração de todos os
tima-se, por exemplo, que até 2020 quase 900 milhões de pessoas meios de transporte é primordial para o processo de globalização,
estarão vivendo em favelas, em condições precárias de moradia e pois oferece condições de circulação de pessoas, capitais, mercado-
habitação. rias e serviços.

Fatores de localização industrial Tipos de indústria


A Primeira Revolução Industrial teve início no fim do século XVIII A atividade industrial consiste no processo de produção que
início do século XIX, a partir desse período muita coisa mudou, as tec- visa transformar matérias-primas em mercadoria através do traba-
nologias, as relações de trabalho, o modo de produzir, entre outros. lho humano e, de forma cada vez mais comum, utilizando-se de má-
As indústrias não se instalam em um lugar (país, estado ou muni- quinas. Essa atividade é classificada conforme seu foco de atuação,
cípio) de forma despretensiosa, pois todas as medidas e decisões sendo ramificada em três grandes conjuntos: indústrias de bens de
são tomadas a partir de uma profunda análise com a finalidade de produção, indústrias de bens intermediários e indústrias de bens
obter maiores informações acerca da viabilidade econômica de um de consumo.
determinado espaço. As indústrias de bens de produção, também chamadas de in-
Diante desse contexto são observados diversos fatores para a dústrias de base ou pesadas, são responsáveis pela transformação
criação e implantação de uma indústria, dentre os principais estão: de matérias-primas brutas em matérias-primas processadas, sendo
a base para outros ramos industriais. As indústrias de bens de pro-
• Capitais: não é possível instalar e colocar em funcionamento dução são divididas em duas vertentes: as extrativas e as de bens
uma indústria sem recursos financeiros, pois são esses que dão sub- de capital.
sídio para a construção da edificação, para obter a área, aquisição Indústrias extrativas – são as que extraem matéria-prima da
de equipamentos e máquinas e todos os recursos necessários para natureza (vegetal, animal ou mineral) sem que ocorra alteração sig-
o início da produção. nificativa nas suas propriedades elementares. Exemplos: indústria
• Energia: para a execução da prática industrial é indispensável madeireira, produção mineral, extração de petróleo e carvão mi-
à utilização de energia para mover as máquinas e equipamentos, ao neral.
escolher um local para instalação de um empreendimento é preciso Indústrias de equipamentos – são responsáveis pela transfor-
verificar qual fonte enérgica está disponível e a quantidade ofere- mação de bens naturais ou semimanufaturados para a estruturação
cida, uma vez que essa tem que ter um número abundante, pois o das indústrias de bens intermediários e de bens de consumo. Exem-
custo de instalação é muito elevado e não pode haver falta de tal plos: siderurgia, petroquímica, etc.
recurso no processo produtivo.
• Mão-de-obra: além dos itens citados, outro elemento que é
de extrema importância nesse processo é a mão-de-obra, pessoas
que vendem sua força de trabalho em troca de um salário que deve
garantir a manutenção do trabalhador e de sua família, devido a
essa dependência humana as indústrias geralmente se encontram
estabelecidas em grandes centros urbanos que aglomeram um
grande contingente populacional, isso se torna favorável, pois quan-
to maior a oferta de proletários menores são os salários pagos (lei
da oferta e da procura), pois temendo perder os empregos muitos
se submetem a receber baixas remunerações. Outro motivo que fa-
vorece a implantação de empreendimentos industriais em grandes
núcleos urbanos é a existência de trabalhadores com qualificação
profissional, pois nas cidades maiores estão os principais centros de
difusão de informação e tecnologia como as emissoras de tv, rádio, Siderurgia
além de universidades e centros de pesquisas.
• Matéria-prima: esse item ocupa um lugar de destaque no As indústrias de bens intermediários caracterizam-se pelo
processo produtivo, pois é a partir dessa que será agregado um va- fornecimento de produtos beneficiados. Elas produzem máquinas
lor correspondente ao resultado do trabalho e automaticamente o e equipamentos que serão utilizados nos diversos segmentos das
lucro da produção. Diante da importância, essa deve permanecer o indústrias de bens de consumo. Exemplos: mecânica (máquinas in-
mais próximo possível, pois quanto mais perto ela se encontra me- dustriais, tratores, motores automotivos, etc.); autopeças (rodas,
nores serão os custos com o transporte entre a fonte fornecedora e pneus, etc.)
a processadora, esse fato diminui o custo final e garante o aumento As indústrias de bens de consumo têm sua produção direcio-
da lucratividade que é a intenção e objetivo maior, principalmente nada diretamente para o mercado consumidor, ou seja, para a po-
se tratando da sociedade capitalista. pulação em geral. Também ocorre a divisão desse tipo de indústria
• Mercado consumidor: a escolha em estabelecer-se próximo conforme sua atuação no mercado, elas são ramificadas em indús-
aos núcleos urbanos é proveniente da proximidade entre a indús- trias de bens duráveis e de bens não duráveis.
tria e os possíveis consumidores em potencial, desse modo evitam Indústrias de bens duráveis – são as que fabricam mercadorias
grandes gastos com transporte, além de dinamizar o seu fluxo até não perecíveis. São exemplos desse tipo de indústria: automobilísti-
os centros de distribuição. ca, móveis comerciais, material elétrico, eletroeletrônicos, etc.

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GEOGRAFIA
Indústrias de bens não duráveis – produzem mercadorias de Esse sistema é criticado porque agride o meio ambiente por
primeira necessidade e de consumo generalizado, ou seja, produ- conta de fatos como: desmatamento para implantação de mono-
tos perecíveis. Exemplos: indústria alimentícia, têxtil, de vestuário, culturas ou pasto, uso de agrotóxicos, erosão e empobrecimento do
remédios, cosméticos, etc. solo após sucessivos plantios.

Os efeitos da industrialização sobre o espaço geográfico Sistema Extensivo


Como já mencionamos, a indústria é um dos principais agentes O sistema extensivo é o que menos agride o meio ambiente. É
de transformação do espaço. Quando uma área antes não industria- o sistema tradicional em que são utilizadas técnicas rudimentares
lizada recebe um relativo número de fábricas, a tendência é receber que garantem a recuperação do solo e a produção em baixa escala.
mais migrantes para a sua área, acelerando a sua urbanização. Em geral, o sistema extensivo é usado pelo modelo denomina-
Com mais pessoas residindo em um mesmo local, gera-se mais do agricultura familiar e, ainda, pela agricultura orgânica.
procura pela atividade comercial e também no setor de serviços, No primeiro, a produção é destinada à subsistência e somen-
que se expandem e produzem mais empregos. Entre outros aspec- te o excedente é vendido. Há o uso de agrotóxicos, mas em baixa
tos positivos, menciona-se a maior arrecadação por meio de impos- escala.
tos (embora, quase sempre, as grandes empresas não contribuam Já o modelo de agricultura orgânica dispensa o uso de agrotóxi-
tanto com esse aspecto). cos, privilegia alimentos saudáveis e permite a exploração racional
do solo.

Agricultura moderna
A agricultura moderna faz uso de várias tecnologias, como os
tratores, colhedeiras, ceifadeiras, adubo, fertilizantes, etc. Além
disso, também seleciona sementes modificadas geneticamente.
No entanto, ela não se limita ao uso de máquinas; há também uso
de biotecnologia.
Ela se baseia no aumento da sua produção à medida em que
incrementa tecnologia. Isso nos leva ao importante conceito de pro-
dutividade agrícola, que se diferencia de produtividade industrial. O
As indústrias contribuem para a geração de empregos
primeiro é a relação entre a produção realizada e a área cultivada.
Quando falamos de geografia agrária, podemos aumentar a produ-
Dentre os efeitos negativos da industrialização, podemos citar
os impactos gerados sobre o meio ambiente, haja vista que, a de- tividade sem aumentar a área plantada.
pender do tipo de fábrica e das infraestruturas para ela oferecidas, Esse tipo de agricultura é capitalizada, baseada em grandes in-
são gerados mais poluentes na atmosfera e também nos solos e cur- vestimentos. Por isso, a forma mais concreta de se falar em geogra-
sos d’água. Além disso, os incentivos fiscais oferecidos pelo poder fia agrária moderna é através dos famosos complexos agroindus-
público são criticados por fazer com que a população arque mais triais. Existe uma troca constante entre a indústria tecnológica e a
com os impostos do que as grandes empresas. agropecuária, na qual a primeira oferece tecnologia e a outra ajuda
O poder de intervenção da indústria nas sociedades é tão ele- com capital. Por fim, ainda temos o sistema financeiro, responsável
vado que até as suas modalidades de produção, ou seja, a forma por bancar toda essa cadeia produtiva.
predominante com que suas linhas de produção atuam, interferem
na organização do espaço, gerando mais ou menos produtos e em- Agricultura tradicional
pregos, entre outros elementos. Na era do fordismo, a produção era Ao contrário da agricultura moderna, a agricultura tradicional
em massa, com mais empregos situados no setor secundário; o que faz uso de métodos ultrapassados e de mão de obra em larga esca-
se transformou radicalmente na era do toyotismo. la. No entanto, há um caso particular, cujo o uso extenso de mão de
obra na versão moderna é necessário, que é a fruticultura. Se ti-
Agropecuária vermos uma produção agrícola de fruticultura, nos dois casos serão
empregadas muita mão de obra, uma vez que certas partes dessa
Sistemas Agrícolas produção não podem ser mecanizadas, por exemplo, a colheita das
frutas.
Sistemas agrícolas são classificações utilizadas para a produção Outra diferença em relação à agricultura moderna, é que na
agrícola e pecuária. Há dois sistemas, o intensivo e o extensivo. tradicional é necessário incorporar terras para aumentar a produ-
Para definir se o sistema agrícola é intensivo ou extensivo são ção. Então, tal tipo de é considerada de baixa produtividade e ca-
considerados os pontos da produção em qualquer tamanho de pro- paz de gerar tantos impactos ambientais quanto a moderna. A agri-
priedade. cultura tradicional é típica dos países em desenvolvimento, o que
O sistema é revelado por resultados como a produtividade por
não significa que não seja praticada na geografia agrária dos paí-
hectare e o investimento na produção.
ses desenvolvidos. O mesmo ocorre com a moderna; embora seja
praticada mais amplamente nos países desenvolvidos, também é
Sistema Intensivo
No modelo da agricultura brasileira, o sistema intensivo é o praticada em menor escala em alguns países em desenvolvimento.
mais praticado. Por ele, são aplicadas técnicas modernas de previ-
são que englobam o preparo do solo, a forma de cultivo e a colheita. Pecuária
A produtividade não está somente no rendimento obtido dire- Na pecuária, o rendimento também é avaliado para definir o
to do solo, mas do seu redimensionamento para resultar na maior sistema aplicado. Da mesma maneira que ocorre com a agricultura,
produção possível por metro quadrado (a chamada produtividade o modo de produção intensivo é direcionado para resultados ele-
média por hectare). vados.
No período de colheita, as perdas são equacionadas para que A produção de gado pode ser a pasto ou em sistema de confi-
atinjam o mínimo. O mesmo vale para o armazenamento. namento e a densidade de cabeças deve ser a maior possível.

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GEOGRAFIA
Para melhor desempenho da produção pecuária são avaliados Avicultura
os investimentos em: qualidade do solo, rendimento do pasto, con- É a criação de aves para o corte e para a produção de ovos.
formação de carcaça (quando o gado de corte oferece maior quan- Nas áreas rurais de quase todos os países do globo são criados gali-
tidade de carne), oferta de leite e genética de qualidade. nhas e frangos, gansos, marrecos, codornas, perus e patos. O mais
importante rebanho de aves, quantitativamente e quanto ao valor
Tipos de pecuária econômico, consiste nos galináceos (frangos e galinhas).
Denomina-se de pecuária a criação e reprodução de animais
com finalidades econômicas. Os animais assim criados e reproduzi- Tipos de criação galinácea
dos são conhecidos como gado. - Extensiva - destinada ao corte sendo a carne consumida pelo
Diversos são os tipos de gado: os bovinos, os ovinos, os suínos, próprio produtor ou enviada para frigoríficos com a objetivo de
os caprinos, os asininos, os equinos e os muares. aproveitamento econômico.
- Intensiva - criação feita em granjas e fundamentalmente vol-
Tipos de criação bovina
tada para a produção de ovos.
- Extensiva - gado solto nas pastagens onde são criados novi-
lhos e engordados o “gado de corte”, bois que servem para a produ-
Outras atividades
ção de carnes para mercado.
Piscicultura - criação e reprodução de peixes e crustáceos em
- Intensiva - gado criado em estábulos, normalmente vacas
para a produção de leite. Na criação intensiva, a utilização de rações cativeiro (no Chile, destaca-se a criação de salmão; no Brasil está
adequadas e os cuidados veterinários possibilitam a inseminação bastante difundida a criação de trutas).
artificial e a seleção de touros e de raças. Sericicultura - criação de casulos de bichos-da-seda, ampla-
Os maiores rebanhos bovinos do mundo estão localizados na mente praticada na Ásia (China, Japão, República da Coreia ou Co-
Índia, nos Estados Unidos, na Rússia, no Brasil, na Austrália e na reia do Sul e na República Democrática da Coreia ou Coreia do Nor-
Argentina. te, os maiores produtores mundiais de seda).
Um tipo de gado bovino muito produzido hoje é o búfalo, prin-
cipalmente na Índia, na China, no Paquistão e nos Estados Unidos. Estrutura agrária
A expressão estrutura agrária é usada em sentido amplo, signi-
Tipos de criação ovina ficando a forma de acesso à propriedade da terra e à exploração da
- Intensiva - criação de ovelhas para a produção de lã, principal- mesma, indicando as relações entre os proprietários e os não pro-
mente na Austrália, na Nova Zelândia e na Rússia. prietários, a forma como as culturas se distribuem pela superfície
- Extensiva - ovelhas de corte para a produção de carne. da Terra (morfologia agrária) e como a população se distribui e se
relaciona aos meios de transportes e comunicações (habitat rural).
Tipos de criação suína A estrutura agrária são as características do espaço que são:
- Extensiva - criação de porcos para a produção de banha e de Estrutura fundiária- concentração de terras(muitas terras pouco uti-
carnes para consumo do próprio produtor. Nesse tipo de criação, lizada) Produção agrícola- exportação no caso do Brasil Relações de
pouco são os cuidados técnicos e com a higiene. trabalho- mão de obra , máquinas fazendo o trabalho que um dia
- Intensiva - porcos estabulados com cuidados científicos e mui- foi feito pelo homem
ta higiene; destinados a produção de couro e carnes para indústrias
e frigoríficos. A Fome no mundo – Produção, distribuição e consumo de ali-
Os maiores rebanhos de suínos no planeta estão na China, Es- mentos
tados Unidos, Rússia e Brasil. Em várias partes do mundo persistem os problemas de saúde
ligados à falta de alimentos. Segundo a Organização Mundial de
Tipos de criação caprina
Saúde (OMS) a subnutrição ainda é causa indireta de cerca de 30%
- Extensiva - criação de cabras para a produção de carne, mais
das mortes de crianças no mundo. Afetando o desenvolvimento fí-
comum em regiões de relevo acidentados e de climas semiáridos
sico e mental de milhões de crianças, a subalimentação também
ou áridos.
- Intensiva - produção estabulada de cabritos para o aproveita- compromete seu desenvolvimento intelectual e profissional, dimi-
mento da pele e da carne e de cabras fornecedoras de leite. nuindo o número de cidadãos preparados para contribuir com o
A China, a Índia e a Itália são os grandes produtores. desenvolvimento de seus países.
Este é o ciclo vicioso a que são condenadas regiões pobres em
Tipos de criação asinina todo o mundo: falta de acesso a alimentos gera subnutrição. Esta
- Extensiva - jumentos e jegues destinados para corte ou para o prejudica o desenvolvimento intelectual e profissional de parte
uso na tração animal (carroças puxadas por jumentos são um exem- da população. Na falta de cidadãos preparados, o crescimento da
plo de tração animal). economia fica comprometido e desta forma não geram-se menos
- Intensiva - para selecionar reprodutores. recursos para produzir ou comprar alimentos para toda a população
– principalmente aquela mais necessitada. Por isso, é preciso que os
Tipos de criação equina países detentores de tecnologia agrícola desenvolvida atuem nes-
- Extensiva - criação de éguas e cavalos para tração, montaria tes países na transferência de conhecimentos.
ou corte. A fome ainda presente no século XXI não é por falta de alimen-
- Intensiva - estabulada e com o propósito de selecionar e pre- tos. A produção mundial de comida é suficiente para abastecer os
parar éguas e cavalos para atividades esportivas (“corrida de cava- atuais 7,3 bilhões de habitantes da Terra. Se parte da população
lo” e “partidas de polo”). dos países menos desenvolvidos não tem acesso a quantidades su-
ficientes de comida, isto se deve a fatores como insuficiente pro-
Muares dução local; falta de recursos do país para adquirir alimentos no
Burros e bestas ou mulas originadas pelo cruzamento entre mercado internacional; e elevação dos preços internacionais devido
equinos e asininos. a ações especulativas, entre outros.

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GEOGRAFIA
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricul- informação para fabricar os mesmos informados. Massificação da in-
tura (FAO) alerta que a população mundial deverá atingir 9 bilhões formação na era do consumo seletivo. Via informação, as elites (por
em 2050, o que incrementará a procura por alimentos. Segundo os que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam
especialistas, para fazer frente a esta demanda, o mundo deverá regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a
atacar este problema em três frentes principais. Primeiro, aumentar imagem de um mundo antisséptico, eficiente e envernizado.
a produção de produtos agrícolas, sem comprometer os recursos A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está
naturais, não avançando sobre áreas de vegetação natural. Isto sig- servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as
nifica que o Brasil, por exemplo, precisará investir muito mais em conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que - e a
pesquisa e tecnologia – o que em parte já vem fazendo – para obter quem - elas servem. A informação global é a manipulação da infor-
uma melhor produtividade das áreas agrícolas já existentes. mação para servir aos que controlam a economia global. E controle é
O segundo aspecto a ser considerado é a melhoria dos sistemas dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo
de armazenagem e distribuição das colheitas. Dados apontam que narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a
cultura do efêmero, do transitório - da moda.
cerca de 30% dos produtos agrícolas mundiais são perdidos entre o
De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário
campo e o ponto de venda do produto. Será necessário, na maioria
social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que es-
dos países produtores, construir mais silos e armazéns, ampliar a
condem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para
rede rodoviária, ferroviária e ampliar e modernizar as instalações ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador - e,
portuárias. por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar
A última providência sugerida pelos estudiosos é reduzir a trabalho e humanidade? É a serviço do interesse de minorias que
perda de alimentos nos pontos de venda e entre os consumidores. está a globalização da informação.
Segundo um relatório elaborado pela FAO, depois de comprados, Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartá-
aproximadamente 50% dos alimentos são jogados fora, tanto na Eu- vel - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes
ropa quanto nos Estados Unidos. No Brasil aproxima 70.000 tonela- empresas, nesta época pós- keynesiana, em que, ao consumo de
das (aproximadamente 2.800 carretas) de alimentos acabam no lixo massas, sucedeu a ênfase no consumo seletivo de bens descartáveis.
a cada ano no Brasil. Compra de produtos em excesso, mal acon- Cumpre à informação globalizada vender a legitimidade de tudo isso,
dicionamento são fatores que fazem com que milhões de famílias impondo padrões uniformes de cultura, valores e comportamentos
descartem quantidade imensas de alimentos, sem reaproveitá-las. - até no ser “diferente” (diferente na aparência para continuar igual
No futuro serão necessárias campanhas em todos os países – prin- no fundo). Por suposto, os padrões de consumo e alienação, devida-
cipalmente os ricos – incentivando e ensinando o reaproveitamento mente estandartizados, servem ao tédio do urbanóide pós-moderno.
de alimentos. Se os alimentos forem melhor manuseados e aprovei- Nunca fomos tão informados. Mas nunca a informação foi tão di-
tados, haverá comida para todos. recionada e controlada. A multiplicidade estonteante de informações
oculta a realidade de sua monotonia essencial - a democratização da
Globalização e sua influencia na economia informação é aparente, tal como a variedade. No fundo, tudo igual.
Acima já falamos um pouco sobre o conceito da globalização, Estamos - e tal é a pergunta principal - melhor informados? Contro-
então aqui, falaremos sobre o papel da globalização na economia. lada pelas elites que conhecemos, a informação globalizada é instru-
Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo mento de domesticação social.
à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo.
Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Re- Principais tendências da globalização
volução Industrial, mas - e sobretudo - ao imperativo dos negócios. A crescente hegemonia do capital financeiro
A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por O crescimento do sistema financeiro internacional constitui uma
das principais características da globalização. Um volume crescente
ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado,
de capital acumulado é destinado à especulação propiciada pela des-
face à expansão do Capitalismo. E o papel da informação mundia-
regulamentação dos mercados financeiros.
lizada foi decisivo na mundialização do pânico. Ao entrarmos nos
Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera financeira foi
anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruí- superior aos índices de crescimento dos investimentos, do PIB e do
na do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total comércio exterior dos países desenvolvidos. Isto significa que, num
euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo. Tais são os contexto de desemprego crescente, miséria e exclusão social, um vo-
nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, lume cada vez maior do capital produtivo é destinado à especulação.
economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo O setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em rela-
- globalização. ção aos bancos centrais e instituições oficiais, ampliando o seu con-
A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, trole sobre o setor produtivo. Fundos de pensão e de seguros passa-
resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no ram a operar nesses mercados sem a intermediação das instituições
desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma econo- financeiras oficiais.
mia fluida e que não permite a formação de uma consciência de O avanço das telecomunicações e da informática aumentou a
classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de capacidade dos investidores realizarem transações em nível global.
outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva Cerca de 1,5 trilhões de dólares percorre as principais praças finan-
com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impo- ceiras do planeta nas 24 horas do dia. Isso corresponde ao volume do
tência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico comércio internacional em um ano.
ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racio- Da noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir de um
nais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta país para outro, produzindo imensos desequilíbrios financeiros e
irracionalismos à solta. instabilidade política. A crise mexicana de 94/95 revelou as conse-
A informação mundializada de nossos dias não é exatamente qüências da desregulamentação financeira para os chamados mer-
troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites. Cria cados emergentes. Foram necessários empréstimos da ordem de 38
a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qual- bilhões de dólares para que os EUA e o FMI evitassem a falência do
quer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, Estado mexicano e o início de uma crise em cadeia do sistema finan-
a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma ceiro internacional.

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GEOGRAFIA
Ao sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados No mesmo período, o Mercosul acumulou um déficit de mais
Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros parceiros no Nafta. de 5 bilhões de dólares no seu comércio exterior. Este resultado re-
Sob a forma da recessão, do desemprego e do arrocho dos salários, flete as consequências negativas das políticas nacionais de estabili-
os trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta dessa aven- zação monetária ancoradas na valorização do câmbio e na abertura
tura. Nos períodos “normais” a transferência de riquezas para o setor indiscriminada do comércio externo praticadas pelos governos FHC
financeiro se dá por meio do serviço da dívida pública, através da qual e Menem.
uma parte substancial dos orçamentos públicos são destinados para o O empenho das centrais sindicais para garantir os direitos
pagamento das dívidas contraídas junto aos especuladores. O governo sociais no interior desses mercados tem encontrado enormes re-
FHC destinou para o pagamento de juros da dívida pública um pouco sistências. As propostas do sindicalismo de adoção de uma Carta
mais de 20 bilhões de dólares em 96. Social do Mercosul, de democratização dos fóruns de decisão, de
fundos de reconversão produtiva e de qualificação profissional têm
Novo Papel das Empresas Transnacionais sido rechaçadas pelos governos e empresas transnacionais.
As empresas transnacionais constituem o carro chefe da globa- A liberalização do comércio e a abertura dos mercados nacio-
lização. Essas empresas possuem atualmente um grau de liberdade nais têm produzido o acirramento da concorrência. A super explo-
inédito, que se manifesta na mobilidade do capital industrial, nos des- ração do trabalho é cada vez mais um instrumento dessa disputa. O
locamentos, na terceirização e nas operações de aquisições e fusões. A trabalho infantil e o trabalho escravo são utilizados como vantagens
globalização remove as barreiras à livre circulação do capital, que hoje comparativas na guerra comercial.
se encontra em condições de definir estratégias globais para a sua acu- Essa prática, conhecida como dumping (rebaixamento) social,
mulação. consiste precisamente na violação de direitos fundamentais, utili-
Essas estratégias são na verdade cada vez mais excludentes. O raio zando a superexploração dos trabalhadores como vantagem com-
de ação das transnacionais se concentra na órbita dos países desen- parativa na luta pela conquista de melhores posições no mercado
volvidos e alguns poucos países periféricos que alcançaram certo está- mundial. Nesse contexto, as conquistas sindicais são apresentadas
gio de desenvolvimento. No entanto, o caráter setorial e diferenciado pelas empresas como um custo adicional que precisa ser eliminado
dessa inserção tem implicado, por um lado, na constituição de ilhas de (“custo Brasil”, “custo Alemanha” etc.).
excelência conectadas às empresas transnacionais e, por outro lado,
Blocos econômicos e comércio mundial.
na desindustrialização e o sucateamento de grande parte do parque
As transformações econômicas mundiais ocorridas nas últimas
industrial constituído no período anterior por meio da substituição de
décadas, sobretudo no pós segunda guerra mundial, são fundamen-
importações.
tais para entendermos as dinâmicas de poder estabelecidas pelo
As estratégias globais das transnacionais estão sustentadas no au-
grande capital e, também, pelas grandes corporações transnacionais.
mento de produtividade possibilitado pelas novas tecnologias e mé- Além delas, não podemos deixar de mencionar a importância cres-
todos de gestão da produção. Tais estratégias envolvem igualmente cente das instituições supranacionais, que atuam como verdadeiros
investimentos externos diretos realizados pelas transnacionais e pelos agentes neste jogo de interesses, como por exemplo, o Fundo Mone-
governos dos seus países de origem. A partir de 1985 esses investimen- tário Internacional (FMI), o Banco Mundial, entre outros.
tos praticamente triplicaram e vêm crescendo em ritmos mais acelera-
dos do que o comércio e a economia mundial.
Por meio desses investimentos as transnacionais operam proces-
sos de aquisição, fusão e terceirização segundo suas estratégias de
controle do mercado e da produção. A maior parte desses fluxos de
investimentos permanece concentrada nos países avançados, embora
venha crescendo a participação dos países em desenvolvimento nos
últimos cinco anos. A China e outros países asiáticos, são os principais
receptores dos investimentos direitos.
O Brasil ocupa o segundo lugar dessa lista, onde destacam-se os
investimentos para aquisição de empresas privadas brasileiras (COFAP,
Metal Leve etc.) e nos programas de privatização, em particular nos
setores de infraestrutura.

Liberalização e Regionalização do Comércio


O perfil altamente concentrado do comércio internacional tam- Nova York, uma das cidades mais globalizadas do mundo
bém é indicativo do caráter excludente da globalização econômica. (Foto: Wikimedia Commons)
Cerca de 1/3 do comércio mundial é realizado entre as matrizes e filiais
das empresas transnacionais e 1/3 entre as próprias transnacionais. Os O cenário que se afigura com a chegada destes novos agentes
acordos concluídos na Rodada Uruguai do GATT e a criação da OMC econômicos é imprescindível para compreendermos o significado
mostraram que a liberação do comércio não resultou no seu equilíbrio, da chamada globalização econômica. Esta tem como características:
estando cada vez mais concentrado entre os países desenvolvidos. -A ruptura de fronteiras, ou seja, tal ruptura é atribuída à dinâ-
A dinâmica do comércio no Mercosul traduz essa tendência. Na mica do capital, que circula livremente pelo globo, sem respeitar a
realidade a integração do comércio nessa região, a exemplo do que delimitação de fronteiras territoriais;
ocorre com o Nafta e do que se planeja para a Alca em escala continen- -Perda da soberania local, ou seja, países, estados e cidades
tal, tem favorecido, sobretudo a atuação das empresas transnacionais, tem que se submeter à lógica do capital para conseguir gerar lucro
que constituem o carro chefe da regionalização. em seus orçamentos;
O aumento do comércio entre os países do Mercosul nos últimos -Expansão da dinâmica do capital, fato que se relaciona à rup-
cinco anos foi da ordem de mais de 10 bilhões de dólares. Isto se deve tura de fronteiras, ou seja, o capital se dirige agora também à pe-
em grande parte às facilidades que os produtos e as empresas transna- riferia do capitalismo, uma vez que as transnacionais compreende-
cionais passaram a gozar com a eliminação das barreiras tarifárias no ram que a exploração (no sentido de explorar a força de trabalho
regime de união aduaneira incompleta que caracteriza o atual estágio diretamente) dos países subdesenvolvidos promoveria grandes
do Mercosul. lucros para estes.

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GEOGRAFIA
Com o crescimento expressivo da atuação do capital em nível Um dos principais conceitos da DIT é que nenhum país conse-
mundial, chegou-se a questionar o papel do Estado, isto é, o Esta- gue ser competitivo em todos os setores, e de fato, acabam por
do seria de fato um agente importante neste processo ou atuaria se direcionar suas economias. No fundo, o objetivo é o mesmo
como um impeditivo para a livre circulação do capital, uma vez que da divisão de tarefas numa fábrica, o de gerar um elevado grau
poderia criar regras ou leis que inviabilizariam a livre circulação do de especialização para que a produção seja mais eficiente, exata-
capital? Segundo este raciocínio, as transnacionais estariam coman- mente como Adam Smith em sua Riqueza das Nações já afirmava
dando a dinâmica econômica mundial em detrimento dos Estados. no século XVIII.
Vale destacar que muitas empresas transnacionais passaram a de- O processo de DIT se expandiu na mesma proporção do capi-
sempenhar papéis que antes eram oferecidos pelo Estado, como
talismo no mundo moderno, expressando as diferentes fases da
serviços l