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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Licenciatura em Ensino de Geografia

Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas


na Zambézia: Caso do Distrito de Ile (2018 – 2020)

Discente: Luísa Luís Daniel

Gurué
Novembro de 2020

Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Licenciatura em Ensino de Geografia

Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas


na Zambézia: Caso do Distrito de Ile (2018 – 2020)

Monografia apresentada à Universidade


Católica de Moçambique – Instituto de
Educação à Distância de Gurué, como
requisito parcial para obtenção do grau
académico de Licenciada em Ensino de
Geografia.

Discente: Luísa Luís Daniel

Supervisor: dr. Abdala Tomé Muheia


Gurué
Novembro de 2020
Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Declaração de honra

Eu Luísa Luís Daniel, declaro em minha honra que o presente Trabalho de Fim de Curso
nunca foi apresentado na sua essência para a obtenção de qualquer grau e que ele constitui o
resultado da minha pesquisa pessoal, estando indicadas no texto e nas referências
bibliográficas as fontes utilizadas.

Gurué, Novembro de 2020

_________________________________

/Luísa Luís Daniel/

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página I


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Dedicatória

A dedicatória vai em especial ao meu esposo e aos meus filhos.

Extensivamente vai aos meus pais que me deram origem ao planeta terra, que me deram a
noção de vida e dirigiram-me a escola onde aprendi a escrever e a ler o meu primeiro
Alfabeto.

Aos meus familiares em geral que dia a pós dia, deram o seu apoio incondicional, pelos
encorajamentos e forca para a continuidade dos estudos.

Aos meus docentes do curso de ensino de Geografia, a todos os colegas e amigos que em
momentos tristes e alegres deram o seu apoio em prosseguir com os estudos, pois seria a
lanterna para o sucesso da minha vida.

A todos que participaram directa ou indirectamente na construção e realização deste fabuloso


e singelo sonho.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página II


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Agradecimentos

Em primeiro lugar agradeço a Deus pai Todo poderoso pela origem, Aos meus pais, em
especial, que são a minha fonte de inspiração, por estarem presentes em minha vida, e pelo
amor e coragem que sempre me deram. À Direcção da minha escola, na qualidade de meus
superiores hierárquicos, por ceder-me muita força coragem e vontade na aflição, no
desespero, e nos momentos que enfrentei obstáculos que pareciam impossíveis de resolver
mas graças a ele foi possível.

Ao meu supervisor dr. Abdala Tomé Muheia, pela confiança, orientação, e paciência que teve
na observação e correcção do trabalho até ao fim da elaboração do presente relatório.

A todo o corpo directivo, ao corpo docente CED da Universidade Católica de Moçambique,


pelo acompanhamento e formação para obtenção deste grau de licenciatura em Ensino De
Geografia.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página III


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Listas

Listas de abreviaturas

UCM -------------Universidade Católica de Moçambique

ONGs ---------------- Organizações não Governamentais

Km2 ---------------- Quilometro quadrado

ONU -----------------Organizações das Nações Unidas

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página IV


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Lista de gráficos

Gráfico 1. Envolvimento da população do Posto Administrativo de Socone na gestão das


florestas..........................................................................................................................................19

Gráfico 2. Proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto Administrativo de


Socone............................................................................................................................................20

Gráfico 3. Adequamento da gestão das florestas para a comunidade............................................21

Gráfico 4. Percepção da comunidade sobre o opoio da estrutura local na gestão das florestas
........................................................................................................................................................22

Gráfico 5. Percepção da comunidade sobre o benefício das florestas às comunidades.................23

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página V


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Resumo

A presente pesquisa foi realizada nos anos 2018-2020, no posto Administrativo de Socone,
localizado na província da Zambézia, distrito de Ile, com o objectivo de Analisar Impacto da
Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do Distrito
de Ile (2018 – 2020). Para o efeito foram inqueridas sessenta (60) pessoas que foram
conduzidas através de um inquérito. Durante a pesquisa procurou-se obter respostas sobre a
percepção dos produtores a respeito da participação das comunidades locais na gestão de
florestas. Após a organização dos dados, foram submetidos à organização dos dados e a
respectiva análise. Os resultados demonstraram que 59% dos produtores não conhecem e não
participam e ou não são envolvidos na gestão de recursos florestais. A respeito das principais
causas decorrentes do não envolvimento, cerca de 54% dos produtores afirmaram que as
florestas são geridas por pessoas e indivíduos provenientes de vários distritos. Consultados
sobre a produtividade das culturas de milho, 65% dos produtores afirmaram que o seu
rendimento não passa dos 500 kg/ha para da cultura.
Palavras-chave: Florestas, Gestão, envolvimento.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página VI


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

ÍNDICE PÁG.

Declaração de honra....................................................................................................................I

Dedicatória................................................................................................................................II

Agradecimentos........................................................................................................................III

Listas........................................................................................................................................IV

Listas de abreviaturas...........................................................................................................IV

Lista de gráficos.....................................................................................................................V

Resumo....................................................................................................................................VI

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.................................................................................................1

1.1. Delimitação do problema............................................................................................1

1.1.1. Problema..............................................................................................................1

1.2. Relevância do estudo...................................................................................................2

1.3. Objectivos....................................................................................................................3

1.3.1. Geral.....................................................................................................................3

1.3.2. Específicos...........................................................................................................3

1.4. Hipóteses.....................................................................................................................3

1.5. Dificuldades encontradas.............................................................................................4

1.6. Considerações éticas do trabalho.................................................................................4

1.7. Contextualização do caso............................................................................................4

1.8. Aspectos Físicos Geográficos......................................................................................4

CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...................................................................5

2.1. Participação das comunidades locais na gestão das florestas (conceitos, definições e
características)........................................................................................................................5

2.2. Definições a Cerca de Impactos Ambientais...............................................................6

2.2.1. Impacto ambiental................................................................................................6

2.3. Avaliação de Impacto Ambiental................................................................................7

2.3.1. Aspecto ambiental................................................................................................7

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página VII


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

2.4. Importância e características das Florestas..................................................................8

2.4.1. Utilização das Florestas no Passado (até 1975)...................................................9

2.4.2. Utilização das Florestas no Período Pós-Independência (até 1994)..................12

CAPÍTULO III. ASPECTOS METODOLÓGICOS................................................................14

3.1. Tipo de Pesquisa........................................................................................................14

3.1.1. Do ponto de vista de sua natureza......................................................................14

3.1.1. Quanto a Abordagem.........................................................................................15

3.1.2. Do ponto de vista dos seus objectivos................................................................15

3.1.4. Do ponto de vista dos Procedimentos Técnicos.................................................15

3.2. Procedimentos e Técnicas de Recolha e análise de Dados........................................15

3.2.4. Procedimentos de Recolha e análise de Dados..................................................15

3.3. Técnicas de Recolha e análise de Dados...................................................................16

3.3.4. Observação Qualitativa......................................................................................16

3.3.5. Entrevista............................................................................................................16

3.4. Métodos de Pesquisa.................................................................................................17

3.4.4. Métodos de Abordagem da Pesquisa.................................................................17

3.4.5. Métodos de Procedimento..................................................................................17

3.5. Universo e amostra....................................................................................................17

3.5.4. Amostragem.......................................................................................................17

3.5.5. Universo.............................................................................................................18

3.6. Revisão bibliográfica.................................................................................................18

CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS..........19

4.1. Nível de conhecimento sobre florestas......................................................................19

4.2. Envolvimento da população do Posto Administrativo de Socone na gestão das


florestas.................................................................................................................................19

4.3. Proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto Administrativo de Socone
20

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página VIII


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

4.4. Será que a gestão das florestas é adequada para a comunidade................................21

4.5. Apoio da estrutura local na gestão das florestas........................................................22

4.6. Beneficiam das florestas às comunidades locais.......................................................23

4.7. Discussão dos resultados...........................................................................................24

4.7.1. Primeira hipótese................................................................................................24

4.7.2. Segunda hipótese................................................................................................24

4.7.3. Terceira hipótese................................................................................................25

CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E SUGESTÕES...................................................................26

5.1. Conclusões.................................................................................................................26

5.2. Sugestões...................................................................................................................26

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................27

Apêndices.................................................................................................................................28

Apêndice I: Guião de entrevista...........................................................................................29

Apêndice II: Cronograma de Actividades............................................................................30

Apêndice III: Orçamento......................................................................................................31

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página IX


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

O presente trabalho de conclusão decurso de Licenciatura em ensino de Geografia da


Universidade Católica de Moçambique, Instituto de Educação distância – Centro de Recurso
de Gurué, é subordinado ao tema: Impacto da participação das comunidades locais na gestão
das florestas na Zambézia: Caso do distrito de Ile (2018 – 2020).

A riqueza florestal existente e a sua exploração a que se aliavam problemas de conservação,


valorização ou melhoramento e a riqueza florestal a criar para exploração futura, quer pela
introdução de espécies indígenas adaptáveis a tipos de povoamentos de maior rentabilidade,
puros ou mistos.

A pesquisadora pretendeu perceber até que ponto a estrutura competente tem as questões
ambientais, concretamente participação das comunidades locais na gestão das florestas na
Zambézia.

Ainda mais, a autora da pesquisa pretendeu com base nos conhecimentos adquiridos ao longo
do tempo, dar o seu contributo com vista a garantir uma gestão eficiente e eficaz na
participação das comunidades locais na gestão das florestas, com vista a evitar a alteração das
propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma
de matéria ou energia resultante das actividades humanas, pois elas são úteis as populações.

Com isso, a autora da pesquisa usou determinados métodos como observação directa, revisão
bibliográfica e questionário. O projecto está estruturado em introdução, tema,
problematização, delimitação do tema, objectivos, hipóteses, justificativa, marco teórico,
metodologia, cronograma de actividades e orçamento.

1.1. Delimitação do problema

A pesquisa será efectuada na Província de Zambezia, Distrito de Ile, concretamente na


Localidade Socone, no período de (2018 – 2020). Pretendo-se com esta, analisar os impactos
provenientes de não participação da população local na gestão de florestais.

1.1.1. Problema

Segundo Gil (2008:33), Problema “é qualquer questão não resolvida e que é objecto de
discussão em qualquer domínio do conhecimento”.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 1


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Segundo Marconi & Lakatos (2003:220) diz que “a formulação do problema prende-se ao
tema proposto: ela esclarece a dificuldade específica com a qual se defronta e que se pretende
resolver por intermédio da pesquisa.’’

Marconi & Lakatos (1999:28), problema é uma dificuldade, teoria ou pratica no


conhecimento de alguma coisa de real importância.

A desflorestação e degradação das florestas são das questões ambientais globais mais
relevantes da actualidade, principalmente com o crescente reconhecimento do papel destes
ecossistemas no ciclo de carbono e possível mitigação das mudanças climáticas
(FAO2015,WRI2014,UNEP 2014).

Têm sido realizados alguns esforços a nível internacional para reconhecer a importância das
florestas e promover a sua gestão sustentável. Estes esforços remontam à Conferência de
Estocolmo, realizada em 1972.

Esta reconheceu as florestas como o maior, mais complexo e mais durável de todos os
ecossistemas. Alertou ainda para o facto de grande parte da cobertura florestal já ter sido
derrubada.

Dessa relação, surge a necessidade de adopção de um mecanismo de participação das


comunidades locais na gestão das florestas que possa apresentar procedimentos capazes de
minimizar os impactos negativos do desflorestação, e possa também fazer dela uma fonte de
económica de geração de renda.

Face a esses argumentos, surge a seguinte questão:

Quais são os principais factores que conduzem à exploração insustentável das florestas na
área de estudo?

1.2. Relevância do estudo

Silva e Menezes (2001:88) afirmam que “Neste item deverá ser indicado claramente o que
você deseja fazer, o que pretende alcançar. Os objectivos são as metas que se pretende
atingir com a elaboração da pesquisa.” Tal como, se diz nenhuma acção humana é realizada
sem que tenha objetivo, apoiado na visão dos autores em alusão, o presente trabalho também
possui objetivos que se pretendem alcançar que passaremos a identificar.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 2


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

1.3. Objectivos

Silva e Menezes (2001:88) afirmam que “Neste item deverá ser indicado claramente o que
você deseja fazer, o que pretende alcançar. Os objectivos são as metas que se pretende
atingir com a elaboração da pesquisa.” Tal como, se diz nenhuma acção humana é realizada
sem que tenha objetivo, apoiado na visão dos autores em alusão, o presente trabalho também
possui objetivos que se pretendem alcançar que passaremos a identificar.

1.3.1. Geral

O presente estudo tem como objetivo geral:

o Analisar os impactos da participação das comunidades locais na gestão das florestas


no distrito de Ile.

1.3.2. Específicos

o Avaliar os impactos socioambientais resultantes e o contexto local da implementação


das políticas e instrumentos legais promovendo a participação das comunidades na
gestão das florestas no distrito de Ile

o Identificar as principais dificuldades de envolvimento das comunidades na gestão e


uma participação mais eficaz;
o Propôr formas de melhoramento de formas de participação das comunidades locais na
gestão e conservação das florestas.

1.4. Hipóteses

Para Richardson (1999), as hipóteses “podem ser definidas como possíveis tentativas,
previamente seleccionadas, do problema de pesquisa. Permitirão orientar a análise dos
dados no sentido de aceitar ou rejeitar soluções” (p.104). Nesta vertente, destacam-se as
seguintes hipóteses para o problema levantado:

o O desconhecimento do papel das comunidades locais, por parte da liderança, pode


estar na origem das causas do não envolvimento das comunidades locais na gestão
das florestas e uma participação mais eficaz;

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 3


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

1.5. Dificuldades encontradas

Como principais constrangimentos encontrados na realização da presente pesquisa, foi a falta


de informações bibliográficas de estudos realizados em Moçambique e dentro do sector
familiar sobre o maneio de solos e o rendimento das culturas de milho e soja, o que dificultou
até certo ponto o processo comparativo de alguns resultados do presente estudo. Para além
destas, enfrentamos igualmente, dificuldade ligadas a má interpretação do propósito da
investigação, uma vez que, as fontes pensavam que, tratava se de assuntos ligados aos
partidos políticos.

1.6. Considerações éticas do trabalho

O presente trabalho de pesquisa, obedece todas as considerações éticas possíveis, onde as


informações colhidas através de entrevista e inquérito, foram citadas tendo em conta as
vontades dos envolvidos, também as informações bibliográficas foram citadas conforme o
regulamento em vigor na Universidade católica de Moçambique.

1.7. Contextualização do caso

O presente trabalho foi realizado no Posto Administrativo de Socone, distrito de Alto


Molócue, teve como instituição responsável e prioritário no fornecimento das informações,
no posto Administrativo de Molócue Sede, e teve uma duração de cinco meses, após a
aprovação do projecto.

1.8. Aspectos Físicos Geográficos

O distrito de Ile é um distrito da província da Zambézia, em Moçambique, com sede na


povoação de Ile. Tem limite, a norte e nordeste com o distrito de Alto Molócue, a noroeste
com o distrito de Gurué, a oeste com os distritos de Namarroi e Lugela, a sul com os distritos
de Mocuba e Mulevala e a leste com o distrito de Gilé.

Em 2007, o Censo indicou uma população de 289 891 residentes. Com uma área de


5589  km², a densidade populacional rondava os 51,87 habitantes por km².

De acordo com o Censo de 1997, o distrito tinha 224. 167 habitantes, daqui resultando uma
densidade populacional de 40,1 habitantes por km².

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 4


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Participação das comunidades locais na gestão das florestas (conceitos,


definições e características)

No Plano de Desenvolvimento Distrital do Distrito de Ile, Província da Zambézia, a


referência às florestas é destacávell38 vezes, com enfoque sobre o desrespeito pelas normas
legais por parte dos utilizadores da floresta, ocorrências de abate indiscriminado de espécies
neste distrito, incluindo no interior das áreas de conservação. Neste plano só são apontadas
duas acções que se circunscrevem na elaboração e implementação de projectos de
reflorestamento e na defesa das espécies florestais protegidas.

No plano de Desenvolvimento Distrital de Ile, Província da Zambézia, a floresta é descrita


sobretudo no que concerne às principais espécies de flora, os tipos e a ocorrência de
queimadas descontroladas, assim como o abate indiscriminado protagonizados por
utilizadores da floresta.

Registaram-se neste documento 86referências à floresta, com apenas15 acções que incluem o
seguinte:

A fiscalização florestal e a gestão comunitária dos recursos; o reforço da capacidade para o


desenvolvimento participativo de projectos comunitários; a reposição das espécies florestais
raras e em perigo de extinção; a limitação da exploração florestal em lugares sensíveis; a
promoção do reflorestamento; a melhoria da gestão florestal e faunística do parque; a
realização de palestras de divulgação da Lei de Florestas e Fauna Bravia e seu Regulamento;
a melhoria da gestão florestal e faunística e a reposição das espécies florestais perdidas.

Tais acções incluem a divulgação e implementação da Lei florestal contando com o apoio da
sociedade civil e a adopção de medidas que privilegiem o uso sustentável de recursos
florestais.

Em relação à importância atribuída às florestas, pode afirmar-se que esta varia de documento
para documento, estando mais destacável na maior parte destes. As diferentes estratégias
analisadas apontam o ser humano como principal agente que ameaça este recurso. Nas
actividades de exploração e/ou uso das florestas, os documentos analisados referem a
ocorrência de atropelos à legislação do sector, o que denota certas fragilidades na fiscalização
a todos os níveis.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 5


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Em geral, a maneira como as políticas e os planos do governo nos seus diversos níveis
apontam a importância das florestas, nota seque estes documentos servem para estabelecer
objectivos e metas que se traduzirão em acções no terreno, ou seja, parece dominar a
esperança de que as metas definidas sejam implementadas da forma como são definidas.

No entanto, ao avaliar as abordagens sobre questões da floresta na documentação de nível


nacional, não se evidencia o papel dos níveis locais nem a pertinência duma intervenção
activa ao nível dos distritos do país. Sabe-se que o processo de formulação e implementação
de legislação, políticas e planos governamentais não é linear. Na prática, deve reconhecer-se
a importância de outros intervenientes tanto na definição do conteúdo das decisões como na
forma como eventualmente estas são implementadas. Todas as leis, políticas e planos têm
também uma dimensão.

Apesar de quase todos os documentos analisados reconhecerem as ameaças às florestas em


Moçambique, em geral, na sua abordagem limitam-se na descrição das florestas como
componentes importantes no território e apontam poucas acções para reverter este cenário.
Esta realidade pode estar associada às lacunas na legislação, isto é, o facto de não haver
mecanismos expressos sobre a articulação transversal necessária entre os diferentes sectores
na abordagem sobre a floresta. Refira-se que nos termos da legislação florestal em vigor em
Moçambique, a emissão das licenças simples e das concessões florestais, são da exclusiva
responsabilidade das autoridades governamentais aos níveis provincial e nacional, cabendo
aos distritos tomar conhecimento e acomodar os exploradores florestais, com pouco ou
nenhum poder interventivo sobre as acções destes na floresta.

2.2. Definições a Cerca de Impactos Ambientais

2.2.1. Impacto ambiental

Impacto ambientalé o resultado de qualquer actividade sobre o meio ambiente, esse impacto
pode ser positivo ou negativo. Sendo que, esse resultado sobre o meio ambiente pode ser
causado por uma acção natural ou resultante da acção do homem sobre o ambiente.

De acordo com a Resolução do CONAMA nº 001/86, impacto ambiental é: “Qualquer


alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causada por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das actividades humanas que, directas ou
indirectamente afectem:”

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 6


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

I. A saúde, a segurança e o bem-estar da população;


II. As actividades sociais e económicas;
III. A biota;
IV. As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V. A qualidade dos recursos ambientais (CONAMA, 1986).

Os impactos ambientais são classificados como: directo e indirecto; positivo e negativos; de


curto prazo ou longo prazo; permanente ou temporário; reversível ou irreversível.

“Ainda em relação ao conceito de impacto ambiental, o ambiente em sua evolução natural


está sujeito a constantes alterações. Uma alteração pode ser causada por fenómenos naturais
ou ser provocada pelo homem” (Philippi Jr; Maglio, 2005, p.701).

2.3. Avaliação de Impacto Ambiental

A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) pode ser definida como estudos realizados para
identificar, predizer e interpretar, assim como para prevenir, as consequências ou efeitos
ambientais que determinadas acções, planos, programas ou projectos podem causar à saúde e
o bem-estar humano e ao seu entorno. A AIA configura-se com a elaboração do Estudo de
Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), estes amplamente
utilizados para finalidades de Licenciamento ambiental para empreendimentos (IBAMA,
1995).

2.3.1. Aspecto ambiental

Aspecto ambiental pode ser entendido como o mecanismo através do qual uma acção humana
causa um impacto ambiental. Assim sendo, podemos afirmar que a acção humana sobre um
recurso natural é que pode gerar um impacto ambiental a natureza (Sanchez,2008).

Segundo a ISO 14004 (2009) aspecto ambiental seria “um elemento das actividades,
produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o meio ambiente”,
enquanto o impacto seria representado como “qualquer modificação do meio ambiente,
adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da
organização”.

Com isso os aspectos ambientais seriam todos os pontos relativos ao trabalho da instituição
que pudessem de alguma forma ter qualquer tipo de interacção com ambiente, mesmo que

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 7


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

essa interacção não aconteça. Os impactos, por outro lado, seriam as mudanças causadas no
ambiente, provavelmente relacionadas aos aspectos previamente identificados. Isso mostra
uma forte relação de causa e efeito entre esses dois conceitos.

2.4. Importância e características das Florestas

Em Moçambique asflorestas contribuem para assegurar os modos de vida da população local,


conservama biodiversidadee são fontes dereceitas e divisas para o Estado. Porém, esse
contributo é obtido, muitas vezes, à custa de um crescente recurso a actospredatórios
determinados pela acumulação em vez da subsistência (Francisco, 2012).

Oprocesso de aproveitamento das florestas, ao nível local e nacional, associa-se a uma série
de actividades que conduzem à desflorestação e degradação florestal, que se apelidam por
factores directos e factores indirectos (Kissinger et. al., 2012). As acções imediatas, que
causam impactos directos na floresta, os chamados impactes directos, incluem:

(i) Agricultura (comercial e de subsistência);


(ii) Infra-estruturas;
(iii) Extracção de madeira para a comercialização;
(iv) Mineração e,
(v) Expansão urbana.

Os factores directos da degradação da floresta, incluem o abate de árvores, as queimadas


descontroladas, a pastagem de gado nas florestas, a exploração de madeira, a colecta de lenha
e a produção de carvão.

Contudo, existem outros factores que poderão indirectamente influenciar a intensidade da


degradação e do desaparecimento de espécies existentes nas florestas. Estes resultam de
interacções entre processos sociais, económicos, políticos, culturais e tecnológicos, que são
frequentemente distantes da área de impacte.

Entre os factores indirectos, a nível nacional e global, destacam-se:

(i) O mercado;
(ii) Os preços acomodados;
(iii) A densidade populacional;

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 8


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

(iv) O mercado doméstico;


(v) As políticas nacionais;
(vi) O governo;
(vii) Circunstâncias locais (mudanças nas estruturas tradicionais) (Kissinger et.al.,
2012).

Para melhor compreender a situação actual das florestas nacionais é fundamental considerar a
evolução histórica do sector florestal no país. Este capítulo primeiramente procura identificar
os principais factores de mudanças que ocorreram no sector, considerando três períodos
históricos distintos:

o O primeiro período vai até 1975, isto é, o período antes da Independência


Nacional;
o O segundo período corresponde aos anos Pós-Independência, ou seja de 1975 a
1994durante o qual o país viveu 16 anos de Guerra Civil; e
o O terceiro período situa-se entre 1994 e 2015, o período a seguir aos acordos de
paz, que corresponde à etapa em que se adoptou a legislação da terra, do ambiente
e de vários sectores ao nível nacional.

2.4.1. Utilização das Florestas no Passado (até 1975)

As preocupações relacionadas com os impactes dos distintos modos de utilização das


florestas, no que concerne aos fenómenos de degradação e desflorestação, em Moçambique,
são antigas. A delimitação do passado até 1975, neste estudo, pretende destacar o período
anterior à Independência Nacional, conquistada após 500 anos de colonização portuguesa.
Estudos sobre esta temática, datados do período colonial e apresentados sob forma de artigos,
são esclarecedores da situação do sector florestal neste país, no passado, e merecem realce
neste estudo.

Por exemplo, Sousa (1950), levantando os problemas que ocorriam nas florestas, no século
XX e em períodos antecedentes, referem o seguinte: “(...) o território de Moçambique, em
épocas muito remotas, antes que o homem branco tivesse chegado, era, sem dúvida, coberto
de vastos e frondosos arvoredos. A estepe ocupava então fraca percentagem de superfície, em
relação à floresta. As principais degradações, vindas já de tempos imemoriais, eram o fogo e
as derrubas para a preparação de terras de cultura, esta sem relativamente pequena escala,
dada a minguada população e o reduzido número de espécies cultivadas.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 9


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

O fogo era o principal depredador (...).”No mesmo artigo, o autor refere ainda que “(...) a
floresta primitiva foi cedendo espaço à estepe e à floresta secundária. Com a chegada do
homem branco as áreas de cultura e a pastorícia foram crescendo; as explorações florestais
aumentaram em número e intensidade; a estepe substituiu a floresta secundária e, por fim,
começou a degradação do solo, que nas regiões montanhosas 205ou mais habitadas tem
progredido de forma alarmante.

O regime das florestas alterou-se sensivelmente (...). Actualmente, a percentagem da estepe


em muitas regiões é superior à da floresta. Nalgumas, a floresta desapareceu por completo.
Noutras, adulterou-se de tal forma que só pela existência desta ou daquela árvore relíquia se
pode conceber o que teria sido a sua forma primitiva. Noutros pontos, o homem apenas
deixou ficar de pé árvores de interesse económico (...)”(Sousa1950, pp.23 -24)

Pode se afirmar, com base nas declarações de Sousa (1950), que apesar das acções antrópicas
sobre a floresta moçambicana datarem do período pré-colonial, os impactes nefastos sobre o
meio, resultantes da utilização da floresta, tornaram-se intensos com a colonização deste país.
A constatação anterior tem o seu fundamento na atitude perante os recursos naturais da
colónia, que naquele período era baseada na concepção dominante nos agentes da
colonização, pondo em causa o ambiente, sobretudo as florestas pois estes consideravam-nas
inesgotáveis.

Num outro artigo do autor anteriormente citado, datado de 1949lê-se o seguinte: “(...) desde
os primeiros dias da ocupação colonial, tanto a nossa como a das outras nações, a floresta
tropical foi considerada como uma riqueza inesgotável, que só esperava a vinda do homem
branco para ser explorada. Por outro lado, o indígena e o colono iam derrubando
constantemente a floresta para preparar as suas culturas. Tal riqueza, porém, não era
inesgotável, como depois se verificou.

Um dos aspectos mais graves provocados pela derruba excessiva do arvoredo foi a alteração
do meio ambiente, a qual abriu caminho a várias doenças das plantas cultivadas que, por esse
motivo, quase aniquilaram as culturas (...);

O abate das árvores para a obtenção de madeiras, a derruba feita pelos indígenas e europeus
para a preparação das suas culturas, o consumo de lenhas e travessas para os caminhos-de-
ferro, os trabalhos de combate à mosca tsé-tsé e acima de tudo o fogo, que todos os anos

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 10


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
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consome grandes áreas de floresta natural, têm reduzido o património florestal de


Moçambique a uma sombra do que foi.

Hoje, (...) só é possível encontrar-se porções de arvoredo espontâneo intacto nas regiões não
habitadas pelo homem ou nos cimos inacessíveis das montanhas. Tudo mais está alterado,
disperso, desfeito (...)”(Sousa 1949, pp.23).

2.4.1.1. Consequências do abate das espécies florestais

Sobre as possíveis consequências dos problemas supra referidos, o mesmo autor relata que “
(...) Moçambique, cujos arvoredos têm sido tão cruelmente devastados nas últimas décadas,
encontra-se à beira da escassez de produtos florestais, em especial madeiras, que deverá
representar dentro de poucos anos um dos mais complicados dos seus problemas económicos.
Outros males, não menores, provocados pelo despovoamento florestal, tais como a erosão e a
alteração do clima, já se acentuam em muitos pontos da colónia (...); as gerações futuras, da
mesma forma que as anteriores, necessitarão de madeiras, decerto em maior quantidade
devido ao avanço das construções, de algumas indústrias, etc. À geração actual cabe, por isso,
o dever imperioso de plantar novos arvoredos para uso das gerações vindouras e não menos o
de salvar, por meio da reserva, da exploração metódica e do repovoamento, o remanescente
do já bem desfalcado património florestal de Moçambique (...)” (Sousa1949,pp.103).

Entretanto, apesar das denúncias e apelos apresentados, os utilizadores da floresta não


suspenderam a exploração nos moldes insustentáveis. Por isso, ao longo dos anos
subsequentes, estudiosos insistiram na identificação de problemas e propuseram mudanças de
atitude.

Na sequência disso, Ferreira (1962) referindo-se à cobertura florestal, ressalta que o território
que é hoje Moçambique, fora outrora coberto de densas florestas e deplora as sistemáticas
destruições de que esta era alvo nos últimos séculos, por virtude dos cortes de madeira,
queimadas incontroladas e derrubas de árvores para instalação de campos agrícolas.

Por seu turno, Magalhães (1961), apresentando algumas considerações sobre o problema
florestal de Moçambique, teve em conta dois aspectos, a saber:

(i) A riqueza florestal existente e a sua exploração a que se aliavam problemas de


conservação, valorização ou melhoramento e;

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 11


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
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(ii) A riqueza florestal a criar para exploração futura, quer pela introdução de espécies
indígenas adaptáveis a tipos de povoamentos de maior rentabilidade, puros ou
mistos.

Na sequência e em consequência dos inúmeros estudos e das recomendações que vinham


sendo feitas por estudiosos, sobretudo engenheiros agro-florestais, no pretérito século XIX, o
governo colonial, em reconhecimento da ocorrência dos problemas no sector, decretou
medidas que, apesar de não terem surtido os efeitos almejados, visavam controlar as acções
antrópicas nocivas aos ecossistemas e impedir a destruição florestal na ex-colónia
(Alfaro,1970).

2.4.2. Utilização das Florestas no Período Pós-Independência (até 1994)

Os problemas do sector florestal, que vinham sendo levantados durante o período colonial,
não cessaram com o fim do colonialismo. No ano de 1979, Samora Moisés Machel, o
primeiro presidente da República de Moçambique Independente, mostrando-se preocupado
com a utilização inadequada das florestas nacionais, expôs, num comício popular na
Província do Niassa, o seguinte: “(...) constatámos o abate indiscriminado de árvores (...); É
outra prática que destrói riquezas importantes do nosso País.

Devemos organizar e programar o abate de árvores, saber que árvores devemos abater,
quantas e para quê. Não podemos continuar a fazer lenha com jambirre, e a cozer pão com
madeiras preciosas. Além disso devemos plantar árvores, arborizar a nossa província,
devemos plantar árvores de fruto, e a grande variedade das que podem crescer e frutificar no
Niassa.

Devemos plantar também árvores de boa madeira eque defendem os solos (...)”.No entanto,
as acções destruidoras das florestas, no período em análise, tornaram-se incontroláveis pois,
logo após a Independência, o país foi assolado por uma guerra civil que durou 16 anos, de
1976-1992. Durante este conflito, o sector florestal foi o mais afectado e mereceu pouca
atenção das autoridades nacionais. A problemática ambiental e a gestão de recursos naturais
em geral começaram a merecer destaque no debate nacional após a guerra civil. Antes deste
período e por razões óbvias, a atenção esteve dirigida para a segurança física ede
sobrevivência da população.

Só após o Acordo Geral de Paz, que marcou o fim da guerra civil, em 1992, é que se
reconheceu visivelmente a importância de um controlo mais activo sobre o ambiente, com a

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 12


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criação do Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental, logo na formação do


primeiro governo resultado das primeiras eleições multipartidárias realizadas em 1994.

Os desafios para o recém-criado ministério prendiam-se com a falta de instrumentos ligados à


gestão do ambiente. Foi a partir desta altura que o jovem Ministério de tutela, levou a cabo o
desenho da Política Nacional do Ambiente e a Estratégia Nacional do Ambiente em Outubro
de 1995.

O objectivo plasmado na Política Nacional do Ambiente é a promoção de um


desenvolvimento sustentável e da utilização racional dos recursos naturais, através da
inclusão dos princípios e práticas ambientais, no esforço nacional de reconstrução e
desenvolvimento do país, estabelecendo as políticas e a legislação apropriadas para esse
efeito.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 13


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CAPÍTULO III. ASPECTOS METODOLÓGICOS

A investigação científica depende de um “conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos”


(Gil, 1999, p.27) para que seus objectivos sejam atingidos - os métodos científicos.

O autor acima citado vai mais longe afirmando que “metodologia de pesquisa é parte de
princípios reconhecidos como verdadeiros e indissociáveis e possibilita chegar a conclusões
de maneira puramente formal, isto e, em virtude unicamente de sua lógica”.

Na mesma linha de ideia, Barreto e Honrado (1988) explica que "A metodologia de pesquisa
é o conjunto detalhado e sequenciado de método e técnicas científicas a serem executados ao
longo da pesquisa de tal modo que se consiga atingir os objectivo inicialmente propostos e ao
mesmo tempo atender critérios de menos custo, maior rapidez, maior eficácia e maior
confiabilidade de informações" (as cited in Ivala, 2007, p.26).

Em concordância com o autor acima, os procedimentos metodológicos aqui apresentados


descrevem qual é o tipo de pesquisa em que o trabalho se enquadra, o universo e amostra da
pesquisa, os instrumentos utilizados na recolha de dados, a descrição dos procedimentos de
recolha de dados e o objecto da pesquisa, os quais se encontram desenvolvidos a seguir.

3.1. Tipo de Pesquisa

De acordo Gil (1999) citado por Prodanov & De Freitas (2013) “Existem várias formas de
classificar as pesquisas. As formas clássicas de Classificação são: quanto a natureza, quanto
aos objectivos, quanto aos procedimentos técnicos utilizados e quanto a forma de abordagem
do problema (p.51)

Segundo Lakatos Marconi (2009) a pesquisa pode ser classificada quanto a natureza, aos
objectivos, quanto aos procedimentos técnicos e quanto a forma de abordagem do problema.

3.1.1. Do ponto de vista de sua natureza

Do ponto de vista da sua natureza, tratar-se-á de uma Pesquisa Aplicada. A Pesquisa


Aplicada gera conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas
específicos. Envolve interesses locais. Gil (1999).

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 14


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3.1.1. Quanto a Abordagem

Do ponto de vista da forma de abordagem do problema pode ser classificada como Pesquisa
Qualitativa.

A abordagem do problema é qualitativa, pois será aplicado questionário com a população


local, para que as informações posteriormente sejam apresentadas por meio de tabelas e
gráficos, no intuito de obter algum resultado que aponte a realidade local para responder o
problema de pesquisa.

3.1.2. Do ponto de vista dos seus objectivos

Com relação à classificação da pesquisa quanto aos fins, o trabalho possuirá características de
pesquisa descritiva, pois de acordo com Cervo e Bervian (2004) este tipo de pesquisa consiste
em analisar os fatos sem manipulá-los, procurando constatar com que frequência um
fenómeno ocorre, sua relação com o meio, suas características e natureza.

3.1.4. Do ponto de vista dos Procedimentos Técnicos

Justifica-se o uso do método para a autora, pois, permitir-lhe-á examinar a interacção com os
intervenientes e variáveis da pesquisa, no intuito de fornecer uma compreensão completa
possível, do fenómeno abordado na pesquisa, este processo decorreu por meio da descrição
espessa e detalhada da entidade em questão, as circunstâncias em que ela foi usada, as
características dos indivíduos envolvidos na pesquisa, a natureza da Comunidade e vila em
que esta inserida.

3.2. Procedimentos e Técnicas de Recolha e análise de Dados

Antes de entrar em cada uma das técnicas que apresentar-se ao abaixo, é preciso mencionar
que há adequações procedimentos quanto ao tipo de dado, podendo ser
qualitativo/quantitativo ou documental/não - documental. Essas diferenças implicam
processos distintos em uma investigação científica.

3.2.4. Procedimentos de Recolha e análise de Dados

Para a efectivação da presente pesquisa, o autor recorrera a quatro (4) procedimentos básicos
de recolha de dados, nomeadamente:

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 15


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

o Selecção: neste procedimento, a autora fará um exame minucioso dos dados.


Verificação crítica cuja finalidade era detectar falhas ou erros, evitando informações
confusas, distorcidas, incompletas, que poderiam prejudicar o resultado da pesquisa,
como a grande quantidade de dados desordenados e as instruções mal compreendidas;

o Codificação: a autora usara esta operação para classificar os dados que se relacionam.
Com a codificação, os dados foram transformados em símbolos, podendo depois ser
tabelados e contados (atribuição de códigos, números e letras);

o Tabulação: Com este procedimento, a autora, fará a disposição dos dados em tabelas,
quadros e gráficos para facilitar a verificação das inter-relações entre eles.

o Análise: Nesta actividade intelectual a autora, buscara dar um significado amplo às


respostas, vinculando-se a outros conhecimentos e teorias. Em outras palavras, tratou-
se da exposição e interpretação do significado do material apresentado.

3.3. Técnicas de Recolha e análise de Dados

No que tange as técnicas de recolha de dados, para a presente pesquisa, a autora privilegiará
as técnicas Não - Documentais nomeadamente:

3.3.4. Observação Qualitativa

“A observação será sistematicamente organizada em fases, aspectos, lugar e pessoas,


relacionou-se com proposições e teorias sociais, perspectivas científicas e explicações
profundas e foi submetida ao controle de veracidade, objectividade, fiabilidade e precisão.”

3.3.5. Entrevista

A entrevista compreendera o desenvolvimento de uma interacção de significados em que as


características pessoais do entrevistador e dos entrevistados influenciaram decisivamente em
seu curso: “A entrevista nasce da necessidade que o investigador tem de conhecer o sentido
que os sujeitos dão aos seus actos e o acesso a esse conhecimento profundo e complexo é
proporcionado pelos discursos enunciados pelos sujeitos.” (AIRES, 2015, p. 29).

Tratar-se-á de um recurso delicado, em que o entrevistador teve de conseguir criar uma


atmosfera de confiança com os entrevistados, caso contrário, os resultados obtidos teriam
pouca credibilidade.  

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 16


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3.4. Métodos de Pesquisa

Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se devem empregar na


Investigação (Nuvunga et al, 2017, p.11).

Segundo Lakatos e Marconi (1995, p. 106), os métodos podem ser subdivididos em métodos
de abordagem e métodos de procedimentos.

3.4.4. Métodos de Abordagem da Pesquisa

Para o presente trabalho, a autora basear-se-á no seguinte método: hipotético - Dedutivo.

Para a autora, o uso deste método, baseia-se na premissa de que se o conhecimento existente
torna-se insuficiente para explicar um fenómeno, surge o problema. Para expressar as
dificuldades do problema, são formuladas hipóteses.

3.4.5. Métodos de Procedimento

Como método de Procedimento, a autora recorrerá ao método de análise e Síntese.

O Método de análise e síntese: segundo Chizzotti (2003: 93), “ […] é um método de


tratamento e análise de informações colhidas por meio de técnicas de colecta de dados
consubstanciadas em um documento.” Neste contexto, as informações colhidas pela
pesquisadora, serão reduzidas quanto ao seu volume.

3.5. Universo e amostra

3.5.4. Amostragem

Segundo Marconi & Lakatos (2002), Há duas grandes divisões no processo de amostragem: a
não - probabilista e a probabilista (p.223).

A amostragem nesta pesquisa será probabilística e aleatória. Aleatório significa que a


selecção se fará de forma que cada membro da população tinha a mesma probabilidade de ser
escolhido.

Labes (1998) afirma que “A amostra de uma pesquisa pode ser conceituada como
“subconjunto finito de uma população” (p.22).

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 17


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

3.5.5. Universo

“O universo (também chamado população) é um conjunto definido de elementos que


possuem determinadas características” (Canastra & Haanstra & Vilanculos, 2015, p.19).

O universo do estudo não foi numericamente estimado, no entanto, compreendera o total de


60 Indivíduos, escolhidos de forma aleatórios.

A amostra, por seu lado, [pode também ser considerada como] o subconjunto do universo do
qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo.” Canastra & Haanstra
& Vilanculos, 2015, p.19).

Este trabalho foi dividido em duas partes, nomeadamente: trabalho do escritório ou gabinete,
que consistiu no contacto directo com todos os intervenientes do processo para possível
fornecimento de informações sobre o impacto da mecanização agrícola, no contexto da
Lavoura, no distrito de Alto Molócue, posto Administrativo de Molócue Sede, na Localidade
de Novanana, bem como a consulta de certas obras literárias na biblioteca, consulta de
informações na internet do tema em destaque.

De seguida, o trabalho do campo que consistiu na deslocação para os respectivos povoados,


para manter o contacto frontal com os actores envolvidos, bem como a visita ou observação
de algumas famílias e comunidades prejudicadas com a mecanização da actividade agrícola,
no contexto da Lavoura, para tornar possível o proponente usou certas técnicas de colecta de
dados, tais como:

3.6. Revisão bibliográfica

Markone e Lakatos, 2006, pag. 185, esse tipo de pesquisa é desenvolvido mediante o material
já elaborado principalmente livros e artigos científicos. O material consultado na pesquisa
bibliográfica envolve, jornais, relatórios, livros, pesquisa de monografias e dissertações que
abordam o assunto e teses. Este método foi útil na medida em que permitiu sustentar o marco
teórico.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 18


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE


DADOS

No presente capítulo destina a uma análise e apresentação de dados recolhidos no campo,


tendo em conta as vistas técnicas e método de colecta de dados apresentados. Com base na
deslocação do pesquisador para o Posto Administrativo de Socone, bem como nos seus
respectivos povoados, com o fim último de recolha de dados, obteve o seguinte resultado:

4.1. Nível de conhecimento sobre florestas

Num questionário dirigido a 60 pessoas, na razão de 100% dos entrevistados do Posto


Administrativo de Socone, distrito de Ile, sobre o conceito de Floresta, estes responderam que
não conhecem o conceito de Floresta, apesar de estarem a assistir empresas a gerirem os
campos, contendo eucaliptos. Estes também foram tão fracos que a penas reconhecem a sua
importância uma vês que eles são beneficiários de uma parte das plantações.

4.2. Envolvimento da população do Posto Administrativo de Socone na gestão


das florestas

O gráfico abaixo ilustra o nível de envolvimento da população do Posto Administrativo de


Socone na gestão das florestas.
Gráfico 1. Envolvimento da população do Posto Administrativo de Socone na gestão das
florestas
90 83.3
80
70
60
50
50
Entrevistados
40 Percentagem de entrevistados
30
20 16.7
10
10
0 0
0
Nenhum problema Falta de envolvimento Indiferente

Fonte: Luísa Luís Daniel (Extraído de dados da presente pesquisa)

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 19


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Em relação a esse indicado, o proponente da pesquisa questionou cerca de 60 pessoas nas


quais 10 pessoas, na razão de 10%, responderam que o posto administrativo não enfrenta
problemas sérios de falta de envolvimento, na gestão das florestas. Enquanto, os restantes 50
pessoas correspondente a 90% foram unânimes ao afirmar categoricamente, que a população
deste local enfrentam o problema de falta de envolvimento, dado que as pessoas sobrevivem
inteiramente da sua própria produção usando enxadas de cabo curto.

4.3. Proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto Administrativo


de Socone

O gráfico 2 abaixo, ilustra a Proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto
Administrativo de Socone.

Gráfico 2. Proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto Administrativo de


Socone

100
100
60
80
60
40
20 0 0 0 0
0
Entrevistados
Percentagem de entrevistados

Fonte: Luísa Luís Daniel (Extraído de dados da presente pesquisa)

Acerca da questão da proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto


Administrativo de Socone os 100% dos inqueridos as respostas convergiram, sendo que
referiam que as pessoas que gerem as florestas naquele local, são locais.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 20


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

4.4. Será que a gestão das florestas é adequada para a comunidade

No gráfico 3 abaixo, podemos observar o nível de adequamento da gestão das florestas para a
comunidade de Socone.

Gráfico 3. Adequamento da gestão das florestas para a comunidade

100
100
90
80
70 60

60
Entrevistados
50
Percentagem de entrevistados
40
30
20
10 0 0 0 0
0
Adequada Não Adequada Indiferente

Fonte: Luísa Luís Daniel (Extraído de dados da presente pesquisa)

Num questionário dirigido a 60 pessoas, na razão de 45% dos entrevistados do posto


administrativo de Socone, distrito de Ile, sobre a questão, responderam que a gestão das
flores não é adequada para as famílias dentro do posto, pois que, elas dependem das
actividades não agrícolas, tais como a venda de lenha, madeira, cana e carvão. E os 55% dos
inqueridos responderam que dependem da agricultura, pois esperavam de emprego formal.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 21


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

4.5. Apoio da estrutura local na gestão das florestas

No gráfico abaixo, podemos observar a Percepção das comunidades sobre o apoio da estrutura
local na gestão das florestas.

Gráfico 4. Percepção da comunidade sobre o opoio da estrutura local na gestão das florestas

90 83.3
80
70
60
50
50
Entrevistados
40 Percentagem de entrevistados
30
20 16.7
10
10
0 0
0
Não envolvimento Há envolvimento Indiferente

Fonte: Luísa Luís Daniel (Extraído de dados da presente pesquisa)

Em relação a esse indicado, o proponente da pesquisa questionou cerca de 60 pessoas nas


quais 10 pessoas, na razão de 10%, responderam que não se envolve, na gestão das florestas.
Enquanto, os restantes 50 pessoas correspondente a 90% foram unânimes ao afirmar
categoricamente, que a estrutura local envolve se, uma vês que parte dos trabalhadores é
proveniente da população local.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 22


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

4.6. Beneficiam das florestas às comunidades locais

O gráfico 5 abaixo ilustra a percepção da comunidade sobre o benefício das florestas às


comunidades.

Gráfico 5. Percepção da comunidade sobre o benefício das florestas às comunidades

60
60
50 40
36
40 24
30
20
10 0 0
Entrevistados
0 Percentagem de entrevistados

Fonte: Luísa Luís Daniel (Extraído de dados da presente pesquisa)

Num questionário dirigido a 60 pessoas, na razão de 100% dos entrevistados do posto


administrativo de Socone, 60% responderam que a população local se beneficia da gestão das
florestas. Os restantes 40%, foram unânimes em afirmar que, a principal fonte de rendimento
da maior parte das famílias provém de actividades não -agrícolas, tais como a venda de lenha,
madeira, cana e carvão.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 23


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4.7. Discussão dos resultados

Neste capitulo, destina se a confrontação dos resultados colectados no campo, as respostas


dadas pelos entrevistados, com as hipóteses colocadas anteriormente pela pesquisadora, como
provável resposta do seu problema colocado.

4.7.1. Primeira hipótese

O desconhecimento do papel das comunidades locais, por parte da liderança, pode estar na
origem das causas do não envolvimento das comunidades locais na gestão das florestas e uma
participação mais eficaz.

Para testar essa hipótese, foi lançada uma questão a 60 pessoas como factores de pesquisa, do
Posto Administrativo de Socone, onde 56 pessoas correspondentes a 96% dos entrevistados,
responderam que ao nível de todo o Posto Administrativo de Socone, apenas 15 membros do
Posto administrativo é que participa nas actividades da gestão das florestas. Uma
considerável parte das famílias, a sua principal fonte de rendimento da maior parte das
famílias provém de actividades não agrícolas, tais como a venda de lenha, madeira, cana e
carvão.

O autor da pesquisa, guiado pelas respostas dos entrevistados e das observações que fez no
terreno, não há sombras de dúvida que o Posto Administrativo de Socone, não é envolvido na
gestão dos recursos florestais.

4.7.2. Segunda hipótese

A falta de técnicos especializados na área de agronomia, pode estar na origem do não


envolvimento da comunidade, na gestão das florestas.

A questão de falta de técnicos especializados na área de agronomia, foi questionado a 60


pessoas na razão de 100% dos entrevistados, onde, estes por sua vez, responderam de viva
voz que no Posto administrativo de Socone, e ao nível de todos os povoados que compõem o
posto Administrativo, a assistência doas florestas é feita pelos técnicos provenientes de outros
distritos, nomeadamente: Gurué, Mocuba, Alto Molócue, Quelimane e maioritariamente na
cidade de Chimoio e Beira.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 24


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

4.7.3. Terceira hipótese

As políticas da empresa que gere as florestas, podem ser a causa principal da exclusão das
comunidades locais.

Nesta hipótese, foi lançada uma questão a 60 pessoas como factores de pesquisa, do Posto
Administrativo de Socone, onde 56 pessoas correspondentes a 96% dos entrevistados,
responderam que ao nível de todo o posto administrativo, não tem clareza das politicas e
regulamentos da empresa, dai que, a população limita se em concluir que, o comportamento e
o procedimento da empresa, tem a ver com as regras plasmadas na orgânica do projecto, em
função dos objectivos.

Ao passo que as restantes 4% dos inqueridos, disseram que Como consequência, a população
tem estado a se revoltar contra as acções e procedimento das actividades em vigor, na gestão
das florestas.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 25


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E SUGESTÕES

5.1. Conclusões

De acordo com os resultados obtidos na presente pesquisa conclui-se que:

o Os principais problemas do envolvimento da comunidade na gestão das florestas são:


aumento do índice do desemprego na comunidade, pois, é através do emprego que a
população busca a melhoria do nível de vida;
o A maior presença de técnicos externos ou seja, de fora do distrito, altera a dinâmica de
desenvolvimento e crescimento das comunidades, aumento da pobreza nas comunidades e
nas famílias, modifica a relação entre a comunidade e a empresa, e reduz o rítmo de
expansão da urbanização.

5.2. Sugestões

Com base nos resultados obtidos e as conclusões chegadas durante a pesquisa o autor sugere:

Às empresas ligadas ao ramo agrário

o Para que façam estudos repetitivos de envolvimento das comunidades, na gestão das
florestas no Posto Administrativo de Socone, bem como em diferentes locais do distrito
de Ile, para que se possa comprovar a legitimidade dos resultados do presente estudo e
obter uma amostra demonstrativa da realidade do distrito.

o O planeamento de utilização e maneio das florestas deve ser baseado primordialmente em


seu beneficia à população. Sendo que, para gerir as florestas de forma adequada, deve-se
levar em consideração direita como beneficiários.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 26


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alencastro, M. S. (2010). Ética empresarial na prática: liderança, gestão eresponsabilidade


corporativa (1ª ed.). Curutiba, Brasil: Ibpex.

FAO. (2010). Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Florestas: Global Forest
Resources Assessment 2010 (FRA 2010). Moçambique: FAO.

Ferreira, M. R. (1962). Manual de Iniciação ao Conhecimento Agrícola Florestal e Pecuário


de Moçambique. Lisboa: Tipografia Spanos.

Gardé, J. (1932). Do Empobrecimento Florestal da Colónia, Boletim de Estudos da Colónia


de Moçambique nº 3, Ano I. Lourenço Marques: Tipografia Popular de Roque
Ferreira.

Gebara, M. F. (2013). Importance of local participation in achieving equity in benefit-


sharing mechanisms for REDD+: a case study from the Juma Sustainable
Development Reserve (Vol. 7). Moçambique: International Journal of the Commons.

Gil, A. C. (2002). Como elaborar Projecto de pesquisa (4ª ed.). São Paulo: Editora Atlas.

Lakatos, E. M., & MarconiI, M. A. (1992). Técnicas de Pesquisa (5ª ed.). São Paulo: Editora
Atlas.

Richardson, R. J. (1999). Pesquisa Social. Métodos e Técnicas (3ª ed.). São Paulo: Editora
Atla.

Serra, C. M., Cuna, A., Amade, A., & Goia, F. (2014). O Impacto da Exploração Florestal
no Desenvolvimento das Comunidades Locais nas Áreas de Exploração dos Recursos
Faunísticos na Província de Nampula. Nampula: Observatório de Meio Rural.

Tancredo, D. (2010). Impactos Ambientais. Brasil: Meio ambiente qualidade de vida.

Teixeira, J. V. (2018). A Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas em


Moçambique: Caso dos distritos de Montepuez, Maúa, Marrupa e Majune. Lisboa:
Universidade Nova de Lisboa.

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 27


Impacto da Participação das Comunidades Locais na Gestão das Florestas na Zambézia: Caso do
Distrito de Ile (2018 – 2020)

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 28


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Apêndices

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 29


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Apêndice I: Guião de entrevista

Propósito da pesquisa: as informações que serão fornecidas pelo Governo do Distrito de Ile e
População são pertinentes para o conhecimento para maneio adequado dos campos agrícolas,
de forma a gestão sustentável.

Os resultados da pesquisa serão por mim usados para realização do trabalho de diploma e
pela instituição, bem como a população interessados na adopção de melhores técnicas pelo
governo para desenvolvimento de políticas na preservação dos solos.

1. O que é floresta para te?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

2. A população do Posto Administrativo de Socone é envolvida na gestão das florestas?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

3. Qual é a proveniência das pessoas que gerem as florestas do Posto Administrativo de


Socone?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

4. Será que a gestão das florestas é adequada para a comunidade?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

5. A estrutura local tem apoiado na gestão das florestas?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

6. Será que as florestas beneficiam as comunidades locais?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 30


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Apêndice II: Cronograma de Actividades

Para Gil (2002:163), “cronograma é a indicação do tempo necessário para o


desenvolvimento de cada uma das etapas da pesquisa”

Com base na ideia expressa acima, achou-se necessário fazer-se um cronograma, indicando
as actividades e o tempo que vai ser usado para a realização dessa actividade, conforme se
pode ver no quadro a seguir:

# Meses (2020)
Actividades Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov.
1. Levantamento da
literatura
2. Elaboração do projecto
3. Aquisição do material
para a pesquisa
4. Colecta de dados
5. Análise, compilação e
interpretação de dados
6. Elaboração do relatório
final
7. Revisão do trabalho
8. Entrega do relatório
final

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 31


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Distrito de Ile (2018 – 2020)

Apêndice III: Orçamento

Ordem Item Quant. Custo unitário Custo Total


(MZN) (MZN)
1. Material do escritório 02 500,00 1.000,00
2. Recarga de comunicação 02 500,00 1.000,00
3. Alimentação 04 400,00 1.600,00
4. Transporte 02 200.00 400,00
5. Digitação, impressão e ------ 1.000,00 1.000,00
encadernação
6. Diversos ------ 400,00 400,00
7. Imprevistos 10% 500,00
Total geral ……………………………………………………………………. 5.900,00

Autora: Luísa Luís Daniel Monografia, 2020 Página 32

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