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EEL 521 – Eletricidade I – Capítulo 4

CAPÍTULO 4

TEOREMAS DE LINEARIDADE

4.1 – TEOREMA DA SUPERPOSIÇÃO

Neste capítulo são estudados teoremas que decorrem da linearidade das equações que mode-
lam os circuitos elétricos. Um componente é linear se a corrente no mesmo for proporcional à
tensão aplicada, i.e., corrente e tensão obedecem à Lei de Ohm. Um componente é dito bilate-
ral quando a inversão na polaridade da tensão provoca a inversão no sentido da corrente, mas
não afeta o seu módulo. Qualquer circuito formado por fontes de tensão, fontes de corrente e
resistências será sempre linear e bilateral.

O Teorema da Superposição afirma que em um circuito linear e bilateral, a corrente e a tensão


em qualquer componente podem ser expressas pela soma algébrica dos efeitos provocados por
cada fonte separadamente. Para isso, deve-se considerar uma fonte atuando de cada vez, com
as demais em repouso, i.e.:

Tipo de Fonte Modelo em Repouso


Fonte de tensão Tensão = 0  Curto-circuito
Fonte de corrente Corrente = 0  Circuito aberto

Exemplo

Determine, usando o Teorema da Superposição, as correntes I1 e I2 no circuito abaixo:

Solução

De acordo com o teorema da superposição:

I1  I1Fonte1  I1Fonte2 (1)

I 2  I Fonte
2
1
 I Fonte
2
2
(2)

onde:

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 I1Fonte1 é a contribuição da Fonte 1 para a corrente I1;


 I1Fonte 2 é a contribuição da Fonte 2 para a corrente I1;
 I Fonte
2
1
é a contribuição da Fonte 1 para a corrente I2;
 I Fonte
2
2
é a contribuição da Fonte 2 para a corrente I2.

A contribuição de uma fonte é obtida colocando-se esta em operação e deixando as demais em


repouso. Neste exemplo, têm-se apenas duas fontes, então:

a) Contribuição da Fonte 1:

Neste caso, a Fonte 1 (de corrente) é colocada em operação, e a Fonte 2 (de tensão) fica
em repouso, i.e., substituída por um curto-circuito. Deve-se resolver o seguinte circuito:

Por divisor de corrente:

10
I1Fonte 1  3  2 A (3)
5  10

5
I Fonte
2
1
 3 1A (4)
5  10

Estas são, portanto, as contribuições da Fonte 1 para as correntes I1e I2.

b) Contribuição da Fonte 2:

Neste caso, a Fonte 2 (de tensão) é colocada em operação, e a Fonte 1 (de corrente) fica
em repouso, i.e., substituída por um circuito aberto. Deve-se então resolver o circuito:

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Neste caso, tem-se uma única corrente que circula em sentido horário, saindo do terminal
positivo da fonte, e retornando para o terminal negativo, como mostra a figura:

Pela Lei de Ohm:

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I 1A
5  10

Mas, de acordo com os sentidos especificados para as correntes I1 e I2, têm-se:

I1Fonte2  I  1 A (5)

I Fonte
2
2
 I 1A (6)

Estas são as contribuições da Fonte 2 para as correntes I1 e I2.

c) Fazendo a superposição:

De acordo com (1) e (2), e usando os resultados de (3), (4), (5) e (6), vem:

I1  I1Fonte1  I1Fonte2  2  (1)  1 A

I 2  I Fonte
2
1
 I Fonte
2
2
 11  2 A

d) Observação:

Só para confirmar, note que as mesmas correntes poderiam ter sido obtidas resolvendo-se
o circuito com as ambas as fontes em operação simultaneamente. Neste caso:

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Equacionando a LKC em qualquer um dos nós obtém-se:

I1  I 2  3

Equacionando a LKT na malha da direita, em sentido horário:

5I1  10I 2  15  0

Organizando estas duas equações em um sistema, vem:

I1  I 2  3

5I1  10I 2  15

Resolvendo o sistema, chega-se a I1 = 1 A e I2 = 2 A, que confirma o resultado obtido por


superposição!

Finalmente, pode-se concluir que a aplicação do Teorema da Superposição faz com que a so-
lução de um circuito complexo com N fontes independentes de tensão e/ou corrente seja feita
a partir de um conjunto de N análises de circuitos simples, i.e., com uma única fonte.

Exercício

Determine a corrente I0 por superposição. Obs.: Não é necessário resolver este exercício com
as fontes operando simultaneamente, como feito no item (d) do exemplo anterior.

4.2 – TEOREMA DE THÉVENIN

O Teorema de Thévenin (lê-se “Tevenan”) garante que qualquer rede linear de dois terminais
com fontes de tensão, de corrente e resistores pode ser modelada por um circuito equivalente
formado por uma fonte de tensão em série com uma resistência.

Esse tipo de equivalente é especialmente útil quando se deseja calcular tensões e correntes em
apenas uma parte do circuito, chamada “rede de interesse”. Para reduzir a dimensão do siste-
ma de equações, a outra parte da rede é representada por um circuito denominado Equivalente
Thévenin, que, como já mencionado, é composto de uma fonte e uma resistência ligadas em
série. As figuras a seguir ilustram o princípio do teorema.

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Na primeira figura, tem-se o circuito original, onde a rede linear é conectada à rede de interes-
se pelos terminais “a” e “b”. Na segunda figura, a rede linear é substituída por seu equivalente
Thévenin. Deve-se frisar que as correntes e tensões existentes na rede de interesse não se mo-
dificam ao se substituir a rede linear pelo equivalente Thévenin! Os parâmetros do equivalen-
te são a tensão ETH e a resistência RTH, que devem ser determinados como descrito a seguir.

a) Tensão de Thévenin:

É a tensão entre os terminais “a” e “b” da rede linear, quando a rede de interesse é desco-
nectada, i.e., é a tensão de circuito aberto da rede linear, como mostra a figura:

b) Resistência de Thévenin:

É a resistência equivalente entre os terminais “a” e “b” da rede linear com suas fontes em
repouso, quando se remove a rede de interesse.

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Exemplo

Considere a rede abaixo, onde RL é um resistor de carga.

Calcule, usando o Teorema de Thévenin, a corrente no resistor de carga, quando: RL = 10 ,


50  e 70 .

Solução

Inicialmente, deve-se observar que a rede de interesse é o próprio resistor de carga, sendo o
restante do circuito admitido como a rede linear externa. Assim:

Deseja-se representar a rede linear por seu equivalente Thévenin, de modo que o circuito a ser
analisado terá a seguinte forma:

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A determinação dos parâmetros do Equivalente Thévenin é feita a seguir.

a) Tensão de Thévenin:

ETH é a tensão entre os pontos “a” e “b” da rede linear, quando a rede de interesse é des-
conectada da mesma. Assim:

Ao se remover o resistor RL, a corrente e a tensão entre os pontos “c” e “a” tornam-se nu-
las. Aplicando a LKT, vem:

40  20 I  20 I  0  40  40 I  0  I  1A

Observe que a tensão entre “a” e “b” é igual à tensão entre os pontos “c” e “d”. Assim:

ETH  20 1  20 V

b) Resistência de Thévenin:

Para calcular RTH, deve-se desconectar a rede de interesse e encontrar a resistência equiva-
lente entre os terminais “a” e “b” da rede linear em repouso. Assim:

Note que há um resistor de 20  em série com o paralelo de dois resistores de 20 , i.e.:

20  20
R TH  20   20  10  30 
20  20

Assim, o Equivalente Thévenin da rede linear é:

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Este circuito exerce sobre RL a mesma influência que a rede linear original. Logo, para de-
terminar a corrente no resistor de carga, basta conectá-lo ao equivalente, obtendo:

20
Pela LKT: 20  30 IL  R L IL  0  IL 
30  R L

20
 Para RL = 10   IL   0,50 A
30  10

20
 Para RL = 50   IL   0,25 A
30  50

20
 Para RL = 70   IL   0,20 A
30  70

Exemplo

Calcule a corrente I0 usando o Equivalente Thévenin.

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Solução

Neste exemplo, tem-se o resistor de 20  como rede de interesse, e o restante como rede line-
ar externa, i.e.:

A determinação dos parâmetros do Equivalente Thévenin é feita a seguir.

a) Tensão de Thévenin:

ETH é a tensão entre os pontos “a” e “b” da rede linear, quando a rede de interesse é des-
conectada. Assim:

Neste circuito, ao aplicar a LKT:

10 2
20  5 I  10 I  10  0  10  15 I  0  I  A
15 3

Observe que a tensão entre “a” e “b” é igual a:

2 50
E TH  20  5 I  20  5   V
3 3

Ou, de outra forma, para confirmar:

2 50
E TH  10  10 I  10  10   V
3 3

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b) Resistência de Thévenin:

Para calcular RTH, deve-se desconectar a rede de interesse e encontrar a resistência equiva-
lente entre os terminais “a” e “b” da rede linear em repouso. Assim:

Observando-se entre os pontos “a” e “b”, os resistores estão em paralelo. Assim:

5  10 50 10
R TH    
5  10 15 3

Logo, o Equivalente Thévenin da rede linear é:

Para determinar a corrente desejada, deve-se conectar a rede de interesse (i.e., o resistor de
20 ) ao circuito equivalente, obtendo:

Assim, tem-se, finalmente:

50 / 3 50 / 3 5
I0    A
10 / 3  20 70 / 3 7

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4.3 – TEOREMA DE NORTON

O Teorema de Norton garante que qualquer rede linear de dois terminais com fontes de ten-
são, de corrente e resistores pode ser modelada por um circuito composto de uma fonte de
corrente em paralelo com uma resistência. O propósito é o mesmo do Teorema de Thévenin,
i.e., reduzir a rede linear externa a um equivalente que seja mais simples, quando o foco é a
determinação de tensões e correntes na rede de interesse. A figura abaixo ilustra essa ideia:

Os parâmetros do Equivalente Norton são:

a) Corrente de Norton:

É a corrente que flui por um curto-circuito entre os pontos “a” e “b”, quando a rede de in-
teresse é removida, i.e., é a corrente de curto-circuito da rede linear, como mostra a figura:

b) Resistência de Norton:

É a resistência equivalente entre os terminais “a” e “b” da rede linear com suas fontes em
repouso, quando a rede de interesse é removida. Note que a resistência de Norton é igual à
resistência de Thévenin. A diferença é que no equivalente Thévenin ela é colocada em sé-
rie com uma fonte de tensão, e no equivalente Norton, ela fica em paralelo com uma fonte
de corrente. A figura a seguir ilustra o conceito da resistência de Norton.

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Exemplo

Determine a tensão e a corrente na resistência de carga RL usando o Equivalente Norton.

Solução

Neste exemplo, tem-se o resistor de 3,6  como rede de interesse, e o restante como rede li-
near externa, i.e.:

Deseja-se representar o circuito da seguinte maneira:

Para isso, os parâmetros IN e RN são determinados a seguir:

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a) Corrente de Norton:

IN é a corrente que flui por um curto-circuito entre os pontos “a” e “b”, quando a rede de
interesse é removida. Neste caso:

Note que o resistor de 6  fica em paralelo com o curto-circuito. Logo, como sua tensão é
nula, sua corrente também é nula, pois I = V/R. Portanto, a corrente IN circulará pela fon-
te, pelo resistor de 4  e pelo curto-circuito, como mostrado acima. Ao aplicar a LKT:

10
10  4 I N  0  IN   2,5 A
4

b) Resistência de Norton:

RN é a resistência entre os terminais “a” e “b” da rede linear em repouso. Neste exemplo:

Observando-se entre os pontos “a” e “b”, os resistores estão em paralelo. Assim:

4  6 24
RN    2,4 
4  6 10

Logo, o Equivalente Norton da rede linear é:

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Para determinar a corrente e a tensão desejadas, deve-se conectar a rede de interesse (i.e.,
o resistor de 3,6 ) ao circuito equivalente, obtendo:

Por divisor de corrente:

2,4
IL   2,5  1 A
2,4  3,6

Pela Lei de Ohm:

VL  3,6  IL  3,6 V

Exercício

Determine o Equivalente Norton para calcular a corrente no resistor de 5  no circuito:

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