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SEMINÁRIO MAIOR MÃE DA SANTA ESPERANÇA

PROPEDÊUTICO

JEFFERSON MANOEL SILVA

NA CRUZ NÃO FALTA NENHUM EXEMPLO DE VIRTUDE:


A CRUZ NA PRIMEIRA CARTA DOS CORÍTIOS E NOS EVANGELHO
SEGUNDO LUCAS E JOÃO.

Recife-PE
2021
1.Resumo

MANOEL, Jefferson. Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude: a cruz na primeira
carta de São Paulo aos coríntios, e nos evangelhos segundo Lucas e João. Artigo
científico. Propedêutico do Seminário Maior Mãe da Santa Esperança. Recife.
P(4),2021.
Este Artigo científico teve como objetivo apresentar a cruz nos evangelhos de São
Lucas e São João como também na primeira carta de São Paulo aos Coríntios para
melhor entender o conseito descrito da cruz na bíblia com a apresentação desses
pontos, onde também aparece a opinião do livro: “A cruz a imagem do ser humano
redimido” que tem por escritor Anselm Grün. Venho trabalhar à Espiritualidade da
cruz e apresentar de maneira simples e objetiva.

Palavras-chaves: Cruz,São Lucas, A loucura da Cruz, São Paulo, Sabedoria de Deus.

1.Summary

MANOEL, Jefferson. There is no lack of virtue on the cross: the cross in the first
letter of Saint Paul to the Corinthians, and in the gospels according to Luke and John.
Scientific article. Propaedeutic of the Greater Mother Seminary of Santa Esperança.
Recife. P (4), 2021.
This scientific article aimed to present the cross in the gospels of St. Luke and St.
John as well as in the first letter of St. Paul to the Corinthians to better understand
the concept of the cross described in the bible with the presentation of these points,
where the opinion of the book also appears. : “The cross the image of the redeemed
human being”, written by Anselm Grün. I come to work on the spirituality of the
cross and present it in a simple and objective way.

Keywords: Cruz, São Lucas, The madness of the Cross, São Paulo, Wisdom of God.
2.Metodologia

Trata-se de uma pesquisa do tipo Artigo científico com o bjetivo de apresentar a cruz
nos evangelhos de São Lucas e João e na primeira Carta de São paulo aos Coríntios,
foram usados pesquisas em livros e sites que tratam do assunto.

2.1. Justificativa
Esta pesquisa foi feita para apresentar a um público e também para melhor entender
a espiritualidade da cruz, apresentar para um professor a pedido do mesmo e esta
pesquisa também foi feita pelo interesse no assunto, este tema pode também
aproximar as pessoas da cruz e conhecer a sua história na vida de Jesus.

3.Introdução
A Cruz nos Evangelhos de Lucas e João como também na primeira carta de São Paulo
aos Coríntios nos revela que o que antes era um sinal de morte e castigo foi
trasformado em salvação. Anselm Grün (2009) cita que,
Para os teólogos primitivos da Igreja, a cruz era um escândalo. Para seus discípulos, foi
inicialmente um choque paralisador que o rabi judeu Jesus, que contava de maneira tão
fascinante sobre Deus, que curou doentes e deu ânimo a pecadores, tivesse de morrer na cruz.
Eles se retiraram e se segregaram. Somente a experiência da ressurreição de Jesus e o envio do
Espírito deram coragem aos discípulos para anuciar Jesus no mundo inteiro como Messias
enviado por Deus, como o Filho de Deus, como Ressucitado. Já os evangelistas e depois todos
os autores das cartas neotestamentárias e os teólogos da Igreja primitiva, tentaram entender a
cruz e descobrir nela um sentido mais profundo. E encontraram esse sentido ao ver realizadas
na cruz todas as imagens proporcionadas pelas histórias do Antigo Testamento e da filosofia
grega. Dessa maneira, o escândalo da cruz tonou-se ao mesmo tempo sinal da sabedoria de
Deus, no qual se sintetizaram em uma única imagem os conhecimentos das Sagradas
Escrituras e os conhecimentos da filosofia e poesia gregas1.

4. A loucura da Cruz:

1
GRÜN, Anselm. A cruz a imagem do ser humano redimido. Paulus: São Paulo. 2009.
A cruz mostra a imagem de um Deus que ousa humilhar-se em seu filho Jesus Cristo e
abri-se aos fracos. E vê na cruz um protesto contra todo autoelogio, como se alguém
pudesse tornar-se justo por força própria e confiar em suas próprias obras religiosas.
A cruz torna visível a sabedoria de Deus, que consiste justamente em seu amor que não exclui
ninguém, mas que se volta especialmente às pessoas fracas e fracassadas. A cruz é o sinal de
um amor incodicinal que dá esperança a cada pessoa que não tem nada a mostrar, que tem a
sensação de estar diante de um monte de cacos2.

Paulo fala em sua primeira carta aos coríntios: “Com efeito, a linguagem, da cruz é
loucura para aqueles que se perdem, mas para queles que se salvam, para nós, é
poder de Deus. A realidade da salvação pela Cruz é escândalo para os judeus e
loucura para os gregos. Entretanto, para os que se salvam, cristo Cruscificado é Poder
e Sabedoria de Deus:
PODER: porquando um Cristo derrotado, aniquilado e morto pelos inimigos, que
incendeia a vida pelo mundo afora, só pode ser Obra divina.
SABEDORIA: a sabedoria humana na libertação do Homem falhou; aprouve, então, a
Deus salvar os que crêem pela loucura da sua mensagem. Na Cruz resplandece
inequivocamente o amor dadivoso de Deus pelos homens: nela, ilumina-se a verdade
de que, na esfera da Vida divina, Enxertada em nós tudo é dom de Deus, que ama.
Cristo quis se revelar para aqueles que nao tinham tanto conhecimento na visão do
povo da época, os não-doutores, os não-escribas, os não-conhecedores da lei. Denis
Duarte cita que,
E São Paulo quer mostrar a diferença entre a sabedoria humana e a divina. Por isso lança a
pergunta: Onde está o sábio? Onde está o escriba? (1,20). O sábio é aquele que se baseia nos
conhecimentos da filosofia grega e que acredita somente na razão. Para este a cruz é loucura,
pois, segundo a razão grega, como seria possível um Deus que não salvando a si mesmo, pois
morreu na cruz, salvaria aos outros? (1,22)
Temos também os escribas. Estes se baseavam nos conhecimentos da própria Sagrada
Escritura. Aqueles que vindo da tradição judaica esperavam um Messias vitorioso, um Deus
que reinaria também politicamente. Por isso, para estes a cruz é escândalo, pois como poderia
o Messias morrer numa cruz? (1,22)
Sendo assim, Paulo apresenta uma inversão: a loucura é se basear na sabedoria deste mundo.
Pois a sabedoria deste mundo (1,20) – seja de sábios gregos, seja de escribas judeus – não
reconheceu a Deus e Sua sabedoria. Por isso, a mensagem da cruz é sim uma loucura, mas
diferente da humana, pois salva os que nela creem (1,21).
E deixa ainda claro, que os próprios sábios e escribas podem alcançar essas força e sabedoria
de Deus. Para tanto, basta se tornarem eleitos, ou seja, acreditarem na loucura de Deus,
linguagem da cruz de Cristo (1,24)3.
Denis Duarte deixa bem claro a ideia que São Paulo quer passar as pessoas do seu
tempo, revelando um Deus que se fez homem para alcançar o homem por meio da
Cruz.

2
GRÜN, Anselm. A cruz a imagem do ser humano redimido. Paulus: São Paulo. 2009.
3
DUARTE, Denis. Estudo: I carta aos Coríntios 1,18-31. blog.cancaonova.com. 2012.
A Paixão de Cristo segundo São Lucas mostra toda a agonia e sofrimento de Jesus
no caminho até sua morte, nesse Evangelho possui algumas características
especiais, que não foram anotadas pelos outros evangelistas. Lucas entende que
Jesus como o caminhante divino que desce do céu para nos visitar.
Ja no final do Capítulo 19,21-44 do seu evangelho Ele fala :
“41 Ao ver mais de perto a cidade Jesus chorou sobre ela , dizendo : 42 " Se ao menos tu neste
dia conhecesses o que pode trazer a paz ! Mas isto agora está oculto a teus olhos . 43 Porque
dias virão sobre ti , em que os inimigos te cercarão com trin cheiras , te sitiarão e te apertarão
por todos os lados , 44 te arrasarão junta mente com teus habitantes , e não deixarão de ti pedra
sobre pedra , por não teres reconhecido o tempo em que Deus veio para salvar - te "4.

No livro “Comentario ao Evangelho de São Lucas” Boccali Lancellotti nos seus


comentos relembra algumas partes do evangelho que Chamam bastante atenção,
ele cita que,
41. chorou sobre ela : o " pranto " de Jesus sobre a cidade santa , mencionado apenas por
Lucas , repete um motivo literário e teológico característico na Bíblia : pela boca de Jeremias ,
Deus assim se lamenta : " Meus olhos derramam lágrimas noite e dia , sem parar , porque foi
atingida por uma grande desgraça a filha do meu povo ; com imensa ferida foi magoada e não
ficará curada ” ( Jr 14,17 ) . 42. conhecesses : não se trata de uma ignorância intelectual , que
poderia servir de atenuante , mas de voluntária e , portanto , culposa , recusa da " visita ”
salvífica de Deus . Jerusalém , recu sando - se a fazer o que lhe era exigido para sua salvação
( = 0 que pode trazer a paz ) , atraiu sobre si os horrores da guerra aniquiladora . " Tu me
esqueceste declara Deus a Jerusalém – e me voltaste as costas , e eu estenderei a mão sobre ti e
te exterminarei ” ( Jr 15,6 ) . 43. virão sobre ti : embora mensageiro de paz , Jesus é obrigado a
fazer profecias de desgraças . A predição da destruição de Jerusalém , colocada pelos três
sinóticos no discurso escato lógico , do qual já temos uma antecipação em Lc 13,34-35 , é
formulada quase inteiramente com conceitos e motivos literá rios próprios do AT ( cf. Is 29,3-
4 ; Os 14,1 ; Na 3,10 ; si 137,9 ) . Com os pormenores da predição , comuns na antiguidade a
qualquer cerco e conquista de cidades , não é mister , para sua explicação , recorrer ao
conhecido expediente da profecia de fatos acontecidos ( post eventum ) 5.

Ao fazer esse comentário Boccali mostra com mais clareza o que o evangelista quis
apresentar nesse capítulo, mostrando assim tanto a tristeza de Jesus quanto a sua
revolta de um povo que não procurava uma mudança de vida verdadeira.
Mais a frente do evangelho no capítulo 23,33-34 mostra que Jesus rezava enquanto
era crucificado “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus
e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-
lhes! Eles não sabem o que fazem!’’’
Padre Paulo Ricardo faz um comentaria sobre esse versículo em uma de suas
homilias ele cita que,
Cristo orante não pretendia apenas servir de exemplo para nós, mas também pedir eficazmente a
Deus pela nossa salvação. É graças à Sua intercessão que somos verdadeiramente remidos. Isso

4
Biblia Sagrada
5
LANCELLOTTI, Boccali. Comentários ao Evangelho de São Lucas. Vozes: Petrópolis. 1979.
fica muito claro quando Ele diz a Pedro: "Simão! Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-
vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça" (Lc 22, 31-
32)6.

O escritor Anselm Griin ainda fala no seu livro sobre o evangelho de São Lucas ele diz
que, a cruz é uma imagem daquilo que cruza e contraria diaramente nosso caminho e
nossa vida para quebrar as ideias erradas que construímos em relação a nós mesmos.
Nossas autoimagens devem ser esmagadas pela cruz, para que nós, nosso verdadeiro
ser, não sejamos esmagados, mas possamos brilhar de modo cada vez mais claro e
belo.
Com sua compreensão da cruz , Lucas está na linha da literatura sapiencial judaica , para a qual o sofrimen to era a
passagem inevitável para a glória . Isso se mos tra em sua interpretação da palavra sobre o carregar da cruz : “ Se alguém
quer me seguir , renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga me”(9,23)7.

O Evangelho de João conhece uma teologia da cruz totalmente diferente . Para João ,
a cruz é a plena realização da encarnação . A cruz é o momento em que mais brilha a
glória de Deus , que ficou visível na Palavra que se tornou carne . A Palavra tornou-se
carne, carne fraca e débil. A glória divina não brilha no poder exterior, mas
justamente na debilidade ,na impotência do amor humano. Por isso, João, o Batista,
testemunha Jesus como luz (João 1,8) exatamente na imagem do cordeiro que não se
defende diante da violência. Anselm Griin (2009) cita que,
Por isso , a cruz é para João a verdadeira re velação da glória de Deus . Na cruz , Jesus é
elevado . Em sua elevação , o amor de Deus que foi o motivo para que Deus se tornasse um ser
humano torna - se visível para todos os seres humanos . Na cruz , torna - se visível o que é a
natureza da Palavra de Deus : o amor misericordioso e salvífico . Por isso , a cruz é o convite
mais alto de Deus para crer nesse amor misericordio so . Mas , ao mesmo tempo , a cruz é
juízo . Quem deixa de escutar esse convite de Deus e continua a não ver em Jesus o Filho de
Deus permanece preso em suas próprias trevas8.

João no seu evangelho compara Jesus na cruz com a seperte que Moisés afixou num
poste de bandeira para que os israelitas que foram picados por serpentes venenosas
pudessem curar-se ao olhar para essa serpente elevada “assim como Moisés
levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o filho do Homem
seja levantado. Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna” (João
3,14s).
O Catecismo da Igreja Católica no seu parágrafo de número 1182 fala que,

6
RICARDO, Paulo. A Paixão de Cristo segundo São Lucas. Padrepauloricardo.org. 2019.
7
GRÜN, Anselm. A cruz a imagem do ser humano redimido. Paulus: São Paulo. 2009.
8
GRÜN, Anselm. A cruz a imagem do ser humano redimido. Paulus: São Paulo. 2009.
 O altar da nova aliança é a cruz do Senhor, da qual brotam os sacramentos do mistério pascal.
Sobre o altar, que é o centro da igreja, se faz presente o Sacrifício da Cruz sob os sinais
sacramentais. Ele é também a mesa do Senhor, para a qual o povo de Deus é convidado. Em
certas liturgias orientais, o altar é também o símbolo do sepulcro (Cristo morreu de verdade e
ressuscitou de verdade).

Nas Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero fala que na cruz não falta
nem um exemplo de virtude. “Que necessidade havia para que o Filho de Deus
sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser
remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.  Foi em primeiro
lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os
males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.
Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo
é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada
mais tem a fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o
que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.”

5. COCLUSÃO
A Cruz nos Evangelhos de Lucas e João como também na primeira carta de São Paulo
aos Coríntios nos revela que o que antes era um sinal de morte e castigo foi
trasformado em salvação. Nesse artigo também apresenta a ideia do significado da
cruz na humanidade antigamente como também atualmente.

REFERIÊNCIAS:
Anselm Gün. A cruz a imagem do ser humano redimido. Paulus: São Paulo. 2009.
Padre Paulo Ricardo. A Paixão de Cristo segundo São Lucas. Padrepauloricardo.org. 2019.
Biblia Sagrada.
Boccali Lancellotti. Comentários ao Evangelho de São Lucas. Vozes: Petrópolis. 1979.
Denis Duarte. Estudo: I carta aos Coríntios 1,18-31. blog.cancaonova.com. 2012.

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