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CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS

Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica


CRBio 109592/01-D

MÓDULO 2

lais.ubaldo.89@gmail.com
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MATERIAL DE APOIO
MÓDULO 2 – PAPILOSCOPIA

INTRODUÇÃO À PAPILOSCOPIA FORENSE

A Papiloscopia é a ciência que trata da identificação humana por meio do


exame dos relevos irregulares formados pelas projeções das papilas dérmicas,
pequenas bolsas de formação neurovascular projetadas a partir da camada
mais profunda da pele, a derme. Estes relevos, denominados de desenhos
papilares, são também visualizados na camada mais superficial da pele, a
epiderme, podendo ser encontrados nas extremidades digitais, palma das
mãos e planta dos pés (Senna, 2014).

Papilla = do latim = significa papila


Skôpein = do grego = significa examinar

Camadas da pele

As impressões papilares são formadas pela reprodução destes relevos em


superfícies, as quais se dividirão, segundo a sua localização, em: impressões
digitais, palmares e plantares. Os métodos que analisam estas regiões e que

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são subdivisões da Papiloscopia, são respectivamente: Dactiloscopia,


Quiroscopia e Podoscopia (Ferreira e Brito, 2012).
Se reproduzirmos o desenho digital em alguma superfície teremos a
impressão digital, se for a reprodução do desenho palmar, teremos a
impressão palmar e se for a reprodução da região plantar, teremos a impressão
plantar.
Quando for reproduzido as três regiões ou quando não é possível
inicialmente determinar a que região pertence um fragmento de impressão,
denomina-se impressão papilar, referente as três regiões anatômicas: pés,
mãos e dedos.
O objetivo da Papiloscopia será fornecer a autoria de uma impressão
desconhecida (impressão questionada), por meio do confronto com uma
impressão já individualizada (impressão padrão), seguindo-se os métodos
científicos de Análise, Comparação, Avaliação e Verificação (Velho, Geiser e
Espíndula, 2013).
A identificação de uma pessoa por meio desta metodologia pode ser
utilizada tanto para fins civis, como criminais, sendo que nos dois
procedimentos, o objetivo principal será impedir que determinado indivíduo
seja tido por outrem, evitando-se desta forma inúmeros problemas, como uma
pessoa inocente seja acusada de autoria de um delito em virtude de equívoco
na sua identidade.

CONCEITOS, HISTÓRICO E METODOLOGIAS APLICADAS NA


IDENTIFICAÇÃO HUMANA

Cada pessoa apresenta uma característica própria que a diferencia dos


demais e este conjunto de caracteres próprios e exclusivos que individualizam
pessoas, animais ou coisas é que compõem a nossa identidade (Ferreira e Brito,
2012).

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Para se estabelecer a identidade de cada pessoa, é necessário que haja


um método para que possamos diferenciar uma pessoa da outra. Este processo
ou conjunto de processos destinados a estabelecer a identidade de uma
pessoa é o que denominamos de identificação.
Com o intuito de estudar estas particularidades de cada indivíduo é que
ao longo da história surgiram diversos métodos de identificação, sendo que,
os primeiros eram tidos como métodos primitivos de identificação, pois eram
considerados como forma de simples reconhecimento dos indivíduos e
somente após o avanço da ciência na segunda metade do século XIX, é que
surgiram os métodos científicos de identificação. Os primeiros processos de
identificação (os primitivos) buscavam apenas diferenciar uma pessoa natural
em vida na sociedade, surgindo desta forma a individualização por nomes.
Com o passar do tempo, o homem sentiu a necessidade de diferenciar as
pessoas nocivas à sociedade e criou métodos de identificação criminal que
desrespeitavam a dignidade da pessoa humana, sendo que isto só foi notado
ao longo dos anos. Como exemplo destes métodos, pode-se citar o Ferrete,
onde se utilizava um ferro em brasa para marcar os criminosos de acordo com
o crime cometido, sendo este também aplicado aos escravos fugitivos; e a
mutilação, que consistia na amputação de algumas partes do corpo. Estes
processos de identificação tinham dupla finalidade, a de punir e identificar.
Além destes métodos, a tatuagem também foi proposta como método de
identificação em 1832 por Jeremy Bentham, sendo a primeira vez que se
pensou em identificar todas as pessoas, mas como a proposta de Bentham era
tatuar o indivíduo logo ao nascer com o seu nome no antebraço, esta ideia foi
considerada extremamente constrangedora pela sociedade e o seu método
acabou não sendo utilizado.
Para suprir a necessidade de identificação mais humanizada, surge o
processo fotográfico e os métodos científicos de identificação, como o
Antropométrico de Bertillon, Odontológico, Papiloscópico e DNA.

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A diferença entre se identificar e reconhecer trata-se de que identificar


não é apenas reconhecer, é provar por meios técnicos, precisos, inconfundíveis
e irrefutáveis que uma pessoa é totalmente distinta de qualquer outra do
universo.
Os métodos de identificação utilizados são basicamente, o Papiloscópico,
o Odontológico e o DNA. Destes, a Papiloscopia é o mais utilizado dentre estes
métodos por ser considerada mundialmente um método seguro, eficaz e
principalmente de baixo custo (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).
Quando pensamos em identificação, sempre parte-se do método mais
barato para o mais caro, portanto em primeiro lugar utilizamos o método
Papiloscópico, se este não puder ser utilizado, pensa-se no Odontológico, não
sendo possível a utilização deste, pensa-se no DNA que é o mais caro.
A biometria é também um método utilizado que auxilia o processo de
identificação. Neste processo temos um reconhecimento do indivíduo
mediante análise das características físicas (impressão digital, íris, ramificações
venosas, entre outros), geometria (medida da face, mão, entre outros) e
comportamentais únicas (frequência de voz). Estes métodos exigem a utilização
de equipamentos sofisticados e de alto custo (Ferreira e Brito, 2012).

Biometria = significa “medida da vida”

Para o funcionamento de um sistema biométrico é necessário que existam


nas unidades que o utilizarão, além de pessoas treinadas, terminais
previamente configurados e providos de um sensor que capture a imagem a
ser analisada. No caso de um sistema biométrico que analise as impressões
digitais é necessário, por exemplo, de um sensor óptico (scaner) apto a fazer o
escaneamento destas. O usuário coloca o dedo sobre o scaner, e o mecanismo
o fotografa. O reconhecimento é feito com base nas cristas (partes mais
salientes do dedo). O programa vai selecionar alguns pontos de destaque,

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chamados de pontos característicos, e a partir daí será gerado uma relação


numérica que representará a imagem, isto faz com que gere mais espaço nos
discos e aumente a agilidade nas buscas.
Este método exige que o usuário se registre no sistema, permitindo a
coleta de certas características exteriores, como por exemplo, a impressão
digital, também será armazenada a fotografia e alguns dados qualificativos. Em
seguida, os dados são convertidos em um padrão único e começam a integrar
o banco de dados do sistema.
Quando o usuário resolver acessar o sistema, suas medidas são
comparadas àquelas do banco de dados e o acesso será permitido quando
houver coincidência dos padrões.
Apesar da existência de vários sistemas de identificação, aquele que
conseguiu superioridade aos demais, principalmente em questão da
praticidade da coleta de dados, além da segurança nos resultados que
apresenta e do custo reduzido de sua utilização, foi o Sistema Papiloscópico.

DACTILOSCOPIA

É o método de identificação através das impressões digitais. Este método


de identificação tem aplicação mais ampla, pois a tomada das impressões
digitais é bem mais simples que das demais regiões, além dos dez dedos
oferecem elementos abundantes para classificação e subclassificação,
possibilitando desta forma, o arquivamento destas impressões.
Existem dois tipos de identificação onde coletamos as impressões digitais,
para identificação criminal e cível.
Para Identificação Criminal as impressões digitais serão coletadas na
chamada ficha dactiloscópica, que é um retângulo de papel, onde se tem
determinado a posição de cada dedo e a mão a que se refere.

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No verso desta ficha, temos espaço para coleta de dados qualificativos e


lugar para coletar as chamadas impressões de controle, que servem para
verificar se não houve troca dos dedos pelo operador no anverso da individual
dactiloscópica.
Quando a ficha dactiloscópica recebe as impressões digitais é chamada
de individual datiloscópica.
Estas individuais dactiloscópicas são armazenadas no arquivo
decadactilar pela chamada fórmula dactiloscópica, cada impressão digital
recebe uma classificação de acordo com a configuração do desenho que ela
apresenta, segundo o Sistema Dactiloscópico de Vucetich.

SISTEMA DACTILOSCÓPICO DE VUCETICH

Juan Vucetich observou que as impressões poderiam ser classificadas e


reunidas em grupos, construindo inclusive formas mais eficientes para a sua
coleta, e criou o método de identificação baseado na presença ou ausência do
delta. Os quatro tipos fundamentais do Sistema Dactiloscópico de Vucetich são
o Arco, Presilha Interna, Presilha Externa e Verticilo, representados nos
polegares pelas letras A, I, E, V e pelos respectivos algarismos 1, 2, 3 e 4 nos
demais dedos. Este tipo de classificação é utilizada no Brasil desde 1905,
quando a Papiloscopia foi introduzida no país.
Ilustração do Sistema Dactiloscópico de Juan Vucetich

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Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

- Arco: é representado pela letra A nos polegares ou número 1 nos demais


dedos, não tem delta. As linhas percorrem o campo da impressão digital de um
lado ao outro, assumindo uma configuração em forma de arcos mais ou menos
paralelos e oblíquos. É a impressão digital mais difícil de ser encontrada,
aparecendo em aproximadamente 5% das pessoas, além disto, é uma das
figuras mais difíceis de se confrontar.
- Presilha interna: é representada pela letra I nos polegares ou número 2
nos demais dedos. É a impressão digital que apresenta um delta a direita do
observador e suas linhas centrais convergem para a esquerda formando
presilhas ou laçadas.
- Presilha externa: é representado pela letra E nos polegares ou número 3
nos demais dedos. É a impressão digital que apresenta um delta a esquerda
do observador e suas linhas centrais convergem para a direita formando
presilhas ou laçadas.
As presilhas interna e externa são as impressões digitais mais comuns de
serem encontradas, sendo frequentes em 60% das pessoas.
- Verticilo: é representado pela letra V nos polegares ou número 4 nos
demais dedos. É a impressão digital que apresenta dois deltas, um a direita e
outro a esquerda do observador. Suas linhas centrais ficam encerradas por
estes dois deltas, formando configurações variadas. Está presente em 35% das
pessoas.
Além dos quatro tipos fundamentais do Sistema Dactiloscópico de
Vucetich existem os chamados tipos especiais, acidentais e anomalias.

TIPOS ESPECIAIS

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Os tipos especiais para classificação dactiloscópica são tipos raros


apresentados apenas em alguns indivíduos, sendo classificados da seguinte
forma:
- Gancho: representado pela letra G nos polegares ou número 5 nos
demais dedos. É a impressão digital que apresenta suas linhas centrais em
forma de gancho, ou seja, tendo a inflexão das linhas inclinada para o delta,
sendo que devido ao intensificamento deste encurvamento da laçada pode
surgir outro delta.

Tipo especial de impressão digital classificada como gancho

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

- Anômalo: representado pelas letras An nos polegares ou número 6 nos


demais dedos. É a impressão digital que não apresenta as necessárias
características para serem classificadas ou incluídas nos quatro tipos de
Vucetich.

Tipo especial de impressão digital classificada como anômalo

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

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- Dupla: representado pelas letras Dpl nos polegares ou número 7 nos


demais dedos. É a impressão digital que apresenta uma combinação entre a
presilha interna e o gancho, apresentando dois deltas e dois núcleos.

Tipo especial de impressão digital classificada como dupla

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

TIPOS ACIDENTAIS

Os tipos acidentais para classificação dactiloscópica são características


presentes nos desenhos digitais adquiridas ao longo da vida, tendo origem em
acidentes que afetam suas papilas digitais. São anomalias provocadas por
queimaduras, traumatismos, cortes, esmagamentos e amputações, que atinjam
os tecidos dérmicos de maneira irrecuperável. A nomenclatura desta
classificação será apresentada abaixo (Codeço e Amaral, 1992).
- Cicatriz: é utilizada para cicatrizes que prejudiquem o núcleo,
dificultando ou impossibilitando a leitura. Representado pela letra X nos
polegares ou número 8 nos demais dedos.

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Tipo acidental de impressões digitais classificadas como cicatriz

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

- Amputação: é quando temos a ausência parcial ou total do dedo.


Representado por 0 (zero).

TIPOS DE ANOMALIAS

- Anomalias são aquelas que têm origem na formação embrionária. Estas


podem ser de vários tipos diferentes:
- Polidactilia: anomalia congênita caracterizada pela presença de dedos
em número maior que o normal.
- Ectrodactilia: anomalia congênita caracterizada pela presença de dedos
em número menor que o normal.
- Sindactilia: anomalia congênita caracterizada pela presença de dedos
unidos (Araújo 1949).
- Microdactilia: anomalia congênita caracterizada pela presença de dedos
em tamanho menor que o normal.
- Macrodactilia: anomalia congênita caracterizada pela presença de
dedos em tamanho maior que o normal.
- Anquilose: é uma anomalia congênita ou adquirida que consiste na falta
de articulação parcial ou total dos dedos, de modo a prejudicar as impressões
ou as suas coletas (Manual INI, 2004).
- Adactilia: é a anomalia congênita que consiste na ausência total dos
dedos de uma ou ambas as mãos.

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- Acheiria: anomalia congênita caracterizada pela ausência da(s) mão(s)


(Brito, 2003).
- Acheiropodia: é uma doença congênita autossômica recessiva
caracterizada pela amputação dos membros superiores e inferiores e aplasia
das mãos e dos pés. Esta condição grave de incapacidade parece afetar apenas
as extremidades, não havendo outras manifestações sistêmicas relatadas
(Ianakiev et. al, 2000).
- Afalangia: anomalia congênita caracterizada pela inexistência de todas
as falanges (Brito, 2003).
- Amelia: anomalia congênita caracterizada pela ausência completa do
membro superior (Brito, 2003);
- Hemimelia: é um tipo de amputação congênita que se define como a
ausência do antebraço e da mão, e é, dentre as anomalias na formação de
membros, uma das mais frequentes.
- Megalodactilia: anomalia congênita constituída por dedos mais longos
que o normal (Araújo, 1949).
- Polissindactilia: anomalia congênita rara que consiste na união de vários
dedos (Tachdjian,1995).

FÓRMULA FUNDAMENTAL DE VUCETICH

Diferentemente de Galton que arquivava pela data da coleta das


impressões digitais, ou seja, ordem cronológica, Vucetich organizou o
arquivamento dactiloscópico pela chamada fórmula dactiloscópica ou também
denominada fórmula fundamental (Ferreira e Brito, 2012).

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Estas individuais dactiloscópicas após serem classificadas e


subclassificadas serão arquivadas e organizadas segundo Sistema
Dactiloscópico de Vucetich, permitindo uma combinação de 1.048.5761,
quando considerado apenas os quatro tipos propostos por Vucetich.
A fórmula dactiloscópica é composta por um conjunto de símbolos
representando os tipos fundamentais, sendo disposta sob a forma de fração
ordinária, de tal forma que, o numerador representa os dedos da mão direita e
o denominador, os dedos da mão esquerda, na sua ordem natural, isto é,
polegar, indicador, médio, anular e mínimo.
No sistema de Vucetich, a fórmula datiloscópica é dividida em duas
partes: literal e numeral.
- Fórmulas literais: é constituída pelas letras que representam os tipos
fundamentais dos polegares, permitindo, desta forma, 16 combinações dos
quatros tipos fundamentais, as quais são:
A/A A/I A/E A/V
I/A I/I I/E I/V
E/A E/I E/E E/V
V/A V/I V/E V/V

- Fórmulas numerais: são constituídas pelos algarismos que representam


os tipos fundamentais nos dedos indicadores, médios, anulares e mínimos,
sendo que no sistema de Vucetich há 65.536 combinações numerais.
Cada tipo fundamental apresenta variações na configuração do desenho
digital, sendo estas variações passíveis de serem subclassificadas, não
contrariando, nem prejudicando as características essenciais determinantes
dos tipos fundamentais.
A realização do procedimento de subclassificação em um arquivo
decadactilar permite o desdobramento das fórmulas dactiloscópicas, sendo
que esta atitude é de fundamental importância para que os arquivos não

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contenham em uma mesma classificação primária, milhares de individuais


arquivadas, mantendo estas sempre em pequenas proporções para que a
pesquisa seja possível.
As subclassificações do tipo fundamental arco são: plano, angular,
bifurcado à direita ou à esquerda, destro apresilhado e sinistro apresilhado.

Subclassificações do Arco

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

As subclassificações dos tipos fundamentais das presilhas interna e


externa são: presilha interna e externa invadida.

Subclassificações das Presilhas Interna e Externa

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

As subclassificações dos tipos fundamentais do verticilo são: circular,


espiral, ovoidal, sinuoso e duvidoso.

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Subclassificações do Verticilo

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

IDENTIFICAÇÃO DACTILOSCÓPICA CRIMINAL E CÍVEL

No estado de São Paulo temos um dos maiores arquivos dactiloscópicos


do mundo, apresentando três tipos de arquivamento, dois sistemas de arquivo,
um para as pessoas com passagens criminais e um para civis (Fernandes et al.,
2009).

- Identificação Criminal
Quando uma pessoa comete alguma infração penal e são coletadas as
suas impressões digitais, estas serão coletadas em planilhas de inquérito,
denominadas de Boletim de Identificação Criminal (BIC). Este conterá além das
impressões digitais dos dez dedos, dados qualificativos do indiciado e a
natureza do crime cometido pelo infrator. O BIC vai fazer parte do prontuário
desta pessoa, o qual receberá um número que fará parte do arquivo criminal
organizado em ordem numérica crescente.
Existe também o BIC sem as impressões do identificando, pois este se
recusou a coletar suas impressões digitais ou apresentou documento de
identidade (Lei 12.037/2009). Nestes casos, chamamos de qualificação
indireta, não há como comprovar se os dados apresentados pelo indiciado são
verdadeiros, pois ele poderá estar utilizando da qualificação de outra pessoa
indevidamente, sendo, portanto, imprescindível a exigência da legitimação

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antes da inclusão deste na Unidade Prisional. A legitimação irá confirmar, ou


seja, tornar legítima a identidade de cada pessoa e, portanto, será necessária
em todos os casos.
Quando as impressões digitais forem coletadas no BIC estas também
serão coletadas nas fichas dactiloscópicas, as quais, após serem classificadas e
subclassificadas, serão arquivadas e organizadas segundo Sistema
Dactiloscópico de Vucetich, distribuídas em 37 arquivos eletromecânicos
giratórios, os quais irão compor um dos arquivos criminais do IIRGD, o arquivo
decadactilar, contendo ao todo, aproximadamente, quatro milhões de
individuais dactiloscópicas.
Portanto, o IIRGD apresenta dois tipos de arquivos criminais, ou seja, o
arquivo criminal organizado pelas impressões digitais e o arquivo onde os
prontuários seguem uma numeração crescente de número de registro criminal,
sendo abastecidos pelas BICs.
Ainda como parte da identificação criminal temos no IIRGD uma seção
responsável pela identificação de fragmentos advindos de locais de crime,
sendo a seção monodactilar, onde são realizados confrontos das impressões
papilares encontradas nos locais de crime com as impressões papilares dos
suspeitos, vítimas e demais pessoas que poderiam estar presentes no local dos
fatos. Esta seção também será responsável pela identificação por meio de
perícia necropapiloscópica, método de identificação humana por meio da
análise das impressões digitais de cadáveres em diversos estágios de morte.
- Identificação civil
Além dos arquivos criminais, há o arquivo civil, com organização em
ordem crescente pelo número de Registro Geral (RG) e não pela fórmula
dactiloscópica de Vucetich. Quando a pessoa requisita um documento de
identidade, suas dez impressões digitais são coletadas na denominada Ficha
de Identificação Civil (FIC), a qual ficará armazenada neste tipo de arquivo, que

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atualmente apresenta cerca de 52 milhões de fichas civis (Fernandes et al.,


2009).
Com o aumento da população ocorreu o crescimento destes arquivos
desenfreadamente, tornando este tipo de pesquisa cada vez mais difícil pelos
Papiloscopistas, os quais despendem muito tempo na busca manual pela
codificação das fórmulas dactiloscópicas e análise visual de quantidades
enormes de individuais, ocorrendo muitas vezes a demora, prejudicando o
esclarecimento da identidade.
Portanto, torna-se cada vez mais necessário o uso de um sistema de busca
pelas impressões digitais automatizado, para que, nestes casos, houvesse mais
agilidade na perícia realizada por estes profissionais, além de maior segurança
nos resultados. Então criou-se o sistema denominado Automated Fingerprint
Identification System (AFIS).
As pesquisas relacionadas à implantação de um Sistema Automatizado de
Identificação por Impressões Digitais (AFIS) iniciaram na década de 60 nos
Estados Unidos. Devido ao crescimento demasiado ocorrido nos arquivos
dactiloscópicos, esta tecnologia espalhou-se rapidamente pelo mundo inteiro
e atualmente não mais se questiona a praticabilidade das impressões digitais
no sistema de identificação datiloscópico e nem da viabilidade econômica de
um AFIS (Araújo, 2000).
O AFIS consiste em um sistema digital automatizado que otimizará o
trabalho realizado pelo Papiloscopista no processo de identificação por meio
das impressões digitais, capturando-as e permitindo processá-las
estabelecendo um relacionamento entre as impressões digitais de pessoas que
já foram previamente cadastradas, facilitando sobremaneira a pesquisa
dactiloscópica e aumentando muito as chances de resolução dos casos.
Com o resultado fornecido pelo sistema é realizado um procedimento
pericial pelo Papiloscopista, o qual emitirá um parecer conclusivo, pois
somente o cérebro humano consegue interpretar os detalhes presentes na

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impressão digital, descartando assim, os falsos positivos relacionados pelo


software.
Na Polícia Civil do Estado de São Paulo existe um Sistema denominado
de ALPHA onde digitaliza-se todos os prontuários civis e criminais. Este sistema
possibilita que o Papiloscopista ao realizar a perícia papiloscópica, possa
consultar as imagens das impressões digitais de um prontuário civil ou criminal
na tela de um computador e comparar com as impressões digitais investigadas.
Esta comparação é feita com o auxílio de uma simples lupa, que aumenta de
quatro a cinco vezes a visualização das impressões digitais investigadas. Para
acessar este sistema são necessários alguns dados da pessoa a ser investigada,
como por exemplo, número de RG e nome, porque o sistema acessa por estes
dados e não pela impressão digital.
Não podemos confundir o programa Alpha da Polícia Civil do Estado de
São Paulo com o Sistema AFIS, usado pela Polícia Federal e demais estados. O
segundo possui um banco de dados, impressões digitais, que mediante a
consulta de um Papiloscopista sobre uma impressão questionada e informa um
universo reduzido de possíveis.
O Papiloscopista mesmo auxiliado pelos sistemas Alpha ou AFIS continua
utilizando seus conhecimentos técnicos e perspicácia para chegar a um único
resultado de uma identificação impressões padrões. Cabe ao Papiloscopista
fazer a comparação e apontar a correspondência exata da impressão
questionada e a sua identificação.

QUIROSCOPIA

É o método de identificação através das impressões palmares, ou seja, da


palma das mãos. Não há no IIRGD um arquivo específico para a impressão
palmar e, portanto, o trabalho da perícia é apenas através de confrontos entre
a impressão questionada e a impressão padrão (Ferreira e Brito, 2012).

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A palma da mão é dividida em três regiões anatômicas: região tênar,


superior ou infra-digital e hipotenar.

Tomada de impressão palmar com destaque das três regiões


anatômicas

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

PODOSCOPIA

É o processo de identificação humana através das impressões plantares,


sendo utilizada tanto para a identificação civil como também na criminal. A
podoscopia tem sido mais utilizada para identificação civil dos recém-nascidos
nas maternidades a fim de garantir a identidade da criança, prevenindo
possíveis casos de trocas dos mesmos nos berçários (Ferreira e Brito, 2012).
A planta do pé é dividida em cinco regiões anatômicas: região do grande
artelho, região do 2º ao 5º artelho, região abaixo do grande artelho, região
abaixo do 2º ao 5º artelho e região do calcanhar, as quais estão representadas
abaixo:

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Tomada de impressão plantar com destaque para as cinco regiões


anatômicas

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

POROSCOPIA

É o método de identificação através dos poros. Este tipo de identificação


quase não é utilizada e somente utiliza-se quando por exemplo um fragmento
encontrado num local de crime não oferecer elementos suficientes para
identificação, e assim, a poroscopia servirá de auxílio para a convicção do
profissional (Ferreira e Brito, 2012).

Imagem ampliada dos poros

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

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PAPILOSCOPIA COMO CIÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO HUMANA

A Papiloscopia foi aceita como ciência de identificação humana por


obedecer a certos princípios científicos aceitos universalmente, denominados
de Postulados da Papiloscopia ou Vantagens da Papiloscopia, tais como a
unicidade, perenidade e imutabilidade das características analisadas, além de
atender a requisitos técnicos, como a universalidade, classificabilidade e
praticabilidade (Fernandes et al., 2009).
Perenidade é a característica dos desenhos papilares surgirem desde o
quarto ou sexto mês de vida fetal, ou seja, ainda na vida intrauterina e
acompanham o indivíduo até mesmo após a sua morte (Araújo e Pasquali,
2006).
Imutabilidade é a característica dos desenhos papilares não se
modificarem durante toda a sua existência, pois os traços e pontos
característicos do desenho papilar, não se alteram desde o seu surgimento até
a completa decomposição dos tecidos na fase cadavérica.
Unicidade é a característica dos desenhos papilares não se repetirem,
nem mesmo nos dedos de uma mesma pessoa. Esta propriedade pode ser
explicada devido a infinita variedade de detalhes que apresentam, e segundo
Fernandes et al (2009) e Oliveira (2010), não se conhecem indivíduos com
desenhos papilares iguais desde os primórdios de sua utilização, sendo que
nem mesmo em gêmeos univitelinos estes serão os mesmos.
Universalidade é a característica do desenho papilar estar presente em
todo ser humano, em várias regiões do corpo, com algumas exceções
decorrentes de enfermidades genéticas, como doenças autossômicas
dominante que apresentam como um de seus sintomas a ausência dos
desenhos papilares em mãos e pés.
Classificabilidade: devido a esta variabilidade dos desenhos papilares,
as impressões papilares podem ser classificadas e organizadas de forma

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sistemática e racional em arquivos e bancos de dados, para posterior perícia


do profissional habilitado para este fim, o Papiloscopista Policial. Esta
propriedade dos desenhos papilares favorecerá as buscas de forma rápida,
possibilitando comparações futuras.
Praticabilidade: os desenhos papilares podem ser rapidamente e
facilmente registrados, necessitando para isto o emprego de tinta e papel.

ESTRUTURAS ANATÔMICAS IMPORTANTES PARA A PAPILOSCOPIA

A pele é o maior órgão do corpo humano, é uma camada mais ou menos


espessa que recobre todo o corpo, nela nós encontramos os elementos
necessários para a elaboração dos métodos de identificação humana,
principalmente o papiloscópico. A pele é constituída de duas principais
camadas, a derme que é camada mais profunda da pele e a epiderme que é a
camada mais superficial (Kehdy, 1962).
Conforme descrito anteriormente, o desenho papilar é formado na derme
e se reproduz na epiderme. Este desenho papilar apresentará partes salientes
denominadas de cristas dérmicas e epidérmicas, e partes reentrantes que são
os sulcos interpapilares.
Na pele também encontramos duas glândulas que serão importantes para
o estudo da Papiloscopia, que são as glândulas sudoríparas que são
responsáveis pela produção de suor e as glândulas sebáceas que são
responsáveis pela produção de substâncias gordurosas.
As glândulas sudoríparas são também conhecidas como glândulas
écrinas, presentes em todo corpo, localizadas logo abaixo da epiderme,
formam tubos celulares espiralados e um único canal, que se abre para a
superfície da pele, excretando o suor. Estas aberturas dos canais de suor,
denominados poros, estão alinhados ao longo das cristas das elevações

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papilares. Os poros iniciam na derme e terminam na superfície externa da


epiderme (Araújo, 2009).
Os materiais secretados por estas duas glândulas, ou seja, o suor e
substâncias gordurosas estão intimamente ligados à qualidade da impressão
papilar, sendo que no caso da tomada de impressões papilares com tinta, esses
produtos devem ser removidos para que se possa obter impressões com
nitidez suficiente para a análise pericial papiloscópica. Portanto, antes da
coleta, deve-se realizar a limpeza minuciosa das regiões papilares antes de
passar a tinta.
Já nos locais de crime, o suor e a gordura serão responsáveis pela
formação das impressões papilares latentes, que são aquelas invisíveis a olho
nú e que se tornam visíveis após a aplicação de reveladores específicos.
Nos locais de crime encontramos três tipos de impressões papilares:
-Modeladas: impressão reproduzida pelo decalque da polpa digital,
palma da mão e planta dos pés sobre substâncias plásticas em geral. Ex: massa
de modelar.
Visíveis: são aquelas deixadas pelos dedos, palma das mãos e planta dos
pés impregnados de substâncias corantes. Ex: sangue.
Latentes: são as impressões da polpa digital, palma das mãos e planta
dos pés limpos deixadas sobre algumas superfícies. São invisíveis a olho nú e
devem ser reveladas para se tornarem visíveis.

CARACTERÍSTICAS DA IMPRESSÃO PAPILAR

A impressão papilar é formada por vários elementos:


Linhas pretas: correspondem as cristas da impressão papilar, ou seja, as
partes salientes do desenho digital, palmar e plantar que recebem a tinta,
possuindo configurações diferentes.

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Linhas brancas: correspondem aos sulcos interpapilares. Estas linhas


acompanham as linhas pretas, refletindo todos os seus acidentes. Não devem
ser confundidas com as linhas albodactiloscópicas.
Delta: é o ângulo ou triângulo formado pelas cristas, sua principal função
é determinar o tipo fundamental da impressão digital, porque o sistema
papiloscópico é baseado na presença ou ausência do delta.

Impressão digital com deltas

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

O prolongamento dos braços do delta formará as linhas diretrizes, as


quais delimitam regiões distintas da impressão digital, dividindo-a em três
sistemas de linhas: basilar, nuclear e marginal.
A linha diretriz superior é formada pelo prolongamento do braço superior
do delta e a linha diretriz inferior é formada pelo prolongamento do braço
inferior.
- Sistema nuclear: formado pelas linhas encerradas dentro das linhas
diretrizes.
- Sistema marginal: formado pelas linhas que estão acima da linha diretriz
superior até a unha.
- Sistema basilar: formado pelas linhas situadas abaixo da linha diretriz
inferior até a prega interfalangiana.

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IMPORTANTE: Numa coleta de impressões digitais é fundamental que


estejam presentes os três sistemas de linhas para que o processo de
identificação seja eficaz.

Linhas diretrizes e sistemas de linhas de uma impressão digital

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

Poros: são aberturas dos canais que expelem os produtos das glândulas
sudoríparas. Aparecem na impressão papilar sob a forma de pontos brancos
sobre as linhas pretas. Eles também obedecem aos postulados da Papiloscopia
e seu estudo é chamado de Poroscopia.
Linhas albodactiloscópicas: são formadas pela interrupção de duas ou
mais linhas pretas, na mesma altura, de modo a constituir uma espécie de risco
branco na impressão papilar. Não servem como elemento de identificação,
pois não são permanentes, nem imutáveis.
Pregas interfalangianas: correspondem a divisão das falanges digitais. A
prega interfalangiana precisa estar presente em uma impressão digital para
indicar o início e o final desta, portanto, é importante ter cuidado na tomada
das impressões digitais, onde a tinta deve ser passada por 0,5 a 1,0 cm abaixo
desta prega para se obter uma impressão digital completa.

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Impressão digital completa com presença da prega interfalangiana

Fonte: Ferreira e Brito, 2012.

Pontos característicos: são os elementos mais importantes de uma


impressão papilar. Os pontos característicos são acidentes encontrados nas
cristas, ou seja, em uma impressão papilar se tomarmos a extremidade de uma
crista (linha preta) e acompanharmos essa linha em todo o seu trajeto,
notaremos que, dificilmente, ela chega a outra extremidade sem sofrer
qualquer acidente, geralmente sofre interrupções, bifurca-se, une-se a outra
linha, entre outros. No Estado de São Paulo recebem a seguinte nomenclatura:
- Extremidade de linha: é qualquer ponta de uma crista papilar.
- Bifurcação: caracteriza-se por uma linha simples que em determinado
ponto bifurca-se em duas outras.
- Confluência: caracteriza-se por duas linhas que em determinado ponto
se unem formando uma linha simples.
- Encerro: caracteriza-se por uma linha simples, abrir e fechar sobre si
própria.
- Ponto: como o próprio nome diz é um ponto encontrado na impressão
papilar, como se fosse o ponto final de uma frase.
- Ilhota: é caracterizado como o menor pedaço de linha encontrado na
figura analisada, como se fosse um hífen.
- Cortada: é caracterizada por ser o dobro do tamanho da ilhota.

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- Haste ou crochê: caracteriza-se por uma linha menor que a ilhota que se
liga a uma crista principal. É como se fosse uma agulha de crochê.
- Anastomose: caracteriza-se por uma pequena linha ligando duas linhas
principais, como se fosse a letra h.

Impressão digital com pontos característicos

Fonte: Ferreira, 2016.

O sentido de leitura dos pontos característicos é um critério universal,


onde este deve ser realizado no sentido do movimento dos ponteiros do
relógio, ou seja, da esquerda para a direita e do centro para a periferia. Os
pontos característicos apresentam a finalidade de estabelecer a identidade de
duas impressões papilares.

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O Papiloscopista para individualizar uma impressão papilar há de utilizar-


se de princípios científicos, conferindo-se desta forma, validade ao resultado,
podendo ser repetido, com conclusões objetivas e não meras observações.
A Papiloscopia estabelecerá a identidade por meio do método ACA-V, ou
seja, divide-se em quatro etapas, referentes ao acrônimo do nome do método:
Análise, Comparação, Avaliação e Verificação.
Durante esta análise são verificados os pontos característicos, que em
conjunto com outros elementos de valor intrínseco, como delta e os poros
serão fontes únicas de individualização, e será uma etapa minuciosa e
importante, principalmente, quando o nível de clareza não for o ideal
(Fernandes et. al, 2009).
Na maioria dos estados brasileiros para a identificação de um indivíduo
utilizam-se de critérios quantitativos de análise destes pontos, estabelecendo
como quantidade padrão o número mínimo de 12 pontos característicos
coincidentes.

PERÍCIA PAPILOSCÓPICA

Há diversos tipos de perícias realizadas pelos Papiloscopistas, porém,


consideramos quatro tipos mais importantes dentro da atuação do
papiloscopista forense.
Perícia papiloscópica é o conjunto de técnicas utilizadas na busca e exame
de impressões papilares com a finalidade de se estabelecer a identidade de
quem às produziu, avaliando-se o valor probante dos vestígios de impressões
papilares e esclarecendo o papel destes no cenário do crime (Araújo e Morais,
2007). Esta divide-se em:
Quanto à região papilar analisada
- Perícia dactiloscópica
- Perícia quiroscópica

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- Perícia podoscópica

Atualmente, não há no Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton


Daunt (IIRGD), um arquivo específico para a impressão palmar e plantar,
portanto, o trabalho da perícia nestes casos é apenas através de confrontos
entre a impressão questionada, impressão de autoria desconhecida, cuja
identidade se pretende estabelecer, e a impressão padrão, impressão papilar
de origem certa, de autoria conhecida, cuja identidade não está sendo objeto
de questionamento.

QUANTO À APLICAÇÃO

- Perícia papiloscópica em documento: conjunto de técnicas e


procedimentos de confronto de impressões papilares apostas em
documentos, visando à individualização de quem as produziu (Araújo e
Moraes, 2007); processo para o estabelecimento da identidade de recém-
nascidos em maternidades para garantir a identidade desde os primeiros
momentos de sua vida (Kehdy, 1962).
Em cada Unidade da Federação há um órgão oficial de identificação
(Instituto de Identificação), sendo que no Distrito Federal há ainda o Instituto
Nacional de Identificação (INI), que centraliza e dissemina informações
criminais de alguns estados brasileiros, e também apresenta em seu arquivo as
impressões digitais de todos os estrangeiros registrados no país.
Os Institutos de Identificação contam com o acervo de impressões digitais
de todas as pessoas que requisitaram um documento de identidade no Estado
e daquelas encaminhadas por autoridade policial ou judiciária. Portanto,
apresentam cadastrados em seus bancos de dados, impressões digitais de civis
e criminosos. No estado de São Paulo, o Instituto de Identificação recebeu a

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denominação de Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt em


homenagem a um de seus diretores.
- Perícia papiloscópica em local de crime: Conjunto de técnicas e
procedimentos realizados em cenas de crime, visando localizar, revelar e
registrar impressões papilares, informar seu vínculo com outras evidências,
individualizar a autoria e relacionar as circunstâncias a elas relativas que
contribuam para o esclarecimento dos fatos. “É feita pelo estudo detalhado e
minucioso do local, das peças encontradas, das impressões ou fragmentos
papilares e pela dinâmica visando elucidação do delito” (Codeço e Amaral,
1992).
- Perícia papiloscópica em material: conjunto de técnicas e
procedimentos realizados em materiais, visando localizar, revelar e
individualizar impressões papilares (Araújo e Morais, 2007).
- Perícia papiloscópica em veículo: conjunto de técnicas e procedimentos
realizados em veículos, visando localizar, revelar e individualizar impressões.
- Perícia necropapiloscópica: segmento da ciência Papiloscopia que tem
por objetivo realizar a identificação pelas impressões papilares de cadáveres
em diversos estágios de decomposição e condições de morte, quando esta
identidade for ignorada ou supostamente conhecida, evitando possíveis trocas
de cadáveres, e por meio de seu resultado, garantir a dignidade daquele a ser
inumado, obedecendo ao artigo 166 do CPP.

Necro = morte
Papilla = papila
Skopêin = examinar

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O PAPILOSCOPISTA POLICIAL

O Papiloscopista Policial é o profissional habilitado para realizar todos os


tipos de perícias citadas ao longo deste capítulo, é funcionário público
pertencente aos quadros da Polícia Civil, e suas atribuições envolvem (Ferreira
e Brito, 2012):
a identificação de pessoas para efeitos civis tais como solicitação de
documentos, identificação de pessoas desaparecidas, estabelecimento da
identidade de pessoas doentes que perderam a memória, e que se encontram
internadas em hospitais ou em casas de repouso, recém-nascidos em casos de
troca, casos de homônimos e identificação de gêmeos univitelinos.
a identificação de pessoas para efeitos criminais tais como solicitação de
legitimações, mandados de prisão, flagrantes e Boletins de Identificação
Criminal.
a identificação de cadáveres vítimas de acidentes, desastres de massa e
desconhecidos.
a revelação de impressões papilares em diversos suportes, perícia
papiloscópica realizada em locais de crime ou em laboratório nas peças
advindas destes locais.
o tratamento e recuperação das papilas dérmicas por meio da
combinação de materiais químicos específicos.
o levantamento e análise de impressões papilares em locais de crime.
o domínio de técnicas de informática próprias e interpretação dos
resultados correspondentes.
o desenvolvimento de novas técnicas de Papiloscopia.
e a elaboração de laudos papiloscópicos destinados à Justiça, de valor
inconteste, para a apuração de infrações penais e sua respectiva autoria.
Portanto, a análise pericial realizada pelos Papiloscopistas Policiais nestes
relevos de característica única possibilitará a identificação humana de forma

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incontestável e irrefutável, de grande contribuição para a sociedade, tanto no


âmbito civil quanto no criminal.
O resultado obtido por meio de todo este trabalho pericial realizado nas
impressões papilares é concluído através da emissão do Laudo Pericial
Necropapiloscópico ou Papiloscópico, destinados às autoridades policiais e à
Justiça, e de valor inconteste. Os resultados fornecidos por meio dos Laudos
Periciais Necropapiloscópicos e Papiloscópicos podem ser:
- Positivo: referente à real identificação daquele indivíduo de identidade
desconhecida ou questionada.
- Negativo: indica que após os procedimentos periciais papiloscópicos,
aquelas impressões papilares analisadas não pertencem a “tal” pessoa,
evitando-se diversos problemas judiciais, e a utilização de qualificação alheia
por outrem.
- Impressões digitais com condições de aproveitamento papiloscópico,
ou seja, que apresentam elementos individualizadores em quantidade e
qualidade suficiente para que seja estabelecida a identidade
necropapiloscópica ou papiloscópica.
Neste caso, para que esta seja estabelecida há ainda a necessidade da
autoridade policial enviar os nomes de prováveis vítimas ou suspeitos que
possam estar relacionadas ao caso, para que seja possível a obtenção de
padrões para confronto.
Quando não for possível a obtenção de impressões digitais com
condições de aproveitamento papiloscópico, devido às mesmas apresentarem
altamente deterioradas, não sendo possível a recuperação por meio da
Necropapiloscopia, ou um melhor levantamento nos locais de crime, este
resultado é informado por meio de uma Informação Técnica.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA

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Paulo: Tip. Do Departamento de Investigações, 1949.
ARAÚJO, Clemil José. AFIS: Sistemas Automáticos de Impressões
Digitais. Brasília, 2000. Disponível em:
<http://www.papiloscopistas.org/afis.html> Acesso em: out/2020.
ARAÚJO, Marcos Elias Claudio e PASQUALI, Luiz. Datiloscopia: a
determinação dos dedos. Brasília: L.Pasquali, 2006.
ARAÚJO, Clemil José e MORAIS, Jurema Aparecida Pereira. Apostila
Técnicas de Papiloscopia. Brasília: SENASP, 2007.
ARAÚJO, Clemil José. Papiloscopia 1. Secretaria Nacional de Segurança
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ARAÚJO, Clemil José e DULTRA, Marco Aurélio Luz. Manual de
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FERNANDES, Ludmila, et al. Ciência e Papiloscopia. Papiloscopia
Forense. n.1. p. 28-35. ago. 2009.
FERREIRA, Tatiana dos Santos e BRITO, Caroline de Cássia da Silva.
Apostila de Papiloscopia Forense – Princípios Básicos. São Paulo. 2012.
FERREIRA, Tatiana dos Santos. Foto: Impressão digital com pontos
característicos. 2016.

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KEDHY, Carlos. Papiloscopia: impressões digitais, impressões palmares e
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Papiloscopia. 1ªed. Brasília: Instituto Nacional de Identificação. 2004.
OLIVEIRA, Luiz Henrique Ribeiro. Síndrome de Naegeli-
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TACHDJIAN, Mihran O. Ortopedia pediátrica. São Paulo: Mandi, 1995
SENNA, Claudia Muller Goldberg. Papiloscopia como método de
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Monografia, Universidade do Sul de Santa Catarina, 2014. Acesso em
Out/2020.
VELHO, Jesus Antonio; GEISER, Gustavo Caminoto e ESPINDULA, Alberi.
Ciências Forenses: uma introdução às principais áreas da criminalística
moderna. Campinas: Millennium, 2013.

VÍDEOS APRESENTADOS EM AULA

Você sabe o que faz um Perito Papiloscopista? Disponível em:


https://youtu.be/g0ch_J4Bn2I

Conheça o trabalho do Papiloscopista (TV SIMPLO/DF) – Disponível


em: https://youtu.be/Wx1mDcG-4Lc

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