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ROCHE, Daniel. História das coisas banais: nascimento do consumo séc. XVII-XIX.

Rio de Janeiro: Rocco, 2000. 396 p. Tradução de: Ana Maria Scherer.

1. O autor e suas características teóricas.

Daniel Roche é historiador francês nascido em 1935, e formado enquanto pessoa


e profissional nos controversos contextos do século XX. Roche trabalha nas linhas
teórico-metodológicas da história que abordam as dimensões social e cultural, sendo
reconhecido especialista sobre a França do fim do Antigo Regime, sobre o
desenvolvimento desta sociedade ao longo do século das luzes (XVIII), o iluminismo,
cultura material e consumismo.
A presente obra deste historiador, embora atravessada por significativas críticas
quando de sua primeira edição, trás uma grande contribuição não apenas ao trato de
temáticas então “esvaziadas”, pelos trabalhos de grande vulto até então apresentados,
como é o caso do cotidiano, as mudanças sociais, vestimentas e instituições públicas,
mas também para com o trabalho de fontes não usuais, o caso dos arquivos notoriais1.
“Daniel Roche é professor da Universidade de Paris-I e diretor de estudos da
École des Hautes Éstudes, de ciências sociais. Escreveu várias obras sobre o Século das
Luzes, entre elas, Les Republicains des Lettres, la Culture des apparences e La France des
Lumiéres”. (ROCHE, Op. Cit., Orelha do Livro)
2. Lógica Norteante do Autor
Roche postula em sua obra que, em seu espaço-tempo historiográfico, fazia-se
necessária uma maior atenção à âmbitos de dimensão social que, segundo o próprio,
vinham figurando no rall das preocupações acadêmicas desde o final do século XVIII: a
significância do âmbito do objeto, da dimensão material, sobre as inter-relações sociais
e as especificidades estruturais. Considerando os objetos, e as práticas sobre os mesmos,
que por compôr o quadro do cotidiano comunal, caem na “banalidade”.

O autor entende esse movimento como sendo uma “rematerialização do


conhecimento”2, mas tendo como proposta uma parceria mútua e complementar entre
a infraestrutura e a superestrutura. Para tanto, Roche argumenta que tal esforço trará

1
Wikipedia. Daniel Roche (Historiador). Disponível em
https://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Roche_(historian) . Acesso em: 11 nov. 2021;
2 Roche, Op. Cit. Pag. 11;
uma releitura da história econômica e social, bem como proporá uma outra explicação
dos fenômenos de apropriação coletiva e individual.

Neste norte de compreensão da sociedade e de sua relação com o indivíduo,


considera-se os elementos materiais em rede, imbricando condições materiais (objetos)
com contextos mentais (prática sobre os objetos), para se apreender as significações
estruturantes do processo social. Observemos:

“Qualquer objeto, mesmo o mais comum, contém engenhosidade,


escolhas, uma cultura.” Um saber e um acréscimo de sentido estão
ligados a todos os objetos. Vemos isso em seu modo de aquisição, no qual
a moral, os princípios que os distinguem, as escolhas pessoais, intervêm
na parte do orçamento a ele dedicado, na maneira de sua utilização em
que se revelam um ensinamento e uma moral do uso nas normas e nas
regras do decoro, no modo de sua posse em que a magnificência e o
desperdício dos grandes contrastam com o subconsumo ostentatório dos
burgueses ou com o consumo compulsivo dos novos-ricos.” (ROCHE, Op.
Cit. Pag. 19);
Postula-se assim que o todo organizativo do organismo social, e de suas relações
com grupos e indivíduos, pode ser elucidado também pela configuração das dimensões
sócio-culturais e econômicas, assim como pelo processo dialético entre a relação
produção-consumo. Os objetos, os costumes e as práticas que os envolvem, os mais
“banais3” possíveis, são os componentes demonstrativos dessas relações estruturais e
estruturantes, funcionando na lógica da necessidade e comodidade.
3. Resumo, estrutura e descrição do conteúdo da obra.
O recorte de tempo considerado é a temporalidade tida como “modernidade”, já
apontada no título do trabalho. Postula-se que neste momento ocorre a multiplicação
do consumo, incidindo sobre os âmbitos simbólico e econômico das relações de troca,
ou seja, nas questões pertinentes à materialidade e a subjetividade, no processo
estrutural desde as economias tradicionais, até as chamadas “sociedade da
abundância”4.
Nesta proposta de renovação da prática historicizante, Roche considera o
funcionamento social como processo, averso à ideia do estatismo, entendendo as
estruturas sociais em constante mudança. Para tanto, o seu livro se divide em duas
partes:

3
Aqui utiliza-se o termo do “banal” no mesmo sentido proposto pelo autor: elementos integrantes do
cotidiano, daquilo que seja corriqueiro, tão comum que passe despercebido pelo campo de visão amante do
eventual;
4 Roche, Op. Cit. Pag. 20;
• “Produção e Consumo”, que com seus três capítulos debate a produção de bens a
partir de objetos, a força vetorial destes na elaboração representativa das
comunidades e as possibilidades sócio-econômicas trazidas pela complexificação
da sociedade;
• “A Vida Comum”, que com seus seis capítulos discute sobre espaços, costumes,
objetos-bens e suprimentos, itens caracterizantes do perfil social, da cultura e do
cotidiano dos diferentes grupos franceses daqueles tempos;
Interessante ressalvar que, embora o autor estabeleça esta divisão para explanar
a estrutura epistêmica, com a qual ele inteligibiliza as realidades e banalidades
francesas da “modernidade”, em cada assunto trabalhado podemos observar
claramente a consideração da mutualidade de incidência tanto em relação ao processo
produção-consumo, como sobre a constituição das estruturas socioculturais e
econômicas.
A análise materialista com a qual nos deparamos aqui, considera ainda que os
processos, fatos e configurações imediatamente aqui destrinchados, são demonstrativos
práticos do transcurso do rompimento com as formas constituintes do Antigo Regime.
Daí a perspectiva de um “nascimento” do consumo em formas modernas. Vejamos:
“(...) a transformação dos bens precedia a demanda. Para os
economistas, essa relação tem um valor universal. Para os
historiadores da cultura material, ela depende da capacidade de
consumir e de múltiplas condições; ela revela comportamentos cujas
mudanças não indicam apenas flutuações econômicas. (...) A economia
não esgota completamente a relação entre o homem e as coisas e os
objetos, mas ela permanece como seu quadro mais geral.” (ROCHE, Op.
Cit. Pag. 25);

Os Bens, conceitualizados por Roche como objetos sobre os quais houve um


trabalho de significação e valoração5, são elencados na centralidade desta compreensão
“neosatisfatória” como elementos socialmente constituidores. Estes, em toda sua
dinâmica de forjamento e usufruto, demonstram especificidades internas (basificação na
relação com a demanda) e externas (alterações e permanências estruturais no tempo) ao
âmbito do mercado, quando se busca perceber e apreender as práticas do “produzir” e do
“consumir” em uma sociedade.
Para a visão Rochiniana, para sê-los o trabalho de significação e o processo de

5
Roche, Op. Cit. Pag. 26;
valoração ocorre sobre objetos: “naturais”, apropriados de seus locais de origem, no caso
a natureza, para servirem aos desejos e necessidades dos componentes da comunidade; e
“de hierarquia de valor”, que são mercantilizados, adentrando ou reincidindo no espaço
do consumo.
No caso dos Bens naturais, ou seja, advindos da apropriação humana, devemos
buscar elucidar o “porquê” e o “como” de seus processos de valoração. É preciso raciocinar
sobre os contextos, principalmente materiais, daquela comunidade, grupo ou
individualidade que o empenha, destrinchando suas formas de trato com os objetos. Desta
maneira, conseguiremos apresentar uma sistematização das estruturas de hierarquia
social e de movimento demográfico – Inchaço Populacional, no objeto de estudo do autor,
a França em processo de modernização.
Neste ritmo historiográfico vislumbraremos ainda fortes estruturas sociais:
valores, dinâmicas, inter relações, conceitualizações, formas trabalhistas,
comportamentos, práticas negociantes, personagens sociais, identidades e discursos.
Todas estas, aliadas às questões econômicas, onde podemos citar a comodidade e a
ofertabilidade, caracterizam as inicialmente citadas práticas de produção e consumo,
que dialeticamente incidem sobre essas estruturas ao longo de seu funcionamento.
Tais constatações são possíveis apenas pela consideração da correlação existente
entre indivíduos e objetos acima explanada. Esses laços de significação ocorrem
localizadamente com os diversos grupos que compõem o organismo social, tornando
também diverso o processo de significação e os significados atribuídos, não obstante que
sejam os mesmos objetos.
Com isso, delimitam-se também relações com a natureza e a paisagem, de onde
são apropriados os objetos para sua fabricação em Bens. Os elementos naturais têm
significado para o processo consumista, e sofrem intervenções das comunidades guiadas
por seus modelos sociais, ao passo que as práticas do conjunto humano passam por
adaptações diante de condições impostas pelos elementos naturais.
“Até os meados do século XIX, era a terra e sua posse, a terra e seu
cultivo, o que servia de base para as práticas e representações da vida
cotidiana e do futuro da população (...) o que organizava o tempo era o
princípio do eterno retorno; o que distribuía os papéis e estabelecia a
autoridade entre homens e mulheres era a relação com a continuidade
das tarefas e dos dias. A verdadeira riqueza não estava na circulação, e
sim nos prados, nas lavras, na propriedade que era preciso aumentar”
(ROCHE, Op. Cit. Pag. 51);
A organicidade citadina e rural da França que adentrava ao processo moderno,
tendo em conta suas elaborações representativas (mentalidades, entendimentos,
raciocínios), tinha como vetores os objetos-bens e as práticas que os significavam. Como
podemos ver logo acima na sua relação com a terra, o francês moderno teria objetivos
efêmeros e conjunturais, formas de ser e se comportar, valores e representações,
elaborados muito em parte pelo seu bem mais valioso, e às tantas questões que o
envolvem.
Explanar esta elaboração representativa do espaço e das vivências nele
desenvolvidas, passa de forma considerável pelo aprofundamento sobre as relações de
materialidade ali desenvolvidas. Para tanto, consideram-se elementos culturais,
econômicos, humanos e institucionais, em suma, a estrutura social.
A caracterização destes elementos, que são pertencentes aos processos de
produção e consumo, tem sua significação muito partida disto, da força vetorial dos
instrumentos materiais, os Bens, sobre as formulações alegóricas da sociedade. Esta
relação de simbologia figurativa ocorre em um constante processo de guinadas, flertando
com a estruturação das comunidades e de suas relações entre si6.
Os elementos acima citados, tanto têm influência sobre o processo
representativo, como tais elaborações reincidem sobre a composição e a consideração
destes elementos próprios da comunidade analisada, especificidades que devem sempre
ser entendidas em contexto, na longa duração.
Estas proposições são formas de entendimento sobre o “ser-sociedade”, que
considera as diversidades e desigualdades intra e entre comunidades. Faz-se mister
esclarecer que, com este arcabouço ao qual assim se lança mão, construímos
entendimentos em relação não apenas à dimensão do simbólico, mas também sobre o
prático dos espaços e processos. Visualizamos: anseios materiais, lógicas de valoração,
questões demográficas, tensões, práticas, e tantas outras questões.
Um contínuo processo de caracterização das dimensões sociais, de
desenvolvimentos de especificidades daquela realidade estudada, percebidos e
formulados neste esforço historiográfico, a partir da consideração de fatores sociais,
principalmente materiais, tais como: funcionamento do setor produtivo, prática
trabalhista, arquitetura comunal e estrutura do “âmbito privado”. O entendimento deste

6
Consideremos aqui as trocas estabelecidas entre diferentes cidades, mas também, e principalmente, as
macro-relações sociais entre comunidades citadinas e rurais. Roche, Op. Cit. Pag. 54;
processo pode ser aprofundado destrinchando fatores subjetivos, bem como aqueles que
flagram a cooperação subjetividade-materialidade no caso em questão.
“A correlação entre meios de subsistência e taxas demográficas foi
efetivamente marcada pelo aumento das possibilidades oferecidas,
ainda que as modalidades do crescimento e a diversidade regional da
inovação continuassem em discussão. Se o setor agrícola escapava da
racionalidade, pois era ainda pouco atingido pela busca sistemática da
rentabilidade (...) já se via nele uma urgente necessidade de
intensificação e o choque entre os novos processos e os métodos
tradicionais.”;

Neste mesmo sentido,


“Certamente passaram da escassez à escassez relativa, primeiro nas
cidades, depois no campo, segundo os caminhos sociais que não eram
totalmente lineares e de alto a baixo da sociedade; as exigências de um
criado nascido em Ouche enriquecido por anos de trabalho em Paris, não
eram mais as de sua família camponesa; os migrantes temporários e os
mascatas traziam também essa melhoria dos hábitos de consumo que se
enraizaram em práticas vindas de uma cultura complexa, não redutíveis
unicamente à lógica das subsistências.”;7

O processo de caracterização social ocorrente no transcurso do tempo, com a


consequente e constante reconfiguração de suas especificidades, pode ser notado na
comunidade francesa tanto a partir das técnicas produtivas, quanto dos anseios e hábitos
comuns, como podemos ver acima descrito. Este é o trajeto de complexificação da
sociedade, ocorrido nos anos estudados pelo autor, e adjetivado pelo mesmo como
modernização.
Uma das fortes características aí incidentes é o leque de possibilidades às relações
socioeconômicas aberto no horizonte de expectativa e no espaço de práticas dos
indivíduos. Os modos de vida, junto de seus elementos constituintes, passam por guinadas
de atribuição e de funcionamento. Nesta senda, edificam-se por exemplo, questões de
renda onde diante daquele contexto material, altera-se a percepção do que seja essencial,
adicionando a esta categoria inclusive o que antes era considerado luxo.
O firmamento destes entendimentos como edificantes sociais varia de acordo com
o espaço-tempo, e assim com o contexto como é o caso da industrialização francesa, bem
como a partir da localização do indivíduo ou grupo na estratificação social, podendo gerar
inclusive possíveis tensões. Este processo se desenvolve com o uso de táticas, ligadas
principalmente à questão da subsistência.

7
As duas citações referem-se à: Roche, Op. Cit. Pag. 81;
A sobrevivência e a comercialização têm sua praticidade guiada também por estes
entendimentos, e pelas práticas que eles provocam. Apreendendo estas percepções
temporais expressadas pelas relações do todo social no caso estudado, podemos afinar a
compreensão sobre tal realidade, seus processos de produção e consumo e até as políticas
de regulação das relações interpessoais e com os objetos.
Trazemos ao centro do debate questões como: qual a função da caridade? O que é
essencial? O que é supérfluo? Estudando assim estruturas sociais, intelectuais, mentais e
econômicas. Quais os usos da renda? Como o investimento e a poupança eram vistos? De
que forma por cada grupo social? Somente assim é que podemos delinear estes
entendimentos sociais, as elaborações orçamentárias e as situações de consumo.
Entender a realidade social e os grupos componentes desta realidade.
Muda-se o contexto, e as relações com este contexto, mudam-se as concepções
sobre os Bens, as práticas destes e as condições do viver, e vice-versa. Ocorrendo no
caminho da abundância, o caso da França moderna incorre sobre o luxo no processo de
alterações na relação indivíduo-coisas, na mentalidade (práticas, usos, significações e
identidades), e na própria caracterização do todo, de uma forma não linear, repleto de
rupturas e com a utilização de artimanhas de legitimação sociocultural.
“(...) ela criava todas as indagações sobre as instâncias que organizavam
a realidade, sobre os atores que a produziam, do arquiteto ao pedreiro,
sobre os hábitos dos moradores diferenciados pela apropriação do
espaço. (...) A casa era um tema ilimitado. Nela podiam-se perceber as
influências das transformações técnicas e das fronteiras entre fatores
geográficos, históricos e sociais (...) Por trás da história da arquitetura e
dos estilos se organizam as reflexões que relacionam transformações
arquitetônicas e formas de vida privada, domínio do espaço doméstico.”
(Roche, Op. Cit. Pag. 115-116);

Estas formas de relações, entendimentos e práticas que organizam o todo social


quisto como objeto de estudo, ocorrem de forma pragmática em diferentes âmbitos e
com diversos componentes materiais e simbólicos. É o caso do âmbito privado da
residência, local da consumação das estruturas gerais, em conjunto com as
individualidades. Aqui é onde se dispõem o uso dos Bens, o funcionamento dos
costumes e do cotidiano, e a caracterização dos personagens sociais, tudo em relação à
elaboração do contexto – os padrões.
Nas formulações do autor, a casa vem como solução para essencialidades da
comunidade, assumindo assim funcionalidades na mentalidade e nas percepções
gerais. Logo surgem relações sociais em sua volta, representações e conceitualizações
sobre suas “formas de ser” – organização arquitetônica da estrutura e do espaço
interno. O “morar” nestas casas é uma prática, norteada por uma formulação cultural
de controle social.
Tanto a estrutura física destas residências, quanto sua prática de moradia e
organização interna, sofrem influência direta dos contextos culturais no espaço-tempo,
em escala geral e regional, na medida em que interferem na arquiteturização do
funcionamento destes contextos. É o `'íntimo" em relação com o todo. Daqui podemos
concluir sobre especificidades materiais e simbólicas do organismo social.
É a morfologia da casa, e sua prática de moradia, como reveladora de uma
História Social do caso, demonstrando sociabilidades, estruturas balizadoras e
processos contínuos de alterações estruturais8. Roche destrincha ainda sobre
contextos, principalmente espaciais, de elaboração de formas de padrões diferentes, e
de suas especificidades, na constituição destas casas e de suas moradias. Para o autor,
existe uma diversidade entre contextos, e assim entre regiões, estabelecendo desta
maneira “tipos regionais” e “tipos intelectuais” de configuração.
Citados os casos das regiões de Beaujolais e Ilê-de-France, e os modelos do
arquiteto Serlio, dos castelos e presbitérios, explana-se o caminho de desenvolvimento
destes tipos, e de sua relação direta com o todo das dimensões sociais, e com os
interesses individuais. Outra diversidade é lembrada ainda entre as características e
agentes dos tipos do espaço urbano. Essas configurações têm modificações também no
tempo, em um constante processo de desenvolvimento.
Cada um destes tipos, destas “formas de ser” da casa e da prática da moradia,
tinham vínculos diversos com os personagens e contextos promotores. Relações
principalmente da ordem sociocultural, econômica e técnica entre o espaço que as
contextualiza, e o espaço que assim se desenvolve (íntimo), como mútuos vetores da
funcionalidade de seus elementos.
Como dito anteriormente, este âmbito interno, e sua constante relação com o
externo, são fomentados por componentes materiais e simbólicos. O autor elenca tais
componentes nesta obra na forma de: costumes e bens. Os costumes são os usos,
práticas e técnicas na busca de iluminação e aquecimento, e das necessidades
fisiológicas e higiênicas. Os bens, são os móveis e as vestimentas, com suas

8 Roche, Op. Cit. Pag. 123-124;


funcionalidades diante das necessidades, qual seja, o comer, o dormir, o localizar-se
para poder se inter-relacionar, o pudor, e sua face de indumentária, onde percebemos
melhores condições da mobília e da vestimenta, a comodidade e a simbologia ante a
estratificação social.
Na análise materialista é mister percebermos o funcionamento destes
componentes materiais e simbólicos. Iniciando pelos costumes:
“No final de uma longa história de luta contra os elementos, nossas
arquiteturas incorporaram dispositivos agora banalizados [naquela
França ainda estavam se desenvolvendo] para combater essas forças
naturais – o calor, o frescor excessivo ou glacial, as variações diárias da
luz natural – que agem sobre a saúde e o trabalho, que dependem dos
ritmos sazonais e cotidianos do sol e dos meteoros.” (Roche, Op. Cit. Pag.
147, grifos nossos);

Que também recai sobre:


“Uma das velhas moradoras do lugar [região francesa], diante dos novos
equipamentos, deixou aberta permanentemente sua única torneira. Foi
preciso ensiná-la a fazer novos gestos, a adquirir novos hábitos, fechar e
abrir, o que não era óbvio num mundo em que as fontes escorriam sem
parar – bastava mantê-las – (...) A chegada da água nas casas e nos
estábulos mudou rapidamente a vida de todos, aliviando um fardo
multissecular; para toda uma geração, o progresso rompia com a
parcimônia.” (Roche, Op. Cit. Pag. 183, grifos nossos);

Como podemos perceber, esses componentes do processo social de


desenvolvimento material e simbólico da sociedade estudada, partem de diferentes
caráteres de necessidades, e imbricam tanto em estrutura física, como na prática
cotidiana. Têm também diferentes formas de relação dialética com o meio social onde é
empenhado, no funcionamento de suas dimensões socioculturais e econômicas.
As experiências desenvolvidas nas comunidades, são compreendidas a partir
destes elementos flagrantes e demonstrativos das relações todo-indivíduo. Estas
práticas podem ser espontâneas ou normatizadoras, mas sempre figurantes em um
movimento transformador. Neste estudo de caso, Roche cita várias destas práticas, seja
no campo material, ou subjetivo, explanando sobre seus desenvolvimentos e
funcionamentos.
Considerando os contextos relevantes para cada prática, bem como a relação
destas com os agrupamentos humanos, vamos percebendo pistas da organicidade do
cotidiano aceito/quisto/vivido. Dentre essas questões contextuais, aquelas de ordem
cultural devem ser aprofundadas, destrinchando suas guinadas ao longo do tempo, suas
características sócio-mentais e como afetam a caracterização do ser.
Então, espessura e materiais das paredes, localização e tamanho das lareiras,
estufas, produtos de abastecimento da combustão, poços, aquedutos, todas essas
presenças materiais e práticas cotidianas têm determinadas importâncias, capilaridades
e características, detectadas também a partir de suas ausências. Essas configurações
dizem respeito a diferentes âmbitos (interno e externo), a diferentes questões sociais
(sociabilidades, necessidades, rotina, etc) e diferentes grupos envolvidos, seja no espaço-
tempo ou na estratificação social, envolvendo suas funcionalidades. Para entendimento
destas relações estruturantes da sociedade com os elementos praticados, é
imprescindível que se explane a materialidade, o simbolismo e a dimensão econômica de
cada um que seja relevante.
Falamos aqui de valores significativos na matéria, numa organização daquele
cotidiano social que para nossa vivência contemporânea é impensável. A variedade
destes componentes estruturantes (Bens e formas físicas, símbolos e práticas), montam
as especificidades daquela sociedade em questão. Roche realiza uma longa explanação
de cada um destes componentes, em seu processo histórico, e em suas relações com os
diferentes interesses dos diferentes grupos sociais, postulando sobre seus significados.
Outro termo para estas significações seria “serventia”, então a serventia dos
usos dos Bens e das práticas culturais em prol do teatro, dos ritos religiosos, da
circulação pelos espaços públicos, do trabalho, da higiene, por exemplo. O autor explana
cada uma dessas atribuições, percepções dos grupos e indivíduos para com essas prática
e Bens, tendo em vista suas necessidades consideradas, o caráter coletivo que essa
relação tinha, e por isso estrutural, bem como seu trajeto de desenvolvimento.
Neste ensejo, os agrupamentos humanos criam relação com os elementos
(naturais ou produzidos) a partir destas práticas que os trabalham. Além de todas as
especificidades já citadas, vale também debruçar-se sobre a qualidade, necessidade e a
face econômica dos elementos praticados. É aqui que residem os grandes motes a serem
discutidos: tensões, imaginário, denominações, episódios e processos, na forma das
significações, e os impactos materiais, simbólicas e econômicos, enquanto consequências
dessas práticas cotidianas significantes.
Aprofundando, as práticas dos Bens e os costumes corolários, devem ser
analisadas, ainda, por suas técnicas, diversidades contextuais, tradições, objetos-Bens
utilizados, relações e normatizações. Roche elenca quatro formas específicas dessas
práticas utilitaristas, por exemplo: captação da água dos rios e dos poços, a edificação de
chafarizes e aquedutos, aprimoramento de velas e candeeiros e aquisição de
equipamentos aquecedores. O cotidiano de necessidades desenvolve essas formas, e elas
no seu funcionamento desenvolvem componentes da rotina, do cotidiano.
Podemos afirmar então que, os costumes assim desenvolvidos têm diretrizes
formativas – natureza, tecnologia e cultura material – flagrantes das condições sócio-
contextuais daquele processo estruturante. Cabe reafirmar ainda que, as necessidades
comunais e corriqueiras, são predominantes dentre estas diretrizes formativas, pois é
deste lugar que partem os objetivos e as formas, sempre diversas, que norteiam e
caracterizam as práticas e os costumes assim desenvolvidos.
Há ainda, ao longo desse processo, uma cultura em referência a estes costumes
em cada caso localizado que lhe desenvolve. A diversidade existente entre essas culturas
formuladas tem como fatores promotores, para mais que as diretrizes formativas já
citadas, o uso da técnica, as hierarquias sociais, as formas de entrelaçamento, quantidade
e regularidade, questões mercadológicas, adesões, o dizer sobre, os aparelhos e as
condições que se tem à disposição, que ainda sofrem alterações históricas, no sentido do
movimento no espaço-tempo.
Para compreender o todo social e o seu cotidiano, temos também de apreender
o funcionamento dos Bens como componentes materiais e simbólicos:
“Mobília e decoração ocupavam um lugar especial no itinerário onde
comparamos necessidades, comodidades, luxos, com os meios e os
recursos das sociedades, com o consumo e a produção. Desde o final da
Idade Média, elas conheceram uma evolução lenta e multiforme que se
acelerou no século XVIII. (...) mudanças foram observadas, animadas
primeiro pela demanda urbana e pelo aumento das novas exigências. (...)
O estudo dessas configurações exige a análise da funcionalidade das
coisas confrontadas aos usos, de uma instrumentalidade que se opõe em
parte à leviandade do gosto. É um meio de repensar a relação estranha
entre o material e o sensível, e o intelectual.” (Roche, Op. Cit. Pag. 223-
224);
O que também pode ser visto no,
“(...) culote as botas deram lugar à calça quando a necessidade de montar
a cavalo a todo momento desapareceu. Da mesma maneira o ulster
(casaco amplo e incômodo) foi tornado mais confortável pelos
ferroviários (...) o historiador poderia estimar o grau de progresso na
escala do vestuário pelo progresso da especialização dos “órgãos”: o
casaco vermelho, outrora traje de gala, era reservado agora aos
caçadores e aos provinciais. (...) As maneiras de se vestir evoluíram
segundo seus ritmos próprios, e suas variações não dependeram apenas
da história das modas, pois a sociedade moderna veria coexistirem
classes e maneiras mais ou menos tocadas pela mobilidade.” (Roche, Op.
Cit. Pag. 256-257);

A análise materialista de Roche propõe neste sentido que, o caminhar


desenvolvimentista encampado pela França moderna, com suas permanências e
rupturas, tem uma configuração que pode ser visualizada em suas correlações dialéticas
com elementos tão banais quanto os móveis e as roupas. Isto porque os usos e
simbolizações empenhados sobre estes Bens partem de seu contexto condicionante,
como é o caso das necessidades, e two-way-street tais práticas materiais e subjetivas
caracterizam as estruturas gerais e corriqueiras do cotidiano contextualizante.
Cada móvel tinha sua importância e sua funcionalidade, estas eram muito
definidas pelas necessidades, como dito logo acima, pelos padrões e conexões culturais
presentes na teia do nexo social, e pelas descontinuidades e diversidades existentes
entre as formas de elaboração da relação destes com cada grupo e/ou individualidade.
As mobílias são vistas como dispositivos funcionais, revelando e configurando estruturas
e personalidades sociais, por isso é de suma importância que trabalhemos seu lado
material (quais os Bens?) e do imaginário (quais os usos?) que também são configurados
mutuamente por estas estruturas e personalidades sociais.
As presenças e os usos eram diretamente ligados às condições hierárquicas de
vida. Isto está presente na qualidade do móvel, e em suas significações e ressignificações
atribuídas. O móvel é então um elemento cultural que organiza os espaços, caracterizado
por propriedades lógicas, de imaginação, gosto e questões rituais, e o próprio cotidiano.
Assim estes Bens são tomados como fatores ativos no todo das vivências.
Na significação destes objetos, que acarreta denominação, uso e estética, temos
uma diferenciação entre as necessidades inicialmente geradoras, qual seja, em relação
ao espaço vivido e a utilização desempenhada. Este entendimento sobre os objetos vem
da mentalidade relacional dominante no espaço-tempo em questão, perpassando ainda
pelas visões de “utilitário” e de “luxuosos”, durante seu processo de valoração.
Temos diante de nós, nesta linha de raciocínio, vestígios materiais de parte da
simbolização social de nosso objeto de estudo. Assim como nos costumes, as “serventias”
gritam como banalidades constitutivas do organismo social. Um móvel serve para
quantas funções? Quais móveis existem na moradia praticada por cada grupo social?
Quais móveis estão ausentes na moradia praticada por cada grupo social? Quais os
objetivos para cada móvel? Quem senta na cadeira? E no banco? E na almofada? Quem
pode ter uma cama com divisória? Quais as tantas funções atribuídas ao baú?
Podemos notar que, principalmente as divisões de classe, podem ser percebidas
a partir destes componentes banais, mas muitas outras questões de ordem sociocultural,
econômica e política, como por exemplo o funcionamento e a importância do “íntimo”.
Podemos utilizar os mesmos também como suporte para compreensão sobre as
especificidades das suas relações dialéticas com os processos de produção e consumo,
como técnicas de produção, formas de consumo, personagens envolvidos e etc.
As relações dialéticas de prática sobre estes Bens, fomentam ainda a elucidação
de representações e simbolismos no campo do supérfluo, formando uma cultura de
aparências, surgida segundo Roche, na ruptura com os aspectos do Antigo Regime9.
Devemos considerar ainda constâncias e divergências nos diferentes espaços, rural e
urbano, além das regionalidades, na configuração de ser, acontecer e ser visto de cada
um destes móveis.
Neste mesmo sentido, as peças do vestuário, a prática do vestir e as significações
e importâncias a elas designadas, também estão presentes em um constante movimento
de alterações, e podem ser trabalhadas a partir dos questionamentos sobre quais peças
estão presentes e/ou ausentes, e sobre os usos praticados. As peças de roupa nos
informam muito, assim como seu trajeto de produção e de consumo, sobre as estruturas
socioculturais e econômicas da(s) comunidade(s) em questão.
Os tipos do vestir nos revelam qual a relação entre o grupo e o indivíduo. As
peças são apropriadas por estes personagens, e assim significados em um constante
processo, assim o próprio físico destas peças vai se alterando. As funções das peças estão
diretamente ligadas aos costumes sociais envoltos, e esta ligação nos é contada por uma
“linguagem muda” presente em cada roupa, e em cada registro sobre a mesma. Como
exemplo, teremos roupas utilizadas para as atividades cotidianas, e aquelas para
corporificação e exposição da estratificação social.
As vestimentas são também um fato social, a partir de sua incidência como
coalizão de ordem cultural, econômica e social. O processo social das práticas sobre as
peças, envolvem diversidade funcional, sociabilidades, personagens praticantes e
diversidade configurativa ao longo do processo. Tudo isto deve ser considerado para
entender seu respaldo na sociedade, e assim seu peso na caracterização das experiências.
Os exemplos utilizados pelo autor, peças urbanas, roupas rurais, vestimentas da

9
Roche, Op. Cit. Pag. 241-242;
região de Avignon, e vestuário de Paris e da província, são escolhidos menos por suas
gritantes particularidades, do que pela disponibilidades de fontes, que muito
gentilmente o autor relaciona a cada capítulo. Explanando os fatores promotores de suas
especificidades, Roche aproveita para tratar das criações e das modificações de costumes
em torno deste vestuário, explicando o funcionamento dos mesmos.
No interstício entres costumes e Bens, a alimentação também figura nesta visão
como componente material e simbólico, nos âmbitos interno e externo de
desenvolvimento das formas de relações, entendimentos e práticas que organizam o
todo social:
“A adptabilidade alimentar era ao mesmo tempo fisiológica e cultural. Aí
se conjugavam a parte do ambiente, a busca de novas receitas para
responder à necessidades, a invenção do saber culinário que estava na
origem das conquistas do paladar e da invenção gastronômica. O meio
natural, não esqueçamos, tinha um papel essencial. Até o século XVIII,
cozinhar e comer era tirar proveito dos víveres que se sucediam ao
longo dos meses e dos anos, isto é, segundo as regiões com uma
irregularidade que não podemos imaginar. (...) Os alimentos não eram
apenas bons de comer, também eram “bons de pensar, de imaginar”. Eles
tinham um lugar considerável na vida religiosa e simbólica, implicavam
comportamentos sociais, tanto no privado quanto no público,
inspiravam até os esteriótipos regionais.” (Roche, Op. Cit. Pag. 292-293);

O componente alimentar tem peso material e representativo nas relações


organizativas e caracterizantes do todo e de seus indivíduos. É necessário uma análise
sobre suas formas e significações que considere os vários contextos (mental, econômico,
material, espaço-temporal, etc), elucidando fatores de permanências e diversidades nas
práticas alimentícias manifestadas por cada comunidade, que assim é compreendida
quanto a suas normatizações, identidades, hierarquias, e demais estruturas.
Nesta análise, formas relacionais dialéticas entre culturas, condições
econômicas, assim como o âmbito espacial, são vetores condicionantes de alta
importância para a prática alimentar. Daí vemos preferências, disponibilidades,
necessidades calóricas, como demonstrativos não determinantes das composições
sociais de diferentes regiões, como nos exemplos destrinchados sobre a região do
Périgord e a do Auvergne.
Roche explana ainda, a relação de prática e significação para com os alimentos
em cada situação, social, econômica, espacial, considerando seus vetores em questão e
configurações de caso. Destrincha ainda a configuração da prática alimentar, a partir da
correlação entre condicionantes contextuais, e táticas grupais e individuais.
O autor não se detém apenas às necessidades e usos materiais, leva em conta
ainda o caráter simbólico da prática alimentícia. O processo de significação vai no
caminho também dos ritos religiosos, que em conjunto com as demais dimensões sociais
incidentes sobre esta praticidade, funciona com ambivalências de significado, ainda mais
quando o contexto é de austeridade. Completando essa percepção dos elementos do
organismo social analisado, se faz necessário entender que os costumes formaram uma
alta força normatizadora sobre essas práticas e processos, nos domínios moral e
material, é preciso conhecer os traços destes costumes sobre a elaboração social, para
apreender os elementos e a organicidade da realidade pesquisada.

4. Conclusão
É certo que existem muitos outros costumes, práticas, bens, enfim elementos
cotidianos, corriqueiros, materiais e simbólicos, da banalidade da vida humana, que
podem ser considerados em estudos desta perspectiva historiográfica, na busca da
compreensão da estruturação social. Da mesma maneira, estes mesmos elementos
podem ser considerados por outras perspectivas e postulados não apenas
historiográficos, mas também de demais áreas das humanidades.

Mas é imprescindível que consideremos a importância das observações e dos


construtos epistêmicos fabricados por esta obra. Considerar a prática alimentícia, os
bens da mobília e da vestimenta, os costumes em volta da higiene, abastecimento,
iluminação e aquecimento, assim como os processos de valoração de Bens, de
significação do espaço de vivência e as conceitualizações norteadoras das práticas e
relações, tudo isto trás uma profusão na percepção da vida comum francesa na
construção do mundo moderno.

O autor nos faz um convite à reflexão, sobre a visualização das sociedades e de


seus indivíduos em momentos característicos outros, e em configurações
historicamente desenvolvidas, buscando perceber continuidades e rupturas em escala
geral e atomizada, através desta formatação teórico-metodológica.
5. Análise crítica
Me sinto muito tentado em afirmar que Daniel Roche tem uma análise econômica
de viés liberal. Muito por conta de suas referências teóricas, onde repetidas vezes se
vale de Adam Smit, Georg Simmel, entre outros, para pensar as situações e padrões
corriqueiros com os quais se depara, mas também porque em diversos momentos
torna-se não muito claro se o autor está apresentando a ideia destes autores, ou se
apropriando de suas formulações para dizer sobre temas como a cobrança de impostos,
o peso do regramento moral e comportamental desenvolvido pelas forças político-
administrativas, os prejuízos trazidos por normativas econômico-monetárias, como é o
caso das leis suntuárias, entre tantos outros assuntos. Mas não me sinto confortável em
fazê-lo devido a necessidade de responsabilidade de uma análise mais calma, profunda
e com maior conhecimento de causa. Por isso não o faço. Mas deixo a provocação.

Em todo caso, a análise materialista de Roche é de extrema importância


principalmente no atual circuito historiográfico, cearense pelo menos. Considerar que
a partir de elementos do âmbito material, que composições do prático da vida humana,
podem ser formidáveis fontes elucidativas do funcionamento do corpo social, não
apenas em suas composições econômicas e sociais, mas também de seus conteúdos
inter relacionais, culturais, subjetivos e simbólicos, é muito cara à minha própria lógica
de pesquisa e à todos aqueles que acreditam em uma História Social da sensibilidades.

Para mais que fortalecedora desta tese, História das Coisas Banais ainda amplia
em muito nosso horizonte de identificação de possibilidades de pesquisa e de
elaboração historiográficas. Relacionando escalas do geral ao caso específico, trazendo
ao centro elementos tão corriqueiros, tão “banais”, que não são utilizados em todo seu
potencial enquanto testemunhas da história. Daniel Roche nos apresenta e explana um
leque de possibilidades de problematizações, pontos de vista, fontes, metodologias,
conceitos e conexões que aproximam as grandes análises do grande público comunal.

Noélio Nonato Alves10.

6. Referências Bibliográficas

ROCHE, Daniel. História das coisas banais: nascimento do consumo séc. XVII-XIX.
Rio de Janeiro: Rocco, 2000. 396 p. Tradução de: Ana Maria Scherer;
Daniel Roche (Historiador). Da Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
https://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Roche_(historian) . Acesso em: 11 nov. 2021;

10
Aluno Ouvinte da Disciplina Civilização, Capitalismo E Cultura Material, no Programa de Mestrado Em
História, Culturas E Espacialidades - PPGHCE.

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