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Tipos de conhecimento

científico
Rosângela Nogarini Hilário
Alessandra Del Ré
Conhecimento...

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• Valorativo • Valorativo • Valorativo • Real (factual)
• Reflexivo • Racional • Inspiracional • Contingente
• Assistemático • Sistemático • Sistemático • Sistemático
• Verificável • Não verificável • Não verificável • Verificável
• Falível • Infalível • Infalível • Falível
• Inexato • Inexato • Exato • ͌Exato
Método
• Procedimentos de observação e experimentação, de coletas de
dados, de registros de fatos, de levantamento, identificação e
catalogação de documentos históricos, de cálculos estatísticos,
de tabulação, entrevistas, depoimentos, questionários etc.

A ciência se faz quando o pesquisador aborda os


fenômenos aplicando recursos técnicos, seguindo um
método e apoiando-se em fundamentos epistemológicos.

• Relação sujeito/objeto
• Articulação do teórico com o empírico, do ideal com o real.
Questões importantes
• Qual a contribuição de cada polo desta relação: sujeito que
conhece e objeto conhecido?
• São independentes um do outro? Ou um depende do outro? Ou
um se impõe ao outro?
• O resultado do conhecimento é determinado pelo objeto,
exterior ao sujeito ou, ao contrário, o que conhecemos é mais a
expressão da subjetividade do pesquisador do que o registro
objetivo da realidade?
Método científico
• Permite diferenciar a ciência das demais modalidades de
expressão da subjetividade humana.
• um conjunto de procedimentos lógicos e de técnicas
operacionais que permitem o acesso às relações causais
constantes entre os fenômenos.

hipóteses
hipóteses hipótese
fatos leis mais teorias sistema
gerais universal
gerais
Problema
• Formulado como questão pela causa dos fenômenos
observados – qual a relação causal constante entre eles.
• Formulação de uma hipótese
Hipótese: proposição explicativa provisória de relações entre
fenômenos, a ser comprovada ou infirmada pela experimentação. E
se confirmada, transforma-se na lei.

• Verificação experimental (teste da hipótese) – controle de


variáveis e observação do comportamento.
• Confirmada a hipótese, tem-se uma lei
Lei científica: enunciado de uma relação causal constante entre
fenômenos ou elementos de um fenômeno. Relações necessárias,
naturais e invariáveis. Fórmula geral que sintetiza um conjunto de
fatos naturais, expressando uma relação funcional constante entre
variáveis. Variável: é todo fato ou fenômeno que se encontra numa
relação com outros fatos, enquanto submetido a um processo de
variação, qualquer que seja o tipo de variação com relação a
alguma propriedade ou grau, a variação de um fato se
correlacionando com a variação do outro. Exemplo: o calor
dilatando o metal.
• Unificação de várias leis referentes a vários setores de
fenômenos (lei mais abrangente): teoria.
Teoria: conjunto de concepções, sistematicamente organizadas;
síntese geral que se propõe a explicar um conjunto de fatos cujos
subconjuntos foram explicados pelas leis. Sistema: conjunto
organizado cujas partes são interdependentes, obedecendo a um
único princípio, entendido este como uma lei absolutamente geral,
uma proposição fundamental.
Método
científico

Momento Momento
experimental matemático

Momento experimental: fase indutiva (processo de


generalização, do particular para o universal)
Momento matemático: fase dedutiva (do geral para o particular)
Indução

Procedimento lógico pelo qual se passa de alguns fatos


particulares a um princípio geral. Trata-se de um processo de
generalização, fundado no pressuposto filosófico do determinismo
universal. Pela indução, estabelece-se uma lei geral a partir da
repetição constatada de regularidades em vários casos
particulares; da observação de reiteradas incidências de uma
determinada regularidade, conclui-se pela sua ocorrência em
todos os casos possíveis.
Dedução

Procedimento lógico, raciocínio, pelo qual se pode tirar de uma ou


de várias proposições (premissas) uma conclusão que delas
decorre por força puramente lógica. A conclusão segue-se
necessariamente das premissas.
Paradigmas epistemológicos
• Ao fazer ciência, o homem parte de uma determinada concepção
acerca da natureza do real e acerca do seu modo de conhecer. Essas
“verdades” básicas não precisam ser demonstradas nem mesmo
conscientemente aceitas pelo cientista, mas elas são pressupostas. A
sistematização dessas posições de fundo são os assim chamados
paradigmas – no caso do conhecimento, paradigmas epistemológicos.
Para que o conhecimento produzido pela ciência tenha consistência, é
preciso admitir algumas verdades universais, ou seja, a ciência precisa
apoiar-se em alguns pressupostos.
Pressuposto epistemológico
• forma pela qual é concebida a relação sujeito/objeto no processo de
conhecimento
• Ciências Naturais – positivismo
• Entende que o mundo é aquilo que ele se mostra fenomenalmente, a
apreensão de seus fenômenos sendo feita através de uma experiência
controlada, da qual são eliminadas as interferências qualitativas.
• Daí a única forma segura de conhecimento ser aquela praticada pela ciência,
que dispõe de instrumentos técnicos aptos a superar as limitações subjetivas
da percepção.
Pressuposto epistemológico
• Ciências Humanas – pluralismo paradigmático (várias possibilidades
de como se conceber a relação sujeito/objeto)
• homem seria um ser natural como todos os demais (naturalismo), submisso às mesmas leis
de regularidade (determinismo), acessível portanto aos procedimentos de observação,
experimentação e mensuração (experimentalismo e racionalismo). Como pretendia Comte, é
possível – e necessário – constituir uma física social, análoga à física natural.
• Desenvolvimento dos estudos sobre os diferentes aspectos da fenomenalidade humana - não
prevalecia o paradigma epistemológico único representado pelo positivismo,
• no caso do estudo e conhecimento do homem, outros paradigmas podem ser utilizados, com
resultados igualmente satisfatórios no que concerne à eficácia explicativa.
• pluralismo epistemológico, ou seja, há várias possibilidades de se entender a relação
sujeito/objeto quando da experiência do conhecimento, configurando-se várias perspectivas
epistemológicas.
Funcionalismo
• apoia-se no pressuposto da analogia (organismo biológico -
organização social e cultural)
• a sociedade humana e a cultura são como um organismo, cujas
partes funcionam para atender às necessidades do conjunto.
• o papel das Ciências Humanas é o de identificar objetivamente essas
relações funcionais, descrevendo seus processos e explicitando suas
articulações no interior da sociedade.
Estruturalismo
• Linguística – Saussure (língua como sistema de signos)
• que a estrutura é um microssistema anterior à intervenção histórica
dos sujeitos.
• Pressuposto – todo sistema constitui um jogo de oposições,
presenças e ausências, formando uma estrutura com
interdependência entre as partes.
• Fatos empíricos devem ser abordados em sua imanência, levando-
se em conta sua inserção num sistema, sincronicamente
considerado como parte de um todo estruturado, no qual as
relações pertencem a grupos de transformações, pertinentes a
grupos de modelos correspondentes.
Fenomenologia
• Experiência primeira do conhecimento
• Parte do pressuposto de que todo conhecimento factual funda-se
num conhecimento originário de natureza intuitiva viabilizado pela
condição intencional de nossa consciência subjetiva.
• A atitude fenomenológica faz com que o método investigativo sob
sua inspiração aplique algumas regras negativas e outras positivas.
Negativamente, trata-se de excluir ou suspender, a colocar entre
parênteses, toda influência subjetiva, psicológica, toda teoria prévia
sobre o objeto bem como toda afirmação da tradição, inclusive
aquela da própria ciência; positivamente, trata-se de ver todo o dado
e de descrever o objeto, analisando-o em toda sua complexidade.
Hermenêutica
• todo conhecimento é necessariamente uma interpretação que o
sujeito faz a partir das expressões simbólicas das produções
humanas, dos signos culturais.
• apoia-se em subsídios epistemológicos fornecidos pela Psicanálise,
pela Dialética e pelo próprio Estruturalismo.
• A realidade humana só se faz conhecer na trama da cultura, malha
simbólica responsável pela especificidade do existir dos homens,
tanto individual quanto coletivamente. E, no âmbito cultural, a
linguagem ocupa um lugar proeminente, uma vez que se trata de
um sistema simbólico voltado diretamente para essa expressão.
Arqueogenealogia
• Derivada da arqueologia e da genealogia
• Busca de outra dimensão para a subjetividade.
• Propõem priorizar outras dimensões que não aquela da lógica
racional, resgatar outras dimensões da vivência humana,
supostamente negligenciadas pelos filósofos modernos, como
o sentimento, a paixão, a vitalidade, as energias instintivas.
Dialética
• reciprocidade sujeito/objeto eminentemente como uma
interação social que vai se formando ao longo do tempo
histórico.
• o conhecimento não pode ser entendido isoladamente em
relação à prática política dos homens, ou seja, nunca é questão
apenas de saber, mas também de poder.
• priorizam práxis humana, a ação histórica e social, guiada por
uma intencionalidade que lhe dá um sentido, uma finalidade
intimamente relacionada com a transformação das condições
de existência da sociedade humana.

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