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Abel Joaquim Prato

Afonso Joaquim Nicua

Adriano Inácio

Dionísio Maurício Maliua

Mbanze Sebastião Macorro

Nelito José António

Teoria Linear das Ondas: Cinemática das partículas; Grupo de ondas; Campo de
pressão e Energia potencial

Licenciatura em Ensino de Física e Habilitações em Energias Renováveis

Universidade Rovuma

Nampula

2021
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Abel Joaquim Prato

Afonso Joaquim Nicua

Adriano Inácio

Dionísio Maurício Maliua

Mbanze Sebastião Macorro

Nelito José António

Teoria Linear das Ondas: Cinemática das partículas; Grupo de ondas; Campo de
pressão e Energia potencial

Licenciatura em Ensino de Física e Habilitações em Energias Renováveis

Trabalho de carácter avaliativo da


disciplina de Energias Renováveis IV,
curso de Física, 4º ano, 2º semestre,
orientado pelo docente:

dr. Baltazar Raimundo

Universidade Rovuma

Nampula

2021
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Índice

1. Introdução............................................................................................................................ 4

2. Teoria Linear das Ondas: Cinemática das partículas; Grupo de ondas; Campo de pressão e
Energia potencial ........................................................................................................................ 5

2.1. Abordagem geral das Ondas ............................................................................................ 5

2.1.1. Energia das Ondas ....................................................................................................... 5

2.1.2. Formação das Ondas .................................................................................................... 5

2.1.3. Razões Favoráveis ao Aproveitamento da Energia das Ondas .................................... 6

2.1.4. As condições de fronteira............................................................................................. 7

2.1.5. Classificação das Ondas ............................................................................................... 7

2.2. Teoria linear das Ondas ................................................................................................... 8

2.2.1. Cinemática das partículas .......................................................................................... 11

2.2.2. Velocidade de Fase .................................................................................................... 13

2.2.3. Grupo de ondas .......................................................................................................... 13

2.2.5. Campo de Pressão ...................................................................................................... 15

2.2.6. Energia Potencial ....................................................................................................... 16

Conclusão ................................................................................................................................. 18

Referências bibliográficas ........................................................................................................ 19


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1. Introdução
A formação de ondas deve-se a uma manifestação de forças verticais que actuam na água com
tendência a deformá-la contra a acção da gravidade e contra a sua tensão superficial. Assim que
deformação ocorre, a força gravítica e a tensão superficial actuam de modo a restabelecer a
superfície da água para a sua posição de equilíbrio. Durante este processo, a inércia subjacente
à massa de água faz com que a sua superfície ultrapasse a posição de equilíbrio estabelecendo,
deste modo, um movimento oscilatório a nível superficial.

Esta oscilação perturba as massas de água adjacentes, implicando a propagação frontal de uma
onda, á medida que a onda se propaga, o seu movimento oscilatório permanece devido à
interacção da força gravíticas com a inércia das massas de água. A conversão é conseguida
através de sistemas cujas características são adequadas para o tipo de ondas das quais se
pretende extrair energia.

Fluxos de energia muito grandes podem ocorrer nas ondas do mar em águas profundas, o poder
na onda é proporcional ao quadrado da amplitude e ao período do movimento. A possibilidade
de gerar energia eléctrica a partir dessas águas profundas ondas tem sido reconhecido há muitos
anos, e há inúmeras ideias para máquinas para extrair a energia das ondas.

O objectivo do trabalho é de compreender a teoria linear das ondas, face aos tópicos acima
referidos.

Para efectivação do trabalho baseou-se em consultas bibliográficas e electrónicas.


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2. Teoria Linear das Ondas: Cinemática das partículas; Grupo de ondas; Campo de
pressão e Energia potencial

2.1. Abordagem geral das Ondas

2.1.1. Energia das Ondas


Onda é um movimento ondulatório das superfícies do mar que envolve grandes quantidades de
entrega. Que dissipando - se continuamente contra o litoral, podem ser deslocados corpos de
grandes dimensões ou mesmo provocar fortes acções crossivas.

As ondas do mar são originadas pela interação da água com o vento, corpos em movimento,
distúrbios sísmicos ou campos gravíticos de outros planetas e são simplesmente uma forma de
energia acumulada e em transição. A principal fonte energética primária de formação das ondas
a nível planetário é o sol. A radiação solar é coletada pelas massas de água e terra do nosso
planeta, criando-se um diferencial de temperatura entre as camadas de ar próximas da superfície
e as camadas de ar mais afastadas. O ar quente de menor densidade eleva-se dando lugar ao ar
mais frio das camadas atmosféricas superiores, gerando correntes térmicas verticais.

Paralelamente a estas correntes o ar quente das zonas equatoriais desloca-se para as zonas
polares enquanto o ar frio polar se desloca para regiões mais quentes do globo, resultando no
padrão meteorológico global da circulação dos ventos. Parte da energia cinética dos ventos
formados é posteriormente transferida para a água devido ao atrito entre as duas superfícies,
gerando-se desta forma as ondas.

2.1.2. Formação das Ondas


Segundo Cruz (2008, p. 83), a energia das ondas é convertida a partir da energia solar, a
diferença na absorção de luz solar incidente na superfície dos oceanos produz diferenças de
temperaturas ao redor do globo, induzindo a formação de ventos que sopram ao longo dos
oceanos. Estes ventos por sua vez interagem com a superfície oceânica transferindo parte da
sua energia.
As ondas são geradas pela ressonância entre a pressão normal à superfície, induzida pelo vento,
e a superfície oceânica, que se propaga livremente. Essa pressão induzida é turbulenta, e se
propaga como um campo, estático aproximadamente aleatório, segundo a figura abaixo

Na óptica Holthuijsen (2007,p.179), a pressão induzida se torna máxima no lado da crista da


onda que recebe o vento e mínima no lado oposto. Isso implica que o vento efectivamente
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“empurra” para baixo a superfície da onda que está descendo e “puxa” a superfície que está
subindo. É esse acoplamento fora de fase entre a pressão e o movimento da superfície que
transfere energia para a onda. Além disso, uma vez que essa transferência depende da amplitude
da onda, ela se torna cada vez mais efetiva à medida que a onda se desenvolve.

A altura final da onda, e consequentemente a energia transferida, vai depender da intensidade


do vento, do tempo de duração dele e do tamanho da pista por onde ele sopra. Dessa forma, a
princípio, quanto mais intenso, constante e duradouro for o vento atuante, maiores serão as
ondas geradas. Entretanto, o crescimento das ondas tem um limite. Após certo tempo, com o
vento agindo a certa velocidade, acontece um equilíbrio entre a taxa de energia recebida e a
dissipada pela onda, acontece, entretanto, do vento variar ao longo do tempo, tanto em direção
quanto em velocidade. Essa variação vai provocar a formação de ondas com alturas e períodos
diferentes entre si, conjunto dessas várias ondas com características diferentes é chamado
campo de onda.
Existem quatro factores que influenciam o desenvolvimento de ondas no mar:

a) A velocidade do vento;
b) Pista do vento ou a distância em que o vento sopra, em inglês fetch;
c) Duração do vento;
d) Profundidade da água.

2.1.3. Razões Favoráveis ao Aproveitamento da Energia das Ondas


A energia das ondas é proporcional ao quadrado da amplitude da onda e ao período da sua
oscilação. Ondas com período de 7 a 10 segundos e amplitude próxima dos 2m, têm fluxos de
energia que normalmente excedem os 40 kW por metro de largura.

Entre as principais razões apontadas pode-se destacar as seguintes:

 Cerca de 71% da superfície terrestre está coberta de água, que funciona como um
enorme coletor solar e armazena energia sob a forma de ondas;
 O recurso disponível por unidade de área das é aproximadamente 50 vezes superior à
energia solar e cerca de 15 vezes superior à energia eólica;
 É uma fonte de energia limpa e inesgotável;
 Está disponível 24h por dia e é mais previsível que a energia solar e a energia eólica, o
que reduz os tempos de amortização dos investimentos e poderá atrair maior número de
investidores para os projetos;
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 Não requer grandes infraestruturas em terra, como estradas e terrenos de instalação,


comparativamente com o caso das instalações de energia eólica e solar convencionais;
Impacto visual e ambiental dos dispositivos de aproveitamento de energia das ondas é
reduzido, e podendo ser integrados com outras estruturas passivas, como por exemplo
em quebra mares.

2.1.4. As condições de fronteira

As condições de fronteira são:

a) Condição de fronteira cinemática da superfície (KSBC), qualquer partícula de água, que


se situa na superfície livre mantém-se nessa superfície, apesar de esta sofrer ondulação
devido à propagação da onda;

b) Condição de fronteira dinâmica da superfície (DSBC), o valor da pressão relativa na


superfície livre é nulo, para qualquer posição e instante de tempo;

c) Condições de fronteira do fundo do oceano (BBC), as partículas de água adjacentes ao


fundo do oceano não atravessam as partículas de água adjacentes ao fundo do mar,
fundo do oceano não atravessam o fundo sólido ou seja a componente vertical da
velocidade estas partículas é nula.

2.1.5. Classificação das Ondas


Segundo Dean e Dalrymple (1998), a classificação das ondas depende da magnitude das forças,
as ondas podem ocorrer com vários tamanhos e formas, segundo o autor mostra as príncipe
classes de ondas e as suas causas:

i. Ripples, ondas de vento e swell, originada pelo efeito do vento na superfície do ar/água;

ii. Ondas internas, que podem ocorrer quando se verifica variações verticais de densidade;

iii. Tsunamis, ondas geradas por movimentar tectónicos do fundo do mar ou da costa;

iv. Ondas giroscópicas gravitacionais (superficiais e internas), de período suficientemente


longo para que o efeito de cariolis seja importante, existem várias causas tais como:
Alterações na força do vento, altera ondas na pressão atmosférica;

v. Rossby ou ondas planetárias de larga escala e longo período, evidenciadas em correntes


variadas. Existem várias causas, tais como as variações temporais na tensão do vento;
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vi. Marés devida às interações das forças gravitacionais da lua e do sol.

Na realidade, as alturas das ondas variam aleatoriamente no tempo e no espaço e as


propriedades estatísticas das ondas variam diariamente. Estas ondas podem ser geradas por
ventos locais ou por tempestades distantes da costa, mas que acabam alcançando a mesma.

2.2. Teoria linear das Ondas


É uma teoria que permite descrever com alguma precisão as propriedades cinemáticas e
dinâmicas da onda. Segundo esta teoria a equação que rege o movimento das ondas é linear e
monocromática, e a profundidade do mar é considerada elevada comparativamente com a altura
da onda. As perdas de energia devido ao atrito com o fundo marítimo e aos fenómenos de
turbulência são consideradas desprezáveis.
A teoria linear da onda permite de forma simples compreender as características da onda, e
sendo de fácil aplicação permite obter os resultados desejados para diversas aplicações sem ter
de recorrer a métodos de cálculo de maior complexidade.

A condição de incompressibilidade é razoável, uma vez que as forças envolvidas são tão
pequenas que qualquer compressão que haja pode ser ignorada. Com respeito à massa específica
constante, apesar de haver variação horizontal desse parâmetro, nos oceanos por causa de
variações de temperatura e salinidade, esta escala em que ela acontece (dezenas de quilômetros
ou mais) é muito maior que a escala horizontal em que a teoria é aplicada. Verticalmente
qualquer variação também é ignorada.

Porém, em alguns casos, como em rios estuarinos, onde a mistura de camadas de água salgada
e doce é relevante, a teoria deve ser aplicada com cuidado. A condição de continuidade, por sua
vez, só não se aplica quando há muitas descontinuidades na água, como por exemplo, quando
a onda quebra e há formação de bolhas.

Quando uma tempestade atinge o mar, são geradas ondas de diferentes alturas e diferentes
períodos. Ao longo da sua propagação, as ondas de baixo período tendem a desaparecer,
prevalecendo as ondas de período mais elevado por vezes denominadas de swells. Este tipo de
onda, cuja altura é reduzida quando comparadas com o seu comprimento, para além de comuns,
são de especial interesse para o estudo de sistemas de aproveitamento de energia devido à sua
densidade energética.
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Fig. 1: Elementos da Onda.

Considera-se uma profundidade h constante relativamente ao nível médio da água, o perfil da


superfície da água η em função do tempo t, da altura da onda H e da posição horizontal x, é
dado pela equação pela equação abaixo. O comprimento de onda λ, definido como o
comprimento entre duas posições equivalentes de duas ondas consecutivas em função do
período T de oscilação e da aceleração da gravidade g.

Ainda na visão de Holthuijsen (2007, p.108), as partículas de água não podem nem deixar a
superfície, nem penetrar o fundo oceânico, apesar da formação das ondas envolver forças de
pressão induzidas pelo vento, na teoria linear elas são desconsideradas, assim como outras
forças como a tensão superficial, a força de Coriolis e a força de atrito com o fundo. Essa
limitação das forças envolvidas, implica que o comprimento das ondas em que a teoria linear
se aplica vai de poucos centímetros, a poucos quilômetros.

O perfil superficial da onda propaga-se na direção x com uma velocidade c que não é mais do
que o comprimento de onda λ dividido pelo período de oscilação T. O número de onda k e a
frequência angular ω são dois parâmetros característicos das ondas muitas vezes tomados em
consideração

Durante a propagação da onda, para se completar um ciclo completo (o equivalente a um


comprimento de onda na direção x), as partículas da água da zona superficial tem que se
movimentar no sentido horário, para a frente, para baixo, para trás e por fim para cima até
completarem a sua órbita circular.

Com a profundidade, as partículas de água vão descrevendo órbitas de menor dimensão até um
limite em que a influência da onda deixa de ser sentida. A velocidade de propagação horizontal
u e vertical v das partículas de onda são dadas em função da profundidade z.

Quando a onda se aproxima da costa, devido à diminuição da profundidade, as órbitas descritas


pelas partículas vão deixar de ter a forma circular para tomar uma forma elíptica. Nestas
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situações as equações acima descritas deixam de ser válidas, necessitando de ser corrigidas para
as novas condições.

A teoria linear é confinada á análise bidimensional das ondas e é obtida através da linearização
de equações que definem as condições de fronteiras da superfície, assim possível derivar
expressões matemáticas que descrevam as propriedades hidrodinâmicas, das ondas do oceano.
A teoria linear das ondas é fundamental assumindo determinados pressupostos, através destes
as condições de fronteira necessárias são especificados são:

 A água é homogênea e incompressível e o comprimento da onda é longo o suficiente,


de modo que as forças de tensão superficial são desprezáveis (comprimentos de onda
superiores a 3cm);
 O escoamento é irrotacional a água não sofre tensões de corte, na superfície livre (zona
de interação entre o ar e a água), nem no fundo do oceano não são considerados outras
ondas formadas pelos efeitos do vento e a água escorrega livremente no fundo do
oceano. E em outras superfícies sólidas e fixas, deste modo o potencial de velocidade,
deve satisfazer a equação de Laplace, para um escoamento bidimensional, em que x e z
𝜕𝜙2 𝜕𝜙2
são as coordenadas horizontal e vertical, respectivamente: ∇2 Φ = + 𝜕𝑧 2 = 0.
𝜕𝑥 2

 O fundo do oceano é estacionário impermeável e horizontal, portanto o fundo não


adiciona não remove nem reflecte energia às Ondas;
 A pressão ao longo da superfície livre da água é constante, sendo desprezável o
gradiente de pressão aerostático entre a crista e a cava das ondas;
A altura das ondas é pequena comparada com o seu comprimento e com a profundidade
do oceano.

Fig. 2: Notação dos parâmetros físicos bidimensionais para a teoria linear das ondas.

Na determinação das propriedades hidrodinâmicas das ondas são utilizados alguns parâmetros
adimensionais que caracterizam a onda, como o número de onda, a frequência angular e a
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inclinação. O número de onda k define a quantidade de ondas por unidade de distância segundo
o eixo do x.

A frequência angular das ondas H, ou seja, o número ondas por unidade de tempo é dado por:

A inclinação da onda é definida como a razão entre a sua altura e o seu comprimento. Este
parâmetro indica o quanto a onda é afunilada e calcula-se de acordo com:

É possível derivar o potencial de velocidade para a teoria linear das ondas. Este é dado por:

A equação do deslocamento vertical superfície da onda é dada por:

Para a teoria linear das ondas, a frequência angular, o comprimento de onda e a celeridade
podem ser expressos em função do número de onda pelas seguintes relações:

2.2.1. Cinemática das partículas


Segundo a teoria linear, à medida que a onda se propaga, as partículas de água descrevem uma
trajectória orbital. A forma da órbita descrita pela partícula de água varia com a profundidade.
Para o caso de águas profundas, a órbita é circular, com o diâmetro diminuindo à medida que a
profundidade aumenta. Para águas intermédias e rasas, a órbita toma a forma de uma elipse que
se torna mais achatada com o aumento da profundidade.
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Fig. 3: Trajecto elíptico descrito por uma partícula de água durante a progressão de uma onda de acordo com a
teoria das ondas.

Fig. 4: Forma do trajecto elíptico para águas a) profundas, b) intermédias e c) rasas.

No caso bidimensional, as componentes horizontal e vertical da velocidade, aceleração e


deslocamento podem ser obtidas a partir do potencial de velocidade derivado da teoria linear
das ondas. As componentes da velocidade horizontal e vertical das partículas são dadas,
respectivamente, por:

Para as componentes da aceleração tem-se:

A órbita descrita pela partícula apresenta deslocamentos vertical e horizontal, relativamente ao


centro, expressos por:
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2.2.2. Velocidade de Fase


Velocidade de propagação de onda ou celeridade é a velocidade na qual uma onda, individual
a vança sobre a superfície de água. Esta velocidade é função de comprimento de onda, quando
este parâmetro aumenta também com a velocidade da onda aumenta. As ondas em águas
profundas não sentem o fundo porque têm comprimento de onda pequeno em relação á
profundidade. A velocidade de fase da onda, 𝑐𝑓 , é a velocidade com que a onda se propaga e é
definida como:

𝐿 𝜔
𝑐𝑓 = =
𝑇 𝑘

A velocidade de fase da onda, é a velocidade com que a onda se propaga e é definida como:
Como consequência das proximações da equação de dispersão, obtém-se:

𝑔 𝑔
 Velocidade de fase em águas profundas: 𝑐𝑓 = √𝑘 = 𝑤

 Velocidade de fase em águas pouco profunda: 𝑐𝑓 = √𝑔ℎ.

Em águas profundas, a velocidade de fase depende de comprimento de onda ou da frequência


de onda, isto é uma onda com uma maior comprimento de onda, viaja mais rápido. Em águas
pouco profunda a velocidade de fase, depende somente da profundidade local.

2.2.3. Grupo de ondas


No entanto as ondas propagam-se em grupos de várias ondas individuais, considerando a
hipótese de fluido irrotacional, na qual se baseia a teoria linear os grupos de onda são
constituídos por ondas regulares e sobrepostas, formando nesse caso um padrão irregular.

As ondas se propagam em grupos denominados trens de onda, que podem ser de tamanho
variado. Um exemplo familiar de trem de ondas é a esteira formada pelas embarcações em
movimento e os círculos formados por uma pedra atirada num lago de águas calmas.

Nesses casos, entre 8 a 10 ondas principais se propagam em grupo. Grupos de onda maiores
são formados por tempestades no mar. À medida que as ondas se distanciam do local de origem
elas se transformam em ondas compridas com as cristas aplainadas, denominadas "swell". As
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ondas de "swell" podem viajar longas distâncias sem perder a energia que adquiriram do vento.
Por outro lado os ventos locais produzem ondas pequenas e pontiagudas, denominadas ondas
marinhas. Deste modo, as ondas marinhas são formadas por ventos locais, enquanto que as
ondas de "swell" são geradas por ventos distantes, no mar.

Fig. 5: Grupo de ondas.

À medida que o trem de ondas aproxima-se da costa, as ondas que vem na frente entram em
águas rasas e diminuem a velocidade. Consequentemente, as ondas que vem atrás começam a
engavetar e a distância entre as ondas diminui. A água e a energia de cada onda concentram-se
numa estreita zona e as ondas empinam. As ondas podem empinar de tal modo que se tornam
instáveis e quebram. As ondas, em geral, quebram quando atingem uma profundidade
equivalente a 1.3vezes a altura de onda. Em águas profundas, as ondas quebram quando a razão
entre sua altura e comprimento (empinamento) ultrapassa 1/7. As ondas na zona de arrebentação
são denominadas de acordo com a forma que elas assumem ou conforme o modo como elas
quebram, seja abrupto ou suave. A zona de arrebentação é aquela porção do perfil praial
caracterizada pela ocorrência de quebramento de onda.

Á medida que o grupo de onda se propaga, as ondas regulares frontais vão diminuindo em
altura, acabando por desaparecer ao mesmo tempo que novas ondas surgem na retaguarda do
grupo. A celeridade de um grupo de onda é menor que a celeridade de uma onda regular, contida
no grupo sendo dada por:

Para águas profundas, a expressão, torna-se igual á unidade. Portanto para um grupo de ondas
que se propaga nesta zona, a celeridade do grupo é metade de celeridade da onda individual.

Em águas rasas a celeridade do grupo mantem-se igual á celeridade da onda individual ficando:
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2.2.4. Velocidade de Grupo

A velocidade de grupo é a velocidade de propagação da energia da onda, a definição da


velocidade de grupo é:

∆𝝎
𝒄𝒈 =
∆𝒌

Usando a equação de dispersão na equação anterior, obtém-se para a velocidade de grupo:

Em que h é a profundidade média. Usando as aproximações da equação de dispersão, tem-se


que:

𝒈 𝑪𝒓
 Velocidade de grupo em águas profundas: 𝒄𝒈 = 𝟐𝝎 = 𝟐

 Velocidade de grupo em águas pouco profunda: 𝐶𝑔 = √𝑔ℎ = 𝐶𝑓 .

Em águas profundas, a velocidade de grupo é menor que a velocidade de fase, desta forma,
com as definições anteriormente descritas verifica-se que a dispersão das ondas pode ser usada
para identificar tempestades. Como uma tempestade distante produz ondas de muitas
frequências, as ondas de baixas frequências viajam mais rapidamente e alcançam a costa mais
depressa do que as ondas de alta frequência. Quanto mais longe da tempestade, maior o atraso
entre as ondas de diferentes frequências.

2.2.5. Campo de Pressão

O campo de pressão originado pelas ondas do oceano é dado por:

Onde no segundo membro da equação, a primeira parcela corresponde à pressão hidrostática e


a segunda à pressão dinâmica induzida pela aceleração das partículas das ondas. Esta equação
não é valida para posições da onda acima do nível da de água calma. Em águas profundas, a
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pressão dinâmica anula-se para distâncias superiores a λ/2 abaixo do nível da água actuando,
neste caso, apenas a pressão hidrostática.

2.2.6. Energia Potencial

As ondas do oceano representam energia mecânica em transição, esta energia mecânica resulta
da soma das energias cinética e potencial das ondas superficiais. Trata-se de uma característica
fundamental a ser considerada em sistemas de conversão de energia uma vez que condiciona o
projecto e desempenho do dispositivo de conversão.

De acordo com a teoria linear das ondas, a energia cinética é dada por:

Sendo a energia potencial expressa por:

Que é igual à energia cinética. A energia total contida numa onda fica:

Torna-se útil expressar a energia por unidade de superfície de área, ou seja, por comprimento
de onda considerando uma largura unitária. Assim a energia é definida em termos de densidade
sendo dada por:

Como as ondas do oceano representam energia mecânica em transição, torna-se relevante


determinar a taxa de transporte de energia na direcção de propagação das ondas, designada
como fluxo de energia ou potência.

O fluxo de energia é determinado pelo produto da força induzida no plano normal à direcção
de propagação da onda e pela velocidade horizontal das partículas de água nesse plano. A força
induzida pela onda resulta da pressão dinâmica. Derivada da teoria linear das ondas, a expressão
para o fluxo de energia associada às ondas do oceano é dada por:
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Em função da celeridade de grupo, fica:

A expressão anterior pode ainda ser expressa em densidade de potência, ou seja, por largura de
onda ficando:
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Conclusão
Durante a pesquisa do trabalho, constatou-se que, energia das ondas é criada pela ação do vento
na superfície do oceano é o resultado da redistribuição da radiação solar na atmosfera, a energia
cinética criada pelo movimento das moléculas de água e da energia potencial criada pela massa
de água que se encontra acima do nível do solo pode ser transformada em energia eléctrica de
diversos métodos.

Devido à frequente ocorrência de eventos de ciclones extratropicais no Oceano Atlântico Sul e


conhecendo-se a magnitude da transferência de energia desses sistemas para as ondas dessa
bacia, sugere-se uma investigação do fenômeno de ressonância em um grupo de eventos de
ciclones. As ondas na região à esquerda do sentido de movimentação do centro de baixa pressão
do ciclone são significativamente maiores, a potência energética depende da intensidade da
energia cinética do vento, isto é quanto maior for a intensidade do vento, maior será a amplitude
da onda e consequentemente maior energia.
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Referências bibliográficas

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