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Ciência Política e Teoria do Estado

Modernização social e as origens do estado


moderno

Teorias contratualistas do Estado


E a crítica marxista do estado

Carlos Potiara Castro


Do contratualismo
Contratualismo

Doutrina que abarca as teorias políticas que situam a origem da


sociedade e a fundamentação do poder político em um pacto
social, ou um contrato, daí derivando o termo contratualismo.
Esse pacto é um acordo entre os indivíduos que se encontram em
uma mesma unidade territorial e que mais tarde farão parte do
mesmo 'corpo político'
Contratualismo e Estado de Natureza

O contrato marca a passagem de um estado natural para um


estado social e político 'artificial' (porque criado pelo homem). O
que vem a ser esse 'estado de natureza' e o motivo pelo qual ele
deve ser abandonado varia de acordo com cada autor que admite
a existência do contrato.

Estado de Natureza é a condição em que a pessoa defende a sua


segurança com a própria força. Portanto o temor da perda da
vida é constante. Trata-se de uma condição em que inexiste o
Estado.
Thomas Hobbes

1588-1679
Teórico inglês

Principal obra: O Leviatã


Thomas Hobbes

Defensor do poder absoluto do soberano

Possui uma visão pessimista sobre a natureza humana (o homem


é o lobo para o homem) . Para ele, o ser humano é desprovido de
bondade, é egoísta, vaidoso, ciumento e violento, com propensão
a criar conflitos. “Ele vê a natureza humana como belicosa em
uma guerra de todos contra todos”

"Vivem sem outra segurança que aquela que lhes é fornecida pela
própria força ou pelo próprio engenho"

"Todos são inimigos de todos"


Thomas Hobbes e o surgimento do Estado

É para ter segurança física nesse ambiente de conflitos e de


rivalidade que os indivíduos estabelecem entre sí um acordo, pelo
qual cedem seus direitos naturais a um soberano suficientemente
forte para protegê-los contra a violência, dando origem a uma
sociedade política: o Estado.

Segundo Hobbes, é exatamente a angústia por segurança que


paradoxalmente pode salvar o ser humano em sociedade. Para se
proteger e viver em paz os seres humanos não têm outra solução
senão sair do estado natural e dar a si mesmos um poder forte
que possa preveni-los contra as injustiças.
Thomas Hobbes e o surgimento do Estado

Segundo esse autor, o único meio de findar o estado de guerra


(do mundo natural) é substituir a igualdade entre as pessoas por
uma desigualdade estabelecida pela submissão dos cidadãos ao
poder absoluto.
John Locke

1632-1704

Pensador liberal inglês


Principal obra: Dois tratados sobre o governo

Lei natural – contrato social – sociedade civil


John Locke

“Em nome da humanidade qualquer indivíduo ameaçado pode


julgar o transgressor da lei natural e fazer-se executor da
sentença”.

Para sair de tal estado, os homens concordam mutuamente em


formar uma comunidade, fundando um corpo político, para a
preservação daquilo que Locke denomina a propriedade (vida,
liberdade e bens)” (Gamba)

“A fruição da propriedade que possui nesse estado é muito


insegura, muito arriscada. Essas circunstâncias obrigam-no a
abandonar um condição que, embora livre, está cheia de temores
e perigos constantes” (2o Tratado do Governo)
O contratualismo de John Locke

“Apontar a propriedade como direito natural é a grande inovação


teórica com essa obra. Ou seja, ele pretende demonstrar a
existência do direito de propriedade num estado pré-político,
apresentando-o portanto como natural”.

Neste sentido, o fundamento do pacto social permanece sendo a


criação de um Estado protetor dos direitos naturais, mas agora,
dentro deste rol, encontramos o direito de propriedade.”

Além desse elemento, Locke concede importância especial à idéia


de consentimento. Dessa forma, o contrato (autonomia da
vontade) é também natural (liberdade contratual).
O contratualismo de John Locke

Em resumo, na visão lockeana a função do Estado, ou melhor, das


leis políticas, é a de proteger as leis naturais, manifestas no
estado de natureza humano; em especial aparece o Estado como
constructo necessário para a proteção da propriedade e da
liberade.

“Locke nos apresenta um Estado civil protetor dos direitos


naturais, fundado no conceito de consentimento, remetendo-nos,
portanto, à ideia de uma democracia representativa” João
Gamba.
O que ler?

“O clássicos da
política”
Francisco Weffort
(Org.) Jean-Jacques Rousseau

1712-1778

Pensador suiço
Principal obra: Do contrato social ou princípios
do Direito público

“O ser humano é bom, a sociedade que o


corrompe”

“O homem nasce livre, e por toda parte se encontra aprisionado.


O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais escravo do
que eles”
Rousseau e a semelhança com Hobbes e Locke

Formalmente o pensamento de Rousseau faz um percurso


semelhante aos dois outros dois autores anteriormente
estudados.

Ele afirma por exemplo que “o mal não reside na natureza


humana, mas nas estruturas sociais, sobretudo de legitimação da
propriedade”.

Gamba afirma ainda que “a ideia de natureza é central para


compreender Rousseau, já que a crítica à sociedade civil já
corrompida – posto que fundada na desigualdade – só pode ser
realizada a partir do retorno à natureza como ponto de
comparação”
Rousseau

O estado de guerra no mundo natural surge graças ao advento da


propriedade.

Ele entende que “no estado de natureza não há ainda no espírito


humano qualquer noção de propriedade”

“O primeiro que, tendo cercado um terreno, atreveu-se a dizer:


Isto é meu e encontrou pessoas simples o suficiente para
acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil”
(Rousseau p. 90). Os menos hábeis ou menos violentos tornar-se-
ão pobres.
Rousseau

“Sob esse diapasão, o estabelecimento da propriedade e das Leis


não se presta a garantir a liberdade e a igualdade, mas a legitimar
a desigualdade, reforçando a relação de dominação dos
proprietários sob forma jurídica. A desigualdade, portanto, não é
condição natural, mas uma criação das estruturas sociais,
especialmente pela lei e pelo direito de propriedade” Gamba

A propriedade e as leis são responsáveis por tornar estável e


legítima a desigualdade.
Rousseau

“Visto que homem algum tem autoridade natural sobre seus


semelhantes e que a força não produz nenhum direito, só restam
as convenções como base de toda autoridade legítima existente
entre os homens” (Do contrato social)

“É importante destacar que a sociedade civil prevista por


Rousseau é regida por um modelo de democracia direta, dada a
participação ativa do cidadão na condução do corpo social,
perfazendo assim de forma mais adequada o conceito de
autolegislação”
Rousseau

“Fora preciso muito menos do que o equivalente desse discurso


para arrastar homens grosseiros, fáceis de seduzir… Todos
correram ao encontro de seus grilhões, crendo assegurar sua
liberdade… Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis,
que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico,
destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para
sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma
usurpação sagaz um direito irrevogável e, para proveito de alguns
ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano ao
trabalho, à servidão e à miséria” (Rousseau)
O Dilema do prisioneiro
John Rawls

Livro: Uma Teoria da Justiça

“A Justiça é a primeira virtude das instituições sociais, assim como


a verdade o é para os sistemas de pensamento”

“Nenhuma sociedade injusta é legítima”

“Como deveriam ser distribuídos os benefícios e obrigações de


vivermos juntos em uma comunidade de modo a melhor realizar
o que a Justiça exige?”

“O véu da ignorância”
A crítica marxista ao estado moderno: contexto
histórico e teoria
O Pensamento Socialista
Contexto:

“Com o advento das grandes fábricas, a Revolução Industrial


acabou com a segurança da velha economia artesã dos vilarejos
agrícolas. Em volta dessas fábricas surgiram favelas com
multidões(…). Os direitos dos assalariados não existiam e os
sindicatos eram ilegais (…). Esse cenário pedia por uma reforma
econômica” (Brue e Grant, pg. 166)

“Até agora é questionável se todas as invenções mecânicas já


feitas têm aliviado os dias de trabalho de qualquer ser humano.
Eles têm permitido que a maioria da população tenha a mesma
vida de escravidão e aprisionamento e que um número elevado
de fabricantes façam fortuna” (John Stuart Mill)
Diferentes concepções socialistas
Ideias comuns e divergentes dos/as principais pensadores/as
Socialismo Utópico
É um tipo de pensamento que surge em um primeiro momento
da Revolução Industrial, em que ainda não existe qualquer tipo
de organização da sociedade (dos trabalhadores).

Os problemas sociais já surgiram e os primeiros pensadores


pensam de forma utópica, em como construir uma sociedade
melhor, mais igualitária.

Temos como importantes pensadores: Saint-Simon, Charles


Fourier e Robert Owen

“Os socialista utópicos consideravam a economia de mercado


competitiva, injusta e e irracional”.
Eles pensaram em uma sociedade utópica, organizada em
comunidades. E muitos realizaram esses ideais. Robert Owen é
um exemplo: industrial, ele investe pesado em pelo menos uma
comunidade (New Harmony), que seria a concretização de sua
utopia socialista.

Eles influenciam muito um movimento que perdura até hoje: o


cooperativismo – de consumo e de crédito.

O autor utópico pensa em um modelo e busca aplicá-lo. Eles são


diferentes portanto dos socialistas posteriores, que já vão
encontrar uma sociedade em que as classes populares estão se
organizando para defender a adoção de direitos
Cidade de New Harmony (população de 763)

Criada por Robert Owen no estado de


Indiana, nos Estados Unidos
Socialismo Científico
Esta forma de pensar o socialismo envolve a estratégia de
alcançar o poder do estado e de setores da economia com o fim
de colocar os objetivos sociais acima do que o lucro.

Um exemplo é o socialismo “real” da antiga União Soviética;

Mas temos também em vários países, como os nórdicos, a


presença muito forte do estado na economia nacional: serviços
públicos, empresas estatais, planejamento da vida e do bem
estar;

Historicamente, os socialistas viam no estado uma estrutura


neutra, que poderia ser utilizada em favor dos proletários, caso
esses tivessem direito ao voto direto, estivessem organizados e
instruídos.

Blanqui é considerado um pioneiro da teoria do socialismo de


estado
“blanquismo refere-se a uma concepção em que a revolução
socialista deveria ser realizada por um grupo relativamente
pequeno de pessoas altamente organizadas e dentro do
secretismo”

Tendo assumido o poder, eles teriam a capacidade de


implementar um programa socialista
Anarquismo
Proudhon é um de seus primeiros pensadores.

Podemos citar outros como Bakunin (também caracterizado


no filme), o escrito Leon Tolstoi e Mahatma Gandhi

O anarquismo declara que “todas as formas de governo são


coercitivas e por isso deveriam ser abolidas”

“A experiencia mostra que em qualquer lugar e sempre, o


governo (…) ficou ao lado da classe mais rica e instruída contra
a classe mais numerosa e pobre; em vez de manter a
liberdade e igualdade, trabalha persistentemente para
destruí-las (…). Podemos concluir sem medo que a fórmula
revolucionária é (…) nenhum governo; governar as pessoas
será sempre enganá-las”
A ideia de que os Anarquistas acreditam que a sociedade não
tem ordem é errada;

Ao contrário, o que eles pregam é que a ordem surge a partir


dos governo autônomos por meio da participação popular
na política

 A natureza humana é essencialmente boa, mas é


corrompida pela sociedade
 A propriedade privada deveria ser substituída pela posse
coletiva através de cooperativas
 As comunidades deveriam comerciar com outras
comunidades anarquistas
 As cooperativas coordenariam a habitação, a iluminação,
saúde, alimentação e saneamento
 A liberdade total caracterizaria uma sociedade anarquista
Comunismo
O comunismo é o estágio de evolução da sociedade que
finalmente vai substituir o socialismo

No socialismo: “de cada um de acordo com sua habilidade,


para cada um de acordo com seu trabalho”

No comunismo: “de cada um de acordo com sua habilidade,


para cada um de acordo com sua necessidade”

O estado se enfraqueceria quando as classes antagônicas


desaparecessem e o controle sobre as pessoas seria
substituído pelo planejamento em nível estratégico, tal como
os sistemas industriais estatais nacionais
O comunismo não existiu, mesmo nos países que se diziam
(ou se dizem) assim;

É mais fácil encontrá-lo em pequenas comunidades


cooperativistas, primitivas, idealistas ou religiosas; Nessas, a
terra pode ser coletivizada, assim como os frutos do trabalho

Auroville, Índia
O Marxismo

(Stanley Brue e Randy Grant. História do pensamento econômico, cap. 10)


Dados bibliográficos:

Karl H. Marx (1818 Alemanha -1883 R.U.)

Formado em Direito e Filosofia (Dr. aos 23 anos)


Ele não consegue um cargo esperado de Professor em seu país
Assim que ele se torna jornalista e posteriormente pesquisador
Local de trabalho usual: biblioteca do Museu Britânico
Influências:

Influência ricardiana:
A Teoria do Valor Trabalho de Ricardo vai ser basal pro
pensamento de Marx

Influência hegeliana:
“A história como manifestação da razão”. O processo dialético da
história de Hegel é muito significativo. A Razão governa a
história. E o progresso histórico ocorrem por meio de um conflito
de ideias. Tese - Antítese - Síntese: a síntese se torna uma nova
tese.

O materialismo:
É a ênfase de um pensamento sobre as coisas reais, a matéria, o
mundo da realidade, em oposição a um mundo das ideias, ou
idealismo; “É na práxis que o ser humano tem de comprovar a
verdade, isto é, a realidade e o poder, o carácter terreno do seu
pensamento
Teoria da história

“A história é um processo por meio do qual as relações


estáticas de produção (a tese) entram em conflito com as
forças dinâmicas de produção (a antítese). O conflito
revoluciona o sistema, permitindo maior desenvolvimento das
forças de produção”

“O modo de produção na vida material determina o caráter


geral dos processos social, político e espiritual da vida. Não é a
consciência do homem que determina a sua existência mas
pelo contrário, sua existência social determina a sua
consciência”.

“Com a mudança da base econômica, toda a imensa


superestrutura é transformada como maior ou menor
rapidez”
Teoria do Valor Trabalho

O que determina o valor de uma mercadoria?


O trabalho socialmente necessário

Ou seja, é o tempo de trabalho social médio para produzir tal


mercadoria, que inclui:

a. o trabalho direto na produção da mercadoria


b. o trabalho embutido no equipamento
c. o trabalho embutido na matéria-prima
Teoria da Exploração

Se as mercadorias são vendidas pelo seus respectivos valores,


de onde advém portanto o lucro do capitalista?

“De acordo com Marx, é comprando aquela mercadoria que


pode criar um valor maior que o seu próprio: essa mercadoria
é a força de trabalho.”

Força de trabalho: a capacidade de um trabalhador de


produzir mercadorias

Tempo de trabalho: a duração real do trabalho


Teoria da Mais-valia:

Os lucros derivam das horas de trabalho trabalhadas acima


das necessárias para produzir uma mercadoria.

Ou seja, aquilo que o/a assalariado/a trabalhou a mais que o


necessário para sua subsistência e de sua família. São essas
horas a mais que geram o lucro dos/as donos/as dos meios de
produção. É uma apropriação do trabalho excedente.

Essa é a Mais-valia

É uma expressão amplamente usada na economia e nas


relações político-sociais
Teoria da Mais-valia:
A taxa da Mais-valia ou taxa de exploração

Há variação de taxa de mais-valia retirada do trabalho de


acordo com empresa ou setor. Para ilustrar isso, Marx criou o
conceito de taxa de mais-valia.

Trata-se da razão entre a mais-valia (s) e o capital variável (v)

O capital variável é o total destinado a pagar os salários.


A taxa de Lucro

Na fórmula de Marx, é a razão entre a mais-valia e o total de


capital investido

Há variação de taxa de mais-valia retirada do trabalho de


acordo com empresa ou setor. Para ilustrar isso, Marx criou o
conceito de taxa de mais-valia.

Trata-se da razão entre a mais-valia (s) e o capital variável (v)

O capital variável é o total destinado a pagar os salários.


A teoria do estado

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