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Estatuto + Regulamento + Código de Ética

Hierarquia de Normas

1.1 Estatuto da OAB- lei 8096/94 (é para ler o estatuto todo).


 A sua função é estabelecer as normas gerais aplicadas ao exercício da
advocacia. Ex: requisitos para ser advogado.
 Além disso, possui o status formal de Lei Ordinária aprovada pelo
Congresso Nacional, portanto, o decreto do presidente não pode revogar
o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil.
 A profissão do advogado possui previsão constitucional. O Conselho
Federal da OAB possui legitimidade no artigo 103 da CF para ajuizar
ADI, ADC e ADPF. Assim, o Estatuto só pode ser alterado no momento
que for aprovada outra Lei Ordinária pelo Congresso Nacional (Câmara
dos Deputados + Senado).
 Alterações importantes que já aconteceram e alteraram esta matéria: no
final de 2019 foi publicada e promulgada certa Lei Ordinária que incluía
ao Estatuto da OAB o artigo 7°, B. (Conferir se o meu estatuto está de
acordo com esta alteração e caso não esteja ele estará desatualizado).
1.2 Regulamento Geral da OAB
 Objetivo: é detalhar, aprofundar, explicar um pouco mais o que o
Estatuto já falou. Portanto, ao ler ambos perceberá que falam dos
mesmos assuntos.
 Não é Lei Ordinária sendo apenas um ato infralegal, ou seja, abaixo da
Lei de competência do Conselho Federal da OAB, assim, somente o
Conselho Federal pode alterar o Regulamento da OAB.
1.3 Código de Ética e Disciplina OAB (CED).
 Foi alterado em 2015, portanto, existia um Código de Ética antes de
2015 e um depois de 2015. No site do Conselho Federal se encontra
ambos (tomar cuidado para não baixar o antigo).
 Objetivo: trabalha os deveres do advogado, publicidade no exercício da
advocacia, honorários, PAD (processo administrativo disciplinar) e entre
outros.
 Não é Lei Ordinária sendo um ato infralegal de competência do
Conselho Federal da OAB.
Prova: o Conselho Federal da OAB pode alterar o Estatuto da OAB?
Não. Porque o Estatuto possui status de Lei Ordinária que só pode
ser alterado por nova Lei Ordinária feita pelo Congresso Nacional.
O Conselho Federal da OAB pode alterar o Regulamento? Pode.
Inclusive incluiu a situação do transexual que pode ser reconhecido
pelo nome que ele desejar ser reconhecido socialmente. Além disso,
ele não necessita da aprovação de Lei Ordinária para ser alterado.
O Regulamento e o Código de Ética não possuindo o status de Lei
Ordinária eu não sou obrigado a obedecer? Pois está escrito na CF
que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer se não em virtude
de lei. Diante disto, está escrito no artigo 33 do Estatuto que o
advogado deve obediência a todos os preceitos desta lei (Estatuto),
Código de Ética e Regulamento.

Quadros da OAB

Pode ser dividido em:

ADVOGADOS ESTAGIÁRIOS
Art. 8° do Estatuto da OAB Art. 9° do
Estatuto da
Requisitos para inscrição como advogado: OAB

1.1- Capacidade civil art. 8°, I. Lembrando que é necessário ter capacidade de direito, Requisitos para
ou seja, a partir do nascimento essa capacidade é ganhada. Além desta, a inscrição como
capacidade de exercício/plena/presumida, ou seja, aquela que é ganhada a partir estagiário:
dos 18 anos. Ambas estão dentro da capacidade civil e também são pré-
requisito.
É possível que um adolescente de 17 anos se inscreva no quadro da OAB
como advogado? É possível. Por ser fora da norma ele conseguiu cursar a
faculdade antes dos 17 anos. Com a sua aprovação no exame da ordem e
colou grau (com a colação de grau acontece a emancipação)
1.2- Diploma art. 8°, II: o Estatuto fala que deve ter o diploma, mas o Regulamento
EXPLICA em seu artigo 23 que é possível apresentar o certificado de conclusão
do curso de direito + o histórico escolar autenticado. Isso acontece para não
travar o exercício do trabalho.
1.3- Quitação:

 ELEITORA
 MILITAR
Estrangeiros não precisam destes requisitos ELEITORAL e MILITAR;
Lembrando que sobre o serviço militar é apenas obrigatório para os homens;
Um advogado japonês formado em faculdade do Japão pode exercer a
advocacia no Brasil? Pode e deverá cumprir os requisitos do artigo 8° do
Estatuto, ou seja, comprovar capacidade civil, revalidar o diploma do de
direito do japão em alguma instituição brasileira, serviço militar e eleitoral não
são necessários, deverá passar no exame da ordem 1 e 2 fases, pessoa
honesta e idônea, não pode exercer atividade incompatível e deverá prestar o
compromisso solene personalíssimo.
O advogado formado no Japão pode prestar consultoria no Brasil? É
bom lembrar que consultoria, assessoria, cargo de diretor jurídico que é chefe
do departamento jurídico são atos privativos de advogado, portanto, deve ser
bacharel em direito, aprovado no exame de ordem e devidamente inscrito nos
quadros da OAB. Entretanto, o advogado japonês pode prestar consultoria
pra brasileiros, pois é um ato extrajudicial, ou seja, fora da justiça, além disso,
não é necessário prestar o exame de ordem e nem a revalidação do diploma,
DESDE QUE, a consultoria seja referente a legislação de seu próprio país -
Provimento 91/2000.
Português equiparado art. 12, § 1° da CF; art. 8° Estatuto da OAB e
Provimento 129/08. O português não é brasileiro, é apenas português
(pessoa), entretanto é possível ele se tornar brasileiro requerendo a
naturalização sendo residente ininterruptamente por ao menos 1 ano.
Levando em consideração o Estatuto, o advogado português que formou em
faculdade em Portugal pode advogar no Brasil sem a necessidade de
revalidar o diploma e não precisa prestar o exame da ordem.
Concomitantemente o brasileiro possui estas mesmas regalias em Portugal.

1.4- Aprovação no exame de ordem

Cabe ao

Conselho Federal- REGULAR o exame de ordem de acordo com o art. 8°, §1° do
Estatuto da OAB.

Seccional- APLICAR o exame de ordem de acordo com o art. 58, VI do Estatuto da


OAB.

1.5- Não exercer atividade incompatível art. 8°, §5° do Estatuto da OAB e art. 20,
2° do Regulamento. Ex: ser técnico do TJ não permite que o profissional exerça a
advocacia e em alguns casos ela será cancelada.
1.6- Pessoa idônea art. 8° e 3° do Estatuto da OAB
1.7- Prestar o compromisso art. 8° do Estatuto da OAB. É um ato solene e
personalíssimo, ou seja, possui o mesmo peso do casamento não permite
brincadeiras (solene) e não é possível ser passado o compromisso por meio de
procuração, então a pessoa deve estar em carne e osso fazendo-o
(personalíssimo).
INCOMPATÍVEL CONDUTA INIDÔNEO CRIME INFAME
INCOMPATÍVEL

Escolha feita na vida Advém da vida Também advém da vida Crime praticado no
profissional que gera pessoal e requer pessoal. É necessário que exercício da profissão.
proibição total para o habitualidade. Ela apenas UMA vez ele Gera a exclusão do
exercício da advocacia. gera a suspenção cometa o erro advogado desde que
Sendo definitiva gera (grave) do exercício (gravíssimo). Gera a tenha o quórum de 2/3
cancelamento da da profissão art. 34, exclusão e para que isso de aprovação dos
inscrição na OAB e em XXV e § único do ocorra é necessário o membros do tribunal.
caso de voltar a profissão EOAB. quórum de 2/3 dos
será com um novo Ex: advogado que membros do tribunal
número de OAB. Por bebe muito e o (Tribunal de ética
outro lado, sendo cliente o encontra na Disciplinar) dentro de sua
provisória gera licença e rua... Pode ser por seccional.
voltará a exercer a vários dias ou por Ex: Mãe advogada queima
profissão com o mesmo apenas poucos dias, seu filho no fundo da casa.
número de OAB. o que importa é Ela praticou conduta
quando acontece inidônea. OBS: não
qual é a atitude. confundir com crime
infame que ocorre durante
o exercício da profissão,
no caso, advogado.

IDENTIFICAÇÃO PROFISSINAL

Cartão de identidade: é similar ao RG, geralmente chamada de carteirinha da


OAB.

Carteira de Trabalho: ela é similar a CTPS.

No artigo 13 e 14 do Estatuto da OAB e Regulamento diz que o uso do


cartão de identidade (carteirinha da OAB) dispensa o uso da carteira de
trabalho.
Passando no exame da ordem o estagiário que possuía seu cartão,
obviamente, de estagiário, passará a ter o cartão de identificação e o
antigo será automaticamente cancelado.

TIPOS DE INSCRIÇÃO COMO ADVOGADO

Principal
 art. 10, §1° do EOAB. Deve-se cumprir todos os requisitos
prevstos no art. 8° do EOAB (capacidade civil, diploma ou
certificado de conclusão de curso com histórico escolar
devidamente autenticado, quitação com as obrigações eleitorais e
militares, aprovação no exame de ordem, ser uma pessoa idônea,
não exercer atividade incompatível e prestar o compromisso
solene/personalíssimo).
 Regra: a inscrição deve ser requerida no local de domicílio
profissional, ou seja, onde o advogado irá exercer sua profissão.
Em caso de dúvida no domicílio profissional, é possível pedir no
local do domicílio residencial.
PROVA: a inscrição principal será requerida no domicílio
profissional? Verdadeiro.
A inscrição principal sempre será requerida no domicílio
profissional? Falso.
O advogado com a inscrição principal pode advogar em
todo o território nacional? Art. 7°, I do EOAB.

Suplementar

 Habitualidade no exercício da profissão em outra seccional art. 10,


§ 2° do EOAB: quando o advogado tiver mais de 5 causas judiciais ao
ano em outra seccional (lembrando que não é processo administrativo),
ou seja, que não seja no local de sua inscrição principal configura
habitualidade no exercício da profissão e é necessário requerer inscrição
suplementar. Caso a pessoa não peça a inscrição suplementar a
penalidade é ser inscrito em dívida ativa para cobrar o valor da anuidade
no local devido (lembrando que não pode julgar o advogado
incompatível com o exercício da profissão por ele estar inadimplente
com a OAB- julgado recente).
 Registro de filial de escritório em outra seccional art. 15, § 5°.
PROVA: dois advogados possuem um escritório no DF e resolvem abrir
filial no RJ. Eles não possuíam nenhuma causa no RJ, pelo simples fato
da abertura de escritório em outra seccional mesmo não possuindo
nenhuma causa, todos os sócios terão que tirar suplementar

EXCEÇÕES:
Não contam como causa judicial para fins de retirada de
suplementar.
A. Advocacia extrajudicial: ou seja, fora da justiça. Consultoria,
assessoria, processo administrativo (súmula vinculante n° 5 diz
que não é obrigatória presença de advogado em caso de
processo administrativo, pois tudo dando errado nenhuma lesão
ou ameaça de lesão será escondida do judiciário).
B. Apresentação de parecer jurídico: advogado do Distrito
Federal presta favor a outro advogado do RJ ao atender o
pedido de fazer um parecer jurídico técnico de ICMS referente a
causa no RJ para que seja anexado no processo como mais um
elemento de prova. Entretanto isto não conta como causa para
fins suplementar, pois quando o advogado do DF junta o parecer
técnico referente a um processo do RJ não quer dizer que o
primeiro passou a ser advogado da causa.
C. Impetração de habeas corpus: de acordo com o artigo 1° a
impetração de habeas corpus não é privativa de advogado, pois
possui legitimação universal, assim qualquer pessoa pode
impetrar.
D. Não conta acompanhamento de carta precatória: processo de
separação matrimonial no RJ, a esposa mora neste local e marido
mora no DF. O advogado que está cuidando do caso não pode
pedir a seu amigo advogado do DF para acompanhar a carta
precatória e citar a outra parte. Isto ocorre, pois o advogado do
DF não passará a ser advogado do caso.
E. Advocacia em tribunais superiores ou interestadual: o que
interessa para a retirada de suplementar não é o local da sede
física e sim a jurisdição do tribunal. Diante do exemplo abaixo o
advogado que entrou com a ação em Pernambuco perde em juízo
de 1 grau, recorre e assim por diante. Ao final da escada o
recurso chega fisicamente a Brasília, pois o STJ e STF se
encontram neste mesmo local. Além disso, eles possuem a
localização no DF, mas isso não quer dizer que eles são apenas
do DF, quer dizer que possuem jurisdição sobre o território
nacional por inteiro. Portanto, o advogado não pode pedir retirada
de suplementar simplesmente pelo motivo da localização do
tribunal, entretanto é possível pedir devido a jurisdição, mas neste
caso a jurisdição é sobre o território nacional por inteiro. Um dos
maiores problemas de contar a retirada de suplementar para este
ponto é que os advogados não iriam querer entrar com RESP e
RE devido ao pagamento de anuidade local e a chance de vencer
ser mínima.
RE – recurso extraordinário

RESP- recurso especial

PE- perdeu

Por outro lado, há advocacia interestadual e no exemplo a seguir será tratada


sobre dois estados. O TRF da 2° região abarca o Espírito Santo e o Rio de
Janeiro e a sede física se encontra no RJ. Certo advogado com inscrição
principal na seccional de Espírito Santo entra com ação no juízo de 1 grau em
ES e perde, logo após recorre e apela ao TRF. O processo vai fisicamente para
ao TRF do RJ e o advogado não pode pedir retirada de suplementar
simplesmente pelo motivo da localização do tribunal, entretanto é possível
pedir devido a jurisdição, mas neste caso a jurisdição do TRF é a mesma tanto
para o ES e para o RJ. Em outro caso o tribunal sendo da Bahia seria causa
judicial para fins de retirada de suplementar.

3- Inscrição por transferência art. 10, §3° do EOAB e art. 25 do


Regulamento

Ocorre quando houver mudança efetiva do domicílio profissional.

ATOS PRIVATIVOS DO ADVOGADO

Art. 1° do EOAB

1. Postular em qualquer órgão do Poder Judiciário


A palavra qualquer foi julgada inconstitucional pela ADI 1127-8. Porque
existe exceções como o caso do habeas corpus que qualquer pessoa
pode impetrar art. 1°, §1 do EOAB.
Juizado Especial Civel – causas de até 40 salários mínimos- Lei
9099/95. Em causas de até 20 salários mínimos na primeira instância do
Juizado é dispensada a figura do advogado, entretanto, querendo
contrata-lo é possível também. Causas de 20 a 40 salários mínimos é
necessária a figura do advogado.
Além destes, há o jus postulandi como regra que é o direito da parte –
empregado ou empregador - de ingressar com uma ação trabalhista sem
a assistência de advogado com base no art. 791 da CLT) no Direito do
Trabalho. Mas a súmula 425 do TST fala sobre a obrigatoriedade do
advogado na Justiça do Trabalho:
MACETE-
Mandado de segurança – Lei 12016/09
Ação Rescisória
Recursos ao TST
Ações Cautelares

2. Consultoria/Assessoria/Direção Jurídicia art. 1°, II do EOAB

 Consultoria: é algo esporádico;


 Assessoria: requer habitualidade;

3. Oposição de visto nos contratos de PJ art. 1°, §2° do EOAB e art. 2°


do Regulamento
Como regra o contrato de uma PJ para ser registrado na junta comercial deve
ter uma oposição de visto, ou seja, assinatura de um advogado para que ele
tenha validade.

Exceção: registro de microempresa e empresa de pequeno porte de


acordo com a Lei do Super Simples para simplificar todas as obrigações
não somente as tributárias de acordo com a Lei Complementar 123/06.

3.1 Situações que os advogados estarão impedidos de colocar vistos


(assinaturas) perante a junta comercial art. 2°, § único do
Regulamento
O Procurador do DF está impedido (parcialmente) de advogar contra o ente
que lhe remunera, ou seja, o DF. Assim ele pode advogar contra o Estado,
União Município, empresa pública federal, entre outros, devido ao fato dele
trabalhar na Administração Pública Direta (pode ser a Indireta também), passa
a estar impedido de opor o visto em qualquer contrato de PJ e também em
qualquer local do Brasil que venha a ser registrado perante qualquer junta
comercial. Dessa forma, este ponto quer dizer que qualquer advogado que
trabalhe na Administração Pública Direta ou Indireta não poderá opor vistos
(assinatura) em contrato de junta comercial referente a contrato de PJ.
Lembrando que o impedimento é apenas neste ponto, em outros pontos o
advogado pode atuar.
3.2 – art. 1°, §3° do EOAB

É expressamente proibido divulgar a advocacia com qualquer outra profissão.


Ex: advogado que também trabalha com a corretagem de imóveis utiliza uma
profissão (corretagem) como meio para captar clientes para a outra profissão
(advocacia). Isso não é permitido e gera punição administrativa.

Esta imagem mostra como a advocacia não pode estar vinculada com outra
profissão.

Já esta imagem mostra como é possível o advogado ter outra profissão, mas
não vinculada com a advocacia.
3.3 – Art. 2° do EOAB
 O advogado é indispensável para a administração a justiça.
 Além disso, há relação com o artigo 6° do EOAB que traz a
referência da equiparação da hierarquia entre o membro do MP,
magistrados e advogados.
 Ademais, o advogado exerce um Ministério Privado com função
social.

3.4- Art. 3° do EOAB

No §3° diz que o advogado é inviolável pelos seus atos e manifestações no


exercício de sua profissão (obviamente nos limites traçados em lei- o artigo 7°
fala que o advogado possui imunidade dos crimes de injúria e difamação, mas
responde por desacato e crime de calúnia). O artigo 3° também diz que a
advocacia é ato privativo do advogado em todo o território nacional.

3.5- 4° Ato nulo

Quem pratica ato nulo? Pessoa não inscrita na OAB, ou seja, não é advogada,
pessoa que sofreu penalidade de suspensão/exclusão, pessoa licenciada para
o exercício da advocacia (significa dizer que foi afastada provisoriamente por
exemplo devido a depressão)

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