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Instituto Politécnico de Setúbal

Escola Superior de Saúde


16º Curso de Licenciatura em Enfermagem
3º Ano | 1º Semestre

SEBENTA ENFERMAGEM V:
PROCESSOS DE SAÚDE – DOENÇA
MENTAL

Docentes: Professora Doutora Paula Leal


Professor Doutor Joaquim Lopes
Professor Lino Ramos

Ano Letivo 2017/2018


Jéssica Pereira (15ºCLE), Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professor Lino Ramos

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Jéssica Pereira (15ºCLE), Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professor Lino Ramos

1. Promoção da Saúde Mental

Promoção da Saúde Mental ao longo do ciclo vital

• Adaptação da linguagem e o que transmitir em termos de promoção da saúde mental;


• Enquadrar à proposta de cuidados prestados à pessoa.

Promoção da Saúde – conceito:


• “… o bem-estar físico, mental e social, mais do que a mera ausência de doença…” (OMS);
• Oferecer-nos uma visão holística, ou seja, olhar para as pessoas como um todo, de uma
forma abrangente, pois ser-se saudável é muito mais do que a inexistência de doença;
• Objetiva localizar e valorizar os fatores que têm um efeito protetor na saúde mental e diminuir
os fatores que a prejudicam. Para tal, é necessário trabalhar com as comunidades, grupos
sociais e individuais, com recurso a diferentes estratégias e intervenções;
• A OMS identifica 5 estratégias fundamentais para promoção da Saúde Mental:
o Construção de políticas publicas saudáveis;
o Criação de ambientes benéficos;
o Promoção e atividades comunitárias;
o Promoção do desenvolvimento de competências pessoais;
o Reorientação dos serviços de saúde.

2. Fatores determinantes em Saúde Mental


*sexo, idade, fatores genéticos, familiares, emocionais, saúde física e mental, sociais, financeiros,
ambientais, stress (partilha de “problemas”, tentar arranjar soluções em conjunto ou atividades de
descontração),etc.

2.1 Saúde Mental:


• “O estado de bem-estar no qual o individuo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao
stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade
em que se insere”.
• O conceito de normalidade não é comum a toda agente.
Enquadrado dentro das capacidades, aquilo que se pode e se
consegue fazer tendo em conta a “minha” rotina.

2.2. Fatores determinantes em Saúde Mental:


• Condições laborais e desemprego;
• Educação, pobreza, condições de habitação, nível de urbanização;
• Discriminação sexual e violência de género;
• Experiencias precoces e interação familiar;
• Exclusão social e estigma, cultura e acontecimentos de vida stressantes;

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• Os determinantes em Saúde Mental são uma das grandes preocupações da OMS tendo em
conta que as doenças mentais estão a aumentar significativamente no mundo e,
concretamente, em Portugal;
o Aumento do consumo de substâncias;
o Regresso à equipa de tratamento;
o Aumento da pobreza;
o Aumento do número e suspensão/recusa medicamentosa;
• A Saúde Mental deve ser encarada como uma dimensão importante e imprescindivel do
cuidado às pessoas e comunidade;
• Segundo o Relatório Mundial da Saúde, os fatores psicológicos, nomeadamente a relação de
afeto estabelecida com os cuidadores durante a infância e a necessidade de fazer face a
eventos stressantes, podem ser preditores de desequilíbrio mental;
• A pobreza, a dependência de uma economia baseada no dinheiro, altos níveis de violência,
reduzido apoio social, a migração, que resulta frequentemente em altos índices de
desemprego, os conflitos, as guerras e inquietação social são também para a OMS fatores
sociais altamente associados a taxas elevadas de problemas de Saúde Mental.

• A depressão é atualmente a principal causa de incapacitação de todo o mundo e ocupa o


quarto lugar entre as dez principais causas de patologia, a nível mundial. Uma em cada quatro
pessoas será afetada por uma perturbação mental em dada fase da vida.

2.3. Determinantes das perturbações mentais e comportamentais:


• Pobreza: desemprego, baixo nível de instrução, privação e ausência de habitação;
• Sexo: a prevalência geral de perturbações mentais e comportamentais não parece ser
diferente entre homens e mulheres (papel importante da mulher na sociedade):
o As perturbações de ansiedade e a depressão, são comuns no sexo feminino;
o As perturbações devido ao abuso de substâncias, são mais comuns no sexo
masculino;
o Outra razão está ligada à violência doméstica (sexual, física, psicológica, verbal);
o Na violência sexual estima-se que 1 em cada 5 mulheres sofre de abuso ou
tentativa de abuso sexual ao longo da sua vida;
o A esquizofrenia parece começar mais cedo a ter uma evolução mais
incapacitadora no sexo masculino;
o O uso de substâncias e as perturbações de personalidade anti-social, são mais
comuns entre os homens;
o Há indícios de que as mulheres comunicam um maior numero de sintomas físicos
e psicológicos do que os homens;
o As mulheres suportam também o fardo mais pesado dos cuidados com os
doentes mentais dentro da família;
o Estima-se que cerca de 50milhoes de pessoas em todo o mundo são refugiados
ou estão deslocados internamente (conflitos e desastres);
1
o Apos as catástrofes ou calamidades, entre 3 e metade sofrem de ansiedade.

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2.4. Doenças físicas graves:
• A presença de doenças físicas graves afeta a saúde mental das pessoas assim como a de
toda a família;
• Nomeadamente: doenças oncológicas, HIV/SIDA;
• No caso do HIV/SIDA as consequências desta epidemia para a saúde mental são
consideráveis: consequências psicológicas, estigma, discriminação, morte prematura.

2.5. Fatores familiares e ambientais:


• Ao longo da vida as pessoas passam por acontecimentos desejáveis (promoção no trabalho)
ou indesejáveis (luto, frustrações nos negócios) – fatores familiares e ambientais;
• Os acontecimentos significativos atuam como fatores de stress. E quando ocorrem numa
sucessão rápida, predispõem o individuo a perturbações mentais;
• O ambiente social e emocional dentro da família também desempenha um papel nas
perturbações mentais e está claramente relacionado com recaídas no âmbito da
esquizofrenia.

2.6. Uma abordagem integrada de Saúde Pública (OMS):


• Fortalecer a pesquisa sobre as causas das perturbações mentais e comportamentais, o
desenvolvimento de tratamentos eficazes e monitorização e avaliação dos sistemas de saúde
mental.

3. Arte-Terapia

• A Arte-Terapia é um tipo de terapia que utiliza a expressão artística como instrumento


terapêutico (que tem que ter significado! É uma forma de colheita de dados):
o Cantar, dançar, desenhar, pintar, representar e escrever;
• As sessões são uma ferramenta com grande potencial na busca do conhecimento sobre si
mesmo e no desenvolvimento pessoal;
• As sessões podem ser em grupo ou individuais, mas envolvem-se sempre em dimensões
lúdicas, terapêutica e transformadora, onde a função do imaginário tem um papel
preponderante;
• A Arte-Terapia pode ser utilizada nos seguintes casos:
o Autoconhecimento;
o Desenvolvimento pessoal;
o De pressão;
o Stress pós-traumático;
o Perturbações da personalidade;
o Problemáticas afetivas;
o Ansiedade e fobias;
o Dependências químicas, com álcool e/ou drogas;
o Distúrbios alimentares;

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o Crises emocionais resultantes de separação, divorcio, luto e mudança
profissional.

3.1. Arte-Terapia Psico-Educacional:


• É uma abordagem semi-diretiva ou diretiva, em que a arte-terapeuta estabelece um plano de
trabalho a desenvolver em comunidades terapêuticas, centros de reabilitação e escolas, entre
outros.

3.2. Arte-Terapia Vivencial:


• Neste tipo de intervenção privilegia-se a expressão criativa pelas artes, facilitando-se a
descoberta interior através do imaginário e o desenvolvimento da criatividade. É
particularmente indicado para trabalho em instituições com pacientes de evolução prolongada
e com patologias severas, nomeadamente psicoses (incluindo o consumo de substâncias).

4. Determinantes de Saúde Mental (papel da família e da


comunidade)

Conceito de família:
• Critérios de família:
o A aliança e a filiação;
o Estrutura patriarcal;
o Famílias monoparentais;
o Indivíduos sós ou casais de homossexuais;

Funções da família:
• Reprodução da espécie;
• Socialização;
• Afeto.

A família:
• A família como um conjunto de pessoas, frequentemente mas não necessariamente
relacionadas pelo sangue ou casamento.

A família como um sistema:


• Sistema socio aberto (mantém trocas com o exterior) num equilíbrio dinâmico entre a sua
tendência à homeostase (coesão familiar) e a sua tendência à transformação
(individualização dos seus membros).

Subsistemas familiares:
• Temporários – desempenho de um projeto comum – herança;
• Fixos:

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o Subsistema conjugaça;
o Subsistema parental;
o Subsistema fraternal (fraternais).

Família versus Modernidade:


• Consumo desenfreado;
• Individualismo;
• Procura rápida de bem-estar;
• Degradação familiar.

5. Entrevista em Enfermagem em Saúde Mental

Entrevista – método de recolha de informação, tem de ter um objetivo, perguntas abertas e


fechadas e é um IBE.
• O termo entrevista “designa um tipo particular de interações verbais e não-verbais entre um
interveniente e um cliente, ao longo dos quais os participantes utilizam certos modos de fazer
e estar em função da compreensão dos seus papéis, do contexto, das suas caraterísticas
particulares, do conteúdo tratado, dos objetivos esperados e do tempo que acordaram para
este fim”;
• Existem vários tipos de entrevista: a entrevista inicial, a entrevista única, a entrevista formal
estruturada, a entrevista frequente e de curta duração;
• A entrevista constituirá sempre um instrumento terapêutico eficaz desde que o interveniente
saiba pô-la colocada ao serviço da relação;
• Existem 3 aspetos que assumem-se de extrema importância:
o Contacto ou a relação afetiva e física;
o O objetivo e os temas;
o As modalidades de desenvolvimento da entrevista.
• Na realização de uma entrevista, deve o interveniente ter presentes os diferentes
componentes da pessoa:
o A pessoa como ser biológico;
o A pessoa como um ser intelectual (relacionado com as sensações, perceção,
memoria. Pensamentos e funções expressivas);
o A pessoa como ser emocional;
o A pessoa como ser social e espiritual.
• Numa entrevista todos os modos de contato, permitem ao interveniente manifestar a presença
e interesse pelo cliente, captar as mensagens concetuais e afetivas que o cliente lhe transmite
e informar o cliente do que compreender da mensagem transmitida;

5.1. Aspetos a ter em conta na realização de uma entrevista:


• O toque – instrumental, terapêutico e afetivo;
• A distância, as posições físicas e o tempo – importância em manter sempre um contato visual
constante;
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• O olhar – existe uma multiplicidade de informações que podem ser registadas pelo olhar;
• A escuta – é uma das formas de contato mais privilegiada – quando um enfermeiro realiza
uma entrevista, o cliente espera ser escutado e compreendido;
 Pedido latente/Pedido manifesto
• O silêncio – quando utilizado com pertinência numa entrevista pode revelar-se um modo de
comunicação útil para permitir ao cliente e ao interveniente retomar contato com o que se
passa neles e entre eles;
• O convite a prosseguir – “hum…hum”, “sim…sim”, “compreendo”.

• As questões podem ser agrupadas de acordo com a sua formulação, intenção e conteúdo.
De acordo com as respostas que sugerem, são qualificados em:
o Questões abertas, fechadas, diretas e indiretas e desadequadas.

Existem princípios que devem estar presentes quando se utiliza a técnica das
questões numa entrevista, são exemplo:
• Utilizar vocabulário compreensível, formular claramente as questões;
• Apos colocar a questão esperar pela resposta;
• Colocar a questão a partir do que diz e não diz o cliente.

• Uma das estratégias relacionais na realização de uma entrevista é o acolhimento, que


consiste em prestar atenção ao cliente e ao que ele vive (comportamentos, sensações,
pensamentos, emoções e necessidades), e favorecer a sua expressão em função dos
objetivos da entrevista.

5.2. Comportamentos a evitar na entrevista:


• Interromper a pessoa;
• Dar-lhe conselhos;
• Não ter em conta emoções manifestadas;
• Tranquilizar de forma leviana;
• Fazer julgamentos e juízos morais;
• Adotar comportamentos defensivos.

A avaliação do estado mental é constituído pelos seguintes aspetos:

Aspeto Alterações
Humor e Discurso e formais do Insight e
Atitude e Cognição
Emoção Linguagem pensamento e Juízo Crítico
Atividade da perceção

• Aspeto, Atitude e Atividade – Termos:


o No aspeto regista-se o nível de consciência, idade aparente, posição, vestuário,
higiene, contato com o olhar, anomalias físicas evidentes, outras caraterísticas
bizarras;

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o Aspeto adequado, atitude de pedido de ajuda, atividade de uma certa
hiperatividade;
o Na atividade a descrição da atividade motora em conjunto com a postura e a
posição fornece uma imagem visual do utente;
o A atitude: colaborante, hostil, desconfiado, etc;
o Acatisia, agitação, agressividade, apatia, comportamento desinibido, viscosidade,
tremores, hiperatividade;

• Humor e Emoções – Termos:


o O humor é o conjunto interno de emoções predominantes numa pessoa, num
determinando momento;
o As emoções são a manifestação externa e dinâmica do estado afetivo interno do
individuo;
o Podem ser difíceis de distinguir ou de gerir;
o Alexitimia – incapacidade de discernir os diferentes estados emocionais e
descrever verbalmente;
o Apagamento emocional, apatia, disforia embotamento afetivo, euforia, eutimia,
labilidade emocional;

• Discurso e linguagem – Termos:


o Numa primeira fase há que ter em consideração o discurso (se é adequado às
questões da entrevista) e aparência (ex: se é inverno, não vai estar de calções,
chinelos e manga curta);
o Afasia, coprolalia (obscenidades ditos de forma compulsiva e explosiva), ecolalia
(repetição inapropriada de palavras de outra pessoa);
Nota: ecolalia é diferente de gaguez.

• Alterações formais de pensamento e perceção:


o São alterações do pensamento o delírio, ideação homicida, pensamento magico,
obsessão, a ideia sobrevalorizada e a ideação paranoide, desconfiança, ideação
suicida, ruminação, fobia;
o Tipos de delírio: persecutórios, grandiosidade, ciúme, somáticos (cobras no
coração), paranoide;
o São alterações da perceção, a alucinação (visão, audição, olfato, paladar, tato) e
podem ser depreciativas, de comando, formicação, auditivas e verbais, visuais.
(comum em quadros de psicose).

• Cognição;

• Insight e juízo crítico:


o Insight inclui a capacidade de abstração, comunicação, estabilidade emocional e
ausência de perturbação de pensamento;

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o O Insight e Juízo Crítico estão interligados, o que requer uma capacidade de
distanciamento de si mesmo para se avaliar de forma crítica e perceber a
implicação dos seus comportamentos.
▪ Insight é a perceção que eu tenho sobre o que é o meu limite;
é a perceção de mim com a relação que tenho com o outro;
▪ Juízo Crítico é minha própria consciência.

6. Teoria e Intervenção na Crise – Teoria da Crise

Teoria da Crise:
• Acontecimento súbito que altera a rotina;
• Um estado no qual o corpo não está em homeostase;
• A pessoa pode perder o controlo dos sentimentos e pensamentos, experienciando assim um
estado extremo de agitação emocional;
• É toda a situação de mudança a nível biológico e social que exige da pessoa ou do grupo um
esforço suplementar para manter o equilíbrio e superar obstáculos;
• Pode advir de acontecimentos de perda ou stress que a pessoa não consegue gerir. Pode
também ser ineficaz no reconhecimento de recursos internos e externos;
• Exemplos de situações de crise: divórcio, morte, nascimento de uma criança com deficiência,
intervenção cirúrgica, … ;
• Na crise, a integridade da pessoa e harmonia da sua vida está ameaçada, por isso, o individuo
tem oportunidade de:
o Crescer/ Aprender;
o Ficar vulnerável a um distúrbio Mental
• Gravidez, puberdade e menopausa - crises de desenvolvimento.

Eriksson/Kaplan - Etapas do Desenvolvimento de Uma Crise:


• Tensão continuada por falta de êxito constante;
• Mobilização de recursos externos e internos de emergência;
• Tensão aumentada: ponto de rutura levando à perda de controlo emocional grave
desorganização do individuo.

A evolução da crise depende:


• Da natureza do stress ou da situação;
• Personalidade do individuo;
• Experiências anteriores;
• Intervenções e apoios externos.

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Fases da Crise:
• Pré-crise: a pessoa sente-se bem;
• Impacto: a pessoa sente ansiedade e confusão; Pode apresentar dificuldade em organizar a
sua vida pessoal; A pessoa pode tomar consciência que se sente sob stress mas pode
minimizar a gravidade;
• Crise: a pessoa nega que o problema está fora do controlo; Suspende ou racionaliza os
comportamentos de stress. Utiliza, frequentemente, o mecanismo de defesa de projeção. Isto
pode prolongar-se por um período variável de tempo;
• Adaptação: a crise é encarada de forma positiva; A ansiedade diminui; A pessoa tenta
reconstruir a auto-estima e é capaz de iniciar, de novo a socialização; A pessoa é capaz de
resolver positivamente alguns problemas (esta fase só acontece com ajuda);
• Pós-crise: observa-se modos de funcionamento positivos e negativos. A pessoa pode ter
desenvolvido um modo mas positivo e eficaz de adaptação ao stress; Pode demonstrar uma
adaptação ineficaz (ser crítico, hostil, deprimido ou utilizar a comida ou substâncias químicas
(álcool) para lidar com o que aconteceu.

Objetivos da Intervenção na Crise (Intervenções Autónomas de Enfermagem):


• Assegurar a Segurança:
o Avaliar a Situação;
o Se o doente ou o enfermeiro estiver em perigo, pedir ajuda;
o Não abandonar o doente;
• Comunicar a Situação:
o Fazer verbalmente;
o Uma pessoa em crise não tem controlo sobre os seus sentimentos, pensamentos
ou ações;
o A contenção física deverá ser reservada para as situações que se esgotaram
todos as tentativas verbais;
o A contenção física deve ser realizada quando existem condições eficientes para
se realizar.
• Identificar o Problema:
o Procure conhecer as causas da crise;
o Não forçar o doente a dar explicações;
o Falar com o doente quando este estiver em segurança.
• Diminuir a Ansiedade:
o Falar com o doente quando este estiver num ambiente calmo;
o Mostrar preocupação para com o doente e que o quer ajudar;
o Tornar a situação confortável;
o Referir que precisa de colaboração do doente;
o Cautela em relação ao contacto físico (por vezes temos de ser assertivos e impor
limites).
• Regressar ao nível de funcionamento da pré-crise:
o Acalmar a pessoa;
o Dar a compreensão do que se passa;

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o Adaptação ao stress de forma mais positiva do que antes da crise (dar
ferramentas a pessoa para lidar com uma situação de crise que possa vir a
acontecer).

História:
O Sr. Manuel tem cerca de 30 anos, recorre à Unidade de Saúde referindo ter um aspirador
“colado” à face, objeto esse que é a forma de travar os seres de comerem os seus olhos. Têm
filmagens de bichos a circularem pelo seu corpo, apresentando varias feridas pelo mesmo. Não
se alimenta pelo facto de dizer que lhe querem mal.  Alucinações
• Jovem, internado no Serviço de Psiquiatria, encontrado na rua com comportamentos bizarros
(suspeita de consumo de drogas);
• Como abordar esta pessoa:
o Não vemos as alucinações do utente;
o Dizemos que não vemos mas que queremos compreender e ajudar;
o Não elaborar sobre a alucinação/delírio;
o Estratégias para falar sobre o desconforto da pessoa;
o Abordagem deve ser agradável para nós, que abordamos (ex: pessoas que nos
vêm dar beijos, e não nos sentimos confortáveis com isso);
o “Gostaria de o conhecer um pouco melhor”.

Estratégia para abordar.


- Dizer adeus no final da RT.
• 1ª abordagem:
o Orientar a pessoa para a realidade: quem é/onde está/circunstancia em que
chegou;
o Acompanhar a pessoa enquanto falamos com ela;
o Pedir ajuda a colegas;
o Na dúvida: ficarmos calados, o silêncio é a melhor opção;
o Tentar perceber qual a ultima coisa de que a pessoa se lembra;
o Temos de dizer que não vemos (as alucinações) mas queremos compreender e
ajudar;
o Estratégias para falar do desconforto da pessoa;
o A abordagem deve ser agradável para nós (ex: pessoa que nos querem
cumprimentar dando beijos e não nos sentimos confortáveis com isso);
o “Gostaria de o conhecer melhor” – Possível abordagem (questão aberta);
o É importante dizermos em que condição estou e quanto tempo vou estar Quando
me for embora devo-me despedir das pessoas e explicar que vou embora mas
vão haver pessoas que vão ficar a cuidar;
o Há coisas que não devo falar numa 1ª abordagem;
o Usar mediadores pode ser bom para colher dados (mas não numa 1ª abordagem);
o É importante conhecer a pessoa e tentar ajudá-la.

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6.1. Família e a Pessoa com Doença Mental

• Responsabilidade Paternal:
o Imposição de limites;
o Amor/ medo;
o Aprovação/ reprovação;
o Responsabilidade/ abandono da função paternal.

• Momentos de crise:
• Dificuldade em lidar com alguns sentimentos;
• Sentimentos de insegurança da função paternal.

• Família como motivadora e sofredora de preconceitos:


o Atitudes de esconder a pessoa doente;
o Estigmatizar;
o Sentimentos de vergonha e usar palavras depreciativas;
o Preconceito que ele sofre entre vizinhos e na comunidade em geral.

• A Família Impotente e Carente de Recursos:


o Falta de recursos para as famílias;
o Sentimentos de impotência;
o Precaridade está acentuada, quando a família possa conviver com doença
mental;
o Famílias pobres precisam de mais apoio das instituições.

• A Família como produtora de maus-tratos:


o Ações de abandono;
o Desinteresse;
o Rejeição;
o Uso indevido dos rendimentos do doente;
o Exclusão doméstica.

► SÍNTESE:
o Promover a aproximação profissionais com as pessoas e a família sempre que
possível;
o Aproximação é relevante e deve ser motivada tendo em vista a promoção da
saúde mental;
o Favorecer as transformações na forma de família lidar com o seu doente;
o Romper com a exclusão.

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7. ENFERMAGEM DE CONSULTORIA E LIGAÇÃO

► Psiquiatria de Ligação
- Anos 30 nos Estados Unidos da América
- Hospitais Gerais

- PREMISSAS:
- Medicina (Re)enfoca prevenção;
- Psiquiatria (Re)aproxima-se da medicina (Psicossomatica)
• Área da Psiquiatria que se ocupa do diagnostico, tratamento, estudo e prevenção
da morbilidade psiquiátrica em pessoas “fisicamente” doentes e com perturbações
somatoformes, bem como os fatores psicológicos que afetam as condições
físicas.

► Enfermagem de (…) Ligação


- Nos Estados Unidos da América, nos anos 60
- 1ª evidência – Jonhson & Peplau

• “As competências da enfermagem psiquiátrica podiam ser aplicadas a


enfermagem geral (…) em particular na área da comunicação.”

- Nos Estados Unidos da América, nos anos 70


- Enfermeiros de “Ligação” progressivamente aceites;
- Em particular: “Emergency Rooms”;
- Técnicas de intervenção a crise;
- Terapias Breves.

- No UK, nos anos 70


- Surtos de Suicídios
• “Globalização da prestação de cuidados de enfermagem em unidades de utentes
com patologia orgânica.”
• Características/ Papéis do Enfermeiro de Ligação
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- Consultor do Staff de Enfermagem;
- Educação da equipa de cuidados;
- Cuidados especializados e diretos a utentes e famílias;
- Especialista em problemas psiquiátricos, respostas normais e anormais à
doença e adaptação do utente e família;
- Entendimento da relação entre estados físicos e psicológicos;
- Conhecimento de teorias sistémicas e processos de grupo;
- Ligação entre as disciplinas.

× Nos Estados Unidos da América, em 2002


o Sub- especialidade da enfermagem de saúde mental e psiquiátrica;
o Requer grau de “master” para o exercício

• Função: Consultoria
- Apoio dado a um enfermeiro (ou outro técnico) responsável por utente com:
- Problemas psicológicos prévios;
- Resultantes do atual internamento;
- Consequência adaptação a doença ou ao tratamento.
- Pretende alterar o comportamento do utente efetuando uma mudança no
comportamento do enfermeiro relativamente ao mesmo.
Indicações:
- Problema do utente clara e facilmente formulado;
- Validação e apoio ao plano assistencial do enfermeiro consultante;
- Consultante com competências para intervir e ansiedade não o limita;
- Consultante motivado para continuar a intervenção;
- Consultante não resiste à implementação plano de intervenção com
provável sucesso;
- Consultante dependente intervenção direta consultor;
- Problema centrado no consultante;
- Intervenção direta consultor “mal-vista” pelo consultante.

• Função: Clínica

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- Intervenções na crise:
- Desenvolver estratégias adaptativas do utente que lhe permitam gerir a crise
(presente ou potencial) motivada pelo internamento, tratamento ou curso da doença

- Indicações:
- Consultante apresenta problema pouco claro ou muito complexo;
- Consultor “novo” que favorece entrada na equipa;
- Ansiedade elevada consultante impede cuidados diretos;
- Intervenção necessária complexa; além nível competências consultante;
- Consultante com atitude rígida e de resistência;
- Problema afim já apresentado pelo consultante sem resultados da consultoria;
- Problema interesse particular para consultor e consultante aceita bem
intervenção direta.

CONTUDO,
Enfermeiro consultor/ clínico mantem envolvido o enfermeiro consultante, que
proporciona a ambos elementos fundamentais de reflexão.

8. Cuidados de Enfermagem a Pessoas com quadros


demenciais/psicogeriatria

Perturbações mentais orgânicas:


• Demência:
o “Deteorização gradual, progressiva e cronica do funcionamento intelectual, da
capacidade de juízo critico, da memória…”  o outro já não me conhece nem eu
o conheço como ele era;
o “É uma resposta cognitiva desadaptada que envolve uma perda das capacidades
intelectuais e interfere nas atividades sociais ou ocupacionais…”  ex: já não
consegue controlar a sua própria alimentação nem mesmo fazer uma torrada;
o “É um estado agudo; desenvolve-se com extrema rapidez, frequentemente como
resposta a medicação ingerida, álcool ou exposição a qualquer substância tóxica,
febre ou doença sistémica,…”

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8.1. Fatores predisponentes:
• Envelhecimento – degeneração acumulada do tecido cerebral está associada com o
envelhecimento;
• Neurobiológicos – a doença de Alzheimer é a causa mais comum de resposta cognitiva
desadaptada;
• Genéticos – as anormalidades genéticas também podem ser a causa de algumas demências.

Nota: estudos apontam que a cafeina é um fator protetor dos quadros demenciais, bilateralidade
(ex: abrir a porta com as mãos alternadamente).

8.2. Comportamentos Caraterísticos da Demência:


Comportamento Descrição Exemplos
Comportamento Um aumento dos movimentos Morder, chutar, empurrar,
Psicomotor Agressivo amplos, ele tem o efeito de arranhar, atacar fisicamente.
ferir ou repelir outra pessoa.
Comportamento Um aumento dos movimentos Inquietação, andar sem sair
Psicomotor Não Agressivo amplos sem um efeito do lugar.
aparentemente negativo
sobre os outros, mas que
chamam a atenção em virtude
da sua natureza repetitiva.
Comportamento Vocalização que tem o efeito
Exigente, perturbador,
Verbalmente Agressivo de repelir outras pessoas.
manipulador, gritos, queixas,
negativismo.
Comportamento Uma diminuição do Menor atividade, perda de
Verbalmente Não Agressivo comportamento, isto é, uma interesse, apatia e redação.
redução dos movimentos
amplos, acompanhada por
apatia e falta de interação
com o ambiente.
Comportamento Perda da capacidade de Comportamento vegetativo,
Funcionalmente executar cuidados pessoais, incontinência, fraca higiene
Prejudicado (fase mais cuja expressão pode ser pessoal.
avançada) perturbadora.

Perturbações mais comuns nos quadros demenciais:


• Incapacidade de concentração;
• Amnesias de evocação e fixação;
• Desorientação temporoespacial;
• Linguagem deficiente avaliada pela leitura em voz alta e resumo posterior, pela escrita, pela
conversação e pelo calculo de pequenas operações;
• Juízo e raciocínio decadentes;

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• Capacidade de adaptação a situações novas muito diminuída e ausente;
• Humor expansivo e incoerente;
• Delírios incoerentes e fantásticos, semelhantes aos das psicoses.

8.3. Classificação de demência:


• Demências Reversíveis:
o Secundarias à patologia sistémica:
▪ Uremia;
▪ Encefalopatia Hepática; mais frequentes
▪ Insuficiência Pulmonar Crónica;
▪ Patologias Tiroides:
▪ Hipoglicémia;
▪ Enf. De Cushing ou de Adilson;
▪ Déficit Nutricional.
o Secundárias a fármacos ou a tóxicos:
▪ Alcoolismo;
▪ Psicofármacos;
▪ Outros fármacos;
▪ Intoxicações Crónicas Mentais;
o Secundarias a patologia neurológica:
▪ Hidrocefalia;
▪ Neurosifilis;
▪ Encefalite Tuberculosa;
▪ Meningite;
▪ Tumores cerebrais; são as mais frequentes
▪ Hematoma Sub-dural.

• Demências Irreversíveis:
o Primárias:
▪ Alzheimer;
o Secundárias:
▪ Multi-enfartes;
▪ Pós-traumática (traumatismos cranianos);
▪ HIV (fase terminal);
▪ Creuzfeld-Jakob (doença das vacas loucas);
▪ Demência Dialítica (nos insuficientes renais)  falência multiorgânica
por dialise que não resulta;
▪ Esclerose Lateral Amiotrófica;
▪ Paralisia Progressivas;
▪ Acidente Vascular Cerebral;
▪ Epilepsia Mioclónica.

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8.4. Cuidados de Enfermagem a Pessoas com quadros demenciais:
• Perturbação da comunicação verbal relacionada com o estado demencial manifestado por
afasia:
o Objetivo:
▪ Que o doente comunique as suas necessidades básicas;
▪ Fazer perguntas diretas;
▪ Usar frases curtas;
▪ Dizer a palavra adequada quando o doente não for capaz de se recordar;
• Alterações sensopercetivas relacionadas com a agnosia (perda de capacidade para
reconhecer objetos):
o Objetivo:
▪ Que o doente fique menos frustrado quando for incapaz de se expressar
de forma correta;
▪ Usar frases lentas, claras e simples;
▪ Quando o doente interpretar mal os estímulos, dizer-lhe realmente o que
é;
▪ Usar a comunicação não-verbal (sorriso, abraços, agarrar a mão);
▪ Colocar os objetos necessários ao pé da sua mão;
▪ Estimulação: escrever, tocar, ver objetos – simbologia.
• Perturbação na interação doente/família relacionado com exaustão/incompreensão dos
comportamentos motivados pela demência manifestada por demissão da família no processo
de tratamento do doente:
o Objetivo:
▪ Que a família esteja presente e acompanhe o doente;
▪ Explicar à família as razoes da alteração do comportamento do doente;
▪ Ajudar a família a expressar os seus sentimentos;
▪ Identificar possíveis sinais/sintomas de estresse;
▪ Proporcionar períodos de repouso para a família;
▪ Dar conhecimento à família dos recursos existentes na comunidade;
▪ Estabelecer uma relação de ajuda e colaboração com a família.
• Alterações do padrão do sono:
o Objetivo:
▪ Que o doente tenha um padrão de sono regular;
▪ Proporcionar um ambiente calmo e tranquilo;
▪ Minimizar os períodos de sono diurno;
▪ Usar técnicas de relaxamento;
▪ Alimentos com elevado teor de proteínas induzem o sono. Alimentos que
contém L-triptofeno (um aminoácido) (leite, queijo curado, atum, frango,
peru e caju) são hipnóticos naturais que facilitam o sono.
• Alterações dos processos de pensamento relacionado com a falta de orientação para a
realidade:
o Objetivo:
▪ Que o doente tenha períodos de orientação para a realidade;

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▪ Usar o nome pelo qual o doente gosta de ser tratado;
▪ Permitir que a família permaneça junto do doente;
▪ Proporcionar elementos que permitam a orientação para a realidade (TV;
radio; calendário; relógio; etc);
▪ Evitar argumentos intimidativos;
▪ Elaborar uma lista de atividade a realizar durante o dia;
▪ Dar sinais de ajuda ao doente recordando-lhe o que é real.
• Risco potencial de violência dirigida contra si mesmo ou contra outros:
o Objetivo:
▪ Que o doente e a família permaneçam seguros;
▪ Responder com tranquilidade ao doente;
▪ Eliminar objetos que estejam perto do doente e que possam constituir um
dano;
▪ Identificar o fator precipitante;
▪ Retirar o doente para um local mais tranquilo, se necessário.
• Alteração no autocuidado relacionado com a deteriorização do estado mental:
o Objetivo:
▪ Que o doente realize as suas atividades de vida diária;
▪ Fomentar a realização de cuidados de higiene e conforto adequado;
▪ Manter as rotinas em termos de cuidados de higiene;
▪ Fomentar a tomada de decisão em relação ao vestuário do doente;
▪ Colaborar com o doente na realização da sua higiene, se necessário;
▪ Dar reforços positivos pelos ganhos conseguidos pelo doente.

9. Cuidados de Enfermagem a Pessoas com Distúrbios


Psicossomáticos

• Perturbações somatiformes são estados em que ocorrem sintomas físicos sem causas
orgânicas definidas;
• Uma vez que estes indivíduos não controlam os sintomas, considerasse que estes têm origem
num qualquer mecanismo inconsciente.

Teoria psicanalítica:
• Tem origem em mecanismos inconscientes que se desenvolvem com o intuito de negar, de
reprimir e de deslocar a ansiedade;
• Pessoas que apresentam perturbações somatiformes são geralmente pessoas
“dependentes”, emocionalmente carentes, frustradas, etc…;

Tipos:
1. Perturbações de conversão é o mecanismo que converte a ansiedade em sintoma físico.
A paralisia e a cegueira são dois exemplos comuns desta perturbação, estando estes

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fatores relacionados com a negação de algo que sucedeu. Este tipo de simulação permite
à pessoa evitar sensações desagradáveis;
2. Hipocondria manifestam preocupação em “ficar doente” independentemente da doença;
a. Sentem muito medo de ficar gravemente doentes;
b. Existe uma obsessão pela ideia de ficarem muito doentes sem possibilidade de
cura;
c. Preocupam-se por não serem levados a serio, e por isso, sentem que os
profissionais de saúde não fazem uma avaliação correta do seu estado de saúde.
3. Dismorfofobia/Perturbação dimórfica corporal ocorrem geralmente desde a
adolescência até aos 30 anos.
a. Os sintomas incluem a preocupação excessiva com um defeito imaginado da
aparência física (normalmente facial) e comportamentos obsessivos e/ou
compulsivos.
4. Perturbação da Somatização
a. Os indivíduos com perturbações da somatização são frequentemente operados
sem necessidade com o objetivo de remover uma possível causa fisiológica da
doença;
b. Os sintomas mais frequentes incluem: ansiedade, distúrbio emocional, alteração
constante da localização da dor, depressão e ideação suicida.

5. Perturbação de Dor Somatiforme


a. Maior frequência na adolescência e nos jovens adultos; + tendência em mulheres

Distúrbios Psicossomáticos:
• Avaliação dos problemas físicos do doente:
o Na entrevista inicial rever os problemas físicos, sintomas que antecederam a atual
situação de doença;
o Não menosprezar os sintomas descritos pelo doente nem aumentar a sua
importância;
o Não tecer juízos de valor;
o Lembre-se que os problemas de que o doente se queixa são fisicamente reais
para ele.

Manifestações Psíquicas da Ansiedade:


• Apreensão, sensação desagradável de alerta e tensão, inquietude, sensação de fadiga e
desânimo, dificuldade de concentração e memorização, insónia, distração.

Notas: é importante estar atento a estas manifestações e delinear estratégias de ajuda; Estar
presente e não deixar a pessoa.

Manifestações Físicas da Ansiedade:

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• Agitação e tremores, sudorese, boca seca, palpitações, sensação de “aperto” no peito,
vertigens e tonturas, náuseas, obstipação intestinal ou diarreia, dor de cabeça, sensação de
“bola” na garganta

Notas: Não desvalorizar a sintomatologia das pessoas; Aproximação, abraço e estar junto pode
facilitar.  É reconfortante

Diagnósticos:
• Negação Presente (relacionada com acontecimentos anteriores da sua vida);
• Ansiedade Presente;
• Auto Controlo Comprometido;
• Comunicação Comprometida;
• Auto Estima Diminuída

Nos Doentes com Perturbações Somatiforme é importante não esquecer:


• Competências de comunicação;
• Terapias ocupacionais e recreativas;
• O doente deve sentir que é levado a sério, no entanto o enfermeiro não deve prestar
demasiada atenção a área da disfunção.

10. Cuidados de enfermagem a Pessoas com


comportamentos obsessivo-compulsivos

TOC’S: transtornos obsessivo-compulsivos.

• A neurose obsessiva toma a forma seguinte: a mente do paciente está ocupada com
pensamentos que realmente não lhe interessam, sente impulsos que parecem alheios a si
próprio e é impelido a executar atos, que não só não lhe trazem algum prazer, como ainda o
fazem sentir importante para resistir à sua concretização (Freud, 1917).  Concretizar o
pensamento que tem, alivia a tensão;
• Os pensamentos (obsessões) podem ser desprovados de sentido em si próprios ou sem
qualquer interesse para o doente, com frequência são absolutamente disparatados (Freud,
1917);
• Obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou
causar sofrimento acentuado à pessoa – não devem ser desvalorizados;
• As pessoas com TOC sabem que as suas “manias”, obsessões ou compulsões são
excessivas ou irracionais;
• Uma pessoa neurótica sente tudo o que uma pessoa normal sente no seu dia-a-dia, mas
sempre exageradamente;

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• Em geral, uma pessoa neurótica sabe do seu problema, sofre com isso mas sente-se incapaz
de soluciona-lo.

Obsessões: Ideias, pensamentos, ruminações, que emergem com carater irresistível, na mente
da pessoa e são consideradas como indesejáveis despropositadas ou desprovidas de sentido.
Incapacidade em aceitar, respeitar, tolerar, ideias ou opiniões diferentes das
nossas pode nos levar a pensamentos obsessivo-compulsivos.
Compulsões: atos que derivam das obsessões, constituindo procedimentos rituais cuja execução,
embora imperativa e irresistível, tem como efeito aliviar a ansiedade da pessoa.

Doença emocionalmente grave – as ideias imperativas controlam tanto a pessoa que tornam-se
num escravo da sua preocupação mórbida e quase não consegue desemprenhar as suas
atividades sociais ou profissionais normais.

• Normalmente subjacente a estes estados obsessivo-compulsivos está uma personalidade


sensível, conscienciosa, tímida, meticulosa e precisa sobre as funções corporais, vestuário,
deveras religiosos e rotina diária.

Associado ao cumprimento de rituais e rotinas diárias

Comportamento obsessivo:
• Pensamentos obsessivos;
• Comportamento compulsivo/ritualista (lavar as mãos repetidamente, por exemplo);
• Insónias;
• Dificuldades na alimentação;
• Ambivalência;
• Perturbações da vida profissional;
• Automutilação;
• Agressividade;
• Ansiedade;
• Obsessão pela limpeza e arrumação;
• Rigidez muito elevada;
• Sentimentos de culpa;
• Medos;
• Ruminações;
• Diminuição da autoestima: desvalorização de mim próprio, do que eu sou e do meu valor.

Objetivos a curto prazo:


• Identificar fontes de stress e de ansiedade;
• Estimular a partilha de sentimentos;
• Diminuir a ansiedade, medos, culpas e ruminações;
• Aumentar a auto-estima;

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• Assegurar a satisfação das necessidades de nutrição e hidratação;
• Favorecer a autonomia nas atividades de vida diária e o cumprimento das mesmas 
Promover a capacitação da tomada de decisão e autonomia para tal;
• Eliminar a agressividade e automutilação.

Objetivos a longo prazo:


• Eliminar a necessidade de pensamentos obsessivos e comportamento compulsivo;
• Desenvolver outras formas de enfrentar a ansiedade, o stress, as situações quotidianas e os
sentimentos;
• Diminuir os pensamentos obsessivos e o comportamento ritualista para um ponto em que a
pessoa possa atuar autonomamente.

Cuidados de enfermagem:
• Diminuir a ansiedade:
o Falar sobre os comportamentos compulsivos;
o Estimulo à partilha verbal de preocupações, ansiedade, medos, etc;
o Estimulo à partilha de sentimentos são formas diversas (verbalmente, choro,
atividades físicas, etc);
o Quando a pessoa tem medos delirantes;
o Conversar sobre outros temas;
o Tempos específicos para enfoque dos pensamentos e rituais obsessivos –
diminuição gradual;
• Diminuir ou eliminar as obsessões;
• Diminuir ou eliminar o comportamento compulsivo;
• Diminuir a ambivalência:
o Aumento da relação de confiança;
o Aumento da expressão de sentimentos;
o Partilha de pensamentos e comportamentos e os sentimentos a respeito das
mesmas;
o Outros métodos para lidar com a ansiedade – diminuição gradual dos
comportamentos compulsivos.
• Apoio verbal para a sua intenção de diminuição dos rituais – registos de frequência;
• Conversas adequadas sobre ambivalência, rigidez, frustração, etc;
• Aumentar a autoestima:
o Demonstrações sinceras de interesse e precaução pela pessoa (a falta de
sinceridade pode ser uma fonte de humilhação);
o Estimulo para participação em atividades e interações – que realiza com
facilidade e que sejam fontes de prazer (ex: ler, andar ao ar livre,…);
• Satisfazer as necessidades de nutrição, hidratação e sono:
o Conhecimento dos hábitos e observação dos comportamentos face a esta
atividades;
o Observação e registo dos padrões de sono – preparação para a hora de dormir
(ex: diminuição de estímulos), pode necessitar iniciar a rotina + cedo que os outros

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ou necessitar de uma orientação, para que volte às atividades normais. 
Necessitam de orientação para que volte às atividades normais, o
enfermeiro tem de estar atento a estas noções.
• Diminuir ou eliminar a automutilação e agressividade:
o Tratamento das lesões existentes (mãos ou olhos);
o Medidas de proteção;
o Substituição de comportamentos (mesmo que sejam ritualistas – mas que não
sejam perigosos. Ex: arranhão, rasgar pele).

11. Distúrbios do Comportamento Alimentar

Anorexia e Bulimia:
• Duas doenças suportadas pela amargura e alimentadas pelo desejo de uma silhueta perfeita;
• Há uma forte tendência social e cultural em considerar a magreza como uma situação ideal
de aceitação e êxito;
• Muitos adultos, em busca desse ideal, desenvolvem transtornos alimentares como Bulimia e
Anorexia;
• Podem se manifestar na:
o Infância – “apavoramento diante da comida”;
o Adolescência – “ideal de beleza”;

Os transtornos nestas fases de vida são diferentes. São mais frequentes na adolescência
do que na infância. A bulimia é mais frequente do que a anorexia. Atingem mais as
mulheres.

• Apesar de desconhecida, sabe-se que a etiologia dos transtornos alimentares traz em sua
gênese uma associação de fatores sociais, psicológicos e biológicos;
• Estudos ingleses concluem que, a multiplicação dos casos de anorexia precoce seria em parte
semelhante aos encontrados em adolescentes e adultos jovens, ou seja, ligado a pressão
social e a imagens idealizadas de manequins e celebridades;
• Os transtornos alimentares são complicados e tristes;
• O que pode estar pro trás dos transtornos:
o Distorções percetivas: “sou gorda”;
o Obsessões: “o que vão pensar de mim?”; “não posso comer”; “não estou magra
o suficiente”;
o Desequilíbrio emocional:
▪ Ansiedade;
▪ Depressão;
o Tendências suicidas;
• É necessário a nossa sociedade repensar um novo conceito de beleza.

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Anorexia:
• Alteração da perceção do corpo (“estou obesa”);
• Medo de ganhar peso (“não posso! Só vou comer uma maçã hoje”);
• Desnutrição;
• Insónia;
• Amenorreia;
• Purgativa: se alimenta, mas depois vomita ou usa laxantes;
• Restritiva: longo período sem alimentação ou se alimentando muito pouco;

Bulimia:
• Compulsão alimentar seguida de episódios de indução de vómito, uso de laxantes ou de
práticas semelhantes.

O processo de recuperação:
• O enfermeiro, tal como os restantes profissionais, podem ajudar de várias formas, inclusive de
acordo com a teoria em que se baseiam para lidar com o cliente;
• O tratamento, contudo, está basicamente centrado em redução alimentar, orientação para
prática de atividade física adequada, abordagem do distúrbio da auto imagem e da auto estima
e modificando o sistema de crenças;
• Este processo envolve, não só a criança ou adolescente, mas também toda a família com a
qual se busca construir uma referência de apoio, desfazer crenças sobre a imagem de si e
reconstrução do ato de se alimentar;
• Muitas vezes é a mudança de uma caraterística familiar que irá suceder na melhora da criança
com transtornos alimentares. A terapia familiar, como outros espaços, pode ser importante para
pensar sobre isso, implicando pais, filhos e outros familiares da melhor maneira para a melhora
da pessoa/cliente;
Em suma, é um processo que tem repercussões biológicas, sociais, é uma situação que é
transversal. Tem implicações na família e envolve reconstrução. Sensibilização é
importante para quebrar estigmas e crenças.

12. Cuidados de Enfermagem a Pessoas com Distúrbios do


Comportamento Alimentar:
Antes da doença diagnosticada, apresentam alguma alteração emocional e do
comportamento.
• Emocionalmente:
o Critica constante a alguma parte do corpo;
o Insatisfação com o peso;
o Alteração da perceção corporal (dismorfia);
o Diminuição gradual das suas atividade sociais.
• Comportamento:
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o Hábito de fazer dieta mesmo que o peso seja adequado e quando há perda de
peso a dieta continua;
o Estas alterações são difíceis de avaliar durante a adolescência pois nesta fase
etária, surgem caraterísticas esperadas que fazem parte do Síndroma da
adolescência normal. É também comum em ginastas e modelos;
o Isolamento;
o Os problemas de relacionamento;
o A preocupação e a vergonha com o corpo (evitam expô-lo nos balneários e casa
de banho);
o A distorção da auto imagem;
o O aumento de apetite;
o Os modismos alimentares, etc.

Bulimia Nervosa:
• Perturbação do comportamento alimentar caraterizada por ingestão compulsiva de alimentos
(consumo descontrolado, rápido, escondido e fora das refeições) e utilização de métodos
compensatórios inapropriados para impedir o aumento de peso (vomitar, laxantes, diuréticos);
• Mais frequente no sexo feminino, na faixa etária do final da adolescência;
• Critérios:
o Episódios recorrentes de ingestão alimentar compulsiva caraterizados por: comer
num curto período de tempo (por exemplo até 2h), uma grande quantidade de
comida, muito superior à que a maioria das pessoas normais comeria naquela
situação;
o Sensação de perda de controlo sobre o ato de comer durante o episódio
(sentimento de incapacidade de para ou controlar a quantidade e qualidade dos
alimentos);
o Comportamento compensatório inapropriado recorrente para impedir o ganho
ponderal: vómitos, laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos, jejum e
exercício físico excessivo;
o A ingestão compulsiva de alimentos e os comportamentos compensatórios
inapropriados ocorre, pelo menos 2 vezes por semana em 3 meses consecutivos;
o A autoavaliação está associada ao peso e formas corporais.
Descontrolo alimentar, fora de horas, com a ocorrência de episódios exacerbados e
sobre o ato de comer.

• Caraterísticas:
o Peso normal ou ligeiramente acima da média para a altura e idade;
o Sintomas depressivos: depressão do humor, isolamento social, baixa auto estima,
ideias de suicídio;
o Sintomas de ansiedade: fobia social e outros sintomas ansiosos;
o Comportamentos impulsivos como cleptomania, promiscuidade sexual, uso de
substancia aditivas como álcool e estimulantes (iniciados na tentativa de controlar
o apetite e o peso);

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o A autoavaliação da pessoa é excessivamente influenciada pela sua imagem da
forma e peso corporal;
o Desequilíbrio hidroeletrolitico, irregularidades menstruais ou amenorreia,
problemas dentários, ulceras de erosão no dorso das mãos, dependência de
laxantes.
Problemas ligados à baixa autoestima e isolamento social, comportamentos impulsivos,
de distorção da imagem e complexo com o peso corporal.

Anorexia Nervosa:
• Perturbação do comportamento alimentar caraterizada por extrema perda de peso induzida
e mantida pela pessoa; medo intenso de engordar e imagem corporal distorcida;
• É mais frequente no sexo feminino na faixa etária dos 13 aos 18 anos de idade, nos países
industrializados;
• Critérios:
o Recusa em manter um peso corporal minimamente normal para a idade e altura
(perda de 15% de peso em relação ao esperado ou fracasso no ganho ponderal
justificado para o período de crescimento);
o Medo intenso de ganhar peso ou ficar gordo, mesmo quando excessivamente
magro.
• Caraterísticas:
o Sintomas depressivos: depressão do humor, isolamento/fobia social
(preocupações com o comer em público), irritabilidade, insónia, desinteresse
sexual, restrição da expressão emocional, crises de choro, ideias de suicídio;
o Sintomas obsessivo-compulsivos relacionados ou não com a comida (coleções
de receitas, contagem de calorias ingeridas diariamente);
o Forte necessidade de controlar tudo à sua volta, pensamento inflexível;
o Amenorreia, emaciação (emagrecimento extremo), obstipação, dor abdominal,
hipotensão, hipotermia, pele seca (prega cutânea), cabelo fraco e quebradiço,
lanugo (penugem tipo fetal que cobre a face, braços e tronco), atrofia muscular,
hipertrofia das glândulas salivares, desequilíbrio hidroeletrolitico, osteoporose,
problemas dentários, ulceras de erosão no dorso das mãos.

Cuidados de Enfermagem:
• Nível comunitário:
o Identificação precoce de situações;
o Esclarecimento sobre dietas e ensino sobre hábitos alimentares;
o Apoio à pessoa e família nas situações encaminhadas ou em fase de
recuperação.
• Nível de internamento hospitalar:
o Os objetivos a curto prazo focalizam-se na restauração da situação nutricional
adequada, a longo prazo as intervenções orientam-se para o estabelecimento
de mecanismos mais eficazes e saudáveis. Importante ter uma relação empática
e de confiança;

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o Acolhimento personalizado: história de enfermagem detalhada (focar no
quotidiano e acontecimentos extraordinários e menos nos sinais e sintomas,
ganhando a confiança da pessoa, Realizar uma entrevista flexível, pois a rigidez
afeta o seu comportamento, é faseada);
o Estabelecimento e manutenção de boa relação interpessoal, criando relação
empática e de confiança (procuramos desviar os pensamentos da obsessão e
canalizar as energias para outras áreas). O estabelecimento desta relação faz-
nos ganhar recursos para conseguirmos cuidar da pessoa. A escuta é muito
importante – ouvir, mais do que falar;
o Explicação e manutenção do cumprimento de ambas as partes no contrato
terapêutico (peso, alimentação, telefonemas e saídas) – estabelecimento de
regras e limites;
o Observação e avaliação do comportamento da pessoa nos aspetos de: atividade,
sono e repouso, sinais vitais, alimentação (vómito), terapêutica (laxante);
o Esclarecer o não envolvimento com familiares, visitas nos primeiros dias (pressão
no sentido da alta, não necessidade de tratamento, dependência maternal). Os
familiares podem ser informados de como a pessoa está;
o Prevenção da manipulação dos elementos da equipa pela pessoa: limites,
ingestão de alimentos, privilégios (tentativas de aliciação);
o Aumento da auto-estima, apoiando e recompensando, mobilizando as habilidade
e potencialidades da pessoa (negociar privilégios) - elogiando;
o Diminuição da relação alimentação/ansiedade (fator de stress):
▪ Anorexia: apresentação e quantidade de comida (tem 4 alimentos, tem
de escolher 2);
▪ Bulimia – horas das refeições;
o Identificação dos ganhos primários e/ou secundários que o sintoma físico traz à
pessoa, tais como: amento da dependência, aumento da atenção (centrar naquilo
que é positivo);
o Desvalorização das dificuldades, encorajando as pessoas a ser autónomas;
o Intervenção limitada a solicitações;
o Não julgamentos;
o Sucesso e reforço positivo para aumento de auto-estima;
o Criação de espaços para a abertura ao diálogo;
o Estabelecimento de hábitos dietéticos;
o Preparação para a alta.
Aposta na sensibilização em escolas secundárias, para explorar estas situações que são
consideravelmente importantes.

CASO: página 688 da Thousand


A Maria desmaiou e foi levada ao CS pela colega de quarto. A amiga disse que tomava
laxantes e diuréticos sem receita e induzia o vómito. Foi reencaminhada para clinica de saúde
mental. Apresentava 50kg 1,68m. A enfermeira reparou que a Maria tinha mais vezes fome do que
comia. A Maria disse que induzia o vómito para se livrar das calorias. Refere que aprendeu com
as amigas porque as raparigas da universidade eram bonitas e magras, e que essa era a única

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maneira de manter o peso baixo. Confessa que esconde a comida no quarto e como quando se
sente ansiosa e deprimida: batatas fritas, usando laxantes e diuréticos. Refere ainda que depois
de consumir sente pânico, e para aliviar, induz o vómito fazendo com que se sinta menos cheia
mas também ao mesmo tempo deprimida, o que a ajuda é a comida e sente que não tem controlo
sobre a sua vida.
• Curto prazo: Criar relação de confiança e empatia
o Demonstrar disponibilidade;
o “Estar com…”;
o Escutar ativamente;
• Elevar a auto-estima;
• Restaurar a situação nutricional da Maria:
o Colocação de soro;
• Numa fase tardia, tentar fazer com que a Maria perceba a razão por que vomita e toma
laxante;
• Estimular o seu relato escrito da vivência;
• Perceber porque se sente sozinha na universidade.

13. Cuidados de Enfermagem a Pessoas com Perturbações


da Personalidade

Nos transtornos da personalidade a palavra chave é: a culpa não é minha.

Personalidade:
• É um conjunto de caraterísticas psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e
agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém;
• Inclui fatores bio-psico-socio-culturais, tendências inatas e experiencias adquiridas no curso
de sua existência;
• A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo.

Transtorno de personalidade:
• Conceito:
o Padrões mal adaptativos, globais e persistentes de comportamento
profundamente arraigados.
• Caraterística central:
o A presença de padrões de interação interpessoais vistos como mal ajustados
com relação ao comportamento geral.

Como identificar um transtorno de personalidade?:


• Deve apresentar as seguintes caraterísticas:

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o Uso consistente do comportamento em questão;
o Nível mais exagerado do comportamento;
o Resulta em problemas sérios e prolongados de funcionamento ou de felicidade.

Elementos fundamentais:
• Geralmente surge na infância ou na adolescência e se torna estável ao longo da vida;
• Manifesta um conjunto de comportamentos e reações afetivas desarmónicas, envolvendo a
afetividade, controle dos impulsos e relacionamentos interpessoais;
• O comportamento não está relacionado a qualquer doença mental (aparece a posteriori);
• Traz dificuldades para o individuo e sua família;
• Não está relacionado a lesão cerebral.

Classificação dos transtornos de personalidade:


• Classificação de acordo com o DSM-IV;

Grupo A: Excêntricos
 Transtorno de Personalidade Paranoide:
• Caraterística dominante:
o Suspeição injustificada e desconfiança das pessoas, que persiste mesmo em face
de fortes evidências de que não há justificativa ara as preocupações.
▪ Tem um carater desconfiado;
▪ Tendência a distorcer os factos;
▪ Conceção obstinada de seus próprios direitos.

Grupo B: Dramáticos/Emotivos/Instável
 Transtorno de Personalidade Histriônico:
• Caraterísticas dominantes:
o Esses indivíduos são atraentes, charmosos e sexualmente sedutores, embora
recuem quando as coisas estão ficando serias;
o Interesse e medo de sexo;
o Gostam de ser o centro das atenções e agem de forma dramática para atrair essa
atenção;
o São emocionalmente superficiais;

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o Utilizam a aparência física para chamar a atenção para si;
o São dramáticos;
o São sugestionáveis (facilmente influenciado pelos outros e circunstâncias);
o Considera os relacionamentos mais íntimos do que na verdade são;
• Sintomas:
o Sentimentos de grandiosidade em relação a si próprio;
o Preocupação com fantasia de ilimitado sucesso;
o Crença de sempre se achar especial, só podendo se envolver com pessoas de
semelhante importância;
o Auto-admira-se excessivamente;
o Expetativa de receber um tratamento especial ou obediência;
o Tira vantagem alheia para alcançar seus próprios objetivos;
o Não consegue se colocar no lugar do outro
o Sente inveja ou acredita que é alvo de inveja;
o Comportamento arrogante ou insolente.

 Transtorno de Personalidade Antissocial:


• Caraterísticas dominantes:
o Comportamento desajustado que não reconhece os direitos dos outros;
o Desprezo pelas obrigações sociais;
o Falta de empatia para com o outro;
• Diagnóstico e sintomas:
o Incapacidade para se adequar as normas da sociedade (comportamento ilícitos);
o Mente repetidamente e propensão para enganar outras pessoas;
o Incapacidade para fazer planos para o futuro (este sujeito é muito impulsivo);
o Irritabilidade e agressividade;
o Não respeita a segurança própria e de outros;
o Irresponsabilidade persistente;
o Ausência de remorso;
o Temo no minimo 18 anos de idade sendo que já tem história de condutas antes
dos 15 anos;

 Transtorno de personalidade Boderline:


• Caraterísticas dominantes:
32 | P á g i n a
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o As pessoas com esse transtorno parecem encontrar-se sobre a fronteira entre
vários transtornos;
o Age de modo imprevisível;
o Impulsividade.
• Diagnósticos e sintomas:
o Esforços para evitar o abandono real e imaginado;
o Relacionamentos interpessoais instáveis e intensões;
o Perturbação da identidade;
o Impulsividade em pelo menos duas áreas que prejudicam a sua vida;
o Gestos e ameaças suicidas ou automutilantes;
o Sentimentos de vazio;
o Raiva inadequada ou dificuldade de controlá-la;
o Instabilidade afetiva devido a reatividade do humor.

Grupo C: Ansiosos e medrosos


 Transtorno de Personalidade Esquiva:
• Diagnóstico e sintomas:
o Evita atividades ocupacionais que envolva relacionamos interpessoais;
o Demora para se envolver com outras pessoas;
o É reservado em seus relacionamentos íntimos;
o Tem medo de críticas;
o Sente-se inibido sem situações interpessoais;
o Vê-se como inapto socialmente;
o Possui dificuldades em assumir riscos pessoais;

 Transtorno de personalidade dependente:


• Caraterísticas dominantes:
o Permitem passivamente que os outros tomem decisões importantes por eles;
o Incapacidade de assumir papeis que envolvam responsabilidade;
• Diagnósticos e sintomas:
o Dificuldade em tomar decisões diárias (precisa da aprovação alheias);
o Necessidade de que os outros assumam responsabilidade que seria sua;

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o Dificuldade em expressar discordância dos outros (possui medo de perder a
aprovação e o apoio dos outros);
o Incapacidade de cuidar de si quando está só, pois sente-se desamparado.

Relevância e epidemiologia destas perturbações:


• 10 a 13% das população urbanas tem transtornos de personalidade;
• Taxa maior nas classes mais baixas e com menor nível educacional;
• Associada a maiores taxas de criminalidade, alcoolismo, abuso de drogas, suicídios,
acidentes e divórcio;
• Menor adesão a tratamentos com resposta reduzida à terapia com psicofármacos.

14. Cuidados de Enfermagem a Pessoas em Situação de


Urgência Psiquiátrica
• Situações não na urgência, mas sim de urgência psiquiátrica.

Urgência Psiquiátrica: desequilíbrios bioquímicos graves, mas pouco suscetíveis de pôr


em risco a vida do doente e do outro. É toda a situação psiquiátrica que não pode ser resolvida
em domicílio. É qualquer perturbação do pensamento, sentimento ou ações, para a qual seja
necessário uma intervenção terapêutica imediata;
Emergência Psiquiátrica: Desequilíbrios psíquicos agudos, com risco eminente para o
doente ou para as pessoas que o rodeiam.

A pessoa com doença psiquiátrica:


• Existe um estigma da doença mental exacerbado, que é estimulado pelas coisas que se
mostram nos filmes.

 Jaspers – Interpretação dos sintomas das doenças psiquiátricas com base na compreensão
das vivências do doente, a par dos fenómenos que se mostram incompreensíveis – Exemplo:
fenómenos incompreensíveis: apreensão, medo ao início, no entanto ao entrarmos na saúde
mental, o estigma esbate-se. É importante ter fatores protetores.
Doença mental – Modo especifico de existir de “Ser no Mundo”.

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Causas mais frequentes de recurso à urgência:
• Agitação;
• Ansiedade (estado de pânico – muitas vezes secundária a condições tóxicas e alterações
metabólicas do organismo);
• Suicídio/Tentativa de Suicídio;
• Psicose;
• Abuso de Substâncias;
• Crises histéricas;
• Crise de agitação psicomotora (tanto associada ao alcoolismo como de etiologia psicogénica
(psicofármacos, drogas) – crise de ansiedade, crise maníaca, esquizofrenia ou demência;
• Depressão (muito associada ao idoso – por via do isolamento, e mais grave ainda por
abandono);
• Doentes violentos (na maioria, não são doentes psiquiátricos).
O que as pessoas dizem que sentem, sentem mesmo!

Alterações do pensamento - crises psicóticas:


• O principal objetivo é ajudar a reduzir a insegurança, para isso é necessário

Intervenções de Enfermagem à Pessoa com Alterações do Pensamento – Crises psicóticas:


• Chamar pelo nome; dizer onde está;
• Assegurar positivamente que o doente vai ser ajudado;
• Afirmações empáticas – no entanto curtas. Ex: sente-se.
• Entrevista: Tem de ser Flexível:
o Não concordar ou discordar, mas aceitar como um facto para o doente (não
confrontar ideias delirantes).
• Reconhecer que o doente foi trazido contra a sua vontade;
• Permitir falar dos seus problemas;
• Evitar movimentos súbitos – o contacto deve ser feito com distância terapêutica;
• Atenção ao contacto / proximidade;
• Remover situação precipitante / focalizar noutra situação;
• Não mostrar medo. Abordagem clara, firme, objetivo e calma. Mostrar segurança;
• Relaxamento pela presença – pessoas quando sentem alguém por perto ficam mais
relaxadas. Esta presença é protetora;
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• Contenção física e farmacológica, se necessário: escalda da contenção;
o Contenção Ambiental;
o Contenção Farmacológica;
o Contenção Física.

Alterações comportamentais (Agitação, agressividade, inquietação):


• Intervenções de Enfermagem à Pessoa com Alterações comportamentais:
o Atenção à proximidade;
o Porta aberta, caminho desimpedido;
o Nunca abordar um doente armado;
o Fixar limites:
▪ Utilizar mais membros da equipa que o necessário (transmite força,
intimida);
▪ Em número de 4-5, dispostos em círculo à volta do doente;
▪ Avisar contenção se se mantiver comportamento;
▪ Efetuar movimentos lentos (não movimentos bruscos), de um lado para o
outro;
▪ Olhar nos olhos, observando movimentos oculares (ele olhará para o que
pretende “atacar”);
▪ Técnica do lençol, se necessário;
▪ Contenção, sem tensão;
▪ Nunca ameaçar;
▪ Não oferecer espetáculo;
▪ Não conter sozinho;
▪ Estar disponível, explicando as providências a tomar;
▪ Se recusar medicação, tentar mais tarde;
▪ Se mantiver recusa, dar a medicação;
▪ Presença / controlo;
▪ Levar a pessoa ao quarto pode acalmar.

 Ambiente: Importância de um ambiente terapêutico (instalações, condições hoteleiras,


aspeto relacional, fatores desencadeantes);

 Terapêutica:

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o Acatisia: Vontade incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão,
que o individuo não consegue ficar imóvel. Principal causa de não adesão à
medicação

 Síndrome maligno dos neurolépticos:


o Situação grave, com taca de mortalidade 20-30%;
o Sintomatologia: Hipertermia, rigidez muscular, taquicardia, sudorese, alteração do
estado de consciência (mutismo, agitação, confusão) e CPK (enzima que marca
a destruição muscular – musculo cardíaco) elevado.

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CASOS CLÍNICOS

Perturbação psicossomática - Hipocondria


A dona Otília tem 28 anos e esta internada num hospital no sul do país num serviço de psiquiatria.

Quando lhe perguntaram o motivo do seu internamento, a mesma respondeu que “nunca tive uma saúde
muito boa, mesmo quando era criança estava sempre doente.”

Tem várias queixas, visão turva, dor lombar, dor nos pés, palpitações, menorreia, dores, náuseas, vómitos,
diarreia (acontecem de forma aleatória os sintomas). Sempre que está internada e lhe falam em ter alta
sente uma grande ansiedade e essa é a maior preocupação da Sra. pois temia sempre que lhe diziam isso.

A avaliação psicossocial revelou que a Sra. vivia com os pais. Ela era a mais jovem de três filhos, os seus
irmãos vivem longe da casa dos pais. Tem o nono ano de escolaridade e já trabalhou como escrituraria e
rececionista de uma loja, mas já foi despedida porque chegava atrasada. Está desempregada há 5 anos.

Ao ser questionada como passava o seu tempo disse que cuidava do jardim e fazia algumas coisas em
casa, passando a maior parte do tempo a ver tv.

Os pais da Dona Otília ficavam a maior parte do tempo com a filha no hospital. A mãe perguntou se podia
ficar a pernoitar no quarto da sua filha tendo ficado irritada quando lhe disseram que isso não era permitido
por esta já ser maior de idade.

Os exames realizados não revelaram qualquer base orgânica para as queixas que a Sra. apresentava…

Diagnósticos de Enfermagem Intervenções


Ansiedade atual Providenciar escuta ativa
Medo atual Conversar para/ mostrar disponibilidade
Trabalhar com a família, realizar terapia familiar
Processo Familiar Comprometido
(enquanto estudantes não o podemos fazer)
Perceber as atividades que gosta de realizar e
com quem; como é que a pessoa se via depois da
Autonomia Comprometida alta.
Valorizar ganhos (dizer que está bonita, dizer que
sente ela menos ansiosa)
Angustia de separação

Hipocondria – relação com sintomas físicos. É um bloqueio psicológico com sintomas físicos.
Todos os sintomas que a pessoa diz sentir, ela sente.
Sintomatologia física e psicológica. Mais frequente nas mulheres após os 20/30 anos.
Realiza-se exames médicos e a partir daqui é feito um diagnóstico médico. Existe
acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Por norma é administrado ansiolíticos e

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trabalha-se com a pessoa a fim de a consciencializar a sua compreensão da doença. É
realizado psicoterapia.

Perturbação psicossomática – Perturbação de conversão


A D. Rosa tem 20 anos foi internada num serviço de psiquiatria de um hospital da região sul de Portugal
após o aparecimento súbito de cegueira.

Não havia evidencia de quaisquer processos fisiopatológicos que pudessem afetar os seus olhos.

A avaliação inicial revelou que ela havia presenciado o suicídio do seu pai com uma arma de fogo aos cinco
anos, embora afirmasse não ter recordação disso. A cerca de três semanas o seu namorado expressou a
intenção de se matar.

Durante a entrevista com a equipa de saúde do serviço a D. Rosa consegui ler todos os papeis que lhe
colocaram na sua frente.

Como por vezes a D. Rosa referia estar cega a equipa de saúde resolveu gravar as entrevistas para
confrontá-la. Num desses momentos e ao visualiza-lo, nomeadamente quando descrevia o suicídio do pai,
ela refere que está surda.

Diagnósticos de Enfermagem Intervenções


Processo de Coping comprometido • Utilizar técnicas de relaxamento
Coping Defensivo • Proporcionar um ambiente tranquilo
• Incentivar a expor os sentimentos
• Mostrar disponibilidade
Negação atual • Incentivar a Sra. a expor os seus
problemas (perceber a influência dos
momentos marcantes na vida da Sra.
Rosa). (Cautela com as confrontações)
• Encorajar a Sra. a expor os seus
sentimentos
• Incentivar a utilização de mediadores de
expressão; interpretar a utilização desse
mediador, solicitando à Sra. Rosa que
explique o que fez.
• Proporcionar um ambiente calmo e
confortante

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• Mostrar disponibilidade

Trabalhar, em certo ponto, o luto familiar (fase o


processo do luto – negação). Seria oportuno
valorizar o luto familiar comprometido como
diagnóstico mais específico, mas tendo em conta
o caso pode-se introduzir as questões do luto na
negação atual.

Autoconsciência comprometida
Trauma atual – numa primeira fase não devemos
confrontar o trauma daa situações com o pai e
namorado – trabalhar na negação
Perceção Comprometida
Comunicação familiar comprometida

Dismorfia corporal – hipovalorizar/ hipervalorizar partes ou porções do corpo

Na hipo dismorfia existe uma procura constante para alcançar a morfologia idealizada

Na confrontação com as situações: existe palpitações, cautela com as confrontações

Perturbação de conversão - Perante um trauma a pessoa converte a sintomatologia física para negar um
determinado acontecimento

Na confrontação com as situações: existe palpitações, cautela com as confrontações

Perturbações Obsessivo-Compulsivas
Quando existe um pico de ansiedade por um motivo em concreto, as pessoas encontram
alternativas que apaziguam a ansiedade (ex: comer bolachas, fumar, beber café, etc ->
comportamentos normais).
Torna-se perturbador quando a ansiedade ocupa uma parte significativa da nossa vida
(ex: pessoa que quando toca em algo se sente suja e tem a necessidade de lavar as mãos) e/ou
existem pensamentos ruminativos.
As obsessões são ideias/pensamentos recorrentes que se fixam na nossa mente e nos
levam a não deixar de pensar neles. São pensamentos que a pessoa não consegue bloquear e
que não quer que surjam.

40 | P á g i n a
Jéssica Pereira (15ºCLE), Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
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Compulsões são ritualizantes. São rituais que se criam repetidamente (ex: só atravessar
a estrada na passadeira se conseguir pôr primeiro o pé direito na passadeira e acabar a passadeira
com o pé esquerdo – porque se isso não acontecesse o dia não lhe corria bem ou os
testes/exames não eram positivos).
Estas perturbações são reais para elas. O pior que se pode dizer é para a pessoa parar
de fazer aquilo e que está tudo na cabeça.
Quando vemos que o comportamento está a ser violento para a pessoa o melhor é gritar
“PARE COM ISSO!”. Não quando a pessoa está a descrever mas sim no momento em que ela
está a ter a ação compulsiva.
Tratamento: psicoterapia + ansiolíticos + focalização num outro pensamento/objeto.
CURTO PRAZO: Identificar fontes de ansiedade/stress; estar disponível para ouvir a
pessoa;
LONGO PRAZO: planear estratégias para eliminar estes pensamentos
(pensamentos/músicas agradáveis); dar mecanismos de coping à pessoa;

Diagnósticos de Enfermagem
Caso 1
Homem de 17 anos, internada pela 1ª vez em 2010 num hospital da margem sul.
Apresentava comportamentos de isolamento. Andava na escola e os colegas relatam que
nos últimos meses se isolava no recreio. Detetaram que ele quando estava nos balneários
demorava o dobro do tempo a tomar banho.
Atualmente os pais referem que ele não come tanto como comia e o pai refere que antes
de ir para a escola e antes e após as refeições passa muito tempo a lavar as mãos. Sempre que
confrontando com este comportamento coloca as mãos à cintura escondendo-as dos pais.
Hoje foi apanhado a vaguear pelas ruas da cidade onde mora tendo sido transportado
para o hospital.
É recebido no serviço de psiquiatria e quando foi feita a colheita de dados pelo enfermeiro
refere que desde que os pais se separaram há cerca de 2 anos ele sente dificuldades em gerir
esta situação porque mantém a fantasia que os pais têm que viver juntos.
Tem um irmão mais velho com quem sempre teve um conflito. Quando fala do irmão
refere-se a ele como um parvo/estupido que tira mas notas ao contrário dele que é inteligente, tira
boas notas e nos últimos 4 anos foi aluno de mérito.

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Comportamento Promoção Promoção
Isolamento Social Ansiedade
Compulsivo Atual dos ganhos da
Atual Atual
conseguidos autoestima
1. Procurar o foco
1. Perceber o
da compulsão;
motivo da
2. Promover a 1. Encorajar a
ansiedade;
focalização para partilha de
2. Negociar
outro pensamento; sentimentos;
atividades
3. Pedir à pessoa 2. Escutar
promotoras da
para fazer um relato ativamente;
diminuição da
escrito da situação 3. Demonstrar
ansiedade
de modo a disponibilidade;
(pintura, escrita,
comparar com a
música)
realidade;

CASO – Distúrbios do comportamento alimentar


• Ana Júlia 21 anos.
• Acha-se gorda… olha-se muitas vezes ao espelho e não esta contente como que vê.
• Não tem namorado e pensa que nunca vai ter,
• Olha-se ao espelho e repara que tem olhos tortos, lábios finos e com aquela gordura nenhum
rapaz vai gostar dela
• Já fez dietas porque sempre foi gorda como a mãe e não quer ser.
• Só tem prazer com doces (bolos e gelados) mas não pode comer porque fica mais gorda, e por
isso continua com as dietas.
• 60 kg e 1,72m;
• Faz dietas mas sonha com os doces. Não resiste. Vai ao armário e come tudo o que há.
• Vai para o quarto, olha ao espelho acha que deve estar mais gorda e vai vomitar.
• Isto repete-se por vários meses e a escola esta cada vez pior. Falta muito as aulas e só quer
ficar deitada.
• Os pais estão a trabalhar e não precisam de saber. Já lhes disse que faz o que lhe apetece,
quando descobrirem logo se vê.
• Uns meses mais tarde tem outros problemas, nomeadamente ulcera por pressão infetada no
dorso da mão direita e tem os dentes lascados com mau aspeto.
• Os pais recorrem ao hospital porque ela se sentiu mal e foi-lhe diagnosticada arritmia cardíaca.
• Peso atual de 48kg.

3 Perguntas:
1. Habitualmente quantas refeições fazes por dia? E estás acompanhada?
2. Alguma dieta foi acompanhada por um especialista?
3. Quer falar-me de si? -> Confiança
4. Quer partilhar um pouco desta situação que está a acontecer consigo? -> Escuta
5. Há quanto tempo surgiu a ferida?

Diagnóstico:
1. Padrão Alimentar comprometido

42 | P á g i n a
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• Supervisionar refeições;

2. Comportamento Alimentar compulsivo


• Negociar rotinas de alimentação;
• Realizar atividades após refeições;

3. Autoestima diminuída
• Promover a expressão de sentimentos e inseguranças;
• Elogiar aspetos positivos;
• Demonstrar disponibilidade;

4. Comunicação Familiar Ineficaz


• Promover a comunicação familiar;
• Promover a expressão de sentimentos na família;

Caso Urgência Emergência Psiquiátrica


• Luisa, católica, tem 2 filhos;
• Marido trabalhava muito para sustentar a família e nunca está em casa;
• Filhos consideravam a mãe como pai;
• Filho mais velho = dor de cabeça – demorava muito tempo a desenvolver-se, não merecia um filho
assim mas eram católicos e tinham que aceitar o que deus lhes deu;
• Mais velho foi para casa dos avos – a mae visitava-o mas depois deixou de a reconhecer e já não
a procurava;
• Mais novo era especial, sempre preocupado e Luisa considerava-o um milagre;
• Passado alguns anos os mais novo que frequentava a igreja preocupava-se muito com a mãe,
andava na escola, tinha namorada gira;
• Pedro tinha 17 anos começou a ouvir musica alta, vestia-se de preto e falava uma linguagem
estranha;
• Certo dia ao jantar diz: “Deus disse que o mano é muito bom”;
• Mãe diz “Mas tu falas com ele?”;
• “Todas as noites, ele mostrou-me a sua face”;
• Perdro acorda erturbado e diz “Deus está a dizer-me coisas! O meu irmão é muito bom”
• Mae fica preocupada e telefona ao marido. Chega a casa e diz-lhe que tinha ouvido ruidos no
quarto do pedro mas não ligou;
• Ao aproximar-se o pedro diz “DIABO!!! TU ES O DIABO! TENHO O DIABO NA CABEÇA! O DIABO
ESTA NA PAREDE”;
• Mae tentou espreitar e o Pedro diz “Mãe olha a luz vermelha! Sai daqui!!!”;
• O Pedro estava à beira da janela;

Diagnósticos:
1. Risco de Suicídio
2. Delírio Atual
3. Alucinação Atual
4. Hostilidade Atual
5. Sofrimento Atual
6. Agitação Atual

43 | P á g i n a
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Matéria Professor Lino Ramos
7. Angústia Atual

Intervenções:

• Chamar a pessoa pelo nome e dizer o nosso;


• Mostrar disponibilidade para escutar;

44 | P á g i n a
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Matéria Professora Doutora Paula Leal

1. SAÚDE MENTAL E PSIQUIATRIA PREVENTIVA


A Saúde mental permite a uma pessoa ter uma plasticidade para olhar para certas
situações e conseguir adaptar-se. Por exemplo: conseguir realizar as suas AVD sem desequilíbrio,
e se eventualmente se dá um desequilíbrio esta pessoa consegue encontrar estratégias para se
equilibrar novamente.

As pessoas com perturbações mentais têm, sobretudo, uma grande dependência no que
diz respeito à autonomia – dependem de 3os para realizar as suas AVD.
Na Psiquiatria Preventiva já existe uma doença mas tenta-se que esta não agudize. Trata-
se de uma aprendizagem contínua para a harmonia do quotidiano.

Antigamente…
“A existência da doença mental é tão antiga como a vida”

Nas tribos:
• A doença mental era percebida como um fenómeno sobrenatural.
• Tratavam-se de espíritos que habitavam o Homem, porque:
o Não cumpria obrigações mágico religiosas;
o Ocorria violação de “tabus” do Clã ou tribo;
o Estava possuído por demónios;
• A intervenção:
o Realizada por feiticeiros/magos das tribos;
o Funcionavam como médiuns entre os espíritos e o doente ou família/grupo;
o Realizavam cerimónias coletivas visando a purificação do doente para voltar a ser
reintegrado no clã/tribo (orações, fumigações, transes, purgações);

Povo Egípcio:
• Têm conhecimentos de Medicina (papiro Ebers);
• A doença Mental surgia como causa de fenómenos sobrenaturais e naturais;
• A doença mental era influenciada pelos astros. Dá-se origem à medicina mística e
astrologia;
• A intervenção:
o O tratamento implicava a dimensão espiritual, psíquica e física;
o Recorriam a atividades como: interpretação de sonhos, hidroterapia, uso de
amuletos, fumigações, utilização de “fármacos”;

Povo Grego:
• Da Antiguidade ao período Pré-Socrático:
o Mantem-se a interpretação sobrenatural da loucura. Os deuses interferiam sobre
o pensamento e ação dos Homens. A doença mental tem origem teológica.
o A Intervenção: através de cerimónias religiosas, em templos.
• Hipócrates, pai da Medicina:
o Desaprovou a explicação divina, atribuindo-lhe causas naturais;
o Com uma visão holística do Ser Humano, entende que o Homem sofre influências
do ambiente e estilo de vida;

45 | P á g i n a
Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professora Doutora Paula Leal
o Concebia a saúde como um estado de equilíbrio entre os humores corporais
(sangue, bílis amarela, bílis negra e fleuma) e a doença como um desequilíbrio
destes humores corporais;
o Estabelece relação entre os humores e os 4 elementos, atribuindo à natureza, um
papel educativo e reparador;
o Nasce, com Hipócrates, a Ideia de Prevenção;
o A Intervenção:
▪ Subjacente à Máxima “primum non nocere (primeiro, não fazer mal)”,
confere um sentido preventivo na ação;
▪ Visa o equilíbrio dos humores corporais;
▪ Refere a importância da Relação médico-doente para a cura dos
mesmos;
• Platão:
o Considerava que a doença mental surgia decorrente de 3 dimensões: física, ética
e divina;
o A Intervenção: identificação e libertação das emoções reprimidas;
• Aristóteles:
o Entendia que os fenómenos da alma provinham de sensações experimentadas.
Não seria possível compreender a doença sem a relacionar com as sensações
vividas;
o A Intervenção: identificação e libertação das emoções reprimidas;
• Celsus:
o Introduziu a preocupação com o Bem-estar físico e mental da criança, referindo
que deviam ser tratadas de forma distinta dos adultos. (Noção perdida durante os
séculos seguintes)
o A Intervenção: identificação e libertação das emoções reprimidas;

Povo Romano:
• Areteo:
o Concebia a doença mental como um exagero dos processos normais;
• Galeno:
o Sugere que o cérebro é o órgão que instala as funções psíquicas. As causas da
doença mental poderiam advir de processos orgânicos ou psíquicos;
• A Intervenção:
o À semelhança do povo Grego, defendem os romanos um tratamento humanitário;
o Introduzem outras formas de tratamento de que se destacam: a fisioterapia, a
ludoterapia e as atividades de grupo;
o Estabelecem a relação entre doença mental e criminologia, originando o conceito
de inimputabilidade no domínio jurídico romano;

Os povos gregos, romanos e egípcios foram a base para a compreensão da doença


mental. Gradualmente, foram surgindo explicações que recorrem ao divino, mas também à ciência;

Após a queda do Império Romano:


• Originou um grave retrocesso no entendimento da doença mental;

46 | P á g i n a
Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professora Doutora Paula Leal
• A Igreja ascende ao poder. Afasta a psiquiatria da medicina e introduz a doença mental
num longo período de horror;
• Até ao século XVIII, a doença mental volta a ser conceptualizada como loucura provocada
por maus espíritos e demónios, que culmina com a “caça às bruxas”;
• A Intervenção:
o Este retrocesso na conceptualização da doença mental, teve reflexos no
tratamento das pessoas;
o O Clero era responsável por expulsar os espíritos malignos dos corpos das
pessoas, fazendo-o através de rituais religiosos e exorcismos;
o Práticas de tortura, privação de comida, de sono, corpos acorrentados, imersos
em água…eram usados para o “diabo” abandonar o corpo;

Com o surgimento dos asilos:


• Os hospitais rapidamente se transformaram em locais de concentração de indulgentes,
vadios, criminosos, epiléticos, doentes incuráveis e mentalmente perturbados;
• A Intervenção:
o Ainda subsiste um cenário de terror em ligação a tratamentos em que se
acoitavam, acorrentavam e espancavam os doentes.
o Os loucos ainda eram vistos como animais perigosos e, portanto com
necessidade de estar enjaulados e vigiados por cuidadores fisicamente fortes,
dotados de chicote.

Philippe Pinel:
Atribui-se o estatuto de doença mental, atribuindo-se a Philippe Pinel a parentalidade da
psiquiatria moderna.

• Philippe Pinel, atribuía a origem da alienação a causas passionais ou morais;


• Defende o potencial terapêutico da psicologia, no hospital;
• Substitui a contenção dos doentes, das correntes para coletes de forças;
• Esquirol, promove a ideia das comunidades terapêuticas, onde doentes e médicos
vivessem como membros;

47 | P á g i n a
Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professora Doutora Paula Leal
• Retorna o enfoque à psiquiatria infantil (1798) com o caso de Vitor – O Selvagem de
Aveyron;
• A Intervenção:
o Recomendava-se a higiene moral (tratamento que consistia em isolar o doente de
situações que impedissem a sua recuperação. Ex: Não recebiam visitas. E todo
o tempo e espaço do doente era gerido para ser ocupado), banhos quentes,
orações e ocupação do tempo com trabalhos e atividades;
o Surgem as casas de repouso. O ambiente calmo era terapêutico, por possibilitar
ao doente acalmar os nervos;

Finais do Séc. XIX:


• Séguin (1812-1880), discípulo de Itard funda a 1ª escola de reeducação sensorial;
• Bournaville (1840-1909) estrutura um programa médico-pedagógico para “idiotas”;
• Surge a profissão de psicopedagogos;
• Da Pedagogia, remonta o enfoque para um período médico-pedagógico em que se
observavam “crianças anormais” e deficientes sensoriais;
• A insanidade ganha o estatuto de doença, proporcionando extenso estudo na averiguação
das causas das doenças mentais;
• O Positivismo, permite a realização de investigação sistemática c/ experiências em
pessoas, animais e exame ao cérebro post mortem;
• A Intervenção:
o Realização de trabalhos que visavam a reeducação;

Século XX:
• A loucura é sucedida pelo conceito de doença mental, emergindo o Paradigma Médico;
• Os asilos e manicómios dão lugar aos hospitais psiquiátricos, sendo o internamento dos
doentes, responsabilidade e decisão médica;
• Até meados do século XX todas as estratégias terapêuticas, serviam para tentar curar no
corpo, a doença mental;
• No final do Século XX o enfoque curativo do paradigma médico esmorece, devido à
ascensão das ciências sociais e humanas;
• Desloca-se o enfoque do orgânico para o psíquico e social, instalando-se o paradigma
psicológico. O Doente passa a ser visto como pessoa c/ história de vida e necessidades
emocionais;
• A Intervenção:
o A origem orgânica da doença mental, atribuída maioritariamente a sequelas de
infeções sifilíticas, implicava tratamentos a nível corporal: Hidroterapia, Terapia
electroconvulsivante, coma Insulínico, psicocirurgia, refrigeração, indução de
“ataques epiléticos”, introdução dos psicofármacos;
o O Paradigma psicológico e a descoberta do inconsciente revolucionam a
intervenção. Surgem os modelos Psicanalítico, Cognitivo-comportamental
(Behavoristas); Fenomenológico;

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Século XX – Psiquiatria Comunitária:
• Os progressos científicos a par do aumento da eficácia dos psicofármacos permite (a partir
dos anos 60) transferir a pessoa c/ doença mental do hospital para a comunidade;
• Surgem os movimentos da antipsiquiatria, após o conflito da 2ª guerra, questionando o
conceito de doença mental (anos 70);
• Organizam-se equipas multiprofissionais;
• Emergem os movimentos das comunidades (EUA);
• A medicina preventiva (Modelo Médico e Prevenção), a epidemiologia e a saúde pública
foram os alicerces da Prevenção da Saúde Mental;
• Kaplan, (1964 - Modelo Médicoadopta para a saúde mental a tipologia da saúde pública
das Prevenções Primária, Secundária e Terciária;
• Gordon (1983 - Modelo de Gordon) propõe um modelo alternativo ao da saúde pública, a
partir da relação entre risco e doença. Classifica as intervenções em: universais, seletivas
e indicadas;
• A Intervenção:
o Assente na Psicoterapia e psicofarmacologia;
o Multiplicidade Interventiva com técnicos de diferentes áreas: saúde, social,
educação, económica.
o Desinstitucionalização e desprofissionalização (grupos de inter/autoajuda)
o Entende-se que a Reabilitação é morosa e difícil, criando-se ênfase na prevenção.
o Intervenções Preventivas Universais – são dirigidas ao público em geral ou a toda
a população com o objetivo de diminuir o risco.
o Intervenções Preventivas Seletivas – são dirigidas ou orientadas para pessoas ou
grupos de população cujos riscos de desenvolver perturbação mental, é
significativamente superior à média.
o Intervenções Preventivas Indicadas – são dirigidas para pessoas em risco que
apresentam sinais e sintomas mínimos de uma determinada perturbação mental
e/ou marcadores biológicos que indiquem uma predisposição para a perturbação
mental, mas que ainda não cumprem os sintomas do diagnóstico;

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Em Enfermagem de que falamos?

Saúde Mental e/ou Psiquiatria Preventiva? Depende do foco. Importa aumentar o bem-
estar e deslocar o enfoque nos problemas para o ganho de competências e soluções para as
situações vividas.

Psiquiatria Comunitária

“Psiquiatria comunitária é responsável pelo tratamento amplo das pessoas com doenças
mentais severas na comunidade em geral” (Kaplan, 2002).

Engloba:
• Saúde Mental Comunitária;
• Psiquiatria Preventiva;
• Psiquiatria de longo alcance;
• Psiquiatria de Saúde Pública;

O Modelo Comunitário:
• Acrescenta ao entendimento da prevenção (vista como a redução de riscos), a Promoção
da Saúde, que enfatiza o Empowerment;
• Neste Modelo a comunidade é o cliente;
• Importa aumentar o Bem-estar e deslocar o enfoque nos problemas para o ganho de
competências e soluções para as situações vividas;

Saúde Mental comunitária:


• Abordagem dos problemas comunitários que rejeita a noção de défice e defende o
princípio do ajustamento do indivíduo ao seu meio, da relatividade cultural e da
diversidade, que transforma o objetivo da intervenção social no fornecimento de recursos
materiais, educacionais e psicológicos de suporte, aos indivíduos e grupos de uma
comunidade que assim, podem viver segundo formas diferentes da sociedade em geral.

Visando a Promoção da Saúde Mental

Paradigma da Saúde Pública:


• Surge ligado à erradicação das doenças infeciosas;
• Sistematiza intervenção preventiva pelo estudo das interações agente-hospedeiro;
• As primeiras intervenções foram simples:
o Identificar o agente causal (nocivo) – período pré patogénese – tentar removê-lo
ou neutralizá-lo;
o Fortalecer o hospedeiro relativamente ao agente nocivo identificado – período
patogénico;
• Estrutura-se a classificação dos 3 níveis de prevenção:
o Primária – R/c esforços de proteção a agentes patogénicos (pré patogénese);
o Secundária – R/c Deteção e tratamento precoce da doença (patogénese);
o Terciária – R/c Reabilitação dos défices causados pelas doenças;

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Resultados positivos com redução de óbitos por doenças infeciosas  Estimula a
aplicação do modelo para prevenir a perturbação mental  Revela limitações na aplicabilidade
e resultados.

Paradigma do Stresse:
• Surge com fisiologistas que exploram, em animais, relações entre exposição a estímulos
stressantes e ocorrência de alterações organísmicas;
• Surge evidência que comprova relação entre stressores e alterações químico-fisiológicas
nosorganismos (Selye,1956);
• Aumento da investigação neste domínio estabelece relação entre acontecimentos de vida
stressores e ocorrência de doenças físicas (doença coronária, gastrointestinal, pulmonar,
entre outras);
• O stress no domínio da psiquiatria foi postulado por Meyer, defendendo que mesmo os
acontecimentos de vida diários (não especificando ou enaltecendo acontecimentos
catastróficos ou raros) são fatores preponderantes na etiologia das condições
psiquiátricas;
• Entende-se por stressor “qualquer acontecimento que crie perturbação ao organismo”
(Moreira, 2005:182);
• Albee (1985) sugere uma abordagem alternativa ao Paradigma da Saúde Pública, pela
importância que o papel do stress assume;
• Desenvolve um Modelo de incidência da doença mental (na perspetiva da identificação e
controle dos fatores) construído em redor de um conceito organizador sob formato de
fórmula:
Fatores orgânicos e stressores
• 𝐼𝑛𝑐𝑖𝑑ê𝑛𝑐𝑖𝑎 = Estratégias de coping, ;
autoestima e grupos de suporte
• Em Portugal, Vaz Serra é um dos autores de referência neste assunto (autor de O Stress
na vida de todos os dias);

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Paradigma dos Fatores de Risco e de Proteção:
• Deriva do Modelo de Saúde Pública, que no domínio da saúde mental não consegue
estabelecer relações diretas de causa-efeito;
• Associa a existência de perturbação mental a múltiplos fatores de risco (biológicos,
psicológicos, sociais, ecológicos);
• Emerge a dimensão preventiva da saúde mental (psiquiatria preventiva);
• Intervenções Preventivas Universais - são dirigidas ao público em geral ou a toda a
população com o objetivo de diminuir o risco;
• Intervenções Preventivas Seletivas – são dirigidas ou orientadas para pessoas ou grupos
de população cujos riscos de desenvolver perturbação mental, é significativamente
superior à média;
• Intervenções Preventivas Indicadas – são dirigidas para pessoas em risco que
apresentam sinais e sintomas mínimos de uma determinada perturbação mental e/ou
marcadores biológicos que indiquem uma predisposição para a perturbação mental, mas
que ainda não cumprem os sintomas do diagnóstico;
• Atualmente, designam-se fatores de risco por Determinantes de Saúde;
• Determinantes de Saúde Mental são multifatoriais (evidência sugere que a origem das
perturbações mentais decorre da interação de vários fatores: individuais, familiares,
sociais, económicos, educativos);

Fig.1 - Quadro referência para a Promoção da Saúde Mental na Europa

• Determinantes de Saúde Mental

Rutter (1995) identifica 6 fatores de risco para a perturbação mental: 1) Conflito conjugal
grave (pais); 2) Baixo nível socioeconómico; 3)Perturbação psicológica da mãe; 4) Família
numerosa; 5) colocação extrafamiliar e 6) criminalidade parental;

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• Principais conceitos em Saúde Mental


Saúde Mental: "estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode
fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a
comunidade em que se insere“ (OMS)
Doença Mental: esta inclui perturbações e desequilíbrios mentais, disfuncionamentos
associados à angústia, sintomas e doenças mentais diagnosticáveis, por exemplo, a esquizofrenia
e a depressão
Resiliência: “a capacidade do individuo para uma adaptação bem-sucedida, funcionamento
positivo ou competências na presença de adversidade, envolvendo múltiplos riscos e ameaças
internas e externas, ou ainda, a capacidade de recuperação na sequência de uma experiência
traumática prolongada“ (Moreira, 2005, p.144-145). “Predisposição individual para resistir às
consequências negativas do risco e desenvolver-se adequadamente” (Luthar, 1991).
Vulnerabilidade: “a predisposição individual para desenvolver variadas formas de
psicopatologia ou comportamentos não eficazes ou susceptibilidade para um resultado negativo
no desenvolvimento” (Luthar, 1991).
Coping: “o acto de adaptação psicológica, física ou comportamental com sucesso, aos
problemas ou aos factores de stresse” (Neeb, 2000).
Fator de Risco: “atributo ou característica individual, condição situacional e/ou contexto
ambiental que aumenta a probabilidade de determinada condição disfuncional ou patológica”
(Moreira, 2005).
Fator Protetor: “atributo ou característica individual, condição situacional e/ou contexto
ambiental que inibe, reduz ou atenua a probabilidade de determinada condição disfuncional ou
patológica” (Moreira, 2005).
Bem-estar: conceito subjetivo que cada pessoa deve procurar definir para si.
Empowerment: como processo de capacitação do outro.

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2. ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL NA COMUNIDADE

► NOTA:
► Indique duas medidas que permitiram a pessoa com perturbações mentais vivessem na
comunidade.
o Introdução de psicofármacos;
o Criação de recursos na comunidade (ET’s, consultas externas dos hospitais e
integração profissional dessas pessoas).

 No mundo e em Portugal

Os problemas de saúde mental constituem atualmente:


- principal causa de incapacidade;
- uma das mais importantes causas de morbilidade na sociedade.

 Dados Epidemiológicos

Em todo o mundo, as perturbações mentais equivalem a uma média de 31% dos anos
vividos com incapacidade, estimando-se na Europa um índice de 40%

▪ No Mundo
o A depressão e as demências mais violência vão ser as primeiras cargas de
doença mental no mundo.

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▪ No Mundo … há défice no tratamento

▪ OMS, revela % quanto ao défice de tratamento


o 78% das pessoas com adição não tinham tratamento

▪ OMS, sugere integração da Saúde Mental nos Cuidados de Saúde Primários,


porque:

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▪ OMS, propõe esquema piramidal de organização de serviços, para otimização de
recursos para a Saúde Mental:
o Cuidados comunitários informais, p.e. vizinhos, amigos, família, padre…

▪ The Global Shape of Mental Healt services: WHO Model V/s Portugal:
o Algo não está correto. Ainda existe muito trabalho para fazer no que diz
respeito aos Cuidados de Saúde Primários

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 OMS, entende por serviços de saúde mental comunitários

Existem Serviços de Saúde Mental especializados, na comunidade, que suportam a


desinstitucionalização, como por exemplo:
- Centros de Dias;
- Serviços de Reabilitação;
- Equipas móveis;
- Comunidades Terapêuticas;
- Residências com Supervisão;
- Lares comunitários;
- Apoio domiciliário,

 OMS, e a referência aos serviços informais

Cuidados Comunitários Informais:


- Não pertencem ao sistema de Saúde nem ao sistema social formal, surgindo como um
tipo de serviço prestado na comunidade por outros profissionais (professores, guias espirituais,
policias, missionários, voluntários, associações, ONG’s,…) que podem contribuir para prevenir
recaídas dos clientes, mas não devem constituir-se como o núcleo central da prestação de
serviços de Saúde Mental de um país.

Cuidados Autogeridos:
- Constituem-se como a base da pirâmide de serviços sugerida pela OMS, da qual todos
os outros cuidados dependem;
- Consistem na capacitação da pessoa para autogerir o seu problema de saúde mental,
com suporte familiar ou de amigos/ pessoa significativa;
- A pessoa adquire um papel participativo no seu regime terapêutico;
- São um conjunto de cuidados que devem ser promovidos independentemente do
problema de saúde ser mental ou físico;
- São cuidados bastante efetivos, se apoiados por programas de promoção da saúde,
quando à melhoria da literacia com saúde mental;
- A literacia em saúde mental visa aumentar a compreensão da pessoa com
conhecimento sobre as causas da perturbação mental, tratamento e recursos para obter ajuda.

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▪ OMS, Esquema das 7 condições facilitadoras da integração da Saúde Mental nos
Cuidados de Saúde Primários

 Em território Nacional, a Saúde Mental

Prioridade da política de saúde dos XVII e XVIII, governos:


- Baseada na assinatura da Declaração da OMS em Helsínquia em 2005;
- Comunidade europeia responde com a publicação do livro verde “melhorar a saúde
mental da população. Rumo a uma estratégia de saúde mental para a união europeia”;
- Em 2006, em Portugal constitui-se a Comissão Nacional para Reestruturação dos
serviços de saúde Mental;
- Produziu um relatório e elaborou o Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM) –
(2007/2016). (tendo sido elaborado o 1º plano para Saúde Mental a partir deste relatório)

▪ Dados do Relatório relevam:


o Importância da Desinstitucionalização e encerramento de hospitais
psiquiátricos;
o Importância da integração da Saúde Mental nos Cuidados de Saúde
Primários;
o Vários estudos nacionais revelam que problemas de Saúde Mental surgem
como 2º e 4º, motivos de consulta nos Cuidados de Saúde Primários;
o Os Cuidados de Saúde Primários devem ser o 1º recurso na abordagem
dos problemas de saúde mental dos clientes e da família.
o XXI Governo e Despacho nº 3454/ 2017 (Diário da República).

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▪ Medidas Operacionais do PNSM1:


o Constituição de equipas multidisciplinares (médico, psicólogo, assistente
social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, outros);
o Criação de estruturas multidisciplinares para a prestação de cuidados
continuados integrados de saúde mental (CCISM);
o Estas estruturas deveriam articular-se na Rede Nacional de Cuidados
Continuados Integrados (RNCCI) e com os Serviços Locais de Saúde
Mental (SLSM) constituindo-se a Rede de Cuidados Integrados de Saúde
Mental (existindo na mesma ainda algumas fragilidades);

▪ PNSM e RNCCI2:
o A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), é um novo
modelo organizacional criado pelos Ministérios do Trabalho e da
Solidariedade Social e da Saúde, é formada por um conjunto de instituições
públicas e privadas que prestam cuidados continuados de saúde e apoio
social.

 Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental


Saúde Mental:
- Portaria nº183/2011, de 5 de maio:
- Define os preços dos cuidados continuados integrados de saúde mental prestados
pelas unidades residenciais, unidades sócio ocupacionais e equipas de apoio domiciliário;
- Portaria n.º 149/2011, de 8 de abril:
- Estabelece a coordenação nacional, regional e local das unidades e equipas
prestadoras de cuidados continuados integrados de saúde mental;
- Decreto-Lei n.º 22/2011, de 10 de fevereiro:
- Clarifica os termos da responsabilidade civil das unidades, equipas e pessoal da
rede de cuidados continuados integrados de saúde mental, procedendo à primeira alteração e à
republicação do Decreto-Lei n.º 8/2010, de 28 de Janeiro, e à terceira alteração ao Decreto-Lei n.º
35/99, de 5 de Fevereiro;
- Despacho n.º 15229/2010, de 7 de outubro:
- Estabelece as competências, no âmbito da UMCCI, da equipa de projeto encarregue
da prossecução das incumbências relativas às respostas de cuidados continuados integrados de
saúde mental;

1 Plano Nacional de Saúde Mental


2 Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados

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- Decreto-Lei n.º 8/2010, de 28 de janeiro:
- Cria um conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de
saúde mental, destinado às pessoas com doença mental grave de que resulte incapacidade
psicossocial e que se encontrem em situação de dependência.

 Medidas Operacionais do Plano Nacional de Saúde Mental

 Estruturas Multidisciplinares
As estruturas multidisciplinares são de 3 tipos:
- Equipas de apoio domiciliário; (IPSS tiram o trabalho do SNS)
- Unidades sócio- ocupacionais;
- Unidades residenciais:
-Residências de treino de autonomia;
- Residências autónomas de saúde mental;
- Residências de apoio moderado;
- Residências de apoio máximo.

 Equipas de apoio domiciliário


Intervêm nos domicílios do cliente;
Contribuem para a supervisão/ gestão da terapêutica farmacológica;
Prestam ajuda nos cuidados pessoais e atividades de vida diárias;
Contribuem para a supervisão/ gestão da gestão doméstica e financeira, como:
- Realização de compras; tratamento de roupas; manutenção da habitação; utilização
dos transportes públicos e outros recursos comunitários.

 Unidades Sócio- ocupacionais


Localizam-se na comunidade (IPSSs);

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Destinam-se a pessoas com grau reduzido ou moderado de incapacidade psicossocial com
disfuncionalidades na área relacional, ocupacional e de integração social;
A sua finalidade visa:
- A promoção da autonomia do cliente;
- A estabilidade emocional;
- A participação social, para facilitar a integração social, familiar e profissional.

 Unidades Residenciais
Localizam-se maioritariamente na comunidade;
Respondem a níveis diferentes de necessidades;
Asseguram a prestação de cuidados médicos e socias.
Existem:
- Residências de treino de autonomia;
- Residências autónomas de saúde mental;
- Residências de apoio moderado;
- Residências de apoio máximo.

 RELATÓRIO DO PReSaMe
Estudo realizado na Península de Setúbal: Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo,
Palmela, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal

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3. PSICOEDUCAÇÃO

- pode ser uma estratégia de intervenção para com a família de pessoas com perturbações
mentais;

O que distingue a educação para a saúde para a psicoeducação?


- uma é mais específica que a outra;
- a perturbação mental não é tão bem aceite na sociedade como uma perturbação física (ex: AVC);

-> a psicoeducação tem sempre integrada a família:


- Porque esta é o principal suporte da pessoa com perturbação mental;
- Para que a família possa aceitar as limitações do seu familiar;
- Para aprender a gerir os sintomas do familiar com perturbação mental;
-> Quando as famílias estão fragilizadas não conseguem perceber o “porquê a elas” e por isso é
necessário trabalhar primeiro com a família separadamente da pessoa com perturbação;

• A psicoeducação constitui-se numa intervenção chave para aumentar a adesão ao


tratamento e melhorar as condições da gestão da doença a longo prazo. (Colom e Vieta,
2004)
• A medicação psicotrópica reduz a líbido e aumenta o apetite – aumentam de
peso, entre outros aspetos e por isso as pessoas recusam-se ou deixam de
realizar a medicação devido às suas consequências;
• Por isso é necessário manter a família em contacto para que esta possa ser
parceira do enfermeiro no controlo da toma da medicação e encontrando
estratégias para minimizar os efeitos secundários da medicação (ex:
alimentação mais baixa caloricamente -> menor risco de aumentar peso);
• Se não conseguimos uma adesão eficaz ao tratamento temos pessoas que
podem vir a causar danos a si próprias/outros;
• Foi utilizado pela primeira vez por Anderson, Hogarty e Reiss (1980);
• Enquanto método de intervenção a desenvolver com pessoas com esquizofrenia;
• Referia-se a material didático e estratégias terapêuticas especificas da gestão de stress,
dirigidas a todos os membros da família;

• Goldman (1988) define-a como:


“a educação e a formação de uma pessoa que sofre de um distúrbio psiquiátrico, nos domínios do
tratamento e da readaptação:

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- Aceitação da doença;
- Cooperação activa do tratamento e readaptação;
- Aquisição de habilidades que compensam os défices resultantes das doenças”

A psicoeducação entende-se como um conjunto de abordagens orientadas em dois vetores:


1. Ajudar a pessoa com perturbação mental e seus familiares a aprender o que precisam
sobre a doença mental e a dominar novas formas de lidar com ela e com os problemas do
quotidiano; (A pessoa precisa de compreender o que tem para poder agir – empowerment)
2.Reduzir o Stress familiar e providenciar suporte social e encorajamento; (Para que a
família se mantenha como suporte dos cuidados; se a família se desorganizar entra em
processo de perturbação mental; Não é fácil para uma família admitir que tem um familiar
com perturbação mental “o que é que fizemos de errado?” – dizemos “Há circunstancias
distintas que fizeram isto acontecer e existem mais famílias nessa situação, quer conhece-
los?”; quando as famílias estão muito perdidas aceitam – Intervenções psicoeducativas com
grupos familiares – só os pais, só os irmãos, Intervenções com grupos múltiplos de famílias
– vários familiares: primo+tio+avó, Intervenção única familiar – quando a família não aceita
ir ao grupo; Dentro dos grupos encontram respostas que sozinhos não encontrariam)
É cada vez mais importante considerar a necessidade de abordagens integradas, que
incluam tratamento farmacológico e estratégias psicossociais na resposta às necessidades da
pessoa com esquizofrenia e a sua família.
30 a 40% das pessoas com perturbação mental apresenta resistência à terapêutica
farmacológica.
Cada vez mas se reconhece que o tratamento farmacológico, por si só é claramente
insuficiente para a recuperação da pessoa com perturbação mental.
As intervenções psicoeducativas são uma importante abordagem global e compreensiva no
tratamento da perturbação mental.

Objetivos da psicoeducação:
1. Conseguir os melhores resultados clínicos e funcionais para a pessoa com perturbação
mental, através de abordagens que integrem a colaboração entre profissionais de saúde,
famílias e pessoas com perturbações mentais;
2. Aliviar o sofrimento dos membros da família, para potenciar a reabilitação da pessoa de
quem cuidam;
As intervenções psicoeducativas incorporam princípios que procuram ir de encontro às
necessidades das famílias, contribuindo para melhorar a situação do doente e do bem estar da
família
A abordagem psicoeducativa é baseada nos princípios da relação de ajuda profissional e
compreende o sofrimento emocional das famílias como alvo a reduzir;

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- Foco importante de atenção para a prática de enfermagem
Todos os estudos demonstram que as intervenções psicoeducativas junto do doente e
família diminuem:
- Taxa de recaída;
- Duração da hospitalização;
- Aumenta a adesão ao tratamento;
- Diminuem o isolamento social;
Dirige-se tanto à pessoa como à família, em sessões individuais ou de grupo;
Foi-se diversificando ao longo do tempo, dando origem a diferentes formas e diferentes orientações:
- Enfoque educativo; da pessoa e da família
- Enfoque terapêutico; porque quando eu ajudo a reduzir o stress aumento a disponibilidade
para a família cuidar da pessoa;

Processo da Psicoeducação:
1) Avaliação inicial
Avaliação das necessidades individuais do cliente e da família com recurso a entrevistas e
aplicação de escalas;
- http://www.psychoeducation.com/
- http://www.espace-socrate.com/

Qualquer dos enfoques envolve três dimensões:


1. Dimensão pedagógica (papel informativo); efeitos secundários, o que faz a terapêutica o
que não faz, o que é a doença, sintomas;
2. Dimensão psicológica (papel de suporte, alívio do peso emocional e trabalho de luto
relacionado com as perdas desencadeadas pela doença);
3. Dimensão comportamental (papel adaptativo através da modificação de
comportamentos); tornar o utente o mais autónomo possível;

Dimensão pedagógica:
- Informação clara e explícita com base nos conhecimentos científicos atuais, sobre:
a) Natureza da doença;
b) Etiologia;

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c) Medidas terapêuticas;
d) Prevenção de recaídas e manutenção da saúde;
e) Viver melhor com a sua doença;

Dimensão psicológica:
- Revelação do diagnóstico a propor, muito progressivamente;
- Reforçar a esperança, explorando o reconhecimento do fenómeno e as experiências
subjetivas;
- Constitui um dos pontos essenciais para os cuidadores informais;
- Grupos de família;

Dimensão comportamental:
- Favorece a mudança de comportamentos no sentido da adaptação:
1) Habilidades de comunicação;
2) Habilidades de resolução de problemas;
3) Capacidade de estabelecer limites;
4) Procurar ajuda adequada;
5) Criar e manter uma rede social;
6) Auto afirmação e auto confiança;

Ao longo de todas as sessões serão realizados exercícios práticos, serão mobilizadas


experiências e promovida a partilha de experiências; (vamos sempre reforçando as questões
relacionadas com a doença em si;)
Serão realizados trabalhos entre as sessões, leituras e registos;
Avaliações parciais e final;

As intervenções psicoeducativas permitem conferir um papel mais ativo da família e a


pessoa com perturbação mental no processo de tratamento, promovendo um ambiente mais
estruturado, que proporcione apoio, e também algum grau de expectativas e exigências em
relação à pessoa com perturbação.
As principais componentes das intervenções familiares, compreende os seguintes aspetos:
1. Avaliação familiar;

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2. Informação acerca da doença e formas de tratamento;
3. Treino de competências de comunicação;
4. Técnicas de resolução de problemas;
5. Adesão ao tratamento;
6. Gestão da crise e apoio familiar continuado;

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4. PESSOA COM PERTURBAÇÃO DA ANSIEDADE


Perturbações da Ansiedade são as mais comuns de todas as perturbações mentais;
Provocam incapacidade funcional e sofrimento;
Maior prevalência em mulheres do que homens, numa proporão de 2:1;
No mundo, na população em geral:
- 3 a 4% tem Perturbação da Ansiedade Generalizada e Perturbações de Pânico;
- 2 a 3% tem Perturbação Obsessiva Compulsiva;
- 8% tem Perturbação Pós-Stress traumático;
- 13% tem Perturbação da Ansiedade Social;
-- 22% tem Fobias.

As formas mais comuns de doença mental na União Europeia são as perturbações ansiosas
e a depressão. No ano de 2020, prevê-se que a depressão seja a primeira causa de morbilidade
nos países desenvolvidos.

A doença mental custa à União Europeia cerca de 3 a 4% do PIB, sobretudo através da


perda de produtividade. As doenças mentais são uma das principais causas de reforma antecipada
e de pensões por invalidez.
As perturbações mentais em Adultos, em Portugal apresenta a 2ª taxa mais elevada dos 9
países participantes: perturbações de ansiedade (16,5%) e impulsividade (3,5%).
1 em cada 5 pessoas da amostra apresentou uma perturbação psiquiátrica nos 12 meses
anteriores à entrevista.

 Dados Epidemiológicos Nacionais


Portugal é um dos países com maior procura espontânea de consulta nos Cuidados de
Saúde Primários.

- Mulheres apresentam mais perturbações depressivas e perturbações de ansiedade;


- Mulheres apresentam mais perturbações de controlo de impulsos e de perturbações
por abuso de substâncias;
- Pessoas com nível social média baixa de educação apresentam mais perturbações de
controlo de impulsos e de abuso de substâncias;

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- Existe ainda uma percentagem importante de cidadãos permanecem sem acesso a
Cuidados de Saúde Mental.

► O Conceito de Ansiedade é confundido como sinónimo de Stress

• Síndrome Geral de Adaptação


Surge com fisiologistas que exploram em animais, relações entre exposição a estímulos
stressantes e ocorrência de alterações organísmicas;
Surge evidência que comprova relação entre stressores e alterações químico-fisiológicas
nos organismos.

Existem respostas fisiológicas iniciais ao Stress, como por exemplo:


- Na medula adrenal: norepinefrina e epinefrina libertados;
- No Sistema Cardiovascular: aumento da contração cardíaca; aumento do débito
cardíaco; aumento da frequência cardíaca; aumento da pressão sanguínea;
- (…)
Existem respostas fisiológicas ao Stress continuado, tais como:
- Na Glândula Pituitária: a vasopressina (ADH) aumenta a pressão sanguínea e a
retenção;
- (…)

A esta complexa reação geral do organismo Selye chamou de Síndrome de Adaptação


Geral (SAG) tendo-a descrito em 3 estádios distintos:

 1º Estádio - Alarme:
o Tem inicio as respostas fisiológicas da síndrome de luta ou fuga. Ocorrem em
situações de emergência (susto/ medo);

 2º Estádio - Resistência:
o Pessoa utiliza as respostas do estádio anterior, tentando adaptar-se como
defesa, ao agente stressor;
▪ Agente Stressor é definido como “um fator biológico, psicológico, social
ou químico que cause tensão física ou emocional e que pode ser um
fator na etiologia de certas doenças”;
▪ Este agente stressor influência o Corpo – Mente – Emoções –
Comportamento;
71 | P á g i n a
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 3º Estádio - Exaustão:
o Decorre de exposição prolongada ao agente stressor, ao qual o organismo foi
tentando adaptar-se;
o A energia adaptativa esgota-se e a pessoa já não consegue utilizar os
mecanismos/ recursos adaptativos descritos nos estádios anteriores (“não me
consigo adaptar então começo a adoecer”);
o Existe risco elevado de surgirem doenças de adaptação (cefaleias,
perturbações mentais, doença coronária, úlceras, colites, …);
o Sem ajuda profissional, que vise reverter a situação, ocorre risco de exaustão
e,, em algumas situações, morte.
 STRESS… COMO:

• Acontecimento Ambiental (Teoria de Life Events):


o Qualquer acontecimento de vida origina alterações no padrão de vida das
pessoas e famílias;
o Implica a necessidade de respostas adaptativas ao estilo de vida e, podendo
sobrecarregar os recursos pessoais e familiares disponíveis;
o Sendo alterações positivas ou negativas, existe sempre interferência no ritmo
estável, existente no padrão de vida pessoal e/ou familiar.

▪ Recursos:
• Escala de Reajustamento Social;
• Questionário de Mudanças de vida Recentes (QLCQ).

• Relação entre a Pessoa e Ambiente:


o Autores definem stresse como uma relação entre a pessoa e o ambiente, quando
esta sente que a mesma a sobrecarrega ou irá exceder os seus recursos,
colocando em risco o bem-estar;
o Compreende-se que importa o significado que cada pessoa atribui ao evento
stressante;
o A atribuição de que o evento é stressante para essa pessoa, dependerá da
avaliação que a mesma faz;
o Existem 2 tipos de avaliação do evento pela pessoa: avaliação primária e
secundária.

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Acontecimento Precipitante

Fatores Predisponentes
(Influências genéticas;
Experiências passadas;
Condições existentes)

Avaliação Cognitiva

Primária (não nos causa mau estar)

Irrelevante Benigna/ Avaliação de Stress


Positiva

Sem
Resposta Resposta Prejuízo / Ameaça Desafio
Agradável Perda

Secundária (já nos causa mau estar)


- Disponibilidade das estratégias de
coping;
- Perceção da eficácia das
estratégicas de coping;
- Perceção da capacidade de utilizar
estratégias de coping com eficácia.

Qualidade da Resposta

Adaptativa Mal - Adaptativa

 CONCEITOS IMPORTANTES
o Stress: entendido como a reação que cada pessoa demonstra a mudanças que
exijam adaptação, ou respostas que podem ser físicas, mentais ou emocionais;

o Adaptação: entendida como a resposta física ou comportamental de uma pessoa


a qualquer mudança no seu ambiente externo ou interno, que resulta na preservação
da integridade da pessoa, ou regresso ao seu equilíbrio;

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o Mal – Adaptação: ocorre quando a resposta física ou comportamental de uma
pessoa a qualquer mudança no seu ambiente externo ou interno resulta na rutura da
integridade individual ou em desequilíbrio persistente.

 GESTÃO DO STRESS COMO FOCO DE ATENÇÃO DA ENFERMAGEM


A gestão de stress implica a utilização de estratégias de coping, como respostas às
situações stressantes.
Estratégias de coping são adaptativas quando protegem a pessoa dos agentes stresorres,
ou fortalecem os seus recursos para lidarem com as situações stressoras/ desafiadoras.
- Por exemplo: sensibilização, relaxamento, comunicação, meditação, animais de
estimação, música/ dança/ pintura/ …, resolução de problemas.

 FACTOS HISTÓRICOS
Desde sempre o ser humano experiencia a Ansiedade;
Nos séculos XIX e XX os sintomas fisiológicos foram causa etiológica para doenças do
sistema cardiovascular: “coração irritável” ou “taquicardia nervosa”;
Neurose da angústia, foi introduzida por Freud (1895) para refutar as explicações comente
de origem física;
Atualmente, aceita-se a inter-relação mente/ corpo sendo a ansiedade um bom exemplo
desta relação.

 CONCEITOS IMPORTANTES

o Stress: entendido como a reação que cada pessoa demonstra a mudanças que
exijam adaptação, ou respostas que podem ser físicas, mentais ou emocionais;

o Ansiedade: resposta emocional (e.g., apreensão, tensão, inquietação) em


antecipação do perigo, cuja fonte é desconhecida ou não é reconhecida. (resposta
emocional subjetiva a um stressor não identificado)

Como determinar o limite entre a Ansiedade “normal” e patológica? Quando assume


respostas exageradas ou incapacitantes.

 SABER QUE:

Ansiedade enquanto apreensão difusa, associada a sentimentos de incerteza e impotência


… pela compreensão do mundo que cada pessoa faz;

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É predisposta por fatores como: medo do desconhecido e condições de ambiguidade;
Ansiedade, enquanto padrão de resposta primária psicológica ao stress, não é
problemática, se não interfere om o funcionamento normal da pessoa
Quando a pessoa sente que:
- não consegue satisfazer as suas necessidades;
- ocorre aumento gradual dos níveis de ansiedade;
- é mobilizada energia (adicional) para lidar com ameaça(s);
- utiliza diferentes mecanismos de defesa do Ego face a estas ameaças;
- todos estes recursos não aliviam a ansiedade, mas provocam disfuncionalidade;
► ENTÃO A ANSIEDADE ESTÁ A SER PROBLEMÁTICA.

Saúde Mental Doença Mental

Ansiedade Ansiedade

Ligeira Moderada Grave Pânico

Mecanismos de Respostas Respostas


Coping (dormir, Psiconeuróticas Psicóticas
comer, chorar, (fuga, amnésia, (esquizofrenia,
rir, andar, …) fobias, perturbações
obsessões, …) delirantes, …)

Mecanismos de Respostas
defesa do EGO Psicofisiológica
(negação, s (asma, dor,
isolamento, anorexia, dores
racionalização, de cabeça,
regressão, …) cancro, …)

 PERTURBAÇÕES DE PÂNICO

Caracterizados por Crises/ ataques de pânico;


Início imprevisível;
Apreensão intensa, medo ou terror (associações e sensação de desgraça iminente e
desconforto físico intenso;
Sintomas surgem inesperadamente;

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Pelo menos 4 dos seguintes sinais/sintomas têm de estar presentes para ser diagnosticada
Perturbação de Pânico;
- Palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de r, sensação de asfixia,
desconforto ou dor no peito, náuseas ou mal estar abdominal, sensação de tontura, desequilíbrio
ou desmaio, medo de perder o controlo, medo de morrer, parestesias ou arrepios/ calores
repentinos.

 PERTURBAÇAÕ DE ANSIEDADE GENERALIZADA

Os Sintomas devem estar presentes pelo menos há 6 meses (DSM);


Caracterizada por:
- Ansiedade e Preocupação não realista e excessivas, relativamente a acontecimentos
que a pessoa considera difíceis de controlar;
-Inquietação e nervosismo;
- Fadiga fácil;
- Dificuldades de concentração;
- Irritabilidade e tensão muscular;
- Perturbação do sono;
- São comuns sintomas depressivos e queixas somáticas.

 FOBIAS

Medo estimulado pela presença ou antecipação de um objeto, animal ou situação


específicos, cuja exposição provoca (quase sempre) uma resposta de ansiedade imediata ou
ataque de pânico, apesar da pessoa reconhecer que o medo é excessivo e não razoável.
O estímulo fóbico é evitado ou suportado com nítida angústia.

 PERTURBAÇÃO PÓS-STRESS TRAUMÁTICO

Desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um stressor traumático


extremo, que envolve uma ameaça pessoal à integridade física, ou à integridade física de outras
pessoas.
Os sintomas estão associados a acontecimentos que seriam muito angustiantes
praticamente para qualquer pessoa.

76 | P á g i n a
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 DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM:

 Diagnósticos:
o Medo;
o Impotência;
o Coping Ineficaz;
o Isolamento Social;
o Capacidade para … (ausente).

 Intervenções:
o Acompanhar a pessoa;
o Manter abordagem calma;
o Usar palavras simples e mensagens breves;
o Identificar situações que elevam ansiedade.

NOTA: Quando os enfermeiros levantam um diagnóstico não podem levar o de Ansiedade, pois
este é um diagnóstico médico.

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PROCESSO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM A


PESSOA COM COMPORTAMENTOS DA ESFERA
SUICIDÁRIA

- Clarificação do Nome: Suicídio e Conceitos


• Vocabulário utilizado pla primeira vez pelo Abade Prévost.
• Em 1734, Suicídio deriva de duas palavras latinas:
o SUI, de si mesmo
o CAEDERE, de matar

- Conceitos

• Ideação Suícida
o Consiste em “pensamentos e cognições sobre acabar com a própria vida”
In Questionário de Ideação Suicida

OU
o “(…) pode ser considerada o primeiro marcador de risco suicida. Quando persiste,
evolui frequentemente para comportamentos suicidários com final fatal”
(Moreira, 2009)

• Para - Suicídio
o Consiste num “Ato não fatal, na sequência de um comportamento invulgar,
protagonizado por um individuo sem a intervenção de outrem, que provoca Auto
lesão ou ingere uma substância em sobredosagem par além do prescrito ou dose
reconhecida como terapêutica, e que visa mudanças desejadas pelo individuo,
quer através desse ato, quer através de eventuais consequências físicas”
CID 10

OU
o “ato ou comportamento não fatal, eventualmente não habitual num dado indivíduo
e com o qual ele não tem clara intenção de morrer, mas no qual se arrisca a danos
em si mesmo (mais ou menos graves) caso não exista a intervenção de outrem”
OMS

78 | P á g i n a
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• Tentativa de Suicídio
o Consiste no “comportamento autodestrutivo com as características específicas:
desempenhar atividades Auto iniciadas que levam à autodestruição, com o
objetivo de se matar ou ameaçar fazê-lo”
CIPE

OU
o “todo o ato não fatal de automutilação ou autoenvenenamento, o que no caso das
intoxicações medicamentosas significa que a dose prescrita foi deliberadamente
ultrapassada”
OMS

• Suicídio
o Consiste no “acto de acabar com a própria vida, deliberadamente”
OMS

OU
o “comportamento autodestrutivo com as características específicas: execução de
atividades suicidas que levam à própria morte”
CIPE

OU
o “Consiste na “Autodestruição por um acto deliberadamente realizado para
conseguir este fim”
ADRIANO VAZ SERRA

- Evidência Disponível
• Problema de saúde pública;
• Fenómeno complexo e multidimensional;
• Dados da OMS reportam 788000 de suicídios/ano (2015);
• Estimativa de 20 comportamentos da esfera suicidária por cada suicídio consumado;
• Problema que afeta várias pessoas (familiares, amigos, vizinhos, colegas de escola ou
trabalho, comunidade);
• No espaço europeu surge como a 2ª causa de morte de jovens entre os 15 e os 24 anos.

- Em Portugal
• Tx.: 11,7 (100.000);
• Maior incidência Coimbra (jovens) e Alentejo (idosos);
• Grupo de população mais propenso: idosos;
• Comportamentos para-suicidários ocorrem maioritariamente em jovens ocorrendo
distribuição uniforme a nível nacional;
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- Emergência Psiquiátrica Frequente


• A Ideação ou Tentativa pode estar associada a:
o Outras doenças psiquiátricas (determinante de saúde mais grave – Depressão);
o Abuso de Substâncias;
o Perturbações situacionais ou de crise agudas (perdas de entes queridos e que
não consegue lidar com a perda).

- Quadro Referencial
• Basicamente, todas as teorias estão integradas em quatro modelos:

o O Modelo Psicológico, que considera as perspetivas psicodinâmica e


psicológica integrada, considerando que o “suicídio é o resultado de um conflito
interno do indivíduo” (conflito que não consegue resolver, mas não pede ajuda);
o O Modelo Nosológico “relaciona o suicídio com alterações psicopatológicas
surgidas no decurso da doença mental, sendo, portanto, um sintoma de uma
condição subjacente” (qualquer alteração psicopatológica é um determinante
importante. Border Line, depressão, etc -> aumenta o risco);
o O Modelo Sociológico no qual “o suicídio é o comportamento previsível que se
segue a uma determinada posição do indivíduo na sociedade e na situação vital”
(é a sociedade que não ajuda a pessoa a organizar-se e por isso suicida-se);
o O Modelo Integral no qual se considera a existência de uma confluência de
fatores (englobando as dimensões psiquiátrica, familiar, psicológica e social) na
origem dos comportamentos suicidários em geral, e também nos adolescentes
(integração de todas as anteriores);

(Sampaio considera que um adolescente que apresente qualquer manifestação clínica de


perturbação mental deve ser tomado em linha de conta as dimensões familiar e social, não
esquecendo a provável relação com o seu processo de resolução das tarefas da adolescência.)

- Importante!
• Qualquer manifestação direta ou indireta de um comportamento do espectro suicidário
tem sempre que ser considerada e valorizada pelos enfermeiros.
o O Perigo e o Risco de morte são sempre sérios;
o Muitos teóricos sustentam a tese de que as tentativas de suicídio constituem
“Gritos” ou “Pedidos” de ajuda mais do que verdadeiras tentativas de morte;
o Sampaio identificou quatro tipologias de comunicação em adolescentes que
realizaram tentativas de suicídio: Apelo, Desafio, Renascimento e Fuga, em que
o fator comum a todas elas é um pedido ou apelo do adolescente à mudança.

80 | P á g i n a
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NOTA:
- Apelo = pedido de ajuda
- Desafio = vou tentar arriscar e aumentar o risco até conseguir o suicídio
- Renascimento = a pessoa quer matar uma parte do seu corpo, -> acontece nas pessoas
vítimas de abuso sexual
- Fuga = normalmente intoxicação medicamentosa

- Determinantes do Suicídio

Dinâmicas ou Estáticos ou Não


Modificáveis Modificáveis

Depressão
Idade
Ansiedade
Género
Desesperança

Uso de substâncias
História de Tentativas
Intoxicações e
de suicídio anteriores
Acesso a meios letais

- Determinantes do Suicídio (Fatores de Risco)

Psicopatológicos Pessoais

Psicológicos Socais

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• Psicopatológicos
o Depressão, esquizofrenia, alcoolismo, toxicodependência, distúrbios da
personalidade, Modelos suicidários familiares/pares sociais ou media.
o Comportamentos suicidários prévios, ameaça ou ideação suicida com plano
elaborado;

• Pessoais
o Ter idade entre os 15 e 24 anos ou mais de 45;
o Ser do género masculino e raça caucasiana;
o Morte do cônjuge ou de amigos íntimos;
o Escolaridade elevada; • Presença de doenças de prognóstico reservado;
o Hospitalizações frequentes (psiquiátricas e outras)
o Família atual desagregada: por separação, divórcio ou viuvez;

• Psicológicos
o Ausência de Projetos de vida;
o Desesperança contínua ou acentuada;
o Culpabilidade acentuada por atos praticados ou experiências passadas;
o Perdas precoces de figuras significativas (pais, irmãos, cônjuges, filhos, outros);
o Ausência de crenças religiosas.;

• Socais
o Habitar em meio urbano;
o Residir em meio rural a sul do Tejo;
o Desemprego;
o Mudança de residência;
o Emigração;
o Falta de apoio familiar e/ ou social;
o Reforma;
o Acesso fácil a agentes letais (pesticidas ou armas de fogo);
o Estar preso.

- Principais Sinais e Sintomas de Suicídio


• Depressão, melancolia, grande tristeza, desesperança e pessimismo (falar muito na
morte, tudo parecer negativo, perdido);
• Insucesso escolar;
• Apatia pouco usual, letargia, falta de apetite;
• Sentimentos intensos de baixa de autoestima;
• Insónia persistente, ansiedade ou angústia permanente;
82 | P á g i n a
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• Abuso de álcool, droga ou fármacos;
• Grande impulsividade, agressividade;
• Dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo;
• Afastamento ou isolamento social;
• Dizer adeus, como se não o(a) voltássemos a ver;
• Oferecer objetos ou bens pessoais valiosos

- Sinais de Risco e Alarme, Fatores Precipitantes e Risco Iminente


(Suicídio)

- Indicações para a Comunicação Social


• O que fazer?
o Trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde quando da apresentação
dos factos;
o Referir-se ao suicídio como consumado e não como bem-sucedido;
o Apresentar apenas os dados relevantes, nas páginas interiores;
o Realçar as alternativas ao suicídio;
o Fornecer informações sobre linhas de ajuda e recursos comunitários;
o Publicar indicadores de risco e sinais de aviso.

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• O que NÃO fazer?


o Não publicar fotografias ou notas de suicídio;
o Não noticiar detalhes específicos do método usado;
o Não apresentar razões simplistas;
o Não glorificar ou sensacionalizar o suicídio;
o Não usar estereótipos religiosos ou culturais;
o Não dividir a culpa

- Itens Orientadores da Avaliação Inicial


• Dados Pessoais
• História do problema ou doença atual
• Antecedentes pessoais de saúde (incluindo os antecedentes psiquiátricos)
• Antecedentes familiares e avaliação familiar
o Averiguar suicídios anteriores na família
o Analisar a situação perante identificação/imitação
• Situação Psicossocial (recursos sociais)
• Avaliação do estado mental (aparência e comportamento, nível de consciência e
orientação, Pensamento e conteúdo do pensamento, Memória, Discurso e
capacidade para comunicar, Humor e afeto, Decisão e perceção).
• Fatores stressores desencadeantes
o Identificar fatores sentidos como intensos e intolerantes
o Identificar capacidade de autovalorizarão
o Identificar estratégias de coping eficazes

- Instrumentos de Medida para Avaliar o Risco de Suicídio


• Questionário de Ideação Suicida (QIS) Ferreira, J., Castela, M. (1999);
• Escala sobre a Felicidade. Oliveira, J.B. (2001);
• Reasons for Living Iventory (em validação para a população portuguesa);
• Inventário Depressivo de Beck (IDB) Vaz Serra, A.; Abreu, J. (1973).
• Inventário de Depressão de Beck para Adolescentes (IDBA) Martins, A. (2000);
• Inventário de Saúde Mental (ISM). Pais-Ribeiro, J. (2001);
• Inventário de Avaliação Clínica da Depressão (IACLIDE). Vaz Serra, A. (1995);
• Mini Mental State Examination (1975), validado para a população portuguesa (1993) por
Guerreiro et al.
• Questionário de Saúde Geral (QSG-28) Pais-Ribeiro, J.: Antunes, S. (2003);
• Escala Toulousiana de Coping (ETC) Tap, P.; Costa E.; Alves, M. (2004).
• Escala de Autoconceito de Piers (PHCSCS-2) Veiga, F. (2006).

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Matéria Professora Paula Leal

- Entrevista de Enfermagem
• Entreviste o cliente e familiares, separadamente;
• Avalie todos os fatores protetores e de risco;
• Observe os afetos e comportamento do cliente:
o Quanto a desespero; culpa; inutilidade; impotência.
o Ou …perante dificuldades, procure que o cliente refira razões de viver ou planos
para o futuro…senão referir nada, considere-o um cliente de risco;
• Identifique problemas significativos interpessoais e de conflito;
• Identifique padrões de pensamento e comportamento disfuncional;
• Junto dos familiares procure compreender se o cliente se desfez de objetos/roupa
significativos. Se procedeu a despedidas. Ou se ficou muito tranquilo repentinamente;
• Se o cliente está deprimido ou na fase depressiva da doença bipolar, pergunte-lhe
diretamente se alguma vez teve pensamentos que o levassem a causar dano a si próprio.
Se sim, quando aconteceu.

- Na continuidade da entrevista de enfermagem


• Identifique se o cliente tem pensamentos recorrentes de morte/medo de morrer ou
demonstra preocupação com a morte;
• Procure identificar se o cliente tem ou não um plano de suicídio;
• Deve também perguntar se existiu ou ainda existe alguma tentativa de concretizar o que
pensou;
• Avalie:
o Grau de letalidade do plano;
o Que meios vai utilizar e a acessibilidade a estes;
o Probabilidade de a tentativa ser efetuada

- Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem


• Auto- Controlo Comprometido;
• Segurança Comprometida
o Colocar cliente em quarto mais vigiado;
o Ajustar nível de privacidade (WC – banho…)
o Remover objetos: cortantes ou outros que causem dano; copos de vidro;
atacadores, cintos, cachecóis, outros.
o Limitar visitas e ofertas/prendas vindas do exterior;
o Confirmar toma e deglutição da terapêutica;
o Estar mais atentos em determinados períodos (passagens turno. Noites)

• Baixa de autoestima crónica


o Promover a auto-estimado cliente: reconhecer e valorizar cada aspeto que
cumpre e o esforço que faz para melhorar;

85 | P á g i n a
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Matéria Professora Paula Leal
o Regulação da emoção e comportamentos: incentivara exteriorizar os seus
sentimentos e a controlara impulsividade; 3. Sugerir atividades com mediadores
de expressão(música, pintura) 4. Mobilização de apoio social, se o cliente
manifestar esse desejo;

• Capacidade para se Ajustar deteriorado(a)


o Avaliar recetividade do cliente para construção conjunta de um projeto de vida;
o Mostrar-lhe o seu interesse, compreensão e crença nele;
o Avaliar grau de interesse e motivação para a mudança;
o Avaliar grau de conhecimentos da pessoa face a diversos aspetos das atividades
de vida;
o Informação para identificar sinais e sintomas de crise e, pedir ajuda.
o Informação para lidar com uma situação de crise
o Integrar esta experiência para aumentar o seu autoconceito;

• Potencial de Risco de Suicídio


o Rever sinais e sintomas de crise e, processos de pedir ajuda.
o Capacitar para lidar com a situação de crise.
o Familiares, clientes e técnicos, sensibilizarem autoridades a Implementar um
conjunto de medidas protetoras:
▪ Controle de armas de fogo e menor disponibilidade para armas legais
▪ Limitações para venda de álcool e droga
▪ Melhor avaliação de sinais e sintomas de depressão e ideação suicida
▪ Menor abordagem ao suicídio pelos media
▪ Criar serviços de intervenção na crise
▪ Leis e campanhas para redução do estigma e aumento da sensibilidade
para a pessoa com patologia psiquiátrica
▪ Seguros mais equitativos

86 | P á g i n a
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Matéria Professor Doutor Joaquim Lopes

1. AMBIENTE TERAPÊUTICO

Florence Nightingale foi das primeiras defensoras da importância do ambiente:


- Provisão de ar puro e água;
- Esgotos eficientes;
- Limpeza e iluminação adequadas;
- Evitar ruídos desnecessários;
- Atentar para o valor estético e nutritivo dos alimentos;
- Atentar para o conforto dos leitos.

► É o principal domínio dos enfermeiros nas áreas da saúde mental e psiquiatria.

 Enfermagem em psiquiatria e Ambiente Terapêutico

Identificação individual das necessidades do ambiente terapêutico;


Considerar as necessidades do grupo como um todo gerir as diferenças pode ser difícil mas
fundamental;
Avaliação e intervenção nos riscos;
A segurança física das pessoas é um aspeto muito importante;
Avaliar cuidadosamente os riscos no momento da admissão (e continuidade nessa
avaliação)
- Potencial para a agressão ou violência;
- Tentativas de suicídio;
- Fugas;
- Convulsões;
- Quedas;
- Reações alérgicas;
- Doenças transmissíveis.
Selecionar e implementar precauções apropriadas de segurança e estabelecimento de
protocolos (comunicação/ comprometimento da Equipa).

87 | P á g i n a
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Matéria Professor Doutor Joaquim Lopes

▪ Ambiente favorável à saúde das pessoas


Finalidades (em saúde mental e psiquiatria):
- Limita o comportamento perturbador e desadaptado;
- Desenvolve e ensina habilidades psicossociais;

Objetivos da gestão de terapêutica do ambiente:


- Ajudar a pessoa a desenvolver um senso de autoestima e valor pessoal;
- Ajudar a melhorar a sua capacidade de relação com os outros;
- Ajudar a aprender a confiar nos outros;
- Facilitar o regresso à comunidade com maior preparação para o trabalho e para a vida;

▪ Funções
o Contenção;
o Envolvimento;
o Validação.

 Contenção (não é física! É o estabelecimento de limites”):


o Manter o bem-estar físico;
o Alimentação, abrigo e atenção de saúde;
o Proteção de forma a evitar que se prejudique a si próprio e aos outros;

► O USO DE ISOLAMENTO E CONTENÇÃO É A ETAPA MAIS EXTREMA

o Objetivo: remover o sentimento de omnipotência, reforçando temporariamente os


seus controlos internos, permitindo que testem a realidade das suas crenças
omnipotentes.
o Apoio:
▪ Ajudar a pessoa a sentir-se melhor para o aumento da autoestima;
▪ Aceitação incondicional da pessoa, independentemente das suas
circunstâncias.

o Objetivo: ajudar a pessoa a sentir-se confortável e segura reduzindo a ansiedade


o Basicamente dar atenção à pessoa:
▪ Ser empático;
▪ Disponível;
▪ Oferecer conforto verbal;
▪ Oferecer orientações úteis;
▪ Oferecer alimentos e líquidos.

88 | P á g i n a
Ana Beatriz Marques e Beatriz Santos (16ºCLE)
Matéria Professor Doutor Joaquim Lopes

o A realização eficaz do apoio depende de uma equipa coordenada, coesa e


consistente com os objetivos terapêuticos da pessoa, coordenando o seu apoio
com os familiares;
o Estrutura:
▪ Constância das atividades de forma a ajudar a pessoa a sentir-se segura;
▪ Horários previsíveis para as atividades;
▪ Estabelecimento de limites, regras e uso de contratos;
▪ Sistemas de recompensas.

o Estrutura:
▪ Se a estrutura for planeada com a pessoa, de acordo com ideias comuns
sobre o que é adaptado e desadaptado, mais a estrutura é terapêutica
em si mesma;
▪ Começa a aceitar a responsabilidade pelo seu comportamento e
consequências;
▪ Aprende a adiar as suas respostas impulsivas e inadequadas, face à
consistência da estrutura.

 Envolvimento:

o Vai além do cumprimento de regras e atividades;


o Processos que ajudam a investir ativamente no ambiente social e a interagir com
ele;
o Reforça o Ego e modifica padrões interpessoais desadaptados:
▪ Uso de portas abertas;
▪ Facilitação de liderança de grupos;
▪ Facilitação de experiências auto assertivas.

o O envolvimento é facilitado pelo uso da cooperação, do compromisso e da


confrontação;
o Através do envolvimento a pessoa reaprende padrões mais apropriados de
interação e vivência as consequências de comportamentos inaceitáveis;

 Validação (ajuda no desenvolvimento de uma maior capacidade para a intimidade


e consolidação da identidade):

o Reconhecimento da individualidade;
o Valorização da forma peculiar de ver o mundo;
o Atenção individual;
o Empatia e aceitação sem crítica dos pensamentos, emoções e perspetivas
individuais;
o Plano individual de tratamento;

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► A escuta terapêutica e o reconhecimento dos sentimentos subjacentes à


experiência pessoal reforçam a individualidade;
► A clarificação desses sentimentos ajuda a aceitar e compreender a sua
experiência única.

2. MODALIDADES TERAPÊUTICAS EM PSIQUIATRIA

Terapêuticas Terapêuticas Terapêuticas


Biológicas Relacionais Pelo Meio

Ambiente Millie
Terapêutico Therapy

Psicofarmacologia Com Pessoas Com Animais


(A terapia com Falamos sempre
cavalos, cães, em Meio Físico
Eletroconvulsivoterapia com mamíferos (cria uma
(ECV) animais
determinada
relacionais e
dinâmica e
afetivos permite
abrir linhas de
organização) e
comunicação – Meio
em pessoas PsicoSocial (o
autistas) que lá
acontece)

2.1. Na Terapêutica Relacional com pessoas:


O Veículo dos cuidados é a Relação de ajuda em que todas as terapias acontecem com
pessoas ocorrem nesta dimensão.

• Psicoterapia
- Terapêutica relacional altamente diferenciada no âmbito da relação de ajuda.

- Nota: para realizar esta modalidade de terapia é necessária uma licenciatura ou mestrado
em saúde e uma pós-graduação com 400 horas, 150 horas de supervisão de casos e 100 horas
de terapia pessoal.

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- A oferta terapêutica no âmbito relacional é feita por profissionais de saúde com uma
formação complementar em Psicoterapia.

TIPOS DE PSICOTERAPIAS

Escolas Escola Cognitivo e


Comportamental Escolas Sistémicas
Psicanalíticas
Beneficiários:
Pessoa, Casal/ Terapia de Casal/
Família, Grupo Terapias Individuais Família/ Grupo

ENFOQUE NA Ex: Farol desencadeia Só trabalha com


PESSOA angústia e medo – ou grupos (plural/
seja para ele Farol = grande)
Medo (desconstrução)
através de um processo
Conceção teórica de Ex: um casal tem um
cognitivo
fenómenos em Saúde problema. O Marido titula
Mental, que são | uma angústia de
invisíveis, mas separação (ligava à mulher
Exposição progressiva
traduz-se pela e esta não atendia). Por
ao farol (imagens de
comunicação + outro lado, a mulher titula
faróis)
comportamento um passado de controle e
não quer ser controlada.

Carece de Outra Abordagem:


Interpretação
Psicanalítica: isso é um falo
(isso é uma associação à
sexualidade do indivíduo) -
> Problema com o pai torna
claro que aqui não é o farol,
mas o que ele representa.

Outro: Farol ilumina, quais


são as áreas da vida desta
pessoa que ele não quer
luminar.

Concreto -> Pesamento

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► Os Fenómenos de Saúde Mental são invisíveis, mas precisam de interpretação:


o História;
o Comunicação;
o Comportamento.
▪ A Oferta Terapêutica pode ser Biológica, Relacional (Psicoterapia) ou
Ambiental.

► A resposta patológica é diretamente proporcional à falha.

Nota:
 Psicoterapia – profissionais de saúde com pós-graduação;
 Intervenções psicoterapêuticas – Enfermeiros com especialidade em Saúde Mental;
 Utilização de Técnicas psicoterapêuticas - Enfermeiros de cuidados gerais

2.1. Na Terapêutica Biológica com pessoas


A terapêutica biológica engloba a psicofarmacologia e a eletroconvulsivoterapia.

Duração pode ser longa ou curta (crise).

Quanto ao regime pode ser:


- Domiciliário;
- Ambulatório (privado, consulta externa, área de dia, associações, …);
- Internamento (parcial ou total, sendo o total voluntário ou compulsivo)

► Participação do Enfermeiro na Terapia Psicofarmacológica

Tratamento Psicofarmacológico -> Tratamento integrado


• Procura-se:

1. Maximizar efeitos terapêuticos


o Educação (familiar e individual);
▪ Ajudar a pessoa com o início de uma crise pode manifestar-se (ter
consciência disso pessoa/ família);

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o Administração;
▪ Prescrição: obedece a regras do quotidiano social/ familiar (pequeno
almoço; almoço; jantar; lanche; ceia; SOS);
▪ Tom em consideração a vida do quotidiano;

o Investimento simbólico;
▪ Psicofármaco EV -> vai direito ao cérebro e não tem antagonistas;
▪ A via EV é a via escolhida em casos extremos;
▪ O resto é administrado via PO e IM: PO tem o perigo da toma
dissimulada; IM é administrado contra a vontade da pessoa (pessoa
não pode sentir que a atividade é punitiva ou vingatica, tipo castigo;

o Monitorização das alterações do comportamento.

2. Minimizar efeitos colaterais


o Monoterapia farmacológica;
o Politerapia farmacológica

• Fatores de Risco Aumentado de Desenvolver Interações Farmacológicas:


o Polifarmacoterapia;
o Altas doses;
o Utentes geriátricos;
o Utentes desidratados/ debilitados (função renal comprometido);
o Doença concomitante;
o Função comprometida do organismo;
o Educação inadequada do utente;
o História de falta de aderência;
o Fracasso em incluir o utente no tratamento.

• Cuidados a ter em situação da polifarmacoterapia:


o Identificar sintomas-alvo específicos para cada fármaco;
o Iniciar com monomedicação e determinar eficácia e efeitos antes de
acrescentar novo fármaco;
o Estar alerta para interações adversas;
o Considerar os efeitos do segundo fármaco sobre a absorção e metabolismo
do primeiro;
o Mudar a dose de um fármaco de cada vez e monitorizar resultados;
o Estar alerta para o risco aumentado de erros na medicação;
o Estar alerta para um custo maior do tratamento;
o Estar alerta para menor aderência do utente quando o regime
farmacológico é complexo;

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o No seguimento do tratamento, eliminar tantos fármacos quanto possível e


estabelecer a dose efetiva dos utilizados;
o Organizar de forma clara os programas de educação dos utentes e famílias;
o Contactar mais frequentemente com os utentes.

2.1.1. Síndrome maligno dos neurolépticos


Complicação grave, que envolve risco de vida e a necessidade de medidas urgentes;
Mais comum com neurolépticos de alta potência (ex. haloperidos) e em utentes
desidratados;
Os neurolépticos dão discinesias neurovegetativas (rigidez muscular introduzida pelo
fármaco);

• Sintomatologia (por ordem cronológica e de agravamento – é essencial que haja uma


monitorização apertada pois tem uma evolução muito rápida):
o Febre – 1ª sinal de alarme para quem faz neurolépticos de alta potência;
o Taquicardia;
o Sudorese;
o Rigidez muscular;
o Tremor;
o Incontinência;
o Estupor;
o Leucocitose;
o CPK elevado;
o Insuficiência renal.

• Cuidados
o Suspensão de todas as drogas/terapêuticas quando existe sintomatologia;
▪ Avaliar se a sintomatologia desapareceu.
• Cuidados sintomáticos de apoio;
• Ventilação;
• Redução da febre;
• Hidratação;
• Hemodiálise ou diálise peritoneal.

2.1.2. Eletroconvulsivoterapia (ECT)


Conceito equívoco:
“Esquizofrenia e epilepsia mutuamente exclusivas”

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• Meduna (1934) - Cânfora Intra Muscular;


• Cerletti & Bini (1938) – estimulação elétrica;

• Quadros psicóticos não se tratam apenas por Eletroconvulsivoterapia. Esta é usada


principalmente em quadros que já não respondem a farmacoterapia oral e parentérica;

• Pode ser feito em internamento ou em ambulatório (normalmente feito 2 vezes por


semana);
• O número de sessões de um tratamento completo pode varias entre as 6,8 ou 10 sessões;
• É o psiquiatra que faz o tratamento;

• Eletroconvulsivoterapia – existe um reset eletroquímico do funcionamento cerebral, que


tem uma tradução física através dos nervos. Tem uma primeira fase tônica, depois clónica
e no fim de calma.

• Principais Indicações:
o Depressão severa em que o risco de suicídio é alto e o tratamento farmacológico
apresente riscos superiores (ex: cirrose hepática);
o Psicose severa não controlada por fármacos (que não cede aos mesmos);
o Catatonia severa não sensível aos psicofármacos (catatonia cérica – em situação
de crise não cede a psicofármacos);
o Mania severa em que o tratamento psicofarmacológico constituía risco
(aceleração exacerbada, não cedendo aos fármacos administrados);

o Por vezes também nas psicoses puerperais (pois por causa da amamentação,
não é possível utilizar os fármacos necessários).

Absolutas Relativas
Pressão intracraniana aumentada Angor
Enfarte agudo do miocárdio recente – por Insuficiência Cardíaca Congestiva
via da tradução motora da ECT
Feocromocitoma – crises de HTA Osteoporose grave – se for ECT Simples,
agravam com a ECT é uma contraindicação absoluta pois há
uma estimulação dos grandes grupos
musculares e pode haver fraturas
patológicas. Na ECT modificada, é uma
contraindicação relativa
Lesão Intracraniana Ocupando Espaço Fraturas ósseas
(LICOE)
AVC nos últimos 3 meses – tanto o Deslocamento da retina
isquémico como o hemorrágico, mas
mais prevalente neste último

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Aneurisma aórtico ou cerebral – Glaucoma


malformações a nível muscular
Tromboflebite
Gravidez
História de Hemorragia intracraniana
Doença Pulmonar Aguda ou Crónica
Doença somática grave
Pacemaker cadíaco

• Efeitos Secundários:
o Cefaleias (mais comuns)
o Confusão (mais comuns)
o Taquicardia
o Fraturas (na ECT simples)
o Luxação (na ECT simples)

• Intervenções de Enfermagem:
o Pré – Procedimento:
▪ Educação e apoio emocional (pessoa e família) – Verificar qual o
conhecimento que estes possuem acerca da terapia. É importante
desconstruir os mitos existentes em relação à Eletroconvulsivoterapia;
▪ Verificação consentimento informado;
▪ Verificação cumprimento protocolado institucional (análises, consultas
prévias, etc.);
▪ Como se Eletroconvulsivoterapia se assemelha a um pequeno
procedimento cirúrgico, a preparação do utente e similar:
• Pausa alimentar (pelo menos 6horas antes do procedimento);
• Remoção de próteses;
• Urinar imediatamente antes de fazer a Eletroconvulsivoterapia –
não é necessário algaliação.

o Durante o procedimento:
▪ Apresentar cada membro da equipa, com breve explicação do papel de
cada um;
▪ Dar a mão ao doente, pois o toque tranquiliza o mesmo em relação ao
procedimento. Este percebe que não está sozinho;
▪ Decúbito dorsal (confortável);
▪ Monitorização cardíaca/ respiratória/ TA;
▪ Monitorização por eletroencefalograma;
▪ Linha venosa periférica;
▪ Colocação de elétrodos ECG - Estimulação na zona temporal apanhando
a zona pré-frontal. Bloqueia-se a placa neuro-motora através de um
fármaco curarizante, para que o estímulo elétrico não passe do nervo
para o músculo;
▪ Limpeza de zonas aplicação (normalmente têmporas) – limpas com éter
para diminuir as resistências entre os condutores;
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▪ Administração de anestésico e curarizante (EV) – Para que não haja uma


depressão respiratória grave, em primeiro lugar o doente é anestesiado,
depois curarizado e no fim é ventilado através do ambu;
▪ Proteção para dentes - porque este nível de sedação (doente apenas está
ventilado com o ambu) não evita totalmente a contração muscular. Pode
trincar a língua);
▪ Contenção principalmente articulações e extremidades – para proteção
do doente.

o Após Procedimento:
▪ Recuperação anestésica;
▪ Monitorização SV;
▪ Risco de queda por confusão;
▪ Despertar seguro – colocação em posição lateral de segurança, depois
em semi-fowler, até ao doente ir acordando;
▪ Despistar efeitos secundários/ complicações – existe um período de
apneia, um de sistolia e só depois o doente volta ao normal;
▪ Vê-se se a Eletroconvulsivoterapia foi eficaz através do
eletroencefalograma;
▪ Observar/ registar alterações do comportamento (melhorias);

3. ESTRATÉGIAS MOTIVACIONAIS NOS ESTÁGIOS DE


MUDANÇA

Motivacional vem da fonte de energia/ motor de arranque.

A Enfermagem é uma profissão técnico cientifica e intelectual, que inclui

► O Processo de Mudança

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ESTÁGIO DE PRÉ- COMTEMPLAÇÃO


Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• A pessoa neste estágio nem sequer ► Estabelecer a rapport pedir


encara o seu comportamento como um permissão e trabalhar a confiança;
problema;
► Levantar dúvidas e preocupação
acerca do padrão de uso de
• É identificado como um cliente substâncias;
“resistente” ou “em negação”.
► Expressar preocupação e manter “a
porta aberta”.

ESTÁGIO DE COMTEMPLAÇÃO
Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• Considera a existência do problema e ► Normalizar ambivalência;


a eventual necessidade de efetuar ► Ajudar o cliente a avaliar benefícios
uma mudança; de mudar;
► Prontidão, importância e confiança;
► Promover declarações auto—
• Ao mesmo tempo não toma nenhuma motivacionais de vontade e
atitude concreta que leve a essa compromisso para a mudança;
mudança (ambivalente) e protege o ► Promover a perceção da capacidade
seu comportamento atual. para realizar mudanças (auto-
eficácia).

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ESTÁGIO DE PREPARAÇÃO
Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• O cliente começa a desenvolver um ► Explorar expectativas e papel do


plano de ação, que se diferencia de cliente;
uma intenção genérica de mudança; ► Clarificar objetivos (tonar a
possibilidade de mudança em função
do que para o individuo/ mudança é
• O plano transformou-se num possível);
compromisso efetivo de mudança. ► Negociar a mudança e planeie uma
estratégia adequada;
► Levantamento dos possíveis
obstáculos;
► Ajudar o cliente a definir recursos.

ESTÁGIO DE AÇÃO
Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• O cliente interrompe o comportamento ► Reforçar a importância da mudança;


indesejado e concretiza as mudanças
planeadas; ► Identificar dificuldades e situações de
alto risco para uma recaída;

• Ainda não atingiu a estabilidade em ► Desenvolver estratégias apropriadas


termos de mudança. para lidar com as situações
identificadas.

▪ A competência está adquirida, mas não está consolidada. Se não houver motivação e
força de vontade poderá haver recaída.

ESTÁGIO DE MANUTENÇÃO
Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• O cliente obedece sucesso na tentativa ► Apoiar mudança do estilo de vida;


de mudar o seu comportamento; ► Desenvolver plano de prevenção de
recaída;
► Rever os objetivos estabelecidos;
• Esta fase não significa a ausência de ► Reforçar autoeficácia do cliente;
uma mudança, mas a sua ► Reforçar a manutenção das
continuidade. estratégias desenvolvidas.

▪ Apoiar a mudança que foi escolhida e desenvolver o plano de intervenção se recair.

99 | P á g i n a
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Matéria Professor Doutor Joaquim Lopes

▪ É preciso passar 1 ano em todas as mudanças para a sua consolidação.


▪ Necessário perceber, dentro do que se passa durante 1 ano, verificar as alturas em que
pode ocorrer uma recaída.

RECAÍDA (EVENTO)
Mudança (Cliente) Estratégias Motivacionais

• Pode ser pontual (lapso) ou contínuo ► Ajudar os clientes a reentrar no ciclo


(recaída); de mudança;
► Explorar o significado e a realidade
da recaída;
• Implica o retorno ao comportamento ► Ajudar o cliente a encontrar
anterior não estando necessariamente estratégias alternativas para lidar
associado a uma intenção voluntária com as situações;
de retomas esse comportamento. ► Monitorizar a situação.

▪ Mair probabilidade de recaída acontece quando estou perante a mudança e quando


baixo a guarda dessa mudança (“é só desta vez).
o Lapso/ Evento: cair na tentação de cais apenas uma vez o que quis mudar e
consegui;
o Recaída: recomeçar de novo o que se queria mudar inicialmente;
▪ Quando quiser voltar a um processo de mudança entra na fase de
Contemplação;

▪ A recaída não pode ser penalizada por juízo moral, não se culpa nem a pessoa nem o
enfermeiro (“certamente algo falhou, mas não fui eu nem o Senhor que falhámos. Temos
que descobrir em conjunto o que falhou.”).

4. Perturbação da Personalidade

- A personalidade é uma organização característica, ou seja, é como olharmos para alguém e


dizermos “esta pessoa é magra e alta (…)”
- É um padrão de individualidade pessoal e social que influencia o padrão que relacionamento.
- Na perturbação a personalidade do padrão de relacionamento está alterado e inconsistente.
- Personalidade vem de Persona que significa máscara.

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Vídeo Youtube
• Titulo: Personality Disorder: Crash Course #34:
o Link: https://www.youtube.com/watch?v=4E1JiDFxFGk

Diferença entre Ego-Distónico e Ego-Sintónico


Ego-Distónico- A pessoa experiencia alguma perturbação da personalidade, mas este tem a
perfeita noção de que essa mesma perturbação lhe causa problemas no dia a dia.

Ego-Sintónico- A pessoa experiencia alguma perturbação da personalidade, mas não acha que
tem algum problema.

Pessoas com Perturbação da Personalidade:


• São egossintónicos, não pensam que têm um problema;
• Acham que os outros é que têm problemas;
• Padrões duradouros (não sendo circunstancial);
• Perturbações da Personalidade vai desde o narcisismo até aos psicopatas;
• Estas pessoas não têm alucinações nem delírios;
• Só querem saber delas próprias. Não têm empatia;
• Pode não haver controlo de impulsos.

Existem 2 grupos de Perturbações de Personalidade:


• Estranho/ Excêntrico:
o Paranoide: indivíduo com uma desconfiança generalizada;
o Esquizoide: indivíduos pouco empáticos;
o Esquizofrenia

• Dramática/ Emocional/ Impulsiva (comportamento autodestrutivo e assustador, sendo


por isso, frequentemente internados):
o Antissocial: nem todos os antissociais são psicóticos;
o Histeriônico: mais comum nas mulheres, Dão na vista pelo corpo e drama;
o Boderline;
o Narcisista;

• Ansiosos, com medos ou evitante:


o Dependente;
o Obsessivo – Compulsivo.

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Não há preocupações em identificar qual a perturbação da personalidade que o indivíduo


tem, mas sim qual é que se sobressai.

Borderline: por vezes tem descontrolo de impulsos (episódios de raiva) e automutila-se


para lidar com as situações.
- Caracterizados por descontrolo de impulsos, falta de empatia, ausência de
superego.

Distúrbios Aditivos
Vídeo Youtube
• Titulo: What is Mental Health? with Dr. Mike Condra
o Link: https://www.youtube.com/watch?v=aNQBdIMM3mQ
o Comentários: Saúde mental não é estar feliz 24h por dia, 7 dias por semana, saúde
mental é capacidade de manter um equilíbrio entre 3 coisas: o envolvimento em
atividades produtivas (ser um estudante, professor, ler um livro, realizar exercício, etc.,
atividades que promovam o desenvolvimento intelectual e cognitivo), envolvimento em
relações gratificantes (relações reciprocas que permitam o crescimento em todos os
parâmetros para ambos), mas a capacidade mais subtil e importante da saúde mental é
a capacidade para se adaptar e lidar com o imprevisto, o stress ou alguns contratempos.
• Titulo: Addiction
o Link: https://www.youtube.com/watch?v=ao8L-0nSYzg

Filme
Ver Filme: Trainspotting (1996)

Adição
• É um padrão de comportamento de procura ou consumo de uma substancia ou ação, pelo que a
mesma se entrepõe na capacidade da pessoa em manter o equilíbrio nas três capacidades base
da saúde mental (envolvimento em atividades produtivas, envolvimento em relações gratificantes
e a capacidade para se adaptar e lidar com o imprevisto).

Evolução da prevenção e controlo dos comportamentos aditivos em Portugal


• SPTT-> Serviço de Prevenção e Tratamento a Toxicodependência;

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• IDT-> Instituto das Drogas e da Toxicodependência; (o álcool entra mais tarde)


• SICAD-> Serviço de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências;

Porque se repetem os comportamentos aditivos?


“Sabe bem…”  Sensação de satisfação devido à libertação de endorfinas que habilitam o sistema de
recompensa. Esse sistema é formado por circuitos neuronais responsáveis pelas ações reforçadas positiva
e negativamente. Quando se depara com um estimulo prazeroso, seja derivado de drogas ou outros
comportamentos, o cérebro promove a produção e libertação de dopamina que é um importante
neurotransmissor do sistema nervoso central (SNC) no núcleo do mesmo que é a região central do sistema
de recompensa e importante para os efeitos das drogas de abuso.

A adição depende da interação entre:


Pessoa

Substância/ Contexto/
Atividade Sociedade

Conceito de Adição
Um estado de adaptação fisiológica à presença da droga no organismo de tal maneira que a sua
ausência provoca disfunções fisiológicas, manifestadas através de desconforto, dor ou outros sintomas de
falta.

“Um síndrome que inclui um conjunto heterogéneo de sintomas, nomeadamente sociais” (todos
os comportamentos são motivados e dirigidos para a substância/ comportamento).

Síndrome em que o comportamento de procura- recompensa fica fora de controle

Dependência é a perca da liberdade de escolha

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“ Uma doença de cérebro crónica e recorrente caracterizada pelo uso e procura compulsiva de
drogas.

Conceito de Tolerância
É a forma como o organismo se adapta à presença repetida de uma determinada substância,
sendo que para se produzirem os mesmos efeitos as doses têm que ser cada vez maiores.

Conceito de “Craving”
“desejo obsessivo de voltar a encontrar o prazer da substancia”

a não satisfação do desejo

é uma compulsão descontrolada

é uma ânsia, um desejo irresistível

Uma pessoa consome pela primeira vez pelo gozo – Depois a pessoa consome para não ficar mal (devido
à existência do seu “gostar”)-

As substâncias de acordo com o seu efeito no SNC podem ser


• Depressoras do SNC ou psicolépticas:
o Heroína, codeína, metadona, álcool;
• Estimulantes do SNC ou psicoanaléticas:
o Cocaína, ecstasy;
• Psicodisléticas:
o LSD, marijuana, haxixe, liamba;

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