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ILUSTRÍSSIMO SENHOR AUTORIDADE DE TRÂNSITO DO MUNICÍPIO DA XX DO

ESTADO DE XX

Órgão Autuador: XX

Auto de Infração: XX

XX, inscrito no CPF sob o nº XX, RG nº XX, celular: XX,


domiciliado na Rua XX, bairro XX, XX/SC, CEP XX, vem, tempestivamente, à presença de
V. Senhoria, apresentar DEFESA DE AUTUAÇÃO/RECURSO ADMINISTRATIVO pelos
fatos e fundamentos abaixo elencados:

I - DO VEÍCULO

Modelo: XX Ano: XX Placa: XX Renavam: XX

II - DO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO

Art. 165-A.  Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico,


perícia ou outro procedimento que permita certificar influência
de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida
pelo art. 277:         

Infração - gravíssima;         
Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir
por 12 (doze) meses

Medida administrativa - recolhimento do documento de


habilitação e retenção do veículo, observado o disposto no § 4º
do art. 270.

Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput


em caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses.   

III - DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS

O recorrente foi autuado no dia XX, na localidade da XX, por


recursar a se submeter ao teste de etilômetro.

Primeiramente, cabe destacar que em analise ao referido auto,


constatou-se que o mesmo não foi preenchido corretamente no item “observações”,
onde o agente limitou-se a descrever somente que XX

É cediço que o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito


(Resolução 371 e 561, CONTRAN) ao refere-se ao art. 277 §3º - Código 75790
determina que devesse enquadrar concomitante com o art. 165 – Código 516-91,
desta forma, preconiza que o auto de infração deve consta a descrição observada, bem
como, o que levou a constatar a embriagues do recorrente. Salienta-se que esta
anotação é obrigatória no campo “observações”.

Cabe mencionar que a recusa a se submeter ao teste de


etilômetro – “bafômetro” é um direito Constitucional consagrado, não configurando
sua recursa em prova pré-constituída de embriagues.

ADEMAIS SEGUNDO PARECER Nº 328/2017/CETRAN/SC, A


SIMPLES RECUSA A REALIZAÇÃO DO TESTE DE ALCOOLEMIA NÃO LEGITIMA A
LAVRATURA DE AUTUAÇÃO, NÃO DEVENDO O AGENTE AUTUAR SEM QUE HAJA
SUSPEITA PAUTADA EM ELEMENTOS PLAUSÍVEIS PARA DESCONSTITUIR A
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA QUE MILITA A SEU FAVOR, NÃO É SUFICIENTE PARA
SUSTENTAR A PUNIÇÃO.
Abaixo trecho retirado do PARECER Nº 328/2017/CETRAN/SC,
entendimento do Conselheiro Relator José Vilmar Zimmermann.

Não obstante, mesmo examinando apenas as disposições dos


artigos 277 e 165-A do CTB, fica evidente que o objetivo da
reprimenda não é punir quem, sem externar nenhum sinal ou
sintoma de que esteja sob a influência de álcool ou outra
substância psicoativa, se recuse a se submeter aos testes e
exames para apuração de alcoolemia. O próprio tipo
infracional descrito no art. 165-A evidencia isso, senão vejamos:

Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico,


perícia ou outro procedimento que permita certificar influência
de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida
pelo art. 277. (grifo nosso)

Percebe-se que a transgressão delineada no artigo acima


transcrito não se restringe à mera recusa. Com efeito, o que o
dispositivo em tela condena é a resistência em se submeter aos
procedimentos destinados a CERTIFICAR influência de álcool ou
outra substância psicoativa.

Certificar significa dar certeza, convencer, conferir convicção.


Ora, se o procedimento, cuja omissão deliberada sujeita às
cominações em voga, se presta a convencer o examinador de
que a pessoa fiscalizada está sob influência de álcool, isso
significa que para o agente fiscalizador somente é lícito lançar
mão desse expediente quando a postura do condutor despertar
suspeitas que necessitem de confirmação/certificação.

Se não há suspeita, não há o que ser certificado, tornando-se


arbitrária a submissão do condutor ao teste e, portanto,
incabível a imputação pela infração do art. 165-A do CTB.

A descrição realizada pelo agente está em total desacordo com


a legislação vigente, vejamos o que preconiza a resolução 432/2013 do CONTRAN que
elenca, em seu anexo II, as características que devem ser observadas pelo agente no
momento da abordagem:

VI. Sinais observados pelo agente fiscalizador:

a. Quanto à aparência, se o condutor apresenta:

i. Sonolência; ii. Olhos vermelhos; iii. Vômito; iv. Soluços; v.


Desordem nas vestes; vi. Odor de álcool no hálito.

b. Quanto à atitude, se o condutor apresenta:

i. Agressividade; ii. Arrogância; iii. Exaltação; iv. Ironia; v.


Falante; vi. Dispersão.

c. Quanto à orientação, se o condutor:

i. sabe onde está; ii. sabe a data e a hora.

d. Quanto à memória, se o condutor:

i. sabe seu endereço; ii. lembra dos atos cometidos;

e. Quanto à capacidade motora e verbal, se o condutor


apresenta:

i. Dificuldade no equilíbrio; ii. Fala alterada

Salienta-se que recorrente não apresentou qualquer óbice


quanto a fiscalização. Ressalta-se ainda que o recorrente apenas recursou-se a
realização do teste de etilômetro – “bafômetro”, não podendo este ser autuado
apenas pela recusa, pois a lei dispõe que a autuação é nos casos em que o condutor
apresenta sinais de embriaguez, fato este que devem ser descritos obrigatoriamente
no auto de infração.

A Resolução acima mencionada em seu art. 5º §2º, determina


que o agente deve descrever quais sinais de embriagues por ele foram constatados.

Art. 5º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora


poderão ser verificados por:
I – exame clínico com laudo conclusivo e firmado por médico
perito; ou

II – constatação, pelo agente da Autoridade de Trânsito, dos


sinais de alteração da capacidade psicomotora nos termos do
Anexo II.

§ 1º Para confirmação da alteração da capacidade psicomotora


pelo agente da Autoridade de Trânsito, deverá ser considerado
não somente um sinal, mas um conjunto de sinais que
comprovem a situação do condutor.

§ 2º Os sinais de alteração da capacidade psicomotora de que


trata o inciso II deverão ser descritos no auto de infração ou
em termo específico que contenha as informações mínimas
indicadas no Anexo II, o qual deverá acompanhar o auto de
infração.

Havendo rol específico a ser analisado, competia ao agente


fiscalizador lançar no campo "observações" a presença ou não desses elementos, o
que não ocorreu.

Seguindo a mesma esteira o art. 8º da Resolução 432/2013


assim corrobora:

Art. 8º Além das exigências estabelecidas em regulamentação


específica, o auto de infração lavrado em decorrência da
infração prevista no art. 165 do CTB deverá conter:

II – no caso do art. 5º, os sinais de alteração da capacidade


psicomotora de que trata o Anexo II ou a referência ao
preenchimento do termo específico de que trata o § 2º do art.
5º;

Ainda, o agente descreveu de forma cristalina que apenas


ofertou - “XX”, evidenciando que não fora disponibilizado ao recorrente, conforme
determina o art. 3º da Resolução 432/2013, outros meios de sua verificação.
Art. 3º A confirmação da alteração da capacidade psicomotora
em razão da influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine dependência dar-se-á por meio de,
pelo menos, um dos seguintes procedimentos a serem
realizados no condutor de veículo automotor:

I – exame de sangue;

II – exames realizados por laboratórios especializados,


indicados pelo órgão ou entidade de trânsito competente ou
pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de outras
substâncias psicoativas que determinem dependência;

III – teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico


no ar alveolar (etilômetro);

IV – verificação dos sinais que indiquem a alteração da


capacidade psicomotora do condutor.

§ 1º Além do disposto nos incisos deste artigo, também


poderão ser utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou
qualquer outro meio de prova em direito admitido.

§ 2º Nos procedimentos de fiscalização deve-se priorizar a


utilização do teste com etilômetro.

§ 3° Se o condutor apresentar sinais de alteração da


capacidade psicomotora na forma do art. 5º ou haja
comprovação dessa situação por meio do teste de etilômetro e
houver encaminhamento do condutor para a realização do
exame de sangue ou exame clínico, não será necessário
aguardar o resultado desses exames para fins de autuação
administrativa.

Salienta-se ainda, que a no caso em tela não houve aplicação


correta aos dispositivos da Portaria nº 59/2007 do DENATRAN e a Resolução nº
371/2010 do CONTRAN, que determina a obrigatoriedade do preenchimento correto
do campo “observações”.
Desta forma, presente erro formal no preenchimento do Auto
de Infração aqui discutido, fator que gera nulidade do procedimento.

Com efeito, e, em situações como a presente, nossa


jurisprudência pátria, vem rechaçando a aplicação da medida administrativa, quando
não comprovado a presença do conjunto de elementos previstos na Resolução
432/2013. Vejamos:

EMENTA - ADMINISTRATIVO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. ART. 165


E 277 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO. RECUSA EM FAZER O TESTE
DO 'BAFÔMETRO'. AUSÊNCIA DE SINAIS DE EMBRIAGUEZ.
FALTA DE PROVAS. ANULAÇÃO.
1. Conforme o art. 277, § 2º, CTB, para o enquadramento do
art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro, podem ser utilizados
outros meios de prova além de exames clínicos e testes de
medição do teor alcoólico. No entanto, é necessário que haja
alguma evidência de que o condutor teve seu estado de
consciência alterado pela ingestão de bebida alcoólica. 2.
Anulação da multa aplicada pela não observância à
Legislação de Trânsito. 3. Inversão da sucumbência nos termos
em que fixada pelo MM. Juízo de 1º grau.
ACÓRDÃO - Vistos e relatados estes autos em que são partes
as acima indicadas, decide a Egrégia 4a. Turma do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar
provimento à apelação, nos termos do relatório, votos e notas
taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente
julgado. Porto Alegre, 05 de novembro de 2015.
Desembargador Federal Luís Alberto D'Azevedo Aurvalle –
Relator (TRF4 AC 5031291-33.2014.404.7100)

Pelo princípio da universalidade do direito ao trânsito seguro,


previsto no art. 1º, § 2º, CTB c/c art. 144, § 10, I, II, da Constituição Federal, o agente
autuador, através da fiscalização, um dos tripés que norteiam este ramo do Direito
(educação – engenharia – fiscalização), deve trabalhar para que haja a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do seu patrimônio. Todavia, não se
pode chegar ao exagero de punir quem não oferece nenhum risco, como no caso em
tela.

Todavia, é do conhecimento geral que a aplicação da multa,


bem como das demais penalidades previstas em Lei somente se aperfeiçoam se
presentes todos os elementos necessários para sua caracterização. Dentre eles, os
requisitos para a validade do Auto de Infração de Trânsito (AIT).

É sabido, que nosso ordenamento jurídico prevê o direito de


defesa e a sua supressão acarreta nulidade absoluta ao referido ato administrativo,
conforme previstos no art. 5º, LV da Constituição Federal.

Art. 5º, LV. aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.

Diante desta feita, é evidente que o processo em questão


apresenta vícios materiais e formais, devendo o mesmo ser revisto e apurado de
forma correta.

Nesse sentido, o Advogado/Escritor, especialista em Direito de


Trânsito, Dr. Eduardo Antônio Maggio ensina que:

“As formas e meios de constatação da infração, a qual uma vez


constatada será autuada pelo agente fiscalizador da
autoridade de trânsito que deverá fazê-la através de
comprovação legal e correta, sem deixar dúvida quanto à sua
lavratura, pois a não ser dessa forma, será objeto de
contestação através de recursos administrativos e até mesmo,
se for o caso, o de se socorrer ao Poder Judiciário. Entretanto
esse embasamento legal para a autuação não quer dizer que
feita essa, já estará absolutamente comprovada, correta e
consumada para fins de aplicação da penalidade de multa pelo
respectivo órgão de trânsito nos termos da lei. Neste aspecto,
deve-se ressaltar, conforme já mencionamos, que a
comprovação pelo agente da autoridade pode ter erros, falhas
e até mesmo injustiças, pois o ser humano é passível desses
comportamentos”.

Não bastasse isso, a lei exige que o ato administrativo obedeça a


forma legal. Existindo vício de forma consistente na falta de observância de
procedimentos legais ou irregularidades nas formalidades indispensáveis à existência
do ato, torna-se inviável o prosseguimento de aplicação da penalidade.

Com base no princípio da autotutela, a Administração Pública


tem o poder-dever de controlar seus próprios atos, revendo-os e anulando-os
quando houverem sido praticados com alguma ilegalidade e revogando-os em caso
de interesse público.
Assim sendo, a autotutela abrange o poder de anular,
convalidar e, ainda, o poder de revogar atos administrativos. A autotutela está
expressa na Súmula n. 473 do STF.

SÚMULA 473 - A administração pode anular seus próprios atos,


quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.

O CTB, quando trata da existência de erros formais no AIT,


assim se pronuncia em seu art. 281, parágrafo único, I, preceitua:

Art. 281. A autoridade de trânsito, na esfera da competência


estabelecida neste Código e dentro de sua circunscrição, julgará
a consistência do auto de infração e aplicará a penalidade
cabível.

I - se considerado inconsistente ou irregular.


Parágrafo único. O auto de infração será arquivado e seu
registro julgado insubsistente:

Indubitável, diante dos elementos arguidos e comprovados,


que presente erro formal no Auto de Infração.

V - DA CONCLUSÃO

Diante de todo o exposto, requer:

1. O recebimento da presente Defesa de Autuação/Recurso


Administrativo com efeito suspensivo;
2. Que seja julgada pela nulidade do auto, por não
observância as Resoluções 371/2010; 561/2015; 432/2013 ambas do Conselho
Nacional de Trânsito - CONTRAN, e com fundamento no artigo, 281, I do Código
Trânsito Brasileiro, em desacordo com a Portaria 59/2007 - DENATRAN;
3. Ainda querer-se a nulidade pela falta de observância a
determinação obrigatória do art. 280 do CTB;
4. Por fim, que seja julgado inconsistente a notificação,
isentando-se, com isto, o recorrente das penalidades prevista impostas, quais
sejam, a pontuação atribuída e multa respectiva, determinando, assim, a
procedência deste recurso com a consequente nulidade e arquivamento do auto
de infração, com base no art. 281, parágrafo único do Código de Trânsito
Brasileiro.

Nestes temos,

Pede deferimento.

XX, XX de XX de 2020.

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XX

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