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A NOÇAO DA SITUAÇÃO COLONIAL, GEORGES BALANDIER

O problema colonial segundo o autor é um problema que deve ser discutido na


antropologia e outras ciências. Os novos nacionalismos e implicações da descolonização
nos chamam atenção para compreender como esses processos ocorrem. Mas a
antropologia nunca focou nas implicações totais do colonialismo, apenas em pontos
centrais das mudanças sociais, focando em problemas administrativos, econômicos e
religiosos. Alguns exemplos são os temas de pesquisa dos antropólogos na colonia
como Radcliffe-Brown que estudou o parentesco, Evans-Pritcher com os Nuer, etc.

I- Algumas abordagens

Primeiro a abordagem do historiador que aborda o colonialismo a partir da relação que a


metrópole teve com a colônia através do tempo e também como as mudanças na relação
entre ambas ocorreram explicando as reformas políticas e os usos da força. Através do
estudo dessas relações eles nos mostram como a nação colonial inseriu suas instituições
e poder sobre os colonizados. Os historiadores consideram os fatores externos e os
internos para analisar os processos de colonização. Assim as sociedades colonizadas
seriam produto de uma dupla história, a dos povos internos que foram misturados em
um processo de dominação e a dos europeus.

Ele traz muitos exemplos da abordagem econômica por parte de historiadores e de


antropólogos, que fica melhor pra discutir com a turma, porque cada exemplo pode ter
atraído a atenção de alguém.

Porém aqui o autor começa aqui a critica que ele faz aos estudos antropológicos que ele
continuará durante o restante do texto. Ele critica os estudos inspirados por Malinowisk
que mostravam apenas o resultado do contato entre instituições, faziam uma simples
descrição das mudanças e enumeravam problemas. A maioria dos trabalhos eram sobre
problemas das aldeias ou famílias. Esse modelo foi usado amplamente por antropólogos
nas colônias.

II- A importância dos fatos políticos e dos métodos administrativos.

Um desses problemas que o antropólogo deve aprofundar é o papel administrativo que


foi um dos principais no processo de colonização que não foi muito explorado. Esse
processo foi muito confundido com o econômico por estar presente no processo de
enraizamento das instituições diárias na colônia.

As relações administrativas se adaptavam a situação onde a colônia se encontrava, os


problemas do contato também variavam de acordo com a situação local, aqui ele traz
essas variedades regionais e não usar o mesmo método para todos os povos. Balandier
vai trazer exemplos de outros autores que constatam que essa dominação política
externa aos povos como a criação de novas fronteiras quebrou alianças e criaram
reagrupamentos dos povos. Outro ponto de problema na administração colonial foi a
nomeação de chefes administrativos indicados pela metrópole que não eram aceitos por
não serem os chefes tribais.
Seguindo com exemplos do texto esses novos contextos políticos em casos ocorridos na
África criaram unidades transacionais que buscavam a unificação de um território. Essas
rivalidades tribais foram junto dos interesses estrangeiros um dos fatores nas guerras
civis e longas ditaduras africanas que perduraram em vários países até hoje como o caso
da Etiópia.

A metodologia que a antropologia aplicada moderna deve usar para contornar esses
problemas no estudo de situações coloniais que envolvem nacionalismos devera ser
estudar os sistemas políticos e seus problemas e se atentar nos nacionalismos tribais ou
a tentativa de descarta-los para criar um nacionalismo nacional sem essas rivalidades
tribais.

III- Contribuições da Sociologia e da psicologia social

Sociedade colonial e sociedade colonizada – Aqui ele entra na questão racial e


psicológica que é importantíssima para compreender as relações coloniais. O fato
colonial é um contato entre raças onde a minoria europeia através das leis e da força
desproporcional a sua quantidade sobrepõe os nativos. Essa minoria numérica não é
uma minoria sociológica, ela só esta ameaçada se ocorrer uma reviravolta na situação
colonial. Exemplos a Argélia, Haiti.

A sociedade da colônia é dividia entre raças, assim rivalidades entre grupos e o não
local dos mestiços garantem o funcionamento do sistema. Sem a união dos mais fracos a
minoria dominante se mantém no topo. Essas divisões transformam a maioria numérica
na minoria sociológica, que vive num sistema administrativo e político que os
reprimem.

A sociedade colonizada e a sociedade colonial se diferem pela raça e pela civilização,


ambas possuem a alteridade máxima, primitivo/civilizado, pagão/cristão. Esse contato
entre civilizações heterogêneas e os conflitos dessas que chamou a atenção dos
antropólogos, o que da o gancho para o próximo tópico.

Estudos de contatos entre culturas – O sistema de “situação de contato” foi criado


para a antropologia estudar os povos nativos em seus contextos, porem imaginando eles
partindo de um ponto zero antes do contato europeu. Agora o autor vai começar a
apontar com outras referencias os erros que os antropólogos coloniais cometiam nas
suas abordagens.

Gluckmann critica o modelo de Malinowisk que não considera dados históricos que
poderiam contextualizar o passado do povo. Para Malinowisk a realidade atual bastava.
Para Gluckman o erro de Malinowisk não foi considerar o contexto histórico durante a
pesquisa, assim ele não conseguia compreender como as instituições coloniais alteraram
os sistemas políticos, as rivalidades tribais e o comercio na colônia.

Malinowisk formula sua teoria da mudança cultural a partir do contato entre três
culturas, a ocidental, a nativa e a que surgiu desse contato, porem ele as descreve
separadamente. Gluckman critica esse modelo, para ele deve-se analisar essas novas
culturas através da situação que este contato ocorre dentro do modelo colonial. Aqui me
lembrou muito o estudos das culturas afro-americanas que sempre tem que
contextualizar os meios históricos e sociais que as manifestações afro-americanas estão
presentes.

Outro modelo de estudar os contatos culturais que pelo que eu entendi é melhor que o
de Malinowisk são os estudos das crises das sociedades colonizadas, essas crises que
seriam alterações ou desaparecimento de grupos ou religiões, daria a o sociólogo uma
visão mais ampla dos contatos e transformações culturais que essa sociedade vive.

Relações raciais e psicologia – As questões raciais, não foram amplamente estudadas


pelos antropólogos coloniais, mesmo com questões raciais sendo centrais nessas
sociedades na época de coloniais e durante os processos de descolonização. África do
Sul fica como o maior exemplo. Entretanto Brasil e EUA são exceções e focam seus
estudos nas relações raciais.

O. Mannoni que é um autor que Blandier dialoga considera que o racismo na sociedade
colonial se manifesta publicamente quando os colonizados se livram de sua
dependência. Assim os conflitos raciais se tornam mais fortes.

Já para questão da psicologia colonial que é um fator importante para compreender essa
situação de colonização o autor traz alguns exemplos de autores como Bastide e O.
Mannoni que cita em seu trabalho que o europeu colonial retira a sua condição de
inferioridade por ter no sistema colonial o papel dominante.

Já os antropólogos britânicos estudavam aspectos psicológicos como desajustamentos,


problemas mentais causados pelas mudanças sociais, crescimento do individualismo em
sociedades que eram coletivas. Essa parte de psicologia eu não compreendi muito então
eu deixo em aberto pra professora e pras colega debaterem. Então fechando vamos pro
ultimo tópico.

Ciência Social e descolonização – Onde o autor trabalha como as consequências da


segunda guerra mundial e as independências das sociedades coloniais, desconsideram a
classificação de primitivo/civilizado e a consideração que essas sociedade eram
“congeladas”. A antropologia começa a ser questionada e questionar seus modelos até
então hegemônicos.

Com as revoluções os antropólogos que eram beneficiados pelo sistema colonial


deixaram de ter o monopólio da narrativa e começaram a responder os críticos nativos.
As obras escritas de dentro das revoluções tem caráter político e revelam as
transformações sociais que esses países passavam. Essa forma de escrita de pessoas que
como Franz Fanon viviam as revoluções ou as rápidas transformações sociais e
processos migratórios fizeram que antropólogos e sociólogos praticassem uma teoria
social mais dinâmica, mais critica e com métodos amplos e dinâmicos que não reduzam
as sociedades a primitivas ou outras classificações que antropólogos coloniais usavam.

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