Você está na página 1de 24

Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

Revista Eletrônica Jovem Museologia:


Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006

Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a


Museologia
Bruno César Brulon Soares*

Resumo: Discussão do desenvolvimento do movimento da Nova Museologia no


contexto mundial, considerando os debates teóricos no campo da Museologia no
decorrer dos anos. Reflexão evolutiva do conceito de Ecomuseu, incluindo a discussão
do Ecomuseu e do Museu como fenômeno. O museu integral, o museu plural e a
Ecomuseologia como teoria e como prática. A “Definição evolutiva” escrita por Rivière
ainda considerada hoje como ponto de partida para se entender o Ecomuseu. O museu
do Creusot como a primeira experiência na prática a ganhar o rótulo de Ecomuseu. O
Novo Museu como espaço em que as Musas celebram o humano.

Palavras-chave: Museu; Museologia; Ecomuseu; Nova Museologia.

Understanding the Ecomuseum: a new way of thinking Museology

Abstract: Discussion on the development of the New Museology movement in a


worldwide context, considering the theoretical debates in the Museology field through the
years. Reflection on how has evolved the concept of Ecomuseum, including the first
debates about the Ecomuseum and the Museum as a phenomenon. The total museum,
the plural museum and Ecomuseology in theory as well as in practice. The “Evolutive
definition” written by Rivière, still considered today as the start to understand the
Ecomuseum. The museum of Creusot as the first experience in practice to receive the
label Ecomuseum. The New Museum as a space where the Muses celebrate the human.

Key-words: Museum; Museology; Ecomuseum; New Museology.

*
Museólogo. Correio Eletrônico: brunobrulon@gmail.com.
Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 2
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

1. Introdução

Num contexto em que a cultura se inaugura sob novos prismas tendo como
sujeito a sociedade global e desaparecem as fronteiras entre as identidades, fazendo
perder o significado conceitos como o de “nacional”1, os conceitos teóricos de Museologia
e Museu no mundo inteiro continuam a sofrer alterações, como já vinham sofrendo desde
a Antigüidade. O entendimento destes conceitos, até mesmo entre museólogos e
profissionais de museus em geral, está muitas vezes sujeito a interpretações
diferenciadas. No âmbito de países em desenvolvimento como os latino-americanos estão
sujeitos a interpretações ainda mais incertas, já que são contemplados a partir de uma
ótica de problemáticas sociais e divergências culturais enraizadas no conhecimento
popular. Nestes países, os conceitos de Nova Museologia e Ecomuseu e a sua
implantação na prática, têm também tido as suas particularidades.
Nos anos de 1960 e 1970, juntamente com o surgimento de um novo pensamento
na Museologia, muitos movimentos que eclodiam no cenário internacional começaram a
desestabilizar o sistema de pensamentos no setor dos museus; alguns destes
movimentos eram explicitamente políticos. Movimentos por direitos civis, movimentos pela
liberdade das mulheres e de várias outras minorias, na busca por identidades nacionais e
locais, acompanharam movimentos nacionalistas que emergiam em países colonizados
que haviam se tornado independentes recentemente; e ainda a influência de pensadores
ativistas revolucionários. Todas essas influências gradualmente alcançaram o limiar dos
museus.
As idéias e experimentos que cresceram a partir destes movimentos não
chegaram a influenciar drasticamente a Museologia mundial, mas geminaram novos
conceitos que permearam a prática de profissionais do campo em muitos países, dando
início ao que eventualmente passou a ser conhecido coletivamente como Nova
Museologia.
O termo “Nova Museologia” apareceu no mundo dos museus no início dos anos
1980. Depois foi utilizado para designar um certo tipo de ideologia e de prática, com
significações variáveis. A Nova Museologia é um fenômeno histórico que existe
objetivamente. Ela é a expressão de uma mudança prática no papel social do Museu.
É também um sistema de valores, ou seja, qualquer coisa de mais subjetivo. Para
Maure2, ela é a expressão de uma ideologia específica. É uma filosofia e um estado de

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 3


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

espírito que caracterizam e orientam o trabalho de certos museólogos. No que concerne à


Nova Museologia podemos, sem dúvida, defini-la como uma “Museologia de ação”.
Nesta nova perspectiva, a função social do Museu é ser um instrumento de
desenvolvimento social e cultural, a serviço de uma sociedade democrática. Em uma
certa perspectiva, parece essencial que se desenvolva um “Novo museu” caracterizado
por outros objetivos e práticas que o diferem do “museu tradicional”. Para a Nova
Museologia, o museu tradicional3 – modelo constituído no mundo ocidental ao longo do
século XVIII, e transformado em seguida por toda a parte em norma para o
desenvolvimento da instituição museológica – é profundamente marcado pelo projeto de
construção de uma cultura nacional baseada no mito da homogeneidade cultural –
segundo o qual uma cultura dominante é selecionada e elevada ao estatuto de cultura
oficial em detrimento da variedade de culturas existentes ou que existiram no passado, no
território nacional.
A cultura do “deixar de lado” “esquecidos” e “oprimidos” desvia o domínio de
escolha dos “novos museus”, cujo objetivo é que todos os grupos que existem no âmbito
do Estado-nação tenham os mesmos direitos e possibilidades de preservar, valorizar,
utilizar e difundir sua própria cultura. O Novo Museu não se dirige a um público
indeterminado, composto de visitantes anônimos. Sua razão de ser é estar a serviço de
uma comunidade específica. O Museu vira ator e ferramenta do desenvolvimento cultural,
social e econômico de um grupo determinado.
O funcionamento do Novo Museu é baseado na participação ativa dos membros
da comunidade. Isto não deve ser confundido com as atividades benévolas, segundo as
premissas definidas pelo museu. Esse tipo de trabalho museológico é baseado no diálogo
entre museólogos e profissionais de várias áreas e os membros da comunidade. E estes
não são mais considerados como objetos de estudo numa perspectiva de distanciamento
e representações artificiais, nem como receptores passivos das mensagens elaboradas
pelos profissionais, mas como sujeitos conhecedores das questões que concernem à sua
própria história e seu meio ambiente.
Isto implica em um novo papel para o museólogo profissional. Trata-se de
fornecer aos membros da comunidade os instrumentos conceituais e materiais de
trabalho, permitindo-lhes fazer parte do processo de coleta, preservação, pesquisa, e
difusão, considerando o seu patrimônio como objeto. O museólogo não é, nessa
perspectiva, o especialista encarregado de deliberar a verdade, mas um “catalisador” a
serviço das necessidades da comunidade. Seu objetivo é o de tornar-se cada vez mais

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 4


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

supérfluo, para desaparecer logo que a comunidade possa, de maneira independente,


encarregar-se do processo que ele iniciou. É um papel difícil de cumprir, porque o
museólogo deve evitar sucumbir ao paternalismo, ao missionarismo, ou mesmo ao gosto
pelo poder.
Muito ainda há para se discutir e elaborar acerca da Nova Museologia. Mas
também devemos lembrar que a definição de Museu do ICOM não está completa, na
opinião dos principais teóricos da atualidade. As novas idéias para um novo museu foram
sendo incorporadas e empregadas na área acrescentando conceitos novos a sua
linguagem de especialidade. Na prática, essas experiências derivaram do desejo de que
os museus agissem de forma mais socializante. Paralelamente a essas novas
experiências, como lembra Cerávolo,4 procurou-se articular um sistema da Museologia: a
organização sistêmica – do que lhe seria orgânico, pode-se dizer – pensando-se o campo
do conhecimento em interação consigo próprio, e com disciplinas próximas.

2. Ecomuseu: a evolução do conceito

A evolução verdadeira do que foi chamado, por Varine, de Ecomuseu, se deu


primeiramente por uma sucessão de práticas para depois ser colocada em palavras por
tantos teóricos, a partir das definições de Rivière em sua famosa “Definição evolutiva do
Ecomuseu”.
Em 1873, como conta Clair,5 o sueco Hazelius funda em Estocolmo o Nordiska
Museet, baseado no mais amplo conceito de civilização nórdica, estendendo-se dos Alpes
à Laponia. Para demonstrar tudo o que há em um território em sua vida própria, imagina-
se uma nova forma de museu: o museu a céu aberto, museu aberto opondo-se aqui ao
museu coberto e fechado entre muros.
Ainda segundo Clair, em 1891, abre-se, no parque de Skansen, este museu de
nova tipologia, onde pode-se visitar diversos tipos de construções rurais, uma igreja
antiga, fazendas, moinhos, ateliers espalhados no meio de um parque botânico e
zoológico. Nos diversos edifícios, os interiores são reconstituídos com seu mobiliário de
origem, e guardas em vestimentas locais ressuscitam as antigas técnicas e fazeres – pois
a função de um museu é também prolongar a fabricação dos objetos populares,
ameaçados pela civilização industrial, e não apenas preservar, cristalizando, os que já
foram produzidos no passado. Este exemplo passa a ser seguido em outros países, em
museus que se oferecem, segundo Rivière, como “microcosmos” de seus países. Em
1895, Moltke Moe funda em Oslo o Norsk Folkemuseum, que se define por uma dupla
Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 5
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

postulação, racial e racionalista, pois foi criado no quadro político de lutas contra a
Suécia, que havia se proclamado independente da Noruega. Se o museu de folclore tem
ainda o mérito de integrar a cultura popular no desenvolvimento museológico, pode em
compensação encerrar-se em suas preocupações nacionalistas e xenófobas. Este seria o
caso dos Heimatmuseen, mais de 2000 dos quais foram abertos na Alemanha sob o
regime nacional-socialista, com o objetivo de exaltar o sangue, a terra e a raça. Estes
eram museus regionais, “museus de pequena pátria”, museus-microcosmos, que
valorizavam a riqueza de uma região, a antigüidade de uma indústria, o gênio de um
personagem local; destinados a marcar e a confirmar a ligação à grande pátria, ao solo
nacional.
“Outra etapa desta evolução dos museus será definida pela criação, na
Dinamarca, em 1964, do Museu de Lejte”6, fundado sobre sítio arqueológico.

Já não se trata aqui apenas – como os museus a céu aberto ou de território – de


apresentar os objetos a seu meio, mas de transformar o museu em atelier: os
visitantes não se contentam em contemplar os objetos expostos, mas assistem à
sua utilização, e podem também utilizá-los eles mesmos. A cada ano famílias se
estabelecem neste ‘museu’ e ali vivem por alguns dias ou semanas, nas mesmas
condições de vida conhecidas por seus ancestrais da Idade do Ferro.7

De certa forma, este é um museu mais voltado para o passado, que desperta a
curiosidade como forma de convidar o visitante a interagir.
Segundo Clair, o Ecomuseu prolonga e reforça as diversas formas de atividade
museológica, acrescentando-lhes uma abertura original nunca vista antes.

Museu do espaço e museu do tempo, ele se ocupa de apresentar, por sua vez, as
variações de diversos lugares num mesmo tempo, de acordo com uma perspectiva
sincrônica, e as variações de um mesmo lugar em diversos tempos, de acordo
com uma perspectiva diacrônica.8

O autor comenta ainda que:

Foi a partir de 1936 que Rivière elaborou os primeiros esboços do que seria
futuramente a Ecomuseologia. No início dos anos 50, definiu a teoria do
Ecomuseu. As primeiras realizações práticas aconteceram nos anos 60. Antes de
mais nada na sua concepção, está a preocupação ecológica.9

Esta não é uma idéia nova. Já se pode constatar uma preocupação com o meio
ambiente desde o surgimento do capitalismo “selvagem” como ameaça. Em
compensação, os diversos tipos de museus que surgiram até então ainda não
manifestavam esta preocupação; se conservam testemunhos do passado, se
Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 6
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

reconstituem conjuntos naturais, e se protegem micro-ambientes naturais, entretanto eles


não intervêm jamais diretamente sobre a proteção do meio ambiente natural. Um dos
objetivos primordiais do Ecomuseu é, ao contrário, agir para proteger estes conjuntos
ambientais.

Além disto, se os museus a céu aberto e de território (...) elevaram a níveis mais
avançados a participação do público, parece que esta participação raramente
ultrapassou uma figuração folclórica, no sentido pejorativo do termo. O que o
Ecomuseu postula, mais do que uma participação do público, é uma cooperação
dos habitantes.10

Assim os habitantes são chamados a tornar-se atores, mais do que figurantes, e a


atuar na construção de um museu que é para eles e que está voltado para sua cultura –
independente de qualquer visitante.
A criação em 1967 dos Parques Regionais permitiu a Rivière11 adaptar ao
contexto francês os museus escandinavos ao ar livre, modificando o modelo inicial: não
se trataria de se circundar edifícios de um lugar criado artificialmente, nem de reconstituir
espaços da forma que eles existiram realmente. Estes novos museus propunham uma
pedagogia global, já que não se ocupariam unicamente das práticas culturais ou
arquitetônicas mas também das relações do homem com seu entorno.
Como o resultado de uma série de mal-entendidos, pelo que afirma Varine12, o
termo “Ecomuseu” veio a ser usado tanto para designar esquemas inovadores como para
projetos convencionais que pretendem chamar a atenção para o novo vocábulo. Mas para
o autor isto pouco importa: museólogos dedicados ao novo movimento facilmente
reconhecem ativistas com ideologias neste sentido e seguem a busca por uma
“museologia da libertação” que pode ajudar comunidades a se encontrarem com elas
mesmas e acharem a força e os meios para viver e atuar como agentes dos seus próprios
futuros.
Para Varine13, o Novo Museu é diferente do museu tradicional na ênfase dada ao
território (meio ambiente ou sítio), em vez de enfatizar o prédio institucional em si; no
patrimônio, em vez da coleção; na comunidade, em vez dos visitantes. Em todo caso, é o
território que define e comumente nomeia o museu, mais do que o rótulo de “Ecomuseu”.
Não pode haver um modelo para este Novo Museu (ou Ecomuseu). Ele é um estado
mental e uma forma de aproximação que acarreta um processo construtivo “enraizado no
território”.
Uma espécie de agitação intelectual – afirma Varine – que levou novas idéias a
surgirem na mesma época em que se constituíam, em três-quartos do mundo, os novos
Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 7
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

países independentes, seguidos da descolonização14. O ICOM (Conselho Internacional de


Museus) teve de se adaptar às mudanças e, quando foi preparada a Conferência do
ICOM de 1971, procurou-se adaptar progressivamente sua organização às novas
tendências e a esses novos problemas. Não era novidade; um colóquio organizado pelo
ICOM em 1962, em Neuchatel, já começara a refletir sobre os problemas dos países em
desenvolvimento, mas de maneira característica. Só pessoas de países desenvolvidos
falavam de países em desenvolvimento. Em 1971, o ICOM tinha mudado muito, e foi
possível fazer uma conferência geral na França em que estavam representadas,
minoritariamente, mas mesmo assim presentes, pessoas de quase todas as regiões do
mundo, senão de todos os países.
Foi um ano antes da Conferência Nacional das Nações Unidas sobre o meio
ambiente, em Estocolmo, que os membros do ICOM estavam preocupados em fazer
inscrever politicamente o Museu como instituição que pudesse contribuir para o meio
ambiente e a natureza. Eles sabiam muito bem que os museus ditos de história natural,
os mais próximos da natureza e do meio ambiente, eram, em geral, em muitos países, os
museus mais “atrasados”, os mais tradicionais. Então tentou-se inserir o museu no
discurso político como um fenômeno novo, fazendo com que se afirmasse que o Novo
Museu podia servir ao meio ambiente. Foi a partir daí que Varine – inspirado por um bom
vinho como ele mesmo afirma – chega à palavra “Ecomuseu”, – que jamais passou de
uma combinação de sílabas de palavras gregas – de forma totalmente oportunista, sem
que na época houvesse nada por trás, só a palavra.
A terminologia "Ecomuseu" surge, segundo Varine, na Avenida de Ségur (Paris),
em 1971, onde almoçavam Rivière, ex-diretor e conselheiro permanente do ICOM, Serge
Antoine, Conselheiro do Ministro do meio ambiente, e o próprio Varine, então diretor do
ICOM. Nascia, desta reunião, a nova terminologia como uma tentativa de mostrar ao
Conselheiro do Ministro francês do meio ambiente a importância da instituição
museológica para a atualidade da época, tendo em vista a crise que o modelo de museu
imperante atravessava então. Tanto Varine quanto Rivière tentavam fazer combinações
de letras que giravam entre as palavras chaves "ecologia" e "museu". Em uma das
tentativas nasce a palavra "Ecomuseu", a qual agradou bastante a Antoine que, junto aos
outros presentes, organizava a IX Conferência Geral do Conselho Internacional de
Museus, que aconteceria no mesmo ano em Paris, Dijon e Grenoble. O então Ministro do
Meio Ambiente, R. Poujade, em setembro de 1971, em Dijon, na presença de centenas de
profissionais de museus de todo o mundo, anunciou oficialmente a nova proposta

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 8


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

museológica, fazendo nascer o novo termo que designava um novo museu – de origem, a
princípio, européia.
Varine admite que a ele, inventor do vocábulo "Ecomuseu" quase que por
casualidade, seu destino parece dificilmente compreensível. Quanto ao seu conteúdo,
apesar dos esforços de Rivière para dar-lhe forma e significação, ele varia de um lugar a
outro, de centro de interpretação a instrumento de desenvolvimento, de museu-parque a
museu artesanal, de conservatório etnológico a centro de cultura industrial.
Mais tarde, a partir dos anos de 1980, o interesse pela discussão da Teoria
Museológica torna-se evidente no ICOFOM (Comitê Internacional de Museologia, criado
em 1976). Desenvolve-se, em seqüência, uma grande produção teórica acerca da Nova
Museologia, tendo como base o conceito de Museu Integral – museu do homem que tem
a sociedade como objeto de estudo e trata do Patrimônio Integral como produto das
relações do homem – instituído pela Mesa Redonda de Santiago do Chile, em 1972. Cria-
se o MINOM (Movimento Internacional para Nova Museologia) a partir do qual os
discursos teóricos são levados para a instância prática. A partir destes acontecimentos
surge de fato o movimento da Nova Museologia.
É importante lembrar que o Ecomuseu é mutável e pode adotar as formas mais
inesperadas em cada sociedade. O prefixo “eco”, embora quando adotado estivesse mais
ligado à ecologia natural, já se provou fazer alusão tanto ao meio ambiente natural como
o social.
O conceito de ecologia estabelece que ela deve ser entendida como a ciência que
lida com as relações entre organismos e o meio ambiente em que eles vivem.15 Esta
noção compreende tanto a ecologia natural como a social. As questões ecológicas
inseridas nas atividades do museu permitem a possibilidade de que haja um envolvimento
ativo nos problemas do presente, visando a sobrevivência do homem em seu meio
ambiente.
No entanto, o Ecomuseu vai além da ecologia. O seu conceito, se analisarmos
profundamente este fenômeno, é muito mais complexo, estando o termo hoje ligado a
numerosos outros conceitos: território, espaço como objeto de interpretação, sistema
museográfico, instituição administrativa, entre outros.
Mas, além destas considerações – para Varine superficiais – a proposta do
Ecomuseu se insere numa realidade: o campo museológico e os profissionais estavam
ansiosos e apaixonadamente empenhados na busca de uma renovação do museu, que
deve se afirmar como instrumento necessário à serviço da sociedade, ou seja, um

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 9


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

patrimônio global. O que se prevê é o homem integral na natureza também integral, antes
e agora, mas sobretudo a busca do seu futuro e dos instrumentos intelectuais e materiais
para o seu desenvolvimento.
Varine acredita entender o desejo fervoroso da grande maioria dos teóricos, ou
seja, que a modernização do museu siga o caminho traçado pela Mesa Redonda de
Santiago16 (que inaugura a sociedade como objeto de estudo do Museu) e pelas
experiências realizadas por tantos especialistas durante os anos sessenta e setenta do
século vinte: o caminho que leva à totalidade do homem e a todos os aspectos da
aventura humana, antiga e contemporânea, através da utilização de uma das mais
importantes linguagens que transcende as diferentes culturas: a linguagem do objeto, a
linguagem da coisa real, seja ela tangível ou intangível.

3. A “Definição Evolutiva”

Em sua definição que por tantos anos vem servindo de modelo para uma nova
forma de Museologia, Rivière estabelece, em primeiro lugar, que um Ecomuseu é um
instrumento que o poder político e a população concebem, fabricam e exploram
conjuntamente17. Ele deve ser também um espelho, onde a população se contempla para
se reconhecer, onde busca a explicação do território na qual está enraizada e no qual
viveram todos os povos que a precederam, na continuidade e descontinuidade das
gerações. Um espelho que a população oferece aos seus visitantes para se fazer
entender melhor, e fazer com que entendam melhor o seu trabalho, sua forma de
comportamento e sua intimidade.
O Ecomuseu deve ser uma expressão do homem e da natureza. O homem é ali
interpretado a partir do aspecto natural e a natureza está presente em seu aspecto
selvagem, mas também tal como a sociedade tradicional e a sociedade industrial a
transformaram à sua imagem. Por isso, o objeto neste contexto não é apenas o homem
ou o meio ambiente que o cerca, mas a relação que se dá entre os dois e todas as
possíveis relações entre o homem e o Real que acontecem no território determinado.
Este museu é uma expressão do tempo, quando a interpretação remonta desde o
momento da aparição do homem e se vai escalonando através dos tempos pré-históricos
e históricos para chegar no tempo do homem do presente. O Ecomuseu ainda deve
apresentar uma visão do amanhã, uma vez que está envolvida a tomada de decisões, e
por isso ele também está voltado para o futuro, e não só para o passado e presente.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 10


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

Para Rivière, o ecomuseu laboratório, conservatório e escola se inspiram em


princípios comuns. A cultura a que pertencem deve ser entendida em seu sentido mais
amplo e é por isso que se esforçam para tornar conhecidas sua dignidade e sua
expressão artística, qualquer que seja o extrato social de que emanam essas expressões.
Sua diversidade não conhece limites. “Sua característica é a de não encerrar-se em si
mesmos: recebem e dão.”18
Com o passar dos anos Rivière se empenhou algumas vezes em modificar a sua
definição, adequando-a às novas transformações do Ecomuseu, a partir das primeiras
experiências práticas que se desenvolviam. No entanto, como se foi provando, esta
definição serve apenas como base, sonho e um pouco de utopia para que todos os que
se denominam ecomuseus no mundo pudessem se espelhar e ter um objetivo a alcançar,
para que nunca se desviassem do verdadeiro caminho do Ecomuseu, mesmo assumindo
formas diversificadas.
A abordagem de Rivière, marcada pelo estruturalismo19, conjuga o tempo e o
espaço para explicar a especificidade de um meio de forma completa; desta abordagem
partiram as numerosas pesquisas pluri-disciplinares iniciadas por Rivière, a preservação
de unidades ecológicas e, de maneira mais global, a musealização dos ecossistemas e o
fenômeno do Ecomuseu como instância onde a dimensão social se junta à ambiental.
Entre os anos de 1971 e 1974, sob a direção de Marcel Évrard e com o apoio de
Hugues de Varine, assim como o de Rivière, colocou-se em prática uma nova
experiência: na comunidade urbana Le Creusot/Montceau-les-Mines, na França, criou-se
o projeto de um museu do homem e da indústria que aconteceria espalhado por todo o
território e que manteria um contato estreito com seus habitantes. Toda a população
deveria participar de sua concepção, funcionamento e avaliação, o que seria facilitado por
um estatuto associativo. Em 1974, esta experiência ganhou o nome de Ecomuseu e as
novas perspectivas que se abriam viriam a enriquecer a reflexão sobre o tema,
principalmente sobre a participação dos habitantes.

4. O Creusot

Durante décadas, o gigante Marteau-pilon (“martelo-pilão”, usado na indústria do


Creusot), construído em 1876, foi o símbolo da prosperidade da comunidade urbana do
Creusot/Montceau-les-Mines, unindo as localidades francesas rurais e industriais.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 11


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

Esse complexo urbano, impregnado das marcas industriais das atividades do


império industrial dos Schneider, que contribuiu para a Revolução Industrial do século
XIX, é, no fim dos anos de 1960, uma região abandonada e em degradação. O império
industrial, ao fim da guerra, havia sido deslocado. Os Schneider passaram suas posses a
um trust capitalista. A iminência de fecharem as minas desorganizou a paisagem
industrial da região. Mas os símbolos (o marteau-pilon, o castelo dos Schneider, as
estátuas...) restaram. Símbolos que não tinham mais uso; iriam acabar em um museu
qualquer?

Le marteau-pilon quitte l´usine, pour être érigé en monument sur l´une des places
de la ville Creusot. Monument à la nostalgie de 'l´ancien temps' et au paternalisme
des Schneider ?20

Não, afirma Mairesse21. Entre a data em que o império se desloca e o marteau-


pilon vira monumento, alguma coisa de particular se articulou.
O que acontece neste intervalo de tempo é a idéia do Ecomuseu. Neste momento
o termo se refere ao meio ambiente, já que sua definição previa um novo tipo de museu
que levasse em conta o meio-ambiente global do homem e associava o público a um
conhecimento e à defesa do seu meio ambiente22. A idéia estava inserida num contexto
de criação dos Parques naturais e regionais assim como de um interesse crescente pela
ecologia, proveniente dos museus a céu aberto.
O resultado desta idéia foi o projeto de um museu igualitário, sem limites
verdadeiros, a não ser os 500 km² da comunidade a que ele servia. Toda a comunidade,
segundo teorizou Varine em 1973, constituía um museu "vivo" – em constante
transformação, em processo, em movimento – em seu interior, onde o público se encontra
permanentemente. Não existem visitantes, mas sim habitantes. O museu não possui
coleções trabalhadas originalmente da forma tradicional, mas todo objeto no interior de
seu perímetro faz parte do museu e ali esses objetos são preservados e mantidos em uso
(funcional e emocionalmente). A essência do museu não reside na exposição, mas na
participação.
O Ecomuseu, em sua variedade comunitária, se constitui, de fato, de uma
comunidade e um objetivo: o desenvolvimento desta comunidade.
A missão do Ecomuseu se distingue por oposição a todas as outras missões do
museu tradicional. O Ecomuseu foi criado com a intenção de ser um instrumento
privilegiado de desenvolvimento comunitário. Ele não visava somente o conhecimento e a
valorização de um patrimônio integral, nem era um simples auxiliar de um sistema
Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 12
Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

educativo ou informativo, nem um meio de progresso cultural e de democratização das


obras humanas23. Por isso este museu não pode em nenhuma instância se identificar com
o modelo de museu tradicional. O Ecomuseu, para trabalhar a favor do desenvolvimento
da comunidade, deve levar em conta os problemas e questões colocadas no seio dela,
para tratá-los de maneira analítica e crítica fazendo apelo à consciência e à iniciativa
criativa da população, para isso utilizando as informações do seu passado e presente
para que ela venha a pensar o futuro.
No projeto inicial do Ecomuseu, a relação público/museu passa a ser uma relação
com a comunidade local (mas sem excluir o turismo) e o projeto educativo visa à uma
educação para a liberdade. O ponto central deste novo projeto não estava no objeto, mas
no indivíduo.
Bellaigue24 lembra que são os trabalhadores e artesãos, parte da comunidade do
Creusot, ao mesmo tempo autores e espectadores de sua obra; que sabem como se dá
esta realização, qual o preço do trabalho, que podem avaliar as horas necessárias, a
paciência e a engenhosidade indispensáveis que lhes custam. O que eles produzem não
é objeto do ecomuseu, eles o são.
No caso do museu do Creusot/Montceau-les-Mines, afirma a autora, a cultura
industrial é a instância onde se misturam os patrimônios, as práticas, as mentalidades, as
memórias específicas presentes naquele território. Nascido de uma vontade de conhecer
e de se fazer saber, ele vive do desejo comunitário de se fazer o reconhecimento de uma
identidade e se alimenta de todo o progresso deste conhecimento.
O Creusot é museu por ser responsável por inventariar e proteger aqueles que
fazem parte de uma população e o que constitui seu patrimônio que é formado por
objetos, máquinas, construções, sítios, assim como uma herança artística e as tradições.
O ecomuseu do Creusot foi criado na década de 1970, no território onde vivia
uma minoria de trabalhadores, excluídos e sem nenhuma identidade reconhecida: uma
pequena área em que imigrantes viviam juntos, educados e subjugados por mais de um
século pela dinastia industrial dos Schneider. A intenção inicial era de criar uma
ferramenta que possibilitasse ajudar essas pessoas para que houvesse por parte delas
um auto-conhecimento; reconhecessem a existência e o valor de seus trabalhadores,
compreendessem sua situação presente em sua integral complexidade para que assim
pudessem planejar seu desenvolvimento futuro. No entanto isso não poderia ser realizado
por um museu tradicional; havia de ser um organismo permanentemente inserido no
trabalho, modos de vida e tradições, assim como em muitas construções, estando o

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 13


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

Museu presente ali especialmente representativa e simbolicamente. É por isso que


naturalmente o Museu veio a ser concebido “fora dos muros”, onde haveria pessoas
atuantes que estariam em seu próprio meio ambiente, com suas próprias coisas, sua
memória e sua imaginação.
A origem do ecomuseu da comunidade do Creusot se deu em um contexto no
qual, de uma parte, havia a existência de um território delimitado pela revolução industrial;
de outra, a demanda pela municipalidade do Cruesot de se estabelecer, no Château de la
Verrerie – ele mesmo símbolo e signo da história da região – um museu local. Diante
desta demanda, surge uma vontade de se oferecer à população da comunidade urbana
do Creusot/Montceau-les-Mines um instrumento de compreensão e de mudanças
econômicas, sociais e culturais. Além disso, um patrimônio tangível local, especificamente
da história industrial, passou a chamar a atenção de todos.25
O Ecomuseu, como afirma Bellaigue, é a instância onde se dá a noção de
territorialidade, não sendo a realidade geral, mas sim local. O local significa uma
dimensão da possível comunicação, que pode se dar tanto das pessoas em relação a
elas mesmas, quanto das pessoas em relação às coisas. É uma comunicação refinada,
detalhada, tocante, de uma pluralidade de sentidos. Este local, para a autora e ex-
coordenadora do Ecomuseu do Creusot, significa também a singularidade, já que não
permite a generalização. Ele permite, enfim, a globalização, ou seja, o colocar no contexto
da relação os elementos que lhe dão sentido.26
O pedido para que Hugues de Varine participasse do projeto do que viria a ser a
primeira experiência de ecomuseu em todo o mundo veio originalmente da municipalidade
do Creusot e ele foi até lá, primeiramente, fazer uma avaliação. Varine falou com os
sindicatos dos trabalhadores e quando lhes apresentou uma idéia de museu clássico da
época eles não se mostraram interessados. E foi em grande parte por causa disso que se
tentou encontrar formas que permitissem que o museu se tornasse também uma questão
dos sindicatos.
Em 1970, iniciaram-se as propostas em relação ao Creusot, que havia sido
abandonado por atores não-industriais da comunidade, impregnadas de um espírito de
descentralização e animação cultural. O projeto de museu se desenhou em torno de
pessoas que deram à municipalidade uma garantia do que seria colocado em prática. Em
novembro de 1971, convencido do papel de animação que ele poderia dar a esta
empresa, Varine decide se associar ao projeto.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 14


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

As dificuldades encontradas para que houvesse a transformação em museu se


deram a partir da recusa de fazer entrar aqueles que já viviam (o símbolo de poder de
uma indústria em atividade constante) em uma temporalidade museológica. Surge, pois, a
questão: “quem está morto no Creusot? Nem a usina, nem os Schneider”27 – garante
Debary.
As comunidades urbanas visavam fazer coincidir as instituições administrativas
das grandes vilas com as realidades práticas da urbanização. A comunidade permitiu que
fosse contornada a dificuldade de realizar um museu local. O projeto de museu se deu
com uma ambição de se acompanhar a recomposição econômica e social da comunidade
urbana. Assim, o museu se afirmou como um instrumento político, estabelecendo uma
política social. As condições para uma revolução cultural pelo museu engajaram uma
“revolução do museu”.
Definindo o homem como um “animal comunitário”28 para o qual a condição
humana é a de agir, Varine vê na iniciativa comunitária o meio de sair da relação de
dominação. A dimensão cultural das estratégias de desenvolvimento comunitário deve se
fundamentar na utilização de recursos humanos e do patrimônio, de uma população sobre
um território.
O museu do Creusot se tornou um ecomuseu. Os estatutos da associação do
“Écomusée de la Communauté urbaine Le Creusot-Montceau-Les-Mines – musée de
l’Homme et de l’Industrie”29 o definiram como um museu essencialmente ecológico. E se,
ao fim dos anos 1970, a indústria no Creusot conhecia as reestruturações acompanhadas
pelo desmantelamento do sistema paternalista que a sustentava, ninguém quis ver na
criação do ecomuseu o anúncio do fim do trabalho.
Para Debary, o museu do Creusot não foi nunca pensado como ecomuseu no
sentido de salvaguardar a natureza, uma vez que isto poderia implicar na substituição da
salvaguarda da indústria. A ecologia era pretexto para uma museografia que,
acompanhada pela arte, resultasse em uma “confusão” que atendia aos anseios da
equipe do ecomuseu.
No Creusot, o investimento de uma museografia viva encontra na “aquisição” de
uma cidade de minérios uma instância de desenvolvimento. O ecomuseu passa, então, a
ser definido como um instrumento de desenvolvimento, um instrumento a serviço de uma
pedagogia: a pedagogia da iniciativa e da decisão. O Creusot, como não-lugar
patrimonial, expõe suas usinas em atividade (e os signos de sua urbanização
industrial como os traços de um passado ainda vivo).

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 15


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

A sedução do ecomuseu repousa na atração dos encontros que ele permite. É um


museu sempre em movimento. O ecomuseu convida toda a população a se juntar em sua
causa, ou em causa dela mesma. Não poderia haver modelo mais convidativo e
apaixonante. Ao fim dos anos de 1970, a experiência museológica no Creusot já se havia
configurado como um modelo nacional e internacional, passando a ser observada e
estudada por numerosas universidades e museólogos. No auge do renome das indústrias
Schneider, o ecomuseu virou uma referência.
No Creusot – e mais tarde em Haute-Beauce (Québec) – o projeto museológico
se desenvolve em função das especificidades de um “território de ação”30. A partir de uma
região “sinistra” – em vista da desindustrialização avançada – daquele que havia sido o
território de um dos maiores complexos de minério e siderurgia francesa, o projeto do
Creusot tenta uma exploração sistemática da memória do trabalho industrial. Em Haute-
Beauce, o trabalho de reapropriação de culturas se declina para uma dimensão mais
ambiental. O caráter essencialmente rural da região implica em uma consideração maior
quanto ao aspecto geográfico do lugar. Por isso, no caso do Canadá, muito se buscou em
alguns exemplos de museus a céu aberto franceses.
Hoje, a região industrial do século XIX do Creusot mostra que não existe mais
nada ali. Desde a criação do museu, em 1972, nada aconteceu. Em 1984 e 85, a fábrica,
a companhia siderúrgica que operava ali, e onde havia dezenas de construções
industriais enormes dos séculos XIX e XX, é o cenário de uma sociedade que faliu.
Baseado nisso, Varine explica que o museu comunitário não é uma aventura linear, ele é
naturalmente comunitário e opera na duração, no tempo do patrimônio preservado.
Hoje, o Creusot é visto pelos teóricos a partir de algumas contradições. O próprio
Château de la Verrerie acabou se tornando uma espécie de museu tradicional, guardando
os vestígios materiais do império industrial. Para Debary, os Schneider foram um objeto
do museu, um objeto de uma história passada. Nós temos necessidade de uma instância
de memória para fazer dela a instância do esquecimento. O museu reconta a história.
Uma vez que ela se constitui na memória, ela permite seu esquecimento. A transformação
do Ecomuseu do Creusot em uma estrutura museológica clássica acompanha uma
mudança de temporalidade que pode parecer ultrapassada.
Porém, é preciso ficar claro que o Ecomuseu está sujeito às características do
museu tradicional - que, constantemente, o farão preso ao passado e voltado
definitivamente para ele. Cabe à comunidade saber exatamente o que buscar neste
tempo antigo e retornar para o presente desfazendo as amarras.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 16


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

Face ao seu patrimônio, o ecomuseu vive de suas próprias contradições:


inventariar, coletar, “separar”, conservar através de alguns rituais institucionais
museológicos que sacralizam o objeto, como se assim pudesse tornar sagrado o que não
reside no material. Mas, Bellaigue nos lembra que o ecomuseu também privilegia a
memória, a história e faz emergir as identidades de tal forma que a mobilidade e a
uniformização apareçam como condições atuais para a sobrevivência.
Objetos da vida doméstica, máquinas, prédios da vida industrial ou agrícola,
paisagens urbanas ou rurais, documentos que aparentemente são banais até mesmo pelo
seu uso, fazem parte, na realidade, mais da esfera da subjetividade do que da
objetividade. É esta subjetividade que faz do patrimônio substância ativa. Se o patrimônio
é possibilidade de identificação, não é na singularidade que ele permitirá a uma
identidade se colocar diante de outra identidade31. O espelho da comunidade se
encontra em tudo aquilo que é subjetivo no Ecomuseu, em todas as coisas com as
quais o homem se relaciona, tudo aquilo que compõe, tão subjetivamente, o que
chamamos de Real.

5. Concluindo: o verdadeiro papel do Ecomuseu

Uma vez estabelecida a sua base teórica e os seus principais fundamentos,


precisamos questionar qual a verdadeira função deste Novo Museu e o papel que ele
deve exercer em nossas sociedades como instrumento de educação, cultura,
experimentação, pedagogia, comunicação e desenvolvimento.
Quando Freire32 introduz a idéia de uma pedagogia da liberdade, ele analisa a
problemática do medo da liberdade por parte dos oprimidos, ou seja, o que seria, na
verdade, o medo da desordem. O autor trata a questão da consciência crítica, e do que
ele chama de “perigo da conscientização” proveniente desta consciência que afirma ser
anárquica. A esta análise ele ainda adiciona o fator do fanatismo destrutivo, também
proveniente desta possível consciência crítica.
A partir deste ponto de vista e da relação estabelecida pelo autor entre
opressores e oprimidos, pode-se compreender em sua narrativa casos como o dos
exemplos utilizados por Desvallés, quando trata de identidades culturais e minorias.
No museu, esta problemática está expressa no tratamento dado às identidades
culturais, como indica o autor francês, quando um museu, comumente, esquece-se da

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 17


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

diacronia, criando imagens fixas e “acrônicas”. Desta forma as minorias perdem parte de
suas identidades e assumem o papel de oprimidos.33
A atualidade política nos traz um movimento inverso. É a imagem fixa que serve,
sucessivamente, de referência. Seja ela efetivamente musealizada, como ponto de apoio
ideológico, ou simplesmente imaginada, ou permanecendo na memória. Mas então, tende-
se absolutamente a dar a versão “museal”.
A sincronia, como uma identidade cultural diversificada, significa que o museu não
pode contentar-se em traduzir as diferenças entre grupos étnicos que co-habitam uma
mesma unidade política sem traduzir, ao mesmo tempo, as diferentes culturas que
convivem dentro de um mesmo grupo étnico.
Desvallées afirma que durante a Conferência Geral do ICOM de 1971, John
Kinard, teórico americano, enfatizava que, visitando os museus norte-americanos, não é
possível saber jamais que milhões de negros habitam o país, tendo trazido uma
significativa contribuição ao seu desenvolvimento.
Para o autor, a problemática das minorias não se esgota na relação entre
conquistadores e conquistados. Os ameríndios, a partir da violação de seus locais
funerários e do rapto dos restos de seus ancestrais, ajudaram os profissionais de museus
a tomar consciência de seus problemas. Os museus encontravam-se no centro de uma
reivindicação que, em princípio, possuía um aspecto político.
Às atuais necessidades da museologia, se deseja responder com uma nova
problemática política, bem como a evolução da Antropologia Cultural (ou etnologia) exigem
que se vá mais além da especialidade monocultural e que o museu, especialmente através
de suas exposições, seja o receptáculo da diversidade do homem e do mundo, se deseja
expressar sua unidade.
Por fim, Desvallées questiona quando se verá os museus de cada país tomarem a
seu encargo o patrimônio das comunidades minoritárias e fazê-lo falar através de
exposições, especializadas ou multiculturais.
Segundo Freire34, quando o autor dá continuidade às idéias acerca da chamada
“pedagogia da liberdade”, a educação deve ter como objetivo maior desvelar as relações
opressivas vividas pelo homem, transformando-o para que ele transforme o mundo.
Segundo a sua proposta inovadora, mais do que ler, escrever e contar, a Escola tem
tarefas mais sérias, como desvelar para os homens as contradições da sociedade em que
vivem. É aí que reside o papel educativo do Ecomuseu.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 18


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

Para Freire, a educação é uma prática política, tanto quanto qualquer prática
política é pedagógica. Não há educação neutra. E sendo toda a educação um ato político,
os educadores necessitam construir conhecimentos com seus alunos, tendo como
horizonte um projeto político de sociedade. Respeitando-se a linguagem, a cultura e a
história de vida dos educandos, pode-se levá-los a tomar consciência da realidade que os
cerca, discutindo-a criticamente. Conteúdos, portanto, jamais poderão ser desvinculados
da vida. Freire defende o elo escola/vida, respeitando o educando como sujeito da
história.
O autor afirma que a leitura do mundo precede a leitura da palavra, com isto
querendo dizer que a realidade vivida é a base para qualquer construção de
conhecimento. A base da pedagogia de Freire é o diálogo libertador e não o monólogo
opressivo do educador sobre o educando. Na relação dialógica estabelecida entre o
educador e o educando, faz-se com que este último aprenda a aprender. Respeita-se o
educando não o excluindo de sua cultura, fazendo-o de mero depositário da cultura
dominante.
Ao se descobrir como produtor de cultura, os homens se vêem como sujeitos e
não como objetos da aprendizagem. A partir da leitura de mundo de cada educando,
através de trocas dialógicas, constroem-se novos conhecimentos. A educação deve ter
como objetivo maior desvelar as relações opressivas vividas pelos homens,
transformando-os para que eles transformem o mundo.
Freire defende a idéia de que a educação não pode ser um depósito de
informações do professor sobre o aluno. Esta “pedagogia bancária”, segundo o autor, não
leva em consideração os conhecimentos e a cultura dos educandos. Cada indivíduo tem
uma experiência particular e única no ato de aprender; cabe ao educador o entendimento
deste processo.
Voltando mais uma vez à origem mitológica do Museu, veremos que Scheiner
apresenta o Mousàon como espaço intelectual de manifestação das musas. Para a autora
as musas são “a expressão mesma do gênio criativo do Homem”35. Elas existem onde
estão, e estão onde existem. Isto significa que as musas estão em todas as partes: estão
onde o homem está. Para a autora, o poder do museu reside na evidência – não apenas
na evidência da cultura material, como único testemunho do ato de criação, mas nos
processos culturais como evidência mesma, entendidos em seu próprio tempo e em seu
próprio espaço. As sociedades devem conhecer suas próprias evidências culturais, suas
próprias concepções de mundo, suas leituras específicas da realidade. A evidência

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 19


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

cultural só pode ser integralmente compreendida dentro dos limites próprios estabelecidos
pelo espaço, pelo tempo e pelos traços culturais de cada grupo, e é fundamental ter
acesso aos códigos das culturas dos grupos com os quais se quer estabelecer
comunicação.
Os objetos apenas contêm fragmentos de realidade. Pois nenhum objeto poderá
jamais abarcar a multiplicidade de traços necessários a compreensão de um fenômeno ou
evidência cultural.
Enquanto o Museu Templo, em sua origem, surgiu da necessidade do homem de
ter um espaço para guardar documentos que expressassem a sua memória, surge, da
necessidade de se “guardarem” mitos, crenças e códigos da cultura de grupos específicos
– além, portanto, da necessidade de uma instância onde estes elementos intangíveis
agora possam ser preservados – o Ecomuseu.
Não podemos olvidar, lembra a autora, de que informação é poder – aquele que
pode escolher o que informar, como informar e onde informar tem poder sobre si mesmo,
ou seja: tem liberdade. E complementa:

Não quero ver uma Cariátide em Londres, ou uma Korè em São Francisco. Não
quero ver um elefante em Genève ou os adornos dos índios brasileiros na
Alemanha. Quero ver as evidências em seu próprio espaço, imagens de seu
tempo. Onde está Mnemòsyne?36

Todo indivíduo é capaz de cantar, dançar e representar, criar tecnologia e arte.


Toda nação possui porções únicas de meio ambiente para conhecer e proteger. Todo
indivíduo, toda nação possui uma memória. O objetivo da Museologia é permitir e
incentivar “que todos os homens, que todas as nações tenham o poder de escolher onde
e quando celebrar suas Musas.”
No caso da América Latina necessitamos – mais do que de um novo museu que
preserve os elementos culturais de suas sociedades de forma integral –, do poder de
escolha, ou seja, de poder decidir onde e como sua cultura e seus valores devem ser
preservados e transmitidos. Assim será constituída a nossa identidade e auto-estima.
O Ecomuseu é apenas um instrumento que as comunidades constroem e utilizam
em detrimento de seu desenvolvimento; e é neste ponto que reside a sua magia, ele não
é um modelo cristalizado e fechado, ao contrário, está sujeito a mudanças e adaptações
que dependem da forma que o próprio homem irá conduzi-lo e compartilhá-lo. As Musas
aqui estão livres e não mais presas ao templo; o humano é preservado em sua forma
mais intangível.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 20


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

Notas:
1. SCHEINER, Tereza Cristina M.. Apolo e Dionísio no templo das musas – Museu: gênese, idéia e
representações na cultura ocidental. 1998. Dissertação (Mestrado em Comunicação) Universidade
Federal do Rio de Janeiro/ECO, Rio de Janeiro, 1998. p. 99.

2. MAURE, Marc. A Nova Museologia: o que é? In: [ANNUAL CONFERENCE OF THE INTERNATIONAL
COMMITTEE FOR MUSEOLOGY/ICOFOM (17)]. Symposium Museum and Community II. Stavanger,
Noruega, jul. 1995.

3. O museu tradicional é originado do gabinete de curiosidades em que se guardavam objetos


aleatoriamente que não apresentavam relação aparente entre si. Este modelo se desenvolveu até servir de
base para a organização dos grandes museus. Após a Revolução Francesa o Louvre se caracterizou
fortemente como principal exemplo de museu tradicional. Este modelo foi se desenvolvendo principalmente
ao longo do século XVIII até se concretizar como a instituição museu no início do século XIX. Durante este
século o processo de institucionalização do museu tradicional resultou no modelo conhecido hoje.

4. CERÁVOLO, Suely Moraes. Da palavra ao termo – um caminho para compreender a museologia. Tese
de Doutoramento entregue à Universidade de São Paulo/Escola de Comunicação e Artes. p.90.

5. CLAIR, Jean. As origens da noção de ecomuseu. Cracap Informations, no. 2-3, 1976. p: 2-4. Trad:
Tereza Scheiner.

6. Ibidem, passim.

7. Ibidem.

8. Ibidem.

9. Ibidem.

10. Ibidem.

11. Georges-Henri Rivière, primeiro idealizador do Ecomuseu.

12. DE VARINE, Hugues. Decolonising Museology. ICOM NEWS, nº3, 2005. p3.

13. Id. El ecomuseo, más allá de la palabra. Revista Museum, vol. XXXVII, n°148. Imágenes del ecomuseo.
Paris: Unesco, 1985.

14. Quando Varine fala em descolonização ele se refere a uma descolonização intelectual, descolonizar os
museus, as teorias ultrapassadas, obsoletas, da museologia. Descolonizar não apenas as instituições, mas
as pessoas responsáveis por elas. Parar de pensar em termos de modelos que vão de qualquer modo
adotar as instituições do século XXI, que continuam a seguir as modas do século XIX.

15. STRÁNSKÝ, Zbyněk Z. Museum, territory, society. In: [ANNUAL CONFERENCE OF THE
INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY/ICOFOM (5)]. London [UK]. July/juillet 1983. Coord.
Vinoš Sofka Symposium Museum, Territory, Society: new tendencies/new practices - Musée,
Territoire, Société: nouvelles tendances/nouvelles pratiques. Stockholm: ICOM, International Committee
for Museology/ICOFOM; Museum of National Antiquities, Stockholm, Sweden. ICOFOM STUDY SERIES –
ISS 2. 1983.

16. 1972

17. RIVIÈRE, Georges-Henri. Definição Evolutiva de Ecomuseu. 22 janeiro 1980. Ecomusée Informations,
(8), I, dezembro 1983. Trad. e adaptado por T. Scheiner.

18. Ibidem.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 21


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

19. MAIRESSE, François. Musée. In: MAIRESSE, François & MARANDA, Lynn & DAVIES, Ann (Diretores).
Defining the museum. ICOM: International Commitee for Museology – ICOFOM. Morlanwelz, Belgique.
Original inédito (não publicado). p.48.

20. Id. Le musée temple spetaculaire. Paris: Universitaire de Lion. 2002. p.108. O marteau-pilon retirado
da usina, para ser erigido como monumento sobre uma das praças da vila do Creusot. Monumento à
nostalgia de ‘tempos passados’ e ao paternalismo dos Schneider? (tradução nossa)

21. Ibidem, p.108.

22. Ibidem, p.109.

23. Ibidem, p.112.

24. BELLAIGUE, Mathilde. Creativité populaire et pedagogie museale: substituts ou originaux? In: ICOM,
International Committee for Museology/ICOFOM; ICOFOM STUDY SERIES – ISS 06.

25. Id. Territorialité, memoire et developpement. L’ecomusée de la communauté. In: ICOM, International
Committee for Museology/ICOFOM; ICOFOM STUDY SERIES – ISS 02. p.34.

26. Ibidem, p.35.

27. DEBARY, Octave. La fin du Creusot ou L’art d’accommoder les restes. Paris: CTHS, 2002. p.33.

28. Ibidem, p.35. Apud DE VARINE, Hugues. La culture des autres, Paris, 1976.

29. Ecomuseu da Comunidade urbana Le Creusot-Montceau-Les-Mines – museu do Homem e da indústria.


(tradução nossa)

30. MAIRESSE, François. Musée. In: MAIRESSE, François & MARANDA, Lynn & DAVIES, Ann (Diretores).
Defining the museum. ICOM: International Commitee for Museology – ICOFOM. Morlanwelz, Belgique.
Original inédito (não publicado). p.46.

31. BELLAIGUE, Mathilde. Territorialité, memoire et developpement. L’ecomusée de la communauté. In:


ICOM, International Committee for Museology/ICOFOM; ICOFOM STUDY SERIES – ISS 02. p.34.

32. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2004.

33. DESVALLÉES, André. Museus, Identidades e Minorias Culturais. In: ENCONTRO [ANUAL] DO GRUPO
REGIONAL DO COMITÊ INTERNACIONAL DE MUSEOLOGIA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE /
ICOFOM LAM (2). Quito, Equador. 18 julho / 23 julho 1993. Coord. Lucia Astudillo, Nelly Decarolis, Tereza
Scheiner. Museus, Museologia, Espaço e Poder na América Latina e no Caribe. Quito: Organização
Regional do Conselho Internacional de Museus para a América Latina e o Caribe / ICOM LAC. 1994.

34. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança – Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de
Janeiro: Paz e Terra. 2004.

35. SCHEINER, Tereza Cristina. Museus, Espaço e Poder. In: ENCONTRO [ANUAL] DO GRUPO REGIONAL
DO COMITÊ INTERNACIONAL DE MUSEOLOGIA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE / ICOFOM
LAM (2). Quito, Equador. 18 julho / 23 julho 1993. Coord. Lucia Astudillo, Nelly Decarolis, Tereza Scheiner.
Museus, Museologia, Espaço e Poder na América Latina e no Caribe. Quito: Organização Regional do
Conselho Internacional de Museus para a América Latina e o Caribe / ICOM LAC. 1994.

36. Ibidem.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 22


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Bruno César Brulon Soares

Referências:
BELLAIGUE, Mathilde. Territorialité, memoire et developpement. L’ecomusée de la communauté. In: ICOM,
International Committee for Museology/ICOFOM; ICOFOM STUDY SERIES – ISS 02. p.34.

CERÁVOLO, Suely Moraes. Da palavra ao termo – um caminho para compreender a museologia. 2004.
Tese (Doutorado em Comunicação) Universidade de São Paulo/Escola de Comunicação e Artes, São
Paulo, 2004.

CLAIR, Jean. As origens da noção de ecomuseu. Cracap Informations, no. 2-3, 1976. p: 2-4. Trad: Tereza
Scheiner.

DAVALLON, Jean. Tradition, Mémoire, Patrimoine. In: SCHIELE, Bernard (dir.). Patrimoines et identités.
Québec: Éditions Multimondes, 2002. p.41-64.

DECLARAÇÃO DE SANTIAGO. PRINCÍPIOS DE BASE DO MUSEU INTEGRAL. In: SCHEINER, Tereza (org.). Caderno de
Textos No. 01 - Museologia 03. RJ : UNIRIO, 1999. Pré-ed. 2a. Pré-ed. Revisada, nov. 2002.

DE VARINE, Hugues. Decolonising Museology. ICOM NEWS, nº3, 2005.

_______. El ecomuseo, más allá de la palabra. Revista Museum, vol. XXXVII, n°148. Imágenes del
ecomuseo. Paris: Unesco, 1985.

DEBARY, Octave. La fin du Creusot ou L’art d’accommoder les restes. Paris: CTHS, 2002.

DESVALLÉES, André. Museus, Identidades e Minorias Culturais. In: ENCONTRO [ANUAL] DO GRUPO
REGIONAL DO COMITÊ INTERNACIONAL DE MUSEOLOGIA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE /
ICOFOM LAM (2). Quito, Equador. 18 julho / 23 julho 1993. Coord. Lucia Astudillo, Nelly Decarolis, Tereza
Scheiner. Museus, Museologia, Espaço e Poder na América Latina e no Caribe. Quito: Organização
Regional do Conselho Internacional de Museus para a América Latina e o Caribe / ICOM LAC. 1994.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2004.

_______. Pedagogia da Esperança – Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro:


Paz e Terra. 2004.

MAIRESSE, François. Musée. In: MAIRESSE, François & MARANDA, Lynn & DAVIES, Ann (Diretores).
Defining the museum. ICOM: International Commitee for Museology – ICOFOM. Morlanwelz, Belgique.
Original inédito (não publicado).

_______. Le Musée Temple Spectaculaire. Paris: Universitaire de Lion. 2002.

MAURE, Marc. A Nova Museologia: o que é? In: [ANNUAL CONFERENCE OF THE INTERNATIONAL
COMMITTEE FOR MUSEOLOGY/ICOFOM (17)]. Symposium Museum and Community II. Stavanger,
Noruega, jul. 1995. Coord. Martin R. Schärer. ICOFOM STUDY SERIES - ISS 25. Org. and edited by Martin
R. Schärer. Vevey: International Committee for Museology / ICOFOM; Alimentarium Food Museum, 1995. p.
127-132. Título original: La nouvelle muséologie – qu´est-ce-que c´est? Trad. Tereza Scheiner. RJ: UNIRIO,
março 2000.

RIVIÈRE, Georges Henri. Definición evolutiva del ecomuseo. Revista Museum, vol. XXXVII, n°148.
Imágenes del ecomuseo. Paris: Unesco, 1985.

SCHEINER, Tereza Cristina M.. Apolo e Dionísio no templo das musas – Museu: gênese, idéia e
representações na cultura ocidental. 1998. Dissertação (Mestrado em Comunicação) Universidade
Federal do Rio de Janeiro/ECO, Rio de Janeiro, 1998.

_______. Museus, Espaço e Poder. In: ENCONTRO [ANUAL] DO GRUPO REGIONAL DO COMITÊ
INTERNACIONAL DE MUSEOLOGIA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE / ICOFOM LAM (2). Quito,
Equador. 18 julho / 23 julho 1993. Coord. Lucia Astudillo, Nelly Decarolis, Tereza Scheiner. Museus,
Museologia, Espaço e Poder na América Latina e no Caribe. Quito: Organização Regional do Conselho
Internacional de Museus para a América Latina e o Caribe / ICOM LAC. 1994.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 23


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/
Entendendo o Ecomuseu: uma nova forma de pensar a Museologia

SOARES, Bruno C. Brulon. Em busca do tesouro perdido: o Nova Museologia, o Novo Museu e a América
Latina. 2006. 175f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Museologia) – Escola de Museologia,
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

STRÁNSKÝ, Zbyněk Z. Museum, territory, society. In: [ANNUAL CONFERENCE OF THE INTERNATIONAL
COMMITTEE FOR MUSEOLOGY/ICOFOM (5)]. London [UK]. July/juillet 1983. Coord. Vinoš Sofka
Symposium Museum, Territory, Society: new tendencies/new practices - Musée, Territoire, Société:
nouvelles tendances/nouvelles pratiques. Stockholm: ICOM, International Committee for
Museology/ICOFOM; Museum of National Antiquities, Stockholm, Sweden. ICOFOM STUDY SERIES – ISS
2. 1983.

Revista Eletrônica Jovem Museologia – Estudos sobre Museus, Museologia e Patrimônio 24


Ano 01, nº. 02, agosto de 2006. http://www.unirio.br/jovemmuseologia/

Você também pode gostar