Você está na página 1de 23

Ventilação Não Invasiva - VNI

• É a técnica de ventilação artificial, a qual não


emprega qualquer tipo de prótese traqueal (tubo
orotraqueal, nasotraqueal ou cânula de
traqueostomia), e a conexão entre ventilador e
paciente é feita através de uma máscara nasal ou
facial.

(CARVALHO, 2006)
Ventilação Não Invasiva
• Não é uma técnica de ventilação nova – no sec. XIX
pulmão tanque.

• Foi substituída pela ventilação mecânica invasiva no


período da 2ªG.M.

• Atualmente está sendo redescoberta pelos médicos e


fisioterapeutas.
(PRYOR, 2002 e CARVALHO, 2006)
VNI – Benefícios Fisiológicos
• Melhora da troca gasosa normalizando a oxigenação e
ventilação alveolar;

• Previne ou corrige colapsos alveolares, por meio da


manutenção dos volumes pulmonares e otimizando a
CRF;

• Diminui trabalho respiratório.


(CARVALHO, 2006)
VNI – Outros Benefícios Fisiológicos

• Importante desempenho hemodinâmico, pois com o  da P


intratorácica há uma diminuição no retorno venoso,
diminuindo assim a pré-carga do VE, e, paralelamente
ocorre o  do gradiente pressórico entre VE e aa
extratorácicas, reduzindo a pós carga e melhorando o
desempenho cardíaco.

(KNOBEL, 2006)
VNI – Indicação e Seleção
• Consenso de VNI com pressão positiva, American
Respiratory Care Foundation, 1997:
• • Absoluta: desconforto respiratório com dispnéia
moderada ou severa, uso mm acessórios, respiração
paradoxal; pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg, e FR > 25
rpm.
• • CI Absolutas: parada respiratória; instabilidade
cardiovascular; pcte não colaborativo; P.O facial,
esofágico ou gástrico; trauma ou queimadura facial;
(CARVALHO, 2006)
VNI – Indicação e Seleção
risco de aspiração e dificuldade de manipulação de
secreção; incapacidade de manter permeabilidade das
vias aéreas e alterações anatômicas da nasofaringe.

• • CI relativas: ansiedade extrema; obesidade mórbida;


secreção abundante; SARA com hipoxemia grave.

(CARVALHO, 2006)
VNI – Indicação e Seleção
• Além das I citadas anteriormente, precisamos lembrar
que o paciente necessita se manter alerta e colaborativo
diminuindo assim crises de vômitos e aspiração de
conteúdo gástrico e gere parte do trabalho respiratório;

• Assim como é CI em pacientes que tenham um


rebaixamento do nível de consciência, mal formação de
face e nasofaringe; sangramento respiratório ou
gastrintestinal ativo.
(KNOBEL, 2006)
VNI – Tipos de Máscara
• Nasais, orofaciais e faciais conhecidas como full face.
Características das máscaras usadas para VNI
Máscara nasal Máscara facial
Espaço morto Menor: ~ 105 ml Maior: ~ 250 ml

Claustrofobia Difícil Pode ocorrer

Vômitos e aspiração Raros Infreqüentes

Ingestão oral
expectoração Imediata Necessitam da
retirada da máscara

(KNOBEL, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas
• O CPAP Nasal é um sistema de fluxo contínuo, fornecido
por um gerador de fluxo que funciona apenas em ar
ambiente e a mistura gasosa pode ser enriquecida com
O2 (oxigênio) através de adaptadores especiais e o gás
pode ser ofertado para as vias aéreas nasais através de
dispositivos nasais.

• O CPAP Nasal é indicado principalmente para indivíduos


portadores de AOS ou OSA (apnéia obstrutiva do sono),
apnéia central e apnéia combinada.
(AZEREDO, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas
• O sono é um alvo muito estudado devido a respiração
sofrer diminuição de 10 a 20% da taxa metabólica,
alterações no débito cardíaco e fluxo sangüíneo
cerebral, durante o mesmo.
• Em portadores de AOS, o estímulo do centro
respiratório se encontra alterado devido a adaptação a
hipóxia e hipercapnia, podendo chegar à óbito
decorrente das apnéias periódicas durante o sono
ocasionadas pela frouxidão das vias aéreas superiores,
as quais sofrem colapsos durante o esforço inspiratório
progressivo durante as apnéias.
(AZEREDO, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas
• Os efeitos fisiológicos do CPAP Nasal são:
→ para os portadores de AOS, o CPAP mantém as vias
aéreas superiores abertas, impedindo o colapso durante
esforço inspiratório. Estudos mostram que o nível ideal
para eliminar a apnéia varia de 7,5 à 15cm H2O;

→ alteração dos reflexos nas vias aéreas superiores, que


influenciam no impulso respiratório, no tônus muscular e
na atividade dilatadora e constritora das mesmas;
(AZEREDO, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas
• Os efeitos fisiológicos do CPAP Nasal são:
→ aumento do volume expiratório final, e este não
apresenta grande repercussão devido ao aumento do
reflexo de tônus da musculatura inspiratória e
abdominais;
→ aumento da pressão intratorácica levando a diminuição
do débito cardíaco;
→ aumento da pressão nas vias aéreas superiores, podendo
acarretar alteração na mucosa, nariz e barotrauma nos
ouvidos.
(AZEREDO, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas

• Para Knobel (2006), como a máscara fica conectada à uma


rede de O2 e esta à um multiplicador de fluxo (sistema
Venturi), e a máscara possui 2 vias – uma que recebe
fluxo e outra por onde este sai continuamente – sendo na
via expiratória está conectada a válvula de pressão a qual
fornece uma pressão positiva entre 2,5 à 12,5 cmH2O, os
fluxos devem ser 3 vezes o volume-minuto do paciente
para que ocorra uma diminuição do trabalho respiratório.
(KNOBEL, 2006)
CPAP – P positiva contínua nas vias aéreas
• Vantagens: o custo inferior, menos invasivo, pacientes
relatam conforto e não incomoda o sono.
• Desvantagens: paciente não suporta tratamento por longo
período, aplicação falha quando altos volumes dissipam pela
boca, desconforto pela máscara nasal, ressecamento da
mucosa nasal, irritação da presilha na pele, sensação de dor
nos olhos, ressecamento do globo ocular, conjuntivite e
ulceração corneana decorrente do escape do gás na
superfície do nariz e se ocorrer o desenvolvimento de altos
níveis pressóricos nas vias aéreas superiores, a epiglote
obstrui a passagem do fluxo aéreo ou a língua junta-se ao
palato mole interrompendo também o fluxo aéreo.
(AZEREDO, 2006)
BiPAP – Respiração com Pressão Positiva em 2 níveis

• É um recurso de pressão positiva definido como uma


pressurização do sistema em dois níveis de pressão que se
alternam em um tempo pré-ajustado respeitando as fases
inspiratórias e expiratórias do ciclo respiratório.

• Permite diferenciar a pressão administrada durante


inspiração – IPAP (pressão inspiratória positiva constante)
– e durante a fase expiratória – EPAP (pressão expiratória
positiva constante).
(AZEREDO, 2006)
BiPAP – Respiração com Pressão Positiva em 2 níveis

• São aparelhos vantajosos para: controle de fechamento da


via aérea superior, recrutamento alveolar colapsado ou para
a superação da pressão expiratória final intrínseca.
Entretanto a regulagem do EPAP reduz a pressão
diferencial entre inspiração e expiração, podendo afetar o
valor do grau de aumento da ventilação por minuto.

(PRYOR, 2006)
BiPAP – Respiração com Pressão Positiva em 2 níveis

• Estudos mostram desvantagens do BiPAP com EPAP à


5cmH2O em pctes com dças neuromusculares há  da
anormalidade da troca gasosa o que não ocorre em pctes
com DPOC; efeitos deletérios na qualidade do sono; ainda
em DPOCs há pouca tolerância; falha na  adequada de
CO2, apesar do  do volume minuto e  no esforço
respiratório.

(PRYOR, 2006)
BiPAP – Respiração com Pressão Positiva em 2 níveis

• Knobel (2006), relata o oposto sobre o BiPAP em pacientes com


DPOC, ao dizer que esta é uma alternativa interessante para
esses pacientes, com um IPAP de 15 à 25 cmH2O para o
obtenção do volume-corrente superior a 350ml e FR inferior a
28 movimentos respiratórios por minuto.

• Quanto maior o IPAP, maior o volume-corrente expirado;


quanto maior o EPAP, maior será a saída de ar pela válvula
exalatória; e quanto menor o EPAP, maior será a quantidade de
ar retrógrada para o respirador durante a expiração.

(KNOBEL,
2006)
BiPAP – Respiração com Pressão Positiva em 2 níveis

• Segundo Carvalho (2006), as indicações do BiPAP são


similares às do CPAP, porém com superioridade em
urgências de correção da hipercapnia e diminuição
do trabalho respiratório, além de estudos
mostrarem um índice de maior incidência de infarto
do miocárdio associado ao BiPAP.

(CARVALHO, 2006)
RPPI – Respiração por Pressão Positiva Intermitente

• É uma forma de exercício respiratório que utiliza a pressão


positiva com o objetivo de aumentar periodicamente os
volumes pulmonares e a capacidade vital.
• A RPPI é a manutenção da pressão positiva da via aérea por
toda a inspiração, com a pressão da via aérea retornando à
pressão atmosférica durante a expiração.
• Quando aplicado em indivíduos completamente relaxados, por
aumentar o volume-corrente o trabalho respiratório durante a
inspiração é praticamente zero.

(PRYOR, 2006)
RPPI – Respiração por Pressão Positiva Intermitente

• Indicado para: prevenir e corrigir atelectasias; promover a


dilatação dos brônquios; melhorar a distribuição e deposição do
aerosol; agir contra congestão ou edema pulmonar; promover e
estimular a expectoração; diminuir o trabalho inspiratório;
regular os fluxos inspiratórios e expiratórios na agudização da
bronquite crônica, e pós-operatório em geral.
• A eficácia depende da cooperação do paciente e da habilidade e
conhecimento do terapeuta em administrar de acordo com a
constante de tempo, a necessária pressão da insuflação para
uma troca gasosa adequada.
(PRYOR, 2006)
RPPI – Respiração por Pressão Positiva Intermitente

• Os riscos e complicações são: aumento da resistência e trabalho


respiratório; barotrauma, pneumotórax; infecção nosocomial;
hemoptise; hiperóxia; distensão gástrica; impactação de
secreção associado a uma umidificação inadequada;
dependência psicológica; impedância do retorno venoso;
exacerbação da hipoxemia; hipoventilação ou hiperventilação;
aumento da instabilidade ventilação-perfusão, distensibilidade
alveolar, auto-PEEP.
(GUIDELINE, 2006)
RPPI – Respiração por Pressão Positiva Intermitente

• RPPI • CPAP
• Pressão de 10 a 20 cmH2O • Pressão de 05 a 10
durante a inspiração cmH2O durante a
• Nenhuma mudança na CRF inspiração e expiração
• Redução do trabalho • Aumento na CRF
respiratório • Redução do trabalho
• Aumento do volume respiratório
corrente • Nenhuma mudança no
• Aumento na ventilação volume corrente
colateral (?) • Aumento na ventilação
colateral (?)

(PRYOR, 2006)

Você também pode gostar