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WBA0242_V1.

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Gestão de Custos Logísticos
Gestão de Custos Logísticos
Autoria: Robson Ribeiro de Azevedo
Como citar este documento: AZEVEDO, Robson Ribeiro de. Gestão de custos logísticos. Valinhos: 2016.

Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: Introdução aos Custos Logísticos 04
Unidade 2: Custos de Transportes 25
Unidade 3: Custos de Armazenagem 51
Unidade 4: Custos de Estoques 71
Unidade 5: Custos de Embalagens 92
Unidade 6: Processamento e Atendimento de Pedidos 112
Unidade 7: Tributação Inerente ao Processo Logístico 134
Unidade 8: Custeio ABC e Formação de Preços 155

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Apresentação da Disciplina

A disciplina tem por objetivo apresentar os sentar os principais itens, bem como a clas-
custos logísticos e seus impactos no pro- sificação e a divisão em categorias de cada
cesso de gestão empresarial. um deles com suas características e seus
Sabe-se que a logística tem por principal potenciais de geração de benefícios espe-
objetivo a otimização de recursos, sejam cíficos.
eles recursos materiais, humanos, tecnoló- A disciplina está dividida em 8 (oito) temas,
gicos ou financeiros. E é nesse último item apresentando as diversas categorias de
que a gestão de custos atua. custos, os impactos tributários desses cus-
Em função da sua natureza, a atividade lo- tos e os métodos de apuração existentes,
gística por si só tende a promover uma re- com foco em um deles, o custeio ABC e seu
dução de custos nos processos empresa- impacto na formação do preço dos produ-
riais. No entanto, a execução dessa ativi- tos e serviços oferecidos.
dade gera também alguns custos. Cabe ao Esperamos que esse conteúdo tão impor-
gestor acompanhar e gerenciar essas ativi- tante para a gestão da atividade logística
dades fazendo com que a logística traga de possa trazer a você, nosso aluno, informa-
fato benefícios do ponto de vista financeiro. ções relevantes e úteis, contribuindo para a
No que diz respeito aos custos gerados pela sua formação e auxiliando na execução de
atividade logística, a disciplina visa apre- suas atividades na vida profissional.
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Unidade 1
Introdução aos Custos Logísticos

Objetivos

1. Introduzir o tema custos, apresentan-


do sua função e importância para a
gestão empresarial.
2. Apresentar os principais conceitos re-
lacionados aos custos empresariais e
a classificação dos diversos gastos in-
corridos pelas empresas
3. Identificar as relações entre a gestão
de custos e a logística, apresentando
os custos gerados pelo processo lo-
gístico na atividade empresarial.
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Introdução

Informação. Esse é um dos principais ins- Com a evolução do capitalismo, mais espe-
trumentos utilizados pelas empresas para cificamente a partir do início do século XX,
atingir o sucesso. Sem informação, é difícil as exigências de registros e gestão de cus-
imaginar a evolução de um negócio, espe- tos aumentaram. Isso por que esse trabalho
cialmente nos últimos anos com a amplia- se tornou mais profissional, o que gerou no-
ção dos canais para se obter e dissipar in- vas possibilidades para as informações ge-
formações. radas.
Nesse cenário, a análise e gestão dos custos
empresariais é uma ferramenta indispen-
sável para as empresas. Num momento de Para saber mais
competição ampliada e de margens reduzi- A gestão de custos surge na Revolução Industrial,
das, controlar e gerir os gastos traz um ex- no século XVIII, com objetivo de melhorar a ges-
pressivo aumento na sua capacidade com- tão dos estoques nas organizações. Teve como re-
petitiva. Além disso, a gestão de custos é ferência teórica os conceitos desenvolvidos pela
um gerador de informações imprescindível contabilidade e foi evoluindo e introduzindo con-
para a gestão do negócio como um todo, o ceitos próprios a partir de então.
que aumenta o seu nível de importância a
cada dia.
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Assim, a gestão de custos passou a ter no- petição entre as empresas e da administra-
vas funções nas empresas além do simples ção como ciência influenciaram a criação
controle de gastos. São elas: de métodos para melhor acompanhamen-
Análise de viabilidade: necessária para ve- to dos gastos necessários para a criação de
rificar a viabilidade de uma operação. Essa produtos e serviços.
análise e a decisão de manter ou encerrar a Na sequência, serão apresentados alguns
operação ou projeto é toda baseada no tra- conceitos, relacionados aos Custos Empre-
balho de custos. sariais e necessários para a compreensão e
Formação de preços: a análise dos custos execução das atividades de Gestão destes
envolvidos na produção e distribuição dos valores.
bens e serviços pela empresa comporá um
conjunto de fatores essenciais para a deci- 1. Conceitos Fundamentais em
são do preço mais adequado a ser oferecido Custos
aos clientes.
Como toda ciência, a gestão de custos tem
Enfim, o estudo e a gestão de custos estão os seus conceitos e termos próprios. Com-
muito relacionados à profissionalização dos preendê-los é fundamental para a realiza-
processos empresariais. A evolução da com- ção das atividades da área.
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Alguns desses conceitos que serão apre- empresariais para identificar quais deles
sentados na sequência. possuem relação com a atividade fim da
empresa. Assim, nem todo gasto será
1.1. Gastos classificado da mesma forma, diferenciando-
se entre empresas. Cabe aos responsáveis
Como gastos, definem-se os valores que a pela gestão de custos avaliar de forma
empresa compromete na busca pelo cum- criteriosa e executar tal classificação.
primento da sua missão. No entanto, os
Na sequência, serão apresentadas as defi-
gastos apresentam diferenças entre si, que
nições de cada uma das quatro categorias
estão relacionadas à natureza de cada gas-
de gastos existentes.
to. Para a realização de uma análise e gestão
de custos, faz-se necessária a classificação
1.2. Custo
desses gastos.
São quatro os tipos de gastos que uma em- Refere-se aos gastos relacionados de for-
presa pode incorrer: custos, despesas, in- ma direta ou indireta com a atividade fim da
vestimentos e perdas. empresa. Conforme mencionado anterior-
Para a realização dessa classificação, faz- mente, cada empresa classificará seus gas-
se necessária uma análise dos processos tos de acordo com a sua atividade fim, no
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entanto, alguns gastos são tradicionalmen- 1.4. Investimentos
te classificados como custos. São eles: gas-
tos com matéria-prima, gastos com mão de São gastos realizados com o objetivo de ge-
obra direta, gastos com embalagem. ração de receitas em determinado período
de tempo, normalmente no futuro. Não es-
1.3. Despesa tão relacionados com as ocorrências roti-
neiras da empresa e necessárias para o seu
Refere-se aos gastos que não se relacio- funcionamento atual. Tratam-se da busca
nam com a atividade fim da empresa, mas pelo crescimento ou manutenção do status
que são fundamentais para a manutenção em períodos posteriores. Quando realiza
do negócio. Alguns gastos tradicionalmen- um investimento, a empresa calcula, estuda
te são classificados como despesas, a saber: e projeta as possibilidades de retorno que
gastos com mão de obra indireta, gastos esse gasto pode gerar.
com honorários contábeis, gastos com en-
São investimentos: aquisição de novos
cargos tributários.
equipamentos, gastos com pesquisa e de-
senvolvimento de novos produtos.

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1.5. Perdas diferenças entre si, as quais fazem com que
esses elementos não sejam tratados da
Referem-se aos gastos realizados de forma mesma forma quando é feita a gestão dos
não intencional pela empresa. Devem ser custos.
evitados a todo custo, visto que são desne-
Na sequência, serão apresentadas as classi-
cessários e, normalmente, imprevisíveis.
ficações existentes para custos e despesas.
Alguns exemplos de perdas: desperdício de
matéria-prima, ociosidade da equipe de
profissionais da empresa, acidentes ocorri-
dos no processo empresarial.
Para saber mais
John Maurice Clark (1884-1963) foi um dos pri-
meiros autores a apresentar os conceitos hoje
2. Classificação de Custos e Des-
entendidos como custos fixos e variáveis ao ob-
pesas servar, em suas pesquisas, que a classificação de
custos deve considerar os períodos de tempo em
Como visto anteriormente, os gastos em-
que eles são apurados. Custos aparentemente fi-
presariais podem ser classificados de acor-
do com a sua natureza. No entanto, essa xos em curtos períodos tornam-se custos variá-
classificação não é única. Os diversos cus- veis no longo prazo.
tos e despesas, por exemplo, apresentam
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2.1. Despesas ou Custos Fixos São custos fixos: salários da equipe (quando
mensalistas), depreciação dos equipamen-
Ao contrário do que o título possa sugerir, tos utilizados na execução da atividade fim.
quando se fala em custos ou despesas fixos
Os custos e despesas fixos não sofrem alte-
não se está tratando de gastos com valores
rações em função dos volumes de produção
pré-estabelecidos de forma inalterável. Na
ou Vendas.
realidade, a classificação de um custo ou
despesa como fixo se dá em função de outro
2.2. Despesas ou Custos Variá-
critério.
veis
São fixos os custos ou despesas cujas alte-
rações de valores em períodos diferentes Referem-se às despesas ou aos custos cuja
não ocorrem proporcionalmente ao aumen- variação ocorre de forma proporcional em
to na produção ou nas vendas. Ou seja, são relação às vendas. Dessa forma, quanto
aqueles gastos que, independentemente da mais eu vender, maior será o valor da despe-
ocorrência de vendas ou do volume atingi- sa ou do custo variável.
do, deverão ser honrados pela empresa.
São despesas variáveis: as comissões de
São despesas fixas: aluguel, honorários de vendas e os impostos relacionados ao fatu-
contabilidade, seguros. ramento (ICMS, IPI, Simples Nacional).
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São custos variáveis: custo de matéria-pri- ser calculados e atribuídos diretamente no
ma e os insumos de produção, entre outros. custo unitário dos produtos.
Os custos e despesas variáveis crescem à São exemplos de custo direto: matéria-pri-
medida que o volume de vendas cresce. ma para produção e os salário da equipe da
produção, entre outros.
2.3. Custo Direto
2.4. Custo Indireto
Como foi dito anteriormente, os valores re-
ferentes a atividades que têm relação com o Há também alguns itens que, embora não
processo produtivo são classificados como sejam facilmente mensurados e quantifi-
custos. No entanto, há alguns itens que são cados na fabricação de um produto, contri-
facilmente atribuíveis ao cálculo do cus- buíram, mesmo que indiretamente, com o
to unitário de fabricação de produtos. Es- processo produtivo. Eles são denominados
sas categorias de custos são classificadas como custos indiretos e normalmente têm
como custo direto. Assim, os custos diretos os seus valores atribuídos ao custo unitário
são aqueles que se relacionam com a ativi- do produto por meio de rateio. De acordo
dade fim da empresa de forma direta, como com Martins (2012), no entanto, tais rateios
a própria denominação sugere, e podem atenderão a critérios estabelecidos pela
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gestão e sofrem críticas pela forma arbi- modo geral. Essa definição nos remete à dos
trária com que são feitos. Não há uma regra objetivos da logística por Novaes (2007),
claramente estabelecida para essa divisão, que afirma ser objetivo da logística eliminar
o que pode gerar algumas incoerências. O tudo aquilo que não agrega valor ao clien-
ideal é utilizar o bom senso para que o rateio te do processo produtivo, visto que, se não
seja feito a partir de critérios adequados. trazem valor ao cliente, tais atividades ape-
São exemplos de custos indiretos: aluguel nas geram custo.
da fábrica e os salários da supervisão de Assim, aspectos ligados à gestão de custos
produção. estão muito presentes na rotina dos profis-
sionais de logística. A logística, em sua es-
3. Custos na Atividade Logística sência, visa à otimização dos processos em-
presariais, objetivando a redução de gastos.
Como visto anteriormente, a gestão de cus-
No entanto, a atividade logística em si tam-
tos é fundamental para o sucesso empre-
bém gera alguns custos e despesas. Na se-
sarial. Os gestores devem buscar otimizar
quência, serão apresentadas algumas ati-
os seus recursos, visando reduzir os gastos,
vidades da logística empresarial que são
sem, no entanto, trazer prejuízo à qualidade
geradoras de gastos e que, por esse motivo,
dos produtos e do trabalho desenvolvido de
relacionam-se diretamente com a gestão
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de custos empresariais. São elas: transpor-
tes, armazenagem, estoques, embalagens,
processamento de pedidos.
De acordo com Farias e Costa (2013), os
custos logísticos representam o segundo
grupo de gastos mais representativo dentro
Para saber mais
de uma empresa, atrás apenas do custo de De acordo com Lima (2006), os custos logísticos
aquisição do próprio produto. representam 12,6% do PIB brasileiro, com os cus-
tos de transporte apresentando maior represen-
tatividade com 7,5%. Os custos de estoque tam-
bém apresentam alta representatividade com
3,9% do PIB.

13/176 Unidade 1 • Introdução aos Custos Logísticos


Glossário
Otimização: busca pelas melhores alternativas para realização de uma atividade; tornar ótimo;
alcançar os objetivos desejados.
Processo: conjunto de ações necessárias para a realização de uma atividade.
Viabilidade: que tem possibilidade de realização; tornar viável.

14/176 Unidade 1 • Introdução aos Custos Logísticos


?
Questão
para
reflexão

A gestão de custos tem papel fundamental para o su-


cesso empresarial. Trata-se de uma atividade com fun-
ção estratégica. Você consegue identificar fatores re-
lacionados à gestão de custos que podem influenciar
a definição e aplicação das estratégias empresariais?
Pesquise alguma situação em que essa influência possa
ser identificada.

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Considerações Finais

• A gestão de custos é um gerador de informações imprescindível para a ges-


tão do negócio como um todo, o que aumenta o seu nível de importância a
cada dia.
• São quatro os tipos de gastos que uma empresa pode incorrer: os custos, as
despesas, os investimentos e as perdas.
• Os custos podem ser classificados em diretos e indiretos, fixos e variáveis.
• As diversas atividades logísticas são geradoras de custos. São elas: transpor-
tes, armazenagem, estoque, processamento de pedidos e embalagem.

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Referências

FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
LIMA, M. P. Custos logísticos na economia brasileira. São Paulo: Revista Tecnologística, v. 9, n.
122, p. 64-66, 2006.
NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de produção: estratégia, operação e ava-
liação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2012.

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Questão 1
1. A gestão de custos surgiu no ambiente empresarial com função exclusiva
de controlar o montante de gastos incorridos pela empresa em seu proces-
so produtivo. No entanto, com a profissionalização da gestão empresarial,
passa a assumir outras funções. Quais são elas?

a) Redução de gastos e análise de viabilidade.


b) Análise de viabilidade e formação de preços.
c) Formação de preços e redução de gastos.
d) Otimização de processos e formação de preços.
e) Otimização de processos e formação de preços.

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Questão 2
2. “São gastos que não se relacionam com a atividade fim da empresa, sen-
do, no entanto fundamentais para a manutenção do negócio”. Essa frase é
a definição de quais dos tipos de gastos empresariais?

a) Despesas.
b) Custos.
c) Investimentos.
d) Perdas.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.

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Questão 3
3. Gastos com matéria-prima e mão de obra direta podem ser classifica-
dos como:

a) Despesas.
b) Custos.
c) Investimentos.
d) Perdas.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.

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Questão 4
4. Como são classificados os custos ou despesas que sofrem alterações pro-
porcionais em função do volume vendas?

a) Diretos.
b) Indiretos.
c) Fixos.
d) Variáveis.
e) Indeterminados.

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Questão 5
5. Os custos com matéria-prima são facilmente identificáveis o que facilita
a verificação da sua participação na composição dos custos unitários de
fabricação. Essa característica faz com que tais custos sejam classificados
como:

a) Diretos.
b) Indiretos.
c) Fixos.
d) Variáveis.
e) Indeterminados.

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Gabarito
1. Resposta: B. 4. Resposta: D.

Conforme apresentado no texto, a gestão Os custos ou despesas variáveis são aque-


de custos cumpre, além da função de con- les que sofrem alterações proporcionais em
trole, as funções de análise de viabilidade e relação aos volumes de produção e vendas.
formação de preços.
5. Resposta: A.
2. Resposta: A.
Os custos diretos são aqueles facilmente
As despesas representam gastos que não identificáveis na composição de um produ-
mantêm relação com a atividade fim da em- to. Um exemplo é a matéria-prima.
presa.

3. Resposta: B.

Os gastos com matéria-prima e mão de


obra direta mantêm relação com atividade
fim da empresa, sendo, portanto classifica-
dos como custos.
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Link
Uma das grandes dificuldades da logística reside na elaboração de métodos que facilitem a apuração
dos seus custos. O artigo apresentado a seguir mostra um modelo para auxiliar nesse trabalho. FER-
REIRA ALVES, Ana Paula et al. Supplies costs: an exploratory study with application of measurement
model of logistics costs. Revista de Administração da UFSM, [S.l.], v. 6, n. 4, p. 694-707, nov. 2013. ISSN
1983-4659.

Por se tratarem de tema relevante para a gestão empresarial, os custos logísticos são cada vez mais estu-
dados e temas de diversos trabalhos de pesquisa. Conheça a evolução no número de pesquisas do Brasil
sobre o tema entre os anos de 2003 e 2012. LIZSBINSKI, Bianca B. et. al. Custos logísticos: um levanta-
mento da produção científica na última década no Brasil. XX Congresso Brasileiro de Custos, Uberlândia
(MG), 18 a 20 de novembro de 2013.

24/176 Unidade 1 • Introdução aos Custos Logísticos


Unidade 2
Custos de Transportes

Objetivos

1. Apresentar a importância estratégica


dos transportes para a logística em-
presarial.
2. Analisar as diferenças entre os diver-
sos modais de transportes e contribuir
para a compreensão da melhor manei-
ra para a utilização de cada um deles.
3. Identificar os principais custos envolvi-
dos na atividade de transporte, visando
apoiar as análises de custo/benefício
para a utilização dos diversos modais.
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Introdução

Ao pensar na importância estratégica da lo- Essa relevância do transporte também


gística no cenário empresarial, logo somos pode ser observada em relação aos custos.
levados a pensar no papel do transporte e O transporte é responsável por uma parcela
sua relevância. O transporte é uma das prin- importante dos custos logísticos.
cipais atividades da logística e tem função O cálculo dos custos de transportes é bas-
muito relevante na prestação de serviços ao tante complexo e envolve uma série de va-
cliente. riáveis. São muitos os fatores que influen-
A principal função do transporte no proces- ciam nesses cálculos. De acordo com Faria
so logístico é a de disponibilizar os produ- e Costa (2013), são fatores influenciadores
tos nos locais onde há demanda e dentro de dos custos de transportes:
um prazo estabelecido pelo cliente. Apesar • Distância: a distância é um fator in-
da evolução da comunicação, que resultou fluenciador importante dos custos de
num acompanhamento mais preciso e que transportes. A relação distância/cus-
permite o diálogo e acompanhamento das to ocorre da seguinte forma: quando
informações em tempo real, o transpor- a distância cresce, cresce também o
te continua exercendo papel fundamental custo total do frete, embora o custo
para que a logística cumpra a sua função na por quilômetro tenda a cair para per-
empresa. cursos mais longos.
26/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
• Volume: outro fator que influencia pelo veículo. Cargas com formatos as-
muito os custos de transportes. De simétricos dificultam a sua alocação
acordo com Faria e Costa (2013, se- e, consequentemente, necessitam de
gue a lógica da economia de escala: o maior espaço para o transporte, o que
custo unitário é menor, na medida em pode gerar mais custos.
que o volume da carga é maior. Quan- • Responsabilidade: refere-se ao ris-
do se obtém a ocupação de todo o es- co de perdas e avarias no processo de
paço disponível no veículo, obtêm-se transporte. A depender da carga a ser
custos menores por unidade trans- transportada, esse risco cresce, o que
portada. pode levar a um crescimento também
no seu frete.
• Densidade: envolve a capacidade de
• Mercado: as leis de oferta e demanda
ocupação dos veículos de transporte
presentes nas relações comerciais em
e considera a relação peso vs. volume.
mercados diversos são também um
• Facilidade de condicionamento: a elemento que influencia os custos de
forma e as dimensões da carga são transportes. Fatores como sazonali-
fatores que podem interferir no trans- dades, baixa oferta e aumento de de-
porte. Isso acontece em função do manda podem levar a alterações rele-
aproveitamento do espaço oferecido vantes nos custos dos fretes.
27/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
1. Modais de Transporte

De acordo com Rosa (2007), as principais variáveis a serem consideradas na escolha do modal
mais adequado para a empresa são: a disponibilidade, o fator tempo, o índice de sinistralidade
(roubos e avarias), o custo e a qualidade do serviço.
No Brasil, no entanto, o modal mais utilizado para o transporte de cargas é o rodoviário, confor-
me a tabela a seguir.
Modal Participação no volume de transportes
Rodoviário 61,8%
Ferroviário 19,5%
Aquaviário 13,8%
Outros 4,9%
Fonte: Adaptado de IMAM (2004) por Faria e Costa (2013)

Para Caixeta Filho e Martins (2001), esse fato se dá pela possibilidade de oferta de um serviço
door-to-door, pois é o único modal que não precisa de um ponto fixo, como trilhos, portos ou ae-
roportos para o seu uso.

28/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


Outro fator fundamental para o uso em ção e manutenção por quilômetro de suas
maior volume do modal rodoviário é a es- vias.
trutura oferecida. Desde a década de 1920, Faria e Costa (2013), no entanto, apontam
quando se construiu a primeira rodovia pa- outro aspecto como fundamental para a
vimentada do Brasil, passando pela chega- escolha do modal mais adequado para o
da das grandes montadoras no país na dé- transporte de cargas: o fator custo. Para as
cada de 1950, os investimentos para avan- autoras, deve-se buscar a alternativa que
ços no transporte rodoviário são crescentes contribua com a melhor qualidade na en-
em terras brasileiras. Para Rosa (2007), du- trega dos bens oferecidos pelas empresas,
rante o governo Juscelino Kubitschek, apre- considerando a relação custo/benefício das
sentaram-se as rodovias como um símbolo opções oferecidas.
dos avanços e da modernidade do país, re-
legando o transporte ferroviário, por exem- Para melhor análise dessa relação, apresen-
plo, à imagem de modal antiquado e repre- tam-se, na sequência os custos envolvidos
sentando o passado. nas atividades de transportes nos principais
modais.
O maior investimento nas rodovias também
se justifica pelo menor custo de implanta-

29/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


1.1. Transporte Rodoviário De acordo com Faria e Costa (2013), são
custos fixos de transporte:
Os custos do transporte rodoviário envol-
vem elementos fixos e variáveis. Os custos • Salários dos motoristas e ajudantes,
fixos são alocados como elementos mensais. incluindo encargos e benefícios;
Já os custos variáveis são alocados tendo • Salário da equipe de manutenção, in-
como base o valor por quilômetro percorrido. cluindo encargos e benefícios;
• Depreciação do veículo e dos equipa-
Para saber mais mentos: custo referente ao desgaste
As características relacionadas à flexibilidade que do veículo e equipamentos acoplados
fazem do modal rodoviário o mais utilizado do Bra- ao caminhão ao longo do tempo. É cal-
sil também se apresentam em outros países. De culado a partir da seguinte fórmula:
acordo com Novo (2016), em pesquisa realizada
em cinco países, verificou-se que apenas na Rússia
o transporte rodoviário não é o mais utilizado. Nos
A base para o cálculo da depreciação é o cus-
demais países do estudo (EUA, Canadá, Austrália e
to do item ao qual se faz referência. Como o
Brasil), o transporte rodoviário prevalece.
cálculo da depreciação é mensal, esse valor

30/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


deverá ser dividido pela quantidade de me- O valor do prêmio varia de acordo com a uti-
ses de vida útil que o item possui. Para re- lização do veículo e equipamentos, os valo-
alizar esse ajuste, faz-se necessária a mul- res de mercado e a incidência de roubos e
tiplicação do prazo em anos por 12 (doze), furtos dos modelos em questão.
que é a quantidade de meses que compõe Custo de oportunidade sobre os veículos e
um ano. equipamentos: refere-se ao ganho em ou-
Licenciamento e IPVA: valores desembolsa- tras opções de investimento do qual a em-
dos com o objetivo de regularizar a atuação presa abre mão para investir na aquisição de
do veículo junto aos órgãos públicos. Calcu- veículos e equipamentos. Calculado a partir
lados com base no gasto mensal, deve-se da seguinte fórmula:
considerar o valor total e dividi-lo por 12 , em que:
(doze).
COVE = custo de oportunidade sobre veícu-
Seguro do veículo e equipamentos: calcu- los e equipamentos.
lado a partir da divisão do valor do prêmio
anual por 12 (doze). Essa divisão se faz ne- VVE = valor do veículo ou equipamento.
cessária para que o valor seja atribuído aos i = taxa referente à remuneração da opção
custos mensalmente. de investimento.

31/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


n = prazo do investimento. serão apresentados esses custos e as fór-
Esse cálculo se faz necessário, visto que, no mulas para o seu cálculo.
momento em que a empresa emprega o seu • Peças e acessórios para a manuten-
capital em uma oportunidade de investi- ção do veículo: são os valores referen-
mento, automaticamente ela está deixando tes à necessidade de manutenção do
de buscar oportunidades de investimento veículo em função do uso. São calcu-
que poderiam trazer alguma remuneração. lados a partir da seguinte fórmula:
O custo de oportunidade é justamente o va-
, em que:
lor da rentabilidade esperada caso a empre- •
sa fizesse a opção pelo investimento. • PAMV = peças e acessórios para a ma-
nutenção do veículo.
Além dos custos fixos, o transporte rodovi-
ário também gera alguns custos variáveis. • GMPA = gastos mensais com peças e
Esses custos têm como referência o con- acessórios.
sumo por quilômetro percorrido. Assim, os • km/mês = quilômetros percorridos no
valores serão sempre convertidos de forma mês.
que se encontre o valor gasto em cada item
Assim, serão levantados os valores gastos
por quilômetro percorrido. Na sequência,
com peças, acessórios e serviços de manu-

32/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


tenção dos veículos da empresa, que serão • Combustível: valores gastos com com-
divididos pela quantidade de quilômetros bustíveis para o funcionamento do
percorridos no período. Esse levantamen- veículo. Calculado a partir da seguinte
to tornará possível a identificação do va- fórmula:
lor de manutenção gerado para cada qui- Gastos mensais com combustível/km per-
lômetro percorrido. Ainda nesse grupo de corridos no mês
gastos encontram-se os gastos com com-
bustíveis, lubrificantes, pedágios e pneus. • Lubrificantes: valores gastos com a lu-
O cálculo desses itens é apresentado a se- brificação do motor e demais elemen-
guir, mas segue a mesma lógica aplicada tos internos do veículo. Calculado a
aos custos de manutenção: são levantados partir da seguinte fórmula:
os valores gastos com os itens menciona- Gastos com lubrificantes/km percorridos
dos que depois são divididos pela quilome- durante o período entre trocas.
tragem percorrida no período analisado. O • Pedágios: gastos mensais com pedá-
valor encontrado refere-se ao custo do item gios/km percorridos por mês
por quilômetro percorrido. As fórmulas são
• Pneus: valores referentes aos gastos
apresentados na sequência.
de pneus e possíveis recapagens. Cal-
culado a partir da seguinte fórmula:
33/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
N*(Pp+Pr*nr)/vida útil do pneu após 1.2. Custos do Transporte Fer-
recapagem roviário
Em que:
Ideal para o transporte de grandes volumes,
N = quantidade de pneus. representam um custo elevado para peque-
Pp = custo unitário do pneu. nos volumes. Trata-se também de um mo-
dal menos flexível, uma vez que necessita de
Pr = custo unitário da recapagem.
locais previamente indicados para a chega-
nr = quantidade de recapagens. da e saída de materiais, assim de como ho-
vida útil do pneu após recapagem = vida útil rários marcados.
* (nr+1). O transporte ferroviário apresenta, de
Cabe ressaltar que a classificação como acordo com Ballou (2001), custos fixos ele-
custo fixo ou variável pode variar de acordo vados em função da manutenção dos equi-
com a percepção e a forma como os custos pamentos e terminais. Em compensação, os
são gerados em cada empresa. custos variáveis são mais baixos, relaciona-
dos à distância, visto que há maior longe-
vidade de seus itens na comparação com o
transporte rodoviário.
34/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
bre o capital investido. Os custos variáveis
Para saber mais relacionados ao transporte ferroviário são
os valores relacionados aos desgastes dos
A predileção das empresas e do governo brasi-
equipamentos e vagões em função da sua
leiro pelo modal rodoviário provocou um fenô-
utilização.
meno diferente. Apesar do aumento da deman-
da de transportes e do crescimento econômico, a Em função dos altos volumes financeiros
malha ferroviária brasileira encolheu. Na década envolvidos, a maior parte das empresas opta
de 1930, havia 34.207 km de malha ferroviária. pela terceirização do transporte. Nesses ca-
Em 2008, esse número era de apenas 29.817 km sos, o custo passa a ser calculado a partir do
(CAMPOS NETO, 2010). volume transportado. Normalmente, as em-
presas que realizam essa atividade cobram
De acordo com Farias e Costa (2013), os uma tarifa por peso ou metragem ocupada
custos envolvidos no transporte ferroviário nos vagões. Além disso, taxas relacionadas
são muito semelhantes aos do transporte à estadia dos vagões também compõem os
rodoviário quando a empresa possui seus custos do transporte ferroviário.
próprios veículos: custos como salários dos
profissionais, depreciação dos veículos e
equipamentos, custo de oportunidade so-

35/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


1.3. Custos do Transporte Aero- de sobre o valor investido em equipamen-
viário tos e aeronaves. Como custos variáveis, há
os gastos com combustíveis, manutenção
Modal com valor relativo mais caro, é utili- gerada em função da utilização e taxas co-
zado apenas para cargas e situações espe- bradas pelo uso dos terminais aéreos. Além
ciais, visto ser também o modal que apre- disso, estão envolvidas algumas taxas co-
senta maior agilidade. Inadequado para o bradas pela INFRAERO (Empresa Brasileira
transporte em curtas distâncias, é utilizado de Infraestrutura Aeroportuária). As taxas
para transportar volumes para distâncias cobradas são: taxas de embarque, pouso,
mais longas. permanência no solo e, em caso de utiliza-
Os custos fixos envolvidos no transpor- ção dos terminais de cargas aéreas, há tam-
te aéreo para empresas que possuem fro- bém a cobrança de taxas pelo serviço, con-
ta própria estão relacionados à utilização siderando o espaço necessário.
das aeronaves, de acordo com Faria e Cos- Para empresas que se utilizam de serviços
ta  (2013). Assim, são custos fixos: mão de terceirizados, a cobrança considera o peso
obra, movimentação da carga, depreciação ou volume utilizado no transporte. Assim, o
dos equipamentos e aeronaves, bem como custo será maior à medida que a carga for
a sua manutenção e o custo de oportunida- mais volumosa ou pesada.
36/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
1.4. Custos do Transporte Aqua-
viário Para saber mais
O transporte aquaviário se utiliza, em suas ope-
Modal que não apresenta flexibilidade quan- rações, de um importante instrumento. Trata-se
to à entrega e que apresenta necessidade de do contêiner. De acordo com Ribeiro e Pacheco
condições específicas para a sua realização, (2006), o contêiner traz agilidade, proporciona
o transporte aquaviário representa o trans- economia de escala, diminui o risco de avarias e
porte pelas águas, seja por oceano, rios ou roubos, sendo, dessa forma, um fator relevante
canais (LAMBERT; STOCK; VANTINE, 1998). para a competitividade desse modal.
Em função de sua inflexibilidade, o trans-
porte aquaviário necessita, na maior par- Os custos fixos no modo aquaviário são, de
te dos casos, de um complemento de outro acordo com Faria e Costa (2013), conside-
modal de transporte para atender à neces- rados como médios na comparação com
sidade dos clientes. Ele tem como principal outros modais. Envolvem, assim como nos
elemento para acondicionar as mercadorias modais anteriores, os custos de mão de
os contêineres, que são alocados nas em- obra, depreciação e manutenção dos equi-
barcações de acordo com as necessidades. pamentos, custo de oportunidade referente
ao investimento nos equipamentos e em-
37/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
barcações, além de seguros relacionados à 1.5. Custos do Transporte Duto-
carga ou mesmo das instalações e equipa- viário
mentos.
Modal de utilização restrita, o transporte
Pela capacidade oferecida para o trans-
por meio de dutos é utilizado no transporte
porte, que é grande, os custos variáveis re-
de cargas em estado líquido, gasoso ou pas-
lacionados a esse modal são considerados
toso (LAMBERT; STOCK; VANTINE, 1998).
baixos. Assim, custos como combustíveis,
manutenção das embarcações e taxas de Possui, de acordo com Ballou (2001), custos
manutenção dos terminais acabam diluídos fixos elevados em função do investimen-
no volume transportado e representando to elevado para a sua instalação e manu-
valores baixos, especialmente se compara- tenção. Esses custos envolvem elementos
dos com outros modais. como os dutos, equipamentos para contro-
le de fluxo e bombeamento dos produtos. O
Para empresas que se utilizam de serviços
ideal é a utilização por empresas que envol-
terceirizados, as tarifas são calculadas con-
vem grandes volumes. Assim, esses custos
siderando o peso ou volume envolvido no
volumosos acabam se diluindo, o que dei-
frete.
xa uma melhor condição para as empresas
usuárias dessa modalidade.
38/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
De acordo com Faria e Costa (2013), os cus- cessivos para o negócio. As diversas moda-
tos variáveis envolvidos são baixos, visto que lidades apresentam características espe-
a operação não necessita de grande volume cíficas e custos diferentes, conforme essas
de combustível, energia ou mão de obra. características. Por esse motivo, a análise
Cabe ressaltar que as empresas que tenham custo/benefício é essencial para o suces-
interesse em utilizar esse modal devem so na escolha do modal adequado para o
considerar que a sua utilização é ideal para atendimento do cliente de forma segura,
transportes em longa distância, grandes no tempo correto e com baixo comprometi-
volumes de carga, sem, no entanto, realizar mento financeiro.
o transporte com grande velocidade.

2. Conclusão

O transporte é uma função essencial e es-


tratégica para a logística. Por esse motivo,
devem ser analisadas com cuidado as ne-
cessidades da empresa visando atender ao
cliente, sem, no entanto, gerar custos ex-
39/176 Unidade 2 • Custos de Transportes
Glossário
Dutos: estruturas tubulares utilizadas para o transporte de materiais.
Acondicionamento: organização e embalagem de materiais de forma a evitar a quebra ou es-
tragos.
Recapagem: colocação de nova camada de borracha na superfície dos pneus visando aumentar
o seu período de vida útil.
Diluída: que passou por processo de diluição, diminuição de concentração ou volume.
Frota: refere-se a um grande agrupamento de veículos

40/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


?
Questão
para
reflexão

Em sua opinião, a participação de 61% do modal rodo-


viário no volume de transportes no Brasil é positivo para
o país? Justifique a sua resposta.

41/176
Referências

BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logísti-


ca empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001.
CAIXETA FILHO, J. V.; MARTINS, R. S. Gestão logística do transporte de cargas. São Paulo: Atlas,
2001.
CAMPOS NETO, C. A. S. et al. Gargalos e demandas da infraestrutura rodoviária e os investi-
mentos do PAC: mapeamento Ipea de obras rodoviárias. Texto para Discussão – Ipea. Brasília:
2010.
FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
LAMBERT, D. M; STOCK, J. R.; VANTINE, J. G. Administração estratégica de logística. São Paulo:
Vantine Consultoria, 1998.
NOVO, A. L. A. Perspectivas para o consumo de combustível no transporte de carga no Brasil:
uma comparação entre os efeitos estrutura e intensidade no uso final de energia do setor. 2016.
180 f. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) – Universidade Federal do Rio de Ja-
neiro, Rio de Janeiro, 2016.

42/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


RIBEIRO, R. P.; PACHECO, F. F. Custo do transporte aquaviário do arroz beneficiado na região cen-
tro RS até São Luís – MA. Anais: XXXII ENEGEP, 2012.
ROSA, A. C. Gestão de transporte na logística de distribuição física: uma análise da minimi-
zação do custo operacional. 2007. 90 f. Dissertação (Mestrado em Gestão em Desenvolvimento
Regional) – Universidade de Taubaté, São Paulo, 2007.

43/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


Questão 1
1. Analise os itens a seguir e aponte a alternativa correta.

I) Distância.
II) Densidade.
III) Facilidade de acondicionamento.
IV) Horário em que o transporte é realizado.
Dos quatro itens mencionados, apenas três são necessariamente elementos influenciadores do
custo de transporte. Qual a alternativa que apresenta esses elementos?
a) I, III e IV.
b) II, III e IV.
c) I, II e III.
d) I, III e IV.
e) I, II e IV.

44/176
Questão 2
2. O modal rodoviário é o mais utilizado do Brasil. De acordo com o texto
quais as causas para esse fato?

a) Flexibilidade para a entrega, estrutura instalada e relação custo/benefício.


b) Velocidade na entrega, estrutura instalada e relação custo/benefício.
c) Estrutura instalada, baixo risco de acidente e flexibilidade na entrega.
d) Grandes espaços para alocação, velocidade na entrega e relação custo/benefício.
e) Velocidade na entrega e baixos custos envolvidos.

45/176
Questão 3
3. São custos do transporte rodoviário:

I) Custo de mão de obra.


II) Custo com combustíveis.
III) Custo de oportunidade sobre o veículo e equipamentos.
Quais dos itens apresentados referem-se a custos variáveis de transporte rodoviário:
a) Apenas o item I.
b) Apenas o item II.
c) Os itens I e II.
d) Os itens II e III.
e) Os itens I e III.

46/176
Questão 4
4. De acordo com o texto, qual afirmação abaixo é VERDADEIRA?

a) Os custos de transporte aéreo são elevados, o que faz com que o seu uso seja indicado ape-
nas para cargas e situações específicas.
b) A principal vantagem apresentada pelo modal aquaviário é a sua flexibilidade de entrega
para os clientes
c) O transporte dutoviário é utilizado para transportar produtos em estado gasoso, líquido ou
pastoso por grandes distâncias e alta velocidade.
d) O transporte ferroviário é indicado para cargas pequenas e leves em função do tamanho dos
equipamentos utilizados na sua operação.
e) O modal rodoviário é aquele que possibilita maior facilidade para alocação dos materiais em
função do espaço dos veículos envolvidos no transporte.

47/176
Questão 5
5. São características do transporte dutoviário:

a) Grande flexibilidade para entregas.


b) Ideal para o transporte de pequenos volumes.
c) Ideal para o transporte de materiais em estado líquido, gasoso e pastoso.
d) Necessidade de complemento do transporte com apoio de outro modal.
e) Velocidade para entrega.

48/176
Gabarito
1. Resposta: C. 4. Resposta: A.

O texto não faz menção ao horário como fa- O transporte aeroviário é uma das opões
tor influenciador nos custos de transporte. mais caras de transporte. Dessa forma, só é
utilizado para emergências e casos especí-
2. Resposta: A. ficos.

Velocidade na entrega, baixo risco de aci- 5. Resposta: C.


dentes e grandes espaços para a alocação,
mencionados nas outras alternativas, não O modal dutoviário é o mais adequado para
se relacionam com o modal rodoviário. o transporte de cargas em estado líquido,
gasoso e pastoso.
3. Resposta: B.

Custos com combustíveis variam a partir da


distância percorrida e peso da carga, sendo
considerados custos variáveis.

49/176
Link
O modal rodoviário é o mais utilizado pelas empresas brasileiras para o transporte de suas cargas em
detrimento de outros, como o modal ferroviário. As razões podem ser compreendidas no artigo a seguir.
GONCALVES, Brunno Santos et al . Evaluating the modal split of overland transportation of general cargo
in Brazil using a market share model. J. Transp. Lit., Manaus , v. 8, n. 4, p. 60-81, Oct. 2014.

A exportação de produtos agrícolas é uma das principais atividades da economia do Brasil. Por esse mo-
tivo, é fundamental conhecer as rotas utilizadas para a realização do transporte desses produtos. AMA-
RAL, Mônica do; ALMEIDA, Marina Soares; MORABITO, Reinaldo. Um modelo de fluxos e localização de
terminais intermodais para escoamento da soja brasileira destinada à exportação. Gest. Prod., São Car-
los , v. 19, n. 4, p. 717-732, Dec. 2012..

50/176 Unidade 2 • Custos de Transportes


Unidade 3
Custos de Armazenagem

Objetivos

1. Apresentar os custos de armazena-


gem e seus impactos sobre os custos
logísticos.
2. Reconhecer os diversos itens que
compõem os custos de armazenagem
e classificá-los.
3. Refletir sobre a estrutura necessária
para a realização dessa atividade sob
o ponto de vista da eficiência.

51/176
Introdução

A evolução dos negócios e das relações em- Entre as atividades relacionadas à armaze-
presariais impôs à logística uma série de no- nagem de materiais, podem-se destacar a
vos desafios: necessidade de entregas com movimentação e a estocagem de materiais.
maior frequência, surgimento constante de Os custos de armazenagem são aqueles que
novas linhas de produtos, implantação da se referem à manutenção da infraestrutu-
cultura japonesa de gestão (que prega a re- ra necessária para manter os estoques. De
dução de estoques). Essas mudanças, asso- acordo com Farias e Costa (2013), podem-
ciadas ao maior nível de competição entre -se dividir os custos de armazenagem em
as empresas, passaram a dar maior visibi- quatro subgrupos. São eles: custos de ins-
lidade e peso para os custos logísticos, em talação, custos dos ativos, custos de mão de
especial, aos custos de armazenagem. obra e custos administrativos.
Antes de abordar os itens que compõem es-
ses custos, cabe ressaltar que o processo de 1. Componentes dos Custos de
armazenagem de produtos liga três pontas Armazenagem
importantes na cadeia logística: o fornece-
Conforme já mencionado, a armazenagem
dor, a produção e o cliente (FARIA; COSTA,
é uma atividade importante para o proces-
2013).
so logístico. No entanto, para a execução

52/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


dessa atividade a empresa acaba por gerar os elementos que compõem os custos das
alguns gastos, denominados custos de ar- instalações, podem ser destacados:
mazenagem. Os custos de armazenagem a) Aluguel do armazém, b) IPTU, c) Con-
não são todos iguais. Eles possuem carac- domínio, d) Contas de consumo: água,
terísticas diferentes e, por isso, são classifi- energia, telefone, manutenção pre-
cados em subgrupos. dial.
Na sequência, esses gastos serão apresen-
tados com exemplos da forma como essa 1.2. Custo dos Ativos
classificação se dá.
O custo dos ativos refere-se aos valores ge-
1.1. Custo das Instalações (CINST) rados para a aquisição e manutenção dos
equipamentos, estruturas, sistemas e de-
Os custos de instalação são todos aqueles mais ativos necessários para a implemen-
relacionados à manutenção do local onde o tação da atividade de armazenagem. Além
armazém está instalado. São custos gera- disso, integra essa categoria de custo a re-
dos pelas instalações, sua manutenção e in- muneração do capital investido para a aqui-
fraestrutura necessária para que a ativida- sição de tais bens.
de de armazenagem seja executada. Entre
53/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem
Entre os elementos que compõem os custos a empresa abre mão. O custo de remunera-
dos ativos, podem ser destacados os indica- ção do capital pode ser calculado a partir da
dos a seguir. seguinte fórmula:
Crc = valor da aquisição * [(1+i)^n-1]
1.2.1. Remuneração de Capital
Em que:
(CRC)
Crc = custo de remuneração do capital
No momento em que a empresa decide rea-
i = taxa de juros oferecida pela opção de in-
lizar um investimento em um ativo, ela dei-
vestimento
xa, necessariamente, de aplicar esse dinhei-
ro em projetos ou mesmo em opções ofe-
1.2.2. Depreciação dos Equipa-
recidas pelo mercado financeiro. A remu-
neração de capital refere-se a esse valor do mentos (CD)
qual a empresa abdica em prol da atividade
A depreciação corresponde ao custo gera-
de armazenagem. Para tanto, se faz neces-
do por desgaste, obsolescência ou uso dos
sária a identificação de uma taxa a ser uti-
bens e equipamentos.
lizada como benchmarking. Essa taxa será
a referência para o cálculo do valor do qual

54/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


Para a determinação do valor da deprecia-
ção mensal de um bem, deve-se considerar Para saber mais
o prazo de utilidade econômica do mesmo. Os prazos de utilidade econômica dos diversos
Essa determinação leva em conta alguns equipamentos são variáveis e, em muitos casos,
aspectos que serão mencionados a seguir: dependem de diversos fatores o que poderia gerar
• A capacidade de produção do ativo. avaliações diferentes para produtos semelhantes.
Por esse motivo, a Receita Federal do Brasil (RFB)
• O desgaste esperado, considerando
estabeleceu uma padronização para os prazos de
fatores operacionais como a quanti-
vida útil dos equipamentos. Esses prazos estão
dade de horas em que o bem será uti-
disponíveis no site da RFB e são a referência para
lizado diariamente.
o estabelecimento desse importante aspecto dos
• Os avanços tecnológicos no segmen- custos logísticos.
to de atuação da empresa, que pode
levar o produto à obsolescência do A partir dessa determinação do prazo de
equipamento. utilidade econômica do equipamento, apli-
ca-se a seguinte fórmula:

55/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


Em que: 1.4. Custo de Mão de Obra (CMO)
Valor de aquisição: valor de compra do equi-
Refere-se aos custos gerados pela remu-
pamento
neração, encargos trabalhistas, benefícios
Número de anos de depreciação do equipa- e demais gastos incorridos em função da
mento * 12 manutenção da equipe de profissionais res-
ponsáveis pela execução do trabalho de ar-
1.3. Custo de Manutenção (CMAN) mazenagem.

Refere-se ao valor a ser desembolsado com De acordo com Martins (2012), em alguns
a manutenção dos equipamentos e siste- países atribui-se ao custo de mão de obra
mas utilizados pela logística. Para o cálculo apenas o valor nominal do salário do cola-
desse custo, deve-se considerar o valor re- borador, isso em função dos baixos valores
ferente às manutenções preventivas e cor- de encargos e também considerando que
retivas. alguns encargos trabalhistas não depen-
dem diretamente dos valores de remunera-
ção do trabalhador.
No Brasil, entretanto, os encargos traba-
lhistas têm outro peso. Os valores são sig-
56/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem
nificativos e, em sua maioria, diretamente rio, Previdência Social, fundo de garantia,
associados aos valores de remuneração au- seguro acidentes de trabalho, salário edu-
feridos pelos trabalhadores. cação, SESI ou SESC, SENAI ou SENAC, IN-
CRA, SEBRAE.

Para saber mais


Estudo desenvolvido pela Fiesp (Federação das
Para saber mais
Indústrias do Estado de São Paulo) aponta que O Sistema S é composto por organizações de apoio
os encargos trabalhistas correspondem a 32,4% ao trabalhador dos diversos setores da economia.
dos custos de folha de pagamento no Brasil. Para
efeito de comparação, a média observada pela Tais instituições têm como função básica a ofer-
pesquisa em 34 países é de 21,4%. FIESP. Encar- ta de atividades de formação e lazer, importantes
gos trabalhistas sobre folha de salários e seus im- para a população. Cabe ressaltar que as institui-
pactos no Brasil e no mundo. DECOMTEC (área de
competitividade). Julho de 2011. ções são auditadas para verificação da destina-
ção dos valores repassados e cobradas para que
Apresentam-se, na sequência, os encargos o benefício esperado seja de fato obtido pela po-
e obrigações estabelecidos pela Legisla- pulação.
ção Trabalhista Brasileira e que integram os
custos: férias, adicional de férias, 13º salá-

57/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


Um exemplo: INCRA: 0,2% = 2,00
Um trabalhador recebe a título de salário o SEBRAE: 0,6% = 6,00
valor de R$ 1.000,00. Qual seria o seu custo Total: 1562,44
para a empresa?
Dessa forma os encargos sociais e de-
Salário: 1.000,00 mais obrigações trabalhistas representam
Férias: 1.000/12 = 83,33 56,24% do custo do salário. Além disso, ou-
Adicional de férias: 83,33/3 = 27,78 tras obrigações estabelecidas em acordos
coletivos de trabalho, como benefícios e
13º salário: 1.000/12 = 83,33 premiações extras, elevam ainda mais esse
Previdência Social: 20% = 200,00 custo.
Fundo de Garantia: 8% = 80,00
1.5. Custos Administrativos
Seguro acidentes de trabalho: 3% = 30,00 (CADM)
Salário educação: 2,5% = 25,00
Referem-se aos custos de atividades admi-
SESI ou SESC: 1,5% = 15,00
nistrativas rateados nas atividades do ar-
SENAI ou SENAC: 1% = 10,00 mazém. Essa necessidade de rateio ocorre

58/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


em função da natureza desses custos e do subjetividade gera um aspecto de arbitra-
seu uso compartilhado pela logística e de- riedade nas alocações de valores. Para fugir
mais departamentos. Os custos administra- dessa situação, os custos administrativos
tivos são classificados como custos indire- devem ser rateados de acordo com critérios
tos. que tornem a divisão aceitável, a partir de
De acordo com Martins (2012), os custos in- analises que busquem apropriar os valores
diretos, por definição, são apropriados indi- de forma justa.
retamente pelos produtos, ou seja, a partir São considerados custos administrativos:
de critérios estabelecidos para o rateio dos serviços de segurança patrimonial, serviços
valores apurados. de limpeza do prédio, materiais de limpeza,
Os critérios a serem estabelecidos devem materiais de escritório.
considerar as características de cada custo
e a percepção do gestor em relação a elas,
gerando situações de critérios divergentes
em situações semelhantes. Essa situação
é alvo de algumas críticas. Martins (2012)
afirma que, no rateio dos custos indiretos,
há a presença do fator subjetividade. Essa
59/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem
Glossário
Encargos: incumbência, obrigação, condição onerosa.
Acordo coletivo: negociação coletiva entre sindicatos de empresários e sindicatos de trabalha-
dores visando regrar as relações entre as partes. O acordo coletivo tem força de lei e deve ser
seguido em todos os seus detalhes pela empresa e pelos empregados.
Abdicar: dispensar, declinar, abandonar, recusar.
Patrimonial: que diz respeito ao patrimônio de indivíduos e organizações.
Apropriar: tomar posse, apossar, assumir o controle.

60/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


?
Questão
para
reflexão

Como você pôde ver, os custos de mão de obra possuem


uma grande relevância no volume total dos custos de
armazenagem. Reflita sobre o peso das obrigações e
encargos trabalhistas na composição dos custos de
mão de obra e sobre quais são os impactos positivos e
negativos de possíveis alterações na Legislação Traba-
lhista Brasileira.

61/176
Considerações Finais

• Custos de armazenagem são custos necessários para a manutenção da in-


fraestrutura de armazenagem da organização.
• São quatro grupos que compões os custos de armazenagem: custos de ins-
talação, custo dos ativos, custo de mão de obra e custos administrativos.
• Os custos de mão de obra são fortemente impactados pelos encargos e
obrigações trabalhistas determinadas em lei.

62/176
Referências

FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2012.

63/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


Questão 1
1. Quais dos elementos não representa um custo de armazenagem?

a) Custo de instalações.
b) Custo de perda.
c) Custo de ativos.
d) Custo de mão de obra.
e) Custos administrativos.

64/176
Questão 2
2. Dos elementos abaixo, qual compõe os custos de instalação?

a) Depreciação dos equipamentos.


b) Encargos sociais.
c) Custos de manutenção.
d) Aluguel.
e) Custo de capital sobre as máquinas e equipamentos.

65/176
Questão 3
3. “Refere-se aos valores gerados para a aquisição e manutenção dos equipa-
mentos, estruturas, sistemas e demais ativos necessários para a implementa-
ção da atividade de armazenagem.” (FARIA E COSTA, 2013) Essa definição diz
respeito a qual elemento que compõe os custos de armazenagem?

a) Custos de instalação.
b) Custos de mão de obra.
c) Custos de ativo.
d) Custos administrativos.
e) Custos de perda.

66/176
Questão 4
4. “Essa necessidade de rateio ocorre em função da natureza desses Custos
e do seu uso compartilhado pela Logística e demais departamentos. Essa
situação faz com que tais elementos sejam classificados como Custos Indi-
retos.” (MARTINS, 2012). A frase está ligada à qual tipo de custo?

a) Custos de instalação.
b) Custos de mão de obra.
c) Custos de ativo.
d) Custos administrativos.
e) Custos de perda.

67/176
Questão 5
5. Qual das atividades abaixo não é classificada como custos administrativos?

a) Seguros.
b) Custo de remuneração de capital.
c) Limpeza do prédio.
d) Material de escritório.
e) Materiais de limpeza.

68/176
Gabarito
1. Resposta: B. 4. Resposta: D.
O custo de perda representa um custo rela- A definição apresentada refere-se ao con-
cionado à atividade de estoque. ceito de custos administrativos.

2. Resposta: D. 5. Resposta: B.
Apenas o aluguel é classificado como cus- Os custos de remuneração de capital são
tos de instalação. Os demais, são custos dos classificados como custos de ativo.
ativos, de manutenção ou de mão de obra.”

3. Resposta: C.
Valores necessários para a aquisição e ma-
nutenção dos ativos são classificados como
custos de ativo.

69/176
Link
A soja é um dos principais produtos exportados pelo Brasil. Avaliar a viabilidade de investimentos para a
armazenagem desse importante produto é fundamental. MARTINS, Ricardo Silveira et al . Decisões es-
tratégicas na logística do agronegócio: compensação de custos transporte-armazenagem para a soja no
estado do Paraná. Rev. adm. contemp., Curitiba , v. 9, n. 1, p. 53-78, Mar. 2005..

As melhorias nos processos de movimentação e armazenagem de produtos podem representar melho-


rias nas condições de trabalho para os colaboradores. VIEIRA, José Geraldo V. et. al. Gestão de armazena-
gem em um supermercado de pequeno porte. Revista P&D em Engenharia de Produção, n. 8, 2008, pp.
57-77.

A gestão da armazenagem é fundamental para a logística empresarial e pode ser importante para o bom
desempenho das empresas. MACEDO, Natalia L. F.; FERREIRA, Karine Araújo. Diagnóstico da gestão de
armazenagem em uma empresa do setor de distribuição. XXXI Encontro Nacional de Engenharia de Pro-
dução. Belo Horizonte (MG), 04 a 07 de outubro de 2011..

70/176 Unidade 3 • Custos de Armazenagem


Unidade 4
Custos de Estoques

Objetivos

1. Refletir sobre a importância dos esto-


ques para a atividade empresarial.
2. Apresentar os principais custos gera-
dos pela manutenção de estoques pe-
las empresas.
3. Provocar a reflexão quanto aos im-
pactos gerados pelo excesso ou falta
de materiais e produtos em estoque.

71/176
Introdução

Ao pensar na evolução da logística e a sua


contribuição para os avanços da gestão em- Para saber mais
presarial como um todo, um dos aspectos O modelo japonês é um sistema de gestão de-
mais relevantes diz respeito aos estoques. A senvolvido no período após a Segunda Guerra
partir do surgimento do modelo japonês de Mundial. De acordo com Andrade e Valle (2016),
administração, a preocupação com maior trata-se de um sistema que prioriza as relações
eficiência e eficácia na gestão dos recursos humanas e procedimentos de maior controle de
passou a receber maior atenção das empre- qualidade e eficiência nos processos empresa-
sas e seus gestores. riais. Tem como princípios fundamentais a me-
lhoria contínua e a eliminação dos estoques no
processo produtivo.

Essa preocupação passa diretamente pela


gestão de estoques. As empresas precisam
dos seus estoques para desenvolver as suas
atividades, e são várias as razões existentes
para sua manutenção.

72/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


• Atender a um pedido de emergência. riais adquiridos em caráter emergencial. O
• Cobrir possíveis alterações na deman- excesso de materiais igualmente pode au-
da. mentar os custos, visto que o estoque e sua
manutenção são geradores de gastos.
• Cobrir o tempo solicitado pelo forne-
cedor para a reposição e os possíveis Além disso, o excesso de materiais em esto-
atrasos nesse processo. ques pode encobrir algumas falhas na ges-
tão empresarial e especialmente no pro-
• Casos em que a quantidade mínima cesso logístico. Entre eles, podem ser des-
do fornecedor é maior que quantida- tacados o despreparo da equipe, situações
de necessária. de retrabalho, entregas atrasadas, peças
No entanto, faz-se necessário um controle defeituosas e instabilidade na demanda.
para que haja equilíbrio na relação, deven-
Na sequência, apresentam-se os custos ge-
do-se evitar material em excesso nos esto-
rados pela atividade de estocagem de ma-
ques. Cabe ressaltar que os dois extremos
teriais. Cabe ressaltar que esses custos se-
podem representar problemas e culminar
rão potencializados à medida que o volume
em aumento nos custos empresariais. A
de materiais estocados cresce. Assim, são
falta de materiais pode prejudicar a rela-
custos de estoque:
ção com clientes e elevar o preço dos mate-
73/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
Custos de inventário, custo de capital das • Quando e deve reabastecer?
mercadorias, custo de falta de materiais, • Como será executado o armazena-
custo de perdas, custo do espaço físico. mento desses materiais?
Cada um deles será apresentado em deta- • E, por fim, de que forma serão realiza-
lhes na sequência. das as atividades de controle do esto-
que, tanto quantitativamente, quanto
1. Custos de Inventário financeiramente?
O processo de controle do estoque é uma Para responder a essa última questão, as
atividade essencial para as empresas, con- empresas optam pela realização de inven-
forme mencionado anteriormente. Mar- tários periódicos. Inventário é a atividade
tins e Alt (2009) afirmam, no entanto, que de verificação e identificação dos materiais
algumas atividades são importantes para mantidos em estoque. Nesse processo, po-
que esse controle seja realizado de forma de-se também identificar e retirar materiais
eficiente. Para tanto, faz-se necessário res- que estejam danificados ou em obsolescên-
ponder a algumas perguntas. cia. De acordo com Martins e Alt (2009), a
manutenção de inventários tem por objeti-
• Quantos produtos devem ser manti- vo oferecer suporte ao marketing, aprimo-
dos em estoque?
74/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
rando a prestação de serviços aos clientes Shain (2004) afirma que as divergências no
com a informação correta sobre o volume estoque ocultam os erros operacionais e
de estoque para a concretização da venda. furtos, divergências essas que podem re-
Falhas na informação podem levar a equí- presentar montantes expressivos. A realiza-
vocos nas decisões da área de compras, o ção do inventário vai reduzir as divergências
que pode resultar na falta de produto para o e, consequentemente, os custos.
cliente, com os possíveis atrasos no proces-
so produtivo. 2. Custo de Capital sobre o In-
A precaução com essa atividade deve, aci- vestimento em Estoques
ma de tudo, considerar a necessidade de
Representa perda de valores por investir em
preparo da equipe, pois falhas nos registros
estoques e não em outra possibilidade, seja
de entradas e saídas de materiais podem ser
na própria empresa ou no mercado finan-
ocasionadas por desatenção ou despreparo
ceiro.
da equipe de colaboradores. A equipe deve
estar preparada para receber e encaminhar Para a realização desse cálculo, faz-se ne-
materiais, além de checar diariamente a re- cessária a verificação de uma informação
lação entre o estoque físico e o registro nos importante: é preciso saber qual o valor
sistemas de informação de logística. médio mantido em estoque ao longo de de-
75/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
terminado período, normalmente um mês. 3. Custo de Falta
Para a obtenção desse valor, é preciso apli-
car a fórmula a seguir: Embora gerador de custo, o estoque deve
ser mantido com o volume necessário para
Estoque médio: Estoque do período/Quan-
a manutenção das atividades empresariais,
tidade de períodos
sem excesso. Esse volume adequado de es-
Após a obtenção desse valor, pode-se apli- toque pode evitar outro custo: aquele gera-
car a fórmula de custo de capital, vista em do pela ausência dos materiais no momen-
outra oportunidade quando foi tratado do to em que há necessidade. Esse custo é de-
tema custos de armazenagem. A diferença nominado custo de falta. O custo de falta
é que a base de cálculo é o custo médio de é aquele gerado quando não há volume de
estoque, agora apurado. Assim, o custo de materiais suficientes para suprir a demanda
manutenção de estoque pode ser obtido dos clientes em determinado período.
por meio da seguinte fórmula:
Cme = Custo médio do estoque * {(1+i)^n -1)

76/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


Podem ser considerados como custo de falta:
• Valores referentes a vendas não con-
Para saber mais cretizadas.

De acordo com a Associação Brasileira de Farmá- • Perda de participação no mercado.


cias e Drogarias, a falta de produtos nas gôndolas • Acréscimos nos custos gerados por
é a principal causa de perdas de clientes. O estudo compras emergenciais.
realizado aponta que 79% dos clientes não retor-
• Danos à imagem empresarial.
nam a uma drogaria ao não encontrarem itens em
suas prateleiras. Em números, as perdas geradas Cabe ressaltar que algumas perdas ocasio-
pela falta de produtos em farmácias e drogarias nadas pela falta de materiais ou produtos,
podem chegar a 7,9 bilhões de reais por ano. em muitas oportunidades, têm a sua men-
suração dificultada pela complexidade da
compreensão do seu impacto.

4. Custo de Perda

Também chamado de custo de riscos de


estoques, refere-se ao risco de perdas ge-
77/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
rado pelo trabalho de estocagem de mate- Quanto à deterioração, ela pode ocorrer em
rial. Esse custo varia de acordo com o tipo situações em que os prazos de validade dos
de material estocado. De acordo com Faria produtos mantidos em estoque são excedi-
e Costa (2013), os custos de perda incluem dos. Outro fator relacionado à deterioração
gastos relativos a: obsolescência de mate- é o risco de acidentes, como incêndios no
riais, avarias, perdas e custos de realocação. ambiente em que o material está armaze-
No que diz respeito à obsolescência, ela nado.
pode ocorrer em duas situações. Uma delas Além disso, as perdas de valores manti-
é o surgimento de produtos substitutos ou dos em estoque podem ocorrer em função
de similares com novas tecnologias envolvi- de avarias sofridas pelos produtos. Essas
das. A manutenção de excesso de estoques avarias podem ocorrer durante o processo
desses materiais pode nos deixar em difi- de estocagem de materiais, em atividades
culdades para a ação e levar à perda. Outro como o transporte de cargas e as movimen-
aspecto é o fator sazonalidade. Alguns ma- tações internas, situações em que o risco de
teriais são adquiridos em períodos especí- acidentes é iminente.
ficos, e a manutenção de altos volumes de Outro fator que pode ser classificado como
estoques associado a dificuldades para ven- Custo de perda, refere-se ao valor envolvido
da aos clientes pode levar a perdas. em possíveis roubos e furtos ocorridos.
78/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
Para Faria e Costa (2013), os custos de per- 5. Custos de Seguros
das nem deveriam ser classificados como
custos de manutenção de estoques. A justi- O risco de acidentes envolvendo o material
ficativa para tal fato é a impossibilidade de armazenado e as possíveis perdas geradas
recuperação desses custos, representando por esse fato podem ser amenizados pela
uma perda efetiva. existência de uma apólice de seguros que
proteja a empresa dessas ocorrências. De
Para saber mais acordo com Bowersox e Closs (2011), esses
custos incidem sobre o valor mantido em
Visando reduzir os custos de perdas, algumas estoque e variam em função do risco ofere-
empresas, especialmente os supermercados, cido pelo local onde o material está arma-
optam por vender produtos com prazos de ven- zenado ou mesmo no grau de periculosida-
cimentos se aproximando por valores reduzidos. de do próprio material.
Apesar da perda financeira em função da redu-
Cabe ressaltar que os valores referentes a
ção do preço cobrado, essa medida evita o cus-
custos de seguros têm prazo de validade e
to adicional que seria gerado para a eliminação
devem ser renovados periodicamente.
desses produtos, além de uma geração de recei-
ta (ainda que reduzida).

79/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


6. Custos do Espaço Físico Os custos de espaço físico muitas vezes são
gerados pelo acúmulo temporário de mate-
Como visto anteriormente, a necessidade riais em estoque que excedem a capacida-
da manutenção de um prédio ou espaço de de manutenção de materiais no prédio
para o armazenamento de materiais é clas- utilizado para esse fim e requer um espaço
sificada como custo de armazenagem. Essa extra por curto período, o que não justifica a
classificação ocorre em situações em que há ampliação ou locação de novos espaços em
a aquisição ou locação desses espaços e o caráter permanente.
uso pela empresa para esse fim. No entanto,
algumas empresas optam pela contratação
de empresas especializadas na manuten-
ção de estoques de terceiros. Nesses casos,
a empresa será cobrada apenas pelo espa-
ço utilizado pelos seus materiais, cobrança
essa que ocorre, na maior parte dos casos,
em função da metragem ocupada pela es-
tocagem de materiais e varia na medida em
que há um acréscimo no volume mantido
em estoque.
80/176 Unidade 4 • Custos de Estoques
Glossário
Obsolescência: diz respeito a materiais ou produtos que caíram em desuso, antiquados.
Avaria: dano causado a um material por uso inadequado ou acidente.
Demanda: refere-se ao volume de procura por determinado produto ou serviço.

81/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


?
Questão
para
reflexão

O modelo japonês de gestão prega o estoque mínimo


como estratégia e método de trabalho. Esse modelo
contribui para a redução de custos, o que é um bene-
fício para as empresas que os adotam. Se esse modelo
apresenta benefícios, quais as razões para que algumas
empresas optem por não adotá-lo em seus processos?

82/176
Considerações Finais
• Os estoques são elementos importantes para o sucesso empresarial. No en-
tanto, são também elementos geradores de custos e que, em muitos casos,
acabam por esconder falhas na gestão empresarial.
• Deve-se gerenciá-los com cuidado, pois a ausência de materiais no mo-
mento em que o cliente necessita pode representar um problema e gerar
custos, insatisfação e, consequentemente, perdas de clientes.
• O excesso de materiais também é um problema, pois gera a perda de opor-
tunidades de investimento, risco de perdas por roubo, acidentes, obsoles-
cência e avarias.
• Estudar as reais necessidades da empresa e encontrar o equilíbrio é funda-
mental para fazer do estoque um elemento de apoio em vez de um proble-
ma de gestão.

83/176
Referências

ANDRADE, A. S.; VALLE, M. I. M. Modelo japonês e práticas de gestão na indústria de veículos so-
bre duas rodas no Brasil. Novos Cadernos NAEA, v. 14, n. 2, 2016.
BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de su-
primento. São Paulo: Atlas, 2011.
FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
MARTINS, P. G.; ALT, P. R. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 3. ed. São Paulo:
Saraiva, 2009.
SHAIN, M. Information security for managers. Basingstoke: Stockton Press, 2004.

84/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


Questão 1
1. Analise as sentenças abaixo relacionadas à manutenção de estoques.

I. Elevar a qualidade na fabricação dos produtos e na prestação de serviços.


II. Atender a um pedido de emergência.
III. Cobrir possíveis alterações na demanda.
IV. Cobrir o tempo solicitado pelo fornecedor para a reposição e os possíveis atrasos nesse pro-
cesso.
Quais das alternativas acima apontam razões para a manutenção de estoques pelas empresas?
a) I e III.
b) Apenas a alternativa II.
c) I, II e IV.
d) II, III e IV.
e) Apenas a alternativa I.

85/176
Questão 2
2. Analise as seguintes sentenças:

I. Os custos de manutenção de estoques referem-se aos custos de capital do valor investido em


estoque.
II. Representa perda de valores por investir em estoques e não em outra possibilidade, seja na
própria empresa ou no mercado financeiro.
III. Refere-se ao risco de perdas gerado pelo trabalho de estocagem de material.
Qual das alternativas acima representa apenas os custos de manutenção de estoques?
a) Apenas a alternativa I.
b) Apenas a Alternativa II.
c) Apenas a Alternativa III.
d) Alternativas I e II.
e) Alternativas I e III.

86/176
Questão 3
3. São custos de estoque:

a) Custos de perda e espaço físico.


b) Custos de falta e depreciação dos equipamentos.
c) Custos de inventário e instalação.
d) Custos de manutenção de estoques e custos de mão de obra.
e) Custos de combustível e instalação.

87/176
Questão 4
4. Analise as sentenças abaixo:

I. Valores referentes a vendas não concretizadas.


II. Valores referentes a avarias sofridas pelo material estocado.
III. Perda de participação no mercado.
IV. Acréscimos nos custos gerados por compras emergenciais.
Quais das alternativas abaixo apresentam apenas números referentes às sentenças que repre-
sentam os custos de falta?
a) Apenas a sentença I.
b) I, III e IV.
c) Apenas a sentença II.
d) II, III e IV.
e) I, II, III.

88/176
Questão 5
5. Os custos de espaço físico não se referem a qual alternativa?

a) São gerados pelo acúmulo temporário de materiais em estoque que excedem a capacidade
de manutenção de materiais no prédio utilizado para esse fim.
b) Será cobrado apenas o espaço utilizado pela estocagem dos materiais. Essa cobrança ocor-
re, na maior parte dos casos, em função da metragem ocupada pela estocagem e varia à
medida que há um acréscimo no volume mantido em estoque.
c) São gerados em situações em que a empresa necessita der um espaço extra e temporário, o
que não justifica a ampliação ou locação de novos espaços em caráter permanente.
d) Incidem sobre o valor mantido em estoque e variam em função do risco oferecido pelo local
onde o material está armazenado ou mesmo no grau de periculosidade do próprio material.
e) Incidem sobre o período de vida útil do prédio e instalações utilizados pela empresa.

89/176
Gabarito
1. Resposta: D. demais, há sempre um custo de estoque as-
sociado a um custo de armazenagem.
Não é função dos estoques elevar a qualida-
de dos produtos fabricados pela empresa. 4. Resposta: B.

2. Resposta: C. Os custos referentes a avarias nos produtos


não são custos de falta.
Os custos de manutenção de estoques re-
ferem-se aos custos de capital gerados pela 5. Resposta: D.
atividade de estoque, ou seja, o custo de
oportunidade gerado pela opção de manter O item citado, refere-se na realidade a fa-
estoques em detrimento de outras opções tores que influenciam os custos de seguros.
de investimentos.

3. Resposta: A.

É a única alternativa em que as duas opções


apresentadas são custos de estoques. Nas

90/176
Link
A indústria automobilística é um segmento importantíssimo da economia brasileira. Conheça os proces-
sos de gerenciamento de estoque utilizados pelas empresas desse segmento. MOURA, Delmo Alves de;
BOTTER, Rui Carlos. Caracterização do sistema de coleta programada de peças, milk run. RAE electron.,
São Paulo , v. 1, n. 1, p. 1-14, June 2002.

O inventário é uma atividade tão necessária quanto custosa para a gestão de estoques. Conheça uma
metodologia para apuração dos custos de inventário. HAMAD, Ricardo; GUALDA, Nicolau Dionísio Fares.
Modelagem de redes logísticas com custos de inventário calculados a partir da cobertura de estoque.
Prod., São Paulo , v. 21, n. 4, p. 667-675, 2011.

91/176 Unidade 4 • Custos de Estoques


Unidade 5
Custos de Embalagens

Objetivos

1. Reconhecer a importância das embala-


gens para gestão da atividade logística.
2. Apresentar os principais materiais uti-
lizados na fabricação de embalagens
e qual a melhor forma de utilizar cada
um deles.
3. Apresentar os principais impactos das
embalagens sobre os custos logísticos,
considerando os valores investidos na
sua aquisição e desenvolvimento, e os
ganhos em relação aos custos de trans-
porte e armazenamento, entre outros.
92/176
Introdução

Ao pensar nas diversas atividades envolvi-


das no processo logístico, um fator influen- Para saber mais
cia e está presente na maior parte delas: a O mercado de embalagens no Brasil mostra-se
embalagem. A embalagem é uma parte im- em constante crescimento, que pode ser notado
portante do processo logístico e pode, en- ao avaliar sua evolução em números entre os anos
tre outras coisas, influenciar os custos de de 2010 e 2016. De acordo com estudo divulgado
entrega ou até mesmo proporcionar um au- pela ABRE (Associação Brasileira de Embalagem),
mento nas vendas, visto que agrega valor ao no ano de 2010, foram gerados 42,8 bilhões de
cliente. reais. Em 2016, esses números chegaram a 57,2
bilhões. Isso reflete a importância da embalagem
para o sucesso dos produtos na comunicação com
o cliente.

Pereira (2006) classifica as Embalagens em


três categorias:
Embalagens primárias: utilizadas para
constituir uma unidade de produto para o
consumidor final.
93/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
Embalagens secundárias: criadas com o Fatores sobre os produtos: questões como o
objetivo de agrupar, no ponto de vendas, um estado físico do produto, seu tamanho, peso,
número específico de unidades do produto, fragilidade e materiais envolvidos na sua
proporcionando ao consumidor a possibili- construção são grandes influenciadores na
dade de adquirir uma quantidade maior de definição da embalagem mais apropriada.
produtos. As embalagens secundárias não Fatores sobre os métodos de distribuição:
alteram o produto em suas características. devem-se considerar os riscos envolvidos
Embalagens terciárias ou de transporte: no transporte dos produtos, desde o pro-
tem por função facilitar o processo de mo- cedimento de carga e descarga, passando
vimentação, armazenagem e transporte de pelo modal de transporte a ser utilizado e
materiais. Visa evitar danos físicos ao lon- os riscos de armazenagem e climáticos en-
go dos processos logísticos e possibilitam volvidos.
a movimentação de produtos em maior Fatores sobre as funções da embalagem:
quantidade. conforme exposto anteriormente, a emba-
Ainda de acordo com Pereira (2006), a con- lagem pode ser classificada em três diferen-
cepção da embalagem deve levar em consi- tes tipos com funções e características di-
deração três aspectos: ferentes. É preciso verificar em qual delas a
necessidade prevalecerá: comunicação com
94/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
o cliente, proteção da embalagem primária 1. Materiais Utilizados nas Em-
e acondicionamento em maior volume para balagens
o consumidor ou facilitação do processo lo-
gístico. Ao estudar as embalagens, suas funções,
Bowersox e Closs (2011), no entanto, afir- importância e características, é preciso
considerar o material do qual ela é feita.
mam que, independentemente do tipo de
Essa consideração se faz importante, pois
embalagem ou de sua função e utilidade,
o material utilizado para a sua construção
haverá um impacto nos custos das ativida-
interfere em aspectos como resistência,
des logísticas. Por esse motivo, faz-se ne-
aparência, tecnologia utilizada e, principal-
cessário compreender a sua real utilidade e mente, custo. Na sequência, serão aborda-
buscar o equilíbrio encontrando uma em- dos alguns dos materiais utilizados na em-
balagem que proteja e comunique sem que balagem de produtos, assim como as prin-
haja, na busca por atingir esses objetivos, cipais características de cada um deles.
comprometimento substancial das mar-
gens obtidas pela empresa. 1.1. Vidro

Muito utilizado em embalagens de produ-


tos de alimentação, medicação e bebidas,
95/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
em função da sua característica de preser- 1.3. Madeira
vação do sabor e proteção contra gases. É
Utilizado prioritariamente em embalagens
100% reciclável, mantendo suas caracte-
de grande porte, a madeira é bastante uti-
rísticas, e pode ser lavado e reaproveitado
lizada na produção de pallets e embalagens
(PEREIRA, 2006). terciárias. Outro material comumente ar-
No entanto, apresenta dificuldades para o mazenado nesse tipo de material são as be-
seu transporte em função do seu peso e vo- bidas, que necessitam de um processo de
lume. envelhecimento para a evolução do seu pa-
ladar e que são acondicionadas em barris.
1.2. Metal
1.4. Papel e Papelão
Utilizado inicialmente para a embalagem Com material de baixo custo, as embalagens
de alimentos, o metal aumenta o tempo de de papel e papelão estão presentes em di-
conservação dos produtos e possui boa re- versos segmentos da indústria. A flexibilida-
sistência à pressão. É produzido a partir do de do produto, que pode ser moldado de for-
aço e do alumínio e é reciclável. mas diversas, seu peso relativamente baixo
e o pouco espaço ocupado contribuem para
a sua ampla difusão. A sua baixa resistência
96/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
no contato com líquidos propiciou diversos 1.5. Plásticos
estudos para o aprimoramento do material.
Esses estudos possibilitaram o ingresso no Flexíveis quanto à forma, as embalagens
segmento alimentício e de bebidas, subs- plásticas englobam sacos, frascos, tubos
tituindo outros materiais como o vidro e o e garrafas. O plástico é um material leve e
metal. O papel e o papelão são materiais que pode ser moldado em diversos forma-
100% recicláveis e biodegradáveis. tos a partir do seu processo produtivo. O
plástico é um material reciclável, utilizado
Para saber mais para embalar produtos de diferentes tipos
e tamanhos, substituindo outros materiais
Apesar da enorme variedade dos tipos de papéis
como vidros e metais.
e a evolução ocorrida nos últimos anos, a maté-
ria-prima necessária para a sua fabricação (in-
dependentemente do tipo de papel) é a celulose.
De acordo com Sampaio (2015), a evolução na
produção de celulose no Brasil foi de 290% no
período entre 1988 e 2013. Essa evolução reflete
o aumento da demanda gerada pelas inovações
promovidas por esse segmento da indústria.
97/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
sa como um todo, considerando, conforme
Para saber mais mencionado anteriormente, a função da
embalagem: comunicação, apelo de vendas
A primeira amostra desse material foi desenvol-
ou otimização dos processos. Portanto, essa
vida pelos ingleses Whinfield e Dickson, em 1941.
escolha deve envolver outros setores como
As pesquisas que levaram à produção em larga
o marketing e a produção.
escala do poliéster começaram somente após a
Segunda Grande Guerra, nos anos 1950, em labo-
ratórios dos EUA e da Europa. Baseavam-se quase
2. Custos Relacionados às Em-
totalmente nas aplicações têxteis. Em 1962, sur- balagens
giu o primeiro poliéster pneumático. No início dos
De acordo com Bowersox e Closs (2011),
anos 1970, o PET começou a ser utilizado pela in-
uma embalagem tem impacto sobre os cus-
dústria de embalagens (ABIPET, 2017).
tos das atividades de logística, podendo ser
Cabe ressaltar que a definição do material impactos positivos ou negativos. Os autores
e forma mais adequadas para a projeção citam algumas das situações em que esse
da embalagem não são exclusividades da impacto pode ser notado.
logística. Assim, deve-se buscar a embala-
• A identificação de um material esto-
gem que atenda à necessidade da empre-
cado normalmente é realizada pela
98/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
fixação de um documento na embala- para os produtos, o que pode influen-
gem do produto. Essa necessidade de ciar nos volumes de vendas atingidos.
identificação gera um custo adicional. Faria e Costa (2013) exemplificam o impac-
• As embalagens viabilizam a maior agi- to da embalagem nos custos logísticos ao
lidade na movimentação e no trans- apresentar a importância da embalagem
porte dos materiais, otimizando os para o processo de otimização cúbica no
processos, o que representa um ga- transporte de cargas. As autoras afirmam
nho de produtividade e, consequen- que a economia de custos gerada pela es-
temente, um impacto positivo nos colha adequada da embalagem pode re-
custos logísticos. presentar até 20% no custo do transporte.
Essa economia pode, da mesma forma, ser
• Custos de transporte e de armazena-
aplicada quando se analisam o processo de
gem são impactados pelo volume e
armazenagem de materiais e o espaço ocu-
peso das unidades embaladas.
pado pelos produtos.
• A satisfação do cliente também é im-
Para Faria e Costa (2013), caso a empresa
pactada pela embalagem que, en-
opte por fabricar a própria embalagem, ela
tre outros objetivos, visa manter os
terá que arcar com alguns custos variáveis
padrões de qualidade estabelecidos
como materiais e tributos correspondentes
99/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
à essa atividade, além de custos fixos rela- A análise do impacto das embalagens nos
cionados à mão de obra necessária para a custos deve ser mais complexa que o sim-
produção das embalagens e os encargos ples cálculo do seu valor de produção ou
trabalhistas referentes à equipe. Além dis- compra.
so, devem ser acrescidos nesses cálculos os
custos com pesquisas de materiais e for-
mas, custos de depreciação e manutenção
dos equipamentos, bem como o custo de
oportunidade referente aos valores investi-
dos em elementos utilizados na produção.
Outro fator que impacta de forma substan-
cial nos custos de embalagem é a neces-
sidade de proteção dos produtos para sua
movimentação e seu transporte. No entan-
to, esse investimento em materiais mais re-
sistentes pode ser compensando com redu-
ções em outros custos, como os custos com
perdas e avarias, estudados anteriormente.
100/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens
Glossário
Pallet: estrado de madeira que tem a função de auxiliar na movimentação de cargas. Pode tam-
bém ser fabricado com plástico ou metal.
Acondicionamento: forma de colocar em local que permita o bom funcionamento, ou conser-
vação de materiais.
Concepção: resultado de um processo de criação. Ação que resulta na criação de algo.

101/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens


?
Questão
para
reflexão

O desenvolvimento da embalagem requer um investi-


mento alto em tempo e pesquisa para encontrar aquela
que atenda às necessidades da empresa. Por esse mo-
tivo, muitas empresas optam por terceirizar essa ativi-
dade e adquirir a embalagem de terceiros. Qual a sua
opinião sobre o tema? Vale a pena desenvolver a própria
embalagem?

102/176
Considerações Finais

• A escolha da embalagem ideal para os diversos produtos deve considerar a


necessidade da empresa e as características do produto.
• Não se deve restringir essa escolha aos materiais e tipos de embalagens
existentes. Deve-se buscar desenvolver algo específico, visto que a emba-
lagem influencia os custos de transporte e armazenamento e pode trazer
impacto nas vendas dos produtos.
• O investimento em embalagem pode trazer retorno considerável à empresa,
tanto do ponto de vista de redução de custos no transporte e armazenagem
de materiais (otimização de espaços e diminuição das perdas e avarias),
quanto ao agregar valor ao cliente.
• Por esses motivos, a escolha da embalagem mais adequada é um processo
complexo que envolve múltiplos setores e que requer uma análise precisa
dos impactos gerados pela escolha ocorrida.

103/176
Referências

ABIPET (Associação Brasileira da Indústria do PET). Resina pet: história. Disponível em: <http://
www.abipet.org.br/index.html?method=mostrarInstitucional&id=46>. Acesso em: 22. fev. 2017.

BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de su-


primento. São Paulo: Atlas, 2011.
FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
PEREIRA, D. F. A embalagem como voz comercial do produto/marca. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2006.
SAMPAIO, S. S. Determinantes da oferta e demanda de madeira em toras para celulose no
Brasil. 2015. 60 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Faculdade de Engenharia
Florestal, Universidade de Brasília, Brasília, 2015. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstre-
am/10483/11131/1/2015_SamaraDeSousaSampaio.pdf>. Acesso em: 23/02/2017.

104/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens


Questão 1
1. De acordo com o texto, é correto afirmar:

a) As embalagens podem ser classificadas em três tipos diferentes de acordo com a sua função.
b) Ao escolher a embalagem ideal, deve-se estar atento ao volume de custo gerado, pois se
trata de um valor irrecuperável.
c) A embalagem tem como função única a exposição da marca e comunicação com o cliente.
d) As definições de material e formato ideal para a embalagem são uma atribuição da logística.
e) A definição da embalagem ideal é uma atribuição exclusiva do departamento de logística.

105/176
Questão 2
2. É função das embalagens primárias:

a) Agrupar, no ponto de vendas, um número específico de unidades do produto, proporcionan-


do ao consumidor a possibilidade de adquirir uma quantidade maior de produtos.
b) Facilitar o processo de movimentação, armazenagem e transporte de materiais.
c) Constituir uma unidade de produto para o consumidor final.
d) Evitar danos físicos ao longo dos processos logísticos e possibilitar a movimentação de pro-
dutos em maior quantidade.
e) Reduzir os custos logísticos por meio da otimização dos processos.

106/176
Questão 3
3. São características da embalagem plástica:

a) Custo relativamente baixo, pouco espaço ocupado e material 100% biodegradável ou reci-
clável.
b) Preservação do sabor e proteção contra gases. Material 100% reciclável, mantendo suas ca-
racterísticas, e pode ser lavado e reaproveitado. Apresenta dificuldades para o seu transpor-
te em função do seu peso e volume.
c) Utilizado inicialmente para a embalagem de alimentos, aumenta o tempo de conservação
dos produtos e possui boa resistência à pressão.
d) Englobam sacos, frascos, tubos e garrafas. É um material leve e que pode ser moldado em
diversos formatos a partir do seu processo produtivo. Material reciclável, é utilizado para
embalar produtos de diferentes tipos e tamanhos, substituindo outros materiais como os
vidros e metais.
e) Protege melhor o conteúdo.

107/176
Questão 4
4. Analise as seguintes sentenças:

I. Independentemente do tipo de embalagem ou de sua função e utilidade, haverá um impacto


nos custos das atividades logísticas.
II. O investimento em materiais mais resistentes na confecção de embalagens pode ser compen-
sando com reduções em outros custos como, por exemplo, perdas e avarias.
III. Vidro é o material mais utilizado para a confecção de embalagens no Brasil.
IV. Um fator que impacta de forma substancial os custos de embalagem é a necessidade de pro-
teção dos produtos para a sua movimentação e transporte.
Classifique como verdadeira ou falsa considerando as alternativas:
a) VFVV.
b) VVVF.
c) FVVF.
d) VVFV.
e) FFVV.

108/176
Questão 5
5. De acordo com o texto, as embalagens podem impactar os custos logís-
ticos positiva ou negativamente Analise as sentenças abaixo:

I. A satisfação do cliente.
II. A movimentação e transporte de materiais.
III. Os custos de mão de obra.
IV. Otimização dos processos e produtividade.
Quais das alternativas são impactadas pelas embalagens:
a) Alternativas I e III.
b) Alternativas I, II e IV.
c) Apenas alternativa III.
d) Alternativas I, II e III.
e) Alternativas III e IV.

109/176
Gabarito
1. Resposta: A. 4. Resposta: D.

De acordo com o texto, há de fato três tipos O vidro, em função do seu peso e volume,
de embalagem: primárias, secundária e ter- não é uma embalagem de uso muito di-
ciária ou de transporte. fundido, sendo preferencialmente utilizado
para embalar produtos alimentícios.
2. Resposta: C.
5. Resposta: B.
O texto informa que as embalagens primá-
rias são utilizadas para compor uma unida- As embalagens impactam a satisfação do
de de produto, entre outras funções. cliente, otimizam os processos e facilitam
a movimentação e transporte de cargas. Os
3. Resposta: D. custos de mão de obra não são impactados
pelas embalagens.
De acordo com o texto, as embalagens plás-
ticas representam um tipo flexível de em-
balagem, podendo ser adaptada em vários
formatos.

110/176
Link
A embalagem, tão importante para o marketing e para a logística, pode trazer impactos ambientais que
necessitam da atenção das empresas. MONTEIRO, Adival de Sousa et al. Embalagem em duplo senti-
do:importância para a logística e meio ambiente. Revista Valore, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 131-146, nov. 2016.

A logística reversa é um dos principais temas discutidos pelas empresas, especialmente pelo seu impacto
nos custos empresariais. DE OLIVEIRA, Laryssa Guedes; DE ALMEIDA, Maria Luciana. Logística reversa de
embalagens como estratégia sustentável para redução de custos: um estudo em uma engarrafadora de
bebidas / Reverse logistics of packaging as a sustainable strategy for cost reduction: a study in a bottler
beverages.. Revista Metropolitana de Sustentabilidade (ISSN 2318-3233), [S.l.], v. 3, n. 2, p. 78-98, set.
2013. ISSN 2318-3233.

A avaliação do ciclo de vida dos produtos pode integrar um conjunto de ações de gestão sustentável nas
empresas. RODRIGUES, Flávia Tatiane Ribeiro de Lima; SILVA, Rafael Rodrigues. Reduzindo custos e agre-
gando valor: o uso da análise do ciclo de vida e da logística reversa como ferramentas de gestão susten-
tável. Mirage, jun. 2016 .

111/176 Unidade 5 • Custos de Embalagens


Unidade 6
Processamento e Atendimento de Pedidos

Objetivos

1. Apresentar as atividades relacionadas


ao processamento de pedidos.
2. Identificar os principais custos rela-
cionados ao atendimento e processa-
mento de pedidos.
3. Compreender o papel da informatiza-
ção e o seu impacto na atividade lo-
gística como um todo.

112/176
Introdução

Otimizar o tempo. Um dos principais obje- De acordo com Ballou (2001), essas ativi-
tivos da logística é o de promover a otimi- dades referem-se àquelas envolvidas na
zação do tempo dos processos e atividades. busca, na identificação e no envio de infor-
Essa otimização passa pelo uso ótimo dos mações das vendas realizadas. A agilidade
recursos humanos, materiais, tecnológicos e confiabilidade geradas por essa ativida-
e financeiros. de compõem o conjunto de atividades que
O tempo é um diferencial oferecido por mui- traz eficiência ao processo logístico e está
tas empresas e representa o resultado final diretamente relacionado ao nível de satis-
de todo o esforço realizado por todas as fação dos clientes, uma vez que o cliente re-
pessoas que atuam na área. Ele pode, entre presenta uma das pontas desse processo de
outras coisas, trazer mais competitividade informação e comunicação.
para os produtos ou até mesmo influenciar Ballou (2001) afirma que, entre as atividades
no volume de vendas obtido pela empresa. relacionadas ao processo de atendimento e
Ao analisar o fator tempo, faz-se necessário processamento de pedidos, destacam-se:
observar as atividades relacionadas ao pro- Preparação de pedidos: consiste na etapa
cessamento de pedidos. de identificação das necessidades por parte
do cliente e da busca de informações sobre
fornecedores e possibilidades de compra.
113/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
Também faz parte dessa etapa a seleção do em função da evolução da tecnologia. Com
fornecedor a partir das informações obtidas. as melhorias nas comunicações, o processo
Em relação à etapa de identificação de ne- se tornou mais ágil, a comunicação mais di-
cessidades, esse processo pode ser estimu- reta e a quantidade de erros bem reduzida.
lado por alguns fatos: O processo, que anteriormente poderia le-
var horas ou, em alguns casos, até dias para
• A visita de um vendedor. sua concretização, agora leva apenas alguns
• A leitura de um anúncio com ofertas. minutos.

• Ou mesmo a identificação de término Entrada do pedido: diz respeito à chegada


dos materiais mantidos em estoque e das informações transmitidas pelo clien-
a eventual necessidade de reposição. te ao fornecedor. Em alguns casos em que
o processo não é automatizado, é requeri-
Transmissão do pedido: essa etapa refere-
da a digitação dos dados. No entanto, com
-se à informação por parte do cliente quan-
o crescimento das compras pela internet e
to ao seu interesse em adquirir produtos do
a informatização das empresas, a digitação
fornecedor, além da descrição dos produtos
está sendo dispensada.
e volumes ou quantidades necessárias. Essa
etapa passou por enormes transformações A entrada do pedido envolve as atividades
de apuração das informações do pedido
114/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
junto ao cliente. Com a confirmação enca- Atendimento do pedido: atividade mais
minhada, faz-se necessária a verificação da operacional do processo, consiste na retira-
disponibilidade dos itens em estoque. Nesse da dos itens no estoque, a embalagem e a
momento, o trabalho da equipe de estoca- preparação do embarque com toda a docu-
gem de materiais é fundamental, evitando mentação necessária providenciada.
falhas que possam levar a atrasos. As falhas A etapa de atendimento do pedido é aquela
comuns nessa fase do processo dizem res- que necessita de menor grau de tecnologia
peito a inconsistências entre o volume físi- da informação, mas que requer, em alguns
co do estoque e os volumes registrados nos casos, equipamentos para agilizar os pro-
sistemas de informação. Estando a situação cessos.
de crédito do cliente resolvida, já se pode
proceder a preparação do pedido e emissão Comunicação sobre a situação do pedido:
da nota fiscal dos produtos. A etapa de en- a última etapa nesse processo consiste em
trada do pedido deve ser desenvolvida com informar quanto à situação do pedido. Na
o máximo de presteza e eficiência, por se realidade, ela se inicia no momento da en-
tratar de uma fase importante e que pode trada do pedido e visa acompanhar o produ-
reduzir ou aumentar sensivelmente o tempo to por todo o seu ciclo. É nessa etapa tam-
de espera do cliente pelo produto. bém que o cliente será informado quanto ao
prazo de entrega e também das ocorrências
115/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
que levam aos atrasos. Não é uma atividade Manter essa estrutura é muito importante,
que acrescenta ou reduz o tempo da opera- mas, por outro lado, acaba gerando alguns
ção, mas é fundamental para a satisfação gastos que serão aqui mencionados. São
do cliente e organização do processo. Nessa investimentos, custos e despesas necessá-
etapa, há sistemas de informação que pos- rios, considerando o impacto dessa ativida-
sibilitam o acompanhamento imediato e re- de nos resultados obtidos pelas empresas.
moto pelo cliente, o que pode gerar custos, Na sequência, serão apresentados os princi-
mas também gera o benefício da possibili- pais itens que compõem os custos de aten-
dade de recompra. dimento e processamento de pedidos.
Cabe ressaltar que todas as atividades men-
cionadas que compõem o atendimento e 1. Custos Envolvidos no Atendi-
processamento de pedidos têm relação ínti- mento e Processamento de Pe-
ma com a qualidade dos serviços prestados didos
pela logística. Elas visam trazer agilidade,
minimizar erros, e o que é mais importan- Como outras atividades aqui estudadas, o
te, melhorar a percepção do cliente quanto processamento de pedidos também é um
à qualidade do serviço prestado, o que, no gerador de custos para a logística.
final das contas, é objetivo de toda empresa.
116/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
Ao se estudar os processos envolvidos nes- formatização e custos pode trazer mais be-
sa etapa tão importante para a agilização nefícios para a empresa, como a otimização
de entregas e satisfação dos clientes, pode- de processos, gerando redução de custos
-se evidenciar que esse processo requer um e eficiência operacional. Além dos inves-
investimento em tecnologia e um aparato timentos em tecnologia, os custos visíveis
para o seu funcionamento, visando gerar, também representam os custos e despesas
de fato, um benefício para a empresa e seus necessários para o seu funcionamento.
clientes. Dessa forma, de acordo com Faria e Costa
De acordo com Faria e Costa (2013), os cus- (2013), são custos visíveis de processamen-
tos de processamento de pedidos podem to de pedidos:
ser divididos em duas categorias: os custos Mão de obra: os gastos relacionados à equi-
visíveis e os custos invisíveis. pe envolvida nas atividades são custos atri-
Os custos visíveis são aqueles que ficam buídos ao processamento de pedidos. Cabe
mais evidenciados como necessários para o ressaltar, conforme mencionado no desen-
atendimento e a comunicação entre o for- volvimento de outros temas, que esse cus-
necedor e os clientes. Serão maiores a partir to não diz respeito apenas aos valores re-
do maior grau de informatização das ativi- ferentes à remuneração. Para esse cálculo,
dades. Por outro lado, esse maior grau de in- devem ser considerados também os custos
117/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
referentes aos encargos trabalhistas e be- os softwares representam item importante
nefícios oferecidos à equipe. na estrutura de custos. Na maior parte dos
A mão de obra necessária para realizar os casos, softwares não foram desenvolvidos
serviços de atendimento e processamen- pela empresa, mas por parceiros. Esses par-
to de pedidos é composta por digitadores, ceiros são remunerados por meio do paga-
analistas e programadores que possibilitam mento de licenças para uso. Quanto mais
que todo o suporte de informação e atendi- raro e complexo o sistema, mais elevado
mento seja oferecido à empresa. será o valor da sua licença.

Depreciação dos equipamentos: outro cus-


to relacionado a esse conjunto de atividades Para saber mais
é a depreciação. Todos os equipamentos en- A criação de um software de atendimento foi fun-
volvidos nesses processos serão depreciados damental para o sucesso da operação de delivery
e os valores atribuídos aos custos. do Habib’s. O software identifica por meio do CEP
Licença de uso de softwares: peças fun- se a região é atendida pela rede e direciona o pe-
damentais para proporcionar agilidade e dido para a unidade mais próxima. Essa funciona-
segurança aos processos e atividades de lidade do sistema possibilitou agilidade, que é tão
atendimento e processamento de pedidos, importante para uma operação de alimentos.

118/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


Manutenção do hardware e software: fa- que envolvem os pedidos de produtos pelos
lhas no funcionamento de equipamentos e clientes. Para tanto, faz-se necessário o in-
softwares devem ser evitadas pela empresa vestimento em atividades de treinamento
visto que os sistemas são elementos funda- da equipe de profissionais visando padroni-
mentais para a execução do processamen- zar as ações e evitar os erros tão comuns em
to de pedidos. Por esse motivo, a manuten- processos tão complexos.
ção preventiva dos equipamentos e a atu-
alização dos softwares são essenciais. No
entanto, manter o funcionamento desses Para saber mais
equipamentos é uma atividade geradora de A necessidade de treinamento em logística é im-
custos. Cabe ressaltar que a prevenção é a portante e representa um desafio para as empre-
melhor maneira de reduzir os gastos dessa sas. Uma ferramenta que vem sendo bastante
atividade. A manutenção preventiva deve utilizada nesse processo são os jogos de empre-
representar um custo inferior em relação às sas voltados para o tema. De acordo com Miyashi-
manutenções reparativas. ta, Oliveira e Yoshizaki (2003), os jogos simulam
o ambiente empresarial, facilitam a compreensão
Treinamento da equipe: evitar as falhas
da equipe e podem representar grandes aliados
humanas no processo é outra necessida-
para a capacitação de equipes em logística.
de para a execução precisa das atividades
119/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
Seguro dos Equipamentos: Visando evitar De acordo com Ballou (2001), são custos in-
riscos de incêndios, acidentes, roubos e fur- visíveis:
tos se faz necessária a contratação de se- Custos de informações incorretas: as fa-
guros. Os seguros são contratados por pe- lhas e inconsistências nas informações ge-
ríodos específicos (normalmente contrato radas durante o processo de atendimento
anual) e necessitam de renovação periódica. dos pedidos podem levar a perdas significa-
Além desses custos, cuja identificação e tivas. Atrasos nas entregas e possíveis can-
projeção no orçamento da logística são mais celamentos nas vendas e até encerramento
simples, há alguns valores que, embora cau- nas relações com os clientes e perda de par-
sem impacto sobre os custos de processa- ticipação de mercado podem ser consequ-
mento de pedidos, têm a sua identificação ências das falhas nas informações.
dificultada e, em alguns casos, podem até Perda de produtividade: queda no ritmo e
ser desconsiderados nos cálculos. São os agilidade do processamento de pedido. Tra-
chamados custos invisíveis (BALLOU, 2001). ta-se de outro custo de difícil mensuração,
Esses custos necessitam de um acompa- mas que compõe os possíveis gastos ge-
nhamento e gerenciamento precisos para rados por esse processo. Para mensuração
que a identificação seja possível. desses custos, faz-se necessário o monito-
ramento constante das atividades e o esta-
120/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos
belecimento de padrões de produtividade cessos. No entanto, essa informatização
para o controle. também gera benefícios que, entre outras
Falha na leitura: falhas na leitura de códi- coisas, pode reduzir custos de outras ativi-
go de barras e documentos de identificação dades. De acordo com Faria e Costa (2013),
podem levar a perdas são benefícios gerados pela informatiza-
ção dos processos de processamento de
Lentidão para novos produtos: o início das pedidos:
operações de um novo produto provoca al-
terações nas rotinas e pode levar a aumen- Redução no volume de documentos: com
to nos prazos de atendimento dos pedi- a informatização, o volume físico de docu-
dos. Essa lentidão pode também represen- mentos é reduzido, trazendo mais organi-
tar perdas e dificuldades nas relações com zação, economia de espaço e também fi-
clientes e distribuidores. nanceira.

São diversos os itens que geram custos ex-


tras para as empresas visando realizar de
forma ótima o processamento de pedidos. A
maior e mais significativa parte desses cus-
tos é gerada pela informatização dos pro-

121/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


duzindo perdas e impactos negativos junto
Para saber mais aos clientes.
Um dos benefícios gerados pela informatização Integridade dos dados: o uso da tecnologia
é a redução de volume físico dos arquivos de do- minimiza as falhas, automatiza a geração
cumentos. O processo de gestão desse arquivo de informações e permite uma maior segu-
foi definido por Vieira (2013) como gestão docu- rança nos dados gerados pelos processos
mental – área da empresa responsável pelo pro- de atendimento de pedidos.
cesso de digitalização e arquivos de documentos Redução da necessidade de manutenção
da organização, contribuindo com o processo lo- de estoque de segurança: com o maior con-
gístico, reduzindo o espaço físico, o tempo para trole do estoque e integridade dos dados há
a pesquisa de informações e, consequentemente, maior segurança para o gerenciamento das
os custos. atividades e informações, reduzindo a ne-
cessidade de estoque de segurança, utiliza-
Maior controle do estoque: a informati-
do como forma de precaução pelas empre-
zação possibilita monitorar e gerenciar os
sas. A manutenção desse estoque extra é
estoques de forma mais eficaz. Esse maior
um fator que aumenta os custos logísticos.
controle pode representar economias, re-

122/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


Glossário
Confiabilidade: qualidade daquele que é confiável. Fidelidade de uma informação em relação
ao original.
Integridade: característica daquilo que se mantém intacto, não sofreu alterações.
Inconsistência: falta de lógica, sentido. Incoerência.

123/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


?
Questão
para
reflexão

Ao longo do texto, foi possível verificar que a evolução


nas comunicações trouxe mudanças importantes para o
processo de atendimento de pedidos. O relacionamento
com fornecedores pode impactar essas atividades? De
que forma?

124/176
Considerações Finais

• A atividade de processamento de pedidos é fundamental para a logística,


e a sua gestão adequada gera diversos benefícios para a evolução dos pro-
cessos empresariais.
• No entanto, a busca por esses benefícios pode gerar alguns custos de im-
plantação e manutenção.
• Os investimentos mais representativos referem-se à informatização dos
processos, o que traz qualidade e segurança para a atividade. Esses custos
podem ser minimizados pela redução de custos em outras atividades gera-
das por essa informatização.
• Deve-se estudar, comparar e realizar uma avaliação custo/benefício para
que esse investimento traga, de fato, vantagens para a empresa.

125/176
Referências

BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logísti-


ca empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001.
FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
MIYASHITA, R.; OLIVEIRA, L. F. V. S de M.; YOSHIZAKI, H. T. Y. Os jogos de empresas como instru-
mento de treinamento em logística empresarial. In: Simpósio de Engenharia de Produção, p.1-
10, 2003.
VIEIRA, P. J. S. Gestão documental na logística. 2013. 87 f. Dissertação (Mestrado em Logística) –
Instituto Superior de Contabilidade e Administração, Porto, 2013.

126/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


Questão 1
1. Quais das etapas a seguir é a primeira etapa do processamento de pedidos?

a) Preparação de pedido.
b) Entrada de pedido.
c) Transporte do pedido.
d) Embalagem do pedido.
e) Comunicação sobre a situação do pedido.

127/176
Questão 2
2. A atividade de atendimento de pedidos:

a) Consiste na retirada dos itens no estoque, a embalagem e a preparação do embarque, com


toda a documentação necessária providenciada.
b) Refere-se à informação por parte do cliente quanto ao seu interesse em adquirir produtos do
fornecedor.
c) Diz respeito à chegada das informações transmitidas pelo cliente ao fornecedor.
d) Trata-se da etapa de identificação das necessidades por parte do cliente e da busca de infor-
mações sobre fornecedores e possibilidades de compra.
e) Consiste em manter o cliente informado quanto à situação do pedido.

128/176
Questão 3
3. São custos invisíveis de atendimento e processamento de pedidos:

a) Depreciação dos equipamentos.


b) Custo de informações incorretas.
c) Licença de softwares.
d) Treinamento da equipe.
e) Seguro dos equipamentos.

129/176
Questão 4
4. Qual das alternativas a seguir é considerada um custo visível de atendi-
mento e processamento de pedidos?

a) Custos de informações incorretas.


b) Perda de produtividade.
c) Manutenção de hardware.
d) Falha na leitura.
e) Lentidão para novos produtos.

130/176
Questão 5
5. De acordo com o texto, são benefícios gerados pela informatização dos
processos exceto:

a) Maior proteção dos materiais enviados, reduzindo as avarias.


b) Redução no volume de documentos.
c) Redução da necessidade de manutenção de estoque de segurança.
d) Maior controle do estoque.
e) Integridade dos dados.

131/176
Gabarito
1. Resposta: A. 4. Resposta: C.

A preparação do pedido é a primeira etapa A manutenção de hardware é considerada


do processamento de pedidos. um custo visível por se tratar de algo facil-
mente previsível e mensurável.
2. Resposta: A.
5. Resposta: A.
O atendimento do pedido consiste na ativi-
dade mais operacional do processo com a Todas as alternativas são benefícios gera-
retirada dos itens do estoque e a prepara- dos, com exceção de uma maior proteção
ção da documentação adequada. dos materiais enviados.

3. Resposta: B.

Os custos de informações incorretas repre-


sentam um custo invisível pela dificuldade
na sua mensuração e identificação.

132/176
Link
Conheça os impactos da implantação de sistemas de informação para gestão da cadeia de suprimentos
em uma indústria de gases. BANDEIRA, Renata Albergaria de Mello; MACADA, Antonio Carlos Gastaud.
Tecnologia da informação na gestão da cadeia de suprimentos: o caso da indústria gases. Prod., São Pau-
lo , v. 18, n. 2, p. 287-301, 2008.

Um dos benefícios gerados pela implantação de sistemas de informação na atividade de supply chain é
a redução de custos. Conheça o caso do hospital Angelina Caron. IKUTA, Cristina Miho Takahashi; KATO,
Heitor Takashi. A tecnologia da informação (TI) associada ao Supply Chain Management (SCM) contri-
buindo para a redução de custos: o caso do hospital Angelina Caron. IX Congresso Brasileiro de Custos,
Florianópolis (SC), 28 a 30 de novembro de 2005.

133/176 Unidade 6 • Processamento e Atendimento de Pedidos


Unidade 7
Tributação Inerente ao Processo Logístico

Objetivos

1. Discutir a questão tributária no Brasil


e seus impactos na economia.
2. Apresentar os tipos de tributos e suas
principais características.
3. Analisar o impacto da tributação nas
atividades logísticas a partir dos tri-
butos que causam maior impacto nos
processos.

134/176
Introdução
Discussões sobre os tributos e seu peso
nos custos empresariais são recorrentes na
economia brasileira e são apontados como
Para saber mais
um fator que prejudica a nossa competitivi- A carga tributária brasileira, com seus 37% do
dade. Dessa forma, não seria possível estu- PIB, é a segunda maior da América Latina, atrás
dar os custos logísticos sem mencionar essa apenas da Argentina (37,3%). Para efeito de com-
peça tão importante para a sua composição paração, o México tem carga tributária de 19,6%
e conhecer os seus impactos. e o Paraguai de 17,6%. De acordo com Sampaio
e Marques (2016), essa pode ser uma das causas
O Sistema Tributário Nacional foi definido
para os altos índices de mortalidade das empre-
pela Constituição em 1988. Nele são espe-
cificados diversos tipos de tributos nas di- sas brasileiras.
versas esferas: tributos federais, estaduais
e municipais. Mas afinal o que é um tributo? Segundo
(2000, p.12) define os tributos como:
De acordo com Faria e Costa (2013), no Bra-
sil, atualmente são 79 diferentes tipos de “Tributo é toda prestação pecuniária compul-
tributos, muitos deles afetando de forma sória, em moeda ou cujo valor nela se possa
direta ou indireta os custos logísticos. A car- exprimir, que não constitua sanção de ato ilí-
ga tributária do nosso país representa 37% cito, instituída em lei e cobrada mediante ati-
do PIB nacional. vidade administrativa plenamente vinculada.”
135/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
Os tributos representam a principal fonte buinte. São exemplos de impostos: o ICMS
de receita dos governos e são fundamentais (Imposto sobre a circulação de mercado-
no custeio dos serviços de saúde, educação, rias), que incide sobre a circulação e mer-
transporte e segurança oferecidos à popu- cadorias promovidas pelo contribuinte; e o
lação. IPTU (Imposto predial e territorial urbano)
Cabe ressaltar que nem todo tributo é igual. que incide sobre a posse de imóveis em re-
Assim como outros custos já estudados, os giões urbanas. Ambos os casos indepen-
tributos são classificados de forma diferente dem da vontade do contribuinte e envolvem
a partir das suas características. São basica- atividades relacionadas a ele.
mente três os tributos existentes no Brasil: os Taxas: tem como fato gerador o exercício
impostos, as taxas e as contribuições. do poder regulador de polícia ou a utiliza-
Impostos: são os tributos cuja obrigação ção efetiva e potencial de serviço públi-
tem como fato gerador uma situação que co específico e divisível. Exemplo: taxa de
não está associada a uma atividade estatal licenciamento anual, cobrada para gerar
específica, mas relacionada a alguma ati- anualmente o novo documento do veículo.
vidade envolvendo o contribuinte. É consi- Essa taxa diz respeito a uma necessidade do
derado o tributo mais importante e incide contribuinte relacionada a um serviço pú-
independentemente da vontade do contri- blico prestado (a emissão do documento).
136/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
Contribuição: tributo com destinação es- Assim como ocorre em outros aspectos re-
pecífica, criado para atender a determina- lacionados à economia, os tributos também
da demanda. Exemplo: CIP (Contribuição de impactam a logística. De acordo com Faria e
iluminação pública), cobrada diretamente Costa (2013), para melhor compreensão do
na conta de energia e destinado a financiar impacto e busca de alternativas para mini-
a iluminação pública. mizá-los as empresas deveriam focar seus
Os tributos incidem sobre todos os agre- esforços e dirigir estudos voltados para os
gados econômicos. Assim, tem-se tributos tributos sobre os produtos, sobre as opera-
com incidência sobre a renda, como o Im- ções logísticas como o transporte, fluxo de
posto de Renda, sobre o trabalho, como a informações e sobre taxas alfandegárias.
Contribuição Previdenciária, sobre a pro-
Na sequência, serão abordados os tributos
priedade, como o IPTU, e sobre o fluxo de
com maior impacto sobre os processos lo-
produtos e serviços, como o ICMS. Essa é
gísticos e de que maneira esse impacto é
uma característica particular do Brasil, visto
que, em muitos países, a incidência de tribu- causado.
tos foca a renda como principal parâmetro
de cobrança. A incidência sobre a atividade
econômica é o que afeta mais diretamente
a nossa competitividade.
137/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
1. Impactos da Tributação sobre no entanto, afirma que são cinco, aqueles
os Processos Logísticos que trazem maior impacto. São eles:
• ICMS (Imposto sobre a circulação de
Quando se pensa em tributação e seus im-
mercadorias.
pactos sobre os processos logísticos, vale
lembrar que não existe uma legislação es- • IPI (Imposto sobre produtos industria-
pecífica para a tributação dos processos lo- lizados).
gísticos. • ISS (Imposto sobre serviços).
Dessa forma, a análise dos tributos e seus • PIS (Programa de integração social).
impactos na logística deve se concentrar na
• Cofins (Contribuição para o financia-
identificação da relação dos tributos com as
mento da seguridade social).
atividades logísticas, seu impacto sobre os
custos e na busca por uma alternativa viável Abaixo, serão detalhados os impactos pro-
e legal para minimizá-los sem que haja ris- vocados pela incidência de cada um dos tri-
cos para o cliente ou para a empresa. butos relacionados.

De acordo com Faria e Costa (2013), 46 ICMS (Imposto sobre a circulação de mer-
(quarenta e seis) tributos impactam de al- cadorias): incide sobre todas as movimen-
guma forma o processo logístico. A autora, tações realizadas com as mercadorias da
138/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
empresa. Como movimentações, enten-
de-se o transporte para clientes, as devo- Para saber mais
luções, remessas para conserto e remessa O ICMS é um dos tributos que causam maior im-
para os centro de distribuição. A incidência pacto sobre o processo logístico e também um
do ICMS ocorre mesmo em situações em dos principais elementos utilizados pelos Estados
que a movimentação do material ocorre en- na guerra fiscal. Trata-se de uma disputa entre os
tre plantas da própria empresa. A única si- estados brasileiros visando atrair empresas para
tuação em que não há a incidência do tribu- o seu território. Para Calciolari (2006), tais proce-
to é quando a movimentação ocorre dentro dimentos são extremamente nocivos para o país,
da mesma planta da empresa. Cabe ressal- visto que, nessa disputa, abre-se mão de valores
tar que em alguns casos, o ICMS pode gerar importantes que poderiam beneficiar a população.
crédito tributário ou suspensão da cobran-
ça. Esse tributo é de competência estadual, IPI (Imposto sobre produtos industrializa-
e sua alíquota varia de acordo com o estado dos): tributos de competência federal, o IPI
onde a empresa está localizada. incide sobre as operações que envolvem a
fabricação de produtos nacionais ou impor-
tados e foi criado em 1966.

139/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico


outros, como o cigarro, em que a alíquota já
Para saber mais chegou historicamente a 300%.
Embora incida sobre a fabricação de produtos, há ISS (Imposto sobre serviços): tributo de
casos de fabricação de produtos em que há imu- competência municipal que incide sobre as
nidade de IPI. Entre eles, estão os livros, jornais, operações em que há prestação de serviços.
periódicos e papel destinado à fabricação desses Dessa forma, esse tributo afeta diretamen-
produtos. Essa situação é importante, pois tais te algumas das atividades desenvolvidas
produtos contribuem com o país a partir da gera- pela logística por se tratar de atividades de
ção de cultura e informação. prestação de serviço como o transporte de
materiais e a armazenagem dos mesmos.
São fatos geradores do IPI a saída do pro-
A alíquota para o ISS varia de acordo com o
duto industrializado do local onde ele foi
município onde a empresa está localizada,
produzido para os produtos fabricados em
podendo haver situações em que essas dife-
território nacional e o desembaraço adua-
renças de alíquotas podem provocar aquilo
neiro, quando o produto é importado.
que popularmente é conhecido por “Guerra
A alíquota do IPI varia de acordo com o pro- fiscal” onde municípios passam a oferecer
duto ao qual ele se refere. Assim, é possível taxas mais baixas para atrair mais empresas
encontrar produtos cuja alíquota é 0% e para fomentar a atividade econômica local.
140/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
PIS (Programa de integração social): tri- Cofins (Contribuição para financiamento
buto de competência federal, tem por ob- da seguridade social): tributação de com-
jetivo financiar o pagamento do seguro de- petência federal, tem por objetivo contri-
semprego e os abonos para os trabalhado- buir com o financiamento dos fundos de
res. Incide sobre a receita auferida pela em- previdência, assistência social e saúde pú-
presa e com duas modalidades diferentes: blica. Assim como o PIS, a Cofins incide so-
cumulativo e não cumulativo. Para o regime bre a receita bruta auferida e teve, em 2017,
cumulativo, a alíquota foi de 0,65% no ano alíquotas diferentes em casos de cumulati-
de 2017. Já na modalidade não cumulati- vidade (3%) e não cumulatividade (7,6%).
va, que permite o crédito fiscal em compras Para visualizar o valor atual, confira pos-
realizadas pela empresa, a alíquota foi de síveis alternações no Capítulo I da Lei nº
1,65%. 10.833 de 29 de dezembro de 2003 para a
Para visualizar o valor atual, confira possíveis incidência cumulativa e não cumulativa.
alternações no Capítulo I da Lei nº 10.833 Além desses tributos principais, há outros
de 29 de dezembro de 2003 para a incidên- que também podem trazer impactos para
cia cumulativa, e no Capítulo I da Lei 10.637 a atividade logística. Esses tributos dizem
de 2002 para incidência não cumulativa. respeito à tributação sobre a posse de bens
necessários à atividade logística, como veí-
141/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
culos e imóveis. Assim, também podem im- ca, em que algumas operações requisitam
pactar a logística os tributos a seguir. grandes espaços. O IPTU, assim como o ISS,
IPVA (Imposto sobre a propriedade de ve- sofre grandes variações em suas alíquotas
ículos automotores): aplicado sobre os va- de acordo com o município onde está loca-
lores de veículos automotores, é um tributo lizado o imóvel.
de competência estadual e compartilhado Outros custos relacionados aos tributos e
com os municípios. Tem sua alíquota va- que devem ser considerados ao se analisar
riável de acordo com o estado e município o impacto da tributação sobre o processo
onde está localizada a empresa. Impacta a logístico dizem respeito ao custo de capital
logística por se tratar de um tributo aplica- em duas situações: o pagamento de despe-
do sobre um bem necessário e, em alguns sas de forma antecipada e a devolução dos
casos, imprescindível para as atividades lo- valores referentes a tributos recuperáveis
gísticas. em forma de crédito fiscal.
IPTU (Imposto predial e territorial urbano): Por exemplo: o IPVA normalmente é pago
tributo municipal aplicado sobre os valores nos primeiros meses do ano, mas a sua vi-
de imóveis de posse da empresa. Os bens gência é de 12 meses. Ou seja, o valor é an-
imóveis são necessários para a atividade tecipado nos primeiros meses do ano para
empresarial e especialmente para a logísti- ser amortizado em 1/12 avos por mês até
142/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico
que o ano se finalize. Nesse período, a em-
presa deixa de aplicar o dinheiro em alguma
opção de investimento para antecipar o pa-
gamento da despesa ao Governo Estadual.
Dessa forma, há uma perda, que aqui pode
ser classificada como custo de capital, que
é um custo relacionado à tributação e que
impacta a atividade logística.

143/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico


Glossário
Pecuniária: aquilo que se refere a dinheiro em espécie.
Compulsória: refere-se a uma atividade realizada de forma obrigatória, forçada.
Previdenciária: ações que visam proteger as pessoas por meio de normas de caráter social em
situações de desemprego, maternidade, doença, invalidez e velhice.

144/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico


?
Questão
para
reflexão

No texto, falou-se sobre os impactos da tributação sobre


a atividade empresarial e seu impacto na economia bra-
sileira. Em sua opinião, quais medidas poderiam ser ado-
tadas visando amenizar o impacto da tributação sobre a
nossa competitividade?

145/176
Considerações Finais

• Os tributos são essenciais para a manutenção do estado, mas afetam de


forma considerável a nossa competitividade.
• No total, são 79 tributos que representam 37% do PIB brasileiro.
• Os tributos incidem sobre diversas atividades relacionadas ao processo lo-
gístico como o transporte, o armazenamento, a produção de bens e a movi-
mentação de cargas.
• Deve-se buscar estudar os impactos para encontrar soluções legais e mini-
mizar tal impacto.

146/176
Referências

CALCIOLARI, R. P. Aspectos jurídicos da guerra fiscal no Brasil. Caderno de Finanças Públicas, n.


7, p. 5-29, 2006.
FARIA, A. C.; COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos: custeio baseado em atividades (ABC),
balanced scorecard (BSC), valor econômico agregado (EVA). São Paulo: Atlas, 2013.
SAMPAIO, L. E. T.; MARQUES, H. R. A importância do planejamento tributário nas micro e peque-
nas empresas. Revista Controle, Fortaleza, v. 13, n. 1, 2016.
SEGUNDO, H. D. B. M. Tributário, normas gerais de direito; Tributária, Legislação. Código Tributá-
rio Nacional. São Paulo: Atlas, 2000.

147/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico


Questão 1
1. “Prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa
exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobra-
da mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (SEGUNDO,
2000). O conceito acima refere-se à definição de:

a) Imposto.
b) Contribuição.
c) Tributo.
d) Taxa.
e) Nenhuma das anteriores.

148/176
Questão 2
2. “É o tributo cuja obrigação tem como fato gerador uma situação que
não está associada a uma atividade estatal específica, mas relacionada a
alguma atividade envolvendo o contribuinte”. (SEGUNDO, 2000) Essa é a
definição de:

a) Imposto.
b) Contribuição.
c) Tributo.
d) Taxa.
e) Nenhuma das anteriores.

149/176
Questão 3
3. “Tem como fato gerador o exercício do poder regulador de polícia ou
a utilização efetiva e potencial de serviço público específico e divisível.”
(SEGUNDO, 2000). Essa é a definição de:

a) Imposto.
b) Contribuição.
c) Tributo.
d) Taxa.
e) Nenhuma das anteriores.

150/176
Questão 4
4. Impacta o processo logístico por se tratar de tributo que tem como fato
gerador a circulação de mercadorias

a) ICMS.
b) IPI.
c) INSS.
d) PIS.
e) Cofins.

151/176
Questão 5
5. São tributos que impactam o processo logístico por incidirem sobre a
posse de bens:

a) IPVA e IPI.
b) IPVA e IPTU.
c) IPTU e IR.
d) IPVA e ICMS.
e) Nenhuma das anteriores.

152/176
Gabarito
1. Resposta: C. 4. Resposta: A.

A definição refere-se ao conceito de tribu- O ICMS é um tributo sobre a circulação de


to. O tributo é a definição genérica. Há três mercadorias e incide sobre qualquer ativi-
tipos de tributos: os impostos, as taxas e as dade em que haja movimentação dos pro-
contribuições. dutos, exceto aquelas ocorridas na própria
planta.
2. Resposta: A.
5. Resposta: B.
O conceito apresentado refere-se à defini-
ção de imposto, que é um tributo pecuniário O IPVA, incidente sobre a posse de bens, e o
e compulsório. IPTU, sobre a posse de imóveis, são tributos
incidentes sobre a posse de bens.
3. Resposta: D.

A taxa refere-se a um valor cobrado pelo Es-


tado para custear um serviço prestado.

153/176
Link
O ICMS é um dos tributos com maior impacto sobre a atividade logística. Conheça o impacto dos créditos
do ICMS nos custos logísticos. HAMAD, Ricardo; GUALDA, Nicolau Dionísio Fares. Modelagem de redes
logísticas com demandas sazonais: influência do custo de estoque e do crédito de ICMS. J. Transp. Lit.,
Manaus , v. 8, n. 2, p. 295-324, Apr. 2014.

O planejamento das redes logísticas surge como uma decisão estratégica fundamental para o sucesso
empresarial. Os tributos representam um elemento importante nesse planejamento. FRIAS, Luiz Felipe
de Medeiros; FARIAS, Isabel de Abreu; WANKE, Peter Fernandes. Planejamento de redes logísticas: um
estudo de caso na indústria petroquímica brasileira. RAM, Rev. Adm. Mackenzie, São Paulo , v. 14, n. 4,
p. 222-250, Aug. 2013.

O RECOF (Regime aduaneiro de entreposto industrial sob controle informatizado) representa uma ferra-
menta na busca pela agilização dos tramites de liberação das exportações da indústria automobilística
brasileira. GUARNIERI, Patrícia et al . As vantagens logísticas e tributárias obtidas com a implantação do
RECOF na indústria automobilística. Prod., São Paulo , v. 18, n. 1, p. 99-111, 2008.

154/176 Unidade 7 • Tributação Inerente ao Processo Logístico


Unidade 8
Custeio ABC e Formação de Preços

Objetivos

1. Apresentar os principais métodos de


custeio existentes, suas principais ca-
racterísticas e formas de utilização.
2. Detalhar as atividades necessárias
para a implantação do método de
custeio ABC e os seus objetivos.
3. Definir o processo de formação de
preço e sua importância estratégica
para a gestão empresarial.

155/176
Introdução

Foi mencionado, em outros momentos, a e propósito. De acordo com Faria e Costa


importância da gestão de custos para o (2013), esses métodos são adotados visan-
sucesso empresarial. Essa importância foi do possibilitar ao gestor uma orientação
se tornando maior à medida que a gestão quanto à busca pela alternativa mais ade-
empresarial passou a ser mais profissional. quada para a solução de problemas.
Além de importante, a apuração e gestão Assim, há alguns métodos diferentes para a
de custos é uma atividade de bastante com- apuração de custos. Cada um deles atende
plexidade. a um propósito específico e adota critérios,
Essa complexidade levou as empresas a procedimentos e premissas diferentes.
criarem e adotarem sistemas e métodos Na sequência, serão apresentados três mé-
para facilitar e trazer algum padrão para o todos de Custeio que estão entre os mais
trabalho. Esses métodos criados são deno- utilizados pelas empresas brasileiras.
minados métodos de custeio.
Custeio variável: sistema utilizado no au-
Os métodos de custeio referem-se à manei- xílio à tomada de decisão que tem como
ra como os custos são atribuídos aos pro- premissa básica a separação dos custos em
dutos e objetos, possibilitando a análise das duas categorias: fixos e variáveis.
informações de acordo com o seu modelo

156/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços


São apropriados aos produtos apenas os
custos variáveis. Assim, considera-se como Para saber mais
custo do produto a soma dos custos variá- O método de custeio por absorção é, de acordo,
veis atribuídos a uma unidade. com Beuren e Schlindwen (2015), o mais utiliza-
A diferença entre o preço de venda e o custo do pelas empresas brasileiras. Esse fato se dá, de
do produto é denominada margem de con- acordo com os autores, em função da força da le-
tribuição. Esse valor será a contribuição de gislação que utiliza o método como oficial para o
cada produto para o pagamento das despe- cálculo dos custos empresariais.
sas e dos custos fixos.
Nesse método, os custos e despesas fixas Os custos diretos são apropriados direta-
são debitados do resultado do período. mente pelos produtos de acordo com os vo-
lumes consumidos por cada unidade produ-
Método do custeio por absorção: trata-se zida.
do método utilizado como referência pela
Receita Federal. Nesse método, os gastos Os custos indiretos, pela dificuldade de
são divididos em: despesas, custos diretos e identificação e mensuração por unidade
indiretos. produzida, são calculados a partir de rateio.
Assim, os valores totais são rateados de for-

157/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços


ma que se chegue ao custo unitário. O ra- Apesar disso, é um método menos utiliza-
teio é realizado a partir de critérios estabe- do que aqueles citados anteriormente. Isso
lecidos pelos gestores de custos. acontece por se tratar de um sistema com-
Esse estabelecimento de critérios para a di- plexo e que gera dificuldades na sua implan-
visão dos custos é apontado como um as- tação. Esse processo de implantação tem
pecto a ser criticado no método. Isso acon- basicamente duas etapas: identificação das
tece em função do rateio poder provocar atividades relevantes e dos direcionadores
distorções nos cálculos de custos. O fato de de custos.
não haver uma regra para o estabelecimen- É justamente na identificação desses ele-
to de critérios com esse propósito faz com mentos que reside a complexidade do mé-
que prevaleça a subjetividade, ou para al- todo. Essa etapa do processo requer um to-
guns críticos do modelo, arbitrariedade. tal domínio de todas as atividades e proces-
Método de custeio ABC: procura reduzir as sos realizados na empresa. Isso pode levar
distorções provocadas pelo rateio arbitrário tempo e dedicação, o que pode levar muitas
dos custos indiretos. É uma poderosa ferra- empresas a buscar outros métodos para a
menta de gestão que não se limita ao cus- apuração e gestão dos custos.
teio de produtos. Para Faria e Costa (2013), os métodos são
complementares e não excludentes. Não se
158/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
pede que se abandone um método para o 1. Implantação do Método ABC
uso de outro. As autoras relacionam o cus-
teio variável às decisões de curto prazo, o Como mencionado anteriormente, o primei-
método de absorção para obrigações fis- ro passo para a implantação do método de
cais. Já o método ABC é um modelo mais Custeio ABC é a identificação das atividades
abrangente e relacionado com a estratégia mais relevantes dentro de cada departa-
empresarial. mento. Essa etapa requer um total domínio
e conhecimento de todos os processos rela-
cionados à empresa. Em alguns casos, pode
Para saber mais ser necessário solicitar estudos à engenharia
De acordo com Leite (2015), o método de custeio e entrevistas com os responsáveis pelos de-
ABC foi desenvolvido por Kaplan e Cooper em partamentos e colaboradores.
1988. No entanto, algumas das ideias consolida- Uma condição que pode facilitar a implan-
das pelos autores surgiram nos anos 1960, na Ge- tação do método é a adoção pela empresa
neral Electric nos Estados Unidos. dos centros de custos para a apuração. Isso
fará com que as atividades identificadas
sejam relacionadas aos centros, tornando
mais simples a atribuição dos valores.
159/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
Após a identificação das atividades, faz-se Feita essa identificação das atividades, dos
necessária a identificação dos direcionado- custos relacionados, dos direcionadores de
res de custos, que são os elementos que ge- custos e do custo por direcionador, faz-se
ram os custos. São exemplos de direciona- necessário reconhecer como os produtos
dores de custos: a) Volume movimentado; consomem tais atividades, ou seja, quan-
b) área utilizada; c) quantidade de funcio- to dos custos relacionados às atividades
nários envolvidos; d) quantidade de pedidos pode ser atribuído a cada produto. Seguin-
realizados, entre outros. do com o exemplo acima, tem-se a seguin-
te situação:
• Exemplo
Atividade: compra de materiais. Número de pedidos realizados para a fabri-
cação do Produto A: 12.
Direcionador de custos: número de pedi-
dos. Custo da atividade – Produto A: R$
3.000,00.
Custos relacionados à atividade: 5.000,00.
Número de pedidos realizados para a fabri-
Número de pedidos: 20, assim, R$ 250,00 cação do Produto B: 8.
por pedido.
Custo da atividade – Produto B: R$
2.000,00.
160/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
Quantidade de Produtos A fabricados: a empresa na busca por maior eficiência na
10.000,00. gestão de processos e atividades empresa-
Custo da atividade por unidade: riais.
3.000/10.000 = 0,30.
2. Formação de Preços
Quantidade de Produtos B fabricados:
10.000,00. Anteriormente apresentou-se aqui a in-
Custo da atividade por unidade: formação que o custo de fabricação de um
2.000/10.000 = 0,20. produto refere-se à soma dos custos diretos
envolvidos na sua fabricação e dos custos in-
Dessa forma, serão atribuídos os valores de
diretos atribuídos a cada unidade produzida.
cada uma das atividades identificadas aos
Também foi visto como essa atribuição é fei-
diversos produtos fabricados pela empresa.
ta considerando o método ABC de custeio.
De acordo com Martins (2012), a implanta-
A formação de preços é uma das ativida-
ção desse modelo minimizará as possíveis
des relacionadas e influenciadas pela ges-
distorções causadas pela arbitrariedade na
tão de custos de uma empresa. Trata-se de
atribuição dos custos indiretos e permiti-
uma função imprescindível para a gestão e
rá um cálculo mais preciso, além de apoiar
especialmente para a estratégia. O custo do
161/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
produto é um dos elementos considerados Custo do produto: é o valor bruto do pro-
para o cálculo do seu preço de venda. duto que, em um processo industrial, por
exemplo, abrange os valores do processo
Para saber mais produtivo e da matéria-prima.

De acordo com Marino, Quintiliano e Soares Despesas variáveis: as despesas variáveis


(2015), a moeda surge a partir da necessidade de representam valores que não estão rela-
se encontrar valor para os produtos que até então cionados com a atividade fim da empresa,
eram negociados a partir de escambo. Esse fato mas que são influenciadas pelos volumes de
ocorreu no século VII a.C., e coube aos gregos a vendas atingidos. Em muitos casos, são cal-
sua criação. Assim, fica claro que a busca pela for- culadas a partir de índices pré-estabeleci-
mação do preço ideal é mais antiga que o próprio dos. Exemplo: comissão de vendas e impos-
capitalismo. tos, em que, em ambos, são estabelecidos
percentuais que serão aplicados ao preço
O preço de um produto é composto pelos de venda dos produtos.
seguintes elementos: Margem: refere-se ao percentual do preço
CUSTO DO PRODUTO + DESPESAS VARIÁ- de venda que representa o lucro bruto por
VEIS + MARGEM unidade produzida. Esse percentual é de-
finido pela própria empresa e pode ser in-
162/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
fluenciado, entre outras coisas, pelo volume Markup multiplicador: consideram-se as
de investimento dos proprietários na ativi- despesas variáveis em 25% e a margem es-
dade. perada de 20%. Logo:
O cálculo do preço de vendas, no entanto, Markup = 1-(0,25+0,20)
envolve outro elemento: o fator markup. 1-(0,45)=0,55
Trata-se de um índice que pode ser usado
como divisor ou multiplicador e é encontra- Esse índice será usado no cálculo do preço
do a partir do seguinte cálculo: de venda da seguinte forma:

Markup = 1-(DV+MARGEM) 1/Markup

O uso do markup na formação do preço: Nesse caso:


como informado anteriormente, o markup 1/0,55= 1,82
pode ser utilizado nos cálculos de formação
Esse índice será multiplicado pelo custo do
de preços de duas maneiras: markup multi-
produto para estabelecer o preço de venda.
plicador ou markup divisor.
Assim:
Os exemplos a seguir apresentam a utiliza-
ção do fator seja como multiplicador ou di- Custo do produto: 3,05
visor. Markup multiplicador: 1,82
163/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços
Preço de venda: 3,05*1,82= 5,55 Alguns elementos que são associados ao
Markup divisor: considerando os mesmos cálculo para a formação do preço de ven-
números para o cálculo, o markup divisor, das são: o posicionamento do produto no
divide o custo do produto pelo índice apu- mercado, o segmento-alvo definido pela
rado no markup. empresa, os preços praticados pela concor-
rência e o período do ano, visto que alguns
PV: 3,05/0,55 = 5,55 produtos apresentam a sazonalidade como
Uma última questão que deve ser aborda- um fator importante para as vendas e mo-
da relacionada à formação de preços é que mento do mercado.
o cálculo a partir do fator markup, seja ele Com todos os elementos analisados, pode-
multiplicador ou divisor, é apenas um ele- se confirmar o preço de vendas calculado a
mento que deve ser considerado. Embora partir das fórmulas apresentadas ou buscar
imprescindível para a definição do preço uma revisão, seja nas premissas do cálculo
de vendas, esse cálculo não é um elemento ou mesmo em outras decisões estratégicas
único e deve ser associado a outras análises, estabelecidas.
especialmente por se tratar de uma decisão
estratégica para a empresa.

164/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços


Glossário
Distorções: efeito que distancia algo da realidade.
Arbitrariedade: ato de abuso de autoridade, capricho.
Excludentes: que é desenvolvido com o objetivo de excluir, eliminar.

165/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços


?
Questão
para
reflexão

Como visto, a formação de preços tem um papel estra-


tégico importante para a gestão empresarial. Em sua
opinião, a definição do preço de venda de um produto
deve ser atribuição de qual departamento da empresa?
Justifique.

166/176
Considerações Finais
• O cálculo dos custos é um processo complexo e exige do gestor o estabele-
cimento de um método.
• Ao longo dos anos, alguns métodos foram desenvolvidos, cada um visan-
do atender a uma necessidade específica. Esses métodos são denominados
métodos de custeio. São métodos de custeio: o custeio variável, o custeio
por absorção e o custeio ABC.
• O custeio ABC visa minimizar as possíveis distorções causadas pela arbitra-
riedade na atribuição dos custos indiretos e permitir um cálculo mais pre-
ciso, além de apoiar a empresa na busca por maior eficiência na gestão de
processos e atividades empresariais.
• Os números obtidos no cálculo dos custos do produto são utilizados na for-
mação do preço de venda. Esse cálculo usa o fator markup como instrumen-
to e, associado às decisões de posicionamento do produto, segmentação
alvo, sazonalidade, momento do mercado e preços praticados pela concor-
rência, define-se o preço mais apropriado a ser praticado pela empresa.
167/176
Referências

BEUREN, I. M.; SCHLINDWEIN, N. F. Uso do custeio por absorção e do sistema RKW para gerar in-
formações gerenciais: um estudo de caso em hospital. ABCustos, v. 3, n. 2, 2015.
FARIA, A. C., COSTA, M. F. G. Gestão de custos logísticos. São Paulo: Atlas, 2013.
LEITE, C. E. B. O custeio ABC e suas aplicações. Pensar Contábil, v. 4, n. 11, 2015.
MARINO, A. P.; QUINTILIANO, L. C.; SOARES, M. C. P. A relação entre a formação do preço de venda
sob o aspecto financeiro na pequena empresa comercial e o principio contábil da oportunidade.
Encontro de Iniciação Científica, v. 11, n. 11, 2015.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2012.

168/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços


Questão 1
1. Sistema utilizado no auxílio à tomada de decisão que tem como premissa
básica a separação dos custos em duas categorias: fixos e variáveis.

a) Custeio por absorção.


b) Custeio variável.
c) Custeio ABC.
d) Fator markup.
e) Custo fixo.

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Questão 2
2. Trata-se do método utilizado como referência pela Receita Federal, no
qual os gastos são divididos em: despesas, custos diretos e indiretos.

a) Custeio por absorção.


b) Custeio variável.
c) Custeio ABC.
d) Fator markup.
e) Custo fixo.

170/176
Questão 3
3. Trata-se do método que procura reduzir as distorções provocadas pelo
rateio arbitrário dos custos indiretos. É uma poderosa ferramenta de ges-
tão que não se limita ao custeio de produtos.

a) Custeio por absorção.


b) Custeio variável.
c) Custeio ABC.
d) Fator markup.
e) Custo fixo.

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Questão 4
4. São etapas necessárias para a implantação do método ABC:

a) Identificação dos custos fixos e variáveis.


b) Identificação do fator markup e da margem de contribuição.
c) Identificação das atividades relevantes e dos direcionadores de custos.
d) Identificação das despesas fixas e variáveis.
e) Nenhuma das anteriores.

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Questão 5
5. Trata-se de um índice que pode ser utilizado nos cálculos de formação de
preços de duas maneiras: multiplicador ou divisor:

a) Custo direto.
b) Custo indireto.
c) Custo fixo.
d) Margem de contribuição.
e) Fator markup.

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Gabarito
1. Resposta: B. 4. Resposta: C.

O método de custeio que tem como premis- A implantação do método ABC passa ne-
sa a separação dos custos fixos e variáveis é cessariamente por duas atividades: a iden-
o custeio variável. tificação das atividades relevantes e dos di-
recionadores de custos.
2. Resposta: A.
5. Resposta: E.
O método de custeio utilizado pela Receita
Federal é o custeio por absorção. O fator markup é um índice calculado a par-
tir dos custos e despesas apurados e pode
3. Resposta: C. ser utilizado nos cálculos de formação de
preços como fator multiplicador ou divisor.
O método ABC surge como alternativa para
reduzir as questões relacionadas à subjeti-
vidade do método de custeio por absorção.

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Link
O método de custeio ABC, embora de reconhecido valor e importância, é menos utilizado pelas empresas
que outros métodos de custeio em função das dificuldades de implantação. Conheça a implantação do
método em uma indústria química. VASCONCELLOS, Themis Castro de; MARINS, Fernando Augusto Silva;
MUNIZ JUNIOR, Jorge. Implantação do método activity based costing na logística interna de uma empre-
sa química. Gest. Prod., São Carlos , v. 15, n. 2, p. 323-335, Aug. 2008.

A geração de informações importantes para a tomada de decisão é um dos principais fatores que levam
as empresas a adotarem o método ABC de Custeio. FIGUEIREDO, Thais Lira et. al. Aplicação do custeio
ABC na geração de informações para a tomada de decisão: um estudo de caso em uma indústria têxtil do
estado da Paraíba. XXI Congresso Brasileiro de Custos, Natal (RN), 17 a 19 de novembro de 2014.

A formação de preços no setor de serviços é um grande desafio para os gestores. Conheça os elementos
determinantes para a formação de preço no transporte de cargas. CASTRO, Newton de. Formação de
preços no transporte de carga. Pesquisa e Planejamento Econômico, v. 33, n. 1, abr. 2003.

175/176 Unidade 8 • Custeio ABC e Formação de Preços

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