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Comunicado 39

Técnico ISSN 1679-0162


Dezembro, 2002
Sete Lagoas, MG

CULTIVO DO MILHO
Germinação e Emergência

Paulo César Magalhães1


Frederico O.M. Durães

Em condições normais de campo, após a da semeadura. O crescimento dessas raízes,


semeadura, as sementes absorvem água e também conhecido como sistema radicular
começam a crescer. A radícula é a primeira a temporário, diminui após o estádio VE e
se alongar, seguida pelo coleóptilo, com praticamente inexiste no estádio V3 (três
plúmula incluída. Esse estádio, conhecido folhas desenvolvidas).
como VE, é atingido pela rápida elongação do O ponto de crescimento da planta de milho,
mesocótilo, o qual empurra o coleóptilo em nesse estádio, está localizado cerca de 2,5 a
crescimento para a superfície do solo. Em 4,0 cm abaixo da superfície do solo e
condições de temperatura e umidade do ar encontra-se logo acima do mesocótilo. Essa
adequadas, a emergência ocorre 4 a 5 dias profundidade onde se acha o ponto de
após a semeadura, porém, em condições de crescimento é também a profundidade onde
baixa temperatura e pouca umidade, a vai-se originar o sistema radicular definitivo do
germinação pode demorar até duas semanas milho, conhecido como raízes nodais ou
ou mais. Assim que a emergência ocorre e a fasciculada. A profundidade do sistema
planta expõe a extremidade do coleóptilo, o radicular definitivo independe da
mesocótilo pára de crescer. profundidade da semeadura, uma vez que a
O sistema radicular seminal, que são as raízes emergência da planta vai depender do
oriundas diretamente da semente, tem o seu potencial máximo de alongamento de
crescimento nessa fase e a profundidade onde mesocótilo, conforme pode ser visto na Figura
elas se encontram depende da profundidade 1.

1Eng. Agr., PhD, Embrapa Milho e Sorgo. Caixa Postal 151 CEP 35 701-970 Sete Lagoas, MG.
E-mail: pcesar@cnpms.embrapa.br
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Se a irrigação está disponível ou uma chuva


recente aconteceu, não há com o que se
preocupar. No entanto, na falta dessas situa-
ções, as camadas mais profundas do solo
possuem maior teor de umidade nos plantios
tardios.

Estádio V3 (três folhas desenvolvidas,


Figura 2)

O estádio de três folhas completamente


Figura 1 . Plantio de milho em duas profundidades diferentes, desenvolvidas ocorre aproximadamente duas
mostrando o comprimento do mesocótilo. semanas após a emergência. Nesse estádio, o
ponto de crescimento encontra-se ainda
O sistema radicular nodal inicia-se, portanto,
abaixo da superfície do solo e a planta ainda
no estádio VE e o alongamento das primeiras
possui pouco caule formado (Figura 3). Pêlos
raízes inicia-se no estádio V1, indo até o R3,
radiculares do sistema radicular nodal estão
após o qual muito pouco crescimento ocorre.
agora em crescimento e o desenvolvimento
No milho, não é constatada a presença de
das raízes seminais é paralisado.
fatores inibitórios ao processo de germinação,
visto que, sob condições adequadas de Todas as folhas e espigas que a planta
umidade, os grãos podem germinar eventualmente irá produzir estão sendo
imediatamente após a maturidade fisiológica, formadas no V3. Pode-se dizer, portanto, que
mesmo ainda estando presos à espiga. o estabelecimento do número máximo de
grãos ou a definição da produção potencial
Em síntese, na germinação, ocorre a
estão sendo definidos nesse estádio. No
embebição da semente, com a conseqüente
estádio V5 (cinco folhas completamente
digestão das substâncias de reserva, síntese
desenvolvidas), tanto a iniciação das folhas
de enzimas e divisão celular.
como das espigas vai estar completa e a
Baixa temperatura do solo no plantio
iniciação do pendão já pode ser vista
geralmente restringe a absorção de nutrientes
microscopicamente na extremidade de
do solo e causa lentidão no crescimento. Esse
formação do caule, logo abaixo da superfície
fato pode ser parcialmente superado por uma
do solo.
aplicação de pequena quantidade de
fertilizante no sulco de plantio, ao lado ou O ponto de crescimento, que encontra-se
abaixo da semente. abaixo da superfície do solo, é bastante afeta-
A lentidão na germinação predispõe a do pela temperatura do solo nos estádios
semente e a plântula a uma menor resistência iniciais do crescimento. Assim, temperaturas
a condições ambientais adversas, bom como baixas podem aumentar o tempo decorrente
ao ataque de patógenos, principalmente entre um estádio e outro, alongando o ciclo
fungos do gênero Fusarium, Rhizoctonia, da cultura, podendo aumentar o número total
Phytium e Macrophomina. Para uma de folhas, atrasar a formação do pendão e
germinação e emergência mais rápidas em diminuir a disponibilidade de nutrientes para a
plantio mais cedo, deve-se optar por uma planta. Uma chuva de granizo ou vento nesse
profundidade de semeadura mais rasa, onde a estádio vai ter muito pouco ou nenhum efeito
temperatura do solo é mais favorável. Em na produção final de grãos. Disponibilidade de
plantios tardios, as temperaturas do solo são água nesse estádio é fundamental; por outro
geralmente adequadas em qualquer lado, o excesso de umidade ou
profundidade e a umidade do solo, nesse encharcamento, quando o ponto de cresci-
caso, é o fator limitante para rápido mento ainda encontra-se abaixo da superfície
crescimento. do solo, pode matar a planta em poucos dias.
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O controle de plantas daninhas nessa fase é No estádio V8, inicia-se a queda das primeiras
fundamental para reduzir competição por luz, folhas e o número de fileiras de grãos é
água e nutrientes. Como o sistema radicular definido. Durante esse estádio, constata-se a
está em pleno crescimento, mostrando máxima tolerância ao excesso de chuvas. No
considerável porcentagem de pêlos entanto, encharcamento por períodos de
absorventes e ramificações diferenciadas, tempo maior que cinco dias poderá acarretar
operações inadequadas de cultivo (profundas prejuízos consideráveis e irreversíveis.
ou próximas à planta) poderão afetar a
Estresse hídrico nessa fase pode afetar o com-
densidade e a distribuição de raízes, com
primento de internódios, provavelmente pela
conseqüente redução na produtividade.
inibição da alongação das células em desenvol-
Portanto, é recomendada cautela no cultivo.
vimento, concorrendo, desse modo, para a
diminuição da capacidade de armazenagem de
açúcares no colmo. O déficit de água também
vai resultar em colmos mais finos, plantas de
menor porte e menor área foliar.

Figura 2 Evidências experimentais demonstram que a


distribuição total das folhas expostas nesse
período, mediante ocorrência de granizo,
geada, ataque severo de pragas e doenças,
além de outros agentes, acarretará quedas na
produção da ordem de 10 a 25%.
Períodos secos, aliados à conformação da
Figura 3 planta, característica dessa fase (conhecida
como fase do “cartucho”), conferem à cultura
Figuras 2 e 3. Estádio V3 (três folhas completamente
do milho elevada suscetibilidade ao ataque da
desenvolvidas), a Figura 3 destaca o ponto de crescimento
lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda),
ainda abaixo da superfície do solo.
exigindo constante vigilância. De V6 até o
estádio V8, deverá ser aplicada a adubação
Estádio V6 (seis folhas desenvolvidas,
nitrogenada em cobertura.
Figura 4)

Nesse estádio, o ponto de crescimento e o


pendão estão acima do nível do solo (Figura Figura 4
5), o colmo está iniciando um período de
alongação acelerada. O sistema radicular
nodal (fasciculado) está em pleno
funcionamento e em crescimento.
Nesse estádio, pode ocorrer o aparecimento
de eventuais perfilhos, os quais encontram-se
diretamente ligados à base genética da
cultivar, ao estado nutricional da planta, ao
espaçamento adotado, ao ataque de pragas e Figura 5
às alterações bruscas de temperatura (baixa
ou alta). No entanto, existem poucas
Figuras 4 e 5. Estádio de seis folhas completamente
evidências experimentais que demonstram a
desenvolvidas. A Figura 5 mostra detalhe do ponto de
sua influência negativa na produção.
crescimento acima da superfície do solo.
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Estádio V9 uma semana antes do florescimento, em torno


do estádio V17.
Nesse estádio, muitas espigas são facilmente
visíveis, se for feita uma dissecação da planta Em V12, a planta atinge cerca de 85% a 90%
(Figura 6). Todo nó da planta tem potencial da área foliar, e observa-se o início de
para produzir uma espiga, exceto os últimos 6 desenvolvimento das raízes adventícias
a 8 nós abaixo do pendão. Assim, uma planta (“esporões”).
de milho teria potencial para produzir várias Devido ao número de óvulos e ao tamanho da
espigas, porém, apenas uma ou duas (caráter espiga serem definidos nessa fase, a deficiên-
prolífico) espigas conseguem completar o cia de umidade ou nutrientes pode reduzir
crescimento. seriamente o número potencial de sementes,
Nesse estádio, ocorre alta taxa de assim como o tamanho das espigas a serem
desenvolvimento de órgãos florais. O pendão colhidas. O potencial desses dois fatores de
inicia um rápido desenvolvimento e o caule produção está também relacionado com o
continua alongando. A elongação do caule período de tempo disponível para o estabeleci-
ocorre através dos entrenós. Após o estádio mento deles, o qual corresponde ao período
V10, o tempo de aparição entre um estádio de V10 a V17. Assim, genótipos precoces,
foliar e outro vai encurtar, de quatro dias para geralmente, nesses estádios, possuem um
cada dois ou três dias. período mais curto de tempo e usualmente
têm espigas menores que as dos genótipos
Próximo ao estádio V10, a planta de milho tardios. Uma maneira de compensar essa
inicia um rápido e contínuo crescimento, com desvantagem dos precoces seria aumentar a
acumulação de nutrientes e peso seco, os densidade de plantio.
quais continuarão até os estádios
reprodutivos. Há uma grande demanda no Estádio V15
suprimento de água e nutrientes para
Esse estádio representa a continuação do
satisfazer as necessidades da planta.
período mais importante e crucial para o
desenvolvimento da planta, em termos de
fixação do rendimento. Desse ponto em
diante, um novo estádio foliar ocorre a cada
um ou dois dias. Estilos-estigmas iniciam o
crescimento nas espigas.
Em torno do estádio V17, as espigas atingem
um crescimento tal que suas extremidades já
Figura 6. Estádio V9, nove folhas desenvolvidas, detalhe das são visíveis no caule, assim como a
várias espigas presentes na planta. extremidade do pendão já pode também ser
observada.
Estádio V12
Estresse de água no período de duas semanas
O número de óvulos (grãos em potencial) em
antes até duas semanas após o florescimento
cada espiga, assim como o tamanho da
vai causar grande redução na produção de
espiga, são definidos em V12, quando ocorre
grãos. Porém, a maior redução na produção
perda de duas a quatro folhas basais. Pode-se
poderá ocorrer com déficit hídrico na emissão
considerar que, nessa fase, inicia-se o período
dos estilos-estigmas (início de R1). Isso é
mais crítico para a produção, o qual estende-
verdadeiro também para outros tipos de
se até a polinização.
estresse, como deficiência de nutrientes, alta
O número de fileiras de grãos na espiga já foi temperatura ou granizo. O período de quatro
estabelecido; no entanto, a determinação do semanas em torno do florescimento é o mais
número de grãos/fileira só será feita cerca de importante para a irrigação.
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Estádio V18 da espiga concorre para o aumento da


porcentagem de espigas sem grãos nas
É possível observar que os “cabelos” ou esti-
extremidades. Em condições de campo, a
los-estigmas dos óvulos basais alongam-se
liberação do pólen geralmente ocorre nos
primeiro em relação aos “cabelos” dos óvulos
finais das manhãs e no início das noites.
da extremidade da espiga. Raízes aéreas,
Nesse estádio, a planta atinge o máximo
oriundas dos nós acima do solo, estão em
desenvolvimento e crescimento. Estresse
crescimento nesse estádio. Essas raízes contri-
hídrico e temperaturas elevadas (acima de 35o
buem na absorção de água e nutrientes.
C) podem reduzir drasticamente a produção.
Em V18, a planta do milho encontra-se a uma
Um pendão de tamanho médio chega a ter 2,5
semana do florescimento e o desenvolvimento
milhões de grãos de pólen, o que eqüivale
da espiga continua em ritmo acelerado.
dizer que a espiga em condições normais
Estresse hídrico nesse período pode afetar
dificilmente deixará de ser polinizada pela
mais o desenvolvimento do óvulo e espiga
falta de pólen, desde que o número de óvulos
que o desenvolvimento do pendão. Com esse
esteja em torno de 750 a 1000.
atraso no crescimento da espiga, pode haver
problemas na sincronia entre emissão de pólen A planta apresenta alta sensibilidade ao
e recepção pela espiga. Caso o estresse seja encharcamento nessa fase. O excesso de água
severo, ele pode atrasar a emissão do “cabelo” pode contribuir inclusive com a inviabilidade
até a liberação do pólen terminar, ou seja, os dos grãos de pólen.
óvulos que porventura emitirem o “cabelo” A falta de água nesse período, além de afetar
após a emissão do pólen não serão fertilizados o sincronismo pendão-espiga, pode reduzir a
e, por conseguinte, não contribuirão para o chance de aparecimento de uma segunda
rendimento. espiga em materiais prolíficos.
Híbridos não prolíficos produzirão cada vez Nos estádios de VT a R1, a planta de milho é
menos grãos com o aumento da exposição ao mais vulnerável às intempéries da natureza
estresse, porém, tendem a render mais que os que qualquer outro período, devido ao pendão
prolíficos em condições não estressantes. Os e todas as folhas estarem completamente
prolíficos, por sua vez, tendem a apresentar expostas. Remoção de folha nesse estádio por
rendimentos mais estáveis em condições certo resultará em perdas na colheita.
variáveis de estresse, uma vez que o
O período de liberação do pólen estende-se
desenvolvimento da espiga é menos inibido
por uma a duas semanas. Durante esse tempo,
pelo estresse.
cada “cabelo” individual deve emergir e ser
Pendoamento, VT (Figura 7) polinizado para resultar num grão.

Esse estádio inicia-se quando o último ramo


do pendão está completamente visível e os
“cabelos” não tenham ainda emergido. A
emissão da inflorescência masculina antecede
de dois a quatro dias a exposição dos estilos-
estigmas. No entanto, 75% das espigas
devem apresentar seus estilos-estigmas
expostos, após o período de 10 a 12 dias
posterior ao aparecimento do pendão. O
tempo decorrente entre VT e R1 pode variar
consideravelmente, dependendo do híbrido e
das condições ambientais. A perda de Figura 7. Estádio Vt, pendoamento do milho

sincronismo entre a emissão dos grãos de


pólen e a receptividade dos estilos-estigmas
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Estádio R1, Embonecamento e Polinização teor de água, temperatura do ar, ponto de


contato e comprimento do estilo-estigma.
Esse estádio é iniciado quando os estilos-
Assim, o número de óvulos fertilizados
estigmas estão visíveis, para fora das espigas.
apresenta estreita correlação com o estado
A polinização ocorre quando o grão de pólen
nutricional da planta, com a temperatura, bem
liberado é capturado por um dos estilos-
como com a condição de umidade contida no
estigmas (Figura 8). O grão de pólen, uma vez
solo e no ar.
em contato com o “cabelo”, demora cerca de
24 horas para percorrer o tubo polínico e Evidencia-se, portanto, a decisiva influência
fertilizar o óvulo. Geralmente, o período do ambiente nessa etapa de desenvolvimento,
requerido para todos os estilos-estigmas em recomendando-se criterioso planejamento da
uma espiga serem polinizados é de dois a três cultura, com referência principal à época de
dias. Os “cabelos” da espiga crescem cerca de semeadura e à escolha da cultivar, de forma a
2,5 a 4,0 cm por dia e continuam a alongar-se garantir as condições climáticas favoráveis
até serem fertilizados. exigidas pela planta nesse estádio.

O número de óvulos que será fertilizado é A escolha do genótipo para uma determinada
determinado nesse estádio. Óvulos não região, assim como a época de semeadura,
fertilizados evidentemente não produzirão deve ser fundamentada em fatores como
grãos. finalidade da produção, disponibilidade de
calor e água, ocorrência de veranicos durante
Estresse ambiental, nessa fase, especialmente
o ciclo, bem como no nível tecnológico a ser
hídrico, causa baixa polinização e baixa
adotado, entre outros.
granação da espiga, uma vez que, sob seca,
tanto os “cabelos” como os grãos de pólen
tendem à dissecação. Não se deve descuidar
de insetos como a lagarta-da-espiga, que se
alimentam dos “cabelos”, deve-se combater
essas pragas, caso haja necessidade. A absor-
ção de potássio nessa fase está completa,
enquanto nitrogênio e fósforo continuam
Figura 8. Estádio R1, mostrando detalhe dos estilos-estigmas
sendo absorvidos.
(cabelo do milho) capturando grãos de pólen.
A liberação do grão de pólen pode iniciar ao
amanhecer, estendendo-se até o meio-dia. No Estádio R2, grão bolha d’água
entanto, esse processo raramente exige mais
Os grãos aqui apresentam-se brancos na
de quatro horas para sua complementação.
aparência externa e com aspectos de uma
Ainda sob condições favoráveis, o grão de
bolha d’água (Figura 9). O endosperma,
pólen pode permanecer viável por até 24
portanto, está com uma coloração clara, assim
horas. Sua longevidade, entretanto, pode ser
como o seu conteúdo, que é basicamente um
reduzida quando submetido a baixa umidade e
fluido, cuja composição são açúcares. Embora
altas temperaturas.
o embrião esteja ainda desenvolvendo-se
O estabelecimento do contato direto entre o vagarosamente nesse estádio, a radícula, o
grão de pólen e os pêlos viscosos do estigma coleóptilo e a primeira folha embrionária já
estimula a germinação do primeiro, dando estão formados. Assim, dentro do embrião em
origem a uma estrutura denominada de tubo desenvolvimento já encontra-se uma planta de
polínico, que é responsável pela fecundação milho em miniatura. A espiga está próxima de
do óvulo inserido na espiga. A fertilização atingir seu tamanho máximo. Os estilos-
ocorre de 12 a 36 horas após a polinização, estigmas, tendo completado sua função no
período esse variável em função de alguns florescimento, estão agora escurecidos e
fatores envolvidos no processo, tais como começando a secar.
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A acumulação de amido inicia-se nesse caráter condicionador de produção a extensão


estádio, com os grãos experimentando um da área foliar que permanece fisiologicamente
período de rápida acumulação de matéria ativa após a emergência da espiga.
seca, N e P continuam sendo absorvidos e a Essa fase é crítica para o consumo do milho
realocação desses nutrientes das partes verde, pois representa a época de colheita. O
vegetativas para a espiga tem início nesse descarregamento e transporte de açúcares
estádio. A umidade é de 85% nos grãos. para os grãos em desenvolvimento se dá via
floema; a sacarose, penetrando no apoplasto,
é dividida em frutose e glicose pela enzima
invertase ácida.
Na verdade, os estádios de desenvolvimento
da planta de milho para o consumo verde, em
“R3” ou “Grão leitoso” (Figura 10) não
diferenciam-se do desenvolvimento da planta
Figura 9. Estádio R2, grão bolha d’água. para consumo de grãos secos. Entretanto, é
preciso ficar atento para as características
Estádio R3, Grão Leitoso exigidas pelo mercado consumidor dessa
modalidade de milho, principalmente quanto à
Essa fase é iniciada normalmente 12 a 15 dias
cultivar a ser utilizada, uma vez, que,
após a polinização. O grão apresenta-se com
dependendo do ciclo, o momento de colheita
uma aparência amarela e, no seu interior, um
(R3) é variável, assim como o tempo de
fluido de cor leitosa. Estes açúcares são oriun-
permanência no campo na fase de grão leitoso
dos da translocação dos fotoassimilados
apto para colheita.
presentes nas folhas e no colmo, para a espi-
ga e grãos em formação. A eficiência dessa
translocação, além de ser importante para a
produção, é extremamente dependente de
água. Embora, nesse estádio, o crescimento
do embrião ainda seja considerado lento, ele
já pode ser visto caso haja uma dissecação.
Este estádio é conhecido como aquele em que
ocorre a definição da densidade dos grãos.
Os grãos, nessa fase, apresentam rápida Figura 10. Estádio R3, grão leitoso, ideal para o consumo “in

acumulação de matéria seca e com cerca de natura”.

80% de umidade, sendo que as divisões


celulares dentro do endosperma apresentam- Esse estádio é alcançado com cerca de 20 a
se essencialmente completas. O crescimento a 25 dias após a emissão dos estilos-estigmas;
partir daí é devido à expansão e ao os grãos continuam desenvolvendo-se
enchimento das células do endosperma com rapidamente, acumulando amido. O fluido
amido. interno dos grãos passa de um estado leitoso
Um estresse hídrico nessa fase, embora menos para uma consistência pastosa (Figura 11) e as
crítico que na fase anterior, pode afetar a estruturas embriônicas de dentro dos grãos
produção. Embora, nesse período, a planta encontram-se já totalmente diferenciadas. A
deva apresentar considerável teor de sólidos deposição de amido é bastante acentuada,
solúveis prontamente disponíveis, objetivando caracterizando, desse modo, um período
a evolução do processo de formação de grãos, exclusivamente destinado ao ganho de peso
a fotossíntese mostra-se imprescindível. Em por parte do grão. Em condições de campo,
termos gerais, considera-se como importante tal etapa do desenvolvimento é prontamente
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reconhecida, pois, quando os grãos presentes Estresse ambiental nessa fase pode antecipar
são submetidos à pressão imposta pelos o aparecimento da formação da camada preta,
dedos, mostram-se relativamente indicadora da maturidade fisiológica. A
consistentes, embora ainda possam apresentar redução na produção, nesse caso, seria
pequena quantidade de sólidos solúveis, cuja relacionada ao peso dos grãos e não ao
presença em abundância caracteriza o estádio número de grãos. Os grãos nesse estádio
R3 (grão leitoso). apresentam-se com cerca de 55% de umidade.
Os grãos encontram-se com cerca de 70% de Materiais destinados a silagem devem ser
umidade e já acumularam cerca da metade do colhidos nesse estádio, pois as plantas
peso que eles atingirão na maturidade. A apresentam em torno de 33 a 37% de matéria
ocorrência de adversidades climáticas, seca. O milho colhido nessa fase apresenta as
sobretudo falta de água, resultará numa maior
seguintes vantagens: apesar do decréscimo na
porcentagem de grãos leves e pequenos, o
produção de matéria verde, obtém-se
que comprometeria definitivamente a
significativo aumento na produção de matéria
produção.
seca por área; decréscimo nas perdas de
armazenamento, pela diminuição do efluente,
e aumento significativo no consumo
voluntário da silagem produzida.

Figura 11. Estádio R4, grão pastoso, época ideal para uso de
Figura 12. Estádio R5, formação de dente.
silagem.
Estádio R5, Formação de dente
Esse período é caracterizado pelo
aparecimento de uma concavidade na parte
superior do grão, comumente designada de
“dente”, coincide normalmente com o 36o dia Figura 13. Detalhe do desenvolvimento da linha do leite.
após o princípio da polinização (Figura 12). Estádio R6, Maturidade Fisiológica
Nessa etapa, os grãos encontram-se em fase
de transição do estado pastoso para o Esse é o estádio em que todos os grãos na
farináceo. A divisão desses estádios é feita espiga alcançam o máximo peso seco e vigor;
pela chamada linha divisória do amido ou ocorre cerca de 50 a 60 dias após a
linha de leite. Essa linha aparece logo após a polinização. A linha do amido já avançou até
formação do dente e, com a maturação, vem a espiga e a camada preta já foi formada. Essa
avançando em direção à base do grão. Devido camada preta ocorre progressivamente da
à acumulação do amido, acima da linha é duro ponta da espiga para a base (Figura 14). Nesse
e abaixo é macio (Figura 13). Nesse estádio, o estádio, além da paralisação total do acúmulo
embrião continua desenvolvendo-se, sendo de matéria seca nos grãos, acontece também
que, além do acentuado acréscimo de volume o início do processo de senescência natural
experimentado pelo endosperma, mediante o das folhas das plantas, as quais
aumento do tamanho das células, observa-se gradativamente começam a perder a sua
também a completa diferenciação da radícula coloração verde característica.
e das folhas embrionárias no interior dos O ponto de maturidade fisiológica caracteriza
grãos. o momento ideal para a colheita, ou ponto de
Alguns genótipos do tipo “duro” não formam máxima produção, com 30 a 38% de
dente, daí, nos referidos materiais, ser mais umidade, podendo variar entre híbridos. No
difícil notar esse estádio, podendo apenas entanto, o grão não está ainda em condições
relacioná-lo ao aumento gradativo da dureza de ser colhido e armazenado com segurança,
dos grãos. uma vez que deveria estar com 13 a 15% de
umidade, para evitar problemas com a
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armazenagem. Com cerca de 18 a 25% de MAGALHÃES, P.C.; JONES, R. Aumento de


umidade, a colheita já pode acontecer, desde fotoassimilados sobre os teores de
que o produto colhido seja submetido a uma carboidratos e nitrogênio em milho. Pesquisa
secagem artificial antes de ser armazenado. Agropecuária Brasileira, Brasília, v.25, n.12,
p.1755-1761, 1990a.
A qualidade dos grãos produzidos pode ser
avaliada pela percentagem de grãos ardidos, MAGALHÃES, P.C.; JONES, R. Aumento de
que interfere notadamente na destinação do fotoassimilados na taxa de crescimento e
milho em qualquer segmento da cadeia de peso final dos grãos de milho. Pesquisa
consumo. A ocorrência de grãos ardidos está Agropecuária Brasileira, Brasília v.25, n.12
diretamente relacionada ao híbrido de milho e p.1747-1754, 1990b.
ao nível de empalhamento a que estão MAGALHÃES, P.C.; RESENDE, M.; OLIVEIRA,
submetidas as suas espigas. Ainda de forma A. C. de; DURÃES, F.O.M.; SANS, L. M. A.
indireta, a presença de pragas, adubações Caracterização morfológica de milho de
desequilibradas e período chuvoso no final do diferentes ciclos. In: CONGRESSO NACIONAL
ciclo, atraso na colheita e incidência de DE MILHO E SORGO, 20, 1994, Goiânia.
algumas doenças podem influir no incremento Centro-Oeste: cinturao do milho e sorgo no
do número de grãos ardidos. Brasil: resumos. Goiânia: ABMS, 1994. p.
190.
A partir do momento da formação da camada
preta, que nada mais é do que a obstrução MAGALHÃES, P.C.; DURÃES, F.O.M.;
dos vasos, rompe-se o elo de ligação da OLIVEIRA, A. C. de. Efeitos do quebramento
planta-mãe e o fruto, passando o mesmo a do colmo no rendimento de grãos de milho.
apresentar vida independente. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 22, n. 3,
p. 279-289, jul/set. 1998.
MAGALHÃES, P.C.; DURÃES, F.O.M.;
OLIVEIRA, A. C. de.; GAMA, E. E. G. Efeitos
de diferentes técnicas de despendoamento na
produção de milho. Scientia Agrícola,
Piracicaba, v. 56, n. 1, p. 77-82, jan/mar.
1999.
Figura 14. Formação de camada preta no grão, indicando ponto MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F.O.M.;
de máxima acumulação de matéria seca. PAIVA, E. Fisiologia da planta de milho. Sete
Lagoas: EMBRAPA-CNPMS, 1995. 27 P.
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Guaiba: Agropecuária, 2000. p. 21-54. sistema solo-planta-atmosfera. São Paulo:
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Comunicado Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Comitê de Presidente: Ivan Cruz
Embrapa Milho e Sorgo Secretário-Executivo: Frederico Ozanan Machado Durães
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Expediente Supervisor editorial: José Heitor Vasconcellos


Revisão de texto: Dilermando Lúcio de Oliveira
Editoração eletrôncia: Tânia Mara Assunção Barbosa
1ª edição
1ª impressão (2002) Tiragem: 200

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